Levantamento Documental e Análise Histórica e Artística do Acervo Permanente do Museu de Arte Contemporânea de Jataí.
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- Mauro Tuschinski Amarante
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1 Levantamento Documental e Análise Histórica e Artística do Acervo Permanente do Museu de Arte Contemporânea de Jataí. Flávio Ferreira Moraes Orientadora: Cleusa Gomes. Em 1995 houve a fundação do Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Jataí, uma instituição cultural sem fins lucrativos e aberta ao público, valorizando e divulgando a produção artística e cultural da região, e também do país, com exposições, salões de arte, oficinas e também ações pedagógicas. Desde a sua fundação, o MAC de Jataí vem conseguindo formar acervo significativo, contando com aproximadamente 265 obras de artistas da cidade, e também de outras regiões. Dentre as obras, estão presentes as premiadas no Salão Nacional de Arte, iniciado em 2001 com o Salão Regional de Arte, que só conseguiu uma forte expressão a partir de 2005, com o Salão Nacional de Arte. O acervo (ainda não catalogado) representa uma grande contribuição artística e histórica para a cidade de Jataí e seus habitantes. O presente projeto de extensão e cultura procura realizar primeiramente um levantamento histórico e artístico do Acervo Permanente do MAC/Jataí, para que ele em seguida possa ser disponibilizado à comunidade Jataiense, proporcionado aos seus habitantes um forte contato com o acervo, contribuindo numa melhora na educação cultural e também na preservação desse patrimônio histórico junto à comunidade de Jataí. Assim, a importância do trabalho do bolsista pode ser justificada pelo fato de levar à comunidade uma ação educativa e cultural. O projeto Levantamento Documental e Análise Histórica e Artística do Acervo Permanente do Museu de Arte Contemporânea de Jataí tem como objetivo, fazer com que o bolsista possa realizar o levantamento histórico, artístico e iconográfico do acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea de Jataí; documentar e catalogar esse acervo, ajudando assim na conservação do patrimônio cultural da cidade; apreender com o trabalho no acervo do MAC/Jataí, quais são as formas de organização e catalogação de obras artísticas e iconográficas, contribuindo com o processo de desenvolvimento do ofício de historiador; desenvolver os métodos de suporte historiográfico e da história da arte, no trabalho de catalogação; organização de uma curadoria intitulada A conservação
2 das obras do acervo permanente do MAC/Jataí, que será aberta para toda comunidade, além de organizar um catálogo com as obras do acervo trabalhado, que também será disponibilizado à sociedade; auxiliar na organização de ações pedagógicas nas escolas, nas universidades e também nos espaços culturais existentes na cidade, tendo como objetivo, fazendo com que haja uma valorização das obras do MAC como sendo expressão cultural e educacional da cidade de Jataí, e porque não como produtora de memória de seus habitantes. Como já foi dito, o trabalho realizado no MAC de Jataí em relação ao projeto Levantamento Documental e Análise Histórica e Artística do Acervo Permanente do Museu de Arte Contemporânea de Jataí consiste em realizar um levantamento histórico e artístico das obras presentes no acervo, para que depois elas possam ser levadas para a população na forma de uma exposição. O processo de catalogação consistiu em apontar todos os dados referentes à obra, como o tipo de obra (tela, objeto etc.), autor, data de criação, título da obra, a técnica, a tendência, o estado de conservação (geralmente todas as obras estão em bom estado de conservação, sendo que algumas que continham algum problema, foram reparadas ou pelo próprio artista, ou pela artista responsável pelo acervo), o modo de aquisição, a procedência, a descrição da obra, o histórico da obra e algumas observações extras. A grande maioria das obras catalogadas são telas, sendo que muitas delas representam algo da nossa região, como fazendas e animais (Segura Peão I, Carro de Boi), ou uma representação do próprio MAC (Casarão Alfaix), mas há obras que buscam retratar uma vida cotidiana (Brincando na Rua I, e Brincando na Rua II), as infância. Há uma grande presença de fotografias, sendo que a maioria também busca retratar algo presente na região. Um outro detalhe que pode ser claramente percebido é de que as obras feitas ou adquiridas entre 2003 e 2010 (o acervo contém obras de 1995 até 2010) são mais variadas em relação ao estilo, do que as de 1995 à Assim, iniciar a catalogação, não há como deixar de perceber o quão forte foi o amadurecimento dos artistas dentre esses períodos. Dentre as primeiras impressões ao iniciar o trabalho de catalogação é perceber o quão vasto é a produção artística da região, pois a maioria das obras doa cervo são de artistas da cidade de Jataí, sendo poucas vindas de fora. Isso mostra que há um interesse
3 artístico em pelo menos um pouco da população jataiense. Com isso, há de se ter a esperança de que com a montagem da exposição dessas obras do acervo, possamos mostrar para a população, um pouco mais do que os artistas da região produziram durante um período. Podemos perceber assim que, o trabalho em um museu não é apenas ir ao local, e trabalhar com as obras como se elas fossem apenas objetos sem importância. Há diversas questões que devem ser levadas em consideração ao realizar esse tipo de trabalho. Uma delas, como já foi dito, é a da preservação das obras de arte enquanto instrumento de memória, e outra é a ideia de preservação em relação aos danos que podem acontecer com as obras. Uma outra questão de destaque é a presença dos visitantes dentro do museu. Segundo Daniella Rebouças Silva, ao tratar da preservação das obras de arte enquanto instrumento de memória, é colocado que para entendermos o papel dos museus hoje, devemos conhecer os percursos históricos ocorridos com eles. Assim ela começa comentando o modelo de museu que surgiu na Antiguidade Clássica, que procurava concentrar todo o conhecimento humano, até chegar aos museus atuais, que em sua visão, possui bases positivistas, já que são espaços especializados. Um detalhe que merece grande destaque é o fato de que há transformações sociais, isso é inegável, e que elas influenciam na formação de um museu. Silva também coloca que o museu é um espaço institucional que se preocupa com a produção cultural de uma determinada sociedade. Isso o leva a ter de potencializar seu acervo, já que ele deve abarcar as diversas identidades culturais. Quando falamos em reconhecimento de identidades, não podemos nos esquecer que a memória é um elemento fundamental neste processo uma vez que, só podemos (re)conhecer algo que fez parte do nosso passado ou que tivemos contacto anteriormente. O passado entendido sob esta óptica não procura ser (re)construído; mas (re)interpretado criticamente, cujo objectivo é a compreensão do momento presente e a elaboração de um futuro vindouro; (...).(SILVA, 1999, p. 53). Pelo fato de estarmos falando sobre acervos e museus, devemos citar Maria Cecília de Paula Drumond, que coloca que em um trabalho relacionado aos museus deve-se pensar em preservação, ou seja, procurar perceber os riscos que as diversas obras podem sofrer no decorrer de diversas situações, além disso, quem trabalha com o acervo deve possuir um cuidado especial com as obras, conservando-as.
4 A conservação preventiva enfoca todas as medidas que devem ser tomadas para se aumentar a vida útil do objeto ou retardar seu envelhecimento. Para isto, deve-se, em primeiro lugar, conhecer a estrutura física da peça, ou seja, a matéria e a técnica empregadas na sua confecção, as quais conjuntamente, irão definir procedimentos básicos de conservação. (DRUMOND, p. 2). Sobre a presença dos visitantes no museu, é importante mencionar o texto da museóloga Adriana Mortara Almeida, que nos fala que o visitante vai montar sua própria exposição de acordo com os seus sentimentos, com o que busca ver. Assim, ao montar uma exposição, é necessário que os conhecimentos prévios do público seja levados em conta. Uma outra questão mencionada pela autora, é de que, dependendo da região, os visitantes preferem ver obras que remetem ao mundo deles, ou seja, eles buscam ver algo que esteja relacionado com suas vidas. Conforme o que foi dito, a experiência de trabalho com as obras do acervo do MAC Jataí, não é algo que pode ser considerado como simples, já que diversas outras questões estão presentes. Isso contribui fortemente no processo de desenvolvimento do ofício de historiador, já que esses obras foram criadas em uma determinada época, e que buscam transmitir algo a quem vê, podendo também criticar algum acontecimento, e esse fato deve ser observado e trabalhando, sendo de grande importância. BIBLIOGRAFIA ALMEIDA, Adriana Mortara. O contexto do visitante na experiência museal: semelhanças e diferenças entre museus de ciência e arte. Acesso 03/09/2010. Cadernos de Sociomuseologia - Centro de Estudos de Sociomuseologia: Museu e Políticas de Memória. Acesso 01/09/2010.
5 Cadernos de Sociomuseologia - Centro de Estudos de Sociomuseologia: Museologia: Teoria e Prática. Acesso 01/09/2010. DRUMOND, Maria Cecília de Paula. Prevenção e conservação em museus. Acesso 01/09/2010.
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