PROPOSTA PEDAGÓGICA DO SISTEMA COC DE ENSINO EDUCAÇÃO INFANTIL

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1 PROPOSTA PEDAGÓGICA DO SISTEMA COC DE ENSINO EDUCAÇÃO INFANTIL

2 ÍNDICE Proposta Pedagógica do Sistema COC de Ensino Educação Infantil APRESENTAÇÃO I. INTRODUÇÃO STEFANO LUNARDI / DREAMSTIME.COM II. FUNDAMENTAÇÃO III. DESENVOLVIMENTO DA PROPOSTA IV. OBJETIVOS GERAIS DA PROPOSTA PEDAGÓGICA V. 1 a ÁREA LINGUAGENS DE EXPRESSÃO 1 LINGUAGEM PLÁSTICA INTRODUÇÃO...20 FASES DO DESENHO INFANTIL a FASE 18 MESES A 4 ANOS a FASE 4 A 7 ANOS a FASE 7 A 9 ANOS a FASE 9 A 11 ANOS a FASE 11 A 13 ANOS a FASE 13 A 18 ANOS...28 OBJETIVOS GERAIS DA LINGUAGEM PLÁSTICA...28 OBJETIVOS ESPECÍFICOS DA LINGUAGEM PLÁSTICA...29 O DESENHO PODE REVELAR...30 O EDUCADOR: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS...33 OUTROS ELEMENTOS DE TRABALHO...33 APLICAÇÃO DE RECURSOS / MATERIAIS UTILIZADOS...33 TÉCNICAS...36 PROCEDIMENTOS RECOMENDADOS LINGUAGEM ORAL E ESCRITA INTRODUÇÃO...40 OBJETIVOS GERAIS DA LINGUAGEM ORAL E ESCRITA...42 OBJETIVOS ESPECÍFICOS DA LINGUAGEM ORAL E ESCRITA...43 O EDUCADOR: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS...43 APLICAÇÕES DE RECURSOS...44 CONVERSAS FORMAIS E CONVERSAS INFORMAIS...44 HORA DA NOVIDADE...44 HORA DA HISTÓRIA...46 PALESTRAS...48 JOGOS DE RIMAS...48 QUADRAS E POEMAS...49 RECADOS

3 STEFANO LUNARDI / DREAMSTIME.COM PRANCHAS DIDÁTICAS...51 PRODUÇÃO ORAL...53 FICHAS LITERÁRIAS...54 ENTREVISTA...54 LIVROS...55 SUPORTE PARA O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO...55 PROCEDIMENTOS RECOMENDADOS LINGUAGEM CORPORAL INTRODUÇÃO...56 OBJETIVOS GERAIS DA LINGUAGEM CORPORAL...57 OBJETIVOS ESPECÍFICOS DA LINGUAGEM CORPORAL...58 O EDUCADOR: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS...60 APLICAÇÕES DE RECURSOS...62 AULAS HISTORIADAS...62 AULAS-PASSEIO...62 JOGOS IMITATIVOS...62 PEQUENOS JOGOS...62 BRINQUEDOS FOLCLÓRICOS...63 RODAS CANTADAS...63 SAPATAS...63 JOGUINHOS COM BOLA...63 SALTO EM ALTURA E EM DISTÂNCIA...64 PNEUS...64 BAMBOLÊS...64 JOGOS COM DEDOS...64 RABISCAÇÃO...64 LABIRINTOS...64 UNIR OU LIGAR PONTOS...65 PERFURAÇÃO...65 FIGURA FUNDO...65 DOBRADURAS...65 RECORTE...65 COLAGEM...66 PROCEDIMENTOS RECOMENDADOS LINGUAGEM MUSICAL INTRODUÇÃO...67 OBJETIVOS GERAIS DA LINGUAGEM MUSICAL...68 OBJETIVOS ESPECÍFICOS DA LINGUAGEM MUSICAL...69 O EDUCADOR: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS...70 APLICAÇÕES DE RECURSOS...70 PP-EI-2011-PÁG.3 OUVIR OS SONS DE SEU PRÓPIO CORPO...71 JOGO DO SILÊNCIO...71 JOGO DO SILÊNCIO E DO SOM...72 EXPLORAR SONS AO AR LIVRE

4 INSTRUMENTO MUSICAL: VIOLÃO...72 JOGO DO SOM E DO RUÍDO...73 JOGOS IMITATIVOS SONOROS...73 AULA HISTORIADA CANTADA...73 RODAS E BRINQUEDOS CANTADOS...74 PARLENDAS...74 MNEUMÔNICAS...74 CANTO...74 PROCEDIMENTOS RECOMENDADOS...76 STEFANO LUNARDI / DREAMSTIME.COM VI. 2 a ÁREA NATUREZA E SOCIEDADE 1 LINGUAGEM AFETIVO-SOCIAL INTRODUÇÃO...77 OBJETIVOS GERAIS DA LINGUAGEM AFETIVO-SOCIAL...78 OBJETIVOS ESPECÍFICOS DA LINGUAGEM AFETIVO-SOCIAL...78 AFETIVIDADE...79 O EDUCADOR: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS...81 CHORO FÁCIL...82 TIMIDEZ...82 DESOBEDIÊNCIA...82 CRIANÇA CARENTE...83 CRIANÇA SUPERDOTADA...83 CRIANÇA AGRESSIVA...83 CRIANÇA DISTRAÍDA...83 CRIANÇA DISLÉXICA...84 APLICAÇÕES DE RECURSOS...84 SOCIALIZAÇÃO...86 O EDUCADOR: ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS...87 APLICAÇÕES DE RECURSOS...90 JOGO DO AMIGO...90 JOGO DO PRESENTE...90 ANIVERSARIANTES...91 EXCURSÕES PELA ESCOLA...91 PASSEIOS...91 HISTÓRIAS...91 JOGOS...91 MÍMICA...91 DRAMATIZAÇÃO...92 ZUNZUM OU COCHICHO...92 PROCEDIMENTOS RECOMENDADOS CIÊNCIAS INTRODUÇÃO...94 OBJETIVOS GERAIS DE CIÊNCIAS OBJETIVOS ESPECÍFICOS DE CIÊNCIAS...96

5 STEFANO LUNARDI / DREAMSTIME.COM O EDUCADOR: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS APLICAÇÕES DE RECURSOS COM UM ESPELHO COM O AR COM OS FENÔMENOS DA NATUREZA COM PLANTAS: COM OS ANIMAIS: COM OS ÍMÃS: COM A GRAVIDADE: COM OS SONS: PROCEDIMENTOS RECOMENDADOS PP-EI-2011-PÁG.5 3 TECNOLOGIA INTRODUÇÃO OBJETIVOS GERAIS DA TECNOLOGIA OBJETIVOS ESPECÍFICOS DA TECNOLOGIA O EDUCADOR: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS APLICAÇÕES DE RECURSOS PROGRAMAÇÃO DIGITAL PROCEDIMENTOS RECOMENDADOS VII. 3 a ÁREA MATEMÁTICA 1 LINGUAGEM MATEMÁTICA INTRODUÇÃO OBJETIVOS GERAIS DA LINGUAGEM MATEMÁTICA OBJETIVOS ESPECÍFICOS DA LINGUAGEM MATEMÁTICA O EDUCADOR: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS APLICAÇÃO DE RECURSOS TAMPINHAS PEDRINHAS BOTÕES BLOCOS LÓGICOS CONTAS COLORIDAS BRINQUEDOS PEDAGÓGICOS CARTAZES ASSOCIADOS AO CONCRETO FIGURAS GEOMÉTRICAS TANGRAM DOBRADURAS (ORIGAMI) CONTADORES RECEITAS CULINÁRIAS QUADRO DE CORTIÇA ÁBACO CORDAS PALITOS DE FÓSFORO NÚMEROS E NUMERAIS

6 FRUTAS E LEGUMES ATIVIDADES PARA FIXAÇÃO LIVRO: PARA APRENDER MAIS PROCEDIMENTOS RECOMENDADOS VIII. CONHECENDO AS CRIANÇAS EM SUAS FASES ESPECÍFICAS 1. CRIANÇAS DE UM ANO E MEIO A DOIS ANOS MATERNAL I FASE STEFANO LUNARDI / DREAMSTIME.COM INTRODUÇÃO EDUCADOR: ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS a ÁREA LINGUAGENS DE EXPRESSÃO LINGUAGEM PLÁSTICA LINGUAGEM ORAL LINGUAGEM CORPORAL LINGUAGEM MUSICAL a ÁREA NATUREZA E SOCIEDADE LINGUAGEM AFETIVO-SOCIAL CIÊNCIAS LINGUAGEM MATEMÁTICA CRIANÇAS DE TRÊS ANOS INTRODUÇÃO O EDUCADOR: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS a ÁREA LINGUAGENS DE EXPRESSÃO LINGUAGEM PLÁSTICA LINGUAGEM ORAL LINGUAGEM CORPORAL LINGUAGEM MUSICAL a ÁREA NATUREZA E SOCIEDADE LINGUAGEM AFETIVO SOCIAL CIÊNCIAS LINGUAGEM MATEMÁTICA CRIANÇA DE QUATRO ANOS INTRODUÇÃO a ÁREA LINGUAGENS DE EXPRESSÃO LINGUAGEM PLÁSTICA LINGUAGEM ORAL LINGUAGEM CORPORAL LINGUAGEM MUSICAL a ÁREA NATUREZA E SOCIEDADE LINGUAGEM AFETIVO-SOCIAL CIÊNCIAS a ÁREA MATEMÁTICA LINGUAGEM MATEMÁTICA

7 STEFANO LUNARDI / DREAMSTIME.COM 4. CRIANÇAS DE CINCO ANOS INTRODUÇÃO a ÁREA LINGUAGENS DE EXPRESSÃO LINGUAGEM PLÁSTICA LINGUAGEM ORAL LINGUAGEM CORPORAL LINGUAGEM MUSICAL a ÁREA NATUREZA E SOCIEDADE LINGUAGEM AFETIVO-SOCIAL CIÊNCIAS a ÁREA MATEMÁTICA LINGUAGEM MATEMÁTICA IX. UNIDADES TEMÁTICAS X. ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS GERAIS DA PROPOSTA PEDAGÓGICA COORDENAÇÃO OU DIREÇÃO EDUCADOR O EDUCADOR: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS ATENDIMENTO AS CRIANÇAS XI. UTILIZAÇÃO DO MATERIAL DIDÁTICO PARA OS EDUCADORES LINGUAGENS DE EXPRESSÃO MANUAL DO EDUCADOR BANCO DE IDEIAS PARA AS SALAS PRANCHAS DIDÁTICAS ESPECIAIS PARA AS CRIANÇAS LIVROS DE ATIVIDADES BIMESTRAIS LIVROS DESCOBRIR É DIVERTIDO LIVROS PARA APRENDER MAIS (ATIVIDADES PARA FIXAÇÃO) XII. CONSIDERAÇÕES FINAIS PP-EI-2011-PÁG.7 XIII. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 7

8 APRESENTAÇÃO A criança nasce em situação de total dependência e, pouco a pouco, torna-se autônoma. Quando de sua entrada antecipada na escola, em torno de um ano e meio a dois anos, está começando a adquirir condições de realizar pequenas ações e a perceber as consequências de suas escolhas. Para que haja um atendimento adequado e eficiente nesta fase inicial, é essencial oferecer possibilidades para que, paulatinamente, ela faça suas escolhas. Os três primeiros anos de vida período sensório motor são caracterizados pela inteligência prática. Para a criança, sua visão de mundo é algo a se experimentar, conhecer, por meio dos órgãos dos sentidos e das ações corporais. Suas ações são: olhar, agarrar, ouvir, alcançar com a boca ou sentir com a pele. Necessita da presença de objetos concretos, pois a criança até dez anos não faz abstrações. O movimento é a linguagem que ela usa para se expressar. Ao entrar na escola, seu pensamento é simultâneo ao movimento. Cabe à escola incentivar os movimentos, tornando maior o aprendizado da criança sobre si mesma e sobre os outros, havendo, assim, interação com o mundo que a rodeia. Ao movimentar-se, também expressa emoções, sentimentos e pensamentos, ampliando, dessa forma, seu repertório corporal. A linguagem corporal, baseada na expressividade corporal da criança, é mais que um simples movimento, deslocamento do corpo no espaço: constitui-se de uma linguagem que permite às crianças atuarem sobre o meio físico e sobre o ambiente humano, mobilizando as pessoas por meio de seu teor expressivo. Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil. Cada criança possui características próprias, com significados que são constituídos aos poucos, de acordo com as necessidades, os interesses e as possibilidades corporais. Por meio da dança, dos jogos, das brincadeiras e das práticas esportivas, ela tem oportunidade de se expressar com gestos e posturas, já com alguma intenção. A escola pode oferecer um ambiente onde as crianças sintam-se protegidas e acolhidas, para se sentirem encorajadas a se arriscar e a vencer desafios. Quanto mais rico e desafiador for esse ambiente, mais ele lhe possibilita a ampliação de conhecimentos acerca de si mesma, dos outros e do meio em que vivem. Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil. Na escola, as experiências serão vivenciadas a fim de que sejam internalizadas, assimiladas. A criança será desafiada a resolver situações problemas, a tomar decisões que são capacidades indispensáveis para seu desenvolvimento intelectual. 8

9 I. INTRODUÇÃO PP-EI-2011-PÁG.9 Segundo PIAGET, na Educação Infantil, o educador tem um papel importante, pois trabalha com crianças em processo inicial de desenvolvimento, em uma etapa básica da formação a personalida estas. Um profundo conhecedor das caracteristicas das faixas etárias de zero a cinco anos, estando a par sobre o que a ciência tem descoberto; por exemplo, o estudo do cérebro. O cotidiano desse profissional pode ser diuturnamente transformado para que atenda a criança de forma diferenciada e pertinente, envolvendo-a para que adquira conhecimentos e para que tenha uma visão ampliada do mundo em que vive. O educador partirá sempre do concreto para o abstrato, do perto para o distante, do simples para o complexo. As atividades planejadas e propostas terão alternância entre as mais calmas e as mais movimentadas. Ele aproveitará todas as ações do dia a dia que possam despertar o interesse das crianças, ato enriquecedor que muito ajudará no processo educativo. As unidades temáticas serão desenvolvidos em um clima lúdico, com jogos, brincadeiras etc. Estimulando a oportunidade, a descontração, a alegria, assim o educador poderá conhecer o ritmo de aprendizagem de cada criança, seu grau de atenção e motivação, sua maior ou menor facilidade em cada linguagem etc. A novidade é o desafio e estará sempre presente nas propostas apresentadas pelo educador. Uma reflexão importante é centrar a educação nas potencialidades da criança, e não em seus pontos fracos, lembrando que esses poderão ser superados. As funções psicomotoras e cognitivas serão desenvolvidas de acordo com o interesse e as necessidades da criança. O desenvolvimento da autoimagem positiva vai influenciar a sua capacidade de aprender. A estimulação verbal é muito importante, pois a fala é fundamental para o desenvolvimento da capacidade de raciocinar. Sabemos que o repertório infantil, quando a criança entra para a escola, é restrito, principalmente na idade entre dois e três anos. Essa restição também é presente entre as crianças com mais de 5 anos, caso não tenham recebido estímulo em casa, no ambiente em que vivem. O educador, como mediador, proporá regras simples, mas afetivas, procurando sempre valorizar as normas sociais: a cooperação, o respeito aos outros e aos objetos, a persistência diante das dificuldades, a assiduidade, a pontualidade, a expressão de sentimentos e de ideias e, assim, a criança sempre encontrará, na escola, ambiente propício para que se sinta segura e capaz de aprender. Os elogios também farão parte do trabalho do educador; não aquele elogio meloso e sem sentido, mas a menção aos pequenos progressos que a criança venha a alcançar, elogiando-a, sempre que possível, no momento em que ela atuar de maneira adequada e apropriada para 9

10 o educador, evitar rotular as crianças, pois elas se sentirão menosprezadas muitas vezes e não entenderão o próprio comportamento, ficando sem saber como lidar com este. O verdadeiro, o legítimo educador, é aquele que constantemente avalia e reavalia seu desempenho, sem medo de reconhecer seus limites e suas falhas, podendo, assim, refletir sobre seu posicionamento em relação às crianças, aos colegas de trabalho e à escola. Como qualquer pessoa, o educador tem suas limitações. Reconhecendo suas próprias dificuldades sem procurar justificá-las, mas sim sabendo aceitar as suas limitações, as dos pais e as das crianças e dos seus colegas, procurará sempre aprimorar seus conhecimentos, acompanhando todo o processo que ocorrer na educação, para que possa desempenhar seu papel com segurança, perspicácia e maturidade. A Proposta Pedagógica da Educação Infantil está preparada para os desafios contemporâneos e pretende apoiar o trabalho a ser realizado nas escolas parceiras, contribuindo para a melhoria da qualidade da educação brasileira. Nosso sistema também garantirá a todas as escolas parceiras uma base de conhecimento e de competências, para que todas elas funcionem de fato como uma rede. Apresentamos princípios que irão orientar a escola, visando a torná-la capaz de promover as competências indispensáveis para que os desafios sociais, culturais e profissionais da atualidade sejam enfrentados. Com isso, pretendemos propor princípios que irão orientar a prática educativa, a fim de que se possa tornar cada escola parceira apta a preparar as crianças em idade escolar, as quais fazem parte da Educação Infantil, para esse nosso tempo. Nossa proposta pedagógica é dirigida especialmente a todas as unidades escolares e aos seus dirigentes e gestores, que as lideram e as apoiam: supervisores, diretores, coordenadores e educadores. Assim, pretendemos que a qualidade de ensino seja cada vez mais aprimorada, para que possa atender eficazmente ao que ela se propõe. Nossos princípios centrais de Educação Infantil são: o espaço para a cultura, os eixos de trabalho e a prioridade à competência de linguagens de expressão, marcas do nosso sistema que visam sempre à articulação das competências para o aprendizado e para a contextualização no mundo do trabalho. 10

11 II. FUNDAMENTAÇÃO 1 AFP / ARCHIVES A proposta pedagógica da Educação Infantil do Sistema COC tem a finalidade de ser 2 uma fonte de consulta confiável, original, fecunda, alternativa e suplementar; um autêntico vade-mécum (livro de referência), que, mesmo sem ter a pretensão de esgotar todos os assuntos abordados, com certeza possibilitará informações e visões diversificadas. Esta proposta foi revisada, aprimorada e ampliada para que possa atender aos anseios de uma educação moderna e competente. Os conceitos e as opiniões, as teorias e as teses sobre o tema educação sempre mereceram apreciações, análises e atenções de ilustres estudiosos, respeitáveis autoridades, pensadores e educadores, em sua grande maioria ligados às áreas da sociologia, da psicologia e da pedagogia. Permitimo-nos aqui destacar os nomes de alguns deles, a partir do final do século XVIII e, em sequência cronológica, pinçando sempre um feito, um fato ou um destaque pertinente: Jean-Jacques Rousseau (1712/1778).... a verdadeira finalidade da educação é ensinar a criança a viver e a aprender a exercer a liberdade ; se o analisarmos sob o contexto de sua época, concordaremos que ele formulou, com raro brilho, princípios educacionais que permanecem até os nossos dias. 1 - Jean-Jacques Rousseau 2 - Henri Wallon 3 - Friedrich Froebel 4 - Maria Montessori 5 - Johann Heirich Pestalozzi 6 - Ovide Decroly 7 - Lev Semenovich Vygotsk Johann Heirich Pestalozzi (1746/1827). Sempre acreditou no poder da educação para aperfeiçoar o indivíduo e a sociedade; na instituição com o seu nome condenava a coerção, as recompensas e as punições. Friedrich Froebel (1782/1852). Considerava muito importantes o desenho e as atividades que envolviam movimento e ritmos e foi o primeiro educador a enfatizar o brinquedo e a atividade lúdica; inspirou-se no amor à criança e à natureza e criou, em 1837, o célebre Kindergarten (Jardim da Infância). Ovide Decroly (1871/1932). Criador dos famosos centros de interesse, em que a criança passava por três momentos: o da observação, o da associação e o da expressão; em suas escolas, viam-se os alunos no campo, semeando conforme a estação do ano, e, sobre as mesas, legumes colhidos. Lev Semenovich Vygotsky (1896/1934). Psicólogo bielo-russo. As proposições acerca do processo de formação de conceitos remetem à descrição das relações entre pensamento e linguagem, à questão da mediação cultural no processo da construção de significados por parte do indivíduo, ao processo de internalização e ao papel da escola na transmissão de conhecimento de natureza diferente daqueles aprendidos na vida cotidiana. Suas concepções sobre o funcionamento do cérebro humano fundamentam-se em suas ideias de que as funções psicológicas superiores são construídas ao longo da história social do homem. AFP / HARLINGUE / ROGER-VIOLLET ROGER_VIOLLET / AFP 4 REPRODUÇÃO RIA NOVOSTI / AFP REPRODUÇÃO 11

12 Maria Montessori (1870/1952). Médica, italiana, criou as Casas das crianças, que não visavam somente à instrução, mas eram locais de educação e de vida; a primeira Casa dei Bambini foi fundada em Roma. O principal sustentáculo do seu método são as atividades motoras e sensoriais. Henri Wallon ( ). Médico, filósofo e psicólogo; participante diretor da Escola nova, teve sua atenção voltada para a criança. Enfocou o desenvolvimento infantil em seus domínios afetivo, cognitivo e motor. Sua proposta, o desenvolvimento infantil tomado, pela própria criança, como ponto de partida, busca compreender cada uma das manifestações no conjunto as possibilidades, sem a consulta da censura prévia adulta. Wallon dialoga com outras teorias, encontrando complementaridade tanto na psicanálise quanto na teoria de Piaget. Wallon não propõe um sistema no qual se dispõem, de forma bem arrumada, etapas e processos da evolução psíquica. Ao contrário, para tratar o processo de desenvolvimento sob uma perspectiva abrangente, realiza um verdadeiro vaievem de um campo a outro da atividade infantil e entre as várias etapas que compõem o desenvolvimento. Para Wallon, Decroly foi um dos expoentes da escola nova e o que mais lhe agradava. Alexander Luria (1902/1977). Psicólogo, médico, russo, desenvolveu o processo psicodiagnóstico como método combinado motor para diagnosticar processos de pensamento. Em 1924, reunido com Vygotsky, cuja influência foi decisiva para moldar o seu futuro profissional, procurou estabelecer uma abordagem da psicologia que permitiu descobrir a forma como os processos naturais, como a maturação física e sensorial entrelaçada a mecanismos, para produzir as funções psicológicas de adultos. Deu ênfase especial ao papel da linguagem, ferramenta das ferramentas, para tornar especificamente humanos formas de pensamento, sentimento e ação. Célestin Freinet (1896/1966). Sendo professor primário, foi também um marco na história da pedagogia, pois partiu dessa base e impulsionou um movimento de renovação; deu ênfase à ação educativa, possibilitada por meio das aulas-passeio. Para ele, o processo do desenvolvimento humano assemelha-se a um pêndulo, continuando até a vida adulta. Estudando Piaget, deu o seu aval para que a obra dele continuasse viva. Jean Piaget (1896/1980). Impossível que ele não venha a receber destaque quando se trata de psicologia moderna; foi um estimulador da Educação Infantil pela sua teoria psicogenética, que reconhece que o processo de desenvolvimento pressupõe uma sucessão de etapas. Brunner (1915). Psicólogo inglês, com sua teoria da aprendizagem, com o reconhecimento do valor da ciência com uma forma sofisticada do conhecimento humano e o relevo que o ensino das matérias científicas devem ter no currículo escolar. O ponto central é a importância concedida ao método da descoberta que deveria ser aplicado em todas as escolas. Howard Gardner (1943). Psicólogo cognitivo e educacional americano, nascido em Scranton, Pensilvânia, é conhecido pela Teoria das Inteligências múltiplas em muitos países, a qual proporciona apoio para um fato que a maioria dos educadores (e a maioria dos pais) sabe: as crianças têm mentes muito diferentes umas das outras, possuem forças e fraquezas diferentes e é um erro pensar que existe uma única inteligência, em termos da qual todas as crianças podem ser comparadas. Como essa teoria é recente, os educadores precisam trabalhar de modo perseverante por alguns anos para dominar as ideias e colocá-las em prática, sempre refletindo sobre aquilo que está funcionando bem e aquilo que não está. O maior desafio, no dizer de H. Gardner, é conhecer cada criança como ela realmente é, saber o que ela é capaz de fazer e centrar a educação nas capacidades, forças e interesses dessa criança. O educador é um antropólogo, que observa a criança cuidadosamente, e um orientador, que a ajuda a atingir os objetivos que a escola ou o distrito ou a nação estabeleceu. Regina Leite Garcia (1993). Quanto mais a Educação Infantil abrir para a criança a possibilidade de acesso a diferentes linguagens, que estão postas no mundo, mais o seu universo cultural se ampliará; quanto maior for o seu entendimento do real, menos avançada ficará para a possibilidade do novo. 12

13 PP-EI-2011-PÁG.13 Nathalie de Salzmann de Etievan (1996). Educada na Suíça e na França, viveu no Rio de Janeiro e radicou-se na Venezuela. Foi jornalista, tradutora, piloto, pintora, sobretudo educadora. Fundou vários colégios na Venezuela, na Colômbia, no Peru e no Chile. Para ela, a criança, para que seja equilibrada e harmoniosa, precisa de muito amor, muito afeto e também, como prova desse amor, firmeza e severidade, se for necessário. Consequentemente, as crianças pequenas devem receber muita firmeza, mas também muito afeto. A exigência, a firmeza, o castigo dados com amor não frustram a criança. Por trás da palavra frustração, esconde-se nosso comodismo: deixar a criança fazer sempre o que quer fazer. Em certas oportunidades, temos de castigar, fazer de conta que estamos bravos ou tristes, não dentro de nós mesmos, mas exteriormente, porque a criança precisa que lhe indiquemos, às vezes com rigor, que não queremos que faça algo. Com a exigência, a criança adquire sua consciência, porque distinguir o bem e o mal não é inato. Educar a sua consciência é formar nela a capacidade de discernir entre o bem e o mal. Emília Ferreiro (1937). Psicóloga e pesquisadora argentina, fez doutorado sob a orientação de Jean Piaget, está viva e continua seu trabalho. Em 2001, recebeu do governo brasileiro a Ordem Nacional do Mérito Educativo. Ela não criou um método de alfabetização, mas sim procurou observar como se realiza, na criança a construção da linguagem escrita. Muito antes de iniciar o processo formal de aprendizagem de leitura/escrita, as crianças constroem hipóteses sobre esse objeto do conhecimento. Até chegar à leitura e à escrita, a criança tem à sua frente uma longa estrada a percorrer. O seu processo de construção da escrita se dá em quatro fases (psicogênese da escrita), cada uma delas com características próprias, que são percorridas por todas as crianças, no decorrer do processo de aprendizagem. Sem dúvida alguma, é uma pesquisadora que deixou sua marca. Atualmente, com todo atendimento que recebe, a criança inicia precocemente o processo de aprendizagem, e os educadores poderão observar as fases que as crianças percorrem bem antes dos seis anos, independentemente do meio em que vivem. Em relação aos notáveis estudiosos, cujos nomes foram anteriormente relacionados e realçados, cabe ainda destacar que: além da preocupação educacional, houve também em comum entre Rousseau, Pestalozzi, Piaget o fato de eles serem suíços e Brunner inglês igualmente psicólogos; os pensadores Montessori, italiana, e Decroly, belga, tinham formação em medicina; somente Froebel, alemão, e Freinet, francês, eram originalmente educadores; Vygotsky e Luria, ambos russos, pesquisaram as relações entre pensamento e linguagem; pela importância do que falaram e fizeram, em torno deles sempre gravitaram educadores de alto gabarito e centenas de pensadores ligados aos diversos ramos do conhecimento, todos preocupados igualmente com assuntos educacionais, porém de maneira muito particular, mais voltados ao desenvolvimento intelectual, psicossocial e emocional do ser humano, desde o seu nascimento. 13

14 III. DESENVOLVIMENTO DA PROPOSTA Atualmente a criança é vista como um sujeito de direitos, situado historicamente e que precisa ter as suas necessidades físicas, cognitivas, psicológicas, emocionais e sociais supridas, caracterizando um atendimento integral e integrado da criança. Ela terá todas as suas dimensões respeitadas. Segundo Zabalza ao citar Fraboni: a etapa histórica que estamos vivendo, fortemente marcada pela transformação tecnológica-científica e pela mudança ético-social, cumpre todos os requisitos para tornar efetiva a conquista do salto na educação da criança, legitimando-a finalmente como figura social, como sujeito de direitos enquanto sujeito social (1998:68). Organizamos e apresentamos o material didático para a Educação Infantil, com base no RCNEI*, objetivando o desenvolvimento das potencialidades da criança, integrando o cuidar e o educar ao mesmo tempo. Sabemos que a criança se exprime e se manifesta, de modo natural, por meio de três àreas. Dentre elas, elegemos três áreas em que as linguagens de expressão, ciências e tecnologia se encaixam, que consideramos básicas e, portanto, importantes: 1 a ÀREA: LINGUAGENS DE EXPRESSÃO. Plástica, Oral, Escrita, Corporal e Musical. 2 a ÀREA: NATUREZA E SOCIEDADE. Linguagem Afetivo-Social, Ciências e Tecnologia. 3 a ÀREA: MATEMÁTICA. Linguagem Matemática. ÁREAS LINGUAGENS DE EXPRESSÃO Oral Escrita Plástica Corporal Musical UNIDADES TEMÁTICAS NATUREZA E SOCIEDADE Afetivo-Social Ciências Tecnologia MATEMÁTICA Linguagem Matemática RCNEI*. (Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil) criado em Trata-se de um documento que procura nortear o trabalho realizado com crianças de 0 a 6 anos de idade. Ele representa um avanço na busca de se estruturar melhor o papel da Educação Infantil, trazendo uma proposta que integra o cuidar e o educar, o que é hoje um dos maiores desafios da Educação Infantil. 14

15 UNIDADES TEMÁTICAS Desenvolver Habilidades para adquirir novos conhecimentos Desenvolver Habilidades para a inteligência emocional UNIDADES TEMÁTICAS Estimular o pensamento criativo Desenvolver a comunicação ESTRUTURA DO MATERIAL CONTEÚDOS BASE DE APOIO RCNEI INTERATIVIDADE VERSATILIDADE SOLUÇÃO HÍBRIDA TEMAS TRANSVERSAIS OFICINAS LÚDICAS JOGOS E BRINCADEIRAS CURIOSIDADES Procuramos enriquecer o material didático, acrescentando, sempre de acordo com cada etapa ou estágio, atividades complementares: 1. Banco de Projetos Culturais e Sociais (anual); 2.Descobrir é Divertido (semestral); 3. Para Aprender Mais (atividades para fixação) em todos os estágios; Livros: Eu para o Maternal I fase 2, Minha História para o Maternal II, Crescer para o 1 o Estágio e Uma letra outra letra, para o 2 o Estágio. A criança se expressa e se manifesta através de três áreas: PP-EI-2011-PÁG.15 1 a ÁREA LINGUAGENS DE EXPRESSÃO Linguagens de Expressão (Linguagens Plástica, Oral, Escrita, Corporal e Musical); As linguagens de expressão são assim definidas, em síntese: 15

16 Linguagem Plástica. Oferece condições diferentes e até criadoras, proporcionando a exploração do fazer artístico por meio do desenvolvimento da imaginação, da sensibilidade e das capacidades de produção que a criança detém e que fazem parte da construção do seu aprendizado simbólico, relacionando-o gradativamente com o mundo que a rodeia e com sua cultura. Linguagem Oral e Escrita. Possibilita o desenvolvimento da linguagem como um meio de comunicação, permitindo à criança dominar o seu código linguístico e valorizar esse meio de comunicação. Toda criança tem seu potencial próprio, maior ou menor, dependendo dos estímulos recebidos da família e da escola. A relação entre o pensamento e a linguagem merece atenção. Para aprender a ler e a escrever, a criança precisa construir um conhecimento de natureza conceitual e ampliar gradativamente sua linguagem oral e escrita. Esse processo ocorre pela familiarização com textos, leitura e escrita de produções e livros, identificação do próprio nome e em outras situações do cotidiano em que a linguagem é utilizada, resolvendo problemas de natureza lógica até chegar a compreender de que forma a escrita alfabética representa a linguagem, condição indispensável ao exercício pleno da cidadania. A partir desse contato, dessa constatação de que as crianças constroem conhecimentos sobre a escrita, percebemos a importância da Educação Infantil, não existindo uma data, um mês ou uma etapa específica para esse aprendizado, mas sim uma participação intensa de alguns anos em práticas sociais com a leitura e a escrita. Linguagem Corporal. Possibilita a criança se expressar corporalmente. A expressão corporal tem uma significação muito peculiar e importante. Com sua espontaneidade característica a criança revela por meio de seu corpo, tudo o que sente. As habilidades corporais vão aos poucos se aprefeiçoando de modo natural e espontâneo. Seu pensamento lógico busca compreender causas e consequências para melhor se expressar. Os sentimentos, as emoções e pensamentos vão sendo representados, ampliando as podssibilidades do uso significativo de gestos e posturas corporais. O controle dos movimentos vai se ampliando para movimentos mais precisos e coordenados. Com os estímulos que recebe o seu desenvolvimento sensório-perceptivo vai depender do que lhe é oferecido. Linguagem Musical. É uma das formas importantes de expressão humana, o que por si só justifica sua presença no contexto da educação, de modo geral, e na Educação Infantil Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil. 2 a ÁREA NATUREZA E SOCIEDADE Linguagem Afetivo-Social. Transpassa as demais linguagens penetrando e invadindo cada uma delas, visando incentivar a criança a descobrir e a assumir as regras de conduta social; por essa linguagem será possível desenvolver nas crianças aprendizagens orientadas e que contribuam para o desenvolvimento infantil em atitudes básicas de aceitação, respeito, confiança para o acesso das crianças às mais diversas realidades culturais e sociais. Ciências. Não como linguagem de expressão, mas fará parte integrante da nossa programação, proporcionando à criança uma diversidade de temas e possibilitando o pensamento 16 MELINA 2010

17 em situações direcionadas para explicações, soluções, respostas, opiniões, numa concepção de mundo que só a criança desenvolve por meio da construção de conhecimentos diferenciados, como animais, plantas, o próprio corpo e suas habilidades físicas e motoras. A ecologia também terá um papel de destaque nas atividades propostas. Tecnologia. Outra novidade em nossa programação. Proporciona à criança oportunidades para adentrar nesse conhecimento que já faz parte do seu cotidiano. A interação com mais esse instrumento de ensino, no caso, o computador (Internet, MSN e outros), proporciona uma vivência atualizada, contribuindo para que, no cotidiano do aluno, a tecnologia se integre ao seu conhecimento. PP-EI-2011-PÁG.17 3 a ÁREA MATEMÁTICA LINGUAGEM MATEMÁTICA Linguagem Matemática. Possibilita à criança desenvolver o raciocínio, algumas operações mentais, relacionando noções matemáticas ao seu cotidiano. Os números, quantidades, classificações, dimensões, formas, medições, transformações, orientações, conservações, mudanças, espaços são explorações que pertencem espontaneamente às experiências cotidianas da vida, às brincadeiras, às negociações, ao pensamento e à fala das crianças. As cem linguagens da criança. Carolyn Edwards, Lella Gandini, George Forman. Fazer matemática é expor ideias próprias, escutar as dos outros, formular e comunicar procedimentos de resolução de problemas, confrontar, argumentar e procurar validar seu ponto de vista, antecipar resultados de experiências não realizadas, aceitar erros, buscar dados que faltam para resolver problemas, entre outras coisas. Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil. As atividades de linguagem matemática, propostas em nosso material, proporcionam todas as situações citadas, contribuindo para a formação de cidadãos capazes de pensar com autonomia e organizar seus conhecimentos matemáticos. Entendemos ser oportuno consignar os resultados de duas pesquisas sobre crianças na fase pré-escolar, tendo em vista a importância e a coincidência de suas conclusões: 1. Nos Estados Unidos, Benjamin S. Bloom, citado por Sophia Kassar, demonstrou que:... metade dos trabalhos da inteligência humana é formada até os 2 (dois) anos e 2 (dois terços) até 3 a idade dos 4 (quatro) anos. 2. O educador francês e diretor de uma das divisões educacionais da Unesco, Henri Dieuzeide, de certo modo, confirma a demonstração de Bloom: Do ponto de vista do desenvolvimento intelectual, pesquisas mais recentes e coincidentes indicam, em relação ao nível de inteligência geral aos 17 anos, que metade de todo esse acervo intelectual acumulado já está fixado aos 4 (quatro) anos, enquanto os 30% seguintes são adquiridos entre os 4 e os 8 anos de idade. À vista da oportunidade, vale ainda ressaltar que informações categorizadas sobre a estimulação, a observação e o acompanhamento de bebês, a despeito do caráter científico de sempre, vêm sendo divulgadas de modo mais didático e com maior frequência, e que especialistas e estudiosos, inclusive os da área de Educação Infantil, não podem ignorá-las. Atualmente, existem muitas publicações em jornais, revistas, entrevistas etc. sobre as crianças de 0 (zero) a 5 (cinco) anos. Parece que os pais e o público em geral estão acordando para a necessidade de um tratamento diferenciado às crianças nessa fase. 17

18 É com satisfação que vemos na atualidade ser mais bem reconhecido o valor da Educação Infantil, pois, não muito tempo atrás, a criança entrava na escola somente aos 7 (sete) anos de idade, no 1 o ano, e então, até esse primeiro contato, ela era preparada em casa pelos pais, principalmente pela mãe, que não realizava trabalhos fora de casa: o preparo era assistemático e acidental. Contudo nos dias que correm, em sua grande maioria, as mulheres trabalham fora de casa e, como decorrência natural, também aquele preparo inicial ficou como um encargo da escola. Na mesma linha de raciocínio, podemos ainda afirmar que, se a Educação Infantil é entendida e é aceita como uma ação ou um processo educativo que tem um fim em si mesmo independentemente do que ela significa para as fases escolares subsequentes, a autossuficiência desse entendimento, contudo, não pode prevalecer em relação à família, face à constância e à obrigatoriedade das inter-relações e interdependências mantidas entre a família e a escola, e que podem e devem ser altamente proveitosas e benéficas: a Educação Infantil não substitui a família e nem por ela é substituída, mas permite, como riqueza suplementar, o conhecimento e a convivência diária com uma sociedade muito diferente da familiar, composta de um grande número de crianças da mesma idade e com os mesmos interesses; a família é o liame constante, unindo as diferentes idades da criança, enquanto a Educação Infantil representa um episódio da vida infantil; embora a escola disponha de professora especialista e de locais e materiais que correspondem aos desejos e às necessidades da criança, em um dado momento de sua evolução, sem o apoio e a participação efetiva da família com ênfase para os pais o trabalho será sempre incompleto e sempre haverá danos à criança. Registramos anteriormente que o valor da Educação Infantil já é mais bem reconhecido, sendo crescente o interesse pelo que ele significa e oferece nessa fase da escolaridade. Cabe agora acrescentar que tal interesse tem contribuído para o aumento, nesta década, do número de publicações sobre o assunto. Assim, quando insistimos na necessidade básica de valorizarmos o desempenho e a atualização permanente do educador, chamamos a atenção não somente para esta obra com suas colocações e propostas, mas também para a atual posição privilegiada da Educação Infantil como ação educativa e como tema educacional que precisa ser mais bem desfrutada pelos nossos dedicados e incansáveis educadores. Partimos sempre do interesse e das necessidades naturais da criança: tudo o que ela realiza tem um valor específico e inestimável, e a sua realidade é diferente da do adulto. Assim, nosso material visa não apenas a preparar a criança para ler e escrever, mas, também, para aprender a enxergar observando, dimensionando e discernindo o todo e suas partes, com menos ou mais detalhes, de acordo com cada faixa etária. A Escola de Educação Infantil enseja todas as condições favoráveis a um esmerado embasamento para a vida do futuro cidadão, pois tudo o que é ensinado e realizado nessa fase da vida da criança corresponde a registros, que são verdadeiros entalhes, e a aprendizados que jamais se apagam. 18

19 IV. OBJETIVOS GERAIS DA PROPOSTA PEDAGÓGICA Busca de uma proposta completa e eficaz. Análise de muitas teorias, estudos para que as crianças da Educação Infantil do nosso sistema de ensino não fiquem aquém da evolução do ser humano e da atual sociedade. Respeito às novas gerações. Avanço na tecnologia com práticas pedagógicas diferenciadas. Condições para uma aprendizagem centrada na construção do conhecimento. Desenvolvimento de um material didático fundamentado nas três áreas, no qual linguagens de expressão, ciências e tecnologia se encaixam e são recomendadas pelos referenciais curriculares da Educação Infantil. Abordagem do trabalho desenvolvido em Reggio Emília, região da Itália que possui destaque internacional nas escolas de Educação Infantil da atualidade. Cultivo e orientação ao potencial intelectual, emocional, social e moral da criança. Utilização das múltiplas linguagens simbólicas das crianças, extraindo sentido para o mundo infantil pelos estímulos oferecidos. Trabalho constante da ludicidade nas atividades propostas. Inserção da teoria da descoberta (Brunner) na aprendizagem de ciências. PP-EI-2011-PÁG.19 HONGQI ZHANG / DREAMSTIME.COM 19

20 V. 1 a ÁREA LINGUAGENS DE EXPRESSÃO Neste capítulo passaremos a elencar as linguagens que fazem parte desta aula detalhadamente, para que se tenha um suporte adequado para o fazer pedagógico bem fundamentado. 1 LINGUAGEM PLÁSTICA INTRODUÇÃO Todas as iniciativas, concretizadas por meio de nossas ações e até de algumas reações, terão importância capital em nosso processo de vida. Por isso se credita um grande valor às buscas ou atitudes exploratórias, ao uso continuado da livre expressão e à marca pessoal que se imprime em tudo aquilo que é dito e que é feito em nosso dia a dia. Nessa perspectiva é que a Linguagem Plástica, peça fundamental no desenvolvimento da criança, representa uma excepcional contribuição para que alunos e educadores deem curso às suas diversas formas de linguagem, com um sensível enriquecimento no processo de comunicação e expressão. Também por isso lamentamos que a visão do adulto seja, muitas vezes, deficiente ou incompleta no que se refere à aplicação prática dessa linguagem, fazendo com que as suas atividades de expressão não sejam ministradas ou, ao serem ministradas, contem com horários reduzidos, sem tempo para que a criança se expresse de modo pleno, descontraído e espontâneo. É por meio da Linguagem Plástica que a criança procura, experimenta, descobre e toma consciência do seu próprio eu. Assim, de forma natural, melhor se avaliará o seu desenvolvimento emocional e intelectual e a sua capacidade criadora: as outras atividades de expressão são igualmente aliadas e ajudam a descarregar tensões e a favorecer a manutenção do equilíbrio emocional. Nessa fase da Educação Infantil, a criança tem um vocabulário restrito, mas gosta de desenhar, e o desenho, a sua primeira escrita, além de lhe proporcionar prazer, alegria e sentimento de segurança, facilita-lhe a estruturação de espaço, cor e forma. Toda criança desenha. Quando uma criança toma posse de algum instrumento que deixa marcas, certamente ela irá utilizá-lo para desenhar. Grafismo Infantil. José Dario Perondi, Dinorah Sanvitto Tronca, Flávio Zambon Tronca. Desenhando com uma varinha na areia, com uma pedra na terra, com cacos de tijolos, com moldes de gesso e com carvão nos muros, a criança vai deixando a sua marca, muito importante para ela, pois essas marcas de cunho individual não só correspondem a um encontro com ela mesma, como também poderão representar verdadeiros alicerces da sua afirmação pessoal. Destacamos ainda que a criança inventa, ordena a repetição, descobre ritmos e redescobre os princípios do rebatimento e da alternância, cujos detalhes serão enfocados a seguir, nas fases do desenvolvimento do desenho infantil. 20

21 FASES DO DESENHO INFANTIL É Importante ressaltar que as etapas do desenvolvimento do desenho infantil ocorrem independentemente do país onde a criança vive. Da importância do desenho na vida da criança, há necessidade de o educador saber, detalhadamente, as fases do desenho infantil, para que, além de conhecer melhor os seus alunos, possa também avaliar não com conceitos preestabelecidos o que a criança quer mostrar ao adulto. São registrados a seguir conceitos, definições e comentários sobre as etapas do desenvolvimento do desenho infantil, que refletem não apenas a nossa experiência, mas também a visão de vários estudiosos do assunto. 1 a FASE 18 MESES A 4 ANOS GARATUJA OU RABISCAÇÃO CARACTERÍSTICAS DESSA FASE PP-EI-2011-PÁG.21 A criança: Desenha por desenhar, não há uma intenção. São rabiscos desordenados, as folhas são rasgadas ou furadas com a ponta do lápis. Não há preocupação com a cor, uma única a satisfaz; Descarrega as energias, o que é muito salutar, e os movimentos são amplos e livres. O adulto não pode interferir. Segura o lápis de diversas maneiras e tem dificuldade em permanecer nos limites do papel, que deve ser grande: 30x40 cm é o ideal. Muitas vezes nem olha para o papel: surpreende-se com suas mãos agarradas a um lápis e com o traço que fica no papel. Percebe os movimentos musculares e a posição dos membros: caráter cinestésio. Rabisca no chão, nas paredes e nos móveis. 21

22 GARATUJA INTENCIONAL OU CONTROLADA CARACTERÍSTICAS DESTA FASE A criança: Apresenta alguma intenção. A imaginação já começa a se delinear, mas não há ainda a representação da figura humana. Já não são apenas rabiscos: aparecem os semicírculos de vários tamanhos; a cor não é usada conscientemente e, às vezes, aparecem várias cores diferentes. Sente prazer em preencher a folha e ensaia novos movimentos para segurar o lápis, o giz ou o curtom (lápis para crianças que já iniciaram o processo de aperfeiçoamento da cordenação), além de se sentir confiante. Descobre que os traços no papel têm ligação com os movimentos e isto a estimula a variar esses movimentos. Começa também a fazer ligação entre os movimentos e o mundo que a rodeia, daí a atribuição de nomes às garatujas que faz. O adulto pode compartilhar da alegria da criança em garatujar, e nem sempre precisa perguntar o que ela fez, ou o que está fazendo, pedindo explicações. Cabe ainda consignar que, nessa fase, a criança não necessita de motivação especial para desenhar. Para ela, garatujar é tão natural como dormir ou se alimentar. É uma pena, mas os pais nem sempre guardam as garatujas que são feitas em casa ou na escola: é a garatuja um dos registros mais importantes da vida infantil, pois representa o início da linguagem de expressão. Acrescente-se ainda que a maneira como as garatujas são recebidas pelos pais e professores tem grande influência no desenvolvimento da criança. As técnicas usadas nas atividades de expressão, nessa primeira fase, devem ser bem simples, a criança está no início de suas descobertas: tudo que lhe for apresentado deverá ser adequado à sua idade. Alguns exemplos: curtom, gizão, canetas hidrográficas grossas, estacas, pintura a dedo, tinta plástica não tóxica, guache espesso etc. 22

23 2 a FASE 4 A 7 ANOS PRÉ-ESQUEMÁTICA OU FIGURAÇÃO ESQUEMÁTICA OU INÍCIO DA FIGURAÇÃO CARACTERÍSTICAS DESSA FASE PP-EI-2011-PÁG.23 A criança: Busca o conceito forma: esta busca da forma carece de qualquer ideia de proporção. Acrescente-se que se trata de uma etapa egocêntrica. Busca uma forma esquema para a representação da figura humana. Os símbolos que desenha variam muito: a figura humana desenhada pela manhã poderá ser substituída por outra à tarde; e assim será, até que encontre o seu próprio esquema. Sua criatividade está diretamente relacionada com a respectiva experiência individual. Daí a importância de se proporcionar vivências significativas e adequadas, para enriquecer o repertório expressivo da criança. Seus temas preferidos: figura humana, casas, árvores e animais. As formas e os temas que a criança começa a realizar refletem suas próprias experiências. A cor, nesta fase, é emocional: teríamos, como exemplo, uma árvore pintada de roxo e que não tem relação com a realidade. O desenho e a pintura poderiam ser constantes e naturais, como andar, correr, falar, pensar, comer, pois são básicos para a criança. As técnicas, nesta fase, podem ser elaboradas, mas não se esquecer das mais simples, com as quais a criança se expressa melhor, já vivenciou e conhece o material. Pincéis de vários tipos serão apresentados, mas um de cada vez. As texturas e os tipos de papéis podem variar; tinta, não tão espessa, giz e cola, pintura a dedo, curtom, anilina, cola plástica, não tóxica, terra e água (Leonardo da Vinci), anil e água. Nessa fase, podem ser usadas várias técnicas para as atividades dirigidas, não somente o giz de cera, como se vê atualmente. A criança assimilará que existem respostas diferentes e criativas, e o educador saberá aceitá-las. O importante é o realizar e não o como realizar. Essas atividades também necessitam do papel com um tamanho maior: 30x40 cm é o ideal. A sucata do lar é um material precioso para as atividades de expressão. 23

24 24 5 ANOS

25 6 ANOS PP-EI-2011-PÁG.25 25

26 3 a FASE 7 A 9 ANOS FASE ESQUEMÁTICA OU FIGURAÇÃO ESQUEMÁTICA OU ESQUEMATISMO CARACTERÍSTICAS DESSA FASE Ultimamente, pela estimulação, esta fase já está presente na Educação Infantil. É o apogeu do desenho infantil, quando a criança desenvolve o conceito definido da forma e descobre o seu próprio esquema para cada coisa a ser representada. O esquema da figura humana é diferente de uma criança para outra, pois esse esquema é muito individual e reflete o desenvolvimento de cada uma delas: a riqueza desse esquema depende das experiências anteriores da criança, e não deve haver a interferência do adulto. A grande descoberta é a existência de uma ordem definida nas relações espaciais, e a criança não pensa mais como na fase anterior: uma casa, uma árvore, mas sim que a casa está no chão, e a árvore e o carro idem. Em suas representações, aparece a linha base 6 anos, que corresponde a um dos fatores de prontidão para a alfabetização. Rebatimento, transparência, linha base dupla. 26

27 Nesta etapa, a criança descobre que existe relação entre o objeto e a cor, por isso sugere-se a introdução do uso do lápis de cor nesta fase, e não nas anteriores. As técnicas apresentadas devem variar bastante, e tudo o que rodeia a criança deve ser aproveitado, como, por exemplo, as sucatas do lar. Devem ser explorados: as texturas de papéis variados; os pincéis chatos, largos, finos e grossos, roliços e com pelos macios ou duros. A despeito de ultrapassarem o período da Educação Infantil, as três fases seguintes têm a finalidade de oferecer, ao educador, condições para conhecimento e avaliação mais abrangentes da criança até a sua adolescência. 4 a FASE 9 A 11 ANOS FIGURAÇÃO REALÍSTICA OU PRINCÍPIO DO REALISMO OU REALISMO LÓGICO CARACTERÍSTICAS DESSA FASE PP-EI-2011-PÁG.27 Há maior consciência do eu e um afastamento do esquema das linhas geométricas. Na figura humana, há diferenciação dos sexos e as linhas são mais realistas. Aquele esquema da fase anterior é modificado. Descobrem-se os planos que existem. Há relação subjetiva com as cores, com as pessoas e com os objetos; há também uma significação emocional. 27

28 5 a FASE 11 A 13 ANOS PSEUDO-REALISMO OU FALSO REALISMO CARACTERÍSTICAS DESSA FASE Início da autocrítica, dramaticidade: não sei fazer ; perda da autoconfiança. Há necessidade de expressões tridimensionais e há a observação das cores nas mudanças da natureza. Fase do questionamento, início da adolescência: anticor. Na figura humana, apresenta uma atenção especial nas articulações, nas proporções e nas ações corporais. 6 a FASE 13 A 18 ANOS REGRESSÃO OU CRISE DA ADOLESCÊNCIA CARACTERÍSTICAS DESSA FASE Consciência crítica mais apurada do que na fase anterior. Há uma preocupação com o meio, com a cor, com a aparência, com a autoexpressão. Enfoque emocional das experiências particulares, subjetivas. Abstração. Na representação humana, aparece luz e sombra. Representação das impressões momentâneas, realistas e individuais. Há variação de tonalidades e reflexos. As cores usadas têm um significado emocional e psicológico. Em torno dos 14 anos, o adolescente deixa de desenhar: a maioria reconhece que o desenho que faz não condiz com a realidade. Após a maturidade, alguns retornam ao desenho. Para o artista, há o desabrochar. OBJETIVOS GERAIS DA LINGUAGEM PLÁSTICA Levar a criança a: se expressar plastificamente; conhecer os materiais pertinentes para se expressar; observar seu desenho e o que ele representa; experienciar todos os materiais pertinentes que serão utilizados; perceber que poderá se expressar utilizando vários tipos de papel e lápis; perceber que existem, no mercado, muitos materiais que poderão ser reutilizados; perceber que sucata não é lixo. 28

29 OBJETIVOS ESPECÍFICOS DA LINGUAGEM PLÁSTICA PP-EI-2011-PÁG.29 Levar a criança a: utilizar todo material básico para esta linguagem; observar e utilizar: lápis: curtom; gigantão ou estaca; de cera; pincéis: grossos: chatos e roliços; finos: chatos e roliços. utilizar vários tipos de papel: gramatura 180 branco; rafael preto; cartolina branca e colorida; kraft; liso colorido; congruado branco e colorido; de seda (várias cores); crepom (várias cores); strong; sulfite branco e colorido; creative papers; camurça etc. manusear e utilizar: colas: branca; colorida; com glitter; plástica; utilizar as mãos para rasgar: (1 a fase do recorte) utilizar tesoura com pontas arredondadas. conhecer e perceber as diferenças entre as canetas hidrográficas: ponta grossa (para crianças menores); ponta fina (para crianças maiores); conhecer e utilizar massas para modelagem: argila; massa apropriada para criança. 29

30 O DESENHO PODE REVELAR A criança que, na Escola de Educação Infantil, teve oportunidade de extravasar, exteriorizar, colocar para fora tudo o que sentia, certamente reunirá condições muito mais favoráveis de se tornar um adulto ajustado e feliz. Entretanto, se não lhe foram oferecidas oportunidades de livre expressão, e ela então se limitou apenas a pintar contornos preestabelecidos e a receber e cumprir ordens do tipo pinte aqui, contorne ali, essa criança deverá, infelizmente, carregar inseguranças e dependências até a vida adulta, com todas as agravantes decorrentes e inevitáveis. Face ao ensejo e, independentemente da sequência, estão relacionados, a seguir, alguns aspectos que poderão ser detectados por meio das atividades que a criança realiza. Como está o interior da criança e em qual fase do desenho ela se encontra. Às vezes, ela está aquém, outras vezes, além da idade cronológica. O preto no desenho, não nos detalhes, mas com muita constância, é sinal de urgência. Deve-se dar oportunidade para a criança colocar para fora o que está sentindo. Se o uso da cor preta for esporádico, não há motivo para preocupação, só na hipótese de se persistir a utilização dela é que os pais serão informados e orientados. Se a criança só desenha uma casa, é porque ainda não saiu dela. O tamanho do desenho indica, de modo genérico, que criança tímida faz tudo pequeno ou muito pequeno, e que criança expansiva faz desenhos grandes. As cores têm muito a ver com o emocional: na 1ª fase, apenas uma cor é suficiente. Depois, a criança vai acrescentando outras; na 2ª fase (pré-esquemática), se a criança fizer, por exemplo, uma copa de árvore azul se deve, não interferir, a cor é emocional. A criança tranquila pinta suavemente e a agressiva calca muito o lápis. São necessárias muitas atividades a fim de que a criança coloque para fora a sua agressividade e equilibre o seu emocional. As figuras humanas desenhadas por uma criança têm sempre o mesmo esquema; em algumas, ela pode acrescentar mais detalhes, mas o esquema é sempre o mesmo. Quando o motivo é sempre o mesmo, apesar das técnicas variadas, é porque de algum modo ele marcou sua vida. 30

31 PP-EI-2011-PÁG.31 O tamanho, comparativamente, revela muita coisa, por exemplo, o mesmo tamanho para a casa e a flor, revela a maior importância da flor. Desenho de figura humana sem braços pode ser porque a mãe bate muito ; com a boca excessivamente grande, pode ser porque a mãe grita muito. A cautela é indispensável na avaliação de um desenho: se houver frequência, deve-se comunicar internamente e, se necessário, aos pais, mas com a devida orientação. Fatos marcantes, como o ataque às Torres Gêmeas (NY), os tsunamis, os furacões, os tufões, as enchentes, por algum tempo, ganham atenção e motivam os desenhos das crianças. Criança escanteada desenha em um dos cantinhos do papel. Depois de identificar, devese incentivá-la a reagir positivamente. O desenho sujo é assunto de higiene, nada tendo a ver com a expressão artística. As letras no desenho indicam interesse por elas. A criança sabe que significam algo. Se a criança escrever o próprio nome com letras grandes, é porque deseja deixar a sua marca naquilo que fez ou está fazendo. Ultrapassar a margem da folha é positivo: sinal de criatividade e autoconfiança. Desenhar antena ou fumaça na casa é sinal de que sabe que lá dentro existe vida. Sol no desenho indica a presença marcante do pai na vida da criança. As atividades de expressão artística acontecerão logo após uma atividade de aquisição de conhecimentos histórias, palestras etc., para que seja possível uma associação do novo com o já visto (às vezes, isto não ocorre). Tudo será planejado com antecedência, nada de improvisações. O material será nomeado nome correto de tudo que será usado e experienciado individualmente pelos alunos, para a análise detalhada de cada um: se for uma lixa, deixar que sintam a aspereza e o formato; se for um pincel, fazer com que sintam o pelo (macio ou duro) e o cabo (tipo e formato). Deve-se ter conhecimento das fases do desenho infantil, principalmente da fase que corresponde à faixa etária em que está trabalhando. O nome do aluno deve ser escrito no verso dos trabalhos de arte e o que a criança disser que desenhou também poderá ser registrado no mesmo local. As técnicas executadas poderão estar sempre de acordo com os eixos temáticos ministrados no mês. Por exemplo, Escola: a técnica será giz de lousa, colagem de aparas de lápis etc. O tamanho correto das folhas é fundamental 30 cm x 40 cm é o ideal, pois a criança não apenas necessita de espaço para se expressar, como também não tem controle como o adulto. As texturas serão descobertas pelas crianças. 31

32 O ambiente será tranquilo e motivador, para que as crianças tenham liberdade de pintar ou fazer o que quiserem, passando para o papel o que cada um tem dentro de si. Nunca interferir quando a criança está criando. Nunca dizer a ela o que fazer e quais cores usar. Jogar fora todos os moldes preestabelecidos; eles não serão utilizados nessas atividades de expressão. Quanto menor a criança, menor será o seu tempo de concentração. A atividade deve ter o tempo apropriado menor ou maior conforme a idade. Nunca desenhar na frente dos alunos, isto limita o traço. Deve-se ter conhecimento prévio de todos os tipos de papel. A atualização é fundamental. Atualização também em relação aos demais materiais, como os de desenho e os de pintura, por exemplo: lápis de cor sextavado, que é adequado para o 2º estágio da Educação Infantil; lápis aquarela, caneta de escrever em papéis lisos plastificados, vidros, lápis triangular etc. A apreciação de um trabalho de arte é um problema muito sério: cada pessoa tem sua própria linguagem plástica e é difícil a avaliação; é recomendável que essa avaliação seja oral, sempre com palavras de incentivo; ao final de cada ano letivo, o educador conhecerá o tipo de linguagem plástica de cada aluno; na verdade, entendemos que o trabalho de arte, na escola, não pode ser avaliado, e toda criação deve ser respeitada; após a realização de um trabalho, pode ser pedido à criança que conte o que desenhou ou pintou. Ao detectar problemas que a criança revele por meio das atividades de expressão, jamais comentar algo com ela ou perto dela. Quanto aos pais, só informá-los se houver constância nos motivos que são expressos pela criança. Jamais colocar todo o material misturado para ser usado, poderá haver pertinência do material a ser utilizado com as unidades temáticas enfocados a cada mês. Sempre que possível, compare os desenhos apresentados com os que a criança fez anteriormente. Nunca compare com os desenhos de outra criança. Nessa observação, vá registrando os progressos, podendo atentar para as dificuldades, emocionais ou não, que serão reveladas através do que a criança apresenta. O material será colocado em ordem para que as crianças tenham liberdade de escolher e utilizar o que quiserem. Ao final da aula, é muito importante a operação limpeza, um hábito que deve ser ressaltado e introduzido na vida de cada um. Ter sempre em mente que a realidade da criança é diferente da do adulto. Esses procedimentos relacionados são recomendados como um sumário de atitudes básicas, que serão incorporados ao dia a dia do trabalho do educador, no mínimo, como uma fonte permanente de consulta. 32

33 O EDUCADOR: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS OUTROS ELEMENTOS DE TRABALHO PP-EI-2011-PÁG.33 São diversos os modos, maneiras e processos por meio dos quais a criança se expressa livremente ou mediante estimulação, mas é na Linguagem Plástica que ela pode criar e recriar a sua própria obra, e o educador pode acompanhar seu progresso. Com igual destaque, há de ser registrado que todas as crianças são capazes de se expressar livremente e de forma original quando não sofrem pressões ou inibições por parte do adulto. A Linguagem Plástica é concretizada na Educação Infantil por intermédio de artes ou atividades plásticas, como o desenho, a pintura, a modelagem, o recorte e a colagem, a montagem e as dobras livres; mas tem também como elementos de trabalho: a) expressão corporal danças espontâneas, mímicas, movimentos e ritmo; b) expressão teatral fantoches, bonecos, teatro de sombra e de bonecos, recitação, pecinhas ou diálogos criados pela própria criança e dramatizações livres; c) criatividade precisa ser estimulada, e o educador, dentre outras coisas, saberá aceitar as observações e os questionamentos feitos pela criança, bem como as respostas diferentes e criativas. O educador estará preparado para ajudar a criança a explorar a criatividade e para valorizar a obra por ela criada, sem que sejam estabelecidas comparações entre os trabalhos das crianças: todos valem igualmente. APLICAÇÃO DE RECURSOS / MATERIAIS UTILIZADOS Tesouras: com pontas arredondadas para: recorte e colagem para atividades livres; para técnicas variadas. 33

34 Lápis: curtom para crianças menores; giz de cera para os 1 o e 2 o estágios; de tamanhos diferenciados e de acordo com cada sala (gigantão); pastel; carvão; preto. (para o 2 o Estágio). Canetas: hidrocores: Pincéis: grossas para crianças menores; finas para crianças maiores. chatos e largos no início; introdução de chatos mais estreitos; roliços grossos e finos; de pelos macios (marta) e mais duros (bovino); de cabelos humanos; com tiras de feltro etc. Papéis: brancos gramatura 180 gramas: para pintura; para recorte e colagem; para técnicas variadas; kraft: pintura; recorte e colagem; colagem de tiras de papel colorido etc. seda: para recorte e colagem; para amassar e desamassar; para colagem etc. cartão ou cartolina: para recorte e colagem; camurça: para pintura; para recorte e colagem. espelho liso ou dobradura: para dobras livres; para dobraduras; para técnicas variadas. rafael preto: para recorte e colagem; para pintura. creative papers: para recorte e colagem. 34

35 PP-EI-2011-PÁG.35 nacarado para o fundo; para amassar e desamassar; para colagem. lixa: para pintura com: curtom; tintas; cola plástica atóxica; carvão; giz branco. strong: para pintura: curtom; recorte e colagem. Colas: para colagem com: botões grandes; figuras; sucata miúda; sobras de aniversário; sinhaninhas, rendas etc.; retalhos de tecidos; papéis de várias texturas; fios variados; chá usado e seco; palitos e pazinhas de sorvete; conchinhas etc. Tintas: guache; pintura a dedo; aquarela; nanquim; fabricadas pelas crianças com: legumes e hortaliças; papel crepom com água; anil com água; terra com água. Massas: para modelar: de sal; com cola e amido de milho; barro de olaria; papel machê. PHOTOEUPHORIA / DREAMSTIME.COM 35

36 TÉCNICAS Papel branco gramatura 180 gramas Molhar com água toda a extensão da folha de papel. Pintar com nanquim e pincel grosso, somente os contornos: o efeito será surpreendente. Pingar, com conta-gotas, guache ralo e de várias cores. Ir virando a folha de papel para que a tinta faça caminhos diferentes. Pintar o verso de uma folha natural com guache e, em seguida, comprimi-la em uma folha de papel: ficarão impressas as nervuras da folha ou pelo menos de maneira mais nítida uma vez que elas são mais salientes. Desenhar no verso do estêncil sobre uma folha: lavar o desenho todo. Colar vários tipos de sementes. Pintar o fundo com a cor escolhida pela criança. Colocar fios curtos de barbante no guache: várias cores. A criança colocará fios, à vontade, sobre o fundo pintado e, com um rolo, imprimirá deixando marcas no papel. Pintar com guache o motivo principal. Cobrir o restante do papel com nanquim. Lavar o trabalho. Desenhar com velas. Cobrir toda a extensão com água e anil. Tinta fabricada com legumes e água, batidos no liquidificador. Giz de lousa molhado no leite. Pintura a dedo. Com pente, deslizar no papel com movimentos livres e espontâneos. Pintura com água e terra tinta fabricada pela própria criança, como fazia Leonardo da Vinci. Usar pincel adequado. Papel branco gramatura 75 gramas 36

37 Recortar a dedo. Iniciar com figura grande. Colagem. Esfregar sobre o papel folhas naturais grossas, de várias cores. Desenhar com carvão. Recortar a dedo com creative papers. Colar montando uma cena. Amassar retalhos de crepom, formando bolinhas e colar. Colar sucata miúda. Desenhar com lápis de cor. Papel kraft PP-EI-2011-PÁG.37 Recortar e colar tiras de revistas coloridas. Colocar folhas naturais sob folha de sulfite e, com curtom deitado, pintar. Desenhar com cola: direto do tubo e cobrir com areia. Depois de seco, pintar com guache. Colar: grãos; cascas de ovos quebradinhas; dobraduras. 37

38 Papel cartão ou cartolina Preparar a tinta guache na textura média. Pingar sobre o papel e assoprar. Rasgar papéis de várias texturas: colagem. Papel rafael preto Desenhar com cola, diretamente do tubo e cobrir com areia. Recortar e colar: folhas de papel jornal; folhas coloridas de revistas; papel laminado, apenas na época do Natal. Papel strong Colar: tiras de papel colorido de revista; papéis rasgados de várias texturas; sucata miúda. Desenhar com canetas hidrocores. Papel lixa de madeira fina Desenhar e pintar com: curtom; cola plástica; giz de lousa colorido; giz branco. Papel de seda Colar sobre uma folha de papel 40 quilos. Molhar o cotonete na água sanitária e desenhar, mas antes os alunos terão sido preparados. 38

39 Montagem Com sucata miúda, pintar com guache após a secagem. Dobras livres Com papel liso, colorido, em quadrados (10 x 10 cm), dobrar e recortar livremente. Desdobrar e colar a toalhinha sobre outro papel. PROCEDIMENTOS RECOMENDADOS A Linguagem Plástica, sem dúvida nenhuma, necessita de um estudo apurado, que pode ser complementado com outras fontes para que o educador sinta-se seguro no seu fazer pedagógico. No final de cada ano, o educador conhecerá a expressão plástica de cada aluno, não necessitando de nenhuma palavra escrita. Cada um tem a sua própria linguagem plástica tornando-a única e especial. O desenho é uma expressão rica de intenções. José Dario Perondi, Dinorah Sanvitto, Dinorah Sanvitto Tronca, Flávia Zambon Tronca PP-EI-2011-PÁG.39 39

40 2 LINGUAGEM ORAL E ESCRITA MONKEY BUSINESS IMAGES / DREAMSTIME.COM INTRODUÇÃO Linguagem oral, em definição simples e direta, é a forma pela qual utilizamos palavras e frases para nos expressarmos verbalmente e comunicar ou transmitir a outra pessoa os nossos pensamentos e emoções. A criança percebe e se comunica, mas só quando encontra um ambiente adequado. Tal comunicação verbal constitui-se numa linguagem, representada por um conjunto de signos estruturados por meio de um código pessoal, por meio do qual a criança faz gestos, compõe imagens, faz imitações e mímicas. Essa linguagem começa a se delinear nos primeiros meses de vida. No início, a criança emite sons que são produzidos naturalmente e, aos poucos, ela vai balbuciando algumas sílabas (ma, pa etc.) até que haja o início da fala, que normalmente acontece em torno dos 18 meses. O uso da chupeta não é recomendável porque, com ela na boca, a criança perde a oportunidade de experienciar os sons que irão estruturar a sua futura fala. Se a criança teve estimulação e vivências em casa, ao chegar à escola já verbaliza algumas palavras: mamã, papa e aga são algumas delas. Todavia, como esse vocabulário ou repertório oral é restrito, a criança será estimulada a se expressar. Tais estímulos podem ser bem variados e programados para que surtam resultados positivos, eficazes e perceptíveis. Se é sabido que, quanto menor a criança, mais ela percebe a comunicação não verbal das pessoas em torno dela, cabe também ao educador, afora a simpatia pessoal, facilitar a criação de condições favoráveis para que a criança não tenha inibições e inicie, de modo normal, o seu processo de comunicação verbal. A relação que existe entre a linguagem e o pensamento merece atenção: esse é um instru- 40

41 mento indispensável para a linguagem oral iniciar-se de modo correto. Aos poucos ela vai adquirindo as quatro competências linguísticas básicas: falar, escutar, ler e futuramente escrever. O trabalho com a linguagem constitui um dos eixos básicos na educação infantil, dada sua importância para a formação do sujeito, para interação com as outras pessoas, na orientação das ações das crianças, na construção de muitos conhecimentos e no desenvolvimento do pensamento. Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil. Convém ressaltar que, no início, a linguagem é egocêntrica e figurativa porque a criança não é capaz de separar a ação do pensamento: ela usa a linguagem egocêntrica sem se perturbar com ela mesma e não se preocupa se estão ouvindo ou não. Após a socialização quando descobre o outro, ou seja, as pessoas que a rodeiam começa a fase dos porquês. Ela pergunta sobre tudo. O adulto estará preparado para, pacientemente, responder às perguntas, lembrando que as respostas são muito importantes, pois, por meio delas, a criança construirá o seu conhecimento, que é forjado nos anos iniciais da vida. Assim, aos poucos, o conhecimento vai sendo sedimentado. As fases existem normalmente, porém existe variação de criança para criança, dependendo dos estímulos recebidos. Os obstáculos que aparecem podem criar problemas, mas a criança será sempre motivada a verbalizar, evitando-se ao máximo dizer não a ela existem estudos sobre quantos nãos a criança recebe (que não a ajudam em nada), trata-se de um número assustador. Para estimular o pensamento, é preciso orientar a observação da criança, que é mínima nos anos iniciais. Essa observação é muito importante, pois a criança está numa fase de descoberta de si mesma e do mundo que a cerca. Pela observação acontecerá a comparação e, quando a criança compara coisas e objetos, tem a oportunidade de conhecer melhor o que foi observado e, então, ocorrem operações mentais que são fundamentais para sua vida futura. A imaginação da criança é muito rica e necessita de estímulo, em sala de aula ou fora dela, durante todo o período da Educação Infantil. O educador precisa saber que, para a criança se comunicar, existe um processo, um meio para que isso aconteça. Processo de Comunicação EMISSOR RECEPTOR Falar Desenhar Escrever Palavras Frases Orações Textos Ouvir Ver Ler PP-EI-2011-PÁG.41 41

42 Aprender a falar, portanto, não consiste apenas em memorizar sons e palavras. A aprendizagem da fala pela criança não se dá de forma desarticulada com a reflexão, o pensamento, e a explicitação de seus atos, sentimentos, sensações e desejos. Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil. Conhecendo esse processo, o educador ajudará a criança a ser boa receptora e boa emissora. O vocabulário é muito importante e há sempre a contribuição do educador para que ele seja enriquecido em todas as oportunidades que surgirem: o trabalho tem de ser contínuo, abrangente e constante. Mas a fala do educador será de acordo com o nível de entendimento da criança para que haja melhor compreensão do que está sendo verbalizado. A construção da linguagem oral não é linear, ocorre em um processo de aproximações sucessivas com a fala do outro, seja ela do pai, da mãe, do professor, dos amigos ou aqueles ouvidos pela televisão, rádio etc. Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil. LETRAMENTO Com o advento das modernas tecnologias, a maneira de pensar, em relação à leitura e à escrita, transformaram-se consideralvelmente. Muitos teóricos postulam diferentes concepções diversas a respeito do letramento, alguns chegam a afirmar que é sinônimo de alfabetização. Porém, Leda Tfouni (1995) em sua obra "Letramento e Alfabetização" explicita concepçoes de alfabetização e de letramento. Segundo a autora, o letramento pertence não somente aos sujeitos que adquiriram a tecnologia de ler e escrever, como também àqueles que não a adquiriram. Distingue bem os termos alfabetização e letramento quando diz: "Enquanto a alfabetização ocupa-se da aquisição da escrita por um indivíduo, ou grupos de indivíduos, o letramento focaliza os aspectos sócios-históricos da aquisição de um sistema escrito por uma sociedade". Para Kleiman (1995), "letramento é um conjunto de práticas sociais que usam a escrita, enquanto sistema simbólico e enquanto tecnologia, em contextos específicos para objetivos específicos", Kleiman considera que a leitura e a escrita fazem parte de atividades sociais, tais como ler um manual ou pagar contas. "O conceito atual de letramento, implica competências para usar a leitura e a escrita, não basta alfabetizar: é preciso alfabetizar letrando!" (Kleiman Leda Verdiani Tfouni). OBJETIVOS GERAIS DA LINGUAGEM ORAL E ESCRITA WAVEBREAKMEDIA LTD / DREAMSTIME.COM 42

43 Por meio da dedicação e do trabalho do educador e do processo apropriado, essa linguagem de expressão levará a criança a: utilizar a oralidade para criar sistemas elaborados de comunicação; ter oportunidades variadas e múltiplas para que a sua capacidade de pensar e de expressar ideias seja desenvolvida; ampliar sua capacidade de criação; enriquecer o repertório oral e favorecer a sociabilização, a compreensão de recados, avisos e comunicações e o entendimento de fatos que estão ocorrendo; ter oportunidades de corrigir os erros de pronúncia, concordância etc.; desenvolver a atenção, a observação e a memória, que lhe permitirão fazer comunicações, interpretações e compor histórias; desenvolver as habilidades necessárias à aprendizagem da leitura e à aprendizagem da escrita. OBJETIVOS ESPECÍFICOS DA LINGUAGEM ORAL E ESCRITA Levar a criança a: desenvolver gradativamente a sua habilidade verbal; ampliar o seu repertório oral; vivenciar atividades que desenvolvam a oralidade; desenvolver a capacidade de atenção para aprender a ouvir, para depois verbalizar; desenvolver habilidades necessárias para efetivar: produções orais; jogos de rima; adivinhações; quadrinhas; trava línguas; exercitar a memória; estimular: a imaginação; a observação; a concentração para que possa observar, para depois verbalizar o que foi observado. O EDUCADOR: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS PP-EI-2011-PÁG.43 DENNYS82/DREAMSTIME.COM 43

44 Na sequência, destacaremos e detalharemos algumas orientações didáticas que consideramos essenciais e que podem servir de auxílio e de colaboração para os educadores que militam na área de Educação Infantil. APLICAÇÕES DE RECURSOS CONVERSAS FORMAIS E CONVERSAS INFORMAIS São conversas que o educador terá, com palavras simples, bem à altura do conhecimento próprio da idade da criança, não sendo limitadas nas rodas de conversa, mas sim em todos os momentos que forem necessárias. Nessas conversas, formais ou informais, são tratados assuntos do dia a dia sobre acontecimentos que interessarão às crianças. Como a concentração é mínima, no início, as conversas serão rápidas e motivadoras. Nas salas mais adiantadas, as conversas poderão acontecer no início da aula. As perguntas podem ser feitas para que a criança se acostume a verificar e a lembrar fatos acontecidos. A criança terá oportunidade de contar, de falar de si; se isso não ocorrer, a indisciplina será uma constante na sala. O educador é uma peça importante, um estimulador das conversas, encaminhando o assunto à finalidade desejada, isso, nas conversas formais, e em todas as outras oportunidades. HORA DA NOVIDADE Essa atividade será efetivada no início da aula. Após entrarem na sala, as crianças são convidadas a sentarem-se no chão, e o educador poderá sentar-se em uma cadeira baixinha ou também no chão. A atividade será iniciada com perguntas sobre o que de novo cada criança tem para contar. Essa atividade é um momento de aprendizagem e descobertas e visando a que a criança se expresse com clareza; é preciso que cada uma tenha sua vez de falar para que os colegas tomem conhecimento das novidades. As crianças terão oportunidades de fazer perguntas quando não houver ninguém falando. O educador poderá contar também as suas, lembrando que novidade é algo novo: acontecimento do dia ou da véspera. Depois de todos terem falado, deverá ser preparado algo diferente, como algumas das sugestões que seguem: assoprar penas; bolhas de sabão: detergente com canudinhos; apresentação de instrumentos musicais, que as crianças terão oportunidade de apalpar, assoprar, manusear, percutir, conhecendo, assim, cada um deles; apresentação de blocos lógicos: material para o uso da linguagem matemática; concurso de caretas em frente a um espelho. Antes de iniciar esse concurso, o educador proporá uma atividade como passar a língua no céu da boca, nas bochechas, nos dentes de baixo, nos de 44

45 PP-EI-2011-PÁG.45 cima e, na porteirinha, se houver alguma criança sem dentes, e também dobrar a língua; só após esse preparo é que cada criança fará a sua careta e, no final, todos ganham palmas; qual é a música? O educador cantarola com lá, lá, lá músicas conhecidas das crianças ou com a boca fechada ou ainda com a sílaba que está sendo aprendida na fase de alfabetização (2 o estágio); passeio imaginário, de acordo com o eixo de trabalho. De olhos fechados, elas irão imaginando o local, o que encontram nele etc., conforme o que disser o educador; passeio pela sala: riscar no chão o caminho, a ponte, o rio e, para cada criança, dar uma mala de mentirinha, e, enquanto ela passeia, o educador vai descrevendo o caminho e dramatizando com gestos, com saltos para que, além de aprender, se divirtam; colocar dois fios de barbante presos no chão saída e chegada da corrida. Os aviões de dobradura serão soprados pelos alunos para ver qual chega primeiro: para crianças maiores (2 o estágio); dentro de uma caixa, colocar um objeto qualquer, pertinente ao assunto. As crianças terão de adivinhar o que há dentro, pegando a caixa e percutindo, até que alguma criança descubra; alguns exemplos: um pintinho vivo, palitos de fósforos, arroz, feijão, moedas e brinquedos pequenos; exploração de sons: com potinhos de plástico com areia, com grãos, com pedrinhas ou com macarrão cortado etc. mímica; estátuas; brincar com ímãs; equilibrar caixas, livros etc. com sacos de supermercado, improvisar máscaras abrir a boca e os olhos e cada criança será o que quiser, por exemplo, soldado, rei, rainha, palhaço etc.; a máscara poderá ser levada para casa, no fim do período; em uma folha branca comum, fazer um desenho para a mamãe ; fazer isso várias vezes em outras oportunidades, não seguidas, e, quando a criança tiver cinco ou seis desenhos, colocar uma capa, grampear e mandar de presente para a mãe; passeio imaginário ao aeroporto, a um supermercado, a um shopping etc.; fabricar tintas com legumes e verduras para serem usadas numa atividade do dia; com crepom e água, fabricar tintas para as pinturas do dia; anil e água podem ser preparados para pintar; campeonato de blocos de madeira: o educador ajudará na construção o mais alto, o mais baixo e o mais bonito; pesar e medir os alunos; separar botões, pedrinhas etc. 45

46 A esses exemplos poderão ser acrescentados muitos outros, cabendo ao educador ser criativo para que os alunos tenham oportunidades diversas de aprender, divertir-se, verbalizar e descobrir. HORA DA HISTÓRIA Trata-se de um dos momentos mais férteis e produtivos, pois a criança, prazerosamente e sem perceber, adquire conhecimentos e enriquece o próprio mundo infantil. Para esse momento tão especial, o educador poderá: formar uma roda com as crianças sentadas no chão ou em cadeirinhas; o educador também se sentará em uma cadeirinha ou no chão; verificar se as crianças estão voltadas para o educador e não para a porta, evitando assim distrações que causam a desconcentração; com voz tranquila e volume que as crianças ouçam, pedir silêncio para iniciar; começar a contar a história escolhida após todos estarem quietos: quando uma pessoa fala, a outra escuta, é uma norma desejável que adquirida desde a tenra idade. A história a ser contada necessita de um preparo ter sido lida anteriormente, pois: as palavras difíceis deverão ser trocadas por sinônimos, de acordo com o grau de entendimento das crianças; necessitará também de uma análise sobre o vínculo com os eixos de trabalho que estarão sendo trabalhados; poderá haver um enriquecimento de conhecimentos para a criança construir o seu saber. A hora da história será motivadora, levando a criança a usar sua imaginação, a se identificar com algum personagem ou, ainda, a questionar-se, fazendo correlações e associações com situações similares vividas por ela. Quanto à adequação das histórias, iremos salientar que, além de estarem dentro do contexto estudado, terão durações diferentes para cada faixa etária: para o curso Maternal I e II, os livros conterão poucas palavras, figuras grandes e bem simples, sem muitos detalhes os mais indicados são os livros sem palavras; conhecendo o livro anteriormente, o educador poderá explorar cada cena apresentada, procurando tirar todo o proveito necessário. O enredo será curto, lembrando que nesta faixa 2 a 4 anos de 5 a 7 minutos é o tempo adequado; para o 1 o estágio 4 a 5 anos os livros escolhidos serão do tamanho grande, as figuras também serão grandes com alguns detalhes, e o enredo não será tão curto como na fase anterior. O tempo nessa faixa será de 10 a 12 minutos, mais ou menos; no 2 o estágio 5 a 6 anos os livros poderão ser menores, com mais figuras, e com o enredo um pouco ampliado. Nessa fase, o tempo ideal será de 10 a 15 minutos; A partir do 2º semestre, os livros podem ser de tamanho médio, com figuras mais detalhadas e o enredo poderá ser mais longo; o livro escolhido estará dentro do contexto e a história poderá ser lida em capítulos. O tempo ideal para essa etapa será de 10 a 20 minutos, ressaltando-se, nessa fase, a importância do autor, da ilustração e da edição. 46

47 PP-EI-2011-PÁG.47 No caso da leitura, o educador poderá, conforme o enredo do texto, modular a voz, para criar um clima de expectativa e fazer com que as crianças se interessem por conhecer os fatos que compõem a história. As histórias contadas são também muito bem aceitas pela criança. Apesar de ser uma estratégia bem antiga, não será esquecida. Com entonações diferentes, o educador irá narrando a história e motivando o interesse da criança para ouvir e aprender, ampliando, assim, o vocabulário dela e fazendo com que perceba o que está acontecendo. Os contos de fada fascinam as crianças. O interesse pelo Era uma vez é irresistível, ele leva a criança a imaginar e a sonhar algo maravilhoso, às vezes impossível, tornando-a mais sensível. Tais momentos de sonho e enlevo são importantes para a vida da criança. Existem muitas coleções atualmente reeditadas que podem ser utilizadas com certa frequência, na faixa de 4 a 6 anos. Outro recurso válido e interessante é colocar um fantoche ou um boneco para contar a história escolhida, podendo ele permanecer, no restante do dia, dando ordens para lanches, atividades etc. O boneco terá sempre o mesmo nome para não confundir a criança. Há outras formas importantes de exploração do livro de histórias. As crianças, agrupadas em um lugar tranquilo, poderão contar a história para o educador, apenas vendo as ilustrações. Além de divertido é bem enriquecedor. Depois disso, o educador lerá para os alunos o que o autor escreveu. Para todos os tipos de histórias lidas ou contadas haverá, no fim, uma recapitulação por meio de perguntas simples e pertinentes, para que o aprendizado dos ouvintes, no caso as crianças, ocorra. O local poderá ser variado: embaixo de árvores, num canto, numa escada sem movimento etc. As regras serão obedecidas a fim de que a atividade contribua para a aquisição de novos conhecimentos. Sempre que o educador perceber que a história lida ou contada não está interessando à criança, ele mudará imediatamente de atividade e, no fim do dia, avaliar se o preparo foi ineficiente, se o vocabulário estava em desacordo com a idade ou se ocorreu outro fator a ser identificado. Nas classes iniciais, pode-se inventar uma história junto com as crianças, colocando-se gravuras num flanelógrafo: isopor com alfinetes exemplo: figuras que representem pai, mãe, crianças, brinquedos e animais de estimação. Se houver interesse, em outra oportunidade, acrescentar outras figuras deixando a história mais longa; é importante que ela seja inventada pelas próprias crianças. Sempre que possível, após essa atividade, a criança poderá ter acesso a uma folha (30 cm x 40 cm) e desenvolverá qualquer técnica escolhida curtom, guache, giz etc., para que o educador observe se houve ou não associação com algum fato ocorrido durante a história. Uma pequena dramatização é muito salutar porque assim, além de ouvir, as crianças vivenciarão a história, que passará a fazer parte do seu conhecimento. Os livros e as coleções serão atualizados anualmente para que haja reciclagem e modernização na atividade. As lendas, as parlendas, os trava-línguas e as adivinhações, podem ser utilizados durante todo o ano letivo e, no mês de agosto, quando é comemorado o folclore, dar a eles um realce especial. Quanto aos filmes infantis, haverá uma prévia preparação, porque, normalmente, são longos, e a concentração das crianças fica em desacordo com a duração deles. Caso o educador considere importante, fará um trailer verbal, para que os alunos se sintam motivados a assistir ao filme. 47

48 PALESTRAS Sem dúvida, as palestras são outro meio importante para a criança obter conhecimentos novos e mais abrangentes. Elas serão sempre bem preparadas com cartazes, figuras bem adequadas à idade, com os objetos e com os livros pertinentes, para que a criança, além de ouvir, visualize coisas novas e desconhecidas para ela. Nas classes iniciais, tudo será no concreto, pois, nessa faixa, ela poderá apalpar, tocar e manusear o que lhe for apresentado. Os cartazes serão apresentados na medida em que forem sendo mostrados e podem permanecer no lugar até o final do período. Os locais das palestras poderão ser variados e de acordo com o que vai ser ensinado. Exemplos: plantas: embaixo de árvore ou em volta de canteiro; construção: perto dos pedreiros trabalhando. Deixar que olhem bem o local. O educador orientará as crianças para que observem tudo o que as rodeia e, depois que se sentarem, começará a palestra. Logicamente, nesse tipo de atividade não há necessidade de outro material. Os cartazes serão atualizados, anualmente, pois existem no mundo muitas novidades que necessitam ser mostradas, para que a criança aprenda e introduza o conhecimento em sua vida. As revistas serão atuais a fim de que as consultas e as figuras que serão retiradas para a confecção de cartazes possibilitem uma reciclagem constante e tornem o desempenho do educador melhor e mais eficiente. JOGOS DE RIMAS São joguinhos orais de que as crianças gostam muito. É uma atividade muito enriquecedora, pois é, sem dúvida, um momento de descobertas. Quando o educador verbaliza, ele emite sons que, aos poucos, vão sendo diferenciados pelas crianças, quando a oralidade será trabalhada. Nessa atividade, haverá um trabalho anterior, feito pelo educador, de palavras que rimam. É muito difícil ter em mente todas, então, quando não há preparo, podem existir momentos, por parte do educador, de titubeios, que não seriam recomendáveis ocorrer. As rimas no início são as mais simples: rima pobre, de substantivos com substantivos. Para as classes mais adiantadas, as rimas podem ser mais complexas: ricas, de substantivo com outras categorias de palavras. Exemplos de rimas: pobre: pão, sabão, cordão etc; rica: dizia e Luzia; fiz e juiz etc. Os sons das palavras aos poucos vão sendo distinguidos para que, futuramente, as crianças possam reconhecer fonemas, hiatos, ditongos etc. É uma preparação para as fases futuras da oralidade. 48

49 QUADRAS E POEMAS Nesta atividade, a criança terá oportunidade de desenvolver e exercitar a memória. Com esse treinamento, ela memorizará, no futuro, muitas outras coisas, como fórmulas, datas etc. Nas etapas iniciais, ensinar quadrinhas bem fáceis e, conforme as crianças forem memorizando-as, ampliar o exercício com poemas, isto já na última etapa, a de 5 anos. Exemplos: Para salas iniciais (2 a 4 anos) Quadrinhas DAVID JOHNSON / DREAMSTIME.COM FICA NA PONTA DE UM PALITO, O GOSTOTSO PIRULITO. A ABELHINHA ZUMBE, ZUMBE SEM PARAR, ESTÁ SEMPRE PRONTA A TRABALHAR. Para salas de 1 o estágio (3 a 4 anos) Poemas Quem fez? A borboleta Eu já sei contar ADIVINHE, SE PUDER A RAINHA EU JÁ SEI CONTAR QUEM FEZ O CÉU? DOS INSETOS 1, 2, 3, 4, 5 DE DIA O SOL É A DONA E COM OS MEUS DEDOS Á NOITE A LUA BORBOLETA. EU BRINCO. E AS ESTRELAS? QUEM FEZ? COM SUAS ASAS 1 MINDINHO ADIVINHE, SE PUDER. COLORIDAS 2 SEU VIZINHO VAI VOANDO, VOANDO 3 PAI DE TODOS E A NATUREZA, 4 FURA BOLO ENFEITANDO. E COM O 5 o, EU MATO PIOLHOS. PP-EI-2011-PÁG.49 49

50 Para salas de 2 o estágio (4 a 5 anos) O ninho AQUELA PEQUENA SEMENTE, FOI ENTERRADA E DEPOIS CRESCEU, CRESCEU A minha casa EU MORO NUM SOBRADO É TÃO ALTO QUE FICA PERTO DO CÉU DEPOIS DE UM TEMPÃO, EM SEUS GALHOS O PASSARINHO FEZ O SEU NINHO. NELE MORAMOS PAPAI, MAMÃE, MEUS IRMÃOS E EU. QUER CONHECER ONDE EU MORO? APAREÇA EU TEREI MUITO PRAZER EM LHE RECEBER A minha casa Na fazenda LÁ NA FAZENDA EU GOSTO DE OBSERVAR QUANDO O GADO SAI DO CURRAL, PARA PASTAR. À TARDE QUANDO VOLTAM É UM MU,MU, MU A SE ESCUTAR SE RECOLHEM E FICAM ABRIGADOS PARA DESCANSAR. NÃO HÁ MELHOR LUGAR, PARA EU ESTAR. DENTRO DELA, TENHO TUDO QUE PRECISO, ABRIGO, ALIMENTO E MUITO, MUITO CARINHO. NA MINHA CASA MINHA FAMÍLIA ESTÁ E MAIOR ALEGRIA E MAIOR ALEGRIA QUE ESSA, NÃO HÁ. As quadrinhas e os poemas podem ser dramatizados, pois, além da linguagem oral, há o interagir com a linguagem plástica teatral. Além das dramatizações, o coro falado é um tipo de atividade que é bem aceito pela criança. É um ótimo instrumento para a desinibição e a ampliação do vocabulário. 50

51 Os poemas e as quadrinhas devem ser escolhidos sempre de acordo com o tema de estudo do mês. Lembrete: Essas atividades levam a criança a ter autoestima e ampliam consideravelmente o conhecimento da gramática e das estruturas básicas da língua portuguesa. RECADOS Esse tipo de atividade não tem um momento específico para ser realizada. Nas salas iniciais, os recados a serem transmitidos pelas próprias crianças terão apenas uma ordem. Assim, a criança memoriza e verbaliza o que ouviu, transmitindo corretamente o recado. Nas salas poderá haver vários telefones, feitos com latas e barbantes, para que, durante algumas atividades, as crianças brinquem de dar recados umas para as outras. Em maio, quando os meios de comunicação serão trabalhados, os telefones podem ser usados mais amiúde. As atividades serão prazerosas, uma vez que terão resultados positivos, na Linguagem Oral. A criança terá oportunidades variadas para aprender a comunicar-se com clareza e com precisão. As respostas serão trazidas ao educador, para que ele perceba se a ordem foi ou não cumprida. PRANCHAS DIDÁTICAS 1. LER IMAGENS" Essas pranchas fazem parte do material. Outras pranchas são organizadas pelo educador. O tamanho ideal é de 20 cm 30 cm, de fácil manuseio. As pranchas são feitas com gravuras e bem de acordo com cada faixa etária. Para o Maternais fase 1 e 2, de 2 a 3 anos, são figuras bem nítidas e sobre vários assuntos que são apresentados no material mensalmente. Para o 1 o Estágio da Educação Infantil, de 3 a 4 anos, essas pranchas didáticas que estão apresentadas mensalmente de acordo com a unidade temática. Para o 2 o Estágio, de 4 a 5 anos. Mensalmente essas pranchas didáticas estão apresentadas no material didático mensal. Outras pranchas didáticas poderão ser confecxionadas pelo educador, veja alguns exemplos: PP-EI-2011-PÁG.51 51

52 Inventar outras e graduar as dificuldades com mais letras e menos figuras. No 2 o Estágio poderá haver outros tipos de pranchas como os exemplos abaixo: Antes do início dessa atividade, expliquer bem como ela será, o que representa e o que as crianças farão. Peça atenção! Algumas pranchas didáticas fazem parte do material, o que não impede que outras possam ser elaboradas. 2. DESENVOLVIMENTO DO REPERTÓRIO ORAL O vocabulário da criança é restrito e são necessárias oportunidades para que sua oralidade seja trabalhada e assim ela possa verbalizar, com maior clareza, o que vê e o que sabe. O educador poderá organizar outras pranchas didáticas de 15 cm 22 cm, no tamanho adequado ao manuseio para que a criança tenha outras oportunidades além das apresentadas no material. As figuras serão bem escolhidas, bonitas, coloridas e quanto menor a criança, maior as figuras serão; serão no início, sem muitos detalhes e com contornos bem delineados. As pranchas didáticas também podem ser feitas por assunto e serão várias que: serão lidas pelo educador, após breves momentos de leitura silenciosa; 52

53 nesta atividade, a criança terá tempo suficiente para observar para depois verbalizar. Às vezes, no início, ela não sabe nomear tudo que aparece. Terá outra oportunidade, o educador entregará novamente a ficha anterior para poder, assim, avaliar o progresso. Outras pranchas didáticas serão organizadas, lembrando sempre que as figuras irão diminuindo aos poucos. Estas fichas para o desenvolvimento do repertório oral aparecerão mensalmente no material. PRODUÇÃO ORAL A criança vê globalmente. Existe uma necessidade de que, aos poucos, ela perceba os detalhes. No início da produção oral, as pranchas didáticas conterão figuras grandes com apenas um elemento (maternal I), e, aos poucos, as figuras conterão 2 (dois), 3 (três), 4 (quatro) ou mais elementos dependendo de cada estágio. O educador poderá, além pranchas didáticas contidas no nosso material didático, organizar outras, lembrando sempre de adequá-las a unidade temática do momento. Com perguntas desafiadoras e adequadas, o educador mostrará à criança qual será a resposta completa. A criança também tem grande capacidade de síntese e, com uma palavra apenas, ela responde, o que não é correto. O educador lembrará de que esta atividade é um preparo para atividades da vida futura da criança, ou seja, a produção escrita. O educador sentado no chão, ou em cadeirinha com uma figura ou uma bola, a ser explorada em suas mãos fará as perguntas. O que você está vendo? Eu estou vendo uma bola. Qual é a cor desta bola? A cor desta bola é vermelha. Qual é o tamanho dela? O tamanho da bola é grande. O que mais você está vendo? A bola é redonda. PP-EI-2011-PÁG.53 Poderá haver um cuidado com todos as crianças. Cada uma, na sua vez, responderá a uma pergunta. Quando o educador perceber que todos os detalhes foram explorados, fará uma síntese das coisas lidas que foram vistas e irá apontando: Nós estamos vendo uma bola; ela é vermelha; é uma bola grande e muito bonita; fulano tem uma bola igual a esta, ela está em sua casa; a bola rola, rola. Em algumas oportunidades, sugerimos digitar o texto o qual será colado na atividade, para que os pais e ou responsáveis acompanham o desenvolvimento da criança como também valorize o trabalho do educador. A cada faixa etária, o número de elementos das figuras aumentará. Começa-se com apenas um elemento e, no final da Educação Infantil, as pranchas didáticas conterão mais elementos. O educador procurará sempre figuras com linhas bem simples e sem muitos detalhes. Essa estratégia é importante porque, com certeza, facilitará, e muito, as futuras produções escritas, tão necessárias e comumente solicitadas nos trabalhos e nas provas escolares futuras. 53

54 FICHAS LITERÁRIAS Aparecem no 2 o estágio o nome do autor e da editora serão escritos pelo educador. A ilustração ficará a cargo das crianças. A ilustração é um instrumento valioso, podendo o educador, por meio do desenho que a criança apresentar, constatar se houve alguma associação com o que foi trabalhado; poderá também perceber o desenvolvimento da linguagem plástica, mais propriamente a fase do desenho em que a criança se encontra. ADIVINHAS O que é, o que é? FICA DENTRO DO OVO A NADAR SOU A...(gema) FICA DENTRO OU FORA SEM NELA NÃO SE CONSEGUE NEM ABRIR OU FECHAR. SOU A...(chave) NASCI COMPRIDO AOS POUCOS VOU FICANDO PEQUENINO. SOU O...(lápis) QUE SOBE MORRO DESCE MORRO E NÃO SAI DO LUGAR? SOU A...(cerca) PÕE NA ÁGUA E ELE BOIA? SOU A...(giz, boia, jiboia) PASSA NA PONTE E NÃO SE MOLHA? SOU A...(sombra) QUEM É QUE FICA SEMPRE ESPERANDO ALGUÉM COLOCÁ-LO NA JANELA? SOU O...(botão) ENTREVISTA Ela representa outro recurso para o enriquecimento da oralidade. Assim: será previamente preparada, podendo ser convidados os pais, os coordenadores, os educadores e os funcionários da escola e outros. O preparo consiste em passar para as crianças quem será o entrevistado e o que poderá ser perguntado sobre a profissão, o trabalho e a família; 54

55 as crianças poderão preparar uma lembrancinha, que será entregue no final da entrevista: desenho, flor de dobradura etc; as crianças ficarão bem à vontade para que se sintam livres e perguntem além do que foi preparado; a entrevista poderá ter a duração de poucos minutos porque, após esse tempo, há uma dispersão da atenção e as crianças não assimilarão mais nada; o ambiente da sala também será preparado com cuidado para que o entrevistado sinta-se homenageado, e as crianças percebam que, especialmente quando se recebe visitas, tudo estará em ordem; por meio das entrevistas apresentadas pelos educadores, a criança não vai apenas memorizar sons e palavras; aos poucos, ela vai selecionando os sons, tentando descobrir o sentido do que foi enunciado e poderá introduzi-los quando for verbalizar. LIVROS 1. EU Maternal I 2. MINHA HISTÓRIA Maternal II 3. CRESCER 1 o estágio Esses livros fazem parte do nosso material didático. Foram elaborados pensando que a criança terá um marco para cada idade da Educação Infantil. Poderão ser entregues no fim de cada ano, sendo guardados para que, quando as crianças se tornarem adultas, possam lembrar e recordar o que aconteceu quando tinham 1, 2, 3 ou 4 anos de idade. SUPORTE PARA O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO O livro: Uma letra, outra letra... é um material diferenciado, atendendo às solicitações de alfabetizadores. O livro apresentado é anual, com programações bimestrais, podendo ser utilizado de acordo com a realidade de cada sala. Observação: Este item se encaixa em outras linguagens, pois a oralidade, a grafia e o letramentro serão trabalhados concomitantemente. Uma letra, outra letra... PP-EI-2011-PÁG.55 PROCEDIMENTOS RECOMENDADOS Estejamos certos de que, se o trabalho tiver sido bem programado e realizado, ao fim de cada ano, teremos muitas alegrias para curtir. Sem qualquer dúvida, o repertório oral dos alunos terá sido sensivelmente ampliado, e essa satisfação especial repousará, até o ano seguinte, nos louros de uma conquista pessoal de múltiplos benefícios coletivos, que não têm preço e nem termo de comparação. Suporte para o processo da Alfabetização 2 o Estágio 55

56 3 LINGUAGEM CORPORAL INTRODUÇÃO Por meio das habilidades corporais, a criança nos mostra, de modo espontâneo, o que pensa e o que sabe. Na realidade, o corpo fala mesmo sem que se perceba; e, com atenção, poderemos ouvir muitas coisas que a criança diz. Além disso, podemos identificar a homogeneidade de movimentos, o equilíbrio, a idade e em que nível está o desenvolvimento do esquema corporal da criança. Quando a criança deseja transmitir sentimentos ou situações, ela organiza o pensamento lógico e busca compreender causas e consequências para melhor se expressar. Ao movimentar-se, as crianças expressam sentimentos, emoções e pensamentos, ampliando as possibilidades do uso significativo de gestos e posturas corporais. O movimento humano, portanto, é mais do que um simples deslocamento do corpo no espaço, constitui-se em uma linguagem que permite às crianças agirem sobre o meio físico e atuarem sobre o ambiente humano, mobilizando as pessoas por meio do seu teor expressivo. Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil. No início da vida, o controle de movimentos ocorre de modo precário, mas, aos poucos, esse controle vai progredindo e, à medida que a criança vai crescendo, torna-se capaz de realizar movimentos mais precisos e coordenados, ao mesmo tempo em que sua capacidade de diferenciar as coisas aumenta. O desenvolvimento sensório-perceptivo da criança depende basicamente da qualidade e da variedade dos estímulos que lhe são oferecidos. É importante a observação constante e sistemática por parte do educador, para que ele possa acompanhar as alternâncias entre os estados de equilíbrio e desequilíbrio da criança em idade préescolar. Essas alternâncias não dependem unicamente de causas externas como as do ambiente, 56

57 do lar ou da escola, ou de qualquer atitude errada dos pais, mas também do fato de cada criança ser diferente da outra, como diferentes podem ser e geralmente são as reações aos estímulos que cada uma delas recebe. A altura e o peso de uma criança poderão corresponder, proporcionalmente, aos do dia do seu nascimento. Ter esses dados em mãos é tão importante quanto saber outros detalhes, como, por exemplo, se a criança nasceu prematuramente. O educador também poderá ter conhecimento, para saber como agir, dos problemas e casos de inapetência, alergia, intolerância ao leite, asma, verminoses, bem como de outros acontecimentos que possam alterar as ações ou reações da criança. Os educadores ainda estarão preparados e atentos, porque sempre existirá aquela criança que não tem desenvolvimento normal, apesar do esforço dos pais, do pediatra e do próprio educador, que, nesse caso, precisará de encorajamento e apoio. Os educadores deverão ter o cuidado de nunca compará-la com outras crianças e de fazerem um preparo com os colegas de classe, sem a criança estar presente, para que evitem críticas e apelidos. Sobre a liberdade, nessa linguagem, é muito importante ponderar que a criança será acompanhada e não ficar sem limites. Os educadores a levarão a perceber os seus limites e quando irá parar ou continuar. Se a criança se sentir impossibilitada de mover-se ou de gesticular, pode sentir dificuldade de pensar e de manter a atenção. Compreender o caráter lúdico e expressivo das manifestações da motricidade infantil poderá ajudar o professor a organizar melhor a sua prática, levando em conta as necessidades da criança. Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil. PP-EI-2011-PÁG.57 OBJETIVOS GERAIS DA LINGUAGEM CORPORAL Levar a criança a: expressar-se corporalmente de forma adequada; observar e perceber os esquemas: global; corporal oral; corporal auditivo; corporal gustativo; corporal visual; corporal tátil; corporal olfativo. desenvolver as respectivas habilidades de cada esquema; estimular e desenvolver as habilidades corporais de forma paulatina e harmoniosa; observar e desenvolver o controle do seu próprio corpo e exprimir-se por ele; desenvolver força, resistência, flexibilidade e autoconfiança; estimular a respiração e a circulação; desinibir-se para se expressar adequadamente; saber que tem comando sobre seu corpo; 57

58 58 contrair e descontrair partes do corpo; produzir e distinguir sons iguais e diferentes; mastigar, engolir e beber discriminando sabores; perceber diferenças, discriminar detalhes e descobrir figuras; colorir, pintar, recortar, colar, dobrar e encaixar; dar laços, laçadas e nós; amarrar, abotoar e desabotoar; abrir e fechar: zíper, tampa e colchete; escrever, lixar, enrolar e desenrolar; perfurar, emparafusar, empilhar, rasgar, segurar, equilibrar e apalpar; agir, falar, corrigir e descobrir para depois interiorizar; obter um controle motor que favoreça o desenvolvimento intelectual, com base em situações concretas; reforçar a percepção em níveis espaciais e temporais; reforçar a percepção da lateralidade e, consequentemente, a do esquema corporal; localizar-se dimensionando o rápido, o simultâneo e o lento; movimentar as articulações, com ou sem material. OBJETIVOS ESPECÍFICOS DA LINGUAGEM CORPORAL As atividades psicomotoras (maternal I e II) levarão a criança a: movimentar-se de forma natural e espontânea; conhecer as partes do seu próprio corpo e suas funções; correr sem levar tombos ou desequilibrar-se; saltar alturas de acordo com sua idade; subir e descer escadas, com maior ou menor número de degraus; saltar distâncias; pular cordas (em torno dos 5 anos); saltitar com menor ou maior desenvoltura; obedecer a ordens; dobrar e desdobrar papéis, guardanapos etc.; segurar e carregar; usar a massa de modelar; saber rasgar (1 a fase do recorte); saber rasgar e amassar; manusear contas maiores e menores; movimentar-se nos jogos e nas brincadeiras, de modo a ir ganhando independência e capacidade de elaborar regras e não somente de segui-las; movimentar-se com exercícios de pernas e braços; movimentar-se acompanhando ritmos diferentes; identificar posições (lateralidade); Observações: Sobre as atividades psicomotoras desta fase, acrescentar-se-á que: estão ligadas ao esquema corporal global, envolvendo os aspectos mais significativos do conhecimento do corpo, razão pela qual a educação desse esquema será o ponto central da ação educativa, principalmente dos 2 aos 6 anos;

59 para que o esquema corporal seja desenvolvido, é preciso que haja, por parte do educador, conhecimento, estudo e preparo. As atividades terão características peculiares que podem ser chamadas de atividades físicas e serem realizadas ao ar livre, onde as crianças tenham contato com a natureza e com espaço para se movimentarem; os movimentos serão amplos, levando-se em conta as limitações da idade, sem preocupação, nessa fase, com a perfeição de movimentos, mas apenas com o processo evolutivo, para que no futuro a criança seja ajustada e tenha postura correta; as mudanças mais significativas ocorrem nos primeiros anos de vida e são as características físicas de cada criança que predeterminam as respectivas capacidades ou possibilidades de execução de tarefas motoras. Sobre as atividades psicomotoras desta fase, acrescentamos que: correspondem ao segundo aspecto do desenvolvimento corporal normal para todas as crianças, sendo importante ressaltar que todas elas passam pelas duas fases e que pode haver defasagens, de acordo com a estimulação que a criança recebe em casa e no ambiente onde vive; nessa fase, as atividades têm uma profundidade diferente, pois há melhor resposta, já que a criança está em plena fase de desenvolvimento. As atividades terão uma duração mais longa, com exercícios e brincadeiras que tenham regras não mais tão simples. Poderão também ser inseridos os contestes e as gincanas, para que a criança desde cedo seja estimulada a participar, mas nem sempre vencer; nessa etapa, ocorrem também os exercícios motores, quando a criança é preparada, para os exercícios da escrita: os educadores estarão atentos para que as crianças usem corretamente o lápis e, no futuro, não tenham calos nos dedos; lembrar que o lápis sextavado foi desenhado para evitar justamente esse problema. PP-EI-2011-PÁG.59 59

60 O EDUCADOR: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS A Linguagem Corporal, mais propriamente a expressão corporal, está ligada a vários aspectos da motricidade, que é a propriedade que certas células nervosas têm de determinar a contração muscular. A psicomotricidade é a habilidade motora que a criança terá em diversas atividades. Dependendo da idade em que ela esteja, o conhecimento e o domínio do seu próprio corpo podem ser bastante estimulados por meio de atividades prazerosas e interessantes. A propósito, convém observar que: com dois anos, a criança já apresenta um grau de habilidade para controlar os movimentos de seu próprio corpo; aos três anos, está na fase do equilíbrio e começa a usar a tesoura, apanhar objetos, enfiar contas grandes; aos quatros anos, tem controle muscular das mãos e já recorta com limitações; aos cinco, equilibra o corpo na ponta dos pés, sabe abotoar e recorta melhor; aos seis, já tem equilíbrio perfeito do seu corpo, tem noção de suas funções, o recorte é quase perfeito e, dentre outras coisas, salta corda, segura o lápis e escreve com movimentos corretos. A Linguagem Corporal é apresentada mediante sete esquemas, com as correspondentes habilidades, que serão trabalhadas e desenvolvidas. Esquema global: corpo, braços, pernas, pés, barriga, costas, rosto, pescoço, ombros, cotovelos, joelho, nuca e tornozelos (de acordo com o que a criança nomeia, o educador saberá em que grau de adiantamento ela está). Habilidades: andar, pular, correr, saltar, marchar, engatinhar, subir e descer; flexionar o corpo, as pernas, as mãos, os dedos e os pés; rastejar, balançar, chutar, puxar, empurrar, arremessar, contrair e descontrair partes do corpo e os punhos e gesticular. Os jogos, atividades lúdicas por excelência, podem ser ministrados dentro desta linguagem. Esquema corporal oral: boca, língua, dentes, bochechas, queixo e véu palatino. Habilidades: movimentar a boca; esticar, dobrar e enrolar a língua; morder, apertar os lábios, assobiar, beijar e sussurrar, produzir sons onomatopaicos e iniciais, rimas, frases, vogais e consoantes. Esquema corporal auditivo: ouvidos. Habilidades: escutar e distinguir sons diferentes, ouvir e entender; discriminar sons (agudos ou graves, fortes ou fracos, dentro e fora da sala, sons agradáveis ou não). Esquema corporal gustativo: língua, dentes e saliva. Habilidades: mastigar, engolir, lamber, beber, discriminar sabores (doce, salgado, azedo, amargo, azumi, sem gosto). Esquema corporal visual: olhos, cílios, sobrancelhas. Habilidades: movimentar, abrir e fechar os olhos (piscar); perceber diferenças, descobrir figuras, discriminar detalhes e letras; leitura. 60

61 Esquema corporal tátil: punho, mãos e dedos. Habilidades: colorir, pintar, recortar, colar, dobrar e encaixar; dar laços, laçadas e nós; amarrar, abotoar e desabotoar; lixar, enrolar, desenrolar, perfurar, emparafusar, empilhar, rasgar, segurar, equilibrar, apalpar, abrir e fechar zíper, tampa e colchete; escrever. Esquema corporal olfativo: nariz e narinas. Habilidades: movimentá-los para discriminar odores (cheiros agradáveis e desagradáveis), nos aromas, nas fragrâncias e nos perfumes de líquidos, nas coisas, nas flores, nas frutas etc. Dentro do Esquema corporal global, as atividades visarão ao desenvolvimento das respectivas habilidades e à prontidão da coordenação motora grossa. Nos demais esquemas, as atividades terão como objetivos fundamentais o desenvolvimento da coordenação motora fina, preparando a criança para as habilidades específicas anteriormente apresentadas. A criança será estimulada e motivada para o desenvolvimento das respectivas habilidades. Sem que ela perceba, estará se exercitando, aprendendo e contribuindo para que haja um desenvolvimento harmonioso dessas habilidades. Observe-se ainda que a duração das atividades será adequada a cada faixa etária; que a música pode fazer parte dessa atividade e que as roupas das crianças devem ser adequadas, para evitar desconforto ou dificuldade de movimentos. Aos poucos, a criança irá se desinibindo, tornando-se, assim, mais capaz de controlar o próprio corpo e de exprimir-se por meio dele. As atividades dessa linguagem não estão limitadas a instantes específicos e poderão acontecer em variados momentos do horário escolar (por exemplo, em histórias, em dramatizações, na recreação, nas dancinhas etc.). Antes do início do trabalho com essa linguagem corporal, convém ressaltar que as habilidades motoras, grossa e fina, caminharão juntas, logicamente levando-se em conta a idade da criança. Do mesmo modo que ela for aprendendo a subir escadas, ela também aprenderá a segurar um lápis. A ação educativa deve ter objetivos específicos para cada faixa etária, mas levando em consideração o crescimento e o desenvolvimento, atendendo às necessidades básicas em seus aspectos cognitivo, motor e socioemocional. PP-EI-2011-PÁG.61 Essa linguagem se inicia quando a criança começa a perceber o seu próprio corpo e os movimentos que consegue fazer com as mãos, com os pés etc. Seu esquema corporal, aos poucos, vai se desenvolvendo, tendo cada criança seu ritmo quanto à organização temporal e espacial. 61

62 Cada criança traz dentro de si características físicas próprias, que predeterminam suas possibilidades de execução das tarefas motoras. A altura, o peso, a força e a organização nervosa estarão dentro dos parâmetros normais, para que possam ser executados determinados movimentos. As atividades serão pesquisadas e atribuídas conforme a idade, lembrando sempre que estarão em concordância com os eixos de trabalho. APLICAÇÕES DE RECURSOS AULAS HISTORIADAS Ministradas de preferência fora da sala de aula, podem conter histórias inventadas ou ainda adaptações das histórias mais conhecidas e simples: Chapeuzinho Vermelho, por exemplo, poderá ser dada em fevereiro ou março, quando a unidade temática é: Eu me conheço? Observe-se ainda que: os exercícios de imitação serão espontâneos e os movimentos naturais; o tom de voz do educador é muito importante e um ingrediente a mais para despertar o interesse da criança; no final, os exercícios "de volta à calma" são indicados e eficazes para que a volta à sala seja tranquila. AULAS-PASSEIO Poderão ocorrer: sempre, cada vez tendo um objetivo, para que sejam divertidas e alegres, e as crianças participem motivadas; no pátio e nos arredores da escola, mas o educador sempre terá uma pessoa habilitada para auxiliá-lo a evitar problemas; As aulas-passeio ocorerão ocorrer somente quando as crianças tiverem sido bem preparadas. JOGOS IMITATIVOS Existe uma grande variedade desses jogos, que são do agrado das crianças e que podem ser usados em várias oportunidades, mas sempre lembrando da pertinência com os eixos de trabalho (por exemplo, O anão e o gigante, A sopa está quente, Vamos apagar a vela, O pato, O sapo, A tartaruga etc.). PEQUENOS JOGOS as regras desses jogos são bem simples, e somente depois é que serão introduzidas outros com maiores dificuldades; 62

63 os jogos podem ser com bolas (rasteiras no início, depois utilizadas de várias outras formas); as cordas poderão fazer parte das atividades, lembrando sempre que as dificuldades irão acontecer aos poucos; sugestão de alguns jogos: Quatro cantos ; O gato e o rato ; Passa anel ; Comprador de fita ; Barra-manteiga ; Cabra-cega ; Pique ; Coelhinho na toca etc. BRINQUEDOS FOLCLÓRICOS Esses brinquedos: são desconhecidos pela maioria das crianças dos grandes centros, tão plugadas em TV; no interior, especialmente nas cidades menores, eles ainda acontecem; mesmo assim há uma defasagem, pois os educadores também não conhecem a maioria deles, tanto pela não solicitação da direção da escola, como também pela carência de pesquisas pessoais; alguns exemplos desses brinquedos: Seu lobo está pronto ; Mãe pobre e mãe rica ; Bela manquinha ; O símbolo da cruz ; Inferno ou céu ; Pirulito que bate, bate ; Bota aqui o seu pezinho ; Marcha soldado ; Quente/frio ; Macaco Simão disse ; Cadeiras de Jerusalém ; Duas fileiras com bandeirinhas ; Batata quente ; Lenço atrás. RODAS CANTADAS Hoje também estão um pouco esquecidas, mas, se bem motivadas, serão um ótimo recurso de que o educador dispõe, no mínimo para inovar as suas atividades. Alguns exemplos: Que hora são? ; Francisco deu o sinal ; Onde vai Maria ; A canoa virou ; Você gosta de mim? ; Dona Sanja. SAPATAS As sapatas são as amarelinhas que são usadas até hoje para alegrar as crianças: os quadrados, que serão casas, são riscados no chão; haverá uma pedra, ou pedaço de tijolo, que será arremessado, com cuidado, na direção da casa da vez; nos anos iniciais, a criança não absorverá as regras, apenas saltará nas casas; o número de casas poderá ser adaptado de acordo com os numerais que elas já aprenderam. PP-EI-2011-PÁG.63 JOGUINHOS COM BOLA A bola, que é sem dúvida um material rico, proporciona vários tipos de atividades que podem ser um recurso importante: é usada para chutar, pegar, jogar na parede, jogar no chão e tornar a pegar ou jogar para um colega, com distâncias diferenciadas; alguns exemplos de joguinhos: Bola atrás ; Bola ao túnel ; Bola no centro ; Bola rasteira ; Passar a bola. 63

64 SALTO EM ALTURA E EM DISTÂNCIA É também um recurso de que as crianças gostam, podendo ser realizado no meio de uma aula historiada, numa gincana ou em outro momento em que os educadores acharem conveniente. PNEUS Alguns exemplos de atividades: saltar dentro e fora ; sentar dentro ; nas beiradas ; juntar e formar uma fila onde as crianças saltarão ; rolar os pneus ; gincanas etc. Observações: Material de fácil acesso, que poderá proporcionar à criança várias oportunidades para o seu desenvolvimento. Ter o cuidado de guardá-los em lugares apropriados, para que não acumulem água de chuva no seu interior. BAMBOLÊS Alguns exemplos de atividades: sentar dentro ou fora, rodá-lo nos braços, cintura ou pés, no joguinho de coelho na toca etc. Observações: Material de fácil aquisição. Guardá-los em lugares apropriados. JOGOS COM DEDOS É uma brincadeira bem antiga, mas que pode ser utilizada em momentos variados do dia a dia. A igrejinha e Tum-tum são exemplos de jogos que todo educador de Educação Infantil passará para a criança. Tais jogos proporcionam à criança exercícios para maior destreza de seu dedos e mãos. RABISCAÇÃO No início da vida escolar, é a primeira escrita. As crianças terão muitas oportunidades para rabiscar, utilizando, por exemplo, o curtom, os pincéis, o carvão, a pintura a dedo, furando o papel e fazendo experiências de pingar. LABIRINTOS Simples no início, aos poucos as dificuldades aumentarão. Serão realizados não somente com curtom, mas com tampinhas, com palitos, com sementes, grãos etc. A variedade de materiais é necessária e importante para que a criança aprenda a dar respostas diferentes para o mesmo tipo de atividade. Poderão ser feitos no chão, nas mesinhas e, como última etapa, nas folhas do livro. 64

65 UNIR OU LIGAR PONTOS Realizar em primeiro lugar no concreto e, após várias repetições, efetivar no papel. No início, serão mais simples; aos poucos as dificuldades aumentarão. As linhas serão retas no início, depois virão as linhas curvas, menos e mais complicadas, para que haja crescente dificuldade. PERFURAÇÃO Atividade bem aceita pela criança. A criança precisa manipular o lápis, antes do uso, a fim de saber os cuidados necessários para não furar os dedos, conhecimento que adquire com facilidade. Começa com perfuração livre e com limites mais amplos. Na continuidade, haverá limites mais restritos, até que a criança consiga perfurar linhas simples e curvas. Para essa atividade, há necessidade do uso de um lápis próprio, que é adquirido em lojas especializadas. FIGURA FUNDO A criança pode, inicialmente, ser treinada para observar tudo o que a rodeia, pois ela vê tudo globalmente. Essa atividade é bem apreciada, já que ela irá descobrir o que não se vê da primeira vez. Nas primeiras atividades, os fundos trabalhados são bem claros e as figuras são desenhadas com traços nítidos e simples. Como nas outras atividades, as dificuldades vão ficando mais complexas. Na última etapa, a criança precisará de atenção maior para reconhecer o que se deseja. DOBRADURAS Apesar de focada na Linguagem Matemática, a dobradura fará parte dessa atividade também fará parte, pois, com as dobras que realiza, a criança vai aperfeiçoar seus movimentos de dobrar, marcar e vincar: servem como preparação para o futuro exercício da escrita; como as demais, essa atividade se inicia de forma simples, com dobras livres e dobras simples dirigidas, que, aos poucos, vão sendo realizadas de forma mais complexa, quando então se conseguirão figuras interessantes, que poderão enfeitar a classe (personagens de uma história, por exemplo). RECORTE PP-EI-2011-PÁG.65 Inicia-se com o ato de rasgar, e a sequência dos passos do recorte é a seguinte: 1 o ) rasgar livremente; 2 o ) rasgar em tiras; 3 o ) rasgar em pedaços menores; 4 o ) rasgar e colar; 5 o ) rasgar, amassar, desamassar e colar; 6 o ) recortar livremente (início da utilização de tesoura) etc; 7 o ) recortar uma folha de papel ao meio; 8º) recortar uma folha em quatro partes; 9º) recortar tiras largas; 10º) recortar tiras estreitas; 11 o ) recortar linhas curvas simples; 12 o ) recortar linhas curvas mais complexas; 13 o ) recortar 65

66 franjas dos dois lados do papel; 14 o ) recortar franjas dos quatro lados do papel; 15 o ) recortar papéis de diferentes texturas; 16 o ) recortar figuras simples e com contorno sem detalhes; 17 o ) recortar figuras mais complexas; 18 o ) recortar com agulha grossa (própria para tapeçaria): como é uma atividade que necessita de um maior esforço, deve-se escolher uma figura simples, que após o recorte com a agulha solte-se do restante do papel para ser colada. Quando a sequência for completada, a criança estará pronta para recortar qualquer coisa, com recorte quase perfeito, como também terá facilidade com a escrita. COLAGEM Normalmente, inicia-se logo nos primeiros anos de vida. Será ministrada para que a criança possa utilizar a cola adequadamente, necessitando de controle para isso. A colagem livre ocorre, em várias oportunidades, quando a criança começa a conhecer vários materiais, adequando seus movimentos para pegar coisas pequenas, grossas, finas etc. PROCEDIMENTOS RECOMENDADOS Em cada uma das atividades que foram relacionadas, pode haver adequação de acordo com as limitações de cada faixa etária a ser trabalhada. O preparo, com ênfase para a contextualização, é o primeiro passo importante, ainda na sala, para que as crianças fiquem em condições ideais para participar convenientemente e para que todos os objetivos pretendidos sejam alcançados. Atualmente, as crianças, em sua maioria, não exercitam as atividades da Linguagem Corporal, o que acarreta as quatro observações seguintes: quase sempre ficam muito tempo diante da TV, da qual recebem tudo pronto; a TV e os jogos eletrônicos são bons, mas em hora e em medida certas; a criança que não se movimenta e não se exercita adequadamente, terá problemas futuros, no mínimo, posturais; se, nos contatos iniciais, não houver explicação e motivação suficientes, poderão ocorrer rejeições às atividades que os educadores vierem a propor. Ainda sobre a Linguagem Corporal, podemos ressaltar o riso e a lágrima, manifestações naturais e expressivas de comunicação não verbal, que marcam muitos momentos e, não raras vezes, são mais adequados, incisivos e mais bem compreendidos do que quaisquer palavras. Esperamos, finalmente, que esta seja uma real contribuição e que o ajude, caro educador, a crescer e a valorizar-se, porque seu papel é muito importante e a sua função é nobre: participar ativamente do embasamento e da moldagem dos traços que irão ajudar a plasmar a consciência e o caráter de crianças alegres e felizes, as quais, com certeza, serão futuros cidadãos educados, ajustados e confiantes. 66

67 4 LINGUAGEM MUSICAL HANNU LIIVAAR / DREAMSTIME.COM INTRODUÇÃO PP-EI-2011-PÁG.67 Desde os tempos mais longínquos de que se tem notícia, a música tem sido um dos meios e formas de expressão e de comunicação mais naturais e eficazes. Utilizada nos momentos importantes da vida do homem, ela tem sido o recurso ideal para a manifestação de seus sentimentos. Podemos conceituar a música como toda sinfonia sonora que nos cerca é agradável ou não. As primeiras percepções da criança, em relação ao som, ocorrem através da melodia e do ritmo que manam e decorrem de tudo aquilo que a cerca e que a caracteriza, como, por exemplo: quando ela emite ou produz sons, ou quando eles são produzidos ao seu redor; quando o seu coração bate; quando acontecem movimentações e deslocamentos no ar, nos rios, nos mares, na natureza de modo geral. A criança reage, desde o início, a estímulos sonoros, intensos e constantes, balbuciando, emitindo gritinhos e realizando as mais diversas movimentações corporais. Quanto mais adequados forem os estímulos sonoros, melhor a criança penetrará no mundo dos sons: dessa forma, ela criará e individualizará o seu mundo interior. As atividades a serem propostas nessa linguagem de expressão envolverão o som, o ritmo, as discriminações auditivas, o senso rítmico e a expressão vocal. A criança não precisa saber o que se propõe, mas sim ser motivada a descobrir o que o educador quer desenvolver: sem saber nomes ou especificações. A criança vai desenvolver suas próprias percepções, que a ajudarão nesse desenvolvimento musical. A Linguagem Musical leva a criança a ter alegria e um grande prazer, pois as atividades têm caráter lúdico, de jogo, de brinquedo. A música, por si só, é um instrumento valioso para a aprendizagem no geral. Ela é um grande recurso de que podemos dispor, não apenas nos horários estipulados, mas durante várias vezes ao dia, como um remédio eficaz que fará com que as crianças sintam-se impelidas a participar das atividades diárias que serão propostas. 67

68 Os conteúdos relacionados ao fazer musical serão ser trabalhados em situações lúdicas, fazendo parte do contexto global das atividades. Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil. O ambiente de trabalho, nas salas ou fora delas, deve terá um clima de liberdade, de alegria e de descontração, inteiramente propício ao desenvolvimento das atividades espontâneas e criativas. O educador estará pronto para receber respostas diferentes e respeitar as individualidades. As experiências sensoriais - relativas ou pertencentes aos sentidos ou sensações - poderão ser apresentadas com maior frequência, para que ocorra o desenvolvimento com aprendizado. Tais oportunidades podem levar a criança a observar, imaginar, explorar, improvisar, criar, concentrar-se, e, com isso, ela iniciará suas próprias diferenciações. Antes de começar o seu trabalho, o educador poderá fazer avaliações que o ajudarão no planejamento das atividades a serem realizadas: o número de crianças, de quais instrumentos dispõe e o local em que irá utilizá-los. Se houver mais de um local, eles também serão conhecidos pelo educador e avaliados da mesma maneira. O tempo de atividade também será bem aproveitado, podendo o educador saber que, quanto menor a criança, menor será seu tempo de concentração: de nada adiantará programar uma atividade maravilhosa, em desacordo com a realidade de concentração da criança. Para o canto, nem sempre há necessidade de local específico, pois até as atividades rotineiras tornam-se mais agradáveis quando acompanhadas de música. O canto pode aparecer numa história, para tranquilizar as crianças; num passeio e nos horários habituais, como na entrada, no lanche e na saída. É importante o preparo das aulas, mesmo que o educador seja um expert em música. Nesse preparo, serão planejadas as necessidades das crianças e os objetivos que deseja atingir: organizando os conteúdos, que serão paulatinamente desenvolvidos, pois dependerão das respostas das crianças, e propondo atividades variadas e criativas, para que haja interesse adequado a essa linguagem de expressão. OBJETIVOS GERAIS DA LINGUAGEM MUSICAL Levar a criança a: desenvolver a capacidade de percepção e expressão musical; traduzir em formas sonoras capazes de expressar e comunicar: relacionar nas diversas situações: observar: som com o silêncio; a música presente em diversas situações; que a música está presente em diversas situações da vida humana; entrar em contato com a cultura musical; ouvir e apreciar músicas; vivenciar experiências musicais, integrando-as; perceber que a música envolve movimento, memória, expressão cênica, artes visuais etc; considerar que a música é um meio de expressão, tornando possível a realização de projetos integrados com as demais linguagens de expressão; 68

69 estimular e desenvolver a expressão, o equilíbrio, a autoestima, o autoconhecimento, integrando-se socialmente. OBJETIVOS ESPECÍFICOS DA LINGUAGEM MUSICAL PP-EI-2011-PÁG.69 Levar a criança a: discriminar as sensações de: alegria; tristeza; alívio. expressar e comunicar sentimentos e pensamentos; ter conhecimento da própria voz; vivenciar as diversas formas de locomoção: por meio de uma pequena história ou texto (levantar, pegar, andar, espalhar, saltar etc.); observar e locomover-se, ajustando o ritmo com instrumentos melódicos: coco; pau de rumba; triângulo; xilofone; piano; flauta. observar e vivenciar os sons do próprio corpo (corporais e vocais); estimular e produzir sons diferentes, usando: as mãos; os pés; a língua; os lábios; os ouvidos (imitação do canto dos passarinhos); soprando canudos; rasgando papéis; jogando objetos no chão; explorar sons da natureza: da chuva; do trovão; dos riachos; do farfalhar das folhas etc. sons onomatopaicos; observar e experienciar os sons de diversos materiais; relacionar os andamentos: devagar; rápido; antes e depois. 69

70 perceber a relação entre os sons fortes e fracos; a presença do silêncio; discriminar: os materiais sonoros; a intensidade, o andamento, a altura e a duração dos sons. produzir sons com: metal (raspar); pano (esticar); papel (rasgar); plástico (bater); lixa (raspar, rasgar). percutir instrumentos musicais; acompanhar a pulsação (marcação ritmica): parlendas; músicas infantis. individualizar sua expressão musical; descobrir suas preferências e tendências musicais; que cantar traz alegria para si e para todos. M.R.B.C O EDUCADOR: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS É muito proveitoso para o trabalho do educador estimular a criança não só a prestar atenção a todos os sons, mas também a saber ficar em silêncio, para ouvir os sons do ambiente onde vive ou onde está. APLICAÇÕES DE RECURSOS Seguem algumas orientações didáticas, apresentados resumidamente: as crianças sentir-se-ão envolvidas, mesmo as que apresentarem dificuldades: estas serão atendidas de forma diferente; caberá ao educador orientar suas crianças, estimulando os mais tímidos, reforçando o desempenho de todos, para que alcancem o comportamento esperado; o educador poderá comunicar-se com clareza e usar linguagem bem adequada às limitações da linguagem de sua classe. A fala também será alterada conforme o que propor: bem baixinho, com voz sussurrada, quando a classe estiver dispersa ou agitada; a dramatização será usada sempre que a ação necessitar: as crianças aprendem melhor quando isso acontece; será importante não ter pressa, repetir várias vezes, dosar as dificuldades e propor atividades que a maioria da classe possa atuar; o educador poderá se envolver inteiramente no processo, tornando-se também criança e enriquecendo, assim, o padrão de desempenho de suas criança. 70

71 OUVIR OS SONS DE SEU PRÓPIO CORPO A criança precisa, em primeiro lugar, perceber quais são os sons que seu corpo emite, sendo estimulada a experienciá-los. Essa atividade será realizada em um lugar silencioso, proporcionando, assim, o auscultar e o conhecer, como, por exemplo, emitindo sons: com a boca: falando, cantando, gritando, movimentando a língua com lá, lá..., tá, tá...; tu, tu, tu...; emitindo sons abafados - com a boca fechada; com as mãos: batendo palmas devagar, depressa, com ritmo; com os pés: arrastando os pés com sapatos; batendo os pés devagar, depressa, com ritmo; saltitar etc. A classe poderá ser dividida em quatro partes, e cada uma fará um som, como o educador determinar: será tocada uma música para acompanharem com palmas, com vocal, com boca fechada etc. Essa atividade será repetida várias vezes até perceberem todas as possibilidades sonoras do corpo. JOGO DO SILÊNCIO O silêncio é fundamental para se poder escutar. As crianças ouvem o educador quando estão em silêncio. Abaixe bem o volume da voz para que eles se esforcem para ouvi-lo. As crianças serão motivados a ficar em silêncio, poderão fechar os olhos e se debruçarem sobre as carteiras. O educador, com voz bem baixa, sussurrando, levará as crianças a relaxarem, a respirarem pausadamente e a permanecerem em silêncio. Percorrendo a sala, com passos leves e silenciosos, ele perceberá quem não está participando e, então, acariciando a cabeça desse aluno, o levará a participar. Assim, com o silêncio instalado, as crianças poderão começar a ouvir os ruídos que existem fora da sala de aula. O educador poderá providenciar um despertador, sem que as crianças percebam, fazendo-o despertar segundos depois de todas elas ficarem em silêncio. As crianças poderão ser levadas a espreguiçar-se, a bocejar e a movimentar-se ao som de uma música lenta e em baixo volume; quando o despertador soar novamente, a atividade estará terminada. Esse jogo será realizado em vários momentos da aula, podendo se convencionar com a classe uma determinada música iniciá-lo. Exemplo: Manda na boquinha 2 4 Manda na bo- qui - nha. Manda na bo- qui - nha Manda na bo- qui - nha PP-EI-2011-PÁG.71 Manda na bo- qui - nha oi! 71

72 JOGO DO SILÊNCIO E DO SOM Tem a finalidade de levar as crianças a perceberem ruídos fora da escola, após o silêncio, como os sons de carro, de buzinas, de passarinhos, de crianças falando ou cantando, do sinal da escola etc. Após terem percebido os sons, todas as crianças dirão o que ouviram. Algumas irão perceber mais do que as outras, pois a atenção e a concentração farão a diferença. O educador escreverá na lousa os sinais que serão convencionados para que o jogo se inicie. Exemplo: = silêncio; = som (palmas); deve-se fazer um ensaio, escrevendo na lousa, com pequenos intervalos de tempo, os seguintes sinais: Realizados os ensaios, o jogo poderá ser iniciado. Em outras oportunidades, poderão ser convencionados outros sinais. Para encerrar a atividade, será ouvida uma música (som) e, a seguir, todos ficarão quietos (silêncio); desse modo estará concluído este jogo. EXPLORAR SONS AO AR LIVRE Em aula-passeio, as crianças serão estimuladas a caminhar em silêncio, para ouvir os sons ambientais: repetir a atividade várias vezes, mas variando os locais. As crianças saberão que, no final, quem tiver ouvido e identificado mais sons receberá um prêmio, que poderá ser uma medalha fabricada pelo próprio educador. Sugestões para essas aulas-passeio: a) discriminar sons: desagradáveis e agradáveis; b) ouvir o canto dos passarinhos; c) ouvir o canto das cigarras na primavera. Analisar os sons buscados nessas aulas: os agradáveis são os musicais e os desagradáveis são os chamados de barulho ou ruído. As imitações dos sons serão bem exploradas, pois cada criança se expressa de uma forma, havendo diferenças nas participações: algumas crianças participam mais rapidamente, outras não se mostram predispostas ao passeio, interessando-se por ele somente no decorrer da atividade. INSTRUMENTO MUSICAL: VIOLÃO O violão é um instrumento de fácil acesso, e o educador não precisará saber tocá-lo, porque, nesta atividade, tocará apenas nas cordas para: a) levar as crianças a perceberem que as cordas vibram, quando percutimos nelas, e transmitem sons; b) chamar a atenção para o fato de que é o ar que leva o som até os nossos ouvidos para podermos ouvi-lo; c) deixar que as crianças percebam a vibração e o som que se espalham no ambiente; e que eles também brinquem de tapar e destapar os ouvidos, quando o educador dedilhar o violão, executando ou não uma música. 72 JOHN TAKAI / DREAMSTIME.COM

73 JOGO DO SOM E DO RUÍDO Levar as crianças a participarem em silêncio. Vários materiais serão preparados para esta atividade, que será realizada dentro da classe, como, por exemplo: a) folha de sulfite que será amassada no momento, produzindo um som que, às vezes, eles nunca haviam percebido; b) caixa com botões: sacudi-la para que percebam o ruído; c) bexigas: enchê-las até estourarem; d) jarra com água: despejar, devagar, em um copo. Ao final de cada atividade, o educador, após observar a reação das crianças, perguntará se é um som agradável ou se é um ruído desagradável e preparará vários objetos que serão manipulados para que elas descubram o que cada um deles produz: som ou ruído. JOGOS IMITATIVOS SONOROS Propor uma atividade de que todos participarão. Cada criança escolherá o que quer ser, mas todos saberão que o imitador fará um som parecido com o que escolheu representar. Exemplos de sons possíveis: avião, carro, passarinho, cachorro, gato, aspirador de pó, enceradeira, violão, piano etc. Separar cada um com sua turma, ou seja, animais, meios de transporte, aves, instrumentos musicais etc. No momento certo, o educador dará um sinal e cada um emitirá o som do que escolheu representar. Logo a seguir, cada um emitirá outro som, o de um apito, por exemplo. Depois ficarão em silêncio. Em seguida, cada um fará o seu som, individualmente, e, ao final, todos farão juntos. Essa atividade será dada ao ar livre, para que os sons emitidos não perturbem o andamento do restante das salas de aulas. Será interessante exibir uma história em DVD, se possível antes da atividade, em que existam sons ambientais, os sons que foram lembrados acima e outros sons. AULA HISTORIADA CANTADA PP-EI-2011-PÁG.73 As histórias serão simples e as canções também. Conforme amadurecerem, o educador incrementará as histórias e as músicas. As dramatizações serão livres e criativas e a espontaneidade prevalecerá. Existem várias historinhas que poderão ser usadas nessa atividade, como: Dona Baratinha ; A festa no céu ; A formiguinha e a neve etc. Os enredos serão conhecidos e bem entendidos pelas crianças antes de começar a aula. 73

74 RODAS E BRINQUEDOS CANTADOS Nosso folclore é rico: há grande quantidade de rodas e brinquedos cantados, que, se aproveitados pelo educador, enriquecerão o trabalho e a atividade. No Brasil, temos muitas influências de várias culturas, especialmente a lusitana, a africana, a ameríndia, a espanhola e a francesa. A moda da carranquinha de Patrícia Silva. Exemplos de rodas: Que horas são? ; Onde vais, Maria? ; A canoa virou ; Você gosta de mim? ; Senhora Dona Sanja ; Joaninha era baixinha. Exemplos de brinquedos: Seu lobo está pronto? ; Aonde vai, bela mocinha? ; Mãe rica e mãe pobre ; Que é de Valentim, (com bastões); O símbolo da cruz. As atividades serão previstas e ministradas de acordo com as unidades temáticas apresentados. PARLENDAS As parlendas, propriamente ditas, são rimas sem música. Servem como fórmula de escolha numa brincadeira, exemplo: Rei, capitão, soldado, ladrão, moço bonito do meu coração. MNEUMÔNICAS As mneumônicas referem-se a conteúdos específicos e destinam-se a fixar ou ensinar algo como números ou nomes: Um, dois, feijão com arroz. CANTO O canto sintetiza todos os instrumentos que a criança conhece e vivencia. É um excelente meio de recreação, propiciando o desenvolvimento da percepção e da discriminação auditiva, da voz, da linguagem, da memória etc. As canções bem selecionadas atrairão as crianças para o aprendizado. As canções escolhidas serão simples e curtas, adequadas à voz da criança, e as letras também serão do interesse delas, com vocabulário acessível. É imprescindível que o educador dê à sua interpretação entusiasmo e alegria, procurando sempre enfatizar determinados trechos com um novo elemento: usando entonações diferentes. As canções serão repetidas várias vezes, enquanto a criança apresentar interesse. Alguns dos temas adequados às crianças são: os animais, os meios de transportes, as plantas e as flores, o circo, as profissões. Procurar adequar as canções as unidades temáticas, que são enfocados conforme o calendário, durante os meses do ano letivo. As canções folclóricas serão sempre lembradas e ensinadas, pois fazem com que o trabalho dos educadores seja sobejamente enriquecido. O repertório de músicas infantis é extenso e, com criatividade, o educador poderá utilizá-lo no dia a dia e nas comemorações, sem necessidades especiais para cada data. Face à observação anterior, sempre estarão preparadas algumas canções, para serem apresentadas em datas e eventos comemorativos. 74

75 PP-EI-2011-PÁG.75 Observações: Os educadores da Educação Infantil precisam desinibir-se para cantarolar e cantar sem receio. Por isso, se houver algum problema de desafinação, saberão que tal problema não é grave, pois até os melhores cantores desafinam. O tom de voz é muito importante: é preferível usar o tom agudo. As canções serão bem escolhidas, preparadas e ensinadas (se o educador tocar algum instrumento, poderá fazê-lo enquanto desenvolve a atividade). Antes de iniciar o canto, dar o tom da música, ponto de referência para o início do canto em conjunto: é a introdução, que os alunos saberão. Dar um tempo para que a memorização das letras aconteça. As atividades dessa linguagem terão caráter de jogo, para que o aproveitamento seja satisfatório. O educador cantará com voz suave e harmoniosa para que os alunos possam imitá-lo; às vezes, poderá até conversar com os alunos cantando: Olá... lá... lá...! Como vão vocês... cês... cês...? Convém lembrar que, antes de a criança cantar corretamente, ela terá interiorizado a melodia, para só depois externá-la. O canto será acompanhado com gestos ou movimentos, para enriquecer a atividade e propiciar à criança melhor e mais rápida memorização. Quando uma criança apresentar uma canção que já sabe, o educador poderá aprendêla com a classe, deixando-a ensinar a todos, motivando assim, as outras crianças a aprenderem também. Música gravada também poderá ser ensinada às crianças, repetindo-a enquanto houver interesse, pois, assim, logo, todos a estarão cantando. A música é sempre um elemento marcante nas comemorações escolares, pois, além de alegrar o ambiente, dá uma conotação de envolvimento entre os participantes e os espectadores: geralmente todos poderão acompanham com palmas, com a ponta dos pés ou tamborilando com as pontas dos dedos. A simplicidade e a alegria marcarão as atividades dessa linguagem. A organização de um espaço se faz necessária para que as atividades de música tenham um mobiliário disposto e reorganizado em função das atividades a serem desenvolvidas. Será preparado para estimular o interesse e a participação das crianças, contando com alguns estímulos sonoros. 75

76 PROCEDIMENTOS RECOMENDADOS Não podemos deixar de destacar que afora as múltiplas utilidades e as aplicações práticas até aqui anunciadas e decantadas para a Linguagem Musical, cabe ainda realçar, com a ênfase possível, que, no dia a dia das atividade, a Linguagem Musical tem presença e participação significativa nas demais linguagens de expressão, por meio das danças espontâneas, dos movimentos e ritmos, das quadras e poemas cantados, das rodas cantadas, das quadrinhas e cantos, e da música cantada, executada ou dançada, como excepcional elemento motivador e inigualável fonte de satisfação para interesses específicos e necessidades gerais. A música constitui-se em valioso instrumento auxiliar para a formação, o desenvolvimento e o equilíbrio da personalidade da criança e do adolescente. Assim caminhando e atuando sozinha ou com algumas das linguagens mencionadas, a Educação Musical atenua a agressividade, quando canaliza e neutraliza o excesso de energia e colabora e ajuda no combate ao isolamento, opcional ou compulsivo, no desenvolvimento do interesse em participar, no entendimento da importância da iniciativa individual, na aceitação da necessidade de colaborar, na criação de oportunidades iguais para todos e na integração do indivíduo com o meio ambiente. Há de ser registrado, por fim, que a descontração, o caráter lúdico e mesmo o fascínio sobre as crianças, que caracterizam a presença ou a influência da música, não podem ser ignorados ou desprezados pelos educadores, pois é inegável que são elementos facilitadores e de extrema utilidade no processo de aprendizagem. Cada um de nós é um instrumento que deve estar bem afinado para que haja harmonia no mundo. JIRKAEJC / DREAMSTIME.COM 76

77 VI. 2 a ÁREA NATUREZA E SOCIEDADE 1 LINGUAGEM AFETIVO-SOCIAL INTRODUÇÃO PP-EI-2011-PÁG.77 A Linguagem Afetivo-Social transpassa as demais, atravessando, penetrando e invadindo cada uma delas, por isso merecerá um estudo diferenciado e ainda mais aprofundado. Ao entrar na escola, a criança transpõe o limiar da família. Sua vida, antes restrita ao campo familiar, passa a ter uma nova dimensão, em face das outras oportunidades de desenvolver múltiplas formas de convivência, até então incipientes. O convívio diário com colegas, educadores e funcionários, por exemplo, será uma experiência original e muito significativa, que exigirá modificações diante da nova realidade, para os ajustes aos novos padrões de vida. O tempo e o trabalho correto e perseverante dos educadores farão com que a criança vá assimilando, aos poucos, o que pode e o que não pode fazer. Ela então começará a adequar o seu comportamento porque, como é próprio da natureza humana, quer ser bem aceita pelo grupo de colegas que está começando a conhecer. Quando a criança vem para a escola, ainda não sabe se dedicar a uma atividade coletiva. Esse convívio social escolar proporcionará varias possibilidades e oportunidades que a família nem sempre tem condições de ensejar. A propósito, algumas atitudes e reações da criança, em desacordo com as necessidades e os objetivos do grupo, serão no "dia a dia" canalizadas na direção de normas sociais e desejáveis. Assim, exceção feita a casos raríssimos, que ultrapassam o campo de ação da escola, a criança, sem perder a sua individualidade, logo entra no ritmo coletivo, começa a respeitar os colegas e a cooperar com o grupo. As normas de convivência começam a ser vivenciadas. 77

78 É oportuno destacar que o educador não necessita ter, obrigatoriamente, formação em antropologia, sociologia ou psicologia, mas necessita, isto sim, ser um educador na acepção exata do termo: a educação, por sua natureza, características e função, é um processo social de ajustamento dos indivíduos à sociedade e, ao mesmo tempo, de desenvolvimento das potencialidades do indivíduo e da própria sociedade. Para sermos verdadeiros educadores, devemos primeiro disciplinar a criança que existe em nós. Desse modo, veremos essa criança como uma flor que se abre. O educador tem um lugar a ocupar nesse encontro em posição de influir na criança. Quando não ocupa esse lugar, quando não exige nada, surgem os problemas de disciplina, tédio e rebeldia. Natalie de Salzmann de Estievan O ingresso na escola é um marco do desenvolvimento infantil. OBJETIVOS GERAIS DA LINGUAGEM AFETIVO-SOCIAL Levar a criança a: conhecer as normas sociais de convivência. conviver, respeitando colegas, educadores e funcionários da escola; entender que viver e conviver é bom e pode trazer alegria; ter atitudes corretas de convivência social; criar laços afetivos com aqueles com quem convive na escola; receber estímulos para o seu desenvolvimento emocional e social; respeitar as regras de convivência; conhecer e valorizar a cidade em que vive; ter senso de patriotismo e de respeito às autoridades; ter a noção mais adequada possível de sua cidadania; desenvolver a sua parte afetivo-emocional e social. OBJETIVOS ESPECÍFICOS DA LINGUAGEM AFETIVO-SOCIAL Levar a criança a: aprender a aceitar as diferenças de cada um; aprender a dividir seus brinquedos com seus colegas; sentar-se no lugar que lhe for determinado: não em outro que não é o seu, ou onde já existe alguém sentado; aceitar o valor e a necessidade da harmonia na classe; compreender a importância da família e da boa convivência entre todos: participar com interesses das atividades propostas; respeitar a escola, lugar onde irá aprender muitas coisas; comportar-se adequadamente também fora da escola; festejar as datas importantes do calendário escolar; observar as normas sociais e modificar as que não são; respeitar a natureza, protegendo-a e amando-a; valorizar o trabalho do homem do campo; descobrir a vida no campo e as diferenças entre esta e a vida da cidade; 78 GIUSEPPE RAMOS / DREAMSTIME.COM

79 AFETIVIDADE PP-EI-2011-PÁG.79 Face à complexidade dessa linguagem, vamos refletir separadamente sobre os seus aspectos afetivo e social. Esclarecendo melhor, estamos fazendo a separação desses dois aspectos somente para ficar mais fácil a assimilação do assunto, pois, na realidade, os dois se misturam, entrelaçam-se e completam-se. Quanto à afetividade, o educador sabe que a parte emocional de um pré-escolar é igual à de um bebê, necessitando do mesmo carinho, do mesmo cuidado e da mesma atenção. Quando o adulto ignora esse fato (desde bem pequena a criança já é tratada quase como um igual...) ou quando chegam irmãos menores, ele agrava-se, pois ela deixa também de receber aquela atenção, e essa carência gera vários problemas afetivos; com tais problemas, a criança apresentará desvios de conduta e, como consequência, dificuldades tanto na escola como em casa. E, em casos dessa ordem, podem sobrevir, infelizmente, o ciúme, a volta do uso da chupeta e uma involução nas normas de exoneração, na maneira de falar, nos procedimentos durante as refeições e em alguns outros comportamentos. A criança, ao ir para a escola, normalmente por volta dos 2 anos, já vai com um sentimento recebido dos pais, que pode ser de confiança básica no mundo e em si mesma. Assim, se a criança recebeu afeto, atenção e amor em doses adequadas, terá um sentimento positivo, sentindo que o mundo é um lugar bom. Se receber afeto, ela também oferecerá afeto a outras pessoas: ninguém pode dar o que não possui. Essa fase inicial não está sob a responsabilidade de um educador da Educação Infantil, mas ele necessita saber da sua importância, para poder melhor aquilatar as dificuldades que surgirem. A criança que recebe, na fase de 0 aos 2 anos, alimento, abrigo, afeto e segurança vai adquirindo e cultivando um sentimento positivo: o de ser digna e merecedora desses elementos. Porém, sabemos que nem sempre isso ocorre, pois é comum a criança ser criada por babás, se ela for de camada social mais elevada, ou por vizinhas para as mães irem trabalhar. Em ambos os casos, não existe preparo suficiente para o desempenho da missão de criar ou ajudar positivamente essa criação. MOHAMMAD SAMAD / DREAMSTIME.COM 79

80 Observe-se que as discrepâncias no desenvolvimento da criança acarretam sérios problemas de aprendizagem na escola e achar que, com o tempo, tudo passa não resolve nada. Temos que buscar soluções, pois, em casos assim, é comum a criança desenvolver um sentimento de desconfiança básica, isto é, o contrário do correto: com sentimento de insegurança, a criança passa a ser desconfiada, o que não é bom. Na fase posterior, dos 18 aos 30 meses, quando a criança vem para a escola, ela já tem controle sobre os órgãos de eliminação e já começa a ter vontade própria. Às vezes, os pais querem que seus filhos estejam sempre limpos e que seus órgãos de excreção funcionem em horários previstos. Eles serão alertados de que as crianças não funcionam como máquinas e também não podem ser um mero repositório de exigências culturais. Temos de lembrar que, nessa idade, a criança está lutando para se afirmar como pessoa, que tem vontade própria, que gostaria de fazer escolhas e de se sentir aceita. É a idade do desafio, testando assim a capacidade de ser amada, mesmo quando não faz o que os pais desejam. Poderá ocorrer, nesse caso, um sentimento negativo, de vergonha ou de dúvida, se a atitude não for de acolhidora. Na fase dos 3 aos 5 anos, que é a faixa mais abrangente da Educação Infantil, a criança é dotada de uma energia interminável, que é extravasada nas atividades motoras e exploratórias. É a fase dos porquês, quando começa a ampliar o seu mundo infantil: ela, então, começa a imaginar coisas, a fazer castelos e a querer fazer isto ou aquilo. Assim ocorrerá se a sua afetividade estiver saudável e ajustada à idade, porém, se ela vier com desvios da fase anterior - vergonha ou dúvida - terá a mesma imaginação, mas com traços negativos, que a levam a imaginar-se cometendo falhas horríveis, que podem fazê-la perder o amor dos pais, em termos de fantasia mesmo. Se tudo estiver dentro dos parâmetros normais, a criança está pronta para começar a trabalhar as atividades e a produzir algo. Ela será uma criança que terá desenvolvido a capacidade de confiança em si mesma e nos seus provedores externos, sentir-se-á bem, íntegra e autônoma, digna de amar e de ser amada, e sentirá possibilidades de realização de suas capacidades e talentos pessoais, no desempenho das atividades escolares. Se, porém, tiverem ocorrido falhas, surgirão várias dificuldades, até mesmo com reflexos na idade adulta. Daí a importância de pais e educadores estarem bem informados, para tentarem evitar esses desvios ou procurar sanar aqueles que se apresentarem. O desenvolvimento da criança vai depender muito do meio em que ela vive, de como é tratada em casa pelos pais, pelos avós e pelos responsáveis; se é filho único; se tem outros irmãos, se é mais velho, mais novo ou do meio; se apresenta ou apresentou problemas de saúde; como foi o parto etc. Se os pais forem ausentes, a criança será carente e poderá se apegar ao educador e até gerar nos pais ciúmes velados. Se ocorrer o contrário e a criança for superprotegida, ela apresentará outros tipos de problemas que podem envolver choro, birra, manha, bico etc. Nos problemas mais sérios, o educador não pode esquecer que a ajuda dos pais e da 80

81 coordenação é recomendável, para o acerto das decisões e para que a criança não tenha seu desenvolvimento prejudicado. No início do ano escolar, a criança pode chegar ansiosa, insegura, às vezes, assustada. São estados emocionais comuns nos primeiros dias de aula. Trata-se do conhecido período de adaptação, que poderá ser mais longo ou mais curto, variando de uma criança para outra. Não pode ser ignorado que a criança está sempre pronta, até mesmo nessa fase de sua chegada à escola, para aprender sobre si mesma, sobre o mundo que a cerca e que seus olhos, mãos e ouvidos estão prontos para desenvolver e aprender novos conhecimentos. Sua curiosidade está aberta e ela reage a tudo de forma diferenciada e especial. É fundamental para o educador que, antes de assumir sua sala de trabalho, ele tenha total acesso aos dados colhidos nas entrevistas feitas com os pais, por ocasião da matrícula inicial, a respeito de cada um de seus alunos. Observe que os pais serão entrevistados por coordenadores da escola ou pelos educadores para preencherem fichas especiais, para que sintam que também a escola tem preocupação com seus filhos, especialmente para tentar evitar que ocorram problemas que poderiam ser evitados. Assim, realizando essas entrevistas com perguntas adequadas, a escola terá em mãos mais uma ferramenta para auxiliar o trabalho do educador. Todavia, ainda que esporadicamente, existam informações que o educador somente descobrirá após conviver com a criança algum tempo ou em circunstâncias quase nunca agradáveis. Os pais cuidadosos e informados, que dão maior atenção às crianças, são geralmente os que colocam o educador a par desses acontecimentos e dessas informações. A entrevista realizada tem uma importância enorme: é uma oportunidade excepcional para que sejam abordados, sem receios e de modo aberto, os problemas e as características da criança. É preciso ter muito cuidado com as perguntas e com as colocações ou observações feitas, para que os pais percebam a seriedade da entrevista e a importância da escola e do trabalho do educador. O educador necessita saber, dentre outras coisas, qual é o lugar que a criança ocupa na família. Sabe-se que normalmente o filho mais velho tem afazeres múltiplos, como ajudar em casa, olhar o irmão menor etc; que o filho do meio, comumente chamado de sanduíche, tem carência de atenção, pois é preterido em relação ao irmão maior e ao menor; o filho mais novo, o caçula, é o que recebe naturalmente maior cuidado, atenção e proteção, que, às vezes, podem ser excessivos. O EDUCADOR: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS ALEXEY ROMANOV / DREAMSTIME.COM PP-EI-2011-PÁG.81 Após a entrevista e a convivência com a criança, o educador poderá detectar ou confirmar alguns problemas, mas estará sempre bem claro em sua mente que as reações são consequências e não a causa primeira. O educador poderá proporcionar meios para a criança aprender a nomear suas próprias inquietações, sendo essa etapa muito importante no desenvolvimento infantil. 81

82 MONKEY BUSINESS IMAGES / DREAMSTIME.COM A criança saudável, segura e ávida de aprendizados seria o padrão normal, porém nem sempre isso acontece. Passaremos a enfocar os desajustes afetivos mais comuns, para, desse modo, auxiliar o trabalho do educador, mas dando sugestões e não receitas fechadas. Lembramos ainda que cada caso é um caso, e que não apenas a criança tem problemas afetivos e emocionais. CHORO FÁCIL É a característica da criança que vem pela primeira vez à escola. Se o choro persistir, mesmo após maior atenção e carinho, é recomendável que os pais sejam informados e venham buscá-la, para que esse clima de desconforto e instabilidade momentânea não envolva os demais colegas da sala. Atentar para o fato de que, por algum tempo, essa criança terá um período menor de atividades, sendo os pais avisados para virem buscá-la no horário combinado. Isso poderá ocorrer no período de adaptação, no decorrer dos primeiros dias de aula. TIMIDEZ A criança será estimulada a verbalizar e o educador irá observá-la, de modo constante, para perceber os progressos. Não confundir com carência ou com insegurança, uma vez que a timidez é uma característica de crianças mimadas que convivem somente com adultos, ou são filhos únicos etc. A criança será estimulada a colaborar com o educador e ele dar-lhe-á tarefas fáceis: aos poucos, com um trabalho paciencioso e gradual, a timidez irá desaparecendo. DESOBEDIÊNCIA É tarefa dos pais, mas a escola tem de assumi-la. Não foram colocados limites para essa criança, mas, devagar e com muito jeito, a atitude da criança irá se modificando. Às vezes, pais desajeitados ou incompreensivos provocam, sem perceber, uma resposta do filho, até como autodefesa e consequência de imposição excessiva ou atabalhoada da vontade adulta. Tal defesa ou resposta, em forma de desobediência, dá à criança, sem que ela saiba o que representa, sensação de vingança libertária: por exemplo, quando faz ou insiste em fazer barulho e movimentação em casa, com exagero. A criança desobediente não é e nem fica feliz com o que faz, portanto cabe ao educador detectar as causas. Ele pode ajudar a superar o problema, sondando a reação da criança, tentando inspirar nela segurança, confiança e compreensão, e, paralelamente, conversando, uma ou mais vezes, com os pais. 82

83 CRIANÇA MEDROSA Observar com quem ela convive e se os pais são pessoas amedrontadas. Às vezes, alguém pode estar colocando medo na criança. Com muito carinho e atenção, aos poucos, o educador ficará sabendo as causas e, se tudo se confirmar, colocar os pais a par do assunto. Uma frase que o educador poderá usar com a criança: Você não tem medo dessa bobagem, tem? Além dessa e de outras colocações positivas, lembrar que a criança precisa ser antes consolada e apoiada, a fim de que ela possa se sentir fortalecida para vencer o seu medo. Não deixar também de acompanhar, indagando e conferindo sempre como evolui a reação da criança. CRIANÇA CARENTE É aquela que necessita de atenção maior e que, normalmente, gruda no educador: ela não tem atenção em casa, talvez por ter vários irmãos menores do que ela ou simplesmente por ter pais que ainda não se conscientizaram do que representam para os filhos. Acrescente-se ainda que essa é normalmente uma criança dócil, que necessita também de muito carinho, que se sente esquecida ou abandonada e fica angustiada com facilidade. CRIANÇA SUPERDOTADA Tal criança tem um vocabulário acima de outras de mesma idade, emprega termos precocemente, tem atração prematura pelos livros infantis e uma atenção excepcional em relação a outros assuntos e quesitos, que poderão ser detectados pelo educador. Essa criança poderia ser atendida por uma escola especializada, o que no Brasil não é comum. Todavia, com a ajuda dos pais, os educadores poderão realizar trabalhos e tarefas à parte para essa criança, a fim de que ela sinta-se bem e perceba que está aprendendo. Será destacado que, com a nova lei, essa criança poderá ser promovida para uma classe posterior, mesmo que não tenha idade para frequentá-la. CRIANÇA AGRESSIVA Parte da razão para que as brigas aconteçam são as diferenças de personalidade. Algumas crianças parecem ser mais agressivas e briguentas do que outras, mas brigar faz parte do aprendizado de toda criança que brinca em conjunto: dos 3 aos 4 anos, ela está envolvida consigo própria, com o que está fazendo; há curiosidade para saber o que as outras crianças estão fazendo, mas não tem ainda certeza se quer se juntar a elas. A criança é egocêntrica e demora um pouco para começar a fazer concessões. Os pais e a educadora ficam sem jeito quando as brigas ocorrem: geralmente essas crianças querem o mesmo brinquedo que antes havia sido ignorado por uma delas. Com o amadurecimento, a criança aprenderá a dividir suas coisas, e, para ajudá-la a entender seus limites, teremos que convencê-la de que sua atitude não é a mais correta. CRIANÇA DISTRAÍDA PP-EI-2011-PÁG.83 Parece estar sempre fugindo da realidade. É necessário primeiro detectar as causas, que só podem ser encontradas no ambiente familiar. Após fazer esse levantamento ou sondagem, o educador poderá dirigir-se à criança com maior frequência, pedindo-lhe ajuda e cooperação, para que, aos poucos, ela vá superando os problemas: são sempre crianças muito inteligentes e muito sensíveis. 83

84 Em todas as ocasiões, o educador habituar-se-á a chamar a atenção da criança com doçura, voz baixa, mas com segurança. Se isso não ocorrer, pode-se perder o controle da classe, dando origem a vários problemas disciplinares. Se a criança verbaliza errado, nunca será repetido o erro dela, ter sempre uma linguagem acessível, que a criança entenda. Aos poucos, ela irá melhorando e ampliando o seu vocabulário, e torma-se mais observadora. CRIANÇA DISLÉXICA 20% das crianças em idade escolar entre 3 e 10 anos apresentam distúrbios de comunicação. É uma proporção muito elevada, além de preocupante, tendo em vista o processo de alfabetização. Evaldo J. B. Rodrigues. Alguns distúrbios de comunicação: alteração da fala e da voz; tempo de atenção encurtado; desligamento; a criança não entende o que é falado; inquietação; desorganização; dificuldades com palavras relacionadas com o conceito de tempo/espaço; estabanadas; predisposição a quedas; agressivas. Os sinais descritos, isolados ou associados, se manifestados, estarão estritamente vinculados a complexas estruturas e garantem a comunicação em todas as suas formas. (www.foniatria.med.br APLICAÇÕES DE RECURSOS Não estamos dando receitas prontas, mas, sim, dicas que poderão ser aproveitadas. O educador necessita sentir-se cada vez mais seguro e certo de que está fazendo o melhor. É fundamental e indispensável a análise de cada ficha de entrevista, para que se possam perceber as causas dos comportamentos e procedimentos relacionados. Na sequência, estão relacionadas, sem qualquer ordem de precedência ou importância, algumas das causas mais comuns: Pais que trabalham fora. A criança, além de não receber a devida atenção, também não tem limites para suas ações. Filhos de casais recém-separados. A criança ainda não conseguiu assimilar a nova situação. Filho único com mimo em excesso. A criança manda nos pais, fazendo e desfazendo de acordo com a própria vontade. Clima de tensão em casa. Brigas e contendas no lar fazem com que, na escola, a criança extravase sua emoção. Ela irrita-se facilmente e agride o colega (no caso de mordida, se for criança de 18 meses a 2 anos, é comum, pois ela ainda não sabe se expressar e parte para a ação: às vezes, pode ser até uma forma de carinho). 84 BRADCALKINS / DREAMSTIME.COM

85 PP-EI-2011-PÁG.85 Pais muito severos. Não permitem que a criança se suje ou brinque livremente para não desarrumar a casa etc. Eles contribuem para que a criança, ao chegar à escola, sinta-se em liberdade e faça tudo que em casa não pode fazer. Daí pode tornar-se até muito mais arteira na escola. Em casos como este, os pais não acreditam que seu filho se comporte dessa forma, pois em casa é muito bonzinho e educado. A birra. Pode ser sinal de algum desconforto passageiro ou é feita para chamar a atenção dos adultos. Verificar se a criança não tem febre, dor etc. Se ela não apresentar problemas de saúde, pode deixar que logo passa. Pais bonachões. Acham que a criança pode fazer tudo, não colocando limites para suas ações. Pais muito jovens. Não sabem usar de sua autoridade e fazem com que a criança ignore outra maneira de agir, crescendo como dona do mundo. Pais inseguros. Colaboram para a criança não querer ficar na escola. Amanhã ela volta ; hoje ela não quis vir ; ela caiu ; não gosta do educador são algumas das justificativas que apresentam. Pais comodistas. Preferem colocar o filho em escola bem próxima do trabalho ou da casa, só para ganhar tempo. Eles não têm o cuidado de escolher a melhor escola ou a mais indicada, e a criança pode apresentar problemas por não se adaptar à escola que foi escolhida, ou por não receber o que necessita de uma escola. Essas são apenas algumas das causas que determinam o comportamento da criança. Às vezes, esquecemo-nos de avaliar a causa e ficamos preocupados apenas com os efeitos que surgem. Uma das prioridades dos educadores da Educação Infantil será a de mostrar amizade pelos pais, evitando apenas criticar ou achar isto ou aquilo. Ponderem com eles sobre as diversas situações, para que eles percebam o que necessita ser mudado, ou seja, não oferecer receitas, mas abordar os assuntos com tranquilidade e segurança, não deixando dúvidas sobre o fato de estar do lado da criança e dos pais, ajudando e cooperando naquilo que for necessário, em termos educacionais. Convém lembrar que, de 0 (zero) aos 7 (sete) anos, o carinho tem a mesma força de um alimento. Ao ignorar este pormenor tão significativo, podemos também ocasionar grandes frustrações que, se não forem detectadas e superadas a tempo, poderão desajustar o futuro adulto ou marcá-lo negativamente. No entanto, convém salientar, com a mesma finalidade de deixar tudo bem claro, que nas abordagens feitas a alguns tipos de criança (já que existem muitos outros tipos marcantes: por exemplo: sentimental, escrupulosa, implicante, desajeitada e preguiçosa) e a algumas possíveis causas determinantes, admitimos, colocamos, simulamos e exemplificamos, sempre de modo resumido, como julgamos ser mais indicado e apropriado. Não pretendemos, em hipótese alguma, ser conclusivos ou definitivos, mas, sim, dar realce a situações e questões que necessitam de muito cuidado, trabalho, atenção, questionamentos, investigações e estudo. 85 MONKEY BUSINESS IMAGES / DREAMSTIME.COM

86 ANATOLIY SAMARA / DREAMSTIME.COM SOCIALIZAÇÃO Donald Pierson define socialização como um processo característico da infância e acrescenta que ela é um processo pelo qual a criança incorpora-se ao grupo social que passa a ser seu, introjetando as maneiras de pensar, de sentir e de agir desse grupo. Como não é um produto final e, sim, um processo aberto, podemos considerar que ele é mais intenso na infância. Exatamente por isso, o cuidado e a atenção estarão sempre presentes. Conforme explana o sociólogo e educador da USP, em Sociologia Educacional, Fernando de Azevedo, nenhum animal nasce tão desprovido de meios de defesa e de proteção como o filho do homem. Nenhum ser é mais frágil do que a criança embalada no berço, sobre a qual se debruçam, com os seus desvelos e as suas esperanças, a ternura maternal e o orgulho paterno. Nenhuma criatura atravessa período tão extenso de fraqueza e necessita, no prolongamento da sua infância e adolescência, de tamanhos cuidados, como o ser humano. Porém, como já dizia Aristóteles famoso filósofo grego O homem é um ser social por natureza. E foi graças não só ao seu poder de organização social, mas também aos seus poderes subsequentes de fabricar instrumentos (homo faber) e de criar símbolos da linguagem articulada (homo loquens), que o homem pôde sujeitar, à sua vontade e ao seu domínio, os mais perigosos habitantes das selvas e algumas forças da natureza. Destaca-se que, de acordo com conceitos sobre fenômenos sociais, a causa de um fato social é sempre social; a causa é, portanto, tudo que auxilia o fenômeno e a condição, é tudo o que auxilia ou perturba o efeito. Apresentaremos a seguir uma breve ilustração do assunto, relatando algo interessante e pertinente. Por volta de 1921, foram encontradas em uma floresta da Índia 2 (duas) crianças do sexo feminino, vivendo em caverna, com lobos a mais nova tinha em torno de 4 (quatro) anos e a mais velha, de 9 (nove). Como e quando foram abandonadas ninguém soube esclarecer. Soube-se, todavia, que levadas a um orfanato, a menor morreu em menos de um ano e a outra sobreviveu mais alguns anos, de modo que foi possível avaliar o seu comportamento e tentar reeducá-la: locomovia-se engatinhando, pois não sabia andar com membros inferiores; não conhecia palavras, embora emitisse gritos; comia carne crua; não se acostumava com as roupas; possuía o olfato tão desenvolvido como o faro de certos animais; os seus olhos, no escuro, tinham um brilho peculiar. Casos excepcionais de sobrevivência de seres humanos isolados nos primeiros anos de vida confirmam que o homem é um ser sociável por natureza, pois só convivendo em sociedade torna-se humano. Do contrário, em quase nada difere dos outros animais é o que chamamos homo ferus. O homem e a sociedade. M.B.L. Della Torre. A socialização, atrelada à parte emocional, possibilita à criança as condições básicas para que ela tenha confiança nela mesma, para melhor adaptar-se ao meio e desenvolver-se intelectualmente. 86

87 O que se pode constatar facilmente, com tantos anos de vivência profissional nessa área, é que o ambiente familiar em que a criança vive tem grande dose de responsabilidade nesse aspecto de socialização. A criança saudável e ajustada tem mais competência para enfrentar situações diversas, no dia a dia da escola. As que são psicologicamente mais saudáveis são aquelas cujos pais adotam práticas disciplinares consideradas democráticas. Eles usam o reforço positivo que todos os educadores podem adotar como norma de trabalho, pois já provaram e comprovaram a sua importância. Por meio de tais práticas e do reforço, os educadores solicitam a participação da família em decisões familiares que lhes dizem respeito lazer, atividades escolares etc. e procuram fazer com que seus filhos se tornem competentes e independentes, levando em consideração a idade e o sexo deles. Ocorre o contrário com os pais autoritários, que só dão ordens sem conversar ou explicar para a criança os porquês. Eles podem até conseguir que seus filhos se adaptem socialmente pelo conformismo, mas não que se tornem pessoas felizes, com possibilidades amplas de realização pessoal. Esse autoritarismo ocorre de modo mais pronunciado nas camadas sociais menos elevadas. Pais permissivos, inseguros e desorganizados em termos de rotina doméstica tendem a fazer com que seus filhos sejam imaturos, inseguros e com baixa autoestima, demorando mais tempo para se adequarem à escola, ao grupo formado pelos colegas, encontrando mais dificuldades de adaptação social e de realização pessoal. Nas camadas sociais mais elevadas, tem havido algum progresso, com tentativas de criar, no lar, um ambiente democrático. Apesar desses ensaios, está longe o ideal, visto que, em nossa sociedade, ainda prevalece o ranço do padrão familiar patriarcal tipo ou característica de família que se desenvolveu em certas épocas, em que o chefe tinha autoridade absoluta. Existe ainda a triste realidade das crianças que, ante razões sociais diversas, vivem e sobrevivem nas ruas, especialmente nas grandes cidades. Como se sabe, elas apresentam várias deformidades que, muitas vezes, nunca serão sanadas. Temos verificado um interesse crescente dos pais, longe de ser amplo, em participar de reuniões para discussões mais objetivas sobre temas afetivo-sociais. Finalmente, cabe registrar, de modo ainda mais objetivo, que a socialização é manifestada e cultivada por meio das habilidades de convivência, igualdade, companheirismo, compreensão, solidariedade, participação, colaboração, respeito mútuo e senso de humor. O EDUCADOR: ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS PP-EI-2011-PÁG.87 Normas sociais Os educadores se preocuparão com a valorização e com o incremento de normas sociais, pois, quanto mais cedo a criança introduzir em sua vida as normas (a seguir relacionadas) menos problemas ela terá: higiene corporal-dental; higiene ambiental: limpeza da casa; uso de cestos de lixo; evitar sujeiras e desordens desnecessárias; preservar a natureza; postura: ensinar as maneiras mais corretas de andar, ficar em pé, sentar, cruzar os braços e as pernas, deitar etc.; 87

88 boas maneiras: cumprimentar; solicitar; pedir licença e desculpa; agradecer; ouvir com atenção quem fala; aguardar a vez de falar; obedecer às normas, leis e ordens de modo geral; alimentação: lavar as mãos, os alimentos e as frutas para comer; mastigar com a boca fechada; não falar com a boca cheia; usar adequadamente talheres, copos e guardanapos; aprender a limpar e a lavar os utensílios usados para a alimentação; segurança: prevenir e evitar acidentes em casa com remédios, coisas e líquidos desconhecidos; com objetos cortantes e pontiagudos e com água, fogo, animais, trânsito etc.; cuidar da saúde médico, dentista, farmacêutico; lazer: brincar ao ar livre, sozinho e em grupo, mas só nos horários programados; estudo: ter o material necessário, saber cuidar e guardar após utilização; pesquisar e realizar as atividades para fixação em local ventilado, com ausência de barulho e em horário certo; repouso: descansar depois das atividades lúdicas e após o lanche; vestuário: de acordo com a ocasião e a temperatura chuva, frio, sol, calor, roupas limpas e bem cuidadas; vestir, calçar, abotoar, colocar cintos, dar laços e fechar zíper sem ajuda; pontualidade: chegar no horário, respeitando os sinais de entrada e de saída; responsabilidade: cumprimento de horários, determinações e tarefas; posturas ecológicas: relacionadas a seguir, elas serão ensinadas desde a tenra idade, para serem assimiladas, de modo natural e efetivo, pela criança: reciclar e reaproveitar garrafas, latas e jornais velhos etc; jardins da casa ou da escola: tentar transformá-los em uma minirreserva, criando plantas para atrair insetos, passarinhos e outros pequenos animais; nunca trazer dos passeios mudas, flores etc.; deixar como está para que outros também possam curtir a natureza; não matar animais por prazer: até as aranhas e as cobras são importantes e ajudam a manter o equilíbrio da natureza por exemplo, comendo moscas; nunca viajar para outro país levando animais ou plantas, pois eles podem transportar doenças e pragas que destroem a natureza; cuidar da preservação da natureza; saber, por exemplo, que o estoque de animais não é infinito: se o homem os matar, logo não existirão mais. Não é tarefa fácil fomentar essas normas, pois cada criança apresenta características próprias e tem reações diversas. Todavia, como faz parte do aprendizado, a tarefa é do educador. Na hipótese de reações contrárias e negativas, e de modo insistente, comunicar à coordenação da escola e, se não houver melhora, os pais também serão comunicados em hora e local oportunos, e nunca na frente da criança. PERÍODO DE ADAPTAÇÃO A cada ano vem crescendo a necessidade da escola realizar um trabalho muito bem preparado, para facilitar a chegada e a recepção da criança, principalmente no início das atividades estudantis. 88

89 PP-EI-2011-PÁG.89 Atualmente, a criança está chegando cada vez mais cedo à escola. Muitas tarefas e obrigações, que eram de responsabilidade dos pais, estão sendo assumidas pela escola, que, atualmente, executa um papel que não é propriamente o dela: é necessário haver atenção e cuidado, pois, até os dois anos de idade, existe um sentimento de ligação muito forte com os pais ou com as pessoas que cuidam dessas crianças. Entrar na escola é para a criança um grande desafio, algo novo que a excita e a deixa insegura, pela situação nova que terá que enfrentar. Tudo é desconhecido: o local, o educador, e os colegas. Esse período varia de criança para criança, mas o ideal seria que ela conhecesse a escola e o educador anteriormente, o que não ocorre normalmente. Seria também de bom alvitre que o horário escolar, nesse período, tivesse sua duração diminuída o que muitos pais não aceitam. É um período realmente bem delicado. Complementando os dados da entrevista escolar, o educador pesquisará o que os pais pensam sobre dividir o filho com a escola. A criança traz consigo traços emocionais dos pais. Assim, quanto mais natural os pais se mostrarem, mais tranquila será a adaptação. Se isso não acontecer e não conseguirem suportar a separação, a criança perceberá e ficará ansiosa, independentemente do que os pais digam. Lembrando que o aprendizado será mais fácil quando as crianças se apresentam bem emocionalmente ou quando estão afetivamente ligadas àquele que as ensina. Além disso, as emoções estão intimamente ligadas ao processo cognitivo elas são essenciais para a capacidade de aprendizagem implícita e inconsciente, assim como para as decisões sensatas. Seja qual for a situação nova que a criança enfrentará, é bom lembrar que a autoconfiança surge de separações desse tipo, bem sucedidas. A escola será o primeiro local onde essa experiência vai se realizar, passando a fazer parte da vida infantil. Daí a importância de a escola estar preparada para ajudar a criança e os pais a viverem essa situação nova. Os pais estarão tranquilizados, ao saber que tudo foi preparado para que o melhor aconteça. Os renitentes serão esclarecidos, em horário oponente ao da aula, sobre como é importante o preparo para que a criança atravesse tal período com mais tranquilidade e autoconfiança. Para as classes iniciais, é permitida a presença dos pais ou de um deles dentro da sala. Eles, aos poucos, irão sendo deslocados para os corredores, depois para o pátio, até que a criança, já adaptada, saiba que eles irão embora. Se isso não acontecer, o processo pode se inverter, e a criança se sentirá insegura e desconfiada em relação ao novo lugar e aos pais. Os educadores estarão preparados para que os pais dividam, com eles, a responsabilidade de cuidar de seus filhos. Como já foi mencionado, período varia de criança para criança, portanto é conveniente alternar o acompanhante: em um dia o pai, no outro a mãe, no outro a funcionária de confiança da família. Talvez, assim, a criança vá se preparando melhor para ficar sozinha na escola, sem a presença de acompanhantes. O período de adaptação pode ser comparado com o do bebê que toma só leite e depois começa a comer papinha: às vezes, tudo corre dentro da normalidade, mas outros rejeitam o alimento e perdem peso. A sensação de tempo para a criança ainda é muito vaga, assim ela não sabe aquilatar o que é daqui a pouco, num minutinho etc. Na verdade, ela sempre pensa que para ela é: não é agora. As semanas iniciais não apresentam momentos adequados para a realização de passeios demorados e excitantes ou de grandes atividades. As crianças precisam ter tempo para se acostumar com os colegas, com a educadora, com a escola. 89

90 Uma sala cuidadosamente preparada, com todo o material bem selecionado e em quantidades suficientes, vai refletir o cuidado e a preocupação com as necessidades desse período. O nome das crianças, escrito em fichas de cartolina o tamanho de acordo com cada sala colocadas na carteira ou no lugar determinado, demonstrará que cada um é esperado e tem o seu lugar. As atividades desse início serão sempre livres, usando-se material simples e de fácil manuseio. As atividades dirigidas ficarão para uma outra etapa. Passaremos a nomear alguns esclarecimentos, sem a preocupação de ordem de sequência ou prioridade: Quando a criança entra na escola, é normal ela apresentar alguma regressão. Se a mãe tiver um bebê, é normal que a criança apresente dificuldades, pois o rival ficará com ela em casa recebendo carinho, cuidados etc. Havendo possibilidade, será observado que o período favorável para uma criança ser colocada na escola é no início da gravidez da mãe, quando ela ainda não percebeu quaisquer diferenças. Será pedido aos pais que estejam sempre na saída, para receberem os filhos com gestos de carinho e, se estiverem levando algo para casa, feito por eles, reparar no objeto, e comentar a respeito, de forma atenciosa. Quando a criança chegar em casa, o alimento estará preparado, pois, após a refeição, ela necessita descansar. Normalmente, a criança chega cansada da escola. Os pais serão aconselhados a estabelecer alguma continuidade da escola com a casa. Exemplo: saber cantar juntos uma canção que ela tenha aprendido na escola. São pontes que serão construídas, para promover essa continuidade. A criança adaptada na escola passa a ter um comportamento diferente, tanto dentro da escola como em casa. Reações como não querer nada, chupar o dedo, constipação, enurese e dores de cabeça são sintomas que serão encarados dentro da normalidade. APLICAÇÕES DE RECURSOS JOGO DO AMIGO Formar duas fileiras, uma em frente da outra. Entregar a bola a primeira criança de uma delas. Este entregará ao colega à sua frente, dizendo: lá vai a bola ao meu amigo... dizer o nome. Assim que entrega a bola vai para o fim da fila. Termina o jogo quando todos tiverem tocado a bola e dito o nome do amigo. JOGO DO PRESENTE Cada criança receberá uma folha e material para desenhar. Serão solicitadas a fazer um desenho que será dado a um colega. Quando todos tiverem terminado o desenho, dobrarão a folha e eles serão colocados em uma roda. O educador definirá que o mais tímido comece o jogo. O escolhido entrega para o colega o presente e diz: Para você, o meu presente. O que recebe diz: Obrigado(a). O jogo termina quando todos entregarem seus presentes. 90

91 ANIVERSARIANTES Ótimo meio de socialização é saudar o aniversariante, cumprimentando-o e cantando o Parabéns a você. Se a família quiser mandar um bolo, tudo bem, mas se isso não ocorrer, junte os lanches e improvise uma festinha. Cada criança poderá fazer um desenho o presente para o aniversariante, que certamente sentir-se-á feliz pelo acolhimento dos colegas. Para a criança, o dia de seu aniversário é muito importante e é esperado com grande ansiedade. STEPHEN DENNESS / DREAMSTIME.COM EXCURSÕES PELA ESCOLA Na cozinha, no refeitório, na diretoria etc. PASSEIOS São um excelente meio de propiciar experiências novas e favoráveis ao desenvolvimento da criança. Serão curtos, pois elas se cansam facilmente, e, cansadas, nada aprenderão. Para a criança, um posto de gasolina, um supermercado e um riacho que fica perto da escola, serão uma verdadeira festa. A criança será bem preparada para o passeio. O educador falará sobre o local e os pontos importantes que irão conhecer. Os passeios irão variar de acordo com as unidades tématicas. Um bom passeio será feito com tranquilidade, com tempo para conversas pelo caminho, tanto na ida como na volta. Haverá tempo para breves paradas, que, muitas vezes, são melhores do que o próprio passeio. Certos acontecimentos não previstos, às vezes, são importantes. A criança necessita de tempo para olhar em volta, observar as coisas, pois assim estará explorando o mundo. HISTÓRIAS As crianças serão estimuladas pelas histórias. Nessa linguagem, há a necessidade de um tipo de comportamento desejável dos participantes. A motivação para ouvir e acompanhar é também necessária, assim estarão estimuladas a aprender, envolvidas a ouvir e a entender a mensagem. Essas histórias serão curtas e também de acordo com o que está sendo enfocado. JOGOS São muitos e serão propostos para motivar a criança à participação e prepará-las para nem sempre vencer. O jogo ideal é aquele em que todos participam, alegrando-se com a vantagem dos companheiros, quando um cumprimenta o outro que venceu; e, após o jogo, perdendo ou ganhando, todos continuam amigos. MÍMICA PP-EI-2011-PÁG.91 Após a escolha de uma criança para iniciar a brincadeira, o educador lhe segreda ao ouvido a palavra escolhida simples e que dê margem a gestos. Exemplos: chuva, palhaço etc. Começar com uma criança mais desinibida para que, aos poucos, a timidez dos colegas vá sendo vencida. Quem acertar, fará a próxima mímica. 91

92 DRAMATIZAÇÃO É interessante perceber que, com máscara, a criança tímida desempenha bem o papel que lhe for indicado. Nas dramatizações, pode-se iniciar com esse processo, deixando as outras, que não são tímidas, somente com acessórios pertinentes ao que vai ser dramatizado. Começar com cenas cotidianas, passar pelas pecinhas mais simples e chegar até as mais elaboradas. Na sala ou fora dela, guardar em lugar apropriado uma caixa com bolsas, pares de sapato de adulto, cintos, xales, aros de óculos, maletas, pastas, fantasias etc., pois pode ser um excelente recurso. A educadora utilizar esse material para fazer as dramatizações. DIMITRISURKOV / DREAMSTIME.COM ZUNZUM OU COCHICHO A classe será dividida em vários grupos com duas ou três crianças. O educador dará um tema ou uma notícia por exemplo, uma visita importante; a festa do Dia das Mães etc. Agrupadas e falando baixinho, as crianças discutirão o que foi pedido. Marcar o tempo de acordo com cada sala. O educador pedirá que comentem o que discutiram e o que acharam daquele assunto. Nessa atividade, o educador procurará notar o entrosamento, a atenção e a desinibição das crianças. Após o tempo esgotado, o educador poderá ouvir o que cada grupo comentou sobre o tema proposto. 92

93 PROCEDIMENTOS RECOMENDADOS PP-EI-2011-PÁG.93 Procuramos deixar bem claro, desde a introdução, que esta linguagem é a mais complexa. Além de exigir e merecer de nossa parte muitos estudos e reflexões, ela também não se esgota nestas páginas. A criança, ao sentir que o educador tem tempo para ouvi-la e para saber o que ela pensa e sente, que ele é legal, amigo e que ela tem com quem brincar, rir, falar, andar, correr, descobrir e comemorar, aprende, de modo natural. A importância de ter encontrado regras e comandos, que definem e indicam com clareza, firmeza e segurança a direção correta para se conseguirem companheiros e fazer amigos e os caminhos mais apropriados para se adquirir segurança, confiança e capacitação com qualidade. O educador tomará cuidado com a incompreensão costumeira, pois ela prega que a disciplina pode ofender a criança e torná-la infeliz, mas ocorre justamente o contrário: a indisciplina gera infelicidade, porque a criança sente-se deslocada, algumas vezes rejeitada pelos colegas e tem a sensação, à sua volta, de solidão e desamor. Além disso, em consonância com tudo o que já foi abordado, e com a utilização de todas as técnicas educacionais conhecidas, não deixe jamais faltar, de maneira especial para o indisciplinado contumaz, o ouvido paciencioso e a palavra de compreensão. As exigências feitas pela escola, as quais levam ao desenvolvimento de atitudes de disciplina como as de esperar a vez; entrar e sair da sala sempre em ordem, ou com ordem expressa; movimentar-se sem barulho; adaptar-se a situações novas; usar o seu material e o da escola com cuidado; ter e manter limpeza e asseio pessoal e do ambiente com certeza só podem ajudar a criança, de modo verdadeiro, a crescer e a se desenvolver saudável e feliz. Voltamos a enfocar a agressividade da criança que é até natural em muitas circunstâncias para lembrar que existem, dentro do ambiente escolar, meios saudáveis de canalizar essas atitudes ações e reações agressivas; por exemplo, por meio das atividades lúdicas, com seus jogos e brinquedos livres que, de um lado, gastam as energias excedentes e, de outro, permitem extravasamentos, mediante regras; da linguagem plástica, que, com a criatividade e com as expressões corporal e teatral, permitem a liberação e o afastamento natural de problemas e tensões. Se o ato de ensinar tem de ser, na essência, significativo e prazeroso, a alegria de aprender é algo que a criança precisa sentir e vivenciar no dia a dia, para que nela permaneça como lembrança perene e motivadora. A sala será antes e acima de tudo, um verdadeiro e permanente laboratório, cuja especialidade será manipular dúvida e certeza, faz de conta e verdade, choros e sorrisos, firmeza e carinho. Enfim, sonhos, criatividade, graça, beleza... O educador poderá ousar, romper, mudar, transformar conhecimentos já cristalizados e se voltar para o aprofundamento, para o estudo, podendo adequar as novidades ao seu fazer pedagógico. Como aqueles castelos... que inspiram os sonhos mais belos... os anos pré-escolares devem ajudar a construir um tempo maravilhoso e inesquecível para a criança. 93

94 2 CIÊNCIAS LIGHTKEEPER / DREAMSTIME.COM INTRODUÇÃO Ela poderá fazer parte da inteligência naturalista segundo Howard Gardner. Essa inteligência tem a ver com o mundo natural: ser capaz de entender entre diversos tipos de plantas, de animais e que todos nós possuímos em nosso cérebro. Se todos nós possuímos, cabe a nós profissionais da Educação Infantil, propiciar às crianças oportunidades múltiplas e variadas para que essa inteligência se desenvolva desde a menor faixa etária por nós atendida. Haverá várias maneiras de estimular a criança na descoberta do mundo natural que a rodeia, procurando sempre valorizar o ambiente natural que necessita ser conhecido pelas crianças, pelos pais e pelas pessoas envolvidas no ensino, aguçando a sua curiosidade, por meio de jogos, de brincadeiras de forma mais espontânea possível. A criança poderá desenvolver-se com eficácia se a ela forem proporcionadas atividades que possam incorporar um projeto desenvolvido pela escola: educadores e coordenadores. Cabe ao educador observar o que tem perto da escola ou aproveitar os momentos de ventania, chuviscos, chuvas fortes etc. É importante perceber que todas essas vivencias são carregadas de estímulo, e que ao lado do exercício sinestésico corporal interage com a sensibilidade olfativa, a auditiva e com o emprego de múltiplas habilidades operatórias. Celso Antunes. Nos passeios, visitas etc, é necessário ressaltar não apenas o prazer e a alegria como também servirá de estímulo para a descoberta do mundo natural. Anteriormente Ciências era parte integrante da Linguagem Matemática, agora passa a se desvincular dessa linguagem e terá seu projeto separadamente. O conteúdo foi ampliado visando a dar maiores oportunidades para experiências, vivencias e observações. A criança desde cedo tem contato com o seu viver cotidiano, que se constitui de um conjunto de fenômenos naturais e sociais, a respeito dos quais se mostra curiosa e investigativa. A interação com o meio natural e social no qual vive, a faz aprender sobre o mundo que a rodeia, fazendo e procurando respostas às suas indagações e questões. Aos poucos ela vai, por meio do do que sabe e do que já vivenciou, construindo o seu conhecimento. Nós, educadores, sabemos que os primeiros anos são fundamentais, que a Educação Infantil tem procurado cumprir o seu papel em vários aspectos e, no caso de Ciências, pela observação, a criança começa a investigar, formular hipóteses, criar, aceitar e concluir, tendo assim múltiplas oportunidades para que tenha uma vivência científica de modo simples, singular e aprofundado. 94

95 PP-EI-2011-PÁG.95 Desde cedo, nós juntos podemos formar cidadãos esclarecidos, equilibrados, possuidores de um espírito científico, se não desperdiçarmos sua fase maravilhosa para aprender o que é a infância. Nilda Bethlem Muitos são os temas pelos quais as crianças se interessam: pequenos animais, bichos de jardim, dinossauros, tempestades, castelos, programas infantis na TV, histórias etc. A observação da natureza, estimulada desde cedo, dará à criança oportunidades de pesquisa, observação e conhecimento. Convém lembrar que a criança, ao nascer, já está preparada para o aprendizado. Com o passar do tempo, vai aos poucos construindo seus saberes. Tudo o que ela venha a aprender dependerá dos estímulos recebidos e vivenciados, que são a base do aprendizado, lembrando que as experiências e observações desenvolvidas irão corresponder à curiosidade da criança dentro da sua capacidade de compreensão. Cabe a nós, educadores, escolher processos diferenciados e de acordo com o interesse infantil, obtendo recursos dentro da sua realidade, para que esse aprendizado seja desenvolvido de forma constante. A criança aprende em todos os momentos e o estudo dos fenômenos científicos será conduzido à observação, que poderá ser direta ou indireta: nos seres, nas coisas, nos objetos, nas gravuras ou nas fotos. A observação é o processo-chave, sendo, portanto, bem planejada, cuidada em todos os sentidos. A observação na Educação Infantil será também orientada, desafiando a criança a observar o que será proposto. Sendo bem dirigida, levará à distinção entre o que é essencial e o que é supérfluo e, aos poucos, a criança vai estabelecendo ligações entre causa e efeito. Como a idade das crianças na Educação Infantil vai de 1 (um) ano e meio a 5 (cinco) anos, as observações serão de coisas que acontecem ao seu redor, para que aos poucos se ampliem, dependendo do interesse demonstrado. O trabalho em Ciências ocorre de forma integrada com as linguagens de expressão e reunirá projetos pertinentes ao mundo social e natural. É importante que as crianças tenham contato com diferentes elementos, fenômenos e acontecimentos do mundo, sejam instigadas por questões significativas para observá-las e explicá-las e tenham acesso a modos variados de compreendê-las e representá-las. Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil. A ecologia será abordada para que a criança, desde cedo, perceba o papel dela no nosso planeta, e que todos são responsáveis por ele. A reciclagem de vários materiais, o uso adequado da água e os cuidados necessários para a reutilização de vários materiais, que normalmente são dispensados, o aquecimento global ocasionando degelo nos polos, as queimadas etc. serão trabalhados no concreto (com cartazes, figuras, notícias, filmes etc.) para que a criança observe, vivencie e os introduza no seu saber científico, criando assim uma consciência ecológica. Em cada etapa de seu desenvolvimento, a criança toma consciência do mundo de diferentes maneiras. Quanto menores forem as crianças, mais suas representações e noções sobre o mundo estão associadas diretamente aos objetos concretos de realidade conhecida, observada, sentida e vivenciada. Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil. As atividades de Ciências oferecem um campo bem amplo que será bem estruturado e planejado de forma a escolher os assuntos mais relevantes para as crianças e o seu grupo social. As crianças desde cedo serão motivadas a observar fenômenos, relatar acontecimentos, formular hipóteses, prever resultados para experimentos, conhecer diferentes contextos, tentando localizá-los no espaço e no tempo. Os domínios e conhecimentos não se consolidam na Educação Infantil, são construídos paulatinamente na medida dos interesses e as oportunidades que a criança tem. Para saciar a curiosidade inerente, faz com que ela formule explicações, critique de acordo com a diversidade dos fenômenos que foram vivenciados e os acontecimentos ocorridos, durante as fases de um ano e meio a cinco anos. 95

96 OBJETIVOS GERAIS DE CIÊNCIAS Levar a criança a: formular perguntas; estabelecer contato com pequenos animais, plantas e com objetos; utilizar objetos tais como: lupas, microscópios, binóculos etc.; explorar o ambiente; fazer descobertas; interessar-se e demonstrar curiosidade pelo mundo social e natural; confrontar a sua ideia com as de outras crianças; registrar oralmente ou através do desenho o que foi vivenciado; valorizar o meio ambiente percebendo sua importância para a preservação das espécies e para a qualidade da vida humana; estabelecer relações entre o meio ambiente e as formas de vida que ali se estabelecem; observar e concluir que pequenas ações de todos, ocasionarão o bem-estar do nosso planeta; participar ativamente na resolução de problemas; buscar informações juntamente com o educador; perceber o papel da ecologia no nosso planeta. ANITA NOWACK / DREAMSTIME.COM OBJETIVOS ESPECÍFICOS DE CIÊNCIAS 96 Levar a criança a: conhecer o seu próprio corpo; conhecer os nomes de cada parte em situações reais e cotidianas; descobrir os cuidados de que o corpo necessita: sono; alimentação; higiene; lazer; descanso.

97 PP-EI-2011-PÁG.97 descobrir os órgãos dos sentidos e suas funções; fazer e participar de experiências: a diferenciar o sal do açúcar, aprendendo; que o sal e o açúcar desaparecem quando misturados com líquido, que alteram o sabor e que o sal vem do mar; que o sal conserva os alimentos; que o açúcar vem da cana-de-açúcar; já em outros países, da beterraba. perceber para que servem os dentes e como serão tratados; concluir que o coração bate mais depressa e com força quando faz exercícios; perceber que não sentimos dor quando cortamos unhas e cabelos; vivenciar experiências com: familiares; parentes; amigos; educadores etc. conhecer as diferenças e características da turma: normas sociais da turma; modos de vida; lugares; vizinhos etc.; alimentação; vestimentas; músicas; jogos; atitudes de fazer e lazer. observar e explorar o meio em que vive; na escola: jardins: pequenos insetos, plantas, flores etc. em volta da escola: plantas, calçamento, ruas, prédios, residências, lojas comerciais etc; explorar os espaços de dentro e de fora da escola. descobrir o papel da ecologia no nosso planeta: economizar a água: na escovação dos dentes; no banho; na alimentação (lavagem de frutas e verduras). economizar energia elétrica: no banho; na casa. reutilizar: a água das chuvas; o bagaço da cana (energia-elétrica); sementes; sobras de materiais de construção. 97 CRAIG JEWELL / DREAMSTIME.COM

98 reciclar: papéis; folhas de bananeira; caixas; embalagens de papel e de plástico; garrafas de vidro e PETs; pneus (asfalto); latas de alumínio etc. perceber a importância de: limpar a sua casa; observar a necessidade de deter e acabar com a poluição; se esforçar para abandonar o consumismo irresponsável; trabalhar para sanar os problemas do nosso planeta; praticar pequenas ações, dentro de suas limitações, pensando sempre no bem comum. perceber a existência do ar e que: tem peso; ocupa lugar; aguenta peso; produz som; está em movimento; há um lado em que ele sopra; ajuda a secar as roupas, objetos etc. observar os fenômenos da natureza: tempo ensolarado, chuvoso, nublado; dia/sol; noite/lua e estrelas; chuva/trovões; estações do ano e suas características: no Brasil; em outros países. observar e concluir sobre as plantas: germinação; terra/sol/cuidados; crescimento. conhecer: tipos de plantas: partes de uma planta completa; suas funções e características. 98

99 os alimentos, sua origem e cuidados que exigem conhecer: os vegetais; as sementes duráveis; as folhas diversas. conhecer os animais, suas características e cuidados de que necessitam: habitat de cada um; características de cada espécie; alimentação; animais domésticos; animais mamíferos/aves/peixes; animais selvagens; vertebrados e invertebrados; alimentos de origem animal; mordidas, bicadas etc. estimar, respeitar, conhecer e defender o nossso planeta (ecologia); observar e conhecer as características do desenvolvimento humano; descobrir a interdependência dos seres. PP-EI-2011-PÁG.99 99

100 O EDUCADOR: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS Apresentamos algumas orientações didáticas que poderão ser utilizadas ou ajustadas a cada realidade. Passaremos a elencá-las. APLICAÇÕES DE RECURSOS COM UM ESPELHO a criança terá oportunidade de observar: membros, olhos, cabelos, dentes etc.; sentir os ossos nos próprios braços e pernas; sentir o bater do seu coração e o do colega, em repouso e após uma corrida; esfregar as mãos e perceber que elas se aquecem. COM O AR encher de ar bolas ou saquinhos de papel; encher os pulmões de ar; forrar o fundo de um copo com papel e mergulhá-lo diretamente para baixo em uma bacia com água; após alguns minutos, retirá-lo. As crianças observarão que o papel não molhou; repetir a experiência anterior, inclinando o copo e observando as bolhas que se formam quando o ar sai do copo e é substituído pela água; colocar água em uma bacia e jogar, lentamente, um pouco de terra sobre ela; as crianças perceberão o ar saindo pelas pequenas bolhas; comparar o peso de uma câmara de ar (de carro) vazia e cheia; observar nos postos de gasolina, o ar enchendo os pneus; observar os pneus da bicicleta sendo cheios; soprar dentro de garrafas vazias, observando o som produzido; brincar com instrumentos de sopro; abanar-se com um pedaço de papel grosso; fazer um cata-vento, colocá-lo em um lugar em que venta muito, correr com o cata-vento na mão; observar o vento movimentando as folhas, troncos, roupas no varal, carregando as nuvens etc.; fazer bolhas de sabão e observá-las com ou sem vento; fazer um barquinho de papel (abanar ou soprar); soltar pipas de papel em local onde não haja fios elétricos; molhar a mão e colocá-la ao vento, concluindo que o vento a faz secar mais depressa; molhar um pequeno guardanapo de pano e estendê-lo em um fio para que observem o que acontece depois de um tempo; encher um saco de papel de ar, fechá-lo com uma das mãos e bater a outra com força no fundo dele; concluir que o barulho resultante é provocado pelo súbito deslocamento de ar, e que o som do trovão provém de fenômeno semelhante. 100

101 COM OS FENÔMENOS DA NATUREZA observar a chuva pela janela (chuva forte ou fraca); observar que a água da chuva penetra na terra ou corre pelo ralo; colocar uma bacia vazia em um local descoberto e que não tenha árvores; observar a quantidade de água de chuva que há na bacia depois dela; segurar um guarda-chuva num dia chuvoso e de vento; observar que a chuva e o vento ocorrem em direções diferentes; enxugar a panela por dentro e por fora; colocar dentro dela um prato raso com água quente e tampá-la; deixar que as gotas de vapor se condensem na parte interna da tampa; bater levemente e descobrir a chuva que acontecerá; colocar água para ferver em uma panela; quando começar a desprender vapor, colocar sobre ela uma tampa (previamente gelada) e observar as gotas d água que se formarão na tampa; observar o curso do Sol (nascente e poente); observar as cores do céu na ocasião da aurora ou do ocaso (pôr do sol); tentar ver o Sol em dia nublado; ficar alguns momentos ao Sol e à sombra, alternadamente, e observar a temperatura da própria cabeça; colocar um termômetro ao Sol e depois à sombra; observar o mercúrio; colocar um pires com água ao Sol; observar as próprias sombras em diversas posições e em momentos diferentes do dia; tentar afastar-se da própria sombra; SCOTT ROTHSTEIN/DREAMSTIME.COM PP-EI-2011-PÁG.101 observar as sombras de vários objetos; ficar em pé em uma área cimentada e pedir a alguém para desenhar a sombra projetada em dois ou mais momentos do dia; concluir que a sombra muda de posição e de tamanho à medida que o sol muda de posição; observar: o arco-íris que se forma quando o Sol reaparece depois de uma chuva; o arco-íris que se forma quando o Sol bate nas gotas d água que a mangueira espalha ao se regar um jardim; 101

102 o céu à noite; a lua em algumas noites seguidas: concluir que ela muda de formato e posição a cada noite; os faróis de um carro que está perto e depois à distância; concluir que os faróis parecem menores quando o carro está longe, e que o mesmo acontece com as estrelas. COM PLANTAS: preparar a terra, semear e cuidar; colocar sementes para brotar; colocar a parte superior de uma cenoura em um prato fundo sobre pedras, e com água suficiente para cobri-las; deixar grãos imersos em água de um dia para outro; retirar a casca, cortar ao meio e com lupa observar o embrião; colecionar sementes; abrir as frutas ao meio para que observem as sementes (estrela na maçã); colocar folhas e sementes em cartões cobertos com celofane com os nomes de cada espécie; plantar grãos (lentilha, milho, feijão etc.) para observar a germinação; qual nasce primeiro e qual demora mais (acompanhar com desenhos); regar todos os dias as plantas; concluir, após alguns dias de observação, que as plantas necessitam de água; concluir que as plantas precisam de ar e respiram pelas folhas; regar dois vasos com plantas iguais diariamente, deixando um deles coberto com um saco de papel, e observá-los durante alguns dias; concluir que os vegetais precisam de luz; colorir a água de um copo com tinta ou anilina, mergulhar o caule de uma flor (cravo, copo de leite) na mesma e observar por vários dias; concluir que a água chega às diferentes partes da planta pelo caule. 102 COM OS ANIMAIS: observar insetos no jardim da escola (com lupas): formigas; borboletas; minhocas etc. observar um passarinho (em uma gaiola): cuidados/alimentação/água/ovos; características. observar um coelho/cão ou gato: alimentação/ leite; cuidados. observar um peixe (em um aquário): alimentação; as pedras; cuidados; água limpa. PAULBURNS / DREAMSTIME.COM

103 COM OS ÍMÃS: espalhar diversos objetos sobre a mesa e aproximar deles um ímã; concluir que alguns são atraídos pelo ímã e outros não; colocar um barco de papel em uma bacia e deslocá-lo movimentando o ímã; experiências com clips, pregos grandes etc. COM A GRAVIDADE: jogar, para o alto, uma bola, uma pena, uma pedra etc.; observar que a força da gravidade faz com que os objetos caiam, e que, quanto mais pesados eles forem, mais rápido cairão; fazer um paraquedas, amarrando quatro pedaços de barbante às quatro pontas de um lenço, e prendendo as pontas soltas do barbante em um peso (pedra); jogar o paraquedas para o alto e observar sua descida; concluir que a força da gravidade puxa o peso para baixo, mas o lenço cheio de ar, faz com que ele caia lentamente. COM OS SONS: PP-EI-2011-PÁG.103 produzir sons em uma bacia com água, utilizando as mãos ou qualquer objeto; ouvir rádio, CDs etc.; realizar experiências, gravando diferentes sons e as vozes das próprias crianças; improvisar diferentes instrumentos, utilizando embalagens de achocolatados ou laticínios, colocando, dentro delas, grãos, pedrinhas, pedriscos etc.; passar um fio de barbante,pelos fundos de dois copinhos vazios, prendendo com um nó; esticar o fio e concluir que, falando baixinho de um lado, o som se amplia do outro lado do fio; agitar um bambu com diferentes intensidades; fazer um funil de papel e falar por ele; observar que a voz soa mais alta, e concluir que a voz é ampliada porque não se espalha, permanecendo numa só direção. É importante ressaltar que, para que o aprendizado seja introduzido, as experiências sugeridas poderão ser repetidas conforme o interesse da criança. Um instrumento valioso a ser considerado é que as crianças, desde cedo, aprendam a registrar o que foi aprendido. Como ainda não sabem escrever, utilize pequenos papéis, que serão utilizados para desenhos, colagens de dobraduras, sementes, penas, cascas de ovos, retalhos de pelos etc. As páginas brancas, no verso de cada atividade proposta, serão utilizadas para que esses registros sejam colados, iniciando assim um hábito salutar, que é registrar e documentar tudo o que está sendo aprendido. (Portifólio) 103

104 Observação: No livro, Descobrir é divertido, as crianças encontrarão atividades para que as descobertas ocorram, valorizando o estudo de Ciências. PROCEDIMENTOS RECOMENDADOS Como já foi dito anteriormente, os domínios e conhecimentos não se consolidam na Educação Infantil, são construídos na medida dos interesses da criança, oferecendo a ela oportunidades para observar, experienciar, vivenciar em múltiplos momentos, durante o decorrer do ano letivo. Ciências é um campo apaixonante e fará com que a criança envolvida no processo tenha momentos de observação, estudo e conclusão, tudo feito de uma forma lúdica. Não haverá necessidade de se preocupar com o que estão aprendendo, mas sim com que tudo tenha significado, passando a fazer parte da construção do seu conhecimento pessoal. Como perceberam, são experimentos simples e de fácil realização, não esquecendo que a contextualização é muito importante, podendo variar com jogos, músicas, brincadeiras etc. Nosso papel de educadores é ampliar o conhecimento das crianças em relação a fatos e acontecimentos da realidade social e sobre elementos e fenômenos naturais, podendo cada um trabalhar as suas ideias, os seus conhecimentos e as suas representações sociais acerca do que será proposto em cada atividade. É necessário e importante sabermos que só nossas ideias não bastarão, nossa atuação pedagógica necessita apoiar-se em conhecimentos específicos derivados dos vários campos de conhecimento que integra as Ciências Humanas e Naturais. Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil. É importante buscar respostas, informações e familiarizar-se com conceitos e procedimentos dessas áreas. A qualidade de vida e o respeito ao meio ambiente serão ações importantes a serem desenvolvidas, para que todos trabalhem juntos pelo desenvolvimento dessas ações que gerarão o bemestar de todos. Para encerrar, torna-se necessário o registro de tudo o que foi planejado e efetuado e as conclusões de cada unidade temática abordada. Ao educador, cabe observação constante dos avanços de cada criança. Os retrocessos também serão registrados, podendo oferecer um excelente meio para as reformulações na prática educativa do dia a dia. Juntamente com as crianças, é possível mostrar um acervo dos materiais obtidos cartazes, livros, objetos etc. sobre os diversos assuntos, para que possam recorrer a eles se precisarem ou se interessarem. Em Ciências, a observação é a palavra-chave, não esqueçam! 104

105 3 TECNOLOGIA SUNLU4IK / DREAMSTIME.COM INTRODUÇÃO PP-EI-2011-PÁG.105 Não podemos ignorar o papel da tecnologia no cotidiano da educação. Ela foi a mola propulsora do nosso sistema educacional. Nós, que participamos da Educação Infantil desse sistema, estamos atualizados em relação à constante evolução neste aspecto, e com tantas outras mudanças que ainda irão acontecer. Há muitos anos a tecnologia faz parte da nossa grade curricular. Na maioria dos estados brasileiros, o computador passou a fazer parte do cotidiano das famílias. As crianças, a partir dos quatro anos, ou com até menos, já o utilizam para brincar e jogar. O portal da Turma COC apresenta muitas atividades interessantes que a maioria de nossas escolas utilizam, tendo milhares de acessos diariamente. A Midori, personagem da Turma COC, desde a sua criação, representa a tecnologia, visando a fazer com que as crianças tenham oportunidade de conhecer a sua história e seu uso da respectiva área, propiciando oportunidades que desenvolvam a ampliação do mundo infantil nesse aspecto. No site há uma variedade de jogos, brincadeiras, textos específicos para eventos ocorridos na escola, a história de cada personagem, como também a possibilidade de a criança enviar um para os personagens com os quais se identifica, sendo esse site renovado periodicamente. O livro dos Desafios Lógicos acompanhado por um CD, também faz parte do nosso material já há alguns anos, oferecendo múltiplas oportunidades para que a criança de cinco anos aproveite e desenvolva o seu raciocínio lógico de uma forma atualizada e moderna. A tecnologia faz parte hoje em dia da realidade infantil. Temos um portal com jogos, brincadeiras etc. que poderá ser acessado em todas as unidades das Escolas Parceiras que fazem parte do nosso sistema. 105

106 OBJETIVOS GERAIS DA TECNOLOGIA Levar a criança a: iniciar a utilização da tecnologia; conhecer o computador; observar as partes que o compõem; aprender a ligar, conectar-se e desligar; aprender o funcionamento; aprender a utilizar o que o programa oferece; familiarizar-se com as informações; utilizá-lo sempre que for necessário e quiser; concluir que é um instrumento valioso, dando um passo importante para o desenvolvimento da sua potencialidade. OBJETIVOS ESPECÍFICOS DA TECNOLOGIA Levar a criança a: canalizar sua curiosidade inerente; conectar-se com o meio tecnológico; apropriar-se do que o computador oferece; conhecer e aproveitar os jogos infantis; entender que ela está fazendo parte de um contexto em que muitas crianças estão aprendendo a utilizar o computador; trocar experiências; desenvolver a sua concentração, que vai aos poucos sendo ampliada; aprender que o computador é importante: será utilizado, algumas vezes, para que os jogos ao ar livre, as brincadeiras e os passeios não sejam preteridos; aprender a conectar-se com a internet: as crianças de cinco a seis anos poderão utilizar o MSN (2º estágio); aprender como se envia um (2º estágio). LARISA LOFITSKAYA / DREAMSTIME.COM 106

107 O EDUCADOR: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS O educador poderá lembrar sempre que a contextualização é muito importante, envolvendo as crianças na utilização do computador com curiosidade e interesse. APLICAÇÕES DE RECURSOS BENIS ARAPOVIC / DREAMSTIME.COM O computador será utilizado nas escolas parceiras: nos programas sugeridos pelo Sistema de Ensino do COC; nas pesquisas, que serão realizadas com a ajuda do educador; nas brincadeiras; nas várias atitudes que fazem parte do cotidiano da criança; nos jogos; nos jogos de memória; nos labirintos; nas aulas específicas, de acordo com a nossa sistematização, a partir do 2º estágio; nos CDs dos Desafios Lógicos (2º estágio). As atividades sugeridas e apresentadas serão retomadas algumas vezes, dependendo do interesse das crianças. O progresso na utilização da Tecnologia dependerá do que aconteceu durante a realização do que foi proposto. O fascínio que as crianças têm em relação à novidade permeará todos os momentos de aprendizagem. O fazer tecnológico fará parte do seu mundo infantil, incrementando, desde tenra idade, sua visão de modernidade e importância. PROGRAMAÇÃO DIGITAL PP-EI-2011-PÁG.107 A Tecnologia faz parte do nosso material didático. Hoje em dia, não podemos deixar de lado essa ferramenta, que aumenta as possibilidade de complementariedade do nosso sistema de ensino. O computador foi criado como instrumento para calcular, para aliviar o trabalho do cérebro humano. O nome computador engloba diferentes tipos de máquinas. Ele pode ser mecânico, eletromagnético, fluídico ou MONKEY BUSINESS IMAGES / DREAMSTIME.COM 107

108 eletrônico e ainda pode operar, em modo analógico ou eletrônico, as informações, o que os diferencia em computador analógico ou digital. O uso do computador é feito ano a ano e sua aparência vem mudando rapidamente. O que era novo há cinco anos já está velho hoje em dia. Com essa mudança, a tendência, no futuro, é que as máquinas fiquem mais compactas e com maior variedade de serviços. Recomendamos que os educadores conheçam os programas que serão apresentados, podendo incrementar seu dia a dia com a tela do computador. PROCEDIMENTOS RECOMENDADOS O aprendizado da Tecnologia inicia-se na Educação Infantil e perdurará ad eternum pelos avanços que existem nessa área. A cada novo aprendizado, a criança perceberá que ainda há muito para aprender, sem esquecer o que já foi aprendido, pois tudo será necessário para a perfeita utilização tecnológica. Afira Vianna Ripper, doutora em psicologia educacional e coordenadora do laboratório de educação e informática aplicada (LEIA) da Universidade de Campinas (Unicamp), questiona até mesmo o uso de computadores como ferramenta didática em larga escala. Algumas experiências pontuais em que se consegue envolvimento de professores parecem ter bons resultados, mas desconheço a existência de estudos com metodologia científica que demonstrem isso, pondera. Os educadores da Educação Infantil poderão atentar que necessitam de atualização e desempenho para que tudo o que for proposto para a criança tenha um critério pedagógico rigoroso, e para que o processo se desenvolva adequadamente. A tecnologia digital revoluciona as práticas, ajuda o homem a multiplicar rapidamente o conhecimento, expande o poder de pensar, favorece a intercomunicação e a interoperabilidade, embora também ajude a destruir. A sociedade necessita continuamente derrubar muros e ampliar conexões, já que precisa mudar as noções de espaço e tempo. Léa Fagundes (http://www.educare.org.com.br) Quando o computador apareceu, todos pensavam que ocuparia o lugar dos educadores, coisa que não ocorreu, pois a figura do mestre-educador é fundamental. O mesmo ocorreu quando a televisão chegou, e a maioria das pessoas achava que o rádio desapareceria. Nós, do Sistema COC, estaremos sempre atualizados quanto a todos os avanços tecnológicos, e nossa programação será constantemente revista. 108

109 VII. 3 A ÁREA MATEMÁTICA 1 LINGUAGEM MATEMÁTICA INTRODUÇÃO PP-EI-2011-PÁG.109 É muito importante que a Linguagem Matemática seja bem trabalhada desde muito cedo, porque, sendo intuitiva, ela se manifesta de modo natural antes das noções específicas que são passadas pelos adultos, quando a criança já experiencia semelhanças e diferenças entre objetos e as características de cada um deles, começando, assim, a fazer associações e a estabelecer relações. Passam forçosamente pela manipulação e pela exploração os primeiros passos da criança, no caminho da aprendizagem dessa linguagem. São dois passos importantes para ela vivenciar experiências que formarão a base da sua vida futura. Se a criança não tiver oportunidade de observar, manipular e apalpar, no concreto, tudo aquilo que lhe foi ensinado na teoria, ela estará apenas memorizando e não estará adquirindo conhecimentos. É por meio da atividade, no concreto, que a criança desenvolve a capacidade lógica. Em outras palavras, em hipótese nenhuma serão dadas noções básicas apenas verbalizadas, pois a criança tem necessidade de experimentá-las, repetindo-as quantas vezes for preciso, para que as operações mentais aconteçam. Até os 10 anos, ela não tem capacidade de abstração. As atividades dessa linguagem irão ensejar inúmeras oportunidades para a criança adquirir um comportamento adequado, exploratório no caso, para que as descobertas aconteçam, apesar do educador. A criança, manuseando e observando, irá identificar, classificar, analisar, comparar e associar com algo que viu e observou anteriormente. Esse modo de agir pressupõe estimar, comparar e estabelecer relações que envolvam forma, tamanho, cor, posição, quantidade e espessura; indagar, errar, recomeçar e reconstruir. 109

110 A responsabilidade do educador é enorme, pois é, nessa faixa etária, que se formam estruturas básicas da vida futura: o preparo é, sem dúvida, um dos elementos fundamentais para a eficácia do ensino. O trabalho com noções matemáticas na Educação Infantil atende, por um lado, as necessidades das próprias crianças de construírem conhecimentos que incidam nos mais variados domínios do pensamento; por outro, corresponde a uma necessidade social de instrumentalizá-las melhor para viver, participar e compreender um mundo que exige diferentes conhecimentos e habilidades. Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil. Convém alertar também sobre a dosagem, que será de acordo com o que a criança tem possibilidade de assimilar, e o tempo de concentração, que será diferente de acordo com a idade da criança (idade menor = tempo menor). Se a atividade proposta for além ou aquém do tempo adequado, haverá desinteresse e indisciplina. Antes de ser ministrada uma noção básica, a criança poderá saber qual será ela; assim, descobrirá, junto com o educador e os colegas, dentro e fora da escola, onde se localiza tudo o que foi ensinado. Exemplos para forma círculo : a) dentro da sala: o vaso, o copo, anéis, pulseiras etc.; b) fora da sala: rodas de carro e de bicicleta, semáforo etc. As atividades não serão estáticas: antes da aula, o educador realizará o mesmo percurso dos alunos; na sala, fará a mesma coisa; assim, ao propor a atividade, ele já saberá se há algo mais a ser descoberto ou se tudo já foi observado. Essa linguagem está baseada na aquisição, durante a aprendizagem, dos conceitos básicos e das noções quantitativas dos conhecimentos elementares, científicos, do desenvolvimento do raciocínio operacional sempre no concreto. Todo ser humano necessita ser desafiado. Por que não iniciar os desafios na infância? A criança, quando desafiada, pensa, resolve questões, fica feliz e com sua autoestima em alta, pois os desafios norteiam a vida de uma pessoa. Cada criança possui o seu próprio critério de selecionar, classificar, separar, agrupar etc. Acontece sempre um resultado muito proveitoso quando a criança tem oportunidade de partilhar com os colegas o seu modo pessoal de resolver o que lhe foi proposto. As outras crianças também terão as mesmas oportunidades de expor, enriquecendo todos os envolvidos na atividade. O vocabulário específico não será a preocupação única do educador. Após as descobertas, as experiências e o que envolve esse processo de aprendizagem, é que poderão ser utilizados os termos específicos, mas sem cobranças. No final do 2 o Estágio, poderá haver uma avaliação e, se necessário, por ainda não dominarem os termos, uma introdução paulatina dos conceitos trabalhados, para que memorizem o que lhes foi ensinado no concreto. O ponto central dessa linguagem não é o vocabulário, mas sim a vivência, no concreto, é realmente o que importa. Além do que, as atividades serão propostas como se fossem um jogo alegre e divertido. Há uma diferença muito grande entre a criança que explora, manipula e agrupa objetos e aquela que apenas vê o adulto verbalizar: o gosto da laranja só é percebido quando é experimentado; pode-se até dizer que é meio azedo, mas o gosto só é conhecido por quem o experimentou. 110

111 OBJETIVOS GERAIS DA LINGUAGEM MATEMÁTICA Levar a criança a: observar, manipular e experienciar para: identificar; classificar; analisar; comparar; associar vários objetos, coisas, brinquedos etc. adquirir conceitos básicos: de atenção; de raciocínio lógico; de matemática. adquirir vocabulário apropriado dentro de sua realidade; experienciar no concreto para aprender a: observar; manipular; classificar; relacionar; comparar; juntar; escalonar. explorar tudo o que a rodeia para, intuitivamente, classificar, associar, analisar, comparar; estabelecer o seu próprio critério em relação ao objeto explorado. OBJETIVOS ESPECÍFICOS DA LINGUAGEM MATEMÁTICA PP-EI-2011-PÁG.111 Levar a criança a: manipular e explorar objetos para descobrir formas, cores, tamanhos e espessuras; juntar, repartir e retirar pequenas peças que possam ser manipuladas; separar, em quantidades iguais ou diferentes, (conforme as ordens explicitadas); escalonar bastões, tubos e cilindros de papelão ou madeira, pela altura e espessura; repartir objetos, grãos e balas; classificar botões pela forma, pela cor e pelo modelo; 111

112 ter orientação temporal (noção de tempo, horas e velocidade); ter orientação espacial (localização, distância, sequência, sentido); identificar objetos da mesma cor ou mesma forma; faces de um objeto tridimensional, em suas partes planas; objetos segundo os atributos de cor, de forma, de tamanho e de espessura (blocos lógicos); adquirir noções básicas quanto à massa (pesado leve), ao tamanho (grande pequeno), à velocidade (depressa devagar), ao volume (cheio vazio), à temperatura (quente frio), à espessura (grosso fino), ao comprimento (curto comprido), às cores primárias nas classes iniciais e secundárias e terciárias nos dois últimos estágios (5 a 6 anos) da Educação Infantil, à lateralidade (direita e esquerda), ao tempo (hoje amanhã, antes depois). conhecer a sequência numérica (de acordo com cada faixa etária); ter noção de dúzia, meia dúzia, par, quilo, litro e metro (apenas no 2 o estágio). O EDUCADOR: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS A criança terá, nessa linguagem, inúmeras oportunidades de expressar seu raciocínio de forma pessoal. Oferecendo a ela vários materiais e objetos concretos para que possa, assim, descobrir e chegar às suas próprias conclusões. Há necessidade de uma intencionalidade educativa, que implica planejamento e previsão de etapas, para que os objetivos sejam alcançados. O ambiente será propício para que ela pergunte, esclareça dúvidas, troque ideias, erre e acerte, pois só memorizará o que for vivenciado. A criança também experienciará, sozinha, todo o material que lhe for apresentado. Depois poderão ser agrupadas em duplas ou trios, para que explorem o material em conjunto: o educador notará que cada criança tem seu modo próprio de observar; desses momentos surgirão várias montagens, combinações e novas descobertas; serão evidenciadas as diferenças individuais, pois cada um, na sua vez, falará aos companheiros o que pensou, observou e percebeu. Depois disso, o educador encaminhará o assunto que programou e que deseja ensinar às crianças, estando sempre pronto para receber respostas diferentes, o que fará com que todos sejam enriquecidos. O material a ser trabalhado ficará em um lugar de fácil acesso dentro da sala, será preparado, selecionado, organizado e vivenciado pelo próprio educador, para que ele esteja atento às indagações e ao que não foi nomeado, acompanhando sempre todos os passos, juntamente com a criança. 112 MONKEY BUSINESS IMAGES / DREAMSTIME.COM ANDREYKUZMIN / DREAMSTIME.COM

113 APLICAÇÃO DE RECURSOS Apresentamos materiais de fácil acesso e aquisição, que oferecem muitas oportunidades em termos de vivência e aprendizado. TAMPINHAS selecionar, agrupar e repartir, observando as cores ou modelos (iguais e diferentes). PEDRINHAS idem, por meio de formas parecidas, de texturas iguais e diferentes, de peso, etc. BOTÕES idem, por modelos iguais ou diferentes, por formas, por cores e por tamanhos. BLOCOS LÓGICOS compreende uma caixa universo, contendo 48 blocos; os atributos a serem conhecidos são: cor, forma, tamanho e espessura; na sala, haverá no mínimo 2 (caixas-universo), para que todas as crianças tenham acesso aos blocos; após a exploração inicial, o educador proporá joguinhos bem simples, aprofundando aos poucos o grau de dificuldade; hoje já existem os blocos lógicos gigantes, para que o trabalho seja realizado no chão da sala ou nos pátios. CONTAS COLORIDAS serão grandes para as salas iniciais e médias para as outras; o material, no início, será explorado livremente pela criança; após esse início, separá-las por tamanhos, cores, ressaltando as formas; serão guardadas em lugar separado e só usadas quando o educador estiver ao lado. Observação: As contas, coloridas ou não, serão utilizadas para enfiagem (fios de lã, barbante ou linha). BRINQUEDOS PEDAGÓGICOS PP-EI-2011-PÁG.113 no mercado, existe, atualmente, muito material que pode ser aproveitado, mas o educador selecionará quanto à utilidade, durabilidade e risco para as crianças, para que seja utilizado nas aulas; dependendo do poder aquisitivo da escola e do educador, existem lojas especializadas com grande variedade de brinquedos que podem ser adquiridos. 113

114 CARTAZES ASSOCIADOS AO CONCRETO Serão usados para ilustrar as noções básicas do que se quer ensinar, mas lembrando que não bastam somente os cartazes. Eles devem ser acompanhados por objetos, frutas e legumes, no concreto, conforme sugestões a seguir: par e ímpar: pares de sapatos, de óculos, de brincos etc.; vertical e horizontal: escada, lousa, janela etc.; dúzia: ovos, banana, botões etc.; dezena: pirulitos, palitos etc.; metro: de madeira; réguas, o que se compra por metro; quilograma: balança, e o que se compra por quilo. FIGURAS GEOMÉTRICAS As figuras geométricas serão as tridimensionais, que podem ser observadas no concreto; estabelecer relações dentro e fora da sala (o que existe com as formas geométricas trabalhadas); podem ser montados brinquedos, bonecos, casas etc., usando apenas uma determinada figura; os materiais usados podem ser quadradinhos de madeira, botões, pazinhas, palitos de sorvetes etc. Observação: Quando as figuras não são tridimensionais, passam a ser denominadas formas geométricas. TANGRAM Material também de fácil aquisição, que pode até ser feito pelos próprios educadores. Fazer vários exemplares, para que as crianças, em grupo ou sozinhas, possam observar e manipular, descubrir figuras que podem ser realizadas. DOBRADURAS (ORIGAMI) é a arte de dobrar (ori) papel (kami); conta-se que essa arte surgiu na Coréia e só depois chegou ao Japão (1400); desde os 2 anos, a criança pode fazer dobras livres; com as dobraduras, a criança aprenderá os conceitos básicos de geometria: superfície, linhas, pontos e figuras planas. CONTADORES material que a criança terá sempre em mãos; podem ser feitos com tampas de creme dental, com rodelas de cabo de vassoura, ou adquiridos no comércio. a criança necessita manusear, no concreto, para estabelecer relações e aprender os números e numerais; 114

115 os contadores permanecerão no Canto da Matemática, na própria sala, para serem usados frequentemente; Observação: Para o 2 o estágio (de 5 a 6 anos), 20 peças ou unidades. o educador poderá propor problemas e continhas, para que aprendam a manusear, visualizando os resultados. RECEITAS CULINÁRIAS por meio de receitas simples, a criança vai aprendendo as medidas básicas; ajudando a medir os ingredientes, ela vai vivenciando, observando e relacionando com vários outros conceitos básicos como litro (leite), dúzia (ovos) etc.; aos poucos, complicar as receitas e introduzir novos conceitos; a receita pode ser feita em um cartaz; ver exemplos 1 e 2. QUADRO DE CORTIÇA nesse quadro, podem ser realizadas muitas atividades, com desenhos e figuras anteriormente preparados pelo educador. Exemplos: 3 animais iguais e um diferente; 3 flores amarelas e 1 azul; 2 animais, um com rabo, outro sem; semelhanças entre peixes, aves e animais em geral; outros, conforme o que se queira ensinar. Observação: As figuras serão afixadas com alfinetes próprios para mapas. PP-EI-2011-PÁG.115 ÁBACO material antigo, usado no 2 o estágio: haverá um ábaco grande para o educador e um pequeno para cada aluno; no concreto, as crianças vivenciarão quantidades, podendo separar de dois em dois, juntar, contar etc.; como é um instrumento individual, a criança poderá estabelecer suas próprias relações. 115

116 CORDAS Cada classe terá pedaços iguais de corda, de diferentes comprimentos e espessuras: podem representar caminhos retos, curvos e interrompidos; executar as formas básicas no chão da sala, com cordas grossas e finas; podem medir mesas, lousas, painéis etc.; podem ser utilizadas para a feitura de tocas etc. PALITOS DE FÓSFORO Material fácil de ser encontrado e adquirido, possibilita a realização de várias atividades como contar, separar, agrupar de 2 em 2, dividir, classificar, juntar etc.; as ordens serão dadas após o manuseio individual dos palitos: cada criança terá uma caixa; após a brincadeira, os palitos serão colocados nas caixas, em ordem; os cuidados serão redobrados para que os palitos não queimem e, caso aconteça, para que as crianças não se assustem nem se queimem. NÚMEROS E NUMERAIS Somente após muitas vivências, é que haverá a proposição da grafia: essas vivências serão concretas (reta numerada no chão, quadradinhos, lápis, contadores etc.); para a grafia do símbolo, é preciso muita paciência; essa etapa só será iniciada quando a criança estiver preparada; nos anos anteriores, ela apenas reconhecia a quantidade com o símbolo; grafia correta do traçado dos números: ANDREY KISELEV / DREAMSTIME.COM dosagem dos numerais: Maternal: ; 1 o Estágio: 1 a 10; 2 o Estágio: 1 a 20; os numerais poderão ser desenhados no chão, colocando-se fita adesiva para que os alunos andem sobre o númeral (um aluno de cada vez, para que todos assimilem). FRUTAS E LEGUMES As frutas e os legumes podem ser observados pela criança de várias maneiras, a saber: cor, figura geométrica e textura; metade, inteiro e fatias; igualdade das metades (cortadas ao meio); descoberta da estrela, no centro da maçã, quando ela é cortada na transversal. 116

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