PLANO MUNICIPAL DE PROMOÇÃO, PROTEÇÃO E DEFESA DO DIREITO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES DE GOVERNADOR VALADARES À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA

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1 Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Governador Valadares Conselho Municipal de Assistência Social de Governador Valadares Comissão Intersetorial para elaboração do Plano Municipal de Convivência Familiar e Comunitária PLANO MUNICIPAL DE PROMOÇÃO, PROTEÇÃO E DEFESA DO DIREITO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES DE GOVERNADOR VALADARES À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA

2 Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Governador Valadares Conselho Municipal de Assistência Social de Governador Valadares Comissão Intersetorial para elaboração do Plano Municipal de Convivência Familiar e Comunitária CRÉDITOS Elisa Maria Costa Prefeita Municipal de Governador Valadares Geremias Ferreira de Brito Vice- Prefeito Municipal de Governador Valadares Jaime Luiz Rodrigues Júnior Secretário Municipal de Assistência Social Maria da Penha Filipe da Fonseca Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente Maria José Vieira Presidente do Conselho Municipal da Assistência Social Adilene Casé do Nascimento Coordenadora da Comissão Intersetorial de Elaboração do Plano Municipal de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes de Governador Valadares à Convivência Familiar e Comunitária. PLANO MUNICIPAL DE PROMOÇÃO, PROTEÇÃO E DEFESA DO DIREITO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES DE GOVERNADOR VALADARES À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente Representantes Governamentais Secretaria Municipal de Governo Titular: Silvano Gomes Suplente: Cláudia Aparecida dos Santos Silva Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico Titular: Paulo Marcos Costa Suplente: Renato de Oliveira Silva Secretaria Municipal de Educação Titular: Dalva Mendes Marcos Rabelo Suplente: Cláudia Miffarreg Soares Câmara Secretaria Municipal de Saúde Titular: Renato Fraga Valentim Suplente: Solange Nunes Leite Batista Coelho Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer Titular: Fábio Fernandes Brasileiro Suplente: Adalmir Neres de Matos Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Agricultura e Abastecimento Titular: Vilmar Rios Dias Júnior Suplente: Milther Rodrigues Cunha Governador Valadares, agosto de 2012.

3 Secretaria Municipal de Planejamento Titular: Wellington Moreira Azevedo Suplente: Rogéria Cristina Silva Gomes Secretaria Municipal de Assistência Social Titular: Jaime Luiz Rodrigues Júnior Suplente: Darci Eloi dos Santos Secretaria Municipal da Fazenda Titular: Valter Luiz Machado da Silva Suplente: Glécya Mara Lopes Representantes Não Governamentais Titulares Ordem Religiosa das Escolas Pias - OREP / Itaka Escolápios / GV Jemima Rodrigues Reis Gonçalves Creche Manuela Domingas de Castro Creuza Germano Brito Instituto Nosso Lar Paulo Ribeiro Lar Fabiano de Cristo Luciane Rabello Barros Fundação José Lucca Ana Célia Gonçalves Santiago Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais de Governador Valadares - APAE / GV Rute Gonçalves do Nascimento Sociedade Missionária de Recuperação Humana - SOMIREHU Maria da Penha Filipe da Fonseca Associação de Proteção à Maternidade e Infância - APMI Rosilda Campos Cardoso Associação Comunitária Arte Planalto Marilson Fernandes de Oliveira Suplentes Ordem Religiosa das Escolas Pias - OREP / Itaka Escolápios / GV Amarildo Mafalda Oliveira Fundação Percival Farquhar Tandrécia Cristina de Oliveira Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais - APAE/GV Lucimar Dias Cordeiro Lar Hermes Antônio Pinto Márcia Aparecida Oliveira Novaes Creche Manuela Domingas de Castro Rízia Renata de Oliveira Creche Gente Inocente Lucianno Pereira Conselho Municipal de Assistência Social Representantes Governamentais Secretaria Municipal de Assistência Social Titular: Edmarcius Carvalho Novaes Suplente: Tatiana Rodrigues Campos Secretaria Municipal de Educação Titular: Judith Irene da Silva Rocha Suplente: Fernanda Góis de Brito Secretaria Municipal de Saúde Titular: Valquíria dos Santos Souza Lima Suplente: Melina Esteves Vial Secretaria Municipal da Fazenda Titular: Ilma Seles da Costa Suplente: Maria Rosane Martins Secretaria Municipal de Governo Titular: Maria de Fátima de Jesus Suplente: Eisenhower Soares da Mota Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Agricultura e Abastecimento Titular: Elvira Gusmão Neta Suplente: Rina Rodrigues da Silva Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico Titular: Raimundo Carlos Santana Suplente: Devani Tomaz Domingues Coordenadoria de Apoio e Assistência ao Deficiente - CAAD Titular: Camila Gomes de Oliveira Félix Suplente: Maria das Dores dos Santos Coordenadoria de Apoio e Assistência ao Idoso - CAAI Titular: Maricléia Keila Simões Lourenço Suplente: Zeni Borges de Santana Representantes Não Governamentais Clubes e serviços Titular: Maria Gorette Coelho

4 Suplente: Eunice Chaves Instituições de Assistência ao Excepcional Titular: Gracy Dalmácea Chaves Suplente: Maria Helena Alves de Sousa Associação de Moradores e Movimentos Populares Titular: Sérgio Luiz Lima Suplente: Lícia Maria Paraíso Duarte Creches Titular: Deuzuíta Marcos Moreira Suplente: Lucianno Pereira Asilos e Albergues Titular: Maria Madalena de Freitas Pinheiro Suplente: Juliana Corrêa de Sousa Associação de Idosos / GV Titular: Maria José Vieira Suplente: Margareth de Almeida e Silva Carvalhaes Associação Deficientes / GV Titular: Cristina Abreu Soares Costa Suplente: Rivânia Andréa Perdigão Profissional de Serviço Social e Afins Titular: Maria Isabel de Jesus Suplente: Regina Coeli Padilha de Carvalho Entidades de Assistência e Atendimento à Criança. Titular: Heliana Regina Pinto Suplente: Patrícia Bicalho Duarte Membros da Comissão Intersetorial de Elaboração do Plano Municipal de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes de Governador Valadares à Convivência Familiar e Comunitária. Secretaria Municipal de Educação (SMED) Elenilza Ingrácia da Silva Rosa Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer (SMCEL) Ivana Martins Lage Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) Marinalva Luciana da Silva Secretaria Municipal de Planejamento (SEPLAN) Wellington Moreira Azevedo Conselho Municipal de Educação (CME) Georgete Moufarreg Drumond Conselho Municipal de Saúde (CMS) Maria Aparecida Roque Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência (CMPD) Valdivino Pereira de Araújo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) Maria da Penha Filipe da Fonseca Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) Jemima Rodrigues Reis Gonçalves Conselho Municipal de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos (CMPDDH) Luimara Victor de Carvalho Schenato Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS) Ilma Seles da Costa Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS) Heliana Regina Pinto Fórum dos Abrigos Maria Perpétua Drumond Avelino Ministério Público Sônia Beatriz Raphael Pascoal Vara da Infância e Juventude Adilene Casé do Nascimento 8º Depto de Polícia Civil de Minas Gerais Dr. Marcos de Alencar Miranda 8ª Região da Polícia Militar Sgto Mateus Neiva Ferreira Conselhos Tutelares de Governador Valadares Elane Benevides Simões Universidade Vale do Rio Doce Rivânia Andréa Perdigão Secretaria Executiva dos Conselhos Adriana Dornelas Santos Zilá Raquel Pereira Costa

5 Grupo de Trabalho para Elaboração do Plano Municipal de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes de Governador Valadares à Convivência Familiar e Comunitária. Alex Vilela Oliveira Andréa Costa Gualberto Alves Chirlem Flávia Lopes Elane Benevides Simões Ellen Cristina Rocha Fonseca Gabriela Mara Corrêa Silva Gracy Dalmacea Chaves Gustavo Rodrigues Leite Ilma Seles Costa Jaqueline de Souza Silva Jemima R. Reis Gonçalves Kássia F. Guimarães Madalena de Souza Silva Maria Aparecida da Silva Maria Perpétua Drumond Marta Maria Aquino Camargos Michelle E. de Carvalho Sâmara Nick Sônia B. Raphael Pascoal Vanessa Luís Carvalho Vera Luci Soares Oliveira ASSESSORIA TÉCNICA UNIVERSIDADE VALE DO RIO DOCE Assessoria de Extensão Polo de Promoção da Cidadania Angelita Dolores Basilato Mazega Maira Alvarenga de Souza Merly Gonçalves Correia Mônia Tomaz Soares Rivânia Andréa Perdigão Tandrécia Cristina de Oliveira Cristina Salles Caetano Coordenadora do Polo de Promoção da Cidadania. Capa, diagramação, ilustração Danilo Guimarães Almeida SUMÁRIO Lista de Tabelas, Quadros e Gráficos Lista de Siglas APRESENTAÇÃO I. SOBRE O DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES II. MARCO LEGAL E CONCEITUAL 2.1. Serviços de acolhimento 2.2. A articulação entre o direito de crianças e adolescentes e o Sistema de Justiça Autoridade Judiciária Ministério Público Defensoria Pública Integração Operacional 2.3. As Delegacias da Polícia Civil 2.4. Conselho Tutelar Marco legal do Conselho Tutelar do Município de Governador Valadares 2.5. Assistência Social Política de Assistência Social e as configurações previstas no Sistema Único de Assistência Social: a implementação do CRAS e CREAS O Centro de Referência da Assistência Social CRAS como operacionalizador da Proteção Social Básica O Centro de Referência Especializado da Assistência Social CREAS como operacional da Proteção Social Especial 2.6. Educação 2.7. Saúde Mental 2.8. Geração de Emprego e Renda A importância dos projetos de Geração de Trabalho e Renda para a convivência familiar e comunitária O que são políticas de geração de trabalho e renda? Política Pública de Geração de Emprego e Renda e Assistência Social Órgão Gestor da política de desenvolvimento econômico em Governador Valadares Conselho Municipal do Trabalho e Emprego e Geração de Renda de Governador Valadares A política de geração de trabalho e renda no setor privado: Sistema S

6 III. MARCO SITUACIONAL 3.1. Acolhimento de Crianças e Adolescentes em Governador Valadares Procedimentos Metodológicos Análise situacional dos Serviços de Acolhimento Institucional e Familiar em Governador Valadares Caracterização das crianças e adolescentes acolhidos em Governador Valadares Caracterização das famílias de crianças e adolescentes acolhidos em Governador Valadares Considerações Finais VI. IMPLEMENTAÇÃO, MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO 6.1. Necessidades para a implementação do Plano Municipal 6.2. Responsabilidades da Comissão de Monitoramento e Avaliação 6.3. Indicadores Gerais de Monitoramento 6.4. Indicadores de Avaliação VII. PLANO DE AÇÃO VIII. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS O Sistema De Justiça Análise situacional do Sistema de Justiça da Comarca de Governador Valadares Delegacias de Polícia Civil Conselho Tutelar Procedimento Metodológico Principais resultados alcançados na pesquisa colegiada e individual dos Conselheiros sobre o funcionamento do Conselho Tutelar Principais resultados alcançados na avaliação dos Conselheiros sobre o funcionamento do Conselho Tutelar Considerações finais Assistência Social Gestão da Política de Assistência Social em Governador Valadares Gestão do CRAS Gestão do CREAS A percepção dos técnicos do Centro de Referência de Assistência Social de Governador Valadares A percepção dos técnicos do Centro de Referência Especializado de Assistência Social de Governador Valadares Educação Saúde Mental Geração de Emprego e Renda 136 IV. DIRETRIZES DO PLANO MUNICIPAL DE PROMOÇÃO, PROTEÇÃO E DEFESA DO DIREITO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES À CONVI- VÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA 142 V. OBJETIVOS GERAIS 149

7 LISTA DE TABELAS, QUADROS E GRÁFICOS. Tabela 01 - Principal fonte de financiamento dos Serviços de Acolhimento - Governador Valadares/2011 Tabela 02 - Sustentabilidade financeira dos Serviços de Acolhimento em Governador Valadares, 2011 Tabela 03 - Distribuição do pessoal de apoio, por modalidade dos Serviços de Acolhimento - Governador Valadares/2011 Tabela 04 - Capacidade instalada, em número de atendimentos, por modalidade dos Serviços de Acolhimento- Governador Valadares / 2011 Tabela 05 - Atendimento, pelos Serviços de Acolhimento, aos princípios de manutenção e fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários de crianças e adolescentes - Governador Valadares/2011 Tabela 06 - Avaliação dos Serviços de Acolhimento, sobre a intensidade da articulação com o Sistema de Garantia de Direitos, para o atendimento das demandas de crianças e adolescentes acolhidos - Governador Valadares/2011 Tabela 07 - Avaliação dos Serviços de Acolhimento sobre a intensidade da sua articulação com o Sistema de Garantia de Direitos, visando à promoção das famílias de crianças e adolescentes acolhidos - Governador Valadares/2011 Tabela 08 - Número de crianças e adolescentes acolhidos, por modalidade dos serviços de acolhimento e sexo. Governador Valadares - Agosto a Outubro de 2011 Tabela 09- Quantidade de crianças e adolescentes acolhidos, com irmãos, no mesmo e/ou em outro Serviço de Acolhimento - Governador Valadares/2011 Tabela 10 - Caracterização da situação jurídica das crianças e adolescentes acolhidos em Governador Valadares Novembro de 2011 Tabela 11 - Tempo de permanência de crianças e adolescentes acolhidos, por modalidade dos Serviços de Acolhimento - Governador Valadares/2011 Tabela 12 - Caracterização das famílias, segundo o(s) responsável (is) pelas crianças e adolescentes acolhidos. Governador Valadares, 2011 Tabela 13 - Municípios que compõem a comarca de Governador Valadares, segundo população residente e número de crianças e adolescentes - Censo 2010 Tabela 14 - Natureza e quantidade de processos em tramitação na Vara da Infância e Juventude de Governador Valadares, em 06 de dezembro de 2011 Tabela 16 - Atendimentos de casos de violação de direitos realizados pelo Conselho Tutelar, entre os anos de 2008 e outubro de 2011, em Governador Valadares. Tabela 17 - Motivação para os encaminhamentos do Conselho Tutelar para os Serviços de Acolhimento Institucional ou Familiar, nos anos 2009 a Tabela 18 - Quantidade de trabalhadores atuando nos Centros de Referência da Assistência Social em Governador Valadares 2011 Tabela 19 - Média mensal de usuários atendidos nos Centros de Referência da Assistência Social, por categoria de família, pessoa com deficiência ou faixa etária. Governador Valadares/2011. Tabela 20 - Público atendido no CREAS, por natureza de atendimento, nos anos de 2008, 2009 e Governador Valadares/2011. Tabela 21 - Nível de acesso dos técnicos do CRAS, à listagem das Famílias inscritas no CadÚnico - Governador Valadares / Tabela 22 - Adequação da infraestrutura nos Centros de Referência da Assistência Social de Governador Valadares 2011 Tabela 23 - Opinião dos informantes sobre o funcionamento dos fluxos de referência e contra-referência entre a rede socioassistencial, políticas setoriais e órgãos de defesa de direitos. CREAS - Governador Valadares / 2011 Tabela 24 - Avaliação da infra-estrutura do CREAS de Governador Valadares, considerando-se a adequação dos ambientes às exigências legais. Tabela 25 - Número de matrículas realizadas no ensino básico da educação pública em Governador Valadares/2011. Tabela 26 - Inclusão escolar de alunos com deficiência na escola pública de Governador Valadares, por segmento educacional LISTA DE QUADROS Quadro 01 - Recursos Humanos do Centro de Referência da Assistência Social - CRAS Quadro 02 - Recursos Humanos do Centro de Referência Especializado da Assistência Social - CREAS Quadro 03 - Critérios estabelecidos pelos serviços de acolhimento para o recebimento de crianças e adolescentes Governador Valadares/2011 Quadro 04 - Normas de visitas para os familiares, nos Serviços de Acolhimento em Governador Valadares 2011 Tabela 15 - Nível de integração entre a Polícia Civil e órgãos do Sistema de Garantia de Direitos - Governador Valadares

8 Quadro 05 - Vulnerabilidades e Riscos diagnosticados nos territórios dos CRAS de Governador Valadares, com respectivas estratégias de enfrentamento dos mesmos. Quadro 06 - Demanda registrada e estimada de Educação Infantil, Ensino Fundamental e EJA na Rede Pública de Ensino em Governador Valadares/2011. LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 01 - Número de Crianças e Adolescentes acolhidos por ano em Governador Valadares, entre 2008 e 2010 Gráfico 02 - Percentual de crianças e adolescentes acolhidos que retornaram, por ano, para o convívio da família de origem - Governador Valadares/ 2008 a 2010 LISTA DE SIGLAS ABMP ADELESTE ADQF AMAS ANEEL BPC CAAD CadÚnico CAPS CAPS I CAPS-ad CDL CEAS CEDCA CERSAM s CETER-MG CETRAN-MG CI CMDCA CME CMJ CMPD CMPDDH CMS CNA CNAS CNBB CODEFAT COMAD COMTER CONANDA CRAEDI CRAS CREAS CT DETRAN-MG DOE DP ECA EJA EJEF FAT Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e da Juventude. Agência de Desenvolvimento do Leste de Minas Gerais Associação de Dependentes Químicos e Familiares Associação Mineira de Assistência Social Agência Nacional de Energia Elétrica Benefício de Prestação Continuada Coordenadoria de Apoio e Assistência a Pessoa com Deficiência Cadastro Único para Programas Sociais Centro de Atenção Psicossocial Centro de Atenção Psicossocial Infantil Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas Clube dos Diretores Lojistas Conselho Estadual de Assistência Social Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente Centros de Referência em Saúde Mental Conselho Estadual do Trabalho, Emprego e Geração de Renda do Estado de Minas Gerais Conselho Estadual de Trânsito de Minas Gerais Comissão Intersetorial Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente Conselho Municipal de Educação Conselho Municipal de Juventude Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência Conselho Municipal de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos Conselho Municipal de Saúde Cadastro Nacional de Adoção Conselho Nacional de Assistência Social Conferência Nacional dos Bispos do Brasil Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador Conselho Municipal Anti-Drogas Conselho Municipal do Trabalho, Emprego e Geração de Renda de Governador Valadares Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente Centro de Referência e Apoio a Educação Inclusiva Centro de Referência de Assistência Social Centros de Referência Especializados da Assistência Social Conselho Tutelar Departamento de Trânsito de Minas Gerais Departamento de Organização Escolar Defensoria Pública Estatuto da Criança e do Adolescente Educação de Jovens e Adultos Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes Fundo de Amparo ao Trabalhador 13 14

9 FIEMG Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais SENAR Serviço Nacional de Aprendizagem Rural FMDCA Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente SENAT Serviço Nacional de Aprendizagem em Transportes GT Grupo de Trabalho SEPLAN/GV Secretaria Municipal de Planejamento de Governador Valadares IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística SESC Serviço Social do Comércio IDH-R Índice de Desenvolvimento Humano da Dimensão Renda SESCOOP Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo IEL Instituto Euvaldo Lodi SESI Serviço Social da Indústria IES Instituição de Ensino Superior SEST Serviço Social de Transportes IML Instituto Médico Legal SGD Sistema de Garantia de Direito INSS Instituto Nacional do Seguro Social SIDA/AIDS Síndrome da Imuno Deficiência Adquirida LA Liberdade Assistida SIDS Sistema Integrado de Defesa Social LDBEN Lei de Diretrizes Básicas da Educação Nacional SINE Sistema Nacional de Emprego LDO Lei de Diretrizes Orçamentárias SIPIA Sistema de Informação para Infância e Adolescência LOA Lei Orçamentária Anual SMAS Secretaria Municipal de Saúde LOAS Lei Orgânica da Assistência Social SMCEL Secretaria Municipal de Cultura Esporte e Lazer LOS Lei Orgânica da Saúde SMDE Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico LRF Lei de Responsabilidade Fiscal SMED Secretaria Municipal de Educação MP Ministério Público SMS Secretaria Municipal de Saúde MTE Ministério do Trabalho e Emprego SPEMG Segurança Pública no Estado de Minas Gerais NAPS Núcleo de Assistência Psicossocial SRE Superintendência Regional de Educação NIS Número de Identificação Social SUAS Sistema Único da Assistência Social NOB Normas Operacionais Básicas SUS Sistema Único de Saúde NOB-RH/SUAS Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do Sistema Único de Assistência Social TJMG Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais ONG s Organizações Não-Governamentais UNICEF Fundo das Nações Unidas para a Infância ONU Organização das Nações Unidas UNIVALE Universidade Vale do Rio Doce PAC Programa de Aceleração do Crescimento VIJ Vara Especializada da Infância e Juventude PAEFI Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos PSF Programa de Saúde da Família PAIF Serviço de Proteção e Atenção Integral à Família PETI Programa de Erradicação do Trabalho Infantil PIA Plano de Atendimento Individual PNAS Política Nacional de Assistência Social PNE Plano Nacional de Educação PNUD Programa das Nações Unidas PQP Programa de Qualificação Profissional PROJOVEM Programa Nacional de Inclusão de Jovens PSC Prestação de Serviços à Comunidade RI Regimento Interno SDD Sistema de Defesa de Direitos SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio às Pequenas e Médias Empresas SECOM Secretaria Municipal de Comunicação SEDESE Secretaria de Estado de Defesa Social SEDH Secretaria Especial dos Direitos Humanos SEDS Secretaria de Estado de Defesa Social SENAC Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial 15 16

10 APRESENTAÇÃO Após a publicação dos Planos Nacional e Estadual de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária, tornou- -se imperativa a construção do Plano Municipal de Promoção, Proteção e Defesa do Direito à Convivência Familiar e Comunitária de Crianças e adolescentes do município de Governador Valadares. O plano representa um instrumento formal de cumprimento de diretrizes nacionais visando: a) a política de prevenção à fragilização de vínculos familiares e comunitários; b) à intervenção qualificada quando os vínculos já foram rompidos; c) à garantia de vivência familiar se não na família de origem, na família extensa ou em família substituta, observando os dispositivos legais previstos na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Seguindo parâmetros da Resolução Conjunta do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente - CONANDA e Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, de nº 01 de 9 de junho de 2010, foi constituída em Governador Valadares, através da Portaria nº de 06 de outubro de 2010, a Comissão Intersetorial de Convivência Familiar e Comunitária, com as atribuições de elaborar, implementar, acompanhar e avaliar o Plano Municipal de Convivência Familiar e Comunitária, destinado à promoção, proteção e defesa da criança e do adolescente. Para auxiliar o trabalho da Comissão, no campo técnico foi firmada uma parceria com a Universidade Vale do Rio Doce UNIVALE, através do Programa de Extensão Polo de Promoção da Cidadania, responsável por realizar um diagnóstico para subsidiar e assessorar na elaboração do Plano e assessorar e redigir o documento final. A Comissão Intersetorial, primando pela participação e construção democrática desse importante documento que é norteador dos direitos de crianças e adolescentes em nível local, instituiu a abertura de espaços públicos para a Elaboração do Plano de Ação. Assim, incorporou diferentes atores sociais do Sistema de Garantia de Direitos - SGD. De forma colegiada, a Comissão e os atores do Sistema de Garantia de Direitos, com a assessoria dos técnicos e professores do Polo de Promoção da Cidadania - formou o GRUPO de TRABALHO (GT) responsável por pensar e discutir, através de diversas oficinas de trabalho, a garantia do direito à convivência familiar e comunitária para as crianças e adolescentes do município de Governador Valadares. Ressalta-se que os membros considerados efetivos no GT foram aqueles que alcançaram acima de 50% de frequencia, nas oficinas de elaboração do Plano. O processo envolveu as seguintes etapas na elaboração das Ações do Plano Municipal de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes de Governador Valadares à Convivência Familiar e Comunitária. 1º PASSO Proposição do Plano de Ação, com discussão sobre a realidade da convivência familiar e comunitária no município. 1º e 2º Encontros Dias 27 e 28 de Março de Conhecendo a realidade e propondo ações. Esse encontro teve três objetivos específicos: 1) Conhecer a realidade da infância e adolescência de Governador Valadares, a partir: a) dos diagnósticos realizados; b) do compartilhamento de experiências dos participantes; c) da identificação das políticas não alcançadas pelo diagnóstico. 2) Distinguir pontos fortes e críticos da realidade local. 3) Propor ações para compor o Plano Municipal visando superar as questões críticas e efetivar o direito à convivência familiar e comunitária para conjunto da população infanto - juvenil do município. 3º Encontro Dia 24 de abril de 2012 Sistematização do Plano de Ação em eixos, definindo o cronograma, os envolvidos e os responsáveis. Objetivo Específico: Dividir o Grupo de trabalho em cinco eixos - análise da situação e sistemas de informação; atendimento; marcos normativos e regulatórios; mobilização, articulação e participação; e sustentabilidade - visando sugerir alterações, acréscimos, supressões e propor o cronograma, atores envolvidos e responsáveis pela realização ou articulação das ações do Plano Municipal. As ações foram sistematizadas pelo Polo de Promoção da Cidadania a priori, e localizadas dentro dos eixos e objetivos do Plano de Ação. Do 4º ao 9º Encontro 02, 08, 15 e 22 de maio de Socialização das idéias elaboradas nos subgrupos, por eixo. Objetivo Específico: Socializar as construções elaboradas nos subgrupos, por eixo, permitindo a participação de todos na compreensão, sugestão e finalização das ações propostas. 2º PASSO Consulta Pública O documento final foi disponibilizado para consulta pública no site da UNIVALE, no período de 16/07/2012 a 31/07/ º PASSO Decisões finais A Comissão Intersetorial com a assessoria do Polo de Promoção da Cidadania avaliou e tomou a decisão sobre as alterações, acréscimos ou supressões que foram propostas ao documento na fase da consulta pública. 4º PASSO Apresentação do Plano Municipal de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes de Governador Valadares à Convivência Familiar e Comunitária ao Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS) e Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), para aprovação e publicação de resolução de aprovação do Plano, pelos dois Conselhos. 5º PASSO Elaboração do Plano de implementação e Monitoramento, considerando: a. O apoio ao município na implementação do Plano; b. O acompanhamento da implementação do Plano; c. O envio de informações de criação do Plano às Comissões Nacional e Estadual; d. A apresentação ao Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (CEDCA) de relatórios de implementação e monitoramento do Plano Municipal

11 O processo de elaboração do Plano Municipal teve por base as diretrizes e objetivos dos Planos Nacional e Estadual, bem como as orientações da Resolução Conjunta do CONANDA e CNAS, de nº 01 de 9 de junho de Os diagnósticos que subsidiaram a elaboração do Plano de Ação foram sintetizados no Marco Situacional, e suas referências teóricas resumidamente disponibilizadas no Marco Teórico e Conceitual que compõem esse Plano. Foram objetos de estudo o Sistema de Justiça, os Serviços de Acolhimento, a Política de Assistência Social, as Delegacias da Polícia Civil, o Conselho Tutelar, a Educação Pública no Ensino Fundamental e Médio, a Política de Saúde Mental e os Programas de Geração de Emprego e Renda do município. Buscou-se correlacionar todos os temas pesquisados com os princípios do direito da criança e do adolescente à convivência familiar e comunitária. I. SOBRE O DIREITO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA O vínculo é um aspecto tão fundamental na condição humana, e particularmente essencial ao desenvolvimento, que os direitos das crianças o levam em consideração na categoria CONVIVÊNCIA viver junto. O que está em jogo não é uma questão moral, religiosa ou cultural, mas sim uma questão vital. (VICENTE, 2000, P.51) Viver em família e Comunidade é reconhecido na constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente como um dos direitos humanos fundamentais. A premissa que motiva tal direito encontra reforço na idéia de que todo o Ser Humano, só poderá se realizar como pessoa estabelecendo vínculos com um outro, com quem construirá sua identidade simbólica 1, afetiva e social. A família é, nesse aspecto, o lócus privilegiado da realização de humanização. Para Barros (2003, p.145) os direitos humanos fundamentais têm como princípio, [...] realizar toda essência humana em toda a existência humana. [...] realizar o ser humano em todos os indivíduos humanos, nas condições de dignidade verificáveis e exigíveis em cada época da história de sua civilização. Em verdade não só realizar, mas também garantir a humanidade assim realizada. O sentido da humanidade, portanto, vai além dos cuidados necessários à sobrevivência orgânica, uma vez que os seres humanos não sobrevivem em vida e dignidade se não encontram, ao nascer e por toda a vida, um ambiente de sociabilidade, acolhimento e afeto, pois é gregário por natureza. As crianças nascem em uma família e comunidade e, a partir daí, já estão definidos o seu pertencimento, sua identidade e cidadania. Viver em família e comunidade, além de uma necessidade humana, é também uma relação em que kammerer (2000 apud HURTEL, 2006, p.171) reconhece que o que os pais ensinam aos filhos é desejar segundo as leis humanas. Sendo assim, os pais transmitem aos filhos as leis fundamentais para que possam humanizar-se, subjetivar-se e socializar-se. Hustel (2006), por sua vez, afirma que na contemporaneidade essa tarefa é impossível de ser enfrentada pelos pais sozinhos. É também na dimensão da vida social que se desenvolve o processo societário. É na relação com a comunidade e suas instituições que as crianças e adolescentes podem expressar sua individualidade e vivenciar valores sociais importantes ao seu desenvolvimento. 1 A identidade simbólica diz respeito à apreensão e interpretação da realidade, uma vez que é um processo de representação simbólica, uma tentativa de compreensão de sua própria posição no mundo. VICENTE ( 2000, p. 47) ao se referir à vinculação simbólica, exemplifica: Toda criança tem família e rede de parentesco: o bebê, ao ser concebido, já pertence a uma rede familiar [...] ao pertencer a estes grupos, também já está estabelecido quem são os outros e o universo de escolhas amorosas e interdições às quais estará sujeito, de acordo com a cultura onde ele está inserido

12 A maior expectativa é de que ela produza cuidados, proteção, aprendizado dos afetos, capazes de promover melhor qualidade de vida a seus membros e efetiva inclusão social na comunidade e na sociedade em que vivem (CARVALHO, 2000, p. 15) A família, portanto, tem um papel essencial no processo de desenvolvimento e socialização da criança e do adolescente, mediando sua relação com o mundo e/ou com a vida em sociedade. No campo da proteção, a família constitui espaço importante no que se refere à segurança afetiva e à integridade física e psicossocial. Desta forma, torna-se necessário um conjunto de cuidados que visam prevenir omissões e/ou carências que causam danos ao desenvolvimento pleno (cognitivo, físico, intelectual, moral, social, e outros) da criança e do adolescente. Por isso, os maus-tratos infanto-juvenis alcançam algumas famílias sem condições de desenvolver todo o potencial de proteção, motivado ou por fatores estruturais relacionados à desigualdade social e econômica e suas diversas expressões, tais como pobreza, violência, miséria etc.; ou por fatores expressos interpessoais, como transgressão do poder disciplinador do adulto, negação do valor da liberdade (submissão ao poder do adulto), que culmina em vários tipos de violência intrafamiliar, como: a violência sexual, física, psicológica e a negligência. 2 Assim sendo, a família como núcleo da sociedade deve receber a proteção da sociedade e do Estado. Isto porque está sujeita a transformações, restrições e formas de organização do social, sendo impactada pelos modelos econômicos e conflitos gerados pelas desigualdades social e econômica em que se assenta a sociedade. Em nível privado reproduz-se as regras públicas de relação entre homens e mulheres, adultos e crianças, pobres e ricos etc. Portanto, o lugar privilegiado de convívio e afeto pode tornar-se também um lugar de conflitos e de violação de direitos que fragilizam os vínculos familiares. Assim sendo, como toda e qualquer instituição social, a família deve ser compreendida como lugar de contradições. Ter clareza disso requer o entendimento das transformações sociais que incidem sobre ela, relacionando-as com mudanças no processo de produção, trabalho e consumo. Há de se considerar, ainda, que por muito tempo as famílias empobrecidas, e principalmente aquelas que fugiam do modelo idealizado de organização, ficaram sujeitas (e ainda o são) a avaliações preconceituosas por parte da sociedade, e intervenções arbitrárias por parte do Estado que as viam como incapazes 3 de cuidar de seus filhos, Por isso, por décadas a institucionalização de crianças, como forma de separá-los dos perigos da família, foi o principal instrumento de assistência à infância no país (RIZZINI, 2004, p.22) A visão das famílias como incapazes de criarem seus filhos pode ocasionar o desvirtuamento de problemas sociais vinculados à violação de direitos por parte do Estado, creditando esses (problemas) à própria família. Conseqüentemente, tanto a família como a criança são punidas, sendo uma situação limite e grave a retirada de casa da criança ou do adolescente, e a sua institucionalização. Sendo que o problema está ligado a circunstâncias macroeconômicas e políticas que precisam ser paralelamente enfrentadas para que os internatos deixem de constituir uma opção atraente para crianças e para pais que não encontraram saída para as dificuldades em manter seus filhos. O desenvolvimento econômico, associado a políticas de distribuição de renda reduz a necessidade de instituições de assistência à infância, pois geram alternativas que resultam em crescimento e recursos. (RIZZINI,2004, p. 82). As famílias também estão em constante mudança, por diversos fatores: culturais, sociais e pessoais. Ao longo da história, e dentro de uma mesma época, ela promoveu uma diversidade de arranjos que fogem ao modelo idealizado da família nuclear, baseada na união matrimonial entre um homem e uma mulher e os filhos, frutos dessa união. Vários arranjos familiares se constituíram como forma de dar respostas às possíveis dificuldades existenciais e de organização do cotidiano. (AMAS, 1995, p.19). 2 Para aprofundar a discussão dos tipos e conceitos de violência de pais contra filhos GUERRA, Viviane Nogueira de Azevedo. A violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes. In.: Violência de Pais contra Filhos: a tragédia revisitada. São Paulo, Cortez, 2005, p RIZZINI e RIZZINI(2004, p ) afirmam que a produção discursiva de todo o período da forte presença do Estado no internamento de menores é fascinante, pelo grau de certeza científica com que as famílias populares e seus filhos eram rotulados de incapazes, insensíveis, e uma infinidade de rótulos. Mais a frente, as autoras continuam, informando que as representações negativas sobre as famílias cujos filhos formavam a clientela da assistência social nasceram junto com a construção da assistência no Brasil. A idéia de proteção à infância era, antes de tudo, proteção contra a família. Foi, sobretudo, a partir da constituição de um aparato oficial de proteção e assistência à infância no Brasil, na década de 1920, que as famílias das classes populares se tornarem alvo de estudos e formulação de teorias a respeito da incapacidade de seus membros em educar e disciplinar os filhos

13 Para a família desempenhar suas funções, ela precisa ter acesso aos direitos universais, tais como: saúde, educação, assistência social, dentre outros. Sendo assim, ela [a família] necessita contar com o apoio e a assistência no cuidado e desenvolvimento de seus membros, em especial a criança e o adolescente. Tendo acesso a serviços básicos na área da saúde, da educação e assistência social, terá melhores condições para desempenhar suas funções e responsabilidades, bem como para superar possíveis vulnerabilidades, dividindo responsabilidades com o Estado e a sociedade civil, na defesa dos direitos da criança e do adolescente. Após a Constituição de 1988, com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA); com a Lei Orgânica da Assistência Social (LOA); e, mais recentemente, com a Política Nacional de Assistência Social (PNAS), reconheceu-se legalmente a importância da família, as suas funções e a capacidade protetiva de todos os seus membros, atribuições fundamentais no subsidio das funções do Estado e da comunidade. A família entrou na agenda das políticas públicas, que passaram a distinguir a necessidade de proteção das famílias, independente de sua configuração, condição socioeconômica e cultural. No caso do público infanto-juvenil, o ECA é emblemático ao reforçar a família como elemento indispensável no processo de proteção integral e garantia de direitos na vida da criança e do adolescente. Ela é o principal núcleo de socialização da criança e do adolescente. O Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa de Criança e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária (BRASIL, 2006a) é outro instrumento protetivo, e no campo político-formal, destaca a importância da convivência familiar e a condição de fragilidade e imaturidade da criança e do adolescente. Esta situação os coloca em relação de dependência dos pais ou responsáveis que delas cuidam, sendo estes de fundamental importância para sua constituição enquanto sujeito 4. Assim, cabe ao Estado hoje, prevenir, defender e garantir a vivência familiar e comunitária, não aceitando situações de reclusão e de perda das relações familiares e comunitárias. A partir de então, a percepção que passa a figurar no campo formal e político é a convivência familiar e comunitária como um direito humano fundamental, enunciado na Constituição Federal de 1988 e no ECA ( Brasil, 1990, p.15) que apregoa no artigo 19: Toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio de sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente livre da presença de pessoas dependentes de substâncias entorpecentes. A Constituição Federal propõe que a família é a base da sociedade e juntamente com o Estado, tem o dever de assegurar à criança e ao adolescente o exercício de seus direitos fundamentais (BRASIL, 1988, art. 227). É, portanto, competência do Estado prestar assistência à família, na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para conter possíveis violências no âmbito de suas relações. A Carta Magna assegurou os direitos de cidadãos, incluindo crianças e adolescentes, mulheres, negros e índios. Isso representou um avanço expressivo na defesa da cidadania. 4 Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa de Criança e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária MDS/CONANDA/UNICEF/CNAS. Item: Condição da Criança como Sujeitos de Direito, 2006, p

14 II. MARCO LEGAL E CONCEITUAL 2.1. SERVIÇOS DE ACOLHIMENTO A história demonstra que o Brasil estimulou a tradição de institucionalizar crianças e adolescentes, prática ainda enraizada em nossa cultura. O combate à institucionalização de crianças e adolescentes somente ganha destaque no Brasil a partir de normas legais internacionais e de movimentos internos 5 que visam à proteção à infância. Com o artigo 227 da Constituição Federal, inaugura-se o principio da Doutrina de Proteção Integral à infância e adolescência. Este artigo estabelece um novo olhar sobre crianças e adolescentes, garantindo-lhes o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá- -los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. Revoga a antiga visão tutelar, propondo que a criança e o adolescente sejam protagonistas da própria história. Neste cenário ganha força a discussão sobre o direito à convivência familiar e comunitária e o acolhimento de crianças e adolescentes em situações de vulnerabilidade social ocupa espaços importantes nas agendas de discussão das políticas públicas. Essas discussões se destacam entre as décadas de 1990 e 2010, buscando afiançar direitos já previstos em outros documentos internacionais. Com o advento do ECA surgem novas concepções visando a não permitir a intervenção arbitrária do Estado na vida de crianças e adolescentes. O Estatuto estabelece a co-responsabilidade entre a Família, o Estado e a Sociedade na garantia e defesa prioritária dos direitos de todas as crianças e adolescentes. Em relação à convivência familiar e comunitária, o ECA deixa evidente em seu artigo 19 que, toda criança ou adolescente tem o direito de ser criado e educado no seio da sua família e, excepcionalmente em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária [...]. (BRASIL, 1990). Desta forma, visa-se garantir a preservação dos vínculos familiares e a integração em família substituta quando esgotados os recursos de manutenção na família de origem. O ECA define também as medidas de proteção que devem ser aplicadas às crianças e adolescentes, quando estes se encontrarem com seus direitos ameaçados ou violados, seja por atitudes ou situações advindas da sociedade ou do Estado, seja por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável, ou em razão de sua própria conduta.(brasil, 1990, art. 98) O acolhimento institucional ou familiar de uma criança ou adolescente é uma medida de proteção e aplicada somente pela Justiça da Infância e, excepcionalmente, pelo Conselho Tutelar. A intervenção dos chamados órgãos de proteção e defesa é garantida a qualquer criança ou adolescente que tenha seus direitos violados (abandono, maus-tratos, violência física ou psicológica, etc.), afastando-os da família natural, quando necessário, e encaminhando-os para um local onde estejam seguros e até que sua situação seja legalmente definida. Para Costa e Ferreira (2006, p.6) [...] implantar uma nova proposta de acolhimento para crianças e adolescentes cujos direitos são violados, que seja de qualidade e mais eficaz que a antiga institucionalização, exige tempo e mudanças. Mudanças de ordem legal, de práticas institucionais, de paradigmas de família, de concepções de criança e adolescência, de práticas e políticas sociais. O acolhimento familiar é sinalizado na Política Nacional de Assistência Social, (BRASIL, 2004a), como um serviço a ser implantado dentro da Proteção Social Especial de Alta Complexidade 6, apontando para a reintegração familiar e, ao mesmo tempo, buscando evitar a institucionalização. 5 Em 1978 o governo da Polônia apresenta à comunidade Internacional uma proposta de Convenção Internacional dos Direitos das Crianças. Ela confere a esses direitos a força de lei internacional, não sendo, no entanto, soberana aos direitos nacionais. Em 1979 foi definido pela Organização das Nações Unidas ONU, o ano internacional da criança. Já em 1983 foi criada a Pastoral da Criança pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB. Já na década de 1985 surge em São Bernardo do Campo o Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua, entidade sem fins lucrativos que nasce com o compromisso de garantir os direitos das crianças e dos adolescentes brasileiros e com especial atenção aos meninos e meninas de rua. Por fim, em 1987 foi instalada a Assembléia Constituinte, composta por 559 congressistas. Nela, um grupo de trabalho se reuniu para concretizar os direitos da criança e do adolescente na Constituição Brasileira. O resultado deste trabalho é o artigo 227, que foi a base para a elaboração do ECA. Em 1989 é aprovada a Convenção Internacional dos Direitos da Criança, ratificada por todos os países membros da ONU, com exceção dos Estados Unidos e da Somália. Fonte: www. promenino.org.br. Acesso em: 04 de agosto de O Sistema Único de Assistência Social (SUAS) é um sistema público que organiza, de forma descentralizada, os serviços socioassistenciais no Brasil. Implantado a partir da Norma Operacional Básica NOB/SUAS, em 2005, objetiva organizar as ações da assistência social. Foi pensado em dois tipos de proteção social: a primeira é a Proteção Social Básica, destinada à prevenção de riscos sociais e pessoais, por meio da oferta de programas, projetos, serviços e benefícios a indivíduos e famílias em situação de vulnerabilidade social; a segunda é a Proteção Social Especial, destinada a famílias e indivíduos que já se encontram em situação de risco e que tiveram seus direitos violados por ocorrência de abandono, maus-tratos, abuso sexual, uso de drogas, entre outros aspectos. Fonte: em 19 de julho de

15 Desta forma, amplia-se o debate acerca da medida de acolhimento, e, conseqüentemente, ganha destaque a organização/gestão das instituições responsáveis por crianças e adolescentes sob essa medida. Os abrigos são as instituições responsabilizadas pelo cuidado de crianças e adolescentes, quando necessária a sua retirada do núcleo familiar, devendo primar pela excepcionalidade e provisoriedade desta medida. As entidades que desenvolvem programas de acolhimento familiar ou institucional deverão adotar alguns princípios estabelecidos no artigo 92, incisos I a IX do ECA e que foram posteriormente ratificados e ampliados pela Lei de 03/08/09 e pelo Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária (BRASIL, 2006a): I - preservação dos vínculos familiares e promoção da reintegração familiar; II- integração em família substituta quando esgotados os recursos junto à família natural ou extensa; III - atendimento personalizado e em pequenos grupos; IV - desenvolvimento de atividades em regime de co-educação; V- não desmembramento do grupo de irmãos; VI - evitar a transferência de acolhidos para outras entidades; VII - participação na vida da comunidade local; VIII - preparação gradativa para o desligamento e IX - participação de pessoas da comunidade no processo educativo. O Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária (BRASIL,2006a), elaborado em conjunto pelos Conselhos Nacionais da Assistência Social e dos Direitos da Criança e do Adolescente CONANDA/CNAS, destaca que a família, mesmo quando vivenciando limitações e dificuldades sociais, tem condições e potencialidade para cuidar de seus filhos. Este documento reconhece, ainda, que a família é o melhor ambiente para o desenvolvimento da criança e do adolescente. As diretrizes do Plano apontam para a centralidade na família; a primazia da responsabilidade do Estado no fomento de políticas integradas de apoio à família; o reconhecimento das competências da família, na sua organização interna e na superação de suas dificuldades; o respeito à diversidade étnico-cultural, à identidade e orientação sexual, à equidade de gênero e às particularidades das condições físicas, sensoriais e mentais; o fortalecimento da autonomia do adolescente e do jovem na elaboração do seu projeto de vida; a garantia dos princípios de excepcionalidade e provisoriedade dos Programas de Famílias Acolhedoras e de Acolhimento Institucional de crianças e adolescentes, e o reordenamento dos Programas de Acolhimento Institucional (BRASIL, 2006a). O Plano adotou o termo Acolhimento Institucional para designar os programas de abrigo em entidade, definidos no Art. 90, Inciso IV, do ECA, como aqueles que atendem crianças e adolescentes que se encontram sob medida protetiva de abrigo (BRASIL, 1990). Desta maneira, o Plano ainda aponta que o Acolhimento Institucional para crianças e adolescentes pode ser oferecido em diferentes modalidades, como Abrigo Institucional para pequenos grupos, Casa Lar e Casa de Passagem. De acordo com o mesmo documento os serviços de acolhimento devem: estar localizados em áreas residenciais, sem distanciar-se, do ponto de vista geográfico, da realidade de origem das crianças e adolescentes acolhidos; atender a ambos os sexos e diferentes idades; e manter comunicação com a Justiça da Infância e da Juventude. (BRASIL, 2006a, p.41) O Plano Nacional apresenta, também, o programa Família Acolhedora que se constitui numa modalidade de atendimento que deve ser priorizada. É um serviço de acolhimento que acontece na residência de famílias que acolhem na forma de guarda crianças e adolescentes, até que as mesmas possam retornar ao convívio familiar. Para funcionamento deste programa, o Plano indica uma metodologia de funcionamento que contemple a mobilização, o cadastramento, a seleção, a formação, o acompanhamento, e a supervisão das famílias acolhedoras por uma equipe multiprofissional; ofertando acompanhamento psicossocial às famílias de origem visando à reintegração familiar e ainda promovendo uma articulação com a rede de serviços, com a Justiça da Infância e da Juventude e com todo o sistema de garantia de direitos. Em termos conceituais, o programa de Família Acolhedora é uma modalidade diferenciada que visa à manutenção provisória de crianças e adolescentes em um ambiente familiar mais próximo da sua realidade. Este programa deve observar tanto os princípios e diretrizes prescritos nos artigos 92 e 93 do ECA (BRASIL, 1990) como a questão da equipe técnica do serviço de acolhimento e da Justiça da Infância e da Juventude, estes responsáveis pelo fornecimento de informações que subsidia a reintegração familiar ou a destituição do poder familiar. (BRASIL, 2006a, p ) Outra modalidade de acolhimento é a Casa de Passagem. Porém, o Plano não descreve como esse serviço deve se estruturar. Cabe mencionar que as Orientações Técnicas para os Serviços de Acolhimento publicadas em 2009, também não contemplam esta modalidade de serviço. A definição é encontrada somente na primeira versão das Orientações Técnicas, editada em 2008 (BRASIL, 2008, p.31-32) [... ] serviço que tem como objetivo oferecer acolhimento de caráter emergencial, com espaço adequado e profissionais preparados para receber a criança/adolescente em qualquer horário do dia ou da noite, diante de uma necessidade de acolhimento imediato e emergencial - como nos casos de internação hospitalar do único responsável pela criança, crianças perdidas, dentre outros - enquanto se realiza um estudo diagnóstico detalhado da situação de cada criança e adolescente com a finalidade de: i. avaliar as condições de manutenção do convívio familiar ou necessidade de afastamento do mesmo; ii. identificar qual solução é mais adequada naquele momento: retorno imediato ao convívio com a família de origem (nuclear ou extensa) ou pessoas da comunidade que lhe sejam significativas; ou iii. Encaminhamento para outros serviços de acolhimento, no caso de impossibilidade imediata de reintegração familiar

16 No entanto, por se tratar também de um serviço que apresenta demandas complexas, o Plano Nacional o define como: Acolhimento Institucional de curtíssima duração, no qual se realiza diagnóstico eficiente, com vista à reintegração à família de origem ou encaminhamento para Acolhimento Institucional ou Familiar, que são medidas provisórias e excepcionais. (BRASIL, 2006a, p.128) A partir do SUAS, os serviços ofertados pelas instituições de acolhimento estão inseridos na Proteção Social Especial de Alta Complexidade, pois esses visam a proteção integral a indivíduos ou famílias em situação de risco pessoal e social, com vínculos familiares rompidos ou extremamente fragilizados. Os serviços devem garantir acolhimento em ambiente com estrutura física adequada, oferecendo condições de moradia, higiene, salubridade, segurança, acessibilidade e privacidade. Estes serviços atuam diretamente ligados com o sistema de garantia de direito, exigindo uma gestão mais complexa e compartilhada com o Poder Judiciário, o Ministério Público (MP) e com outros órgãos e ações do poder Executivo (BRASIL, 2004a). Ainda, de acordo com a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais 8, (BRASIL, 2009c) os gestores que implantam o Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora devem observar o cumprimento de uma série de provisões que determinam os espaços e materiais necessários para a implantação destes. Deve- -se priorizar que crianças e adolescentes sejam protegidos por suas famílias e tenham seus direitos garantidos, além da redução das violações dos direitos socioassistenciais e reincidência de acolhimento. Neste contexto, onde já vigoravam documentos legais de grande relevância para a política da infância e juventude, em 2009 entram em vigor as alterações no ECA, promovidas pela Lei /09. Tais alterações buscam afiançar que todo o Sistema de Garantia de Direitos funcione de forma eficaz, obedecendo aos princípios da excepcionalidade e provisoriedade, considerando aspectos que anteriormente não estavam contemplados no ECA. De acordo com Digiácomo (s.d) [...] esta Lei procura aperfeiçoar a sistemática prevista no ECA para garantia do direito à convivência familiar, em suas mais variadas formas, a todas as crianças e adolescentes. [...] Incorporou mecanismos capazes de assegurar sua efetiva implementação, estabelecendo regras destinadas, antes e acima de tudo, a fortalecer e preservar a integridade da família de origem, além de evitar ou abreviar ao máximo o abrigamento de crianças e adolescentes. Os novos parâmetros legais incorporados ao ECA fomentam mudanças na política de atendimento a crianças e adolescentes institucionalizados. A partir deste cenário, as instituições devem cumprir as novas determinações para o reordenamento institucional, que prevêem que: a) toda criança ou adolescente que estiver inserido em programa de acolhimento familiar ou institucional terá sua situação reavaliada, no máximo, a cada 06 (seis) meses. b) a permanência da criança e do adolescente em programa de acolhimento institucional não se prolongará por mais de 02 anos; c) a família extensa ou ampliada é aquela que se estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do casal, formada por parentes próximos com os quais a criança ou adolescente convive e mantém vínculos de afinidade e afetividade. As novas regras prevêem ainda procedimentos e conceitos que requerem mudanças de paradigma por parte dos órgãos envolvidos na defesa do direito à convivência familiar e comunitária de crianças e adolescentes: a) Os grupos de irmãos serão colocados sob adoção, tutela ou guarda da mesma família substituta, salvo em situação que apresente risco para os mesmos; b) A institucionalização não impede direito de visitas pelos pais e o dever de prestar alimentos, salvo determinação contrária; c) Será priorizada a inclusão da criança ou adolescente em programas de acolhimento familiar em relação ao de acolhimento institucional; d) O estágio de convivência entre a criança, o adolescente e a família substituta deve ser acompanhado pela equipe interprofissional da Justiça da Infância e da Juventude, preferencialmente com apoio dos técnicos responsáveis pela execução da política de garantia do direito à convivência familiar, que apresentarão relatório minucioso acerca da conveniência do deferimento da medida; e) O Termo abrigamento substituído por acolhimento institucional ; f) Os recursos destinados à implementação e manutenção dos programas relacionados serão previstos nas dotações orçamentárias dos órgãos públicos encarregados das áreas de Educação, Saúde e Assistência Social, dentre outros, observando-se o princípio da prioridade absoluta à criança e ao adolescente; 8 A Resolução nº 109, de 11 de Novembro de 2009 publicada pelo Conselho Nacional de Assistência Social aprova a Tipificação dos Serviços Socioassistenciais que denomina os serviços a serem ofertados no Sistema Único da Assistência Social- SUAS, por níveis de complexidade: Proteção Social Básica e Proteção Social Especial de Média e Alta Complexidade, e ainda evidencia as principais funções e resultados a serem alcançados por esses serviços assim como define seus usuários. 9 O objetivo do Sistema de Garantia dos Direitos de Crianças e Adolescentes é definido como aquele responsável por articular e integrar instâncias governamentais e da sociedade civil que atuam na promoção, no controle e na defesa dos direitos infanto-juvenis. (BRASIL, 2009) Desafios para o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente: perspectivas dos conselhos tutelares e de direitos. São Paulo, Janeiro de

17 g) Crianças e adolescentes somente poderão ser encaminhados às instituições que executam programas de acolhimento institucional, governamentais ou não, por meio de uma Guia de Acolhimento, expedida pela autoridade judiciária. Se, no exercício de suas atribuições, o Conselho Tutelar entender necessário o afastamento do convívio familiar, comunicará, incontinenti, o fato ao Ministério Público, prestando-lhe informações sobre os motivos de tal entendimento e as providências tomadas para a orientação, o apoio e a promoção social da família; h) É assegurada, sob pena de responsabilidade, prioridade absoluta na tramitação dos processos e procedimentos previstos na Lei /09, assim como na execução dos atos e diligências judiciais a eles referentes. Este arcabouço legal traduziu a preocupação do legislador de garantir profundas alterações na aplicação da medida de proteção que garanta o direito à convivência familiar e comunitária. Para Costa e Ferreira (2006, p.02) Do ponto vista legal, já ocorreram transformações que possibilitam ao acolhimento familiar ancorar-se em leis e normativas. A Constituição da República Federativa do Brasil (1988), o ECA (1990), a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS, 1993), somados à Política Nacional de Assistência Social (MDS, 2004) e ao Plano Nacional (MDS & SEDH, 2006), deram base e constituíram o marco legal para a argumentação, justificativa e inclusão do acolhimento familiar como uma política pública nacional. Em 2009, num esforço conjunto do CNAS e do CONANDA foram publicadas as Orientações Técnicas: Serviços de Acolhimento para crianças e adolescentes. Prevista como ação no Plano Nacional de Convivência Família e Comunitária, o referido documento tem a [...] finalidade de regulamentar, no território nacional a organização e oferta de Serviços de Acolhimento para crianças e adolescentes no âmbito da política de assistência social. [...] Visa estabelecer parâmetros de funcionamento e oferecer orientações metodológicas para que os serviços de acolhimento de crianças e adolescentes possam cumprir sua função protetiva e de restabelecimento de direitos, compondo uma rede de proteção que favoreça o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários, o desenvolvimento de potencialidades das crianças e adolescentes atendidos e o empoderamento de suas famílias (BRASIL, 2009g, p.16 e 23). Ainda em consonância com as determinações das Orientações Técnicas, no reordenamento dos processos de acolhimento de crianças e adolescentes os serviços devem estruturar-se a partir dos seguintes princípios: excepcionalidade do afastamento do convívio familiar; provisoriedade do afastamento do convívio familiar, preservação dos vínculos familiares e comunitários; garantia de acesso e respeito à diversidade e não-discriminação; oferta de atendimento personalizado e individualizado; garantia de liberdade de crença e religião e respeito à autonomia da criança, do adolescente e do jovem. (BRASIL, 2009g) No que diz respeito às orientações metodológicas apresentadas nesse documento e, em consonância com outras legislações, está previsto que o acolhimento institucional e familiar realize: a) Diagnóstico: composto por informações detalhadas que possam conhecer a famílias, valores e crenças, história e dinâmica, composição familiar, intensidade dos vínculos, possibilidade de intervenção profissional, condições de acesso da família a serviços, programas, dentre outros. Deve subsidiar a decisão acerca do afastamento da criança e do adolescente do convívio familiar. b) Plano de Atendimento Individual e Familiar: realizado pela equipe técnica do serviço de acolhimento, deve apresentar objetivos, estratégias e ações a serem desenvolvidos para a superação dos motivos do afastamento do convívio familiar. A partir desse levantamento deve-se garantir: o desenvolvimento saudável da criança ou do adolescente durante o acolhimento; as possibilidades de reintegração familiar; o acesso da família, criança e adolescente aos serviços necessários; o investimento de vínculos afetivos com a família extensa e a comunidade; e o encaminhamento para adoção, quando não for possível o retorno à família. c) Acompanhamento da família de origem: de forma sistemática, avaliando cuidadosamente se crianças e adolescentes foram acolhidos por motivo de pobreza; se há membro com direito a beneficio de prestação continuada; se não existem possibilidades de reintegração familiar (nuclear ou extensa); e esgotadas todas as possibilidades de reintegração familiar, encaminhamento para adoção. Algumas técnicas para acompanhamento às famílias podem ser utilizadas como: estudo de caso, entrevista individual ou familiar, grupo com famílias, visita domiciliar, orientação, etc. d) Articulação Intersetorial: implementação da interface com outros serviços da rede socioassistencial (SUAS, SUS, Sistema Educacional)e demais órgãos do sistema de garantia de direitos (Conselho Tutelar, Defensoria Pública, Conselhos de Direitos). e) Projeto Político-Pedagógico: elaboração de um projeto de funcionamento do serviço, como um todo. f) Gestão do trabalho e educação permanente: os profissionais que atuam nos serviços de acolhimento desempenham papel de educador. Daí a necessidade de seleção, capacitação e acompanhamento de todos os profissionais que são responsáveis pelo cuidado direto e cotidiano das crianças e adolescentes

18 A Norma Operacional Básica de Recursos Humanos -NOB/RH do SUAS (BRA- SIL, 2006) somente indica a necessidade dos profissionais para os serviços de acolhimento, recomendando sua escolaridade e perfil. Já as Orientações Técnicas: Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes (2009) indica a função de cada membro, na equipe. Os parâmetros para o funcionamento dos serviços de acolhimento devem considerar o que está previsto no ECA, NOB/SUAS, Orientações Técnicas, Projeto de Diretrizes das Nações Unidas sobre Emprego e Condições Adequadas de Cuidados Alternativos com Crianças 10 além do Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária. Estes documentos visam a uma adequação gradativa, sem que haja comprometimento da qualidade dos serviços de acolhimento destinados às crianças e adolescentes, visando prioritariamente seu retorno à família de origem e, quando não for possível essa opção, a busca de uma família substituta. Quanto à localização, aspectos físicos e infraestrutura dos serviços de acolhimento, estes podem ser resumidos por modalidade do serviço, conforme o que preconizam as Orientações Técnicas dos Serviços de Acolhimento (BRASIL, 2009g) a) Estar localizados em áreas residenciais, sem distanciar-se excessivamente, do ponto de vista geográfico, da realidade de origem de crianças e adolescentes acolhidos; b) Ter aspecto semelhante ao de uma moradia, com padrões próximos das demais residências da comunidade. Com relação às casas-lares devem ser evitadas estruturas com diversas casas-lares no mesmo terreno; c) Não devem apresentar placas indicativas da natureza institucional; d) As repúblicas devem ser organizadas em unidades femininas e unidades masculinas, observando aspectos de acessibilidade. Quanto à infra-estrutura dos serviços de acolhimento, as Orientações Técnicas indicam a necessidade de respeitar a preservação da privacidade de crianças e adolescentes, adotando medidas para que o período de institucionalização não cause outras violações de direitos. Desta forma, o serviço estará garantindo os cuidados necessários, enquanto a criança ou adolescente estiver sob a sua responsabilidade. Há algumas recomendações para o espaço físico (BRASIL, 2009g): 10. Estas Diretrizes se destinam a reforçar a implementação das normas internacionais de direitos humanos e especialmente dos dispositivos da Convenção sobre os Direitos da Criança, referentes à proteção e ao bem-estar de crianças necessitadas de cuidados alternativos ou que correm o risco de vir a deles necessitar. Disponível em acesso em 02 de setembro de a) Quartos com dimensões que possam acomodar as camas/berços/beliches e armários/guarda-roupas, visando atender de forma individual; b) Em quarto com metragem de 2,25 m² para cada ocupante, manter até 04 crianças ou adolescentes por quarto. Caso seja também um ambiente de estudos a metragem deve ser ampliada para 3,25m²; c) Deve contemplar uma sala de estar ou similar, sala de jantar ou copa, ambiente de estudo, um banheiro para até seis crianças e adolescentes sendo que pelo menos um banheiro deverá ser adaptado para pessoas com deficiência. O serviço deve ainda ter um banheiro para funcionários e a cozinha contemplar espaço suficiente para seu funcionamento regular. As áreas externas devem ter lugar para acomodar utensílios e mobiliário, sendo que é necessário garantir espaços que possibilitem o convívio e brincadeiras. Ressalta-se que os serviços que já tiverem espaços, como, por exemplo quadra poliesportiva, devem gradativamente possibilitar o uso, pela comunidade. Estas indicações são comuns aos serviços de abrigo institucional e casa-lar; d) Os serviços de Casa Lar devem contemplar, também, um quarto para educador residente. Além disto, as salas para equipe técnica, coordenação e reuniões deverão funcionar fora da casa-lar, em áreas específicas para atividades técnico- -administrativas; e) No caso de repúblicas, indica-se o mesmo formato físico acima citado, sendo dispensável espaço para atividades externas, salas para técnicos e coordenação e banheiro para funcionários; f) Para o abrigo institucional, a sala da equipe técnica e sala da coordenação devem ter espaço para desenvolvimento de atividades de natureza técnica, separada da moradia de crianças e adolescentes. Deve ter ainda uma sala para realização de reuniões com as famílias (atividades de grupos). Recomenda-se que este espaço funcione em localização específica da área administrativa/técnica da instituição; g) Em relação ao Programa Família Acolhedora, deve-se garantir espaços para atividades técnico-administrativas: salas para equipe técnica, coordenação, atendimento, espaço para reuniões de equipe e atividades grupais. As Orientações Técnicas dos Serviços de Acolhimento (BRASIL, 2009g) ressalta ainda que os serviços de acolhimento devem funcionar em residências inseridas na comunidade, observando os padrões do bairro. O ambiente acolhedor e estrutura física adequada reproduzem condições próximas do ambiente familiar. As edificações devem atender à legislação vigente e às necessidades de crianças e adolescentes, oferecendo condições de higiene, segurança, privacidade e acesso a outros serviços necessários a este público

19 2.2. A ARTICULAÇÃO ENTRE O DIREITO DE CRIANÇAS E ADOLES- CENTES E O SISTEMA DE JUSTIÇA. A Constituição Federal de 1988 estabeleceu como objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a marginalização; reduzir as desigualdades sociais e regionais; e promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. A partir desses objetivos, organizou os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e as outras instituições essenciais à Justiça, como o Ministério Público, a Defensoria Pública e a Advocacia Pública, concedendo-lhes funções específicas. É através do Sistema de Justiça que o Estado garante os direitos a todos os cidadãos. De acordo com Araújo (2011, p.28) ao longo da história foi criado o Sistema de Justiça, enquanto local para recebimento, processamento e solução de demandas, sejam elas individuais, coletivas, políticas, financeiras ou outras. No que se refere à infância e à adolescência, a Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e da Juventude (ABMP, 2008, p. 83) afirmou que Nas mãos do Sistema de Justiça está a defesa dos direitos humanos de crianças e adolescentes, caracterizada de forma ampla pela garantia do acesso à justiça, ou seja, pelo recurso às instâncias públicas e mecanismos jurídicos de proteção legal dos direitos humanos, gerais e especiais, da infância e da adolescência, para assegurar a impositividade deles e sua exigibilidade, em concreto. Em relação à proteção e garantia de direitos da criança e do adolescente, o ECA (Brasil, 1990) apresentou avanços, ao incorporar mecanismos que determinam que o Sistema de Justiça tenha ações e instrumentos que priorizem o acesso deste público a serviços e benefícios. Desta forma, traz em seu escopo as diretrizes para que todo sistema seja organizado a fim de garantir o principio da prioridade absoluta na proteção à infância e à adolescência. Também referenciais da legislação internacional, atribuiram ao Sistema de Justiça importante papel na defesa de direitos consagrados em legislações e normativas que visam à justiça social, cita-se o artigo 14 das Regras Mínimas das Nações Unidas para a Administração da Justiça da Infância e da Juventude (Regras de Beijing, 1984) 11 que reconhece: Considerando que o acesso aos direitos fundamentais é vital para o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes e que a violação dos mesmos requer uma resposta rápida para o seu restabelecimento. O ECA preconiza, no artigo 152, parágrafo único, a prerrogativa da prioridade absoluta também nos procedimentos judiciários. Segundo o documento: É assegurada, sob pena de responsabilidade, prioridade absoluta na tramitação dos processos e procedimentos previstos nesta Lei, assim como na execução dos atos e diligências judiciais a eles referentes. (BRASIL, 1990, Art parágrafo único). Com base no ECA, foram estabelecidas as atribuições de cada órgão judicial Autoridade Judiciária, Ministério Público e Defensoria Pública para a infância e adolescência. A seguir, essas atribuições serão apresentadas considerando-se concepções teóricas ou doutrinárias que apontam para as competências e procedimentos a serem observados para a garantia da prioridade absoluta de crianças e adolescentes Autoridade Judiciária O Sistema de Justiça tem potencial para se apresentar como capaz para defender, proteger e promover os direitos previstos nas normativas pertinentes, devendo assumir-se, de acordo com a comunidade internacional, como parte integrante do processo de desenvolvimento nacional de cada país e ser administrada no marco geral da justiça social de modo não apenas a contribuir para a sua proteção, mas também para a manutenção da paz e ordem na sociedade. À autoridade judiciária cabe apreciar as demandas por direitos individuais, coletivos e difusos de crianças e adolescentes, procedendo, ainda, o controle de entidades de atendimento por seu dever de fiscalização e normatização e levando em conta as peculiaridades institucionais 12. Para Bordallo (2010, p. 413), um Juiz da Vara da Infância e Juventude, se diferencia dos demais, pois, [...] não possui apenas competência para conhecer e julgar todos os conflitos de interesses que chegam às portas do Poder Judiciário, possuindo atribuições que fogem da esfera judicial de atuação[...] fazendo dele uma figura democrática, muito diferente daquela figura autoritária existente no revogado Código de Menores. 11 Foram aprovadas em Pequim num Congresso Internacional de Criminologia e Justiça da ONU, e adotadas em Assembléia Geral das Nações Unidas, no dia 20 de novembro de Consultar o ECA/1990, artigos 146 a 149 e respectivos parágrafos e incisos, que trata da competência da Autoridade Judiciária da Infância e Juventude

20 A Lei nº (BRASIL, 2009), chamada da convivência familiar e comunitária complementou 54 (cinqüenta e quatro) artigos do ECA e estabeleceu inúmeras inovações legislativas para assegurar o direito à convivência familiar para todas as crianças e adolescentes. Nessa normativa são enfatizados e criados instrumentos que garantem a brevidade e excepcionalidade da aplicação da medida de proteção de acolhimento institucional ou familiar. Em relação ao Poder Judiciário, a Lei nº /2009 diz que este órgão tem competência exclusiva para determinar o afastamento da criança e do adolescente do convívio familiar. Com sua homologação o Poder Judiciário passa a ter a obrigação de manter um rigoroso controle sobre o acolhimento institucional de crianças e adolescentes e de reavaliar, no máximo a cada seis meses, a situação de cada criança ou adolescente que se encontre afastado do convívio familiar. Os Programas de acolhimento, por sua vez, devem empregar esforços na tentativa de fortalecer os vínculos das crianças e adolescentes com suas famílias de origem, visando sua reintegração familiar. Caso esgotem todas as possibilidades de reintegração, cabe ao Poder Judiciário providenciar a colocação dessa criança em família substituta, em qualquer de suas modalidades (guarda, tutela ou adoção), ou seu encaminhamento a programas de acolhimento familiar, no prazo máximo de 02 (dois) anos. Ainda cabe à Autoridade Judiciária a manutenção de cadastros de crianças e adolescentes em condições de serem adotadas e outro de pessoas interessadas na adoção. A legislação ainda prevê que é competência da equipe técnica do judiciário desenvolver cursos ou programas de orientação jurídica e preparação psicossocial para pessoas ou casais interessados em adotar, evitando-se, assim, as possíveis rejeições no processo de adoção. O objetivo da Lei /2009 é contribuir para a redução da violação do direito de crianças e adolescentes à convivência familiar e comunitária evitando os acolhimentos institucionais injustificados ou motivados por pobreza. Com ela também se tem uma melhor regulação do funcionamento dos programas de acolhimento institucional, integrando-os na rede de proteção às famílias em situação de vulnerabilidade social e de garantia dos direitos de crianças e adolescentes. Nesse aspecto, o Poder Judiciário, integrado ao Sistema de Garantia de Direitos de crianças e adolescentes 13 exerce de maneira mais ampla, funções articuladas e orientadas por prazos e procedimentos condizentes com a doutrina da proteção integral. 13 Segundo Kayano e Sicoli (2009, p.10) O Objetivo do Sistema de Garantia dos Direitos de Crianças e Adolescentes é articular e integrar instâncias governamentais e da sociedade civil que atuam na promoção, no controle e na defesa dos direitos infanto-juvenis. No nível estadual, a Justiça para a Infância e Adolescência deve criar e instalar Varas Especializadas ou indicar outras Varas que terão como competência julgar ações que tratem do Direito da Criança e do Adolescente. A despeito das Varas Especializadas o ECA (BRASIL, 1990, art.145) prevê que: Os Estados e o Distrito Federal poderão criar varas especializadas e exclusivas da infância e juventude, cabendo ao Poder Judiciário estabelecer sua proporcionalidade por número de habitantes, dotá-las de infra-estrutura e dispor sobre o atendimento, inclusive em plantões. Na contemporaneidade o Poder Judiciário, como ferramenta do Estado Democrático de Direito, enfrenta o grande desafio de lidar com realidades complexas, entre elas, as mudanças ocorridas na família, as relações de classe, de gênero, geração e etnia e as políticas públicas. Essa complexidade exige atuação interdisciplinar, pois os problemas que afetam a infância e adolescência estão intimamente relacionados com questões de ordem psicossocial e econômica e não podem ser resolvidos senão por uma articulação do judiciário com as políticas públicas, demais poderes e diversas áreas do conhecimento. É com esse entendimento que o ECA, no seu artigo 150, prevê a estruturação das equipes interprofissionais: Cabe ao Poder Judiciário, na elaboração de sua proposta orçamentária, prever recursos para a manutenção de equipes interprofissionais, destinada a assessorar a Justiça da Infância e da Juventude. (BRA- SIL,1990, art. 150) O ECA também define a competência das equipes interprofissionais, conforme o art. 151: Compete à equipe interprofissional, dentre outras atribuições que lhe forem reservadas pela legislação local, fornecer subsídios por escrito, mediante laudos, ou verbalmente, na audiência, bem assim desenvolver trabalhos de aconselhamento, orientação, encaminhamento, prevenção e outros, tudo sob a imediata subordinação judiciária assegurada a livre manifestação do ponto de vista técnico. (BRASIL, 1990, Art. 151) Com a Lei /2009 a equipe interprofissional, a serviço da Justiça da Infância e Juventude, passou a ter outras atribuições que contribuem para defesa do direito à convivência familiar de crianças e adolescentes. Essa equipe aparece no artigo 28 parágrafos 1º e 5º do ECA, como responsável por ouvir e preparar as crianças ou adolescentes em caso de colocação em família substituta e acompanhamento posterior desta família. Também no artigo 50 parágrafos 3º e 4º do mesmo documento, os postulantes a adoção deverão passar por um período de preparação psicossocial e jurídica, orientados pela equipe interprofissional da Justiça da Infância e da Adolescência

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