ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL PREFEITURA MUNICIPAL DE CORUMBÁ GABINETE DO PREFEITO

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1 REGULAMENTO Nº 01, DE 30 DE JUNHO DE 2008 Dispõe sobre normas e procedimentos administrativos a serem observados por servidores da Administração Pública Municipal candidatos ou não a cargos eletivos em O PREFEITO MUNICIPAL DE CORUMBÁ, Estado de Mato Grosso do Sul, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. 92, I da Lei Orgânica do Município de Corumbá c.c art. 63, V da Lei Complementar nº 96, de 2 de agosto de 2006, R E S O L V E: Expedir o presente Regulamento para a boa e fiel execução da Legislação Eleitoral pelos servidores públicos municipais no que se refere ao pleito de CAPÍTULO I DAS CONDUTAS VEDADAS AOS AGENTES PÚBLICOS Art. 1º Considera-se agente público aquele que exerce, ainda que transitoriamente e sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nos órgãos ou entidades da Administração Pública direta, indireta ou fundacional, seja ele candidato ou não. Nota explicativa (NE): Para efeitos de legislação eleitoral, a acepção de agente público é bastante ampla, abrangendo aqueles que mantêm qualquer espécie de vínculo com a Administração Municipal. Frise-se que tal aplicação é para todos os agentes públicos, candidatos ou não. Art. 2º Ficam vedadas, no ano das eleições, as condutas abaixo especificadas, tendentes a afetar a igualdade de oportunidades entre candidatos nos pleitos eleitorais: I - ceder ou usar, em benefício de candidato, partido político ou coligação, bens móveis ou imóveis pertencentes à administração direta ou indireta do Município, ressalvadas a cessão provisória de imóvel para realização de convenção partidária. NE: O que se proíbe é o uso de qualquer bem da Administração Pública em prol de candidato, partido político ou coligação, mesmo após o expediente normal, finais de semana e feriados. É o caso, por exemplo, de um servidor ceder sua sala para promoção de reuniões e encontros em favor da campanha política de candidato, ou usar de veículo oficial com fins eleitorais, inclusive em manifestações de apoio. 1

2 Este artigo é de grande amplitude. O que é da Administração é utilizado somente por ela mesma e em seu benefício, não devendo seu uso ser feito com finalidade política. Já o uso de imóvel da Administração poderá ser autorizado pelo Secretário Municipal competente, mediante solicitação oficial de Partido Político com a finalidade específica de realização de convenção. II - usar materiais ou serviços, custeados pelo Poder Executivo Municipal, que excedam as prerrogativas consignadas nos regimentos e normas dos órgãos que integram; NE: Abrange desde o uso de material de consumo (ex: papel para impressão) como permanente (ex: computador) para finalidades eleitorais. Quanto aos serviços, veda-se, por exemplo, os serviços de limpeza em prol de campanhas eleitorais ou realizados para instalação de comitês. III - ceder servidor público ou empregado da administração direta ou indireta do Poder Executivo Municipal, ou usar de seus serviços, para comitês de campanha eleitoral de candidato, partido político ou coligação, durante o horário de expediente normal, salvo se o servidor ou empregado estiver licenciado; NE: A cedência de servidor para fins de campanha eleitoral é absolutamente proibida. Não há óbice algum para o servidor público dedicar-se à campanha eleitoral de determinado candidato. Ocorre que o horário de expediente, fixado pelo Decreto Nº 355, de 27 de novembro, deve ser respeitado. Fora dessa situação, é lícito o desenvolvimento de atividades de campanha. Não pode o servidor se afastar somente para o período de campanha, entendendo-se como licenciado aquele que está no gozo de férias regulamentares, licença-gestante ou qualquer outra espécie legalmente permitida. IV - fazer ou permitir uso promocional em favor de candidato, partido político ou coligação, de distribuição gratuita de bens e serviços de caráter social custeados ou subvencionados pela Administração Municipal; NE: Não é por estar em período eleitoral que serviços de saúde, educação e assistência social, entre outros, que ocorrem de modo regular e periódico, devem ser interrompidos. Já a distribuição gratuita de bens pode acontecer (distribuição de cestas básicas, p.ex.), desde que não esteja associada à promoção de candidato, partido ou coligação e em obediência ao inciso VI do presente artigo. Ou seja, não pode haver vinculação de campanha política com programas de governo. O proibido é o uso político e promocional dos serviços ofertados à comunidade em prol de alguém. Numa interpretação extensiva, vigora também a proibição de manifestação individual de apoio a candidato dentro das repartições públicas, para que não se crie simpatia ou expectativa em relação a algum nome que preste serviço público. 2

3 V realizar despesas com publicidade dos órgãos públicos municipais, ou das respectivas entidades da administração indireta, que excedam a média dos gastos nos três últimos anos que antecedem o pleito, ou do último ano imediatamente anterior à eleição; NE: A propaganda institucional de programas de governo poder ser realizada, obedecendo-se algumas limitações, sendo proibida apenas nos três meses que antecedem o pleito (vide art. 4º, III). Nesse contexto, o montante de gastos com publicidade de órgãos ou entidades da Administração Pública Municipal não poderá superar a média das despesas com publicidade realizadas no triênio 2005/2007, ou a média das despesas realizadas em Essa média é operação aritmética simples, devendo cada entidade da Administração Indireta considerar suas próprias despesas e optar por um dos critérios acima especificados, exceto as autarquias, cujas despesas integram o montante dos gastos realizados pela Administração Direta, que procederá de igual forma. VI distribuir gratuitamente bens, valores ou benefícios por parte da Administração Pública, exceto nos casos de calamidade pública, de estado de emergência ou de programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior, casos em que o Ministério Público obrigatoriamente será informado para, se assim entender necessário, promover o acompanhamento de sua execução financeira e administrativa. NE: Questão de maior alcance que o trazido no inciso IV do presente artigo. Naquele há proibição de vinculação de candidato, partido ou coligação com a prestação de serviço social custeado ou subvencionado pelo Poder Público. Neste condiciona-se a distribuição de bens, valores ou benefícios aos casos ora elencados (calamidade pública, estado de emergência ou programas sociais autorizados em lei e em execução orçamentária no exercício anterior). Exige nesse dispositivo uma maior cautela por parte dos agentes públicos, devendo cumprir os requisitos para distribuição gratuita, os quais são cumulativos. É obrigatória a comunicação ao Ministério Público das exceções abrangidas no presente inciso, para que o mesmo, dentro da faculdade que lhe é atribuída, promova o acompanhamento de sua execução. Art. 3º Nos cento e oitenta dias que antecedem o pleito, fica proibida a revisão geral da remuneração dos servidores públicos que exceda a recomposição da perda de seu poder aquisitivo ao longo do ano da eleição. NE: Neste prazo não pode haver aumento da remuneração dos servidores, salvo a mera recomposição da perda inflacionária e relativa ao ano em curso, ou seja, a atualização de vencimentos com base na inflação verificada no ano eleitoral. A concessão de vantagens, como indenizações, gratificações e adicionais, bem como outros direitos previstos nas Leis Complementares nº. 42, de 8 de dezembro de 2000, e nº 89, de 21 de dezembro de 2005 (Estatuto dos Servidores Públicos do Município de Corumbá e 3

4 Plano de cargos e Carreiras da Prefeitura Municipal de Corumbá, respectivamente), podem ocorrer normalmente, por se tratar de prerrogativa funcional do servidor. Art. 4º Nos dois últimos quadrimestres do final do mandato, é proibido contrair obrigação de despesa que não pode ser cumprida integralmente dentro dele, ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício seguinte sem que haja suficiente disponibilidade de caixa para este efeito. NE: Veda-se a contração de despesa para pagamento em 2008 sem que haja recursos financeiros suficientes e, mesmo para despesas que vencerão em 2009, de igual forma deve haver disponibilidade de caixa no presente ano. As exceções ficam por conta da contratação de serviços de natureza contínua, que podem ter empenhos fracionados por até cinco anos; contratação para fornecimento de bens ou prestação de serviço, motivada pela essencialidade e urgência e a contratação para execução de obras previstas no Plano Plurianual, Lei de Diretrizes Orçamentárias e Lei Orçamentária Anual. Art. 5º Nos três meses que antecedem o pleito, a vedação incide sobre: I - nomear, contratar ou de qualquer forma admitir, demitir sem justa causa, suprimir ou readaptar vantagens ou por outros meios dificultar ou impedir o exercício funcional e, ainda, ex oficio, remover, transferir ou exonerar servidor público, sob pena de nulidade de pleno direito, ressalvados: NE: Neste grupo estão elencados os atos absolutamente vedados. Porém, aqueles que dizem respeito à remoção, transferência e exoneração podem ser realizados, desde que a pedido do servidor. Merece destaque o fato de que a demissão com justa causa, oriunda de Processo Administrativo Disciplinar, pode se dar a qualquer tempo. a) a nomeação ou exoneração de cargos em comissão e designação ou dispensa de funções de confiança; NE: Por ser de livre nomeação o cargo em comissão e a função de confiança, a designação de nomes para o seu exercício pode ocorrer no período eleitoral, do mesmo modo em que pode haver sua exoneração, sendo tal liberalidade direito da Administração Pública. b) a nomeação dos aprovados em concursos públicos homologados até o início daquele prazo; NE: Para que, no ano do pleito, haja nomeação de aprovados em concurso público, este deve ser homologado até a data estipulada no presente artigo. No caso de concurso em andamento, cuja homologação não ocorrer em tempo hábil, impossibilitada estará a nomeação para o ano em curso. Para certames já homologados, a nomeação de servidores poderá ocorrer normalmente, mesmo no período eleitoral. 4

5 c) a nomeação ou contratação necessária à instalação ou ao funcionamento inadiável de serviços públicos essenciais, com prévia e expressa autorização do Chefe do Poder Executivo; NE: Necessário se faz, em caso de serviços públicos essenciais, demonstrar a premência da contratação ser realizada a fim de não ocorrer sua paralisação ou, em situação de inatividade, colocá-los em funcionamento. Para tal, devem ser observados os seguintes requisitos, de forma cumulativa - caracterização da essencialidade do serviço; necessidade imediata de instalação; carência de servidores que comprometa o funcionamento das atividades essenciais e expressa autorização do Chefe do Executivo. II firmar ajuste de transferência voluntária de recursos da União ou Estado ao Município de Corumbá, sob pena de nulidade de pleno direito, ressalvados os recursos destinados a cumprir obrigação formal preexistente para execução de obra ou serviço em andamento e com cronograma prefixado, e os destinados a atender situações de emergência e de calamidade pública; NE: Transferência voluntária é entendida como a entrega de recursos correntes ou de capital a outro ente da Federação, a título de cooperação, auxílio ou assistência financeira, que não decorra de determinação constitucional, legal ou os destinados ao Sistema Único de Saúde. Isso quer dizer que não são voluntárias as transferências previstas na Constituição, em lei ou destinadas ao SUS. O vocábulo recurso tem ampla acepção, sendo entendido como financeiro, material, entre outros. A hipótese permitida para o recebimento de transferência voluntária é para cumprimento de obra ou serviço já iniciado fisicamente, com cronograma prefixado, ou para atender situações de emergência e calamidade pública. III - autorizar publicidade institucional dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos municipais, ou das respectivas entidades da administração indireta, salvo em caso de grave e urgente necessidade pública, assim reconhecida pela Justiça Eleitoral; NE: Nesse período, a publicidade fica proibida, inclusive a propaganda institucional, aquela que divulga ato, programa, obra, serviço e campanhas do governo ou órgão público, autorizada por agente público e paga com o erário. A exceção fica por conta do reconhecimento pela Justiça Eleitoral de necessidade pública grave e urgente. Admite-se a permanência de placas de obras públicas, desde que não contenham expressões que possam identificar autoridades, servidores ou administrações cujos dirigentes estejam em campanha eleitoral. A proibição não recai sobre a publicação de atos oficiais, que necessariamente deve ocorrer para dar conhecimento à população dos atos da Administração, como p. ex. leis, decretos, avisos de licitação, etc. 5

6 IV - fazer pronunciamento em cadeia de rádio e televisão, fora do horário eleitoral gratuito, salvo quando, a critério da Justiça Eleitoral, tratar-se de matéria urgente, relevante e característica das funções de governo; NE: Destina-se a todo e qualquer agente público. Existe a possibilidade de tal pronunciamento, desde que estes se refiram às questões inerentes à função de governo, submetida à apreciação da Justiça Eleitoral, que deliberará sobre sua possibilidade de veiculação. V contratar shows artísticos pagos com recursos públicos na realização de inaugurações; NE: Essa proibição visa a evitar a ocorrência de comícios indiretos, provocando multidões pelo apego popular. Mesmo sendo as eleições 2008 de cunho municipal, resta vedada a contratação pelo Estado ou União para shows, do mesmo modo que o Município não pode contratar para outros entes federados. A vedação não incide sobre os festejos programados pela Secretaria Executiva de Turismo ou Fundação de Cultura, desde que os eventos não ocorram em inaugurações. VI - participarem os candidatos a cargos do Poder Executivo de inaugurações de obras públicas; NE: Vedado o simples comparecimento, mesmo como simples expectador, com o fito de induzir o evento a ato de campanha. Veda-se também a propaganda sobre a própria inauguração. VI expedir ato que resulte em aumento de despesa com pessoal. NE: Na verdade esta proibição é para os cento e oitenta dias que antecedem o final do mandato do titular do Poder Executivo. Como houve coincidência desta data com a referente aos três meses que antecedem o pleito, foi conjugada no mesmo artigo para fins didáticos. Para este vale a mesma ressalva feita no artigo 3º, no que concerne às vantagens e direitos do servidor. CAPÍTULO II DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS Art. 6º Para efeitos deste Regulamento, consideram-se os seguintes prazos como data limite: I ano das eleições: a partir de 1º de janeiro de 2008; II cento e oitenta dias antes do pleito: de 8/4/2008 a 4/10/2008; III dois últimos quadrimestres do mandato: de 1º/5/2008 a 31/12/2008; IV - quatro meses antes do pleito: de 5/6/2008 a 4/10/2008; V - três meses antes do pleito: de 5/7/2008 a 4/10/2008. Art. 7º Este Regulamento entra em vigor a partir de sua aprovação, mediante Decreto, nos termos da legislação vigente. 6

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