Eunice Andrade Cintra. Luiza Teixeira Mendes. LEI MARIA DA PENHA: Feminicídio. São Caetano do Sul

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1 CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO TECNOLOGICA PAULA SOUZA ESCOLA TÉCNICA JORGE STREET CLASSE DESCENTRALIZADA ESCOLA ESTADUAL MARIA TRUJILO TORLONI TÉCNICO EM SERVIÇOS JURÍDICOS Eunice Andrade Cintra Luiza Teixeira Mendes LEI MARIA DA PENHA: Feminicídio São Caetano do Sul 2015

2 Eunice Andrade Cintra Luiza Teixeira Mendes LEI MARIA DA PENHA: Feminicídio Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso Técnico em Serviço Jurídico da Etec Jorge Street, Classe Descentralizada Escola Estadual Maria Trujilo Torlone orientado pelo Prof. Waldir Gomes Magalhães, como requisito parcial para obtenção do título de técnico em Serviço Jurídico. São Caetano do Sul 2015

3 DEDICATÓRIA Eunice Dedico a Deus, este, por ser tão dedicado a esta sua filha, que em todos os momentos de minha vida senti Tua presença alimentando minhas forças. À minha mãe Efigênia Andrade Cintra de inesgotáveis amor e dedicação. Aos meus filhos, Gustavo, Ana Elisa, Mariana e minha netinha Anna Giulia por estarem presente em minha vida, fazendo-me conhecer em todos estes ano o verdadeiro sentido para mim do amor. As todas brasileiras que trabalham arduamente, combatendo à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher sonhando com um futuro melhor, com uma justiça igualitária gerando paz e bem. Às todas as PLPs (Promotora Legal Popular), principalmente as responsáveis pela criação do curso para formação delas. A todas as mulheres que sofrem desse mal. A toda sociedade feminina brasileira, desde a mais simples até a mais renomada cidadã. E, naquelas horas em que nada parecia dar certo, agradeço àqueles que não mais aqui estão, mas que sei que, com sua luz, elucidaram meus pensamentos.

4 Luiza Dedico em primeiro lugar a Deus que iluminou o meu caminho durante esta caminhada. Ao meu esposo, que de forma especial e carinhosa me deu força e coragem, me apoiando nos momentos de dificuldades. Aos meus filhos que embora não tivessem conhecimento disto, mas iluminaram de maneira especial os meus pensamentos me levando a buscar mais conhecimentos. Não deixando de dedicar de forma grata e grandiosa, a minha mãe quem eu rogo todas as noites a sua existência. E minha amiga Eunice que se não fosse por sua grande ajuda não teria conseguido chegar ao termino do curso.

5 AGRADECIMENTOS A todos os professores que tivemos em nossas vidas, que sempre terão o nosso respeito, pois investiram seu tempo ao ensino, e que ajudaram a nos transformar em quem somos. Em especial, aqueles que no decorrer deste curso, que além de nos ensinarem, conquistaram nosso carinho.

6 Um de vocês vai dizer que não viu nada, não ouviu nada. Um de vocês vai me dizer vai devagar, sem acusar. A violência se faz, a indiferença se faz, a intolerância se faz sem testemunha. Dentro de casa, nas ruas do subúrbio, Dentro de casamento e nas delegacias. Não faz mal pensar que não se está só. Um de vocês vai dizer que não viu nada, não ouviu nada. Um de vocês vai me dizer vai devagar, sem acusar. E também sofrem as ricas disfarçadas, as mães executivas e as presidiárias. O grito mudo das filhas do subúrbio penetra nas entranhas do teu ouvido surdo. Não faz mal pensar que não se está só. FILHAS, MÃES E IRMÃS DOMINATRIX

7 RESUMO Objeto deste estudo é a violência doméstica, com apresentação especial em duas leis, ou seja, na Lei Maria da Penha que foi editada na lei federal nº no dia 7 de agosto de 2006, e na lei feminicídio que recentemente foi tipificada na Lei /2015, enquadrada como homicídio qualificado. Para tanto, não há propósito de analisar aqui a constitucionalidade da Lei e sim algumas palavras sobre a violência contra a mulher e seus significados, seus efeitos de sentido na lei feminicídio. Primeiro analisa-se o crescente fenômeno da violência de gênero, da qual a mulher é majoritariamente vítima, e como a histórica inferiorização da mulher e sua constante submissão à figura masculina contribuiu para perpetuar essa situação. Em seguida, o crime de feminicídio é abordado com mais profundidade. Discorre-se, então, sobre os diferentes tipos de feminicídio existentes, e alguns casos de repercussão mundial. Palavras-chave: Lei Maria da Penha; Feminicídio; Conceitos.

8 ABSTRACT. Object of this study is domestic violence, with a special presentation in two laws, namely in the Maria da Penha Law was published in Federal Law No. 11,340 on August 7, 2006, and femicide law recently was typified by Law 13,104 / 2015 framed as degree murder. Therefore, there is no purpose here to analyze the constitutionality of the law but a few words about violence against women and their meanings, their sense effects on femicide law. First it analyzes the growing phenomenon of gender violence, which women are mostly victims, and as the historical inferiority of women and their constant submission to the male figure helped to perpetuate this situation. Then femicide crime is covered in more depth. Discusses up, then, on the different types of femicide, and some cases of world-wide repercussion. Key-words: Maria da Penha Law; femicide; Concepts.

9 Sumário 1 INTRODUÇÃO LEI MARIA DA PENHA VIOLÊNCIAS DE GÊNERO Medidas Protetivas Conceito Evoluções das Medidas Protetivas Políticas públicas Feminicídio: Conceito Doutrina...25 A quesitação do feminicídio no Júri: Feminicídio íntimo: Feminicídio não íntimo: Feminicídio por conexão: Aspectos Legais Inclusões do Feminicídio no Código Penal A LEI Nº , de 9 de março de Homicídios qualificados Crimes hediondos A Tipificação do Feminicídio Casos Emblemáticos CONCLUSÃO Bibliografia ANEXO...73

10 1 INTRODUÇÃO Na atualidade, a temática violência vem sendo incessantemente debatida, em decorrência do aumento de incidência tanto nos setores da vida pública como na vida privada. Uma das manifestações que mais tem preocupado a sociedade brasileira é a violência doméstica contra mulher. O objeto deste estudo é a violência doméstica, com enfoque especial para os pontos principais e as eventuais fragilidades da Lei nº , de 07 de agosto de Para nortear a pesquisa questiona-se: o advento da Lei Maria da Penha é suficiente para resolver o problema relacionado à violência contra a mulher não solucionada pelos Juizados Especiais Criminais? Ao final, confirma-se a hipótese de que a Lei Maria da Penha vem para atender aos anseios da sociedade contra a sensação de impunidade despertada pela aplicação da Lei do Juizado Especial Criminal aos casos de violência doméstica e familiar praticada, especialmente, contra a mulher. Contudo, a Lei Maria da Penha (2006), que se destina a coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher: quebra-se nela a memória discursiva de família tradicional, ao adotar um posicionamento em favor da mulher vitimada pelo homem, seu agressor. Objetivo desta pesquisa será especificamente a incorporação do feminicídio ao Código Penal, para punição do agente infrator contra mulheres frente aos crimes. Propiciar a informação, divulgar, explorar, buscar entendimento sobre última Lei nº /2015. Despertar atenção da sociedade, para a importância das atualizações dos avanços, com a efetiva aplicação da Lei, Levantar a problemática da violência domestica e o amparo da lei a garantia de direitos. Pois a mulher quando se sente protegida, ela terá mais força e coragem para seguir em frente, com esperança, vida nova, para ela e os seus. No momento que se encontra numa situação degradante, onde tudo parece perdido, a lei está protegendo-a de seu agressor. Fato é que a violência domestica e familiar é uma questão histórica e cultural, anunciada que ainda hoje, infelizmente, faz parte da realidade de muitas mulheres nos lares brasileiros. 10

11 Só com a educação e o esclarecimento conseguir-se-á reverter esse quadro dramático da nossa sociedade. Esta tarefa pretende chamar à atenção da sociedade, para as vitimas que estão como alvo de seus algozes. Logo, esta pesquisa pretende abordar a aplicabilidade da Lei Maria da Penha, abordar a aplicabilidade da recente promulgada Lei do Feminicídio, iniciando com uma análise da violência doméstica e familiar, interligando-se com os novos conceitos e avanços trazidos pela lei. 11

12 2. LEI MARIA DA PENHA Em todos meios de comunicação atualmente é comum se deparar com notícias de mulheres que foram ou são agredidas por seus companheiros. A ação contra esse tipo de violência já se deu de diversos modos, entre elas, sendo a de maior eficácia, as medidas punitivas da Lei nº /06, popularmente conhecida como Lei Maria da Penha. Com embasamento nos elevados índices de mortes de mulheres, tanto adultas quanto adolescentes e crianças no país, além de intensas pressões dos movimentos feministas no enfrentamento à violência doméstica e familiar, foi criada a Lei Maria da Penha. O procedimento de formação legislativa da Lei Maria da Penha foi um dos mais democráticos vistos até hoje no Brasil, visto que este procedimento teve a participação de movimentos feministas de todas as regiões do país, além de um grande apoio internacional. Uma proposta de prevenção à violência doméstica elaborada por um conjunto de ONGs (Advocacy, Agende, Cepia, Cfemea, Claden/IPÊ e Themis) foi apresentada, e depois de várias discussões e reformulações coordenadas pela Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM), o texto legal foi enviado pelo Governo Federal ao Congresso Nacional, onde foi aprovado por unanimidade nas cinco regiões do país onde houve audiências públicas realizadas nas Assembleias Legislativas e que contaram com a participação de entidades da sociedade civil, parlamentares e a SPM. Como podemos observar, a espera de uma lei que realmente fosse ajudar as mulheres vítimas da violência doméstica foi finalmente concretizada, podendo atender tanto mulheres da classe alta quanto mulheres carentes. Muito se fala na chamada Lei Maria da Penha, mas muitos não sabem o porquê esse nome foi dado a ela. Maria da Penha Maia Fernandes, bi farmacêutica, cearense, e que atualmente possui 61 anos de idade, foi vítima, por duas vezes, de tentativa de homicídio praticado por seu marido na época, o professor universitário e economista Marco Antônio Herredia Viveros, e também pai de suas três filhas. Na primeira tentativa, em 29 de maio de 1983, Marco Antônio deu um tiro nas costas de Maria da Penha com uma espingarda enquanto ela dormia, simulando um 12

13 assalto. Depois do disparo foi encontrado na cozinha da residência gritando por socorro, alegando que os ladrões haviam fugido pela janela. Maria da Penha ficou internada durante quatro meses e em resultado da violência voltou paraplégica para a sua casa. Pouco mais de uma semana do fato ocorrido, a segunda tentativa de homicídio foi praticada. O marido a empurrou da cadeira de rodas que usava em virtude da primeira tentativa, e também buscou eletrocutá-la por meio de uma descarga elétrica enquanto ela tomava banho. Como expõe Maria Berenice Dias (2007, p. 13), as investigações começaram em junho de 1983, mas a denuncia só foi oferecida em setembro de Em 1991, o réu foi condenado pelo tribunal do júri a 8 anos de prisão. Além de ter recorrido em liberdade ele, 1 ano depois, teve seu julgamento anulado. Levado a novo julgamento em 1996, foi-lhe imposta a pena de 10 anos e 6 meses. Mais uma vez recorreu em liberdade e somente 19 anos e 6 meses após o fato, em 2002, é que Marco Antonio Herredia Viveros foi preso e cumpriu apenas dois anos de prisão em regime fechado e logo após recebeu o benefício da progressão de regime indo para o regime aberto. A repercussão dessa história foi tão grande que fez a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos solicitar ao governo brasileiro um parecer sobre o fato. Como este parecer nunca foi entregue à Comissão, o Brasil foi condenado internacionalmente em 2001, tendo como pena o dever de impor o pagamento de indenização no valor de 20 mil dólares em favor de Maria da Penha, além de ter sido responsabilizado por negligência e omissão em relação à violência doméstica. Fora isso, foi recomendado que o país adotasse várias medidas para simplificar os procedimentos penais para que possa ser reduzido o tempo processual. E, como já dito anteriormente, foram essas pressões internacionais que fizeram com que o Brasil cumprisse os tratados internacionais dos quais é signatário. Maria da Penha, após as tentativas de homicídio, começou a atuar em movimentos sociais contra violência e impunidade e hoje é coordenadora de Estudos, Pesquisas e Publicações da Associação de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência (APAVV) no Ceará. 13

14 Com a ineficiência dos Juizados Especiais já que a lei da força física ainda era superior à da lei jurídica, foi criada em 2002, uma medida cautelar, de natureza penal, ao admitir a possibilidade de o juiz decretar o afastamento do agressor do lar conjugal na hipótese de violência doméstica. Antes da Lei /06, a violência doméstica contra a mulher nunca teve uma lei especifica que regulasse a punição do agente agressor. Em 2006, com a promulgação da Lei Maria da Penha, um novo texto legal surge para regularizar e punir os agressores de mulheres no âmbito doméstico e familiar,e com essa nova lei, mudanças surgiram nos tramites processuais penais brasileiros. Sobre isso, Maria Berenice Dias nos mostra a inferioridade da mulher numa relação de violência: Apesar de a igualdade entre os sexos estar ressaltada enfaticamente na Constituição Federal de 1988, é secular a discriminação que coloca a mulher em posição de inferioridade e subordinação frente ao homem. Se antes da promulgação da Lei Maria da Penha era possíveis penas alternativas como forma de punição pela violência praticada, depois da Lei, ficou proibido o uso de pena pecuniária, multa ou entrega de cestas básicas, e se permitiu a prisão em flagrante e a prisão preventiva do agressor, a depender dos riscos que a mulher corra. A Lei trouxe com ela uma das maiores conquista, a criação dos JVDFMs (Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher), o que deu mais celeridade e competência cível e criminal, por exemplo, os processos que continham direito de família. Depois da promulgação da lei Maria da Penha houve penas mais rígidas ao agressor, não sendo mais possível penas alternativas tais como: pecuniária, multa ou entrega de cestas básicas. Com esta lei determinou-se prisão em flagrante e a prisão preventiva do agressor para impedir riscos para a mulher, determinando tempo de prisão para cada caso. Além de todas estas determinações vale exaltar o fato de dar ao juiz autonomia de fixar um limite mínimo de distancia contato entre o agressor e a vitima agredida, seus familiares e testemunhas. 14

15 Um dos mais importantes dispositivos da Lei para o agressor não voltar a agredir a mulher, é o Juiz determinar o comparecimento obrigatório do agressor a programas de recuperação, reeducação, e a reeducação psicológica. A Lei /06 trouxe medidas positivas para proteger às mulheres que sofrem violências domesticas e familiar tais como: vitima só poder desistir da denuncia perante o juiz; assegurar a vitima e seus familiares e testemunhas uma distancia segura de seu agressor. 2.1 VIOLÊNCIAS DE GÊNERO A ordem patriarcal é vista como um fator dominante na produção da violência de gênero, uma vez que está na base das representações de gênero que configura a desigualdade e dominação masculinas internalizadas por homens e mulheres. A violência de gênero aparece nas relações de poder onde se ajuntam as categorias de gênero, classe e etnia. Expressa uma forma particular de violência global mediatizada pela ordem patriarcal, que delega aos homens o direito de dominar e controlar suas mulheres, podendo para isso usar a violência. Dentro dessa visão, a dominação masculina, segundo Bourdieu (1999), desempenha um controle simbólico sobre todo o tecido social, corpos e mentes, discursos e práticas sociais e institucionais, criando diferenças e naturalizando desigualdades entre homens e mulheres. Para ele a dominação masculina organiza a percepção concreta e simbólica de toda a vida social. O controle do homem não pode ser vista como algo isolado, que se reproduz de modo igual. Há diferenciações na forma como o poder patriarcal aparece, assim como nas formas de reação que as mulheres desenvolvem nos diferentes meios. Essa perspectiva teórica que vincula o domínio sobre as mulheres no sistema patriarcal foi durante anos, utilizada pelas feministas no estudo da relação controle masculino e obediência feminina, entretanto, no presente momento é criticada pelos estudos de gênero por suas tendências universais. Desta forma, o sentido gênero passou a ser usado de forma mais ampla do que patriarcado para compreender as relações de poder e subjugação. Passou também a mudar a categoria mulher em muitos estudos feministas (Piscitelli, 2002). A perspectiva de gênero desenvolvida por escritoras feministas como Tereza 15

16 de Lauretis (1987), Joan Scott (1995) e Judith Butler (2003) entre outras, indica um outro sentido critico para refletirmos sobre a violência de gênero, não apenas com a visão da dominação masculina, mas também para um ambiente mais amplo. Este novo ângulo analítico questiona a universalidade das categorias homem e mulher, associadas a construções binárias que associam poder e dominação ao masculino e obediência e submissão ao feminino. Se o gênero é relacional, não se pode admitir, no contexto das relações de gênero, um poder masculino absoluto. As mulheres também detêm parcelas de poder, embora desiguais e nem sempre suficientes para sustar a dominação ou a violência que sofrem. Desta forma, é possível pensarmos em diferentes possibilidades ou modos de subjetivação e singularização vivenciados por homens e mulheres. Se o poder se articula segundo a posição, e se homens e mulheres detêm parcelas de poder, embora de forma desigual, cada um lança mão das suas estratégias de poder, dominação e submissão. No caso da violência contra a mulher ou violência de gênero, podemos concluir que embora a dominação masculina seja um privilégio que a sociedade patriarcal concede aos homens, nem todos a utilizam, assim como nem todas as mulheres se submetem igualmente a essa dominação. (Araújo, 2008; Saffioti, 2001). Apesar o aparecimento igual do fator predominante a desigualdade de poder nas relações de gênero - cada caso tem uma influência própria, ligada com os contextos distintos e as histórias de vida de seus autores. Desta forma, no estudo e compreensão da violência contra a mulher é suma importância levar em consideração esses aspectos universais e particulares de forma a apreender a diversidade do fenômeno. Portanto, pode-se dizer que a violência contra a mulher não é um fenômeno único e não acontece da mesma forma nos diferentes contextos; ela tem aspectos semelhantes, mas também diferentes em função da singularidade dos sujeitos envolvidos. (Araújo, S/Data) 16

17 3 - Medidas Protetivas 3.1 Conceito Segundo o site do TJCE, São medidas cautelares que o juiz poderá conceder à vítima, para proteger sua integridade física. São elas: suspensão do porte de armas do agressor, afastamento do agressor do lar, distanciamento da vítima, dentre outras. 3.2 Evoluções das Medidas Protetivas Dentro da Lei Maria da Penha (Lei nº /06), está incluso uma grande quantidade de medidas a serem tomadas pelos agentes executores da proteção e pela interpretação dos atos envolvendo a violência doméstica e familiar, no intuito de assegurar às vítimas o direito de paz. Dias (2007, apud NUCCI) salienta ainda que "são previstas medidas inéditas, que são positivas e mereceriam uma extensão ao processo penal comum, cuja vítima não fosse somente a mulher, o que de fato ocorreu com as modificações das medidas cautelares do Art. 319 do CPP, com base na Lei /2011". É certo que o papel de conter o agressor e garantir a segurança patrimonial da vítima da violência doméstica e familiar está a cargo da polícia, do juiz e do Ministério Público, devendo estes agir de modo imediato e eficiente (DIAS, 2007). A vítima poderá solicitar ações necessárias à justiça, no objetivo de garantir a sua proteção por meio das autoridades e o delegado de polícia deverá encaminhar, no prazo de 48 horas, o expediente referente ao pedido, anexado com os documentos necessários à prova, para que este seja conhecido pelo juiz. De acordo com a Lei Maria da Penha (Lei nº /06), estão previstas em seus artigos 22, 23 e 24, as medidas protetivas de urgência: Art. 22. Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos desta Lei, o juiz poderá aplicar, de imediato, ao agressor, em conjunto ou separadamente, as seguintes medidas protetivas de urgência, entre outras: 17

18 I - suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com comunicação ao órgão competente, nos termos da Lei no , de 22 de dezembro de 2003; II - afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida; III - proibição de determinadas condutas, entre as quais: a) aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando o limite mínimo de distância entre estes e o agressor; b) contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação; c) frequentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica da ofendida; IV - restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores, ouvida a equipe de atendimento multidisciplinar ou serviço similar; V - prestação de alimentos provisionais ou provisórios. 1o As medidas referidas neste artigo não impedem a aplicação de outras previstas na legislação em vigor, sempre que a segurança da ofendida ou as circunstâncias o exigirem, devendo a providência ser comunicada ao Ministério Público. 2o Na hipótese de aplicação do inciso I, encontrando-se o agressor nas condições mencionadas no caput e incisos do art. 6o da Lei no , de 22 de dezembro de 2003, o juiz comunicará ao respectivo órgão, corporação ou instituição as medidas protetivas de urgência concedidas e determinará a restrição do porte de armas, ficando o superior imediato do agressor responsável pelo cumprimento da determinação judicial, sob pena de incorrer nos crimes de prevaricação ou de desobediência, conforme o caso. 3o Para garantir a efetividade das medidas protetivas de urgência, poderá o juiz requisitar, a qualquer momento, auxílio da força policial. 18

19 4o Aplica-se às hipóteses previstas neste artigo, no que couber, o disposto no caput e nos 5o e 6º do art. 461 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil). A providência inicial a ser tomada pela autoridade policial, após a denúncia é a suspensão da posse ou restrição do porte de armas do agressor, no objetivo de evitar uma tragédia ainda maior, com comunicação ao órgão competente nos termos da Lei de 22 de dezembro de 2003 (DIAS, 2007). Deve-se deixar claro que, de acordo com Porto (2012), quando não for mais possível o flagrante, devido à fuga do local da ocorrência por parte do agressor, a apreensão das armas também é indicada à autoridade policial, sendo necessária a autorização da vítima para a busca na casa, sendo que não há nenhuma ilegalidade no ato policial. O doutrinador destaca o antigo dito popular: é melhor prevenir do que remediar. O artigo 23 da referida Lei atentou-se a proteção das vítimas, trazendo medidas protetivas de urgência. Art. 23. Poderá o juiz, quando necessário, sem prejuízo de outras medidas: I - encaminhar a ofendida e seus dependentes a programa oficial ou comunitário de proteção ou de atendimento; II - determinar a recondução da ofendida e a de seus dependentes ao respectivo domicílio, após afastamento do agressor; III - determinar o afastamento da ofendida do lar, sem prejuízo dos direitos relativos a bens, guarda dos filhos e alimentos; IV - determinar a separação de corpos. Os meios de proteção às vítimas da violência doméstica e familiar devem ser determinados pelo juiz competente, ou ainda pela autoridade policial, sendo que o Ministério Público também tem esse dever, por se tratar de um serviço público de segurança, mesmo que seja no âmbito administrativa (DIAS, 2007). Porto (2012) enfatiza que só será permitido o afastamento de seu lar se houver alguma evidencia da prática ou risco comprovado de algum crime que 19

20 provavelmente irá justificar o afastamento, não apenas como mero capricho da vítima, pois se sabe que muitas vezes o afastamento do individuo extrapolará os prejuízos a sua pessoa. Tal medida pode ser considerada violenta, por privar os filhos do contato e do convívio com o pai. O doutrinador indica também que é possível a prisão preventiva do agressor, conforme disposto nos artigos 20 c/c 42 da referida Lei, que deu nova redação ao artigo 313 do Código de Processo Penal, permitindo a prisão preventiva quando se julgar adequada para garantir o cumprimento das medidas protetivas de urgência. Soares (2005) aponta ainda que é de suma importância que a vítima da violência domestica saiba de alguns direitos que a protegem. A vítima deverá estar ciente também que, caso queira desistir da ação penal que move contra o agressor, se esta for ação penal pública condicionada à representação, só será permitido a desistência da representação perante o juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade, antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público, conforme dispõe o artigo 16 da Lei, sendo que essa audiência deverá ser solicitada pela vitima. Ainda de acordo com Soares (2005), o juiz assegurará à mulher vítima de violência doméstica e familiar, com o fim de preservar sua integridade física e psicológica: a) acesso prioritário à remoção quando servidora pública, integrante da administração direta ou indireta; b) manutenção do vínculo trabalhista, quando necessário o afastamento do local de trabalho, por até seis meses. Por opção da vitima, a competência da ação judicial para os processos cíveis regidos pela Lei será o Juizado: a) do domicílio da vitima ou de sua residência; b) do local do fato em que se baseou a demanda; c) do domicílio do agressor. Após receber o expediente, o juiz irá se decidir sobre as medidas protetivas de urgência, no prazo de 48 horas, podendo este ainda determinar o 20

21 encaminhamento da vítima ao atendimento da assistência judiciária. Se for o caso de prisão do agressor, a vítima precisará ser notificada dos atos processuais relativos ao agressor, especialmente dos pertinentes ao ingresso e à saída da prisão (SOARES, 2005). A Lei Maria da Penha também tem incluso, em seu artigo 24, a concessão de medidas protetivas na esfera patrimonial: Art. 24. Para a proteção patrimonial dos bens da sociedade conjugal ou daqueles de propriedade particular da mulher, o juiz poderá determinar, liminarmente, as seguintes medidas, entre outras: I - restituição de bens indevidamente subtraídos pelo agressor à ofendida; II - proibição temporária para a celebração de atos e contratos de compra, venda e locação de propriedade em comum, salvo expressa autorização judicial; III - suspensão das procurações conferidas pela ofendida ao agressor; IV - prestação de caução provisória, mediante depósito judicial, por perdas e danos materiais decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a ofendida. Parágrafo único. Deverá o juiz oficiar no cartório competente para os fins previstos nos incisos II e III deste artigo. Porto (2012) deixa claro que a primeira destas medidas preocupa-se em determinar a restituição dos bens indevidamente subtraídos pelo agressor, podendo acorrer em caráter cautelar nos seguintes casos: a) Quando se tratar dos bens particulares da ofendida, retidos pelo agressor; b) Quando se tratar de bens comuns que o agressor está subtraindo do casal, em hipótese similar ao de furto de coisa comum; c) Quando se tratar de bens comuns, mas de uso profissional da ofendida (PORTO, 2012, p. 114). Em um segundo momento, menciona o inciso II do citado artigo, onde é permitido ao juiz solicitar a proibição temporária para a celebração de atos e contratos de compra, venda e de locação de qualquer propriedade, a não ser que o 21

22 próprio juiz permita que o agressor o faça, sendo conveniente que a vítima indique os bens que deverão ser protegidos. Na visão de Dias (2007), a eventualidade do inciso III do artigo 24 da Lei Maria da Penha é uma das mais indicadas, pois dá ao Juiz a possibilidade de suspender procurações concedidas pela vítima ao agressor no prazo de 48 horas após a denúncia. O Prof. Porto (2012) foi feliz em afirmar que a procuração depende do acordo entre as partes, e que, quando esta confiança é quebrada, de acordo com o artigo 682, I, do Código Civil Brasileiro, o mandante poderá revogar o mandato, sendo necessária a divulgação do ato para evitar danos a terceiros de boa-fé. Concluindo o assunto de medidas protetivas, a medida cautelar prevista no inciso IV do citado artigo garante a satisfação de um direito que venha a ser reconhecido em demanda judicial a ser indicada pela vítima, determinando o depósito judicial de bens e valores. Essas medidas podem ser criadas perante a autoridade policial, uma vez que são meramente extrapenais (DIAS, 2007). (Presser, 2014) Políticas públicas Em agosto de 2014, a Lei 11340/06 conhecida como Lei Maria da Penha, completou 8 anos de compromisso e pioneirismo no enfrentamento à violência de gênero. Olhada como inovadora, baseada nos tratados internacionais de proteção dos direitos das mulheres ratificados pelo Brasil, a lei estabelece o aspecto legal diferenciado por gênero. Prevê ainda medidas de proteção e assistência às mulheres no que se refere à contenção e enfrentamento à violência. Porém, a lei precisa ser posto em prática, ou seja, estar a disposição das mulheres que dela precisam de forma rápida e, para isso, aumentar e fortalecer a rede de serviços especializados. Esta sendo trabalhando na articulação e integração das politicas mediante a diversidade da temática de gênero, sensibilização de dirigentes da gestão pública, fortalecimento do controle social e implantação de experiências inovadoras de gestão. 22

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