DIA INTERNACIONAL DA MULHER

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1 DIA INTERNACIONAL DA MULHER Reflexões acerca do movimento sindical Salário mínimo Por uma boa lei do aborto Anti-racista A miséria do capitalismo global Economia latino americana Custo unitário desta edição: R$ 2,50

2 Quinzena N /02/97 "Estimados companheiros. Vimos por intermédio desta agradecer a publicação do meu artigo sobre a globalização no Quinzena do mês de dezembro. Como assinante do Boletim surpreendeu-me encontrar um texto de minha autoria uma vez que não o havia remetido a vocês. Mas de qualquer forma foi uma grata surpresa. Gostaríamos de mais uma vez cumprimentá-los pela qualidade do boletim e dizer que não temos dúvida de que ele é uma ferramenta importante no combate ao neoliberalismo e na defesa da soberania nacional. Estamos divulgando o Quinzena junto ao movimento sindical tocantinense e tomamos a liberdade de solicitar ao PT-Tocantins que enviasse aos senhores uma lista de potenciais assinantes.. Estouenviando-lhes mais dois artigos. Um sobre a Reforma Agrária e outro sobre o Plano Real. Se for do vosso interesse publicá-los, disponham. Um grande abraço a todos" (Paulo Henrique Costa Mattos, Instituto de Formação e Assessoria Sindical, Gurupi-TO) "Caros amigos. Escrevo-lhes por duas razões: Pnmeiro, para enviar a minha "Reflexões acerca do movimento sindical", para o vosso conhecimento e apreciação. Segundo, para solicitar o envio de um exemplar do livro do Ozaí (Partido de Massa e Partido de Quadros: A Social Democracia e o PT), pois o que eu adqui- ri no FENEMÊ, me roubaram, antes que eu lesse, e fizesse a propaganda deste trabalho, que a meu ver promete. Pelo que li na primeira parte é uma boa contribuição. Quero concluir, e recomendar, a leitura. Um beijo a todos." (Acrísio Soares Mota, SEEB do Maranhão) ** "Aos companheiros e companheiras docpv Nesta oportunidade ocupo este espaço da QUINZENA para saudá-los e reafirmar a importância deste órgão de informação para a luta dos trabalhadores latino-americanos. Nas páginas da QUINZENA encontramos artigos dos mais variados segmentos de esquerda. A face mais importante deste espaço plural é a expressão de idéias que pelo seu conteúdo político não encontram espaço na imprensa burguesa. Outra vantagem que o leitor e assinante da QUINZENA dispõe é a diversidade, a compilação de artigos que abrangem os mais variados temas sindicalismo, ecologia, marxismo, saúde, movimento negro, dívida externa, mulheres, etc. Agradeço inclusive a divulgação do seminário "Partido e Estratégia", e sobre "Os novos rumos do Sindicalismo" organizado pela TM-SP no final do ano passado. Saudações Revolucionárias" (Renato S. Lima, Sociólogo, mestrando em filosofia na PUC-SP e militante do PT) Trabalhadores Curtas Sem-terra na Internet. O MST abriu uma homepage na rede. O endereço para acessá-la é: hhtp:www.sanet.com.br/'semterra/ indez;html. O movimento inaugurou também a Rádio Camponesa 94,1 FM, que já funciona no assentamento Conquista da Fronteira, na região de Bagé (RS), e em Promissão (SP). Aniversário de "O São Paulo". Criado em 1956, o semanário completou em 25 de janeiro último, 41 anos de existência. Em visita ao Brasil em agosto do ano passado, Hebe de Bonafim, liderança das Mães da Praça de Maio, acompanhou familiares de trabalhadores assassinados nos massacres de Eldorado dos Carajás e Corumbiara (PA), em visita ao Ministério da Justiça, exigindo a punição dos responsáveis pelos massacres. /^V que eles dizem: ^^"... a estabilidade política e econômica que é a base para o crescimento no Brasil e na América do Sul é uma garantia para investidores estrangeiros, uma garantia de altos lucros com baixos riscos." (FHC, falando para uma platéia de empresários em Londres, FSP, U/02/97). "De 1995 para cá, está se tomando evidente que o capitalismo pode funcionar muito bem sob uma fórmula abrangente, ao estilo de FH." (Francisco Weffort, defendendo a candidatura de FHC em 1998, OESP, 18/2/1997). 9 O boletim QXJX WZEIBir L é uma publicação do: CPV - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro Rua Professor Sebastião Soares de Faria, 27, 2" andar Bela Vista - São Paulo - SP- CEP Caixa Postal CEP Telefone (011) Fax (OU) O objetivo do boletim é divulgar uma seleção do material informativo, analítico e opinativo, publicado na grande imprensa, imprensa partidária e alternativa e outras fontes de informações importantes existentes nos movimento. A proposta do boletim é ampliar a circulação dessas informações, facilitando o debate sobre as questões políticas em pauta na conjuntura. Caso você queira divulgar algum texto no QUINZENA, basta nos enviar. Pedimos que se atenham, no máximo, a oito laudas. Textos que ultrapassem esse limite estarão sujeitos a cortes, por imposição de espaço. O boletim QUINZENA é editado e diagramado pela Equipe do CPV. Devemos ser livres para agir. Devemos agir para ser livres.

3 Quinzena N /02/97 Documento - Fev/97 Reflexões sobre o movimento sindical "Não somos melhores, nem piores, somos iguais. Melhor é a nossa causa." Thiago de Melo Porque o movimento sindical não é mais aquele da década de 80? Porque as greves gerais não conseguem ser greves, muito menos gerais? Mas, apenas falta ao serviço motivada pela paralisação dos transportes coletivos? Porque, nós bancários, categoria de vanguarda nacional nos movimentos grevistas dos anos 80, estamos há seis anos sem realizar uma greve sequer? Desde a última greve nacional em 1991, temos realizado muitas tentativas: a maioria puro blefe, e nenhuma greve efetiva, salvo os companheiros da CEF que entraram duas vezes por sacrifício. Estas e outras indagações têm povoado as mentes e corações de muitos dirigentes e trabalhadores na base. Alguns concluem que a culpa é da direção majoritária que controla a CUT e desvia o eixo do movimento das mobilizações para as negociações tripartites, para a parceria, a gestão participativa, etc... enfim, para a conciliação de classes. Outros, culpam a base que se deixa domi nar pela propaganda governamental e pela estratégia patronal de dominação nos locais de trabalho, através dos novos métodos de gestão da qualidade total e outras artimanhas para fazer o trabalhador "vestir a camisa da empresa". Todos reconhecem, em suas análises, que a chamada "queda do leste europeu" tem participação nisto, sendo a responsável pelo fato destes últimos deixarem de lado a perspectiva do socialismo e passarem a defender a conciliação de classes como única saida para os trabalhadores conquistarem melhores condições de trabalho e sobreviverem. Eles não vislumbram mais a perspectiva dos trabalhadores assumirem o controle do processo de produção, a não ser em parceria com os capitalistas. Por isto, propõem aos trabalhadores, tão somente chegarmos ao governo para, através dele, impormos aos capitalistas a famosa distribuição de renda. Para superar a crise atual do movimento sindical, ou seja, para recuperarmos a força e avançarmos nas conquistas, ou ainda, para evitarmos as perdas que se anunciam corn a reforma constitucional, os primeiros propõem uma mudança radical na direção, restituindo ao movimento cutista a sua combatividade, seu classismo, sua democracia... e demais princípios que embasaram a fundação da CUT em Acrísio Soares Mota Já os últimos, em face da mudança de estratégia precipitada propõem, e fazem, o aumento do tamanho das máquinas sindicais, a ocupação da midia, compra de TV e rádio, carro de som a Ia trio elétrico, e, dirigem todas as energias para ocupar o parlamento. Cada dirigente sindical é um provável futuro parlamentar. Por isto sua imagem deve ser "referenciada" na base, para quando chegarem as eleições para vereador, deputado, prefeito, ou governador, ele (dirigente) ter condição de disputar os votos dos trabalhadores, corn os candidatos patronais, os quais sempre levam a melhor. A principio, podemos concluir que os dois lados têm razão. Dentro de cada perspectiva, é óbvio. Não se pode querer que uma direção que não tem o socialismo como estratégia, construa movimento classista Se isto é verdade, então a direção deve ser mudada. Mas mudar a direção, deixar a conciliação e voltar ás mobilizações vai resolver? Só isto, talvez não. Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que os trabalhadores estão vivendo um momento de refluxo em sua capacidade de luta e resistência. As chamadas (Por Marx, e que a história comprova) ondas de revolução ocorrem periodicamente. No momento a maré está baixa. Quem sabe a "próxima lua" esteja próxima, até mais próxima do que se imagina. Mas ainda não brilhou no céu. Isto é a realidade. Portanto, é como integrante caricaturalmente dos primeiros, que faço estas reflexões para dizer que "o buraco é bem mais embaixo". Mudar a direção, mobilizar permanentemente os trabalhadores, combater intransigentemente os capitalistas e seu governo, não significa tudo. É necessário refletirmos sobre os métodos e sobre o conteúdo desse movimento e dessas ações. Até porque, nos primórdios da construção da CUT, até meados da década de 80, em geral todos defendiam a combatividade, o classismo e a intransigência. Somente em 88, com a chamada pressão popular sobre a constituinte, e em 90 com a ida de Jair Meneguelli ao entendimento nacional proposto por Collor, ficou clara essa mudança estratégica da chamada direção majoritária. Precisamos então descer mais fundo neste poço, para ver se lançamos luz sobre tal "buraco". Em largos traços podemos recordar que nosso movimento tem origem mais imediata no anarquismo do início do século, o qual Trabalhadores foi superado pelos comunistas a partir da década de 20. Este por sua vez, sofreu um aniquilamento pelo Estado Novo de Getúlio Vargas e ressurgiu após 1945 tendo como ápice 1964, quando foi novamente aniquilado pela ditadura militar. Ora, o movimento cutista surge a partir de 1978, a partir do ABC, negando, ou melhor, criticando toda essa trajetória pós 1945, em que o nosso movimento, dirigido pelo PC (Partido Comunista do Brasil), sob a égide do chamado estalinismo, imprimiu-lhe um conteúdo cupulista e conciliador e totalmente adaptado à estrutura que Vargas criou através da CLT e seu estatuto padrão. Baseada no fascismo italiano, aquela estrutura organizava os trabalhadores de forma corporativa de modo que cada categoria tinha seu SINDICATO DE BASE, filiado a uma FEDERAÇÃO REGIONAL, que por sua vez era filiada a uma CONFEDERAÇÃO NACIONAL. E esta, junto com as demais, se subordinavam à cabeça do grande corpo, no caso o MINISTÉRIO DO TRABALHO. Para manter esse corpo funcionando harmoniosamente, foi instituído o Imposto Sindical. 0 estatuto era padrão e todas as atitudes, inclusive a contabilidade eram submetidas ao MTb. 0 PC não questionou em quase nada esse modelo. Ao contrário, aproveitou-se dele ao atingir a direção dos principais sindicatos. Federação e Confederação, tornando-os seus "aparelhos", para utilizá-los como base de auto construção e de barganha perante o governo no sentido de aumentar a sua participação neste. Não nos esqueçamos que na década de 60, durante o governo Jango, o PC já assumira totalmente a tese da mudança pacífica, por dentro, e, por cima. A CUT chega resgatando os princípios que alimentaram o movimento nos primórdios do século: Combatividade, Autonomia, Independência, Liberdade, Luta pelo Socialismo. E, coerente corn esses princípios, propõe o fim da estrutura vigente, resumida nos consignios de fim do imposto sindical e fim da estrutura vertical (federações e confederações); fim das interferências do MTb; construção do movimento pela base. Não obstante, hoje, encontra-se totalmente adaptada àquela estrutura. Senão vejamos: a maioria dos sindicatos não mais combate o imposto sindical e dependem dele para sobreviver. As Federações, Confederações e a própria CUT, também não mais o combatem. Mas lutam para obtê-lo. Devemos ser livres para agir. Devemos agir para ser livres.

4 Quinzena N /02/97 Quanto às Federações e Confederações, a CUT, primeiro lutou para chegar à direção das existentes (pelegas). Não conseguindo, criou outras, paralelas. Em suma, o principal combatente do imposto sindical hoje é Fernando Henrique que acaba de anunciar o envio de uma proposta de lei ao Congresso Nacional, acabando com ele. Há as honrosas exceções de sindicatos que entraram na justiça peticionando o não desconto, e conseguiram liminares. Isto motivou uma resolução da plenária nacional da CUT recomendando a todos os sindicatos que fizessem o mesmo, mas, pelo que se sabe, apenas uma minoria acionou a justiça. Percebe-se então, que a CUT de hoje é bastante parecida com o CGT (Comando Geral dos Trabalhadores) de 64, corn algumas diferenças. Ambos se adaptaram plenamente à estrutura sindical corporativa. Porém, naquela época o CGT dividia corn o MTb, o papel de cabeça da estrutura, ou do corpo. Hoje, a CUT substituiu o MTb e exerce o papel da cabeça da corporação. Naquela época os trabalhadores experimentavam um ciclo de energia revolucionária e consequentemente o CGT, suas Federações e Sindicatos, mobilizavam amplas massas, fazendo assustar à burguesia, que, por precaução, provocou o golpe militar. Hoje, dada a ausência energia revolucionária nos trabalhadores (e também na direção - note-se que o PC não abandonara a idoia de socialismo, mas apenas se propunlia consegui-lo por dentro do governo ao contrário de hoje, em que se abandonou de vez a idéia de socialismo) a CUT se tornou uma verdadeira Organização Não Governamental, que se alterna na conclamação aos trabalhadores para greves e passeatas (tentando contentar a esquerda presente na sua direção) e na conciliação deslavada, como na reforma da previdência, ou no papel de bombeiro, como no caso da greve dos petroleiros. Naquela época, a burguesia precisou recorrer ao seu braço armado, sempre reservado para essas ocasiões em que a conjuntura ameaça fugir ao seu controle. Hoje, a burguesia tem o total controle da situação. Está unificada, agora por mais seis anos corn a reeleição garantida. E o mais interessante, é que a Burguesia se deu ao luxo de rejeitar a mão estendida pelo "partido dos operários" e preferiu uma unificação interna incluindo os seus setores mais retrógrados, reacionários e corporativistas, os quais, até o momento, são os paladinos das reformas. Para desespero da "liderança operária" que dizia que FHC (e o PSDB) era bom, o que não prestava eram seus aliados do PFL e Cia. Mas, deixemos o geral, e voltemos ao específico, que nos interessa diretamente, a saber, as causas reais, ou melhor, as outras causas reais, da debilidade do movimento, ainda não trazidas à luz pelas inúmeras reflexões de nossos dirigentes. Falo expressamente de nós dirigentes, por que os intelectuais já apontaram as bases teóricas das mesmas, a exemplo de Ricardo Antunes, José Martins, Cogiola, Claus Off, Emílio Gennari, João Bernardo, etc. Com base nas reflexões produzidas por esses autores, arrisco-me a concluir que o movimento cutista deu um importante passo na reafirmação dos princípios enunciados. Entretanto, muito forte no discurso e em algumas ações, este resgate foi frágil no início, e deixou de existir depois, quanto ao método de construção das lutas. A QUESTÃO DA PERSONALIZAÇÃO Apesar do forte discurso de "quem manda é a massa", nossa força é nossa união", etc, o movimento, consciente ou inconscientemente, cada vez mais cultuava seus lideres, que se sacrificavam, que eram presos, e isto e aquilo outro. No discurso, falava-se da massa, mas a palavra não era dada a ela. A palavra era monopolizada sempre por aqueles dirigentes mais preparados, e que se queria "referenciar" para disputar a eleição corn o pelego, ou ser o substituto do atual, nas eleições seguintes. Assim, os jornais das entidades passaram a ter mais a cara do dirigente do que a da base, a qual foi ficando cada vez mais ausente. Com relação à estrutura corporativa, o movimento aceitou um contrabando desde o início. Trata-se do Presidencialismo. Não se compreendeu, e ainda hoje não se compreende que a diretoria do sindicato, ou da CUT, estruturada corn Presidente, Vice, Secretários Gerais, secretarias específicas, etc. é a reprodução da ideologia burguesa da hierarquização social, elemento fundamental da dominação de classe. Esta estrutura, visa reproduzir também as idéias de que sempre tem que ter um super homem, um homem melhor, mais sábio e mais competente que os outros, para resolver os problemas por eles. Percebe-se aqui o desvio de origem do movimento sindical cutista, que, grande parte vindo da experiência do movimento de educação de base da igreja, pregava o método da valorização do coletivo e de cada indivíduo como sujeito ativo, MODELO DE CONSTRUÇÃO No início, a teoria combinava com a prática: Construir a partir das bases, que significa construir o movimento a partir dos locais de trabalho, enfrentando os problemas vividos no dia a dia, e acumulando forças para outros embates específicos da categoria, como as campanhas salariais, ou embates classistas como as greves de protesto. Isto realmente ocorreu no primeiro momento, até Trabalhadores porque a vanguarda estava toda trabalhando na linha de produção. Inobstante, à medida que se foi "ganhando" ou "tomando" as direções aos pelegos, a vanguarda saiu da produção e ganhou o direito de ficar liberada para exercer o mandato sindical. Ora, se o movimento se constrói dentro dos locais de trabalho, como construí-lo agora, afastados deles? Em alguns casos, organizou-se comissões de empresas ou delegados sindicais, que continuaram o trabalho interno. E o dirigente liberado, passou a desenvolver o papel de potencializar esse trabalho. Na maioria dos casos, porém, não ficou organização alguma, e a construção se inverteu radicalmente, sendo agora totalmente de fora para dentro, ou de cima para baixo. Mesmo nos primeiros casos, as comissões ou delegados sindicais passaram a cobrar do dirigente liberado a resolução dos seus problemas. Deste modo, em tempos de maré baixa, ou refluxo do movimento natural de resistência dos trabalhadores, essa lógica se tornou regra geral. E, o pior, embalada pelos dirigentes que estão cada vez mais predispostos a "resolverem os problemas dos trabalhadores", no sentido de ganharem respaldo para permanecerem na diretoria, no mandato seguinte, e não terem que voltar a dar duro na produção além de perder a gratificação que a maioria recebe, e o tempo livre para se dedicar a atividades extras, que alguns desenvolvem. Outros dirigentes, pensam mais alto. Fazem isto para se credenciarem a um voto para deputado, vereador ou senador. Em síntese, nossos sindicatos não se diferenciam em nada de uma delegacia de policia ou de uma secretaria de governo, sem o poder daquelas. Daí que os qualifico de ONGS. Nestes moldes, os sindicatos cumprem apenas o papel institucional que a burguesia lhes reserva, e a constituição garante, como elementos do Estado Burguês. A ESTRATÉGIA DO MOVIMENTO De começo, se falava em ORGANIZAR, MOBILIZAR E CONFRONTAR a partir dos problemas específicos como forma de acumular forças para o embate geral de classe contra classe. Esta era a outra face corn a qual o movimento se desenvolvia mobilizando e negociando em cima dos conflitos cotidianos sempre dentro, da estratégia geral de acumulação de forças da classe. Acrisio Soares Mota é Secretário Geral do Sindicato dos Bancários do Maranhão. Publicaremos a continuação deste texto na próxima edição do boletim Devemos ser livres para agir. Devemos agir para ser livres.

5 Quinzena N /02/97 Trabalhadores Massas - 2" Quinzena/Fev/1997 -N" 126 Burocracia se nega a colocar os sindicatos em defesa dos salários. A política salarial do governo extinguiu as correções obrigatórias E congelou os salários por um ano, ou seja, estabeleceu o dissídio anual. Segundo o governo isso se deve ao fato da inflação estar sob controle e, portanto, os preços estáveis. 0 que se passou em 1996? Com uma inflação de 11%, os melhores reajustes não passaram de 9%. A regra geral foi de reajustes bem abaixo do índice inflacionário. Os sindicatos, dominados por uma burocracia corrompida, não tiveram uma reação à altura, para defender o poder de compra dos já baixos salários. Os capitalistas ficaram contentíssimos, pois puderam lucrar mais com a perda salarial dos trabalhadores. 0 governo por sua vez, se viu aliviado, uma vez que o Plano Real se escora na contenção salarial e no desemprego em massa. Sem as massas saindo para o combate em defesa de suas vidas, o Plano ficou protegido e o governo não teve de mostrar toda sua face de opressor do povo. No nível político, reuniu as condições para impor a emenda da reeleição, utilizando-se inclusive do argumento que o povo apoia o Plano e seu governo. A burocracia sindical, ao amordaçar os trabalhadores, não permitindo que os sindicatos saíssem em defesa dos salários e pela derrubada da política salarial do Plano FHC contribuiu para o empobrecimento das massas e pela sustentação do governo. Rebater a farsa da participação nos lucros Os porta-vozes dos patrões e do governo dizem que as campanhas salariais ganharam novos contornos na era do Plano Real. Os sindicatos já não lutam por aumentos salariais, preferindo reivindicar a participação nos lucros. Nesse sentido, foi muito elogiado o dissídio do sindicato dos bancários. Certamente porque favoreceu os banqueiros. Recentemente, tivemos a greve dos condutores de ônibus. A reivindicação era de 600 reais. Uma greve de 90% de paralisação, durou algumas horas e se fechou um acordo na Justiça de trabalho de 200 reais, divididos em duas parcelas de 100. Uma migalha. A gravidade da capitulação da burocracia sindical perante o Plano Real não pára ai. Ocorre que a migalha de participação no lucro é totalmente separada dos salários. Não há incorporação de nenhum tipo. Nem sequer sobre os encargos trabalhistas e previdenciários. Na realidade, é um abono disfarçado de participação nos lucros. Essa farsa tem claro objetivo. Evitar a reposição das perdas e qualquer elevação salarial. Assim, seu valor vai sendo esmerilhado. Tudo em nome da estabilidade econômica, que quer dizer estabilidade para a burguesia continuar obtendo lucros às custas da fome e miséria dos trabalhadores. Denunciamos essa burocracia sindical corrompida, que engana os trabalhadores com as vantagens da participação nos lucros. Não há nenhuma participação nos lucros, o que há é o lucro dos capitalistas comendo os salários. Está aí por que defendemos a reposição de todas as perdas e a elevação salarial. Para defender o trabalho contra o capital, ou seja, os trabalhadores contra os capitalistas, é preciso mobilizar nacionalmente os explorados para derrubar o Plano de fome e miséria do governo FHC A tarefa é construir uma direção revolucionária A submissão da CUT e sindicatos ao Plano neoliberal, apesar de em palavras se dizerem oposição, tem provocado um atraso na evolução do movimento operário. Na outra ponta, está a Força Sindical, apoiada no Sindicato Metalúrgico de São Paulo, que não disfarça seu apoio ao governo a ponto de doar dinheiro dos sindicatos para a campanha de reeleição de FHC. Essas duas frações mais poderosas da burocracia controlam a vida das fábricas etem servido de correia de transmissão dos interesses dos capitalistas. Estes se servem tanto dos reformistas da CUT quanto dos direitistas para colocar os sindicatos em sintonia com a política governamental. Se os reformistas ameaçam qualquer ação contra as medidas do governo ainda que em palavras, a Força Sindical é acionada para dar apoio à burguesia. Logo os reformistas se recolhem e dizem que os trabalhadores não querem lutar. Quando o descontentamento cresce entre as massas, ai os reformistas e forcistas fazem frente única para desarmar as lutas. Ora estão divididos ora estão unidos, mas sempre para evitar o avanço do movimento operário. Ainda há tolos bem intencionados que não conseguem ver nem entender o papel da fração esquerdista (reformista) e direitista (abertamente pró-imperialista) de freio do movimento de massas e obstáculo à organização independente da classe operária. Assim, chegam a combater a tarefa de constituir uma fração revolucionária, que se baseie num programa de destruição do capitalismo e edificação do socialismo. De nossa parte, vemos com clareza a necessidade de varrer da direção do movimento operário a burocracia traidora. A crise do capitalismo e a política antipopular da burguesia empurra e empurrará os trabalhadores à luta. Apesar do controle burocrático, o ano passado foi marcado pelo crescimento das greves, que não tiveram maiores repercussões devido à sua fragmentação. Esses combates, certamente, acumulam experiência e servirão mais à frente para a classe operária se sublevar contra o Plano de fome e desemprego, rompendo com a muralha da burocracia reformista e direitista. E nessa tendèicia instintiva das massas que se constituirá uma poderosa fração revolucionária. Mas não será o espontaneísmo de sua ação instintiva que gerará a direção revolucionária. E preciso a intervenção revolucionária dos marxistas, que lutam por estruturar o Partido Operário Revolucionário, para se construir a vanguarda consciente das massas e transformar o movimento instintivo da classe operaria em luta antiimperialista e anticapitalista. Eis por que o trabalho pela libertação dos sindicatos das mãos da burocracia é necessário. Eis por que a defesa radical do salário e emprego é imprescindível para se desenvolver entre as massas o programa da revolução proletária. Devemos ser livres para agir. Devemos agir para ser livres.

6 Quinzena N /02/97 Boletim Nacional - Pastoral Operária - Jan/Fev/ N Seminário nacional de avaliação e planejamento da Pastoral Operária A PO Nacional em seus 20 anos de presença profética ao lado dos trabalhadores, comemora uma história dinâmica com lágrimas e risos, conquistas e muita ESPERANÇA! Neste momento, pára e repensa sua prática. Faz uma profunda reflexão de sua inserção buscando intensificar seu testemunho cotidiano com maior eficácia e qualidade. Este processo deverá continuar durante 1997, pensando na intervenção, projeto, e a própria organização da PO. Que o Espírito criador ilumine mais este passo na caminhada rumo à conquista de mais uma página da história construída coletivamente por homens e mulheres que enfrentam a si mesmos, e neste momento, buscam, com desprendimento e Fé, forjar novos caminhos, mantendo sinais de Vida, solidariedade, partilha e companheirismo! Eis as reflexões do seminário nacional, realizado em dezembrol96 em São Paulo: As mudanças no mundo atual atingem dramaticamente aos trabalhadores e trabalhadoras, cada vez mais excluídos e excluídas do mundo do trabalho e dos bens socialmente produzidos. As classes dirigentes insistem em atribuir um caráter inevitável ás inovações tecnológicas e ao processo de globalização, que levam a um fatalismo e determinismo. Esta atitude é incompatível com a capacidade humana de generosidade e de vontade, que aliadas ao avanço da ciência e dos conhecimentos já acumulados pela humanidade neste limiar do terceiro milênio, podem desenvolver uma tecnologia e globalização á serviço da vida. Mais do que ressaltar o aspecto dramático das mudanças, o que precisa ser ressaltado é a crueldade em considerar a situação como insolúvel. Neste sentido, é preciso reafirmar a profunda convicção de que nenhuma força hegemônica é irreversível na história. Por isso toma-se imperioso persistir na construção de um projeto alternativo de sociedade que dê conta da complexidade da realidade atual, especialmente nas cidades, do processo de inculturação e dos anseios, desejos, perspectivas individuais e coletivas, a partir da ética da solidariedade, em oposição á competição que só consegue a realização de poucos indivíduos. Encarando este desafio acreditamos que cabe ao campo democrático-popular de nossa sociedade assumir a dimensão tanto propositiva como reivindicativa e formativa no trabalho de mobilização e organização dos setores que possam compor este campo. Neste processo é preciso assumir o compromisso de afirmar os diversos sujeitos, historicamente oprimidos em nossa sociedade, entre os quais destacam-se as mulheres, os negros e os povos indígenas. A Pastoral Operária participa e contribui neste campo a partir da exigência de sua Fé Cristã. E esta Fé que irá influir na sua forma de abordagem, na sua postura e na sua metodologia dentro do mundo do trabalho, no qual se situa sua identidade e sua mística. Assim, a PO não é um movimento, não é uma tendência política, não é uma forma para atrair fiéis. É uma pastoral com um olhar e um agir que contribui para a construção de um projeto alternativo de sociedade, o qual será obra das trabalhadoras e trabalhadores, onde ela cumpre a missão Evangélica de ser sal e fermento. Neste momento, seu compromisso impõe a necessidade de contribuir para a existência de um amplo movimento dos trabalhadores e trabalhadoras e do conjunto da sociedade frente às mudanças no mundo do trabalho, contra o desemprego e pelo emprego como política social, chamando á responsabilidade os setores empresariais e governamentais. Este é o eixo articulador em tomo do qual devem girar os programas, projetos e atividades das equipes e instâncias da PO em todo o Brasil, delimitando setores específicos a serem trabalhados de acordo com a região, a qualificação dos e das militantes e os recursos disponíveis. Para realizar este eixo é preaso articular Trabalhadores as ações concretas, imediatas, localizadas, com a mobilização, organização e compromisso daqueles que se envolvem nestas ações. Caso contrário, corre-se o risco de transformar a intuição correta de preocupar-se com as necessidades básicas das pessoas em uma nova forma de assistencíalísmo, que desresponsabiliza o Estado e culpabiliza os pobres por eventuais fracassos. Os grupos da PO não podem ser fim em si mesmos, ou seja, não existem, apenas para aglutinar trabalhadores e trabalhadoras. Eles são espaços de avaliação, revisão da prática e reflexão critica do trabalho que realizam enquanto um grupo que está intervindo numa situação. São, ainda, espaços de partilha das experiências que as pessoas do grupo realizam individualmente, quer no local de trabalho como em outros espaços de sua vida, além da integração e lazer. São campos de interrelação que podem contribuir para a superação da fragmentação e atomização das atividades bem como reforço e motivação das pessoas. A PO quer contribuir de forma efetiva para a construção de uma sociedade justa, democrática, ética e plural, onde homens e mulheres sejam protagonistas. Isso implica em considerar todas as dimensões da vida humana, e os sujeitos como portadores de interesses, desejos e emoções, que estão em permanente processo de construção e reconstrução, a partir das condições objetivas socialmente estabelecidas. O eixo articulador impõe a necessidade da PO estabelecer alianças táticas Devemos ser livres para agir. Devemos agir para ser livres.

7 Quinzena N /02/97 e estratégicas com diferentes forças sociais, sem perder sua própria identidade e sem deixar de priorizar o trabalho direto com a população. Estas alianças tem que ser pautadas em princípios e responsabilidades bem definidas. Elas não se confundem com eventuais convênios que possam ser estabelecidos para obtenção de recursos financeiros. Da mesma forma, a relação com a cooperação internacional implica em assumir um diálogo com as agências que formule propostas claras, objetivas e transparentes, sem subordinação ou utilitarismo, mas em sintonia com pontos mutuamente definidos. A PO se assume enquanto Igreja Católica. Mantém seu vínculo de comunhão e sua justa autonomia frente às demais pastorais e frente a hierarquia. Assume a missão de levar para dentro da Igreja a preocupação e o compromisso com o mundo do trabalho. Portanto, sua atuação no interior da Igreja tem que caracterizar-se pela disputa de espaços a partir de processos dinâmicos e não simplesmente pela justeza de sua proposta. Por outro lado, a PO deseja atuar com outras Igrejas cnstãs priorizando o "ecumenismo de base". Procura mesmo colocar-se em diálogo com outras religiões e culturas em defesa da vida e da dignidade do trabalho. Finalmente a PO se esforçará para promover o intercâmbio com as pastorais congêneres em outros países num amplo esforço de articulação internacional. Com a mesma metodologia - de construção coletiva - foi desenvolvida a discussão sobre a estratégia da PO. Assim, após as reflexões conjuntas, debates e questionamentos decidiu-se : Estratégias - Pastoral Operária 1. Campanha de sensibilização, junto aos setores populares, sobre a questão do desemprego, conhecendo as diferentes propostas que existem sobre esta problemática. Promover fóruns de debates, levantamento sobre as categorias mais atingidas pelo desemprego, instituições que financiam iniciativas de geração de emprego. Articular este trabalho com o processo da 3 a Semana Social Brasileira, inserindo-se na realização do Projeto Rumo ao Terceiro Milênio. 2. Agrupar as experiências "inovadoras" da Pastoral Operária nos estados.discutir e aprofundar estas experiências de atividades de massa, como Romarias, Grito dos Excluídos A discussão do desemprego, bem como outras temáticas, deve acontecer primeiro no plano diocesano, em seguida no plano estadual e nacional. O planejamento deve seguir as orientações do planejamento nacional para o planejamento estadual e diocesano. Trabalhadores 4. Debate sobre o nome PASTORAL OPERARIA, levando em consideração a sua memória histórica e a nova realidade onde a PO está inserida; 5. Buscar novas formas de sustentação a partir das coordenações estadual e nacional, procurando conseguir uma destinação financeira nos orçamentos diocesanos, regionais e CNBB, ao mesmo tempo, a PO deve iniciar um processo de corresponsabilidade de seus membros para uma auto-sustentação; 6. Renovar a metodologia da formação, com preocupação especial com aqueles que estão iniciando sua caminhada na PO. Sistematizar a prática de educação popular que a PO desenvolve em suas experiências. 7. Utilizar os recursos disponíveis (Fax, Internet...) nas dioceses para agilizar a comunicação e troca de experiências entre os regionais da PO, buscando, também espaço nos MCS. 8. A Reforma Agrária acompanhada de uma política agrícola, explode cada vez mais como elemento absolutamente indispensável e urgente para a realização da justiça e da paz. Sua implementação deve ser sem mais demora, e de forma verdadeira. Todos e todas somos chamados(as) à responsabilidade, contribuindo para a formação e ampliação de uma consciência nacional em seu favor, e em sua efetivação. Causa Operária - 21/Fev/ N Ao mesmo tempo em que o governo anuncia que o reajuste do salário mínimo, previsto para I o de maio próximo, deverá ser de R$ 10, 00, elevando o seu valor para RS 122, 00, a nova direção da mesa da Câmara dos Deputados, presidida pelo peemedebista Michel Temer (SP) resolveu autorizar a elevação de R$ 10 mil para R$ 20 mil da verba de gabinete dos 513 deputados. Este contrastes entre um salário mínimo de fome pago a milhões de trabalhadores em todo o pais e os crescentes privilégios do legislativo nada tem de acidental A vitória de Michel Temer é uma vitória do governo FHC e está sendo paga regiamente através do aumento dos imensos privilégios materiais dos congressistas. Estes congressistas - que dão a si Salário mínimo vital vantagens extraordinárias - estão sendo pagos para garantir os interesses dos grandes capitalistas nacionais e estrangeiros que estão por trás do Plano Real, o qual, por sua vez, apóia-se profundamente na expropriação salarial da grande massa de trabalhadores em todo o país, cujo rendimento é transferido de maneira ditatorial aos bancos, indústrias, empreiteiras e ao conjunto dos grandes monopólios capitalistas. O espetáculo de generosidade consigo próprio da parte do Congresso é, antes de mais nada uma fabulosa demonstração de cinismo. Os parlamentares estão realizando esta farra para comemorar a vitória do continuismo de um governo que, neste exato momento, está pondo em movimento uma reforma administrativa que pretende cassar conquistas fundamentais do funcionalismo público, tais como a estabilidade no emprego, o direito de grave etc. em nome da "moralidade administrativa" e da "economia de custos". O problema do salário concentra as profundas contradições nacionais. Cerca de 40 milhões de pessoas subsistem recebendo um salário mínimo ou menos. A evolução do salário mínimo desde que foi criado pelo governo de Getúlio Vargas na década de 30 tem apresentado uma espantosa estabilidade na faixa de 50 a 150 dólares, constituindo-se em um dos mais baixos do planeta. Eeste tem sido o limite intransponível para o desenvolvimento social do pais e o Devemos ser livres para agir. Devemos agir para ser livres.

8 Quinzena N /02/97 8 Trabalhadores registro irrefutável da completa incapacidade da burguesia brasileira de dar um único passo no sentido de um verdadeiro desenvolvimento nacional. A cifra histórica de crescimento de 10% do PIB durante as décadas de 40 e 50 e os anos do "milagre econômico" da ditadura militar em nada alteraram a situação de extrema pobreza das grandes massas trabalhadoras do país, ao contrário, apoiaram-se sempre na superexploração da força de trabalho e na capitalização através do Estado dos impostos pagos por todas as faixas de trabalhadores assalariados, através da Previdência Social, do FGTS etc. A atual etapa de crise do capitalismo tem sido caracterizada por muitos dos defensores da política de privatizações, de abertura econômica etc. como a do fim da era de Roosevelt, iniciada com o new deal na década de 30, em escala internacional. A característica desta "era" foi em todos os momentos o profundo debilítamento do capitalismo através da era de revoluções que se abriu com a Revolução Russa de 1917 na Europa, primeiro, e com a bancarrota e conseqüente desmoralização capitalista a partir do crack da Bolsa de Nova Iorque, depois. 0 que os defensores desta tese não explicam é que o ataque a todas as concessões forçadas dos capitalistas às massas realizadas a partir da década de 30 expressam apenas e tão somente a decomposição das condições econômicas do capitalismo norte-americano contra as massas através dos cortes nos gastos sociais, nos direitos dos imigrantes, dos negros etc. estão por ondas sucessivas e graduais colocando em movimento as mais poderosas forças revolucionárias do planeta, a classe operária norte-americana. No Brasil este processo assumiu a forma ideológica da liquidação da "herança de Vargas" ou seja privatização das gigantes estatais, como a Vale do Rio Doce, a Petrobrás e a CSN, projetadas pela equipe de Roberto Simonsen para serem o sustentáculo do desenvolvimento nacional; a liquidação da CLT, que deveria garantir a "paz social" duradoura no país, incorporando a classe operária ao regime político etc. A função da política de FHC não é a de abrir caminho para uma etapa de desenvolvimento nacional, mas a de liquidar a massa falida do nacionalismo burguês às custas das massas e em favor do imperialismo. Neste sentido, a questão do salário mínimo converte-se neste momento em um dos eixos fundamentais de luta contra esta ofensiva da burguesia. Os dirigentes do PT e da CUT, cuja ideologia nacionalista os coloca totalmente na defensiva diante da arremetida do grande capital, ficam paralisados diante deste ataque porque não concebem que o capitalismo nacional tenha a capacidade de elevar o salário mínimo acima de 200 dólares e propõem, em coro com FHC e todos os partidos burgueses, a "elevação gradual" do salário mínimo. Este, porém, não é um problema técnico, mas uma questão de sobrevivência e, por isso, contra o aprofundamento do arrocho salarial é necessário levantar a reivindicação de garantia de sobrevivência do trabalhador, que é o mínimo que se pode esperar em sociedade de escravidão assalariada. A defesa da sobrevivência física da classe operária tem se tornado mais e mais um marcante divisor de águas no interior da esquerda e das organizações operárias. A maioria da esquerda abandonou o terreno da luta pela sobrevivência da classe operária em prol de um acordo com a média histórica de exploração capitalista, ou seja, assumiu a posição clássica do nacionalismo - em seus melhores momentos - de melhorar a sorte do trabalhador sob o compasso de desenvolvimento do capital. As reivindicações que podem permitir colocar em marcha um movimento amplo eprofundo de resistência da classe operária, uma mobilização de massas contra os planos do imperialismo são somente aquelas reivindicações que tocam nos problemas vitais das massas, de que dependem a sua sobrevivência e a sua vida. A reivindicação de "melhoria gradual" do salário mínimo, o salário mínimo de 200 reais etc. são completamente impotentes para gerar uma real mobilização das massas contra o regime político burguês e a sua orientação préimperialista. A reivindicação central da luta deve ser de salário mínimo vital, ou seja, o conjunto das necessidades básicas de uma família operária para a sua sobrevivência em condições minimamente razo áveis: aluguel, alimentação, vestuário, saúde, educação etc. O salário mínimo é apenas um aspecto doplano de ataque da burguesia contra a classe operária e os sindicatos operários, cujo limite é a liquidação do "pacto social" do varguismo materializado na CLT e do estabelecimento da "completa liberdade de contratação", ou seja, um aprofundamento sem precedentes das condições de vida das massas proletárias, em particular dos seus setores mais miseráveis e mais débeis, através da liquidação do limite de 44 horas da semana de trabalho, do fim de semana remunerado, das horas-extras com remuneração especial, das férias, da licença-matemidade etc. Diante da completa paralisia dos sindicatos, está colocado iniciar uma campanha em tomo á defesa destas conquistas operárias e da luta pela sobrevivência da classe operária em todos os sindicatos e, em tomo desta campanha, organizar uma corrente classista antiburocrática em todos os sindicatos. A DESORDEM DO TRABALHO, de Jorge Mattoso, Ed. Scritta, R$ 20,00. "Neste final de século, a economia mundial passou por mudanças estruturais, tecnológicas, produtivas e organizacionais. Vivemos uma Terceira Revolução Industrial. No entanto, a nova ordem econômica internacional resultou em desordem e instabilidade. Novas formas de organização da produção ampliaram um conjunto de inseguranças para os trabalhadores - desemprego, submeprego, exclusão social e concentração da renda - que constitui uma verdadeira desordem do trabalho". Devemos ser livres para agir. Devemos agir para ser livres.

9 Quinzena N /02/97 Documento - Fevereiro/97 Comemora-se no último domingo do mês de janeiro, o dia mundial do hanaaxiano. Conhecido também pelo infamante nome de leproso, não deve este doente ser afastado do convívio social. Devemos seguir o exemplo de Jesus que antes de curar aquele segregado, fez questão de tocá-lo, mostrando que todas são iguais, imagem e semelhança de Deus, templo do Espirito Santo e por conseguinte de maneira DEVE SER EXCLUÍDO. Na verdade, o leproso bíblico não tinha hanseníase mas de maneira errônea o hanseniano tem sido estigmatizado através dos tempos com este pejorativo nome, que na verdade significa pecado, qualquer mancha de pele, impureza, mofo de casa e etc. É na verdade a doença de Hansen provocada por um bacilo (micróbio em forma de bastão), sendo curável e com mutilações perfeitamente evitáveis. Manifesta-se por partes do corpo dormentes (anestesiadas), com ou sem manchas, podendo depois aparecer formigamentos, cãibras, caroços, perda de pelos e partes do corpo que não suem ou peguem pó. Como a maioria dos doentes não tomam remédios (desconhecimento, preconceito e etc), provavelmente a grande maioria da população já entrou em contato com o bacilo desenvolvendo a doença as pessoas sem resistência (10%) e que vivam em precárias condições de saúde e higiene. Não adianta portanto correr do paciente qjecmhecencgqjefeíalnatíeentraremos em contato com inúmeros doentes que não conhecemos e que sequer sabem estar expelindo bacilos (o doente em tratamento deixa de contagiar, assim como não é contagiante em sua forma inicial). Alguns doentes devido a má orientação e por não verem melhora aparente, abandonam o medicamento e quando voltam a se tratar, estio em estado avançado, o com provável resistência medicamentosa. Por causa deste tratamento irregular podem eliminar bacilos resistentes. As vezes também abandonam o tratamento devido à "estranha" ação de medicamentos (estranha para eles, hansenianos), chamada também de reação que na verdade é a luta entre o bacilo e a defesa do organismos. Notemos bem: a Hanseníase é um problema urbano, periférico; das camadas pobres em extinção em países desenvolvidos, mesmo antes da descoberta da sulfonas (remédio que cura a maioria dos casos), devido a corretos programas de educação para diagnóstico rápido e consequentemente cura, bem-estar econômico e saneamento. O dia mundial do HANSENIANO André de Paula Na Noruega o último hanseniano morreu em 1970 e na Inglaterra não há registro nativo desde Na Idade Média a Noruega era coalhada da doença; com o desenvolvimento o número foi caindo paulatinamente. (Quase não há pesquisas em nosso pais, especialmente, em lejaçãdaom áldshaba)). No Brasil, temos um novo caso a cada 14 minutos e meio. Essa é a mais recente estatística divulgada pelo próprio Programa Nacional de Hanseníase do Ministério da Saúde. (Somos um dos campeões mundiais da doença). Contribuem também para a perpetuação do preconceito, cartas apelativas, sem nenhuma fundamentação cientifica; "Sou leproso, minha mão está caindo, passo fome, sou contagiante, etc... etc... mande-me auxílio..." Tais cartas são feitas por doentes com boa situação financeira (geralmente internos de colônias específicas, sendo, em sua maioria, aposentados), e por esta razão, remetidas aos milhares. Esses espertalhões traumatizam evidentemente os que recebem suas cartas, os quais, movidos por compaixão e medo, serão seus doadores. Chama-se a isso, entre os hansenianos, "bate-gato". Paralelamente a esta modalidade, entre os hansenianos, há também por parte de 'Entidades Arrecadadoras de Recursos", em muito maior grau, a exploração de fotografias com aspectos escabrosos da doença, o que não deixa de ser uma exploração do portador do mal, visto que os recursos arrecadados raramente chegam às mãos dos atingidos e que são as fontes das fotos. A desinformação que nos atinge é explicável pelo fato de o governo e todo o sistema silenciar sobre o problema, já que se nos informassem estariam mostrando os erros da política oficial (quanto mais debilitado e sem condições higiênicas e de moradia for um povo, mais é propenso a contrair moléstias, entre elas a hanseníase). Diante disso fica evidente que não se pode desativar as colônias sem uma educação popular preliminar, pois haveria escândalo (a sociedade rejeitaria o doente por preconceito) e haveria um questionamento popular do porque de a hanseníase crescer no nosso país e decrescer nos países cujos governos cuidam da saúde do povo. Quando às secretarias estaduais de saúde interpretam ao pé da letra a norma do Ministério da Saúde, sugerindo a desativação das colônias (norma esta que não tem força de lei, mas de conselho, de caráter normativo), o processo de desativação tem sido sutil. Neles (hospitais - colônias) permanecem, geralmente, só os cegos e acamados. Algu- Saúde mas colônias já deixaram de existir totalmente. Esta portaria prevê, além da desativação, a transformação dos hospitais específicos em Hospitais Gerais de Saúde, ou pelo menos em hospitais que atendam a todas as doenças da pele. Em muitos hospitais gerais, os hansenianos não tem sido aceitos por desinformação e medo de que atinjam tanto a população quanto boa parte da classe médica e pessoal técnico. Por conseguinte, prefere o portador de hanseníase que vive nas colônias específicas lá permanecer, onde come de graça (ainda que, às vezes mal), não paga aluguel, luz, enfim é aceito pelos companheiros. Nelas, ele nada reivindica, ou reclama, pois a direção escudada nesta "Política de integração", pode dar-lhe "alta disciplinar". A estratégia oficial, por seu turno, é tomar a colônia cada vez mais incômoda para levar o próprio interno a pedir a sua "alta". Muitos construíram casas com dinheiro do próprio bolso, não pediram Para serem internados "foram caçados pela saúde pública" e estão há muitos anos ali já perfeitamente, habituados e aclimatados ao local. Uma alternativa a essa precipitada e desumana desativação seria a quitação de posse definitiva das casas ocupadas pelos doentes, semelhante ao uso-capião ou uma justa indenização pelos danos morais que sofreram. Como dizia o grande doutor da igreja Thomas de Aquino, evocando o direito natural "a terra é de quem está por cima dela". A situação dos acamados e cegos geralmente é muito precária, não havendo prática ocupacional, recreação, e sequer um tratamento digno de um ser humano carente. Vale lembrar que hoje em dia não há mais necessidade de internação, sendo o tratamento ambulatorial. Na verdade vem acontecendo nas colônias também uma invasão indiscriminada de não portadores da doença, ficando o espaço do hanseniano cada vez mais restrito. Só os pais, filhos, irmãos deveriam ter acesso a moradia na colônia. Esta é mais uma maneira sutil de desativação dos nosocômios específicos. Precisamos criar mais agentes de saúde, dando-lhes conhecimento para que façam diagnóstico precoce (inicial), assim como aos controladores de vetores (trabalhadores da Sucam). Além disso promover ampla campanha de esclarecimentos através dos meios de comunicação coordenada pelos próprios doentes e profissionais de saúde, multiplicando "Devemos ser livres para agir. Devemos agir para ser livres"

10 Quinzena N /02/97 10 Terra os médicos de família Esta foi a maneira como Cuba e China conseguiram controlar a doença. Tudo isso na verdade serviria para melhorar o quadro, sendo o problema realmente resolvido com a implantação do socialismo, com os traba Documento - Gurupi, 19/02/97 Em recente visita ao Papa João Paulo II o presidente Fernando Henrique ouviu do Beatíssimo Padre a seguinte afirmação: "o empenho por urna reforma agrária, entre outras motivações, justificam iniciativas corajosas ". FHC não deixou por menos e imediatamente retrucou: "meus esforços à frente do Governo brasileiro são para a promoção da dignidade humana e da justiça, para o fortalecimento da família e a redução das desigualdades econômicos e sociais da população, promoção e defesa dos direitos humanos e na busca de soluções a questão agréoia." Essa exaltação do presidente no entanto parece ser uma mera retórica, quando se analisa a tal Reforma Agrária que vem sendo feita. Na verdade, os poucos assentamentos que já foram feitos pelo ENCRA. e outros órgãos, são resultado da organização e da luta dos trabalhadores. 0 Governo Federal contínua sem um Plano de Reforma Agrária minimamente sério. Em maio de 1996, numa reunião com os Sem Terras, garantiu que iria dar prioridade aos assentamentos das famílias acampadas. Estas eram na época cerca de 37 mil famílias. 0 INCRA não priorizou e hoje já passam de 52 mil famílias espalhadas em 168 acampamentos pelo país. Sem contar com os trabalhadores rurais desempregados, vivendo como assalariados nas grandes fazendas ou de bicos na zona urbana. Todos continuam esperando terra para plantar e para tocarem suas vidas com dignidade. Enquanto isso pelo menos 7 milhões de hectares são passíveis de desapropriação, o que podena gerar novos postos de trabalho a um custo médio de R$ ,00. No início de 96 também o presidente prometeu que não faltaria recursos para os créditos agrícolas da agricultura familiar, mas o dinheiro do orçamento do lhadores passando a serem donos das fábricas, terras e etc... (donos dos meios de produção). Precisamos nos organizar no movimento popular e sindical para que isso realmente aconteça. Mentir ao Papa épecado Paulo Henrique Costa Mattos * INCRA só começou a ser liberado em setembro. E assim mesmo, dos 243 milhões de reais previstos para o crédito da produção em assentamentos, somente 40 milhões foram repassados. Prevaleceu os entraves, a má vontade e as práticas inaceitáveis, que vão desde a burocracia no processo (cadastros, análises, liberação etc), falta de acompanhamento nos projetos, penhora da terra, intervenção de políticos para beneficiar grupos com objetivos eleitorais e os juros incompatíveis a renda da maioria das atividades. Somente o Tocantins precisaria de 25 milhões de reais para atender ás necessidades dos assentados na linha do Procera (Programa de Crédito Especial Para a Reforma Agrária), contudo só foi garantido o recurso irrisório de 3 milhões que daria (pois estas ainda não receberam o dinheiro) para atender 600 famílias no valor desvalorizado de R$ 5.000,00. Para atender à demanda das associações de pequenos produtores na linha do FNO (Fundo Constitucional do Norte) são necessários em tomo de 15 milhões de reais. 0 valor disponível em 1996 para o Tocantins não passou de 5,4 milhões. Isso dana para atender cerca de 500 famílias, ou seja menos de 10 associações, quando no Estado elas já passam de 100. Na linha do PRONAF (Programa Nacional de Agricultura Familiar), para custeio, foram elaborados projetos no valor de R$ 3, 5 milhões. Mas a perspectiva para a liberação é de apenas R$ ,00 reais, para atender somente 391 projetos. 0 Governador Siqueira Campos em reunião de negociação do Grito da Terra Brasil, em 29/05/96, afirmou que: "não adianta os trabalhadores rurais partirem para a briga pois não tenho compromisso com o latifúndio. Se houvesse mais diálogo e entrosamento da FETAET (Federação dos Trabalhadores do Estado do Tocantins) com o Gover- André de Paula é advogado, fundador do MORHAN (Movimento de Reintegração do Hanseniano) e membro da direção nacional da CMP (Central dos Movimentos Populares). no, haveria mais possibilidades, tais como entrega de tratores etc. " Segundo ele: "o Estado do Tocantins é capaz de fazer sem burocracia a entrega de terras a partir de terras devolutas se a União as entregasse ao Estado. Porque o Governo Federal não é capaz de fazer? " Mas apesar do reconhecimento da burocracia imperante no Governo Federal, nos órgãos estaduais não tem sido diferente. No Itertins (Instituto de Terras do Tocantins) ou na Ruraltins prevalece os mesmos entraves. A boa vontade do Sr. Governador não transformouse em prática inovadora e a maiona dos assentamentos no Tocantins continuaram sem infra-estrutura, assistência técnica e apoio dos órgãos estaduais para o seu desenvolvimento. Pouco ou nada foi feito para se viabilizar programas de pesquisa agrícola contemplando os problemas da agricultura familiar.. A meta do INCRA em 1996, no Tocantins, era assentar famílias. Enquanto os trabalhadores reivindicavam o assentamento de 15 mil famílias, do total das quase 50 mil sem terra do Estado, sendo entre aquelas que já ocupam a terra e 14 mil das que ainda precisam. Mas no balanço final de 1996, o INCRA só assentou famílias, em 21 assentamentos, envolvendo hectares. Embora a famigerada UDR tenha se rearticulado e venha instigando fazendeiros a armarem pistoleiros e lançá-los contra os trabalhadores rurais, no geral já há uma evidente mudança de postura de alguns fazendeiros em relação a Reforma Agrária. Hoje a violência é pontual, continua saído utilizada "quando necessário", como é o caso do Pontal do Paranapanema, em São Paulo; de Corumbiara e Eldorado dos Carajás, no Pará; ou aqui no Tocantins: caso de Colmeia, onde foi assassinado o trabalhador rural Raimundo Mendes e quase assassinado José Pereira Mattos. Além de "Devemos ser livres para agir. Devemos agir para ser livres"

11 Quinzena N /02/97 11 Terra atearem fogo na casa do pároco local. A violência continua sendo incentivada pela impunidade de assassinos, mandantes epistoleiros. Criminosos que sentido-se inimputáveis incentivam e geram mais violência. Contudo, uma parcela significativa de fazendeiros já perceberam que a política agrária de FHC é inofensiva e ineficiente e se colocam como os principais interessados em sua Reforma Agrária. Esses fazendeiros "de visão" já perceberam que podem obter lucros com a venda de suas terras ruins e supervalorizadas. Alguns perceberam que essa é a única forma de "tirar vantagem" de latifúndios completamente ociosos e desvalorizados. 0 próprio INCRA tem se comportado como corretor de fazendas, oferecendo inúmeras áreas para desapropriação e incentivando os sindicatos para que enviem cartas indicando áreas para tal fim. No Tocantins o caso da Fazenda Araguaia, no Município de Formoso, é o exemplo mais nítido de como a Reforma Agrária de FHC tem sido usada para beneficiar interesses de fazendeiros e até grupos econômicos e não para atender os interesses dos trabalhadores. A indenização atrasada a ser paga a empresa Araguaia Companhia Industrial, antiga proprietária da fazenda que foi desapropriada há dez anos, deverá custar cerca de R$ 197, 5 milhões de reais. 0 caso da Araguaia é uma das cinco maiores indenizações devidas pelo INCRA, de acordo com decisões judiciais que juntas somam R$ 878,7 milhões de reais, 25% do orçamento do órgão para este ano. A maioria das terras daquela fazenda são imprestáveis para fins de agricultura pois são completamente alagadas. Além disso, até hoje ninguém foi assentado e o perfil dos proprietários ali instalados não é o de pequeno proprietário familiar. Mesmo que fosse, haveria absoluta impossibilidade de fazerem os altos investimentos financeiros para tentar tomar as terras produtivas.apesar da bela oratória do Sr Presidente FHC, hoje não está havendo coragem efetiva no sentido de se romper com essa estrutura fundiária marcada pela presença do latifúndio, por um grande número de hectares de terra, freqüentemente improdutivos e sustentáculo econômico das oligarquias rurais que centralizam o poder político local, estadual e até nacional. Se não houver um efetivo Plano Nacional de Reforma Agrária, que garanta o imediato assentamento das milhares de famílias vivendo abaixo da linha de pobreza, se não forem punidos os responsáveis pelas chacinas de Corumbiara e Eldorado dos Carajás, que no mês de abril completam um ano, se não houver crédito para agricultura familiar, se o desemprego continuar crescendo e as cidades inchadas de desiludidos sociais, a democracia deste país estará definitivamente comprometida. Reforma Agrária já para haver paz e desenvolvimento sustentável. Basta de retórica Sr. Presidente. Mentir ao Papa épecado! *Paulo Henrique Costa Mattos, é assessor do IFAS Causa Operária - 28 de Fevereiro de 1997 Abaixo a repressão contra os sem-terra Oito trabalhadores rurais ficaram feridos, no domingo, dia 23, quando jagunços dos latifundiários responderam à bala à tentativa de centenas de famílias de sem-terras de colherem 260 alqueires de milho e seis de feijão plantadas por eles na ocupação realizada há um mês na Fazenda São Domingos, na região do Pontal do Paranapanema, estado de São Paulo. Dentre os atingidos, Antônio Avelino Neves, de 44 anos, teve um pulmão, o esôfago, o estômago e os rins perfurados; Míriam Maria de Oliveira, foi ferida com um tiro nas costas e o menino Éder Rodrigues Delgado, de 13 anos levou um tiro na cabeça. Nesta mesma semana, os latifundiários da região conseguiram na Justiça a determinação da prisão preventiva de José Rainha, Maurício Barreto, Felinto Procópio, Laércio Barbosa e Cláudio Cano, todos lideranças do sem-terra na região. "Os sem-terra não vão mais servir de alvo para exercício de tiro da UDR. O clima na região é muito tenso, chegou ao limite", assinalou o deputado Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP), advogado, dos sem-terra ao Jornal do Brasil (25/02/97). A situação de verdadeira guerra, onde apenas um dos lados, o dos latifundiários, encontra-se fortemente armado e amparado pela ação do Estado (governos, polícia, justiça etc.) não é uma exclusividade do Pontal, mas repete-se por todo o País: sul do Pará, região do Bico do Papagaio (GO), interior do Paraná, norte de Rondônia, Acre, Maranhão etc. Enquanto os fazendeiros intensificam seu poderio militar, processam os dirigentes dos sem-terra e ameaçam com processos, inclusive, religiosos que se posicionaram a favor das ocupações, a ação política contra os trabalhadores rurais alastra-se. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ernando Uchoa Lima, em reunião com o ministro da Reforma Agrária Raul Jungmann, afirmou que "a invasão de terras é uma violência que só agrava os conflitos nos campos" (O Estado de S.Paulo, 21/02/97), uma posição que ressoa cada vez com maior intensidade entre os chamados setores democráticos e até mesmo entre as direções do movimento operário. Um falso "pacifismo" que corresponde culpar os sem-terra pelo massacre que os mesmos estão sendo submetidos que, significa colocar-se do lado dos latifundiários, e dos seus governos assassinos dos sem-tena indefesos. Sobre a base desta política de "pacificação", o governo prepara, através da recente lei de porte de armas, exigida pela OAB, uma repressão em regra contra os trabalhadores sem-terra. O Exército e as Polícias Federal e Militar estão sendo preparados para realizar uma operação de desarmamento cujos resultados são previsíveis: os sem-terra serão acusados de possuírem armas de fogo e serem os responsáveis pelos conflitos, enquanto os latifundiários que montaram tropas de jagunços armados até os dentes e contam com a proteção das Polícias, dos Judiciários etc. procuraram fazerem-se de vítimas. A situação já ultrapassou os limites do insuportável, como corretamente assinalou o advogado dos sem-terra, companheiro Luís Eduardo Greenhalgh. O governo está preparando com sua operação pretextos para novos massacres a serem somados à já extensa lista de assassinatos de trabalhadores rurais. O movimento operário, as organizações de luta dos trabalhadores do campo e da cidade e da juventude não podem ficar de braços cruzados. É urgente realizar uma ampla mobilização nacional que se apoie na solidariedade que a luta dos sem-terra desfruta entre toda a população pobre, sobre a base de um programa de defesa da expropriação do latifúndio, distribuição de terras aos semterra e garantia de financiamento com juros subsidiados e todos os recursos necessários á sua produção. Contra o permanente massacre de homens, mulheres e crianças indefesos é preciso defender as ocupações, o direito a autodefesa dos trabalhadores rurais, a punição de todos os assassinos e mandantes, a começar pelos governos responsáveis pelos massacres. "Devemos ser livres para agir. Devemos agir para ser livres"

12 Quinzena N /02/97 12 Mulher Jornal Fraternizar - Fevereiro/97 - N" 99 Sempre que em Portugal a As- sembléia da República se propõe legislar sobre o aborto, ou interrupção voluntária da gravidez, ó certo e sabido que a hie- rarquia da nossa Igreja católica sai a terreiro. Contra. E não só ela. Muitos pá- rocos reproduzem os mesmos anátemas da hierarquia, quase sempre, numa versão ainda mais agressiva, o mesmo é dizer, ainda mais imoral. Há igualmente alguns católicos e católicas, aos quais, infelizmente, a generalidade do clero nunca permitiu que chegassem à ma- turidade na fé cristã, e que, por isso, limitam-se a fazer coro com o discurso dos bispos. Finalmente, há todos os ou- tros membros da Igreja católica a es- magadora maioria, da qual fazem parte multas das mulheres que, alguma vez, recorreram já ao aborto clandestino - que não se revêem na posição dos bispos e dos párocos, mas que, ou se calam, ou pronunciam-se em voz tão baixa, que é a mesma coisa que ficarem calados. O que leva a criar no país a falsa convicção de que toda a Igreja católica é, não só contra a prática do aborto, mas também contra a criação e a aprovação duma boa lei que ajude a acabar de vez com a praga dos abortos clandestinos. Como justificação da sua atitude, os bispos da nossa Igreja católica invocam sistematicamente a defesa da vlda.e o célebre mandamento, "Não matarás", que já vem do tempo do Moisés bíblico. Mas fazem-no com uma ênfase tal, que quem os ouve, fica até com a impressão de que só eles, e mais ninguém, é que estão preocupados com a defesa da vida. E que todas as outras pessoas que pretendem legislar sobre o aborto, são perigosos cadastrados, assassinos de crianças ainda por nascer, pessoas sem dignidade e sem honra, merecedores, por isso, de todos os insultos, de todas as excomunhões e de todos os infernos. Só não se percebe lá muito bem, no meio de tão histérica e hipócrita gri- taria eclesiástica, porque é que a nossa hierarquia católica põe tanta ênfase na defesa da vida, quando se trata de criar e fazer aprovar uma boa lei que regu- lamente a interrupção voluntária da gravidez, sempre que alguma mulher o solicitar, e já não se mostre nada ou quase nada preocupada com os milhares e milhares de abortos clandestinos que todos os anos se fazem no nosso país (a estimativa mais baixa fala em 16 mil abortos clandestinos por ano, e as es- timativas mais altas apontam para uns cem mil, ou mesmo, uns 200 mil). Igualmente, não se percebe lá muito bem, como é que a mesma hierarquia católica, sempre tão preocupada com a defesa da vida humana, não sai nunca a terreiro, para condenar, pelo menos com a mesma veemência com que condena uma possível lei do aborto, a Por uma boa lei aborto fabricação e o negócio de armas, por parte dos grandes deste mundo, nem para condenar todas as guerras que eles fomentam (a recente guerra colonial em Portugal foi até sacralizada pela hie- rarquia católica, mediante a criação de um serviço especial de capelães mlll- taresl), nem para condenar economias e políticas neo-llberais com que as grandes multinacionais produzem pobres em série e condenam à mortre antes de tempo, a imensa maioria da huma- nidade deste fim de século e de milênio. Será que, para a hierarquia da nos- sa Igreja, as vidas humanas que as ar- mas e as guerras matam,e que as eco- nomias e as políticas neo-liberals em- pobrecem e excluem da cidadania, já não são vidas humanas a valer, e só o são os tetos no ventre das mulheres? Sejamos claros. A existência duma boa lei que regulamente a interrupção voluntária da gravidez e contribua deci- sivamente para põr fim aos abortos que hoje se fazem de modo clandestino e em desgraçadas condições, nunca pode ser apontada, só por si, como causa directa ou indirecta da prática de abortos. Por outras palavras: regulamentar sobre a interrupção voluntária da gra- videz, só por si, não é sinônimo de o- brigar as mulheres portuguesas ou outras a ter de abortar. A lei pode existir e estar em vigor, e não chegar a ser nunca aplicada, devido a não haver mulheres grávidas dispostas a interromper a sua gravidez. Assim a consciência delas lhes dite tão nobres e elevadas atitudes. O que uma boa lei do aborto pre- tende é ajudar a nossa sociedade a passar da generalizada prática de a- bortos clandestinos que hoje temos, a uma hipotética prática de abortos em condições de higiene e segurança. Ou seja, a lei não faz com que passe a haver abortos, onde antes não os havia. Apenas proporciona que os abortos que já se fazem, possam ser feitos em con- dições mais dignas e menos traumáticas para a mulher. A hierarquia da nossa Igreja católi- ca tem obrigação de ver as coisas assim. Porque isso de ser contra o aborto em abstracto. Independentemente das pessoas em concreto, certamente, toda a gente o será. Inclusive, as próprias mulheres que alguma vez se viram for- çadas a ter de recorrer a ele. Se perguntarmos às pessoas, se elas são contra o aborto, sem mais, todas elas, ou quase, dirão que sim. Mas não é disso que se trata, quando as socie- dades, através dos seus órgãos com- petentes, pretendsm legislar sobre o a- borto. A lei nunca dirá, evidentemente, que o aborto passou a ser uma coisa boa. Menos ainda, que passou a ser uma coisa desejável. O que a lei pre- tende é oferecer condições clínicas e de menor risco para as mulheres que, apesar de serem teoricamente contra o aborto, um dia, se viram na Iminência de ter de recorrer a ele. Infelizmente, a hierarquia da nossa Igreja católica não tem sabido ou não tem querido ver as coisas assim. Sere- namente. Prefere as águas turvas. E erguer-se em bicos de pés, como a única defensora intransigente da vida humana e da moral. Só que é o próprio Evangelho de Je- sus que nos ensina a desconfiar de um discurso assim tão gritado em nome da moral e da vida em abstracto, mas que, entretanto, é Incapaz de se fazer próximo e de compreender as pessoas concretas e as circunstâncias, tantas vezes dramá- ticas, em que elas vivem. Na verdade, quem mais fala em moral em abstracto, quase sempre é quem menos a vive. Já foi assim no tempo de Jesus de Nazaré. Os fariseus eram campeões da moralidade, estavam em todas para defender a lei, que eles próprios criavam e Interpretavam e, finalmente. Impunham ao povo em nome de Deus, mas, entretanto, eram os que menos a cumpriam. Tamanhos fervor e zelo, assumidas publicamente, em nome da defesa da lei, da ortodoxia e da moral, não pas- savam duma máscara por trás da qual os fariseus e outros líderes religiosos pretendiam manter e ampliar o seu do- mínio sobre as pessoas, inclusive, sobre as suas consciências. Mais do que defender a lei e a mo- ral, o que eles verdadeiramente defen- diam, se calhar até da modo incons- ciente, era a manutenção do seu domínio sobre o povo e sobre a consciência das pessoas. E era este domínio e os res- pectivos privilégios que lhe andavam intrinsecamente ligados, que eles não queriam perder de maneira nenhuma. O que só seria possível, se o povo continuasse a vê-los como os últimos baluartes da moral, da lei, da ordem, e, em última Instância, de Deus. O mesmo pode estar a suceder, hoje, com a hierarquia da nossa Igreja. O poder que, ao longo de séculos, ela usufruiu sobre as pessoas e sobre a consciência das pessoas, está seria- mente ameaçado com leis como a da interrupção voluntária da gravidez. Pensemos um pouco. Uma socie- dade que tem a audácia de díecufr e fazer aprovar uma lei destas, dá provas de que é já uma sociedade amadurecida, adulta, responsável, autônoma. É uma sociedade cada vez mais capaz de tomar nas próprias mãos o seu destino. Sem ter de andar a perguntar a hierarquias religiosas, que se colocam fora e acima dela, se isto ou aquilo é permitido ou proibido. Ela própria, na auscultação da sua consciência colectiva, sabe o que é conveniente ou Inconveniente para ela. E nem que se engane, Deus sente-se mais honrado com esse engano, resultante duma decisão própria assumida com risco, do que com uma outra, porventura, melhor, mas Imposta de fora, por um poder que a domina e, por isso, não a deixa ser e crescer. Durante séculos e séculos de Cristandade, os bispos assumiram-se como "os nossos pás na fé". E mesmo quando, a certa altura, começou a emergir uma sociedade civil distinta da Igreja, os bispos sempre se fizeram olhar por aquela, como figuras superiores que ela devia seguir nas grandes decisões que viesse a ter de tomar. Felizmente, hoje, os tempos são outros. As pessoas e as sociedades começam a dar-se conta, sem dúvida, também por acção do Espírito Santo, que ninguém - multo menos os bispos - pode substituir a sua consciência. Porque ninguém na terra pode jamais atribuir-se o papel de pai espiritual dos demais (bastam os pais biológicos e só o tempo Indispensável, até que aqueles e aquelas que nasceram conquistem depressa a sua autonomia e Independência). O próprio Jesus anda-nos a dizer isto há dois mil anos (Ml 23, 9), mas a maior parte de nós. Igrejas Incluídas, não temos querido fazer caso e preferimos a segurança de um 'pai' autoritário, ao risco da liberdade e da responsabilidade pessoal e colectiva. Avancemos, pois, como sociedade civil, com a discussão e a aprovação duma boa lei reguladora da prática do a- borto, enquanto este existir, aí, como problema e como drama, entre nós. Ao mesmo tempo, lutemos contra as causas que têm perpetuado esta prática. Afinal, uma boa lei do aborto defenderá mais a vida, do que a manutenção do actual estado de coisas. Avancemos. No respeito pela nossa consciência colectiva, onde o próprio Deus está presente e activo. Os bispos que agora protestam, logo se calarão. Acabarão por compreender que o seu tempo, como hierarquia, ou poder sagrado sobre os demais, acabou, ou está achegar ao fim. Felizmente. E aprenderão a ser simples Irmãos e companheiros de todos os outros homens e mulheres. Em pé de igualdade. Que é o que o próprio Deus quer. Padre Mário "Devemos ser livres para agir. Devemos agir para ser livres"

13 Quinzena N /02/97 13 Movimento Popular Extrato do texto "Alternativa Sindical Socialista" preparatório ao IV Concut (Agosto, 1997) Políticas permanentes Anti-racista A virada do milênio está marcada fim lamentalmente pela reestruturação produtiva e pela reforma do Estado como dois mecanismos básicos de redução do mundo do trabalho. Do ponto de vista do trabalhador(a) negro nesse país esse processo pouco carrega de novo. 0 processo de acumulação primitiva de capital, reconhecido como primordial na formação desse modo de produção teve como seus principal espaço de realização a exploração da mão de obra africana na América. 0 erro de uma visão evolucionista do capitalismo impede o reconhecimento de que esse modo de produção não se reproduz ainda hoje sem a constituição contínua de zonas - tanto no primeiro como no terceiro mundo - de sobre-exploração racial segundo esse modelo primordial de acumulação primitiva de capital. Os diversos dispositivos de discriminação racial no mercado de trabalho vem assegurando historicamente o lugar periférico do trabalhador(a) negro entre o mundo do trabalho e o grosso dos excluídos de qualquer participação nesse mundo do trabalho. Se o tráfico de escravos foi o primeiro dispositivo da sub-humanização daforça de trabalho negro, a contínua resistência negra assegurou um re-ingresso parcial do trabalhador negro como principal força de trabalho até as vésperas da abolição. A abolição associada ao logro que substituiu o trabalhador negro pela mão de obra emigrante se constituiu como o segundo momento histórico de marginalização do traballiador negro como condição de desvalorização sistemática de sua força de trabalho. A lenta absorção posterior do trabalhador negros nas margens do trabalho informal foi até ao "momento do milagre" econômico onde um novo golpe assegurou a maiginalização da força de trabalho negra assegurando-nos o espaço de exclusão como espaço por excelência de um exército de reserva especial pela sua condição racial: - o exército de reserva do exército de reserva branco nos momentos de crise do mundo do trabalho. A reestruturação produtiva assegura pela quarta vez uma conjuntura da desqualificação sistemática do trabalhador negro do mundo trabalho. A organização do trabalhador negro no Brasil, para a resistência a não começa com o movimento anarquista, mas antes disso tem quatro séculos de lutas que o movimento sindical raramente resgata. 0 início da organização da resistência operária segundo o modelo europeu fica marcado como de exclusão da possibilidade de participação negra e feminina quando o primeiro Congresso veda a participação das representações raciais e de gênero expondo a dominâncía do fator racial e de gênero inclusive nas organizações das categorias dominadas. Na década de 60 e 70 às constantes denúncias do movimento negro, pela apresentação dos dados sobre ocupação, salário, desemprego, mobilidade profissional que demonstram que o fetor racial contribui decisivamente para as desigualdades sociais se impõe e é reconhecido em importantes estudos acadêmicos. A retomada das lutas do movimento sindical em fins da década de 70 levam a retomada das questões raciais nos Encontros de Sindicalistas negros, processo esse que culmina com o Seminário Nacional de Sindicalistas Negros em Com a formação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), os militantes do movimento negro do campo da esquerda presentes no Congresso de criação iniciam uma discussão embrionária da questão racial dentro no mundo do trabalho. Só no segundo Concut esse debate ganha visibilidade e aparece nas resoluções o reconhecimento das desigualdades raciais e de gênero e da necessidade do engajamento da entidade no combate racismo. EmtD dessas lutas, chega a vez dos órgãos de assessoria do movimento sindical deram sua demonstração de engajamento consciente, e em 1984 o DIEESE realiza a primeira pesquisa sobre emprego e desemprego em São Pauo e Região Metropolitana, parecia naquele momento que estávamos a um passo de dar conseqüência a debate e a ação política necessária no interior do movimento sindical, pois os dados levantados eram e continuam sendo cruéis demais. Em 1988, ano do "CENTENÁRIO DA ABOLIÇÃO DO TRABALHO ESCRAVO" também dava sinais que naquele ano e por seu significado para a classe operária e para o trabalhador negro estavam estabelecidas a condições objetivas para um quadro de mudança e agregação de uma nova prática sindical, porém não passou de mais um acontecimento casual com juras de uma solidariedade aleatória e protocolar. Possibilitar então a construção de um corpo orgânico e dirigente de negros merecia um tipo de ação minimamente articulada no interior dos sindicatos e da Central, foi assim que se realizou uma infinidade de eventos (seminários, ciclos de palestras edebates, cursos, encontros) a níveis locais, regional, nacional e internacional, com a CDláDCaaçãDé obvio de alguns sindicatos e até da Central. Damos ênfase por exemplo ao "SEMI- NÁRIO - 0 PAPEL DA CUT NO COMBA- TE AO RACISMO", realizado em Belo Horizonte-MG, e ao 1: ENCONTRO DE SINDICALISTAS ANTI-RACISTAS DA CUT, que aconteceu em Brasília-DF, que deliberou pela participação da Central e Sindicatos filiados na Marcha dos "300 ANOS DE PALMARES, em novembro/95. Como resultado deste fazer, foi que na VI Plenária Nacional da CUT, se assentava na estrutura da entidade a "Comissão Nacional Anti-racista" com um programa mínimo aprovado naquele foro. Foi lento e gradual a coleta dos resultados, mas sem dúvida alguns eventos dão a exata dimensão das ações onde a Comissão Nacional Anti-racista firma suas bases, com destaque ressaltamos nossa presença na I Conferência Internacional pela Igualdade Racial, realizada em Salvador-BA, novembro/94, bem como a patinação na III Conferência realizada, em Washington-EUA, agosto/95 juntamente com outras organizações, como CGT, FS e CUT do Brasil, AFL/ AFI-CIO e ORIT com sede nos EUA. Os impactos do processo de "modernização" tecnológica que se desenvolveu a partir da década de 60 no Brasil acirrada na última década devido as mudanças políticas, econômicas e sociais, aceleram neste final de século a competitividade e seletividade no mercado formal de trabalho, aumentando exclusão sócio/racial. A reestruturação produtiva gera novos conflitos no interior das relações de produção (ínter-classes) e a da sociedade, a intensificação dos conflitos explicitam a necessidade de ampliar os horizontes da análise e diagnóstico referente a qualidade de vida da população afro-brasileira. Pois a eletrônica possibilitando o desenvolvimento da automação, da telemática, estabelece nova pedagogia nas relações de trabalho. Determina novas formas de utilização da força de trabalho que implicam em reestruturação nas relações de poder, no interior da organização da produção novas exigências em termos de qualificação, a obsolescência de algumas funções e a feminilização de alguns postos de trabalho para redução de custo desta mão-de-obra, paralelo a terceirização dos serviços de apoio (maioria mulheres, afro-brasileira e descendentes). Na contramão do processo e exigências da modernidade encontra-se a população negra brasileira, em função do apartheid sócio/racial/étnico, baixo nível de escolaridade, baixa capacitação profissional. "Devemos ser livres para agir. Devemos agir para ser livres"

14 Quinzena N /02/97 14 Movimento Popular Nos serviços públicos, em função do concurso de ingresso, significativa parcela desta mão-de-obra é negra, embora guetizada em algumas ocupações. A reforma do Estado que tem como eixo central a redução drástica de recursos humanos e responsabilidade social tem avançado através de campanhas na mídia da desvalorização destes profissionais. Para legitimar o fim da estabilidade no emprego que mascara na realidade, o fim da estabilidade e qualidade da prestação de serviços a população excluída (maioria afro-brasileira) como também fim do Regime Jurídico Único, portanto o reforço do fisiologismo, apadrinhamentos e a extinção do concurso público. Ora, quem será os espoliados deste mercado forma de trabalho? Quem será duplamente prejudicado senão a população afrobrasileira? Diante desse quadro de redução drástica do campo do trabalhador inserido no mundo formal do trabalho se coloca como uma das prioridades centrais de luta da CUT para o próximo milênio voltar-se para a imensa massa de trabalhadores excluídos ao qual o trabalhador negro confere um perfil mais do que majoritário. Nesse contexto de exclusão sistemática do trabalhador negro duas linhas de intervenções podem ser vislumbradas: uma neoliberal, com ênfase nas iniciativas individuais de parte dessa população excluída e que tem sua melhor expressão nas políticas afirmativas; outra coletiva e rapadora. É fato que numa sociedade racista como a brasileira em áreas onde negros e brancos apresentam competências e habilidades similares, os indivíduos da raça negra são preteridos em função de critérios racistas. Porém, as políticas afirmativas partem do presaupcetdcieqjeeaabéo mecanismo central de exclusão racista. A correção da exclusão racista pela via de cotas, pressupõe que a grande massa da população negra já está inserida nos campos capitalistas de competição (por educação, emprego, acesso á ciadania de forma geral) bastando corrigir os efeitos racistas desses campos para que habilidades iguais correspondam a oportunidades iguais. Na verdade a grande massa da população negra no Brasil está excluída por mecanismos racistas básicos (como a negação de sua cultura como capital cultural franqueador do acesso ao capital econômico e social, sem falar das desvantagens acumuladas desde o escravismo) do acesso a condição de competidor. Sem o agente inserido no campo de competição não existe a possibilidade de política afirmativa. É preciso considerar em primeiro lug^r que políticas afirmativas partem de um enquadra ento equivocado da questão do racismo e do sexismo e, portanto fornece uma solução igualmente equivocada e inconseqüente. As políticas afirmativas enquadram o racismo e sexismo enquanto desigualdade de oportunidades de acesso ás instalações públicas, de educação e emprego em função da raça e gênero daqueles que competem a esse acesso. Essa é apenas uma das dimensões da questão racial. Na verdade, mais profundamente, o racismo se constitui como um conjunto de obstáculos criados para impedir - em função da raça - que uma parte dos seres humanos tenham a possibilidade de ascender sequer a condição de competidores (mesmo em desvantagem). Mais profundamente ainda, o racismo retira a uma cultura a possibilidade de definir o tipo de enquadramento social integrador que poderia proporcionar aos indivíduos que partilham dela - que eventualmente seria diferente daquele definido pela cultura/raça dominantes. A essas duas dimensões mais profundas da questão racial as políticas afirmativas sequer vislumbram. No entanto essas são as questões vitais para a imensa massa dos oprimidos racial e sexualmente. Os 25 anos de história de políticas afirmativas nos EUA permitem-nos tirar algumas ilações: 1 - as políticas afirmativas não têm o impacto abrangente previsto no momento da sua idealização, no sentido de tomar mais iguais as oportunidades e por conseguinte de maior democratização da sociedade na medida que se interpõem uma distância enorme entre o espírito da lei e sua administração concreta pelos sucessivos governos - isto mesmo num país com a tradição de rigor na aplicação das leis como os EUA. 2 - a base original de consenso se corrói facilmente gerando frustrações entre as categorias que deveriam ser compensadas assim como, obviamente, nas categorias dominantes. 0 desgaste imposto na disputa pelo consenso, pela legitimidade e em tomo da implementação da lei é de longe superior aos efeitos positivos produzidos nas melhores experiências. 0 contencioso gerado em tomo das políticas afirmativas desvia as energias de uma atuação mais profunda no sentido da igualdade racial, desgastando a militância numa disputa inconseqüente por ações que mais frustram do que promovem a grande massa da população negra. 3 - os negros nos EUA praticamente eliminaram a diferença em relação aos brancos em termos de conclusão do segundo grau a ponto de estarem a 5% da igualdade, mas a taxa de desemprego entre jovens negros aumentou em comparação aos adolescentes brancos. Isso prova que os efeitos das políticas afirmativas sobre a educação não se refletem no acesso ao emprego. 4 - enquanto a participação dos negros na força de trabalho cresceu apenas 2% entre 1972 e 1987, as taxas para as mulheres brancas cresceram 14%. Isso significa que a ação afirmativa deu uma ajuda maior ás mulheres brancas, e portanto ás famílias brancas do que aos negros. Isso demonstra o quanto a inserção no campo de disputa é fundamental ao sucesso da ação afirmativa, to as mulheres brancas de alguma forma estavam inseridas na sociedade dominantemente branca (embora com desvantagens), por estar sistematicamente excluída dos campos de competição, os efeitos da ação afirmativa sobre a população negra foram tênues. Se num país com 12% de negros como é o caso dos Estados Unidos o desgaste na discussão política de quotas versus méritocracia (argumento conservador que pressupõem que na sociedade capitalista,, há uma correlação justa entre mérito e ascensão social) vem destruindo as possibilidades de quaisquer efeitos mais Enquancontundentes da política afirmativa, imaginem o desgaste do caso brasileiro onde se teria uma disputa pela introdução de mais de 40% (em qualquer dos indicadores oficiais) de negros nas universidades ou nas empresas privadas. Mesmo que fosse implementável - o que já demonstramos que não é - a ação afirmativa seria ferramenta modesta para promover maior ascensão da grande massa dos negros no Brasil. Na verdade, os escassos contingentes da população negra que seriam beneficiados por essa ação afirmativa seriam aqueles insignificantes em números absolutos e relativos - indivíduos negros que já beiram os níveis de vida das classes médias. A aposta em tal política representa a aliança entre a esquerda que já abriu mão da utopia socialista e a direita negra que vislumbra chances individualistas de ascensão social. Propomos, para um país com as características racistas do Brasil, onde o contingente da população negra se projeta como majoritário e onde o fim do milênio anuncia uma restrição sem precedentes do mercado de trabalho, uma ampliação assustadora do exército de reserva e mecanismos cada vez mais refinados de seleção segundo critérios subjetivos (que promovem quase sempre os dispositivos racistas presentes no mercado de trabalho), que políticas de reparação da dívida histórica da sociedade racista para com a população negra criem alternativas aos campos de competição (tanto pelo emprego como no educacional) estruturados de forma individualistas. Na medida em que as políticas afirmativas concedem preferencias especiais a indivíduos e não a comunidades(negras) elas são inaplicáveis no Brasil. Pressupor a possibi- "Devemos ser livres para agir. Devemos agir para ser livres"

15 Quinzena N /02/97 15 Economia Curtas Dívidas Eternas. Em 1997, o Bra sil vai gastar ainda mais para pagar o principal e os juros da dívida externa.. Segundo o próprio Banco Central, irão para os bolsos dos banqueiros internacionais pelos menos US$ 32 bilhões: US$ 19,1 bilhões para o principal (em 1996 foram US$ 14,4 bilhões) e aproximadamente US$ 13 bilhões para os juros (em 1996) foram US$ 12,7 bilhões). E por falar em dívida, entre amortizações, encargos e juros da dívida pública foram consumidos 48,4% do Orçamento da União de Sabem quanto éisso? R$ 146 bilhões!! Enquanto isso, com relação a tal dívida social - ou seja, saúde, reforma agrária, educação, emprego etc. - o governo também tem uma política bem clara: não paga. As dez maiores empresas em telecomunicações (em US$ bilhões) Empresa Faturamento NTT (Japão) 79,0 AT&T (EUA) 71,9 IBM (EUA) 64,0 Sony (Japão) 44,7 NEC (Japão) 43,3 Telecon (Alemanha) 37,7 Matsushita (Japão) 37,3 Fujitsu (Japão) 36,6 Hitashi (Japão) 30,2 Toshiba (Japão) 29,9 Fonte: Informe sobre desenvolvimento das telecomunicações (UIT) Sinal de alerta. Segundo Maria Aparecida Damasco, colunista da Gazeta Mercantil, a equipe econômica esperava que, com a persistência de níveis elevados de indimplência dos consumidores, a herança de estoques reforçados em alguns setores do comércio e o aperto de liquidez provocado pela entrada em vigor da CPMF, havena uma "acomodação natural" da economia. Mas não é este cenário que está se configurando no mercado. Segundo algumas simulações, a economia está andando a uma velocidade de 7% ao ano. E um déficit da balança comercial da ordem de US$ 8 bilhões exigiria uma aterrizagem da economia para um nível de 4% ao ano. (GM,23/1) idade de aplicação de políticas afirmativas e ignorar os efeitos perversos do mito da mestiçagem geral da nação brasileira que pretendendo diluir biologicamente as fronteiras raciais criariam uma grande confusão no momento da seleção individual para as discriminações positivas. Em lugar da ênfese na competência pessoal propomos que se projetem políticas que visem estruturas coletivas de competição (comunidades negras reconhecidas em sua estrutura cultural e que possam ser engajadas em formas de produção coletiva). Estaria no reconhecimento de coletividades neutralizado o mito da mestiçagem na medida em que a seleção seria de agrupamentos negros e não de indivíduos a serem descriminados por critérios exclusivamente de fenótipo. Não propomos nem auxílio compensatório à indivíduos para que estejam em condições de se inserirem nos campos capita listas, nem ação afirmativa que pressu- põem a inserção nos campos como um dado, mas sim políticas de reparação da divida histórica para com as coletividades negras. Os recursos da reparação histórica permitiriam a constituição de espaços paralelos de produção não estruturados segundo a lógica capitalista mas sim fundamentados na cultura negra o que eliminaria a dimensão mais profunda do racismo propiciando a opção por um modelo próprio de integração social. A aplicação de recursos provenientes do pagamento da divida histórica da sociedade brasileira para com a população negra, em projetos comunitários de produção principalmente os direcionados para a auto-sustentação - eliminaria por outro lado o problema da constituição da população negra como exército de reserva preferencial. 7. Estatutos texto incluído em 4. Estrutura sindical e relações de trabalho. Folha de São Paulo - 08/10/96 A miséria do capitalismo global Há varias formas de combater o capitalismo global. Uma é a crítica teórica, que começou com Marx, centrada na denúncia ideológica do neolíberalismo. Outras se manifestam mais por suas propostas e ações do que pelas reflexões sobre a lógica do capitalismo contemporâneo. A luta pela erradicação da miséria é incontestável, universal e radical. Ninguém se aventura a defender a miséria ou justificá-la como fenômeno divino ou natural. Muitos tentam contomá-la por intermédio de propostas tipo "band-aind", como fazem o Banco Mundial e outras agências internacionais, por meio do conceito de "poverty alleviatíon". Com o fracasso histórico dos países socialistas, submetidos à lógica do capital ou capitalismo estatal e o pretenso fim da era do socialismo como proposta os ideólogos do, capitalismo sentem-se como se realmente a história tivesse terminado. O que está terminado, na verdade, é a história do capitalismo mundial por obra de suas mãos, da lógica excludente global e geradora da miséria em escala mundial. Está difícil aceitar a história atual quando a miséria cresce e a exclusão explode por todas as partes. O apartheid social em escala mundial é a cara visível do capitalismo global. Herhert de Souza Essa realidade nunca esteve tão clara como nos dias de hoje. Dados sobre a miséria mostram essa realidade. Um dos novos dogmas do nosso tempo que explica tudo e não justifica nada. A riqueza se concentrou, a miséria se expandiu e todos admitem que o capitalismo é hegemônico no mundo. Ou não? 0 capital teve a capacidade de, até um certo tempo, ligar oiganicamente capital com trabalho, empresário e trabalhadores, produtores e consumidores pelo mesmo processo de exploração do trabalho. Criou também uma classe média que hoje vive dias de amargura.. Mas o capital separou produtor social e política do trabalhador. Há algumas décadas, o capital explorava o trabalho para se desaivolver. Hoje, dispensa o trabalho vivo para poder se desenvolver ainda mais. Estamos avançados nesse caminho da empresa sem trabalhador, da economia sem empregos, do consumidor sem renda. Nada parece deter esse rumo em direção ao grande apartheid global, onde uma minoria detém cada vez mais poder e riqueza e uma crescente maioria é excluída e jogada na indigência mais cruel de todos os tempos. Os miseráveis de hoje vivem ao lado da riqueza absoluta sem nenhuma chance ou proposta de reversão desse quadro. Os "Devemos ser livres para agir. Devemos agir para ser livres'

16 Quinzena N /02/97 16 Economia sete grandes já se reuniram várias vezes para tratar da miséria e do desemprego. Sempre terminaram sem apresentar qualquer proposta, porque são prisioneiros da lógica da exclusão e foram eleitos para defendê-la até o fim. Que país capitalista da Europa e da América do Norte tem alguma proposta que possa ser efetivamente levada a sério? Que proposta tem o Banco Mundial ou o FMI 9 Quem propõe uma reversão total no esquema da globalização? Não se trata de voltar ao local ou ao nacional, mas de empregar, incluir gente, fazer da economia uma ciência para o desenvolvimento de todos e não da minoria, também em escala global. Que lugar se dá às milhares de formas de geração de emprego e renda que passem pela microempresa, pela propriedade airal familiar e que não privilegiem os grandes conglomerados financeiros eindustnais que há muito desgovernam o mundo? A sociedade moderna ainda tem a chance de mudar o rumo desse Titanic, mas o tempo é curto. Essa obra é essencialmente politica e deveria acontecer antes que a bomba social seja detonada por todas as partes, destruindo o que ainda resta de humanidade entre nós. Cada novo desempregado, cada marginal, cada pessoa passando fome é um passo á frente a caminho do desastre irreversível. Com a natureza estamos destruindo a própria humanidade, não só por meio das armas nucleares ou convencionais, mas da arma social que tem na economia o seu arsenal maior Os economistas são os gaierais de nosso tempo. Não foi por acaso os dois terem se dado tão bem na ditadura militar. Enganam-se aqueles que criticam a Ação da Cidadania por lutar contra a fome, pelo emprego e democratização da terra como obra ingênua de um punhado de utópicos. Essas pessoas não são capazes de perceber o aimo do Titanic global e vão se afogar quando o tempo chegar. Herbert de Souza, 60. sociólogo, c diretor-geral do fha.se (instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) e arliculador nacional da Ação da Cidadania contra a. Miséria e pela Vida. Folha de São Paulo - 27/02/97 A esquerda em face da globalização TV Ta semana passada, realizou-se 1 V em Vitória o seminário "Globalização, Reforma do Estado e Cidadania ", organizado pelo governador do Espirito Santo, Vítor Buaiz, do Partido dos Trabalhadores. Buaiz conseguiu reunir grande parte das lideranças políticas da esquerda brasileira. Do PT, estiveram presentes, entre outros, Lula, José Dirceu, Cristovam Buarque, Eduardo Suplicy, Olivio Dutra, Esther Grossi, Telma de Souza, José Machado e Chico Vigilante. Outros partidos foram representados por políticos como Célio de Castro (PSB), Aldo Rebelo e Sérgio Miranda (PC do B), Roberto Freire (PPS) e Matheus Schmidt (PD T). Participei, como expositor, da mesa sobre "globalização", coordenada pelo professor Paul Singer, e pude constatar, mais uma vez, como é controvertida essa questão no âmbito das esquerdas. Uma longa e acalorada discussão, embora conduzida em clima de perfeita cordialidade, trouxe novamente a tona a existência de profundas divergências no que diz respeito a situação internacional e a questão nacional. Não pretendo, caro leitor, voltar a explicar neste artigo porque considero que a chamada globalização não é um fenômeno nem tão abrangente, nem tão Paulo Noçueira Balisla Jr. novo, nem tão irreversível quanto sugere a propaganda que infesta os meios de comunicação e a literatura não-especializada. Gostaria apenas de chamar atenção para um aspecto curioso desse debate, que passou quase desapercebido até agora. Por estranho que talvez possa parecer, há uma afinidade natural entre o pensamento de certos setores da esquerda e a ideologia da globalização. Embora estreitamente ligada ao "neoliberalismo", anátema para as esquerdas de todo o tipo, a ideologia da globalização tem características que facilitam a sua absorção e difusão por intelectuais ou políticos formados dentro da tradição marxista, que tanta influência teve sobre o pensamento das esquerdas. Evidentemente, essa observação não se aplica apenas aos que ainda se consideram de esquerda, mas também aos ex-marxistas que já fizeram a sua apostasia e aderiram proveitosamente ao establishment nacional e internacional Talvez não seja por acaso que Fernando Henrique Cardoso figure entre os que mais contribuíram para colocar a questão da globalização no centro do debate brasileiro nos anos recentes. Desde as suas origens no século 19, a ideologia marxista - ou pelo menos certas vertentes mais vulgares do marxismo - incluiu elementos que também estão bem representados na ideologia da globalização. Primeiro, o economicismo, ou seja, a idéia de que a história da humanidade é comandada, no essencial, por forças econômicas, em especial pela evolução das relações de produção e pelo progresso tecnológico. Segundo, o determinismo ou fatalismo, ou seja, a propensão a identificar inexorabilidodes e irreversibilidades no curso da história. Terceiro, o internacionalismo, em especial a idéia de que a evolução da história econômica tende a romper as fronteiras nacionais e a provocar a obsolescência do Estado nacional. Nessas semelhanças reside provavelmente parte da explicação para o paradoxal fascínio que o tema da globalização exerce sobre certas áreas da esquerda, no Brasil e em outros países. No seminário de Vitória, houve até quem defendesse posições internacionalistas extremadas, provavelmente aguçadas, no calor da discussão, por exageros polêmicos. 0 senador Roberto Freire, conhecido por sua acuidade e inteligência, chegou ao ponto de declarar que "o fim do Estado nacional está anunciado ". 0 governador Cristovam Buarque, um dos políticos mais criativos do pais, decla- 'Devemos ser livres para agir. Devemos agir para ser livres"

17 Quinzena N /02/97 17 Economia ma que "a esquerda ou fala para o mundo ou não é esquerda". E conclamou a esquerda brasileira a "apresentar propostas para a humanidade ". Não é difícil perceber o quanto esse tipo de discurso se distancia da realidade internacional. 0 mundo continua divióòáo em nações, que defendem em primeira instância os seus interesses. 0 Estado nacional só está em declínio em certas ivgiões da periferia subdesenvolvida, na maior parte da África e da América Latina, por exemplo. Nos países desenvolvidos, assim como nas regiões mais dinâmicas do mundo em desenvolvimento, o Estado nacional continua, no fitndamental, forte e prestigiado. Quanto a esqueirla brasileira, que mal consegue formular projetos para o Bra- sil, não é um pouco fantasioso pedirlhe cpie apresente propostas para resolver os problemas da humanidade? Cristovam Buarque alertou a esquerda para a necessidade de estar em sintonia com as aspirações da população e afirmou que o povo brasileiro quer a "globalização". isto é, deseja consumir produtos importados mais baratos e de melhor qualidade, ter antenas parabólicas em suas casas para assistir programas de TV do mundo inteiro etc. isso me fez lembrar de Gaulle. Certa vez, logo depois da guerra, o governo comandado por ele defrontava-se com uma ivivindicação econômica muito popular, porém inadequada e até perigosa. Na ocasião, de Gaulle declarou: "Nem sempre os inteivsses dos franceses coincidem com o interesse da França ". Eis ai uma frase lapidar, que bem merece a reflexão dos políticos brasileiros. Como lembmu Olhno Dutra, em conversa depois do debate, essa frase traz certamente a marca dolorosa de uma lembrança. Depois da invasão da França pela A lemanha, em 1940, a esmagadora maioria dos franceses ficou com Pétain e não com de Gaulle. Paulo Nogueira Batista Jr, 41. professor da Fundação (ietúlio / argas e pesquisador-visilante do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, escreve as quintas-feiras nesta coluna. Jornal da USP - 17 A 23/02/97 Poluição atmosférica e saúde: uma abordagem experimental /'aulít Ilitário Nascimento Saldiva * A contaminação do ar nos grandes centros urbanos vem merecendo a atenção da população como uma fonte de possíveis agravos à saúdepública. Este aspecto - poluição e saúde - muitas vezes é palco de discussões acaloradas entre diferentes segmentos da sociedade, subsidiados por argumentos emocionais que não deixam espaço para o conhecimento técnico. Neste momento, é importante que novos conhecimaitos sejam produzidos no sentido de fornecer informações sobre o aspecto patogenéticos da interação entre os poluentes e os diversos sistemas biológicos, bem como para gerar dados que possam auxiliar o estabelecimaito de políticas ambientais em bases racionais. Nas últimas décadas, o Brasil van apresaitando um cresamento explosivo de suas grandes regiões metropolitanas; a cidade de São Paulo é um exanplo eloqüente deste processo. No entanto, houve neste período um crescimento desproporcional da frota automotiva das grandes cidades, produto da instalação de um forte parque industrial de montadoras de veículos, bem como do estabelecimaito de uma política de transporte urbano que favorece o transporte individual. Como pode ser observado, a relação veículo/habitante salta de valores próximos a 5% nos anos 50 para aproximada- maite 40% na metade dos anos 90, refletindo o crescimaito desproporcional da frota automotiva em relação ao aumaito da população observada em São Paulo. Esta atuação foi acompanhada do deslocamaito do parque industrial da Capital para cidades vizinhas, como consequâicia do aumento do valor da ocupação do solo. Assim sendo, bairros tradicionalmente industriais, como, por exemplo, Brás, Lapa, Barra Funda, passaram a ter as suas indústrias substituídas por moradias e estabelecimentos comerciais e bancários, fazendo com que a cidade passasse a ser um pólo prestador de serviços, ao invés de bens. O aumaito da frota de veículos e da infra-estrutura de prestação de serviços - aliado ao fato de que São Paulo é um importante aitrocamento rodoviário das estradas que interligam o País - faz com que a poluição se relacione fundamaitalmente ás fontes móveis. Os nívas médios horários de óxidos de nitrogênio (NOx) no mês de julho de 1991, no laigo D.Pedro II, centro de São Paulo. Claramaite, os níveis de NOx, são coinddaites com os períodos de "pico" de tráfego, danonstrando que a movimaitação de uma grande massa de veiados énitidamatte capaz de interferir na qualidade do ar. A transferência de um estado de poluição por fontes estacionárias (industriais) para uma situação de poluição por fontes móveis aumenta de forma extraordinária a complexidade do controle de poluição nas grandes cidades, dado que qualquer medida tomada no sentido de melhorar a qualidade do ar passa pela adoção de procedimentos que visam restringir o uso de transporte individual e propiciar transporte público eficiente para milhões de pessoas. Os custos e o impacto que as medidas acima inplicam demandam uma avaliação cuidadosa dos efeitos da poluição sobre a saúde, uma vez que os aspectos de sua preservação são os argumentos primeiramaite esgrimídos quando da discussão das políticas ambientais urbanas. Neste momaito, é pertinaite que sejam apresaitadas as evidências disponíveis dos prováveis efeitos da poluição de São Paulo sobre a saúde. Nestes resultados serão discutidos os efeitos crônicos e agudos conseqüentes das variações agudas da poluição. Esta sequàicia não obedece a nenhuma lógica an especial, mas simplesmente traduz a ordem em que estes resultados foram gerados em nosso laboratóno. A deterioração dos efeitos da exposição crônica a concentrações urbanas de "Devemos ser livres para agir. Devemos agir para ser livres"

18 Quinzena N /02/97 18 Economia poluentes é um dos aspectos mais críticos em saúde ambiental. As dificuldades nestes estudos são principalmente representadas pda presença de uma série de co-variáveis de difícil controle em estudos epidemiológicos convencionais, tais como exposição ao fumo (passivo ou ativo), a ambientes de trabalho adversos e mesmo fatores dependentes da diversidade populacional de uma região, que modulam a probabilidade de contração de doenças respiratórias de natureza infecciosa. No sentido de se contornar as incertezas provocadas pelas variáveis acima citadas, o Labortório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da USP iniciou uma série de experimentos "hibridos". Nesses experimentos, ratos e camundongos eram expostos por períodos prolongados - três meses a um ano - à atmosfera do centro de São Paulo e comparados com animaiscontroles mantidos simultaneamente e por igual período na zona rural de Atibaía (possui condições climáticas similares à São Paulo). Este tipo de abordagem foi aplicada em diferentes experimentos, que podem ser resumidos da seguinte forma: a) a exposição crônica de animais 'a atmosfera do centro de São Paulo produz alterações inflamatórias difusas do tecido respiratório, que se estendem das vias aéreas superiores até os alvéolos pulmonares; b) em conseqüência do processo ínflamatório, ocorre uma redução de velocidade de transporte mucociliar. Este fato indica que a poluição atmosférica pode promover um aumento da suscetíbilídade para a contração de doenças expostas; c) ratos expostos à poluição de São Paulo desenvolvem hiperreativídade brônquica, a qual é revertida quando da remoção dos animais expostos para um local desprovido de poluição; d) camundongos injetados com um carcinógeno (n-nitroso-metil-uretano) apresentam maior taxa de transformação neolplásica do que seus controles mantidos em local "limpo". O efeito promotor neoplásíco da poluição mostrou ser reprodutivo e dose-dependente. Esse conjunto de resultados sugere que a exposição crônica à poluição atosférica é capaz de promover alterações respiratórias adversas em animais. No entanto, a transposição direta desses resultados à população humana é problemática e merece cuidados. Outra evidência de efeito crônico da poluição sobre a saúde humana foi obtido em trabalho recente de Laboratório de Poluição Atmosférica. Neste trabalho, foram estudados por métodos morfométricos 84 pulmões humanos, obtidos durante necropsia por morte violenta, em Guarulhos, na Grande São Paulo, onde os níveis médios de material particulado (PMio) estão sempre altos Como controle, foram estudados casos provenientes de pequenas cidades do interior de São Paulo. O trabalho sugeriu que a exposição à poluição urbana pode produzir alterações inflamatórias nos pulmões. O Laboratório iniciou, no começo dos anos 90, uma série de pesquisas para estudar os efeitos agudos da poluição sobre a saúde. Para este fim, foram aprendidas técnicas estatísticas de séries temporais, que são particularmente eficientes para a detecção de efeitos agudos da poluição. Através desta abordagem, é possível estudar a variação do número de ocorrências de um evento - mortes ou internações hospitalares - ao longo do tempo, como uma função de termos controladores para variações sazonais de diferentes freqüências (estações do ano, meses ou dias da semana), indicadores de temperatura e umidade relativa do ar, ou outros fatores, como os níveis de poluição. Neste contexto, a mortalidade de São Paulo é avaliada, comparando-se a cidade com ela mesma ao longo de um período de tempo, curto o suficiente para que os hábitos e condições socioeconômicas da população não variem de forma significativa. Assim saído, é muito pouco plausível que certas variáveis influencíadoras de doenças respiratórias - o tabagismo, por exemplo - exibam colinearidade com a poluição atmosférica. Ou seja, é pouco provável que as pessoas de uma população fumem mais quando a poluição aumenta, ou que exista uma sincronia entre poluição atmosférica e deficiência do sistema de saúde pública. Através deste tipo de procedimento, foram observados efeitos significativos entre poluição atmosférica e mortalída de infantil e de idosos em São Paulo, quando se leva em conta a média das estações de monitoramento de poluentes da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental de São Paulo (Cetesb). Este efeito parece ser dominado pelas doenças respiratórias e apresenta uma curta latência entre aumento da poluição e efeito na mortalidade. Outro aspecto muito importante é o fato da associação entre poluição e mortalidade não exibir um nível de segurança para os poluentes. Uma das criticas que se pode fazer aos estudos que verificam a relação poluição e saúde é a que, como o tempo decorrido entre vanação de poluição e aumento de mortalidade é muito curto, existe a possibilidade de que o efeito da poluição represente apenas uma "colheita" dos indivíduos suscetíveis. De acordo com a hipótese da "colheita", a poluição apenas antecipana em poucos dias êxitos letais de indivíduos com saúde extremamente precária, já comprometidos definitivamente com a morte. Em nossos dados, não tivemos nenhuma evidência do efeito "colheita", que normalmente se traduz por uma ação redutora da mortalidade que se observa após os picos de poluição. No entanto,, abordamos o problema da "colheita" usando uma base de dados menos sujeita a este tipo de influência - dados de morbidade. Os resultados dos nossos estudos não são únicos, sendo coerentes com aqueles obtidos por diferentes grupos de pesquisa, e parecem indicar que, ao contrário da idéia que se possuía até a metade dos anos 80, a poluição atmosfénca urbana é um fator de agravo à saúde pública, seja medida em termos crônicos ou agudos. Outro conceito implícito aos resultados acima expressos é de que os padrões de qualidade do ar são eficientes para preservar a saúde da média da população, mas não impedem efeitos adversos sobre os grupos mais suscetíveis da sociedade. O conjunto de experimentos animais e estudos epidemiológicos realizados por nosso grupo de pesquisa parece apontar para um efeito adverso significativo da poluição atmosférica sobre a saúde, especialmente sobre os sistema respiratório. O nosso grupo apoia qualquer medida que vise diminuir os níveis de poluição por veículos automotores em São Paulo D * é professor do Departamento de Patologia e chefe do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da USP 'Devemos ser livres para agir. Devemos agir para ser livres"

19 Quinzena N /02/97 19 Nacional Curtas ACM e Temer, de encomenda Depois da reeleição, FHC impôs os novos presidentes da Câmara e Senado, Michel Temer (PMDB) e Antônio Carlos Magalhães (PFL). E mais uma interferâicia do Executivo, que tem dois homens de confiança dirigindo o Legislativo, como garantia de que os parlamentares vão aprovar tudo aquilo que a Presidência quiser. Segundo pesquisa do Diap (Departamento Intersmdical de Assessoria Parlamentar), 77,5% dos projetos aprovados pelo Congresso nos dois primeiros anos de governo FHC foram de autoria do Executivo! Enquanto isso, Fernando Henrique vetou 97 projetos elaborados no Legislativo. O relatório do Diap assinala "o grau de subordinação do atual Congresso, que praticamente só permitiu a votação de matérias sobre as quais havia concordância prévia como o Executivo". Com ACM e Temer, a subordinação tende a ir mais longe ainda com o objetivo básico de aplicar a política de ajuste, contra os trabalhadores e o povo. Projeto - O deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) apresentou, no último dia 19, projeto de lei retirando o beneficio dos juros compaisatórios de terras desapropriadas para a reforma agrária. O projeto, ao extinguir um benefício do qual os proprietários improdutivos não deveriam ter direito, viabiliza, do ponto de vista econômico, inúmeros processos de desapropriação, ao desonerar dos juros compensatórios, tomando mais justo o processo de desapropriação de imóveis rurais. r Eele. Já tem gente do PFL, nos bastidores, torcendo pelo impeachment de Celso Pitta. É que, em caso de impedimento do prefeito de São Paulo, quem assume é o vice, o pefelista Régis de Oliveira. Mas o difícil é a proposta ser aprovada por 2/3 da Câmara, já que Pitta tem o apoio de 35 dos 55 vereadores. PT Notícias à 02/03/ N" 36 Aos militantes do PT Desde 31 de dezembro, a militância petista - e toda a opinião pública - vem acompanhando pela imprensa a questão dos assessores de parlamentares a serviço do nosso partido. A polêmica surgiu com a denúncia de que o Secretário Geral do nosso partido. Cândido Vaccarezza, estava comissionado no gabinete da Presidência da Câmara Municipal. 0 PT tem marcado a política brasileira, nos últimos 16 anos, por sua posição de princípio contrário a toda e qualquer forma de privatização da esfera pública. Esta postura contraria fortemente os interesses e as práticas da elite brasileira, cuja relação com o Estado tem, historicamente, um inequívoco caráter predatório. A pecha de "funcionário fantasma", tantas vezes estampada nos jornais, contra o companheiro Cândido Vaccarezza, o companheiro Paulo Vanucchi e a companheira Muna Zein, não passa de acusação grosseira cujo alvo, em última instância, é o PT. Alguns dos nossos adversários agem como quem percebe que a revelação da "degradação do PT" funciona, para eles, como a prova cabal de que a corrupção "faz parte do ser humano", é inevitável e, sendo assim, estariam todos absolvidos. Ora, muito ao contrário. Não só Vaccarezza, como outros citados pela imprensa, vêm prestando serviços relevantes A causa pública como dirigentes do partido ou como assessores, na estrutura partidária e/ou em nossas bancadas parlamentares. Questão doutrinária Fosse o partido instituição meramente privada, não constaria da lei a exigência de filiação partidária para todo e qualquer cidadão ou cidadã que pretenda ascender a cargo público de representação no Executivo ou no Legislativo. Desde sua fundação o PT estabeleceu, através de resoluções públicas e registradas no TSE, no seu Regimento Interno e em suas cartas eleitorais, uma concepção doutrinária muito clara a este respeito. Para o PT, os mandatos pertencem ao partido, no que, como vimos, está perfeitamaite de acordo com a doutrina constitucional brasileira. Entre outros motivos para isso, destaco a condição sine qua non para a consolidação danocrática no Brasil. Com base neste fundamento doutrinário, o PT fez constar no seu Regimento Interno, artigo 96, o seguinte: "os candidatos, considerando o caráter partidário do seu mandato desde já reconhecem ao PT o direito que tem o partido de tomar todas as medidas necessárias para manter esse mandato contra eventuais decisões dos eleitos de, fraudando a vontade eleitoral, não permanecerem no Partido". Dada a importância desse caráter partidário do mandato todo o capítulo Vin do Regimento Interno foi dedicado a esta questão. A Carta Eleitoral de 1996 estabelece que nossos parlamentares deverão ceder, para a infra-estrutura coletiva e de outros organismos do Partido, os serviços de parcela de assessores e funcionários de sua livre contratação. Diz ainda que a liderança da bancada e a comissão executiva do respectivo nível, conjuntamente, devem decidir sobre número e qualificações destes serviços. No artigo 103 do Regimento Interno e na Carta Eleitoral está definido que "os meios materiais à disposição do parlamentar deverão ter - respeitada a legislação e as normas vigentes nas instituições em que se encontram - sua utilização aberta ao partido". Sem hipocrisia, de forma pública e aberta, o PT assumiu e assume que os mandatos e as bancadas são do Partido, respeitada sua autonomia e especificidade. E, da mesma fonna que os gabinetes parlamentares trabalham para o partido, os funcionários, assessores e dingentes do Partido trabalham para as bancadas. Como é possível imaginar as bancadas e os mandatos separados, estanques do partido e vice-versa? Por que não podem os funcionários de livre contratação dos parlamentares e da bancada trabalhar no Partido na elaboração de nossa política institucional, políticas publicas, nos movimentos sociais, na organização dos diretórios? 0 trabalho parlamentar para o PT inclui a construção do Partido, de suas políticas e organizações, e, sobretudo, o apoio à luta social. Não preciso lembrar que esta é a regra em todo o mundo, haja visto o funci- "Devemos ser livres para agir. Devemos agir para ser livres"

20 Quinzena N /02/97 20 Nacional onamento das estruturas e direções dos partidos nos parlamentos de vários países. Inclusive no Brasil, no caso do PMDB, PFL, PSDB dentre outros partidos. A Folha de S.Paulo de 24/01, aliás, mostra que até mesmo as fundações do PSDB e do PFL funcionam assim. 0 Instituto Tancredo Neves (PFL) ocupa duas salas no 26 andar do Senado Federal, e o Instituto Teotônio Vilela (PSDB), outras duas salas do mesmo prédio. Quanto a nós, não funcionamos no Parlamento. Temos sedes e estruturas próprias, por razões de concepção partidária. A diferença é que, na maioria dos partidos brasileiros, é o deputado ou senador que organiza o diretório, a filiação, as reuniões, os programas, as campanhas, diretamente a partir do seu gabinete. 0 PT não. Nós temos estrutura autônoma em relação ao Parlamento e à máquina estatal. No entanto, pelo que se pode deduzir do silêncio dos nossos adversários, a prática dos outros partidos não merece qualquer reparo. No caso do PT, não. É tudo "ilegal", "imoral", são "fantasmas" que "merecem" a execração pública, como ocorreu com Cândido Vaccarezza! Sob a capa de defesa da moralidade, não há nessa diferença de tratamento a presença indisfarçada do velho ranço antidemocrático da elite brasileira? 0 PT não merece, não aceita e lutará para esclarecer a sociedade brasileira que não pactua com o clientelismo, com privilégios. Não que sejamos um partido de puros e incorruptíveis. A prova são os inúmeros casos de filiados punidos devido a práticas que o partido julgou irregulares. E aí está outra diferença: o PT, quando recebe indicações concretas a respeito desse tipo de prática, aciona suas comissões de ética, julga e, se for o caso, aplica o Estatuto partidário. 0 mesmo Regimento Interno e a mesma Carta Eleitoral acima citados estabelecem, por exemplo, proibição explicita para que nossos parlamentares recebam vantagens institucionais e legais como aposaitadoria de parlamentar através da chamada carteira de Previdência, subvenções sociais, a chamada verba pessoal e as bolsas de estudo. Mais que isso. Determinam que o parlamentar do PT tem obrigação de lutar contra tudo isso. Aliás, a sociedade tem conhecimento da luta vitoriosa do PT de São Paulo, Rio Grande do Sul e tantos Estados que puseram fim a esses privilégios. Também foi o PT que lutou e tomou transparentes os salários dos pariamentares epôs fim ao privilégio de isenção do Imposto de Renda para os mesmos, conforme estabelece nossa Carta Eleitoral e nosso Regimento Interno, em seu artigo 101. E público, e dispensa provas, que o PT proíbe expressamente que nos governos exercidos por Petistas se pratique a barganha do voto de vereador ou deputado, se compre voto de parlamentar, se troque apoio no Parlamento por cargos no Executivo. 0 PT tem lutado contra o clientelismo e o empreguismo, é norma em nossas administrações o concurso público e o fim do apadrinhamento e do nepotismo. Pessoalmente, sinto-me atingido com os ataques ao PT, já que junto com todos os Petistas lutamos e lutaremos sempre contra a corrupção e os privilégios. A história do Brasil registra nossa luta contra a corrupção em defesa da moralidade, tanto no impeachment de Collor como na CPI do Orçamento. Toda a legislação corretiva e moralizadora que resultou daquelas lutas contou com nossa participação, a exemplo da Lei de Licitações, da lei do colarinho branco, das mudanças na lei eleitoral e partidária. Reafirmo minha confiança no companheiro Cândido Vaccarezza, como pessoa, como profissional competente e militante dedicado. Por isto mesmo, refuto a campanha de execração pública orquestrada contra ele e o PT. Em respeito a nossos filiados e eleitores e á sociedade, quero esclarecer que, logo após tomar conhecimento da situação do companheiro Vaccarezza, solicitei-lhe que se afastasse do gabinete da Presidência da Câmara. Imediatamente, Vaccarezza transferiu-se para o gabinete do vereador Arselino Tatto, o que ocorreu no dia 19 de dezembro último. No dia 7 de janeiro, Vaccarezza entrou com pedido de afastamento da prefeitura, sem remuneração, pedido que foi deferido em 13 de janeiro. No dia 23 de dezembro, ao receber carta de seis vereadores do PT na Câmara Municipal de São Paulo, solicitei que Cândido Vaccarezza e o vereador José Mentor oferecessem todos os seus escla- recimentos à Comissão Executiva Nacional, o que foi feito na reunião de 20 de janeiro. Prontamente dei conhecimento destas providências ao chefe de gabinete da liderança petista na Câmara Municipal, para serem transmitidas á bancada. No dia 20 de janeiro, o companheiro Cândido Vaccarezza apresentou à Comissão Executiva Nacional pedido de licenciamento temporário da Secretaria Geral, para fazer sua defesa política no PT e na sociedade. O pedido foi aceito. Tema para reflexão 0 companheiro Cândido Vaccarezza pagou um preço muito superior ao erro cometido. Ele próprio reconheceu, em nota divulgada dia 14 de janeiro, que o comissionamento foi feito a seu pedido e do vereador José Mentor. No documento, ele assume pessoalmente a responsabilidade de "ter subestimado a previsível exploração política que propiciaria a circunstância de ser, simultaneamente. Secretário Geral do PT e comissionado na presidência da Câmara Municipal", ocupada por um vereador do PPB, Brasil Vitta. E acrescenta: "agrava o fato de, em nenhum momento, haver informado á Executiva Nacional acerca de minha condição". 0 fato, de qualquer forma, trouxe à baila uma questão relevante para o PT: deve um funcionário de livre nomeação de parlamentar petista trabalhar em atividades partidárias? 0 PT sempre se conduziu nesta questão com a presunção da legalidade e moralidade de seus atos. Nunca se eximiu de prestar esclarecimentos ou de colaborar com o Ministério Público, com as autoridades policiais e com as comissões de sindicância das instituições parlamentares. Não teme investigações porque sempre agiu com transparência, de publico e de boa fé. E evidente que a continuidade desta política estará sujeita ás decisão da justiça e dos encontros do PT. A Comissão Executiva Nacional, em comum acordo com todos os diretórios do partido, fará um acompanhamento sobre a situação de todos os funcionários de livre contratação dos nossos parlamentares, com o objetivo de diagnosticar a real situação da nossa estrutura partidária em nível nacional. Com esta medida, queremos evitar que qualquer irregularidade ou desvio nas decisões "Devemos ser livres para agir. Devemos agir para ser livres"

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