A VISÃO DOS PROFESSORES SOBRE A RELAÇÃO ENTRE CONCEITOS CIENTÍFICOS VEICULADOS NAS PROPAGANDAS TELEVISIVAS E O PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM

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1 UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE JOEL BRANCHINI FILHO A VISÃO DOS PROFESSORES SOBRE A RELAÇÃO ENTRE CONCEITOS CIENTÍFICOS VEICULADOS NAS PROPAGANDAS TELEVISIVAS E O PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM São Paulo 2010

2 JOEL BRANCHINI FILHO A VISÃO DOS PROFESSORES SOBRE A RELAÇÃO ENTRE CONCEITOS CIENTÍFICOS VEICULADOS NAS PROPAGANDAS TELEVISIVAS E O PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado como parte das atividades para a obtenção do título de licenciado em Biologia, sob a orientação do Professor Dr. Rinaldo Molina, no 6º semestre, turma B, da Faculdade de Ciências Biológicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Orientador: Prof. Dr. Rinaldo Molina São Paulo 2010

3 A minha namorada Sara que sempre esteve comigo nesta caminhada. A meus pais e irmã que me apoiaram em todos os momentos.

4 AGRADECIMENTOS À Deus, criador de todo o universo, que me deu forças e me capacitou para que este trabalho pudesse ser realizado. Ao Ilustre Professor Dr. Rinaldo Molina, orientador deste trabalho, pela dedicação, apoio e orientação durante esta realização. Aos demais professores da Faculdade de Ciências Biológicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie que muito contribuíram para o meu desenvolvimento pessoal e, sobretudo, acadêmico. Aos meus maravilhosos pais. À minha irmã Fabiana, pessoa muito importante em minha vida e que sempre esteve comigo. As minhas avós Herminia e Maria Esther, pessoas tão diferentes, mas com muito valor e que muito me ensinaram no decorrer dos anos. A minha amiga, namorada e futura mulher Sara. A meus amigos e colegas pelo suporte dado nas situações mais complicadas e pela alegria compartilhada nos momentos felizes.

5 A criança absorve fatos levados a ela pela mídia e não pela escola." FREIRE E GUIMARÃES

6 RESUMO Dada a influência da mídia no publico infanto-juvenil, a presente monografia tem como foco principal abordar a visão dos professores sobre os conceitos científicos vinculados nas publicidades televisivas. Esta investigação enfatiza que dentre os programas televisivos é a propaganda aquela que mais se faz preocupante quando destinada ao público menor, tendo em vista que é um público em formação e fácil de ser enganado pelas investidas publicitárias. Com a intenção de verificar se os professores reconhecem e atuam frente aos conceitos científicos veiculados nas propagandas; foi desenvolvido e aplicado um questionário com questões abertas para obtenção de dados em seis professores de Ciências e Biologia. A partir das respostas fornecidas verificou-se que há conceitos científicos ligados às propagandas televisivas que nem sempre são coerentes aqueles ensinados em sala de aula. Dessa forma discute-se a importância do professor em educar o aluno e apoiá-lo no desenvolvimento de um olhar critico sobre os meios de comunicação. Palavras chave: Conceitos Científicos; Publicidade televisiva; Mídia; Ensino aprendizagem.

7 6 ABSTRACT Given to the influence of media on children and teenagers, this monograph focused primarily on addressing the teachers' view on scientific concepts bounded to television advertisements. This research emphasizes that among TV programs the advertising is the most disturbing when intended for younger audiences, considering that it is a public on development and easily fooled by the advertising invested. With the intention of verifying whether teachers recognize and act when facing scientific concepts conveyed in advertisements; it was developed and applied a questionnaire with open questions to gather data with six science and biology teachers. From the answers provided it was verified that there are science concepts related to television advertisements that are not always related to those taught in the classroom. Through this it is discussed the importance of teachers in educating and supporting the students on its development of a critical eye on the medias. Keywords: Scientific Concepts; television advertising, media, teaching learning.

8 7 SUMÁRIO 1 Introdução Referencial Teórico A criança e o adolescente em face da publicidade Educar para um olhar critico Procedimentos Metodológicos Análise Considerações Finais Referências Bibliográficas Anexo...40

9 8 1- INTRODUÇÃO O presente Trabalho de Conclusão de Curso tem por objetivo averiguar se os professores das áreas de ciência e biologia percebem que há conceitos científicos veiculados nas publicidades televisivas e se estes divergem daqueles conhecimentos ensinados em aula. Tendo em vista que os meios de comunicação influenciam as pessoas, a Revista do Professor (2006) afirma que os pensamentos das crianças e jovens mudam drasticamente sob a influência das propagandas estimuladas pela televisão, o mais poderoso e abrangente veículo de comunicação existente nos dias de hoje. O impacto causado por esse meio de comunicação sobre a infância caracteriza-se por mudanças de comportamento, no consumo de produtos veiculados pela TV e na padronização de modelos e linguagens, sendo, o público infantil o mais visado na sociedade de consumo contemporânea. Fator que desencadeia nosso interesse pelo tema. Para a apresentação desse estudo primeiramente situasse o assunto de acordo com os referenciais teóricos utilizados, fazendo-se uma breve discussão sobre a comunicação e os meios em massa, tendo como foco principal a programação publicitária televisiva. Posteriormente, discutir-se-á a influência de tais programações na formação do público infantil e a necessidade da educação para os meios, sensibilizando o aluno da não transparência da TV (MORAN 1991).

10 9 Na parte seguinte apresenta-se os procedimentos utilizados; encerrando-se com a análise que, possibilitará o leitor tecer suas próprias conclusões a respeito do tema, identificando se existe uma real influência dos conceitos científicos apresentados nas propagandas televisivas, no modo de agir do público infantil.

11 10 2- REFERENCIAL TEÓRICO Todos os seres desde que nascem possuem a necessidade de se comunicar. Estudos demonstram que foi por meio dessa necessidade que a fala e a escrita foram desenvolvidas. Esta obrigação imprescindível de um indivíduo falar com o outro deu origem a gemidos e grunhidos dos ancestrais comuns ao homem; que consecutivamente evoluíram e juntos constituíram línguas para cada grupo em especial. Ainda é possível notar essa necessidade nos achados em cavernas antigas, rabiscos e desenhos (pinturas rupestres), pelos quais tribos se comunicavam. Diferentes meios foram criados para que os indivíduos pudessem se comunicar. Esses instrumentos criados nos ajudam a comunicarmos um com os outros, nos auxiliam a receber ou transmitir informações. Fazendo um salto no tempo os meios sofreram grandes avanços, de forma que os homens passaram a se comunicar mesmo com longas distâncias, por intermédio de cartas, telegrafia e telefonia. A necessidade de se comunicar e transmitir informação ficou cada vez maior e novos meios de comunicação foram descobertos, foi por meio desta necessidade que surgiu os meios de comunicação em massa. Para Raboy (2006), estes meios de comunicação funcionaram como mecanismos que permitiram a disseminação em massa da informação.

12 11 Atualmente, os principais meios de comunicação em massa são: o rádio, a televisão, o cinema e a internet, que são mídias que possuem um centro emissor e uma multidão de receptores. A informação destes instrumentos é veiculada sem nenhuma interação entre o locutor e os muitos que o ouvem. É através dos meios de comunicação em massa que as diferentes pessoas da sociedade recebem com muita rapidez informação, conhecimento, cultura e divertimento. A recepção desses meios é, dentre outras, uma prática apreendida e desempenhada pelas pessoas adultas, jovens e crianças no dia a dia (FUSARI, 1985). Com o acelerado processo de globalização e urbanização, a maioria dos adolescentes e crianças permanece por longos períodos do dia confinada em suas casas e quartos, enquanto os pais trabalham fora. Desta forma, os meios de comunicação (rádio, revista, computador, televisão, etc.) com os quais têm constante contato passam a ser uma opção de entretenimento. Nos dias de hoje, dentre esses meios de comunicação, é a televisão quem concentra o maior poder de informação, levando-se em consideração o número de pessoas atingidas simultaneamente a partir dos centros emissores e também a acessibilidade do aparelho. A TV não é considerada o meio de comunicação mais atualizado e rápido, mas sem dúvida é o aparelho que mais está nos lares dos habitantes da sociedade, já que alguns meios, como o computador não estão disponíveis para todos, pois neste último caso é necessário um maior investimento financeiro para obter tal produto. Dentro deste contexto, neste trabalho em especial, focaremos os meios televisivos dirigidos às crianças e jovens. Moran (1991) entende que os meios de comunicação, principalmente a televisão, exercem poderosa influência em nossa cultura. Esta reflete, recria e difunde o que se torna importante socialmente. Além de exercerem esta influência,

13 12 esses meios, segundo Fusari (1985) possuem a finalidade de educar, entreter, comunicar e apresentar aos telespectadores produtos a serem consumidos. Um breve levantamento histórico feito por Pereira (2002) sobre a relação da criança com a televisão no Brasil nos últimos cinqüenta anos revela que a programação infantil veiculada na mídia televisiva era baseada apenas nos clássicos literários, nos quais a criança era seduzida por esse objeto mágico, que inclusive conversava com ela. Informa ainda que uma primeira modificação em relação à criança e seu papel com a televisão se deu nos anos sessenta, quando a criança deixou de ser espectadora e passou a ser protagonista dos programas exibidos; num primeiro momento apenas em programações infantis. Posteriormente, já na década de oitenta, deixou de ser protagonista de historinhas literárias ou de cunho artístico, passando a participar de animações e gincanas, pelas quais a competição era instigada. Paralelamente a esse avanço da relação entre a TV e criança, se cria um mercado de produtos veiculados aos programas, que variam de bonecas e estampas em vestuários, até aparelhos eletrônicos e produtos alimentícios. A criança assiste televisão a todo o momento e os programas que são vistos não são apenas infantis, mas envolvem todos os aspectos, podendo ser desenhos, filmes, novelas e, consequentemente, as propagandas transmitidas entre a programação. Sendo a criança um grande espectador da televisão, as emissoras abertas destinam parte de sua programação para atender ao público infanto-juvenil (MESQUITA, 2008). Não haveria problema se as emissoras televisivas mostrassem suas programações dentro do aspecto principal transcrito por Pereita (2006), qual seja: a educação é um dos fins do serviço televisivo e é segundo o Código Federal a finalidade preferencial, sendo o caráter educativo necessário sempre que a TV esteja orientada ao público infanto-juvenil (p.81).

14 13 Contudo, percebe-se que as emissoras utilizam determinadas artimanhas para enfeitiçar e fazer com que o público mais jovem fique vislumbrado com tudo aquilo que é apresentado a eles, principalmente quando está envolvido com animações, bichinhos e pessoas famosas. Para Leal (2006): A TV alcançou níveis de descompromisso com a qualidade da programação, afrontou a Constituição e o Estatuto da Criança e do Adolescente [...] passou longe dos ideais educativos [...] surge como um empreendimento comercial batizado dos interesses de empresas privadas frentes a uma expansão de negócios. (p.10) Há um problema ainda maior que este, para Doghie (2008), os meios de comunicação exercem grande influência sobre os sujeitos, sendo que estes passam a acreditar e a depositar certa fé no que é apresentado pelas TVs, passando a organizar suas condutas e vivências a partir dessa imagem produzida. Uma consequência do problema citado acima é que determinadas crianças e jovens estão se acomodando em relação àquilo que é veiculado pela mídia, já não há uma racionalidade ou busca por determinados assuntos. Muitos dos saberes dos jovens e crianças se formam pela mídia áudio-visual, em que a informação precede de modo direto, imediato e intuitivo (DIEUZEID, 1973). O adulto significava para a criança uma referência para busca de resposta às suas indagações, entretanto com a maciça presença da televisão na vida cotidiana, esse quadro se modificou, já que a televisão aborda quase todos os temas, oferecendo respostas às perguntas que nem chegaram a ser feitas (PEREIRA, 2002). Para Pereira (2002) essa geração moderna vai em busca de conhecimento, aprendizagem e respostas, a TV como é a mais popular mídia acaba assumindo um papel fundamental na formação intelectual, na produção de conhecimento, entre outras áreas transformando-se em referência.

15 14 Hoje a TV tem sido objeto de muita discussão a respeito do seu papel na sociedade, sabe-se que há programas educativos que são importantes e relevantes para o desenvolvimento da criança, entretanto há muita influência negativa da programação veiculada. Mesquita (2008) diz que a TV é culpada por muitos males e cita principalmente aqueles que influenciam na violência, apatia e consumismo. Dentre os muitos programas veiculados na televisão o que mais preocupa é a propaganda. A publicidade possui um grande espaço na programação e está a todo o momento tentando buscar situações e meios para atrair os consumidores, já que são muitas as artimanhas publicitárias para atrair o público. Para Bucht (2002) a maioria da publicidade está enquadrada nas propagandas, que são caracterizadas por poderosas forças que exercem influência sobre a mídia audiovisual. A partir de um seminário que aconteceu na Dinamarca em 2009, Catharine Bhucht em seu livro a criança e a midia (2002) apontou os principais tópicos levantados no evento em relação a publicidade dirigida às crianças pela televisão. Duas visões bem distintas surgiram durante a discussão descrita pela autora. Um determinado grupo era favorável à propaganda dirigida à criança, dizendo que embora as crianças estejam em formação, elas não são tão ingênuas e a propaganda faz parte da vida de todas, de forma que é necessário saber lidar com ela. Outra idéia era que as emissoras necessitam da propaganda direcionada para a criança para produzir programas infantis. Outros aspectos apontados pelos defensores da propaganda são que a propaganda é boa para a criança, pois beneficia e informa como o mundo funciona e ainda, a propaganda dirigida à criança contribuiria para a existência de uma indústria televisiva livre e independente. Já o outro grupo, não favorável, acredita que a propaganda não tem uma boa programação para o grupo jovem e infantil, pois muitas das vezes as crianças não conseguem distinguir e entender a realidade da investida publicitária.

16 15 Nesta perspectiva é possível notar que a publicidade acabou aderindo à lógica do mercado, fazendo, então um caminho para o consumo, abrindo cada vez mais a mão para a reflexão do mundo em prol da incessante busca da mercadoria. Nesta idéia de publicidade, Pereira (2002) infere que as propagandas acabam criando uma outra sociedade, na qual todos são felizes, a vida tem mais cor é consequentemente é mais bonita. Em sua obra Infância, televisão e publicidade, a mesma autora exemplifica a situação fazendo uso de uma citação de Rocha (apud PEREIRA, 2002), por esta: Somente este universo mágico é capaz de unir sucesso e cigarro, ecologia e conjunto habitacional, margarina e saúde infantil, batom e beleza do eterno feminino (p. 91). A publicidade cria um estereótipo de mundo fictício e faz com que o seu público fique cada vez mais atraído com os produtos apresentados, tendo em vista que os adultos já possuem certa formação intelectual. A investida publicitária se utiliza do público mais jovem como principal consumidor do produto. Moran (1991) faz uma análise sobre a programação publicitária e informa que as crianças e os jovens são os preferidos da publicidade, já que seguram a audiência da TV por longas horas do dia e porque são dentro de uma família os acionadores da compra (eles compram e influenciam na hora das aquisições). No documentário Criança a Alma do Negocio (2006) há depoimentos de mães que mostram suas insatisfações sobre a programação dirigida à criança e também sobre a quantidade de produtos objetos de compra, que são escolhidos por seus filhos. Assim, eles acabam influenciando dentro do lar no que comer, no que usar, entre outras coisas. As propagandas estão apresentando ao consumidor produtos que vão de alimentos até eletrodomésticos, como citado anteriormente, os publicitários utilizam bonecos, personagens infantis e famosos para atrair o público infantil.

17 16 Sendo a criança, a grande influenciadora de compra no lar, os publicitários utilizam os personagens para apresentar os produtos à criança, muitas das vezes esses produtos não são para elas, mas a intenção é que essas influenciem seus pais a adquirir determinada mercadoria. Um determinado grupo chamado CONAR (conselho nacional de autorregulação publicitária) tem hoje no Brasil a responsabilidade de fiscalizar as propagandas que utilizam artimanhas desnecessárias e abusivas de acordo com as leis. É um grupo formado por publicitários e profissionais de outras áreas numa organização não governamental que defende a população da publicidade de acordo com as constituições da propaganda comercial Um exemplo a ser dado de propaganda dirigida ao público adulto, que teve a veiculação proibida pelo CONAR é a de que determinada marca de bebida alcoólica utiliza de personagens infantis como o papa-léguas, além de um ambiente todo infantil por trás do produto. No Brasil há órgãos que vistoriam propagandas, entretanto isso se faz há pouco tempo, Moran (1991) mostra a realidade da publicidade nos países: A maior parte dos países permite que a publicidade sustente os meios de comunicação. Mesmo os europeus, onde o rádio e a televisão permaneciam sob o controle estatal, foram claudicando e abrindo brechas, até liberá-la quase totalmente. Os meios se transformam, assim, no entretenimento da maioria das pessoas e na articulação cada vez mais estreita com grupos econômicos. Tudo é vendido, tudo é trocado, tudo é produto. O que conta não o valor cultural do programa oferecido, mas seu poder de atrair o publico desejado (p. 43). Já hoje a realidade é outra, visto que a cada dia a publicidade dirigida a criança e jovens está apurando sua investida, o documentário A Criança a Alma do Negocio, mostra as principais punições para os países Europeus que dirigem a publicidade a crianças.

18 17 Um reflexo da propaganda que se faz notório, segundo Soifer (1992) é ver o quanto crianças pequenas imitam as propagandas, cantam os jingles. Isso se dá porque das programações é a propaganda a que mais se repete dentro da TV e se apresentam mais constantes. Para aumentar a investida publicitária Fonteles (2008) descreve que alguns canais utilizam o horário do desenho animado ou programação jovem para aumentar a quantidade de propaganda dirigida a este público. Outra artimanha utilizada e descrita por Pereira (2002) é: Os programas de TV também interrompem sua história no ponto culminante, adiando o desenredo da história depois do intervalo comercial[...] Entretanto tem ficado cada vez mais difícil precisar esses distintos momentos, uma vez que os anúncios foram admitidos no interior dos programas em forma de merchandising, assim como os programas não se tem diferenciado muito dos filmes publicitários. (p. 90) Tanto Pereira (2002) quanto Fonteles (2008) descrevem sobre a utilização dos próprios personagens (fictícios e reais) para fomentarem a chamada da propaganda, ficando ainda mais difícil diferenciar o momento de desenho ou filme da propaganda em si. A publicidade tende a apontar sempre para o consumismo e capitalismo, mas dentre as propagandas é possível se notar que, em geral são três as influências: a primeira a é aquela que está relacionada à apatia e violência. Outra influência bastante grave e a mais visível no meio publicitário é a que cria ideologia. Propagandas que se utilizam de famosos para apresentar o produto, e com suas falas mexem com o imaginário do público infantil e jovem em adquirir o produto e conseqüentemente este será igual aos apresentadores. Por fim, há a propaganda que utiliza conceitos além do comum; pela qual existe uma veiculação de conceitos científicos que, induzem ao consumo de determinado produto, a partir destes conceitos que podem não representar a verdade.

19 18 Dentro dos aspectos citados aquele que menos é visível é o conceitual; os publicitários utilizam palavras e situações relacionadas à ciências não conhecidas pelo senso comum, a fim de que esses termos acabem enganando ao consumidor. Mesquita (2008) alerta sobre isso, mostra que: fatos e conceitos relacionado com a ciência são veiculados via televisão e as crianças e jovens acabam sendo influenciados em suas idéias a respeito do tema. (p. 420) Tais conceitos veiculados muitas vezes são imperceptíveis aos olhos dos jovens e crianças, e muitos se diferem daqueles ensinados em sala de aula. Nesta perspectiva, Kominsky e Giordan (apud MESQUITA, 2008) reafirma que: As visões do mundo dos estudantes também devem ser influenciadas pelo pensamento científico e pelas expressões de sua cultura, cujos traços são parcialmente divulgados na mídia (p. 421). É possível notar então que a cada dia o marketing se modela e utiliza de infindáveis mecanismos para ludibriar e trazer os jovens para o consumo. Assim, o público infantil é muito visado pela publicidade, pois este é suscetível de manipulação, pois está em formação (FONTELES, 2008) A CRIANÇA E O ADOLESCENTE EM FACE DA PUBLICIDADE A publicidade como já citado possui grande espaço na programação televisiva, Frente a esta situação Fonteles (2008) entende que algumas propagandas dirigidas a crianças são consideradas: Pelo código de defesa do consumidor porque se vale da deficiência de julgamento e experiência das crianças que são seres humanos em formação [...] A criança e o adolescente devem ser protegidos de forma abrangente, aponta para um sistema de proteção integral que torna intrinsecamente ilegal toda a publicidade dirigida ao publico infantil (p. 65). Os publicitários utilizam mecanismos que ultrapassam o discernimento do público infantil para manipular e induzi-los ao consumo, fermentado cada vez mais o

20 19 sistema capitalista. Afirma Henriques (apud FONTELES,2008, p. 9) que está situação mostra que a criança, diferente do adulto, não possui mecanismos internos para compreender as investidas publicitárias. O público infantil não tem condições de se defender dos instrumentos de persuasão criados e utilizados pela tão poderosa indústria publicitária. O adulto normalmente consegue distinguir em determinadas ocasiões as possíveis verdades e mentiras aplicadas pelas propagandas; já as crianças não conseguem ter olhos críticos em relação à publicidade. Hoje a publicidade se modelou à criança, é notório quando vemos carrinhos de supermercados exclusivos para crianças, shoppings com apenas utensílios infantis. Pereira (2002) As inúmeras adequações feitas pela publicidade se fizeram no intuito da criança não mais depender dos pais, de forma a poder fazer a escolha que desejar. A mídia tem esse poder de fazer com que a grande parte do que é apresentado como produto vire febre mercadológica; suas investidas tanto no caráter ideológico quanto conceitual acabam sendo inexistentes ao público mais jovem. Tudo para essa geração é bom e faz bem para sua vida e satisfação pessoal. Para Pereira (2006) é tão sucinta essa investida para o público mais jovem que estes não acabam notando que o caráter comercial da TV é quem decide sobre o que eles devem vestir, beber e comer. Tendo em vista que as crianças não estão prontas para se defenderem dos apelos comerciais e televisivos, há no geral dois aspectos para amenizar e tentar acabar com a influencia negativa, já que difícil será acabar coma programação televisiva visto que é uma cultura do nosso país. Segundo Pereira (2006) primeiramente se deve remeter a responsabilidade às emissoras de TV; exigindo uma postura diferente destes. É necessário considerar a programação veiculada em horário de intensa assistência do público mais jovens e

21 20 pender para uma tolerância mais quantificada da programação tendo em vista a situação vulnerável e sensível do receptor. Sendo assim, como que essa remodelação de programação se torna inviável devido às características televisivas publicitárias outro aspecto que pode solucionar essa problemática é o de trazer para a educação a reflexão do público mais novo sobre as forças persuasivas da televisão. 2.2.EDUCAR PARA UM OLHAR CRÍTICO Dados levantados por Moran (1991) mostram: A criança chega a adolescência depois de assistir 15 mil horas de televisão, mais de 350 mil comerciais, contra menos de 11 mil horas de escola (p.61). Os alunos dedicam quase tanta atenção à essas mensagens como as atividades escolares, dessa forma não se pode eternizar a recíproca ignorância que esse meio não influencie na relação escolar (DIEUZEID, 1973). A televisão se torna assim um dispositivo agradável de ser assistido e se faz notória a diferença de quantidade de horas dedicadas a esse meio em relação a quantidade de tempo destinado aos estudos. Além disso todo o conteúdo veiculado não requer esforço para compreensão, está tão fácil e simples de ser entendido que os alunos não vêem dificuldades de captar as informação veiculadas. Quando os alunos chegam à escola, estes já estão acostumados e acomodados com a linguagem ágil, fragmentada e sedutora da mídia a criança desta forma julga a aprendizagem a partir da TV (MORAN, 1991). Fusari (1985) ressalta que dentre os elementos da telecomunicação, são os receptores que precisam urgentemente aprender e conhecer as atrações frente à mídia; objetivando uma formação de consciência critica, a favor de uma melhoria individual. Além de educar o espectador infantil quanto ao que olhar e assistir e de ajudar a escolher programas televisivos que os auxiliem na educação.

22 21 Os educadores classificam essa ação educativa como Educar para os meios, claramente Moran (1991) descreve essa atitude: É problematizar o que não é visto como problema e desideologizar p que só é visto por ideologia[...] do conteúdo veiculado, do expicito-implicito [...] das sutilezas das imagens, da articulação verbal visual e escrita (p. 89). Felizmente, pesquisadores e professores já detectaram os problemas que estes meios acabam influenciando na vida das crianças e jovens. Soifer (1992) informa que além dos professores e educadores, um pequeno número de família, possui a noção clara do prejuízo nefasto que esses meios ocasionam no inicio da infância, influenciando no falar, no como se vestir e nas atitudes violentas que seus filhos apresentam em determinadas situações. Entretanto, é necessário fazer com que estas crianças comecem a entender e atuar criticamente a respeito destes meios de comunicação. Nestas circunstâncias, Karsaklian (apud FONTELES, 2008, p. 68) entende que: A percepção das intenções da publicidade tende a crescer de forma diretamente proporcional com a idade da criança. O estado de desenvolvimento cognitivo, junto com a idade e nível atingido na escola, é o determinante central da compreensão dos comerciais de TV. (...), é por volta dos 8 a 11 anos que a maioria das crianças está realmente capacitada a tomar consciência tanto dos objetivos informáticos quanto persuasivos, nos quais se baseiam o discurso publicitário (p. 68). Como já citado anteriormente, além da família e do Estado vigiar e proteger o público infantil, é papel do educador apresentar e trabalhar o senso critico dos alunos em meio à publicidade. É função educativa mostrar contradições da mídia, sensibilizar o aluno da não transparência dos meios, das respostas ambíguas, entretanto o trabalho é complexo e demorado, não sendo possível modificar todas as relações dos participantes. Com um fim principal de formar cidadãos esclarecidos de olhos abertos para uma sociedade capitalista (MORAN 1991).

23 22 Entretanto é necessário que a escola e os professores repensem a relação da televisão na sala de aula e como está sendo utilizada. Tendo em vista que a educação para o meio não é suficiente para que os professores se utilizem deste material para apresentar apenas obras literárias ou documentários sobre determinado assunto (DIEUZEID, 1973). A educação se faz em mostrar as tais investidas publicitárias, os conceitos veiculados pela mídia comparando com aqueles ensinados na sala de aula. É importante que a professora conduza com competência o processo de aproximação da realidade apresentada pela mídia com aquele da realidade da aula do aluno; a fim de se fazer significativa diferença (MESQUITA, 2008). O próprio parâmetro curricular nacional (PCN,S) dispõe em sua exposição a atitude que o professor deve aderir frente a TV; descreve que: A programação convencional de televisão, quem em principio não tem finalidade educativa, pode ser utilizada como fonte de informação para problematizar os conteúdos das áreas do currículo, por meio de situações em que o veiculo pode ser um instrumento que permite observar, identificar, comparar, analisar e relacionar dados, cenários e modos de vida ( BRASIL, 1998, p.143). Os meios de comunicação desempenham importante papel educativo, sendo classificado por alguns autores como escola secundária; sendo ela eficiente e informal, porque ensina de forma atraente (MORAN, 1991). A escola e os professores precisam repensar e assumir posturas diferentes meio a utilização da TV; além de desenvolver uma percepção mais ativa e atenta dos alunos, utilizando esse meio informal para mostrar e ensinar. Segundo Freire (apud FONTELES, 2008): As crianças absorvem fatos levados à ela pela mídia e não pela escola, parecendo que há mais atenção aos conteúdos divulgados pela primeira em detrimento da segunda, o que transforma a mídia numa espécie de escola paralela (FONTELES, 2008, p.47).

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