O Campesinato e seus Aspectos na Literatura do Egito Faraônico: o caso de uma Revolta Popular no III Milênio a.c..

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1 O Campesinato e seus Aspectos na Literatura do Egito Faraônico: o caso de uma Revolta Popular no III Milênio a.c.. Fábio Frizzo (NIEP-PréK/ UCAM/UVA) Frente à dificuldade constante de iniciar um texto algo que, não por acaso, pode tomar cores dramáticas ao se utilizar a metáfora do parto, por exemplo sinto-me congelar na frente do computador. É nestas horas adversas que os sujeitos apelam às escrituras. No caso do povo dos historiadores, um dos livros sagrados é do apóstolo Marc Bloch. Buscando um caminho, deparo-me com declarações muito mais lidas do que de fato compreendidas, pelo menos entre os estudiosos do pré-capitalismo. Entre elas, encontra-se sua alegação de que Na verdade, conscientemente ou não, é sempre a nossas experiências cotidianas que, para nuançá-las onde se deve, atribuímos matizes novos, em última análise os elementos, que nos servem para reconstruir o passado. 1 Partindo de escrituras distintas, Walter Benjamin chega a conclusões semelhantes. Com a teologia judaica, Benjamin aprendeu a ver no tempo algo diferente de uma linha reta a qual o historicista preenche com uma massa de fatos. Para ele o continuum temporal era pulsante e estava disponível ao materialista histórico para ser utilizado como uma citation à l ordre du jour, conforme fica claro em sua sexta tese sobre o conceito de História: Articular historicamente o passado não significa conhecê-lo como ele de fato foi. Significa apropriar-se de uma reminiscência, tal como ela relampeja no momento de um perigo. Cabe ao materialismo histórico fixar uma imagem do passado, como ela se apresenta no momento do perigo, ao sujeito histórico, sem que ele tenha consciência disso. Em cada época é preciso 1 BLOCH, Marc. Apologia da História. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, p. 66. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História ANPUH São Paulo, julho

2 arrancar a tradição ao conformismo, que quer apoderar-se dela. O dom de despertar no passado as centelhas da esperança é privilégio exclusivo do historiador convencido de que também os mortos não estarão em segurança se o inimigo vencer. E esse inimigo não tem cessado de vencer. (Tese 6) 2 Em sua qualidade de arguto leitor de Marx, Benjamin não se iludia com a existência de uma pretensa História atemporal, uma verdade estabelecida e acessível, como as vozes ouvidas por Michelet nos arquivos, esperando pelo resgate do historiador. Benjamin sabia que a História é refeita a cada presente e que cada tempo apropria-se dela como bem entende. Desta maneira, ele faz saltar pelos ares o continuum da história e constrói um conceito de tempo no qual o passado não existiu, mas, sim, existe! Ou, em suas palavras, crê que A verdadeira imagem do passado perpassa, veloz. O passado só se deixa fixar, como imagem que relampeja irreversivelmente, no momento em que é conhecido (Tese 5) 3. Desta maneira, o intelectual alemão... funda um conceito de presente como um agora no qual se infiltraram estilhaços do messiânico (Apêndice 1) 4. O materialista histórico reconhece o sinal de uma imobilização messiânica dos acontecimentos, ou, dito de outro modo, de uma oportunidade revolucionária de lutar por um passado oprimido. Ele aproveita a oportunidade para extrair uma época determinada do curso homogêneo da história. O fruto nutritivo do que é compreendido historicamente contém em seu interior o tempo, como sementes preciosas, mas insípidas (Tese 17) 5. No que nos parece o ápice de sua percepção temporal, influenciada pela concepção cíclica do tempo messiânico judaico, Walter Benjamin produz um encontro histórico entre gerações e gerações de oprimidos, que se unem na luta pela redenção: 2 BENJAMIN, Walter. Obras Escolhidas. Magia e Técnica, Arte e Política. São Paulo: Editora Brasiliense, pp Idem, Ibidem. p Idem, Ibidem. p Idem, Ibidem. p Anais do XXVI Simpósio Nacional de História ANPUH São Paulo, julho

3 O passado traz consigo um índice misterioso, que o impele à redenção. Pois não somos tocados por um sopro do ar que foi respirado antes? Não existem, nas vozes que escutamos, ecos de vozes que emudeceram? Não têm as mulheres que cortejamos irmãs que elas não chegaram a conhecer? Se assim é, existe um encontro secreto, marcado entre as gerações precedentes e a nossa. Alguém na terra está à nossa espera. Nesse caso, como a cada geração, foi-nos concedida uma frágil força messiânica para qual o passado dirige um apelo. Esse apelo não pode ser rejeitado impunemente. O materialista histórico sabe disso. (Teses 2) 6 Toda esta introdução acerca do caráter do conhecimento histórico me foi imposta pela necessária reflexão sobre os acontecimentos ocorridos durante o início do ano, no que se convencionou chamar de Primavera Árabe, que teve o Egito como centro gravitacional. Para as camadas populares egípcias, a Praça Tahir se tornou local do encontro secreto, marcado entre as gerações precedentes e a nossa. Como egiptólogo esforçado e pretenso materialista histórico, foi impossível não buscar nos estilhaços messiânicos a fixação da imagem de um sopro de ar que foi respirado há mais de 4000 anos, na única revolta popular bem documentada do período faraônico. A principal fonte para o estudo dos movimentos populares no Egito Antigo foi publicada em 1909 por Alan Gardiner, sob o título de As Admoestações de um Sábio Egípcio, proveniente do texto do recto do Papiro Leiden 344, encontrado na região de Mênfis e datado do final do primeiro milênio a.c.. Logo de início, entendeu-se, a partir das suas características gramaticais, tratar-se de uma cópia tardia de um texto anterior, que a maioria dos egiptólogos atualmente localiza no espaço de tempo conhecido como Primeiro Período Intermediário, no final do III Milênio a.c.. O Primeiro Período Intermediário ( a.c.) foi marcado pelo enfraquecimento da monarquia faraônica e a descentralização do governo egípcio como havia existido no Reino Antigo. Tais mudanças parecem ter sido causadas por uma revolta popular acompanhada da invasão de asiáticos no Delta, conforme referência do próprio Papiro Leiden 344. Para o egiptólogo Moreno Garcia: 6 Idem, Ibidem. p Anais do XXVI Simpósio Nacional de História ANPUH São Paulo, julho

4 O papel dos períodos intermediários para o historiador é o de lentes que ampliam e põem em evidência os elementos subjacentes de fratura, de crise, de transformação, presentes na sociedade, mas que aparecem citados raramente nas fontes oficiais. 7 Dez anos após sua primeira publicação, por Gardiner, as Admoestações já começaram a passar por um processo de revisionismo historiográfico que afirmava o caráter não-histórico do texto. Até o final do século passado, alguns egiptólogos, como Miriam Lichtheim, sustentavam que a obra era apenas um exercício puramente literário que refletia o par ordem/caos, central na concepção de mundo egípcia 8. Tudo isto por tratar-se de um discurso de inversão social, incomum em uma sociedade em que uma classe dominante de no máximo 1% da população produzia fontes escritas. É importante fazer esta discussão, porque a gigantesca maioria dos documentos egípcios retrata um estado de ordem social a partir de uma perspectiva idealizada de continuidade ordeira, o que é explicado não somente por uma visão ideológica de classe, mas também por um fator conjunto: o fato de que as escrituras tinham caráter mágico. Para os egípcios escrever sobre a ordem era, também, uma forma de manter Maat, a deusa-conceito de ordem, justiça, verdade e medida, responsável pela continuidade do universo tal como existia. O supramencionado processo de revisionismo historiográfico pelo qual passaram As Admoestações... nada mais é, portanto, do que algo corriqueiro no campo de História Antiga e Medieval, a saber, a confusão entre a escassez de fontes provenientes das camadas populares e a inexistência de qualquer manifestação destas. Nas palavras de Walter Benjamin, este tipo de pensamento cria uma imagem de passado apropriada pelo conformismo, vazia e homogênea (Tese 14) 9. Um materialista histórico interessado em escovar a história a contrapelo (Tese 7) 10 não pode aceitar a inexistência de conflitos sociais em uma civilização que durou cerca de 3000 anos, por mais forte que seja o poder do consenso criado pela ideologia 7 MORENO GARCIA, Juan Carlos. El Egipto en el Imperio Antiguo. Barcelona: Edicions Bellaterra, p LICHTHEIM, Miriam. Ancient Egyptian Literature. Vol. 1. Berkley: University of California Press, pp BENJAMIN, Water. Op. Cit. p Idem, Ibidem. p Anais do XXVI Simpósio Nacional de História ANPUH São Paulo, julho

5 religiosa. Tampouco é aceitável responsabilizar apenas agentes exógenos, como invasões estrangeiras, pelos períodos de intensa modificação social. Ademais, há argumentos suficientes para crer na veracidade dos eventos descritos no texto do Papiro Leiden 344, conforme foi demonstrado por Ciro Cardoso 11. Não é novidade que, a exemplo de qualquer outra sociedade pré-capitalista, o Antigo Egito era eminentemente agrário. Com um meio ambiente altamente propício para o cultivo, a produção egípcia era marcada por um baixo nível de desenvolvimento técnico e tecnológico das forças produtivas (baseado no tripé corda-madeira-pedra), compensado pela abundância e intenso controle da força de trabalho. Já há muito tempo, criticou-se devidamente o conceito de Modo de Produção Asiático conforme elaborado por Marx e Engels 12, principalmente em relação à negação da chamada hipótese causal hidráulica. Esta se referia à necessidade de organização das obras de irrigação como fator fundamental para o surgimento do Estado. Hoje sabemos que o controle dos recursos hídricos era feito pelas comunidades camponesas através de obras de pequeno alcance. A atividade estatal concentrava-se nos censos de terras e trabalhadores, bem como na tributação tanto do excedente de produção quanto de trabalho, que era feita de forma extremamente violenta e penosa para os camponeses. São comuns nas cenas de tumbas imagens de lavradores diante de escribas, recebendo castigos físicos em caso de insuficiência no pagamento de cereais. Geralmente as agressões consistiam em espancamento com bastões de madeira nas plantas dos pés ou nas costas. Toda esta repressão transformou-se em rebelião popular no final do Reino Antigo. O texto das Admoestações... foi atribuído a um sábio egípcio conhecido como Ipu-Ur, que detinha o cargo de chefe dos cantores a julgar por outro documento da mesma época, conhecido como fragmento Daressy. As circunstâncias iniciais da revolta popular descrita no Papiro Leiden 344 não são relatadas. O egiptólogo José Carlos Reyes afirma que a perda de força do Estado 11 CARDOSO, Ciro. Violência e Política no Antigo Egito. Conferência apresentada no Ciclo de Debates do Laboratório de História Antiga da UFRJ. Rio de Janeiro: Um dos exemplos publicados em português é CARDOSO, Ciro, BOUZON, Emanuel & TUNES, Cássio. Modo de Produção Asiático. Nova Visita a um Velho Conceito. Rio de Janeiro: Editora Campus, Anais do XXVI Simpósio Nacional de História ANPUH São Paulo, julho

6 perante os nobres locais, que abusavam dos privilégios sobre a população, teria levado, em conjunto com a crise econômica conjuntural, à rebelião 13. O texto das Admoestações... é composto por trechos em prosa e outros e verso e se concentra em alguns eixos temáticos como, por exemplo: a oposição entre um passado glorioso e um presente em desordem; a questão da traição das forças mercenárias estrangeiras e a invasão da região do Delta; a inversão social entre ricos e pobres; o ataque às instituições; o vandalismo e a pilhagem 14. O estado de violência e desordem fica bem expresso no trecho seguinte: Em verdade [ ] o país está cheio de bandos (revoltosos), e para lavrar um homem leva o seu escudo. Em verdade o crime alastrou-se e não há homens como antigamente. Em verdade os ladrões [estão] por toda parte, os criados levam o que encontram. Em verdade o Nilo inunda (mas) ninguém lavra para si (pois) todos dizem Não sabemos o que sucederá ao país. 15 No caso do eixo de inversão social, que é mais importante para o propósito desta comunicação, há uma exaltação dos pobres em contraposição à humilhação dos ricos e à tomada de bens dos segundos pelos primeiros. Em verdade os pobres passaram a exibir luxo, e o que não podia ter sandálias possui riqueza. Em verdade os criados estão vorazes e o poderoso não compartilha [de alegria] com sua gente. ( ) Em verdade os ricos deploram e os pobres exultam; Cada cidade diz: Expulsemos os poderosos! ( ) Não há remédio para isso, 13 REYES, José Carlos Castañeda. Sociedad Antigua y Respuesta Popular. Movimentos Sociales en Egipto Antiguo. Cidade do México: Universidad Autónoma Metropolitana, pp Alguns destes eixos temáticos foram estudados, em seus aspectos literários, em JOÃO, Maria Thereza. As Admoestações de Ipu-Ur: Reflexões sobre a Sociedade Egípcia do Primeiro Período Intermediário.. NEARCO. N. 1. Ano II. Rio de Janeiro, ARAÚJO, Emanuel (Org. e Trad). Escritos para a Eternidade. Brasília: Editora da UNB, pp Anais do XXVI Simpósio Nacional de História ANPUH São Paulo, julho

7 As senhoras sofrem como criadas, ( ) Eis que as senhoras dormem em tábuas E os notáveis no celeiro, [mas] o homem que nem dormia em cubículo possui uma cama. Eis que o rico se deita com sede, e o que esmolava sobras tem bilhas que transbordam de cerveja. 16 Ainda que o texto se refira em alguns momentos aos artesãos, aparentemente, os protagonistas do movimento popular foram os camponeses. Há menções à conquista de terras, à tomada de grãos e ao não pagamento de tributos. Em verdade [desde] Elefantina [até] Tis [ ] não se paga imposto [por causa do tumul]to. Há falta de grãos, carvã e madeiras. Em verdade acabou o grão em toda parte, Em verdade os escribas de esteira 17 Têm seus escritos destruídos O grão do Egito é [agora] de quem diz: Chego e pego. Eis que o pobre em terra ficou rico e o que tinha propriedades nada tem Eis que aquele que não tinha pão possui celeiro e sua despensa está cheia de coisas dos outros. Eis que aquele que não tinha uma parelha de bois possui rebanhos, e o que nem podia ter bois de arado Possi gado. Eis que aquele que não tinha grãos possui celeiros e o que pedia grão emprestado [agora empresta] [Eis que aquele que computava] a colheita nada sabe sobre ela,. 18 Como último eixo abordado neste trabalho, cabem as menções aos ataques a instituições estatais, expressos no trecho abaixo: Falta ouro, esgotaram-se as matérias-primas de todos os ofícios. O que pertencia ao Palácio, V.P.S., foi saqueado. 16 Idem, Ibidem. pp Funcionários responsáveis pelo cadastro das colheiras. 18 ARAÚJO, Emanuel. Op. Cit. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História ANPUH São Paulo, julho

8 Diz-se: Maldito o Lugar dos Segredos! [pois agora] pertence [tanto] aos que não o conheciam [quanto] aos que o conhecem Em verdade os documentos do Grande Baluarte 19 foram roubados, seus segredos revelados. Em verdade as fórmulas mágicas foram divulgadas, tornaram-se ineficazes porque são repetidas por todo mundo. Em verdade as repartições [públicas] foram abertas e levados seus arquivos Em verdade as leis do Grande Baluarte são jogadas fora, As pessoas pisam-nas pelos lugares públicos e os mendigos rasgam-nas nas ruas. Em verdade invade-se o Grande Baluarte, os mendigos entram e saem [à vontade] nas grandes casas [de Justiça]. Eis agora que aconteceu algo jamais ocorrido: O rei foi pilhado por mendigos. Eis que se chegou a privar o país da realeza por alguns aventureiros desvairados Eis que o segredo do país 20, cujos limites eram desconhecidos, se tornou público e a Residência [pode] ser arrasada num instante. Eis que a Residência tem medo da penúria, Os homens levantam-se em agitações e não há resistência. 21 A partir de alguns trechos supracitados, José Carlos Reyes vê como indubitável a existência de uma tomada popular do governo. Tal grupo popular parece ter se tornado dirigente de pelo menos uma parte do Egito, ainda que tenha entrado em crise logo em seguida, em decorrência da impossibilidade de resistir aos ataques dos nobres e funcionários provinciais do restante do país. 19 Ao que tudo indica tratava-se de um tribunal (talvez uma prisão também) destinado a casos ligados aos camponeses e escravos. 20 Os mistérios da realeza, só conhecidos pelo faraó. 21 ARAÚJO, Emanuel. Op. Cit Anais do XXVI Simpósio Nacional de História ANPUH São Paulo, julho

9 A primeira medida dos dirigentes do governo popular teria sido a divulgação dos segredos do país, ou seja, os mecanismos de administração pública e seus registros oficiais. Para isto, é possível que se tenha contado com a ajuda de funcionários menores, incorporados ao movimento. A crise, todavia, não foi contida pelo governo popular, incapaz de resolver o problema da fome e da insegurança derivada dos conflitos internos e ataques estrangeiros. Estima-se, pelo contrário, que tenha produzido, aos poucos, a deserção de alguns grupos que apoiavam a insurreição, como artesãos, que viram piorar a sua situação com a escassez de matérias-primas e sem um governo investindo em grandes obras. Ainda que seja muito difícil precisar o intervalo temporal ocupado por este governo popular, é provável que tenha durado entre 70 e 75 dias. Em seguida, sofreu com a repressão coordenada pelos normarcas e grades nobres 22. Conclusão Durante as mobilizações populares na Praça Tahir e por todo o Egito, egiptólogos do mundo, cobertos pela mídia internacional, demonstraram acima de tudo suas preocupações com as relíquias sagradas do país, ou seja, os documentos arqueológicos da vasta cultura material faraônica. Condenou-se a invasão de museus e templos por desordeiros interessados em saquear o patrimônio histórico da humanidade. Foi com isso que os historicistas se preocuparam! Enquanto isto, os materialistas históricos observavam com admiração o levantar de um povo oprimido. Não é uma questão de desprezo pelo patrimônio material, mas, sim, de uma valorização do patrimônio imaterial do qual aquela população se apoderava, sua verdadeira relíquia sagrada. Mais do que cacos de cerâmica milenares, tão valorizados pelos arqueólogos, as camadas populares demonstrava interesse nos estilhaços messiânicos descritos por Benjamin. Estes estão ao alcance de qualquer um, cabe a nós o trabalho cuidadoso de reuni-los na luta pela redenção daqueles homens e mulheres que derramaram sangue na mesma areia egípcia há mais de 4000 anos atrás. 22 Sobre a teoria de um governo popular, ver REYES, José Carlos Castañeda. Op. Cit. pp Anais do XXVI Simpósio Nacional de História ANPUH São Paulo, julho

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