MARIA TEREZINHA NUNES

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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS NÚCLEO DE ESTUDOS INTERDISCIPLINARES SOBRE A MULHER PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTUDOS INTERDISCIPLINARES SOBRE MULHERES, GÊNERO E FEMINISMO MARIA TEREZINHA NUNES CERCAS QUE SE LEVANTAM: ANÁLISE DAS DECISÕES DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA EM QUATRO ANOS DE APLICAÇÃO DA LEI MARIA DA PENHA Salvador 2012

2 MARIA TEREZINHA NUNES CERCAS QUE SE LEVANTAM: ANÁLISE DAS DECISÕES DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA EM QUATRO ANOS DE APLICAÇÃO DA LEI MARIA DA PENHA Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo da Universidade Federal da Bahia como um dos requisitos para obtenção do título de Mestra. Orientadora: Prof. Dra. Maria Gabriela Hita Salvador 2012

3 NUNES, Maria Terezinha. N972 Cercas que se levantam: analise das decisões do Superior Tribunal de Justiça em quatro anos de aplicação da lei Maria da Penha./ Maria Terezinha Nunes. Salvador, f. : Il Orientador Prof. Dra. Maria Gabriela Hita Dissertação (mestrado) Universidade Federal da Bahia, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Violência domestica contra a mulher. 2. Superior Tribunal de Justiça. 3. Lei Maria da Penha. 4. Genero 5.Direitos Humanos I. Universidade Federal da Bahia. II. Hita, Maria Gabriela III. Título CDD.:305.4

4 MARIA TEREZINHA NUNES CERCAS QUE SE LEVANTAM: ANÁLISE DAS DECISÕES DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA EM QUATRO ANOS DE APLICAÇÃO DA LEI MARIA DA PENHA Dissertação aprovada como requisito parcial para obtenção do grau de mestra em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo do Programa de Pós-graduação do PPGNEIM da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal da Bahia UFBA. Salvador, de de 2012 Banca Examinadora Maria Gabriela Hita Pós-Doutorado em Ciências Sociais pela The University of Manchester, OWENS, Inglaterra Jussara Reis Prá Doutora em Ciência Política pela Universidade de São Paulo Universidade Federal de Porto Alegre Silvia de Aquino Doutora em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia Universidade Federal da Bahia

5 AGRADECIMENTOS Muitas pessoas contribuíram diretamente ou indiretamente para a realização deste mestrado, a quem devo sinceros agradecimentos. Muitas delas, sem saber, ajudaram-me quando ouviam falar, repetidamente, sobre o tema, comentar das dificuldades, das alegrias, do cansaço das longas horas dedicadas a livros e artigos. Esse, o caso das minhas filhas, de meus pais, de minhas irmãs e irmãos, em especial, minhas colegas do Mestrado, meus colegas de trabalho, a quem agradeço de coração. Especialmente, agradeço a minha filha Gabriela, Psicóloga de formação, e a minha irmã Mere, pela disposição em ler meus textos e comentá-los à luz da interdisciplinaridade. À colega e amiga Ivani - que escreveu uma dissertação linda sobre as recolhidas da Casa de Misericórdia de Salvador-BA - pelas mensagens de força, vindas de Salvador, via . Nos momentos mais difíceis e de cansaço, sempre aparecia a sua mensagem para me dar alento: E aí, como vai essa produção!? Agradeço a todas Professoras do PPGNEIM com as quais tive o prazer de conviver, ouvir e aprender tão rico e importante conteúdo teórico que me ajudou não só na realização da dissertação, mas contribuiu para a minha reflexão crítica na vida cotidiana, na família, no trabalho. Em alguns casos, para uma postura mais ativa e questionadora, em outros, como o da prática da advocacia na violência doméstica contra a mulher, a ter mais paciência, ouvir mais que falar e respeitar as decisões das mulheres, mesmo que contrárias ao que julgo juridicamente adequado. Registro também o meu agradecimento pela gentileza e presteza recebidas dos (as) atendentes do Setor de Jurisprudência e Setor de Arquivo do STJ, Secretaria de Arquivo do Senado e Bibliotecas do Senado e Câmara dos Deputados. Especialmente, agradeço à Professora Maria Gabriela Hita, minha orientadora, que não se intimidou em trilhar comigo um caminho difícil e espinhoso da interdisciplinaridade entre o campo do Direito e dos estudos de Gênero. Muito devo às discussões de textos, compartilhadas nos grupos de pesquisa que me abriram o olhar para outras vertentes e

6 saberes, bem como ao diálogo franco e aberto, aos inúmeros comentários e leituras, incansavelmente, feitos ao meu texto, para o aperfeiçoamento da dissertação. Sou imensamente grata às Professoras Jussara Reis Prá e Silvia de Aquino que me honraram ao aceitar o convite para integrar a minha banca de defesa da dissertação e ofereceram contribuições valiosíssimas para o aperfeiçoamento do texto. Agradeço à deferência especial recebida da Professora Ela Wiecko ao citar minha pesquisa (análise do Grupo I), em Seminário sobre os cinco anos de vigência da Lei Maria da Penha e a contribuição em relação ao título da dissertação.

7 Por isso se faz urgente Conjugar gênero e direito Pois um trabalho decente Que surta algum efeito Não se limita a julgar Mas também a estudar O cerne do preconceito Homens que matam mulheres Em relações de poder Isto tem se dado em série Mas é preciso entender Que subjaz ao evento Um histórico comportamento Que vai construindo o ser Que a Justiça também Sirva para (se) educar Chega deste nhém-nhém-nhém Deste eterno blá-blá-blá A Lei Maria da Penha Existe pra que não tenha Tanta morte a lamentar!!! Salete Maria

8 NUNES, Maria Terezinha. CERCAS QUE SE LEVANTAM: análise das decisões do Superior Tribunal de Justiça em quatro anos de aplicação da Lei Maria da Penha. 209 f. il Dissertação (Mestrado). Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós- Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo, Universidade Federal da Bahia, Salvador, RESUMO O presente estudo visa conhecer as práticas judiciárias nos casos de violência doméstica contra a mulher em quatro anos de aplicação da Lei Maria da Penha, a partir das decisões definitivas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no período compreendido entre 22/09/2006 e 22/09/2010. Para tanto, optou-se pela pesquisa do tipo exploratória. Em relação aos procedimentos, utilizou-se da pesquisa bibliográfica e documental para a coleta dos dados e da técnica de análise prática documental na análise dos resultados obtidos. A seleção inicial de decisões foi obtida no repositório de jurisprudência do STJ, mediante critério de pesquisa construído com a finalidade de resgatar o maior número possível de decisões individuais e coletivas, proferidas na esfera penal desse Tribunal, sobre violência doméstica contra a mulher. Na busca pelas decisões definitivas, foram realizadas leituras das quais emergiram, destacadamente, três temas nas discussões do STJ, redirecionando o olhar da pesquisa para questionamentos mais específicos. O primeiro tema trouxe questões relativas ao órgão julgador competente para os casos de violência doméstica; o segundo, às medidas protetivas e o terceiro sobre o instituto da representação aos delitos de lesão corporal decorrente de violência doméstica contra a mulher. As decisões foram agrupadas por tema e os dados recolhidos por meio de preenchimento de um instrumento de pesquisa específico para cada grupo de decisões. Sobre as características dos processos, utilizou-se a abordagem quantitativa e sobre os argumentos extraídos das decisões, a abordagem qualitativa. Os resultados, em termos quantitativos, revelaram que os delitos mais recorrentes na violência doméstica contra a mulher (lesão corporal, ameaça, vias de fato), antes restritos ao âmbito dos Juizados Especiais Criminais, passam a ser apreciados por uma instância superior, o STJ. Revelaram, também, a existência de uma pluralidade de casos envolvendo relações domésticas e familiares, com predominância de mulheres companheiras, namoradas, excompanheiras e ex-namoradas, mas, também, casos de violência envolvendo relações entre cunhados, irmãos, nora, sinalizando positivamente para a LMP como um estímulo às denúncias. Em termos qualitativos, revelou-se imensa resistência na aplicação da Lei Maria da Penha aos delitos que antes eram considerados de menor potencial ofensivo e à compreensão da violência doméstico-familiar como violação dos direitos humanos das mulheres, nos diversos órgãos judiciários, inclusive no STJ. Embora, em alguns casos, a resposta do STJ seja positiva para as mulheres em situação de violência, predominou a análise restritiva e conservadora nas decisões, em especial naquelas envolvendo relacionamentos findos ou atuais entre namorados e ex-namorados. Verificou-se a existência de entraves à integral aplicação da Lei Maria da Penha e um alheamento, entre os operadores do direito, quanto ao desafio proposto pela Lei, qual seja, a de tornar efetivo o atendimento no âmbito do Judiciário, essencial à rede de apoio às mulheres em situação de violência. Palavras-chave: Violência Doméstica contra a Mulher. Superior Tribunal de Justiça. Lei Maria da Penha. Gênero. Direitos Humanos. Rede de Apoio.

9 Nunes, Maria Terezinha. FENCES PUT UP: analysis of the decisions of the Superior Court of Justice in the four years of the enforcement of the Maria da Penha Act. 209 p. il Master s dissertation. School of Philosophy and Human Sciences, Post-graduation Program of Interdisciplinary Studies on Women, Gender and Feminism, Federal University of Bahia, Salvador, ABSTRACT This study aims to achieve a better understanding of the forensic practices in the cases of domestic violence against women throughout the four years of enforcement of the Maria da Penha Act based on the final decisions of the Superior Court of Justice (STJ) as of September 22, 2006 through September 22, To this end, an option for the exploratory type of research was made. Regarding the procedures, the choice made favored the bibliographic and documentary research type for the collection of data and the document practical analysis technique for the analysis of the results. The first selection of decisions come from the reports of jurisprudence of the STJ through a research criterion devised to gather as many individual and collective decisions as possible which were made within the realm of this court of justice regarding violence against women. While searching for the final decisions of the court as for violence against women, some readings prompted a special focus of attention to three specific themes debated by the court and that gave the research a new path of direction to more specific issues. The first theme brought about issues related to the court that has the prerogative to judge domestic violence; the second one, issues related to measures of protection and the third one, issues related to the institution of the representation of personal injury offenses resulting from domestic violence against women. The decisions were grouped by theme and the data collected by the completion of a survey sheet specifically devised for each group of decisions. The quantitative approach was used for the characteristics of the lawsuits and the quantitative approach was used for the arguments found in the decisions. The results, in quantitative terms, showed that the most frequent offenses in domestic violence against women (physical injury, threats) which were previously restricted to the scope of Special Criminal Courts, started being taken care of by a higher court, the STJ. They also revealed a number of cases involving domestic and family relationships with the predominance of female partners, girlfriends, former partners, former girlfriends as well as cases of violence involving relationships among brothers-in-law, brothers, daughters-in-law, and that signaled positively for the Maria da Penha Act (LMP) to work as a go for reporting wrongdoing. In qualitative terms it was shown that there is great resistance to the enforcement of the Maria da Penha Act when it comes to offenses which were previously considered less harmful and to the understanding of domestic-family violence as a violation of women s human rights in several judicial courts, including the Superior Court of Justice - STJ. Although in some cases the answer given by the STJ was positive for women in situations of violence, the restrictive and conservative analyses were predominant in the decisions, especially in those regarding broken up relationships or on-going ones involving boy and girlfriends and former boy and girlfriends. Hindrances were noticed regarding the total enforcement of the Maria da Penha Act and an estrangement between the law enforcement officers, and the challenge posed by the Act, namely, that of rendering service within the judiciary more effective which is essential for the supporting network of women in situations of violence. Key words: Domestic violence against women. Superior Court of Justice. Maria da Penha Act. Human rights. Supporting network.

10 LISTAS DE ILUSTRAÇÕES FIGURA 1 Estrutura Geral do Poder Judiciário na Esfera Criminal QUADRO 1 Natureza Penal dos Delitos de Violência Doméstica Contra a Mulher Presentes nas Decisões dos Grupos I, II e III

11 LISTAS DE TABELAS Tabela 1 Documentos por tipo de processo e tipo de decisão no período de 22/09/2006 a 22/09/ Tabela 2 Seleção inicial e final de decisões do STJ, com o detalhamento das decisões excluídas no período de 2006 a Tabela 3 Composição dos grupos de decisões por tipo de processo e questão central Tabela 4 Número de decisões do Grupo I pelo ano de publicação Tabela 5 Número de decisões do Grupo I pela unidade da federação Tabela 6 Juízos de origem presentes nas decisões do Grupo I (suscitado) Tabela 7 Juízos de origem presentes nas decisões do Grupo I (suscitante) Tabela 8 Número de decisões do Grupo I e as medidas protetivas Tabela 9 Número de decisões do Grupo I pelo tipo de violência Tabela 10 Número de decisões do Grupo I pela pessoa ofendida Tabela 11 Tipos de decisão do Grupo I Tabela 12 Argumentos no Juízo Suscitado - o primeiro a se declarar incompetente 115 Tabela 13 Argumentos no Juízo Suscitante - o segundo a se declarar incompetente 121 Tabela 14 Argumentos do STJ na definição do órgão julgador Tabela 15 Número de decisões do Grupo II pelo tipo de medida protetiva Tabela 16 Número de decisões do Grupo II pela pessoa ofendida, tipo de violência e órgão de julgamento do STJ Tabela 17 Tipos de decisão do Grupo II Tabela 18 Argumentos utilizados na origem para justificar os pedidos de 150 revogação de medida protetiva de afastamento e de prisão no STJ... Tabela 19 Argumentos do STJ nas decisões do Grupo II Tabela 20 Pessoa ofendida nas decisões do Grupo III Tabela 21 Características específicas dos processos quanto ao tipo de delito, representação e retratação nas decisões do Grupo III Tabela 22 Argumentos dos impetrantes/recorrentes nas decisões do Grupo III Tabela 23 Argumentos dos Ministros (as) do STJ nas decisões do Grupo III

12 LISTA DE ABREVIATURAS ADVOCACI Advocacia Cidadã pelos Direitos Humanos AGENDE Ações em Gênero, Cidadania e Desenvolvimento CC Conflito de Competência CCJ Comissão de Constituição e Justiça CEDAW The Convention on the Elimination of All Forms of Discrimination against Women CEJIL Centro pela Justiça e o Direito Internacional CEPIA Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação CFEMEA Centro Feminista de Estudos e Assessoria CIM Comissão Interamericana de Mulheres CLADEM Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher CNJ Conselho Nacional de Justiça CP Código Penal CPP Código de Processo Penal HC Habeas Corpus JECrims Juizados Especiais Criminais LMP LCP Lei Maria da Penha Lei das Contravenções Penais Núcleo NEIM de Estu Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher OBSERVE Observatório Lei Maria da Penha OEA Organização dos Estados Americanos ONGs Organizações Não-Governamentais ONU Organização das Nações Unidas PLC Projeto de Lei Complementar REsp Recurso Especial RHC Recurso Ordinário em Habeas Corpus RISTJ Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça SPM Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres STJ Superior Tribunal de Justiça THEMIS Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero

13 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER NO PLANO NACIONAL E INTERNACIONAL DE DIREITOS HUMANOS A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NA PAUTA FEMINISTA As Reformas Legais Desvelando as Práticas de Atendimento Concepções Teóricas A VIOLÊNCIA DOMESTICA CONTRA A MULHER NO PLANO INTERNACIONAL DE DIREITOS HUMANOS Os Direitos Humanos Universais e os Direitos Humanos das Mulheres O Sistema de Proteção dos Direitos Humanos das Mulheres em Âmbito Regional na Organização dos Estados Americanos (OEA) A LEI BRASILEIRA DE VIOLÊNCIA DOMESTICA CONTRA A MULHER: CRIAÇÃO E APLICAÇÃO O MOVIMENTO DE MULHERES NA CRIAÇÃO DA LEI DE VIOLÊNCIA DOMESTICA CONTRA A MULHER O Anteprojeto Elaborado pelo Consorcio de ONGs O Anteprojeto em Discussão no Grupo de Trabalho Interministerial do Executivo A Reação do Consorcio de ONGs O Projeto no Legislativo A LEI MARIA DA PENHA O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA E A APLICAÇÃO DA LEI MARIA DA PENHA AComposição A Competência AS DECISÕES DO STJ EM QUATRO ANOS DE APLICAÇÃO DA LEI MARIA DA PENHA ANÁLISE DAS DECISÕES DO STJ GRUPO I OS DADOS DO GRUPO I Características dos Processos do Grupo I As Argumentações Prevalecentes nas Decisões do Grupo I Os Argumentos nos Juízos de Origem Os Argumentos das Varas Criminais Os Argumentos dos JECrims O que Diz o STJ Por uma Questão de Analogia ANÁLISE DAS DECISÕES DO STJ: GRUPOS II E III OS DADOS DO GRUPO II Características dos Processos do Grupo II

14 6.1.2 Argumentos Utilizados para Justificar a Revogação da Medida Protetiva O Que Diz o STJ sobre as Medidas Protetivas de Afastamento e da Prisão Preventiva OS DADOS DO GRUPO III Características dos Processos do Grupo III Os Argumentos dos Impetrantes/Recorrentes nas Decisões do Grupo III Os Argumentos do STJ nas decisões do Grupo III CONCLUSÃO REFERÊNCIAS APÊNDICES

15 13 1 INTRODUÇÃO Esta pesquisa buscou conhecer as práticas judiciárias nos casos de violência doméstica contra a mulher, a partir de análise das decisões definitivas do Superior Tribunal de Justiça, nos primeiros quatro anos de vigência da Lei de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher 1, criada especificamente para esses casos. A Lei Maria da Penha gerou grande polêmica no âmbito de sua aplicação no Judiciário, desde o início de sua vigência, chamando minha atenção para as decisões que ora declaravam a sua constitucionalidade, ora declaravam sua inconstitucionalidade, entre outras razões, pela tutela específica conferida às mulheres em situação de violência. Entre essas decisões, destacou-se a do Juiz de Sete Lagoas-MG que negou pedido de medidas protetivas a uma mulher em situação de violência. Em entrevista concedida a um jornal de grande circulação, o Juiz afirmava sua convicção nos fundamentos de sua decisão, denominando a Lei Maria da Penha de monstrengo tinhoso (RODRIGUES, 2007). O interesse pelo tema firmou-se a partir da experiência vivenciada em 2008, na Universidade do Chile, no Curso de Especialização em Direitos Humanos das Mulheres, o qual, conjugando Direitos Humanos das Mulheres e Noções Básicas do Feminismo, visava instrumentalizar advogados (as) para atuar no campo do Direito das Mulheres. Nessa ocasião, tive a oportunidade de conhecer um pouco da realidade da violência contra as mulheres em diversos países latinoamericanos, contada por advogadas que tinham esse tema como objeto de pesquisa. Foi possível observar que os países latinoamericanos, em sua maioria, não obstante as diferenças culturais, utilizavam o recurso de uma lei especial como estratégia de enfrentamento à violência que atinge as mulheres. A decisão de fazer o Mestrado em estudos sobre a mulher adveio do interesse na continuidade dos estudos feministas, iniciados na Especialização em Direitos Humanos das Mulheres. A notícia da seleção do Mestrado do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (NEIM) da Universidade Federal da Bahia foi encaminhada pela Professora Alejandra Pascoal, da Universidade de Brasília, com eu quem fazia uma matéria de Sociologia Jurídica e que sabia do meu interesse pelo tema. Contou para a decisão em concorrer a uma das vagas 1 Adiante será chamada de forma mais resumida como Lei de Violência Doméstica contra a Mulher, Lei nº /2006, Lei Maria da Penha ou simplesmente LMP.

16 14 não só o fato de o NEIM constituir-se um dos principais pólos de pesquisa e estudos sobre a mulher do País, mas também o fato de que passou a coordenar o OBSERVE Observatório Lei Maria da Penha, formado por Núcleos de Pesquisa e Organizações Não-Governamentais de todo o País, com o objetivo de acompanhar a efetivação da Lei Maria da Penha. Iniciei, então, um estudo exploratório que me permitisse compreender as posturas e críticas erguidas contra esta Lei, as quais não se restringem à doutrina penal, mas também perpassa as vozes de vários segmentos feministas. Um dos argumentos que atravessa a Lei Maria da Penha diz respeito ao alegado rigorismo penal, pela proibição de aplicação da Lei anterior, de nº 9.099/95, que privilegia o consenso, além da previsão de aumento de pena no delito 2 de lesão corporal decorrente de violência doméstica. Segundo Campos (2008), a Lei Maria da Penha oferecendo, de modo mais articulado, medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência caracteriza-se pela forte intervenção social. A Lei nº 9.099/95 passou a ser aplicada a todos os delitos com pena inferior a dois anos, classificando-os, em razão do quantum da pena, de infração de menor potencial ofensivo. Essa Lei, desde sua publicação, foi vista com reservas pelos movimentos sociais que lidavam com a violência doméstica contra as mulheres, considerando que passou a incidir sobre a maioria dos delitos praticados contra as mulheres no espaço doméstico-familiar (lesão corporal, ameaça, injúria e vias de fato), colocando sob um mesmo prisma de julgamento, todos os delitos classificados de menor potencial ofensivo, independentemente se as partes envolvidas fossem marido e mulher, namorados, pai e filha, briga no trânsito ou entre vizinhos (CAMPOS, 2004). Desse modo, a especificidade do tipo de violência que incide sobre as mulheres, tendia a ser diluída e não levada suficientemente a sério, por várias instâncias do poder público. Note-se que à época da publicação da Lei nº 9.099/95, a Constituição Federal já apontava para a necessidade de o Estado criar mecanismos especiais para coibir a violência nas relações familiares, provendo assistência a cada um de seus integrantes (BRASIL, 1988, Art. 226, 8º), bem como já se encontravam incorporados ao ordenamento jurídico nacional, a Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW) que definiu a violência contra a mulher como uma forma de discriminação, que a afeta de forma desproporcional e a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar 2 Nesta pesquisa, será usado, preferencialmente, o termo delito(s) para referir-se a crime e/ou contravenção.

17 15 a Violência contra a Mulher (Convenção Belém do Pará). Esta Convenção define a violência contra a mulher baseada no gênero, como uma forma de violação dos direitos humanos. Todos esses documentos chamam a atenção para o caráter complexo e diferenciado desse tipo de violência e estabelecem o dever de o Estado adotar medidas especiais para a sua erradicação. O Código Penal passou a incorporar modificações em seu texto com o intuito de chamar a atenção para a prática delituosa que ocorre no espaço privado da família, como é exemplo a previsão, em seu artigo 61, de que as circunstâncias relativas à prática delituosa contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge; contra criança, pessoa maior de sessenta anos, enfermo ou mulher grávida; com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas de coabitação ou hospitalidade, sempre agravam o delito (BRASIL, Art.61, 2004a). A Lei Maria da Penha incluiu na legislação penal a circunstância agravante específica para os casos de violência doméstica contra a mulher. Assim, pode-se dizer que as primeiras alterações feitas no Código Penal tiveram por objetivo visibilizar a violência que ocorre no espaço privado da família para, somente depois, com a Lei de Violência Doméstica contra a Mulher, particularizar a proteção às mulheres, mais atingidas. Contudo, anteriormente à Lei Maria da Penha, nem a previsão constitucional, as agravantes do Código Penal, a legislação internacional de direitos humanos e outras alterações legais 3, modificaram a prática dos JECrims quando aplicavam a Lei nº 9.099/95 aos casos de violência doméstica contra a mulher. Pesquisas revelaram que os operadores do direito 4 incorporaram de tal modo o conceito de menor potencial ofensivo a todos os delitos sujeitos à Lei nº 9.099/95 que não houve margem à aplicação das previsões outrora feitas no Código Penal, em especial em seu artigo 61, que alertava para as características diferenciadas de alguns delitos praticados contra as mulheres, em razão da pessoa que os praticam e do lugar onde ocorrem. Ao contrário, no âmbito de aplicação da Lei nº 9.099/95, surgiram institutos estranhos às previsões dessa Lei, voltados para a resolução rápida dos conflitos (pagamento de cesta básica, prestação de serviços comunitários, insistência na conciliação, entre outros), os quais resultaram em 3 Cabe destacar a definição de violência contra a mulher no campo da saúde (BRASIL, 2003) e no campo penal, mediante a criação do tipo especial de lesão corporal qualificado pela violência doméstica pela Lei nº /2004, mediante acréscimo do 9º ao art. 129 do Código Penal. 4 Nesta pesquisa, o termo operadores do direito será utilizado para referir-se aos Juízes e representantes do Ministério Público que atuam nesses casos; no singular apenas a Juiz (a).

18 16 banalização da violência contra as mulheres e numa reprivatização do conflito no âmbito da esfera privada (SAFFIOTI, 1999; CAMPOS, 2001, 2006; OLIVEIRA, 2006). Conhecer a forma pela qual os casos de violência contra as mulheres são apreciados e julgados na Justiça Penal 5, tem-se constituído desafio para muitos estudos com foco na interseção violência contra a mulher e justiça. Entre esses, destaca-se o estudo realizado por Correa (1983) sobre homicídios de mulheres, nos anos de 1952 a Nesse estudo, a autora mostrou que a atuação dos Juízes, Promotores e Advogados no Tribunal de Júri conduziam à criação de uma fábula, em que as representações dos papéis sociais de vítima e réu, e a suposta adequação ou inadequação a esses papéis, era determinante para a absolvição ou condenação dos autores desses crimes. Ardaillon e Debert (1987), analisando a lógica dos julgamentos e da atribuição das sentenças em casos de estupro, espancamento e homicídio, também detectaram a utilização de mecanismos que substituíam o princípio da igualdade por estereótipos sobre comportamentos ditos normais na sociedade e família. De acordo com as autoras supracitadas, esses mecanismos não seguiam um padrão regular, mas variavam em função do crime a ser julgado. Nos casos de espancamento, por exemplo, apenas o perfil do acusado entra em julgamento: o seu comportamento como pai, provedor do lar, preocupado com os filhos eram determinantes para a sua absolvição; em casos de homicídios, identificaram-se duas lógicas argumentativas que se contrapunham no julgamento: uma continuava ser a adequação social do comportamento dos envolvidos e a outra, o direito individual à vida. Esta tese permitiu deslocar a discussão dos papéis sociais de um e outro, a justificar o crime e trazer para o debate o crime em si, ou seja, as mulheres passaram a ser visibilizadas como sujeitos de direitos à vida, suplantando concepções estereotipadas do que vem a ser a mulher esposa, mãe, filha, aceitas socialmente, e que minimizam a conduta, em julgamento, do autor do delito. Entendem as autoras mencionadas que a tese do direito individual à vida que começa a aparecer nos casos mais recentes por elas estudados (1986/1987) tem influência na repercussão da questão feminista no País. De fato, na década de oitenta, os estudos sobre a mulher no Brasil, já estavam em plena expansão. Questionava-se sobre a violência contra a mulher, críticas à teoria dos papéis sexuais eram tecidas, a sexualidade era abordada como problema sociológico; e os estudos 5 Para efeitos desta pesquisa, considera-se Justiça Penal os espaços mais procurados pelas mulheres em situação de violência no âmbito do Poder Judiciário: os Juizados/Varas Criminais, bem como os Tribunais Superiores, não tão acessados pelas mulheres em situação de violência, mas objeto de estudo desta pesquisa.

19 17 sobre a mulher institucionalizados nas universidades, com a criação de diversos núcleos de estudos, entre esses o NEIM - Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher, criado em 1983, no âmbito da Universidade Federal da Bahia (COSTA et al, 1985; PRÁ, 1996). Pesquisa realizada, no período de 1995 a 1996, na Justiça do Rio de Janeiro, visando conhecer as práticas judiciárias nos casos de violência contra mulher, constatou que a defesa da família é tão forte na retórica dos promotores que é levada em conta até mesmo quando se trata de crime cometido fora do contexto familiar da vítima (CARRARA et al, 2002, p. 87). Relatam os autores dessa pesquisa que os casos passam por diversas filtragens (desistência, arquivamento, absolvição) e poucos são aqueles que chegam à fase final e são realmente condenados, identificando-se, entre os agentes da Justiça Penal, uma resistência em considerar as práticas delituosas contra as mulheres como crimes, quando muito os consideram incidente doméstico, entrevero doméstico, querela doméstica, briga entre marido e mulher (CARRARA et al., 2002, p. 84). A experiência dos Juizados Especiais Criminais aos casos de violência doméstica contra a mulher revelou que permanecia essa compreensão nas práticas judiciárias (CAMPOS, 2001). Segundo Oliveira (2006, p. 24), no âmbito de aplicação da Lei nº 9.099/95, estava em jogo a retirada do crime do âmbito penal, o que significa estimular a não-representação da vítima e a defesa da família, que deve cuidar de seus conflitos sozinha, segundo agentes do Judiciário. Portanto, nota-se, com facilidade, que eram muitas as dificuldades dos operadores do direito ao trabalhar com a legislação de cunho mais geral na percepção da violência contra a mulher como fenômeno social complexo e multidisciplinar, até que um grupo de feministas, operadoras do direito, constatando as inúmeras insuficiências da legislação penal para esses casos, em especial, a Lei nº 9.099/95 pelos seus efeitos nefastos contra os interesses das mulheres, tomou para si a tarefa de elaborar um anteprojeto de lei, cujas premissas incluíam o afastamento da Lei nº 9.099/95, a adoção de medidas de assistência, prevenção e punição das práticas de violência doméstica contra a mulher, tendo por fundamento as Convenções CEDAW e Belém do Pará. Contudo, não obstante as imensas resistências observadas nas práticas dos operadores do direito ao lidar com os delitos que ocorrem no interior da família, a Lei Maria da Penha protagonizou a ação desses agentes, mas agora, de modo diferente, como propulsores de mudança de cultura e mentalidade na sociedade. Assim, cabe ao Juiz não só assegurar as

20 18 medidas protetivas previstas nessa Lei, com vistas a interromper a violência sofrida ou inibir novas violências, mas também, promover a articulação com outros serviços de atendimento e de assistência na área da saúde, do trabalho, e outros programas sociais, com vistas a garantir a segurança da mulher ofendida. Segundo Barsted (2008, p.10), é uma Lei que privilegia de forma ampla a proteção às mulheres em situação de violência, considerando suas múltiplas vulnerabilidades sociais, e exorta os profissionais do direito, especialmente os magistrados, a atuarem como agentes dinâmicos na redução dos efeitos perversos da violência doméstica e familiar. Dessa forma, tornou-se importante saber se a atuação dos operadores do direito, em especial dos magistrados, está se voltando para assegurar a proteção das mulheres em contexto de violência doméstica, em todas as instâncias judiciárias, conforme determina a Lei Maria da Penha. Pretende-se com a presente pesquisa, alcançar apenas alguns órgãos do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça 6 e aqueles que emergirem de suas decisões definitivas. O STJ não trabalha diretamente com os fatos que geraram a violência, mas, a partir de suas decisões, confirma ou rejeita a atuação de outros Juízes nas instâncias inferiores, quando suas decisões são questionadas nesse Tribunal. A escolha do STJ deveu-se ao fato de que esse órgão passou a protagonizar papel importante na interpretação da Lei Maria da Penha, pela sua competência constitucional em dirimir conflitos de interpretação entre duas Leis Federais, Lei nº 9.099/95 e a Lei nº /2006, pela força simbólica e extraordinário alcance de suas decisões para as demais instâncias judiciárias. Na atualidade, por intermédio do sistema de informatização da Justiça ou mesmo pela repercussão na imprensa, suas decisões chegam com rapidez aos mais recônditos cantos do País. Assim, a cada decisão, seja individual (monocrática) ou coletiva (acórdão), o STJ vem repassando seu reposicionamento às demais instâncias ou moldando a interpretação desta nova Lei de enfrentamento da violência doméstica contra a mulher, sendo, portanto, relevante conhecer os argumentos utilizados nessas decisões e os reflexos para as mulheres em situação de violência. Confirmando a importância do STJ para a consolidação da Lei Maria da Penha no cenário jurídico nacional, cabe destacar a reunião promovida pela equipe do OBSERVE, realizada em 05 de agosto de 2008, com Ministros (as) do STJ, ocasião em que distribuiu 6 Adiante será chamado, de forma resumida, de STJ ou apenas Tribunal.

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