A REFERÊNCIA DA LEI MARIA DA PENHA NOS TRIBUNAIS

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1 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BRASÍLIA - UNICEUB FACULDADE DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS LUCAS DE PINHO CHALUB A REFERÊNCIA DA LEI MARIA DA PENHA NOS TRIBUNAIS BRASÍLIA 2012

2 LUCAS DE PINHO CHALUB A REFERÊNCIA DA LEI MARIA DA PENHA NOS TRIBUNAIS Monografia para apresentação à Banca examinadora do Centro Universitário de Brasília - UniCEUB, como exigência parcial para conclusão do Curso de Direito. Orientador: Prof. Georges Seigneur BRASÍLIA 2012

3 LUCAS DE PINHO CHALUB A REFERÊNCIA DA LEI MARIA DA PENHA NOS TRIBUNAIS Monografia para apresentação à Banca examinadora do Centro Universitário de Brasília - UniCEUB, como exigência parcial para conclusão do Curso de Direito. Orientador: Prof. Georges Seigneur Brasília 2012 Banca Examinadora Prof. Orientador Prof. Examinador Prof. Examinador

4 RESUMO Esta monografia tem como objeto de estudo a Lei /06, popularmente conhecida como Lei Maria da Penha, na qual criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Iremos verificar o histórico da luta das mulheres, envolvendo as problemáticas e os avanços conquistados. Abordando as inovações trazidas pela Lei Maria da Penha, iremos analisar como a criação da lei beneficiou as mulheres no combate a violência doméstica. Utilizando-se de decisões jurisprudenciais de diversos Tribunais, iremos verificar como a Lei Maria da Penha está sendo abordada e aplicada pelos magistrados. O que se pretende com o presente trabalho, em sentido amplo, é demonstrar que os Tribunais estão de maneira adequada fazendo valer da legislação imposta para que prevaleça a integridade física da mulher, protegendo-a de sofrer com a violência doméstica e familiar. Palavras-chave: Lei Maria da Penha. Violência Doméstica. Referência nos Tribunais.

5 SUMÁRIO INTRODUÇÃO HISTÓRICO DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER Contexto Histórico da Violência Doméstica Formas de Violência Contra a Mulher A Luta das Mulheres Contra a Violência Doméstica A Criação da Lei Maria da Penha O COMBATE A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER Da Criação dos Juizados de Violência Doméstica Das Medidas Protetivas de Urgência Inaplicabilidade da lei 9.099/ O Papel do Ministério Público A REFERÊNCIA DOS TRIBUNAIS SOBRE A LEI MARIA DA PENHA Supremo Tribunal Federal Habeas Corpus /MT Voto do Ministro Relator Marco Aurélio Voto do Ministro Luiz Fux Voto do Ministro Dias Toffoli Voto da Ministra Cármen Lúcia Voto do Ministro Ricardo Lewandowski Voto do Ministro Joaquim Barbosa Voto do Ministro Ayres Britto Voto do Ministro Gilmar Mendes... 51

6 Voto da Ministra Ellen Gracie Voto do Ministro Cezar Peluso Superior Tribunal de Justiça Conflito de Competência nº /MG Voto do Ministro Relator Napoleão Nunes Maia Filho Recurso Especial nº /DF Voto da Ministra Relatora Laurita Vaz Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios Habeas Corpus Voto do Desembargador Relator George Lopes Leite Conflito de Competência Voto do Desembargador Relator Edson Alfredo Smaniotto Voto do Desembargador Relator Designado Mário Machado. 65 CONCLUSÃO REFERÊNCIAS... 71

7 7 INTRODUÇÃO A lei nº , popularmente conhecida como Lei Maria da Penha, foi criada com o objetivo de coibir a violência doméstica e familiar contra as mulheres nos termos da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres, da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher e de outros tratados ratificados pela Republica Federativa do Brasil. A violência contra a mulher não é algo restrito aos dias de hoje. Com a cultura antiga de a mulher ser considerada parte do patrimônio da família, era considerado normal por parte de o marido punir a mulher com o uso de chibatas. Apesar das mulheres conseguirem várias conquistas para que sejam tratadas de maneiras iguais, infelizmente, hoje em dia, nem todos pensam dessa forma, de modo que ainda aja violência contra as mulheres. Apesar disso, vários movimentos de mulheres não desistiram e lutaram para que fossem tomadas algumas medidas para coibir a violência. Vítima de violência doméstica, Maria da Penha Maia Fernandes, lutou para combater o descaso do governo e da Justiça em relação a casos de violência contra a mulher. Após sofrer dois ataques realizados pelo seu próprio marido, sendo que em razão de um deles tornou-se paraplégica, Maria da Penha viu seu agressor ficar impune por quase vinte anos. A repercussão do caso foi de tamanha grandeza, que o Centro pela Justiça e o Direito Internacional CEJIL e o Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher CLADEM formalizaram uma denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos. Pela omissão no caso, o Brasil foi condenado internacionalmente para pagar uma indenização para Maria da Penha e foi responsabilizado por negligência e omissão em relação à violência doméstica. Sendo assim, o Brasil finalmente cumpriu as convenções e tratados internacionais do qual é signatário, criando a Lei

8 8 Maria da Penha para que fosse coibido qualquer tipo de violência no âmbito doméstico contra a mulher. A Lei Maria da Penha trouxe para o Direito brasileiro uma forma de não apenas buscar uma punição para os agressores, mas também proporcionar meios de proteção e fornecimentos de assistência para zelar os direitos humanos das mulheres. É uma lei que visa à educação e promoção de politicas públicas e assistenciais para as partes envolvidas. A Lei /2006 inovou de várias maneiras, como a maneira de lidar com os agressores e vítimas, proporcionando assistências em geral e medidas de prevenção, por exemplo, e com a criação de Juizados de Violência Doméstica contra a Mulher. Antes da criação da lei, não existia no Brasil lei específica que cuidasse de casos de referentes à violência doméstica contra a mulher, sendo que alguns casos eram processados e julgados nos Juizados Especiais Criminais, de acordo com a Lei 9.099/95 que dispõe sobre tais Juizados, fixando sua competência em delitos de pequeno potencial ofensivo. Havia grande controvérsia em relação aos Juizados Especiais julgarem casos de violência doméstica, já que a grande maioria das penas aplicadas aos agressores era pecuniária, resumindo-se a pagamentos de cestas básicas ou multas. Com a entrada em vigor da lei, ficou afastada qualquer incidência da Lei dos Juizados Especiais (Lei 9.099/1995), sendo assim, não temos a possibilidade de falar em delito de pequeno potencial ofensivo em sede de violência doméstica. Com a criação da Lei Maria da Penha, houve um avanço muito grande no âmbito de resguardar as mulheres. Os benefícios trazidos pela lei foram muito significativos. E um dos principais avanços que trouxe grande benefício foi a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, que cuida de forma mais séria e célere os casos de violência doméstica. Outro grande avanço foi a possibilidade das vítimas requererem medidas protetivas de urgência, que é o caso de afastamento de lar, proibição de o agressor se aproximar da vítima, entre outros. Tais medidas buscam assegurar a manutenção da integridade física, moral, psicológica e patrimonial da mulher.

9 9 Existem vários outros avanços que a Lei Maria da Penha trouxe para o combate da violência doméstica no âmbito familiar, porém, devemos destacar que ainda há imperfeições na lei que dificultam a sua efetividade. O fato de, em alguns casos, ser necessária a representação da vítima e, mesmo fazendo, ainda pode se retratar até certo ponto em que o processo se encontra, é apenas uma das imperfeições que geram certa insegurança para a perfeita efetividade da lei. A criação da Lei Maria da Penha trouxe para o ordenamento brasileiro várias discussões a seu respeito. Por ser de uma matéria um pouco polêmica, nem sempre os entendimentos dos Juízes, Desembargadores e Ministros são da mesma consonância entre eles. Dessa forma, há várias decisões jurisprudenciais e entendimentos a respeito da lei. No Supremo Tribunal Federal, a principal dela é a da discussão sobre a constitucionalidade ou não do artigo 41 que afasta a incidência dos Juizados Especiais nos casos de violência doméstica. As discussões a respeito da lei não ficam somente no Supremo, tendo também no Superior Tribunal de Justiça e nos Tribunais de Justiça Estaduais e do Distrito Federal. No Superior Tribunal de Justiça, são vários precedentes a respeito da Lei Maria da Penha, como a possibilidade ou não da incidência da lei baseando-se em um caso concreto. Já nos Tribunais de Justiça, fica-se evidenciada a grande quantidade de Habeas Corpus requerendo a liberdade daqueles que praticaram violência doméstica contra mulher, e ainda, descumpriram medida protetiva de urgência. Com isso, há uma visível luta no combate à violência doméstica, na qual fica evidenciada com o que os Tribunais vêm apresentando, seguindo com o que o legislador visou para a Lei Maria da Penha. O problema da violência doméstica está longe de acabar, entretanto os primeiros passos para seu combate estão sendo feitos, resta apenas continuar com a luta para que um dia esse crime não seja cometido de forma tão trivial.

10 10 1 HISTÓRICO DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER Desde muito tempo atrás, a mulher era vista em um patamar de desigualdade em relação de poder com o homem. Dessa maneira, as mulheres eram tratadas de forma discriminatória, sendo julgada como um ser inferior e incapaz de realizar certas atividades. Assim, muitos homens se viam no direito de regular e tratar suas mulheres da maneira que bem entendiam. Várias mulheres eram espancadas e mal tratadas pelos maridos e a sociedade considerava isso normal. Felizmente com o passar do tempo, essa cultura foi se modificando e o papel da mulher foi sendo reconhecido. Apesar dessa evolução, nem todos os homens respeitam as mulheres da maneira devida. Muitos ainda acreditam que a melhor maneira de tratar com a mulher é mediante violência. 1.1 Contexto Histórico da Violência Doméstica A lei Maria da Penha foi criada com intuito de coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Durante gerações, os homens, carregando a cultura decorrente de sua região, tratava a mulher como seu patrimônio, não possuindo a mesma o tratamento devido. Cita Belmiro Pedro Welter, Desde que o mundo é mundo humano, a mulher sempre foi discriminada, desprezada, humilhada, coisificada, objetificada, monetizada. 1 A citação mostra, sem nenhuma dúvida, que essas agressões de homens contra mulheres no âmbito familiar vêm ocorrendo durante vários anos. O fundamento de tantos casos envolvendo violência sofrida pela mulher é de certa maneira cultural e decorre da desigualdade no exercício do poder, 1 WELTER, Belmiro Pedro. A norma da Lei Maria da Penha. Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul. Disponível em: Acesso em: 07 de jun

11 11 levando a crer na existência de uma relação de dominante e dominado. Apesar de termos avançado na equiparação de direitos entre o homem e a mulher, a ideologia de superioridade masculina ainda subsiste. A grandiosa desigualdade sociocultural é uma das causas determinantes para discriminação feminina e de sua dominação pelos homens. 2 Uma das grandes causas de disseminação da violência doméstica é o tratamento violento que a pessoa sofreu. A pessoa que em sua infância, vivenciou constantemente a violência contra a figura feminina, considera natural o uso da força física. O fato de os agressores nem sempre serem punidos, gera um ar de impunidade, fazendo com que os filhos considerem normal a violência. 3 Apesar de se tratar de uma batalha de mudança cultural dos homens de agredirem as suas mulheres, trata-se também de uma batalha no âmbito jurídico. Não é justo que uma mulher que muitas vezes deixa sua própria vida em segundo plano para cuidar de seu marido, filhos e da casa, venha a sofrer constantes agressões de uma pessoa que na realidade deveria protegê-la, sendo que o agressor, na maioria das vezes, não sofre as sanções que deveria. Dessa maneira, vale ressaltar o que mostra Marcelo Lessa Bastos, quando de forma brilhante enfatiza que a violência sofrida pela mulher ocorre onde deveria ser um local de amor, respeito e harmonia, in verbis: É impressionante o número de mulheres que apanham de seus maridos, além de sofrerem toda uma sorte de violência que vai desde a humilhação, até a agressão física. A violência de gênero é, talvez, a mais preocupante forma de violência, porque literalmente, a vítima, nesses casos, por absoluta falta da alternativa, é obrigada a dormir com o inimigo. É um tipo de violência que, na maioria das vezes ocorre onde deveria ser um local de recesso e harmonia, onde 2 DIAS, Maria Berenice. A Lei Maria da Penha na Justiça: a efetividade da Lei /2006 de p DIAS, Maria Berenice. A Lei Maria da Penha na Justiça: a efetividade da Lei /2006 de p. 16

12 12 deveria imperar um ambiente de respeito e afeto, que é o lar, o seio da família.4 Combater a violência no âmbito doméstico e familiar não é uma missão fácil. É, de certa maneira, adentrar em um mundo onde prevalece a dor e o sofrimento de uma família que sofre diariamente, vivendo em submissão ao agressor. 1.2 Formas de Violência Doméstica A Lei nº /06 tipifica em seu artigo 7º, as formas de violência doméstica sofrida pela mulher. As violências descritas na lei são a violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. É importante destacar que, o termo entre outras empregado no caput do artigo deixa claro que pode haver outros tipos de violência além das especificadas, in verbis: Art. 7 o São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras: I - a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal; II - a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação; III - a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos; 4 FREITAS, André Guilherme Tavares de. Estudos sobre as novas Leis de Violência Doméstica contra a Mulher e de Tóxicos (Lei /2006 e /2006). Rio de Janeiro. Editora Lumem Júris, 2007, p.68.

13 13 IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades; V - a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.5 A violência física, assim como diz a lei, é aquela entendida como qualquer conduta que ofenda a integridade ou saúde corporal da mulher. 6 Apesar de a integridade física e a saúde corporal já serem protegidas anteriormente pelo Código Penal, a lei as trouxe novamente afim de que fiquem bem descriminados para todos. A Lei Penal também já previa uma punição mais severa àqueles que praticavam lesão corporal contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade, conforme cita o 9º do Art. 129 do Código Penal. 7 Dessa maneira, como a Lei Penal já abrangia boa parte do que a Lei /06 desejava, a Lei Maria da Penha apenas limitou-se a alterar a pena desse delito passando de 6 meses a um ano a pena passou para de 3 meses a 3 anos. Punindo-se também a lesão culposa, também caracterizada como violência física, já que a lei não faz nenhuma distinção sobre a intenção do agressor. 8 5 BRASIL. Lei n , de 7 de agosto de Brasília, DF, 7 ago Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato /2006/lei/l11340.htm.>. Acesso em: 7 jun BRASIL. Art. 7, I, Lei n , de 7 de agosto de Brasília, DF, 7 ago Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato /2006/lei/l11340.htm.>. Acesso em: 12 jun DIAS, Maria Berenice. A Lei Maria da Penha na Justiça: a efetividade da Lei /2006 de p DIAS, Maria Berenice. A Lei Maria da Penha na Justiça: a efetividade da Lei /2006 de p. 47

14 14 É importante frisar que mesmo que a agressão não deixe marcas aparentes, o uso da força física que ofenda o corpo ou à saúde da mulher constitui vis corporalis, expressão que define a violência doméstica. 9 A violência psicológica, outra forma de violência citada na lei, é entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição de auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e virou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação. 10 A lei deixou de maneira bem ampla as ações que caracterizam a violência psicológica. A Lei Maria da Penha inovou ao tratar de violência doméstica, já que tal previsão não constava na legislação brasileira. Apesar disso, a doutrina critica a criação da violência psicológica por achar que em todo crime aplicado contra a mulher, ensejaria a caracterização de tal violência. Acreditam que todo crime gera dano emocional à vítima, e aplicar um tratamento diferenciado apenas pelo fato da vítima ser mulher seria discriminação injustificada de gêneros. 11 A questão mais importante a ser tratada sobre a violência psicológica é o fato de que é a forma de violência que mais ocorre e a que é menos denunciada. Muitas das vítimas não compreendem que agressões verbais, manipulações de atos e desejos, humilhação, são formas de violência e que devem ser denunciados. Diferentemente do dano físico, o dano psicológico não precisa de elaboração de laudo técnico ou 9 DIAS, Maria Berenice. A Lei Maria da Penha na Justiça: a efetividade da Lei /2006 de p BRASIL. Art. 7, II, Lei n , de 7 de agosto de Brasília, DF, 7 ago Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato /2006/lei/l11340.htm.>. Acesso em: 12 jun MISAKA, Marcelo Yukio. Violência doméstica e familiar contra a mulher: em busca do seu conceito. Juris Plenum. Doutrina, Jurisprudência, Legislação, n.13, p.83-87, Caxias do Sul, jan

15 15 realização de uma perícia. Basta que o juiz reconheça sua ocorrência, cabendo, inclusive, a concessão de uma medida protetiva de urgência. 12 A violência sexual é entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter, ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação, ou uso da força; que induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que force a matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais reprodutivos. 13 O assunto de violência sexual contra a mulher no âmbito familiar é muito delicado. De certa maneira, é a forma de violência mais sentida pela mulher. Tal violência foi reconhecida como violência doméstica contra a mulher pela Convenção Interamericana para Prevenir, Punir, e Erradicar a Violência Doméstica. Mesmo assim, há certa resistência pela doutrina e decisões jurisprudenciais em admitir que exista violência sexual no âmbito familiar. A tendência cultural é de identificar o exercício da sexualidade como um dos deveres do casamento, legitimando a insistência do homem em ter uma relação carnal. 14 Ocorre a violência patrimonial quando qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades DIAS, Maria Berenice. A Lei Maria da Penha na Justiça: a efetividade da Lei /2006 de p BRASIL. Art. 7, III, Lei n , de 7 de agosto de Brasília, DF, 7 ago Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato /2006/lei/l11340.htm.>. Acesso em: 12 jun DIAS, Maria Berenice. A Lei Maria da Penha na Justiça: a efetividade da Lei /2006 de p BRASIL. Art. 7, IV, Lei n , de 7 de agosto de Brasília, DF, 7 ago Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato /2006/lei/l11340.htm.>. Acesso em: 12 jun. 12

16 16 A grande dúvida gerada pela Lei Maria da Penha é se com a descriminação da violência patrimonial na lei, afasta as imunidades absolutas e relativas nos artigos 181 e 182 do Código Penal. In verbis: Art É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste título, em prejuízo: I - do cônjuge, na constância da sociedade conjugal; II - de ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou natural. Art Somente se procede mediante representação, se o crime previsto neste título é cometido em prejuízo: I - do cônjuge desquitado ou judicialmente separado; II - de irmão, legítimo ou ilegítimo; III - de tio ou sobrinho, com quem o agente coabita. 16 De acordo com Maria Berenice Dias, não há mais como admitir o injustificável afastamento da pena ao infrator que pratica um crime contra seu cônjuge ou companheira, ou, ainda, alguma parente do sexo feminino. Como a Lei Maria da Penha reconhece como violência patrimonial o ato de subtrair objetos da mulher caracterizando o delito de furto não se pode reconhecer a isenção da pena quando o crime é cometido contra a mulher que o agente mantém relação de ordem efetiva. 17 Das violências citadas pela legislação, resta apenas a violência moral, que é entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria. 18 Basicamente, a violência moral encontra-se dentro dos delitos cometidos contra a honra. Delitos que protegem a honra, e quando são cometidos 16 BRASIL. Código Penal. Decreto-lei n 2848, de 7 de dezembro de Rio de Janeiro, 7 dez Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm>. Acesso em 7 jun DIAS, Maria Berenice. A Lei Maria da Penha na Justiça: a efetividade da Lei /2006 de p BRASIL. Art. 7, V, Lei n , de 7 de agosto de Brasília, DF, 7 ago Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato /2006/lei/l11340.htm.>. Acesso em: 12 jun. 12

17 17 em decorrência de vínculo de natureza familiar ou afetiva, configuram violência moral. 19 Existe difamação, quando um sujeito qualquer com vontade específica de macular a imagem de alguém. 20 Previsto no artigo no 139 do Código Penal que especifica: Art Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. 21 Dessa forma, ocorre a difamação quando imputa algo desonroso a outrem, mas não qualquer fato inconveniente, e sim fato efetivamente ofensivo à reputação. 22 Ocorre calúnia quando qualquer pessoa faz uma acusação falsa, tirando a credibilidade de uma pessoa no seio social. 23 O artigo 138 do Código Penal especifica: Art Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime: Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa. 24 A calúnia, de certa forma, tem um significado particularmente ligado à difamação. A legislação brasileira exige que a acusação falsa realizada diga 19 DIAS, Maria Berenice. A Lei Maria da Penha na Justiça: a efetividade da Lei /2006 de p NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de direito penal parte geral e parte especial, 7ª edição, Editora Revista dos Tribunais, 2011, p BRASIL. Código Penal. Decreto-lei n 2848, de 7 de dezembro de Rio de Janeiro, 7 dez Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm>. Acesso em 7 jun NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de direito penal parte geral e parte especial, 7ª edição, Editora Revista dos Tribunais, 2011, p NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de direito penal parte geral e parte especial, 7ª edição, Editora Revista dos Tribunais, 2011, p BRASIL. Código Penal. Decreto-lei n 2848, de 7 de dezembro de Rio de Janeiro, 7 dez Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm>. Acesso em 7 jun. 12.

18 18 respeito a um fato concreto definido como crime. Dessa forma, atinge uma a honra objetiva da pessoa, atribuindo-lhe o agente um fato desairoso, no caso da calúnia, um fato falso definido como crime. 25 Já a injúria, ocorre quando qualquer pessoa ofende ou insulta outra pessoa 26. Previsto no artigo 140 do Código Penal que diz: Art Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro: Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. 27 Apesar de ser necessária a ofensa e o insulto, não basta só isso. É preciso que a ofensa atinja a dignidade (respeitabilidade ou amor-próprio) ou o decoro (correção moral ou compostura) de alguém. Dessa forma, é um insulto que macula a honra subjetiva, arranhando o conceito que a vítima faz de si mesma. 28 Esses delitos, quando são cometidos contra a mulher no âmbito da relação familiar ou afetiva, devem ser reconhecidos como violência doméstica, impondo-se o agravamento da pena, conforme mostra o artigo 61, II, f, do Código Penal. De um modo geral, a violência moral é concomitante à violência psicológica A Luta das Mulheres Contra a Violência Doméstica De 1980 a 2010, cerca de 90 mil mulheres foram assassinadas no Brasil, sendo que 43,5 mil somente na última década. 30 Obviamente não podemos 25 NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de direito penal parte geral e parte especial, 7ª edição, Editora Revista dos Tribunais, 2011, p NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de direito penal parte geral e parte especial, 7ª edição, Editora Revista dos Tribunais, 2011, p BRASIL. Código Penal. Decreto-lei n 2848, de 7 de dezembro de Rio de Janeiro, 7 dez Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm>. Acesso em 7 jun NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de direito penal parte geral e parte especial, 7ª edição, Editora Revista dos Tribunais, 2011, p CUNHA, Rogério Sanchez; PINTO, Ronaldo Batista; Violência doméstica: Lei Maria da Penha (11.340/06). Comentada artigo por artigo. São Paulo: RT, 2007, p DADOS e fatos sobre a Violência contra as Mulheres. Disponível em: Acesso em 7 jun. 12.

19 19 considerar a violência doméstica a única responsável pelo alto índice de homicídio, entretanto, o grau de culpa é preocupante. Cerca de 40% do número de homicídios cometidos contra as mulheres ocorreram em sua residência ou habitação. Um número alarmante para uma sociedade que acredita que o companheiro, cônjuge, pai, irmão devem proteger sua família ao invés de mal tratá-la. No Brasil, estudo realizado em Campinas indica que, de um total de mulheres entrevistadas, entre 15 e 49 anos, 62% afirmaram ter mantido relações sexuais contra a vontade, 7% declararam ter sido submetidas a violência física, 23% a alguma forma de coerção e 32% declararam ter considerado que era sua obrigação aceitar a imposição de seu marido, noivo ou companheiro. 31 A luta das mulheres contra a violência percorre pelo Brasil todo. Em todo canto do país há casos de extrema covardia e diversas agressões às mulheres. Damásio de Jesus, em sua obra Violência Contra a Mulher, encadeia diversos dados sobre as violências sofridas pelas mulheres, ocorridas em diversas cidades. Índices de algumas cidades assustam a população nacional, como por exemplo, São Paulo, que, segundo dados das Delegacias Especializadas de Atenção à Mulher, chegou a registrar mais de 85 mil casos por violência doméstica e sexual contra a mulher em um único ano. 32 Damásio de Jesus não se limitou a descrever somente os casos ocorridos no Brasil. Países como Chile, Colômbia e Equador sofrem com os altos índices de violência contra a mulher. 33 No Chile, estima-se que 50% das mulheres sofrem de alguma forma de violência. O Serviço sobre Violência Intrafamiliar do Chile fez uma investigação comparativa em quatro regiões do País, concluindo que 4 a cada 10 mulheres 31 ANDALAFT, Jorge; FAÚNDES, Aníbal. (2001, junho). A violencia sexual y la respuesta del setor salud en Brasil. Em [editores] Simpósio 2001: Violencia de genero, salud y derechos en las Américas, Cancún, México. 32 JESUS, Damasio de. Violência contra a mulher, Editora Saraiva, São Paulo, JESUS, Damasio de. Violência contra a mulher, Editora Saraiva, São Paulo, 2010, p

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