Informe Técnico nº. 005 MED/NVP/DVS/CEVS/SES/RS - Versão 001

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1 Informe Técnico nº. 005 MED/NVP/DVS/CEVS/SES/RS - Versão 001 Assunto: Esclarecimentos sobre a regulamentação de medicamentos fitoterápicos, plantas medicinais, drogas vegetais e derivados vegetais. 1. Introdução A Vigilância Sanitária no Estado de Rio Grande do Sul tem recebido questionamentos e denúncias de irregularidades quanto à fabricação e comercialização de medicamentos, alimentos, chás, plantas medicinais, drogas vegetais, fitoterápicos e classificação das espécies vegetais. Drogas vegetais, derivados vegetais, e/ou medicamentos fitoterápicos são produtos farmacêuticos complexos. A legislação estabelece que todas as atividades (produção, manipulação, importação, exportação, fracionamento, distribuição, transporte e dispensação) da cadeia farmacêutica devem ocorrer de acordo com requisitos mínimos de qualidade, denominados de boas práticas. As exigências sanitárias legais têm como propósito reduzir riscos e danos à saúde da população, pois eventos adversos e desvios de qualidade em medicamentos podem ocasionar problemas à saúde, como por exemplo: alterações na pressão arterial, problemas no sistema nervoso central, fígado e rins, que podem levar a internação hospitalar e até mesmo à morte, dependendo da forma de uso. Apesar de serem utilizados milenarmente pela população, o uso de plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos tem riscos associados e precisam de comprovação de sua segurança (BRASIL, 2010b). Este documento tem o objetivo de apresentar os conceitos e as exigências legais, as listas oficiais, as principais irregularidades sanitárias, os dispositivos legais e regulamentares transgredidos e seu enquadramento, no que tange a produção e comercialização de insumos farmacêuticos, medicamentos fitoterápicos, drogas vegetais e plantas medicinais. Como auxílio para o entendimento, utilizaremos o exemplo do Sene em cada capítulo. 2. Alimentos 1 Quando se trata de plantas medicinais, drogas vegetais e fitoterápicos existe uma grande confusão entre os conceitos e a classificação de medicamentos e de alimentos. As normas básicas sobre alimentos, estabelecem a definição de alimento: Decreto-lei Federal nº. 986/1969 Art. 2º Inciso I - Alimento: toda substância ou mistura de substâncias, no estado sólido, líquido, pastoso ou qualquer outra forma adequada, destinadas a 1 Elaborado com base no Informe Técnico nº 45/2010 (RS, 2010) 1

2 Item fornecer ao organismo humano os elementos normais à sua formação, manutenção e desenvolvimento. Podemos concluir que alimentos são aqueles produtos com valor nutricional, que tem como objetivo fornecer ao organismo humano os elementos normais à sua formação, manutenção e desenvolvimento Chás A Resolução Anvisa nº. 277/2005, Regulamento Técnico para Café, Cevada, Chá, Erva-Mate e Produtos Solúveis na área de alimentos é a legislação sanitária federal que fixa a identidade e as características mínimas de qualidade dos chás. Esta define chá como: Resolução nº. 277/2005 Anexo Item 2.2. Chá: é o produto constituído de uma ou mais partes de espécie(s) vegetal(is) inteira(s), fragmentada(s) ou moída(s), com ou sem fermentação, tostada(s) ou não, constantes de Regulamento Técnico de Espécies Vegetais para o Preparo de Chás. O produto pode ser adicionado de aroma e ou especiaria para conferir aroma e ou sabor. A lista das espécies vegetais e das partes das espécies vegetais permitidas para o preparo de chás foi estabelecida pela ANVISA por meio da Resolução nº., Regulamento Técnico de Espécies Vegetais para o Preparo de Chás. Posteriormente, a Resolução nº. 219/2006 incluiu novas ou retificou nome comum ou nome científico de algumas espécies vegetais. Quadro 1 - Espécies Vegetais para o Preparo de Chás NOME COMUM / NOME CIENTÍFICO Parte vegetal utilizada do Legislação Observação 1 Abacaxi / Bromelia ananas L. Infrutescência (casca e polpa dos frutos) 219/2006 Inclusão de Espécies Vegetais e Partes de Espécies Vegetais para o Preparo de Chás 2 Abacaxi / Bromelia ananas L. Polpa dos frutos 3 Acerola / Malpighia glabra L. Frutos 4 Ameixa / Prunus domestica L. Frutos 5 Amora / Rubus spp Frutos 6 Ananás / Ananas sativus Schult. & Schult.F. Infrutescência (casca e polpa dos frutos) 219/2006 Inclusão de Espécies Vegetais e Partes de Espécies Vegetais para o Preparo de Chás 7 Banana caturra e banana-nanica / Musa sinensis L. Frutos 8 Banana-da-terra / Musa sapientum L. Frutos 9 Banana-de-são-tomé, bananamaçã, banana-ouro, bananaprata / Musa paradisiaca L. Frutos 2

3 10 Baunilha / Vanilla aromatica Swart. Frutos 11 Beterraba / Beta vulgaris L. Raízes 12 Boldo / Pneumus boldus Molina (1) Folhas 219/2006 Inclusão de Espécies Vegetais e Partes de Espécies Vegetais para o Preparo de Chás 13 Camomila ou Mazanilha / Matricaria recutita L. e Chamomilla recutita (L.) Rauscher Capítulos florais 219/2006 Retificação do Nome Comum ou Nome Científico de Algumas Espécies Vegetais Previstas na Resolução- nº. 267, de 22 de setembro de Capim-limão ou capim-santo ou capim-cidreira ou capim-cidró ou chá de Estrada / Cymbopogon citratus Stapf Folhas 15 Carqueja / Baccharis genistelloides (Lamarck) Persoon Folhas 219/2006 Inclusão de Espécies Vegetais e Partes de Espécies Vegetais para o Preparo de Chás 16 Cassis ou groselha negra / Ribes nigrum L. Frutos 17 Cenoura / Daucus carota L. Raízes 18 Cereja / Prunus serotina Ehrh Frutos semente) (sem 19 Chá preto ou chá verde ou chá branco/ Camellia sinensis (L.) Kuntze Folhas e talos 20 Chicória / Cichorium intybus L. (2) Folhas e raízes 219/2006 Inclusão de Espécies Vegetais e Partes de Espécies Vegetais para o Preparo de Chás 21 Damasco ou Apricot / Prunus armeciaca L. Frutos sementes) (sem 219/2006 Retificação do Nome Comum ou Nome Científico de Algumas Espécies Vegetais Previstas na Resolução- nº. 267, de 22 de setembro de Erva-cidreira ou melissa / Melissa officinalis L. Folhas e ramos 23 Erva-doce ou anis ou anis doce / Pimpinella anisum L. Frutos 24 Erva-mate ou mate verde ou mate tostado/ Ilex paraguariensis St. Hil. Folhas e talos 25 Estévia / Stevia rebaundiana Bert (2) Folhas 219/2006 Inclusão de Espécies Vegetais e Partes de Espécies Vegetais para o Preparo de Chás 26 Framboesa / Rubus idaeus L. Frutos 27 Funcho ou erva-doce-nacional / Foeniculum vulgare Mill. Frutos 28 Groselha / Ribes rubrum L. Frutos 29 Guaraná / Paullinia cupana L. Sementes 30 Hibisco / Hibiscus sabdariffa L. Flores 31 Hortelã ou Hortelã Pimenta ou Menta /Mentha piperita L. Folhas e ramos 219/2006 Retificação do Nome Comum ou Nome Científico de Algumas Espécies Vegetais Previstas na Resolução- 3

4 nº. 267, de 22 de setembro de Hortelã ou Menta ou Hortelã doce ou Menta doce / Mentha arvensis L. Folhas e ramos 219/2006 Retificação do Nome Comum ou Nome Científico de Algumas Espécies Vegetais Previstas na Resolução- nº. 267, de 22 de setembro de Jasmim / Jasminum officinale L. Flores 34 Laranja amarga e laranja-doce / Citrus aurantium L. ou Citrus vulgaris Risso e Citrus sinensis Osbeck Frutos, casca dos frutos, folhas e flores 35 Limão e limão-doce / Citrus limmonia Osbeck ou Citrus limonium Risso Frutos, casca dos frutos, folhas e flores 36 Maçã / Pyrus malus L. Frutos 37 Mamão ou papaia / Carica papaya L. Frutos 38 Manga / Mangifera indica L. Frutos 39 Maracujá-açú / Passiflora quadrangularis L. Polpa dos frutos 40 Maracujá-azedo / Passiflora edulis F. Flavicarpa Degener Polpa dos frutos 41 Maracujá-doce e maracujá silvestre / Passiflora alata Dryand. Polpa dos frutos 42 Maracujá-mirim, maracujá-roxo e maracujá-de-garapa / Passiflora edulis Sims Polpa dos frutos 43 Marmelo comum / Pyrus cydonia L. ou Cydonia vulgaris Pers. Frutos 44 Marmelo-da-china / Cydonia sinensis Thouin. Frutos 45 Mirtilo / Vaccinium myrtillus L. Frutos 46 Morango / Fragaria spp. Frutos 219/2006 Retificação do Nome Comum ou Nome Científico de Algumas Espécies Vegetais Previstas na Resolução- nº. 267, de 22 de setembro de Pêra / Pyrus communis L. Frutos 219/2006 Retificação do Nome Comum ou Nome Científico de Algumas Espécies Vegetais Previstas na Resolução- nº. 267, de 22 de setembro de Pêssego / Prunus persica (L.) Batsch. Frutos caroço) (sem 49 Pitanga / Stenocalyx michelii O.Berg ou Eugenia uniflora L. Frutos e folhas 50 Rosa silvestre ou mosqueta/ Rosa caninal. Frutos e flores 219/2006 Inclusão de Espécies Vegetais e Partes de Espécies Vegetais para o Preparo de Chás 51 Tamarindo / Tamarindus indica L. Polpa dos frutos 219/2006 Inclusão de Espécies Vegetais e Partes de Espécies Vegetais para o Preparo de Chás 52 Tangerina, bergamota, mexerica, laranja cravo e mandarina / Casca e frutos 219/2006 Inclusão de Espécies Vegetais e Partes de Espécies Vegetais para o Preparo 4

5 Citrus reticulata Blanco de Chás 53 Uva / Vitis vinifera L. Frutos Fonte: Resoluções nº. e nº. 219/ Alimentos não possuem indicações terapêuticas O Decreto-lei nº. 986/1969 estabelece que os produtos com indicação/finalidade medicamentosa/terapêutica são excluídos do disposto no Decreto-lei, não sendo considerados alimentos: Decreto-lei Federal nº. 986/1969 Art. 56. Excluem-se do disposto neste Decreto-lei os produtos com finalidade medicamentosa ou terapêutica, qualquer que seja a forma como se apresentem ou o modo como são ministrados. A Resolução Anvisa nº 277/2005 determina ainda que: Resolução nº. 277/2005 Anexo Item 7.1. Não é permitida, no rótulo, qualquer informação que atribua indicação medicamentosa ou terapêutica (prevenção, tratamento e ou cura) ou indicações para lactente. Portanto, nas definições apresentadas, chá é produto da área de alimentos, composto por espécies vegetais que não podem ter finalidade medicamentosa e/ou terapêutica. Quando ao produto são apontadas indicações terapêuticas, este passa a ser considerado medicamento e a sua fabricação e/ou comercialização obedecem ao disposto na legislação específica de medicamentos. 3. Medicamentos A partir da Lei Federal nº /1976 ficam sujeitos à vigilância sanitária os medicamentos, as drogas, os insumos farmacêuticos e outros produtos. Os conceitos a seguir estão definidos na legislação específica Insumo farmacêutico Resolução nº. 249/2005 ANEXO Glossário Insumo farmacêutico: droga ou substância aditiva ou complementar de qualquer natureza, destinada ao emprego em medicamento. Resolução nº. 204/2006 ANEXO Glossário Insumo farmacêutico ativo: droga ou substância ativa destinada ao emprego em medicamento. 5

6 3.2. Medicamentos Lei Federal nº /1976 Art. 4º 3.3. Matéria-prima vegetal Inciso II - Medicamento - produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado, com finalidade profilática, curativa, paliativa ou para fins de diagnóstico. Lei Federal nº /1976 Art. 4º 3.4. Planta Medicinal Inciso XII - matéria-prima vegetal: compreende a planta medicinal, a droga vegetal ou o derivado vegetal. Resolução nº. 10/2010 Art. 3º Inciso XII - planta medicinal: espécie vegetal, cultivada ou não, utilizada com propósitos terapêuticos Drogas Vegetais A Resolução nº. 10/2010, que dispõe sobre a notificação de drogas vegetais junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e dá outras providências, estabelece: Resolução nº. 10/2010 Art. 1º Fica instituída a notificação de drogas vegetais no âmbito da ANVISA, assim consideradas as plantas medicinais ou suas partes, que contenham as substâncias, ou classes de substâncias, responsáveis pela ação terapêutica, após processos de coleta ou colheita, estabilização e secagem, íntegras, rasuradas, trituradas ou pulverizadas, relacionadas no Anexo I desta Resolução. 3º. As plantas medicinais in natura cultivadas em hortos comunitários e Farmácias Vivas reconhecidas junto a órgãos públicos e as drogas vegetais manipuladas em farmácias de manipulação não estão sujeitas à notificação instituída por esta Resolução, devendo atender às condições estabelecidas em regulamento próprio. Art. 2º As drogas vegetais relacionadas no Anexo I são produtos de venda isenta de prescrição médica destinados ao consumidor final. Sua efetividade encontra-se amparada no uso tradicional e na revisão de dados disponíveis em literatura relacionada ao tema. 1º. 6

7 Os produtos de que trata esta Resolução destinam-se ao uso episódico, oral ou tópico, para o alívio sintomático das doenças relacionadas no Anexo I dessa Resolução, devendo ser disponibilizadas exclusivamente na forma de droga vegetal para o preparo de infusões, decocções e macerações. 2º. Não podem ser notificadas drogas vegetais em qualquer outra forma (cápsula, tintura, comprimido, extrato, xarope, entre outros). Art. 3º Inciso V droga vegetal: planta medicinal ou suas partes, que contenham as substâncias, ou classes de substâncias, responsáveis pela ação terapêutica, após processos de coleta ou colheita, estabilização, secagem, podendo ser íntegra, rasurada ou triturada, relacionada no Anexo I dessa Resolução; Art. 6º O fabricante deve adotar, integral e exclusivamente, as informações padronizadas do Anexo I e atualizações posteriores, além de seguir as Boas Práticas de Fabricação e Controle, conforme disposto em regulamento próprio. Portanto, as drogas vegetais relacionadas no Anexo I da Resolução nº. 10/2010 são plantas medicinais ou suas partes, de venda isenta de prescrição médica destinados ao consumidor final, utilizadas apenas no preparo de infusões, decocções e macerações, que devem seguir integral e exclusivamente as informações padronizadas na resolução. Somente nestas condições, os fabricantes devem notificar à ANVISA as drogas vegetais por eles produzidas. A Vigilância Sanitária tem verificado muitos produtos irregulares em comercialização no mercado como o Chá de Sene. Para apropriação dos conceitos será utilizado este produto como exemplo. A espécie vegetal Sene, nomenclatura botânica Senna alexandrina Mill., Cassia angustifólia Vahl ou Cássia senna L., é uma planta medicinal. A utilização das folhas (folíolos) ou frutos, para tratamento da constipação intestinal eventual (sua indicação terapêutica), utilizado na forma de decocção (não pode ser na forma de cápsula, tintura, comprimido, extrato, xarope, entre outros), antes de dormir (posologia). Nestas condições, é uma droga vegetal que pode ser notificada com base na Resolução nº. 10/2010. Se for modificada qualquer uma das informações (nomenclatura botânica ou popular, parte ou forma utilizada, posologia, via, uso, alegações terapêuticas, contra indicações, efeitos adversos e informações adicionais de embalagem), a droga vegetal deverá ser objeto de processo de registro como medicamento fitoterápico, de acordo com a Resolução nº. 14/2010, ou de registro simplificado, Instrução Normativa (IN) nº 05/2008, quando seguir o preconizado na lista anexa a IN Derivado vegetal Resolução nº. 14/2010 Art. 2º 7

8 Inciso III derivado vegetal: produto da extração da planta medicinal in natura ou da droga vegetal, podendo ocorrer na forma de extrato, tintura, alcoolatura, óleo fixo e volátil, cera, exsudato e outros. As plantas medicinais, as drogas vegetais e os derivados vegetais podem ser utilizados como insumos farmacêuticos e/ou como medicamentos. Voltando ao exemplo do produto Sene. No momento em que a droga vegetal Sene passa por processos de extração de seu princípio ativo, através de processos de percolação ou maceração, obtemos um extrato ou uma tintura de Sene, tornando-se um derivado vegetal Infusão Resolução nº. 10/2010 Art. 3º Inciso IX infusão: preparação que consiste em verter água fervente sobre a droga vegetal e, em seguida, tampar ou abafar o recipiente por um período de tempo determinado. Método indicado para partes de drogas vegetais de consistência menos rígida tais como folhas, flores, inflorescências e frutos, ou com substâncias ativas voláteis. Art. 14 A palavra chá não deve ser utilizada para designar o produto, podendo constar apenas nas informações sobre forma de utilização, nos casos em que a empresa citar a expressão "xícara das de chá". A utilização da palavra chá é restrita para produtos classificados como alimentos, que contenham espécies vegetais sem propósitos terapêuticos. A palavra infusão é a preparação de drogas vegetais e, conforme o conceito, utilizada com propósitos terapêuticos, sendo classificada como produto medicamento. Portanto, Sene é medicamento e não é alimento. Deve ser utilizada na forma farmacêutica de rasura para infusão. Portanto, não é permitida a utilização da denominação Chá de Sene Medicamentos Fitoterápicos A Resolução nº. 14/2010, que dispõe sobre o registro de medicamentos fitoterápicos: Resolução nº. 14/2010 Art. 1º 1º São considerados medicamentos fitoterápicos os obtidos com emprego exclusivo de matérias-primas ativas vegetais, cuja eficácia e segurança são validadas por meio de levantamentos etnofarmacológicos, de utilização, documentações tecnocientíficas ou evidências clínicas. Este conceito é melhor explicitado na Resolução nº. 17/2010: 8

9 Resolução nº. 17/2010 Art. 5º Inciso XXXIV medicamento fitoterápico: medicamento obtido empregando-se exclusivamente matérias-primas ativas vegetais. É caracterizado pelo conhecimento da eficácia e dos riscos de seu uso, assim como pela reprodutibilidade e constância de sua qualidade. Sua eficácia e segurança são validadas por meio de levantamentos etnofarmacológicos, de utilização, documentações tecnocientíficas ou evidências clínicas. Não se considera medicamento fitoterápico aquele que, na sua composição, inclua substâncias ativas isoladas, de qualquer origem, nem as associações destas com extratos vegetais. Os medicamentos fitoterápicos são obtidos a partir da industrialização com emprego exclusivo de matérias-primas ativas vegetais, não podendo incluir na sua composição substâncias ativas isoladas, sintéticas ou naturais, nem as associações dessas com extratos vegetais (BRASIL, 2012a). O processo de industrialização tem como objetivo padronizar a quantidade e a forma certa que deve ser usada. Assim como todos os medicamentos, estes devem oferecer garantia de qualidade, ter efeitos terapêuticos comprovados, composição padronizada e segurança de uso para a população, com ausência de contaminações por microorganismos, agrotóxicos e substâncias estranhas. A eficácia e a segurança devem ser validadas através de levantamentos etnofarmacológicos, documentações tecnocientíficas em bibliografia e/ou publicações indexadas e/ou estudos farmacológicos e toxicológicos pré-clínicos e clínicos. A qualidade do medicamento deve ser alcançada mediante o controle das matérias-primas, do produto terminado, materiais de embalagem, formulação farmacêutica e estudos de estabilidade (BRASIL, 2012a). O medicamento fitoterápico é obtido pelo processo de fabricação utilizando derivados vegetais como insumos farmacêuticos, principalmente na forma de extratos ou tinturas. Retornando ao exemplo, quando o solvente do extrato fluido de Sene é removido por processos industriais, obtemos o extrato seco de Sene, insumo farmacêutico utilizado na fabricação de Sene, na forma farmacêutica de cápsula dura. Assim, a espécie vegetal Sene, nomenclatura botânica Senna alexandrina Mill., Cassia angustifólia Vahl ou Cassia senna L., de acordo a sua utilização pode ser classificada como insumo farmacêutico ou como medicamento, conforme Quadro 2. *Quadro 2. Classificação do produto Sene pela forma farmacêutica Planta medicinal Sene Forma farmacêutica Classificação Planta Medicinal/ Droga vegetal Derivado de droga vegetal Rasura de folhas (folíolos) e frutos (folículos) a granel Rasura de folhas (folíolos) e frutos (folículos) em embalagem para infusão Extrato e tintura Insumo farmacêutico Droga vegetal notificada (uso terapêutico) Insumo farmacêutico e/ou medicamento dependendo do uso Medicamento Cápsula Medicamento fitoterápico 9

10 4. Fabricação de Medicamentos Uma empresa que pretende fabricar insumos farmacêuticos, medicamentos, drogas vegetais, derivados vegetais, e/ou fitoterápicos, deve possuir: 4.1. Autorização de Funcionamento de Empresa (AFE) A Autorização de Funcionamento de Empresa (AFE) é ato privativo do órgão competente do Ministério da Saúde, incumbido da Vigilância Sanitária dos produtos de que trata o Decreto Federal nº /1977, contendo permissão para que as empresas exerçam as atividades sob regime de Vigilância Sanitária, instituído pela Lei nº /1976, mediante comprovação de requisitos técnicos e administrativos específicos (BRASIL, 2012b). Lei Federal nº /1999 Art. 7º Compete à Agência proceder à implementação e à execução do disposto nos incisos II a VII do art. 2º desta Lei, devendo: Inciso VII autorizar o funcionamento de empresas de fabricação, distribuição e importação dos produtos mencionados no art. 8º desta Lei e de comercialização de medicamentos; (Redação dada pela MP nº , de 23 de agosto de 2001) A AFE é concedida pela esfera federal (ANVISA), após uma avaliação da legalidade e da verificação da capacidade técnica e operacional de uma empresa constatada por inspeção sanitária. É, então, a permissão para que as empresas produtoras desempenhem as atividades que são discriminadas neste documento com relação aos bens regulados pela Vigilância Sanitária. Desta forma, uma indústria que possui AFE para produção de alimentos não pode produzir medicamento, a não ser que possua outra AFE para a produção de medicamentos. De qualquer forma, a produção de medicamentos deve ocorrer em área específica e aprovada pela vigilância sanitária estadual para medicamentos e não na área de alimentos. As empresas que produzem insumos ou produtos sob vigilância sanitária não necessitam de renovação anual, no caso produção de insumos farmacêuticos, medicamentos, drogas vegetais, derivados vegetais, e/ou fitoterápicos. Já empresas fracionadoras, importadoras, exportadoras, distribuidoras, transportadoras de insumos farmacêuticos e medicamentos, farmácias e drogarias precisam renovar a AFE anualmente, tendo como data base de renovação a data da AFE inicial Alvará Sanitário Alvará Sanitário (licença sanitária): é a avaliação anual do conjunto de requisitos mínimos de capacidade técnica, operacional e de responsabilidade profissional, conforme evidenciado em inspeções sanitárias anuais do órgão estadual, conforme a pactuação do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária. No Rio Grande do Sul, o Alvará para fabricação de insumos farmacêuticos, medicamentos, drogas vegetais, derivados vegetais, e/ou fitoterápicos somente é concedido e renovável anualmente pela Vigilância Sanitária estadual (Setor de Medicamentos/NVP/DVS/CEVS/SES- RS), após a publicação da AFE. 10

11 4.3. Boas Práticas Boas Práticas são requisitos técnicos mínimos para a fabricação de produtos sob Vigilância Sanitária e têm como propósito reduzir riscos e danos à saúde da população. Estas têm como objetivo propiciar maiores cuidados com a fabricação e comercialização de medicamentos. As boas práticas de fabricação de medicamentos estão estabelecidas na Resolução nº. 17/2010, cujo Título VIII trata especificamente de medicamentos fitoterápicos. Resolução nº. 17/2010 Art. 13º Boas Práticas de Fabricação é a parte da Garantia da Qualidade que assegura que os produtos são consistentemente produzidos e controlados, com padrões de qualidade apropriados para o uso pretendido e requerido pelo registro. 1º O cumprimento das BPF está orientado primeiramente à diminuição dos riscos inerentes a qualquer produção farmacêutica, os quais não podem ser detectados somente pela realização de ensaios nos produtos terminados. 2º Os riscos são constituídos essencialmente por contaminação cruzada, contaminação por partículas, troca ou mistura de produto. Somente poderão notificar ou registrar medicamentos as empresas fabricantes que estejam certificados pela ANVISA quanto ao cumprimento de Boas Práticas de Fabricação para medicamentos. 5. Registro/Notificação de produto no Ministério da Saúde 5.1. Droga vegetal A droga vegetal ou derivado vegetal podem ser encontrados na forma de insumo farmacêutico e de medicamentos: Insumo farmacêutico: não são objetos de notificação ou registro no Ministério da Saúde/ANVISA quando utilizados na fabricação de medicamentos fitoterápicos. Porém, o fabricante nacional deve cadastrar as drogas vegetais que fabrica e/ou importa, conforme estabelecido na Resolução nº 30/08. Resolução nº 30/08 Art. 1º Fica estabelecida, por meio desta resolução, a obrigatoriedade de todas as empresas estabelecidas no país, que exerçam as atividades de fabricar, importar, exportar, fracionar, armazenar, expedir e distribuir insumos farmacêuticos ativos, cadastrarem junto à ANVISA todos os insumos farmacêuticos ativos com os quais trabalham. 11

12 Medicamento: somente poderá ser fabricada e/ou importada após notificação prévia na autoridade sanitária. A embalagem das drogas vegetais como medicamento deve ser acompanhada de folheto informativo. Resolução nº. 10/2010 Art. 3º Inciso VI folheto informativo: documento que acompanha o produto, cuja finalidade é orientar o usuário acerca da correta utilização da droga vegetal, nos termos deste regulamento, e não pode apresentar designações, símbolos, figuras, desenhos, imagens, slogans e quaisquer argumentos de cunho publicitário; Inciso XI notificação: prévia comunicação à autoridade sanitária federal (ANVISA) referente à fabricação, importação e comercialização das drogas vegetais relacionadas no Anexo I; 5.2. Medicamentos Fitoterápicos Todo medicamento industrializado deve ser registrado na ANVISA/Ministério da Saúde antes de ser comercializado. Decreto Federal nº , de 05 de janeiro de 1977: Art. 3º Para os efeitos deste Regulamento são adotadas as seguintes definições: XXI Registro de Medicamento - Instrumento por meio do qual o Ministério da Saúde, no uso de sua atribuição específica, determina a inscrição prévia no órgão ou na entidade competente, pela avaliação do cumprimento de caráter jurídico-administrativo e técnico-científico relacionada com a eficácia, segurança e qualidade destes produtos, para sua introdução no mercado e sua comercialização ou consumo; Portanto, deve apresentar coerência das indicações terapêuticas proposta com as comprovadas pelo uso tradicional; comprovar a ausência de risco tóxico ao usuário, ausência de grupos ou substâncias químicas tóxicas, ou que estas estejam presentes dentro de limites seguros; entre outras exigências. O registro dos medicamentos fitoterápicos segue o disposto na Resolução nº. 14/2010. Conforme Instrução Normativa nº. 05/2008, os medicamentos obtidos a partir de espécies vegetais que integram a Lista de medicamentos fitoterápicos de registro simplificado, nas condições ali definidas e que não necessitam validar suas indicações terapêuticas e segurança de uso, podem ser registrados por meio de registro simplificado. O quadro abaixo especifica cada produto. 12

13 Quadro 3. Necessidade de notificação/registro dos produtos conforme classificação Produto Planta medicinal/ Droga vegetal Derivado de droga vegetal Medicamento Classificação pela utilização Insumo farmacêutico Legislação Resolução nº. 30/08 Medicamento nº. 10/10 Insumo farmacêutico Atenda integralmente condições definidas na IN nº. 05/2008 Resolução nº 30/08 Instrução Normativa nº. 05/2008 Necessita Cadastro Notificação prévia Cadastro Registro simplificado Medicamento nº. 14/10 Registro Atenda integralmente condições definidas na IN nº. 05/2008 Instrução Normativa nº. 05/08 Registro simplificado Medicamento nº. 14/10 Registro 6. Relação dos produtos 6.1. Relação de drogas vegetais As drogas vegetais estão relacionadas no Anexo I da Resolução nº. 10/2010, onde são classificadas quanto: a nomenclatura botânica e popular, parte utilizada, forma de utilização, posologia e modo de usar, via de administração, alegações (queixas dos pacientes), contra indicações, efeitos adversos, informações tradicionais em embalagem e referências bibliográficas. Conforme o Art. nº. 6º desta Resolução: Resolução nº. 10/2010 Art. 6º O fabricante deve adotar, integral e exclusivamente, as informações padronizadas do Anexo I e atualizações posteriores, além de seguir as Boas Práticas de Fabricação e Controle, conforme disposto em regulamento próprio. As drogas vegetais relacionadas no Anexo I são: Quadro 4. Relação de drogas vegetais Item Nomenclatura botânica Nomenclatura popular Parte utilizada 1 Achillea millefolium Mil folhas Partes aéreas 2 Achyrocline satureioides Macela; Marcela; Marcela do campo Sumidades floridas 3 Aesculus hippocastanum Castanha-da-índia Sementes com casca 4 Ageratum conyzoides Mentrasto, Catinga de bode Partes aéreas sem as flores 5 Allium sativum Alho Bulbo 13

14 6 Anacardium occidentale Cajueiro Entrecasca 7 Arnica montana Arnica Flores 8 Baccharis trimera Carqueja; Carqueja amarga Partes aéreas 9 Bidens pilosa Picão Folhas 10 Calendula officinalis Calêndula Flores 11 Caesalpinia férrea Jucá, Pau-ferro Favas 12 Casearia sylvestris Guaçatonga, Erva de- bugre, Erva-de-lagarto Folha 13 Cinnamomum verum Canela, Canela-do-Ceilão Casca 14 Citrus aurantium Laranja - amarga Flores 15 Cordia verbenacea Erva-baleeira Folha 16 Curcuma longa Curcuma, Açafroa, Açafrão da Terra Rizomas 17 Cymbopogon citratus Capim santo, Capim limão, Capim cidró, Capim cidreira, Cidreira Folhas 18 Cynara scolymus Alcachofra Folhas 19 Echinodorus macrophyllus Chapéu de couro Folhas 20 Equisetum arvense Cavalinha Partes aéreas 21 Erythrina verna Mulungu Casca 22 Eucalyptus globulus Eucalipto Folhas 23 Eugenia uniflora Pitangueira Folhas 24 Glycyrrhiza glabra Alcaçuz Raiz 25 Hamamelis virginiana Hamamélis Casca 26 Harpagophytum procumbens Garra do diabo Raiz 27 Illicium verum Anis estrelado Fruto 28 Justicia pectoralis Chambá, Chachambá, Trevo-cumaru Partes aéreas 29 Lippia alba Erva-cidreira, Falsa erva- cidreira, Falsa melissa Partes aéreas 30 Lippia sidoides Alecrim-pimenta Folhas 31 Malva sylvestris Malva Folhas e flores 32 Matricaria recutita Camomila Flores 33 Maytenus ilicifolia Espinheira santa Folhas 34 Melissa officinalis Melissa, Erva-cidreira Sumidades floridas 35 Mentha piperita Hortelã-pimenta Folhas e sumidades floridas 36 Mentha pulegium Poejo Partes aéreas 37 Mikania glomerata Guaco Folhas 38 Momordica charantia Melão-de-São-Caetano Folhas, frutos e sementes 39 Passiflora alata Maracujá Folhas 40 Passiflora edulis Maracujá-azedo Folhas 41 Passiflora incarnata Maracujá Partes aéreas 42 Paullinia cupana Guaraná Sementes 43 Peumus boldus Boldo-do-chile Folhas 44 Phyllanthus niruri Quebra-pedra Partes aéreas 45 Pimpinela anisum Anis, Erva doce Frutos 14

15 46 Plantago major Tanchagem; Tansagem, Tranchagem Folhas 47 Plectranthus barbatus Boldo-nacional, Hortelã-homem, Falso-boldo, Boldoafricano Folhas 48 Polygala senega Polígala Raiz 49 Polygonum punctatum Erva-de- bicho, Pimenteira- dágua Partes aéreas 50 Psidium guajava Goiabeira Folhas jovens 51 Punica granatum Romã Pericarpo (casca do fruto) 52 Rhamnus purshiana Cáscara sagrada Casca 53 Rosmarinus officinalis Alecrim Folhas 54 Salix alba Salgueiro Casca do caule 55 Salvia officinalis Sálvia Folhas 56 Sambucus nigra Sabugueiro Flor 57 Schinus terebinthifolia Aroeira-da-praia Casca do caule 58 Senna alexandrina Sene Fruto e folíolos 59 Solanum paniculatum Jurubeba Planta inteira 60 Stryphnodendrom adstrigens Barbatimão Casca 61 Taraxacum officinale Dente de leão Toda a planta 62 Uncaria tomentosa Unha-de-gato Entrecasca 63 Vernonia condensata Boldo-baiano Folha 64 Vernonia polyanthes Assa-peixe Folha 65 Zingiber officinale Gengibre Rizoma Fonte: Resolução nº. 10/2010 Anexo I 6.2. Relação de medicamentos fitoterápicos de registro simplificado Da mesma forma, as espécies vegetais definidas como medicamentos fitoterápicos de registro simplificado estão relacionadas na Instrução Normativa nº. 05/2008: Quadro 5. Relação de medicamentos fitoterápicos Item Nomenclatura botânica Nome popular Parte usada Derivado de droga vegetal utilizado 1 Aesculus hippocastanum L. Castanha da Índia Sementes Extratos/tintura 2 Allium sativum L. Alho Bulbo Extratos/tintura/óleo 3 Aloe vera (L.) Burm f. Babosa ou áloe Gel mucilaginoso das folhas Extrato obtido do gel 4 Arctostaphylos uva-ursi Spreng. Uva-ursi Folha Extratos/tintura 5 Arnica montana L. Arnica Capítulo floral Extratos/tintura 6 Calendula officinalis L. Calêndula Flores Derivado de droga vegetal Extratos/tintura 7 Centella asiatica (L.) Urban, Centela- Centela, asiática Partes aéreas Extratos 8 Cimicifuga racemosa (L.) Nutt. Cimicífuga Raiz ou rizoma Extratos 9 Cynara scolymus L. Alcachofra Folhas Extratos/tintura 10 Echinacea purpurea Moench Equinácea Partes aéreas floridas Extratos 15

16 11 Eucalyptus globulus Labill. Eucalipto Folhas Óleo essencial/extratos/ti ntura 12 Ginkgo biloba L. Ginkgo Folhas Extratos 13 Glycyrrhiza glabra L. Alcaçuz Raízes Extratos/tintura 14 Hamamelis virginiana L. Hamamélis Folhas Extrato/tintura 15 Hypericum perforatum L. Hipérico Partes aéreas Extratos/tintura 16 Matricaria recutita L. Camomila Capítulos florais Extratos/tintura 17 Maytenus ilicifolia Mart. ex Reiss. Espinheira-Santa Folhas Extratos/tintura 18 Melissa officinalis L. Melissa, Erva-cidreira Folhas Extratos/tintura 19 Mentha piperita L. Hortelã-pimenta Folhas Óleo essencial 20 Mikania glomerata Sprengl. Guaco Folhas Extrato/tintura 21 Panax ginseng C. A. Mey. Ginseng Raiz Extratos, tintura 22 Passiflora incarnata L. Maracujá, Passiflora Partes aéreas Extratos/tintura 23 Paullinia cupana H.B.&K. Guaraná Sementes Extratos/tintura 24 Peumus boldus Molina Boldo, Boldo-do-Chile Folhas Extratos/tintura 25 Pimpinella anisum L. Erva-doce, Anis Frutos Extratos/tintura 26 Piper methysticum G. Forst. Kava-kava Rizoma Extratos/tintura 27 Polygala senega L. Polígala Raízes Extratos/tintura 28 Rhamnus purshiana DC. Cáscara Sagrada Casca Extratos/tintura 29 Salix alba L. Salgueiro branco Casca Extratos 30 Sambucus nigra L. Sabugueiro Flores Extratos/tintura Senna alexandrina Mill., Cassia angustifólia Vahl ou Cássia senna L. Serenoa repens (Bartram) J.K. Small Sene Folhas e frutos Extratos/tintura Saw palmetto Frutos Extrato 33 Symphytum officinale L. Confrei Raízes Extrato 34 Tanacetum parthenium Sch. Bip. Tanaceto Folhas Extratos/tintura 35 Valeriana officinalis L. Valeriana Raízes Extratos/tintura 36 Zingiber officinale Rosc. Gengibre Rizomas Extratos Fonte: Instrução Normativa nº. 05/2008 Os medicamentos fitoterápicos estão incluídos na Relação Nacional de Medicamentos (RENAME), cuja última atualização foi estabelecida pela Portaria MS/GM nº. 533/2012 e são fornecidos gratuitamente nas unidades básicas de saúde, mediante apresentação de receita médica. Quadro 6. Relação de medicamentos fitoterápicos da RENAME Nome popular Nome científico Indicação Espinheira-santa Maytenus ilicifolia Dispepsias, coadjuvante no tratamento de gastrite e úlcera duodenal Guaco Mikania glomerata Expectorante e broncodilatador Alcachofra Cynara scolymus Colagogos e coleréticos em dispepsias associadas a disfunções hepatobiliares. 16

17 Aroeira Schinus terebenthifolius Produtos ginecológicos antiinfecciosos tópicos simples Cáscara-sagrada Rhamnus purshiana Constipação ocasional Garra-do-diabo Harpagophytum procumbens Antiinflamatório (oral) em dores lombares, osteoartrite Isoflavona-de-soja Glycine max Climatério (coadjuvante no alívio dos sintomas) Unha-de-gato Uncaria tomentosa Antiinflamatório (oral e tópico) nos casos de artrite reumatóide, osteoartrite e como imunoestimulante Hortelã Mentha x piperita Síndrome do cólon irritável Babosa Aloe vera Queimaduras e psoríase Salgueiro Salix alba Dor lombar Fonte: RENAME Irregularidades sanitárias 7.1. Produtos alvos mais comuns de irregularidades sanitárias Os produtos alvos mais frequentes de produção irregular de espécies vegetais classificadas como drogas vegetais, derivados vegetais ou medicamentos fitoterápicos são: Erva de São João, Espinheira Santa, Ginko Biloba e Sene. É importante ressaltar que os medicamentos que contenham as espécies vegetais Erva de São João (Hypericum perforatum - hipérico) e Ginko Biloba, estão relacionados com restrição de uso, isto é, com venda apenas sob prescrição médica Principais irregularidades sanitárias A seguir estão relacionados exemplos das irregularidades sanitárias mais comuns nesta área. Esta descrição tem o cunho orientativo para avaliação caso a caso pelos fiscais de vigilância sanitária Fabricação sem Autorização de Funcionamento (AFE) Descrição da irregularidade sanitária: Produzir, fabricar, fracionar, embalar, armazenar, expedir e vender insumos farmacêuticos, medicamentos, drogas vegetais, derivados vegetais, e/ou fitoterápicos sem autorização do Ministério da Saúde (ANVISA). Dispositivos legais e regulamentares transgredidos: Art. 1º, Art. 2 º, Art. 50 da Lei Federal nº 6360/76, c/c Art. 1º, Art. 2º, Art. 75 do Decreto Federal nº /77, c/c Art. 1º e o Anexo I da Resolução nº. 10/10 (no caso de drogas e derivados vegetais), Art. 1º e Anexo da Instrução Normativa ANVISA nº. 05/08 (no caso de medicamentos fitoterápicos). Lei Federal nº 6360/76 Art. 1º Ficam sujeitos às normas de vigilância sanitária instituídas por esta Lei os medicamentos, as drogas, os insumos farmacêuticos e correlatos, definidos na Lei número 5.991/73, bem como os produtos de higiene, os cosméticos, perfumes, saneantes domissanitários, produtos destinados à correção estética e outros adiante definidos. Art. 2º 17

18 Somente poderão extrair, produzir, fabricar, transformar, sintetizar, purificar, fracionar, embalar, reembalar, importar, exportar, armazenar ou expedir os produtos de que trata o Art.1 as empresas para tal fim autorizadas pelo Ministério da Saúde. Art. 50 O funcionamento das empresas de que trata esta Lei dependerá de autorização do Ministério da Saúde, à vista da indicação da atividade industrial respectiva, da natureza e espécie dos produtos e da comprovação da capacidade técnica, científica e operacional, e de outras exigências dispostas em regulamento e atos administrativos pelo mesmo Ministério. Decreto Federal nº /77 Art. 1º Os medicamentos, insumos farmacêuticos, drogas, correlatos, cosméticos, produtos de higiene, perfumes e similares, saneantes domissanitários, produtos destinados à correção estética e os demais, submetidos ao sistema de vigilância sanitária, somente poderão ser extraídos, produzidos, fabricados, embalados ou reembalados, importados, exportados, armazenados, expedidos ou distribuídos, obedecido o disposto na Lei nº 6.360/76, e neste Regulamento. (NR) (alterado pelo decreto nº 3.961/01) Art. 2º Para o exercício de qualquer das atividades indicadas no artigo 1º, as empresas dependerão de autorização específica do Ministério da Saúde. Art. 75 O funcionamento das empresas que exerçam atividades enumeradas no artigo 1º dependerá de autorização do órgão de vigilância sanitária competente do Ministério da Saúde, Enquadramento: Artigo 10, Inciso VI da Lei Federal nº 6437/77. Lei Federal nº 6437/77 Artigo 10 Inciso IV extrair, produzir, fabricar, transformar, preparar, manipular, purificar, fracionar, embalar ou reembalar, importar, exportar, armazenar, expedir, transportar, comprar, vender, ceder ou usar alimentos, produtos alimentícios, medicamentos, drogas, insumos farmacêuticos, produtos dietéticos, de higiene, cosméticos, correlatos, embalagens, saneantes, utensílios e aparelhos que interessem à saúde pública ou individual, sem autorizações do órgão sanitário competente ou contrariando o disposto na legislação sanitária pertinente. Penas previstas: advertência, apreensão e inutilização, interdição, cancelamento do registro, e/ou multa Fabricação sem Alvará Sanitário (licença sanitária) Descrição da irregularidade sanitária: Produzir, fabricar, fracionar, embalar, armazenar, expedir e vender insumos farmacêuticos, medicamentos, drogas vegetais, derivados vegetais, e/ou fitoterápicos sem ser licenciado pela Vigilância Sanitária Estadual (sem possuir alvará sanitário). Dispositivos legais e regulamentares transgredidos: 18

19 Art. 1º, Art. 2º, Art. 51 da Lei Federal nº 6360/76, c/c Art. 1º, Art. 2º do Decreto Federal nº /77, c/c Art. 21 da Lei Federal nº. 5991/73, c/c Art. 556 do Regulamento Aprovado pelo Decreto Estadual nº /74. Lei Federal nº 6360/76 Art. 1º Ficam sujeitos às normas de vigilância sanitária instituídas por esta Lei os medicamentos, as drogas, os insumos farmacêuticos e correlatos, definidos na Lei número 5.991, de 17 de dezembro de 1973, bem como os produtos de higiene, os cosméticos, perfumes, saneantes domissanitários, produtos destinados à correção estética e outros adiante definidos. Art. 2º Somente poderão extrair, produzir, fabricar, transformar, sintetizar, purificar, fracionar, embalar, reembalar, importar, exportar, armazenar ou expedir os produtos de que trata o Art.1 cujos estabelecimentos hajam sido licenciados pelo órgão sanitário das Unidades Federativas em que se localizem. Art. 51 O licenciamento, pela autoridade local, dos estabelecimentos industriais ou comerciais que exerçam as atividades de que trata esta Lei, dependerá de haver sido autorizado o funcionamento da empresa pelo Ministério da Saúde e de serem atendidas, em cada estabelecimento, as exigências de caráter técnico e sanitário estabelecidas em regulamento e instruções do Ministério da Saúde, inclusive no tocante à efetiva assistência de responsáveis técnicos habilitados aos diversos setores de atividade. Decreto Federal nº /77 Art. 1º Os medicamentos, insumos farmacêuticos, drogas, correlatos, cosméticos, produtos de higiene, perfumes e similares, saneantes domissanitários, produtos destinados à correção estética e os demais, submetidos ao sistema de vigilância sanitária, somente poderão ser extraídos, produzidos, fabricados, embalados ou reembalados, importados, exportados, armazenados, expedidos ou distribuídos, obedecido o disposto na Lei nº 6.360/76, e neste Regulamento. (NR) (alterado pelo decreto nº 3.961/01) Art. 2º Para o exercício de qualquer das atividades indicadas no artigo 1º, as empresas dependerão de de licenciamento dos estabelecimentos pelo órgão competente da Secretária da Saúde dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios. Lei Federal nº 5991/73 Art. 21 O comércio, a dispensação, a representação ou distribuição e a importação ou exportação de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos será exercido somente por empresas e estabelecimentos licenciados pelo órgão sanitário competente dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios, em conformidade com a legislação supletiva a ser baixada pelos mesmos, respeitadas as disposições desta Lei. Decreto Estadual nº /74 Art. 556 Nenhum estabelecimento industrial de fabrico e manipulação de drogas e de outros produtos químicos que interessam à medicina e à saúde pública 19

20 poderá funcionar sem a prévia licença da autoridade sanitária competente. Enquadramento: Artigo 10, Inciso VI da Lei Federal nº 6437/77. Lei Federal nº 6437/77 Artigo 10 Inciso IV extrair, produzir, fabricar, transformar, preparar, manipular, purificar, fracionar, embalar ou reembalar, importar, exportar, armazenar, expedir, transportar, comprar, vender, ceder ou usar alimentos, produtos alimentícios, medicamentos, drogas, insumos farmacêuticos, produtos dietéticos, de higiene, cosméticos, correlatos, embalagens, saneantes, utensílios e aparelhos que interessem à saúde pública ou individual, sem licença do órgão sanitário competente ou contrariando o disposto na legislação sanitária pertinente. Penas previstas: advertência, apreensão e inutilização, interdição, cancelamento do registro, e/ou multa Produzir sem registro/notificação no Ministério da Saúde Descrição da irregularidade sanitária: Produzir e/ou comercializar insumos farmacêuticos, medicamentos, drogas vegetais, derivados vegetais, e/ou fitoterápicos sem registro/registro/registro simplificado/notificação no Ministério da Saúde. Dispositivos legais e regulamentares transgredidos: Art. 12 da Lei Federal nº. 6360/76, c/c Art. 14 do Decreto Federal nº /77, c/c Art. 1º e Art. 2º e o Anexo I da Resolução nº. 10/10 (no caso de drogas vegetais notificadas), Art. 1º e Anexo da Instrução Normativa ANVISA nº. 05/08 (no caso de medicamentos fitoterápicos de registro simplificado), Art. 1º da Resolução nº. 14/10 (no caso de registro de medicamentos fitoterápicos). Lei Federal nº. 6360/76 Art. 12 Nenhum dos produtos de que trata esta Lei, inclusive os importados, poderá ser industrializado, exposto à venda ou entregue ao consumo antes de registrado no Ministério da Saúde. Decreto Federal nº /77 Art. 14 Nenhum dos produtos submetidos ao regime de vigilância sanitária de que trata este Regulamento, poderá ser industrializado, exposto à venda ou entregue ao consumo, antes de registrado no órgão de vigilância sanitária competente do Ministério da Saúde. Classificação dos produtos como drogas vegetais notificadas: Resolução nº. 10/10 Art. 1º Fica instituída a notificação de drogas vegetais no âmbito da ANVISA, assim consideradas as plantas medicinais ou suas partes, que contenham as substâncias, ou classes de substâncias, responsáveis pela ação terapêutica, após processos de coleta ou colheita, estabilização e 20

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