UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO FACULDADE DE DIREITO DE RIBEIRÃO PRETO O INSIDER TRADING NOS TRIBUNAIS

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO FACULDADE DE DIREITO DE RIBEIRÃO PRETO O INSIDER TRADING NOS TRIBUNAIS"

Transcrição

1 UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO FACULDADE DE DIREITO DE RIBEIRÃO PRETO O INSIDER TRADING NOS TRIBUNAIS Lucas Akel Filgueiras Orientador: Prof. Associado Alessandro Hirata Ribeirão Preto 2013

2

3 LUCAS AKEL FILGUEIRAS O INSIDER TRADING NOS TRIBUNAIS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo para a obtenção do título de bacharel em Direito. Orientador: Prof. Associado Alessandro Hirata Ribeirão Preto 2013

4 Autorizo a reprodução e divulgação total ou parcial deste trabalho, por qualquer meio convencional ou eletrônico, para fins de estudo e pesquisa, desde que citada a fonte. FICHA CATALOGRÁFICA Filgueiras, Lucas Akel O Insider Trading nos Tribunais. / Lucas Akel Filgueiras. -- Ribeirão Preto, p. ; 30cm Trabalho de Conclusão de Curso -- Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Orientador: Alessandro Hirata. 1. Racionalidade limitada. 2. Contratos de soja. 3. Teoria da Imprevisão. I. Título

5 Nome: FILGUEIRAS, Lucas Akel. Título: O Insider Trading nos Tribunais. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo para obtenção do título de Bacharel em Direito. Aprovado em: Banca Examinadora Prof. Dr. Instituição: Julgamento: Assinatura: Prof. Dr. Instituição: Julgamento: Assinatura: Prof. Dr. Instituição: Julgamento: Assinatura:

6

7 Dedico este trabalho de forma especial aos meus avôs Mauro Barbosa Filgueiras e Akel Nicolau Akel, que apesar de já não estarem mais entre nós nunca deixaram os corações daqueles que os conheceram em vida. Dois anjos da guarda que tem iluminado incansavelmente meu caminho nos últimos anos. Dedico também às minhas avós Delzuita e Maria do Carmo, por tudo que me ensinaram e principalmente por sua fibra e superação ao enfrentar os dissabores da vida. Dedico da mesma forma ao meu pai, Mauro, com quem aprendi que o amor de um pai é infinito e quem me ensinou que a família deve vir sempre em primeiro lugar. Dedico à minha mãe, Cláudia, por todo seu carinho, amor e bondade que me fazem sentir que é meu anjo da guarda nesta vida. Dedico à minha irmã, Beatriz, por quem nutro imenso amor e que admiro cada vez mais por sua coragem e força, sendo motivo de grande orgulho para mim. Dedico, ainda, à minha companheira de todas horas, Fernanda, quem me ampara, me dá forças e me estimula a lutar cada vez mais por meus sonhos, sem a qual não teria alcançado nada e a quem devo muito.

8

9 AGRADECIMENTOS Agradeço inicialmente às belas lições de vida que nos foram dadas por duas mulheres de grande personalidade e que, infelizmente, já não mais entre nós, Evellyn Schwarz e Débora Guiomar Ramos, tendo cada uma deixado um filho como legado de sua bela trajetória, os quais são duas das pessoas mais incríveis que já tive o prazer de conhecer, meus amigos, Yuri e Luís Felipe. Agradeço aos amigos Fábio Loureiro, Otávio Righetti Dal Bello e Caio César Pires por sua força e sua luta que me inspiram todos os dias. Agradeço aos amigos do Vaz, Barreto, Shingaki e Oioli Advogados por terem me dado uma chance quando não me conheciam, por todas as lições da advocacia junto ao Mercado de Capitais, e finalmente, por terem me apresentado o tema que originou este trabalho. Agradeço, também, ao meu orientador, o Prof. Alessandro Hirata, por todo apoio ao longo dos anos que passei na Faculdade de Direito de Ribeirão Preto, por ter acreditado em meu potencial quando nem eu mesmo acreditava, e por ter me ajudado em diversas oportunidades, a quem devo muito dos objetivos que atingir. Agradeço, por último, a todos meus amigos e familiares por todo o apoio e por estarem sempre ao meu lado.

10

11 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO O MERCADO DE CAPITAIS COMO UM DOS SEGMENTOS DO MERCADO FINANCEIRO O funcionamento do Mercado Financeiro Subdivisões do Mercado Financeiro O INSIDER TRADING O conceito de Insider Trading Discussões acerca da proibição do uso de informações privilegiadas no Mercado de Capitais Breve histórico das normas de combate ao Insider Trading nos Estados Unidos Breve histórico das normas de combate ao Insider Trading no Brasil Regime jurídico atual do Insider Trading no Brasil A figura do Especulador e suas diferenças em relação ao Inside Trader A natureza das normas de combate ao Insider Trading O CASO SADIA-PERDIGÃO O Insider Trading nos tribunais norte-americanos O Insider Trading nos julgados da CVM Aspectos fáticos do caso Sadia-Perdigão O caso Sadia-Perdigão nos tribunais norte-americanos O processo administrativo perante a CVM O caso Sadia-Perdigão no judiciário brasileiro CONCLUSÃO REFERÊNCIAS

12

13 13 1 INTRODUÇÃO O Insider Trading é conduta que já há muitos anos está inserida no ambiente financeiro, sendo tratada por muitos com normalidade, havendo os que defendam, inclusive, que seja vista como prática normal de mercado. Seus efeitos negativos, contudo, como os prejuízos que acarreta a investidores e consequentemente ao mercado, com fuga de capitais e assimetria de informações, fizeram com que fossem editadas diversas normas proibitivas que deram à conduta caráter de ilicitude. No presente trabalho pretendemos entender o conceito de Insider Trading, termo em inglês que significa o uso de informações privilegiadas em transações com valores mobiliários no Mercado de Capitais, verificar os argumentos dos que defendem a desregulação da conduta e daqueles que defendem sua proibição, bem como demais questões que estejam relacionadas a esse comportamento. Para tanto, verificaremos inicialmente o ambiente de realização do Insider Trading, o Mercado de Capitais, analisando como este se insere no ambiente econômico e financeiro, quais são suas características, quais são os títulos nele negociados, qual sua função e de que modo está posicionado em um sistema que será responsável pela movimentação de capital na sociedade ao permitir o contato e as trocas entre quem tem sobras e quem precisa de mais capital do que pode gerar. Entendidas estas questões preliminares, entraremos nos aspectos relativos à conduta, verificando seu conceito e os argumentos favoráveis e desfavoráveis a seu combate. Dentro desta linha, vale destacar a relevância destas questões, tantas vezes esquecida pela doutrina brasileira, e que trazem uma nova perspectiva para quem se propõe a estudar o uso de informações privilegiadas no Mercado de Capitais, verificando que, sob certa óptica, este produziria também eventuais contribuições positivas ao mercado, e que pode existir muito mais por trás das normas proibitivas ao Insider Trading do que a mera necessidade de se evitar seus efeitos negativos. Na sequência, serão abordadas as legislações editadas sobre o tema, desde o momento prévio à previsão legal de sua ilicitude nos Estados Unidos, primeiro país a tratar a conduta como ilegal, passando pelas primeiras regras naquele país e também no Brasil, com

14 14 destaque para as alterações legislativas com o intuito de tornar cada vez mais ampla a norma proibitiva, abrangendo uma gama maior de situações e listando como possíveis agentes uma quantidade maior de pessoas, até chegarmos no regime jurídico atual. Posteriormente, trataremos da diferenciação entre o Inside Trader e o especulador, duas figuras conhecidas dos participantes do Mercado de Capitais, mas que tem inúmeras diferenças, principalmente em relação aos efeitos de sua conduta, sendo o primeiro, figura indesejável e que gera potencialmente prejuízos de diversas naturezas, ao passo que o segundo constitui agente necessário para o bom funcionamento do ambiente de trocas, trazendo efeitos positivos para o mercado. Na sequência será enfrentada a natureza das normas referentes ao Insider Trading, e nesse sentido, o modo como incidem sobre a conduta, tendo efeito preventivo, impedindo que se realizem negócios motivados por informações privilegiadas, ou efeito repressivo, servindo como uma punição para o agente que se comportar dessa maneira, e por último, como tais normas se manifestam no ordenamento. Passadas estas questões necessárias ao entendimento da conduta abordada por este trabalho, procederemos à análise de casos, observando a importância da atividade jurisdicional na construção de uma doutrina a respeito do Insider Trading, tendo em vista que diversos aspectos, mesmo diante da legislação, foram controversos na definição do comportamento tido como ilegal, cabendo aos julgadores responderem quais elementos seriam essenciais e quais seriam secundários ou desnecessários para que restasse caracterizado o uso ilícito de informações privilegiadas em negócios no Mercado de Capitais. Nesse sentido, diversos casos nos Estados Unidos e no Brasil tiveram grande importância por terem sido abordados aspectos até então não aceitos de forma unânime como parte do comportamento delituoso. Dessa forma, se destacaram em território norte americano os casos SEC v. Texas Gulf Sulphur Co., Cady, Roberts Co., Chiarella v. United States, Blau v. Lehman, United States v. Carpenter e United States v. O Hagan, dentre outros. No Brasil, destacaram-se casos como Servix e Petrobrás, primeiros analisados pela CVM, tendo sido debatidos em ambos questões referentes à caracterização de fato relevante, tão importante à disciplina do Insider Trading. Diversos outros casos julgados em território nacional também foram importantes, representando a jurisprudência da CVM uma fonte essencial na elaboração dos critérios relativos à conduta delituosa.

15 15 Por fim, chegaremos ao caso Sadia-Perdigão, no qual executivos da primeira teriam realizado negócios envolvendo ADRs de emissão da segunda na bolsa de Nova York, anteriormente ao anúncio ao mercado pela Sadia de uma oferta pública de aquisição de ações que lhe dessem o controle da Perdigão, de cuja preparação os potenciais Insiders haveriam participado. Este caso mostrou-se extremamente relevante não só por sua atualidade, tendo sido decido pelo judiciário brasileiro em segunda instância no ano de 2013, ainda cabendo recursos aos tribunais superiores, mas também pelas questões que foram suscitadas, muitas das quais ainda não enfrentadas pelos órgãos julgadores, bem como pela proporção que tomou, tendo em vista que em virtude das negociações terem sido realizadas em território norte americano, houve investigações não só no Brasil, mas também nos Estados Unidos. Nesse sentido, foi proposta ação civil pela Securities and Exchange Comission ( SEC ) na corte distrital de Columbia contra os acusados, assim como Processo Administrativo Sancionador (PAS) pela Comissão de Valores Mobiliários e ação penal pelo Ministério Público Federal, estes últimos no Brasil. Os efeitos decorrentes dessa multiplicidade de acusações e o enfrentamento de demais questões controversas levantadas ao longo dos processos serão vistos no penúltimo capítulo desse trabalho. Destaca-se aqui a existência de situações que não corresponderiam à doutrina clássica de Insider Trading, como o vínculo dos acusados com companhia diversa daquela cujos títulos foram negociados. Outros pontos interessantes debatidos no caso que será estudado são a eventual ocorrência de Bis in Idem em razão da condenação em múltiplas instâncias judicantes, a competência da Comissão de Valores Mobiliários e da justiça federal brasileira para julgar conduta supostamente realizada no exterior, a ausência de ofensa ao bem jurídico tutelado pelas normas brasileiras proibitivas de Insider Trading e a inexistência de prejuízos aos investidores do Mercado de Capitais brasileiro. Conforme veremos, este caso também revela grande importância em virtude de ter sido a primeira vez em que o judiciário pátrio enfrentou o ajuizamento de uma ação penal de uso indevido de informação privilegiada, conduta tipificada pelo art. 27-D da Lei 6.385/76, inserido pela Lei /01. No caso, foi desenvolvida relevante jurisprudência quanto ao tema, elucidando-se questões até então debatidas apenas pela doutrina,

16 16 principalmente no tocante à caracterização dos elementos do tipo penal previsto em nosso ordenamento para a conduta combatida de Insider Trading. Ainda, destacar-se-á também o debate acerca da necessidade de garantia dos direitos difusos e coletivos dos investidores no Mercado de Capitais, tendo em vista que determinadas condutas delitivas, como o Insider Trading, muitas vezes não trazem prejuízos quantificáveis, senão dano generalizado ao mercado e aos investidores que nele depositam suas poupanças. Nestas situações, conforme aconteceu no caso Sadia-Perdigão, verificaremos como é possível que se proteja os direitos transindividuais daqueles que participam do Mercado de Capitais.

17 17 2 O MERCADO DE CAPITAIS COMO UM DOS SEGMENTOS DO MERCADO FINANCEIRO 2.1 O funcionamento do Mercado Financeiro Para que uma economia se dinamize e, consequentemente, se desenvolva, é preciso que todos os agentes possam ter acesso à capital, tendo em vista que a atividade produtiva depende de investimentos de diversas naturezas, seja em matéria prima, mão de obra, equipamentos, etc. Muitos agentes não conseguem, contudo, cobrir seus investimentos com capital próprio, seja por questões de falha de planejamento, de alto custo de matéria prima, ou mesmo em função da natureza da atividade. Diante dessa situação, para que não se interrompa a atividade produtiva, com o intuito de preservação da economia e até mesmo dos benefícios sociais proporcionados pela atuação dos agentes econômicos, desenvolveu-se o sistema financeiro, que tem no Mercado Financeiro seu ambiente de funcionamento. Neste, agentes deficitários, os quais despendem em consumo e investimento valores superiores à renda por ele geradas, encontram agentes superavitários, os quais geraram mais riquezas do que consumiram e investiram 1 e, assim, pretendem obter alguma remuneração a partir da aplicação deste excedente capital. Dessa maneira, os agentes que tem poupança disponibilizam certo montante de capital para os agentes que tem custos de produção maiores do que podem pagar ou que pretendem realizar investimentos superiores à sua capacidade de geração de riquezas. Estes deverão, contudo, arcar com uma remuneração por aquele capital, o que ocorrerá por meio do pagamento de juros, de dividendos ou de qualquer outra forma estabelecida pelas partes. Paralelamente a isso, poderá haver um prazo para a devolução do capital à seu proprietário, existindo, entretanto, situações em que o capital cedido pelo agente superavitário permanecerá por tempo indefinido ou de forma perpétua em poder do agente deficitário. 1 ASSAF NETO, Alexandre, Mercado Financeiro, 11ª ed., São Paulo, Atlas, 2012, p. 38. Optamos no presente trabalho por adotar o método de citações bibliográficas do professor Titular da FD-USP Eduardo C. Silveira Marchi, Guia de Metodologia Jurídica- Teses, Monografias e Artigos, 2 a ed., São Paulo, Saraiva Jurídico, 2009., por acreditarmos ser o mais adequado às produções científicas de cunho jurídico.

18 18 Nessa situação, o primeiro fará jus à remuneração referente aos recursos cedidos enquanto estes não lhes forem devolvidos ou enquanto não alienar os títulos que recebeu em virtude do capital ofertado. Assim, o sistema financeiro terá a função de fornecer os canais adequados mediante os quais os agentes deficitários possam captar os recursos necessários para a realização de seus projetos de investimento e para que os agentes superavitários possam aplicar suas poupanças 2. A relação entre os agentes que precisam de capital e aqueles que o ofertam no Mercado Financeiro pode ser direta ou indireta. A relação direta é aquela que não ocorre por meio de um intermediário, de forma que as partes negociam entre si com base em seus interesses, muitas vezes amparadas por intermediários obrigatórios que apenas seguem suas ordens, levando à cessão onerosa dos recursos financeiros, conforme ocorre no Mercado de Capitais, uma das subdivisões do Mercado Financeiro. A relação indireta desenvolve-se quando os agentes superavitários e deficitários não transacionam entre si, mas através de um intermediário que segue interesses próprios. Este intermediário negocia com cada um dos agentes de maneira autônoma, obtendo recursos com os poupadores e emprestando esses recursos obtidos àqueles que demandam capital, atuando como autêntico intermediário do crédito, de maneira habitual e profissional 3. Essa atividade de intermediação é realizada pelas instituições financeiras e ocorre, por exemplo, no Mercado de Crédito, uma outra subdivisão do Mercado Financeiro. Ainda quanto à relação indireta, vale ressaltar que nas negociações entre superavitários e deficitários, muitas vezes não há coincidência entre o valor disponibilizado por poupadores e o valor demandado pelos tomadores. Como forma de equilibrar tal situação, os intermediários financeiros captam recursos de uma série de ofertadores, obtendo volumes suficientes de recursos para distribuírem entre seus clientes demandantes segundo suas necessidades 4. Vista a razão de existência e a forma de funcionamento do Mercado Financeiro, pode-se perceber sua importância para o desenvolvimento econômico de um país. 2 EIZIRIK, Nelson; GAAL, Ariádna B.; PARENTE, Flávia; HENRIQUES, Marcus de Freitas, Mercado de Capitais- Regime Jurídico, 3ªed., Rio de Janeiro, Renovar, 2011, p.2. 3 EIZIRIK, Nelson; GAAL, Ariádna B.; PARENTE, Flávia; HENRIQUES, Marcus de Freitas, Mercado de Capitais cit., p PINHEIRO, Juliano Lima, Mercado de Capitais, 6ª ed., São Paulo, Atlas, 2012, p. 30.

19 19 Seu bom funcionamento, contudo, não dependerá exclusivamente da abundância de recursos que eventualmente existam no mercado à disposição dos tomadores, mas também de condições que garantam a segurança das transações nele realizadas. Nesse sentido, deve-se garantir aos agentes superavitários mecanismos que possibilitem conhecer os agentes deficitários ou os intermediários para os quais cedem seu capital excedente, bem como que possibilitem a recuperação do capital cedido, caso aqueles não devolvam o montante principal ou não o remunerem conforme pactuado. Da mesma forma, deve-se garantir aos agentes deficitários o acesso a capital sob condições que não os onerem excessivamente, com o intuito de que estes ao se dirigirem ao mercado em busca dos recursos para investir em sua atividade não comprometam seu planejamento financeiro. Esta última condição decorre das demais, visto que a existência de informações sobre os agentes do mercado, bem como a tutela eficiente do direito ao cumprimento das obrigações pactuadas torna desnecessária a exigência excessiva de remunerações e garantias, características de negócios em que há grande risco de inadimplemento, insuficiência de informações e insegurança jurídica. Assim, a maturidade do Mercado Financeiro de um país influenciará diretamente o desenvolvimento de sua economia, tendo em vista que seu bom funcionamento atrairá cada vez mais poupadores, dispostos a obter lucros a partir da disponibilização de seus excedentes a agentes deficitários mediante intermediários e instrumentos financeiros 5. Do mesmo modo, seu bom funcionamento atrairá cada vez mais agentes deficitários dispostos a tomar recursos para cobrir seus investimentos. Em virtude desse processo de distribuição de recursos que se evidenciam as funções econômica e social do sistema financeiro 6. Nesse ambiente estruturado de negociação e de grande circulação de capitais a economia se torna cada vez mais dinâmica e eficiente, visto que os agentes que geraram mais riquezas do que consumiram não as retirarão do mercado, mas disponibilizarão esse excedente a agentes que as demandam, fornecendo, portanto, recursos para o fomento de atividades que não conseguiriam se desenvolver apenas com ativos próprios. 5 ASSAF NETO, Alexandre, Mercado Financeiro cit., p ASSAF NETO, Alexandre, Mercado Financeiro cit., p. 39.

20 20 Havendo grande oferta de recursos, abundância de informações sobre os agentes do mercado, segurança jurídica na elaboração dos negócios e condições equitativas nas negociações, tende o Mercado Financeiro a alavancar o desenvolvimento econômico, fomentando a atividade produtiva e remunerando o capital excedente produzido pelos agentes superavitários. 2.2 Subdivisões do Mercado Financeiro O Mercado Financeiro é um macrossistema, configurando um ambiente extremamente amplo que abrange operações de diversas naturezas. Em função dessa amplitude, existem enormes dificuldades para conceituá-lo ou restringir seu campo de existência, de maneira que a compreensão de sua dinâmica decorre da compreensão de sua função, qual seja criar um ambiente em que agentes demandantes de recursos, de um lado, e agentes poupadores, de outro, possam se encontrar e tornar produtivo um excedente de capital que não foi consumido por quem o gerou. Entretanto, tendo em vista a necessidade de divisão de competência regulatória e da existência de regras claras incidentes sobre operações específicas, além da estruturação do sistema para fins acadêmicos de ensino e de pesquisa, procurou-se estabelecer subdivisões do Mercado Financeiro, dividindo-o em mercados menores com base em traços característicos de diferentes operações financeiras. Alguns autores procuram subdividir o Mercado Financeiro com base em sua finalidade, de forma que este estaria dividido em: a) Mercado de Crédito propriamente dito ou Mercado Financeiro; e b) Mercado de Valores Mobiliários ou Mercado de Capitais 7. Nessa classificação, a diferença entre as duas categorias reside no tipo de relação estabelecida entre os agentes tomadores e os agentes poupadores. No primeiro segmento, a relação entre agentes superavitários e deficitários é intermediada por uma instituição financeira, a qual, motivada por interesses próprios, pegaria recursos com os poupadores e os forneceria aos demandantes, obtendo uma remuneração 7 Confrontar dentre outros, MOSQUERA, Roberto Quiroga, Direito Monetário e Tributação da Moeda, São Paulo, Dialética, 2006, p. 80 e YAZBEK, Otavio, Regulação do Mercado Financeiro e de Capitais, 2ª ed., Rio de Janeiro, Elsevier, 2008, p. 126.

21 21 decorrente da diferença entre os custos suportados na captação e os custos cobrados no fornecimento destes recursos, remuneração esta denominada spread. 8 Dessa maneira, a instituição financeira figura como tomadora de recursos quando negocia com agentes superavitários, retendo seu capital em troca do pagamento de juros e da devolução do montante principal em prazo determinado pelas partes, assumindo, portanto, o papel de devedora e ocupando o polo passivo da relação obrigacional. Quando, porém, a instituição financeira negocia o empréstimo dos recursos captados para os agentes deficitários em troca do pagamento de juros e da devolução do montante principal também em prazo determinado, esta atua como credora e ocupa, consequentemente, o polo ativo da obrigação. A partir disso, surgem as chamadas operações passivas e ativas das instituições financeiras 9. Em sentido oposto, no Mercado de Capitais ocorre um contato direto entre quem oferece os recursos e quem busca captá-los, de maneira que o primeiro adquire um título ofertado pelo segundo em troca do fornecimento de um montante de capital, podendo este título ser representativo de uma dívida, como as debêntures, ou de uma propriedade, caso de ações emitidas pelas companhias. Para que se tenha acesso a esse mercado, deve-se, entretanto, contratar uma instituição que nele esteja autorizada a operar, caso das corretoras, que atuarão, contudo, conforme as ordens emitidas pelo agente contratante, não podendo movimentar os recursos obtidos junto a este segundo interesses próprios. A remuneração dessas instituições decorrerá do preço cobrado pela prestação dos serviços decorrentes das ordens que receber dos agentes que efetivamente negociam neste mercado. Nesse sentido, também para este tipo de mercado são formadas estruturas de intermediação, tanto para as operações financeiras quanto para permitir a aproximação eficiente entre os agentes interessados. Neste caso, porém, os intermediários são meros intervenientes, e não mais contrapartes, prestando serviços de aproximação, de representação ou de liquidação de operações para seus clientes, as partes reais YAZBEK, Otavio, Regulação do Mercado cit., p MOSQUERA, Roberto Quiroga, Direito Monetário cit., p YAZBEK, Otavio, Regulação do Mercado cit., p. 126.

22 22 Apesar dos méritos da subdivisão acima abordada, esta deixa de abranger aspectos relevantes do Mercado Financeiro que não podem ser incluídos nos dois segmentos listados. Em virtude disso, foi desenvolvida uma outra proposta de divisão adotada por juristas e economistas 11 que tem atendido melhor ao objetivo de englobar a vasta gama de operações financeiras possíveis, que por sua complexidade, acabam muitas vezes sendo enquadradas em mais de um dos mercados existentes. Esta classificação, que tem como base a necessidade dos participantes do Mercado Financeiro em cada transação realizada 12, divide-o em quatro segmentos: a) Mercado Monetário; b) Mercado de Crédito; d) Mercado cambial; e d) Mercado de Capitais. O Mercado Monetário funciona como um ambiente regulador da quantidade de moeda em circulação e, consequentemente, do nível de liquidez da economia. São negociados nesse mercado principalmente títulos emitidos pelo tesouro nacional, mas também títulos públicos emitidos pelos estados e municípios 13, os quais não podem ser classificados como valores mobiliários, conforme disposição do art. 2º, 1º, I da Lei 6.385/76, demandando mercado próprio de negociação, visto que não podem ser negociados no Mercado de Capitais, também conhecido como Mercado de Valores Mobiliários 14. São negociados no Mercado Monetário também alguns títulos emitidos por instituições privadas como o Certificado de Depósitos Interfinanceiros (CDI) e o Certificado de Depósito Bancário (CDB). O Banco Central atua no Mercado Monetário vendendo títulos de dívida do Governo Federal com o intuito de retirar moeda da economia, quando pretende reduzir sua liquidez, ou então comprando títulos que tenham sido emitidos pelo tesouro nacional, quando pretende colocar mais moeda em circulação e aumentar, dessa forma, a liquidez existente no mercado. Cumpre destacar que todos os papéis negociados nesse mercado tem prazo curto ou curtíssimo de vencimento, o que significa que pouco tempo após sua emissão poderá o proprietário do título resgatar o capital investido, auferindo, também, o rendimento incidente sobre esse capital. Paralelamente a isso, cumpre ressaltar que títulos emitidos pelo Governo Federal são naturalmente dotados de alta liquidez, visto ter o tesouro nacional a 11 ASSAF NETO, Alexandre, Mercado Financeiro cit., p. 60. EIZIRIK, Nelson; GAAL, Ariádna B.; PARENTE, Flávia; HENRIQUES, Marcus de Freitas, Mercado de Capitais cit., p PINHEIRO, Juliano Lima, Mercado de Capitais cit., p ASSAF NETO, Alexandre, Mercado Financeiro cit., p MOSQUERA, Roberto Quiroga, Direito Monetário cit., p. 90.

23 23 prerrogativa de emitir moeda, o que gera a presunção de existência de recursos para cumprimento da obrigação quando de seu vencimento. Da mesma forma, os papéis emitidos por instituições financeiras também tem grande aceitação no mercado, de maneira que, por serem instituições que dependem de credibilidade no cumprimento de transações envolvendo capital, dificilmente deixarão de cumprir a obrigação na data de vencimento. Assim, percebe-se que os títulos negociados no Mercado Monetário tem grande liquidez, o que lhes confere uma conotação de quase-moeda, em virtude de sua alta aceitação e credibilidade, não operando, contudo, como meio geral de troca e instrumento de quitação de obrigações pecuniárias, características próprias da moeda, por faltar-lhe uma atribuição legal nesse sentido 15. O Mercado Monetário também é conhecido como open market ou mercado aberto tendo em vista a dinâmica de negociação dos títulos emitidos pelo tesouro nacional nele negociados. Os títulos são colocados no mercado através de leilões primários, também conhecidos como venda primária, organizados pelos dealers, instituições financeiras escolhidas pelo Banco Central para representá-lo. Nestes leilões, os dealers recebem ofertas de outras instituições financeiras pelos títulos, as quais podem ser aceitas ou não pelo Banco Central 16. A instituição financeira que adquirir os títulos no leilão primário pode renegociá-los, o que será feito em um ambiente de transações denominada mercado secundário, cujo instrumento de operação é o open market. Neste, as instituições financeiras vão vender os títulos com o compromisso de recomprá-los futuramente, antes de seu vencimento 17. É no mesmo ambiente que o Banco Central atua comprando e vendendo títulos públicos com o intuito de regular a liquidez da economia segundo critérios de sua política monetária. O Mercado de Crédito é caracterizado principalmente pela intermediação, realizada pelas instituições financeiras, entre poupadores e captadores, obtendo recursos junto aos primeiros e repassando-os aos segundos através de empréstimos e financiamentos de curto e médio prazo. 15 MOSQUERA, Roberto Quiroga, Direito Monetário cit., p ASSAF NETO, Alexandre, Mercado Financeiro cit., p ASSAF NETO, Alexandre, Mercado Financeiro cit., p. 66.

24 24 Assim, ao tomar capital junto aos poupadores a entidade financeira torna-se devedora da obrigação de restituí-lo na forma e no tempo combinados. Em sentido oposto, ao emprestá-lo aos demandantes, torna-se credora da obrigação, aguardando o pagamento do crédito fornecido na forma e no tempo combinados. Em função disso, uma característica própria desse mercado é assunção do risco de crédito pelas instituições financeiras 18. A atividade de intermediação no Mercado de Crédito é realizada tipicamente por instituições financeiras bancárias, bancos comerciais e múltiplos 19. Estas atuarão seguindo seus próprios interesses econômicos, não estando vinculadas a ordens recebidas dos poupadores quanto ao fim que será dado aos recursos captados junto a esses. A única exigência a que os agentes superavitários terão direito é a devolução do capital cedido à instituição financeira no prazo combinado, bem como o pagamento da remuneração estipulada, caso a essa faça jus. Assim, tais instituições se propõem a custodiar certo montante de capital detido pelos agentes superavitários com o intuito de que, em posse desses recursos, possam oferecêlos a agentes que os demandem, obtendo sua remuneração a partir da diferença entre os custos arcados com a guarda e a custódia dos valores recebidos, onde inclui-se a remuneração paga sobre o capital em alguns casos, e os custos cobrados dos agentes deficitários ao fornecer-lhes recursos financeiros. Dessa maneira, a função do referido mercado é abastecer as demandas de caixa dos vários agentes econômicos, o que se realiza através do crédito ofertado às pessoas físicas, bem como por meio de empréstimos e financiamentos às empresas. 20 Nesse sentido, trata-se da realização de operações bancárias típicas, de captação e repasse de recursos a título oneroso, que garantirão o consumo corrente e de bens duráveis, bem como o capital de giro das empresas 21. A atuação do intermediário financeiro captando recursos com aqueles que têm sobras e ofertando-os àqueles que os demandam favorece o desenvolvimento econômico ao reduzir os custos de transação no financiamento da atividade produtiva. Isto, pois a existência de um agente especializado na movimentação desse capital, além de agilizar e facilitar a 18 MOSQUERA, Roberto Quiroga, Direito Monetário cit., p ASSAF NETO, Alexandre, Mercado Financeiro cit., p ASSAF NETO, Alexandre, Mercado Financeiro cit., p EIZIRIK, Nelson; GAAL, Ariádna B.; PARENTE, Flávia; HENRIQUES, Marcus de Freitas, Mercado de Capitais cit., p.7.

Administração Financeira e Orçamentária I

Administração Financeira e Orçamentária I Administração Financeira e Orçamentária I Sistema Financeiro Brasileiro AFO 1 Conteúdo Instituições e Mercados Financeiros Principais Mercados Financeiros Sistema Financeiro Nacional Ações e Debêntures

Leia mais

BANCO DO BRASIL ESCRITURÁRIO

BANCO DO BRASIL ESCRITURÁRIO BANCO DO BRASIL ESCRITURÁRIO CONHECIMENTOS BANCÁRIOS 1. O Sistema Financeiro Nacional (SFN) é constituído por todas as instituições financeiras públicas ou privadas existentes no país e seu órgão normativo

Leia mais

Conhecimentos Bancários Professor Carlos Arthur

Conhecimentos Bancários Professor Carlos Arthur Conhecimentos Bancários Professor Carlos Arthur 1 - Sobre as atribuições do Banco Central do Brasil, é incorreto afirmar: a) Exerce o controle de crédito b) Estimula a formação de poupança e a sua aplicação

Leia mais

O QUE É A CVM? II - a negociação e intermediação no mercado de valores mobiliários;

O QUE É A CVM? II - a negociação e intermediação no mercado de valores mobiliários; O QUE É A CVM? A CVM - Comissão de Valores Mobiliários é uma entidade autárquica em regime especial, vinculada ao Ministério da Fazenda, com personalidade jurídica e patrimônio próprios, dotada de autoridade

Leia mais

7. Mercado Financeiro

7. Mercado Financeiro 7. Mercado Financeiro 7. Mercado Financeiro Mercado Financeiro O processo onde os recursos excedentes da economia (poupança) são direcionados para o financiamento de empresas (tomadores de crédito). Investidor

Leia mais

CONHECIMENTOS BANCÁRIOS: - - - - - - POLÍTICA ECONÔMICA & MERCADO FINANCEIRO

CONHECIMENTOS BANCÁRIOS: - - - - - - POLÍTICA ECONÔMICA & MERCADO FINANCEIRO CONHECIMENTOS BANCÁRIOS: - - - - - - POLÍTICA ECONÔMICA & MERCADO FINANCEIRO Prof.Nelson Guerra Ano 2012 www.concursocec.com.br INTRODUÇÃO Trata-se da política utilizada pelo Governo para obter desenvolvimento

Leia mais

BAN CO DO BRASIL. Atualizada 19/01/2011 Neste curso os melhores alunos estão sendo preparados pelos melhores Professores 1

BAN CO DO BRASIL. Atualizada 19/01/2011 Neste curso os melhores alunos estão sendo preparados pelos melhores Professores 1 41. (CAIXA/2010) Compete à Comissão de Valores Mobiliários CVM disciplinar as seguintes matérias: I. registro de companhias abertas. II. execução da política monetária. III. registro e fiscalização de

Leia mais

FONTES DE FINANCIAMENTO DE CURTO PRAZO

FONTES DE FINANCIAMENTO DE CURTO PRAZO FONTES DE FINANCIAMENTO DE CURTO PRAZO Introdução Mercado de crédito Objetiva suprir a demanda por recursos de curto e médio prazo da economia, sendo constituído por todas as instituições financeiras bancárias

Leia mais

Atualidades do Mercado Financeiro

Atualidades do Mercado Financeiro Atualidades do Mercado Financeiro Índice Pg. Sistema Financeiro Nacional... 02 Dinâmica do Mercado... 05 Mercado Bancário... 09 1 Sistema Financeiro Nacional A estrutura funcional do Sistema Financeiro

Leia mais

MERCADO DE CAPITAIS E A ECONOMIA

MERCADO DE CAPITAIS E A ECONOMIA MERCADO DE CAPITAIS E A ECONOMIA Conceito e Características. O mercado de capitais pode ser definido como um conjunto de instituições e de instrumentos que negociam com títulos e valores mobiliários, objetivando

Leia mais

Concurso 2011. Prof. Cid Roberto. As bolsas de valores são instituições administradoras de mercados. prof.bancario@gmail.com

Concurso 2011. Prof. Cid Roberto. As bolsas de valores são instituições administradoras de mercados. prof.bancario@gmail.com Concurso 2011 Prof. Cid Roberto prof.bancario@gmail.com Bolsa de Valores As bolsas de valores são instituições administradoras de mercados. Comunidade Conhecimentos Bancários (orkut) 8ª aula Início da

Leia mais

Prof. Cid Roberto. Concurso 2012

Prof. Cid Roberto. Concurso 2012 Prof. Cid Roberto Concurso 2012 Grupo Conhecimentos Bancários no Google http://goo.gl/gbkij Comunidade Conhecimentos Bancários (orkut) http://goo.gl/4a6y7 São realizadas por bancos de investimentos e demais

Leia mais

O Sistema Financeiro Nacional

O Sistema Financeiro Nacional O Sistema Financeiro Nacional 1 O Sistema Financeiro Nacional Foi constituído com base nas leis: 4595 de 31-12-64 Estrutura o Sistema Financeiro Nacional 4728 de 14-7- 65 Lei do Mercado de Capitais O Sistema

Leia mais

Unidade II. Mercado Financeiro e de. Prof. Maurício Felippe Manzalli

Unidade II. Mercado Financeiro e de. Prof. Maurício Felippe Manzalli Unidade II Mercado Financeiro e de Capitais Prof. Maurício Felippe Manzalli Mercados Financeiros Definição do mercado financeiro Representa o Sistema Financeiro Nacional Promove o fluxo de recursos através

Leia mais

Introdução: Mercado Financeiro

Introdução: Mercado Financeiro Introdução: Mercado Financeiro Prof. Nilton TÓPICOS Sistema Financeiro Nacional Ativos Financeiros Mercado de Ações 1 Sistema Financeiro Brasileiro Intervém e distribui recursos no mercado Advindos de

Leia mais

O que é o Mercado de Capitais. A importância do Mercado de Capitais para a Economia. A Estrutura do Mercado de Capitais Brasileiro

O que é o Mercado de Capitais. A importância do Mercado de Capitais para a Economia. A Estrutura do Mercado de Capitais Brasileiro 1 2 O que é o Mercado de Capitais A importância do Mercado de Capitais para a Economia A Estrutura do Mercado de Capitais Brasileiro O que é Conselho Monetário Nacional (CNM) O que é Banco Central (BC)

Leia mais

UNIVERSIDADE DE SANTO AMARO MERCADO DE CAPITAIS PRINCIPAIS PRODUTOS BANCARIOS Prof. Esp. Tomás de Aquino Salomão e-mail tomassalomao@gmail.

UNIVERSIDADE DE SANTO AMARO MERCADO DE CAPITAIS PRINCIPAIS PRODUTOS BANCARIOS Prof. Esp. Tomás de Aquino Salomão e-mail tomassalomao@gmail. UNIVERSIDADE DE SANTO AMARO MERCADO DE CAPITAIS PRINCIPAIS PRODUTOS BANCARIOS Prof. Esp. Tomás de Aquino Salomão e-mail tomassalomao@gmail.com Caderneta de Poupança A caderneta de poupança foi criada em

Leia mais

Holding (empresa) - aquela que possui, como atividade principal, participação acionária em uma ou mais empresas.

Holding (empresa) - aquela que possui, como atividade principal, participação acionária em uma ou mais empresas. Glossário de A a Z A Ação - título negociável, que representa a menor parcela em que se divide o capital de uma sociedade anônima. Ação listada em Bolsa - ação negociada no pregão de uma Bolsa de Valores.

Leia mais

Exercício para fixação

Exercício para fixação Exercício para fixação Quando o Banco Central deseja baratear os empréstimos e possibilitar maior desenvolvimento empresarial, ele irá adotar uma Política Monetária Expansiva, valendo-se de medidas como

Leia mais

SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL ADMINISTRAÇÃO E FINANÇAS PARA ENGENHARIA 16/04/2013. Professor: Luis Guilherme Magalhães (62) 9607-2031

SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL ADMINISTRAÇÃO E FINANÇAS PARA ENGENHARIA 16/04/2013. Professor: Luis Guilherme Magalhães (62) 9607-2031 ADMINISTRAÇÃO E FINANÇAS PARA ENGENHARIA Professor: Luis Guilherme Magalhães (62) 9607-2031 Obs.: Para aprofundar os conhecimentos no Sistema Financeiro Nacional, consultar o livro: ASSAF NETO, Alexandre.

Leia mais

Atualidades do Mercado Financeiro

Atualidades do Mercado Financeiro Atualidades do Mercado Financeiro Sistema Financeiro Nacional Dinâmica do Mercado Mercado Bancário Conteúdo 1 Sistema Financeiro Nacional A estrutura funcional do Sistema Financeiro Nacional (SFN) é composta

Leia mais

Aula 2 Contextualização

Aula 2 Contextualização Gestão Financeira Aula 2 Contextualização Prof. Esp. Roger Luciano Francisco Segmentos do Mercado Financeiro Mercado monetário Mercado de crédito Mercado de capitais Mercado de câmbio Mercado Monetário

Leia mais

MEDIDA PROVISÓRIA Nº 443, DE 2008 NOTA DESCRITIVA

MEDIDA PROVISÓRIA Nº 443, DE 2008 NOTA DESCRITIVA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 443, DE 2008 NOTA DESCRITIVA NOVEMBRO/2008 Nota Descritiva 2 SUMÁRIO Constituição de subsidiárias integrais ou controladas para o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal...4 Aquisição

Leia mais

ENTENDENDO O MERCADO DE VALORES MOBILIÁRIOS

ENTENDENDO O MERCADO DE VALORES MOBILIÁRIOS ENTENDENDO O MERCADO DE VALORES MOBILIÁRIOS O Sistema Financeiro O sistema financeiro pode ser definido como o conjunto de instituições, produtos e instrumentos que viabiliza a transferência de recursos

Leia mais

IPC Concursos CEF 2014. Questões I SFN, CMN, BCB e CVM Material com as questões incorretas justificadas.

IPC Concursos CEF 2014. Questões I SFN, CMN, BCB e CVM Material com as questões incorretas justificadas. BRB 2011 Cespe Questões I SFN, CMN, BCB e CVM Material com as questões incorretas justificadas. A respeito da estrutura do Sistema Financeiro Nacional (SFN),julgue os itens a seguir. 1. Ao Conselho Monetário

Leia mais

DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS 1

DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS 1 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS 1 Sandra Figueiredo 1. Aspectos econômicos e jurídicos das instituições financeiras O Aparecimento das instituições financeiras foi motivado pelas relações

Leia mais

INSTRUÇÃO CVM Nº 51, DE 09 DE JUNHO DE 1986.

INSTRUÇÃO CVM Nº 51, DE 09 DE JUNHO DE 1986. INSTRUÇÃO CVM Nº 51, DE 09 DE JUNHO DE 1986. Regulamenta a concessão de financiamento para compra de ações pelas Sociedades Corretoras e Distribuidoras. O Presidente da Comissão de Valores Mobiliários

Leia mais

MERCADO FINANCEIRO E SEGMENTOS. Prof. Esp. Frederico Bernardo Silva.

MERCADO FINANCEIRO E SEGMENTOS. Prof. Esp. Frederico Bernardo Silva. MERCADO FINANCEIRO E SEGMENTOS Prof. Esp. Frederico Bernardo Silva. 1 Segmentação do Mercado Financeiro MERCADO MONETÁRIO MERCADO DE CRÉDITO MERCADO FINANCEIRO MERCADO DE CAPITAIS MERCADO CAMBIAL JUROS:

Leia mais

RESOLUÇÃO Nº 4.263, DE 05 DE SETEMBRO DE 2013 Dispõe sobre as condições de emissão de Certificado de Operações Estruturadas (COE) pelas instituições

RESOLUÇÃO Nº 4.263, DE 05 DE SETEMBRO DE 2013 Dispõe sobre as condições de emissão de Certificado de Operações Estruturadas (COE) pelas instituições RESOLUÇÃO Nº 4.263, DE 05 DE SETEMBRO DE 2013 Dispõe sobre as condições de emissão de Certificado de Operações Estruturadas (COE) pelas instituições financeiras que especifica. O Banco Central do Brasil,

Leia mais

A CVM e a Autorregulação no Mercado de Capitais

A CVM e a Autorregulação no Mercado de Capitais A CVM e a Autorregulação no Mercado de Capitais A Lei nº 6.385/76 define os mandatos legais da CVM: Desenvolvimento do Mercado (art 4º. Incisos I e II); Eficiência e Funcionamento do Mercado (art. 4º,

Leia mais

PARTE. 1. AC- 1 Prof. Odair Ferreira AC- 2. Prof. Odair Ferreira AC- 4. AC- 3 Prof. Odair Ferreira. Prof. Odair Ferreira

PARTE. 1. AC- 1 Prof. Odair Ferreira AC- 2. Prof. Odair Ferreira AC- 4. AC- 3 Prof. Odair Ferreira. Prof. Odair Ferreira Risco e Mercado de Capitais Risco E Mercado De Capitais PARTE 1 AC- 1 AC- 2 l EMENTA: Estudar a gestão de risco no mercado de capitais, financeiro e de derivativos, por meio dos principais ativos negociados,

Leia mais

COMPRAR E VENDER AÇÕES MERCADO A VISTA

COMPRAR E VENDER AÇÕES MERCADO A VISTA COMPRAR E VENDER AÇÕES MERCADO A VISTA ATENÇÃO Este texto não é uma recomendação de investimento. Para mais esclarecimentos, sugerimos a leitura de outros folhetos editados pela BOVESPA. Procure sua Corretora.

Leia mais

INTRODUÇÃO 3 MERCADO DE CAPITAIS 3 MERCADO DE BALCÃO 5 INTERMEDIÁRIOS 6 TÍTULOS NEGOCIADOS 7 MODALIDADES DE OPERAÇÕES E TIPOS DE ORDEM 9

INTRODUÇÃO 3 MERCADO DE CAPITAIS 3 MERCADO DE BALCÃO 5 INTERMEDIÁRIOS 6 TÍTULOS NEGOCIADOS 7 MODALIDADES DE OPERAÇÕES E TIPOS DE ORDEM 9 1 2 ÍNDICE INTRODUÇÃO 3 MERCADO DE CAPITAIS 3 MERCADO DE BALCÃO 5 INTERMEDIÁRIOS 6 TÍTULOS NEGOCIADOS 7 MODALIDADES DE OPERAÇÕES E TIPOS DE ORDEM 9 SISTEMAS DE NEGOCIAÇÃO 9 INFORMAÇÕES DIVULGADAS 10 CUSTÓDIA

Leia mais

http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoafisica/irpf/2008/perguntas/aplicfinanrenfi...

http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoafisica/irpf/2008/perguntas/aplicfinanrenfi... Page 1 of 8 Aplicações Financeiras - Renda Fixa e Renda Variável 617 Quais são as operações realizadas nos mercados financeiro e de capital? Nesses mercados são negociados títulos, valores mobiliários

Leia mais

COMPRAR E VENDER AÇÕES MERCADO A VISTA

COMPRAR E VENDER AÇÕES MERCADO A VISTA COMPRAR E VENDER AÇÕES MERCADO A VISTA ATENÇÃO ESTE FOLHETO FAZ REFERÊNCIA AO PREGÃO À VIVA VOZ, FORMA DE NEGOCIAÇÃO UTILIZADA ATÉ 30/9/2005. A PARTIR DESSA DATA, TODAS AS OPERAÇÕES FORAM CENTRALIZADAS

Leia mais

Introdução. Capitais Internacionais

Introdução. Capitais Internacionais Capitais Internacionais e Mercado de Câmbio no Brasil Atualizado em novembro de 2010 1 Introdução O tratamento aplicável aos fluxos de capitais e às operações de câmbio acompanhou as conjunturas econômicas

Leia mais

A CVM E O MERCADO DE CAPITAIS NO BRASIL

A CVM E O MERCADO DE CAPITAIS NO BRASIL A CVM E O MERCADO DE CAPITAIS NO BRASIL Leonardo B. Pupo Analista de Mercado de Capitais Gerência de Acompanhamento de Mercado 2 Superintendência de Acompanhamento de Mercado Agenda Intermediação Financeira

Leia mais

Administração Financeira: princípios, fundamentos e práticas brasileiras

Administração Financeira: princípios, fundamentos e práticas brasileiras Administração Financeira: princípios, fundamentos e práticas brasileiras Prof. Onivaldo Izidoro Pereira Finanças Corporativas Ambiente Econômico Em suas atividades uma empresa relacionase com: Clientes

Leia mais

CURSO INDICADORES ECONÔMICOS. Sistema financeiro e Finanças públicas

CURSO INDICADORES ECONÔMICOS. Sistema financeiro e Finanças públicas Sistema financeiro e Finanças públicas Vamos imaginar um mundo sem finanças... Como seria o mercado imobiliário? A Construção? A Venda? No mundo sem Finanças grande parte dos bens estaria estocada. Na

Leia mais

OFERTA PÚBLICA INICIAL DE AÇÕES NA BOVESPA: um estudo sobre o processo de abertura de capital de empresas na Bolsa de Valores de São Paulo

OFERTA PÚBLICA INICIAL DE AÇÕES NA BOVESPA: um estudo sobre o processo de abertura de capital de empresas na Bolsa de Valores de São Paulo OFERTA PÚBLICA INICIAL DE AÇÕES NA BOVESPA: um estudo sobre o processo de abertura de capital de empresas na Bolsa de Valores de São Paulo Humberto Ebram Neto, Denílson Gusmão, Edson Aparecida de Araújo

Leia mais

Administração Financeira II

Administração Financeira II Administração Financeira II Sistema Financeiro Nacional Professor: Roberto César SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL O Sistema Financeiro Nacional pode ser definido como o conjunto de instituições e orgãos que

Leia mais

SECURITIZAÇÃO DE RECEBÍVEIS - O QUE TEM DE ATRATIVO?

SECURITIZAÇÃO DE RECEBÍVEIS - O QUE TEM DE ATRATIVO? SECURITIZAÇÃO DE RECEBÍVEIS - O QUE TEM DE ATRATIVO? Tiziane Machado(*) Antes de iniciarmos uma discussão sobre securitização é importante definirmos o termo: Securitização é um processo através do qual

Leia mais

Material Explicativo sobre Debêntures

Material Explicativo sobre Debêntures Material Explicativo sobre 1. Definições Gerais As debêntures são valores mobiliários que representam dívidas de médio e longo prazos de Sociedades Anônimas ou por ações (emissoras), de capital aberto

Leia mais

Módulo 11 Corretora de Seguros

Módulo 11 Corretora de Seguros Módulo 11 Corretora de Seguros São pessoas físicas ou jurídicas, que se dedicam a angariar e promover contratos entre as Sociedades Seguradoras e seus clientes. A habilitação e o registro do corretor se

Leia mais

Evolução do SFN. 1. Primeiro Período: 1808-1914 MERCADO FINANCEIRO E DE CAPITAIS. 3. Terceiro Período: 1945-1965. 2. Segundo Período: 1914-1945

Evolução do SFN. 1. Primeiro Período: 1808-1914 MERCADO FINANCEIRO E DE CAPITAIS. 3. Terceiro Período: 1945-1965. 2. Segundo Período: 1914-1945 Evolução do SFN MERCADO FINANCEIRO E DE CAPITAIS Profa. Dra. Andréa Paula Segatto-Mendes apsm@ufpr.br 1. Primeiro Período: 1808-1914 Abertura dos portos - acordos comerciais diretos Criação do Banco do

Leia mais

Guia de Renda Fixa. 1. Principais Características

Guia de Renda Fixa. 1. Principais Características Guia de Renda Fixa Os títulos de renda fixa se caracterizam por possuírem regras definidas de remuneração. Isto é, são aqueles títulos cujo rendimento é conhecido previamente (juro prefixado) ou que depende

Leia mais

Crise Financeira Internacional Atuação do governo brasileiro no fornecimento de liquidez em moeda estrangeira

Crise Financeira Internacional Atuação do governo brasileiro no fornecimento de liquidez em moeda estrangeira Crise Financeira Internacional Atuação do governo brasileiro no fornecimento de liquidez em moeda estrangeira O agravamento da crise financeira internacional decorrente da falência do banco Lehman Brothers,

Leia mais

COMO SE FORMAM AS TAXAS DE JUROS PRATICADAS PELOS BANCOS - PARTE I

COMO SE FORMAM AS TAXAS DE JUROS PRATICADAS PELOS BANCOS - PARTE I COMO SE FORMAM AS TAXAS DE JUROS O QUE É E COMO FUNCIONA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL? O QUE É POLÍTICA MONETÁRIA? QUAIS INSTRUMENTOS O BANCO CENTRAL UTILIZA PARA INTERFERIR NO MERCADO? O QUE É ASSISTÊNCIA

Leia mais

RESOLUÇÃO N 1.927. Art. 2º. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º. Revogar a Resolução nº 1.848, de 31.07.91.

RESOLUÇÃO N 1.927. Art. 2º. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º. Revogar a Resolução nº 1.848, de 31.07.91. RESOLUÇÃO N 1.927 Dá nova redação ao regulamento anexo V à Resolução nº 1.289, de 20.03.87, que autoriza e disciplina os investimentos de capitais estrangeiros através do mecanismo de "DEPOSITARY RECEIPTS"

Leia mais

Cadastro de clientes Conjunto de dados e informações gerais sobre a qualificação dos clientes e das sociedades corretoras.

Cadastro de clientes Conjunto de dados e informações gerais sobre a qualificação dos clientes e das sociedades corretoras. Câmbio Uma operação de câmbio envolve a negociação de moeda estrangeira através da troca da moeda de um país pela de outro. Uma pessoa que pretende viajar para o exterior precisa fazer uma operação de

Leia mais

COMISSÃO DE FINANÇAS E TRIBUTAÇÃO

COMISSÃO DE FINANÇAS E TRIBUTAÇÃO COMISSÃO DE FINANÇAS E TRIBUTAÇÃO PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR Nº. 140, DE 2004. Dispõe sobre as instituições de mercado de capitais, e dá outras providências. AUTOR: Deputado EDUARDO VALVERDE RELATOR:

Leia mais

A PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR E A INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA

A PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR E A INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA A PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR E A INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA Matheus Corredato Rossi 1 Publicado originalmente em Fundos de Pensão Revista da ABRAPP / SINDAPP / ICSS. n. 316. São Paulo: mai/06. A importância

Leia mais

UNIDADE VI Tributação sobre a transmissão de bens e direitos e operações financeiras. 1.1.1. Constituição (art. 156, inciso II e parágrafo segundo)

UNIDADE VI Tributação sobre a transmissão de bens e direitos e operações financeiras. 1.1.1. Constituição (art. 156, inciso II e parágrafo segundo) UNIDADE VI Tributação sobre a transmissão de bens e direitos e operações financeiras 1. Imposto sobre a transmissão de bens imóveis 1.1. Legislação 1.1.1. Constituição (art. 156, inciso II e parágrafo

Leia mais

Empresas de Capital Fechado, ou companhias fechadas, são aquelas que não podem negociar valores mobiliários no mercado.

Empresas de Capital Fechado, ou companhias fechadas, são aquelas que não podem negociar valores mobiliários no mercado. A Ação Os títulos negociáveis em Bolsa (ou no Mercado de Balcão, que é aquele em que as operações de compra e venda são fechadas via telefone ou por meio de um sistema eletrônico de negociação, e onde

Leia mais

www.cursosolon.com.br SISTEMA FINANCEIRO Mercado Cambial

www.cursosolon.com.br SISTEMA FINANCEIRO Mercado Cambial SISTEMA FINANCEIRO Mercado Cambial MERCADO DE CÂMBIO CONCEITO É o mercado que reúne compradores e vendedores de moedas estrangeiras, sob supervisão do Banco Central. Os compradores e vendedores são normalmente

Leia mais

SECURITIZAÇÃO DE RECEBÍVEIS IMOBILIÁRIOS 28/10/2014 - IBCPF

SECURITIZAÇÃO DE RECEBÍVEIS IMOBILIÁRIOS 28/10/2014 - IBCPF SECURITIZAÇÃO DE RECEBÍVEIS IMOBILIÁRIOS 28/10/2014 - IBCPF Conceito 1 Conceito Integração dos mercados imobiliário e de capitais, de modo a permitir a captação de recursos necessários para o desenvolvimento

Leia mais

Mercado de Ações O que são ações? Ação é um pedacinho de uma empresa Com um ou mais pedacinhos da empresa, você se torna sócio dela Sendo mais formal, podemos definir ações como títulos nominativos negociáveis

Leia mais

Renda Fixa Privada Cotas de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios FIDC. Cotas de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios FIDC

Renda Fixa Privada Cotas de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios FIDC. Cotas de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios FIDC Renda Fixa Privada Cotas de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios - FIDC Uma alternativa de investimento atrelada aos créditos das empresas O produto O Fundo de Investimento em Direitos Creditórios

Leia mais

Curso de CPA 10 CERTIFICAÇÃO PROFISSIONAL ANBIMA SÉRIE 10. www.eadempresarial.net.br. www.eadempresarial.net.br - 18 3303-0383

Curso de CPA 10 CERTIFICAÇÃO PROFISSIONAL ANBIMA SÉRIE 10. www.eadempresarial.net.br. www.eadempresarial.net.br - 18 3303-0383 Curso de CPA 10 CERTIFICAÇÃO PROFISSIONAL ANBIMA SÉRIE 10 www.eadempresarial.net.br SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL Uma conceituação bastante abrangente de sistema financeiro poderia ser a de um conjunto de

Leia mais

GUIA DE FUNCIONAMENTO DO MERCADO V1. 04_2012

GUIA DE FUNCIONAMENTO DO MERCADO V1. 04_2012 GUIA DE FUNCIONAMENTO DO MERCADO V1. 04_2012 O objetivo deste material é prestar ao investidor uma formação básica de conceitos e informações que possam auxiliá-lo na tomada de decisões antes da realização

Leia mais

Simulado CPA 10 Completo

Simulado CPA 10 Completo Simulado CPA 10 Completo Question 1. O SELIC é um sistema informatizado que cuida da liquidação e custódia de: ( ) Certificado de Depósito Bancário ( ) Contratos de derivativos ( ) Ações negociadas em

Leia mais

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Julgue os itens a seguir, a respeito da Lei n.º 6.404/197 e suas alterações, da legislação complementar e dos pronunciamentos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). 71 Os gastos incorridos com pesquisa

Leia mais

ÂMBITO E FINALIDADE SERVIÇO DE EMPRÉSTIMO DE VALORES MOBILIÁRIOS

ÂMBITO E FINALIDADE SERVIÇO DE EMPRÉSTIMO DE VALORES MOBILIÁRIOS Dispõe sobre empréstimo de valores mobiliários por entidades de compensação e liquidação de operações com valores mobiliários, altera as Instruções CVM nºs 40, de 7 de novembro de 1984 e 310, de 9 de julho

Leia mais

Relações Internacionais. Finanças Internacionais

Relações Internacionais. Finanças Internacionais Relações Internacionais Finanças Internacionais Prof. Dr. Eduardo Senra Coutinho Tópico 1: Sistema Financeiro Nacional ASSAF NETO, A. Mercado financeiro. 8ª. Ed. São Paulo: Atlas, 2008. Capítulo 3 (até

Leia mais

INVESTIMENTOS 1ª aula

INVESTIMENTOS 1ª aula INVESTIMENTOS 1ª aula Regis Klock - Graduação em Ciências Econômicas Pontifícia Universidade Católica - Pós-Graduação em Didática e Metodologia do Ensino Superior UMC - Universidade Mogi das Cruzes Experiência

Leia mais

PRAZOS E RISCOS DE INVESTIMENTO. Proibida a reprodução.

PRAZOS E RISCOS DE INVESTIMENTO. Proibida a reprodução. Proibida a reprodução. A Planner oferece uma linha completa de produtos financeiros e nossa equipe de profissionais está preparada para explicar tudo o que você precisa saber para tomar suas decisões com

Leia mais

FUNDOS DE INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS

FUNDOS DE INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS I Curso de Férias do Grupo de Estudos de Direito Empresarial - Direito UFMG S IMOBILIÁRIOS Luis Fellipe Maia Advogado Formado pela UFMG Sócio da Vivá Capital Membro do Conselho Diretor da Júnior Achievement/MG

Leia mais

Renda Fixa Privada Certificado de Recebíveis Imobiliários CRI. Certificado de Recebíveis Imobiliários - CRI

Renda Fixa Privada Certificado de Recebíveis Imobiliários CRI. Certificado de Recebíveis Imobiliários - CRI Renda Fixa Privada Certificado de Recebíveis Imobiliários - CRI Certificado de Recebíveis Imobiliários Instrumento de captação de recursos e de investimentos no mercado imobiliário O produto O Certificado

Leia mais

MANUAL DE NORMAS OPÇÕES FLEXÍVEIS SOBRE AÇÃO, COTA DE FUNDO DE INVESTIMENTO E ÍNDICE

MANUAL DE NORMAS OPÇÕES FLEXÍVEIS SOBRE AÇÃO, COTA DE FUNDO DE INVESTIMENTO E ÍNDICE MANUAL DE NORMAS OPÇÕES FLEXÍVEIS SOBRE AÇÃO, COTA DE FUNDO DE INVESTIMENTO E ÍNDICE VERSÃO: 06/09/2010 MANUAL DE NORMAS OPÇÕES FLEXÍVEIS SOBRE AÇÃO, COTA DE FUNDO DE INVESTIMENTO E ÍNDICE 2/13 ÍNDICE

Leia mais

3 A forma de funcionamento do mercado cambial

3 A forma de funcionamento do mercado cambial 27 3 A forma de funcionamento do mercado cambial Neste Capítulo, apresentar-se-á a forma de funcionamento do mercado cambial, algumas das suas principais instituições, seus participantes e algumas especificidades

Leia mais

Especialista questiona "ascensão" de bancos brasileiros em ranking

Especialista questiona ascensão de bancos brasileiros em ranking Veículo: Valor Online Data: 13/04/09 Especialista questiona "ascensão" de bancos brasileiros em ranking A crise global colocou os bancos brasileiros em destaque nos rankings internacionais de lucro, rentabilidade

Leia mais

Mirae Asset Securities (Brasil) C.T.V.M. Ltda www.miraeasset.com.br

Mirae Asset Securities (Brasil) C.T.V.M. Ltda www.miraeasset.com.br ENTIDADES AUTORREGULADORAS DO MERCADO ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO BM&FBOVESPA A BM&FBOVESPA é uma companhia de capital brasileiro formada, em 2008, a partir da integração das operações da Bolsa de Valores

Leia mais

PORQUE E COMO ABRIR O CAPITAL DE UMA EMPRESA

PORQUE E COMO ABRIR O CAPITAL DE UMA EMPRESA PORQUE E COMO ABRIR O CAPITAL DE UMA EMPRESA! Os custos! As vantagens! Os obstáculos! Os procedimentos Francisco Cavalcante (francisco@fcavalcante.com.br) Sócio-Diretor da Cavalcante & Associados, empresa

Leia mais

CONTRATO PARA REALIZAÇÃO DE OPERAÇÕES NO MERCADO A TERMO

CONTRATO PARA REALIZAÇÃO DE OPERAÇÕES NO MERCADO A TERMO São partes neste instrumento: I CORRETORA: CONTRATO PARA REALIZAÇÃO DE OPERAÇÕES NO MERCADO A TERMO ALFA CORRETORA DE CÂMBIO E VALORES MOBILIÁRIOS S.A., com sede no Município de São Paulo, Estado de São

Leia mais

R E S O L V E U: Art. 2. A sociedade corretora tem por objeto social:

R E S O L V E U: Art. 2. A sociedade corretora tem por objeto social: RESOLUCAO 1.655 --------------- O BANCO CENTRAL DO BRASIL, na forma do artigo 9. da Lei n. 4.595, de 31.12.64, torna público que o CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL, em sessão realizada em 25.10.89, tendo em

Leia mais

QUESTÕES PARA A PROVA ESPECÍFICA PARA ATUAÇÃO NA ÁREA DE AUDITORIA NAS INSTITUIÇÕES REGULADAS PELO BANCO CENTRAL DO BRASIL (BACEN)

QUESTÕES PARA A PROVA ESPECÍFICA PARA ATUAÇÃO NA ÁREA DE AUDITORIA NAS INSTITUIÇÕES REGULADAS PELO BANCO CENTRAL DO BRASIL (BACEN) QUESTÕES PARA A PROVA ESPECÍFICA PARA ATUAÇÃO NA ÁREA DE AUDITORIA NAS INSTITUIÇÕES REGULADAS PELO BANCO CENTRAL DO BRASIL (BACEN) 1. As normas e os procedimentos, bem como as Demonstrações Contábeis padronizadas

Leia mais

2. Maioria simples: Metade mais um do total de votos, cujos representantes estejam presentes a uma reunião.

2. Maioria simples: Metade mais um do total de votos, cujos representantes estejam presentes a uma reunião. 1. Maioria qualificada: Termo habitualmente utilizado para a assembléia de cotistas de um fundo de investimento ou assembléia de acionistas de uma companhia aberta. A maioria é especificada em estatuto

Leia mais

CONHECIMENTOS BANCÁRIOS PROF RODRIGO O. BARBATI. Garantias do Sistema Financeiro Nacional

CONHECIMENTOS BANCÁRIOS PROF RODRIGO O. BARBATI. Garantias do Sistema Financeiro Nacional Reta Final Escriturário Banco do Brasil Disciplina: Conhecimentos Bancários Prof.: Rodrigo Barbati Data: 09/09/2007 CONHECIMENTOS BANCÁRIOS PROF RODRIGO O. BARBATI Garantias do Sistema Financeiro Nacional

Leia mais

EMPRÉSTIMO DE ATIVOS

EMPRÉSTIMO DE ATIVOS EMPRÉSTIMO DE ATIVOS Empréstimo de Ativos BM&FBOVESPA 3 4 Empréstimo de Ativos BM&FBOVESPA 1) O que é o serviço de Empréstimo de Ativos? Lançado em 1996, é um serviço por meio do qual os investidores,

Leia mais

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos MEDIDA PROVISÓRIA Nº 206, DE 6 DE AGOSTO 2004. Altera a tributação do mercado financeiro e de capitais, institui o Regime Tributário

Leia mais

MERCADO DE RENDA VARIÁVEL PRODUTOS E CARACTERÍSTICA

MERCADO DE RENDA VARIÁVEL PRODUTOS E CARACTERÍSTICA MERCADO DE RENDA VARIÁVEL PRODUTOS E CARACTERÍSTICA AÇÕES Ações são instrumentos utilizados pelas empresas para captar recursos no mercado financeiro para os mais diversos projetos (investimentos, redução

Leia mais

O que vimos na aula passada? O que é o mercado financeiro? O que é mercado de capitais? O que é mercado de valores mobiliários?

O que vimos na aula passada? O que é o mercado financeiro? O que é mercado de capitais? O que é mercado de valores mobiliários? O que vimos na aula passada? O que é o mercado financeiro? O que é mercado de capitais? O que é mercado de valores mobiliários? Regulação do mercado de valores mobiliários Quais os segmentos do mercado

Leia mais

PONTÍFICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS CURSO DE DIREITO

PONTÍFICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS CURSO DE DIREITO PONTÍFICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS CURSO DE DIREITO Disciplina: Direito Empresarial II JUR 1022 Turma: C02 Prof.: Luiz Fernando Capítulo VI SOCIEDADES ANÔNIMAS 1. Evolução Legal: a) Decreto n. 575/49;

Leia mais

Mercado Secundário de Valores Mobiliários: Negociação e Pós-Negociação

Mercado Secundário de Valores Mobiliários: Negociação e Pós-Negociação Mercado Secundário de Valores Mobiliários: Negociação e Pós-Negociação As opiniões e conclusões externadas nesta apresentação são de inteira responsabilidade do palestrante, não refletindo, necessariamente,

Leia mais

Renda Fixa Privada Notas Promissórias NP. Notas Promissórias - NP

Renda Fixa Privada Notas Promissórias NP. Notas Promissórias - NP Renda Fixa Privada Notas Promissórias - NP Uma alternativa para o financiamento do capital de giro das empresas O produto A Nota Promissória (NP), também conhecida como nota comercial ou commercial paper,

Leia mais

LISTA DE TABELAS. Tabela I Bradesco Relação de Receitas de Prestação de Serviços...

LISTA DE TABELAS. Tabela I Bradesco Relação de Receitas de Prestação de Serviços... BANCOS MÚLTIPLOS LISTA DE TABELAS Tabela I Bradesco Relação de Receitas de Prestação de Serviços... RESUMO Neste trabalho serão apresentadas as principais características e serviços disponibilizados pelos

Leia mais

Material Explicativo sobre Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI)

Material Explicativo sobre Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) Material Explicativo sobre (CRI) 1. Definições Gerais Os Certificados de Recebíveis são títulos lastreados em créditos imobiliários, representativos de parcelas de um direito creditório. O ativo permite

Leia mais

Sistema Financeiro Nacional-Aula 22.10.14 22/10/2014. Ciências Contábeis. Sistema Financeiro Nacional. Sistema Financeiro Nacional. Prof.

Sistema Financeiro Nacional-Aula 22.10.14 22/10/2014. Ciências Contábeis. Sistema Financeiro Nacional. Sistema Financeiro Nacional. Prof. -Aula 22.10.14 22/10/2014 UNIVERSIDADE COMUNITARIA DA REGIÃO DE CHAPECÓ Ciências Contábeis Conceitos e Estrutura Professor : Johnny Luiz Grando Johnny@unochapeco.edu.br Surgimento e Finalidade: Cronograma

Leia mais

AULA 10 Sociedade Anônima:

AULA 10 Sociedade Anônima: AULA 10 Sociedade Anônima: Conceito; características; nome empresarial; constituição; capital social; classificação. Capital aberto e capital fechado. Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Bolsa de Valores.

Leia mais

LÂMINA DE INFORMAÇÕES ESSENCIAIS SOBRE O GRADIUS HEDGE FUNDO DE INVESTIMENTO MULTIMERCADO CNPJ: Nº 10.446.951/0001-42

LÂMINA DE INFORMAÇÕES ESSENCIAIS SOBRE O GRADIUS HEDGE FUNDO DE INVESTIMENTO MULTIMERCADO CNPJ: Nº 10.446.951/0001-42 LÂMINA DE INFORMAÇÕES ESSENCIAIS SOBRE O GRADIUS HEDGE FUNDO DE INVESTIMENTO MULTIMERCADO CNPJ: Nº Informações referentes à Abril de 2013 Esta lâmina contém um resumo das informações essenciais sobre o

Leia mais

MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO NACIONAL DE SEGUROS PRIVADOS. RESOLUÇÃO CNSP N o 226, DE 2010.

MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO NACIONAL DE SEGUROS PRIVADOS. RESOLUÇÃO CNSP N o 226, DE 2010. MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO NACIONAL DE SEGUROS PRIVADOS RESOLUÇÃO CNSP N o 226, DE 2010. Dispõe sobre os critérios para a realização de investimentos pelas sociedades seguradoras, resseguradores locais,

Leia mais

BRB FUNDO MÚTUO DE PRIVATIZAÇÃO FGTS PETROBRÁS (Administrado pela BRB Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.)

BRB FUNDO MÚTUO DE PRIVATIZAÇÃO FGTS PETROBRÁS (Administrado pela BRB Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.) BRB FUNDO MÚTUO DE PRIVATIZAÇÃO FGTS PETROBRÁS (Administrado pela BRB Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.) Relatório dos auditores independentes Demonstrações contábeis Em 31 de março de

Leia mais

Estrutura do Mercado Financeiro e de Capitais

Estrutura do Mercado Financeiro e de Capitais Estrutura do Mercado Financeiro e de Capitais Prof. Paulo Berger SIMULADO ATIVOS FINANCEIROS E ATIVOS REAIS. Ativo real, é algo que satisfaz uma necessidade ou desejo, sendo em geral fruto de trabalho

Leia mais

A empresa e o Ambiente de. Negócios

A empresa e o Ambiente de. Negócios Centro Universitário Franciscano Curso: Administração Disciplina: Gestão Financeira I A empresa e o Ambiente de 00 000 00 0 000 000 0 Negócios Profª. Juliana A. Rüdell Boligon Santa Maria, março de 202.

Leia mais