NÚCLEO DE ESTUDOS DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER NA CIDADE DE PONTA GROSSA

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1 9. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido 1 ÁREA TEMÁTICA: (marque uma das opções) ( ) COMUNICAÇÃO ( ) CULTURA ( X ) DIREITOS HUMANOS E JUSTIÇA ( ) EDUCAÇÃO ( ) MEIO AMBIENTE ( ) SAÚDE ( ) TRABALHO ( ) TECNOLOGIA NÚCLEO DE ESTUDOS DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER NA CIDADE DE PONTA GROSSA IEZAK, Gracia Maria Vassão 1 MERLO, Sandra Regina 2 BRONOSKI, Débora Puchalski 3 FERREIRA, Eduarda Stresser 4 BERNARDINO, Haline Angélica da Silva 5 RESUMO A maioria dos casos de violência contra as mulheres acontece no âmbito doméstico e familiar e seus agressores são pessoas com relações pessoais e afetivas com as vítimas. A aprovação da Lei Maria da Penha, Lei nº /2006, que representa um marco na proteção da família e um resgate da cidadania feminina, define a violência doméstica e familiar contra a mulher, independentemente de faixa etária em cada uma de suas manifestações e equipara esse tipo de violência a uma das formas de violação dos direitos humanos. O principal objetivo do projeto é tratar da violência doméstica e familiar sob diferentes ângulos e buscar caminhos para garantir um atendimento adequado às mulheres. Embora, tenham ocorrido avanços no trato desta questão é preciso divulgar e levar ao conhecimento da sociedade os direitos de proteção garantidos pela lei às mulheres vitimizadas. O projeto visa, através de estudo de casos, entrevistas, visitas institucionais, debates, palestras tratar sobre a violência contra a mulher, coletar e sistematizar informações para encaminhamento de relatório ao Poder Judiciário do Estado do Paraná, ao Ministério Público e ao Poder Público Municipal para conhecimento da situação da violência contra a mulher e, por conseqüência, a instalação do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, na cidade de Ponta Grossa, com participação de equipe multidisciplinar, bem como subsidiar e estimular a organização da rede de serviços socioassistenciais. O presente trabalho apresenta o projeto de extensão Núcleo de Estudos da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher o qual foi iniciado no ano de 2010 e encontra-se em execução, bem como as atividades desenvolvidas durante o ano de 2010, no sentido da divulgação da Lei Maria da Penha e do acesso pelas mulheres aos direitos garantidos na lei e aos serviços de proteção e atendimento às suas necessidades. PALAVRAS CHAVE violência proteção acesso à justiça 1 Advogada, professora do Curso de Direito 2 Advogada, 3 Acadêmica do 3º ano do Curso de Serviço Social UEPG, 4 Acadêmica do Curso de Direito, 5 Acadêmica do Curso de Direito,

2 9. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido 2 Introdução A situação de violência contra a mulher é realidade presente na vida da maioria das mulheres brasileiras independente da classe social, etnia, geração e orientação sexual e que se expressa de diferentes formas (física, sexual, moral, psicológica e patrimonial) ocorrendo frequentemente no espaço doméstico e familiar na esfera das relações interpessoais onde o agressor relaciona-se afetivamente com a vítima, tornando-a vulnerável à prática da violência. Segundo Queiroz (2008, p. 1) No Brasil, pesquisas apontam que a cada 15 segundos uma mulher é vítima de violência. e o Relatório Nacional Brasileiro/2007 sobre a violência contra a mulher 25% das mulheres são vítimas de violência doméstica e em 70% das ocorrências o agressor é marido ou companheiro. Fruto de diversos fatores a violência contra a mulher passou a ser denunciada à justiça e ganhou visibilidade junto à sociedade, muito embora não se tenha reduzido de forma significativa os índices de violência cometidos e a impunidade dos agressores, bem como a falta de dados e impasses jurídicos que dificultam traçar um retrato completo da violência. (Queiroz, 2008, p.3) Com a aprovação da Lei Maria da Penha Lei nº /2006 esta realidade começa a ser alterada tendo como decorrência a perspectiva de se promover uma mudança social e real no trato e enfrentamento da violência contra as mulheres. Isto pode ser verificado também com a existência do Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher e o II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres. A Lei Maria da Penha, que representa um marco na proteção da família e um resgate da cidadania feminina, define a violência doméstica e familiar contra a mulher, independentemente de faixa etária em cada uma de suas manifestações: física, sexual, psicológica, moral e patrimonial e equipara esse tipo de violência a uma das formas de violação dos direitos humanos. No entanto, constata-se que para a efetivação dos dispositivos legais e a superação da naturalização da violência contra a mulher é necessário desenvolver ações que promovam uma mudança nos valores sociais e se criem mecanismos para subsidiar propostas interventivas de atenção às mulheres vítimas de violência. Embora, tenham ocorrido avanços no trato desta questão é preciso divulgar e levar ao conhecimento da sociedade os direitos de proteção garantidos pela lei às mulheres vitimizadas por esta forma de violência, assegurando-lhes acesso a informação e orientação para que seus direitos sejam efetivamente garantidos. Portanto o principal objetivo do Núcleo de Estudos da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher é tratar da violência doméstica e familiar sob diferentes ângulos e buscar caminhos para garantir um atendimento adequado às mulheres. Desta forma, o presente trabalho apresenta a proposta do referido Núcleo o qual, como Projeto de Extensão, foi iniciado no ano de 2010 e encontra-se em execução, bem como as ações desenvolvidas no sentido da divulgação da Lei Maria da Penha e do acesso pelas mulheres aos direitos garantidos na lei e aos serviços de proteção e atendimento às suas necessidades. bem como os dados sobre a violência contra a mulher, relativos ao ano de 2009, levantados junto a Delegacia da Mulher e Fórum Varas Criminais com o intuito de caracterizar a situação de violência doméstica e familiar contra a mulher no município de Ponta Grossa Objetivos Geral Tratar da violência doméstica e da violência familiar contra a mulher, sob diferentes ângulos e buscar caminhos que possam garantir, num futuro próximo, um atendimento jurídico/judicial e socioassistencial permanente e adequado às mulheres, implantando na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), em caráter definitivo, o Núcleo de Estudos da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher;

3 9. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido 3 Específicos - Orientar mulheres vítimas de violência, encaminhadas pelo Serviço de Assistência Jurídica (SEAJ) do Núcleo de Prática Jurídica (NPJ) da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG); - Realizar ampla divulgação da Lei Maria da Penha, visando a redução da violência doméstica e familiar contra a mulher; - Dar conhecimento à comunidade sobre a forma de acesso à Justiça para assegurar os direitos das mulheres; - Fortalecer a participação efetiva e significativa dos acadêmicos da UEPG envolvidos no projeto; - Ampliar campo de estágio aos acadêmicos dos cursos de Direito e de Serviço Social; - Subsidiar o Poder Judiciário do Estado do Paraná para a implantação do Juizado Especial; - Estimular a organização e implantação, pelo Poder Público Municipal, da rede de serviços socioassistenciais. Metodologia - Estudo dirigido e debate com os acadêmicos dos cursos de Direito e de Serviço Social sobre a violência sofrida pelas mulheres, independentemente de faixa etária, nos seus aspectos físico, psicológico, sexual, patrimonial e moral. - Estudo de casos e entrevistas com mulheres vítimas de violência doméstica e familiar atendidas pelo Serviço de Assistência Jurídica, do Núcleo de Prática Jurídica da UEPG, quando da procura pela assistência jurídica na área de família, com histórico de violência contra a mulher. - Visitas à Delegacia da Mulher, Vara Criminal, Juizado Especial Criminal e Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS). - Palestras e oficinas sobre a Lei Maria da Penha com esclarecimentos sobre a violência doméstica e violência familiar nos Centros de Referência de Assistência Social - CRAS, nas escolas públicas, nas associações de bairro, clubes de serviço e/ou outros locais que se fizerem necessários. - Reuniões para avaliação das atividades realizadas e das informações coletadas - Registro das informações obtidas e elaboração de relatório a ser encaminhado ao Poder Judiciário do Estado do Paraná e ao Poder Público Municipal. - Definição de estratégias para desenvolver outros projetos pessoais e de grupo comprometidos com a função social da universidade pública. Resultados Realização de 13 Palestras sobre a Lei Maria da Penha com esclarecimentos sobre a violência doméstica e familiar, atingindo 552 pessoas, sendo:. 01 no Colégio Estadual Elzira, turno noturno, para 30 pessoas;. 01 no Instituto de Educação Professor Cézar Pietro Martines, turno noturno, para 30 pessoas;. 01 na Associação de Moradores da Vila Francelina, turno noturno, para 20 pessoas;. 01 palestra no CRAS- Carambeí, turno noturno, para 40 pessoas;. 01 palestra nos CRAS Vila Marana e Cará-Cará, turno vespertino, para 25 e 83 pessoas respectivamente;. 02 palestras no CRAS Santa Luzia, turno vespertino, para 20 pessoas em cada uma;. 01 Palestra para acadêmicos do Curso de Direito da UEPG, matriculados na disciplina de Estágio de Prática Forense, com atividades no NPJ totalizando 30 estagiários (15 turno matutino; 15 turno vespertino);. 01 Palestra para 72 acadêmicos do 2º ano do Curso de Direito da UEPG, matriculados na disciplina de Direito Processual Civil II, turno matutino;. 02 Palestras para acadêmicos do Curso de Direito da UEPG, matriculados na disciplina de Estágio de Prática Forense, turno matutino, totalizando 18 alunos;. 01 Palestra para acadêmicos do Curso de Direito da UEPG, matriculados na disciplina de Estágio de Prática Forense, turno noturno, com 06 alunos;. 01 Palestra para 15 acadêmicos do Curso de Serviço Social na V Jornada de Estágio de Serviço Social turno vespertino; Realização de 02 Oficinas sobre a Lei Maria da Penha com esclarecimentos e debate sobre a violência doméstica e familiar contra a mulher, sendo:

4 9. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido com 28 acadêmicos do Curso de Serviço Social UEPG;. 01 na Fundação Pro Amor de Assistência Social Departamento do Idoso para 35 mulheres idosas; Orientação aos estagiários do Serviço de Assistência Jurídica (SEAJ) do Núcleo de Prática Jurídica (NPJ) da UEPG com esclarecimentos sobre o Projeto nos turnos matutino e vespertino, totalizando 80 estagiários. Atendimento especializado a 34 mulheres atendidas e encaminhadas pelo SEAJ do Núcleo de Prática Jurídica. Visitas Institucionais: Fórum de Ponta Grossa, Delegacia da Mulher, Secretaria Municipal de Assistência Social, Centro de Referência Especializado de Assistência Social, Conselho Municipal da Mulher, Secretaria Municipal de Saúde, Pronto Socorro Municipal, SAMU, Serviço de Referência às Vítimas de Violência Sexual no Hospital Evangélico e Centro de Referência e Atendimento à Mulher CAM Londrina/PR. 06 participações em eventos científicos com apresentação de trabalho nas seguintes modalidades:.pôster/banner 8º CONEX Encontro Conversando sobre Extensão na UEPG Ponta Grossa/PR; I CICPG I Congresso de Iniciação Científica e Pós-Graduação Sul/Brasil em Florianópolis/SC 4º Congresso Nacional de Extensão e 13º Encontro de Atividades Científicas da UNOPAR em Londrina/PR 28º SEURS Seminário de Extensão Universitária da Região Sul Florianópolis/SC. comunicação oral - VI Encontro de Produção Científica Faculdade UNIÃO Ponta Grossa/PR I Seminário sobre Gênero e Violências Pontifícia Universidade Católica de Campinas São Paulo Avaliação e Elaboração de Relatório Técnico-Científico das ações e atividades desenvolvidas, encaminhado à SETI Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia Ensino Superior, e a ser encaminhado ao Juiz Diretor do Fórum de Ponta Grossa, à Delegada da Delegacia da Mulher de Ponta Grossa e ao Prefeito Municipal. Conclusões Com o desenvolvimento do Projeto através das atividades previstas e realizadas conclui-se que o mesmo em linhas gerais:. viabilizou, o estudo, o debate e o conhecimento sob diferentes ângulos sobre a questão da violência doméstica e familiar contra a mulher na cidade de Ponta Grossa a partir da realidade concreta.. possibilitou o trabalho em equipe multidisciplinar propiciando a troca de diferentes experiências teórica e práticas, no sentido de buscar assegurar o acesso mulheres vítimas de violência às políticas sociais públicas e atendimento das no que se refere ao direito garantido por lei.. propiciou a formação dos acadêmicos participantes do projeto através do ato de ensinar e aprender, onde estes puderam vivenciar, refletir, intervir na realidade utilizando-se dos pressupostos teóricos e dos instrumentais pertinentes, sistematizando o conhecimento produzido no que diz respeito a atenção das mulheres vítimas de violência como direito de cidadania garantido por lei que deve ser assegurado pela defesa do direito, proteção e execução de políticas públicas. Especificamente os acadêmicos envolvidos, dos Cursos de Direito e Serviço Social, foram instigados e participaram efetivamente na divulgação da Lei Maria da Penha e na orientação às mulheres vítimas de violência. Foram várias as oportunidades de suscitar reflexões, questionamentos e levantar nos acadêmicos, profissionais e demais interessados na temática a importância da contribuição de cada um para a divulgação da Lei Maria da Penha à comunidade, promovendo a discussão sobre a questão da violência contra a mulher e a orientação jurídica às vítimas. Constatou-se entre os participantes das palestras, oficinas e orientações a necessidade constante da divulgação e esclarecimentos da Lei Maria da Penha na sociedade.

5 9. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido 5 Referencias BASTERD, Leila de A. Violência contra a Mulher e Cidadania: Uma avaliação das Políticas Públicas. CEPIA, Rio de Janeiro: BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, Código Penal Brasileiro. Decreto Lei nº 2848 de 07 de dezembro de Brasília, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº de 20 de dezembro de Lei Maria da Penha. Lei nº de 07 de agosto de PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. SECRETARIA ESPECIAL DE POLÍTICAS PARA AS MULHERES. Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. Brasília: QUEIROZ, Fernanda Marques de. Lei Maria da Penha: Conquista legal, desafios à sua implementação. Seminário Fazendo Gênero 8 Corpo, Violência e Poder. Florianópolis de 25 a 28 de 2008.

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