MUTUALISMO, SEGURANÇA SOCIAL, SEGUROS

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1 Forum Abel Varzim Desenvolvimento e Solidariedade Rua Damasceno Monteiro, n.º 1 r/t LISBOA Colóquio MUTUALISMO, SEGURANÇA SOCIAL, SEGUROS 14 de Outubro de 2006 Culturgest - Lisboa Intervenções PROGRAMA Mesa Redonda Soluções a adoptar? - Moderador: Dr. Carlos Andrade - CGTP-In - Dr. Manuel Carvalho da Silva - UGT - Eng.º João Proença - AIP - Dr. Artur Pais Sessão de Encerramento Deputada Isabel Santos Comissão Parlamentar do Trabalho e Segurança Social Conclusões Dr. Acácio Catarino Patrocínios:

2 Eng.º João Proença 1 [Saudações] O Colóquio [chama-se] Mutualismo, Segurança Social, Seguros, mas tem como palavra de ordem, realmente, mais inter-ajuda e solidariedade - e é esta questão que é central: como actuar em termos dos sistemas para promover mais inter-ajuda e solidariedade. E dizer, á partida, que mais interajuda e solidariedade, de facto, implicam acções na área pública e na área privada e que isso esteve muito em causa nas discussões da Segurança Social Pública, embora também [se tivesse] desenvolvido o quadro do Mutualismo, da Economia Social. Quando falamos das políticas públicas e referimos o efeito redistributivo e a solidariedade, [ ] [importa], à partida, dizer que [parte dessas] políticas públicas está no Orçamento de Estado. Nos impostos que todos pagamos, devia ser eventualmente, digamos, maior a componente indirecta, mas com a componente directa, de facto, pagam mais aqueles que têm maior nível de rendimentos ou, pelo menos, deviam pagar e é aí que há redistribuição, incluindo por políticas directas como aquelas em que somos questionados na área da doença, por exemplo o Serviço Nacional de Saúde. Mas também há políticas directas ligadas ao funcionamento da Segurança Social, porque quando estamos a falar de segurança social, falamos de, digamos, duas seguranças sociais: a Segurança Social que é financiada pelos descontos dos trabalhadores e empregadores sobre a folha de salários e a Segurança Social onde está a Acção Social, onde estão os regimes contributivos ou fracamente contributivos, onde está, por exemplo, o rendimento mínimo, onde está a pensão social, tudo financiado pelo Orçamento de Estado. E, portanto, essa componente é uma componente de solidariedade directamente financiada por impostos. É uma componente fundamental. Agora, o que está em causa também é muito importante: mas na Segurança Social contributiva, deve haver ou não solidariedade? Eu quero dizer, à partida, que, em regime de capitalização a solidariedade é nula. Eu desconto para ter direito à minha pensão, eu não aceito que a minha pensão seja prejudicada pela pensão de outros. Portanto, é o regime de distribuição que de facto 1 1 Texto retirado de gravação. Editado

3 assegura a tal solidariedade. E há aqui, também, discussões, porque há quem diga [que] pode haver mais ou menos solidariedade. Por exemplo, quando nós entendemos que as pensões mais baixas devem ser actualizadas com valores mais altos do que as pensões mais elevadas, estamos a assumir solidariedade. Quando a forma de constituição das pensões favorece eventualmente um maior factor de substituição para as pensões mais baixas, estamos a assumir factores de solidariedade. Portanto, dentro do próprio Regime Geral Contributivo da Segurança Social, deve ser assumida a solidariedade. Quando se fala [em] mais ou menos capitalização e foi muito do tema deste debate eu também lá ia um bocadinho dizer que, à partida, quanto mais capitalização, menos solidariedade no sistema da segurança social de regime distributivo. Há, mas a capitalização de que estamos a falar não é a solidariedade de hoje!, é a solidariedade de aqui a vinte ou quarenta anos, é a solidariedade entre gerações. Nós precisamos da capitalização para defender os jovens. Bem, depende muito da maneira conforme for feita a própria capitalização. Nós achamos que assumir as reformas da Segurança Social, atempadamente, é defender os jovens. Nós estamos perante um sistema de segurança social que, sem reformas, está em risco de entrar em ruptura. O que é que significa a ruptura? Significa que as receitas não são suficientes para cobrir as despesas. E, então, para as receitas serem suficientes para cobrir as despesas tem que haver uma quebra, imediata, brutal, a nível das pensões. É isso que está em causa, quando se diz que, de facto, as reformas têm de ser tomadas antecipadamente, antes que haja problemas [no Sistema de] Segurança Social. E isto também significa as actuais gerações assumirem sacrifícios que, eventualmente, poderiam ser retardados, nas decisões. Quando se diz que com o actual sistema, sem qualquer tipo de reforma, até 2015/2016 não havia qualquer problema, bem, são dados concretos, actuais, porque há um Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social, que tem uma verba relativamente avultada e que dava para pagar os défices. Mas, depois em 2015/2016, há défice. Como é que se paga o défice? Ou há, de facto, um 2

4 sacrifício, via Orçamento de Estado, ou há uma ruptura na Segurança Social - e serão fortemente penalizados os pensionistas da altura, que verão diminuída a sua pensão, e os futuros pensionistas que verão diminuída [por alteração da] sua fórmula de cálculo. Portanto, assumir as decisões agora é uma forma de solidariedade com o futuro, portanto com os jovens, e essa questão, para nós, parece-nos uma questão central. Nós, nesta discussão, batemo-nos por mecanismos de capitalização, tenho muito presente. Dentro do sistema actual de segurança social, há um mecanismo de capitalização, é o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social, e há outro mecanismo que é a questão das tais contas individuais de capitalização, que já foram faladas. Nós batemo-nos, e continuamos a bater-nos, pelos mecanismos complementares de segurança social [no sentido de] serem claramente favorecidos, face à poupança individual. Até como foi, muito bem, aqui referido, o incentivo aos PPR s não incentiva basicamente a poupança individual, [antes] desvia a poupança individual de uma utilização para outra utilização, [porque a poupança], se os PPR s não tivessem o benefício fiscal, seria investida noutro sítio, mas pouca poupança directa há, ligada a esta poupança individual. Uma poupança colectiva, nomeadamente por via da negociação colectiva, é uma poupança efectiva, logo deverá ser fortemente incentivada, [beneficiando] portanto os Fundos de Pensões. Eu quero dizer também aqui que, às vezes, se comparam coisas diferentes. Diz-se [que] os funcionários públicos têm pensões mais elevadas, [mas] muitas grandes empresas têm pensões análogas às dos funcionários públicos, porque têm mecanismos complementares de segurança social. Quando se fala para comparar os sistemas, [compara-se] o mecanismo [da] Caixa Geral de Aposentações com o Regime Geral da Segurança Social, mas ignoram-se os mecanismos (complementares) que asseguram a tal complementaridade. A diferença básica, hoje, entre os públicos e os privados é, portanto, esta: o público assegura o nível de pensão (deixa de ser agora, deixou de ser já esta ano), de 90% do salário, [enquanto] o outro é 80% do salário. A diferença básica é o tal factor de substituição. É a diferença efectiva, mais importante, actual. E, às vezes, [ao] comparar níveis de pensões, [ao] 3

5 comparar níveis de salários, é bom comparar o que é comparável e não comparar o que não é comparável. Na Administração Pública, se se retirarem os professores, os médicos, é evidente que o nível médio de salário baixava brutalmente. É evidente que o nível da pensão média baixava brutalmente. Portando é bom [ter cuidado] com essas comparações. Mas eu continuaria nesta área, [falando] da necessidade de uma reforma, de uma reforma que assegure o reforço dos mecanismos de capitalização. Aliás, a UGT, por exemplo, não tem hoje complexos nesta matéria. Propôs, como noutros países [que] o sistema actual garanta uma pensão e de acordo com as discussões havidas, o valor da pensão foi agora plafonado [em] doze salários mínimos. Por exemplo em Espanha, é cinco ou seis, portanto em todos os países da Europa o sistema público assegura um dado nível de pensões. Acima do público, no privado, em Portugal, estão plafonadas as pensões, não estão plafonadas as contribuições. As pessoas descontam para a Segurança Social, [mas] nós sabemos bem que este desconto é um desconto transitório. Os salários destas pessoas estão fora da negociação colectiva, [ ] para calharem dentro dos doze salários mínimos, e portanto [é preciso] dizer porque é que 50% não revertem para solidariedade e 50% revertem para capitalização. [Esta] foi uma proposta nossa que não foi aceite. Houve uma reforma, a reforma é solidária com as futuras gerações, [esta] reforma ataca os principais problemas da Segurança Social, tenhamos presente. O principal problema da Segurança Social é o factor de envelhecimento, como foi dito. O factor de envelhecimento não é só um problema da esperança de vida, também é o da relação entre população activa, população não activa e reformados. A imigração afecta fortemente o factor de população activa, o aumento da taxa de natalidade é evidente que favorece estes problemas, mas a questão central, hoje, é o aumento da esperança de vida. E o aumento da esperança de vida teve duas respostas dos países Europeus: a esmagadora maioria [não altera] o factor esperança de vida, outros países, nomeadamente a Alemanha, [preferem] o aumento da idade obrigatória da reforma. É este o factor fundamental em todos os países, porque, como digo, nas reformas e nos sistemas de segurança social existentes na Europa, pode haver mais ou menos 4

6 capitalização, [mas] não há não há! a solução milagrosa da capitalização que nos tentam vender como a solução que vai resolver todos os problemas, [enquanto] a repartição não resolve nenhum. Não é verdade. A esmagadora maioria dos sistemas Europeus de segurança social é, basicamente, sistemas de repartição, como é o nosso. A esmagadora maioria dos sistemas, nomeadamente Espanha, França, Alemanha, portanto os grandes países, e também pequenos países e ainda os países nórdicos, [nomeadamente] a Suécia, que introduziu a capitalização há pouco tempo, e outros três a Finlândia, Noruega ou Dinamarca [ ] são basicamente sistemas de repartição. Agora, [sobre] introduzir mais ou menos sistemas de capitalização, nós achamos que essa é uma discussão complementar. As reformas de fundo são ligadas ao factor sustentabilidade e a outras questões, nomeadamente o combate à fraude, a melhoria do nível de receitas por mecanismos diversos, incluindo a actuação ao nível dos factores que levam ao desconto e o problema dos sub-regimes da Segurança Social. Porque é que há tantos sub-regimes em que as pessoas pagam menos e a taxa social reduzida? Como é que o sistema dos independentes está claramente misturado com o regime geral? Devia estar mais separado e assegurar os direitos correspondentes às contribuições efectivas. Portanto, há muitas questões que poderão ser discutidas na Segurança Social. E algumas não foram. As taxas reduzidas não foram, a pensão de sobrevivência não foi. Porque é que se fala tanto que as pessoas vão ver afectada a sua pensão de sobrevivência? Vai ser uma discussão futura. Uma discussão futura, dizendo que há que melhorar certo tipo de pensões, nomeadamente a pensão das pessoas deficientes, ( ) a pensão de sobrevivência quando haja filhos menores sobrevivos e, eventualmente, as pensões de pessoas que tenham um alto nível de rendimentos assegurado. Há que questionar se o sistema actual da pensão de sobrevivência é o mais adequado. É isso que está em causa numa discussão futura. Não houve discussões ainda, não há nada decidido nessa matéria. Já agora, antes de entrar na capitalização A capitalização é, claramente, uma questão que nós consideramos complementar e a actual reforma actuou sobre os factores fundamentais. Poderá haver mais ou menos capitalização [essa] é 5

7 uma discussão que deve ser tida em permanência na sociedade portuguesa. Discutir nomeadamente as vantagens e inconvenientes da capitalização, discutir ( ) como é que se assegura a transição e como é que se paga a transição que corresponde a uma diminuição brutal de receitas da Segurança Social. Bem, brutal, se for a capitalização de que alguns andam a falar hoje. Pode ser mais pequena, portanto há diminuição de receitas que têm que ser colmatadas, em termos das receitas da Segurança Social. São questões que têm que ser discutidas e [aliás] eu quero dizer que isto já anda a ser discutido há vários anos. Aparentemente, a capitalização surgiu agora. Bem, na Lei de Bases da Segurança Social e no acordo de 2001, havia um plafonamento voluntário, acima de doze salários mínimos; o Governo caiu, não foi implementado, e o novo Governo disse: Não, isso é pouco! Vai haver um plafonamento obrigatório acima de um certo valor - e o valor de que se falava era de dez salários mínimos - e vai haver um plafonamento voluntário entre seis e dez salários mínimos. E fez-se uma nova Lei para isso. Agora, fala-se numa capitalização diferente, um plafonamento obrigatório superior a um salário mínimo, desde abaixo até acima. Mas (??? plafonamento obrigatório, quando muito, não é,???) como isso dava um buraco muito grande na Segurança Social [afinal] é só ou para os novos entrados no Sistema ou para os que têm até trinta anos ou coisa no género. Portanto, temos aqui várias áreas de capitalização, que foram apresentadas em formas diferentes. Há bocado, o Dr. Santos Teixeira falava de uma outra forma de capitalização, que era ir buscar um terço do valor do que eu desconto para a segurança social e, obrigatoriamente, pô-lo num fundo de pensões. Um terço, portanto o Dr. Santos Teixeira apresenta uma fórmula um pouco diferente. Há que discutir a capitalização, sem complexos, mas discuti-la claramente no quadro de vantagens para as pessoas. [Será que] as pessoas têm com isso garantida maior ou menor pensão? Porque, é evidente, se vão ter um fundo de pensões, uma capitalização de um terço da pensão, vão ver esta reduzida e o sistema de distribuição só fica com 2/3. E como é que os 2/3 asseguram a solidariedade? Se a solidariedade, hoje, é assegurada por 100%, como é que a assegura? E o que é que este fundo de pensões tem a ver com o Subsídio de Desemprego 6

8 e [com] as regras que estão ligadas ao cálculo das pensões? E com as doenças e outras questões? Estas questões têm que ser claramente discutidas e discutidas sem complexos. Portanto, é evidente que nós quando pensamos na Acção Social, pensamos, de facto, na solidariedade para além da Segurança Social, do regime contributivo, cuja sustentabilidade é qualquer coisa de BASE em termos dum direito fundamental das pessoas: as pessoas descontaram para ter direito a uma pensão. Hoje, o sistema público assegura o Serviço Nacional de Saúde, hoje, há uma educação pública, hoje, o Estado tem uma componente social, tem claramente uma componente social, em termos da Acção Social [ ] e aqui [é preciso saber] qual o tipo de Acção Social e [qual] o papel, nomeadamente, da sociedade civil. O Estado financia basicamente as despesas das IPSS s e das Misericórdias. Grande parte do financiamento é um financiamento público, portanto via Impostos, via Orçamento de Estado. Como melhorar a função social do Estado? Que papel, [o] das Autarquias? Que papel, [o] das ONG s, para assegurar este papel de solidariedade? Este papel de solidariedade é uma questão central. Permitam-me também, até há bocado fui questionado [que pergunte]: e os Sindicatos batem-se ou não pela Economia Social? Eu acho que essa é [também] uma questão central, até porque foram faladas as Mútuas. As Mútuas nasceram no movimento sindical. Eu, no ano passado, mais ou menos a treze de Outubro, em Salamanca, integrado no Fórum Cívico da Cimeira Ibero- Americana, fiz uma intervenção sobre Economia Social, Uma Aposta do Movimento Sindical. A Economia Social engloba, digamos, várias maneiras de [a] assumir e [que] aparecem sob várias designações: Economia Social, Terceiro Sector, Sector Não Lucrativo. Engloba organizações diferentes da nossa sociedade. [É] o caso das Cooperativas, o caso das Mútuas e outras organizações, o caso das ONG s. É um sector que, de facto, é fundamental e tem um papel a desempenhar nesta matéria. É um sector que, em Portugal, tem uma tradição muito antiga. Vem do Século XII, o desenvolvimento das 7

9 Misericórdias, do Século XV, o desenvolvimento das Mútuas, que nascem, como disse, basicamente, como sociedades de classe, sendo[de] trabalhadores desfavorecidos [ou] de organizações de entreajuda social. [É importante também] o papel das Fundações e ( ) de associações diversas. Este sector social, em Portugal, tem mais de de associados e assegura emprego a mais de trabalhadores. É evidente que são sobretudo as Cooperativas que estão aqui presentes, mas é um sector importante. E é um sector que tem sido desprezado em Portugal, nos últimos tempos. Tenhamos presente que o movimento cooperativo, não sei [se] se hoje é mais apoiado pelo Estado do que o era até antes do 25 de Abril. Certas cooperativas sim, outras cooperativas não, nomeadamente na área agrícola, e portanto têm um papel fundamental a desempenhar. E quando falamos nas áreas, nomeadamente nos fundos de pensões e outros, nós achamos que é um lugar justamente para os três sectores o Sector Público, o Sector Privado, o Sector da Economia Social. E também [quero] dizer que uma das frases em que nos atirávamos ao ar, quando dessas sessões da reforma, era a frase que dizia que a gestão das contas individuais de capitalização tinha que ser entregue, parcial ou totalmente, ao sector privado, para aumentar a rentabilidade. Nós dizíamos não, para fomentar a competição e, através disso, a competitividade, porque não está provado que o sector privado seja melhor gestor que o sector público - e não [o] é por definição. E quando é [dado observar] alguns números que constam do Relatório do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social, [podemos constatar que este Fundo] teve uma elevada rentabilidade e teve uma rentabilidade superior a muitos fundos privados e geridos pelos privados. Haverá outros que tiveram rentabilidade superior, com certeza, mas digamos, a gestão pública não é, sequer, inferior à média. E, portanto, nós achamos que há lugar para os três sectores e que deve claramente privilegiar-se o sector da Economia Social, nesta matéria. E ter presente que, realmente, dentro das pensões, dentro dos mecanismos complementares devem-se favorecer aqueles que têm assento na negociação colectiva. Não vão aumentar muito nos próximos anos e daí grandes problemas; quando se fala em capitalização, a questão central é [saber se] os 8

10 descontos obrigatórios têm que ser desviados para a capitalização. Nós achamos que essa é uma discussão em aberto, mas é fundamental que descontos voluntários revertam para os mecanismos de capitalização, nomeadamente os Fundos de Pensões, resultantes da negociação colectiva. Muito Obrigado! 9

11 Dr. Manuel Carvalho da Silva 2 Obrigado pelo convite. Quero saudar o Forum, os seus organizadores e os seus actores de todos os dias pelo esforço que fazem para que esta Instituição funcione e por aquilo que conheço da vida e obra de Abel Varzim que, por acaso, é natural do meu Concelho. Eu, há pouco estava ali sentado e dizia: É pena ele não estar aqui, gostava de o ver reagir. Vivemos um tempo difícil e, portanto, estes debates são muito, muito necessários. Eu mesmo, correndo o risco de ser um bocado incómodo e até provocador, vou colocar duas ou três observações iniciais. Num primeiro comentário, vou procurar responder ao desafio que o Dr. Carlos Andrade, estimado amigo, colocou. Na organização da minha comunicação, procurei desenvolver ideias sobre um ponto, que é a questão da Segurança Social, mas também sobre um outro, que é o mote que é dado num textozinho que acompanha o programa: o de encontrarmos novos procedimentos e formas organizativas para promover mais inter-ajuda e solidariedade na adversidade, na doença, no desemprego, na velhice, entre pessoas, grupos e gerações. Acho que este é um grande desafio, muito grande desafio. O debate da Segurança Social deve ser instrumental, em relação a esse objectivo, mas as tais duas ou três questões que, à partida, quero colocar são as seguintes Primeiro, eu acho que, acerca desta discussão sobre a Segurança Social, mas não só, o país está distraído, por exemplo [sobre] sobre as mudanças que se estão a operar na área da saúde e as suas implicações, que são muito e muito delicadas. Mas também noutras áreas. Eu procurarei referi-las, algumas de passagem, mas nós todos e, em particular, numa assembleia destas não podemos deixar de colocar esta questão: nós temos que nos interrogar sobre aqueles que são mais velhos, que pertencem à minha geração ou a gerações mais velhas; nós convencemo-nos que havia interiorizações profundas de certos 10 2 Texto retirado de gravação. Editado.

12 valores da Democracia na sociedade portuguesa, mas não são assim tão profundas. A sociedade portuguesa tem défices significativos de debate, de informação, de participação e, portanto, de inculcação de valores, de princípios e torna-se vulnerável. E nós, no meu ponto de vista, estamos perante uma onda de neo-liberalismo, uma paranóia de neo-liberalismo, que apanha a sociedade portuguesa mais desarmada do que outras sociedades e, portanto, com mais dificuldades de responder a certas situações. A nossa Democracia é jovem, mas não é só a democracia, é a história do país e isso levava-nos a uma longa discussão. A primeira nota era esta. E, portanto, isto é um desafio a nós todos. Esta consideração, eu estruturo-a, em primeiro lugar, em relação a mim próprio e ao papel que podemos desempenhar. A segunda, é que quando discutimos a Segurança Social, estamos a discutir um valor equivalente a 12% do Produto Interno Bruto, portanto um valor muito apetecido. Nós sabemos onde é que os mercados financeiros andam a pesquisar para encontrar verbas, para encontrar dimensões financeiras, para dinamizar e relançar os mercados financeiros; e sabemos o que é que isso significa, sabemos que muitas vezes o relançamento desses mercados financeiros, cujos êxitos são apregoados, corresponde um contributo para desarmar a própria economia. Portanto, pensemos nisto. E todos nós sabemos o que é que significam de extraordinariamente positivo as conquistas sociais obtidas ao longo de décadas, os chamados direitos sociais, se quisermos, aqui na nossa Europa. Sabemos o que significa como avanço o Estado Social, com as suas diferenciações que foram sendo construídas, mas também sabemos que implicou a mobilização de volumes de dinheiro muito grandes o que é preciso, porque senão, não há direitos. Não está aqui colocada uma mera visão colectivista, não é isso, mas é a sociedade, a velha relação individual/colectivo, que está aí sempre a ser retomada, que precisa de ser considerada. Portanto, deixemo-nos de histórias. 12% do produto interno bruto é muito apetecível e, às vezes, começar a entrar lá é meio caminho para depois deitar a mão a outras coisas. Há muitas formas de chegar ao bolo e de pôr o bolo a favor de interesses. E, postas estas considerações, eu diria que os ensinamentos da estruturação e do papel que o Sistema de Segurança Social tem, em Portugal, 11

13 são ensinamentos profundamente positivos e, do meu ponto de vista, um dos melhores contributos não só para o combate às desigualdades, à pobreza e pela coesão social, mas também como impulso do próprio crescimento económico. E, para mim, reflectindo sobre estas matérias [direi que] nós não temos muitas construções mais positivas do que esta. Claro que tem hoje desajustamentos, isso é evidente, e é preciso debatê-los. Há atrasos no seu debate, isso é claro, para mim é claro, pode não ser para outros, mas para mim é. Lembremo-nos disto: no início de 1973, havia apenas portugueses com direito a pensão de reforma, no chamado regime geral. Portanto, o que foi feito, o que foi necessário fazer? Eram centenas e centenas de milhar de pessoas que não tinham protecção nenhuma. O que é que a Segurança Social e, em concreto, os descontos dos trabalhadores, portanto o que é que o sistema contributivo deu para os outros sub-sistemas, o que é que deu? Deu imenso. Eu tenho a convicção, usando a expressão da Prof.ª Manuela Silva, recentemente, que o sistema é necessário ser reestruturado, o Sistema da Segurança Social necessita de ser permanentemente trabalhado e, de tempos a tempos, fazerem-se reformas mais significativas. Mas ele tem potencialidades, as reformas devem ser feitas a partir dele para o revalorizar e para o relançar. E, portanto, comungo desta ideia. E depois a outra questão que aqui foi dita há pouco de que as questões da Segurança Social são matemática pura e cálculos actuais. Não são nada. São instrumentos, não nos confundamos. A questão da Segurança Social é uma questão de opções políticas, de opções para a sociedade. [Saber] que valor damos à dimensão social, [saber] o que é que para nós significa um sistema de Segurança Social, esta é que é a questão! Porque é que este sistema foi estruturado, porque é que os outros sistemas, por aí fora, foram estruturados, a [sua] génese. Podemos ir às géneses dos sistemas do Século passado, à Alemanha do Bismark, e sabemos qual é a génese, mas [não] a evolução deste sistema e a sua Filosofia, como é que se desenvolveu, dando-nos o sentido do seu fundamento. O problema é de questões sociais e como as encaramos. Podemos dizer que o sistema tem uma outra componente que, de certa forma, aqui era referenciada: 12

14 são os desvios provocados pelo eleitoralismo, a maior parte das denúncias que se fazem, dos benefícios dos malandros dos trabalhadores da Administração Pública [que] lhes foram concedidos em determinados contextos, para ganhar votos. Há dias, chocou-me, a propósito das reformas, [que] agora os trabalhadores da Administração Pública, malandros, têm que ter o mesmo tempo de férias dos outros. Em 2001, foi-lhes dado este sistema de férias, como forma de não lhes aumentar os salários e dizendo que aquilo ia resolver tudo e mais alguma coisa. E agora tomem lá, seus malandros, porque assaltaram aqui o direito às férias. Mas isto não nos choca, neste País, nem nos pode chocar, quando nós vemos um empresário sair de uma assembleia de prestigiados empresários, dizer [que] esta coisa de pagarmos 14 meses de salários num ano, isto não tem sentido, porque o ano só tem doze meses. Eu encontrei pessoas na rua, duas pessoas, a dizer-me Oh pá, isto agora está difícil, de facto o ano só tem doze meses, como se trabalhadores e patrões, quando estabeleceram o 13.º mês e o subsídio de férias, não tivessem consciência disso e como se a questão não fosse uma questão de distribuição da riqueza e de direitos sociais e de matriz de sociedade porque não é só, meramente, a questão social. Portanto, estas coisas têm outros fundamentos; e depois é precisa a matemática, a sério e os cálculos actuais, etc., para gerir bem. Mas essa é outra questão. Isso levava-nos a outra discussão: se há menos riqueza, se há menos capacidade de produzir riqueza, se é possível produzir mais e como. E assim íamos por aí fora para campos muito complicados. Acho que hoje também está clara uma outra coisa. A teoria de que um sistema de capitalização puro, com capitalização e individualização, resolve problemas estruturais é treta, é mentira, os problemas estruturais são problemas da sociedade, seja qual for o sistema, têm é que ser tratados. E, já agora, digo, o aumento da esperança de vida é uma evidência, para mim é uma das conquistas, talvez uma das grandes conquistas, [talvez] a maior conquista que a sociedade humana conseguiu no último século e meio, ou no último século e vinte anos, porque as grandes mudanças são aí. É uma extraordinária conquista, positiva. Mas a convocação do aumento da esperança de vida, como 13

15 justificação para determinadas medidas, é apenas instrumental. Mas podemos invocar que os problemas demográficos são múltiplos. É o aumento da esperança de vida que nos leva a uma discussão de todo o percurso do trabalho, desde a pré-entrada, à entrada, ao período activo todo, á saída. Não é só na reforma que se resolve isto. Mas temos o problema da natalidade, temos o problema da migração, temos (para usar uma expressão que hoje ouvi de uma pessoa que trabalha muito as questões da migração) a questão da mobilidade humana, em termos gerais. Estes problemas são muito mais profundos, podíamos convocar qualquer um deles para justificar certas medidas. Mas é perante isto que estamos, ou seja, é preciso um combate ideológico muito forte. Pela minha parte, estou convicto que o Sistema, como disse, respondeu a muitas coisas, mas há respostas que deu que estão desactualizadas. É curioso, há pouco falava-se aqui da questão da pensão de sobrevivência. Essa pensão tem uma história, e está desactualizada, precisa de actualizações, mas a mim choca-me quando se faz um conjunto de ataques estruturais ao sistema e depois se utilizam coisas destas que precisam de ser trabalhadas. Não sei o que é que vai sair, vamos ter de estar muito atentos, para não saírem asneiras, como é evidente. [Nestas ocasiões] aproveita-se para fazer populismo, e para baralhar [as pessoas]. Eu sou muito frontal, porque gostava até de discutir isto, porque tem coisas mais profundas. Portanto, muito cuidado com os populismos todos. Há, portanto, que ir à origem. O problema para mim, como nós, na CGTP, contestamos, é que não se vá pela diminuição da taxa de efectivação. Nós não temos uma posição absolutista sobre a taxa de efectivação, sobre a redução da taxa, mas ela tem uma história. Então vamos às causas dessa história, então vamos buscar compromissos sobre salários, sobre emprego, sobre factores estruturantes da produtividade, etc.; vamos trabalhar nisso e depois vamos chegar a entendimentos. Agora, se não fazemos as duas coisas (porque estes sistemas têm uma origem), é um compromisso de duas partes, do Capital e do Trabalho, do Capital Privado e mesmo do Capital Público. Este compromisso 14

16 não pode ser destruído, não pode haver aqui desequilíbrios, a equidade na discussão [desta matéria] é fundamental. E também se alteraram as formas de obtenção do lucro pelo trabalho. Então as tecnologias? Cuidado, não se acrescentem encargos em função das tecnologias, porque isso é perigoso!! Mas a tecnologia não é um instrumento extraordinário de aumento da riqueza? Essa não é uma das enormes mudanças que se produziram nestas últimas décadas, e que se projecta produzir? Então vamos discutir abertamente, sem nenhuma verdade pré-definida. Mas vamos discutir como é que se mantém este equilíbrio. E é apenas aqui que nós levantamos a questão, porque depois há muita coisa no projecto, com a qual estamos de acordo. Permitam-me, telegraficamente, [falar ainda] sobre os novos procedimentos e novas formas organizativas. Só inventariar. Eu acho que é interessante esta vossa referência, mas é muito exigente. Onde é que isto nos leva? Primeiro, é preciso combatermos a ideia de que o crescimento económico, só por si, trará soluções para tudo. Não traz! [Ou] as politicas de crescimento económico são definidas ao mesmo tempo e cumpridas opções de modelo social, de direitos no trabalho, de trabalho com direitos, de combate às desigualdades, de abordagens profundas da fiscalidade, de distribuição da riqueza, ou o crescimento económico pode não significar nada, ou, mais, pode significar alguma coisa negativa. E, portanto, é logo uma precaução para temos mais coesão, no futuro. Depois, a questão da falta de emprego e outras exigências, como seja: o que representa hoje o enfoque absolutista, no combate ao défice público?. Do meu ponto de vista, é instrumental. Quando chegamos junto de membros do Governo, incluindo o Primeiro-Ministro, [e nos dizem] esta coisa da administração pública nós tínhamos de encontrar aqui alguma resposta positiva, mas eu não tenho dinheiro, não me deixam ter dinheiro. Como é isto? O que é que isto significa? Do meu ponto de vista, o enfoque é excessivo no combate ao défice público; em termos gerais, faz parte de um estratégia, que facilita o ataque aos direitos sociais, que facilita, portanto, todo o processo de privatizações, etc., etc., que não implica outras 15

17 obrigações e que facilita uma coisa. O capital financeiro, hoje, move-se com todo o à-vontade, desloca-se com todo o à-vontade e não tem obrigações para com o colectivo da sociedade. E o capital produtivo tem de seguir o caminho, porque a especulação dá mais. Mas isto é caminho da sociedade? Mas entramos noutro campo, que é: ao nível dos Estados, podemos fazer alguma coisa ou não podemos? Eu acho que podemos sempre. A submissão é a pior conselheira e, portanto, vamos lá ver o que é que se consegue. Depois, como resolver problemas aqui aflorados, como a doença, a solidariedade, a exigência da convocação da saúde, desde logo numa perspectiva preventiva? Nós não temos nenhuma discussão sobre a saúde, neste momento, numa perspectiva preventiva. E essa é a questão fundamental, essa é que pode ajudar a [obter] respostas. [Isto] implica outras coisas, como a gestão dos tempos activos, a questão do valor do trabalho. Eu há pouco [perguntava]: o que é que preside aos objectivos das políticas económicas, das políticas orçamentais? Eu não tenho nenhuma visão absolutista, também [acho] que uma opção pela procura [não] resolve os problemas em absoluto. Não. Mas tem de se olhar para as pessoas, tem que haver aqui equilíbrio. Agora, políticas orçamentais que põem de lado as pessoas É evidente que tem que haver alguma pressão neste País para a procura do investimento, [isso] é muito positivo. Leva á poupança, é muito positivo, mas interroguem-se porque é que é que está a acontecer este boom de emigração?. Ouvi hoje, não são por ano, não são portugueses por ano que se mexem. É provável que nos estejamos a aproximar dos Porquê isto? Porque é que as pessoas vão? Que limitações é que lhes foram colocadas? Quantas dependências no endividamento, de que agora não têm saídas? Portanto, solidariedade é isto tudo mais duas coisas: não há políticas de solidariedade se não tratarmos da coesão, a coesão social, a coesão territorial, as dimensões diversas da coesão. Para onde é que estamos a ir nestes campos que eu referi e noutros que podemos mencionar? E, depois, [é preciso] o debate ideológico por onde comecei, porque os caminhos das sociedades humanas fazem-se a partir de ideias, de projectos. É preciso estudar, estudar, estudar. Não há saídas por exercícios de matemática nem só por luta, luta, luta. 16

18 Não. São precisos projectos, e projectos têm ideologias, ou formam-se nas ideologias. Muito obrigado pela vossa atenção, e perdão ao moderador! 17

19 Dr. Artur Viegas de Soares Pais 3 [Saudações] e começaria por dizer que eu acho que o actual sistema de segurança social é profundamente injusto. E não só é profundamente injusto, como se diz, também, que é um sistema que admite uma solidariedade intergeracional. Eu na verdade até agora só vi essa solidariedade inter-geracional no sentido unívoco, isto é, no sentido dos mais novos para os mais idosos. Quem está efectivamente [a fazer] sacrifícios para que as pessoas mais idosas possam ter, digamos, o actual nível de pensões, são efectivamente aqueles que neste momento estão na vida activa. Portanto, acho que, efectivamente, em relação a isto, esta solidariedade inter-geracional não existe; acho que, no fundo, é mais um aspecto do quem vier atrás que feche a porta. Porque, na verdade, o que interessa é que as pensões, para aqueles que neste momento, ou já estão na reforma ou já estão perto da idade da reforma, tenham um determinado nível e depois, em relação aos mais novos, que vão entrar em reforma dentro de alguns anos ou dentro de trinta ou quarenta anos; nessa altura eles terão que resolver o problema por eles próprios, porque nós já cá não estamos. Portanto, quando se fala em solidariedade inter-geracional, acho que é uma coisa que não existe! Que não existe! Acho que, na verdade, nós (aliás já alguém disse que isto era uma conspiração grisalha é na verdade um pouco assim), neste momento, estamos a definir as condições para quem neste momento é reformado e quem vai entrar na reforma dentro de alguns anos. Depois, quando o sistema da reforma entrar novamente em ruptura e possivelmente não vai demorar muitos anos, logo se fará outra discussão, logo se trarão outras medidas, enfim, mais ou menos eficazes para aguentar o Sistema. Tanto mais que reparem uma coisa, este sistema da Segurança Social é um sistema que, ao contrário do sistema de qualquer empresa, é um sistema que se preocupa apenas com a questão da tesouraria, não se preocupa com o equilíbrio económico do [próprio] Sistema. O equilíbrio económico do Sistema, neste momento, não existe, está completamente desequilibrado. Porquê? 18 3 Texto retirado de gravação. Editado

20 Porque ao longo dos anos [da existência] deste Sistema de Reformas, foram sendo retirados da Segurança Social, pelos mais diversos governos (mesmo antes do 25 de Abril e depois do 25 de Abril também e bastantes), os montantes mais diversos para acorrer a outros objectivos. E o que aconteceu foi que, neste momento, esses valores que foram retirados ao longo de quarenta anos, pelo menos, para não dizer mais, neste momento estão a fazer falta. Quando se diz que a transferência de um sistema de repartição para um sistema de capitalização, se paga muito caro... Não! Não é, paga-se muito caro! Tem é que se fazer reentrar no Sistema todos os dinheiros, todo o montante, como o capital que durante quarenta, cinquenta ou sessenta anos foi de lá retirado. Portanto, são coisas completamente diferentes. Mas vejamos; em ralação ao sistema actual de Segurança Social, aquilo que eu acho é que deveria, talvez, haver aqui uma reformulação, bastante profunda. Neste momento o sistema de Segurança Social tem, fundamentalmente, ou melhor, as [suas] três principais funções são: a Solidariedade, com a qual eu estou completamente de acordo e que deve ser efectivamente feita através da Segurança Social, mas automaticamente ressarcida pelo Estado, porque obviamente, as pessoas que estão a descontar para a S. S., não é sobre elas que deve recair esse ónus o ónus da solidariedade deve recair em relação a todos portugueses e, portanto, só o Orçamento Geral do Estado é que poderá fazer com que esse ónus recaia sobre todos os portugueses. Portanto, a solidariedade deve continuar a ser da S. S., mas deve ser (obviamente) completamente financiada pelo O. G. E. e parece que já se chegou a essa conclusão e isso deveria ser feito rapidamente e, dentro de cinco anos, acho que será feito. Depois, há outra função de que muito poucas vezes se fala, que é a função de redistribuição dos rendimentos e essa é uma função que eu acho que não deveria caber à Segurança Social, porque a redistribuição dos rendimentos, quer dizer que [se retira] de alguns que ganham um pouco mais, para outros que ganham um pouco menos; isso não deveria ser feito em sede de Segurança Social, deveria ser feito apenas em sede do Orçamento Geral do Estado, porque só aí é que as pessoas têm a taxa progressiva dos impostos, de 19

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