DESENVOLVIMENTO LOCAL, SEGURANÇA ALIMENTAR E MULTIFUNCIONALIDADE DA AGRICULTURA FAMILIAR

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "DESENVOLVIMENTO LOCAL, SEGURANÇA ALIMENTAR E MULTIFUNCIONALIDADE DA AGRICULTURA FAMILIAR"

Transcrição

1 1 UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DESENVOLVIMENTO, AGRICULTURA E SOCIEDADE ÁREA DE CONCENTRAÇÀO : DESENVOLIMENTO E AGRICULTURA TÓPICOS ESPECIAIS EM ECONOMIA FAMILIAR E MERCADOS DESENVOLVIMENTO LOCAL, SEGURANÇA ALIMENTAR E MULTIFUNCIONALIDADE DA AGRICULTURA FAMILIAR Márcio Carneiro dos Reis Trabalho apresentado como requisito Ao Laboratório de Pesquisa em Análise De Conjuntura e Segurança Alimentar Curso de pós-graduação em Desenvolvimento Agricultura e Sociedade, oferecido pelo Professor Renato S. Jamil Maluf. SETEMBRO DE 2003.

2 2 SUMÁRIO INTRODUÇÃO...03 A GÊNESE DO DESENVOLVIMENTO LOCAL...04 Anos Dourados: estratégias e representações do desenvolvimento...05 Desenvolvimento: novos contornos...09 Desenvolvimento e multifuncionalidade da agricultura familiar...11 A interpretação hegemônica: do emparelhamento econômico ao político-institucional...12 O local como espaço privilegiado do desenvolvimento...15 SEGURANÇA ALIMENTAR E AGRICULTURA FAMILIAR...17 América Latina: segurança alimentar e estratégias de combate à pobreza...18 Mercado de produtos agroalimentares e pobreza na América Latina...21 Análise de experiências...21 Concentração de capital, Redes Sociais e multifuncionalidade da AF...23 DESENVOLVIMENTO E SEGURANÇA ALIMENTAR...24 O problema da segurança alimentar visto sob uma perspectiva dinâmica...25 Campos de disputa e a noção de multifuncionalidade da agricultura Familiar...28 Revisitando as estratégias de promoção da segurança alimentar...29 CONCLUSÃO...34 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...37

3 3 DESENVOLVIMENTO LOCAL, SEGURANÇA ALIMENTAR E MULTIFUNCIONALIDADE DA AGRICULTURA FAMILIAR Márcio Carneiro dos Reis INTRODUÇÃO Os anos dourados se foram. Cada vez mais as questões relacionadas ao desenvolvimento e sua promoção ficam em evidência e muitos motivos poderiam ser apresentados aqui para justificar o crescimento das preocupações em torno desse tema. Como introdução ao presente trabalho basta contudo a constatação da oferta insuficiente e do aumento das dificuldades de acesso a alimentos - e alimentos de qualidade - que rodeia cada vez mais um número maior de pessoas na maioria dos países. Isso torna a segurança alimentar um tema com assento garantido nas discussões relacionadas ao desenvolvimento. Posto isto, o objetivo das páginas que se seguem é procurar tratar a questão do desenvolvimento local, levando em consideração a problemática concernente à segurança alimentar. A proposta de reflexão aqui contida encontra-se centrada na percepção da agricultura familiar como uma forma de organização social e econômica, que possui, dentre seus atributos, o fato de ser pluriativa e multifuncional. Isto é, se organiza de forma a acabar por exercer funções relacionadas à segurança alimentar, à eficiência econômica e social, à preservação do meio ambiente e da paisagem e à organização territorial do espaço (Soares, 2001). O que representa a legitimação e o reconhecimento dessa forma de organização social da produção para a segurança alimentar e nutricional das comunidades em particular e para os processos locais de desenvolvimento? Que tipo de políticas e ações vêm sendo pensadas e implementadas no sentido da promoção da segurança alimentar e que acabam por se desdobrar em processos de desenvolvimento local? O presente trabalho pretende discutir um conjunto de temas afins no sentido de procurar abrir caminhos para que essas questões sejam respondidas. O caminho aqui escolhido foi o seguinte: primeiro, trataremos do

4 4 problema relacionado com a gênese do desenvolvimento local como forma predominante que o desenvolvimento assumiu na década de 1990 e no início da seguinte. Em seguida serão relacionados a esse tema a problemática da segurança alimentar, vinculada à agricultura familiar e seu caráter multifuncional. Na conclusão, tentaremos abordar os três temas aqui trabalhados - o desenvolvimento local, a segurança alimentar e a multifuncionalidade da agricultura familiar - do ponto de vista da formulação de políticas públicas para a promoção do desenvolvimento local. A GÊNESE DO DESENVOLVIMENTO LOCAL A problemática relativa ao desenvolvimento local assumiu posição central nas discussões relativas ao desenvolvimento apenas recentemente. 1 Ela surge enquanto tendência geral, como alternativa às políticas nacionais de desenvolvimento, num contexto de perda relativa da capacidade dos Estados-Nação de promover a regulação dos processos sociais e econômicos. Assim, particularmente o desenvolvimento acrescido de seu adjetivo econômico ocupou um lugar significativo nas ações dos governos nacionais nos trinta anos que sucederam o fim da Segunda Grande Guerra, sobretudo com base na literatura inserida nos limites do que se convencionou chamar de economia do desenvolvimento, com destaque para o keynesianismo. A partir de então, a economia mundial reduziu significativamente sua marcha e, em meio ao novo estado de coisas que se seguiu, o termo local tomou o lugar do econômico nas discussões sobre desenvolvimento, muitas vezes acrescido de outros adjetivos, como sustentável, por exemplo. Como isso ocorreu; o que de fato encontra-se por detrás de tal mudança; e quais suas implicações são questões que ainda estão por ser totalmente respondidas. Em meio a essas questões existe uma que também é intrigante: ao longo daqueles trinta anos, os Estados-Nação se valeram de uma estrutura relativamente pesada de planejamento e de instrumentos de política que, pelo menos à primeira vista, contribuíram eficazmente para a promoção do desenvolvimento ou o que por ele se entendia. No momento posterior e 1 O fato de ter assumido uma posição central nas discussões acerca do desenvolvimento não implica que ela não era apreciada anteriormente. O trabalho de Albert Hirschman: El avance en colectividadad: experimentos populares en la América Latina, publicado em 1984, é um excelente exemplo disto.

5 5 na maior parte dos países, essas estruturas de planejamento foram desmanteladas e os instrumentais de política foram postos de lado, sob o argumento de que são ineficazes ou que provocam distúrbios muito maiores do que os problemas que procuram solucionar. Mesmo assim, e a despeito desses argumentos, que assumiram uma forma contrária à intervenção estatal, cabe a seguinte pergunta: porque as estratégias utilizadas para promover o crescimento econômico e o desenvolvimento deixaram de funcionar? Embora o adjetivo econômico tenha perdido seu lugar de destaque no âmbito das representações acerca do desenvolvimento, pensar nesse aspecto da vida social, isto é, na relação entre economia e desenvolvimento, implica admitir que, em grande medida, para fazer uso de uma expressão de Hirschman, desenvolver significa também crescer e distribuir. Crescer significa dizer que o carro se encontra em movimento; significa agregar valor; utilizar mais eficazmente os recursos disponíveis para a produção de bens e serviços de que as pessoas e as comunidades necessitam; significa o aprofundamento da divisão do trabalho e a ampliação dos limites das redes mercantis, quando os seus participantes se tornam mais especializados e, portanto, mais eficientes para se aproveitarem da maior eficiência de seus parceiros, nos processos de troca que se dão no mercado. Significa, assim, o aumento da renda monetária local, regional ou nacional e, ao mesmo tempo, a renda de cada um de seus habitantes. Distribuir, por sua vez, significa criar condições para que, de maneira equânime, esses habitantes tenham dignamente acesso ao valor adicionado; à riqueza socialmente produzida. Significa fazer com que a maior eficiência sistêmica se transforme em benefícios para todos que dele - do sistema local, regional, nacional ou global participam, possibilitando que as perspectivas positivas que o crescimento traz possam ser efetivamente as perspectivas de todos, fazendo aqui alusão ao que aquele autor chamou de efeito túnel: quando as pessoas vêem que a fila do lado está andando, cultivam a esperança de que a delas logo andará também. Anos Dourados: estratégias e representações do desenvolvimento Que estratégias eram aquelas? O planejamento das ações governamentais, particularmente no que dizia respeito ao manejo de seus gastos, para a manutenção da demanda agregada

6 6 em nível elevado e fazendo com que o nível de emprego se aproximasse do pleno-emprego; e o planejamento para o atendimento de demandas sociais, que vão desde a diminuição das incertezas que pairam sobre o ambiente privado dos negócios, até o equacionamento de déficits nas áreas de infra-estrutura, saúde, educação, lazer e segurança. Constituía-se, portanto, numa fórmula que associava crescimento econômico com distribuição de riquezas, o que acabou por proporcionar uma relativa estabilidade política interna aos países do bloco capitalista. Houve aqui uma espécie de externalização do conflito, isto é, da instabilidade política inerente às sociedades capitalistas, consubstanciado na contraposição capitalismo versus comunismo. Isto fez com que os gastos militares se tornassem um importante elemento dinamizador do desenvolvimento, o que ocorreu em função dos seus desdobramentos em termos tecnológicos e dos seus efeitos multiplicadores de renda e novos investimentos privados e públicos (Castro, 1979). Desenvolvimento, nesse contexto, tomou a forma de inovações e avanços tecnológicos, associados ao crescimento da renda per capta, e acrescido do acesso a serviços básicos fundamentais, chamados de bens públicos puros ou quase-puros, como a educação e saúde. Além disso, a referência fundamental era o estágio alcançado por alguns países onde a introdução de inovações e a promoção do avanço tecnológico acontecia, bem como o acesso aos serviços básicos pela maior parte da população. Esses países eram então designados como desenvolvidos, de modo que desenvolver significava, do ponto de vista dos países não desenvolvidos, a busca incessante de uma condição de emparelhamento com os primeiros. Pressupunha-se, portanto uma uniformização de modos de ser e de funcionar para as pessoas, para utilizar uma expressão de Amartya Sen (Sen, 2000), desconsiderando aquilo que posteriormente Maluf (2001:75) chamou de desigualdade derivada da diversidade (cultural, institucional, humana e natural), isto é, a desigualdade em um sentido qualitativo. Esse pressuposto possuía a função de colocar num futuro imaginável a solução dos problemas relacionados à pobreza, entre eles a fome e a desnutrição. Existia pobreza, mas não havia pobreza de perspectivas.

7 7 Pressupunha-se também que a forma de organização e funcionamento do Estado-Nação - a democracia representativa, por um lado, havia equacionado satisfatoriamente as disputas internas pelo poder. Organizada a partir do direito estatal-territorial (Santos, 2001), a democracia representativa articularia cidadãos auto-interessados e maximização do interesse coletivo, via ação do Estado e das forças de mercado. Do ponto de vista político, isso ocorreria através do sistema de eleições e ocupação de cargos públicos orientada pelo sistema de mérito; e, do ponto de vista econômico, através do mercado e suas escalas de preferências. Em outras palavras, pressupunha-se uma articulação entre democracia representativa, base para a intervenção estatal e eficiência dos mercados, o que colocava uma tarefa para os países tidos como não desenvolvidos: a tarefa do aprimoramento institucional, no sentido da construção de instituições democráticas inerentes ao Estado liberal. O desenvolvimento, então, estava também relacionado a esse processo de aprimoramento institucional. No âmbito do Estado, ele permitiria a fluidez de interesses dos diversos grupos sociais e a escolha democrática do conjunto deles que pautariam a ação do Estado, no sentido da maximização do interesse coletivo. No âmbito do mercado, o aprimoramento institucional permitiria a livre ação das forças de mercado - de oferta e procura e, portanto, uma maior eficiência alocativa e distributiva. A democracia representativa constituía-se portanto num elemento fundamental do desenvolvimento. O processo de aprimoramento institucional era, dessa forma, visto como uma pré-condição para o estabelecimento de uma dinâmica tecnológica e inovativa, base para o crescimento econômico e para o estabelecimento de mecanismos democráticos de distribuição da riqueza social, base do Estado do Bem-Estar Social e também da existência de perspectivas promissoras no horizonte dos países não desenvolvidos. A democracia representativa, por outro lado, do ponto de vista da social-democracia, me valendo aqui de Przeworsky (1991) representava a conquista relativa à possibilidade de se transformar o sistema a partir de dentro, se valendo das instituições políticas burguesas, como alternativa às propostas de ruptura política, já que as condições políticas para tanto inexistiam. Nesse contexto, o Estado era visto como um agente do processo de acumulação

8 8 de capital em busca de legitimação política, tema desenvolvido pelas contribuições de Offe e Habermas (Przeworsky, 1995), e o desenvolvimento como a conquista de direitos e vantagens sociais para a classe trabalhadora, na sua luta contra a classe capitalista, no interior da ordem burguesa. Algo que caminharia rumo ao socialismo - uma maior distribuição da riqueza social, por meio da participação dos partidos de esquerda nas instituições democráticas burguesas, sem que a propriedade privada dos meios de produção fosse de fato eliminada. Essa espécie de consenso político em torno da intervenção estatal, através do manejo dos gastos públicos, foi alcançada, nos países chamados de subdesenvolvidos, especialmente os da América Latina, não por meio da democracia representativa, mas sim por meio da ideologia desenvolvimentista. Nesses países, especialmente no Brasil, o desenvolvimentismo foi o elo que fazia convergir posições políticas tanto à esquerda quanto à direita para o apoio intervencionista que, diferentemente do que ocorria no mundo desenvolvido, objetivavam a construção de infra-estrutura e a internalização da base da estrutura industrial, num vigoroso processo de substituição de importações comandado pelo Estado e fundada nas análises realizadas no contexto da CEPAL - Comissão Econômica para a América Latina (Bielschowsky, 1988). Muitas são as interpretações que procuram dar conta do motivo pelo qual esse consenso político se rompeu, seja nos países onde a democracia representativa imperava e parece ainda continuar imperando, seja nos países onde prevaleceu a força da ideologia desenvolvimentista. Essas interpretações, contudo, não são objeto do presente trabalho. Importa reter do exposto que esses processos de rompimento aconteceram concomitantemente à perda da capacidade intervencionista do Estado o que, por sua vez, decretou a debilitação das práticas estatais-desenvolvimentistas no segundo grupo de países e, no que diz respeito aos primeiros, comprometeu seriamente o funcionamento dos Estados do Bem-Estar Social, quando a pobreza de perspectivas se instalou.

9 9 Desenvolvimento: novos contornos De qualquer forma, isso implicou o surgimento de um vácuo no que diz respeito às questões relacionadas ao desenvolvimento, que aos poucos começou a ser preenchido com problemáticas sociais, políticas, ambientais e culturais, além das econômicas, polarizadas na dicotomia global - local e não mais centradas no nacional - regional. Elas fizeram aflorar críticas aos padrões de produção e consumo do mundo capitalista (Seitz, 1990); à tendência imanente dessa forma de organização social da produção de provocar a desigualdade social; relacionadas à diversidade de interesses dos grupos sociais, não necessariamente alinhados com os dos Estados-Nação (Castells, 1999); à democracia representativa e aos problemas de eficiência alocativa que ela coloca (Przeworsky, 1995); ao keynesianismo e às práticas de intervenção estatal; às formas de organização social e política dos países pobres (Campos, 1998), etc., e acabaram por trazer para o âmbito do local os problemas relacionados ao desenvolvimento. Como isso ocorreu? O conflito político inerente às sociedades capitalistas, vale dizer, em relação à produção e à distribuição da riqueza social, foi então reinternalizado e, ao mesmo tempo, passou a se apresentar de forma cada vez mais descentralizada e diversificada: na verdade, mais amplificada. Diversificada porque novos atores políticos surgiram, cuja ação política passou a estar associada a novas identidades, que não as identidades nacionais, de grupos específicos como os ambientalistas, os gays, os negros, as mulheres, os neonazistas, os migrantes. 2 Descentralizada porque as questões que passaram a ser colocadas e que passaram a dividir espaço - espaço político com as já postas pelos sindicatos, associações profissionais e partidos políticos se concretizam no local, onde se encontram as pessoas de fato. Isto é, em pontos difusos no espaço e que passaram a ter como referência o espaço já territorialmente organizado, sobretudo o Estado no âmbito municipal e não necessariamente a ele se circunscrever. Amplificou-se, portanto, o conflito com as pessoas e os grupos reconhecendo os seus próprios direitos de ser e de funcionar de maneira igualitária, demandando igualdade em meio à diversidade. 2 Vincent (1995) discorre sobre o ecologismo e sobre o feminismo, além do liberalismo, do socialismo e de outras quatro construções ideológicas, todas como ideologias políticas modernas, cada uma das quais possuindo uma leitura da história, uma percepção do presente e uma proposta de futuro.

10 10 A problemática relativa ao desenvolvimento, então, assumiu novos contornos, relacionados à mudança nos padrões de produção e consumo; à democracia, não mais a representativa, mas aquela que pleiteia a igualdade na diversidade; e ao local, como espaço privilegiado para a ação, ação política para a promoção do desenvolvimento, para além das ações emanadas do poder político estatal-territorial. Isso ocorreu concomitante à nova configuração da qual os Estados-Nação passaram a fazer parte, o que lhes restringiu a capacidade de exercer autonomamente o controle sobre a moeda nacional e, em conseqüência, de praticar políticas monetária, fiscal, social e de promoção do desenvolvimento (Fiori, 1999). Ao longo dos anos 1980 e 1990, as ações do Estado, em todos os níveis de governo, passaram a estar condicionadas às fontes de recursos no âmbito de agências de fomento internacionais (Banco Mundial, Organização das Nações Unidas, Países mais desenvolvidos - PPG7, etc.); e programas nacionais e estaduais para os quais existam recursos, de acordo com o nível de governo que se considera. Os recursos oriundos da tributação passaram a estar quase que completamente comprometidos com o pagamento das dívidas públicas e com o funcionamento da máquina administrativa e a provisão de serviços essenciais, em evidente processo de deterioração, como segurança e manutenção de infra-estrutura já instalada, e os recursos destinados a políticas de desenvolvimento ficaram seriamente comprometidos (Riani, 2002). Contudo, as questões embutidas na problemática relativa ao desenvolvimento que caracterizou o período anterior não desapareceram. Ao contrário, tenderam a se tornar mais agudas do que nunca, pois que a fome e a dificuldade de acesso a alimentos e a serviços básicos aumentou para um grande número de pessoas no mundo inteiro, ao mesmo tempo em que as formas de produção em geral e de alimentos para as populações mais pobres em particular passou a estar relacionada com a degradação ambiental e com a prevalência de instituições sociais e políticas arcaicas, isto é, com a ineficiência, distantes que estavam do funcionamento livre dos mercados.

11 11 Desenvolvimento e multifuncionalidade da agricultura familiar É aqui que se coloca o tema da agricultura familiar, seu desdobramento em termos de multifuncionalidade e sua relação com o problema do desenvolvimento no mundo contemporâneo. Isto porque, do ponto de vista do argumento que se tornou hegemônico nos últimos 20 anos e que passou a servir de base para a ação estatal, fundado mais na eficiência dos mercados do que na organização democrática das estruturas estatais, a organização familiar da produção é tida como ineficiente por princípio; e o tema do desenvolvimento desapareceu da agenda dos Estados-Nação, sobretudo dos países não desenvolvidos, quanto mais assentados em políticas que apoiam a agricultura familiar no sentido da promoção do desenvolvimento. De acordo com Wilkinson (2000), ao longo dos anos 90, a discussão acima, na verdade, se colocou em meio a três debates que se complementaram. Aquele referente à Reforma Agrária no Brasil, os trabalhos publicados relacionados à questão da pluriatividade e às atividades nãoagrícolas no meio rural e os que enfocavam o complexo agro-industrial. Desses debates emergiram duas tendências opostas, em termos de políticas públicas. A primeira, cujo centro do argumento é a idéia de eficiência econômica, associada, portanto aos ganhos de escala que o desenvolvimento tecnológico e a modernização da agricultura produzem em meio à competição dos agentes no mercado, vê grande parte dos agricultores familiares como futuros migrantes para os centros urbanos ou para regiões de fronteira. O Estado aqui deveria intervir como amortecedor de um drama social inevitável, pela própria diferenciação natural que a dinâmica dos mercados produz. Sua ação, portanto, assumiria um caráter inerentemente assistencialista. A Segunda, por outro lado, é aquela que procura demonstrar não só o caráter competitivo da pequena produção familiar, mas também sua eficiência social, seja em termos de emprego e ocupação no campo, seja em termos ecológicos, de equidade social e de qualidade de vida, incluindo aí a segurança alimentar. Como podemos observar, a idéia de multifuncionalidade é um contra-argumento, baseado nas funções sociais, ambientais, territoriais e econômicas que essa forma de organização da produção exerce e na sua legitimação, na medida em que gera produtos e serviços que não

12 12 poderiam ser oferecidos pelo livre jogo dos mercados, com ou sem a interferência do Estado. A interpretação hegemônica: do emparelhamento econômico ao político-institucional De um ponto de vista das correntes de pensamento que se tornaram hegemônicas a partir do fim dos anos dourados, o que se convencionou chamar de neoliberal, o que está posto acima deve ser colocado de forma mais incisiva, no sentido de que a importância relativa da democracia representativa diminuiu e a do funcionamento livre dos mercados aumentou: é que o mercado aloca recursos para todos os usos mais eficientemente do que as instituições políticas. O processo democrático é defeituoso e o Estado é uma fonte de ineficiência. O Estado sequer precisa fazer qualquer coisa para que as ineficiências ocorram: basta a mera possibilidade de que possa vir a fazer qualquer coisa. (Przeworsky, 1995:26). Esse tipo de percepção passou então a orientar a ação dos Estados-Nação, realizando privatizações e desregulamentando os mercados, num contexto em que a uniformização das formas de ser e funcionar assumiram um caráter extremo, de modo que A política é vista como basicamente a mesma em qualquer lugar (Przeworsky, 1975:27). Se ela é a mesma em qualquer lugar, parafraseando Santos (2001), é o mesmo que dizer que ela não existe em lugar nenhum. Decretou-se, então, o fim da política, o fim da ideologia e o fim da história (Bobbio, 1999), e o Estado passou a assumir o caráter de regulador das ações de agentes econômicos que agem auto-interessadamente, num contexto em que não há lugar para o espírito público, uma vez que os agentes que agem através da ocupação de cargos públicos, o fazem invariavelmente buscando o interesse próprio (Przeworsky, 1975:27). Não há também lugar, no seio dessa interpretação que se tornou hegemônica, para discussões que envolvam os problemas colocados pelo desenvolvimento, seja essa problemática oriunda do contexto dos anos dourados, seja ela oriunda da complexidade dos fenômenos sociais, ambientais, políticos, econômicos ou ainda culturais que afloraram nos últimos trinta anos, desde 1968, para utilizar um marco proposto por Castells (1999). A

13 13 resposta que é dada a esse conjunto de questões, nesse contexto mais ideológico do que teórico, é na verdade uma aposta: que as sociedades se organizem dessa forma, isto é, deixem seus mercados funcionarem livremente e não abafem a ação dos indivíduos no sentido do atendimento de seus interesses próprios, que a prosperidade os alcançará. A versão mais recente dessa proposição teórica encontra-se no que vem se convencionando chamar de Teoria da Convergência, a qual apregoa a tendência histórica de equalização das taxas anuais de crescimento dos países, sugerindo que no longo prazo o mesmo acontecerá em relação às realidades sócio-econômicas de todos os países (Ferreira, s/d). No mesmo sentido, ao responder à questão por que somos tão ricos e eles tão pobres, Jones (2000:145) afirma ter demonstrado... (...) o importante papel desempenhado pelas leis, pelas políticas do governo e pelas instituições. Essa infra-estrutura forma um ambiente econômico em que as pessoas produzem e transacionam. Se a infra-estrutura de uma economia favorece a produção e o investimento, a economia prospera. Mas, se a infra-estrutura favorece o desvio e a produção, as conseqüências podem ser prejudiciais. (...) A corrupção, o suborno, o roubo e a expropriação podem reduzir drasticamente os incentivos ao investimento na economia, com efeitos devastadores sobre a renda. A tributação, a regulamentação, os litígios e lobbies são exemplos menos drásticos de desvios que afetam os investimentos de todos os tipos, até nas economias avançadas. Obviamente, os países avançados são avançados justamente porque encontraram meios de limitar a extensão do desvio em suas economias. (grifos nossos) O condicionante do aprimoramento institucional nos processos de desenvolvimento, já presente quando da hegemonia das posturas políticas intervencionistas, assume aqui força total. Em outro trabalho (Reis, 2003a), demonstrou-se como esse condicionante está associado a uma determinada perspectiva da evolução do capitalismo e da modernidade e como para tanto contribuíram as análises sociológicas de Durkheim e Weber; e Cowen & Shenton (1996:28) demonstram como a obra de August Comte contribuiu também nesse sentido, ao analisarem como, a partir da noção de progresso presente em Locke e Smith, se desenvolveu o conceito de desenvolvimento.

14 14 As estratégias de emparelhamento, por seu turno, que antes possuíam um caráter econômico, isto é, subsidiavam ações concretas dos Estados-Nação no aprimoramento das condições de infra-estrutura, indústria de base, etc., para romper obstáculos econômicos estruturais que diferenciavam os países desenvolvidos dos não desenvolvidos, agora possuem um caráter eminentemente político: o emparelhamento político-institucional. Além do argumento de Jones, reproduzido acima, outro pode ser aqui arrolado para exemplificar o que se pretende dizer com emparelhamento político-institucional. Pode-se, por exemplo, dizer, como faz Campos (1998), que o caráter de subdesenvolvimento que é inerente à África Subsaariana é decorrente da escolha, por parte das pessoas e grupos sociais nativos, por instituições sociais que privilegiam a ineficiência econômica. Deveria, então, haver um processo de aprimoramento institucional de modo a permitir que tais pessoas e grupos sociais se organizem de maneira mais eficiente diante da alocação de recursos. Nesse sentido, quaisquer análises de cunho histórico, como sugere, por exemplo, Hirschman, que procure associar os processos de colonização européia com os estágios de subdesenvolvimento inerentes aos países do Terceiro Mundo, as quais põem em evidência questões relativas ao poder e à dominação política, cultural e econômica, não fazem qualquer sentido nos termos da análise econômica tradicional. 3 O mesmo pode ser dito com relação à agricultura familiar: são ineficientes porque se negam a separar os negócios do ambiente domiciliar, condição essa colocada por Weber (2002) como fundamental nos processos de constituição do capitalismo, bem como a se especializar, privilegiando, no caso do Brasil, instituições políticas e sociais, como o clientelismo e o patrimonialismo, as quais, diante dos mecanismos de mercado, espelham a ineficiência e a prevalência de formas de dominação tradicionais e não racionais-legais. Assim, ao se negarem os agricultores familiares a penetrarem no jogo cujas regras são dadas pelo mecanismo impessoal dos mercados, permanecem ineficientes e, em conseqüência, sujeitos a serem engolidos pelo processo competitivo que acontece em torno dos mercados. 3 Ver também, nesse mesmo sentido Franco (2003) e Sen (2000:146).

15 15 O local como espaço privilegiado do desenvolvimento A despeito da crítica neoliberal, procurando reafirmar a máxima do Estado Mínimo e das discussões que ainda continuam em aberto em torno das questões que essa corrente de pensamento coloca, 4 paulatinamente, ao longo dos anos 1980 e 1990, a problemática relativa ao desenvolvimento local / global foi tomando conta dos debates em torno do desenvolvimento. Assim, em meio a uma estranha forma de integração, a disputa em torno das representações acerca do desenvolvimento passou a se encontrar, de forma privilegiada, para além e para aquém dos Estados-Nação. No primeiro, a disputa se instalou principalmente nas agências supranacionais de financiamento e regulação, como o Banco Mundial, a OMC - Organização Mundial do Comércio, o PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Grupo dos países mais desenvolvidos do mundo e aquele que discute as questões relacionadas com o aquecimento global. E, para aquém do Estado-Nação, a disputa se instalou também no âmbito do local, reconhecendo, mas até certo ponto, os limites dos Estados territoriais municipais e sua capacidade (limitada) de ação. Diz-se que essa forma é estranha porque a dimensão do local passou a congregar aquilo que Beck (1997), ao tratar da modernidade reflexiva, chamou de sociedade de risco, sociedade na qual as instituições da ordem industrial já não dão mais conta dos problemas dela originados, os quais excedem as bases das idéias sociais de segurança (Beck, 1997:18), trazendo o risco para o âmbito do indivíduo, que deve (...) planejar, compreender, projetar e agir - ou sofrer as conseqüências que lhe serão auto-infligidas em caso de fracasso (Ídem, 27): Colocando em termos mais simples, 'individualização' significa a desintegração das certezas da sociedade industrial, assim como a compulsão para encontrar e inventar novas certezas para si e para os outros que não a possuem. Mas também significa novas interdependências, até mesmo globais. A individualização e a globalização são, na verdade, dois lados do mesmo processo de modernização reflexiva. (Ídem, 26) 4 Ver Przeworsky (1995). De acordo com esse autor, as questões deixadas em aberto e que relacionam democracia e eficiência são relativas às escalas de preferências, à competição política, à representação de interesses e à autonomia do Estado.

16 16 Agora, o microcosmo da conduta da vida pessoal está inter-relacionado com o macrocosmo dos problemas globais, terrivelmente insolúveis. (Ídem, 61) Nesse contexto, se desenvolve a subpolítica, resultado do esvaziamento político das instituições e do renascimento não institucional do político, [quando] o sujeito individual retorna às instituições da sociedade (Beck, 1997:28). O local se tornou então o lugar privilegiado para tanto e seus problemas passaram a estar diretamente relacionados com a problemática do desenvolvimento - o desenvolvimento local. No Brasil e no mundo, experiências foram sendo catalogadas e bancos de dados montados para dar conta da sua diversidade (Caccia-Bava & Outros, 2002). E toda uma discussão teórica efervescente acerca dessa forma que o desenvolvimento assumiu vem sendo levada: o que é desenvolvimento local? Quais os seus fundamentos teóricos? Que tipo de estratégias devem nortear sua promoção? A crítica que Oliveira (2002:20) faz à forma que vem assumindo a concepção de desenvolvimento local, vista como expressão ou do filantropismo ou da 'nova ética empresarial', se coloca como uma espécie de divisor de águas, deixando claro duas posturas, duas tendências teóricas no tratamento dessa questão: O desenvolvimento local tende a substituir a cidadania, tende a ser utilizado como sinônimo de cooperação, de negociação, de completa convergência de interesses, de apaziguamento do conflito. O desenvolvimento local, em muitas versões, é o novo nome do público não-estatal, essa confusão semântica proposital besseriana [em alusão ao Ex-Ministro Luiz Carlos Bresser Pereira, que conduziu a Reforma do Estado ao longo do Governo Fernando Henrique Cardoso]. Para depois asseverar: De fato, as potencialidades e virtualidades do local são, em grande medida, políticas e efeitos da política. Pois, de alguma maneira foi o acesso interdito aos níveis mais altos do poder, sobretudo com derrotas sucessivas para a Presidência da República, que fez as esquerdas voltaram-se (sic) para o local, acreditando ser possível exercer neste nível uma outra forma de poder e uma outra forma de gestão do Estado. O local é, pois, de alguma maneira, uma construção das esquerdas. Oliveira, 2002:21)

17 17 Uma questão que surge diante disto é aquela referente à explicitação de que posturas teóricas, que leituras da realidade encontram-se por trás das ações dos agentes de ambas as perspectivas no sentido da promoção do desenvolvimento do local. O que a teoria econômica em particular e a teoria social em geral vem construindo, reconstruindo ou ainda remontando para dar conta das intervenções sobre o local? É possível identificar dois tipos de perspectivas teóricas: uma, que parte da crítica da economia do desenvolvimento e constrói o conceito de SPL - Sistemas Produtivos Localizados; a outra consiste numa recuperação da crítica ao funcionamento do sistema capitalista e funda o conceito de Economia Popular e Solidária. Não é nosso objetivo, entretanto, procurar dar conta dessas questões. Nesse âmbito, no âmbito do local e das formas de pensá-lo, representá-lo, importa reter que os problemas relacionados à segurança alimentar assumem importância visível, tanto no que respeita à oferta, quanto à demanda de alimentos, seja do ponto de vista das políticas públicas e das estratégias, relacionadas à produção, distribuição de renda e riqueza, ao abastecimento, à fiscalização sanitária e à saúde pública, seja do ponto de vista da tensão que existe entre o processo de acumulação de capital e a existência, permanência e reprodução de formas de organização da produção, como a agricultura familiar e as empresas sociais, em referência à Economia Popular e Solidária, que não necessariamente se pautam pelos princípios da permuta, da barganha e da troca, orientados para o mercado, para fazer uso de uma expressão de Karl Polanyi (2000). E, posta dessa forma a questão, nesse âmbito também as questões relativas à segurança alimentar tangenciam outras, não menos relevantes, como a relativa aos direitos humanos, à prática democrática e à reforma agrária. SEGURANÇA ALIMENTAR E AGRICULTURA FAMILIAR Em seguida, com o objetivo de colocar em evidência a amplitude que a relação entre agricultura familiar e a problemática da segurança alimentar assume, passaremos em revista os planos de promoção da segurança alimentar e do desenvolvimento rural, concebidos no âmbito da FAO, em meados de 2002, para a Cumbre Mundial sobre la Alimentación: cinco años después para os países andinos, centro-americanos, do Mercosul e do Caribe,

18 18 como também a descrição e análise que Maluf (1999) realiza acerca das experiências apresentadas no contexto do Painel sobre Experiências Localizadas de Apoio à Produção de Alimentos, realizado em São Paulo, em novembro de Importa-nos passar em revista, ainda que de maneira superficial, as estratégias e as formas que estas vêm sendo pensadas, para posteriormente relacioná-las com a problemática do desenvolvimento local. América Latina: segurança alimentar e estratégias de combate à pobreza Nesse sentido, o documento FAO- Países Andinos (2002) afirma que a importância do setor agrícola encontra-se no fato da produção de alimentos e na utilização de recursos naturais vitais, como também se constitui, esse setor, no principal empregador de força de trabalho e de maior inter-relação com o restante da economia. Admite o fato, além disso, que el crecimiento agrícola es la principal forma de reducir la pobreza y, consecuentemente, la inseguridad alimentaria, no sólo en el medio rural, sino aun en el urbano. Dessa forma, estratégias de remoção da insegurança alimentar passam necessariamente pelo estímulo ao setor agropecuário e pela promoção do desenvolvimento rural e, por isso mesmo, devem fazer parte da agenda dos governos da América Latina e do Caribe como um todo. Percebida dessa forma, a questão da segurança alimentar se torna o outro lado da moeda da problemática relativa à pobreza, cuja relação com o setor agropecuário é umbilical e a ela, em essência, se reduz. Isto implica a necessidade de tratar o problema da segurança alimentar de forma integral, o que se percebe através das estratégias traçadas no âmbito da FAO - Países Andinos. Estas estratégias, diz o documento, devem reconhecer a heterogeneidade produtiva, sócio-cultural e econômica, como também a complementariedade dos sistemas agrícolas locais e regionais e buscar explorar suas vantagens comparativas, numa clara alusão à necessidade de se procurar formas de inserção mercadológica dos agricultores. Além disso, aponta-se para a necessidade de participação de todos os atores, isto é, governos centrais, regionais e locais; organizações de produtores, Organizações não-

19 19 governamentais; organismos internacionais e a cooperação internacional, como também promover o fortalecimento institucional, isto é, o aumento da eficiência administrativa e a construção de instrumentos adequados de intervenção e avaliação de projetos. As políticas, nesse sentido, devem buscar, entre outros objetivos, a integração comercial regional, nacional e internacional; o investimento em infra-estrutura e em sistemas de informação; o fomento ao emprego na agricultura comercial e na agroindústria; priorizar subsídios à produção e não ao consumo; o fomento ao crédito; e o manejo sustentável dos recursos naturais. No mesmo sentido caminha o documento: Seguridad alimentaria en centroamérica: del manejo de crisis en el corto plazo, al manejo de riesgos y reducción de la vulnerabilidad en el largo plazo: nota estratégica. Entretanto, no diagnóstico que realiza da situação dos países centro-americanos, seus formuladores estabeleceram uma distinção interessante entre crescimento e crescimento que diminui a pobreza, afirmando que o simples crescimento econômico implica deterioração dos recursos naturais, comprometendo assim o futuro da produção de alimentos, de sua disponibilidade e o abastecimento regular. Associado a essa forma de crescimento predatório, não-sustentável, estaria as condições que começaram a prevalecer nos mercados externos, por imposição dos países da OCDE, que levam à queda nos preços dos produtos exportáveis dos países sul-americanos como um todo e, em conseqüência, a piora nas condições de insegurança alimentar. Esse ponto será desenvolvido a seguir. Para o momento, importa notar que a pluriatividade inerente à agricultura familiar aparece aqui como mecanismo de defesa dessa forma de organização social da produção em relação às vicissitudes da economia de mercado e, portanto, da segurança alimentar. O documento acima mencionado coloca a insegurança alimentar como resultado da instabilidade na disponibilidade de alimentos; na baixa capacidade econômica da população de acessar alimentos; na recorrência do fenômeno da pobreza e na incapacidade de acessar alimentos oferecidos no mercado. Aponta ainda a marginalidade social; a ausência de serviços básicos e de saúde; as deficiências na educação e nas condições de vida da população rural; além do agravamento das secas e das oscilações dos preços dos produtos

20 20 exportáveis, como o café, por exemplo, como elementos que se encontram também na origem da insegurança alimentar. A estratégia concebida para atacar os problemas relacionados com a segurança alimentar, no âmbito dos países centro-americanos, envolve a ação conjunta dos governos e dos parceiros do programa em três níveis: o nível macro, que diz respeito à ação governamental no sentido do reforço institucional e da integração regional; o nível intermediário, no âmbito das comunidades e organizações rurais, busca o melhoramento das capacidades locais; e o nível micro, da família rural, que envolve transferência de conhecimento e diversificação dos sistemas de produção no sentido da diminuição da vulnerabilidade, aumento e diversificação da produção e o manejo sustentável dos recursos naturais. O programa como um todo compreende, entre outros, a cooperação técnica, voltada para a utilização eficiente da água e construção de cadeias agroalimentares articuladas ao mercado; para a produção de alimentos para o autoconsumo e para o mercado, visando o aumento da renda e das oportunidades de ocupação; para a organização dos produtores e promoção do associativismo; e para a sistematização de práticas de sustentabilidade, visando a redução de custos, a utilização de técnicas simplificadas e a adaptação da introdução de inovações ao ambiente cultural das comunidades locais. Além disso, tem-se a implementação de sistemas de educação, informações, comunicação e publicidade, que venha a valorizar o rural e a importância da segurança alimentar e a implementação de mecanismos horizontais de transferência de tecnologias (produtor - produtor, por exemplo). Mercado de produtos agroalimentares e pobreza na América Latina O documento La seguridad alimentaria y el acceso a los mercados internacionales de productos agricolas y agroindustriales, produzido no âmbito do Mercosul, desenvolve a questão relativa à participação dos produtos dos países da região nos mercados internacionais. Afirma, nesse sentido, que as restrições comerciais dos países da OCDE, às quais acima se fez referência, limitam o acesso aos mercados internacionais e dificultam a competitividade internacional dos países do Mercosul, mas não apenas. Além disso, os

III SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE LA RED MEDAMERICA EXPERIENCIAS DE DESARROLLO REGIONAL Y LOCAL EN EUROPA Y AMERICA LATINA

III SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE LA RED MEDAMERICA EXPERIENCIAS DE DESARROLLO REGIONAL Y LOCAL EN EUROPA Y AMERICA LATINA III SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE LA RED MEDAMERICA EXPERIENCIAS DE DESARROLLO REGIONAL Y LOCAL EN EUROPA Y AMERICA LATINA TALLER I: ERRADICACIÓN DE LA POBREZA Y DESARROLLO: UN NUEVO PARADIGMA DEL DESARROLLO

Leia mais

O RURAL E O URBANO. CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL, 35, Natal (RN). Anais... Natal (RN): Sober, 1997. p. 90-113.

O RURAL E O URBANO. CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL, 35, Natal (RN). Anais... Natal (RN): Sober, 1997. p. 90-113. O RURAL E O URBANO 1 - AS DEFINIÇÕES DE RURAL E URBANO 1 Desde o final do século passado, a modernização, a industrialização e informatização, assim como a crescente urbanização, levaram vários pesquisadores

Leia mais

AEDB CURSO DE ADMINISTRAÇÃO AULA 1 GESTÃO DE NEGÓCIOS INTERNACIONAIS

AEDB CURSO DE ADMINISTRAÇÃO AULA 1 GESTÃO DE NEGÓCIOS INTERNACIONAIS AEDB CURSO DE ADMINISTRAÇÃO AULA 1 GESTÃO DE NEGÓCIOS INTERNACIONAIS * NEGÓCIOS INTERNACIONAIS: Definição: Por negócios internacionais entende-se todo negócio realizado além das fronteiras de um país.

Leia mais

Agenda Comum para uma Agricultura Sustentável

Agenda Comum para uma Agricultura Sustentável Agenda Comum para uma Agricultura Sustentável Contribuições das Federações de Pequenos Agricultores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique,

Leia mais

SERVIÇO SOCIAL. Disciplina: Metodologia Científica. Número de créditos: 04. Carga horária: 80

SERVIÇO SOCIAL. Disciplina: Metodologia Científica. Número de créditos: 04. Carga horária: 80 Disciplina: Metodologia Científica SERVIÇO SOCIAL Ementa: Finalidade da metodologia científica. Importância da metodologia Número âmbito das ciências. Metodologia de estudos. O conhecimento e suas formas.

Leia mais

Financiamento da Transição para a Agroecologia A proposta do Proambiente

Financiamento da Transição para a Agroecologia A proposta do Proambiente Financiamento da Transição para a Agroecologia A proposta do Proambiente Letícia Rangel Tura 1 e Luciano Mattos 2 Na Amazônia, desde o final dos anos 90, vêm-se discutindo formas de introduzir, em programas

Leia mais

Ementários de acordo com o Projeto Político Pedagógico do Curso de Serviço Social (2007).

Ementários de acordo com o Projeto Político Pedagógico do Curso de Serviço Social (2007). Anexo 1. Ementários de acordo com o Projeto Político Pedagógico do Curso de Serviço Social (2007). I. Disciplinas Obrigatórias SOCIOLOGIA CLÁSSICA Os paradigmas sociológicos clássicos (Marx, Weber, Durkheim).

Leia mais

Ministério de Ação Social, que tem a função de coletar todos os documentos oficiais referidos a essa área.

Ministério de Ação Social, que tem a função de coletar todos os documentos oficiais referidos a essa área. 1 Introdução O objetivo desta dissertação é analisar os Pressupostos políticoideológicos, determinantes e direção do terceiro setor no âmbito das políticas sociais no contexto de consolidação do neoliberalismo

Leia mais

Rede de Áreas Protegidas, Turismo e Inclusão Social: de uma perspectiva da América do Sul para uma perspectiva global

Rede de Áreas Protegidas, Turismo e Inclusão Social: de uma perspectiva da América do Sul para uma perspectiva global Rede de Áreas Protegidas, Turismo e Inclusão Social: de uma perspectiva da América do Sul para uma perspectiva global (texto extraído da publicação IRVING, M.A.; BOTELHO, E.S.; SANCHO, A.; MORAES, E &

Leia mais

3 O Serviço Social no setor de ONGs

3 O Serviço Social no setor de ONGs 3 O Serviço Social no setor de ONGs Uma análise sobre a atuação do assistente social em organizações não governamentais (ONGs) deve partir da reflexão sobre a configuração da sociedade civil brasileira,

Leia mais

CONSTRUINDO A DEMOCRACIA SOCIAL PARTICIPATIVA

CONSTRUINDO A DEMOCRACIA SOCIAL PARTICIPATIVA CONSTRUINDO A DEMOCRACIA SOCIAL PARTICIPATIVA Clodoaldo Meneguello Cardoso Nesta "I Conferência dos lideres de Grêmio das Escolas Públicas Estaduais da Região Bauru" vamos conversar muito sobre política.

Leia mais

Construção das Políticas Públicas processos, atores e papéis

Construção das Políticas Públicas processos, atores e papéis Construção das Políticas Públicas processos, atores e papéis Agnaldo dos Santos Pesquisador do Observatório dos Direitos do Cidadão/Equipe de Participação Cidadã Apresentação O Observatório dos Direitos

Leia mais

1. INTRODUÇÃO CONCEITUAL SOBRE O DESENVOLVIMENTO E O CRESCIMENTO ECONÔMICO

1. INTRODUÇÃO CONCEITUAL SOBRE O DESENVOLVIMENTO E O CRESCIMENTO ECONÔMICO 1. INTRODUÇÃO CONCEITUAL SOBRE O DESENVOLVIMENTO E O CRESCIMENTO ECONÔMICO A análise da evolução temporal (ou dinâmica) da economia constitui o objeto de atenção fundamental do desenvolvimento econômico,

Leia mais

5. Considerações finais

5. Considerações finais 99 5. Considerações finais Ao término da interessante e desafiadora jornada, que implicou em estabelecer um olhar crítico e relativamente distanciado em relação ao universo pesquisado, na medida em que

Leia mais

Aula 4 A FOME NO MUNDO CONTEMPORÂNEO. Christian Jean-Marie Boudou

Aula 4 A FOME NO MUNDO CONTEMPORÂNEO. Christian Jean-Marie Boudou Aula 4 A FOME NO MUNDO CONTEMPORÂNEO OBJETIVOS Compreender a abordagem geográfica da fome; Discorrer sobre fome e desnutrição; Conhecer a problemática de má distribuição de renda e alimentos no Brasil

Leia mais

WP Board No. 980/05 Rev. 1

WP Board No. 980/05 Rev. 1 WP Board No. 980/05 Rev. 1 International Coffee Organization Organización Internacional del Café Organização Internacional do Café Organisation Internationale du Café 12 janeiro 2006 Original: inglês Projetos/Fundo

Leia mais

O PROCESSO DE REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA NO BRASIL E AS MODIFICAÇÕES DA ECONOMIA GOIANA PÓS DÉCADA DE 1960.

O PROCESSO DE REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA NO BRASIL E AS MODIFICAÇÕES DA ECONOMIA GOIANA PÓS DÉCADA DE 1960. O PROCESSO DE REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA NO BRASIL E AS MODIFICAÇÕES DA ECONOMIA GOIANA PÓS DÉCADA DE 1960. Glauber Lopes Xavier 1, 3 ; César Augustus Labre Lemos de Freitas 2, 3. 1 Voluntário Iniciação

Leia mais

Um dos grandes desafios para tornar o Brasil mais condizente com os anseios da sua população é a "modernização" da vida política.

Um dos grandes desafios para tornar o Brasil mais condizente com os anseios da sua população é a modernização da vida política. Apesar dos problemas associados à má distribuição de renda, o Brasil- ingressa no século XXI com uma das maiores economias do mundo e um compromisso com a paz mundial e o sistema democrático e sem conflitos

Leia mais

Rede de Produção de Plantas Medicinais, Aromáticas e Fitoterápicos

Rede de Produção de Plantas Medicinais, Aromáticas e Fitoterápicos Rede de Produção de Plantas Medicinais, Aromáticas e Fitoterápicos Atores envolvidos Movimentos Sociais Agricultura Familiar Governos Universidades Comunidade Científica em Geral Parceiros Internacionais,

Leia mais

CONFERÊNCIA TEMÁTICA DE COOPERATIVISMO SOLIDÁRIO

CONFERÊNCIA TEMÁTICA DE COOPERATIVISMO SOLIDÁRIO CONFERÊNCIA TEMÁTICA DE COOPERATIVISMO SOLIDÁRIO DOCUMENTO PROPOSITIVO Página 1 1. IMPORTÂNCIA DO TEMA PARA A II CONFERÊNCIA NACIONAL 1.1. A construção de um novo Brasil pautado na justiça, equidade e

Leia mais

LEI Nº 13.558, de 17 de novembro de 2005. Dispõe sobre a Política Estadual de Educação Ambiental - PEEA - e adota outras providências.

LEI Nº 13.558, de 17 de novembro de 2005. Dispõe sobre a Política Estadual de Educação Ambiental - PEEA - e adota outras providências. LEI Nº 13.558, de 17 de novembro de 2005 Procedência: Governamental Natureza: PL. 332/05 DO. 17.762 de 17/11/05 Fonte: ALESC/Div. Documentação Dispõe sobre a Política Estadual de Educação Ambiental - PEEA

Leia mais

LEI N 21.156, DE 17 DE JANEIRO DE 2014. INSTITUI A POLÍTICA ESTADUAL DE DESENVOLVIMENTO RURAL SUSTENTÁVEL DA AGRICULTURA FAMILIAR.

LEI N 21.156, DE 17 DE JANEIRO DE 2014. INSTITUI A POLÍTICA ESTADUAL DE DESENVOLVIMENTO RURAL SUSTENTÁVEL DA AGRICULTURA FAMILIAR. LEI N 21.156, DE 17 DE JANEIRO DE 2014. INSTITUI A POLÍTICA ESTADUAL DE DESENVOLVIMENTO RURAL SUSTENTÁVEL DA AGRICULTURA FAMILIAR. (PUBLICAÇÃO - MINAS GERAIS DIÁRIO DO EXECUTIVO - 18/01/2014 PÁG. 2 e 03)

Leia mais

Síntese da POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO DO BRASIL RURAL

Síntese da POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO DO BRASIL RURAL Síntese da POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO DO BRASIL RURAL Apresenta à sociedade brasileira um conjunto de estratégias e ações capazes de contribuir para a afirmação de um novo papel para o rural na estratégia

Leia mais

Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global

Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global Este Tratado, assim como a educação, é um processo dinâmico em permanente construção. Deve portanto propiciar a reflexão,

Leia mais

CAPÍTULO 11 CAMINHOS ABERTOS PELA SOCIOLOGIA. Em cena: A realidade do sonho

CAPÍTULO 11 CAMINHOS ABERTOS PELA SOCIOLOGIA. Em cena: A realidade do sonho CAPÍTULO 11 CAMINHOS ABERTOS PELA SOCIOLOGIA Em cena: A realidade do sonho Uma mapa imaginário ( página 123) A sociologia foi uma criação da sociedade urbana. Com a advento da industrialização as grandes

Leia mais

REFORMA OU DESMONTE? Análise crítica acerca do Plano Diretor da Reforma do Estado

REFORMA OU DESMONTE? Análise crítica acerca do Plano Diretor da Reforma do Estado REFORMA OU DESMONTE? Análise crítica acerca do Plano Diretor da Reforma do Estado Ana Carolyna Muniz Estrela 1 Andreza de Souza Véras 2 Flávia Lustosa Nogueira 3 Jainara Castro da Silva 4 Talita Cabral

Leia mais

PREPARATÓRIO ENADE 2015 FACULDADE DOIS DE JULHO

PREPARATÓRIO ENADE 2015 FACULDADE DOIS DE JULHO E N A PREPARATÓRIO ENADE 2015 FACULDADE DOIS DE JULHO CURSO DE FORMAÇÃO GERAL TEMA 3: CRISE FINANCEIRA E GLOBALIZAÇÃO D E CURSO DE ADMINISTRAÇÃO E DIREITO 1 O FUTURO DA DEMOCRACIA Boaventura de Souza Santos

Leia mais

Gilcélia Batista de Gós 1. Maria Ivonete Soares Coelho 2 RESUMO

Gilcélia Batista de Gós 1. Maria Ivonete Soares Coelho 2 RESUMO Os programas sociais como instrumentos para efetivação dos direitos sociais: uma análise do programa de assistência técnica social e ambiental e a intervenção do (a) assistente social. Gilcélia Batista

Leia mais

Portfólio Easy to Learn SERVIÇO SOCIAL

Portfólio Easy to Learn SERVIÇO SOCIAL Portfólio Easy to Learn SERVIÇO SOCIAL ÍNDICE Pensamento Social...2 Movimentos Sociais e Serviço Social...2 Fundamentos do Serviço Social I...2 Leitura e Interpretação de Textos...3 Metodologia Científica...3

Leia mais

Avaliação de Impacto e de Efeitos Econômicos nas Regiões do Rio Grande do Sul dos Projetos e Investimentos Industriais Incentivados

Avaliação de Impacto e de Efeitos Econômicos nas Regiões do Rio Grande do Sul dos Projetos e Investimentos Industriais Incentivados Avaliação de Impacto e de Efeitos Econômicos nas Regiões do Rio Grande do Sul dos Projetos e Investimentos Industriais Incentivados pelo Fundopem no Período 1989/1998 Antônio Ernani Martins Lima Porto

Leia mais

CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO CAPÍTULO 3 COMBATE À POBREZA ÁREA DE PROGRAMAS

CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO CAPÍTULO 3 COMBATE À POBREZA ÁREA DE PROGRAMAS CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO CAPÍTULO 3 COMBATE À POBREZA ÁREA DE PROGRAMAS Capacitação dos pobres para a obtenção de meios de subsistência sustentáveis Base para

Leia mais

Trabalhar as regiões

Trabalhar as regiões A U A UL LA Trabalhar as regiões Nesta aula, vamos aprender como a organi- zação espacial das atividades econômicas contribui para diferenciar o espaço geográfico em regiões. Vamos verificar que a integração

Leia mais

Nome da operação. Região País Setor. Número da operação Instrumento de crédito Mutuário(s) Entidade executora

Nome da operação. Região País Setor. Número da operação Instrumento de crédito Mutuário(s) Entidade executora Nome da operação Região País Setor DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO DO PROGRAMA (PID) ETAPA CONCEITUAL Relatório nº: AB7437 (O número do relatório é gerado automaticamente pelo IDU e não

Leia mais

POLÍTICAS PÚBLICAS DE ECONOMIA SOLIDÁRIA

POLÍTICAS PÚBLICAS DE ECONOMIA SOLIDÁRIA POLÍTICAS PÚBLICAS DE ECONOMIA SOLIDÁRIA 1. Concepções e diretrizes políticas para áreas; Quando falamos de economia solidária não estamos apenas falando de geração de trabalho e renda através de empreendimentos

Leia mais

O mosaico americano. Na hora do almoço, Paulo reserva alguns minutos para ler o jornal. Naquele dia, Paulo leu uma notícia que o deixa preocupado.

O mosaico americano. Na hora do almoço, Paulo reserva alguns minutos para ler o jornal. Naquele dia, Paulo leu uma notícia que o deixa preocupado. A UU L AL A O mosaico americano Nesta aula estudaremos as tentativas de integração econômica entre países da América Latina. Vamos analisar as diferenças e semelhanças existentes entre esses países que

Leia mais

MINUTA DE LEI DA POLÍTICA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL DO MUNICÍPIO DE CARIACICA

MINUTA DE LEI DA POLÍTICA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL DO MUNICÍPIO DE CARIACICA MINUTA DE LEI DA POLÍTICA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL DO MUNICÍPIO DE CARIACICA CAPÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 1º Fica instituída a Política Municipal de Educação Ambiental, seus objetivos, princípios

Leia mais

Contribuição sobre Economia solidária para o Grupo de Alternativas econômicas Latino-Americano da Marcha Mundial das Mulheres Isolda Dantas 1

Contribuição sobre Economia solidária para o Grupo de Alternativas econômicas Latino-Americano da Marcha Mundial das Mulheres Isolda Dantas 1 Contribuição sobre Economia solidária para o Grupo de Alternativas econômicas Latino-Americano da Marcha Mundial das Mulheres Isolda Dantas 1 Economia solidária: Uma ferramenta para construção do feminismo

Leia mais

DEMOCRACIA, ESTADO SOCIAL, E REFORMA GERENCIAL

DEMOCRACIA, ESTADO SOCIAL, E REFORMA GERENCIAL DEMOCRACIA, ESTADO SOCIAL, E REFORMA GERENCIAL Luiz Carlos Bresser-Pereira Intervenção no VI Fórum da Reforma do Estado. Rio de Janeiro, 1º. de outubro de 2007. Sumário. A democracia permitiu que os trabalhadores

Leia mais

Estado, Governo e Mercado. I Objetivo

Estado, Governo e Mercado. I Objetivo Disciplina 1 Estado, Governo e Mercado I Objetivo Essa disciplina enfoca as complexas relações entre Estado, governo e mercado nas sociedades capitalistas contemporâneas. Partindo das duas matrizes teóricas

Leia mais

PROGRAMAÇÃO DO EVENTO

PROGRAMAÇÃO DO EVENTO PROGRAMAÇÃO DO EVENTO Dia 08/08 // 09h00 12h00 PLENÁRIA Nova economia: includente, verde e responsável Nesta plenária faremos uma ampla abordagem dos temas que serão discutidos ao longo de toda a conferência.

Leia mais

Modelos de Gestão no setor público e intervenção política

Modelos de Gestão no setor público e intervenção política Modelos de Gestão no setor público e intervenção política Agnaldo dos Santos Observatório dos Direitos do Cidadão Participação Cidadã (Instituto Pólis) Apresentação O Observatório dos Direitos do Cidadão,

Leia mais

EDUCAÇÃO: DE POLÍTICA GOVERNAMENTAL A ESTRATÉGIA DO ESTADO

EDUCAÇÃO: DE POLÍTICA GOVERNAMENTAL A ESTRATÉGIA DO ESTADO EDUCAÇÃO: DE POLÍTICA GOVERNAMENTAL A ESTRATÉGIA DO ESTADO Guiomar Namo de Mello Diretora Executiva da Fundação Victor Civita No apagar das luzes do século XX, o mundo constata preocupado o quanto os recursos

Leia mais

EMENTAS DAS DISCIPLINAS

EMENTAS DAS DISCIPLINAS EMENTAS DAS DISCIPLINAS CURSO DE GRADUAÇÃO DE SERVIÇO SOCIAL INTRODUÇÃO AO SERVIÇO SOCIAL EMENTA: A ação profissional do Serviço Social na atualidade, o espaço sócioocupacional e o reconhecimento dos elementos

Leia mais

45ª Semana de Serviço Social. OS MEGA EVENTOS E MOVIMENTOS SOCIAIS: discutindo o direito à cidade. 14 a 16 de maio de 2014

45ª Semana de Serviço Social. OS MEGA EVENTOS E MOVIMENTOS SOCIAIS: discutindo o direito à cidade. 14 a 16 de maio de 2014 45ª Semana de Serviço Social OS MEGA EVENTOS E MOVIMENTOS SOCIAIS: discutindo o direito à cidade 14 a 16 de maio de 2014 Na Copa, comemorar o quê?. É com este mote criativo e provocativo que o Conjunto

Leia mais

Reforma Agrária e Assentamentos Rurais: caminhos para erradicação da pobreza e para a Segurança Alimentar

Reforma Agrária e Assentamentos Rurais: caminhos para erradicação da pobreza e para a Segurança Alimentar Reforma Agrária e Assentamentos Rurais: caminhos para erradicação da pobreza e para a Segurança Alimentar Sonia Maria Pessoa Pereira Bergamasco Feagri/UNICAMP Fórum: Combate à Pobreza e Segurança Alimentar

Leia mais

Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica PNAPO BRASIL AGROECOLÓGICO

Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica PNAPO BRASIL AGROECOLÓGICO Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica PNAPO BRASIL AGROECOLÓGICO Sumário Contexto Processo de construção Estrutura do Decreto Objetivos e Interfaces Diretrizes Eixos e objetivos Medidas

Leia mais

Princípios ref. texto nº de votos N

Princípios ref. texto nº de votos N Princípios N G A E Estimular os processos de articulação de políticas públicas nos territórios, garantindo canais de diálogo entre os entes federativos, suas instituições e a sociedade civil. Desenvolvimento

Leia mais

A REORIENTAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL BRASILEIRO IBGC 26/3/2015

A REORIENTAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL BRASILEIRO IBGC 26/3/2015 A REORIENTAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL BRASILEIRO IBGC 26/3/2015 1 A Situação Industrial A etapa muito negativa que a indústria brasileira está atravessando vem desde a crise mundial. A produção

Leia mais

TRATADO SOBRE AS ZONAS ÁRIDAS E SEMI-ÁRIDAS PREÂMBULO

TRATADO SOBRE AS ZONAS ÁRIDAS E SEMI-ÁRIDAS PREÂMBULO [30] TRATADO SOBRE AS ZONAS ÁRIDAS E SEMI-ÁRIDAS PREÂMBULO 1. As zonas áridas e semi-áridas constituem um conjunto de formações naturais complexas, dispersas em vários pontos do planeta e muito diferenciadas

Leia mais

Nova ética emergindo de crises mudança no sistema de emprego exclusão/marginalização social aumento das demandas sociais concentração de poder e

Nova ética emergindo de crises mudança no sistema de emprego exclusão/marginalização social aumento das demandas sociais concentração de poder e PROGRAMA NACIONAL DE EDUCAÇÃO FISCAL - PNEF A EDUCAÇÃO FISCAL COMO EXERCÍCIO DE CIDADANIA CONTEXTO Nova ética emergindo de crises mudança no sistema de emprego exclusão/marginalização social aumento das

Leia mais

Capítulo 1: Introdução à Economia

Capítulo 1: Introdução à Economia 1 Capítulo 1: Introdução à Economia Conceito de Economia Problemas Econômicos Fundamentais Sistemas Econômicos Curva (Fronteira de Possibilidades de Produção. Conceito de Custos de Oportunidade Análise

Leia mais

12. Da discussão e dos seminários, surgiu um consenso sobre as ideias seguintes

12. Da discussão e dos seminários, surgiu um consenso sobre as ideias seguintes Conclusões «Inovação e sustentabilidade ambiental. A inovação e a tecnologia como motor do desenvolvimento sustentável e da coesão social. Uma perspectiva dos governos locais». 1. O Fórum irá estudar,

Leia mais

Módulo 6 A Evolução da Ciência Econômica. 6.1. Os Socialistas

Módulo 6 A Evolução da Ciência Econômica. 6.1. Os Socialistas Módulo 6 A Evolução da Ciência Econômica 6.1. Os Socialistas O pensamento socialista surge em meio à revolução industrial, com suas grandes fábricas. Os trabalhadores possuíam condições precárias de trabalho

Leia mais

O BRASIL SEM MISÉRIA APRESENTAÇÃO

O BRASIL SEM MISÉRIA APRESENTAÇÃO APRESENTAÇÃO O BRASIL SEM MISÉRIA O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome decidiu organizar este livro por vários motivos. Um deles é evitar que o histórico da construção do Plano Brasil

Leia mais

FORMAÇÃO DO TERRITORIO BRASILEIRO. Prof. Israel Frois

FORMAÇÃO DO TERRITORIO BRASILEIRO. Prof. Israel Frois FORMAÇÃO DO TERRITORIO BRASILEIRO Prof. Israel Frois SÉCULO XV Território desconhecido; Era habitado por ameríndios ; Natureza praticamente intocada Riqueza imediata: Pau-Brasil (Mata Atlântica) Seus limites

Leia mais

Abordagens metodológicas para o planejamento da melhoria da produção e renda de comunidades de agricultores familiares

Abordagens metodológicas para o planejamento da melhoria da produção e renda de comunidades de agricultores familiares Abordagens metodológicas para o planejamento da melhoria da produção e renda de comunidades de agricultores familiares Zeke Beze Júnior Aluno do Mestrado do Centro de Desenvolvimento Sustentável-CDS Universidade

Leia mais

OS LIMITES DO DESENVOLVIMENTO LOCAL: ESTUDOS SOBRE PEQUENOS MUNICÍPIOS DO INTERIOR DE SÃO PAULO

OS LIMITES DO DESENVOLVIMENTO LOCAL: ESTUDOS SOBRE PEQUENOS MUNICÍPIOS DO INTERIOR DE SÃO PAULO OS LIMITES DO DESENVOLVIMENTO LOCAL: ESTUDOS SOBRE PEQUENOS MUNICÍPIOS DO INTERIOR DE SÃO PAULO Tayla Nayara Barbosa 1 RESUMO: O presente estudo científico teve como objetivo estudar mais detalhadamente

Leia mais

CONTEÚDOS DE SOCIOLOGIA POR BIMESTRE PARA O ENSINO MÉDIO COM BASE NOS PARÂMETROS CURRICULARES DO ESTADO DE PERNAMBUCO

CONTEÚDOS DE SOCIOLOGIA POR BIMESTRE PARA O ENSINO MÉDIO COM BASE NOS PARÂMETROS CURRICULARES DO ESTADO DE PERNAMBUCO CONTEÚDOS DE SOCIOLOGIA POR BIMESTRE PARA O ENSINO MÉDIO COM BASE NOS PARÂMETROS CURRICULARES DO ESTADO DE PERNAMBUCO GOVERNADOR DE PERNAMBUCO João Lyra Neto SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO E ESPORTES Ricardo Dantas

Leia mais

III Conferência Nacional de. e Segurança Alimentar. Nutricional. Por um Desenvolvimento Sustentável com Soberania

III Conferência Nacional de. e Segurança Alimentar. Nutricional. Por um Desenvolvimento Sustentável com Soberania Por um Desenvolvimento Sustentável com Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional 03 a 06 de julho de 2007 Fortaleza (CE) III Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional Resumo do Documento

Leia mais

TRATADO SOBRE AGRICULTURA SUSTENTÁVEL PREÂMBULO

TRATADO SOBRE AGRICULTURA SUSTENTÁVEL PREÂMBULO [25] TRATADO SOBRE AGRICULTURA SUSTENTÁVEL PREÂMBULO Entendendo que: 1. O sistema sócio-econômico e político internacionalmente dominante, ao qual se articula o modelo industrial de produção agrícola e

Leia mais

ECONOMIA MÓDULO 1 APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA

ECONOMIA MÓDULO 1 APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA ECONOMIA MÓDULO 1 APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA Índice 1. Apresentação da Disciplina...3 2 1. APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA A disciplina Economia de Mercado objetiva apresentar as relações econômicas que balizam

Leia mais

EDUCAÇÃO FISCAL: uma prática possível e necessária.

EDUCAÇÃO FISCAL: uma prática possível e necessária. 1 EDUCAÇÃO FISCAL: uma prática possível e necessária. Maria de Fátima Pessoa de Mello Cartaxo Ex-Diretora-Geral da Escola de Administração Fazendária Ex-Auditora Fiscal da Receita Federal aposentada Consultora

Leia mais

Doutoranda: Nadir Blatt

Doutoranda: Nadir Blatt Territórios de Identidade no Estado da Bahia: uma análise crítica da regionalização implantada pela estrutura governamental para definição de políticas públicas, a partir da perspectiva do desenvolvimento

Leia mais

SOCIOLOGIA - 2 o ANO MÓDULO 05 O MODELO CAPITALISTA BRASILEIRO E A NOVA ORDEM INTERNACIONAL

SOCIOLOGIA - 2 o ANO MÓDULO 05 O MODELO CAPITALISTA BRASILEIRO E A NOVA ORDEM INTERNACIONAL SOCIOLOGIA - 2 o ANO MÓDULO 05 O MODELO CAPITALISTA BRASILEIRO E A NOVA ORDEM INTERNACIONAL Como pode cair no enem Leia o trecho abaixo e responda: A propriedade do rei suas terras e seus tesouros se

Leia mais

RESOLUÇÃO: O QUE É GEOGRAFIA

RESOLUÇÃO: O QUE É GEOGRAFIA O QUE É GEOGRAFIA 01. (Ufpe) Vamos supor que um determinado pesquisador escreveu o seguinte texto sobre a Amazônia brasileira. "A Amazônia brasileira, uma das principais regiões do País, está fadada ao

Leia mais

DIRETRIZES A SEREM DEBATIDAS NAS CONFERÊNCIAS NO ANO DE 2015 E 2016

DIRETRIZES A SEREM DEBATIDAS NAS CONFERÊNCIAS NO ANO DE 2015 E 2016 DIRETRIZES A SEREM DEBATIDAS NAS CONFERÊNCIAS NO ANO DE 2015 E 2016 A Constituição de 1988 criou a possibilidade de que os cidadãos possam intervir na gestão pública. Pela via do controle social, influenciam

Leia mais

Espaço Geográfico (Tempo e Lugar)

Espaço Geográfico (Tempo e Lugar) Espaço Geográfico (Tempo e Lugar) Somos parte de uma sociedade, que (re)produz, consome e vive em uma determinada porção do planeta, que já passou por muitas transformações, trata-se de seu lugar, relacionando-se

Leia mais

Por uma Cultura da Paz Vera Maria Candau

Por uma Cultura da Paz Vera Maria Candau Por uma Cultura da Paz Vera Maria Candau Não é fácil situar-nos diante da questão da paz na atual situação do mundo e do nosso país. Corremos o risco ou de negar a realidade ou de não reconhecer o sentido

Leia mais

Programas e Políticas Públicas de SAN na Bahia

Programas e Políticas Públicas de SAN na Bahia Programas e Políticas Públicas de SAN na Bahia Gestão Equipamentos de SAN Acesso a água Apoio a Agricultura Familiar Inclusão Produtiva Jainei Cardoso Coordenação Rede de San e Cidadania Conselheira CONSEA-BA

Leia mais

Prefeitura da Cidade do Recife Secretaria de Desenvolvimento Econômico PROGRAMA AGRICULTURA URBANA HORTAS E POMARES COMUNITÁRIAS

Prefeitura da Cidade do Recife Secretaria de Desenvolvimento Econômico PROGRAMA AGRICULTURA URBANA HORTAS E POMARES COMUNITÁRIAS Prefeitura da Cidade do Recife Secretaria de Desenvolvimento Econômico PROGRAMA AGRICULTURA URBANA HORTAS E POMARES COMUNITÁRIAS Recife, 2004 Sumário Objetivo Beneficiários Diagnóstico Horizonte Temporal

Leia mais

GRAZIANO DA SILVA, J. A Nova Dinâmica da Agricultura Brasileira. 2.ed.rev. Campinas, Unicamp.IE,1996.

GRAZIANO DA SILVA, J. A Nova Dinâmica da Agricultura Brasileira. 2.ed.rev. Campinas, Unicamp.IE,1996. Acesso a Tecnologias, Capital e Mercados, quanto à Agricultura Familiar x Agricultura Patronal (Texto auxiliar preparado para discussão no Primeiro Curso Centralizado da ENFOC) I No Brasil, a agricultura

Leia mais

Universidade Eduardo Mondlane Faculdade de Economia

Universidade Eduardo Mondlane Faculdade de Economia Universidade Eduardo Mondlane Faculdade de Economia ECONOMIA INDUSTRIAL Aula 01 e 02: 04/03/2008 e 06/03/2008 Docentes: Carlos Nuno Castel-Branco; Carlos Vicente; Nelsa Massingue. Conceito de Industrialização

Leia mais

Roteiro de Estudos. 2 trimestre - 2015 Disciplina: Geografia 2ª série

Roteiro de Estudos. 2 trimestre - 2015 Disciplina: Geografia 2ª série Roteiro de Estudos 2 trimestre - 2015 Disciplina: Geografia 2ª série Professor: Eduardo O que devo saber: Globalização, comércio mundial e blocos econômicos. O Comércio Global. O protecionismo. O comércio

Leia mais

Fernanda de Paula Ramos Conte Lílian Santos Marques Severino RESUMO:

Fernanda de Paula Ramos Conte Lílian Santos Marques Severino RESUMO: O Brasil e suas políticas sociais: características e consequências para com o desenvolvimento do país e para os agrupamentos sociais de nível de renda mais baixo nas duas últimas décadas RESUMO: Fernanda

Leia mais

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação Coordenação de Biblioteca 13 Discurso em jantar oferecido ao

Leia mais

A CARTA DE BANGKOK PARA A PROMOÇÃO DA SAÚDE EM UM MUNDO GLOBALIZADO

A CARTA DE BANGKOK PARA A PROMOÇÃO DA SAÚDE EM UM MUNDO GLOBALIZADO A CARTA DE BANGKOK PARA A PROMOÇÃO DA SAÚDE EM UM MUNDO GLOBALIZADO Introdução Escopo A Carta de Bangkok identifica ações, compromissos e promessas necessários para abordar os determinantes da saúde em

Leia mais

A QUESTÃO DA POBREZA NA SOCIEDADE DE CLASSES E SEU ACIRRAMENTO NO NEOLIBERALISMO

A QUESTÃO DA POBREZA NA SOCIEDADE DE CLASSES E SEU ACIRRAMENTO NO NEOLIBERALISMO A QUESTÃO DA POBREZA NA SOCIEDADE DE CLASSES E SEU ACIRRAMENTO NO NEOLIBERALISMO Maria Cristina de Souza ¹ Possui graduação em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas -PUCCAMP(1988),

Leia mais

Globalização e solidariedade Jean Louis Laville

Globalização e solidariedade Jean Louis Laville CAPÍTULO I Globalização e solidariedade Jean Louis Laville Cadernos Flem V - Economia Solidária 14 Devemos lembrar, para entender a economia solidária, que no final do século XIX, houve uma polêmica sobre

Leia mais

CONTRIBUIÇÃO PARA IMPLANTAÇÃO DA QUALIDADE TOTAL NA. EMATER Paraná

CONTRIBUIÇÃO PARA IMPLANTAÇÃO DA QUALIDADE TOTAL NA. EMATER Paraná ODÍLIO SEPULCRI CONTRIBUIÇÃO PARA IMPLANTAÇÃO DA QUALIDADE TOTAL NA EMATER Paraná Projeto apresentado a Universidade Federal do Paraná, Confederação Nacional da Indústria, Serviço Nacional de Aprendizagem

Leia mais

O Nordeste Chances e Obstáculos para um Avanço Sustentável

O Nordeste Chances e Obstáculos para um Avanço Sustentável O Nordeste Chances e Obstáculos para um Avanço Sustentável por Cláudia Cristina 1 O NOVO CONTEXTO GLOBAL E O DESAFIO DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL As profundas transformações econômicas, sociais e políticas

Leia mais

uma realidade de espoliação econômica e/ou ideológica. No mesmo patamar, em outros momentos, a negação da educação disseminada a todas as classes

uma realidade de espoliação econômica e/ou ideológica. No mesmo patamar, em outros momentos, a negação da educação disseminada a todas as classes 1 Introdução A ascensão do sistema capitalista forjou uma sociedade formatada e dividida pelo critério econômico. No centro das decisões econômicas, a classe proprietária de bens e posses, capaz de satisfazer

Leia mais

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação Coordenação de Biblioteca 93 Exposição na abertura do encontro

Leia mais

O INCRA E O ASSENTAMENTO

O INCRA E O ASSENTAMENTO O INCRA E O ASSENTAMENTO É um conjunto de medidas que visa promover a melhor distribuição da terra, mediante modificação no regime de sua posse e uso, a fim de atender aos princípios da justiça social

Leia mais

ENCONTRO DE MINISTROS DA AGRICULTURA DAS AMÉRICAS 2011 Semeando inovação para colher prosperidade

ENCONTRO DE MINISTROS DA AGRICULTURA DAS AMÉRICAS 2011 Semeando inovação para colher prosperidade ENCONTRO DE MINISTROS DA AGRICULTURA DAS AMÉRICAS 2011 Semeando inovação para colher prosperidade DECLARAÇÃO DOS MINISTROS DA AGRICULTURA, SÃO JOSÉ 2011 1. Nós, os Ministros e os Secretários de Agricultura

Leia mais

AGRICULTURA FAMILIAR NO MUNICÍPIO DE MOGI MIRIM-SP: Principais políticas publicas. Arthur Moriconi harthus94@gmail.com.

AGRICULTURA FAMILIAR NO MUNICÍPIO DE MOGI MIRIM-SP: Principais políticas publicas. Arthur Moriconi harthus94@gmail.com. AGRICULTURA FAMILIAR NO MUNICÍPIO DE MOGI MIRIM-SP: Principais políticas publicas Arthur Moriconi harthus94@gmail.com. Acadêmico do Curso de Ciências Econômicas/UNICENTRO Fabio Junior Penteado fabioturvo@gmail.com.

Leia mais

Políticas de Desenvolvimento para as Mulheres Rurais a partir de uma perspectiva de Raça a e Gênero. Andrea Butto

Políticas de Desenvolvimento para as Mulheres Rurais a partir de uma perspectiva de Raça a e Gênero. Andrea Butto Políticas de Desenvolvimento para as Mulheres Rurais a partir de uma perspectiva de Raça a e Gênero Andrea Butto Ministério do Desenvolvimento Agrário Temas abordados Estados assumiram compromissos que

Leia mais

Reforçar a segurança social: uma necessidade política e uma exigência ética

Reforçar a segurança social: uma necessidade política e uma exigência ética I Introdução Considerando que se aproxima um novo ciclo eleitoral e que o mesmo deve ser aproveitado para um sério e profundo debate político que confronte as propostas dos diferentes partidos relativamente

Leia mais

TRADUÇÃO NÃO OFICIAL

TRADUÇÃO NÃO OFICIAL UNASUL/CMRE/RESOLUÇÃO/Nº 28/2012 MEDIANTE A QUAL É RESOLVIDO APRESENTAR PARA A APROVAÇÃO DO CONSELHO DE CHEFAS E CHEFES DE ESTADO E DE GOVERNO DA UNIÃO DAS NAÇÕES SUL-AMERICANAS A AGENDA DE AÇÕES PRIORITÁRIAS

Leia mais

,QLTXLGDGHVHP6D~GHQR%UDVLO QRVVDPDLVJUDYHGRHQoD

,QLTXLGDGHVHP6D~GHQR%UDVLO QRVVDPDLVJUDYHGRHQoD ,QLTXLGDGHVHP6D~GHQR%UDVLO QRVVDPDLVJUDYHGRHQoD 'RFXPHQWRDSUHVHQWDGRSRURFDVLmRGRODQoDPHQWRGD &RPLVVmR1DFLRQDOVREUH'HWHUPLQDQWHV6RFLDLVHP6D~GHGR %UDVLO&1'66 0DUoR ,QLTXLGDGHVHPVD~GHQR%UDVLO QRVVDPDLVJUDYHGRHQoD

Leia mais

ESTRUTURA CURRICULAR DO CURSO DE DESENVOLVIMENTO RURAL E SEGURANÇA ALIMENTAR

ESTRUTURA CURRICULAR DO CURSO DE DESENVOLVIMENTO RURAL E SEGURANÇA ALIMENTAR MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DA INTEGRAÇÃO LATINO-AMERICANA PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO ESTRUTURA CURRICULAR DO CURSO DE DESENVOLVIMENTO RURAL E SEGURANÇA ALIMENTAR CÓDIGOS SIGAA COMPONENTES

Leia mais

Desigualdades socioespaciais no RN: velhas causas, novas formas

Desigualdades socioespaciais no RN: velhas causas, novas formas Desigualdades socioespaciais no RN: velhas causas, novas formas Rita de Cássia da Conceição Gomes Natal, 11/09/2011 As Desigualdades socioespacias em nossa agenda de pesquisa: Dialética apresentada Pesquisa

Leia mais

Propostas de Políticas OS PEQUENOS NEGÓCIOS COMO FORÇA INDUTORA PARA O DESENVOLVIMENTO LOCAL

Propostas de Políticas OS PEQUENOS NEGÓCIOS COMO FORÇA INDUTORA PARA O DESENVOLVIMENTO LOCAL Propostas de Políticas OS PEQUENOS NEGÓCIOS COMO FORÇA INDUTORA PARA O DESENVOLVIMENTO LOCAL CANDIDATOS A PREFEITOS E PREFEITAS MUNICIPAIS Pleito Eleitoral 2012 PROPOSTAS DE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A PROMOÇÃO

Leia mais

2015: UM ANO DECISIVO

2015: UM ANO DECISIVO 2015: UM ANO DECISIVO 1. EMENTA: o presente trabalho tem por objetivo abordar as necessidades de mudanças para que o país volte a crescer mais do que neste momento, com um patamar de inflação menor do

Leia mais

TRABALHO SOCIAL COM FAMÍLIAS NO SUAS IRACI DE ANDRADE DRA. SERVIÇO SOCIAL

TRABALHO SOCIAL COM FAMÍLIAS NO SUAS IRACI DE ANDRADE DRA. SERVIÇO SOCIAL TRABALHO SOCIAL COM FAMÍLIAS NO SUAS IRACI DE ANDRADE DRA. SERVIÇO SOCIAL OBJETIVO DO CURSO Capacitar trabalhadores da assistência social para a utilização dos instrumentos técnico-operativos trabalho

Leia mais

Política Nacional de Museus Bases para a Política Nacional de Museus

Política Nacional de Museus Bases para a Política Nacional de Museus Política Nacional de Museus Bases para a Política Nacional de Museus APRESENTAÇÃO Ao se propor a sistematização de uma política pública voltada para os museus brasileiros, a preocupação inicial do Ministério

Leia mais

TRATADO ALTERNATIVO SOBRE COMÉRCIO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL [12] PREÂMBULO

TRATADO ALTERNATIVO SOBRE COMÉRCIO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL [12] PREÂMBULO TRATADO ALTERNATIVO SOBRE COMÉRCIO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL [12] PREÂMBULO 1. O comércio internacional deve ser conduzido de forma a melhorar o bem estar social, respeitando a necessidade de promover

Leia mais

O Enfrentamento do Trabalho Infantil pelas Políticas Públicas: A POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL

O Enfrentamento do Trabalho Infantil pelas Políticas Públicas: A POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL O Enfrentamento do Trabalho Infantil pelas Políticas Públicas: A POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL Juliana Petroceli - Assessora Técnica Departamento de Proteção Social Especial Secretaria Nacional de Assistência

Leia mais

ESTA PALESTRA NÃO PODERÁ SER REPRODUZIDA SEM A REFERÊNCIA DO AUTOR.

ESTA PALESTRA NÃO PODERÁ SER REPRODUZIDA SEM A REFERÊNCIA DO AUTOR. ESTA PALESTRA NÃO PODERÁ SER REPRODUZIDA SEM A REFERÊNCIA DO AUTOR. ÉTICA E SERVIÇO SOCIAL: Elementos para uma breve reflexão e debate. Perspectiva de Análise Teoria Social Crítica (Marx e alguns marxistas)

Leia mais

Faço saber que a Assembléia Legislativa do Estado do Tocantins decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Faço saber que a Assembléia Legislativa do Estado do Tocantins decreta e eu sanciono a seguinte Lei: LEI Nº 1.374, DE 08 DE ABRIL DE 2003. Publicado no Diário Oficial nº 1.425. Dispõe sobre a Política Estadual de Educação Ambiental e adota outras providências. O Governador do Estado do Tocantins Faço

Leia mais