Ambiente de Aprendizagem para o Ensino Secundário Recorrente

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1 Mestrado em Educação Multimédia Ambiente de Aprendizagem para o Ensino Secundário Recorrente b-learning no ensino secundário recorrente Orientadores: Professor Doutor Duarte Costa Pereira Professor Doutor Eduardo Luís Cardoso Autor: Rui Paulo Vieira da Costa Mesquita ( ) 2006

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3 "A Escola que herdámos, burocrática, sem visão, sem a motivação dos seus generosos parceiros e actores, fechada para a comunidade e para o mundo, dificilmente será uma instituição para a Sociedade do Conhecimento O futuro não é apenas um futuro de tecnologias! É também um futuro modelado pela mudança dos estilos de vida e das formas de trabalhar, pela globalização das economias e pela explosão das mobilidades físicas e virtuais. Um futuro que exige que nos libertemos de visões estagnadas sobre o que são a Educação e as actividades que ela deve oferecer. Que exige uma reconcepção dessas actividades para encontrar novos equilíbrios. Que exige um exercício permanente da criatividade e uma abertura para novos paradigmas. Que exige que nos mobilizemos para reinventar a Escola. Cumpre-nos reinventar a Escola. Uma reinvenção que não cabe só à classe política, mas a todos nós, apostados que estamos numa Educação com futuro. Será o de auxiliar as nossas escolas a construir, de forma genuína e plenamente integrada, a presença portuguesa na Sociedade do Conhecimento. Então, o papel da Internet será ainda mais importante." Adaptado de Dias de Figueiredo (1998)

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5 Resumo A implementação de um Ambiente de Aprendizagem para o Ensino Secundário Recorrente sustentado no sistema b-learning (ensino presencial e ensino a distância) visa contribuir com mais um meio para aumentar o grau de proficiência e de escolaridade aos cidadãos trabalhadores, podendo estes efectuar as suas aprendizagens ao seu próprio ritmo. Pretende ainda contribuir para melhorar o nível de sucesso, aumentando-o, e diminuir a taxa de abandono. Esta investigação tem por objectivo averiguar a possível eficiência do Ambiente de Aprendizagem para o Ensino Secundário Recorrente, utilizando uma metodologia blended learning b-learning (ensino misto, isto é, presencial e a distância). Para sustentar esta investigação, procedeu-se a uma revisão de literatura sobre o Sistema Educativo Português, sobre algumas Teorias de Aprendizagem, sobre orientações relativas ao Ensino a Distância e sobre Metodologias para a elaboração de conteúdos, planeamento e desenvolvimento para o ambiente de aprendizagem a implementar. Este último centra-se nas teorias de aprendizagem construtivistas e numa perspectiva colaborativa; por isso, pode-se dizer que será aplicada uma metodologia de aprendizagem construtivista e colaborativa. Desenvolveu-se o trabalho de implementação referente ao ensino a distância, utilizando uma plataforma de e-learning denominada TWT, com um subdomínio designado Sítio da Disciplina, e, para as sessões presenciais, o sistema tradicional. Assim, o Ambiente de Aprendizagem para o Ensino Secundário Recorrente será sustentado por um sistema b-learning. Esta plataforma tem vindo a ser utilizada na escola desde Efectuou-se uma avaliação ao ambiente de aprendizagem através de um painel de especialistas painel de avaliadores constituído por personalidades de reconhecido mérito na área da pedagogia, da tecnologia e na formação a distância. Contou-se ainda com professores do ensino regular e recorrente de vários grupos disciplinares. Em termos globais, os resultados que se obtiveram foram encorajadores na implementação e no alargamento do ambiente de aprendizagem a todo o sistema de ensino recorrente. Foi possível também, ter a expectativa de que, não ganhando directa e objectivamente na aquisição dos conteúdos formais, os alunos adquiriram, com esta metodologia, competências que serão mais valias preciosas a médio e longo prazo da sua vida pessoal e profissional. Palavras-chave: ambiente de aprendizagem, aprendizagem construtivista e colaborativa, ensino a distância; e-learning; b-learning. i

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7 Abstract The implementation of a Learning Environment program for the Secondary Recurring Education, based on a b-learning system (combining education both in presence and at distance), aims to contribute to build another process of increasing workers skills and school habilitations, so that those can have some learning according to their own availabilities. It also aims to contribute to make them get better levels of success, increasing it and decreasing school abandonment rates. With this research project it is intended to search out the possible efficiency of this learning environment, adopting a blended learning methodology b-learning (blended education, in other words, education in presence and at distance). To support this project, we have revised the literature about the Portuguese Educational System, some Learning Principles, Long Distance Teaching Orientations and Methodologies used in the elaboration of contents, planning and development, in order to implement the learning environment. The latter focuses on constructivist learning theories and on a collaborative perspective; therefore, they will be used as reference and as framing contribution for the presentation of this project. The implementation based on distance / remote teaching was built using an e-learning platform named TWT, which includes an under domain called The Discipline Site and, for sessions with the presence of learners, the traditional system. Thus, the Learning Environment to the Secondary Recurring Education will be supported by a b-learning system. This platform has been used at school since An evaluation of the learning environment has been accomplished through a panel of specialists an evaluation panel considering personalities of well-known merit on pedagogical, technological area and on distance / remote teaching. We ve also relied on teachers opinion from several discipline groups from the regular and from the recurring teaching. Globally, the results obtained were encouraging to the implementation and to the enlarging process of this learning environment adapted to recurring system. It was also possible to expect that, though there no direct nor objective gains on the acquisition of formal contents, students acquired, with this methodology, skills that will be of great value at middle and long term to their personal and professional life. Key-Words: learning environment, constructive and collaborative learning, distance learning, e-learning; b-learning iii

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9 Agradecimentos Ao dar por concluído este trabalho, que constitui simultaneamente um processo de desenvolvimento pessoal e profissional, gostaria de registar o meu profundo apreço a todos quantos, de diferentes formas, me apoiaram na sua concretização. Em particular gostaria de agradecer: Ao Professor Doutor Duarte Costa Pereira pela sua disponibilidade total na supervisão desta dissertação. Ao Professor Doutor Eduardo Luís Cardoso pela valiosa co-orientação e ajuda prestada, em especial, aquando da elaboração do Ambiente de Aprendizagem e na construção e validação dos instrumentos de recolha de dados. A todos os professores do mestrado com quem tive o privilégio de partilhar conhecimentos e opiniões salientando o Professor Doutor João Paiva que sempre me incentivou e emitiu palavras de estimulo e de encorajamento. Aos elementos do painel de avaliação que se prontificaram a colaborar no estudo do Ambiente de Aprendizagem e aos professores da escola pela colaboração e boa vontade na formação das equipas de trabalho. Não poderia deixar de agradecer de uma forma muito especial à minha mulher, Maria João, e aos meus filhos, Bernardo e Mariana, pelas horas que deixei de partilhar com eles, pelas vezes sem conta que lhes respondia agora não, mais tarde e pelo meu mau humor, e mesmo assim sempre estiveram do meu lado apoiando-me em todos os momentos. Por último a todos aqueles que directa ou indirectamente contribuíram ou colaboraram nesta dissertação. v

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11 b-learning no Ensino Secundário Recorrente Índice de Conteúdos Resumo...i Abstract... iii Agradecimentos... v Índice de Conteúdos... vii Índice de Figuras...xi Índice de Tabelas...xiii Índice de Gráficos...xv Abreviaturas...xvii CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO...1 CAPÍTULO 2 IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA...5 Apresentação...7 Ensino Secundário Recorrente...9 Funcionamento...9 Estatísticas...13 Proposta Pergunta de Partida...17 CAPÍTULO 3 REVISÃO DE LITERATURA Ensino Recorrente...21 Introdução...23 O Sistema Educativo Português...25 Ensino recorrente...36 Ensino secundário recorrente...37 Funcionamento do Sistema de Ensino por Unidades Capitalizáveis...39 Sistema de Avaliação...41 Regime geral...41 Avaliação diagramática...42 Estatuto estudante trabalhador...42 Conclusão Teorias de Aprendizagem...47 Introdução...49 Evolução das Teorias de Aprendizagem...51 Reflexo das teorias nos Ambientes de Aprendizagem Educativos...59 Conclusões Ensino a Distância...65 Introdução...67 Fundamentos da educação a distância...69 Aspectos e Paradigmas da Educação a Distância...69 Definição de Educação a Distância...70 Características da Educação a Distância...71 Vantagens da Utilização da Educação a Distância...72 Desvantagens da Utilização da Educação a Distância...73 Evolução da Educação a Distância ª Geração Ensino por Correspondência ª Geração Universidades Abertas...76 vii

12 Ambiente de Aprendizagem para o Ensino Secundário Recorrente 3ª Geração Cassetes de Vídeo e Televisão ª Geração Computadores Multimédia, Interactividade e e-learning e-learning Vantagens do e-learning Desvantagens do e-learning Tipos de Comunicação no e-learning Síncrono Assíncrono Ferramentas Utilizadas no e-learning Ferramentas de Comunicação Síncrona Ferramentas de Comunicação Assíncrona Sistemas de Gestão de Aprendizagem Algumas Plataformas de LMS b-learning Características do b-learning Alguns Modelos do b-learning Conclusão Metodologias Aplicadas aos Ambientes de Aprendizagem Educativos Construtivistas...97 Introdução Modelo para a concepção de conteúdos Modelo CLE de Jonassen Modelo de planeamento e desenvolvimento Princípios fundamentais Fases do processo Conclusões Reflexão Introdução Teorias do Conhecimento Padrões comunitários de aprendizagem clássica ou tradicional Organizações/Comunidades Aprendentes Ambientes de aprendizagem colaborativa Tarefas da aprendizagem colaborativa Controlo de Interacções Colaborativas Atributos/Vantagens de um Ambiente Colaborativo Planificação das Actividades Ferramentas de Comunicação A Aposta nas Escolas Vantagens na Avaliação e Adaptação CAPÍTULO 4 AMBIENTE DE APRENDIZAGEM PARA O ENSINO SECUNDÁRIO RECORRENTE Metodologia de trabalho Introdução Estratégia de trabalho Conclusão Metodologias para a Concepção, Desenvolvimento, Implementação, Organização e Funcionamento 155 Introdução Concepção dos conteúdos Metodologia de concepção Caracterização da Disciplina Caracterização da Unidade Caracterização da Subunidade ou Tema Especificação dos écrans viii

13 b-learning no Ensino Secundário Recorrente Descrição dos écrans Design Conteúdos da disciplina Conteúdos das unidades temáticas Metodologia de desenvolvimento e implementação Desenho da interface Metodologia Organização e Funcionamento para o Professor Conclusão Metodologia de Avaliação do Ambiente de Aprendizagem Introdução Instrumentos de avaliação Instrumento de Pré-avaliação Instrumento de Avaliação para o Painel Conclusão CAPÍTULO 5 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DAS AVALIAÇÕES Introdução Apresentação das avaliações Pré-avaliação Avaliação de usabilidade Avaliação pedagógica Avaliação do painel Discussão dos resultados Conclusões CAPÍTULO 6 CONCLUSÕES FINAIS Limitações do Estudo Principais Contributos do Estudo Perspectivas de Futuro BIBLIOGRAFIA ANEXOS Anexo 1 Ensino Recorrente Legislação e correspondência Anexo 2 Guiões de Orientação Anexo 3 Questionário de Avaliação do Ambiente de Aprendizagem para o Ensino Secundário Recorrente Anexo 4 Quadro comparativo de modelos de planeamento e desenvolvimento da instrução ix

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15 b-learning no Ensino Secundário Recorrente Índice de Figuras Figura 1 Apresentação do sistema educativo Português...26 Figura 2 Quadro de Referência do Sistema Educativo após o ano lectivo 2004/ Figura 3 Percentagem de alunos matriculados por tipologias de formação...39 Figura 4 Open University...77 Figura 5 Universidade Aberta...77 Figura 6 Perspectiva do e-learning...79 Figura 7 Tipos de Comunicação...85 Figura 8 Modalidades de aprendizagem no b-learning...91 Figura 9 Qualidades dos ambientes de aprendizagem Figura 10 Modelo CLE de Jonassen para Ambientes de Aprendizagem Figura 11 Modelo construtivista R2D2 de planeamento e desenvolvimento da instrução Figura 12 Eixos directores para o Ambiente de Aprendizagem Figura 13 Esquema para a elaboração de conteúdos Figura 14 Ciclo de Implementação do Ambiente de Aprendizagem Figura 15 Fases de transição de conteúdos tradicionais para e-learning Figura 16 Exemplo gráfico da estrutura global da disciplina Figura 17 Áreas a serem utilizadas no AA/ESR Figura 18 Página de autenticação no ambiente de aprendizagem Figura 19 Vista do aluno no ambiente de aprendizagem Figura 20 Vista do professor no ambiente de aprendizagem xi

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17 b-learning no Ensino Secundário Recorrente Índice de Tabelas Tabela 1 Tabela de referência entre Portugal e a U.E....7 Tabela 2 Disciplinas da Componente de formação Geral...11 Tabela 3 Disciplinas da Componente de Formação Científica...11 Tabela 4 Disciplinas da Componente de Formação Técnica Curso Técnico de Secretariado...12 Tabela 5 Número de alunos no ensino secundário em Portugal...13 Tabela 6 Número de alunos matriculados no Continente (Ano lectivo 2004/2005)...14 Tabela 7 Evolução da tecnologia, ensino e cursos em EAD...75 Tabela 8 Vantagens e desvantagens do e-learning (continua)...82 Tabela 9 Vantagens e desvantagens do e-learning (cont.)...82 Tabela 10 Modelos de b-learning...94 Tabela 11 Modelo CLE de Jonassen para Ambientes de Aprendizagem Tabela 12 Processo de desenho da instrução (ID): Modelos Tradicionais e Construtivistas Tabela 13 Comparação entre a educação tradicional e a distância Tabela 14 Perspectivas do ensino baseado pela Internet Tabela 15 Vantagens na utilização das normas SCORM Tabela 16 Estruturação do ambiente de aprendizagem Posposta inicial e final Tabela 17 Estrutura do Ambiente de aprendizagem para o aluno Tabela 18 Estrutura do Ambiente de aprendizagem para o professor Tabela 19 Tabela de referência de avaliação da e-participações (simplificada) Tabela 20 Tabela de referência de avaliação da e-participações (complexa) Tabela 21 Critérios de avaliação para as disciplinas no Ambiente de Aprendizagem Tabela 22 Grau de severidade nos problemas de usabilidade Tabela 23 Domínios e elementos de avaliação Tabela 24 Caracterização dos inquiridos Tabela 25 Descrição por domínios das percepções do painel de avaliação xiii

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19 b-learning no Ensino Secundário Recorrente Índice de Gráficos Gráfico 1 Estrutura da população segundo o nível de educação atingido...8 Gráfico 2 Evolução da população empregada entre 1998 e 2005, segundo o nível mais elevado de escolaridade atingido e por sexo...8 Gráfico 3 Aprendizagem ao Longo da Vida...8 Gráfico 4 Alunos matriculados no ensino secundário (Ano lectivo 2004/2005)...14 Gráfico 5 Alunos matriculados no ensino secundário recorrente, segundo a modalidade (Ano lectivo 2004/2005)...15 Gráfico 6 Evolução do ensino secundário recorrente para os anos lectivos de 1999/2000 a 2004/ Gráfico 7 Representação do Domínio Técnico da Grelha de Avaliação Gráfico 8 Representação do Domínio do Conteúdo da Grelha de Avaliação Gráfico 9 Representação do Domínio Pedagógico da Grelha de Avaliação Gráfico 10 Representação do Domínio Linguístico da Grelha de Avaliação Gráfico 11 Representação do Domínio Atitudes e Valores da Grelha de Avaliação Gráfico 12 Valores gerais do Domínio Técnico Gráfico 13 Valores gerais do domínio conteúdos Gráfico 14 Valores gerais do domínio pedagógico Gráfico 15 Valores gerais do domínio linguístico Gráfico 16 Valores gerais do domínio dos valores e atitudes Gráfico 17 Valores gerais de todos os domínios xv

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21 b-learning no Ensino Secundário Recorrente Abreviaturas AA/ESR ACA (CLE) ALV CET CFE CLE (ACA) CRIE DGFV EAC EaD EFA FAQ FTP GIASE IA ID IEFP IRC LMS (SGA) OU PAP PNE R2D2 SACAUSEF Ambiente de Aprendizagem para o Ensino Secundário Recorrente. Ambientes Construtivistas de Aprendizagem; (Constructive Learning Enviroments). Aprendizagem ao Longo da Vida. Cursos de Especialização Tecnológica. Cursos de Formação e Educação. Constructive Learning Enviroments; (Ambientes Construtivistas de Aprendizagem) Equipa de Missão Computadores, Redes e Internet na Escola. Direcção Geral de Formação Vocacional. Ensino Assistido por Computador. Ensino a Distância. Cursos de Educação e Formação para Adultos. Frequently Asked Questions. File Transfer Protocol. Gabinete de Informação e Avaliação do Sistema Educativo. Inteligência Artificial. Processo de desenho da instrução. Instituto de Emprego e Formação Profissional. Internet Relay Chat. Learning Management System; (Sistemas de Gestão de Aprendizagem). Open University. Prova de Aptidão Profissional. Plano Nacional de Educação. Reflective, Recursive Design and Development. Sistema de Avaliação Certificação e Apoio à Utilização de Software para a Educação e Formação xvii

22 Ambiente de Aprendizagem para o Ensino Secundário Recorrente SEUC SGA (LMS) SIEAC SUC TIC TWT UC UNIABE UNISA URL WWW Sistema de Ensino por Unidades Capitalizáveis. Sistemas de Gestão de Aprendizagem; (Learning Management System). Sistemas Inteligentes de Ensino Assistido por Computador. Sistema de Unidades Capitalizáveis. Tecnologias de Informação e Comunicação. Teaching Web Tookit Unidades capitalizáveis. Universidade Aberta de Portugal. University of South Africa. Universal Resource Locator em português significa Localizador Universal de Recursos. World Wide Web xviii

23 b-learning no Ensino Secundário Recorrente Capítulo 1 Introdução 1

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25 b-learning no Ensino Secundário Recorrente O Sistema de Ensino Português inclui o ensino recorrente com o objectivo de proporcionar aos cidadãos uma segunda oportunidade para completar os seus estudos. Estes estudos podem ser desde o ensino básico ao ensino secundário. É reconhecido, em alguns estudos publicados, que o grau de escolaridade da população Portuguesa é baixo. Sendo necessário proporcionar a possibilidade de aumentar o grau de escolaridade tem-se vindo a criar sistemas alternativos de ensino, aparecendo assim o ensino recorrente para os ensinos básicos e para o ensino secundário. Atendendo a que o ensino secundário recorrente é frequentado sobretudo por estudantes trabalhadores, deve-se fazer um esforço em encontrar alternativas de ensino que proporcionem a formação ao ritmo de cada aluno e não exista uma prisão ao nível do tempo. O recurso a um sistema de aprendizagem através de Ambientes de Aprendizagem para o Ensino Secundário Recorrente (AA/ESR) sustentados num sistema b-learning (sistema misto presencial e a distância), como mais uma alternativa de ensino, visa contribuir para aumentar o grau de escolaridade dos cidadãos trabalhadores podendo estes efectuarem as suas aprendizagens ao ritmo mais apropriado. Pretende ainda este AA/ESR possa contribuir para melhorar o nível de sucesso, aumentando-o, e diminuir a taxa de abandono. A Sociedade em que vivemos actualmente caracteriza-se por uma sociedade de informação e pela forte utilização de novas tecnologias ou tecnologias inovadoras, como é o caso da utilização de computadores e o recurso à Internet. A escola tem que acompanhar esta transformação da sociedade, considerando as novas tecnologias uma aliada e não uma inimiga, que aproxima-se aos alunos e não que se afasta dos alunos. O papel do professor, com a explosão da sociedade de informação, tornou-se urgente efectuar uma transformação na filosofia de transmissão de conhecimentos. Mais do que transmitir conhecimento aos alunos tem que se lhes proporcionar a aquisição de competências para que sejam capazes de pesquisar, analisar, seleccionar e tratar a informação que lhes chega todos os dias, a um ritmo alucinante e por outro lado, no mundo empresarial, estamos a presenciar uma aposta na formação dos empregados, em que esta, muitas vezes, utiliza as novas tecnologias nomeadamente a Internet para a formação a distância. Esta investigação tem por objectivo averiguar a possível eficiência de um AA/ESR utilizando uma metodologia blended learning b-learning (misto de ensino presencial mais a distância). Para a concretizar, recorreu-se a um método essencialmente qualitativo, realizando-se um análise qualitativa e descritiva efectuada por um painel de avaliadores painel de especialistas constituído por 5 elementos de reconhecido mérito. A proposta de estudo descreve-se no capítulo 2 intitulandose identificação do problema. Para sustentar esta investigação procedeu a uma revisão de literatura descrita no capítulo 3 dividindo-o em vários pontos consoante a temática a tratar. No ponto 1 analisar-se-á o Sistema 3

26 Ambiente de Aprendizagem para o Ensino Secundário Recorrente Educativo Português dando ênfase ao ensino secundário recorrente. Algumas teorias de aprendizagem são abordadas no ponto 2 de forma a sustentar o objectivo de trabalho. No ponto 3 efectua-se um estudo sobre o ensino a distância desde o ensino por correspondência ao ensino a distância permitindo o enquadramento no trabalho a desenvolver. Sobre as metodologias para a elaboração de conteúdos, planeamento e desenvolvimento do trabalho a realizrar será descrito no ponto 4. Este ponto permitirá estruturar o trabalho a desenvolver de uma forma cuidada. Por último, ponto 5, faz-se uma pequena reflexão sobre os paradigmas das teorias de aprendizagem e ensino a distância e os seus reflexos na escola. Após um enquadramento teórico a fase seguinte contempla a elaboração do AA/ESR, que será retratada no capítulo 4 Ambiente de Aprendizagem para o Ensino Secundário Recorrente. Este capítulo por uma questão de organização temporal dividiu-se em 3 pontos: metodologia de trabalhos, metodologias para a concepção, desenvolvimento, implementação, organização e funcionamento e metodologia de avaliação do ambiente de aprendizagem. No primeiro ponto pretende-se explicar qual foram os princípios orientadores e sua estruturação, em seguida, ponto 2, descrever o processo que norteou todo o processo desde a concepção à organização e funcionamento do AA/ESR e no 3 ponto quais as metodologias a utilizar para a avaliação do trabalho realizado. No capítulo 5 Apresentação e Discussão das Avaliações, apresenta-se os resultados das avaliações efectuadas quer a nível interno (pré-avaliação) quer a nível externo (avaliação por um painel de especialistas). Após a apresentação dos resultados é aberto o tema que discutirá os resultados obtidos pelas avaliações confrontando-os com a perspectiva dos autores do trabalho. Aqui será o momento em que se poderá ou não validar o projecto quer a nível pedagógico quer a nível técnico. Por último efectuam-se as conclusões, capítulo 6, analisando as limitações do estudo, os principais contributos e as perspectivas de futuro. Indicam-se as limitações do estudo efectuando-se o enquadramento necessário e argumentando-se e/ou explicando-se. Descrevem-se as soluções e/ou alternativas encontradas para a supressão de tais limitações. Em seguida descreve-se o que se considerou importante no estudo que se efectuou. Por fim apontam-se algumas perspectivas de consolidação, transversalidade e trabalhos futuros que podem ser executados. 4

27 b-learning no Ensino Secundário Recorrente Capítulo 2 Identificação do Problema 5

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29 b-learning no Ensino Secundário Recorrente Apresentação O sistema educativo português contempla, na lei de base do sistema educativo (Lei nº. 46/86), o Ensino Recorrente que se apresenta como uma segunda oportunidade de educação para os cidadãos que dela não usufruíram em idade própria ou abandonaram precocemente o sistema regular de ensino. Constitui uma modalidade especial de educação escolar, considerada prioritária face à situação educativa da população portuguesa, especialmente a adulta, e às exigências da sociedade contemporânea. Segundo a deliberação da Cimeira de Lisboa em Março de 2000, e seu posterior tratamento ministerial português, recolheram-se alguns dados, aqui expressos na tabela 1 e pelos gráficos 1, 2 e 3, os quais permitem verificar que o grau de escolaridade em Portugal é bastante baixo e, quando comparado com os valores médios da União Europeia, ficamos ainda mais alarmados. Nota-se que ainda há muito que trabalhar para atingir valores similares aos das médias da União Europeia. Por outro lado tem havido, pela parte dos nossos governantes, vontade em melhorar a qualificação da população portuguesa criando novas oportunidades, quer pelo Programa Nacional de Educação (PNE) numa abrangência de uma Aprendizagem ao Longo da Vida (ALV), quer pelas propostas efectuadas no programa Novas Oportunidades. Salienta-se que será necessário efectuar muitas mudanças nas metodologias de ensinar e de aprender que devem ser aplicadas, muitas delas partindo dos professores e organismos educacionais. Estas mudanças podem ser mais um elemento promissor para aumentar o grau de escolaridade dos cidadãos portugueses contribuindo para uma melhor qualificação profissional tão desejada. Parâmetros de Referência Níveis em 2001 Nível a alcançar em 2010 Média U.E. Portugal Média U.E. Portugal Saída escolar precoce 18,8% 44,8% 10% Conclusão do ensino secundário 75,4% 44,1% 85% 25% (PNE 1 ) 65% (PNE 1 ) Competências básicas 17,2% (PISA ) 26,3% (PISA ) 20% [13,7%] (21,0%) Aprendizagem ao longo da vida 8,5% ( ) 2,9% ( ) 12,5% 12,5% (PNE 1 ) Matemática, ciências e tecnologia (Total: 593 mil)? + 15% (Total: 680 mil 4 ) Notas: (1) Programa Nacional de Educação; (2) Valores segundo o Relatório de PISA de 2000; (3) valores obtidos para o ano de 2002; (4) Valores previsíveis para os 15 Estados da U.E. Tabela 1 Tabela de referência entre Portugal e a U.E. Fonte: GAERI - Gabinete dos Assuntos Europeus e Relações Internacionais; Ministério da Educação 7

30 Ambiente de Aprendizagem para o Ensino Secundário Recorrente Gráfico 1 Estrutura da população segundo o nível de educação atingido Fonte: Direcção-Geral de Estatística e Planeamento (DGEEP) Gráfico 2 Evolução da população empregada entre 1998 e 2005, segundo o nível mais elevado de escolaridade atingido e por sexo Fonte: Inquérito ao Emprego; Instituto Nacional de Estatística (INE) Gráfico 3 Aprendizagem ao Longo da Vida Fonte: Direcção-Geral de Estatística e Planeamento (DGEEP) 8

31 b-learning no Ensino Secundário Recorrente Ensino Secundário Recorrente Funcionamento Os cursos, destes sistema de ensino, caracterizam-se pela flexibilidade e adaptabilidade dos ritmos de aprendizagem à disponibilidade, aos conhecimentos e às experiências dos alunos, traduzindo-se num sistema de unidades capitalizáveis (UC). A frequência desta modalidade de ensino implica a elaboração de um itinerário individual de formação, estabelecido entre o aluno e a escola, que deverá ser acordado antes da efectivação da matrícula. Neste itinerário, o aluno pode escolher um dos dois regimes de frequência: presencial - os alunos comprometem-se a ser assíduos, não podendo o número de faltas injustificadas ultrapassar o quádruplo do número de horas semanais de cada disciplina. Ultrapassando o limite de faltas o aluno transita nessa disciplina para o regime não presencial; não presencial - os alunos optam pela não frequência das aulas, realizando provas das unidades em datas previamente marcadas e divulgadas pelo órgão de gestão da escola. Os alunos podem requerer aulas de apoio nos dois regimes de frequência. Dadas as características do público-alvo, o ensino secundário recorrente é uma modalidade de ensino que funciona, geralmente, em regime nocturno pós-laboral (19:00 às 23:50). O curso geral visa essencialmente o prosseguimento de estudos, acesso ao ensino superior, enquanto que os cursos técnicos, embora possibilitem igualmente acesso ao ensino superior, visam proporcionar, preferencialmente, uma qualificação profissional de nível 3. A estrutura do ensino secundário recorrente é a seguinte: Curso geral Curso técnico de: o Animação social o Artes e ofícios o Comunicação o Contabilidade o Construção civil o Desenho de construções mecânicas o Design de comunicação 9

32 Ambiente de Aprendizagem para o Ensino Secundário Recorrente o Electrotecnia o Informática o Química o Secretariado Estes cursos destinam-se principalmente a jovens e adultos que têm: idade mínima: 18 anos, ou menores de 18 anos, desde que sejam comprovadamente trabalhadores estudantes; habilitações literárias: 9º ano de escolaridade ou equivalente. Para efeitos de posicionamento em cada disciplina, os saberes adquiridos pelos alunos podem ser certificados através de um processo directo de equivalências ou através da realização de testes diagnósticos. Os planos de estudos do curso geral e dos cursos técnicos visam objectivos diferentes, pelo que a sua estrutura curricular é também distinta, integrando as seguintes componentes de formação: componente de formação geral, comum a todos os cursos, ver tabela 2; componente de formação científica/específica, ver tabela 3: para aqueles que optem pelo curso geral, impõe-se a escolha de 4 disciplinas, em função dos interesses dos alunos e do acesso ao ensino superior para aqueles que optem pelos cursos técnicos, é obrigatória a frequência de duas disciplinas componente de formação técnica, apenas para os cursos técnicos, é composta por 2 ou 3 disciplinas de carácter técnico-prático, ver tabela 4 (exemplo para o curso técnico de secretariado). O programa de cada disciplina ou área disciplinar é constituído por uma sequência de unidades capitalizáveis, isto é, por um conjunto de objectivos e conteúdos programáticos agrupados em unidades. As tabelas seguintes representam a estrutura curricular, o número de unidades e o número de tempos lectivos. É apresentado também uma sugestão de distribuição dos tempos ao longo da semana. 10

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