Ensino Fundamental de nove anos Extensão do período de permanência na escola antecipa inclusão de crianças aos 6 anos de idade

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1 SINPRO - Sindicato dos Professores do ABC Ensino Fundamental de nove anos Extensão do período de permanência na escola antecipa inclusão de crianças aos 6 anos de idade dezembro/2006 edição no 05 Grade curricular Ensino de espanhol obrigatório nas escolas brasileiras Lula reeleito Júlio Turra fala das pespectivas para o 2º mandato 1

2 Diga SIM pro SINPRO ABC SINDICALIZE-SE Ao longo dos anos O SINPRO ABC obteve várias conquistas em prol da categoria, basta dizer que antes da fundação do Sindicato não existia pagamento de janelas, garantia semestral de salários, hora-atividade, pagamento de férias adiantadas e o abono de 1/3, entre outros. Hoje, lutamos para que esses direitos sejam cumpridos pelas escolas, mantidos e ampliados nas próximas convenções coletivas. As categorias profissionais mais organizadas formam sindicatos mais fortes, e conquistam melhores condições de trabalho e salários. Categoria unida é direito garantido! 2

3 SINPRO - Sindicato dos Professores do ABC dezembro/2006 edição n o 05 ENTREVISTA 5 INTERNACIONAL 12 Crise mexicana Eleições fraudulentas impedem democracia no país SINDICAL 14 Direitos em segundo plano Processo de terceirização avança no Brasil ESPECIAL 16 Desigualdade Racial Mais de um século depois da abolição da escravatura a sociedade brasileira ainda ignora direitos iguais Entrevista com Wellington Lopes Goes e Camila Cistina da Silva Educação Básica Ensino fundamental de nove anos estende o período de permanência na escola e antecipa a entrada de crianças a partir dos seis anos de idade EDUCAÇÃO Espanhol obrigatório nas escolas do Brasil Mas aos alunos cabe o direito de escolha, diz nova lei ARTIGO 26 Ensino Integral nas escolas Por Maria Silvia Betti CULTURA 22 Grande Sertão: veredas completa 50 anos NACIONAL 24 Lula reeleito, e agora? Por Julio Turra Alguns apontamentos sobre cotas Por Weber Lopes Góes AULA DE PORTUGUÊS 29 Aprender português é divertido Por Sergio Simka 3

4 editorial Muitos movimentos, encerramento de ciclos sociais e políticos.. E a educação? Há perguntas que não calam... E nosso cenário político gera situações tão ambíguas que, algumas vezes, nos surpreendemos pensando o futuro, como se o presente fosse imutável, ou imexível, para usar o neologismo político. Reeleito o presidente, a esquerda deverá reavaliar sua atuação, a direita, idem. As campanhas serão esquecidas até as próximas eleições, acordos serão firmados em nome da governabilidade, o PT sai com o ônus total da corrupção. Não podemos esquecer, porém, que ela não é invenção petista. Que não foram os governos de esquerda que inventaram a corrupção. A direita beneficia-se dela há muito... muito tempo. Mas essa é uma outra história! A Revista do Professor centra-se na discussão das políticas educacionais, temática polêmica, e que ocupou grande espaço na mídia durante as campanhas eleitorais deste último pleito. O Ensino Fundamental de nove anos, a obrigatoriedade do ensino de espanhol, a implementação de Piso Salarial Nacional, o ensino integral, as cotas nas universidades, o guarani que ganhou status de língua oficial dos países integrantes do Mercosul. Apresentamos, ainda, uma contribuição sobre as quotas nas universidades, anexada à discussão política das ações afirmativas, assunto pautado na entrevista sobre a desigualdade racial. Aprofundamos, nesta edição, a discussão, não menos polêmica, sobre terceirização. E, trazemos a contribuição de análises conjunturais, nacional e internacional, que, certamente, irão subsidiar nossas intervenções. O tempero que faltava, fica por conta dos 50 anos de Grande Sertão: veredas, e da página aula de português, assinada pelo professor Sérgio Simka. Muitas novidades... Muitos ciclos encerrados... E, as transformações sociais? Já assistimos a muitas alterações estruturais nos processos educacionais, que apontavam para a melhoria na qualidade do ensino, a formação voltada à cidadania, à criticidade, enfim, todas as alterações pressupunham uma transformação social, que, infelizmente, ainda não presenciamos. É necessário que a sociedade se mobilize para que a educação, saia das plataformas eleitorais, e integre um projeto político, sério, que gere as transformações desejadas, que envolva toda a sociedade numa luta, que independe de partidos políticos, de ideologias ou de projetos pessoais, uma vez que a educação encampa todos os movimentos, todos o setores e classes sociais, pois somente através dela é que se construirá, verdadeiramente, uma sociedade igualitária. Somente ela aglutina todas as demandas e lutas sociais, comporta todas as discussões. E, essa luta depende de nossa mobilização, de nossa conscientização de que as soluções para muitas mazelas sociais virão através do fortalecimento da educação pública e de sua qualidade. Esse deve ser nosso pleito. Não pode abandonar nossas reivindicações, deve ser a tônica de nossas ações, porque sabemos que todos os governos se movem pela pressão que a sociedade é capaz de imprimir. Educação pública e de qualidade é nossa prioridade, pois garantirá a implementação de um projeto social mais justo, e, portanto, deve integrar as pautas de reivindicatória dos sindicatos, das centrais de trabalhadores, dos movimentos sociais, de todos os trabalhadores, de estudantes, enfim, essa luta somente será vencida se cada um dos brasileiros fizer a sua parte! O Sinpro-ABC congratula-se com todos os professores desejando-lhes boas festas. Boa leitura, boas férias, e até breve. expediente Revista do Professor - Ano I - Número5 - Nov/Dez SINPRO ABC - Sindicato dos Professores do ABC - Gestão 2004/2007 Diretoria executiva: Aloisio Alves da Silva, Célia Regina Ferrari; Denise Filomena L. Marques, José Carlos Oliveira Costa, José Jorge Maggio, Paulo Cardoso de Souza, Paulo Ostroski e Paulo Roberto Yamaçake; Presidente: Aloisio Alves da Silva; Diretora de Imprensa: Denise Filomena L. Marques -Edição e reportagem: Josane Beckman - Mtb Projeto Grágico: Imprensa SINPRO ABC Capa: Israel Barbosa Tiragem: exemplares ISSN SINPRO ABC - Rua Pirituba, 61 - Bairro Casa Branca - Santo André - CEP São Paulo 4

5 entrevista Desigualdade Racial Mais de um século depois da abolição da escravatura a sociedade brasileira ainda ignora direitos iguais Fotos: Israel Barbosa...em pleno século XXI, quando se discute direitos humanos e que todos são iguais, nós precisamos de uma lei específica, dentro dessa conjuntura, para afirmar a desigualdade que existe no Brasil. Wellington Revista do Professor Wellington - SINPRO Lopes Sindicato Goes, dos Professores 23 anos, do ABC integrante do Movimento Força Ativa Camila Cristina da Silva, 21 anos, estudante da Faculdade de 5Letras

6 No dia 20 de novembro fez exatos 35 anos que se comemora o Dia da Consciência Negra. Uma data de grande significado no calendário histórico nacional: a memória de Zumbi dos Palmares dentre tantos heróis que escreveram, com a própria vida, a história do povo brasileiro, na luta por ideais grandiosos como igualdade e justiça social. Nesta edição, para promover o debate a Revista do Professor entrevistou dois jovens. Camila Cristina da Silva, 21 anos, estudante da Faculdade de Letras e Wellington Lopes Goes, 23 anos, integrante do Movimento Força Ativa na Cidade Tiradentes, da Zona Leste de São Paulo. Aqui eles falam de preconceito, desigualdades e políticas afirmativas. Revista do Professor No dia 20 de novembro foi comemorado o dia da Consciência Negra, uma data importante para os negros do Brasil. Você considera que essa parcela da população pode comemorar? Wellington Eu acho que nesses últimos 500 e poucos anos de história do Brasil, a nossa população teve mais derrotas do que vitórias. Mas teve algumas conquistas. O 20 de novembro nós vemos como um dia de luta, um dia em que temos como referência a morte de Zumbi dos Palmares. É um dia que deve ser lembrado como um acúmulo de lutas no Brasil, uma série de resistências e rebeldia. Quem colocou como comemoração foi a mídia. Quando você ligava a televisão, qualquer jornal falava que o dia 20 de novembro estava sendo comemorado dentro da cidade, só que não mostraram as manifestações, as lutas que houve. O movimento não vê a data como um dia de festa, de comemoração, mas sim como um dia de resistência que não deve restringir-se ao dia 20 de novembro, a luta é contínua durante todo ano. Para mim não há o que comemorar, embora seja importante o feriado, porque se a gente pegar o calendário do Brasil, tem várias datas que lembram os brancos, os bandeirantes, os assassinos, D. Pedro e uma série de heróis europeus que oprimiram aqui no Brasil. Para mim ainda não tem o que comemorar, não. Dificilmente a criança, o adolescente vai querer se identificar como preta, porque estão falando para ela que ser preto é ruim, é feio, é ter o cabelo duro, a pele escura. Revista do Professor E qual seria então a importância do feriado do dia 20 de novembro? Camila Eu acredito que seja importante justamente devido a isso que o Wellington falou. Dado ao histórico do Brasil, 6 tudo que se relaciona à população negra sempre foi esquecido e a data serve para lembrar que a população negra é inferiorizada, é esquecida nas periferias, não é só mais um feriado para passear ou para comemorar. É para lembrar que existem pretos oprimidos no Brasil. Revista do Professor O feriado foi decretado em apenas algumas cidades brasileiras. Você acredita que a data possa se tornar um feriado nacional? Wellington É possível sim um feriado nacional. Até porque se já conseguimos em São Paulo que é a maior cidade do Brasil, acho que pode ser um feriado nacional. Embora aqui, a declarada direita, queira tirar o feriado do calendário e já tem projetos para isso. Mas independente de ser nacional ou municipal, o que importa é o que está por trás dessa data, que é a luta, a memória da população preta aqui no Brasil. Revista do Professor Vocês se referem à população negra como pretos. A maioria chama de negros, outros dizem que o politicamente correto é o termo afro-descendente. Qual é o correto? Wellington Não há forma correta. Mas o que é o negro no dicionário? O que foi o termo negro nas fases ruins na Europa como a peste negra? Na África, antes da invasão dos brancos nem existia esse termo negro. Nos Estados Unidos eles falam black que é preto. Então tem uma diferença, o negro tem uma conotação ruim, pejorativa. E aqui no Brasil é usado com freqüência. Com o movimento hip hop, que é um movimento juvenil, o pessoal influenciado pelo hip hop dos EUA começou a usar o termo preto e não negro, porque aí o preto tem outra forma. A gente se assume como preto e não como negro. Não existe o correto. Revista do Professor Estima-se que metade da população do Brasil seja parda ou preta. Mas segundo o IBGE, a população negra corresponde a menos de 10% dos brasileiros já que o critério de contagem é a autodeclaração. Existe um preconceito dessa parcela da população em assumir sua identidade? Wellington Primeiro, existe controvérsias, vários números. Recentemente passou no jornal que mais da metade da população é preta, se não me engano, são 80 milhões. Não me lembro de onde veio essa fonte. Mas independente dos números a gente sabe que a população preta é maioria no Brasil, isso é visível em qualquer cidade onde você for. Mas por que não se declaram pretas? Se pegarmos a história do Brasil, foi feito todo um processo para a população preta negar sua própria identidade. Se você liga a televisão só vê brancos. Nas universidades tem 1,5% de pretos. Enquanto na periferia tem um número muito grande de pretos. Nas escolas você não tem referências, a professora não trabalha a questão racial na sala de aula, nem em casa com a família. O padrão de beleza é o cabelo liso, a pele clara. Então essas pessoas vão perdendo sua auto-estima, vão perdendo o que elas têm de afro. Dificilmente a criança, o adolescente vai querer se identificar como preta, porque estão falando para ela que ser preto é ruim, é feio, é ter o cabelo duro, a pele escura. Então as pessoas vão tentar sempre negar a sua identidade, por mais que sofra preconceito, já que a realidade diz para ela que ela é preta. Eu não diria que é um preconceito dela, mas ela projeta para si essa ideologia e fica difícil romper com

7 esse pensamento. Camila É isso que ele disse. Tem toda uma estrutura montada para que nós nos declaremos como brasileiros, a Constituição enfatiza que somos todos iguais, mas no cotidiano não somos tratados como iguais. Então todo o processo de implementação do capitalismo no Brasil teve como condição tornar o preto inferior. Tido como inferior e que ele criasse uma identidade nacional como uma das condições do capitalismo, mas dentro disso, na realidade, o que estava acontecendo é que os pretos estavam sendo empurrados para a periferia. Então tudo de ruim era denotação do africano. Revista do Professor O Estatuto da Igualdade Racial está em trâmite no Congresso. Qual o lado positivo e negativo da implementação desse projeto, já que algumas pessoas acham que o texto lesa a igualdade entre os brasileiros? Wellington O lado negativo é que a gente em pleno século XXI, quando se discutem direitos humanos e que todos são iguais, nós precisamos de uma lei específica, dentro dessa conjuntura, para afirmar a desigualdade que existe no Brasil. Acho que o mundo já criou forças produtivas suficientes para todos viverem na igualdade social. E o que a gente vê é o contrário. Quanto mais a gente avança, se tem mais retrocesso. E no Brasil isso é visível. A gente precisa de uma lei, embora a Constituição esteja lá dizendo que todos são iguais. O Estatuto tem uma importância porque traz algumas leis, traz alguns pontos que vão tratar da questão da terra, da educação, da saúde da população preta que é diferenciada e outros vários aspectos que são importantes. O ponto positivo é o próprio Estatuto, só que hoje há um debate muito duro no poder legislativo. Tem gente que é contra, que acha que não é necessário. E nós, que somos do movimento, achamos que o Estatuto é importante, mas não vai resolver os problemas. É importante que ele tenha fundos para abrigar os artigos, porque não adianta aprovar uma lei e não ter recursos para implementar essa lei. Também nem sabemos se vai passar no Senado porque a maioria dos senadores é contra ou já está propondo modificações no próprio Estatuto. Igual acontece com o Estatuto da criança e do adolescente, que foi aprovado só que uma parte da sociedade está contra e quer propor modificações também. A maioria no governo é branca, a maioria tem propriedade privada, tem terras, tem suas universidades particulares. Então eles detêm a maior parte do poder e não querem ceder nada. Revista do Professor Um dos pontos do Estatuto estabelece que filmes e programas de televisão tenham 25% de seus atores pretos. Qual o peso dos meios de comunicação na questão racial? Camila Acho que se nós pensarmos na mídia hoje, ela exerce um grande poder na opinião da população, inclusive em relação à questão racial. Se pegarmos o histórico dos programas de televisão, das novelas que são assistidas pela maioria da população da periferia do Brasil, verificamos que é como se os pretos não fizessem parte da história do Brasil. Porque muitas novelas retratam o que eles chamam de realidade brasileira, mas eles nunca estão como participantes dessa história que os brancos retratam nas novelas, que está longe de ser a realidade. A questão é pensar na inclusão dos pretos na televisão, na mídia, mas não para colocá-los lá com uma visão pejorativa como tem ocorrido durante todo esse tempo. Porque geralmente quando fazem algum papel nas novelas é como empregados ou como escravos nas novelas de época. Acho que temos que mudar esse quadro, porque é importante para a construção da identidade da população negra. Já que estamos falando aqui que a maioria da população do Brasil é preta e ela não se autodeclara é justamente porque ela não se vê tanto na televisão, como em outros meios de comunicação. A importância da luta é dos pretos conquistarem vários espaços dentro da sociedade brasileira, não só estar na televisão por estar, mas estar enquanto população oprimida. Wellington Acho que nós não temos nada para compartilhar dessa mídia que está aí. Eu vejo que é muito complicada essa entrada para a mídia. Por quê? Quem controla a mídia? Sabemos que são grupos de empresários. Por mais que seja uma concessão pública, dá lucro, dá dinheiro. Então são grupos de empresários que a todo momento expressam as idéias da classe dominante na televisão, não falam de lutas, de resistência. E quando se coloca algum preto em algum programa, ou novela, é só exercendo papéis submissos, estão sempre sendo mandados, controlados, não são protagonistas. Essa é uma discussão que tem que ser mais aprofundada. Acho que temos forças suficientes para ter meios de comunicação alternativos. Como acontece com algumas instituições nos EUA que têm sua própria rádio comunitária e televisão. Acho que é difícil você querer entrar para a Globo, para a Record, é um espaço que não está em disputa, mas já tem dono, já está definido. A concessão pública que o país dá para a TV e rádio deveria ser pública de fato. Mas o que a gente vê é o espaço privado tomando conta do público. O lance da gente criar outras alternativas é que podemos ter autonomia de produzir um programa com a nossa cara. Não basta só ter uma TV, ter uma rádio, mas qual o objetivo que você quer atingir. É somente entretenimento? Qual tipo de entretenimento? A questão é como criar meios alternativos de mídia que não reproduzam um padrão de sociedade. A sociedade que temos aí é desigual, com desigualdades sociais, raciais e de gênero. Revista do Professor É possível que um dia esse Estatuto da Igualdade Racial não seja mais necessário? Wellington Enquanto a gente viver no capitalismo, enquanto tiver classes sociais distintas, enquanto tiver gente que é dono e outras que não são, gente que precisa do trabalho para sobreviver, gente que precisa trabalhar para que o outro tenha lucro em Tem toda uma estrutura montada para que nós nos declaremos como brasileiros, a Constituição enfatiza que somos todos iguais, mas no cotidiano não somos tratados como iguais. 7

8 cima dela. Enquanto existir essa falsa democracia que a gente vive, a via que temos é a lei. É tentar instituir algumas leis que não vão resolver os problemas, não vão minimizar. Mas é uma lei que vai estar lá e podemos lutar pela implementação dela. Enquanto existir esse mundo em que vivemos, vai ter Estatuto da Igualdade Racial, da criança, da Juventude, que não foi aprovado. Por quê? Porque essa sociedade se reproduz das desigualdades. Então essa sociedade não tem por princípio a igualdade ou liberdade. O princípio da sociedade é propriedade privada. Se você tem, beleza. Se não tem, está condenado a viver na miséria eternamente até morrer. O que podemos fazer? Tentar enviar a lei para o congresso. Um estatuto pelo menos para reconhecer que nós existimos aqui no Brasil. É uma luta diária que temos. O dia que não precisarmos desse estatuto, será o dia em que as pessoas consigam se emancipar da sua condição de explorado, de submisso. da renda, porque senão chega um monte de gente lá que pode pagar e é beneficiada. Quem não pode pagar fica à margem. Revista do Professor As cotas nas universidades são uma das políticas afirmativas mais conhecidas. Quais outros passos concretos poderiam começar a mudar de fato a desigualdade racial no Brasil? Camila Eu acredito que deva haver espaços que atendam as demandas para sobrevivência da população. Por exemplo, saúde e educação, não só a questão da universidade, mas na educação básica, além de moradia, trabalho. As estatísticas mostram que o espaço social necessário para a sobrevivência da população é onde tem menos pretos. Tanto na questão do trabalho ou educação, eles estão muito abaixo da população branca. Revista do Professor Como você avalia a política de cotas nas universidades? Wellington Não sei se dá para fazer essa avaliação. Foram tão poucas as universidades que aderiram ao sistema de cotas, que às vezes é difícil avaliar. Quem conseguiu entrar na universidade pelas cotas, tem uma dificuldade de se manter nela. A gente vê que tem política de cotas em várias universidades particulares, como o pró-uni. Nesse caso, só favorece o grupo de pessoas que vê a educação como mercadoria e não como outra forma de sociabilidade. As cotas são importantes dada a situação que vivemos hoje. Mas mesmo com as cotas, ainda é pouco comparado ao número total da população preta. É necessário que as pessoas consigam entrar para a universidade, sabendo o que é a universidade. Que é um espaço que não está aberto para idéias novas, que é um espaço que está sempre tentando legitimar a atuação das elites, é um espaço que está muito longe das periferias, é um espaço que produz um conhecimento limitado sobre a realidade brasileira. É um espaço limitado, mas é importante. Vemos pessoas se formando, sendo professores, trazendo referências para as crianças nas salas de aulas e em outros lugares também da sociedade. Revista do Professor A forma de identificar os pretos no sistema de cotas ainda é muito discutida... Wellington O critério para ser selecionado é realmente complicado. Mas a autodeclaração é uma forma menos arbitrária da pessoa se identificar. Vão ter brancos que vão se identificar como pretos. A Cidinha da Silva escreveu o livro Ações afirmativas em Educação, em que ela diz que vão ter sempre os negros de ocasião. Que são os brancos que nessa ocasião são negros para tentar entrar pela cota. É falho o critério, mas é uma coisa que está sendo construída ainda. Nos EUA, por exemplo, se até a 8ª geração tiver um preto na família, a pessoa vai ser considerada preta. Agora no Brasil não tem como fazer isso porque houve projeto de miscigenação, de embranquecimento no país. Houve vários estupros de escravas pelos senhores na casa grande. Então é difícil a gente avaliar por essa questão da geração. O critério na minha opinião tem que estar relacionado com a questão Enquanto existir esse mundo em que vivemos, vai ter Estatuto da Igualdade Racial, da criança, da Juventude, que não foi aprovado. Por quê? Porque essa sociedade se reproduz das desigualdades. Wellington Acho que tem vários espaços, só que tem uns que são estratégicos. Por exemplo, a questão do trabalho. Hoje a gente vê que o emprego está difícil e ainda temos um trabalho bastante precarizado onde a população preta consegue entrar, com trabalhos terceirizados. Trabalhos que não garantem os direitos que estão lá na CLT. Acho que o trabalho, a saúde, a educação são três coisas fundamentais e importantes. O trabalho porque precisamos para sustentar a nossa vida cotidianamente, mas sem essa forma de trabalho precarizada que vivemos hoje. A saúde da população negra tem que ser prioritária. Hoje nós vemos os índices de mortes por doenças que poderiam ser evitadas. Esses, então, são setores importantes de cidadania para serem mudados. Revista do Professor Qual a sua avaliação da postura do governo Lula em relação à questão racial? Wellington Falar desse governo é uma tarefa difícil, porque é um governo de um partido que, historicamente, surgiu das lutas sindicais, atendendo às demandas dos trabalhadores. Surgiu das greves, se envolveu com a luta pela reforma agrária, foi ampliando as discussões, trazendo os movimentos que lutam pela questão racial, o movimento feminista, então não é qualquer partido. E, por não ser qualquer partido, é difícil avaliar a sua postura quando chegou ao governo, principalmente no trato da questão racial. Na minha opinião, foi criada uma secretaria de promoção de políticas públicas para reduzir a desigualdade racial no Brasil, só que é uma secretaria que não tem recurso, que não tem financiamento e tem poucos projetos. Poucas pessoas conhecem essa secretaria com status de Ministério. A leitura que eu faço é que o governo fez pouca coisa pela questão racial. Demandas históricas do movimento negro não foram atendidas, ainda. Pelo histórico do partido, poderia ter feito muito mais, não só na questão racial, mas poderia ter vários avanços em outras áreas. Eu acho que a única coisa que o governo conseguiu jogar para a sociedade é o debate sobre a questão racial no Brasil. Era um debate que não tinha visibilidade, ficava só nos movimentos mesmo. Quando você fala de ações afirmativas, de tentar disputar alguns espaços de poder, a elite ela vai se manifestar. 8

9 Quase todo dia você pega a Folha de S. Paulo, um jornal elitizado, e tem editorial falando contra as cotas, contra as ações afirmativas, contra o Estatuto da Igualdade Racial. O Estado de São Paulo é outro jornal que está sempre batendo nessa questão racial. Então teve o debate ampliado, só que está só no debate, tem poucos avanços mesmo no sentido de modificar vidas de pessoas. A gente vê aqui mesmo em Cidade Tiradentes, o debate pode até chegar aqui. Mas as pessoas estão conseguindo mudar de vida, estão conseguindo entrar na universidade, estão conseguindo trabalho, emprego? Onde estão as políticas de ações afirmativas? Acho que tem muita coisa, ainda, que precisa ser feita e eu não sei se esse governo tem espaço para isso, mas os movimentos têm força para pressionar. Revista do Professor Você acha que o preconceito no Brasil diminuiu nos últimos 35 anos? Wellington Eu acho que teve mudanças, a gente não pode falar que não teve senão estamos jogando fora, descartando mudanças que ocorrem no nosso dia-a-dia. Mas foram pequenas mudanças. Não houve uma mudança estrutural, mas houve mudanças aparentes. A gente pode pegar, por exemplo, as diferenças salariais entre brancos e pretos. As desigualdades se mantêm ainda. Mas nesses 35 anos é lógico que houve avanços. A lei que institui o estudo da história afro-brasileira no currículo escolar já é um avanço. A luta agora é fazer com que essa lei seja implementada. Revista do Professor O Brasil é um país para poucos? Wellington O Brasil é visto como o país das oportunidades, embora 75% da população não tenha oportunidade de nada. Às vezes a oportunidade que você tem é para entrar para o tráfico. Porque estão oferecendo um salário melhor, o trabalho não está tão precarizado, não precisa bater ponto, não precisa pegar ônibus e passar duas horas para chegar só para ganhar um salário. Então às vezes, as oportunidades que a gente tem é para o crime, que é o que está mais perto da gente. Só que nós fazemos outra leitura da sociedade e é lógico que temos outros meios de sobreviver. O Brasil é assim, um país de poucos. Porque são poucas pessoas que conseguem viver bem no país. São poucas pessoas que não precisam trabalhar ou que trabalham pouco e ganham muito. Pessoas que são herdeiras de propriedades de famílias patriarcais reminiscentes do Brasil, no século passado. Então dizem que há muitas oportunidades, só que a gente não vê. A maioria da população vive na extrema miséria que o próprio país tenta negar e esconder. Revista do Professor Estudos norte-americanos apontam que o negro é intelectualmente inferior ao branco. Como você avalia esse tipo de resultado mirabolante? Camila Eu acredito que esse é só mais um elemento que os caras que estão no poder utilizam para tentar justificar as desigualdades entre os seres humanos, entre pretos e brancos. Se formos averiguar esses testes a fundo, vamos verificar que eles são manipulados, que eles não levam em consideração que os brancos e pretos já vivem em desigualdade social e em todos os parâmetros. Então é muito fácil criar um teste e manipular esse teste para tentar provar que os pretos são inferiores aos brancos. Eu acho que é mais uma arma que eles utilizam para tentar legitimar a desigualdade, para justificar o que os europeus fazem na África, a exploração dos africanos, e tentar justificar a miséria que eles mesmos produziram. Revista do Professor O que é o Movimento Força Ativa? Wellington O Força Ativa é um grupo juvenil da Cidade Tiradentes que está aqui no bairro há 11 anos, desde 1995, mas é um grupo que tem 16 anos e que surgiu como uma posse de hip hop lá na Zona Norte, em Santana. Posse de hip hop é a união de vários grupos de rap, grafiteiros, DJs que se juntam para fazer uma organização maior, para divulgar o hip hop, para fazer trabalhos comunitários e discutir algumas coisas, a questão racial, por exemplo. E aí quando veio para Cidade Tiradentes não veio como posse, veio como o Núcleo Cultural Força Ativa. Aí amplia mais a visão porque não é um grupo que trabalha só com hip hop. E não são só rapers que podem participar do grupo. Qualquer pessoa pode entrar, o critério nosso é compartilhar nossas idéias. A gente discute questão racial, questão de gênero, direitos humanos, orientação e prevenção de DST e Aids, realizamos oficinas em escolas e na comunidade. Promovemos o incentivo à leitura, nós temos uma biblioteca comunitária que é do projeto Vamos lê um livro que surgiu baseado numa letra de música de rap do mesmo nome. E essa biblioteca vem no sentido de questionar o poder público, porque aqui tem uma população muito grande, é uma das maiores COHAB da América Latina e não tem uma biblioteca pública. A gente não quer fazer o papel do Estado, nós queremos denunciar que falta biblioteca pública aqui. Nós temos reuniões todo primeiro domingo do mês, e o grupo de estudos no terceiro domingo. Nós não somos uma associação, nem ONG. Não é um grupo institucionalizado, não recebe financiamento de ninguém, quem matem são os próprios membros. O que mantém o grupo é o ideal que temos e acreditamos de poder juntar forças para tentar questionar essa sociedade em que a gente vive. A questão é pensar na inclusão dos pretos na televisão, na mídia, mas não para colocálos lá com uma visão pejorativa como tem ocorrido durante todo esse tempo. 9

10 notas Faltam professores na Educação Básica Hoje faltam cerca de 700 mil professores nos quadros de Educação Básica do Brasil. Segundo estimativa do MEC, baseada em dados do censo de 2002, no Ensino Médio há carência de 235 mil educadores. Número que aumenta para 475 mil, quando avaliado o déficit de profissionais no Ensino Fundamental de 5ª a 8ª séries. Os dados se referem às chamadas funções docentes, expressão que está relacionada a cada cargo ou seja, um professor que dá aula em duas escolas tem duas funções docentes. Entre as disciplinas, a demanda é maior por licenciados em matemática, física, química e biologia. Num país em que a taxa de desemprego é superior a 10% da população, a estimativa parece absurda. No entanto problemas com longas jornadas, salas de aula cheias, conflitos e baixos salários são vistos por especialistas como a causa mais razoável para tal constatação. Estratégias em debate O MEC, em conjunto com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), quer estimular a realização de pesquisas e estudos sobre educação, sobretudo a respeito de estratégias das políticas públicas do setor. Para tanto, estão sendo oferecidos R$ 2,2 milhões de apoio, além de estimular a utilização da massa de dados produzida pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Ensino Fundamental Quem ainda tiver dúvidas sobre o Ensino Fundamental de nove anos, pode consultar o documento que orienta a mudança na página do MEC na internet: arquivos/pdf/ensfund/ensfund9mais1.pdf Livro "Causos do ECA" As melhores histórias sobre experiências de educadores com o Estatuto da Criança e do Adolescente podem ser encontradas no livro Causos do ECA: Histórias em Retrato O Estatuto da Criança e do Adolescente no Cotidiano. O livro não será vendido. Os professores que quiserem um exemplar podem baixar o arquivo pelo site 10 Piso Salarial O projeto do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) que institui o piso salarial federal dos professores da Rede Pública de Ensino, no âmbito da União, acaba de ser aprovado por unanimidade na Comissão de Educação do Senado. O projeto recebeu parecer favorável da relatora, senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO), e foi aprovado por unanimidade em caráter terminativo (sem necessidade de ser submetido ao plenário). Pela proposta de Cristovam, um ano depois da sanção da lei, o piso salarial dos professores em todo o Brasil referente à jornada de 40 horas semanais de trabalho não poderá ser inferior a R$ 700 para aqueles que têm nível médio e a R$ 980 para os que têm nível superior. Uma emenda também aprovada hoje na Comissão de Educação atualiza os valores para R$ 800 e R$ Quem já tem rendimento superior a esses valores, não terá alteração salarial. Nos anos posteriores, o piso salarial fixado por lei de iniciativa do Executivo nunca poderá ser inferior a, no mínimo, 60% do investimento mínimo anual por aluno. A proposta assegura ainda aos educadores públicos o direito de optar pelo regime de trabalho e de remunerações atuais, ou de se adaptar à jornada de trabalho exigida para garantia do piso salarial federal proposto por Cristovam, que nunca será inferior a 40 horas semanais. Enade O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) avaliou este ano cursos de instituições de ensino superior. De uma amostra total de estudantes, compareceram aos locais de prova, em 871 municípios de todas as 27 unidades da Federação. As provas do Enade 2006 foram realizadas no dia 12 de novembro com a presença de 83% dos alunos selecionados para participar do exame, informou o Ministério da Educação (MEC). O Rio de Janeiro teve uma presença abaixo da média (77,5%) e foi o terceiro estado com menor comparecimento ao exame. Hugo Chávez por mais seis anos O presidente Hugo Chávez foi o grande vencedor do pleito venezuelano, reelegendo-se por mais seis anos com a promessa de aprofundar sua revolução socialista e de seguir combatendo o imperialismo norte-americano. Com 78,31 por cento das urnas apuradas, Chávez alcançava 61,35 por cento dos votos válidos, frente aos 38,39 por cento do principal candidato da oposição, Manuel Rosales, que reconheceu a derrota.

11 Inovação tecnológica aliada à prevenção da Aids A Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (Aids) é, atualmente, a doença infecciosa que mais mata no mundo. No Brasil, estima-se a existência de mais de 600 mil infectados somente na faixa etária de 15 a 49 anos de idade. A utilização de preservativos durante as relações sexuais é o método mais seguro de prevenção à doença; entretanto, muitos deixam de utilizá-lo. Como forma de ampliar o acesso dos jovens aos preservativos, será realizado o Prêmio Inovação Tecnológica em Prevenção das DST/Aids, voltado para os centros federais de educação tecnológica (Cefets) de todo o País. Serão premiados os Cefets que desenvolverem os melhores projetos de máquinas dispensadoras de preservativo. Os dispensadores são equipamentos que armazenam e liberam, conforme demanda, preservativos masculinos, semelhante a uma máquina de refrigerante. Um projeto-piloto será escolhido e testado em unidades escolares, para avaliar a funcionalidade do dispensador dentro do processo educativo. O projeto precisa estar aliado a ações pedagógicas no âmbito da educação sexual, com foco na prevenção das DST e Aids, destacando o uso do preservativo pelos alunos. O prêmio é um grande desafio, já que tenta aliar conhecimento tecnológico a processos pedagógicos que contribuam para a instauração de uma cultura de saúde e prevenção às DST/Aids. Da mesma forma, busca ampliar a temática de educação sexual no ambiente escolar, pensada e apropriada por seus membros: alunos, professores, famílias, servidores e comunidade. Capes assina convênio de avaliação internacional Novos mecanismos de avaliação do ensino na pósgraduação estão sendo criados com parcerias entre especialistas brasileiros, da América Latina e Caribe. Para isso, serão desenvolvidos estudos sobre métodos mais eficientes de avaliação de acordo com as normas de cada país. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC) assinou no dia 17 de novembro convênio com o Instituto Internacional da Unesco para a Educação Superior na América Latina e no Caribe (Iesalc/ Unesco), a Rede Ibero-Americana para a Avaliação da Qualidade da Educação Superior (Riaces) e a Comissão Nacional de Avaliação Universitária da Argentina (Coneau). O objetivo é promover o desenvolvimento da avaliação das carreiras de pós-graduação nesses países, segundo as prioridades e normas de cada um. Guarani será a terceira língua oficial do Mercosul Os ministérios de Cultura dos países-membro do Mercosul aprovaram no dia 21 de novembro, a pedido do Paraguai, a inclusão do guarani como idioma oficial do bloco, da mesma forma que o espanhol e o português. A decisão foi um dos resultados da 23ª Reunião de Ministros do Mercosul Cultural, no Rio de Janeiro. A adoção do guarani como língua oficial do bloco, em igualdade de condições com o espanhol e o português, obrigará, por exemplo, a fazer traduções de todos os documentos do grupo e a promover a aprendizagem da língua. Além dos aspectos formais, a decisão fortalece a tendência de integração das comunidades tradicionais da região, segundo vários participantes da reunião. A decisão será levada aos presidentes dos países do bloco (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela), durante a próxima Cúpula do Mercosul, nos dias 18 e 19 de janeiro de 2007, em Brasília. Exclusão social Embora o acesso às escolas brasileiras tenha aumentado, a exclusão social ainda é uma característica de peso na educação do país. A análise é do Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea), no estudo Brasil O Estado de uma Nação. De acordo com o relatório, 84% dos alunos, que entram no Ensino Fundamental, concluem a 4ª série e 57% finalizam os estudos nesse nível de ensino. No Ensino Médio, o índice de conclusão é de apenas 37%. A pesquisa aborda também o aspecto sócio-econômico da exclusão escolar e constata que: na 1ª série, cerca de dois terços dos estudantes vêm de segmentos mais pobres da população. Já no Ensino Superior, menos de 5% têm essa origem. Segundo a pesquisa, a má qualidade no sistema educacional vem da necessidade da entrada prematura da população no mercado de trabalho. Isso leva a, mais tarde, parte dessa população procurar programas de educação e treinamento. O Ipea ainda ressalta que o Sistema de Avaliação do Ensino Básico classificou a metade dos alunos da 4ª série como incapazes de ler um texto relativamente simples e que isso significa mão-de-obra inabilitada para operar em economia moderna, lembrando que a renda será determinada pelo investimento em educação. 11

12 internacional Crise mexicana Eleições fraudulentas impedem democracia no país Um país dividido. Esse é o cenário atual do México. E a julgar pelos últimos acontecimentos, também será a realidade dos próximos quatro anos. De um lado, as forças políticas conservadoras que se aglutinam na figura do presidente Vicente Fox, aliado incondicional de George W. Bush, e o seu sucessor imposto, Felipe Calderón, do Partido da Ação Nacional (PAN). De outro, a oposição progressista encabeçada pelo ex-prefeito da Cidade do México, Andrés Manuel Lopes Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD), apoiado pela Coalizão pelo Bem de Todos. As eleições presidenciais, realizadas em 2 de julho, não colocaram um fim à disputa entre Calderón e Obrador. Ao contrário. As votações foram repletas de denúncias de fraudes, ilegalidades, interferências indevidas do Estado e até mesmo desaparecimento de milhares de urnas. No dia 28 de agosto, o Tribunal Eleitoral do Poder Judiciário da Federação (TEPJF) apimentou ainda mais a batalha política. Os magistrados decidiram arquivar os processos movidos que pediam a recontagem dos 41 milhões de votos das eleições. O tribunal examinou somente 9% das urnas em que houve denúncias de fraudes e anulou 238 mil votos. Na prática, a decisão favoreceu a Calderón - embora some mais um elemento que questiona a legitimidade de sua vitória. Apoio popular Segue uma crescente mobilização popular a favor da Coalizão pelo Bem de Todos. Desde julho, milhões de simpatizantes de Obrador têm feito protestos massivos em todo o país questionando o resultado das eleições. O candidato do PRD convocou todos os partidos de esquerda a uma convenção para criar um governo de resistência. Após o anúncio do tribunal, suas palavras foram enfáticas: Com esse tipo de decisão, a ordem constitucional é quebrada e o caminho para um usurpador tomar posse da Presidência através de um golpe de Estado está aberto, disse, acrescentando que não reconhecerá Felipe Calderón Hinojosa como o presidente da República. Para Obrador, a decisão do Tribunal sinaliza que os problemas nas urnas não ocorreram devido a um erro de contagem dos votos, mas sim foram provocados por uma ação fraudulenta do Estado comandada por Vicente Fox, para impedir a vitória de seu opositor. Indiferente à lisura do processo, o Tribunal mexicano optou por não reconhecer a manifestação de milhões de pessoas que saíram às ruas exigindo nova votação. 12 Em setembro, o Tribunal Eleitoral do Poder Judiciário da Federação (TEPJF) anunciou, por decisão unânime de seus sete ministros, que o candidato do Partido da Ação Nacional (PAN), Felipe Calderón é o presidente eleito do México. O Tribunal concluiu que existiram diversas irregularidades no processo eleitoral, encabeçadas pela indevida intervenção do presidente Vicente Fox, mas que estas não foram de tal gravidade para invalidar a eleição presidencial. A revolta social dos professores em Oaxaca O Estado de Oaxaca, no sul do México, vive dias de organização popular, diante de um cenário de violência e repressão política, que já resultou em muitos feridos e mortos. Os conflitos começaram no dia 22 de maio, durante manifestações de professores que exigiam aumentos salariais, entre elas uma marcha de 70 mil pessoas, que transformou-se na mais violenta revolta popular do país. Professores, sindicalistas, camponeses e um pequeno grupo guerrilheiro, a Frente Revolucionária Popular, criaram a Assembléia Popular do Povo de Oaxaca (APPO) e ocuparam os principais prédios públicos da capital do Estado. O movimento exige a renúncia do governador e mais recursos para a região. Em resposta à reivindicação da categoria, o governador Ulises Ruiz ordenou uma violenta repressão para desalojar os docentes da praça principal de Oaxaca, onde estavam acampados. A repressão contra os professores causou imensa indignação no povo de Oaxaca. Camponeses e indígenas aderiram aos protestos da APPO, exigindo a destituição de Ruiz. Eles reivindicam que Oaxaca seja gerida pelo próprio povo, através de assembléias populares. A cada dia a repressão aumenta. O presidente mexicano Vicente Fox e o governador Ulises Ruiz estão dispostos a acabar com o movimento popular de Oaxaca com mais violência, enviando soldados para o Estado. O que começou em Oaxaca como um problema sindical, se tornou um problema político que o governo do presidente Vicente Fox transformou num assunto de segurança nacional. A greve dos professores ainda continua, eles prometem acabar com a paralização somente quando o governador Ruiz renunciar ao cargo.

13 No Zócalo, Obrador afirma-se presidente legítimo do México O dirigente de centro-esquerda mexicano Andrés Manuel López Obrador se empossou na noite do dia 20 de novembro como presidente legítimo do México, contestando a alegada vitória do direitista Felipe Calderón por 0,6% dos votos, na eleição presidencial de julho último. Começa a batalha para impedir que a máfia de colarinho branco, que impôs Calderón, faça o que bem entender no país, disse AMLO, como é conhecido, em entrevista ao diário mexicano La Jornada. O governo legítimo terá como sustentáculo o povo organizado, disse AMLO. Seu lançamento no dia 20 de Novembro coincide com o 96º aniversário da Revolução Mexicana. López Obrador adverte que não lhe importam as desqualificações e as burlas da direita, porque governará com o povo, em um governo legítimo, não de sombra nem simbólico, mas atuando por meio de uma força popular que começa a crescer em todo o país, para enfrentar um regime neofascista que só beneficia a uma minoria privilegiada. Papel desonroso da maioria da mídia O ato público da posse foi marcado para a Praça do Zócalo. A praça, que tem sua origem nos tempos pré-colombianos, constitui o centro histórico da capital mexicana e é o ponto de concentreação tradicional das manifestações de massas no país. La Jornada quis saber sobre a forte campanha de mídia, que classifica López Obrador como patinho feio ao governo que encabeçará, e acusa-o de se autoproclamar presidente legítimo. O líder do PRD contesta: É lamentável e inclusive desonroso o papel da maioria dos meios de comunicação. Com honrosas exceções, quase todos atuam em bloco sempre a favor do poder. São muito poucos os que têm uma postura próxima da sociedade. Quando se põe de um lado da balança a imprensa livre e independente, e do outro a imprensa que defende o regime e sobretudo os grupos de interesse criados, há uma enorme desproporção, opina. Vamos entrar numa nova etapa López Obrador afirma que vê o futuro com tranquilidade, pois, apesar das tentativas de liqüidá-lo politicamente, continua na luta. Assim como a direita e a ultradireita conseguiram aglutinar os grupos mais conservadores, argumenta, também Por Bernardo Joffily "Se eu me retirasse, recuasse, seria como um ato de traição aos que se rebelam contra o predomínio das minorias Andrés Manuel López Obrador do lado progressista os cidadãos se reagrupam. Não digo que seja todo o povo, mas sim que há milhões de mexicanos dispostos a insistir na necessidade de uma mudança verdadeira, afirma. Estou muito satisfeito com a decisão que tomamos. Foi correta. A partir de hoje vamos entrar numa nova etapa, diz ainda. O fato de lhe arrebatarem a presidência foi um dos golpes mais fortes que já sofreu?, quis saber o jornal. Não sei. Já recebi muitos golpes, mas sempre me levantei, e isto me ajuda a não me deixar abater agora. Qheguei à conclusão de que a causa que defendemos é tão importante, tão justa, que não importa o tempo que leve. Se eu me retirasse, recuasse, seria como um ato de traição aos que se rebelam contra o predomínio das minorias, respondeu AMLO. Calderón, pelego e gerentezinho Sobre o governo do presidente eleito conforme o resultado oficial, Andrés Manuel López Obrador é duro: Não vou fazer prognósticos. O que posso dizer é que Calderón é cria dos delinqüentes de colarinho branco. Quando o chamo de pelego, não me proponho a insultá-lo, simplesmente o descrevo. É um gerentezinho dos poderosos. Por isso não vai representar o povo do México. Impuseram-no para representar um grupo, uma minoria. Ele sabe qual é o seu triste papel, comenta. Ainda sobre Calderón: Ele recusou a recontagem voto por voto e urna por urna. Ele sabe que não ganhou, que é produto de uma fraude eleitoral. Isto não pode lhe dar tranqüilidade! Por mais cínico que seja, não pode se sentir seguro. Calderón fez um pacto com a quadrilha da política e a delinqüência de colarinho branco, para roubar a eleição. Está comprometido, declara AMLO. Ele promete fazer um governo intinerante, de segunda a quarta-feira em Cidade do México e nos dias restantes percorrendo os municípios do país. E exemplifica: Haverá um Diretório de representantes. Se, por exemplo, Calderón pretender marchar para a privatização da Pemex (a estatal petroleira mexicana), da Luz e Força, ou buscar socavar as conquistas trabalhistas, ou gravar os pobres, no sentido de cobrar impostos de vacinas e alimento, ou reprimir o povo, imediatamente convocarei esses representantes para nos mobilizarnos. Bernardo Joffily Editor do portal 13

14 sindical Direitos em segundo plano Processo de terceirização avança no Brasil e gera para os trabalhadores efeitos negativos que vão além das remunerações mais baixas Por Olavo Soares Reduzir custos, dinamizar processos e direcionar o foco apenas ao que é prioritário. São estes os objetivos geralmente alegados num processo de reorientação produtiva cada vez mais comum no Brasil e no mundo: a terceirização. Embora em alguns países tenha se constituído como recurso válido para o aumento do potencial competitivo das empresas, no Brasil tornou-se sinônimo de precariedade nas relações de trabalho e redução de direitos. Para cortar custos, as corporações delegam grande parte de suas funções a terceiros. Estes, por sua vez, contratam trabalhadores para, em muitos casos, desenvolver funções semelhantes às desenvolvidas na companhia original. Evidentemente, sem receber a mesma remuneração e os benefícios de seus funcionários regulares. O avanço da terceirização no país nos últimos anos foi significativo. Entre 1995 e 2005, os trabalhadores terceirizados passaram de 1,8 milhão para 4,1 milhões, numa expansão de 127%. Os reflexos disso não são apenas salários e benefícios mais baixos. Também o movimento sindical enfrenta as conseqüências. Muitos dos terceirizados não se encaixam nas categorias tradicionais e acabam não encontrando o lugar para lutar pelos seus direitos. A terceirização é um imperativo econômico do atual sistema capitalista, afirma o economista Marcio Pochmann, da Unicamp. O programa atual no mundo do trabalho brasileiro confirma essa tese. Em média, a cada três postos abertos no Brasil, um vai para o trabalhador terceirizado, explica. Segundo dados do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit-Unicamp), só em 2005 a terceirização permitiu que as empresas economizassem R$ 26 bilhões em salários e encargos sociais. No início do período pesquisado, o número desses postos de trabalho representava 9,2 do total dos assalariados e, no final, tinha subido para quase 16% do total. Com o crescimento no número de empresas terceirizadas, outra conseqüência negativa para o trabalhador, apontada por José Nicolau Pompeo, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), é o rebaixamento ainda maior do salário que se verifica entre as próprias subcontratadas que disputam o mercado. Quando as próprias terceirizadas começam a ter concorrência entre si, elas se vêem na necessidade de reduzir custos e, por conseqüência, salários. O que acaba contribuindo para uma queda no salário médio desse tipo de empresa, esclarece. 14 Identidade Bruno (nome fictício) tem 21 anos e trabalha em uma companhia de telemarketing que presta serviços a uma empresa de telefonia fixa no estado de São Paulo. Trabalha seis horas por dia, seis dias por semana (com folga no sábado ou domingo), atuando no telemarketing receptivo. Ou seja, é a pessoa que ouve queixas dos clientes insatisfeitos com os serviços da empresa. Tudo isso por R$ 430 mensais. Não bastasse e já árdua tarefa de falar com clientes irritados, Bruno ainda tem obrigação de vender serviços adicionais da empresa identificador de chamadas, Internet banda larga e outros, caso queira ganhar um adicional no salário. A necessidade de vendas se traduz em uma política da própria empresa subcontratada, que é paga pela contratante de acordo com o desempenho dos seus funcionários. A cobrança sobre quem está na ponta do processo aumenta ainda mais. É muita cobrança em troca de pouca coisa. Se nós fôssemos funcionários diretos, acho que nosso dia-a-dia seria melhor, diz o atendente. Quando alguém me pergunta onde trabalho, digo que é na companhia telefônica, para facilitar. Até me sinto um funcionário deles. O problema é que eu não recebo salário e benefícios de quem é de lá. No meio sindical, o avanço é visto como uma ameaça direta aos direitos trabalhistas. Ainda assim, os líderes se preocupam em deixar claro que sua luta não é contra os trabalhadores que ali estão pelo contrário, a preocupação do setor é expandir suas atividades até os terceiros. O trabalhador subcontratado não representa um problema para nós. A questão é a estrutura precária em que a terceirização é adotada, explica o coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Hélio Seidel. A mudança gerada na luta sindical pelo avanço da terceirização tem um exemplo concreto na criação, em janeiro deste ano, da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), vinculada à Central Única dos Trabalhadores (CUT). A entidade da necessidade de ampliara aos funcionários de empresas terceirizadas a representação antes restrita aos bancários. Com a pulverização do sistema financeiro em uma série de companhias subcontratadas que fazem serviços semelhantes aos dos bancos, criou-se uma massa de trabalhadores que não poderiam ser chamados de bancários e também não possuíam uma representação sindical que atendesse às suas expectativas.

15 O setor bancário é talvez um dos mais emblemáticos no tocante à terceirização. Muito se fala sobre a redução do número de trabalhadores na categoria eram 1 milhão no final da década de 1980 e hoje não são mais que 400 mil, que análises rápidas podem atribuir ao avanço das tecnologias. Mas parte da queda no número de assalariados pode ser explicada também por artifícios adotados pelos bancos. Por exemplo, a instituição das financeiras, o surgimento dos correspondentes bancários (casas lotéricas e supermercados, por exemplo) e empresas externas, que atuam exclusivamente para alguns bancos, mas que oficialmente têm outra personalidade jurídica (como as dos setores de previdência, seguridade e capitalização). A transformação é veloz. Segundos dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a porcentagem de terceirizados em relação ao corpo total de funcionários passou de 15,32% em 2004 para 25,30% em 2005 nos sete principais bancos brasileiros (Bradesco, Banco do Brasil, Itaú, Caixa Econômica Federal, HSBC, Real-ABN e Santander-Banespa). As únicas instituições que apresentaram se subcontratados foram justamente os dois bancos públicos federais, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Ou seja, isto está muito mais relacionado a uma política do atual governo do que a uma tendência do setor. Para o diretor de finanças da Contraf, Miguel Pereira, a segurança do dia-a-dia desses profissionais também está em jogo. Muitas vezes, os funcionários de financeiras e outras companhias semelhantes trabalham com grandes somas em estabelecimentos cujo sistema de segurança está nem de longe lembra o dos bancos, com suas portas giratórias e vigilantes armados. A tradicional ojeriza que os brasileiros têm de filas somadas a recentes leis que proíbem as instituições de deixarem seus clientes em esperas longas dentro das agências determinou que fosse necessário criar alternativas para retirar, gradativamente os clientes das agências bancárias. Serviços habitualmente de banco, como pagamentos de contas, depósitos e saques, passaram a ser executados por casas lotéricas e até supermercados. Por conta dessa nova conjuntura, hoje a Contraf engloba todos os profissionais que, de um modo ou de outro, têm envolvimento com o setor financeiro. Nossa proposta é nos tornarmos um grande guarda-chuva para reunir todos que atuam nessa área, diz Pereira. Segurança Outro exemplo dos efeitos nocivos da terceirização é o caso da Petrobrás, que viveu um intenso processo de subcontratação na década de 1990 até meados de A estatal, uma das empresas mais rentáveis do país, transferiu grande parte de suas funções para trabalhadores terceirizados. O resultado, segundo o sindicalista Hélio Seidel, foi um boom na ocorrência de acidentes registrados na empresa. Entre 1998 e 2001, tivemos um drástico aumento no número de acidente na Petrobrás, diz o coordenador da FUP. Nessa época, relata Seidel, 90% dos acidentes verificados na companhia tinham o envolvimento de trabalhadores subcontratados. Para Seidel, a causa disso não eram eventuais desleixos ou falta de vontade desses trabalhadores. A situação chegava a esse ponto por um motivo concreto e até de fácil detecção: os subcontratados não possuíam a qualificação adequada e, em tese, nem deveriam executar alguns serviços. O que ocorria na Petrobrás era que os piores trabalhos, de maior risco, como entrada em poços e outros, ficavam com terceirizados. E eles não estavam preparados para esse tipo de trabalho. Com isso, muitos acidentes ocorreram, aponta. À gravidade dessa situação acresce, de acordo com o sindicalista, a falta de cuidado em relação à segurança de muitas plataformas da empresa. Muitos processos de manutenção foram negligenciados. O nível necessário para a segurança não era uma realidade, ressalta Seidel. Faltam leis? Discutimos bastante, fazemos estudos, mas ainda não se pode dizer quais são os rumos da terceirização. O fato é que falta entendermos em definitivo o fenômeno. Essa é a opinião de Fausto Augusto júnior, sociólogo e técnico da Dieese. A instituição está fazendo um estudo detalhado sobre o tema. Augusto avalia que é necessário identificar as transformações que a terceirização gerou e, além disso, perceber as mudanças observadas no processo. O que ocorria até os anos de 1990 era a terceirização focada unicamente em processos não ligados à atividade fim da empresa, como limpeza, vigilância etc. Atualmente o perfil está alterado, com a terceirização já aparecendo nas atividades-meio, explica o sociólogo. Apesar da definição que ainda permeia os debates no setor, é consenso entre os sindicalistas de que o fenômeno sofre uma grande alteração com a troca de governo no Brasil a partir de Na avaliação deles, houve avanços significativos na legislação e, principalmente, na fiscalização sobre os abusos no uso do trabalho terceirizado. No caso da Petrobrás, verificamos um substancial aumento no número de funcionários de 2003 para cá. Isso significa que foram trocados postos de trabalho destinados a terceirizados e em seu lugar entraram funcionários de carreia, admitidos por meio de concurso público, destaca Hélio Seidel. Para Miguel Pereira, o debate entre o sindicalismo e o governo federal foi favorecido com a administração Lula. Há mais espaço para se discutir projetos para a área, diz. O professor Márcio Pochmann segue a mesma linha de raciocínio. O que se verifica é que o governo Lula está desenvolvendo um processo de correção de erros, com a substituição de terceirizados por funcionários de carreira, aponta. Pochmann destaca ainda a ação fiscalizadora do Ministério do Trabalho que tem coibido muitas atitudes extremas de empresas. Já José Nicolau Pompeo discorda: acredito quer os trabalhadores do Brasil estão à mercê dessas negociações. Não se pode esperar atitudes salvadoras da pátria de nenhuma governo. Não vejo diferenças entre as últimas políticas econômicas, diz. Olavo Soares Revista Fórum 15

16 especial Educação básica Ensino Fundamental de nove anos estende o período de permanência na escola e antecipa a entrada de crianças a partir dos seis anos de idade Foto: Israel Barbosa A caminho da escola: Marcela Souza Ferrari, hoje com 5 anos de idade, e na pré escola, em 2007, com 6 anos, terá que dividir seu tempo entre, as brincadeiras de criança e a responsabilidade do Ensino Fundamental. Uma importante discussão sobre a Educação Básica envolveu políticos, professores, pesquisadores e representantes da sociedade civil no último ano. O debate diz respeito à extensão do período de permanência na escola, no Ensino Fundamental, o que mostra os rumos dados às políticas nacionais de educação no Brasil e exemplifica as ações do Estado para garantir, à criança, o direito à educação. No dia 24 de novembro de 2005, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei nº de 2004, que amplia a duração do Ensino Fundamental de oito para nove anos. Assim, o ingresso das crianças no ensino fundamental passa a ser a partir dos seis anos, não mais do sete. A proposta, da deputada Professora Raquel Teixeira (PSDB-GO), altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9394/96). O relator do projeto, deputado Mendes Ribeiro Filho (PMDB-RS), acolheu as modificações apresentadas ao texto original pela Comissão de Educação 16 e Cultura. Como tramitam na Casa outros projetos que tratam desse assunto, a comissão decidiu apresentar um único substitutivo, consolidando todas as propostas. Foi feita apenas uma alteração ao substitutivo da Comissão de Educação: retirou a obrigação dos pais matricularem os filhos na escola a partir dos 6 anos. Essa exigência já consta na Lei 11114/05, que altera a LDB com esse objetivo. Segundo o MEC, a intenção é ampliar o período de escolaridade obrigatória, que assegura o acesso da criança de seis anos de idade ao ensino fundamental para possibilitar, a essas crianças, um tempo maior de convívio escolar, ampliando e qualificando suas oportunidades de aprendizagem. De acordo com informações publicadas na Agência Câmara, estados e municípios terão até 2010 para instituir o ensino de nove anos. A ampliação exigirá modificações nos currículos, na proposta pedagógica, no material didático e nos recursos. O prazo é necessário porque a ampliação

17 tem implicações em várias áreas escolares. Além disso, provoca mais gastos para Estados e municípios, o que exige planejamento financeiro. Também dentro deste prazo será feita a adaptação ao novo modelo das pré-escolas, que passarão a atender crianças de quatro e cinco anos de idade. Segundo o secretário de Educação Básica do MEC, Francisco das Chagas, o fato de o aluno ingressar um ano antes no Ensino Fundamental não aumenta o gasto do estado ou município, pois esse aluno será incluído no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Hoje, após dois anos de debate sobre o ensino fundamental de nove anos, as matrículas de crianças com seis anos nas escolas públicas ultrapassam 7,3 milhões em 22 Estados e no Distrito Federal, disse Francisco das Chagas. Em 2003, segundo o censo escolar, tínhamos 3,9 milhões de alunos matriculados aos seis anos, afirma. Entre as vantagens para a criança ingressar na escola um ano mais cedo, ele destaca a redução das situações de risco, especialmente para quem vive na periferia das cidades, e a melhoria do aprendizado. A educação básica é hoje dividida em Ensino Fundamental e Médio, sendo que a educação fundamental compreende duas faixas, educação infantil (0 a 6 anos), educação fundamental (7 a 14 anos), e a educação média que envolve a faixa etária entre 15 e 17 anos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a medida vai beneficiar principalmente os estudantes de baixa renda. O que vocês fizeram, na verdade, foi estender para milhões e milhões de crianças pobres, o direito que algumas outras crianças já tinham, de poder se preparar antes de entrar no ensino fundamental. Vocês estão dando, agora, condições para que todas as crianças do Brasil tenham a mesma oportunidade, afirmou Lula na cerimônia de assinatura da lei, ano passado, no Ministério da Educação. Em seu discurso, o presidente afirmou que o país vive um momento de esperança na educação. Entre as iniciativas adotadas nos últimos três anos, ele destacou a aprovação do Fundeb pela Câmara dos Deputados e a proposta de reforma universitária. A ampliação do Ensino Fundamental vem sendo discutida no País desde o final dos anos 90. O Plano Nacional de Educação, em vigor desde 2001, prevê o aumento de um ano na vida escolar. Alguns Estados se anteciparam e já tinham iniciado a ampliação, como Minas Gerais e Amazonas. O MEC sinalizou claramente que pretende acelerar a implementação do ensino fundamental de nove anos. Trata-se de uma boa idéia, defendida por quase todos os educadores, mas que deve ser analisada com cuidado, para que não haja perda de qualidade. Agora, estamos trabalhando para garantir apoio técnico e financeiro aos municípios e estados por meio de material Entre as vantagens para a criança ingressar na escola um ano mais cedo, ele destaca a redução das situações de risco, especialmente para quem vive na periferia das cidades, e a melhoria do aprendizado. mais pedagógico, ou seja, como os alunos e professores vão tratar a questão da aprendizagem a partir dos seis anos de idade, esclareceu Francisco das Chagas. A proposta do MEC, na verdade, já consta da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, aprovada no final do O que a LDB propõe e o MEC tenta viabilizar é que mais municípios e Estados comecem a incluir os estudantes já aos seis anos na primeira série do ensino fundamental. O Conselho Nacional de Educação deverá fixar o mês de aniversário do aluno para que ele tenha assegurada sua matrícula no ano seguinte e a nomenclatura que será adotada para a nova série. A Secretaria de Educação Básica (SEB) recomendou aos sistemas de ensino a adoção do dia 28 de fevereiro como data-limite do aniversário do aluno, mas a Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais, por exemplo, prefere adotar o dia 30 de abril. Desigualdade A idéia é boa porque, na prática, os filhos de classe média e alta já adotam o ensino fundamental de nove anos. Em bairros ricos do Rio de Janeiro e de São Paulo, a grande maioria das crianças já está alfabetizada aos seis anos. No outro extremo, em áreas pobres das mesmas cidades, as taxas de alfabetização não passam de 20%. A criança com mais recursos estudou aos seis anos (e até mesmo antes) em uma boa pré-escola, que já começou a preparar sua entrada para o ensino fundamental. Esse é o principal motivo para defender a ampliação do Ensino Fundamental. O que preocupa especialistas em educação é como essa antecipação será feita. É preciso tomar alguns cuidados. Educação infantil Aos seis anos, a criança ainda aprende por meio de brincadeiras, de forma lúdica, e não deve entrar para o sistema do ensino fundamental sem que isso seja levado em conta. Para alguns educadores, essa fase é favorável ao desenvolvimento cognitivo, em que a criança passa a ter mais facilidade para lidar com a linguagem, a escrita, a leitura e a interpretação. Ela também começa a entender os mecanismos das quatro operações matemáticas. Já outros discordam. A polêmica é de que simplesmente jogar uma criança de seis anos no Ensino Fundamental hoje é também expô-la, ainda mais cedo, a uma das maiores tragédias da escola: a repetência. Dados do MEC mostram que é justamente na primeira série do Ensino Fundamental onde estão as maiores taxas de repetência do Brasil: 36%. Isso significa que um em cada três estudantes da primeira série estão repetindo a série. Não é preciso ser especialista para saber que os efeitos da repetência de um estudante de sete anos em sua 17

18 auto-estima são devastadores. Antecipar essa bomba para mais cedo deve afetar ainda mais a auto-estima da criança. É esse tipo de preocupação que se deve ter com as propostas do MEC. Os técnicos do ministério sabem desse problema e prometem orientar os municípios e Estados a dar um tratamento adequado à idade da criança de seis anos. O problema é que o ensino fundamental é responsabilidade dos municípios. Como o MEC não tem como fiscalizar cada município, cabe à sociedade verificar se uma boa idéia como essa não vai acabar, no final das contas, trazendo ainda mais prejuízos para a qualidade do ensino. Experiência Minas Gerais é um dos Estados pioneiros na adoção do ensino fundamental de nove anos. Dos 853 municípios, 680 implantaram o sistema. Em 2006, toda a rede deve ser incluída. Em 2004, as redes públicas estadual e municipal matricularam 100 mil alunos aos seis anos. Em 2005, o número subiu para 130 mil. Para incluir os novos estudantes, o Estado não precisou aumentar o número de professores, uma vez que as matrículas do ensino fundamental vinham caindo em 2,5% ao ano e a municipalização na última década foi da ordem de 40%. A quem interessa? Os debates entre educadores e a movimentação de redes públicas de ensino, motivados por esse dispositivo legal que precisa ser analisado no contexto das políticas educacionais brasileiras das últimas décadas, têm sido constantes. Em julho de 2004 foi lançado o documento Ensino fundamental de nove anos: orientações gerais, produzido pela Secretaria de Educação Básica (SEB) do Ministério da Educação. Este documento, segundo a SEB, é resultado de sete encontros regionais com gestores da educação para se debater o tema. Nele é ressaltada a situação de muitos dos municípios e estados brasileiros que já adotavam o ensino fundamental de nove anos. Segundo censo escolar de 2003, realizado pelo Inep/ MEC, e divulgado pelo referido documento, naquele ano havia no território nacional escolas públicas que ofereciam o ensino fundamental em 8 anos e escolas que o ofereciam com nove anos de duração. Entretanto, é importante ressaltar o tempo de preparação e adequação das redes de ensino, bem como o envolvimento dos docentes no debate e na definição das ações necessárias para que tal adequação seja realizada. A justificativa apresentada pelo governo federal para a incorporação de crianças de seis anos no ensino fundamental se dá em parte pela constatação de que um número significativo de crianças com essa idade, filhas de famílias das classes média e alta, já se encontram inseridas no mundo escolar, seja na pré-escola ou no ensino fundamental (Brasil, 2005), o que difere da realidade da maior parte das crianças brasileiras dessa mesma faixa etária. Sendo assim, acredita-se que a reorganização proposta pelo MEC poderia contribuir para que este último grupo tivesse a mesma oportunidade. É importante deixar claro que a inclusão de crianças de seis anos de idade não deverá significar a antecipação dos conteúdos e atividades que tradicionalmente foram compreendidos como adequados à primeira série. O objetivo é construir uma nova estrutura e organização dos conteúdos em um ensino fundamental, agora de nove anos. Propostas alternativas Outra proposta de aumento do tempo de permanência da criança na escola se dá no sentido de ampliar o número de horas do dia e não ao longo dos anos. Essa era a proposta dos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps), instalados no Rio de Janeiro na década de 90. Foi o primeiro sistema de ensino público que funcionou em período integral, em contraposição aos sistemas de períodos da maioria das escolas brasileiras. Inspirados nas escolas de Porto Alegre (RS), os Cieps são escolas que funcionam como centros de educação e cultura para as populações da periferia metropolitana do Rio de Janeiro, constituídos de laboratórios e bibliotecas e que oferecem atividades de cultura e lazer. Foram construídos 506 Cieps, sendo que alguns perderam sua função original e funcionam hoje como escolas comuns que dividem o ensino em períodos. Alguns funcionam como Ginásios Públicos (GPs) onde são oferecidos cursos para alunos do ensino Fundamental, Médio e alguns programas de educação à distância. Outros foram simplesmente abandonados. No final de 2003, foram implementados pela prefeitura de São Paulo os Centros de Educação Unificados (CEUs), que 18 trouxeram uma nova proposta para a educação básica, incorporando atividades ligadas à cultura e ao lazer, em um projeto que recupera o modelo dos Cieps cariocas. Além de priorizar as áreas mais carentes, principalmente da zona leste e zona sul, os complexos educacionais incluem creche, escola de educação infantil, escola de ensino fundamental, teatros, cinemas e espaços para esporte, como piscinas, quadras e pista de skate. Essa ação visa transformar o lugar em um ponto de encontro da comunidade. Notícias recentes dizem que o atual prefeito de São Paulo, José Serra, pretende construir mais cinco unidades. É possível que a prefeitura, diante dos resultados das avaliações dos CEUs, amplie o número de centros no município. Os CEUs funcionam em período integral, inclusive nos finais de semana. Além das aulas, como em qualquer escola comum, oferecem a programação de tempo livre para esporte e lazer tendo como público-alvo crianças e adolescentes das próprias unidades e das escolas adjacentes, com faixa etária a partir de quatro anos. Os centros também atendem pessoal da terceira idade, com atividades esportivas e socioculturais.

19 Estados onde já existe Ensino Fundamental de 9 anos Número de matrículas de crianças <= 6 anos de idade em estabelecimentos de Ensino Fundamental de nove anos Fonte: Censo 2005/INEP Nas orientações para a implementação do ensino fundamental de nove anos divulgadas pelo Ministério da Educação, consta a não obrigatoriedade de freqüência na educação infantil, como sendo uma das razões para se inserir as crianças com 6 anos no ensino fundamental, este sim com caráter de obrigatoriedade. Defende-se, desse modo, a possibilidade de assegurar a todas as crianças um tempo mais longo de convívio escolar, e melhores condições para uma aprendizagem mais ampla. Junto a isso, tornase fundamental uma análise que revele o sentido do projeto político que sustenta tal modificação no sistema educacional. Diferentes pesquisadores têm apontado o caráter economicista e mercadológico que tem orientado as políticas educacionais nas últimas décadas. Portanto, é preciso refletir criticamente sobre a motivação política que fundamenta a tomada de decisão acerca da inserção de crianças com seis anos no ensino fundamental. De certo modo, a ampliação do ensino fundamental para nove anos e a progressiva extensão da obrigatoriedade do Ensino Médio podem ser compreendidas também como estratégias que visam proporcionar uma aproximação da realidade É preciso compreender que a implementação de mudanças educacionais dessa natureza não acontece simplesmente pela aplicação de novas legislações, mas exige o comprometimento de professores e das comunidades com a formulação das políticas. educacional brasileira à dos países vizinhos na América Latina, onde a escolarização obrigatória tem em média 12 anos de duração. Na Argentina, por exemplo, o equivalente ao ensino fundamental brasileiro (Educação Geral Básica) tem duração de nove anos. O mesmo ocorre no Uruguai. Possivelmente, essa iniciativa significaria uma ação no sentido de aproximação desses países, contribuindo assim para a consolidação do Mercosul. É preciso compreender que a implementação de mudanças educacionais dessa natureza não acontece simplesmente pela aplicação de novas legislações, mas exige o comprometimento de professores e das comunidades com a formulação das políticas. Portanto, o prazo de cinco anos estipulado pela Lei para que toda a rede pública incorpore a população de crianças de seis anos de idade, parece não considerar essas questões. As especificidades e histórias das redes públicas das diferentes regiões do país precisam ser levadas em consideração no momento de se definir e implementar políticas como essa. Com informações do MEC 19

20 educação Espanhol obrigatório nas escolas do Brasil Mas aos alunos cabe o direito de escolha, diz nova lei por Josane Beckman Palabras que usted necesita saber... Depois de ter passado pela mesa de três presidentes da República, foi o atual, Luiz Inácio Lula da Silva, quem assinou definitivamente a lei que, além de ter indiscutíveis efeitos práticos para os alunos brasileiros, possui, segundo os analistas, um grande valor político, por ser o primeiro passo para um Brasil bilíngüe em um futuro próximo. A lei que estabelece a obrigatoriedade de oferecer aulas de espanhol nos colégios de Ensino Médio do Brasil, tanto privados como públicos, foi finalmente desbloqueada, ao ser aprovada por unanimidade pela Comissão de Educação e Cultura do Congresso brasileiro. O Projeto de Lei nº 3.987, de 2000, de autoria do deputado Átila Lira (PSDB/PI), já havia sido aprovado pelo Congresso Nacional no dia 7 de julho. O presidente da comissão, Carlos Abicalil, do Partido dos Trabalhadores (PT), disse que a previsão do governo é que a nova lei comece a ser aplicada a partir do próximo período escolar. Esta nova lei especifica o artigo 36, inciso 3º, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), tornando 20 obrigatório o ensino do espanhol na educação média. O inciso 3º da LDB diz que será incluída uma língua estrangeira moderna, como disciplina obrigatória, escolhida pela comunidade escolar, e uma segunda língua, em caráter optativo, dentro das prioridades da instituição. A língua estrangeira moderna obrigatória de que trata a LDB, agora será o espanhol. A lei prevê a implantação gradativa do ensino do espanhol, no prazo de cinco anos, e atribui aos conselhos estaduais de educação a responsabilidade pelas normas que tornem viável sua execução de acordo com as condições e peculiaridades locais. O artigo 1º do projeto diz que a escola é obrigada a oferecer a disciplina, mas ao aluno é facultada a matrícula. Mas quando trata da oferta nas redes pública e privada, a lei faz distinções. Os sistemas públicos devem oferecer a língua espanhola em centros de ensino de língua estrangeira, em horário regular de aula. Já a rede privada poderá ofertar a disciplina de duas formas: nas salas de aula, dentro da carga horária ou em centros de estudos de língua moderna. Depois dos oito anos de educação elementar, os alunos

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