ISSN cadernos metrópole. trabalho e moradia

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1 ISSN cadernos metrópole trabalho e moradia Cadernos Metrópole v. 12, n. 23, pp jan/jun 2010

2 Catalogação na Fonte Biblioteca Reitora Nadir Gouvêa Kfouri / PUC-SP Cadernos Metrópole / Observatório das Metrópoles n. 1 (1999) São Paulo: EDUC, 1999, Semestral ISSN A partir do segundo semestre de 2009, a revista passará a ter volume e iniciará com v. 11, n Regiões Metropolitanas Aspectos sociais Periódicos. 2. Sociologia urbana Periódicos. I. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais. Observatório das Metrópoles. II. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional. Observatório das Metrópoles Periódico indexado na Library of Congress Washington CDD Cadernos Metrópole Profa. Dra. Lucia Bógus Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais - Observatório das Metrópoles Rua Ministro de Godói, andar sala 4E20 Perdizes São Paulo SP Brasil Prof. Dr. Luiz César de Queiroz Ribeiro Universidade Federal do Rio de Janeiro Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional - Observatório das Metrópoles Av. Pedro Calmon, 550 sala 537 Ilha do Fundão Rio de Janeiro RJ Brasil Caixa Postal CEP São Paulo SP Brasil Telefax: (55-11) Secretária Raquel Cerqueira

3 trabalho e moradia

4 PUC-SP Reitor Dirceu de Mello EDUC Editora da PUC-SP Direção Miguel Wady Chaia Conselho Editorial Ana Maria Rapassi, Cibele Isaac Saad Rodrigues, Dino Preti, Dirceu de Mello (Presidente), Marcelo Figueiredo, Maria do Carmo Guedes, Maria Eliza Mazzilli Pereira, Maura Pardini Bicudo Véras, Onésimo de Oliveira Cardoso, Thiago Lopes Matsushita Coordenação Editorial Sonia Montone Revisão de português Sonia Rangel Revisão de inglês Carolina Siqueira M. Ventura Projeto gráfico, editoração e capa Raquel Cerqueira Rua Monte Alegre, 971, sala 38CA São Paulo - SP - Brasil Tel/Fax: (55) (11)

5 cadernos metrópole EDITORES Lucia Bógus (PUC-SP) Luiz César de Q. Ribeiro (UFRJ) CONSELHO EDITORIAL Adauto Lucio Cardoso (UFRJ, Rio de Janeiro, Brasil) Aldo Paviani (UnB, Brasília, Brasil) Alfonso Xavier Iracheta (El Colegio Mexiquense, México) Ana Clara Torres Ribeiro (UFRJ, Rio de Janeiro, Brasil) Ana Fani Alessandri Carlos (USP, São Paulo, Brasil) Ana Lucia Nogueira de P. Britto (UFRJ, Rio de Janeiro, Brasil) Ana Maria Fernandes (UFBa, Bahia, Brasil) Andrea Catenazzi (UNGS, Los Polvorines, Argentina) Anna Alabart Villà (UB, Barcelona, Espanha) Arlete Moyses Rodrigues (Unicamp, São Paulo, Brasil) Brasilmar Ferreira Nunes (UFF, Rio de Janeiro, Brasil) Carlos Antonio de Mattos (PUC, Santiago, Chile) Carlos José Cândido G. Fortuna (UC, Coimbra, Portugal) Cristina López Villanueva (UB, Barcelona, Espanha) Edna Maria Ramos de Castro (UFPA, Pará, Brasil) Eleanor Gomes da Silva Palhano (UFPA, Pará, Brasil) Erminia Teresinha M. Maricato (USP, São Paulo, Brasil) Félix Ramon Ruiz Sánchez (PUC, São Paulo, Brasil) Fernando Nunes da Silva (UTL, Lisboa, Portugal) Geraldo Magela Costa (UFMG, Minas Gerais, Brasil) Gilda Collet Bruna (UPM, São Paulo, Brasil) Gustavo de Oliveira Coelho de Souza (PUC, São Paulo, Brasil) Heliana Comin Vargas (USP, São Paulo, Brasil) Heloísa Soares de Moura Costa (UFMG, Minas Gerais, Brasil) Jesús Leal (UCM, Madrid, Espanha) José Antônio F. Alonso (FEE, Rio Grande do Sul, Brasil) José Machado Pais (UL, Lisboa, Portugal) José Marcos Pinto da Cunha (Unicamp, São Paulo, Brasil) José Maria Carvalho Ferreira (UTL, Lisboa, Portugal) José Tavares Correia Lira (USP, São Paulo, Brasil) Leila Christina Duarte Dias (UFSC, Santa Catarina, Brasil) Luciana Corrêa do Lago (UFRJ, Rio de Janeiro, Brasil) Luís Antonio Machado da Silva (Iuperj, Rio de Janeiro, Brasil) Luis Renato Bezerra Pequeno (UFC, Ceará, Brasil) Marco Aurélio A. de F. Gomes (UFBa, Bahia, Brasil) Maria Cristina da Silva Leme (USP, São Paulo, Brasil) Maria do Livramento M. Clementino (UFRN, Rio Grande do Norte, Brasil) Marília Steinberger (UnB, Brasília, Brasil) Nadia Somekh (UPM, São Paulo, Brasil) Nelson Baltrusis (UCSAL, Bahia, Brasil) Orlando Alves dos Santos Júnior (UFRJ, Rio de Janeiro, Brasil) Ralfo Edmundo da Silva Matos (UFMG, Minas Gerais, Brasil) Raquel Rolnik (USP, São Paulo, Brasil) Ricardo Toledo Silva (USP, São Paulo, Brasil) Roberto Luís de Melo Monte-Mór (UFMG, Minas Gerais, Brasil) Rosa Maria Moura da Silva (Ipardes, Paraná, Brasil) Rosana Baeninger (Unicamp, São Paulo, Brasil) Sarah Feldman (USP, São Paulo, Brasil) Sérgio de Azevedo (UENF, Rio de Janeiro, Brasil) Suzana Pasternak (USP, São Paulo, Brasil) Tamara Benakouche (UFSC, Santa Catarina, Brasil) Vera Lucia Michalany Chaia (PUC, São Paulo, Brasil) Wrana Maria Panizzi (UFRGS, Rio Grande do Sul, Brasil)

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7 sumário 9 Apresentação dossiê trabalho e moradia Residen al segrega on and employment in large Brazilian urban spaces 15 Segregação residencial e emprego nos grandes espaços urbanos brasileiros Luiz César de Queiroz Ribeiro Juciano Mar ns Rodrigues Filipe Souza Corrêa Popula on s commu ng: evidence of the lack of connec on between housing and labour 43 Movimento pendular da população no Paraná: uma evidência da desconexão moradia/trabalho Rosa Moura From class hierarchy to the social organiza on of the intra-urban space: a comparison among the major Brazilian metropolises 65 Da hierarquia de classes à organização social do espaço intraurbano: um olhar compara vo sobre as grandes metrópoles brasileiras Luciana Corrêa do Lago Rose a Mammarella Socio-territorial organiza on and residen al mobility in the Metropolitan Region of Rio de Janeiro 85 Organização socioterritorial e mobilidade residencial na Região Metropolitana do Rio de Janeiro Érica Tavares da Silva The func onal center of Campo Grande at the beginning of the 21st century: renewed or peripheral centrality? 105 Centro funcional de Campo Grande no início do século XXI: centralidade renovada ou periférica? Cris na Lontra Nacif Gisele Teixeira Antunes Cad. Metrop., São Paulo, v. 12, n. 23, pp , jan/jun

8 Antagonism between employment and housing in Brazil s Federal District 125 O antagonismo entre emprego e moradia no Distrito Federal Beatriz Teixeira de Souza Rômulo José da Costa Ribeiro Residen al segrega on and reproduc on of social and spa al inequali es in the Brasília urban conglomerate 145 Segregação residencial e reprodução das desigualdades socioespaciais no aglomerado urbano de Brasília George Alex da Guia Lúcia Cony Faria Cidade Exploring the consequences of metropolitan 169 Explorando as consequências da segregação segrega on in two socio-spa al contexts metropolitana em dois contextos socioespaciais Luciana Teixeira de Andrade Jupira Gomes de Mendonça Anthropology in the analysis of urban peripheral situa ons 189 Antropologia na análise de situações periféricas urbanas Maria Gabriela Hita John E. Gledhill Urbanism, demography and the ways of living in the metropolis: a case study in the Metropolitan Region of Campinas 211 Urbanismo, demografia e as formas de morar na metrópole: um estudo de caso da Região Metropolitana de Campinas Izabella Maria Zanaga de Camargo Neves José Marcos Pinto da Cunha Two decades of urban occupa ons in Curi ba. What are the housing op ons for poor workers? 239 Duas décadas de ocupações urbanas em Curi ba. Quais são as opções de moradia para os trabalhadores pobres, afinal? Celene Tonella Beyond the prison-building: peripheries as borderless concentra on camps 263 Para além da prisão-prédio: as periferias como campos de concentração a céu aberto Acácio Augusto The democra c management of the metropolis in the periphery of capitalism: paradoxes and transforma on perspec ves 277 Gestão democrá ca da metrópole na periferia do capitalismo: paradoxos e perspec vas de transformação Paulo Romano Reschilian 8 Cad. Metrop., São Paulo, v. 12, n. 23, pp , jan/jun 2010

9 Apresentação Um dos fenômenos marcantes observados nos aglomerados urbanos e nas metrópoles contemporâneas é a mobilidade diária da população residente, provocada pela dissociação entre local de moradia e local de trabalho. Na maioria dos casos, as grandes proporções desses movimentos se originam em municípios com baixa capacidade interna de absorção de mão-deobra ou com serviços educacionais que não atendem às necessidades da população. Tal fenômeno se deve, também, à concentração das oportunidades de trabalho e educacionais nos municípios de maior porte, em geral polos das aglomerações ou das áreas metropolitanas que exercem funções de centralidade em relação ao entorno e direcionam a sua dinâmica. Tais movimentos, que ocorrem principalmente em função do trabalho e da busca pelas condições de educação, não são realizados apenas pelos segmentos populacionais de baixa renda, mas atingem vários setores da população ocupada. A maior concentração dos fluxos registra-se naqueles municípios que exercem a função de dormitórios, concentrando segmentos de baixa ou alta renda, onerando o sistema público de transporte e demandando serviços de vários tipos em razão dos deslocamentos. Outras questões emergem quando se propõe o debate sobre a conexão/desconexão entre moradia e trabalho nas metrópoles contemporâneas. No caso das metrópoles brasileiras, imediatamente vêm à tona os problemas gerados ao longo das últimas quatro décadas pela formação e expansão de periferias pobres, pela distribuição inadequada de serviços públicos e bens de consumo coletivo, produzindo os processos conhecidos como segregação socioespacial. Esse modelo de estruturação metropolitana está, por sua vez, vinculado a formas de gestão do Estado que se articulam a interesses de alguns setores da economia e geram impactos no âmbito dos investimentos públicos e na dinâmica econômico-social urbana. Diante desse quadro, cabe indagar em que medida essas tendências apontam para a consolidação de metrópoles segmentadas, com base na divisão entre municípios ricos e municípios pobres, com a distribuição desigual de oportunidades de trabalho, estudo e geração de renda, onde a desconexão trabalho-moradia se instala como modelo. Cad. Metrop., São Paulo, v. 12, n. 23, pp. 9-13, jan/jun

10 Apresentação Os textos reunidos neste número dos Cadernos Metrópole debatem essas e outras importantes questões que compõem o quadro dos desafios que se apresentam aos estudiosos da questão urbana e aos formuladores de políticas públicas. Partindo da hipótese de que os processos de segmentação territorial e segregação residencial em curso nas metrópoles brasileiras têm grande importância na compreensão dos mecanismos de reprodução das desigualdades sociais e da exclusão, Luiz César de Queiroz Ribeiro, Juciano Martins Rodrigues e Filipe Souza Corrêa discutem os possíveis efeitos da segregação residencial sobre as oportunidades geradas pelo mercado de trabalho, em 17 regiões metropolitanas, a partir da transformação estrutural à qual foram submetidos os espaços urbanizados nas últimas décadas. Com base em evidências empíricas, o texto procura demonstrar os efeitos da composição social dos bairros sobre as oportunidades de emprego dos adultos, apontando para a existência de maiores riscos e maior vulnerabilidade social nas áreas de concentração de pobreza. Os resultados encontrados contribuem para a discussão da segregação residencial como uma variável importante para a compreensão dos mecanismos que produzem e reproduzem a desigualdade em diferentes metrópoles no Brasil. No trabalho de Rosa Moura, a desconexão moradia/trabalho também é observada a partir dos movimentos pendulares da população brasileira para trabalho e/ou estudo, com foco especial no caso do estado do Paraná. Para Moura, o perfil da população que se desloca retrata as relações espaciais entre o mercado de trabalho e a moradia na organização interna das metrópoles, evidenciando as diferenças quanto à acessibilidade às funções metropolitanas, expressão, por seu lado, das formas de segregação socioespacial. O trabalho assinala que esses movimentos têm se ampliado, considerando o número de pessoas envolvidas e as distâncias percorridas, o que demanda sua compreensão analítica e a formulação de políticas públicas compatíveis às dinâmicas territoriais urbanas. Conforme a autora, as consequências dessa desconexão afetam diferencialmente os segmentos da população, dificultando a acessibilidade dos pobres ao trabalho, à renda e aos bens de consumo coletivos, acirrando a desigualdade nos espaços urbanos/ metropolitanos. No âmbito desse debate, o artigo de Luciana Corrêa do Lago e Rosetta Mammarella busca traçar as grandes tendências na organização social do território metropolitano brasileiro, orientando-se por um conjunto de pressupostos e questões construídos ao longo da trajetória de quinze anos de pesquisa do Observatório das Metrópoles. Partindo do suposto de que o grau de diversidade ou homogeneidade social de um bairro exerce forte infl uência sobre as ações dos indivíduos ali residentes, examinam as alterações no padrão intrametropolitano de localização das classes sociais em quatro metrópoles brasileiras São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre com base nas categorias sócio-ocupacionais construídas a partir dos dados censitários de 1991 e Focalizando mais especificamente a região metropolitana do Rio de Janeiro, o estudo de Érica Tavares da Silva investiga as tendências dos movimentos populacionais articulando-as às grandes transformações na organização social do território. A análise utiliza uma classifi cação 10 Cad. Metrop., São Paulo, v. 12, n. 23, pp. 9-13, jan/jun 2010

11 Apresentação tipológica da evolução socioespacial segundo a hierarquia ocupacional e investiga quais áreas da tipologia têm se caracterizado por maior imigração e sob quais modalidades de fluxos: núcleoperiferia; periferia-núcleo; periferia-periferia; intraestadual; interestadual. Os resultados apontam para diferenças na mobilidade espacial intrametropolitana conforme as modificações observadas nos tipos socioespaciais, ao longo do período estudado. Apontam, também, para a conexão entre segregação socioespacial e segmentação da mobilidade. Restringindo o foco da análise para a zona oeste da metrópole do Rio de Janeiro, o texto de Cristina Lontra Nacif e Gisele Teixeira Antunes discute alguns aspectos da reconfiguração socioespacial daquela área da periferia, com destaque para Campo Grande, centro funcional de reconhecida importância regional. Partindo da constatação de que o bairro está sendo impactado por grandes obras de infraestrutura, além de vários lançamentos do mercado imobiliário e da implantação de novas indústrias, as autoras indagam se tais investimentos produzirão a reafirmação da centralidade de Campo Grande, realizando a expectativa de desenvolvimento socioeconômico na região. Mais do que isso, questionam a possibilidade de alteração ou de continuidade do clássico modelo centro-periferia de expansão metropolitana, a partir do caso analisado. Em que pesem as diferenças e especificidades em termos de sua estruturação territorial, a região metropolitana de Brasília não foge ao modelo característico das demais metrópoles brasileiras, com padrões similares de segregação residencial, processos intensos de mobilidade pendular e políticas de gestão territorial incapazes de equacionar as demandas sociais crescentes, presentes na relação centro-periferia. Os dois textos sobre Brasília, publicados neste número, possuem caráter complementar e analisam 1) a presença de fatores claramente antagônicos entre a moradia e o emprego, agravados pela concentração dos empregos públicos, da esfera federal, na área central do Distrito Federal (Beatriz Teixeira de Souza e Rômulo José da Costa Ribeiro). Essa área, tombada como patrimônio, não pode receber novas moradias, residindo muitos dos que ali trabalham em áreas periféricas do entorno, distantes dos empregos; 2) em que medida fatores como a influência da ação do Estado na alocação de postos de trabalho e moradia foram importantes para a conformação de um gradiente social de rendas descendentes do centro para a periferia, com elevados níveis de segregação residencial e segmentação territorial, conforme colocação de George Alex da Guia e Lucia Cony Faria Cidade. Desses dois trabalhos, depreende-se a presença, no aglomerado metropolitano de Brasília, de um contínuo processo de periferização dos pobres em direção ao entorno e do fortalecimento da autossegregação de parte dos setores médios, intelectuais e dirigentes nas áreas centrais do Distrito Federal. Depreendem-se, também, o caráter excludente da política habitacional e o descompasso gerado pelo processo de dispersão urbana, com a geração de elevados custos sociais. A análise das consequências de dois processos distintos de segregação na região metropolitana de Belo Horizonte, apresentada no texto de Luciana Teixeira de Andrade e Jupira Gomes de Mendonça, recoloca a questão de como a homogeneidade ou a heterogeneidade social produzem impactos nas oportunidades no mercado de trabalho ou apresentam estruturas de oportunidades diferenciadas. Os contextos analisados são o eixo norte de Belo Horizonte, onde Cad. Metrop., São Paulo, v. 12, n. 23, pp. 9-13, jan/jun

12 Apresentação se localizaram, a partir dos anos 1970, os municípios dormitório pobres, com características de forte homogeneidade, e o eixo sul, onde se observou, a partir dos anos 1990, a autossegregação de grupos de alta renda, em condomínios residenciais fechados. Tal região atraiu, posteriormente, segmentos de baixa renda em busca de empregos pouco qualifi cados, constituindo-se em área marcada pela heterogeneidade social. Apesar de analisarem fenômeno presente na maioria das cidades brasileiras, as autoras apontam para especificidades atribuídas à história dessas áreas e concluem pelos efeitos positivos da maior mistura social sobre a estrutura de oportunidades e menor estigmatização dos residentes, ao contrário de áreas da periferia que se homogeneízam pela pobreza, criminalidade e violência. A proposta de uma análise antropológica que permita estabelecer a diferenciação entre áreas pobres na cidade de Salvador ressalta a importância das redes sociais na conformação de atores sociais coletivos e na emergência de novos tipos de atores políticos e comunitários. Conforme propõem os autores Maria Gabriela Hita e John E. Gledhill, uma análise etnográfica de como as pessoas vivem pode oferecer uma melhor compreensão das diferentes situações urbanas periféricas, bem como subsidiar a reformulação de políticas públicas voltadas a essas áreas. Completando o debate do tema do dossiê e situando-se na linha de estudos denominada heterogeneidade da pobreza urbana, o trabalho de Izabella Maria Zanaga de Camargo Neves e José Marcos Pinto da Cunha discute um dos aspectos centrais de tal heterogeneidade que diz respeito às distintas formas de morar numa metrópole, a partir da ótica dos estudos demográficos. Partem do pressuposto de que a composição e produção do espaço urbano e toda sua heterogeneidade e desigualdade, em particular os assentamentos populares, são também, em parte, refl exo das características sociodemográficas da população residente. O texto tem como objetivo analisar a relação entre as diferentes etapas do ciclo vital familiar/do curso de vida individual e a condição migratória com as alternativas existentes para obtenção da moradia em áreas metropolitanas, a partir de estudo realizado na Região Metropolitana de Campinas. Segundo afirmam os autores, não apenas o movimento migratório mas também o tempo de residência podem se traduzir em ativos para algumas famílias no sentido de melhorar suas condições habitacionais. O aprofundamento destas relações bem como a identificação dos mecanismos a partir dos quais as características demográficas atuam sobre a dinâmica habitacional são aspectos importantes para a compreensão dos processos de segregação socioespacial. Complementarmente a esse debate, o texto de Celene Tonella considera o modelo de ocupação das periferias urbanas e metropolitanas como parte de uma dinâmica excludente e segregadora, que produz e reproduz as favelas e as chamadas habitações subnormais, abrigando aqueles que nem sequer tiveram acesso ao terreno periférico e/ou à casa própria. Essa dinâmica estabelece uma relação direta entre o local de moradia e o tipo de habitação com a forma de integração das pessoas no mercado de trabalho. A partir de um balanço da bibliografia recente sobre o tema, aponta algumas situações diferenciadas, porém recorrentes, em áreas metropolitanas. Seu artigo tem por objetivo revisitar a história de luta dos trabalhadores 12 Cad. Metrop., São Paulo, v. 12, n. 23, pp. 9-13, jan/jun 2010

13 Apresentação pobres por um lugar para morar na cidade de Curitiba, Paraná, marcada de modo crescente pelas ocupações irregulares de terrenos para moradia e por um número crescente de famílias residindo em áreas de risco social e ambiental. Numa outra vertente do debate sobre as periferias pobres e a questão social metropolitana, o texto de Acácio Augusto analisa de forma contundente as consequências dos investimentos em políticas assistenciais que visam solucionar o chamado problema da violência urbana. Tais políticas indicam uma via da confi guração das periferias das grandes cidades ou das chamadas cidades globais como campos de concentração a céu aberto. A partir da apresentação de um projeto de aplicação de medidas socioeducativas em meio aberto para os chamados adolescentes infratores, o autor analisa os impactos dessas medidas em áreas consideradas de risco e/ ou habitadas por jovens classifi cados como em situação de vulnerabilidade social. O conceito sociológico de gueto, colocado por Wacquant, é problematizado a partir da noção de campo de concentração a céu aberto proposta por Edson Passetti e da análise genealógica de Michel Foucault. A contribuição final às análises apresentadas neste número é feita por Paulo Romano Reschilian, que discute o contexto socioespacial das metrópoles brasileiras como campo de análise, tendo em vista a criação de mecanismos de gestão e de instrumentos urbanísticos, na perspectiva do planejamento urbano contemporâneo. Aborda, para tanto, a dinâmica urbana e a espacialização da pobreza como indicativos de uma ordem territorial na qual a existência de assentamentos precários tem marcado o processo de construção social da paisagem urbana. Nas análises propostas, o autor remete à necessidade de identificar os elementos para a formulação de uma abordagem multidimensional que possibilite a apreensão dos aspectos componentes da urbanização desigual, bem como os limites à ação cidadã e à atuação do Estado. A relevância das discussões trazidas pelos textos aqui reunidos, a riqueza dos dados e a relevância das questões apresentadas oferecerão ao leitor um amplo leque de possibilidades de reflexão e deverão inspirar novos estudos e pesquisas sobre os temas tratados em sua diversidade e grande complexidade. Lucia Bógus Luiz César de Q. Ribeiro Editores científicos Cad. Metrop., São Paulo, v. 12, n. 23, pp. 9-13, jan/jun

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15 Segregação residencial e emprego nos grandes espaços urbanos brasileiros Residential segregation and employment in large Brazilian urban spaces Luiz César de Queiroz Ribeiro Juciano Martins Rodrigues Filipe Souza Corrêa Resumo Nosso sistema urbano conta hoje com 37 grandes aglomerados, onde reside 45% da população (76 milhões de pessoas); e, apesar de seus desequilíbrios, constituem importante ativo para o desenvolvimento nacional. Ao mesmo tempo, a urbanização e o crescimento econômico brasileiro na segunda metade do século XX, além da robustez do sistema urbano, não foram capazes de garantir melhores condições sociais, sobretudo nos grandes espaços urbanos. Partindo da hipótese de que os processos socioespaciais em curso nas metrópoles brasileiras têm enorme importância na compreensão dos mecanismos de exclusão e integração, através dos seus efeitos sobre a estruturação social dos mecanismos de produção/reprodução de desigualdades, procuramos, neste trabalho, entender de que maneira a divisão social do espaço urbano está relacionada às condições de acesso à estrutura de oportunidades no mercado de trabalho. O exercício cujos resultados aqui apresentamos permite uma refl exão teórico-metodológica sobre as hipóteses enunciadas, considerando a grandeza e relevância estatística dos resultados obtidos. Palavras-chave: metrópoles; crise social; segregação residencial; mercado de trabalho. Abstract The Brazilian urban system currently has 37 large agglomerations, where 45% of the population live (76 million people); despite their imbalances, they are an important asset for national development. At the same time, the urbanization and economic growth that took place in Brazil in the second half of the 20th century, as well as the robustness of the country s urban system, have not been able to secure better social conditions, especially in large urban areas. Based on the hypothesis that the socio-spatial processes in Brazilian cities are important for the understanding of the exclusion and integration mechanisms, through their effects on the social structuring of the mechanisms of production/reproduction of inequalities, our purpose, in this study, is to fi nd out how the social division of the urban space is related to the conditions of access to the structure of opportunities in the labor market. With the results presented here, we are able to carry out a theoretical and methodological refl ection on the study s hypotheses, considering the magnitude and statistical significance of the obtained results. Keywords: metropolises; social crisis; residential segregation, labor market. Cad. Metrop., São Paulo, v. 12, n. 23, pp , jan/jun 2010

16 Luiz César de Queiroz Ribeiro, Juciano Martins Rodrigues e Filipe Souza Corrêa Introdução Partindo da hipótese de que os processos de segmentação territorial e segregação residencial em curso nas metrópoles brasileiras têm enorme importância na compreensão dos mecanismos de reprodução das desigualdades sociais e, consequentemente, na exclusão e integração, procuramos, neste trabalho gerar evidências empíricas sobre os possíveis efeitos da segregação residencial sobre as oportunidades geradas pelo mercado de trabalho. Em outras palavras, buscamos explorar os efeitos da concentração espacial de pessoas com desvantagens de condições de habilitação exigidas para acessar a estrutura de oportunidades distribuídas pelo mercado de trabalho. Não pretendemos que os resultados aqui apresentados sejam a demonstração da relação causal direta entre os contextos sociais conformados por esses processos de aglomeração residencial. Apesar da utilização de procedimentos e técnicas de análise adequadas a contornar os erros conhecidos da falácia ecológica, estamos conscientes que a natureza seccional do dados limitam a apreensão dos resultados como comprovação de tal causalidade. Com efeito, apenas a utilização de dados longitudinais permitiria controlar adequadamente a relação entre as características das pessoas e dos seus lugares de residência e com desfechos individuais que se realizam no mercado de trabalho. Afinal, é em razão de as pessoas terem certas posições no mercado de trabalho que elas moram com pessoas que compartilham características semelhantes dotando tais lugares de contextos sociais específicos ou o seu contrário? Além disso, outras limitações decorrem da natureza mesma dos dados. Utilizando informações censitárias aqui as provenientes do Censo 2000 do IBGE, estamos limitados a, por um lado, apreender situações que julgamos estruturais e, por outro, caracterizar realidades coletivas que produzem efeitos sobre os indivíduos. Por exemplo, será o desemprego um dos indicadores aqui utilizados uma situação conjuntural ou estrutural dos indivíduos, dúvida decorrente da natureza pontual no tempo do levantamento. A mesma questão pode ser levantada para os outros indicadores de desfecho no mercado de trabalho que aqui utilizamos. As segundas limitações provêm do fato de as informações serem levantadas sobre os indivíduos e não sobre as realidades coletivas que buscamos caracterizar. Por exemplo, as características do espaço coletivo denominado estatisticamente como dos Domicílios no qual os indivíduos desenvolvem sua vida, portanto adquirem certas características são apreendidas por indicadores construídos no nível do indivíduo. Por último, vale a pena mencionar a necessária precaução no entendimento da relação causal aqui explorada em função da existência da pluralidade de concepções teórico-metodológicas nas ciências sociais sobre a própria noção de causalidade. Essa questão é complexa o suficiente para limitar o seu tratamento no marco deste trabalho. Ela toca a pluralidade de modelos pelos quais as ciências sociais pretendem por meio de suas várias vertentes teóricas explicar a relação de determinação entre o indivíduo e a sociedade, do mais puro atomismo, passando pelo individualismo metodológico até as diversas variações do estruturalismo. Adotamos aqui a atitude metodológica weberiana, segundo a qual a covariação 16 Cad. Metrop., São Paulo, v. 12, n. 23, pp , jan/jun 2010

17 Segregação residencial e emprego nos grandes espaços urbanos brasileiros de duas ou mais variáveis não é suficiente para estabelecer uma relação de causalidade, mas é necessária para imputar uma causalidade cuja descrição e compreensão deve prosseguir no desdobramento de um trabalho, seja no plano empírico seja no teórico. Na primeira parte, apresentamos o contexto de transformação estrutural ao qual foram submetidas as metrópoles brasileiras nas últimas décadas. Na segunda, apresentamos os principais elementos da metodologia aplicada, com ênfase nos dados utilizados, no tratamento das variáveis e no modo de medir a segregação residencial. Na terceira e última parte, apresentamos os resultados do estudo, fruto das análises empreendidas que evidenciam os efeitos da segregação residencial sobre o desemprego, a fragilidade ocupacional e o nível de rendimento nas metrópoles. Crise social e mercado de trabalho nas metrópoles brasileiras Nosso sistema urbano conta hoje com 37 grandes aglomerados onde reside 45% da população (76 milhões de pessoas) e, apesar de seus desequilíbrios constitui importante ativo para o desenvolvimento nacional. Entre os 37 grandes aglomerados urbanos, temos 15 1 metrópoles, ou seja, grandes espaços urbanos que apresentam características das funções de coordenação, comando e direção próprias das grandes cidades na economia em rede (Veltz, 1996). Ao mesmo tempo, concentra elevada parcela da população, exerce alta capacidade de centralidade, além de possuir características que lhes permitem atingir um grau maior de inserção na economia de serviços produtivos e poder de direção, medido pela localização das sedes das 500 maiores empresas do país, pelo volume total das operações bancárias/financeiras e pela massa de rendimento mensal. 2 Neste estudo, além das 15 metrópoles já mencionadas, incluiremos na análise outros dois aglomerados: a região metropolitana de Natal-RN (Lei Complementar Estadual nº 152, de 16 de janeiro de 1997) e a região metropolitana de Maringá-PR (Lei Complementar Estadual nº 83, de 17 de julho de 1998), que fazem parte da Rede Observatório das Metrópoles. A localização dessas 17 metrópoles e a categoria de tamanho populacional à qual elas pertencem estão representadas no Mapa 1. Vale salientar, que esses espaços considerados metropolitanos têm redobrada importância no cenário social e econômico nacional, principalmente no que tange à concentração das forças produtivas nacionais. Eles concentram 62% da capacidade tecnológica do país, medida pelo número de patentes, artigos científicos, população com mais de 12 anos de estudo e valor bruto da transformação industrial (VTI) das empresas que inovam em produtos e processos produtivos. Ainda nessas 15 metrópoles está ainda concentrado 55% do valor de transformação industrial das empresas exportadoras. A urbanização e o crescimento econômico brasileiro na segunda metade do século XX e a robustez do sistema urbano não foram capazes de garantir melhores condições sociais, sobretudo nas grandes cidades. A criação de novos empregos em todos os setores da economia não se generalizou e a abundância de mão-de-obra disponível permitiu Cad. Metrop., São Paulo, v. 12, n. 23, pp , jan/jun

18 Luiz César de Queiroz Ribeiro, Juciano Martins Rodrigues e Filipe Souza Corrêa Mapa 1 Fonte: IBGE, 2007 Elaboração: Observatório das Metrópoles, 2008, por Arthur Molina a compreensão das remunerações, além de forjar uma estrutura ocupacional em que se viu cada vez mais a presença das relações de trabalho precárias em setores como o pequeno comércio, os serviços pessoais ou o trabalho doméstico (Carvalho, 2006). Ao mesmo tempo, a crise social transformou a geografia da pobreza urbana e da vulnerabilidade social, com impactos profundos na dinâmica da agregação societária do território popular e nas relações reais ou simbólicas que estabelece com o restante da cidade (Ribeiro e Santos Junior, 2007). Podemos afirmar que esses desequilíbrios também se reproduzem no interior dessas grandes cidades em forma de desigualdade intraurbana, visto que além da rapidez do processo de urbanização, os interesses do capital imobiliário e a fraca capacidade de regulação e distribuição do Estado contribuíram para conformação de cidades extremamente desiguais e injustas (Carvalho, 2006). Sendo assim, em algumas cidades, as qualidades urbanísticas se acumulam em setores restritos, locais de moradia, negócios e 18 Cad. Metrop., São Paulo, v. 12, n. 23, pp , jan/jun 2010

19 Segregação residencial e emprego nos grandes espaços urbanos brasileiros consumo de uma minoria da população moradora, enquanto que para a grande maioria restam as terras que a legislação urbanística ou ambiental veta para a construção, ou espaços precários das periferias (Rolnik, 2008). Na década de 80, após um período de elevado crescimento econômico, a tendência de melhora nas condições sociais, conquistadas principalmente por melhorias na qualidade do emprego, se inverte. Neste sentido, [...] com o agravamento da crise econômica, da crise fiscal do Estado e uma intensa aceleração do processo inflacionário, os caminhos do país foram reorientados, com a implantação de um conjunto de políticas convergentes, recomendadas pelas agências multilaterais. (Carvalho, 2006, p. 9) Tais efeitos provocaram profundas mudanças no mercado de trabalho brasileiro e, principalmente, em suas principais áreas urbanas. Nesse período, o chamado ajustamento do emprego (mercado de trabalho) ocorreu por dois mecanismos principais: 1) o aumento de ocupações de baixa qualidade e alta produtividade; e, 2) uma queda da renda real dos segmentos ocupacionais médios e inferiores. Ao mesmo tempo, aconteceu um aumento do número de trabalhadores por conta própria (Cacciamali, 1993). Sentindo mais diretamente os efeitos da globalização e da reestruturação produtiva, o mercado de trabalho brasileiro caracterizouse, na década de 1990, pelo crescente aumento da informalidade, principalmente nas grandes metrópoles. Após a implantação do plano real, verificou-se um maior volume de desemprego aberto, com queda no emprego industrial e um crescimento do setor terciário em atividades com baixas produtividades (Cacciamali, 2004). Nesse sentido, o aumento da informalidade é o principal ajuste verificado no mercado de trabalho brasileiro, como resultado das mudanças ocorridas na economia nesta década (Ramos, 2002). Nas regiões metropolitanas, onde é realizada a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE (PME) São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador a informalidade passou de 40% para 47% entre 1991 e 1996 e, até 2001, com pequenas variações no ritmo de crescimento, esse índice chegou a 50% da população ocupada (ibid.). Para Ramos (ibid.), a principal explicação para o comportamento da informalidade nesse período é de natureza estrutural, em função das mudanças ocorridas em dois setores fundamentais da estrutura econômica: a indústria da transformação e o setor de serviços. Em outras palavras, o aumento da informalidade está ligado a uma realocação da mão-de-obra no contexto das mudanças na estrutura ocupa cional mencionadas anteriormente. Pois, por um lado, houve uma perda do percentual de ocupados na indústria de transformação e, por outro, um aumento substancial no setor de serviços, como já afirmamos. Segundo o mesmo autor: A razão de ser para esse raciocínio deve-se às características dos postos de trabalho em cada um desses setores: enquanto a indústria contrata majoritariamente através do assalariamento com carteira assinada em torno de 70% dos vínculos trabalhistas na indústria eram dessa natureza em 2001, o oposto acontece com o segmento de serviços, em que o grau de informalidade era próximo de 60% Cad. Metrop., São Paulo, v. 12, n. 23, pp , jan/jun

20 Luiz César de Queiroz Ribeiro, Juciano Martins Rodrigues e Filipe Souza Corrêa nesse mesmo ano. De maneira análoga, a constatação de que o movimento ascendente da informalidade perdeu força, ou mesmo desapareceu, na virada da década, justamente quando as participações desses setores no total da ocupação se estabilizaram, serve para reforçar este argumento. (Ramos, 2002, p. 4) Já o desemprego ao longo dos últimos anos comporta-se de maneira bastante diferenciada nas regiões metropolitanas onde é realizada a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE). Ao mesmo tempo, apresenta comportamento diferente entre elas. Nas regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro, com podemos ver na Tabela 1, a tendência foi de aumento entre meados da década de 1990 até início da década de 2000, mas com taxas bem próximas à média das regiões metropolitanas pesquisadas. Curitiba e Porto Alegre apresentam as menores taxas desde o inicio da década de 1990, sempre abaixo da média. Já as regiões metropolitanas do Nordeste sempre apresentaram os maiores percentuais, principalmente Recife, onde, em 2007, foi registrada uma taxa de desemprego de pessoas com mais de 15 anos de idade de 17,7%, enquanto a média nacional é de 10,9%. Antes de tratarmos diretamente dos efeitos da segregação residencial sobre as condições de acesso ao mercado de trabalho nas metrópoles, se faz necessário um panorama da situação de desemprego e fragilidade dos adultos de 30 a 59 anos de idade no ano Tabela 1 Taxa de desemprego (%) pessoas com 15 anos ou mais das regiões metropolitanas Brasil/Região Ano Metropolitana Brasil 9,1 9,0 7,9 9,3 11,0 12,9 13,8 12,6 13,0 13,8 13,1 13,0 11,7 10,9 RMs 9,7 9,6 8,2 9,9 11,3 12,6 14,3 13,1 13,5 13,9 13,6 13,5 12,1 11,5 Belém 11,9 8,9 9,0 10,8 12,7 10,3 16,5 14,2 13,1 11,9 11,9 12,8 12,3 11,0 Salvador 11,6 14,8 9,6 14,6 16,0 17,0 19,2 15,5 19,3 19,8 19,3 17,5 16,5 15,2 Fortaleza 9,3 8,9 9,1 8,8 10,1 10,9 12,1 12,0 13,5 13,6 13,2 12,9 12,1 11,4 Recife 13,2 14,3 9,2 10,9 13,2 14,7 14,3 14,0 14,9 17,6 17,8 18,3 15,4 17,7 Brasília 7,9 8,9 7,9 12,5 9,9 11,6 14,8 14,4 14,0 13,7 14,2 13,3 11,4 11,7 Belo Horizonte 9,4 7,9 6,6 8,1 9,4 12,3 14,1 12,6 12,0 11,4 12,0 12,2 9,9 8,7 Rio de Janeiro 6,9 7,8 7,4 8,3 9,5 11,0 11,3 12,5 12,2 13,5 11,8 12,6 12,0 10,5 São Paulo 10,1 9,1 8,2 9,5 12,2 14,5 15,5 12,9 13,3 14,6 13,8 13,3 11,9 10,7 Curitiba 6,8 6,2 6,4 6,0 8,6 11,0 10,9 9,3 8,8 9,2 8,0 8,8 7,5 6,4 Porto Alegre 6,9 6,2 7,4 8,5 9,0 10,9 9,9 8,6 9,9 9,9 8,8 8,6 8,3 9,2 Fonte: Elaborado pelo IETS a partir dos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE). Nota: A pesquisa não foi a campo em 1994 e Cad. Metrop., São Paulo, v. 12, n. 23, pp , jan/jun 2010

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