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1 Edição número 1830 quarta-feira, 25 de maio de 2011 Fechamento: 09h05 Veículos Pesquisados: Clipping CUT é um trabalho diário de captação de notícias realizado pela equipe da Secretaria Nacional de Comunicação da CUT. Críticas e sugestões com Leonardo Severo Isaías Dalle Paula Brandão Luiz Carvalho William Pedreira Secretária de Comunicação: Rosane Bertotti

2 Estadão Promiscuidade tripartite (Opinião) O governo deve tomar cuidado quando vê empresários e sindicalistas unir-se para reivindicar redução de juros e de impostos e também para propor a formação de um fórum tripartite - setor público, empregadores e trabalhadores - para discutir política econômica. Esse tipo de experiência já foi tentado, com câmaras setoriais, e a sociedade jamais ganhou com isso. Quando surgiu alguma vantagem, foi para grupos privados - sindicatos e empresas - participantes do acordo. É útil lembrar esses episódios, agora, quando mais um empreendimento desse tipo é proposto pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, pelo presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva, e por sindicalistas ligados à CUT. A nova aliança corporativa do setor industrial foi anunciada oficialmente na segundafeira, em evento na Fiesp. Skaf e os sindicalistas apresentaram uma lista de reivindicações comuns: corte dos juros, ampliação do prazo de recolhimento de tributos, isenção do Imposto de Renda sobre participação nos lucros, desoneração da folha de pagamentos e barreiras à entrada de capitais, para conter a valorização do real - entre outros pontos. As boas ideias apresentadas no encontro já estavam em discussão e nenhuma delas é novidade para o governo. A desoneração da folha de pessoal foi proposta pelo Executivo e a ideia foi criticada por líderes sindicais. Se mudaram de ideia, agora, deram um passo adiante e isso é uma boa notícia. Só falta saber por que mudaram. Os ministros da Fazenda, do Planejamento e do Desenvolvimento conhecem a lista de medidas necessárias para aliviar o peso dos tributos sobre o investimento, a produção e a exportação. A relação entre a carga tributária e a competitividade foi discutida muitas vezes. O governo decidiu tentar uma reforma fatiada. Essa estratégia pode evitar os impasses de uma reforma ampla, mas também tem custos apreciáveis. O problema do Executivo, nesta altura, é traçar o roteiro político de cada item da reforma. Não precisa de um fórum tripartite para definir a lista de mudanças necessárias. Muito menos deve ter interesse em negociar com empresários e sindicalistas o apoio a cada proposta. O mais difícil, para o governo central, será convencer os governadores a aceitar inovações no ICMS. Para que incluir mais gente, mais entidades - e mais apetites - na mesa de negociações? Quanto aos juros, empresários e sindicalistas têm o direito de reivindicar taxas menores. Qualquer cidadão tem esse direito. Mas política monetária é assunto das autoridades. Nas economias mais organizadas, é assunto exclusivo do banco central. Os condutores da política monetária podem ter de se explicar aos congressistas, periodicamente, mas, enquanto exercem o mandato, têm autonomia para manejar seus instrumentos. A presidente Dilma Rousseff cometerá um erro de proporções incomuns, se concordar com a formação de um fórum tripartite para a discussão de juros e de outros assuntos de responsabilidade estrita do poder público. A promiscuidade entre interesses públicos e privados nunca deu certo. O governo pode, em nome de uma estratégia de desenvolvimento, conceder benefícios temporários a setores e a regiões. Mas deve estar preparado para eliminá-los, quando deixarem de ser funcionais. Negociações e barganhas com empresários e sindicalistas apenas amarram as autoridades, dificultam a gestão de programas e políticas e acabam, quase inevitavelmente, propiciando benefícios injustificáveis a grupos

3 privados. Benefícios como esses foram distribuídos em proporções assustadoras nos últimos anos, por meio de bancos estatais. Não se deve continuar nesse caminho, mas abandoná-lo com urgência. Para aliviar a carga de impostos, investir mais e favorecer os ganhos de competitividade, o governo terá de rever seus gastos, eliminar desperdícios e cortar subsídios injustificáveis. Para fortalecer a economia, precisará ser austero e desagradar a grupos. Discutir austeridade em câmaras setoriais é como propor moderação aos convivas de um banquete. Câmara aprova anistia a desmatador Após votarem o texto do relator Aldo Rebelo, deputados derrotam governo Dilma e dão aval a emenda apresentada pelo PMDB Marta Salomon e Eugênia Lopes (Política) A Câmara dos Deputados aprovou na noite ontem, por 410 votos a favor, 63 contrários e 1 abstenção, o texto do relator Aldo Rebelo (PC do B-SP) que reforma o Código Florestal. Depois, o governo Dilma Rousseff sofreu sua primeira derrota na Câmara. Por 273 votos a favor, 182 contra e 2 abstenções, os aliados aprovaram a inclusão no Código de concessão de anistia aos produtores que desmataram Áreas de Preservação Permanente (APPs) às margens dos rios e encostas até Segundo o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), a emenda apresentada pelo PMDB e apoiada pela maioria dos partidos da base e de oposição foi considerada uma "vergonha" pela presidente Dilma Rousseff. O clima da votação do Código foi tenso e acabou em bate-boca entre os governistas. "Talvez este seja o momento mais tenso desta legislatura. A presidente Dilma considera essa emenda uma vergonha para o Brasil. Ela muda a essência do relatório", afirmou Vaccarezza. "Quero que o líder do governo seja interpelado para saber se a presidente realmente falou que o que esta Casa está votando é uma vergonha. Tenho o direito de saber isso", reagiu irritado o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), relator do Código. "Não acredito que a presidente Dilma tenha dito isso", disse o líder do PSDB, deputado Duarte Nogueira (SP). Apesar do jogo pesado do Planalto, apenas o PT, o PV, o Psol e o PSB encaminharam contra a emenda, que libera a ocupação de cerca de 420 mil quilômetros quadrados de áreas de preservação permanentes já desmatadas até 2008 às margens de rios e em encostas de morros no País. O PMN e o PTB liberaram suas bancadas. O governo não mediu esforços para tentar impedir a derrota. Os ministros dedicaram o dia para telefonar aos líderes aliados e aos deputados para pedir o voto contrário à emenda. Diante da pressão do governo, o líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), subiu à tribuna e fez um apelo. "Compreendo a posição dos ministros. Mas quero pedir aos ministros do PMDB que não constranjam a minha bancada, que não peçam a minha bancada para mudar o voto", disse Alves. "Antes de serem ministros, são companheiros de partido. Não constranjam a minha bancada", suplicou o peemedebista, que é candidato à presidência da Câmara, em 2013.

4 O discurso de Alves foi taxado de "emocional"" pelo líder Vaccarezza. O petista lembrou que o PMDB é da base aliada e ajudou eleger Dilma Rousseff. Por fim, Vaccarezza voltou a dizer que a proposta será veta pela presidente, caso o governo não consiga alterá-la no Senado. "Peço a todos que votem não a essa emenda e deem a vitória para o governo", afirmou o líder. Relatório de Rebelo. Apesar de o líder do PT, Paulo Teixeira (SP), ter encaminhado a favor do relatório do comunista, os petistas se dividiram: 45 votaram a favor do texto de Rebelo e 35 contra. Antes, a bancada petista se reuniu e decidiu, por maioria apertada, apoiar o relatório e votar contra a emenda do PMDB. Em quase cinco meses de governo, esta foi a primeira vez que a base aliada se rebelou contra o Planalto. Ao longo do dia, a base tentou fechar um acordo e incluir no texto de Rebelo proposta para que, nas pequenas propriedades, as APPs às margens dos rios pudessem ocupar até o limite de 20% da área. "Tarde demais. O governo deveria ter entrado antes na negociação", argumentou o exministro Reinold Stephanes (PMDB-PR). "Vai ser uma grande desobediência dos deputados da planície. A posição do plenário está consolidada a favor da emenda do PMDB", previu o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), horas antes do início da votação. PARA LEMBRAR "Novo Código causou alta no desmate" O aumento no ritmo das motosserras na Amazônia está relacionado à reforma do Código Florestal em discussão no Congresso Nacional. É o que afirma documento assinado pelo secretário do Meio Ambiente de Mato Grosso, Alexander Torres Maia, submetido ao gabinete de crise criado nesta semana pelo governo federal para combater o desmatamento na Amazônia. O documento diz que se criou a expectativa entre proprietários de terra de que não seriam concedidas novas autorizações para desmatamento e que os responsáveis seriam anistiados. O gabinete de crise foi criado pela ministra Izabella Teixeira após o anúncio do aumento de 473% na destruição da floresta na Amazônia em março e abril deste ano, em comparação com o mesmo período de Ruralistas e ambientalistas lotam galerias para ver votação Grupos rivais alternavam vaias e aplausos para os deputados que se revezavam na tribuna Marta Salomon e Eugênia Lopes (Política) A votação do Código Florestal lotou ontem as galerias da Câmara. Eram cerca de 200 manifestantes que ora aplaudiam, ora vaiavam os deputados que se revezavam na tribuna da Câmara para discursar sobre o projeto. O clima mais parecia o de um programa televisivo de auditório que o de uma votação de projeto de lei. As galerias foram tomadas tanto por ruralistas, favoráveis ao texto do relator Aldo Rebelo (PC do B-SP), quanto por ambientalistas, contrários ao relatório do deputado comunista.

5 Uma das pessoas mais aplaudidas pelos ambientalistas foi o ex-ministro do Meio Ambiente Sarney Filho (PV-MA), conhecido como Zequinha Sarney. Ele fez um discurso contra o projeto, alegando que a proposta era um "retrocesso". Sarney foi ovacionado pela plateia de ambientalistas, alguns deles vestindo camisetas vermelhas com a inscrição da Central Única dos Trabalhadores (CUT). "É uma coisa inédita ver a CUT toda fardada aplaudindo o Sarney", ironizou o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), um dos líderes da bancada ruralista. Tensão. Assim como em todas as votações polêmicas, a segurança da Câmara permitiu apenas a entrada de manifestantes credenciados pelos partidos nas galerias do plenário da Casa. Foram distribuídas cerca de 200 senhas. Mais cedo, manifestantes contrários e favoráveis ao projeto de reforma do Código Florestal apresentado por Rebelo lotaram o saguão de entrada do Congresso. O clima ficou tenso. Principal porta de entrada da Câmara e do Senado, a chapelaria do Congresso ficou tomada ontem por manifestantes da CUT e da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Do lado da Câmara ficaram cerca de 200 militantes da CUT, que protestaram contra o projeto de Rebelo. Do lado do Senado, um grupo de 50 pessoas com camisetas da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) participou de um café bancado pelo órgão. Presidida pela senadora Kátia Abreu (PSD-TO), a CNA pôs um grupo de cerca de 50 agricultores na entrada principal do Congresso, onde foi montada uma maquete dos biomas brasileiros, com plantações em encostas de soja e outros produtos, além de florestas. A confederação montou também uma mesa com pães, frutas e bolos no saguão do Congresso. Servidores protestam em frente ao Palácio do Planalto Tânia Monteiro (Política) Uma barulhenta manifestação popular ocorreu na tarde de ontem em frente ao Palácio do Planalto. Os manifestantes derrubaram a grade que separa a Praça dos Três Poderes da avenida que fica em frente ao Palácio, cruzaram a via e chegaram aos pés da rampa presidencial. Um dos participantes, inclusive, ingressou no lago que margeia o Palácio. O barulho foi produzido por megafones, panelas e buzinas. Os manifestantes, empunhando bandeiras, bradavam palavras de ordem: "Servidores da Justiça estão na rua. Dilma, a culpa é tua". A reação da segurança do Palácio foi lenta, incapaz de impedir que os manifestantes ocupassem o local. Tratou-se, no entanto, de um "protesto relâmpago", e logo depois o grupo liberou o espaço em frente ao Palácio. O protesto foi promovido por servidores do Judiciário (analistas, técnicos e auxiliares) que estão em greve desde ontem, por tempo indeterminado. A principal reivindicação é a aprovação do plano de carreira da categoria e reajuste de 56% nos salários, referente às perdas dos últimos cinco anos. Segundo João Carlos Sena, delegado sindical que acompanhou o protesto, os manifestantes acreditam que o Executivo pode realizar um acordo com o Judiciário para acelerar a resolução desse problema,

6 destravando a apreciação de dois projetos que tramitam no Congresso envolvendo a categoria (PL 6613/2009 e PL 6697/2009). Lula lidera tática para defender Palocci Ex-presidente vai a Brasília articular estratégia para manter ministro no cargo, janta com Dilma e marca encontro com base aliada no Congresso Vera Rosa (Política) No auge da crise envolvendo o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu, na prática, a articulação política do governo Dilma Rousseff. Lula almoçou nesta terça-feira, 24, com senadores do PT, jantou com Dilma e Palocci, no Palácio da Alvorada, deu voz de comando para a defesa do ministro e nesta quarta-feira, 25, tomará café da manhã, na casa do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), com os líderes da base aliada no Congresso. "Estão testando o governo da Dilma. Quiseram me intrigar com ela e não conseguiram. Agora, se o governo entregar a cabeça do Palocci, vai cometer um grande erro", disse Lula, segundo relato de três senadores que participaram do almoço com o expresidente, na casa de Gleisi Hoffmann (PT-PR) e do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. Preocupado com o prolongamento da crise, Lula traçou ali a estratégia da reação, mas ouviu queixas sobre a falta de articulação política do Palácio do Planalto. Os petistas disseram a ele que, com Palocci alvejado por denúncias de multiplicação do patrimônio e suspeita de tráfico de influência, a situação só piorou. Eles reclamaram não apenas da lentidão para a montagem do segundo escalão como da ausência de argumentos para defender Palocci e o governo. Lula mostrou-se disposto a preencher o vácuo político, mas longe dos holofotes, nos bastidores. Disse que conversaria com Dilma, Palocci e com o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio. "Essa queixa é justa e vamos melhorar o diálogo", afirmou o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Com o argumento oficial de que vai tratar da empacada reforma política, Lula também pedirá empenho a Sarney e aos líderes da base aliada para evitar constrangimentos ao Planalto no Congresso. "A posição do Lula é semelhante à nossa: até o momento não há acusação frontal que vá abalar nossa confiança em Palocci. E, daqui a alguns dias, o ministro enviará os esclarecimentos ao Ministério Público Federal", disse o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), referindo-se ao pedido da Procuradoria-Geral da República para que Palocci explique as denúncias contra ele. De factoide a monstro. Na tentativa de obter mais subsídios para reforçar a blindagem a Palocci, a bancada do PT no Senado convidou o ministro para uma conversa, a portas fechadas. "Precisamos tratar da crise no nascedouro, antes que o factoide vire um monstro", resumiu Wellington Dias (PT-PI). Durante almoço com 12 dos 14 senadores do PT, Lula disse que falará com Dilma sobre a necessidade de se expor mais para defender Palocci. "O papel de um presidente é dialogar, animar, induzir a sociedade", afirmou. Ele também lembrou a

7 crise política enfrentada em seu governo, que começou com o caso Waldomiro Diniz, assessor da Casa Civil acusado de cobrar propina de um bicheiro, em 2004, e ganhou força com o escândalo do mensalão, no ano seguinte. "Eu enfrentei um ano e meio de crise e sei do que estou falando. Vocês têm de ter em mente o seguinte: na dúvida, defendam o companheiro", insistiu o ex-presidente. Na conversa, tendo como prato principal peixe ao molho de maracujá, Lula deu tapinhas nas costas nos companheiros e os animou a apoiar o ministro da Casa Civil. Para o ex-presidente, a oposição não está apenas no Congresso, mas também em setores da imprensa. Depois do almoço, muitos parlamentares seguiram para o Senado e, da tribuna, elogiaram Palocci. Ativistas ambientais são executados no Pará Casal, que era conhecido como defensor da floresta, foi surpreendido por pistoleiros e morto a tiros na cabeça e no peito; polícia ainda não tem pistas Carlos Mendes (Política) Um casal que desde 2008 lutava contra a devastação florestal e a exploração ilegal de madeira no entorno da comunidade de Maçaranduba, sudeste do Pará, foi assassinado na manhã desta terça-feira, 24, em uma estrada da região. José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo foram atingidos por tiros na cabeça e no peito. A polícia abriu inquérito para apurar o caso, mas ainda não tem pistas dos criminosos. De acordo com testemunhas, o casal foi surpreendido por pistoleiros na estrada que leva ao assentamento agroextrativista Praia Alta Pirandeira, uma área de 22 mil hectares à margem do lago da usina hidrelétrica de Tucuruí. No local vivem cerca de 500 famílias. José Cláudio e Maria eram conhecidos na região como defensores da floresta. Familiares afirmaram que nos últimos dias alguns homens "em atitudes estranhas" estavam rondando a residência do casal, principalmente à noite. Eles contaram ainda que, para intimidar, os suspeitos disparavam tiros para o alto e depois desapareciam. Há suspeita de que os homens estariam a serviço de madeireiros incomodados com a vigilância que o casal exercia para que as florestas em volta do assentamento não fossem derrubadas. Segundo os familiares, até animais da propriedade do casal foram mortos como aviso para que eles parassem com as denúncias de desmatamento. O secretário de Segurança Pública, Luiz Fernandes Rocha, enviou uma equipe de peritos e um grupo de policiais civis para apurar as circunstâncias dos crimes. Segundo Rocha, o governo do Pará realizará todos os esforços necessários para que os assassinatos não fiquem impunes. "O Estado não vai tolerar mais esse tipo de violência em nosso território. Mobilizamos uma grande equipe para ir até o local e investigar o problema e, se possível, voltar com os responsáveis presos", afirmou o secretário. O delegado-geral adjunto de Polícia Civil, Rilmar Firmino, está coordenando a equipe e chefiará pessoalmente as investigações. Vigilância. Toda a área da reserva extrativista do assentamento é rica em espécies de madeira nobre, como angelim e jatobá. A propriedade do casal tinha 80% da mata preservada. Eles viviam há 24 anos na região e faziam parte da Conselho Nacional das

8 Populações Extrativistas (CNS), uma organização não governamental criada por Chico Mendes, assassinado no Acre na década de 80 por também defender a floresta amazônica. Para o diretor da Regional Belém do CNS, Atanagildo Matos, as vítimas deixam uma lição: permitir que o povo da floresta possa viver com qualidade, de forma sustentável, com o meio ambiente. Ele pediu que o Ministério Público Federal e a Polícia Federal investiguem o caso. Em nota, o Fórum da Amazônia Oriental (FAOR) condenou o assassinato, afirmando que o casal estava "marcado" para morrer. "Mais uma vez tombam aqueles que insistem em defender a floresta", diz o manifesto, exigindo que as autoridades investiguem com seriedade o crime e prendam os mandantes e executores para que o fato "não faça parte da imensa lista de impunidade que assola o Pará". Justiça reduz de 8h para 6h carga horária de operadores de call center Ministros também determinaram que empregadores deverão pagar vale transporte, independente se funcionário mora perto ou longe das empresas Edna Simão (Economia) Os trabalhadores do centros de telemarketing fazem um serviço semelhante ao das telefonistas e por isso vão ter uma carga horário de 6 horas, e não mais as atuais 8 horas. Esta foi uma das decisões tomadas pelo plenário do Tribunal Superior do Trabalho (TST) em sessão especial para atualizar as interpretações da legislação trabalhista. Os 27 ministros do pleno do TST decidiram ainda que os empregadores têm de pagar o vale transporte, independente do trabalhador morar perto ou longe das empresas. Hoje, a maioria absoluta das empresas já paga o vale transporte seguindo essa regras, mas a decisão do TST consolida um entendimento da corte superior e evita a judicialização desse direito. A revisão da Súmula 369 também decidiu que 7 dirigentes sindicais em cargos suplentes também passam a ter obrigatoriamente a estabilidade provisória no trabalho. O entendimento até hoje era de que esse direito cabia apenas a 7 diretores titulares. Algumas empresas aceitavam a estabilidade dos suplentes, outras não. Ao longo de um ano, depois do fim do mandato sindical, os trabalhadores não podem ser demitidos. O TST paralisou todas as suas atividades durante uma semana, desde segunda-feira retrasada, para debater o emaranhado de divergências que vem atrapalhando a eficácia de suas decisões. Os ministros, assim como juízes de tribunais regionais, andam se desentendendo na interpretação das leis, muitas delas desatualizadas, e dando sentenças contraditórias em causas semelhantes, o que compromete a credibilidade da Justiça trabalhista e causa indignação às partes. É tanto bate-cabeça que as sentenças estão se tornando letra morta. De acordo com levantamento do tribunal, só 31% das sentenças são cumpridas quando chegam à fase de execução. Ou seja: em sete de cada dez julgamentos, o direito não se converte em

9 dinheiro no bolso. O trabalhador ganha, mas não leva. Há sentenças transitadas em julgado que se arrastam há dez anos ou mais. A situação se agravou com o aumento das terceirizações no mercado de trabalho e com a nova lei de falências, que tirou dos trabalhadores a prioridade no recebimento de direitos. Folha de S.Paulo Anestesia geral Fernando Canzian O projeto de poder do PT foi sistemático e abrangente na cooptação de vozes e partidos que poderiam vir a ser obstáculos para o seu estilo de governo e ambições. Ele também blindou seus integrantes contra os escândalos da era Lula. O governo Dilma começa beneficiado por essa configuração. Com impostos recolhidos pelo Estado, o PT reforçou o caixa das poucas estruturas minimamente organizadas, populares e midiáticas que já fizeram uma real e barulhenta oposição no Brasil. De resto, CUT, MST, Força Sindical e demais sindicatos já eram ramificações do partido ou simpáticos a ele. O trabalho aqui foi fácil. O "abril vermelho", temporada de invasões de sem-terra, tornou-se apenas um bom slogan. Já as centrais e sindicatos hoje se refastelam com recursos públicos para programas suspeitos; ou com o dinheiro das estatais que patrocinam as festas do 1º de Maio. A "paz dos cemitérios" reinante, mesmo diante de escândalos de simples compreensão como o atual (o repentino enriquecimento de Antonio Palocci), foi reforçada pela apropriação de uma carga tributária crescente. As classes médias e mais abastadas foram obrigadas a transferir, com a intermediação do Estado, parte da sua riqueza para os mais pobres. A expansão do Bolsa Família, a disseminação de aposentadorias rurais e demais benefícios da Previdência, assim como o financiamento de programas como ProUni e Pronaf (para universitários de baixa renda e agricultura familiar), são o resultado dessa troca. Essa transferência de renda de poucos para muitos explica bastante a queda na desigualdade e o atual dinamismo da economia. O país pegou no tranco, e todos ganharam. Por último, há o paradoxo de o Brasil ter sido beneficiado por uma crise de enormes proporções nas economias ricas. E pela subsequente inundação de dinheiro barato e público no hemisfério Norte para tentar resgatar seus mercados.

10 Parte desse capital veio parar aqui e justifica a abundância e a facilidade atuais para tomar crédito; e a coragem renovada da conservadora banca nacional em assumir um pouco mais de risco. É plausível que a apatia nacional diante dos pequenos e grandes escândalos envolvendo políticos e dinheiro suado de impostos venha da combinação de tudo isso. As atuais manifestações na Espanha, com praças tomadas contra a corrupção política, são a outra face dessa mesma moeda. Com o desemprego acima de 20% e sem nenhuma perspectiva no horizonte, não custa muito ir reclamar na rua. No Brasil, ao contrário, a proliferação de bolsas, empregos, bens importados e crédito faz parecer quase natural o clima de abobalhação e deslumbre novo-rico entre nós, financiadores disso tudo. Capacidade de produção sobe menos que salários Indústria ficou menos eficiente e sofre com a oferta de importados Segundo dados do IBGE, quantia produzida por horas trabalhadas está recuando, ao passo que a remuneração cresce Mariana Schreiber (Poder) Com o mercado de trabalho aquecido, os salários pagos pela indústria cresceram mais do que sua capacidade de produção nos últimos doze meses. Considerando os últimos dois trimestres, a produtividade industrial recuou, enquanto os salários continuaram crescendo. Isso significa que o setor está menos eficiente e mais caro, o que pode alimentar a inflação, reduzir a competitividade nacional e limitar a capacidade das empresas de conceder novos aumentos reais de salário e de investir. Uma consequência natural do cenário atual seria o endurecimento das negociações salariais, já que a produtividade está em descompasso com os custos. Para o economista sênior do Banco Espírito Santo Flávio Serrano, no entanto, a falta de mão de obra qualificada dá espaço para os trabalhadores terem aumentos maiores: "A briga vai ser dura". Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que a produtividade da indústria acumula crescimento de 2,4% em doze meses. Já a remuneração real do trabalhador cresce 3,6%. A produtividade indica quanto é produzido por hora de trabalho do funcionários. Para o economista da LCA Fábio Romão, é a competição forte com os importados que está limitando o ritmo de crescimento da produção. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho está aquecido, o que infla os salários. Além de terem que pagar mais pela mão de obra, as empresas estão lidando com insumos mais caros. A consequência seria o repasse do custo maior para os preços.

11 Mas, em alguns casos, isso não é possível devido à competição dos importados. Se por um lado a situação limita os efeitos na inflação, por outro reduz os lucros das empresas, afetando sua capacidade de fazer investimentos e gerar empregos. A observação é do economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial Rogério Souza. O economista da Unicamp Fernando Sarti lembra que a indústria também tem que lidar com juros altos e elevada carga tributária. Um estudo da Ernst Young mostra que a produtividade da economia brasileira cresceu em média 0,4% ao ano de 2000 a 2008, a menor taxa entre os BRICs. Na China, a taxa média foi 5,2%, na Rússia, 4,8%, e na Índia, 2,8%. O estudo mediu a eficiência dos trabalhadores, da alocação de investimentos e dos equipamentos de produção. "A taxa de natalidade do país está diminuindo, a oferta de trabalho vai ficar restrita e os salários vão continuar crescendo", prevê o economista Jorge Arbache, da USP. Segundo ele, isso afetará principalmente a indústria que é intensiva em mão de obra. "Os ganhos de produtividade são cada vez mais fundamentais", conclui. Deficit da Previdência aumenta 81,4% e atinge R$ 5,7 bi em abril (Poder) A Previdência Social registrou deficit de R$ 5,729 bilhões em abril. O rombo é 81,4% maior do que o registrado em março e 79% maior que o de abril de Segundo o ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho, o deficit verificado em abril pode ser atribuído ao pagamento de ações judiciais, que somaram R$ 3,221 bilhões. Nos quatro primeiros meses do ano, porém, o deficit acumulado é de R$ 15,329 bilhões -17,2% menor do que o registrado no mesmo período de Para o ministro, a melhora no desempenho do quadrimestre se deve ao crescimento de 9,3% na arrecadação. Para o ano, a expectativa do ministério é que o deficit chegue a R$ 41 bilhões. Governo acusa prefeitura de vazar dados (Poder) Lula vai a Brasília assumir defesa de Palocci e atribui à secretaria de SP divulgação de faturamento de empresa de ministro Pasta de Finanças de SP nega; ex-presidente diz que é "natural" querer contratar Palocci, "esse Pelé", como consultor O governo e o PT acusaram ontem a Prefeitura de São Paulo de ter vazado informações sobre o faturamento da Projeto, empresa de consultoria do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Pela manhã, o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, disse

12 que "alguém" da prefeitura repassou informações sobre o ISS (Imposto Sobre Serviços) recolhido pela empresa, que também informa o faturamento ao município. "O governo sabe de onde veio. Houve um vazamento na prefeitura", disse Carvalho. "Foi a demonstração, via notas fiscais de ISS, que permitiu a verificação desses recursos que ele [Palocci] auferiu pelo seu trabalho." Em nota, a Secretaria de Finanças informou que todos os acessos às informações da Projeto foram feitos pela própria empresa ou por servidores que realizaram "procedimentos demandados pelo próprio contribuinte", como recolhimento de tributos e retificação de lançamentos fiscais. ARTICULAÇÃO Em almoço com senadores do PT ontem, o ex-presidente Lula foi na mesma linha de Carvalho e responsabilizou o secretário municipal de Finanças, Mauro Ricardo, de acordo com o relato de participantes do encontro. Lula foi a Brasília para assumir a defesa de Palocci, que aumentou seu patrimônio em 20 vezes em quatro anos, conforme revelou a Folha. O ex-presidente lembrou a importância do ministro para seu governo e o de Dilma, e considerou natural o interesse de tantas empresas em contratar "esse Pelé" como consultor. À noite, o ex-presidente discutiu o assunto com Dilma. Lula tenta acertar a articulação política do governo, fragilizada nos últimos dias, já que Palocci a exercia em grande medida. O vereador José Américo (PT) apresentou na Câmara Municipal requerimento de informações para que a prefeitura informe os nomes dos funcionários que acessaram as informações da Projeto. Governo do RS prepara pacote para reduzir rombo Projeto será enviado amanhã à Assembleia Douglas Ceconello (Poder) O governador Tarso Genro (PT) vai enviar amanhã à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul um pacote -apelidado de "Pacotarso"- que tem o objetivo de amenizar a situação deficitária da Previdência estadual. Como a base aliada tem maioria na Assembleia (32 dos 55 deputados estaduais), a expectativa é que as medidas sejam aprovadas. Um dos principais pontos é a reforma da Previdência estadual. Em 2010, o deficit foi de R$ 4,81 bilhões, segundo a Secretaria da Fazenda. Conforme o chefe da Casa Civil do Estado, Carlos Pestana, "há uma previsão imediata de arrecadação de R$ 200 milhões por ano". De acordo com o governo, a reforma atingirá menos de 20% dos servidores - justamente aqueles com vencimentos mais altos. CONTRIBUIÇÃO MAIOR

13 O pacote determina que a contribuição previdenciária dos atuais servidores continue de 11% para os salários até R$ 3,689,66 e passe a ser de 16,5% sobre os valores que excederem esse limite. O plano prevê também a criação de um fundo para os futuros servidores, que contribuiriam com 11% de alíquota para o regime de capitalização. Devido a pressões do funcionalismo, o governo desistiu de acrescentar no fundo os funcionários admitidos a partir de O pacote estabelece ainda a inspeção veicular para combater a emissão de gases poluentes, que será feita a partir do terceiro ano de fabricação. Esse tributo já é cobrado de empresas, mas o governo quer aumentar o recolhimento anual de R$ 15 milhões para R$ 60 milhões. Fracassa acordo para acabar com barreiras entre Brasil e Argentina Com o impasse, liberação de produtos "travados" vai depender de "gestos" de boa vontade Para tentar resolver a questão, representantes comerciais de Brasil e Argentina terão uma nova reunião em 15 dias Lucas Ferraz (Mercado) Fracassou a tentativa dos governos do Brasil e da Argentina de fechar um acordo para encerrar o conflito entre os países por causa da adoção de barreiras comerciais. Após dois dias de reunião bilateral em Buenos Aires, a liberação de produtos "travados" em ambos os países continuará dependendo de "gestos" de boa vontade. "Não houve um avanço prático de curto prazo", admitiu Alessandro Teixeira, secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Ele e o secretário da Indústria da Argentina, Eduardo Bianchi, ficaram de se reunir nos próximos 15 dias, desta vez no Brasil. Afetada pelo decisão do governo Dilma de dificultar a importação de carros, a Argentina pediu o fim da medida (negada pelo Brasil) ou que pelo menos o prazo de liberação dos veículos argentinos seja inferior aos 60 dias previstos pela Organização Mundial do Comércio. Os negociadores brasileiros, como condição, queriam a rápida liberação de produtos retidos na Argentina, como calçados, eletrodomésticos, pneus e até chocolates. Como as autoridades do país vizinho não se comprometeram com a liberação total dos produtos, não houve acordo. Nas palavras de um negociador, será necessário um "segundo round". A decisão do governo Dilma de cancelar as licenças automáticas para importação de veículos, que afeta todos os países, foi uma resposta à política da Argentina de reter a

14 circulação de produtos brasileiros. Ontem, uma autoridade do Brasil mostrou aos argentinos uma lista com itens (como calçados) travados há mais de 450 dias. Segundo Alessandro Teixeira, por enquanto continua valendo o "gesto de cavalheiros" acertado na semana passada: o Brasil libera a entrada de alguns veículos argentinos parados na fronteira, enquanto o país vizinho permite a circulação de alguns produtos brasileiros -não há definição de valores ou quantidades. O comércio entre os países continuará, pelo menos até a próxima reunião, regulado por práticas protecionistas. Mercado Aberto Maria Cristina Frias Reajuste na indústria virá acima do ganho de produtividade Aumentos salariais na indústria superiores ao crescimento da produtividade devem agravar ainda mais a pressão inflacionária. No primeiro trimestre deste ano, os custos da folha de pagamento cresceram 2,4% em relação ao quarto trimestre de 2010, segundo a consultoria Tendências, com base em dados do IBGE. A produtividade do setor, por sua vez, subiu apenas 0,4% na mesma comparação, o que elevou o CUT (Custo Unitário do Trabalho) industrial em 2% no trimestre. "O quadro deve se manter nos próximos meses. A produção industrial continuará estagnada", diz Rafael Bacciotti, da Tendências. O aumento dos salários deve ficar acima da inflação no final do ano, segundo Marcelo Moura, do Insper. "Com o desemprego baixo, a economia aquecida e gargalos, trabalhadores ficam em melhor posição para negociar." Para Luis Braido, da EPGE/FGV, com a competição externa, a indústria tem mais dificuldade em repassar a alta do custo, "mas não deixa de ser um sinal de alerta". Consumismo A Fundação Getulio Vargas participará nesta semana de painel sobre regulação financeira e defesa do consumidor em encontro da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), em Paris. Gestão Será lançado hoje um novo programa para o gerenciamento de empresas do setor de saúde, como hospitais e farmácias. O Topgesto, mesmo nome da empresa produtora, terá investimento de cerca de R$ 10 milhões em Coletivo... A CNI lançará um clube de benefícios, que vai funcionar por meio de um portal de negócios e relacionamentos do setor. Mais de 600 mil indústrias poderão obter descontos e vantagens em compras corporativas....industrial O foco da iniciativa será a área de serviços, como a aquisição de software e a locação de automóveis. O projeto visa atender micro e pequenas indústrias, que têm menor acesso a condições de compra semelhantes.

15 Valor Econômico Obras de Jirau abrigavam bandidos, diz polícia André Borges Depois de 70 dias da rebelião que pôs abaixo o canteiro de obras da hidrelétrica de Jirau, ainda há muitas dúvidas sobre os autores e as razões que, de fato, deflagraram a onda de violência. Algumas conclusões preliminares, obtidas por investigadores que acompanham de perto o caso, dão uma ideia da gravidade que rondava uma das principais obras do país. Entre os trabalhadores de Jirau havia casos de pessoas procuradas pela polícia. Tratase de fugitivos que cometeram crimes em Rondônia e também fora do Estado. Um dos identificados pelos investigadores foi autor de dois homicídios. Os peritos também já sabem que o tráfico de drogas, como maconha e cocaína, era usual nos alojamentos do canteiro de obras. Bebidas alcoólicas, que são proibidas no local, também circulavam no mercado paralelo. Essas informações foram confirmadas pelo delegado Hélio Teixeira Lopes Filho, diretor da divisão de repressão ao crime contra o patrimônio da Polícia Civil. Ele é responsável pelas investigações dos atos de vandalismo em Jirau. Segundo o delegado, atualmente a polícia trabalha na identificação de um grupo de 150 a 200 pessoas que participaram diretamente das ações. Depois da rebelião, algumas dezenas foram detidas pela Polícia Civil, mas não há informações se alguém ainda permanece preso. Para apoiar as investigações, vídeos gravados por câmeras de segurança e depoimentos de funcionários foram coletados. O inquérito da Polícia Civil já soma 12 volumes, com 200 páginas cada um. Outro inquérito está em andamento pelos investigadores da Polícia Federal, sem prazo para conclusão. Mais do que identificar os autores, a principal resposta que os peritos procuram são as motivações que desencadearam os atos. A tese inicialmente sustentada - de que uma briga entre dois funcionários teria detonado a onda de conflitos - já está totalmente descartada. São muitas as evidências de que houve uma ação coordenada e com data certa para ocorrer. Em março, quando a confusão tomou conta de Jirau, a construção da usina estava no seu pico de contratação, com 22 mil trabalhadores na obra, dos quais 19 mil estavam sob responsabilidade da Camargo Corrêa. "A revolta arrebentou exatamente no dia de pagamento de salário, quem fez sabia que os caixas automáticos estavam abastecidos", comenta Lopes Filho. Durante o corre-corre, quatro dos dez caixas instalados no canteiro de obras foram arrancados de suas bases e levados por um caminhão até a oficina do canteiro, onde maçaricos já estavam a postos para cortar a porta dos cofres. A Polícia Civil já identificou quatro pessoas que participaram dessa operação. Ainda não há informações sobre quanto dinheiro foi roubado. Em data de pagamento, os

16 caixas de Jirau costumavam ser abastecidos com até R$ 1,5 milhão, ou seja, cada caixa automático era alimentado com cerca de R$ 150 mil. A partir dos depoimentos colhidos até agora, a Polícia Civil detectou que a tensão entre os trabalhadores no canteiro de obras já era grande antes da rebelião. "A situação estava complicada, havia reclamações sobre diferenças salariais e benefícios, além de relatos de tratamento com muita truculência junto dos trabalhadores", comenta o delegado Lopes Filho. Enquanto investiga o passado, a polícia mantém atenção total sobre qualquer movimento suspeito nas obras do Madeira. Na semana passada, a tensão voltou a rondar os trabalhadores da usina. Em Porto Velho, a 120 quilômetros do canteiro de obras, um hotel foi incendiado por funcionários da Camargo Corrêa que estavam hospedados nele. O clima de apreensão chegou até o canteiro de obras da usina e a boataria se espalhou rapidamente entre os trabalhadores. Lopes Filho afirma que a Polícia Civil foi acionada e chegou a enviar polícias até o local. Não houve registro de ocorrências. A Camargo Corrêa, responsável pelas obras de Jirau, informou que havia 80 funcionários seus hospedados no hotel de Porto Velho e que dez deles foram, de fato, responsáveis pelo incêndio. Segundo a companhia, o fogo foi rapidamente debelado e não houve feridos. Os dez funcionários foram imediatamente demitidos. A Camargo Corrêa negou que o clima entre os trabalhadores que estão no canteiro de obras tenha voltado a ficar ruim na última semana. Sobre as investigações que apontam que havia foragidos da polícia entre seus funcionários, além de tráfico de drogas, a empreiteira informou que se baseia única e exclusivamente na experiência profissional de seus funcionários para critério de seleção e que não fiscaliza a vida dessas pessoas, algo que a própria Constituição não permite. Segundo a empresa, todas as suas contratações são realizadas com base no Sistema Nacional de Emprego (Sine), o cadastro de trabalhadores elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A construtora informou que algumas empresas terceirizadas de recrutamento também foram usadas para levar mão de obra até Jirau, mas essas também teriam se baseado no cadastro do Sine. O Valor procurou o MTE para se pronunciar a respeito do assunto, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição. A Energia Sustentável do Brasil (ESBR), consórcio responsável pela construção de Jirau, informou que as atividades no canteiro de obras seguem normalmente e que, aos poucos, os funcionários têm retornado para a construção. Atualmente, segundo a ESBR, há 10,5 mil trabalhadores atuando nas margens no Madeira. Questionada sobre as investigações, a ESBR informou que aguarda o resultado dos dois inquéritos para se pronunciar a respeito. Vizinho de Jirau, o consórcio Santo Antônio Energia, que toca as obras da hidrelétrica de mesmo nome, informou que nunca tomou conhecimento de casos de tráfico de drogas dentro do canteiro de sua obra e que desconhece que haja foragidos da polícia em seu quadro de funcionários. A empresa informou ainda que, "como medidas de prevenção e educação ao trabalhador, o Consórcio Santo Antônio realiza frequentemente campanhas internas de combate às drogas" e que, em suas contratações, "não faz nenhuma discriminação por raça, cor ou qualquer outra característica".

17 Sindicatos brigam pelo controle dos trabalhadores da hidrelétrica A Polícia Civil vai colher amanhã os depoimentos das lideranças dos dois sindicatos que, desde o ano passado, têm travado uma verdadeira guerra para ver com quem vai ficar a representação dos quase 40 mil trabalhadores que estão na região da hidrelétrica de Jirau. Hoje quem está à frente é o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil do Estado de Rondônia (Sticcero), filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT). O inimigo declarado é o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada (Sintrapav), vinculado à Força Sindical. A briga entre os dois sindicatos foi parar até em vídeos no YouTube, onde dirigentes do Sticcero aparecem em imagens fazendo supostas negociações para demitir das obras de Jirau quem não se submete ao seu comando. Há ainda acusações de suposto uso indevido de contribuições trabalhistas arrecadadas. Os vídeos foram divulgados pelo ex-funcionário do sindicato, Danny Bueno, que também move uma ação contra o Sticcero. Na semana passada, após matéria sobre o assunto veiculada pelo jornal "O Estado de S. Paulo", Bueno teve seu carro apedrejado em Porto Velho. A reportagem tentou encontrar Danny Bueno, mas não teve retorno até o fechamento desta edição. As acusações do ex-funcionário são negadas por Raimundo Enélcio, diretor do Sticcero. Ele diz que vai processar Bueno por divulgar "inverdades". Por trás da rixa está a contribuição sindical, correspondente a um dia de trabalho, que é paga por todos que têm carteira assinada, ao sindicato de sua categoria. Segundo Enélcio, o Sticcero arrecadou cerca de R$ 700 mil de contribuição dos trabalhadores de Jirau e Santo Antônio em A disputa sindical começou no ano passado, quando Antonio Acácio Amaral, que presidia o Sticcero havia menos de dois meses, foi afastado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) por supostas irregularidades no comando do sindicato. Amaral, que é presidente da Força Sindical em Rondônia, acusa a CUT de conluio para colocar no Sticcero alguém vinculado ao PT. Ele é filiado ao PDT. Amaral afirma que move uma ação no Tribunal Superior do Trabalho para ter de volta a liderança do Sticcero. Em paralelo, no entanto, a Força Sindical agiu rápido na criação do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada (Sintrapav). Segundo Amaral, a missão de representar os trabalhadores de projetos de grande porte como o das usinas seria, na realidade, do Sintrapav. Ele alega que o Sticcero foi criado para responder por outros tipos de projetos de construção civil, conforme estabelecido em seu cadastro no Ministério do Trabalho. "O governo não percebeu ainda que está dando guarida a essa quadrilha que se estabeleceu dentro da construção civil", acusa Amaral. "O Sticcero não representa porcaria nenhuma, colocaram semianalfabetos lá, gente que está enganando até o [ministro da Secretaria-Geral da Presidência] Gilberto Carvalho", comenta ele. Na semana passada, a Polícia Civil teve informações de que panfletos foram distribuídos clandestinamente entre os trabalhadores de Jirau, informando que o Sticcero não tinha nenhuma representatividade sobre seus direitos. Perguntados sobre o fato, os dois sindicatos informam que desconhecem o ocorrido. O consórcio Energia

18 Sustentável do Brasil (ESBR), responsável pelas obras de Jirau, também declarou que não encontrou material circulando no canteiro de obras. O resultado imediato dessa briga é a completa insegurança transmitida aos trabalhadores, diz o delegado Hélio Teixeira Lopes Filho, diretor da divisão de repressão ao crime contra o patrimônio da Polícia Civil em Rondônia. "Os sindicatos estão desacreditados e os funcionários, perdidos." Em campanha salarial, professores decretam greve em sete Estados Luciano Máximo e Sérgio Bueno Professores de cinco Estados brasileiros - Alagoas, Amapá, Paraíba, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Sergipe - decretaram greve. Em São Paulo, a paralisação atinge parte do magistério estadual, o que eleva para sete o número de movimentos regionais de paralisação de docentes. Somadas, essas redes públicas estaduais contam com mais de 80 mil docentes efetivos e temporários, e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) estima uma adesão de até 75% (60 mil trabalhadores) aos movimentos de paralisação. Pernambuco, com 35 mil professores, tem paralisação de um dia programada para 3 de junho. No Espírito Santo, os cerca de 20 mil docentes estão em estado de greve, que pode ser deflagrada no dia 9 de junho caso o governo não atenda às reivindicações da categoria. A maioria dos professores de escolas públicas estaduais está em campanha salarial. As principais reivindicações, de norte a sul do país, são a reposição de perdas salariais de anos anteriores e o cumprimento da lei do piso nacional do magistério, que foi considerada válida em sua totalidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão tomada há um mês. "As mobilizações indicam que vários governos estão descumprindo a lei, que o professor brasileiro ainda recebe abaixo do piso nacional", avalia Heleno Araújo, secretário de assuntos educacionais da CNTE. Dos sete movimentos grevistas, os professores das escolas e faculdades técnicas e tecnológicas de São Paulo (Etecs e Fatecs) são os que exigem o maior reajuste: 58%. O número, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores do Centro Paula Souza (Sinteps), é a base para repor seis anos de perdas salariais. No Rio Grande do Norte, a greve também abrange motoristas e cobradores do transporte coletivo de Natal, policiais civis, servidores do Detran e da Secretaria Estadual de Tributação. Cerca de 90% dos 8 mil professores, que querem aumento de 15% no salário e 40% na principal gratificação, não trabalharam ontem e devem manter a greve até amanhã, quando será organizada uma assembleia geral. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública (Sinte-RN), o governo exigiu a volta ao trabalho para abrir negociações. A Secretaria Estadual de Educação não se manifestou. A Secretaria Estadual de Educação de Sergipe informou que 396 escolas estão fechadas por causa da greve de mais de 12 mil professores. O governo aceitou pagar o piso e dar reajuste de 5,7% para docentes que já recebem acima de R$ "O sindicato dos professores está intransigente e radicalizou", diz nota da secretaria. Em Alagoas, os professores rejeitaram aumento de 7%. "É o valor que o governo quer dar para todos os servidores. Estamos tentando unificar nossas reivindicações com o

19 conjunto de servidores estaduais numa greve estadual. Queremos obter reajuste de 25%", diz Maria Consuelo Correa, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal). No Amapá, o governo estadual ofereceu três reajustes de 3% até o fim do ano. A oferta foi rejeitada pelos professores, que exigem aumento de 16%. "É a complementação do salário para chegarmos ao piso. Estamos hoje [ontem] na quarta negociação, sem consenso", relata Maria Antônia Freitas, vice-presidente do Sindicato dos Servidores Públicos em Educação do Amapá. No Rio Grande do Sul, a paralisação está restrita aos professores municipais da capital. Em Porto Alegre, os professores se uniram ao restante dos servidores municipais e decretaram greve na última segunda-feira. Com data-base em maio, os funcionários da prefeitura exigem reajuste salarial de 18%, além de aumento de R$ 12 para R$ 18 no vale-alimentação e outros benefícios como a inclusão, no cálculo da aposentadoria, do valor médio das horas extras recebidas pela categoria. Segundo o sindicato dos servidores, o Simpa, 90% das escolas municipais e 70% dos serviços de saúde estão parados. A proposta da prefeitura, rejeitada ontem pelos grevistas, prevê aumento salarial de 7%, já inclusos os 6,5% referentes à inflação acumulada em 12 meses até maio, mais vale-alimentação de R$ 13 e reposição parcelada de perdas de anos anteriores. Em nota, a administração argumentou que a reivindicação dos servidores geraria gasto extra anual de R$ 289 milhões. Déficit da Previdência diminui 17% no ano Tarso Veloso O aumento real de 9,3% na receita da Previdência Social este ano, até abril, ajudou a reduzir o déficit da seguridade em 17,2%. O valor da arrecadação líquida foi de R$ 72,166 bilhões no quadrimestre, ante R$ 66 bilhões no mesmo período de As despesas com benefícios somaram R$ 87, 49 bilhões, com aumento de 3,5% na mesma comparação. O resultado é um déficit de R$ 15,329 bilhões entre janeiro e abril, cifra bem inferior, portanto, aos R$ 18,507 bilhões do primeiro quadrimestre do ano passado. Segundo o ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho, o aumento do emprego e da renda está reduzindo o déficit do Regime Geral da Previdência Social, que se refere aos trabalhadores do setor privado. "O bom desempenho da arrecadação está ligado ao mercado de trabalho aquecido, com melhoria de salário do trabalhador." Em abril, as receitas tiveram aumento de 6,8%, chegando a R$ 18,54 bilhões. Já os gastos com pagamento de benefícios cresceram num ritmo bem maior, 18,1% sobre igual mês de 2010, chegando, assim, a R$ 24,27 bilhões. Excluindo as renúncias previdenciárias, o aumento do déficit no mês passado sobre abril de 2010 foi de 79%. Esse acréscimo ocorreu, segundo o ministro, pelo pagamento de precatórios, que atingiu R$ 3,221 bilhões em abril, ante R$ 404 milhões em abril de O setor rural continua pressionando o déficit. Em abril, a diferença entre as contribuições pagas pelos trabalhadores rurais e os benefícios recebidos foi de R$ 4,8 bilhões. Já na área urbana, o déficit foi de apenas R$ 910 milhões.

20 A expectativa do ministério é que o déficit na conta da Previdência Social chegue a até R$ 41 bilhões neste ano. No acumulado em 12 meses até abril, o déficit é de R$ 42,457 bilhões, com valores corrigidos pelo INPC. O ministro considerou o resultado da Previdência em abril "satisfatório", mas disse que o pagamento dos precatórios aumentou o déficit mensal. Geralmente, eles são quitados em janeiro, mas os passivos com a Justiça, este ano, foram adiados para abril. "Este mês não foi tão positivo pelo fato de que os precatórios foram incluídos nas contas da Previdência. Com isso não tivemos o superávit que estávamos obtendo na previdência urbana, que é que garante o desafogo da situação", disse Garibaldi. Segundo o secretário de Previdência Social, Leonardo Rolim, a proporção de não contribuintes, idosos e crianças, vêm diminuindo. Em 1970, 89,3% da população era composta por crianças, de 0 a 14 anos, e idosos, 60 anos ou mais. No ano passado, esse percentual caiu para 53% da população. "Hoje temos uma proporção muito maior de pessoas na idade ativa, o que nos ajuda a fazer ajustes já pensando no futuro, quando a população envelhecer", afirmou. Dilma pode ir a evento da OIT em Genebra Assis Moreira O governo brasileiro prepara com discrição uma possível viagem da presidente Dilma Rousseff a Genebra no dia 15 de junho, para discursar na 100ª Conferência Internacional do Trabalho. Essa poderá ser sua estreia na cena multilateral, numa assembleia que tratará de emprego e para a qual já confirmaram presença a chanceler alemã, Ângela Merkel, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, e os presidentes da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, e Tanzânia, Jakaya Kikwete. A presidente estará em terreno conquistado, se confirmar a presença, como é a expectativa na Organização Internacional do Trabalho (OIT). A entidade dirigida pelo chileno Juan Samovia cita o Brasil como um dos melhores exemplos na reação à crise econômica, tendo proporcionado alta real do salário mínimo e adotado medidas de proteção social. A criação de empregos nos últimos tempos é um dos mais elevados entre os principais países. Investida de Aécio e Guerra contra Serra divide tucanos paulistas Ana Paula Grabois, Vandson Lima e Caio Junqueira A investida do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e do presidente do PSDB, o deputado federal Sérgio Guerra (PE) para desalojar aliados do ex-governador José Serra da executiva do partido divide os tucanos paulistas. Vitorioso na indicação do comando dos diretórios municipal e estadual de São Paulo, que marginalizou os serristas, Alckmin defende espaço na executiva nacional tucana para São Paulo, mas não tem comprado briga pelo correligionário. "São Paulo não está fora da direção nacional. O Alckmin está na dele e o Sérgio Guerra está muito bem com o governador", disse um interlocutor de Alckmin.

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