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1 Senado Federal Secretaria de Gestão da Informação e Documentação Coordenação de Biblioteca Pesquisa realizada pela Biblioteca do Senado Federal Praça dos Três Poderes Senado Federal Anexo II Térreo Biblioteca CEP: Brasília - DF Brasil Telefone: + 55 (61) (61)

2 ISSN COMMUNICATIONS LAW REVIEW Ano 1 n. 1 jan.-jun Coordenação ANA luiza VALADARES RIBEIRO MARCOS ALBERTO SANT'ANNA BITELLI CONSELHO EDITORIAL Alexandre KehrigVeronese Aguiar (UFF) Antônio Pinto Monteiro (IlC-FD-Coimbra) Ministro Benedito Gonçalves (STJ) Carlos Alberto Bittar Filho (procuradoria-sp) Carlos Ari Sundfeld (PUC-SP) Floriano de Azevedo Marques Neto (USP) Gaspar AriFío Ortiz (Universidad Complutense de Madrid) George Salomão Leite (Advogado) Gustavo Binenbojm (UERJ) Helena de Araújo Lopes Xavier (Universidade Nova de Lisboa) Ives Gandra da Silva Martins (Advogado) Juan Miguel de la Cuétara Martínez (Universidad Complutense de Madrid) Ministro José Antônio Dias Toffoli (STF) Lúcia Helena P. Bettini (PUC-SP) Maria Garcia (PUC-SP) Nelson Nery Junior (PUC-SP e Unesp) Odete Medauar (USP) Otavio Luiz Rodrigues Junior (UFPE) Pedro Gonçalves (IjC-FD-Coimbra) Regina Maria Macedo Nery Ferrari (UFPR e Tuiuti) Regis Fernandes de Oliveira (USP) Ronaldo Lemos (FGV-RJ) Rosa Maria B. B. de Andrade Nery (TJSP) Rui Geraldo Camargo Viana (USP) Rui Stoco (TJSP) COMMUNICATIONS LAW REVIEW Ano 1 - n. 1- jan.-jun. / 201 O Coordenação ANA luiza VALADARES RIBEIRO MARCOS ALBERTO SANT'ANNA BITELLI EDITORAlli1 REVISTA DOS TRIBUNA

3 154 REVISTA DE DIREITO DAS COMUNICAÇÕES 201 O- RDCOM 1 A legacy of suppression: del control de la información y o. '. Inglaterra de los siglos XVI y XVII De1'echo.y '.. piillon b I.. conoclmlento' anuari. 50 re a socledad de la información y de! conocimiento vol ' JU ,. p. o SALVAEDORd~oDERCH, UICICA~' Pablo et ai (dirs.). EI mercado de las ideas Madrid' C stu los Constitucionales, '. entr Rodolfo Daniel. Los bancos de datas y e! derecho a la intimidad B Ires: Ad-Hoc, Ue 2 blicidade e propaganda nos serviços de radiodifusão educativa sonora e de imagens: o caso TV Cultura Parecer da Advocacia-Geral da União OTAVIO LUIZ RODRIGUES JUNIOR Doutor em Direito Civil pela USP. Pós-doutorando em Direito Constitucional pela Universidade de Lisboa. Professor adjunto da Universidade Federal Fluminense. Advogado da União. Assessor de Ministro do STF. DO DIREITO: Comunicação; Constitucional UMO: O artigo resenha parecer e descho do Ministério das Comunicações a Advocacia-Geral da União que deitaram o modelo infraconstitucional s serviços de radiodifusão, departindoem público, estatal e privado, além de tabelecer a disciplina da publicidade stitucional. AlAVRAS-CHAVE: Radiodifusão ~ Telecomu I'licações - Publicidade - Radiodifusão Pública - Concessão - Permissão. ABSTRACT: The article reviews the legal opinion and order of the Ministry of Communications and the Federal Government Attorney General's Office to delimit the model of broadcasting services, divided by public, state and private sectors, and to establish the discipline of institutional advertising. KEYWORDS: Broadcasting Telecommunication Commercial advertising - Estate own television Concessions Administrative authorizations. SUMÁRIO: 1. Colocação do problema: a consulta da Fundação Padre Anchieta - 2. Resenha do parecer do Ministério das Comunicações - 3. Análise do despacho do Advogado-Geral da União - 4. Construção de um modelo de radiodifusão pública: conteúdo e limites.

4 156 REVISTA DE DIREITO DAS COMUNICAÇÕES RDCOM COLOCAÇÃO DO PROBLEMA: A CONSULTA DA FUNDAÇÃO PADRE,"",""'LI'c" A regulação da publicidade e da propaganda nos serviços de rad difusão é objeto de um mosaico de regras, de diferenteshierarquias, co nítidos conflitos no campo da sucessão de normas no tempo e da hier quia de leis, sem mencionar outros fenômenos jurídicos como a apor" e a anomia. Essa realidade é mais evidente no campo dos serviços radiodifusão educativa, cujas características especiais (v.g., ausência pagamento de preço público pela outorga da concessão ou da permiss ou inexistência de procedimento licitatório) determinaram, inicia mente, a pré-exclusão do direito a auferir rendimentos, contraprestaçã ou vantagens econômicas pela veiculação de anúncios em sua grade. O art. 13 do Dec.-Iei 236, de , que complementou modificou a Lei 4.117, de , o conhecido Código Brasileir de Telecomunicações, é a sedes materiae dessa restrição, quando afirm que: "Art. 13. A televisão educativa se destinará à divulgação d programas educacionais, mediante a transmissão de aulas, conferência palestras e debates. Parágrafo único. A televisão educativa não tem caráter comercia sendo vedada a transmissão de qualquer propaganda, direta ou indireta mente, bem como o patrocínio dos programas transmitidos, mesmo qu nenhuma propaganda seja feita através dos mesmos." A norma foi explícita ao vedar a transmissão de propaganda ou o patrocínio dos programas veiculados por televisão educativa. Com o passar dos anos, especialmente após o advento da Constituição de 1988, surgiram discussões sobre a recepção desse dispositivo pelo novo modelo constitucional de serviços de radiodifusão, inseridos no capítulo da Comunicação Social (arts. 220 a 224, CF/1988) e submetidos a concerto principiológico inteiramente novo. A Fundação Padre Anchieta, pessoa jurídica de direito privado, instituída por lei estadual de São Paulo, ainda em 1967, ano dá edição do Código Brasileiro de Telecomunicações, e responsável pela geração da "TV Cultura", colocou em termos jurídicos o problema da supervivência desse marco regulatório em face da Constituição de E fê-lo por meio de consulta direta ao Advogado-Geral da União, que se baseou em algumas premissas: (a) o art. 13 do Dec.-Iei 236/1967 é incompatível com a Constituição de 1988 e não foi por ela recepcionado, dado o conflito com seus arts. 5. (isonomia e legalidade), 21, XII, 220, caput, 221 e 223, e outros da Ordem Econômica; (b) as concessionárias de serviços iodifusão educativa sonora e de imagens não se restringem mais a itir programas exclusivamente pedagógicos. Atualmente, haveria ipartição nas espécies de concessionárias, como entes comerciais, s e públicos; (c) não poderia haver discriminações, com base no 1, CF/1988, entre essas entidades, dada a ausência de fundamento tucional para essa diferenciação; (d) existem diversas leis fedeubsequentes ao Dec.-Iei 236/1967, que instituíram mecanismos de ciamento direto ou indireto às emissoras educativas. De tal sorte, e poderia manter as concessionárias educativas em posição de ~to impedimento de obtenção dessas vantagens indispensáveis ao io de suas atividades essenciais; (e) a própria realidade desmente a <1, pois as televisões educativas há muito não circunscrevem seus eúdos às previsões taxtativas do Dec.-lei 236/1967 e do Código ileiro de Telecomunicações. O Advogado-Geral da União recebeu a consulta e determinou a audia prévia da Consultoria Jurídica do Ministério das Comunicações, se pronunciou sobre o tema nos termos do Parecer MC/ConjurIMBH 29, , elaborado pelo consultor jurídico Marcelo Bechara Souza Hobaika. Esse parecer, que foi posteriormente aprovado em parte pelo Advoo-Geral da União e tornado vinculante para a Administração Federal 10 Presidente da República, tem profundo impacto no regime jurídico radiodifusão educativa no Brasil. RESENHA DO PARECER DO MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES A resenha do estudo jurídico do órgão de execução da Advocaciaral da União no Ministério das Comunicações permite extrair as guintes conclusões: 1) O art. 223 do CF/1988, estabeleceu três serviços de radiodifusão nora e de sons e imagens, a saber, o privado, o público e o estatal. parecerista distingue entre (a) o serviço público privativo do Estado (sistema de radiodifusão estatal); (b) o serviço público não privativo do listado (sistema de radiodifusão público) e (c) o serviço não privativo do listado (sistema de radiodifusão privado), que se submetem ao princípio complementaridade. 2) Em seguida, faz-se a delimitação do conteúdo e das funções de modalidade de serviço de radiodifusão, sob a ótica constitucional:

5 DE DIREITO DAS COMUNICAÇÕES 201 O- RDCOM a) A radiodifusão estatal privativa tem por função a oferta dei mações institucionais e o cumprimento dos deveres estatais pecu no âmbito da Comunicação Social. É uma forma de desempenh obrigações constitucionais de compartilhar com os súditos da Rep as ações, as políticas públicas, as políticas governamentais, as camp públicas (saúde, educação, segurança pública) e todos os atos liga fiel execução dos princípios magnos do art. 37, caput, da CF/19 entre os quais, de modo implícito, está a transparência. b) A radiodifusão não privativa do Estado é a que foi concedid permitida aos operadores particulares. Conql:lanto todos os se de radiodifusão sejam públicos, essa modalidade goza de liberdad produção de conteúdos e se favorece da prevalência da livre inicia Segundo o parecerista, esse "sistema privado busca maior autonomia emissoras de rádio e de televisão quanto ao conteúdo de sua programa sempre atento aos princípios constitucionais e infraconstitucionais regem o serviço. Apesar de uma série de limites, sua lógica é basicame comercial. A informação é transmitida a partir de uma linha editori a busca pelo entretenimento do usuário é a grande marca desse modé extremante bem sucedido e aceito no Brasil". c) A radiodifusão pública não privativa do Estado, dita radiodifus pública (e, portanto, não estatal) é conceituada no Parecer MC/Conj MBH 1.929, , como a que se destina a transmitir progra educativos, porém, essa finalidade é complementada pelo conteúdo art. 221 da CF/1988, sem ostentar caráter exaustivo a enumeração fins ali contidos (educativos, artísticos, culturais e informativos). É ser resguardada a contaminação desses serviços por interesses ou ing rências comerciais. A própria origem da outorga - sem licitação, se preço público - assim o exige. Estabelecido esse arco terminológico, o parecer ocupa-se de resolve o ponto central da consulta, que é a aplicabilidade das restrições pré constitucionais à publicidade e à própaganda na radiodifusão público Louvando-se na pouco conhecida Portaria Interministerial 651 de , do Ministério das Comunicações e do Ministério da Cul~ura Marcelo Bechara de Souza Hobaika estabelece que a programação da~ concessionárias (e permissionárias) deve ser apresentada de forma recreativa, informativa ou cultural, sem finalidade de lucro. Segundo o parecerista, o "parágrafo único do art. 13 é expresso ao afirmar que a televisão educativa não tem caráter comercial. Com isso, é inadmis- do sistema público de radiodifusão a comercialização de se espaços". ntanto, essa regra não se mostra incompatível com as chamadas centivo - Lei 7.505/1986 e na Lei 8.313/1991 -, na medida elas permitem a captação de recursos para projetos específicos, a marco regulatório diverso, no qual tem posição preeminente o.o da Cultura. volução normativa, no entanto, trouxe um novo componente à o problema, que é o conceito da publicidade institucional, nos Lei 9.637, de , que, em seu art. 19, permitiu às orgasociais que absorvessem as atividades de radiodifusão educativa, imento de recursos e a veiculação remunerada de anúncios, além ar a efeito "outras práticas que configurem comercialização de seus aios". Marcelo Bechara de Souza Hobaika considera que essa regra itada às entidades que, de modo transitório e por efeito da Reforma 'nistrativa, assumiram as funções da Fundação Roquette Pinto e ongêneres. Para ele, criou-se tão somente uma tendência, porém, nificativo relevo na perspectiva histórica. O parecer admite que a Lei , de , que institui os cípios e objetivos dos serviço de radiodifusão pública explorados Poder Executivo ou outorgados a entidades de sua administração 'reta e autoriza a constituição da Empresa Brasil de Comunicação BC, em seus arts. 2. e 3., ultrapassou seus limites objetivos e deu cretude aos princípios constitucionais da radiodifusão pública iço público de radiodifusão não privativa do Estado). A despeito dessa importante função de sistematizar os princípios radiodifusão pública, a Lei /2008 deu sequência a um processo is antigo, de concretização de termos constitucionais ainda vagos, lativamente a esse tertius genus dos mencionados serviços públicos. serviço de radiodifusão comunitária, instituída pela Lei 9.612, de , segundo a manifestação jurídica do Ministério das Comuniáções, já seria um típico exemplo de radiodifusão pública. Retomando o objeto específico da consulta, o Parecer MC/Conjur/ BH 1.929, destaca que a Lei /2008 conectou a ublicidade institucional aos princípios constitucionais do art. 37, specific~menteo primado da publicidade. Com isso, seria lícito afirmar que a vedação do art. 13 do Dec.-lei 236/1967 estaria em plena conformidade com a Lei /2008, até porque, de acordo com o texto da

6 160 REVISTA DE DIREITO DAS COMUNICAÇÕES RDCOM manifestação da Consultoria Jurídica, "da mesma forma, a publicid institucional não comporta a veiculação de anúncios de produto~ serviços." Em seção seguinte, o parecer afirma textualmente que a inter tação extensiva da Lei /2008 não pode ser automaticamente tr posta para toda e qualquer entidade, impondo-se o exame caso a e condicionado à investigação de suas características em correspondên à sua finalidade social. E, para além disso, deve ser demonstrada a oe rência de vínculo jurídico com o Estado. Por fim, fez-se a correspondência entre a Empresa Brasileira Comunicação - EBC e a Fundação Padre Anchieta, sob a égide de três critérios: (a) as características comuns; (b) a finalidade social; ( vinculação com o Poder Público. O parecer, em suas conclusões, apresenta quatro aspectos dignos nota, por sua inovação na ordem jurídica: 1) O reconhecimento pela autoridade regulatória dos serviços radiodifusão - o Ministério das Comunicações - da existência de modelo tripartido desses serviços, atualizando os modelos normativ de modo praeter legem, mas secundum leges constitutionis, por efeito art. 223 da CF/1988. Haveria os serviços estatais, públicos e privados 2) Os serviços de radiodifusão educativa permaneceriamsujeitos termos do art. 13 do Dec.-Iei 236/1967. A publicidade institucional, entanto, é lícita, nos moldes da norma superveniente, a Lei /20 cujo âmbito de aplicação é, em princípio, delimitado à EBC, mas, extensão, alcança modus in rebus as outorgadas dos serviços de radio fusão pública. 3) A publicidade institucional nos serviços de radiodifusão públi é de ser realizada após o exame caso a caso das entidades interessad havendo o parecer estatuído três critérios para controlar a aplicação seus efeitos concretos: (a) as características comuns da entidade a EBC; (b) a finalidade social simétrica; (c) a vinculação com o Po Público. 3. ANÁLISE DO DESPACHO DO ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO O Parecer MC/ConjurlMBH 1.929, seguiu o ritmo 40, 1.0, da LC 73, de , segundo o qual "o parecer aprova e publicado juntamente com o despacho presidencial vincula a Ad ão Federal, cujos órgãos e entidades ficam obrigados a lhe dar fiel rimento." ara isso, foi submetido à aprovação do Advogado-Geral da União,.José Antonio Dias Toffoli, que o fez por meio de Despacho, cujo ambém merece análise, na medida em que acolheu apenas parte das usões da ConsultoriaJurídica do Ministério das Comunicações. () então Advogado-Geral da União, José Antonio Dias Toffoli, eu que, a despeito das restrições do art. 13 do Dec.-Iei 236/1967, dação Padre Anchieta "pode veicular conteúdos de caráter recrea 'Uformativo ou de divulgação desportiva considerados educativos, les estiverem presentes elementos instrutivos ou enfoques educalllturais identificados em sua apresentação. Poderá ainda veicular aganda institucional, amparada na legislação posterior que rege a éria, afastada a comercialização, sempre com objetivo de atender ~ finalidades institucionais". Assim, a aprovação do parecer do Ministério das Comunicações estou suas conclusões no sentido de que existem três modelos stitucionais de serviços de radiodifusão, além de serem aplicáveis ranquias da Lei /2008, "no tocante à liciedade da propaganda titucional", à Fundação Padre Anchieta. O ponto de dissidência do despacho do Advogado-Geral da União tra-se no punctum saliens da consulta, que é a recepção do art. 13 Dec.-Iei 236, de , pela Constituição de A autorie máxima na interpretação normativa no âmbito da Administração eral deixou de se pronunciar sobre esse tema, seja por entender que stem "questões exógenas ao parecer", dignas de melhor reflexão, seja rque os limites da consulta o impediam de emitir juízo peremptório re o tema. Rigorosamente, permanece em aberto o problema da adequação do. 13 do Dec.-lei 236/1967 ao texto constitucional vigente. O parecer ibiu a posição do Ministério das Comunicações sobre a matéria. E, sse aspecto, aquela autoridade regulatória está admitida a permanecer m sua interpretação favorável ao recebimento daquela norma pela onstituição de Sobre isso o consultor jurídico Marcelo Bechara Souza Hobaika não deixou dúvidas. A ressalva do Advogado-Geral da nião não permite afastar do campo da validade esse posicionamento. o reverso, o capítulo do parecer não se convolou em coisa vinculante

7 162 REVISTA DE DIREITO DAS COMUNICAÇÕES 201 O- RDCOM para a Administração Federal. A questão permanece em aberto, ao externamente ao Ministério das Comunicações. 4. CONSTRUÇÃO DE UM MODELO DE RADIODIFUSÃO PÚBLICA: CONTEÚDO LIMITES Da combinação dessas manifestações, da Consultoria Jurídica e Advocacia-Geral, extrai-se que poderá ser reapresentada a tese da inco patibilidade normativa do art. 13 do Dec.-Iei 236/1967. O Preside da República, ao aprovar o Despacho e o Parecer, tornou vinculant contudo, os capítulos atinentes à extensão de regimejurídico da EBC p a Fundação Padre Anchieta e encampou os três critérios que devem preenchidos para qualquer outra outorgada de serviços de radiodifu pública, que pretenda se favorecer da publicidade institucional. Sob esse ponto, tolitur quaestio. Há vinculação hierárquica administrati erga omnes e abrem-se as portas para o equacionamento de problem semelhantes em diversas pessoas jurídicas congêneres. A forma prudente com que a matéria foi abordada, tanto pe Ministério das Comunicações, quanto pela Advocacia-Geral da Uniã evitará que externalidades negativas advenham da aprovação do parec e do despacho. Em princípio, estão excluídas dos benefícios da publicl dade institucional todas as radiodifusoras educativas que não possua vínculo com o Poder Público. À exceção daquelas que hajam sid instituídas ou sejam controladas, administradas ou regidas (ainda qu indiretamente) por Municípios, Estados, Distrito Federal, União e seu entes autárquicos ou fundacionais, não poderão as educativas vinculada a fundações particulares (totalmente livres de controle estatal) gozar dos direitos assegurados por extensão pelo Parecer MC/ConjurlMBH 1.929, A solução do problema do custeio dos serviços de radiodifusão educativa ultrapassa a mera releitura do Dec.-Iei 236/1967. Os serviços de radiodifusão foram concebidos sob a lógica da autossustentabilidade. Diferentemente dos serviços de telecomunicações, que extraem seus rendimentos da contraprestação dos usuários, aqueles dependem dd concurso de investimentos de seus titulares e da obtenção de receitas decorrentes da propaganda e da publicidade. 1 O modelo histórico de 1. "A essência da radiodifusão encontra-se na ideia de transmissão gratuita de partículas sonoras ou sonorovisuais no espectro radioelétrico, sem qualquer restrição aos seus destinatários. Em regra, essas partículas ou desses serviços baseou-se no caráter intuitu personae. Com a 'tuição de 1988 e o incremento das receitas publicitárias, impõs-se ado da licitação como requisito da concessão ou da permissão rviços (eufemisticamente) denominados "educativos e culturais", IIi, verdadeiramente comerciais. Com essa mudança, a exigência de público tornou-se cogente. A contrapartida seria a concessão (ou issão) imaterial de uma outorga e, na realidade, de uma parcela do tro radioelétrico. As radiodifusoras educativas não se submetem a procedimento lici D, muito menos estão sujeitas ao pagamento de preço público. 2 Se lares da concessão ou da permissão são pessoas jurídicas de direito do, sem vínculo com Administração Pública, a pura e simples não ção do art. 13 do Dec.-Iei 236/1967 criaria um estado de discrimio entre os que prestam serviços educativos e culturais (comerciais? ondas são propagadas no éter, sem guia especial, a partir de suas geradoras. A gratuidade e a generalidade da recepção timbram e diferenciam os serviços de radiodifusão. Os concessionários, permissionários e autorizatários devem, quando for o caso, obtersua remuneração pormeios próprios (publicidadeou apoios culturais)" (RODR1GUESJUN10R, Otavio Luiz. O regime jurídico-constitucional da radiodifusão e das telecomunicações no Brasil em face do conceito de atividades audiovisuais. A inconstitucionalidade do anteprojeto de lei que cria a Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual - Ancinav. Revista de Informação Legislativa, vol. 43, n. 170, p , abr. jun. 2006). No mesmo sentido: "Os serviços de radiodifusão são gratuitos e abertos à comunidade. As emissoras geradoras de sons e imagens recebem sua remuneração em razão da publicidade inserida na programação. A finalidade dos serviços de radiodifusão é educativa e cultural e são considerados serviços de interesse nacional, sendo permitida a exploração comercial destes na medida em que não afete sua finalidade e o interesse nacional" (VALLE, Regina Maria Piza de Assumpção Ribeiro do. TV por assinatura e radiodifusão: a consolidação da legislação dos serviços de comunicação eletrônica de massa no direito brasileiro. Revista de Informação Legislativa, vol. 40, n. 160, p , out.-dez. 2003, p ). Especificamente sobre a desnecessidade de licitação: STJ, MS 7.465/DF, La Seção, j , rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ , p "Art..38. Nas concessões e autorizações para a execução de serviços de radiodifusão, serão observados, além de outros requisitos, os seguintes preceitos e cláusulas: c...) d) os serviços de informação, divertimento, propaganda e publicidade das empresas de radiodifusão estão subordinadas às finalidades educativas e culturais inerentes à radiodifusão, visando aos

8 164 REVISTA DE DIREITO DAS COMUNICAÇÕES RDCOM e os serviços educativos. Desapareceria, na prática, a diferença comgraves prejuízos ao erário, porquanto os últimos nada pagariam outorgas e aufeririam vantagens típicas dos que por elas despend numerário vultoso. Poucos se interessariam pelas outorgas come,ante a franquia generalizada das educativas. A fórmula encontrada Ministério das Comunicações resguarda essas distinções e, ainda, espaço para a radiodifusão pública gozar das vantagens do model publicidade institucional. A compatibilidade vertical do Dec.-Iei 236/1967 com a Constit poderá ser revista pela Advocacia-Geral da União. Seu exame pelo também é possível, por meio de ação declaratória de descumprim de prefeito fundamental, inclusive com a participação no julgament antigo Advogado-Geral da União, José Antonio Dias Toffoli, que h integra o Pretório Excelso, dado que ele não se pronunciou, direta indiretamente, sobre esse capítulo do parecer da ConsultoriaJurídica Ministério das Comunicações. O exame desses documentos, que seguem transcritos na for como publicados no Diário Oficial da União, merece a atenção estudiosos do Direito das Telecomunicações. Trata-se de um modo colmatar lacunas e superar anomias e aporias de um marco regulatá que há tempos requer sua reconstrução, com base nas normas con tucionais e nos princípios reitores do modelo constitucional de saber, a defesa dos valores contidos no art. 221 da CF/1988. Despachos do Presidente da República4 "Referência: Processo / Considerando a relevância do conteúdo jurídico do Parecer M Conjur/MBH 1.929, , por mim aprovado por Despacho de t. determino o desarquivamento dos autos e sua remessa ao Exmo. Sr. Presi dente da República para os fins do art. 40, 1.0, LC 73, de Encaminhamentos de estilo. Em 21 de outubro de 2009." "21 de outubro de José Antonio Dias Toffoli superiores interesses do País" (Lei 4.117, de Institui o Brasileiro de Telecomunicações). 4. Publicado no DOU de ,1." Seção, p speito deste despacho o Exmo. Sr. Presidente da República seguinte despacho: 'Aprovo. Em, 21.X.2009"'. pacho do Advogado-Geral da União Üerência: Processo / llida-se de procedimento administrativo instaurado a requerida Fundação Padre Anchieta, que aponta a existência de controrídica com o Ministério das Comunicações, em face do caráter t da autorização de execução experimental de serviços de radio,publicada no DOU de onforme apontado pela interessada, a norma do art. 13 d~ Dec. de , apresenta conteúdo jurídico não recepcionado ê6nstituição de 1988, na medida em que estabelece proibições à iação de publicidade por titulares de outorgas de serviços de radio -o educativa. beterminei fossem os autos encaminhados previamente ao Minisdas Comunicações, a fim de que se lhe permitisse expor manifessobre o caso. Voltaram-me os autos com o Parecer MCIConjur/MBH 1.929, , da lavra de seu Consultor Jurídico Dr. Marcelo Bechara de ()baika, o qual, em sua conclusão, aduz o seguinte: 'Ficou demonstrado que a Lei Maior não derrogou o art. 13 do c.-iei 236/1967. Todavia, também foi demonstrado que o sistema blico de radiodifusão, mormente educativas vinculadas ao Poder 1Jlico evoluiu, sem que isso implique a mudança de visão do Dec.-Iei 1967 que era garantir a não comercialização do sistema. Em relação à programação, coube a Portaria Interministerial651, de , estabelecer a possibilidade de que mesmos os conteúdos de áter recreativo, informativo ou de divulgação desportiva pode~ão ser nsiderados educativo, se neles estiverem presentes elementos mstruos ou enfoques educativo-culturais identificados em sua apresenta~ão. s exemplos de conteúdos desenvolvidos pela Fundação Padre AnchIeta item 4.4 de sua manifestação estão totalmente aderentes ao estabeecido na Portaria, o que já demonstra que a entidade vem na busca do cumprimento dessas finalidades. A Fundação Padre Anchieta, entidade da administração indireta do Estad~ de São Paulo integra o sistema público de radiodifusão. Portanto, assim como a EBC, e desde que obedecidos os princípios da

9 166 REVISTA DE DIREITO DAS COMUNICAÇÕES 201 O- RDCOM Lei /2008, a Fundação Padre Anchieta poderá contar com a pu cidade institucional de entidades de direito público e de direito priva vedada a sempre veiculação de anúncios de produtos ou serviços. vedação se coaduna com a proibição do art. 13 do Dec.-Iei 236/19 Ao contrário do que foi apresentado pela interessada, o dispositivo impede a fruição plena dos benefícios da comunicação social. Diante do exposto, pode-se concluir que, apesar de válidas as ções estabelecidas pelo art. 13 do Dec.-lei 236/1967, a Fundação P Anchieta, pode veicular conteúdos de caráter recreativo, informativo o divulgação desportiva considerados educativo, se neles estiverem preseil elementos instrutivos ou enfoques educativo-culturais identificados sua apresentação. Poderá ainda veicular propaganda institucional, a rada na legislação posterior que rege a matéria, afastada a comercializaçsempre com objetivo de atender suas finalidades institucionais.' Acolho o parecer nas conclusões que possibilitam a caracteriza dos conteúdos veiculados pela requerente como adequados ao ãmb normativo da Portaria Interministerial651, de E, além is as que estendem à requerente o regime jurídico da Lei /2008, tocante à liciedade da propaganda institucional. Essa leitura do orden mento infraconstitucional pela Consultoria Jurídica do Ministério d Comunicações é apropriada aos fins públicos da requerente e serve fundamento para suas pretensões legítimas no que concerne à obtençã de subsídios econômicos por vias juridicamente regulares. Deixo, contudo, de me pronunciar sobre as conclusões que afastam não recepção do art. 13 do Dec.-Iei 236, de , pela ordem const' tucional em vigor. Creio que esse ponto demanda maior reflexão e o exa de questões exógenas ao parecer, as quais dependem de uma formulaçã mais ampla da matéria, algo impossível dado o objeto da controvérsia. Ante o exposto, acolho em parte a manifestação jurídica do Minis. tério das Comunicações, consubstanciada no Parecer MC/Conjur/MB 1.929, , para os fins de: a) permitir à requerente a veiculação de conteúdos de caráter recreativo, informativo ou de divulgação desportiva considerados educativos, se neles estiverem presentes elementos instrutivos ou enfoques educa. tivo-culturais identificados em sua apresentação; b) reconhecer a licitude da veiculação de propaganda institucional e o apoio cultural, nos termos da Lei /2008. eixo de emitir pronunciamento, pelas razões expendidas, sobre pção do Dec.-Iei 236, de , pela ordem constitucional te. pós, remetam-se cópias deste despacho ao Ministério das Comu -es e à requerente, acompanhada do mencionado parecer, para os e estilo. Arquive-se. Em 02 de outubro de osé Antonio Dias Toffoli." '.'Parecer MC/Conjur/MBH 1.929, Processo / Ementa: Controvérsia jurídica instaurada pela Fundação Padre hieta em face de ato do Ministério das Comunicações que deu icabilidade ao art. 13 do Dec.-Iei 236, de Dispositivo epcionado pela Constituição da República de Inexistência de nsa a princípios constitucionais. Radiodifusão pública. Finalidades programação. Publicidade institucional. Possibilidade. 'Deixai a imprensa com suas virtudes e seus vícios. Os seus vícios ontrarão corretivos nos seus acertos.' - Rui Barbosa. O Gabinete do Exmo. Sr. Advogado-Geral da União solicita ronunciamento desta Consultoria Jurídica acerca da controvérsia jurí.ca instaurada pela Fundação Padre Anchieta, em face de norma do inistério das Comurücações que conferiu aplicabilidade ao art. 13 do ec.-lei 236, de , o qual não haveria sido recepcionado pela onstituição Federal. I - Relatório A Fundação Padre Anchieta, pessoa jurídica de direito privado, em fins lucrativos, foi instituída pela Lei estadual paulista 9.849, de , com a finalidade de promover atividades educativas e cultuais, por meio de suas emissoras de rádio e televisão. Para tanto, detém diversas outorgas conferidas pelo Poder Público Federal para executar serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens, bem como serviços ancilares em vários Municípios do país. Recentemente, com objetivo de cumprir suas finalidades institucionais,' utilizando-se de recursos modernos da tecnologia do Sistema Brasileiro de Televisão Digital - SBTDV-T, a Fundação Padre Anchieta

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