Os museus como construções virtuais

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1 Os museus como construções virtuais Catarina Rebelo Guerra Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Arquitetura Orientadores: Professora Doutora Helena Silva Barranha Gomes Doutora Susana Maria Simões Martins Júri Presidente: Professor Vítor Manuel de Matos Carvalho de Araújo Orientador: Professora Doutora Helena Silva Barranha Gomes Vogal: Professora Ana Paula Filipe Tomé Junho 2015

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3 Agradecimentos Um agradecimento muito especial à Professora Helena Barranha e à Professora Susana Martins pelo tempo, pela paciência e pela exigência. À Rita e à Raquel pela ajuda preciosa. A toda a equipa unplace por me acolherem neste admirável projeto. Ao Professor Vitor Carvalho Araújo pela disponibilidade. Ao Professor e curador Greg Lynn pelo contributo único. Aos meus pais pela compreensão e por me apoiarem incondicionalmente e ao meu irmão por me desestabilizar no momento certo. Ao Zé pela força e motivação. ii

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5 Os museus como construções virtuais Resumo O espaço digital é hoje um lugar de encontro, mais do que um simples veículo de comunicação. Os museus fixam cada vez mais as suas atividades neste espaço virtual, definindo uma nova relação com o público. Por outro lado, a arquitetura como disciplina fornece pistas sobre formas e lugares virtuais, desde a sua invenção. O conceito de virtual é, de facto, inseparável da arquitetura que, desde a origem lida com a antevisão de uma ideia, com projetos em potência, com a antecipação de uma realidade, estabelecendo estas previsões num contexto não físico mas existente numa dimensão virtual. As arquiteturas visionárias de determinados arquitetos reforçam a ideia de uma arquitetura imaterial e, por outro lado, a interação desta realidade com as tecnologias digitais intensifica o debate sobre o papel da arquitetura no ciberespaço. Nesse sentido, a análise de utopias contemporâneas de Marcos Novak, Asymptote ou Lars Spuybroek corrobora este argumento e aponta para possíveis abordagens na concepção de uma arquitetura digital. Surge, igualmente, neste contexto, a discussão sobre a arquitetura virtual dos museu, coerente com as aproximações vanguardistas do início do séc. XX e os novos tipos de arte (Arte Digital e Internet Art), que se desenvolveram desde os anos 60 do mesmo século, sugerindo, também, novas ocupações e novos tipos de espaços expositivos. Por estas razões considera- se que a arquitetura, indissociável do museu enquanto entidade construída, está apta a desenvolver significados também no espaço digital e é neste enquadramento que surgem os três museus virtuais estudados: o Museu Guggenheim Virtual do coletivo Asymptote, o Adobe Museum of Digital Media de Fillipo Inocentti e o Infinite Museum desenvolvido na Bartlett School of Architecture. Palavras- chave: arquitetura virtual; arte digital; museus e exposições virtuais; projecto unplace.. iv

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7 The museum as a virtual building Abstract The digital space has now become a meeting place, more than just a simple means for communications. Museums are increasingly fixing its activities in the virtual realm, defining a new relationship with their public. Moreover, architecture as a discipline provides clues for virtual forms and locations, since its invention. The virtual concept is in fact inseparable from architecture as a discipline, weather we re dealing with the preview of an idea, with projects to be or with the with anticipation of a reality; we establish these guesses in a non- physical context. The visionary architectures of certain architects reinforces the idea of an immaterial architecture and, on the other hand, the interaction of this reality with digital technologies introduces, however, a new debate on the virtual and digital nature of space. In this sense, the analysis of contemporary utopias of Marcos Novak, Asymptote or Lars Spuybroek not only supports this argument but also points to possible approaches in the design of a digital architecture. The debate about the virtual museum aroses framed by these matters, in line with the avant- garde approaches of the beginning of the 20 th century and the new kinds of art established since the 60 s (Digital and Internet Art), suggesting new types of exhibition spaces. In this sense it is considered that architecture, which is inseparable from the museum as a built entity, is also able to develop meanings in the digital context as well. It is within this context that the three virtual museums studied emerge: the Guggenheim Virtual Museum by Asymptote, the Adobe Museum of Digital Media by Fillipo Inocentti and the Infinite Museum developed at the Bartlett School of Architecture. Key- words: virtual architecture; digital art; virtual museums and exhibitions; unplace project. vi

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9 Os museus como construções virtuais Índice Agradecimentos... ii Resumo... iv Abstract... vi Índice... viii Índice de figuras... x Abreviaturas... xviii 1. Introdução Objetivos e Questão de Investigação Metodologia e Estrutura Estado da Arte Os museus na era da informação O Virtual na Arquitetura Entre o Digital e o Real Arquiteturas visionárias: dimensão utópica e virtualidade Evolução dos processos digitais entre a teoria e a técnica Utopias Contemporâneas Três projetos de referência Marcos Novak Transarchitectures Lars Spuybroek Pavilhão da Água Asymptote Virtual Trade Floor NY Stockmarket Paradigmas do Museu Virtual Antecedentes conceptuais Museus virtuais na contemporaneidade Três projetos de referência Guggenheim Virtual Museum Asymptote (1998) The Adobe Virtual Museum of Digital Media (2010) The Infinite Museum (2013) Conclusão Fontes e Referências Anexos viii

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11 Índice de figuras Figura Página Título Fonte 1 13 A relação entre Internet e museus segundo Deborah Seid Howes. Adaptação e tradução livres 2 14 Página do Facebook do MoMA. Print- screen Contra- capa do CD- ROM do Apple Computer Virtual Museum, anos Capa do DVD- ROM do Museu do Louvre. Um produto de marketing ou um museu virtual? 5 23 Museé National de France, Boullé, Temple consacré à l'egalité, Jean Jacques Lequeu, Façade study. ca, Paul Goesch, Um dos desenhos do grupo alemão Die Gläserne Kette Broadcare City, Frank Lloyd Wright Plan Obus, Le Corbusier, Argélia O plano do Museu de Crescimento Ilimitado para o Norte de África, Le Corbusier, Museu de Arte Ocidental de Tóquio, Le Corbusie, Deborah Seid Howes, Why the Internet Matters: A Museum Educator s Perspective in The Digital Museum: A Think Guide, Washington DC: American Association of Museums, p. 67 Facebook MoMA, https://www.facebook.com/museumofm odernart/photos/a / /?ty pe=1&theater Amazon Virtual- Museum/dp/B003RFDH8W Culture Mobile numerique/nouveaux- territoires- louvre/au- debut- fut- cd- rom- et- internet Etienne- Louis Boullée, 1783, L architecture des musées au XXe siècle. plastiques.ac- rouen.fr Bibliothéque Nationale de France b/f2.item The Canadian Center for Architecture. 9- the- crystal- chain- die- glaserne- kette Architizer utopian- architecture/ Bidoun envy/blocking- the- casbah- le- corbusiers- algerian- fantasy- by- brian- ackley/ Transmuseus Bing Maps https://www.bing.com/maps/ Plug in City, Archigram, MoMA e_results.php?criteria=o%3aad%3ae%3 A6950&page_number=2&template_id=1 &sort_order=1 x

12 13 27 Beyond the Sky, Massimo Scolari, O projeto para um Monumento Contínuo de Superstudio, Yale News massimo- scolari- representation- architecture Open Buildings tinuous- monument- profile Idem. Open Buildings tinuous- monument- profile Propostas utópicas, sem título, de Archizoom, sem data. Main Prjkt s- 11- weeks- archizoom Idem. Main Prjkt s- 11- weeks- archizoom Visions of Japan, Toyo Ito, PresS/TInternational erarchitecture- spaces- in- the- electronic- age- by- lpp/ Idem. Maia Engeli II/intro/ito.html Blur Building, Diller & Scofidio, Diller & Scofidio building Idem. Diller & Scofidio building Ambiente Hiper- Real, Museo Ururguaio de Artes Visuales II Realidade Abstrata. Centro de conferências virtual da Universidade de Sidney Ambiente Híbrido. Átrio do Adobe Museum of Digital Media, Ambiente Híper- Virtual. Éphémère, de Char Davies, Modelo Virtual do Guggenheim Bilbau, Frank Gehry. Programa CATIA Yehuda E. Kalay; John Marx (2005) Architecture and the Internet: Designing places in cyberspace, First Monday: /article/view/1563/1478 Yehuda E. Kalay; John Marx (2005) Architecture and the Internet: Designing places in cyberspace, First Monday: /article/view/1563/1478 Yehuda E. Kalay; John Marx (2005) Architecture and the Internet: Designing places in cyberspace, First Monday: /article/view/1563/1478 Yehuda E. Kalay; John Marx (2005) Architecture and the Internet: Designing places in cyberspace, First Monday: /article/view/1563/1478 hiperbook/view.php?id=3254&groupid= 0&target_navigation_chapter=7635 xi

13 27 33 Yokohama Port Terminal, FOA Architects, Ciências da complexidade. A organização um bando de aves. Arch Daily classics- yokohama- international- passenger- terminal- foreign- office- architects- foa/ Google Images A semelhança entre a organização da imagem 26 e a cobertura do Centro Comunitário de Uchino, Shoei Yoh Architects, Hypersurface, Stephen Perrella, An Evolutionary Architecture, John Frazer, Mario Carpo (2013) Introduction: Twenty Years of Digital Design in Mario Carpo (2013)(ed) The Digital Turn in Architecture, New York: John Wiley & Sons, p. 8 Prof. Michele Emmer, From Topology to Virtual Architecture. apersga2004/17.htm John Frazer, (1995) An Evolutionary Architecture, Architectural Association Publications, Thames VII. /ea/intro.html Muscle NSA, ONL, Hyperbody ects/muscle- nsa/ Embryologic Houses, Greg Lynn, Son- o- house, Lars Spuybroek, Hyposurface, Mark Gulthorpe, S. Francsico Museum of Modern Art ion/artwork/ Arc Space son- o- house/ CCA 78- archaeology- of- the- digital- media- and- machines ZKM, Rem Koolhas, OMA rum- fur- kunst- und- medientechnologie- zkm/ Video Gallery, Bernard Tschumi, Media Tower, Coop Himelblau, Composição de um algoritmo generico Filtros e máscaras aplicados à composição algoritmica Variações da composição algoritmica. Victoria University of Wellington, Architecture School 01/students/cornorashl/gallery/gallery. html Visionary Architecture: From Babylon to Virtual Reality Munique e Nova Iorque: Prestel- Verlag, 1994, pp Zakros Inter Arts re/liquidarchitecture.html Zakros Inter Arts re/liquidarchitecture.html Zakros Inter Arts re/liquidarchitecture.html xii

14 42 43 Arquitetura Líquida Zakros Inter Arts re/liquidarchitecture.html Composição tridimensional Zakros Inter Arts re/liquidarchitecture.html Os dois pavilhões interligados. O Salt Water Pavilion à esquerda e o Fresh Water Pavilion à direita, Ateliê ONL water- pavilion Planta do Fresh Water Pavilion. Blogspot /2012/04/nox- architecture- and- kas- osterhuis.html Water Pavilion - Ambiente interior. Arcspace - machining- architecture/ Water Pavilion - Ambiente interior imersivo. Arcspace - machining- architecture/ Water Pavilion Exterior. Arcspace - machining- architecture/ Espaço de negociação da Bolsa de Nova Iorque Modelo Tridimensional para a Bolsa de Valores Modelo final do Virtual Trade Floor, Asymptote, Google Images CCA 78- archaeology- of- the- digital- media- and- machines New York Stock Exchange Floor.pdf Vista do Centro de Operações. Floor Nature interior- design/project- asymptote- architecture- virtual- trading- floor- 4818/ O espaço do Centro de Operações integrado no piso da Bolsa de Nova Iorque O ambiente virtual é definido pela informação sobre o Mercado da Bolsa. Visualização de ações. Floor Nature interior- design/project- asymptote- architecture- virtual- trading- floor- 4818/ Floor Nature interior- design/project- asymptote- architecture- virtual- trading- floor- 4818/ Visualização das ações da Bolsa de Nova Iorque. No gráfico estão representadas ações da American Experess (AXP), da The Boing Company (BA) e da Caterpiller Inc. (CAT), entre outras Estúdio de fotografia de Nadar, Floor Nature interior- design/project- asymptote- architecture- virtual- trading- floor- 4818/ Universidad de Sevilla Capucines_Nadar.htm xiii

15 57 55 Un Coin du Salon en 1880, Edouard Dantan. O método expositivo dos Salões em Abstract Cabinet, El Lissitzky, Licht- Raum Modulator, Moholy- Nagy, Exposição de Novas Técnicas Teatrais, Frederick Kiesler, Galeria Art of This Century, Frederick Kiesler, Museé Imaginaire, André Malraux, Boite- en- valise, Marcel Duchamp, A primeira exposição virtual do MoMA Artists of Brucke: Themes in German Expressionist Prints, O arquivo- museu virtual do artista João Paulo Serafim, MIIAC. Print- screen Exposição permanente Phantom Limb do LI- MAC. Print- screen Exposição Plotter Drawings from the 1960 s do DAM. Print- screen As galerias dos vários museus representados no Google Art são captadas com a tecnologia utilizada no street- view. Print- screen O átrio de entrada do MUVA II. O museu apresenta fortes vínculos à realidade física, embora seja exclusivo da Web. Print- screen Página de Facebook do MoMA. Print- screen. Art.com sa- i /edouard- joseph- dantan- un- coin- du- salon- en htm San Francisco Museum of Modern Art proposal- for- a- museum- el- lissitzky/ Greg.org e_raum_der_gegenwart_then_and_now.ht ml My New Desk sen- tensta- konsthall/images/frederick- kiesler- the- international- exhibition- of- new- theatre- techniques- oeversiktsbild- kiesler- s- l- t- system- wien c austrian Telegraph /How- curved- walls- and- a- female- Casanova- brought- modern- art- to- America.html Frieze Magazine iversal_archive/ Centre Pompidou cation/ressources/ens- duchamp/ens- duchamp.htm MoMA, bitions/2002/brucke/ MIIAC LI- MAC mac.org/ DAM Google Art Project https://www.google.com/culturalinstitut e/project/art- project?hl=pt Museo Virtual de Artes, Facebook MoMA https://www.facebook.com/museumofm odernart?fref=ts xiv

16 71 70 A plataforma possui um design de fácil utilização e intuitivo permitindo uma navegação simples. Google Art Project. Print screen O website do MoMA permite igualmente ao utilizador criar a sua própria coleção baseada nas obras do museu. Print- screen. Google Art Project https://www.google.com/culturalinstitut e/project/art- project?hl=pt MoMA, ections/ Instalação de Realidade Aumentada do coletivo ShoP Architects no Omi International Arts Center, presente Instalação de Realidade Aumentada de Lesser Architecture no Omi International Arts Center, presente Guggenheim Museum of Guadalajara, Asymptote, Appolo Magazine magazine.com/augmented- reality/ Appolo Magazine magazine.com/augmented- reality/ Asymptote, g- arts/c23id Perm Museum, Asymptote, Asymptote, g- arts/c23id Guggenheim Multimedia Technology Museum, Asymptote, Three Houses for the Subconscious, Asymptote, 11ª Bienal de Veneza. Asymptote, g- arts/c23id Asymptote, g- arts/c23id Estudo arquitectónico para a galeria do museu virtual da Fundação Guggenheim, Asymptote Estudo do interface para o sistema de navegação da galeria. Os espaços propostos convergem naquilo que é entendido como a entrada do Museu Virtual Guggenheim Vista interior do átrio e dos anéis de entrada, Guggenheim Virtual Vista exterior dos anéis de entrada, Guggenheim Virtual Sequência de Iscape 1.0. Frames retirados do youtube Diferentes ângulos do museu Guggenheim Virtual. Open Buildings, genheim- virtual- museum- profile Open Buildings, genheim- virtual- museum- profile Open Buildings, genheim- virtual- museum- profile Open Buildings, genheim- virtual- museum- profile youtube Open Buildings, genheim- virtual- museum- profile xv

17 85 81 Diagrama da transformação das galerias do museu Guggenheim Virtual Diagrama da transformação dos anéis da praça central de entrada do museu Guggenheim Virtual As várias localizações virtuais do AMDM. As cidades de S. Francisco, Paris, Nova Iorque e Veneza são reconhecíveis através dos seus principais ícones. Open Buildings, genheim- virtual- museum- profile Open Buildings, genheim- virtual- museum- profile Unit9 sutdio, museum- of- digital- media Idem. Unit9 sutdio, museum- of- digital- media Idem. Unit9 sutdio, museum- of- digital- media Idem. Unit9 sutdio, museum- of- digital- media Os esboços para o projeto refletem a natureza do processo, que se assemelha ao tradicional. Print- screen. Unit9 sutdio, museum- of- digital- media Idem. Unit9 sutdio, museum- of- digital- media Distribuição do programa, AMDM. Unit9 sutdio, museum- of- digital- media Vista do átrio de entrada com a ligação para as exposições em detalhe ao fundo, AMDM. Unit9 sutdio, museum- of- digital- media Entrada das exposições. Print- screen. Unit9 sutdio, museum- of- digital- media O Virtual Moving Device atua como um guia do AMDM. Unit9 sutdio, museum- of- digital- media Idem. Unit9 sutdio, museum- of- digital- media O AMDM surge enquadrado na cidade que aparenta ser Nova Iorque. Vista exterior. Print- screen. Unit9 sutdio, museum- of- digital- media xvi

18 99 89 AMDM, vista exterior. Print- screen. Unit9 sutdio, museum- of- digital- media Idem. Unit9 sutdio, museum- of- digital- media Idem. Unit9 sutdio, museum- of- digital- media Idem. Unit9 sutdio, museum- of- digital- media Infinite Museum, O museu vai crescendo à medida que o utilizador define o percurso acrescentando salas modulares Os 6 módulos definem os espaços base que são ligados sem constrangimentos, Infinite Museum As várias combinações entre as salas definem a planta do Infinite Museum O espaço permite apresentar vários tipos de media. Vista em simultâneo do objeto criado, do espaço e dos tags. Infinite Museum O edifício criado em comparação com o percurso do espaço de exposição do Infinite Museum Edifício criado vs espaço de exposição do Infinite Museum. En- topia, topia.blogspot.pt/2013/01/unity- 3d- infinite- museum.html En- topia, topia.blogspot.pt/2013/01/unity- 3d- infinite- museum.html En- topia, topia.blogspot.pt/2013/01/unity- 3d- infinite- museum.html En- topia, topia.blogspot.pt/2013/01/unity- 3d- infinite- museum.html En- topia, topia.blogspot.pt/2013/01/unity- 3d- infinite- museum.html En- topia, topia.blogspot.pt/2013/01/unity- 3d- infinite- museum.html xvii

19 Abreviaturas BIM- Building Information Modeling CAD - Computer Aided Design CAM - Computer Aided Manufacturing CCA Center for Canadian Architecture ICOM The International Council of Museums MoMA Museum of Modern Art of New York MUVA Museo Uruguaio de Artes Visuales SFMoMA San Francisco Museum of Modern Art xviii

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21 1. Introdução Emotionally people live within the old dimensions of anachronistic fixations, tribal prejudices. They are immune to any suggestion for a better use of their resources because in our verbalistic society all such arguments can be answered by counterarguments for the preservation of the status quo. Laszlo Moholy- Nagy 2

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23 1.1. Objetivos e Questão de Investigação A presente dissertação tem como tema os museus virtuais e como objetivo refletir sobre a sua relação com a arquitetura. Pressupõe- se que esta reflexão enquadre historicamente aquilo que é o museu virtual e reflita sobre as hipóteses de uma arquitetura virtual, centrada no encontro entre utopias e tecnologia. É também intenção deste estudo procurar compreender o papel da dimensão virtual na construção da disciplina da arquitetura. A motivação para o desenvolvimento deste tema adveio, primeiramente, do interesse geral pelas questões que envolvem as tecnologias digitais e, em segundo lugar, do interesse pela atividade desenvolvida pelos museus, também neste encontro com a tecnologia. Considera- se que se trata de uma temática relevante pelo seu carácter extremamente atual. Acredita- se que haverá na arquitetura de museus virtuais um vasto campo oportunidades por explorar, que não está, contudo, suficientemente documentado e analisado na perspectiva do cruzamento dos três domínios expressos na intenção de investigação: arquitetura, museus e espaço digital. Tal como previu e constatou, entre muitos outros autores 1, William J. Mitchell em City of Bits, a Internet tornou- se no novo espaço público contemporâneo, o lugar das trocas e interações e a arquitetura, enquanto atuante no campo social está porventura ainda distanciada desta realidade, observando- se um desfasamento entre aquilo que as ferramentas contemporâneas permitem e aquilo que é produzido virtualmente. Propõe- se, então, que se defina a arquitetura como o processo através do qual a organização de atividades no espaço é definida, em ambas as realidades física e virtual. Tradicionalmente o arquiteto e a arquitetura operaram através da manipulação dos materiais para definir os limites do espaço o espaço como o meio de ação da arquitetura. Agora, os materiais são criados usando a informação, intangível, sem gravidade e mutável no tempo. O objectivo desta dissertação de estudar e identificar novos paradigmas no campo da arquitetura de museus, na sua interseção com as novas tecnologias, desenvolve- se assim através de uma pesquisa centrada na evolução integrada de dois âmbitos, o da arquitetura e o dos museus. Pretende- se lançar o debate para possíveis desenvolvimentos na prática da arquitetura na sua relação com os processos digitais, centrando a discussão no caso específico dos museus. O objetivo final será, por isso, o de sugerir uma perspetiva enquadrada e construtiva das potencialidades que o universo do espaço digital encerra nos domínios da contribuição sociológica e cultural para o desenvolvimento da disciplina da arquitetura. Para isso, a discussão assentará no mapeamento, no estudo e na discussão das premissas que, por um lado, levam à existência do museu virtual e, por outro, à convergência dessa realidade com a arquitetura. Para tal, serão analisados projetos de 1 Vários autores descrevem a Internet como sendo o novo espaço público contemporâneo, entre os quais, Manuel Castells, Pierre Lévy e Rachel Greene. 4

24 referência para espaços museológicos e expositivos que, fundamentalmente, quebrem com os padrões tradicionais de projeto e cujo ensaio formal e tipológico seja entendido em ambiente digital. Acrescenta- se ainda que a escolha das obras para análise foi feita tendo em conta não só o contributo para a disciplina da Arquitetura, mas também para o campo das Artes Visuais; as obras em análise são, portanto, projetos de museus de natureza virtual e imaterial, lidos e projetados em ambiente virtual e para ambiente virtual, que podem, em certos casos, relacionar- se com instituições que têm representações físicas ou criar ambientes virtuais que interagem com ambientes construídos Metodologia e Estrutura O presente estudo encontra- se integrado no projeto unplace - um museu sem lugar, do qual faz parte a autora da dissertação. O projeto, coordenado pelo Instituto Superior Técnico em parceria com o Instituto de História de Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, a Fundação Calouste Gulbenkian e Fundação para a Ciência e Tecnologia, pretende discutir as premissas que levam à conceção do museu virtual, enquanto interseção entre o espaço digital, a arquitetura e a arte: A par do fenómeno de mediatização e globalização das instituições museológicas, enquanto atrações turísticas e lugares de dinamização urbana e cultural, ao longo das últimas duas décadas multiplicaram- se os projetos para museus e exposições virtuais, sediados na Internet. Para além de meio indispensável de comunicação, para os museus, a Internet converteu- se num novo território de concretização de projetos de arquitetura de museus, design de exposições e curadoria, designadamente com o desenvolvimento de movimentos artísticos baseados em processos digitais, como a Arte Digital ou a Internet Art. 2 A metodologia adotada para a presente dissertação dividiu- se em três fases e passou essencialmente pela investigação bibliográfica. A primeira fase centrou- se na pesquisa documental e na recolha de informação e compreendeu a seleção de bibliografia sobre História e Crítica da Arquitetura Contemporânea, assim como a recolha e seleção de bibliografia sobre rupturas na apropriação aos espaços expositivos e adaptação dos museus às tecnologias. Esta fase incluiu a análise de obras monográficas, artigos em publicações periódicas, trabalhos académicos e publicações online. Após uma primeira aproximação à especificidade do tema seguiu- se, numa segunda fase, a escolha de projetos referenciais e a consequente recolha de informação específica sobre cada um, recorrendo maioritariamente a artigos publicados na Internet. Na terceira fase, procedeu- se à elaboração de entrevistas a arquitetos e curadores cuja pesquisa se relaciona com o ciberespaço. A metodologia de trabalho passou, mais especificamente, por: 2 Projeto unplace, Apresentação, disponível em: [20/04/2015]. 5

25 a) Pesquisa e recolha documental sobre a evolução dos modos de expor arte, considerando para análise as exposições que de alguma forma marcaram uma ruptura com práticas anteriores e introduziram os conceitos de espaço imersivo e interativo; b) Recolha documental sobre a interação entre museus e a Internet; c) Pesquisa e recolha documental sobre as diferentes abordagens teóricas ao tema da utopia em arquitetura; d) Estudo de processos e métodos arquitectónicos que recorram às tecnologias digitais e análise de teorias referentes à arquitetura no ciberespaço; e) Pesquisa e recolha de projetos de museus virtuais que se mostrem relevantes no que diz respeito à criação de lugares imateriais; f) Recolha de depoimentos de artistas, curadores e arquitetos; g) Análise e discussão dos resultados; h) Redação da tese. Esta dissertação organiza- se em quatro capítulos principais. No primeiro capítulo, apresentam- se as premissas do estudo: a questão de investigação e os objetivos, a metodologia adotada, a estrutura da tese e o estado da arte. No segundo capítulo define- se e caracteriza- se o que se considera a realidade em estudo, começando com uma breve incursão sobre a entrada do museus na esfera da tecnologia digital. Importa neste capítulo compreender os pressupostos que caracterizam a sociedade contemporânea e sustentam o museu virtual, no encontro entre a arquitetura e a Internet. Analisam- se conceitos como Internet, hipertexto e ciberespaço, com o objetivo de compreender o âmbito em que está enquadrado o museu virtual. Exploram- se estes conceitos como pontos de partida para a construção de uma realidade imaterial que, muito embora se encontre hoje generelizada, é ainda dispersa e sinuosa. O terceiro capítulo explora a relação da arquitetura com as produções não materiais e a tecnologia, apresentando- se três projetos de referência. Neste capítulo, procura- se analisar a dimensão virtual da arquitetura como parte da reflexão que engloba as arquiteturas utópicas e visionárias. Observam- se os pensamentos dos principais autores que se focam neste campo de ação e discutem- se questões como a do ciberespaço e da criação de lugares virtuais como extensão da existência física e temporal. No quarto capítulo examinam- se os antecedentes e a evolução da noção de museu virtual, analisando especificamente algumas obras e propostas desenvolvidas durante as vanguardas do início do século XX e aquilo que define como a presença virtual dos museus na contemporaneidade. 6

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