MÁRIO AUGUSTO GOMES DESENVOLVIMENTO DE UM SISTEMA DE LAUDOS HISTOPATOLÓGICOS BASEADO NA PLATAFORMA MICROSOFT.NET 2.0

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1 MÁRIO AUGUSTO GOMES DESENVOLVIMENTO DE UM SISTEMA DE LAUDOS HISTOPATOLÓGICOS BASEADO NA PLATAFORMA MICROSOFT.NET

2 MÁRIO AUGUSTO GOMES DESENVOLVIMENTO DE UM SISTEMA DE LAUDOS HISTOPATOLÓGICOS BASEADO NA PLATAFORMA MICROSOFT.NET 2.0 Dissertação apresentada à Faculdade de Odontologia de São José dos Campos, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, como parte dos requisitos para obtenção do título de MESTRE, pelo Programa de Pós-Graduação em BIOPATOLOGIA BUCAL, Área Patologia. Orientadora: Profa. Tit. Yasmin Rodarte Carvalho Co-orientador: Prof. Adj. Luiz Eduardo Blumer Rosa São José dos Campos 2011

3 Apresentação gráfica e normalização de acordo com: Alvarez S, Coelho DCAG, Couto RAO, Durante APM. Guia prático para Normalização de Trabalhos Acadêmicos da FOSJC. São José dos Campos: FOSJC/UNESP; G585d Gomes, Mário Augusto. Desenvolvimento de um sistema de laudos histopatológicos baseado na plataforma microsoft.net 2.0 / Mário Augusto Gomes. São José dos Campos : [s.n.], f. : il. Dissertação (Mestrado em Biopatologia Bucal) Faculdade de Odontologia de São Jose dos Campos, Universidade Estadual Paulista, Orientador: Profa. Dra. Yasmin Rodarte Carvalho Co-orientador: Luiz Eduardo Blumer Rosa 1. Informática em Saúde. 2. Informática em Patologia. 3. Diagnóstico. I. Carvalho, Yasmin Rodarte. II. Universidade Estadual Paulista. Faculdade de Odontologia de São José dos Campos. III. Título Ficha catalográfica elaborada pelo Serviço Técnico de Biblioteca e Documentação da Faculdade de Odontologia de São José dos Campos UNESP AUTORIZAÇÃO Autorizo a reprodução e divulgação total ou parcial deste trabalho, por qualquer meio convencional ou eletrônico, desde que citada a fonte. São José dos Campos, 11 de abril de Assinatura :

4 BANCA EXAMINADORA Profa. Titular Yasmin Rodarte Carvalho (Orientador) Faculdade de Odontologia de São José dos Campos UNESP - Univ Estadual Paulista Prof. Dr. Decio dos Santos Pinto Júnior Faculdade de Odontologia de São Paulo Universidade de São Paulo - USP Prof. Dr. Ivan Torres Pisa Escola Paulista de Medicina Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP São José dos Campos, 26 de maio de 2011.

5 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho aos meus pais, por me darem a vida e à minha amada esposa, Ana, por fazê-la ter sentido. À minha querida filha Isabela, presente em todos os meus momentos. meu coração. Aos meus queridos Rafael, Luís, Frederico e Camila, sempre no

6 AGRADECIMENTOS À Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, nas pessoas do diretor e vice-diretor da Faculdade de Odontologia de São José dos Campos, Prof. Adj. José Roberto Rodrigues e Prof. Dr. Carlos Augusto Pavanelli. Ao Programa de Pós-graduação em Biopatologia Bucal, na pessoa da coordenadora Profa. Adj. Cristiane Yumi Koga Ito, pelo trabalho e atenção quando sempre precisei. Ao Prof. Tit. Antonio Olavo Cardoso Jorge, pela coragem em acreditar em nosso trabalho. À Universidade Federal de São Paulo, todos os professores e tutores do Curso de Especialização em Informática em Saúde, em especial, ao Prof. Dr. Ivan Torres Pisa e Prof. Dr. Carlos José Reis de Campos por todos os ensinamentos que recebi. Às secretárias da Pós-graduação, Rosemary, Erena e Bruno pela prontidão em nos atender sempre. Ao analista de sistemas, Cleber Wander Fernandes Pinheiro, pelo suporte nos momentos mais complicados. Agradeço a todos os docentes do programa de Biopatologia Bucal e, em especial, à Prof.ª Titular Yasmin Rodarte Carvalho, Prof.ª. Drª. Adriana

7 Aigotti Haberbeck Brandão e Prof. Dr. Luiz Eduardo Blumer Rosa, pela gentileza de sempre e por todos os ensinamentos. Agradeço a todos os profissionais do Programa de Saúde Bucal da Secretaria Municipal de São José dos Campos, pela compreensão na reorganização dos meus horários de trabalho.

8 "Nós, homens do conhecimento, não nos conhecemos; de nós mesmo somos desconhecidos." Friedrich Nietzsche

9 SUMÁRIO RESUMO ABSTRACT LISTA DE FIGURAS LISTA DE QUADROS LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS INTRODUÇÃO REVISÃO DA LITERATURA Sociedade da Informação e a Patologia Sistemas de Informação em Saúde Tecnologia da Informação Desenvolvendo Sistemas de Informação em Saúde Engenharia de Software Linguagens de Programação Ferramentas de Desenvolvimento Sistema Gerenciador de Banco de Dados e Banco de Dados Arquitetura de desenvolvimento em três camadas A Tecnologia Microsoft.NET Framework Licenças de Software PROPOSIÇÃO MATERIAIS E MÉTODOS Materiais Métodos RESULTADOS Definição de metas e prioridades Estruturação e padronização de termos Indicadores importantes e dados relevantes para

10 utilização no setor Fluxos de informação, coleta e recursos humanos Modelagem de dados Tecnologia utilizada e programação Definição de problemas, resistências Infraestrutura e financiamento DISCUSSÃO Definição de metas e prioridades Estruturação e padronização de termos Indicadores importantes e dados relevantes para utilização no setor Fluxos de informação, coleta e recursos humanos Modelagem de dados Tecnologia utilizada e programação Definição de problemas, resistências, infraestrutura e financiamento CONCLUSÃO REFERÊNCIA APÊNDICE ANEXO

11 Gomes MA. Desenvolvimento de um sistema de laudos histopatológicos baseado na plataforma Microsoft.NET 2.0 [dissertação]. São José dos Campos: Faculdade de Odontologia de São José dos Campos, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho ; RESUMO O objetivo deste trabalho foi desenvolver um sistema informatizado de laudos histopatológicos baseado na plataforma.net 2.0. Este software construído para o Sistema Operacional Microsoft Windows utilizou a plataforma Microsoft Framework 2.0 com a camada de resistência de dados Microsoft SQL Server Outros recursos como Microsoft Report View foram utilizados como ferramenta para geração de relatórios estatísticos, sócio-epidemiológicos e de gerenciamento do serviço de exames anatomopatológicos da Faculdade de Odontologia de São José dos Campos - UNESP. Para a realização deste software foram levantadas, na literatura, pesquisas nas áreas de Engenharia de Software, Patologia Bucal, Tecnologia da Informação e Comunicação em Saúde, Gestão em Serviços de Saúde, Sistema de Informação em Saúde, Diagnóstico Oral e Técnicas de Programação. O software desenvolvido teve a finalidade de suprir a demanda acadêmica na produção científica e aprimorar o serviço prestado à comunidade, além de constituir-se numa ferramenta pedagógica para os alunos da Pós-graduação em Biopatologia Bucal, Área Patologia. Palavras-chave: Informática em Saúde. Informática em Patologia. Diagnóstico.

12 Gomes MA. Development of a system of histopathology reports based on the Microsoft. NET 2.0 [dissertation]. São José dos Campos, School of Dentistry of São José dos Campos, UNESP Univ Estadual Paulista; ABSTRACT The objective of this study was to develop a computerized system based on Microsoft NET 2.0, using histopathological examinations.this software built for Microsoft Windows operating system used the Microsoft Framework 2.0 with a layer of resistance to Microsoft SQL Server Other features like Microsoft Report View was used as a tool for generating statistical reports, epidemiological and social-service management of pathological examinations of the Faculty of Dentistry of São José dos Campos - UNESP. For the realization of this software have been raised in the literature research in the areas of Software Engineering, Oral Pathology, Information Technology and Communication in Health, Health Services Management, Information Technology in Health, Oral Diagnosis and Programming Techniques. The developed software was designed to meet the demand in the academic scientific production and improve service to the community, and building up a teaching tool for students of the Postgraduate Dental Biopathology Area Pathology. Keywords: Pathology Informatics. Health Informatics, Diagnosis.

13 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Ciclo Clássico de Software Figura 2 - Imagem do Microsoft Visual Studio.NET Figura 3 - Fluxo de trabalho do Examinador Figura 4 - Fluxo de tarefas do Técnico de Laboratório Figura 5 - Fluxo de trabalho do Professor da Patologia Figura 6 - Exemplo de documento UML de casos de uso Figura 7 - Sequência de digitação de laudos antigos por digitador Figura 8 - Sequência básica de processos para Laudo Histopatológico e Avaliação de Aluno Figura 9 - Fluxo de preenchimento da requisição de exame Figura 10 - Formulário de Requisição de Exame (Entrada) Figura 11 - Formulário de Requisição de Exame (profissional solicitante) Figura 12 Formulário de Requisição (Paciente) Figura 13 Formulário de Requisição (história médica) Figura 14 Formulário de Requisição (história de tabagismo) Figura 15 Formulário de Requisição (história de etilismo) Figura 16 Formulário de Requisição (história de uso de drogas ilícitas) Figura 17 Formulário de Requisição (história de hábitos) Figura 18 Formulário de Requisição (história familiar) Figura 19 - Formulário de Requisição (medicamentos em uso pelo paciente) Figura 20 Formulário de Requisição (detalhes da biópsia) Figura 21 Formulário de Requisição (características da lesão) Figura 22 Formulário de Requisição (localização da lesão)... 87

14 Figura 23 Formulário de Requisição (aspectos radiográficos da lesão) Figura 24 Formulário de Requisição (Nova requisição solicitada) Figura 25 Formulário de Requisição (Emissão de Recibo) Figura 26 Formulário de Rotina Examinador (Verificação de requisição aguardando exame macroscópico ) Figura 27 Formulário de Detalhes de Rotina Examinador (exame macroscópico, dados da requisição) Figura 28 Formulário de Detalhes de Rotina Examinador (exame macroscópico) Figura 29 Formulário de Rotina Técnico de Laboratório (Verificação de requisição aguardando lâminas ) Figura 30 Formulário de Detalhes de Rotina Examinador Exame Microscópico (Relatório Aula de Diagnóstico) Figura 31 Formulário de Detalhes de Rotina Examinador Exame Microscópico Figura 32 Formulário de Rotina Professor (Verificação de avaliação) Figura 33 Formulário de Detalhes de Professor Avaliação Macroscópica Figura 34 Formulário de Detalhes de Professor Avaliação Microscópica Figura 35 Formulário de Detalhes de Professor Devolutiva ao Aluno Figura 36 Formulário de Detalhes de Professor Diagnóstico Figura 37 - Formulário de geração, impressão e exportação de laudo.. 97 Figura 38 - Exemplo de Relatório de Produtividade Figura 39 Exemplo de Relatório Estatístico Epidemiológico utilizando parâmetros como raça e datas de laudo Figura 40 - Formulário de login e senha para usuários do sistema Figura 41 - Formulário de digitação de laudos antigos no sistema

15 Figura 42 - Formulário de rotina do Professor da Patologia Figura 43 - Formulário de pesquisa de laudos por número da requisição Figura 44 - Formulário de envio de s para Examinador Figura 45 - Formulário de Cadastro de Profissionais Solicitantes Figura 46 - Formulário de avaliação, devolutiva e diagnóstico (exame macroscópico) Figura 47 - Formulário de avaliação, devolutiva e diagnóstico (exame microscópico) Figura 48 - Formulário de avaliação, devolutiva e diagnóstico (devolutiva) Figura 49 - Formulário Relatório de Avaliação Coletiva de Examinadores Figura 50 - Formulário de avaliação, devolutiva e diagnóstico (vinculação de imagens) Figura 51 - Formulário de acesso ao website de Patologia Figura 52 - Formulário de cadastro de profissionais solicitantes (Google Maps ) Figura 53 - Formulário de emissão de recibo Figura 54 - Formulário de impressão de laudo Figura 55 - Esquema de Ambiente Computadorizado do Sistema de Laudos Histopatológicos Figura 56 Apresentação do gráfico de Sistemas Operacionais mais utilizados por usuários Figura 57 Apresentação do gráfico de versões de Sistemas Operacionais mais utilizadas por usuários

16 LISTA DE QUADROS Quadro 1 Cronograma para Ciclo de Vida de Software Quadro 2 - Controle do ciclo de desenvolvimento Quadro 3 Gerência de Riscos Quadro 4 Resultado do Cronograma de Desenvolvimento Quadro 5 Gerência de riscos principais

17 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CID = Código Internacional das Doenças CRL = Common Language Runtime EULA = End User License Agreement GPL = General Public License HIPRIS = Histopathological Reporting Information System IDE = Integred Development Environment IIS = Internet Information Services (Serviços de Informação de Internet) PDF = Portable Document File PEP = Prontuário Eletrônico do Paciente RAD = Rapid Application Development SAD = Sistema de Apoio à Decisão SGBDR = Sistema Gerenciador de Banco de Dados Relacionais SOAP = Subjetivo, Objetivo, Avaliação e Plano de Tratamento SQL = Structured Query Language TIC = Tecnologia de Informação e Comunicação TISS = Troca de Informação em Saúde Suplementar UML = Unified Modeling Language

18 1 INTRODUÇÃO Durante a história da humanidade, é possível identificar mudanças de paradigmas que alteraram definitivamente a forma como a sociedade se organizava. Estas mudanças foram tão intensas que foram chamadas de revoluções. De fato, é notável como a Revolução Agrícola e a Revolução Industrial afetaram a história da humanidade, gerando novas tecnologias, assim como novos problemas e desafios que surgiram como reflexos destas próprias revoluções. Um exemplo disto são as discussões atuais sobre a utilização exagerada de recursos naturais resultantes destas revoluções e que, provavelmente, desencadearão uma nova revolução, a Revolução Ambiental. Nos dias de hoje, vivencia-se a Revolução do uso da Informação a partir das tecnologias disponibilizadas para sociedade moderna. Estas tecnologias e estes novos equipamentos também influenciam o modo como esta sociedade se comunica, percebe e interage com o mundo. Pode-se afirmar que todos os aspectos da vida cotidiana envolvem a organização de informação como componente atuante na melhoria dos processos. Desta forma, pela maneira como o homem se organiza, social e economicamente utilizando-se destas novas tecnologias, associadas às suas necessidades pessoais de comunicação e de compreensão do mundo, novos paradigmas de interação são criados e, a partir destes, a relação do indivíduo com o mundo é novamente transformada. O setor Saúde não está imune a estas transformações. Com o desenvolvimento da ciência médica, houve um aumento considerável nas informações sobre doenças, métodos de diagnóstico, tratamentos disponíveis para os clínicos, dados para pesquisadores e

19 17 ferramentas para gestores de serviços de saúde. Aliado a este aumento na oferta destas informações, também houve um incremento da exigência quanto à quantidade e qualidade das informações emitidas pelos serviços de diagnóstico. Consequentemente, estes fatores aumentaram as demandas dos clínicos por mais informações nos laudos histopatológicos (Tilakaratna; Silva, 2000). No laboratório de Patologia da Faculdade de Odontologia de São José dos Campos/UNESP há um grande número de exames histopatológicos (12000 até dezembro de 2010), os quais contêm um grande volume de informação não disponível de forma rápida, dinâmica, padronizada, compilada e contextualizada. Isto leva à perda de informações importantes quanto à etiopatogenia e epidemiologia das doenças em âmbito regional, dificultando o retorno que se espera a partir deste conhecimento para a sociedade. O objetivo deste trabalho é o desenvolvimento de um sistema informatizado (software) que provocará uma reengenharia no setor, integrando fluxos de trabalho, controle de demanda, controle na qualidade de entrada de dados estruturados, apoio a decisões gerenciais e avaliações dos exames executados pelos acadêmicos de pósgraduação. Além disso, o software também permitirá o follow up de casos escolhidos, troca de informações eletrônicas entre instituições e constituirá uma enorme fonte de pesquisa tanto da etiopatogenia e epidemiologia regional das doenças, quanto de informações sobre o perfil dos profissionais e pacientes que solicitam o serviço, permitindo, desta forma, gerar uma melhoria no serviço prestado à comunidade.

20 2 REVISÃO DA LITERATURA 2.1 Sociedade da Informação e a Patologia Uma Sociedade da Informação está em construção devido à consequência da explosão informacional gerada por transmissões de dados de baixo custo, velocidades de transmissão crescentes, popularização e queda de custos de componentes computadorizados. Ela está se organizando com o uso intensivo de processos de informação, comunicação e compartilhamento de dados em um nível global antes nunca imaginado. Porém, apesar desta construção ser evidente, ela não ocorre de forma homogênea em todos os segmentos da sociedade contemporânea. Segundo Sigulem (2009), a integração se faz de forma gradual em diferentes setores da sociedade e da economia. Muito embora esta integração não seja homogênea, é possível perceber um padrão evolutivo na integração destas tecnologias em seus processos, nos diferentes segmentos. De acordo com Falsarella e Chaves (1995), a evolução da informatização numa organização ocorre em seis estágios de Nolan: a) Estágio de Iniciação: O usuário é resistente ao uso de informática, tem pouco envolvimento com tecnologia. A organização encoraja a utilização da informática e incentiva treinamentos, muito embora tenha poucos processos automatizados;

21 19 b) Estágio de Contágio: Há a proliferação de automação em atividades manuais, porém, sem a integração das informações entre os setores; c) Estágio de Controle: O uso de Sistemas de Informação é explosivo. O usuário, antes resistente, se torna a força propulsora e exige da organização mais recursos para a informática; d) Estágio de Integração: Em resposta à exigência de melhor gestão, os Sistemas de Informação passam a ser orientados para atender necessidades gerenciais. A qualidade da informação e a integração entre elas passam a ser prioridade; e) Estágio de Administração dos Dados: Os Sistemas de Informação passam a ser organizados de forma global e demandam cuidados para que Sistemas Setoriais ou Especializados não causem redundâncias; f) Estágio de Maturidade: A informação passa a ser considerada como patrimônio da organização. O usuário se torna participativo, responsável e o crescimento da informática na organização é ordenado. Para Sigulem (2009), entretanto, a incorporação dessa tecnologia de informação é condensada por apenas três fases básicas dispostas cronologicamente: novidade interessante, cavalo de Tróia e total integração de Tecnologia da Informação (legal e organizacional).

22 20 A fase denominada novidade interessante se refere ao período em que se insere no setor um ou mais equipamentos informatizados, sendo usados superficialmente e não atingindo uma massa crítica, ou seja, não provocando uma transformação nos processos ou uma reengenharia no setor. Num segundo momento, na fase identificada como cavalo de Tróia, o setor já utiliza os equipamentos informatizados com mais intensidade, como um editor de texto, planilhas etc., porém, a tecnologia ainda não está integrada aos processos. Esta fase evolui com o tempo até atingir uma massa crítica, isto é, até o momento em que o setor percebe a necessidade de integração total de seus processos com a tecnologia da informação. Contudo, o esforço e os custos para esta integração e reorganização dos processos produtivos e de fluxos são muito altos, pois, nesta fase, a tecnologia é utilizada de forma não integrada em todas as camadas do setor, não sendo a informação compartilhada nem estruturada. No terceiro momento, a tecnologia provoca uma total reengenharia do setor onde se inseriu. Temse como exemplo, na história contemporânea, o Setor Industrial o qual foi totalmente transformado no final da década de 80 pela utilização da tecnologia da informação. Ao se observar a indústria atualmente automobilística, é difícil imaginá-la sem a automação industrial ou sem os robôs e softwares inseridos e integrados tanto na fabricação de automóveis como na gestão de seus recursos materiais e humanos (Sigulem, 2009). Nos anos 90, o Setor Financeiro também passou pelo processo de informatização e por sua completa reengenharia. No cotidiano, convive-se com os caixas eletrônicos, transações bancárias pela internet ou compras e vendas de ações acompanhadas em tempo real em qualquer lugar do mundo onde se tenha uma conexão de internet (Sigulem, 2009). Entretanto, se nestes setores já ocorreu uma total integração, o setor saúde ainda se encontra na fase de novidade

23 21 interessante, ou, nos ambientes mais organizados, na fase de cavalo de Tróia. Até o momento, o setor saúde ainda não foi capaz de se integrar completamente à tecnologia de informação, muito embora este setor seja um enorme coletor, gerador, processador e armazenador de informação. Ainda é possível, por exemplo, deparar-se com serviços de saúde com registros de informações do paciente (prontuários) em papel, sem nenhuma infraestrutura informatizada. A falta de uma infraestrutura informatizada não só das unidades de saúde, mas em nível central de muitas Secretarias Municipais, causam um baixo desempenho dos gestores de saúde, pois estes não possuem mecanismos que facilitam o conhecimento sociodemográfico da população de sua área de abrangência, bem como o perfil de morbidade ou avaliações de desempenho de serviços e equipes de saúde (Tomasi et al., 2003). Tomasi et al.(2003) destacaram a importância do desenvolvimento de softwares no setor saúde ao afirmar: É preciso que seja incentivado o desenvolvimento de ferramentas próprias, especialmente aquelas de fácil manejo pelas equipes de saúde, o que representa um avanço no preenchimento da lacuna existente. Estas ferramentas imprimiriam maior especificidade no conhecimento das realidades locais, favorecendo a definição de prioridades na alocação de recursos humanos, materiais e financeiros. Apesar de se encontrar esta dificuldade em alguns setores da saúde, verifica-se que, na história, o prontuário médico tem evoluído bastante desde 1969, quando Laurence Weed (1968) descreveu o que chamou de Registro Médico Orientado ao Problema (Problem- Oriented Medical Record), o qual propôs a organização do registro médico SOAP: a) S (Subjetivo)-Sintomas relatados pelo paciente; b) O (Objetivo)-Sinais observados pelo médico;

24 22 c) A (Avaliação)-Resultados de exames e conclusões diagnósticas; d) P (Planejamento)-Conduta e tratamento. Weed (1968) ainda recomendou que os registros do prontuário fossem indexados de acordo com os problemas médicos. Cada elemento de registro é categorizado por cada problema de saúde a que se refere, além da data e da hora. Neste caso, o médico não perde a conduta lógica do problema e a evolução do quadro (Kmeteuk Filho, 2003). A partir dessa padronização da estrutura do prontuário e de seu aprimoramento com o passar dos anos, o Institute of Medicine dos Estados Unidos encomendou, em 1991, um estudo com especialistas para definir o PEP (Prontuário Eletrônico do Paciente). Além disso, este comitê tinha a tarefa de propor melhorias em relação à expansão de informações levando em consideração o aparecimento de novas tecnologias. O relatório foi publicado como livro, The Computer-based Patient Record An Essencial Technology for Health Care, e foi um marco sobre prontuário eletrônico do paciente na época (Costa, 2001). Desde então, muitos foram os aprimoramentos sobre o assunto. O Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) tem, atualmente, uma vasta literatura e, numa breve consulta ao web site Google Acadêmico, usando como pesquisa o termo prontuário eletrônico, encontra-se mais de cinco mil ocorrências. Embora se encontre muita informação atualmente sobre prontuário de pacientes ou prontuários eletrônicos de pacientes, não se encontra muita informação específica sobre o item Avaliação (A) do modelo SOAP (Prontuário Orientado a Problema) isoladamente, com exceção dos sistemas de informação em saúde que dão suporte ao item Avaliação. Neste aspecto, os resultados dos exames complementares são de extrema importância aos clínicos quando aliados aos exames

25 23 físicos e anamneses. Na patologia cirúrgica, os laudos histopatológicos têm sido tradicionalmente considerados como o padrão ouro na medicina para diagnóstico e base para tratamento dos pacientes (Mammen, 2009). Como se sabe, Anatomia Patológica é a ciência subordinada à Patologia, que estuda as alterações morfológicas das doenças (Montenegro; Franco, 2008). Estas lesões podem ser submetidas a biópsias e estudadas pelo ramo da Patologia chamada de Patologia Cirúrgica. A biópsia é compreendida como o exame anatomopatológico realizado em peças cirurgicamente retiradas de paciente vivo, baseadas no exame macroscópico e microscópico do material. Segundo Montenegro e Franco (2008), na metodologia da biópsia, os procedimentos básicos são: a) Preenchimento adequado da requisição da biópsia; b) Amostragem do material; c) Fixação; d) Identificação; e) Exame macroscópico; f) Exame microscópico; g) Diagnóstico das biópsias. Após o estudo macro e microscópico, o patologista emite um laudo anatomopatológico, que além dos dados clínicos, descrições macroscópicas e microscópicas, contém um diagnóstico final (Montenegro; Franco, 2008). Atualmente, o laudo histopatológico (anatomopatológico) está se transformando em muito mais do que um meio de comunicação entre o patologista e o clínico. Ele está se transformando no núcleo

26 24 central de informações muito relevantes para o gerenciamento multidisciplinar do tratamento do paciente (Mammen, 2009). Falhas simples, como erros de endereços ou erros nas transcrições das entidades patológicas chaves nos laudos histopatológicos de câncer, atrasam os cuidados do paciente e aumentam os custos no tratamento. Além disso, as condutas de tratamento são afetadas pela qualidade das informações como: registros de tumores, genomas, registros de bioinformática sobre cânceres utilizados como informação por clínicos e pelas indústrias farmacêuticas (Mammen, 2009). Por todos estes fatores, Mammen (2009) considera ser agora o momento em que os patologistas devam considerar uma padronização e estruturação de seus laudos, para que, desta forma, providenciem um melhor atendimento aos seus pacientes. Na Índia, a informatização está mudando a rotina dos laboratórios de medicina, influenciando largamente a patologia anatomopatológica e providenciando processamento de textos e armazenamento de dados. Apesar disto, poucos centros avançados possuem um sistema de gerenciamento de laboratório, embora Bansal et al. já tivessem desenvolvido, desde 1991, um software específico para relatórios histopatológicos. Este software, batizado de HIPRIS (Histopathological Reporting Information System), foi desenvolvido para auxiliar no acompanhamento de casos, encontrar número de casos em um determinado período, alertar o aumento no número de lesões em um determinado paciente ou qualquer outro parâmetro relevante. Na Índia, a maior deficiência era o mau acompanhamento dos pacientes e um inadequado armazenamento destes registros (Bansal et al., 1991). Tuthill e Mammen (2009) também reportaram variações e erros nos laudos histopatológicos que afetaram as condutas clínicas de trabalho e que, através de padronizações, os dados estruturados contribuíram significativamente nas reduções de erros.

27 25 Contribui ainda a este cenário o aumento do conteúdo de informação nos laudos histopatológicos, acrescendo o trabalho dos histopatologistas. Tradicionalmente, a carga de trabalho dos histopatologistas é aferida pelo número de espécimes que são manipuladas anualmente. Porém, com o aumento da demanda pelos clínicos por maior informação nos laudos histopatológicos, houve também uma elevação na quantidade de informações a serem contidas nestes laudos, ou seja, uma melhora qualitativa no laudo para o clínico, contribuindo para uma sobrecarga de trabalho velada para o histopatologista (Tilakaratina; Silva, 2000). 2.2 Sistemas de Informação em Saúde Define-se Sistema de Informação como sistemas que permitem a coleta, o armazenamento, o processamento, a recuperação e a disseminação de informações (Falsarella; Chaves, 1995). O Sistema de Informação em Saúde é constituído pela informatização dos processos que compõem a gerência em saúde. Como se sabe, gerenciar um serviço de saúde é cuidar dos aspectos organizacionais e funcionais como qualquer empreendimento ou empresa. Este gerenciamento requer lidar com aspectos administrativos como finanças, estoques de materiais, recursos humanos, equipamentos e fluxos. Porém, na área da saúde há, além disso, outros aspectos gerados pela própria peculiaridade da área, como: atendimento prestado; ato clínico; levantamento das morbidades; estatísticas acadêmicas etc. (Carvalho; Eduardo, 1998). Para Marin (2009), os Sistemas de Informação em saúde podem ser definidos como:

28 26 Um conjunto de componentes inter-relacionados que coletam, processam, armazenam e distribuem a informação para apoiar o processo de tomada de decisão e auxiliar no controle das organizações de saúde. Assim, os sistemas de informação em saúde congregam um conjunto de dados, informações e conhecimento utilizados na área de saúde para sustentar o planejamento, o aperfeiçoamento e o processo decisório dos múltiplos profissionais da área da saúde envolvidos no atendimento aos pacientes e usuários do sistema de saúde. Considerando estes fatores, o desenho para implantação de um Sistema de Informação em Saúde exige uma fundamentação clínica e epidemiológica, planejamento, programação e avaliação em saúde, assim como conhecimentos em Sistemas de Informação e Tecnologia de Informação (Carvalho; Eduardo, 1998). A natureza dos Sistemas de Informação em Saúde, segundo Carvalho e Eduardo (1998), pode ser classificada em: a) Sistemas de Informações Estatísticoepidemiológicas; b) Sistemas de Informações Clínicas; c) Sistemas de Informações Administrativas. É denominado Sistema de Informação Estatísticoepidemiológica aquele que inclui o conhecimento da mortalidade e possíveis causas determinantes, padrão de morbidade da população ou da demanda atendida no serviço, aspectos demográficos, sociais, econômicos e suas relações com a saúde populacional. Informações clínicas são os dados clínicos do paciente, identificação, história médica de doenças, diagnóstico médico (odontológico), exames laboratoriais, complementares, procedimentos realizados (cirúrgicos, por exemplo), medicamentos utilizados, dentre outros. Informações administrativas são

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