PROJETO PERNAMBUCO RURAL SUSTENTÁVEL PRS MARCO DOS POVOS INDÍGENAS DE PERNAMBUCO

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1 PROJETO PERNAMBUCO RURAL SUSTENTÁVEL PRS MARCO DOS POVOS INDÍGENAS DE PERNAMBUCO Public Disclosure Authorized Public Disclosure Authorized Public Disclosure Authorized Public Disclosure Authorized Recife Maio de

2 RESUMO EXECUTIVO O Marco dos Povos Indígenas 1 de Pernambuco apresenta as diretrizes para a participação dos Povos Indígenas no Projeto Pernambuco Rural Sustentável (PRS). O PRS tem como objetivo de desenvolvimento dar suporte ao Marco de Gestão de Resultados no território do Estado de Pernambuco (Todos por Pernambuco) através: (i) da promoção de iniciativas de negócios rurais, e (ii) ampliação do acesso à saneamento rural e outras infraestruturas complementares. O PRS será implementado pelo Governo do Estado de Pernambuco, por meio da Unidade Técnica do Programa de Desenvolvimento Rural Sustentável (ProRural), coordenado pela Secretaria Executiva de Tecnologia Rural e Programas Especiais da Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária (SARA), a ser financiado pelo Acordo de Empréstimo entre o Governo do Estado e o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD). O Governo do Estado de Pernambuco e o BIRD estão comprometidos em fazer com que os benefícios do PRS alcancem os grupos sociais mais vulneráveis incluindo as comunidades tradicionais - e que seus investimentos sejam culturalmente apropriados e estejam de acordo com as demandas e necessidades destas. Este Marco dos Povos Indígenas está pautado nos princípios, regras e diretrizes da Constituição Federal que reconhece as populações indígenas o direito à diferença e à autodeterminação, o direito originário sobre seus territórios de ocupação tradicional e o direito de usufruto exclusivo sobre as riquezas naturais de seus territórios, podendo explorá-las desde que seja garantida a sustentabilidade ambiental que protege o direito de suas gerações futuras. Reiteram-se os princípios do respeito e importância para com os povos indígenas e às suas terras, buscando a preservação da cultura e valores espirituais; do reconhecimento dos seus direitos de propriedade e de posse sobre as terras. Em conjunto à legislação brasileira, será respeitada a Política Operacional (PO 4.10) do BIRD. O ProRural deverá realizar processos de consulta livre, prévia e informada com os povos indígenas. Os subprojetos serão financiados apenas se os resultados destas consultas livres, prévias e informadas indicarem amplo apoio ao PRS por parte das comunidades indígenas. Os subprojetos devem também: (a) evitar potenciais efeitos negativos às comunidades indígenas ou, se forem inevitáveis, minimizá-los, mitigá-los ou compensá-los; 1 Este documento está disponível em sua versão eletrônica no site da SARA e o do ProRural: 2

3 (b) garantir que os povos indígenas recebam benefícios sociais e econômicos culturalmente adequados; (c) respeitar seus direitos consuetudinários sobre a terra, seus valores culturais, suas práticas de manejo de recursos naturais; (d) apoiar suas prioridades de desenvolvimento; (e) fortalecer suas comunidades, suas organizações e seu protagonismo; e, (f) respeitar seus conhecimentos e além do marco legal, este documento apresenta o perfil social, econômico, cultural, político, demográfico dos 11 (onze) povos indígenas de Pernambuco, que pode orientar as estratégias de atendimento a esses povos, no âmbito do PRS. No Estado de Pernambuco, existem 11 etnias com uma estimativa populacional que varia entre 35 e 50 mil indígenas (conforme as fontes consideradas) e representa cerca de 2% 2 da população rural do estado (0,5% da população total). Elas ocupam um território de, aproximadamente, hectares (considerando os territórios em processo de identificação e homologação), localizados em 16 municípios, distribuídos em seis das 12 Regiões de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco. As onze etnias vivem, em geral, da agricultura de base familiar e, em menor escala, do extrativismo e do artesanato, que se caracterizam por limitações fundiárias, ambientais e tecnológicas. Em consequência, no que se refere às atividades econômicas e às condições de vida, as populações indígenas de Pernambuco se assemelham aos produtores rurais do Estado. Os povos Indígenas de Pernambuco representados institucionalmente por suas organizações tomarão conhecimento sobre o PRS por meio de divulgação do projeto, capacitações, seminários, intercâmbios, nas reuniões dos CMDRs e dos Fóruns Territoriais e ou em eventos específicos dos povos indígenas. Para a elaboração do Marco dos Povos Indígenas foram consideradas as consultas realizadas junto aos Povos, em que foram identificadas as suas maiores necessidades, que podem ser agrupadas em três áreas de atuação: Social nesta área destaca-se a necessidade da melhoria do nível educacional e qualificação profissional dos povos respeitando a sua cultura. Ambiental nesta área foi identificada a necessidade de qualificar os produtores indígenas para participar nas cadeias e arranjos produtivos, com tecnologias apropriadas ao meio ambiente e as culturas indígenas do semiárido pernambucano. Infraestrutura onde foi identificada a necessidade de ampliar o acesso à água para consumo humano e produção alimentar, ao saneamento básico, a trafegabilidade. 2 Instituto Socioambiental (ISA) é uma associação sem fins lucrativos, qualificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) 3

4 Constata-se que as necessidades apontadas estão em consonância com os componentes do PRS, e que poderão ser atendidas pelo ProRural, considerando o arranjo institucional e os canais de participação dos povos indígenas no projeto. A estratégia para a participação Indígena no PRS orientará ações no sentido de promover: (a) Implementação de subprojetos que sejam cultural e socialmente adequados; (b) A inclusão e o atendimento das demandas e interesses das mulheres e jovens indígenas; Bem como evitar: (c) A promoção de cisões e rupturas internas em decorrência da disputa por recursos escassos (d) O apoio a associações formadas apenas para a obtenção de recursos e que não são legitimamente representativas de interesses comunitários (e) A promoção do antagonismo e das disputas dos povos indígenas com outros grupos da sociedade local. Os povos indígenas deverão seguir os seguintes procedimentos para acessar recursos do PRS: (a) Os povos indígenas serão atendidos de acordo com as propostas de subprojetos que apresentem; (b) As propostas de subprojetos serão elaboradas a partir das demandas apresentadas pelas organizações indígenas; (c) As demandas serão definidas de forma consensuada e formalizadas através das atas de reuniões da organização indígena (d) Os povos indígenas apresentarão suas propostas aos CMDRs e Fóruns Territoriais; (e) Suas propostas serão analisadas levando-se em conta: sua viabilidade técnica e ambiental; sua legitimidade social e adequação cultural; sua contribuição para a segurança alimentar e hídrica, a preservação e conservação dos recursos naturais e geração de renda; (f) as propostas de subprojetos dos povos indígenas terão tratamento especial face à demanda de outros proponentes quando analisadas pelos CMDRs e Fóruns Territoriais e (g) Os subprojetos financiados para as comunidades indígenas serão executados por suas organizações legítimas e representativas. Para atender os povos indígenas o PRS desenvolverá parcerias com as organizações indígenas, indigenistas e com todas as instâncias governamentais relevantes. O monitoramento e avaliação da participação das populações indígenas adotarão a mesma metodologia do PRS e os indicadores estabelecidos para acompanhamento desse grupo. Conforme previsto no Plano de Ação dos Povos Indígenas , o ProRural buscará ainda apoiar e participar dos encontros de avaliação de políticas públicas promovidos periodicamente pelas populações e organizações indígenas, estimulando a avaliação sistemática da participação dos povos indígenas no PRS. 4

5 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO Projeto Pernambuco Rural Sustentável - PRS Elementos Estratégicos do PRS Componentes do PRS Arranjos Institucionais do PRS 9 2 MARCO REGULATÓRIO LEGAL 10 3 POVOS INDÍGENAS DE PERNAMBUCO 11 4 MARCO DA POLÍTICA DOS POVOS INDÍGENAS Resultados e Lições Aprendidas com a Implementação do PCPR Processo de Consulta e Interlocução Demandas dos Indígenas e benefícios esperados 21 5 ESTRATÉGIA PARA A PARTICIPAÇÃO INDÍGENA NO PRS Princípios Procedimentos Arranjo Institucional Estratégias de comunicação e capacitação Metodologia de monitoramento e avaliação 26 5

6 1 INTRODUÇÃO O Governo do Estado de Pernambuco, por meio da Unidade Técnica do Programa de Desenvolvimento Rural Sustentável (ProRural), coordenado pela Secretaria Executiva de Tecnologia Rural e Programas Especiais (SETRUP) da Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária do Estado (SARA), implementará o Projeto Pernambuco Rural Sustentável (PRS), a ser financiado pelo Acordo de Empréstimo entre o Governo do Estado e o BIRD. 1.1 O Projeto Pernambuco Rural Sustentável PRS Objetivo de desenvolvimento do PRS: O projeto proposto visa dar suporte ao Marco de Gestão de Resultados no território do Estado de Pernambuco (Todos por Pernambuco) através: (i) da promoção de iniciativas de negócios rurais, e (ii) ampliação do acesso à saneamento rural e outras infraestruturas complementares. Os Beneficiários: Os beneficiários do PRS serão as Organizações de Produtores Familiares, formalmente constituídas (OPFs). Para promover Empreendimentos Associativos (Componente 1), se estima a implantação de 300 subprojetos, contemplando cerca de produtores familiares. Para as ações de Infraestrutura Básica (Componente 2), estima-se aproximadamente 400 subprojetos, beneficiando em torno de (vinte cinco mil) famílias rurais. Financiamento: O PRS tem um custo total estimado em US$ 135,25 milhões. Desse total, prevê-se: (a) um empréstimo do Banco Mundial no valor de US$ 100,0 milhões; (b) uma contrapartida do Estado de Pernambuco no valor de US$ 24,45 milhões; e (c) contrapartidas financeiras dos demais parceiros (instituições financeiras, OPFs, Ministérios, iniciativa privada) 1.2 Elementos Estratégicos do PRS Abordagem Territorial: O planejamento participativo nos territórios, nos Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural (CMDRs), nas redes das cadeias produtivas, fundamenta as ações previstas no PRS, dinamiza e articula os vários programas federais (PRONAF, PAA, PNAE e outros), estaduais (Terra Pronta, Seguro Safra, Irrigação Comunitária, Pernambuco Terra Legal e outros), e iniciativas do setor privado e as 6

7 Organizações Não Governamentais, todos visando a inclusão sócio-econômica dos produtores rurais. Associativismo: O produtor familiar, atuando isoladamente, dificilmente consegue a sua inserção efetiva no mercado. O esforço coletivo pelas OPFs pode melhorar as negociações nos mercados dominados por intermediários. A sequência de projetos de redução da pobreza rural, financiados com recursos do Banco Mundial, facilitou a formação de mais de associações comunitárias, nas quais a agricultura familiar prevalece. Inovação: (a) promove a adoção de práticas ambientalmente sustentáveis, recuperação de nascentes e ações integradas com o uso de tecnologias para a convivência com o semiárido, a mitigação dos efeitos da desertificação e das mudanças climáticas, e a minimização dos riscos associados aos desastres naturais; e (b) proporciona, na cadeia produtiva, inteligência comercial e reduz o risco individual ao socializá-lo entre os demais atores da cadeia. Educação contextualizada: Os produtores familiares e outros segmentos da população (jovens, quilombolas, indígenas) precisam de oportunidades de aprendizagem que considerem a realidade em que estão inseridos, aliando a produção do conhecimento com a prática, no intuito de fomentar uma cultura empreendedora, buscando a inserção no mercado competitivo. Equidade: O PRS promoverá opções de inserção no mercado tipo ganha-ganha para os participantes das cadeias produtivas, aprimorando os APLs. Escritórios regionalizados: implantação de mais quatro Unidades Gestoras Territoriais (UGTs) com o objetivo de ampliar a descentralização e facilitar o acesso dos beneficiários ao PRS, contemplando um escritório com equipe multiprofissional por Região de Desenvolvimento, distribuídos nas seguintes regiões: Mata Norte (Nazaré da Mata); Sertão de Itaparica (Petrolândia); Sertão do Pajeú (Afogados da Ingazeira); e Sertão do Araripe (Ouricuri). Qualificação técnica: na elaboração dos planos territoriais e os seus investimentos respectivos deverá se buscar alternativas que os qualifiquem e minimizem os riscos do seu insucesso, a exemplo de: contratação de empresas especializadas por meio de processo seletivo. 7

8 1.3 Componentes do PRS Componente 1: Empreendimentos Associativos são iniciativas voltadas para melhorar a produtividade e a competitividade dos produtores familiares. As demandas dessas ações serão apresentadas pelas OPFs, as quais poderão, quando necessário, solicitar assessoria técnica, gerencial e comercial financiada pelo Projeto. As ações desse componente poderão envolver mais de uma OPF. As ações produtivas terão dois enfoques, conforme o nível de gestão demonstrado pelas OPFs. i. Para as OPFs com capacidade produtiva identificada, o PRS dará prioridade às cadeias produtivas priorizadas pelo Estado de Pernambuco, as quais são: (a) Caprinovinocultura; (b) Apicultura; (c) Bovinocultura de Leite; (d) Fruticultura; (e) Aquacultura; (f) Artesanato; e (g) Confecção/têxtil. Não obstante, outras cadeias produtivas que demonstrem uma demanda de mercado, poderão ser propostas pelas organizações de produtores. ii. Nos casos de OPFs que queiram iniciar um empreendimento ou cuja produtividade, ainda, não permita uma inserção competitiva no mercado, o PRS poderá, inclusive, apoiar a incubação de empreendimentos e de ações complementares de outros parceiros, a exemplo do apoio à produção agroecológica, com vistas à adoção de práticas voltadas para melhorias na produtividade e gestão dessas OPFs. Componente 2: Infraestrutura Rural Básica São ações voltadas para: (i) redução da vulnerabilidade social, cultural e ambiental do público rural; e (ii) para fins produtivos e competitivos no contexto das cadeias produtivas, complementar aos empreendimentos associativos do Componente 1. Os investimentos em infraestrutura básica relacionam-se às seguintes dimensões: Saneamento Rural: Implantação de sistemas de abastecimento de água, de caráter estratégico, (incluindo cisternas) e esgotamento sanitário (incluindo fossas sépticas), na busca do alcance da universalização desses acessos no âmbito rural, e também o suprimento para os usos inerentes às atividades econômicas (irrigação, piscicultura, indústria etc). Logística de Apoio: voltada para, entre outros benefícios, reduzir e/ou eliminar os gargalos de trafegabilidade nas cadeias produtivas, por exemplo, passagem molhada, pequenas pontes, reforma de estradas vicinais. 8

9 Gestão - ações de capacitação e assessoria voltadas ao fortalecimento da gestão dos sistemas de saneamento rural, considerando: (i) a participação comunitária; (ii) a promoção de parcerias; e (iii) melhorias na operação e manutenção com vistas à sustentabilidade. Componente 3: Gestão do PRS são ações para o gerenciamento e implementação do Pernambuco Rural Sustentável pelo ProRural que inclui as Unidades Gestoras Territoriais UGTs: (i) capacitação e assessoria técnica (Consultorias, Estudos, Plano de Capacitação); (ii) a administração do PRS e expansão das UGTs (Plano de Aquisições e Plano de Comunicação); e (iii) Supervisão, Monitoramento e Avaliação, incluindo a atualização do Sistema de Gestão do ProRural (ou seja, o MIS). 1.4 Arranjos institucionais do PRS Organizações de Produtores Rurais de Base Familiar (OPFs) respondem prioritariamente pela execução e/ou acompanhamento dos investimentos a serem financiados pelo PRS. Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural (CMDRs) articulam, negociam, priorizam e integram as ações a serem financiadas no PRS e realizam o controle social das políticas públicas. Fóruns Territoriais - negociam e priorizam as propostas no âmbito territorial. Os representantes das OPFs, CMDRs, redes de cadeias produtivas, as prefeituras e demais órgãos do Estado apresentarão, nos respectivos fóruns, propostas que deverão estar em consonância com os Planos Territoriais, incluindo cadeias produtivas. Unidades Gestoras Territoriais (UGT) são formadas por equipes multiprofissionais, vinculadas ao ProRural com o papel de: articular, mobilizar, analisar tecnicamente as propostas, acompanhar e assessorar as OPFs, inclusive, na implementação dos subprojetos, os CMDRs, fóruns e demais parceiros. ProRural programa coordenado pela Secretaria Executiva de Tecnologia Rural e Programas Especiais (SETRUP) da SARA, gerencia e executa políticas públicas para o meio rural, entre elas o PRS; celebra convênios e repassa recursos para as OPFs; planeja, supervisiona e monitora as ações e os investimentos do PRS. 9

10 Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária (SARA) planeja, promove e executa a política agrícola do Estado de Pernambuco, através das suas Secretarias Executivas e demais órgãos. Parceiros são instituições governamentais, não governamentais, financeiras, de ensino e pesquisa, consórcios municipais, empresas privadas, mobilizados em torno do processo de articulação territorial das políticas de desenvolvimento rural sustentável, partindo do princípio da interação entre governo, o setor privado e a sociedade civil. Capacitação e Assistência Técnica (Plano de Capacitação): Visa elevar o nível técnico dos participantes do PRS para torná-los mais competitivos, através do acesso a novos conhecimentos, tecnologias e metodologias diversificadas, com foco na melhoria das cadeias produtivas. O Plano de Capacitação realizará atividades específicas para o Componente 1 (Empreendimentos Associativos) e o Componente 2 (Infraestrutura Básica) através da: (a) construção e/ou fortalecimento de parcerias no âmbito governamental e não governamental; (b) metodologia participativa; (c) promoção de intercâmbios; (d) transversalidade de algumas abordagens; e (e) fortalecimento de rede de cooperação e inovação com participação governamental e não governamental. Especial atenção será dada à formação dos povos indígenas, comunidades quilombolas, jovens e mulheres. O Governo do Estado de Pernambuco e o BIRD estão comprometidos em fazer com que os benefícios do PRS alcancem os grupos sociais mais vulneráveis incluindo os povos indígenas e quilombolas - e que seus investimentos sejam culturalmente apropriados e estejam de acordo com as demandas e necessidades destas comunidades. 2 MARCO REGULATÓRIO LEGAL O PRS atuará de acordo com a legislação brasileira, com a Polítca de Salvaguardas Operacionais (PO) 4.10 do BIRD. O Marco dos Povos Indígenas está pautado nos princípios, regras e diretrizes da Constituição Federal (CRFB/88 título VIII, "Da Ordem Social", capítulo VIII, "Dos Índios") que reconhece às populações indígenas o direito à diferença e à auto-determinação, o direito originário sobre seus territórios de ocupação tradicional e o direito de usufruto exclusivo sobre as riquezas naturais de seus territórios, podendo explorá-las desde que seja garantida a sustentabilidade ambiental que protege o direito de suas gerações futuras. 10

11 A regularização das terras indígenas no Brasil consiste num processo de múltiplas fases e é coordenado pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI) que compreende a identificação, delimitação, a demarcação, o registro e a homologação das terras indígenas. Este processo é regulamentado pelo Decreto 1.755/1996. Merece, também, destaque a Convenção n 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre Povos Indígenas e Tribais, de que o Brasil é signatário e que foi promulgada pelo Decreto Presidencial n 5.051, datada de 19 de abril de Estes documentos reiteram os princípios do respeito e importância para com os povos indígenas e às suas terras, buscando à preservação da cultura e valores espirituais; do reconhecimento dos seus direitos de propriedade e de posse sobre as terras. Dessa forma as terras indígenas são consideradas como um bem pertencente à União, inalienáveis e indisponíveis, sendo vedado remover os índios de suas terras salvo casos excepcionais e temporários. Estes dispositivos promovem, portanto, a valorização das identidades culturais indígenas e seu protagonismo diante das suas ações. Em conjunto à legislação brasileira, será seguida PO 4.10 do BIRD, que determina que os projetos apoiados pelo Banco devem: (a) evitar potenciais efeitos negativos às comunidades indígenas ou, se forem inevitáveis, minimizá-los, mitigá-los ou compensá-los; (b) garantir que os povos indígenas recebam benefícios sociais e econômicos culturalmente adequados; (c) respeitar seus direitos consuetudinários sobre a terra, seus valores culturais, suas práticas de manejo de recursos naturais; (d) apoiar suas prioridades de desenvolvimento; (e) fortalecer suas comunidades, suas organizações e seu protagonismo; e, (f) respeitar seus conhecimentos e saberes. 3 POVOS INDÍGENAS DE PERNAMBUCO No Estado de Pernambuco, existem 11 etnias com uma estimativa populacional que varia entre 35 e 50 mil indígenas (conforme as fontes consideradas) e representa cerca de 2% da população rural do estado (0,5% da população total). Elas ocupam um território de, aproximadamente, hectares (considerando os territórios em processo de identificação e homologação), localizados em 16 municípios, distribuídos em seis das 12 Regiões de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco. 11

12 Mapa 1 Localização dos Povos Indígenas de Pernambuco 3 Estes 11 povos indígenas vivem, em geral, da agricultura de base familiar e, em menor escala, do extrativismo e do artesanato, que se caracterizam por limitações fundiárias, ambientais e tecnológicas. Em consequência, no que se refere às atividades econômicas e às condições de vida, as populações indígenas de Pernambuco se assemelham aos produtores rurais do Estado. Dez dos treze territórios indígenas existentes em Pernambuco já foram homologados. Eles abrangem uma área de hectares (correspondendo a aproximadamente 66% das terras indígenas no estado) e abrigam 86% da população indígena do estado. A maioria dos territórios indígenas está localizada no polígono das secas, que carece de investimentos em infraestrutura básica (abastecimento de água, saneamento e habitação) e encontra-se em situação de vulnerabilidade socioeconômica em decorrência de diversas pressões e ameaças: limitação de suas áreas diante da pressão causada pelo crescimento demográfico e das invasões e disputas com posseiros e fazendeiros; escassez de fontes de água para consumo humano e a produção agrícola; adoção e uso de técnicas agrícolas impróprias ao cultivo e o uso intensivo de defensivos e insumos agrícolas da agricultura convencional, que causam o desgaste e a salinização do solo; dificuldades de acesso a crédito e à aquisição de sementes e insumos; dificuldades logísticas relacionadas ao processamento e escoamento de sua 3 FUNAI / 2010 Fundação Nacional do Índio Diretoria de Assuntos Fundiários / Departamento de Identificação e Delimitação. Relatório Geral - Brasil , FUNAI, idem. Dados posteriores obtidos nas edições do Diário Oficial da União em que foram publicadas as Portarias e Decretos; 12

13 produção que levam à dependência em relação aos atravessadores no que tange à comercialização de seus produtos. O Quadro 1, apresentado na página seguinte, identifica as etnias indígenas e sua população; descreve a situação de suas terras, sua área e os municípios em que estão localizadas; e resume suas principais fontes de subsistência e as pressões e ameaças a que estão submetidos. Observa-se que os povos indígenas vêm se organizando cada vez mais para acessar as políticas públicas focais existentes. Um indicador interessante são os números referentes à quantidade de associações por etnia: Povo Atikum 9 associações; Povo Fulni-ô 37 associações; Povo Kambiwá 13 associações; Povo Kapinawá 06 associações; Povo Pankaiwká 01 associação; Povo Pankararu - 10 associações; Povo Pipipã 04 associações; Povo Truká 04 associações; Povo Tuxá 01 associação; Povo Xukuru 01 associação. 13

14 Quadro 1 - Perfil Demográfico e Situação Fundiária Etnia Município(s) Área (hectares) Situação da terra População Meios de Subsistência Pressões e Ameaças Atikum Carnaubeira Homologada Agricultura para autoconsumo, produção artesanal Presença de posseiros na sua região, à escassez de água da Penha, de mel de abelha, criação de galinhas e porcos, e, para produção e para consumo e a localização de suas Salgueiro e em regime extensivo, bovinos de corte e caprinos, terras no polígono da maconha, habitações de taipa e Mirandiba extrativismo (frutos silvestres) e a caça de animais pela falta de saneamento. silvestres (tiús, pebas, tatus, cangambás, preás, tamanduás, caititus e jacus). Fulni-ô Águas Belas Homologada Agricultura de base familiar (palma forrageira, algodão, milho, feijão e mandioca), produção de artesanato de palha de Ouricuri e alguns artigos em couro. Funcionários públicos municipais e estaduais constituem uma importante fonte de receitas monetárias. Faccionalismo tradicional reproduz-se na proliferação de associações comunitárias; elevado grau de inadimplência dessas entidades. Kambiwá Ibimirim, Homologada Agricultura de base familiar, culturas de Baixa produtividade de sua agricultura em decorrência Inajá e autoconsumo (milho, feijão e mandioca) e da escassez de água e o êxodo de jovens para as Floresta criatório de bovinos e caprinos. periferias das cidades circunvizinhas por conta da falta A produção de artesanal em palha de Ouricuri, de oportunidades locais. fibra de caroá e de madeira (umburama-decambão), e a confecção de esculturas de santos, correntes e carrancas constituem uma importante fonte de receitas monetárias. Kapinawá Buíque, Homologada Agricultura para consumo familiar; fruticultura do Carência de infraestrutura para captação e abastecimento Tupanatinga e caju para comercialização da amêndoa; potencial d água potável, a falta de estradas vicinais e a Ibimirim na criação de bodes e gado de leite. necessidade de passagens molhadas. 14

15 Etnia Município(s) Área (hectares) Situação da terra População Meios de Subsistência Pressões e Ameaças Pankaiuká Jatobá 365 Homologada 132 Cultivo do feijão, da criação de pequenos animais Escassez de água para o consumo humano e para a A identificar (bode e galinha) e da pesca artesanal no Rio produção agrícola. Moxotó. Pankará Carnaubeira Em processo Pequenas criações de bode, porco, galinha e gado; Controle por fazendeiros das áreas mais produtivas que da Penha de da produção artesanal com a palha e o talo do reivindicam como suas terras indígenas e aos entraves demarcação / catolezeiro; produção comercial de pinha. que opõem ao processo de demarcação das terras. Identificada Produção agrícola prejudicada pelo uso de técnicas agrícolas desapropriadas ao cultivo, que causam o desgaste do solo e dificuldade de acesso ao crédito e compra de sementes e insumos. A produção de pinha padece de canais mais vantajosos de comercialização e tem sua produção sazonal repassada aos atravessadores. A população mais jovem carece de atividades rentáveis financeiramente. A população sofre com baixas taxas de escolaridade e falta de qualificação profissional no campo agrotécnico. Pankararu Jatobá, Homologada Agricultura de base familiar (milho, feijão, Carência de infraestrutura e precariedade na logística Entre Serras Petrolândia e Homologada mandioca); fruticultura (caju, coco, umbu e frutos para beneficiamento e comercialização da produção Pankararu Tacaratu de cactos, pinha, manga, goiaba, acerola, castanha agrícola; ação de atravessadores; insuficiente estrutura de caju); venda da produção animal (bodes, para a fabricação de redes. carneiros, galinhas e gado de corte); fabricação de redes. Pipipã Floresta Em processo de Aposentadorias, benefícios de natalidade, salários de alguns funcionários da FUNASA e dos Escassez d água, na maior parte do território que ocupam, dificultando a produção agrícola e pecuária. 15

16 Etnia Município(s) Área (hectares) Situação da terra População Meios de Subsistência Pressões e Ameaças demarcação / Identificada professores indígenas. Pequena produção de artesanato, venda de mel e outros produtos sazonais, coletados na região. Truká Cabrobó Homologada Maiores produtores de arroz do estado (80% da produção pernambucana). Agricultura de base familiar. Pesca artesanal no rio São Francisco. Incremento da fruticultura irrigada e da piscicultura. Construções das barragens pela Companhia de Hidroelétrica do São Francisco (CHESF) que diminuíram a quantidade e a variedade dos peixes; áreas desmatadas pelos fazendeiros para o plantio do capim e criação de gado; o uso defensivo e insumos agrícolas da agricultura convencional, causando salinização do solo; produção vendida aos atravessadores. Tuxá Inajá 380 Homologada 141 Agricultura de base familiar; produção comercial de cebola, melancia, tomate e a criação de caprinos para corte. Área reduzida de terras; logística insuficiente para comercialização da produção; recursos financeiros limitados aos insumos da produção; escassez de água. Xukuru Pesqueira Homologada Agricultura de base familiar, destacando-se pelo plantio de banana, feijão, mandioca, milho e hortaliça, e a criação de gado leiteiro e, também, a caprinovinocultura para abate. O Programa Leite Xukuru atualmente recolhe, em média, de litros/dia, que são vendidos para dois laticínios e para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Agricultura orgânica. Produção de artesanato e renda renascença Evasão dos jovens 16

17 4 MARCO DA POLÍTICA DOS POVOS INDÍGENAS O processo de elaboração deste Marco de Política dos Povos Indígenas fundamentouse nos canais de interlocução e nas redes de cooperação construídas entre a UNITEC/ProRural, os povos e organizações indígenas e indigenistas durante a implementação do PCPR 2ª. Fase e nas lições assim aprendidas. O processo participativo de consulta e atuação do ProRural junto aos povos indígenas de Pernambuco foi iniciado quando o ProRural constituiu uma equipe técnica responsável pelo acompanhamento das ações para os grupos sociais específicos e mais vulneráveis do estado, incluindo as comunidades quilombolas e indígenas. Neste processo realizou uma parceria com a Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME) que resultou no estabelecimento de um canal de consultas com representantes dos povos indígenas do estado, através de oficinas e seminários. Com base nesta parceria e através de amplo processo de consulta e capacitação foi elaborado o Plano de Ação dos Povos Indígenas , que norteará a atuação do ProRural junto aos povos indígenas durante a implementação do PRS. Adicionalmente, a elaboração deste Marco de Política dos Povos Indígenas contemplou uma nova rodada de consultas com representantes dos povos indígenas no estado de Pernambuco e de entidades governamentais e não governamentais que atuam junto a eles. 4.1 Resultados e Lições Aprendidas com a Implementação do PCPR A implementação de ações do PRS junto aos povos indígenas absorverá as lições adquiridas pelo ProRural durante as ações realizadas pelo PCPR ( ) com as comunidades indígenas. O Quadro 2 apresenta o resultado dos subprojetos financiados no período de 1999 a

18 Quadro 2- Ação do PCPR ( ) em comunidades indígenas CLASSIFICAÇÃO PCPR I E PCPR II FASE 1 ( ) N.º DE SUBPROJETOS N.º DE FAMÍLIAS Investimentos R$ Infraestrutura ,25 Produtivo 0 0 0,00 Desenvolvimento. Humano ,12 Total ,37 Fonte: Gerência do PCPR/ ProRural- dezembro de 2010 No período de 2007 a 2010, que corresponde a 2ª Fase do PCPR II, foram beneficiadas cinco etnias com a execução de nove subprojetos, nas áreas de infraestrutura, produtivas e de acesso à água. Estas ações estão resumidas no Quadro 3. Dos subprojetos financiados nesta fase merece destaque o convênio com a Associação da Comunidade Indígena Xukuru do Ororubá, localizada no município de Pesqueira. Os investimentos permitiram a aquisição de 04 tanques de resfriamento de leite, no período de 2008/2009, e atenderam aproximadamente 450 famílias produtoras. O subprojeto ampliou a capacidade de conservação do leite, possibilitando resfriar em média litros/dia, que são comercializados com o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e com empresas de laticínios da região. Quadro 3 - Subprojetos financiados para os Povos Indígenas pelo PCPR II 2ª fase Município Nome da Associação Nº de Beneficiários Tipo de Objeto Valor Aprovado Águas Belas Associação de Bovinos das mães do Peti da 50 Banheiro com R$ ,66 Aldeia Fulni- ô de Águas Belas FULNY-Ô fossa Cabrobó Associação de Rizocultores Indígenas de 80 Mecanização R$ ,15 Truká Agrícola Carnaubeira Associação Comunidade de Indígenas 60 Construção de R$ ,12 da Penha Atikum Umã da Gameleira cisternas 18

19 Município Nome da Associação Nº de Beneficiários Tipo de Objeto Valor Aprovado Carnaubeira Associação dos Pequenos Produtores de 30 Banheiro com R$ ,40 da Penha Queimada Redonda e Umãs fossa Carnaubeira Associação dos Povos Indígenas da Aldeia 20 Construção de R$ ,57 da Penha Caxuá cisternas Ibimirim Associação do Desenvolvimento Kambiwá 70 Construção de cisternas Ibimirim Associação comunidade Indígena Croá 70 Construção de cisternas R$ ,95 R$ ,98 Jatobá Associação indígena dos Produtores da 45 Banheiro com R$ ,68 comunidade indígena Pankaiwká fossa Pesqueira Associação Indígena Xucuru 268 Resfriador de Leite R$ ,51 TOTAL 693 R$ ,02 Fonte: Gerência do PCPR/ ProRural- dezembro de 2010 Durante a execução dos subprojetos para os povos indígenas, observou-se que eles têm uma visão de território que diverge da adotada pelo Estado. Sua relação com o município é distinta, uma vez que muitas de suas terras ultrapassam limites municipais, e dificulta a participação dos povos indígenas nas reuniões dos CMDRs. Esta limitação à participação dos povos indígenas foi superada durante a execução do PCPR, com a adoção da diretriz que conferia prioridade aos grupos indígenas para apresentação de suas demandas aos CMDRs. Em consequência houve um aumento na participação das organizações indígenas nesses espaços. Esta diretriz será mantida no PRS. 4.2 Processo de Consulta e Interlocução Na execução da segunda fase do PCPR e com o objetivo de fortalecer as organizações indígenas para maior acesso aos recursos do ProRural e de outras políticas públicas, foi 19

20 realizada uma parceria com a APOINME 4, que desenvolveu processo de capacitação e planejamento participativo com as 11 etnias, através de realização de oficina em cada povo. Esse processo mobilizou a participação de aproximadamente 300 pessoas, viabilizou uma avaliação do Plano de Ação do ProRural junto aos povos indígenas construído em 2007 e materializou-se na elaboração do Plano de Ação do Povos Indígenas Este plano abrange ações a serem desenvolvidas pelos povos indígenas em parceria com diversas instituições e foi entregue oficialmente às mesmas incluindo o ProRural. A parceria com a APOINME e os processos de consultas aos povos indígenas serão fortalecidos durante a implementação do PRS. Antes da parceria com a APOINME, em 2007 o ProRural e a Secretaria Especial de Articulação Regional coordenaram um Encontro dos Povos Indígenas para elaboração do Plano de Ação 2008 que ocorreu no município de Floresta. O Encontro teve como objetivos específicos: possibilitar aos representantes dos povos indígenas o conhecimento das políticas públicas existentes para as etnias; avaliar o Plano de Ação para os povos indígenas 2007; possibilitar a articulação entre os povos indígenas e as instituições governamentais, priorizar e apresentar ações para o Plano de Ação A partir desse Encontro iniciou-se o processo de fortalecimento da organização indígena que culminou com a contratação da APOINME. Houveram outras consultas. Como parte da preparação do PRS, a UNITEC/ProRural realizou, entre novembro e dezembro de 2010, uma nova rodada de consultas locais com as diferentes etnias indígenas existentes no estado. Em 28 de março de 2011, na sede do ProRural, aconteceu um encontro para apresentação do Marco dos Povos Indígenas a representantes dos povos indígenas, entidades públicas e organizações não governamentais que atuam junto a estes povos. Para este encontro foram convidados representantes das onze etnias, da APOINME, da FUNAI, de agências governamentais e de organizações não governamentais. 6 A UNITEC/ProRural disponibilizou transporte para as lideranças indígenas. Na oportunidade, os representantes da Associação da Comunidade Indígena Xukuru do Ororubá apresentaram sua experiência de participação no PCPR e, particularmente, no processo de apreciação e definição do subprojeto conduzido pelo CMDRs do município de 4 A APOINME é uma instituição que representa os povos e organizações indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo. 5 Arquivo de capacitação -Gerência do PCPR 6 Participaram do evento representantes da FUNAI, do Instituto Nacional Colonização e Reforma Agrária (INCRA), do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), da Secretaria Estadual da Mulher, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Pernambuco (FETAPE), do Centro de Estudos e Pesquisas Josué de Castro e do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA) e da Associação da Comunidade Indígena Xukuru do Ororubá. 20

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