A ideia de coordenatização (2/2)

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "A ideia de coordenatização (2/2)"

Transcrição

1 8 a : aula (1h) 12/10/2010 a ideia de coordenatização (2/2) 8-1 Instituto Superior Técnico 2010/11 1 o semestre Álgebra Linear 1 o ano das Lics. em Engenharia Informática e de Computadores A ideia de coordenatização (2/2) Dois teoremas fundamentais da Álgebra Linear Os seguintes teoremas são de demonstração difícil; por isso apesar de serem muito importantes, não serão demonstrados na aula (Para ter uma ideia da complexidade da demonstração veja-se adiante o Apêndice: a importância de ser corpo; a demonstração é apresentada a título de curiosidade, mas não faz parte do programa). Teorema da base (Hamel (1902)). Todo o espaço vectorial sobre um corpo tem uma base. Teorema da dimensão nita (Steinitz (1910)). Num espaço vectorial com uma base nita, qualquer outra base é nita e tem o mesmo número de elementos. Dado um espaço vectorial V sobre um corpo K, se V tiver uma base nita então chama-se dimensão de V sobre K ao número de elementos de qualquer base do espaço vectorial V sobre o corpo K; esse número designa-se por dim K V.

2 8 a : aula (1h) 12/10/2010 a ideia de coordenatização (2/2) 8-2 Apêndice: a importância de ser corpo Em tudo o que segue K designará sempre um corpo. Vamos referir um teorema básico da Álgebra Linear, que nem por isso deixa de ser de demonstração nada óbvia: todo o espaço vectorial tem uma base. Numa primeira abordagem da Álgebra Linear a demonstração deste teorema pode e deve ser omitida mas numa segunda abordagem torna clara a indispensabilidade dos fundamentos da matemática. Vamos agora referir um axioma de capital importância da teoria dos conjuntos: o axioma da escolha; em qualquer formulação axiomática da teoria dos conjuntos terá de gurar algum ou mais axiomas que impliquem aquele. Axioma da escolha Seja (A i) i2i uma família de conjuntos não vazios; então existe uma função f : I! S i2i Ai tal que para cada i 2 I se tem f(i) 2 Ai. Mostra-se em teoria dos conjuntos que este axioma é equivalente a um teorema, conhecido por lema de Zorn ou ainda por princípio de Hausdor, mas para enunciar este resultado precisamos de introduzir alguns conceitos relativos a conjuntos ordenados: Um conjunto P munido de uma relação de ordem diz-se um conjunto ordenado (ou parcialmente ordenado). Recordamos que uma relação de ordem veri ca as propriedades seguintes: 1. x x para todo x 2 P (propriedade re exiva) 2. x y e y x implica x = y para quaisquer x; y em P (propriedade de antisimetria) 3. x y e y z implica x z para quaisquer x; y; z em P (propriedade transitiva) P diz-se totalmente ordenado se dados dois elementos x; y de P se tem x y ou y x. Uma parte S P diz-se uma cadeia se for um conjunto totalmente ordenado (considerando S com a relação de ordem de P restrita a S). Dada uma parte S P um elemento x 2 P diz-se um majorante de S se para todo s 2 S se tem s x; um elemento s 2 S diz-se maximal se para todo s 0 2 S a relação s s 0 implica s 0 = s. P diz-se indutivo se toda a cadeia de P tem um majorante. Podemos agora enunciar o: Princípio de Hausdor Todo o conjunto ordenado P que seja indutivo tem um elemento maximal. Baseados neste princípio poderemos demonstrar que todo o espaço vectorial tem uma base. Convém porém precisar algumas de nições relativas a um espaço vectorial V sobre um corpo comutativo K:

3 8 a : aula (1h) 12/10/2010 a ideia de coordenatização (2/2) Uma combinação linear dos elementos v 1; : : : ; v n de V é um elemento da forma 1v 1 + : : : + nv n em que os elementos 1; : : : ; n estão em K (estes elementos dizem-se os coe cientes dessa combinação linear). 2. Uma parte B V diz-se livre ou formada por vectores linearmente independentes se qualquer combinação linear nula (de um número nito de elementos de V, portanto) tem os seus coe cientes necessariamente nulos. 3. Uma parte B V diz-se geradora de V se todo v 2 V for combinação linear ( nita!) de vectores de B, escrevendo-se então hhbii = V. 4. Uma parte B V diz-se uma base de V se for livre e geradora de V. Teorema da base (Hamel) Todo o espaço vectorial tem uma base. Lema. Seja V um espaço vectorial sobre um corpo comutativo K e B uma parte de V ; então B é uma base de V se e só se for livre e maximal relativamente à relação de ordem dada pela inclusão, ; no conjunto das partes livres de V. Dem. 1 o ) Suponhamos que B é livre e maximal; então, dado v 2 V tal que v =2 B o conjunto B [ fvg não pode ser livre senão B não seria maximal no conjunto das partes livres de V pelo que existirá uma combinação linear com coe cientes não todos nulos v + 1v 1 + : : : + nv n = 0 onde v 1; : : : ; v n estão em V. Porém como B é livre tem de ser 6= 0 e como K é um corpo, existe o inverso de e podemos escrever v = ( 1 1v 1 + : : : + 1 nv n) pelo que v pertence ao subespaço gerado por B, cando claro que V é gerado pela parte B V. Por outro lado B é livre pelo que é uma base de V. 2 o ) Suponhamos agora que B é uma base de V ; então B é livre e temos de mostrar que dada uma parte C de V que seja livre e tal que B C se tem B = C; suponhamos que existia v 2 C tal que v =2 B. Como B gera V resulta que para qualquer v 2 V se tem que B [ fvg não é livre e C B [ fvg tão pouco pode sê-lo, contrariamente à hipótese. Logo B é maximal no conjunto das partes livres de V. Passemos à demonstração do teorema da base, demonstrado por Hamel, em 1902, para o caso particular em que V = R e K = Q. Dem. Seja V um espaço vectorial sobre um corpo comutativo K e seja L o conjunto das partes livres de V munido da relação de ordem ; basta portanto mostrar que L tem um elemento maximal. Para isso vamos ver que estamos nas condições previstas pelo princípio de Hausdor pelo que poderemos aplicá-lo. Mostremos então que o

4 8 a : aula (1h) 12/10/2010 a ideia de coordenatização (2/2) 8-4 conjunto ordenado L é indutivo. Realmente dada uma cadeia C L formemos a reunião R de todos os conjuntos que pertencem a C; é claro que R é um majorante de C no conjunto ordenado, P(V ), das partes de V mas há que ver que também o é no conjunto ordenado, L, das partes livres de V. Basta portanto mostrar que R é livre. É o que faremos agora. Consideremos uma parte nita fv 1; : : : ; v ng de R e suponhamos que se tem 1v 1 + : : : + nv n = 0 com certos 1; : : : ; n em K. Como fv 1; : : : ; v ng R e R é reunião de partes livres de L, existirão partes livres B 1; : : : ; B n pertencentes à cadeia C veri cando v 1 2 B 1; : : : ; v n 2 B n; mas como C é uma cadeia fb 1; : : : ; B ng C também o é, pelo que existirá uma parte livre B i0 tal que B 1 B i0 ; : : : ; B n B i0 e daí os elementos v 1; : : : ; v n pertencerem todos a B i0 ; ora B i0 é livre pelo que a combinação linear acima escrita só é possível se se tiver 1 = 0; : : : ; n = 0 e conclui-se assim que R é livre. O teorema ca então demonstrado. Enunciaremos e demonstraremos a seguir outro teorema fundamental, devido a Steinitz (1910). Teorema da dimensão nita (Steinitz) Num espaço vectorial com uma base nita, qualquer outra base é nita e tem o mesmo número de elementos. A demonstração baseia-se no seguinte lema que demonstraremos mais adiante: Lema. Seja V um espaço vectorial sobre um corpo comutativo K e B uma base com n elementos; então para que m elementos possam ser linearmente independentes tem de ter-se: m n. Dem. do teorema. Seja B = fv 1; : : : ; v ng uma base do espaço vectorial V ; e seja B 0 uma outra base. Se fosse card(b 0 ) > n = card(b) poderíamos escolher n + 1 vectores v1; 0 : : : ; vn+1 0 em B 0 mas em virtude do lema o seu conjunto não pode ser um conjunto de vectores linearmente independentes e portanto só pode ter-se card(b 0 ) n = card(b) pelo que em particular a base B 0 terá de ser nita. Note-se porém que o mesmo argumento permitiria concluir que card(b) card(b 0 ). Logo card(b) = card(b 0 ).

5 8 a : aula (1h) 12/10/2010 a ideia de coordenatização (2/2) 8-5 Dem do lema. Vamos proceder usando o método de indução sobre o número de elementos de uma dada base de V. Se n = 0, tem-se V = f0g e tomando m > n = 0 elementos u 1; : : : ; u m em V eles seriam necessariamente todos nulos e teríamos por exemplo 1u 1 + 0u 2 + : : : + 0u m = 0, ou seja o conjunto fu 1; : : : ; u mg não seria livre. Suponhamos o enunciado do teorema estabelecido para o caso em que V tem uma base com n 1 elementos e tratemos de mostrar que então o o enunciado também será válido no caso em que V tem uma base fv 1; : : : ; v ng com n elementos. Seja então V 0 o espaço gerado por v 1; : : : ; v n 1 ou seja V 0 = hhv 1; : : : ; v n 1ii sendo portanto fv 1; : : : ; v n 1g uma base de V 0 com n 1 elementos e tomem-se m > n vectores u 1; : : : ; u m em V ; como v 1; : : : ; v n geram V teremos u 1 = 1 1v 1 + : : : + n 1 1 v n 1 + 1v n = w 1 + 1v n u m = 1 mv 1 + : : : + n 1 m v n 1 + mv n = w m + mv n onde os vectores w 1; : : : ; w m estão todos em V 0. Se os escalares 1; : : : ; m fossem todos nulos teríamos que os elementos u 1; : : : ; u m estariam todos em V 0 e como m > n > n 1 poderíamos concluir pela hipótese de indução que esses elementos seriam linearmente dependentes. Resta pois analisar o caso em que algum dos escalares 1; : : : ; m não fosse nulo; podemos supor sem perda de generalidade que por exemplo m 6= 0. Como K é um corpo o elemento m é invertível e podemos escrever v n = 1 m (u m w m) e após substituição nas m 1 relações anteriores obtém-se e daí: u 1 = w 1 + 1m 1 (u m w m) u m 1 = w m 1 + m 1m 1 (u m w m) u 1 1m 1 u m = w 1 1m 1 w m u m 1 m 1m 1 u m = w m 1 m 1m 1 w m Vemos assim que os m 1 vectores do lado esquerdo estão todos em V 0 pois assim sucede com os vectores w 1; : : : ; w m. Ora V 0 tem uma base com n 1 elementos e pela hipótese de indução como m > n > n 1 podemos concluir que esses m vectores são linearmente dependentes, ou seja que há-de haver uma relação do tipo 1 (u m u m) + : : : + m 1 (u m 1 m 1 1 m u m) = 0 com escalares 1 ; : : : ; m 1 não todos nulos; ora esta relação equivale a 1 u 1 + : : : + m 1 u m 1 ( m + : : : + m 1 m 1 1 m )u m = 0 ou seja que, pondo m = ( 1 1m 1 + : : : + m 1 m 1m 1 ) obtivemos uma combinação linear nula 1 u 1 + : : : + m 1 u m 1 + m u m = 0

6 8 a : aula (1h) 12/10/2010 a ideia de coordenatização (2/2) 8-6 cujos coe cientes não são todos nulos; quer dizer: os vectores u 1; : : : ; u m são linearmente dependentes, como se pretendia demonstrar. O teorema anterior permite associar a qualquer espaço vectorial V sobre um corpo comutativo K e com uma base nita, um número natural chamado a sua dimensão e designado por dim K V ; o espaço vectorial V diz-se então de dimensão nita; nesse caso, dim K V 2 N = f0; 1; 2; : : :g.

Expansão linear e geradores

Expansão linear e geradores Espaços Vectoriais - ALGA - 004/05 4 Expansão linear e geradores Se u ; u ; :::; u n são vectores de um espaço vectorial V; como foi visto atrás, alguns vectores de V são combinação linear de u ; u ; :::;

Leia mais

Disciplina: Introdução à Álgebra Linear

Disciplina: Introdução à Álgebra Linear Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte Campus: Mossoró Curso: Licenciatura Plena em Matemática Disciplina: Introdução à Álgebra Linear Prof.: Robson Pereira de Sousa

Leia mais

Recordamos que Q M n n (R) diz-se ortogonal se Q T Q = I.

Recordamos que Q M n n (R) diz-se ortogonal se Q T Q = I. Diagonalização ortogonal de matrizes simétricas Detalhes sobre a Secção.3 dos Apontamentos das Aulas teóricas de Álgebra Linear Cursos: LMAC, MEBiom e MEFT (semestre, 0/0, Prof. Paulo Pinto) Recordamos

Leia mais

Códigos Lineares CAPÍTULO 4

Códigos Lineares CAPÍTULO 4 CAPÍTULO 4 Códigos Lineares 1. Definição, pârametros e peso mínimo Seja F q o corpo de ordem q. Portanto, pelo Teorema 3.24, q = p m para algum primo p e inteiro positivo m. Definição 4.1. Um código linear

Leia mais

1 Base de um Espaço Vetorial

1 Base de um Espaço Vetorial Disciplina: Anéis e Corpos Professor: Fernando Torres Membros do grupo: Blas Melendez Caraballo (ra143857), Leonardo Soriani Alves (ra115465), Osmar Rogério Reis Severiano (ra134333) Ramon Códamo Braga

Leia mais

ficha 3 espaços lineares

ficha 3 espaços lineares Exercícios de Álgebra Linear ficha 3 espaços lineares Exercícios coligidos por Jorge Almeida e Lina Oliveira Departamento de Matemática, Instituto Superior Técnico 2 o semestre 2011/12 3 Notação Sendo

Leia mais

Espaços vectoriais com produto interno. ALGA 2007/2008 Mest. Int. Eng. Biomédica Espaços vectoriais com produto interno 1 / 15

Espaços vectoriais com produto interno. ALGA 2007/2008 Mest. Int. Eng. Biomédica Espaços vectoriais com produto interno 1 / 15 Capítulo 6 Espaços vectoriais com produto interno ALGA 2007/2008 Mest. Int. Eng. Biomédica Espaços vectoriais com produto interno 1 / 15 Definição e propriedades Seja V um espaço vectorial real. Chama-se

Leia mais

Aula 5 - Matemática (Gestão e Marketing)

Aula 5 - Matemática (Gestão e Marketing) ISCTE, Escola de Gestão Aula 5 - Matemática (Gestão e Marketing) Diana Aldea Mendes 29 de Outubro de 2008 Espaços Vectoriais Definição (vector): Chama-se vector edesigna-sepor v um objecto matemático caracterizado

Leia mais

Breve referência à Teoria de Anéis. Álgebra (Curso de CC) Ano lectivo 2005/2006 191 / 204

Breve referência à Teoria de Anéis. Álgebra (Curso de CC) Ano lectivo 2005/2006 191 / 204 Breve referência à Teoria de Anéis Álgebra (Curso de CC) Ano lectivo 2005/2006 191 / 204 Anéis Há muitos conjuntos, como é o caso dos inteiros, dos inteiros módulo n ou dos números reais, que consideramos

Leia mais

Notas sobre a Fórmula de Taylor e o estudo de extremos

Notas sobre a Fórmula de Taylor e o estudo de extremos Notas sobre a Fórmula de Taylor e o estudo de etremos O Teorema de Taylor estabelece que sob certas condições) uma função pode ser aproimada na proimidade de algum ponto dado) por um polinómio, de modo

Leia mais

5 Transformações Lineares e Matrizes

5 Transformações Lineares e Matrizes Nova School of Business and Economics Prática Álgebra Linear 5 Transformações Lineares e Matrizes 1 Definição Função de em Aplicação que faz corresponder a cada elemento de um conjunto (domínio), denominado

Leia mais

LIMITES e CONTINUIDADE de FUNÇÕES. : R R + o x x

LIMITES e CONTINUIDADE de FUNÇÕES. : R R + o x x LIMITES e CONTINUIDADE de FUNÇÕES Noções prévias 1. Valor absoluto de um número real: Chama-se valor absoluto ou módulo de um número real ao número x tal que: x se x 0 x = x se x < 0 Está assim denida

Leia mais

Universidade Federal de Viçosa Centro de Ciências Exatas Departamento de Matemática 3 a Lista - MAT 137 - Introdução à Álgebra Linear 2013/I

Universidade Federal de Viçosa Centro de Ciências Exatas Departamento de Matemática 3 a Lista - MAT 137 - Introdução à Álgebra Linear 2013/I 1 Universidade Federal de Viçosa Centro de Ciências Exatas Departamento de Matemática 3 a Lista - MAT 137 - Introdução à Álgebra Linear 013/I 1 Sejam u = ( 4 3) v = ( 5) e w = (a b) Encontre a e b tais

Leia mais

Álgebra Linear. Mauri C. Nascimento Departamento de Matemática UNESP/Bauru. 19 de fevereiro de 2013

Álgebra Linear. Mauri C. Nascimento Departamento de Matemática UNESP/Bauru. 19 de fevereiro de 2013 Álgebra Linear Mauri C. Nascimento Departamento de Matemática UNESP/Bauru 19 de fevereiro de 2013 Sumário 1 Matrizes e Determinantes 3 1.1 Matrizes............................................ 3 1.2 Determinante

Leia mais

Lista de Exercícios 4: Soluções Sequências e Indução Matemática

Lista de Exercícios 4: Soluções Sequências e Indução Matemática UFMG/ICEx/DCC DCC Matemática Discreta Lista de Exercícios : Soluções Sequências e Indução Matemática Ciências Exatas & Engenharias o Semestre de 05 O conjunto dos números racionais Q é enumerável, ou seja,

Leia mais

Bases Matemáticas. Aula 2 Métodos de Demonstração. Rodrigo Hausen. v. 2013-7-31 1/15

Bases Matemáticas. Aula 2 Métodos de Demonstração. Rodrigo Hausen. v. 2013-7-31 1/15 Bases Matemáticas Aula 2 Métodos de Demonstração Rodrigo Hausen v. 2013-7-31 1/15 Como o Conhecimento Matemático é Organizado Definições Definição: um enunciado que descreve o significado de um termo.

Leia mais

Valores e Vectores Próprios. Carlos Luz Departamento de Matemática Escola Superior de Tecnologia de Setúbal

Valores e Vectores Próprios. Carlos Luz Departamento de Matemática Escola Superior de Tecnologia de Setúbal Valores e Vectores Próprios Carlos Luz Departamento de Matemática Escola Superior de Tecnologia de Setúbal Ano Lectivo 24/25 Conteúdo Definição de Valor e Vector Próprios 2 2 Um Eemplo de Aplicação 8 3

Leia mais

CAPÍTULO 4. A Produção de Significados para a Noção de Base: Um Estudo de Caso

CAPÍTULO 4. A Produção de Significados para a Noção de Base: Um Estudo de Caso CAPÍTULO 4 A Produção de Significados para a Noção de Base: Um Estudo de Caso 77 4. Um Estudo Preliminar Na primeira fase de elaboração das atividades do estudo de caso, tentamos reunir alguns elementos

Leia mais

X.0 Sucessões de números reais 1

X.0 Sucessões de números reais 1 «Tal como a tecnologia requer as tøcnicas da matemætica aplicada, tambøm a matemætica aplicada requer as teorias do nœcleo central da matemætica pura. Da l gica matemætica topologia algøbrica, da teoria

Leia mais

Capítulo 5: Transformações Lineares

Capítulo 5: Transformações Lineares 5 Livro: Introdução à Álgebra Linear Autores: Abramo Hefez Cecília de Souza Fernandez Capítulo 5: Transformações Lineares Sumário 1 O que são as Transformações Lineares?...... 124 2 Núcleo e Imagem....................

Leia mais

11 a LISTA DE PROBLEMAS DE ÁLGEBRA LINEAR LEIC-Taguspark, LERCI, LEGI, LEE 1 o semestre 2003/04 - semana de 2003-12-08

11 a LISTA DE PROBLEMAS DE ÁLGEBRA LINEAR LEIC-Taguspark, LERCI, LEGI, LEE 1 o semestre 2003/04 - semana de 2003-12-08 INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO - DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA a LISTA DE PROBLEMAS DE ÁLGEBRA LINEAR LEIC-Taguspark LERCI LEGI LEE o semestre 23/4 - semana de 23-2-8. Diga justificando quais dos seguintes ternos

Leia mais

ÁLGEBRA LINEAR ISBN 978-85-915683-0-7

ÁLGEBRA LINEAR ISBN 978-85-915683-0-7 . ÁLGEBRA LINEAR ISBN 978-85-915683-0-7 ROBERTO DE MARIA NUNES MENDES Professor do Departamento de Matemática e Estatística e do Programa de Pós-graduação em Engenharia Elétrica da PUCMINAS Belo Horizonte

Leia mais

Corpos. Um domínio de integridade finito é um corpo. Demonstração. Seja D um domínio de integridade com elemento identidade

Corpos. Um domínio de integridade finito é um corpo. Demonstração. Seja D um domínio de integridade com elemento identidade Corpos Definição Um corpo é um anel comutativo com elemento identidade em que todo o elemento não nulo é invertível. Muitas vezes é conveniente pensar em ab 1 como sendo a b, quando a e b são elementos

Leia mais

Exercícios Teóricos Resolvidos

Exercícios Teóricos Resolvidos Universidade Federal de Minas Gerais Instituto de Ciências Exatas Departamento de Matemática Exercícios Teóricos Resolvidos O propósito deste texto é tentar mostrar aos alunos várias maneiras de raciocinar

Leia mais

TEOREMA DE ZORN DAS AULAS DE ANÁLISE SUPERIOR DO PROF. A. WEIL EDISON FARAH

TEOREMA DE ZORN DAS AULAS DE ANÁLISE SUPERIOR DO PROF. A. WEIL EDISON FARAH TEOREMA DE ZORN DAS AULAS DE ANÁLISE SUPERIOR DO PROF. A. WEIL EDISON FARAH 1. Um importante teorema de caráter existencial, que intervem na teoria dos conjuntos, é o chamado Teorema de Zorn, devido a

Leia mais

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ PIBID-PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSAS DE INICIAÇÃO A DOCÊNCIA PROVAS E DEMONSTRAÇÕES EM MATEMÁTICA

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ PIBID-PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSAS DE INICIAÇÃO A DOCÊNCIA PROVAS E DEMONSTRAÇÕES EM MATEMÁTICA 1 DOCÊNCIA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ PIBID-PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSAS DE INICIAÇÃO A PROVAS E DEMONSTRAÇÕES EM MATEMÁTICA Fabio da Costa Rosa Fernanda Machado Greicy Kelly Rockenbach da Silva

Leia mais

Introdução ao estudo de equações diferenciais

Introdução ao estudo de equações diferenciais Matemática (AP) - 2008/09 - Introdução ao estudo de equações diferenciais 77 Introdução ao estudo de equações diferenciais Introdução e de nição de equação diferencial Existe uma grande variedade de situações

Leia mais

O AXIOMA DA ESCOLHA, O LEMA DE ZORN E O TEOREMA DE ZERMELO

O AXIOMA DA ESCOLHA, O LEMA DE ZORN E O TEOREMA DE ZERMELO O AXIOMA DA ESCOLHA, O LEMA DE ZORN E O TEOREMA DE ZERMELO Resumo. Após uma breve discussão sobre as origens do Axioma da Escolha, discutiremos nessas notas a equivalência das três asserções do título

Leia mais

1. O conjunto dos polinômios de grau m, com 2 m 5, acrescido do polinômio nulo, é um subespaço do espaço P 5.

1. O conjunto dos polinômios de grau m, com 2 m 5, acrescido do polinômio nulo, é um subespaço do espaço P 5. UFPB/PRAI/CCT/DME - CAMPUS II DISCIPLINA: Álgebra Linear ALUNO (A): 2 a LISTA DE EXERCÍCIOS 1 a PARTE: QUESTÕES TIPO VERDADEIRO OU FALSO COM JUSTI- FICATIVA. 1. O conjunto dos polinômios de grau m com

Leia mais

Capítulo 3. Cálculo Vetorial. 3.1 Segmentos Orientados

Capítulo 3. Cálculo Vetorial. 3.1 Segmentos Orientados Capítulo 3 Cálculo Vetorial O objetivo deste capítulo é o estudo de vetores de um ponto de vista geométrico e analítico. De acordo com a necessidade, a abordagem do assunto será formal ou informal. O estudo

Leia mais

Prof. Márcio Nascimento. 22 de julho de 2015

Prof. Márcio Nascimento. 22 de julho de 2015 Núcleo e Imagem Prof. Márcio Nascimento marcio@matematicauva.org Universidade Estadual Vale do Acaraú Centro de Ciências Exatas e Tecnologia Curso de Licenciatura em Matemática Disciplina: Álgebra Linear

Leia mais

ESPAÇOS QUOCIENTES DANIEL SMANIA. [x] := {y X t.q. x y}.

ESPAÇOS QUOCIENTES DANIEL SMANIA. [x] := {y X t.q. x y}. ESPAÇOS QUOCIENTES DANIEL SMANIA 1. Relações de equivalência Seja uma relação de equivalência sobre um conjunto X, isto é, uma rel ção binária que satisfaz as seguintes propriedades i. (Prop. Reflexiva.)

Leia mais

Aulas Teóricas e de Problemas de Álgebra Linear

Aulas Teóricas e de Problemas de Álgebra Linear Aulas Teóricas e de Problemas de Álgebra Linear Nuno Martins Departamento de Matemática Instituto Superior Técnico Maio de Índice Parte I (Aulas teóricas e chas de exercícios) Matrizes e sistemas de equações

Leia mais

Códigos Reed-Solomon CAPÍTULO 9

Códigos Reed-Solomon CAPÍTULO 9 CAPÍTULO 9 Códigos Reed-Solomon Um dos problemas na Teoria de Códigos é determinar a distância mínima de um dado código. Tratando-se de códigos cíclicos, por vezes conseguimos controlar a distância mínima

Leia mais

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ CURSO DE ENGENHARIA CIVIL DISCIPLINA DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL I

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ CURSO DE ENGENHARIA CIVIL DISCIPLINA DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL I 1) Considerações gerais sobre os conjuntos numéricos. Ao iniciar o estudo de qualquer tipo de matemática não podemos provar tudo. Cada vez que introduzimos um novo conceito precisamos defini-lo em termos

Leia mais

Notas de Aula. Álgebra Linear I

Notas de Aula. Álgebra Linear I Notas de Aula Álgebra Linear I Rodney Josué Biezuner 1 Departamento de Matemática Instituto de Ciências Exatas (ICEx) Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Notas de aula da disciplina Álgebra Linear

Leia mais

QUESTÕES COMENTADAS E RESOLVIDAS

QUESTÕES COMENTADAS E RESOLVIDAS LENIMAR NUNES DE ANDRADE INTRODUÇÃO À ÁLGEBRA: QUESTÕES COMENTADAS E RESOLVIDAS 1 a edição ISBN 978-85-917238-0-5 João Pessoa Edição do Autor 2014 Prefácio Este texto foi elaborado para a disciplina Introdução

Leia mais

2. O número de vectores da base de L construída na alínea anterior é a soma do número de vectores das bases de M e N.

2. O número de vectores da base de L construída na alínea anterior é a soma do número de vectores das bases de M e N. 2.4. PROJECÇÕES 2. dim(l)=dim(m)+dim(n) Demonstração. Se L=M N, qualquer vector x L se pode escrever de forma única como a soma de um vector x M M e outro vector x N N. 1. Dada uma base de M, x M pode

Leia mais

Lista 1 para a P2. Operações com subespaços

Lista 1 para a P2. Operações com subespaços Lista 1 para a P2 Observação 1: Estes exercícios são um complemento àqueles apresentados no livro. Eles foram elaborados com o objetivo de oferecer aos alunos exercícios de cunho mais teórico. Nós sugerimos

Leia mais

Sobre Domínios Euclidianos

Sobre Domínios Euclidianos Sobre Domínios Euclidianos Clarissa Bergo Bianca Fujita Lino Ramada João Schwarz Felipe Yukihide Setembro de 2011 Resumo Neste texto, apresentaremos formalmente o que vem a ser domínio euclidiano, alguns

Leia mais

Combinatória e Teoria de Códigos

Combinatória e Teoria de Códigos Notas de Combinatória e Teoria de Códigos (2011, revistas e aumentadas em 2013) Joana Ventura ÍNDICE CAPÍTULO 1. Introdução 1 1. Primeiros exemplos e definições 1 2. Canal de transmissão 3 3. Descodificação

Leia mais

SOCIEDADE BRASILEIRA DE MATEMÁTICA MESTRADO PROFISSIONAL EM REDE NACIONAL PROFMAT

SOCIEDADE BRASILEIRA DE MATEMÁTICA MESTRADO PROFISSIONAL EM REDE NACIONAL PROFMAT SOCIEDADE BRASILEIRA DE MATEMÁTICA MESTRADO PROFISSIONAL EM REDE NACIONAL PROFMAT GABARITO da 3 a Avaliação Nacional de Aritmética - MA14-21/12/2013 Questão 1. (pontuação: 2) (1,0) a) Enuncie e demonstre

Leia mais

Um Exemplo de Topologia Não Metrizável

Um Exemplo de Topologia Não Metrizável Universidade Federal de São Carlos Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia Departamento de Matemática Um Exemplo de Topologia Não Metrizável Autor: Tamyris Marconi Orientadora: Profa. Dra. Cláudia Buttarello

Leia mais

Teorema de Green no Plano

Teorema de Green no Plano Instituto Superior Técnico Departamento de Matemática Secção de Álgebra e Análise Prof. Gabriel Pires Teorema de Green no Plano O teorema de Green permite relacionar o integral de linha ao longo de uma

Leia mais

6 SINGULARIDADES E RESÍDUOS

6 SINGULARIDADES E RESÍDUOS 6 SINGULARIDADES E RESÍDUOS Quando uma função f (z) não é diferenciável num complexo z 0 ; diremos que z 0 é uma singularidade de f (z) ; z 0 dir-se-á uma singularidade isolada de f (z) se, contudo, f

Leia mais

Def. 1: Seja a quádrupla (V, K, +, ) onde V é um conjunto, K = IR ou K = IC,

Def. 1: Seja a quádrupla (V, K, +, ) onde V é um conjunto, K = IR ou K = IC, ESPAÇO VETORIAL Def. 1: Seja a quádrupla (V, K, +, ) onde V é um conjunto, K = IR ou K = IC, + é a operação (função) soma + : V V V, que a cada par (u, v) V V, associa um único elemento de V, denotado

Leia mais

4.1 Em cada caso use a definição para calcular f 0 (x). (a) f (x) =x 3,x R (b) f (x) =1/x, x 6= 0 (c) f (x) =1/ x, x > 0.

4.1 Em cada caso use a definição para calcular f 0 (x). (a) f (x) =x 3,x R (b) f (x) =1/x, x 6= 0 (c) f (x) =1/ x, x > 0. 4. Em cada caso use a definição para calcular f 0 (). (a) f () = 3, R (b) f () =/, 6= 0 (c) f () =/, > 0. 4.2 Mostre que a função f () = /3, R, não é diferenciável em =0. 4.3 Considere a função f : R R

Leia mais

INSTRUMENTAÇÃO E CONTROLE DE PROCESSOS TRANSFORMADAS DE LAPLACE

INSTRUMENTAÇÃO E CONTROLE DE PROCESSOS TRANSFORMADAS DE LAPLACE INSTRUMENTAÇÃO E CONTROLE DE PROCESSOS TRANSFORMADAS DE LAPLACE Preliminares No estudo de sistemas de controle, e comum usar-se diagramas de blocos, como o da figura 1. Diagramas de blocos podem ser utilizados

Leia mais

Álgebra Linear e Geometria Analítica

Álgebra Linear e Geometria Analítica Álgebra Linear e Geometria Analítica Departamento de Matemática para a Ciência e Tecnologia Universidade do Minho 2005/2006 Engenharia e Gestão Industrial Engenharia Electrónica Industrial e de Computadores

Leia mais

Estruturas Discretas INF 1631

Estruturas Discretas INF 1631 Estruturas Discretas INF 1631 Thibaut Vidal Departamento de Informática, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro Rua Marquês de São Vicente, 225 - Gávea, Rio de Janeiro - RJ, 22451-900, Brazil

Leia mais

Marília Brasil Xavier REITORA. Prof. Rubens Vilhena Fonseca COORDENADOR GERAL DOS CURSOS DE MATEMÁTICA

Marília Brasil Xavier REITORA. Prof. Rubens Vilhena Fonseca COORDENADOR GERAL DOS CURSOS DE MATEMÁTICA Marília Brasil Xavier REITORA Prof. Rubens Vilhena Fonseca COORDENADOR GERAL DOS CURSOS DE MATEMÁTICA MATERIAL DIDÁTICO EDITORAÇÃO ELETRONICA Odivaldo Teixeira Lopes ARTE FINAL DA CAPA Odivaldo Teixeira

Leia mais

II. DEFINIÇÕES INICIAIS 1

II. DEFINIÇÕES INICIAIS 1 -1- ELPO: Definições Iniciais [MSL] II. DEFINIÇÕES INICIAIS 1 No que se segue, U é um conjunto qualquer e X, Y,... são os subconjuntos de U. Ex.: U é um quadrado e X, Y e Z são três círculos congruentes

Leia mais

Monografia sobre R ser um Domínio de Fatoração Única implicar que R[x] é um Domínio de Fatoração Única.

Monografia sobre R ser um Domínio de Fatoração Única implicar que R[x] é um Domínio de Fatoração Única. Universidade Estadual de Campinas Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica Departamento de Matemática Monografia sobre R ser um Domínio de Fatoração Única implicar que R[x] é um Domínio

Leia mais

MD Teoria dos Conjuntos 1

MD Teoria dos Conjuntos 1 Teoria dos Conjuntos Renato Martins Assunção assuncao@dcc.ufmg.br Antonio Alfredo Ferreira Loureiro loureiro@dcc.ufmg.br MD Teoria dos Conjuntos 1 Introdução O que os seguintes objetos têm em comum? um

Leia mais

8 O Método de Alocação de Shapley

8 O Método de Alocação de Shapley 8 O Método de Alocação de Shapley Este capítulo é dividido em duas partes. A primeira apresenta o método de benefícios incrementais à medida que os agentes vão entrando na coalizão, ou seja, atribui a

Leia mais

CAPÍTULO 6 TRANSFORMAÇÃO LINEAR

CAPÍTULO 6 TRANSFORMAÇÃO LINEAR INODUÇÃO AO ESUDO DA ÁLGEBA LINEA CAPÍULO 6 ANSFOMAÇÃO LINEA Introdução Muitos problemas de Matemática Aplicada envolvem o estudo de transformações, ou seja, a maneira como certos dados de entrada são

Leia mais

O Princípio da Indução diz o seguinte:

O Princípio da Indução diz o seguinte: (*) +-,/. 01+$243/5246/798 : ;"=@?9A@BDC@E@? "!$#%& ' O Princípio da Indução é um eficiente instrumento para a demonstração de fatos referentes aos números naturais. Por isso deve-se adquirir prática

Leia mais

Notas de Aula. Álgebra Linear

Notas de Aula. Álgebra Linear Notas de Aula Álgebra Linear Rodney Josué Biezuner 1 Departamento de Matemática Instituto de Ciências Exatas (ICEx) Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Notas de aula da disciplina Álgebra Linear

Leia mais

Bem, produto interno serve para determinar ângulos e distâncias entre vetores e é representado por produto interno de v com w).

Bem, produto interno serve para determinar ângulos e distâncias entre vetores e é representado por produto interno de v com w). Produto Interno INTRODUÇÃO Galera, vamos aprender agora as definições e as aplicações de Produto Interno. Essa matéria não é difícil, mas para ter segurança nela é necessário que o aluno tenha certa bagagem

Leia mais

Princípio das casas de pombo

Princípio das casas de pombo Princípio das casas de pombo Márcia R. Cerioli IM e COPPE, UFRJ Renata de Freitas IME, UFF Petrucio Viana IME, UFF Maio de 2014 1 Introdução Neste texto, apresentamos e exemplificamos o Princípio das Casas

Leia mais

O Método Simplex para

O Método Simplex para O Método Simplex para Programação Linear Formas de Programas Lineares O problema de Programação Matemática consiste na determinação do valor de n variáveis x 1, x 2,, x n que tornam mínimo ou máximo o

Leia mais

Espaços Quociente e sua Topologia

Espaços Quociente e sua Topologia Universidade Federal da Rondônia Núcleo de Ciências Exatas e da Terra Departamento de Matemática Curso de Matemática Espaços Quociente e sua Topologia Quéssia de Oliveira Gimenes 2014 Universidade Federal

Leia mais

O Teorema da Função Inversa e da Função Implícita

O Teorema da Função Inversa e da Função Implícita Universidade Estadual de Maringá - Departamento de Matemática Cálculo Diferencial e Integral: um KIT de Sobrevivência c Publicação eletrônica do KIT http://www.dma.uem.br/kit O Teorema da Função Inversa

Leia mais

Alunos dorminhocos. 5 de Janeiro de 2015

Alunos dorminhocos. 5 de Janeiro de 2015 Alunos dorminhocos 5 de Janeiro de 2015 Resumo Objetivos principais da aula de hoje: entender a necessidade de se explorar um problema para chegar a uma solução; criar o hábito (ou pelo menos entender

Leia mais

Guia de Estudo de Análise Real

Guia de Estudo de Análise Real Guia de Estudo de Análise Real Marco Cabral Baseado na V2.4 Dezembro de 2011 Introdução O objetivo deste texto é orientar o estudo da aluna(o) em análise real. Ele é baseado no livro Curso de Análise Real

Leia mais

Álgebra Linear. André Arbex Hallack Frederico Sercio Feitosa

Álgebra Linear. André Arbex Hallack Frederico Sercio Feitosa Álgebra Linear André Arbex Hallack Frederico Sercio Feitosa Janeiro/2006 Índice 1 Sistemas Lineares 1 11 Corpos 1 12 Sistemas de Equações Lineares 3 13 Sistemas equivalentes 4 14 Operações elementares

Leia mais

Teorema (Algoritmo da Divisão)

Teorema (Algoritmo da Divisão) Teorema (Algoritmo da Divisão) Sejam a e b números inteiros, com b > 0. Então existem números inteiros q e r, únicos e tais que a = bq + r, com 0 r < b. Demonstração. Existência: Consideremos S = {a bk

Leia mais

Aplicações do Axioma da Escolha

Aplicações do Axioma da Escolha Aplicações do Axioma da Escolha João Paulos 17 de Fevereiro de 2013 Resumo São expostas algumas aplicações elementares do Axioma da Escolha, em tópicos desde a Topologia à Álgebra. Descreve-se ainda a

Leia mais

UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA FACULDADE DE ENGENHARIA CAMPUS DE ILHA SOLTEIRA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA. Eletricidade

UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA FACULDADE DE ENGENHARIA CAMPUS DE ILHA SOLTEIRA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA. Eletricidade UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA FACULDADE DE ENGENHARIA CAMPUS DE ILHA SOLTEIRA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA Eletricidade Análise de Circuitos alimentados por fontes constantes Prof. Ilha Solteira,

Leia mais

4 Sistemas de Equações Lineares

4 Sistemas de Equações Lineares Nova School of Business and Economics Apontamentos Álgebra Linear 4 Sistemas de Equações Lineares 1 Definição Rank ou característica de uma matriz ( ) Número máximo de linhas de que formam um conjunto

Leia mais

Matrizes e Determinantes

Matrizes e Determinantes Capítulo 1 Matrizes e Determinantes 11 Generalidades Iremos usar K para designar IR conjunto dos números reais C conjunto dos números complexos Deste modo, chamaremos números ou escalares aos elementos

Leia mais

Princípio da Indução Matemática: P(1) verdadeira ( k)[p(k) verdadeira P(k+1) verdadeira] ENTÃO P(n) verdadeira para todos os n inteiros positivos

Princípio da Indução Matemática: P(1) verdadeira ( k)[p(k) verdadeira P(k+1) verdadeira] ENTÃO P(n) verdadeira para todos os n inteiros positivos Indução Matemática Princípio da Indução Matemática: P(1) verdadeira ( k)[p(k) verdadeira P(k+1) verdadeira] ENTÃO P(n) verdadeira para todos os n inteiros positivos O Princípio da Indução Matemática é

Leia mais

Capítulo 2: Transformação de Matrizes e Resolução de Sistemas

Capítulo 2: Transformação de Matrizes e Resolução de Sistemas 2 Livro: Introdução à Álgebra Linear Autores: Abramo Hefez Cecília de Souza Fernandez Capítulo 2: Transformação de Matrizes e Resolução de Sistemas Sumário 1 Transformação de Matrizes.............. 3 1.1

Leia mais

Fundamentos de Matemática Elementar (MAT133)

Fundamentos de Matemática Elementar (MAT133) Fundamentos de Matemática Elementar (MAT133) Notas de aulas Maria Julieta Ventura Carvalho de Araújo (Colaboração: André Arbex Hallack) Março/2010 i Índice 1 Conjuntos 1 1.1 A noção de conjunto e alguns

Leia mais

TRANSFORMAÇÕES LINEARES. Álgebra Linear e Geometria Analítica Prof. Aline Paliga

TRANSFORMAÇÕES LINEARES. Álgebra Linear e Geometria Analítica Prof. Aline Paliga TRANSFORMAÇÕES LINEARES Álgebra Linear e Geometria Analítica Prof. Aline Paliga INTRODUÇÃO Estudaremos um tipo especial de função, onde o domínio e o contradomínio são espaços vetoriais reais. Assim, tanto

Leia mais

Sistemas Lineares e Escalonamento

Sistemas Lineares e Escalonamento Capítulo 1 Sistemas Lineares e Escalonamento Antes de iniciarmos nos assuntos geométricos da Geometria Analítica, vamos recordar algumas técnicas sobre escalonamento de matrizes com aplicações na solução

Leia mais

Universidade Estadual de Santa Cruz. Departamento de Ciências Exatas e Tecnológicas. Especialização em Matemática. Disciplina: Estruturas Algébricas

Universidade Estadual de Santa Cruz. Departamento de Ciências Exatas e Tecnológicas. Especialização em Matemática. Disciplina: Estruturas Algébricas 1 Universidade Estadual de Santa Cruz Departamento de Ciências Exatas e Tecnológicas Especialização em Matemática Disciplina: Estruturas Algébricas Profs.: Elisangela S. Farias e Sérgio Motta Operações

Leia mais

Matemática. Disciplina: CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE MINAS GERAIS. Varginha Minas Gerais

Matemática. Disciplina: CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE MINAS GERAIS. Varginha Minas Gerais CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE MINAS GERAIS Curso Pró-Técnico Disciplina: Matemática Texto Experimental 1 a Edição Antonio José Bento Bottion e Paulo Henrique Cruz Pereira Varginha Minas Gerais

Leia mais

Limites e continuidade

Limites e continuidade Capítulo 3 Limites e continuidade 3.1 Limite no ponto Considere a função f() = 1 1, D f =[0, 1[ ]1, + ). Observe que esta função não é definida em =1. Contudo, fazendo suficientemente próimo de 1 (mas

Leia mais

Capítulo 2. Álgebra e imagens binárias. 2.1 Subconjuntos versus funções binárias

Capítulo 2. Álgebra e imagens binárias. 2.1 Subconjuntos versus funções binárias Capítulo 2 Álgebra e imagens binárias Em Análise de Imagens, os objetos mais simples que manipulamos são as imagens binárias. Estas imagens são representadas matematicamente por subconjuntos ou, de maneira

Leia mais

(a) Encontre o custo total de ações, usando multiplicação de matrizes.

(a) Encontre o custo total de ações, usando multiplicação de matrizes. NIVERSIDADE ESTADAL DE SANTA CRZ - ESC DEARTAMENTO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS - DCET ÁLGEBRA LINEAR ASSNTO: MATRIZES EXERCÍCIOS RESOLVIDOS. Suponha que um corretor da Bolsa de Valores faça um pedido

Leia mais

Algumas Equivalencias do Axioma da Escolha

Algumas Equivalencias do Axioma da Escolha Algumas Equivalencias do Axioma da Escolha Elen Deise Assis Barbosa Orientador: Prof. Ms. Luís Roque Rodrigues de Jesus Universidade do Estado da Bahia UNEB 27 de outubro de 2009 1 / 14 Índice Postulados

Leia mais

Matemática Discreta para Ciência da Computação

Matemática Discreta para Ciência da Computação Matemática Discreta para Ciência da Computação P. Blauth Menezes blauth@inf.ufrgs.br Departamento de Informática Teórica Instituto de Informática / UFRGS Matemática Discreta para Ciência da Computação

Leia mais

INTRODUÇÃO AOS MÉTODOS FACTORIAIS

INTRODUÇÃO AOS MÉTODOS FACTORIAIS Capítulo II INTRODUÇÃO AOS MÉTODOS FACTORIAIS A Análise Factorial de Correspondências é uma técnica simples do ponto de vista matemático e computacional. Porém, devido ao elevado suporte geométrico desta

Leia mais

x 1 f(x) f(a) f (a) = lim x a

x 1 f(x) f(a) f (a) = lim x a Capítulo 27 Regras de L Hôpital 27. Formas indeterminadas Suponha que desejamos traçar o gráfico da função F () = 2. Embora F não esteja definida em =, para traçar o seu gráfico precisamos conhecer o comportamento

Leia mais

Exercícios Adicionais

Exercícios Adicionais Exercícios Adicionais Observação: Estes exercícios são um complemento àqueles apresentados no livro. Eles foram elaborados com o objetivo de oferecer aos alunos exercícios de cunho mais teórico. Nós recomendamos

Leia mais

A noção de função é imprescindível no decorrer do estudo de Cálculo e para se estabelecer essa noção tornam-se necessários:

A noção de função é imprescindível no decorrer do estudo de Cálculo e para se estabelecer essa noção tornam-se necessários: 1 1.1 Função Real de Variável Real A noção de função é imprescindível no decorrer do estudo de Cálculo e para se estabelecer essa noção tornam-se necessários: 1. Um conjunto não vazio para ser o domínio;

Leia mais

ESPAÇOS MUNIDOS DE PRODUTO INTERNO

ESPAÇOS MUNIDOS DE PRODUTO INTERNO ESPAÇOS MUNIDOS DE PRODUTO INTERNO Angelo Fernando Fiori 1 Bruna Larissa Cecco 2 Grazielli Vassoler 3 Resumo: O presente trabalho apresenta um estudo sobre os espaços vetoriais munidos de produto interno.

Leia mais

Códigos NMDS sob a Métrica Poset

Códigos NMDS sob a Métrica Poset Códigos NMDS sob a Métrica Poset Luiz Henrique de Almeida P. Couto, Allan de Oliveira Moura, Departamento de Matemática - Universidade Federal de Viçosa, MG 36570, Viçosa - MG E-mail: luiz.almeida@ufv.br

Leia mais

Métodos Numéricos e Estatísticos Parte I-Métodos Numéricos

Métodos Numéricos e Estatísticos Parte I-Métodos Numéricos Métodos Numéricos e Estatísticos Parte I-Métodos Numéricos Lic. Eng. Biomédica e Bioengenharia-2009/2010 Para determinarmos um valor aproximado das raízes de uma equação não linear, convém notar inicialmente

Leia mais

8 8 (mod 17) e 3 34 = (3 17 ) 2 9 (mod 17). Daí que 2 67 + 3 34 8 + 9 0 (mod 17), o que significa que 2 67 + 3 34 é múltiplo de 17.

8 8 (mod 17) e 3 34 = (3 17 ) 2 9 (mod 17). Daí que 2 67 + 3 34 8 + 9 0 (mod 17), o que significa que 2 67 + 3 34 é múltiplo de 17. Prova Teoria de Números 23/04/203 Nome: RA: Escolha 5 questões.. Mostre que 2 67 + 3 34 é múltiplo de 7. Solução: Pelo teorema de Fermat 2 6 (mod 7 e 3 7 3 (mod 7. Portanto, 2 67 = 2 64+3 = ( 2 6 4 8 8

Leia mais

n. 33 Núcleo de uma transformação linear

n. 33 Núcleo de uma transformação linear n. 33 Núcleo de uma transformação linear Chama-se núcleo de uma transformação linear f: V W ao conjunto de todos os vetores v V que são transformados em 0 W. Indica-se esse conjunto \por N(f) ou Ker (f).

Leia mais

Capítulo 11 MOTORES ELÉTRICOS DE CORRENTE CONTÍNUA E UNIVERSAL. Introdução

Capítulo 11 MOTORES ELÉTRICOS DE CORRENTE CONTÍNUA E UNIVERSAL. Introdução Capítulo 11 MOTORES ELÉTRICOS DE CORRENTE CONTÍNUA E UNIVERSAL Esta aula apresenta o princípio de funcionamento dos motores elétricos de corrente contínua, o papel do comutador, as características e relações

Leia mais

por séries de potências

por séries de potências Seção 23: Resolução de equações diferenciais por séries de potências Até este ponto, quando resolvemos equações diferenciais ordinárias, nosso objetivo foi sempre encontrar as soluções expressas por meio

Leia mais

MATEMÁTICA I AULA 03: LIMITES DE FUNÇÃO, CÁLCULO DE LIMITES E CONTINUIDADES TÓPICO 03: CONTINUIDADES Este tópico trata dos conceitos de continuidade de funções num valor e num intervalo, a compreensão

Leia mais

Conjuntos numéricos. Notasdeaula. Fonte: Leithold 1 e Cálculo A - Flemming. Dr. Régis Quadros

Conjuntos numéricos. Notasdeaula. Fonte: Leithold 1 e Cálculo A - Flemming. Dr. Régis Quadros Conjuntos numéricos Notasdeaula Fonte: Leithold 1 e Cálculo A - Flemming Dr. Régis Quadros Conjuntos numéricos Os primeiros conjuntos numéricos conhecidos pela humanidade são os chamados inteiros positivos

Leia mais

UNIVERSIDADE DO ALGARVE ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA

UNIVERSIDADE DO ALGARVE ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA UNIVERSIDADE DO ALGARVE ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA CURSO BIETÁPICO EM ENGENHARIA CIVIL º ciclo Regime Diurno/Nocturno Disciplina de COMPLEMENTOS DE MATEMÁTICA Ano lectivo de 7/8 - º Semestre Etremos

Leia mais

Chapter 2. 2.1 Noções Preliminares

Chapter 2. 2.1 Noções Preliminares Chapter 2 Seqüências de Números Reais Na Análise os conceitos e resultados mais importantes se referem a limites, direto ou indiretamente. Daí, num primeiro momento, estudaremos os limites de seqüências

Leia mais

Módulos. Capítulo 3. 1. Módulos sobre anéis

Módulos. Capítulo 3. 1. Módulos sobre anéis Capítulo 3 Módulos Todos os resultados, e respectivas demonstrações, deste capítulo são transcritos dos capítulos 6 e 8 do livro Introdução à Álgebra, IST Press, Lisboa, 2004 da autoria de Rui Loja Fernandes

Leia mais