Nunca mais os horrores da guerra

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1 y(7hb5g3*qltkks( Preço 1,00. Número atrasado 2,00 L O S S E RVATOR E ROMANO EDIÇÃO SEMANAL Unicuique suum EM PORTUGUÊS Non praevalebunt Ano XLVI, número 36 (2.378) Cidade do Vaticano Quinta-feira 3 de Setembro de 2015 Durante a audiência geral de quarta-feira dedicada à família o novo apelo do Papa Francisco Nunca mais os horrores da guerra Impedir a perseguição dos cristãos, a loucura destrutiva e o tráfico de armas «Nunca mais a guerra!» repetiu o Papa, recordando a conclusão do segundo conflito mundial e exprimindo os votos para que «o mundo de hoje já não experimente os horrores e os sofrimentos assustadores de tragédias semelhantes». Na audiência geral de 2 de Setembro na praça de São Pedro, ressoou o novo apelo do Pontífice a favor da paz, no qual voltou a condenar «a loucura da destruição» e dirigiu um pensamento especial aos cristãos e às minorias vítimas de perseguições em diversas partes do mundo. Francisco exprimiu também uma severa advertência contra «aqueles que fabricam e traficam armas ensanguentadas, molhadas com o sangue de tantos inocentes». Precedentemente o Papa tinha reflectido sobre a responsabilidade da família no âmbito da evangelização e da transmissão da fé, frisando que Paolo Matthiae fala da destruição das antiguidades no Médio Oriente Uma nova barbárie ROSSELLA FABIANI NAS PÁGINAS 8 E 9 «a circulação de um estilo familiar nas relações humanas é uma bênção para os povos: restabelece a esperança sobre a terra». Para Francisco «a família que responde à chamada de Jesus restitui o governo do mundo à aliança do homem e da mulher com Deus». E se «o timão da história» fosse «restituído finalmente à aliança do homem e da mulher» disse que está convicto disto «seria entoada uma música muito diferente» sobre temas como a terra, a casa, a economia e o trabalho. E exortou a dar de novo protagonismo à família na Igreja e na sociedade, inclusive para «contrastar a desertificação» que aumenta na civilização moderna. «As nossas cidades observou tornaram-se desertificadas por falta de amor e de sorrisos. Muitos divertimentos, tantas situações para perder tempo, para fazer rir, mas falta o amor». Ao contrário, o «sorriso de uma família é capaz de derrotar esta desertificação das nossas cidades. E esta é a vitória do amor da família». No final da audiência, ao saudar um grupo de operários toscanos, Francisco invocou «uma solução rápida e equilibrada» para a crise do desemprego «no respeito pelos direitos de todos». Celebrado o dia mundial de oração pelo cuidado da criação Tudo é carícia de Deus PÁGINA 16 «Laudato sie, mi Signore / cum tucte le tue creature, / spetialmente messor lo frate sole, / lo quale è iorno, et allumini noi per lui...». As palavras suaves e ao mesmo tempo poderosas do cântico de Francisco de Assis ressoaram, acompanhadas do som de uma harpa, sob as abóbadas da basílica de São Pedro, onde na tarde de terça-feira 1 de Setembro o Papa Francisco presidiu à liturgia da palavra para o primeiro dia mundial de oração pelo cuidado da criação. A homilia foi pronunciada pelo pregador da Casa pontifícia, Raniero Cantalamessa. Em vista do jubileu extraordinário Será «um verdadeiro momento de encontro com a misericórdia de Deus» o jubileu extraordinário que se abrirá no próximo dia 8 de Dezembro. Escreveu o Santo Padre numa carta enviada ao arcebispo Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a promoção da nova evangelização, indicando alguns pontos-chave para viver a experiência do ano santo como ocasião para «experimentar» a ternura do Pai. Entre os trechos mais significativos, sobressai antes de tudo aquele dedicado à situação dos presos. Francisco auspicia que a todos os detidos «chegue concretamente a misericórdia do Pai» e recorda que eles poderão obter a indulgência nas capelas das prisões. É central na carta o trecho dedicado às mulheres que viveram o drama do aborto. «Mal gravíssimo» assim o define o Pontífice, explicando contudo que «só compre- Um direito a ser perdoado Encontro com a misericórdia endendo-o na sua verdade pode consentir que não se perca a esperança». Eis o motivo da decisão de conceder a todos os sacerdotes durante o ano jubilar «a faculdade de absolver do pecado de aborto quantos o causaram e, arrependidos de coração, pedirem por ele o perdão». Nesta perspectiva Francisco convida os sacerdotes a preparar-se para esta grande tarefa. Por fim, o Papa dirige-se «àqueles fiéis que por diversos motivos desejam frequentar as igrejas oficiadas pelos sacerdotes da Fraternidade São Pio X». O Pontífice dispõe que «quantos durante o ano santo da misericórdia se aproximarem dos sacerdotes da Fraternidade de São Pio X para celebrar o sacramento da reconciliação, recebam válida e licitamente a absolvição dos seus pecados». A economia brasileira em recessão PÁGINA 13 O que é mais importante PÁGINAS 4 E 5 LU C E T TA SCARAFFIA NA PÁGINA 13 GIUSEPPE FIORENTINO NA PÁGINA 7

2 página 2 L OSSERVATORE ROMANO quinta-feira 3 de Setembro de 2015, número 36 O cardeal Amato presidiu à beatificação do bispo Melki no Líbano Ecumenismo do sangue e santidade heróica RAMI AL KABALAN* É um autêntico testemunho de «ecumenismo do sangue» o do bispo Flavien Mikhaiel Melki, nascido e crescido na Igreja sírio-ortodoxa e falecido em comunhão com a Igreja sírio-católica. Foi assassinado por ódio à fé em 1915, durante o governo dos «jovens turcos». O mártir que o cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as causas dos santos, beatificou em representação do Papa Francisco, a 29 de Agosto em Daroun-Harissa, no Líbano nasceu em 1858 na aldeia de Vilayet de Mardine, no nordeste da Grande Síria (actualmente Turquia), chamada Kalaat Mara, numa família profundamente cristã pertencente à Igreja sírio-ortodoxa. Quando tinha dez anos o pai enviou-o a estudar na escola do vizinho mosteiro de Zaafarane, sede do Patriarcado sírio-ortodo- xo. Com vinte anos foi ordenado diácono e desempenhou o cargo de bibliotecário do mosteiro. Foi precisamente naqueles anos que, enriquecendo cada vez mais os seus conhecimentos, em particular com o estudo das obras dos padres da Igreja oriental, decidiu aderir ao catolicismo. Teve a coragem de deixar o mosteiro, declarou abertamente a sua fé e partiu para o Líbano, junto do Patriarcado sírio-católico de Charfé, onde teve lugar a celebração da sua beatificação. Entrou na Irmandade de santo Efraim e emitiu os votos religiosos. Ali completou os estudos e foi ordenado sacerdote a 13 de Maio de 1883, na catedral de Alepo. Depressa o jovem presbítero distinguiu-se pelo seu zelo profundo, unido a uma extraordinária humildade e a uma obediência pronta. Por estas qualidades logo foi escolhido para cargos importantes como professor do seminário de Mardine e missionário itinerante pelas diversas aldeias jacobitas (sírio-ortodoxas) e arménias da diocese de Divarbakir (Grande Síria), todas localidades nas quais cristão algum será poupado pela perseguição de Ocupou-se das necessidades espirituais e materiais dos católicos residentes naqueles lugares, dedicando-se inteiramente sobretudo aos mais necessitados. Distinguiu-se pela actividade apostólica realizada sempre em silêncio e por modéstia. Em 1895 aceitou a nomeação para vigário episcopal, tendo no coração o testemunho corajoso da sua mãe, assassinada naqueles dias por se ter recusado a aderir ao islão. Depois que Pio X autorizou a sua nomeação para bispo da região de Djezireh-ebn-Omar, foi ordenado a 19 de Janeiro de 1913, na catedral de São Jorge em Beirute. É impressionante a fecundidade da sua actividade sacerdotal e episcopal. Vivia em extrema pobreza e chegou até a vender os seus paramentos litúrgicos para ajudar os pobres de todas as confissões e combater contra a miséria. Não obstante os poucos meios que possuía, comprometeu-se tenazmente na reparação e construção de inúmeras igrejas, na edificação de escolas para crianças e jovens, na formação dos sacerdotes. Dedicou-se totalmente, realizando de modo concreto o testemunho do bom pastor que se preocupa continuamente pelo bem do seu rebanho, em particular dos mais necessitados, e lutou com toda a força contra a opressão dos mais débeis. Durante o primeiro conflito mundial, opôs-se com determinação ao governo dos «jovens turcos», os quais tinham empreendido uma terrível e atroz perseguição contra o povo sírio-arménio, uma perseguição que se difundiu sobre todos os cristãos residentes nos territórios daquela região. Foi vítima, juntamente com os seus fiéis, também o novo beato, que recusou categoricamente a proposta que lhe fez um amigo muçulmano de salvar a vida e, sem se deixar dominar pelos eventos, com firmeza permaneceu ao lado do seu povo, encorajando continuamente todos a ficarem firmes e fortes na própria fé. No Verão de 1915 foi aprisionado como chefe da sua comunidade e levado para a prisão de Djezireh-ebn- Omar. Abandonado completamente à vontade divina, viveu o seu ministério de sacerdote e pastor também durante a reclusão, preso com outros prisioneiros cristãos. Continuou a celebrar a Eucaristia e o sacramento da confissão, chegando a conceder também a bênção papal com a correspondente indulgência plenária, enquanto autorizado pela Santa Sé a fazêlo três vezes por ano. Como a maior parte dos prisioneiros, foi submetido a um interrogatório no qual lhe propuseram a conversão para salvar a própria vida. Primeiramente, ficou em silêncio, depois para demonstrar sem equívoco a sua pertença a Cristo, manifestou claramente a oposição a tal proposta. A 29 de Agosto de 1915, com mãos e pés amarrados, foi brutal e ferozmente espancado, depois assassinado com tiros de carabina. O seu corpo martirizado foi lançado nas águas do rio Tigre, juntamente com os despojos de outros condenados. Para a Igreja sírio-antioquena esta beatificação é a primeira que se celebra depois do solene reconhecimento da primazia de Pedro e da reconstituição da comunhão eclesial com Roma, ocorrida em Não se trata só de um importante reconhecimento da santidade heróica de um bispo mártir, mas também de uma homenagem prestada a todos os mártires cristãos que doaram a sua vida por Cristo e um encorajamento para quantos sofrem ainda hoje a perseguição por causa de Cristo, especialmente os cristãos no Iraque e na Síria. *Postulador da causa Meditação sobre o Evangelho Jesus e a hipocrisia MAU R I Z I O GRONCHI O trecho evangélico deste domingo, no qual Jesus se confronta com escribas e fariseus (cf. Mc 7, ), oferece a ocasião para fazer algumas considerações sobre a hipocrisia. «A hipocrisia é uma homenagem que o vício presta à virtude» escrevia La Rochefocauld, para dizer que a simulação da verdadeira humildade é uma tentação na qual muitos caem. Com efeito, é tão fácil reconhecê-la nos outros e muito raramente em nós mesmos a ponto que todos a estigmatizam sem hesitações até fazendo-a simplesmente coincidir com os fariseus do tempo de Jesus com o risco de ser hipócritas precisamente quando julgam a hipocrisia do próximo. Jesus cita o caso dos dois que vão ao templo rezar; enquanto o publicano bate a mão no peito, o fariseu agradece a Deus por não ser como o outro (cf. Lc 18, 9-14). Segundo o sentido comum, fariseu hipócrita é aquele que prega bem mas pratica mal, que sabe dar bons conselhos e ao mesmo tempo maus exemplos, que diz uma coisa e faz outra. Em síntese, o incoerente por excelência. Na realidade, nunca é simples poder verificar a coerência do próximo, até porque a relação entre as palavras e os factos, entre a vida pública e a privada dificilmente se pode verificar. No final só Deus conhece o coração do homem e sabe avaliar a correspondência das suas acções, assim como o afã sincero da sua coerência. O homem olha para as aparências, Deus vê o coração. Mas aqui trata-se precisamente de aparências, e eis que a hipocrisia se configura como aquele modo gentil e afável com o qual nos tornamos agradáveis ao próximo, capazes de estar de acordo com todos; com os que pensam uma coisa, e com os outros que pensam o oposto. Entre as muitas cores da hipocrisia, a que mais sobressai identifica-se com a falta de sinceridade e a reticência, com aquela atitude de cautela estudada no falar, que alguns apreciam confundindo-a com a prudência, a sabedoria, a diplomacia. Se não tivesse uma aceitação social positiva e ambígua, a hipocrisia seria abertamente catalogada como vício, mas ao contrário é acreditada como virtude pela sua habilidade, pela sua simulação. Quem sabe suspender um discurso antes de uma palavra ou de uma expressão particularmente forte, quem evita a cilada armada por uma pergunta directa que provoca uma tomada de posição clara, normalmente estas pessoas recebem aprovação, juntamente com uma suspeitosa avaliação de astúcia. Precisamente devido à ambiguidade, da qual provém e para a qual propende suscitando cumplicidade, a hipocrisia é fácil de definir e difícil de reconhecer. Jesus confrontou-se bastante com os fariseus, discutindo muito com eles, sem nunca chegar à conclusão de um discurso, também porque é com os discursos que a hipocrisia se esconde. Os factos, depois, são outra questão, que não se lêem em simultâneo com as palavras. E eis que a invectiva de Jesus, dirigida ao coração de cada homem, tem por finalidade unicamente a conversão: das palavras aos factos, na coerência. Depois, como cada um empreende este percurso de desambiguação é sem dúvida uma questão complexa. O Evangelho de Jesus é essencialmente oferta de clareza ao coração humano no encontro com aquele diante do qual não serve fingir, porque te ama e te respeita por aquilo que deveras és. L OSSERVATORE ROMANO EDIÇÃO SEMANAL Unicuique suum EM PORTUGUÊS Non praevalebunt Cidade do Vaticano ed.p w w w. o s s e r v a t o re ro m a n o.v a GI O VA N N I MARIA VIAN d i re c t o r Giuseppe Fiorentino v i c e - d i re c t o r Redacção via del Pellegrino, Cidade do Vaticano telefone fax TIPO GRAFIA VAT I C A N A EDITRICE L OS S E R VAT O R E ROMANO don Sergio Pellini S.D.B. d i re c t o r - g e r a l Serviço fotográfico telefone fax p h o t o s s ro m.v a Assinaturas: Itália - Vaticano: 58.00; Europa: U.S. $ ; América Latina, África, Ásia: U.S. $ ; América do Norte, Oceânia: U.S. $ Administração: telefone ; fax ; assin a t u r a o s s ro m.v a Para o Brasil: Impressão, Distribuição e Administração: Editora santuário, televendas: , fax: , Publicidade Il Sole 24 Ore S.p.A, System Comunicazione Pubblicitaria, Via Monte Rosa, 91, Milano,

3 número 36, quinta-feira 3 de Setembro de 2015 L OSSERVATORE ROMANO página 3 No Angelus o Papa recordou que a observância da lei não basta Corações livres e sinceros A observância exterior da lei não é suficiente «para sermos bons cristãos», recordou o Papa Francisco durante o Angelus de domingo 30 de Agosto, na praça de São Pedro, ressaltando que «não são as coisas externas que nos fazem santos ou não santos, mas é o coração». Foram estas as palavras do Pontífice. Estimados irmãos e irmãs, bom dia! O Evangelho deste domingo apresenta um debate entre Jesus e alguns fariseus e escribas. A discussão refere-se ao valor da «tradição dos antigos» (Mc 7, 3) que Jesus, inspirando-se no profeta Isaías, define como «preceitos humanos» (v. 7) e que nunca deve tomar o lugar do «mandamento de Deus» (v. 8). As antigas prescrições em questão abrangiam não apenas os preceitos de Deus revelados a Moisés, mas uma série de regras que especificavam as indicações da lei mosaica. Os interlocutores aplicavam tais normas de modo bastante escrupuloso, apresentandoas como expressão de religiosidade autêntica. Portanto, a Jesus e aos seus discípulos repreendem a transgressão daquelas normas, em particular no que se refere à purificação exterior do corpo (cf. v. 5). A resposta de Jesus tem a força de um pronunciamento profético: «Descuidando o mandamento de Deus afirma apegais-vos à tradição dos homens» (v. 8). São palavras que nos enchem de admiração pelo nosso Mestre: sentimos que nele há verdade e que a sua sabedoria nos liberta dos preconceitos. Mas atenção! Com estas palavras Jesus quer alertar-nos também a nós, hoje, para não pensarmos que a observância exterior da lei é suficiente para sermos bons cristãos. Do mesmo modo como outrora para os fariseus, também para nós existe o perigo de nos considerarmos rectos ou, pior ainda, melhores do que os outros, só porque observamos certas regras e costumes, embora não amemos o nosso próximo, sejamos duros de coração, soberbos e orgulhosos. A observância literal dos preceitos é algo estéril, se não muda o coração nem se traduz em atitudes concretas: abrir-se ao encontro com Deus e à sua Palavra na oração, procurar a justiça e a paz, socorrer os pobres, os mais frágeis, os oprimidos. Nas nossas comunidades, nas nossas paróquias e nos nossos bairros todos Sinal de perseguição transformado em símbolo de fé Aquele N nas tendas dos refugiados Um «N» nas tendas. Como «nazareno». O sinal usado pelos extremistas islâmicos para indicar as casas dos «infiéis». Agora símbolo de orgulho, de pertença. Desenham-no os refugiados, os cristãos expulsos das zonas do Iraque nas quais o pretenso Estado islâmico ganhou terreno. Conta isto o padre Georges Jahola, sacerdote sírio-católico da diocese de Mosul, nestes dias na Itália, enviado pela associação «Anjo da guarda». Nos campos de prófugos de Erbil prossegue «onde muitos cristãos em fuga de Mosul e de Qaraqosh foram obrigados a refugiar-se, nenhum deles teve medo de escrever nas tendas que os hospedam frases como «Jesus é luz do mundo», ou a letra «N» em árabe que significa nazareno. Não receiam ser descobertos, são corajosos e orgulhosos». Dos mais de um milhão e meio de cristãos que o Iraque contava no final dos anos oitenta, hoje só se contam trezentos e cinquenta mil. Agora, diz o pe. Jahola, «somos 1,5% da população. Uma população que está a ser eliminada ou obrigada a abandonar a própria terra». Ninguém se preocupa com este drama, «porque os cristãos no Iraque não têm apoios», «não são considerados elementos essenciais na sociedade». Não obstante o perigo do desaparecimento os cristãos não tencionam minimamente abandonar a sua fé: «Não há motivos pelos quais um cristão se deva tornar muçulmano. Não o querem fazer». nós sabemos quanto mal fazem à Igreja e quanto escândalo dão as pessoas que se dizem muito católicas e vão com frequência à igreja mas depois, na sua vida quotidiana, descuidam a família, falam mal dos outros e assim por diante. É isto que Jesus condena, porque este é um contratestemunho cristão. Dando continuidade à sua exortação, Jesus concentra a atenção num aspecto mais profundo, afirmando: «Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa manchar; mas é o que sai do homem que o torna impuro» (v. 15). Deste modo, Ele salienta o primado da interioridade, ou seja a supremacia do «coração»: não são as realidades externas que nos fazem santos ou não santos, mas é o coração que exprime as nossas intenções, as nossas opções e o desejo de fazer tudo por amor a Deus. As atitudes exteriores constituem a consequência daquilo que já decidimos no nosso coração, e não o contrário: com a atitude exterior, se o coração não muda, não somos cristãos autênticos. A fronteira entre o bem e o mal não passa fora de nós mas, ao contrário, dentro. Então podemos interrogar-nos: onde está o meu coração? Jesus dizia: «Onde está o teu tesouro, lá também está o teu coração». Qual é o meu tesouro? É Jesus, é a sua doutrina? Então, o coração é bom. Ou o tesouro é outra coisa? Portanto, é o coração que se deve purificar e converter. Sem um coração purificado, não podemos ter mãos verdadeiramente limpas, nem lábios que pronunciam palavras de amor sinceras tudo é falso, uma vida ambígua lábios que pronunciam palavras de misericórdia, de perdão. Isto só pode ser feito por um coração sincero e purificado. Peçamos ao Senhor, por intercessão da Virgem Santa, que nos conceda um coração puro, livre de toda a hipocrisia. É com este adjectivo que Jesus se dirige aos fariseus: «hipócritas», porque eles dizem uma coisa e fazem outra. Um coração livre de qualquer hipocrisia, de modo a sermos capazes de viver segundo o espírito da lei e de alcançar a sua finalidade, que é o amor. No final da prece mariana, recordando a beatificação do bispo Melki no Líbano, o Pontífice lançou um apelo urgente a favor da liberdade religiosa. Depois, rezou pelas vítimas dos massacres de migrantes, definindo-os «crimes que ofendem toda a família humana». Ontem em Harissa, no Líbano, foi proclamado Beato o Bispo sírio-católico Flavien Mikhaiel Melki, mártir. No contexto de uma tremenda perseguição contra os cristãos, ele foi defensor indefesso dos direitos do seu povo, exortando todos a permanecer firmes na fé. Amados irmãos e irmãs, no Médio Oriente e noutras regiões do mundo, ainda hoje os cristãos são perseguidos. Hoje há mais mártires do que nos primeiros séculos. A beatificação deste Bispo mártir infunda neles a consolação, a coragem e a esperança, mas sirva também de estímulo aos legisladores e governantes a fim de que, em toda a parte, seja corroborada a liberdade religiosa. E à comunidade internacional, peço que faça algo para pôr fim às violências e aos abusos. Infelizmente, inclusive nos dias passados numerosos migrantes perderam a vida nas suas viagens terríveis. Por todos estes irmãos e irmãs, rezo e convido a rezar. De modo particular, uno-me ao Cardeal Schönborn que hoje está aqui presente e a toda a Igreja na Áustria, em oração pelas setenta e uma vítimas, entre as quais quatro crianças, que foram encontradas num camião na rodovia entre Budapeste e Viena. Confiemos cada uma delas à misericórdia de Deus; e peçamos-lhe que nos ajude a cooperar com eficácia para impedir estes crimes, que ofendem toda a família humana. Oremos em silêncio por todos os migrantes que sofrem e por quantos perderam a vida. Saúdo os peregrinos provenientes da Itália e de muitas regiões do mundo, em especial os escoteiros de Lisboa e os fiéis de Zara, na Croácia. Saúdo os fiéis de Verona e Bagnolo di Nogarole; os jovens da diocese de Vicenza, de Rovato e da paróquia de San Galdino, de Milão; assim como as crianças de Salzano e de Arconate. Desejo feliz domingo a todos. E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à próxima!

4 página 4 L OSSERVATORE ROMANO quinta-feira 3 de Setembro de 2015, número 36 Pietro Perugino e a sua oficina, «Deus Pai» (1482, Capela Sistina «Baptismo de Cristo», detalhe ) RANIERO CA N TA L A M E S S A Abençoando-os, Deus disse-lhes «Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem na terra» (Gn 1, 28). Estas palavras em tempos recentes suscitaram uma forte crítica. Elas, escreveu alguém, ao atribuir ao homem um domínio indiscriminado sobre o restante da natureza, estão na origem da actual crise ecológica. Inverteu-se a relação do mundo antigo, sobretudo dos gregos, que via o homem em função do cosmos e não o cosmos em função do homem (Lynn White, The historical roots of our ecologic crisis em «Science», 1967 e em «Ecology and religion in history», 1974). Penso que esta crítica, como tantas análogas dirigidas ao texto bíblico, tem início no facto de que se interpretam as palavras da Bíblia à luz de categorias seculares que lhe são alheias. «Dominai» neste caso não tem o significado que o termo assume fora da Bíblia. Para a Bíblia, o modelo último do dominus, do senhor, não é o soberano político que explora os seus súbditos, mas é o próprio Deus, Senhor e pai. O domínio de Deus sobre as criaturas certamente não é finalizado ao próprio interesse, mas ao das criaturas que ele cria e protege. Existe um paralelismo evidente: Deus é o dominus do homem, o homem deve ser o dominus do restante da criação, isto é, responsável por ela e seu guardião. O homem foi criado para ser Em oração pela casa comum Na tarde de terça-feira 1 de Setembro, na basílica do Vaticano, o Papa Francisco presidiu à liturgia da Palavra por ocasião do dia mundial de oração pelo cuidado da criação. Depois da proclamação do Evangelho de Mateus (6, 23-24), o pregador da Casa Pontifícia pronunciou a homilia que publicamos integralmente nesta página. «à imagem e semelhança de Deus», não de padrões humanos. O sentido do domínio do homem é explicitado pela continuação do texto: «O Senhor levou o homem e colocou-o no jardim do Éden para que o cultivasse e, também, o guardasse» (Gn 2, 15). Isto é expresso muito bem na prece Eucarística IV na qual dizemos dirigindo-nos a Deus: «À vossa imagem formastes o homem, às suas mãos laboriosas confiastes o universo para que na obediência a vós, seu criador, exercesse o domínio sobre toda a criação». Portanto, a fé num Deus criador e no homem feito à imagem de Deus, não é uma ameaça, mas uma garantia para a criação, e a mais forte de Homilia do pregador da Casa Pontifícia O primeiro talento Uma prova de que não foi a visão bíblica que favoreceu a prevaricação do homem sobre a criação é que o mapa da poluição não coincide com o da difusão da religião bíblica nem de outras religiões, mas com a de uma industrialização selvagem, voltada só para o lucro, e com a da corrupção que abafa todas as contestações e resiste a todos os poderes. Ao lado da grande afirmação que homens e coisas provêm de um princípio único, a narração bíblica põe em evidência, isto sim, uma hierarquia de importância que é a mesma da vida e que vemos inscrita em toda a natureza. O mineral serve o vegetal que dele se nutre, o vegetal serve o animal (é o boi que come o capim não o contrário!), e todos ser- todas. Diz que o homem não é dono absoluto das outras criaturas; deve prestar contas por aquilo que recebeu. Aqui a parábola dos talentos tem uma aplicação primordial: a terra é o talento que todos juntos recebemos e pelo qual devemos prestar contas. A ideia de uma relação idilíaca entre o homem e o cosmos, fora da Bíblia, além de tudo, é uma invenção literária. A opinião dominante entre os filósofos pagãos do tempo tendia a fazer do mundo material, seguindo o exemplo de Platão, o produto de um deus de segunda categoria (o Deuteros theos, o Demiurgo), ou até, como dirá Marcião de Sinope, obra de um deus malvado, diferente do Deus revelado por Jesus Cristo. O anseio era libertarse da matéria, não libertar a matéria. Visão que no tempo de Francisco de Assis revivia na heresia dos cátaros. vem a criatura racional que é o homem. Esta hierarquia é a favor da vida não contra ela. Por exemplo, ela é violada quando se fazem compras insensatas para alguns animais (e não certamente para os que estão em perigo de extinção!), enquanto se deixam morrer de fome e de doenças milhões de crianças sob os próprios olhos. Alguém gostaria de abolir totalmente a hierarquia entre os seres, estabelecida pela Bíblia e ínsita na natureza. Chegaram até a idealizar e desejar um universo futuro que deixou de ter a presença da espécie humana, considerada prejudicial para o restante da criação. Isto é chamado «ecologia profunda» (é o caso do site VHEMT Voluntary human extinction movement). Mas claramente isto é um contra-senso. Seria como se uma imensa orquestra fosse obrigada a executar uma maravilhosa sinfonia, mas no vazio total, sem que alguém a ouça e os próprios músicos fossem surdos. Como é tranquilizador, neste contexto, ouvir de novo as palavras do salmo 8 que queremos fazer nossas nesta vigília de oração: «Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos, a lua e as estrelas que Vós fixastes; que é o homem, para vos lembrades dele, o Filho do homem, para dele cuidardes? Contudo, pouco lhe falta para que seja um ser divino; de glória e de honra o coroastes. Destes-lhe domínio sobre as obras das vossas mãos. Tudo submetestes debaixo dos seus pés; os rebanhos e o gado sem excepção, até mesmo os animais bravos; as aves do céu e os peixes do mar, tudo o que atravessa os caminhos do mar. Ó Senhor, nosso Deus, como é grande o vosso Nome em toda a terra!». Francisco foi a prova viva da contribuição que a fé em Deus pode dar ao esforço comum para a salvaguarda da criação. O seu amor pelas criaturas foi uma consequência directa da sua fé na paternidade universal de Deus. Ainda não havia as razões práticas que temos hoje para nos preocupar pelo futuro do planeta: poluição atmosférica, escassez de água potável... A sua foi uma ecologia pura sem as finalidades utilitaristas, apesar de legítimas, que nós hoje temos. As palavras de Jesus «Um só é o vosso Pai, aquele celeste; sois todos irmãos» (cf. Mt 23, 8-9), eram-lhe suficientes. Para ele, não eram um princípio abstracto; mas o horizonte constante dentro do qual vivia e pensava. Fortalecido por esta certeza, ele quis pôr o mundo inteiro «em estado de fraternidade e de louvor». As fontes franciscanas referem-nos os sentimentos com os quais Francisco se pôs a escrever o seu cântico: «Gostaria, por louvor a Deus e para a minha consolação e edificação do próximo, de compor um novo Louvor ao Senhor pelas suas criaturas. Diariamente utilizamos as criaturas e sem elas não podemos viver, e nelas o género humano ofende muito o Criador. E todos os dias nos mostramos ingratos em relação a este grande benefício e não o louvamos como deveríamos ao nosso Criador e dador de todo o bem». Sentou-se e pôs-se a reflectir, dizendo em seguida: «Altíssimo, todo-poderoso, bom Senhor...» (Leggenda Perugina, 43 «Fontes Franciscanas», 1592). As palavras do santo que define como bom o sol, bom irmão o fogo, claras e bonitas as estrelas, são o eco daquele «E Deus viu que tudo era bom», da narração da criação. O pecado de fundo contra a criação, que precede todos os outros, é não ouvir a sua voz, condená-lo irremediavelmente, diria são Paulo, à vaidade, à insignificância (cf. Rm 8, 18 s.). O próprio Apóstolo fala de um pecado fundamental que se chama impiedade, ou «sufocar a verdade». Diz que é o pecado de quem «embora conhecendo Deus não lhe louva nem lhe dá acção de graças» como convém a Deus. Portanto, não é só o pecado dos ateus que negam a existência de Deus, é também o pecado dos crentes de cujos corações nunca saiu um entusiasmado «Glória a Deus nas alturas», nem um comovido «Graças a ti, Senhor». A Igreja põe-nos nos lábios as palavras para o fazer quando, no Glória da Missa, dizemos: «Nós te louvamos, te bendizemos, te adoramos, te gloficamos, te damos graças pela tua glória imensa». «Os céus e a terra diz com frequência a Escritura estão cheios da sua glória». Estão, por assim dizer, grávidos. Mas eles não podem, sozinhos, «eximir-se». Como a mulher grávida, têm necessidade das mãos hábeis de uma obstetra para dar à luz aquilo de que estão «grávidos». E deveríamos ser nós estas «obstetras» da glória de Deus. Quanto teve que esperar o universo, que longo impulso deve ter dado, para chegar a este ponto! Milhões e biliões de anos, durante os quais a

5 número 36, quinta-feira 3 de Setembro de 2015 L OSSERVATORE ROMANO página 5 matéria, através da sua opacidade, progredia com dificuldade rumo à luz da consciência como a linfa que do subsolo vem para cima da árvore para se expandir em flor e fruto. Esta consciência finalmente foi alcançada, quando apareceu no universo «o fenómeno humano». Mas agora que o universo alcançou a sua meta, exige que o homem cumpra o seu dever, que assuma, por assim dizer, a direcção do coro e entoe para todos o «Glória a Deus nas alturas!». Francisco indica-nos o caminho para uma mudança radical na nossa relação com a criação: consiste em substituir a posse pela contemplação. Ele descobriu um modo diferente de usufruir as coisas que é contemplá-las em vez de as possuir. Pode beneficiar de todas as coisas, porque renunciou a possuir algumas delas. As fontes franciscanas descrevem-nos a situação de Francisco quando compõe o seu Cântico das criaturas: «Não sendo capaz de suportar a luz natural durante o dia, nem a claridade do fogo durante a noite, ficava sempre na obscuridade em casa e na cela. Não só, mas sofria dia e noite dores atrozes nos olhos, que quase não podia repousar nem dormir, e isto aumentava e piorava estas e outras enfermidades» (Leggenda Perugina, 1614; «Fontes Franciscanas», 1591). Francisco cantou a beleza das criaturas quando já não podia ver nenhuma delas e aliás a simples luz do sol ou do fogo causavam-lhe dores atrozes! A posse exclui, a contemplação inclui; a posse divide, a contemplação multiplica. Se um só possuir um lago, um parque, os outros ficarão excluídos; se milhares de pessoas contemplarem aquele lago ou parque, todos beneficiarão sem privar ninguém dele. Trata-se de uma posse mais verdadeira e profunda, uma posse dentro, não fora, com a alma, não só com o corpo. Quantos latifundiários pararam para admirar uma flor dos seus campos ou acariciar uma espiga do seu trigo? A contemplação permite possuir as coisas sem as açambarcar. O exemplo de Francisco de Assis demonstra que a atitude religiosa e Sawai Chinnawong, «Génese» (2004) dossológica em relação à criação tem consequências práticas e concretas; não é algo feito no ar. Impele também a gestos concretos. O primeiro biográfo do Santo referiu alguns dos gestos concretos do Pobrezinho: «Abraça todos os seres criados com um amor e uma devoção que nunca se viu antes [...]. Quando os frades cortam a lenha, proibe que cortem a árvore toda, para que possa ter novos brotos. E ordena que o hortelão deixe incultos os confins ao redor da horta, a fim de que a seu tempo o verde das ervas e o esplendor das flores cantem como é bom o Pai de toda a criação. Deseja também que na horta um canteiro seja reservado às ervas oficinais e que produzem flores para que evoquem a quem as observa a recordação da suavidade eterna. Até recolhe pelos caminhos os pequenos vermes, para que não sejam pisados e às abelhas quer que se ofereçam mel e bom vinho, para que não morram de fome no rigor do inverno» (Celano, Vita Seconda, 165). Algumas das suas recomendações parecem escritas hoje, sob a pressão dos ambientalistas. Um dia ele disse: «Não quero ser ladrão de esmolas» (Celano, Vita Seconda, 54), significando, receber mais do que o devido, subtraindo a quem teria mais necessidade do que ele. Hoje esta regra poderia ter uma aplicação muito útil para o futuro da terra. Também nós deveríamos propor-nos: não quero ser ladrão de recursos, usando-os mais que o devido e subtraindo a quem virá depois de mim. Certamente, Francisco não tinha a visão global e planetária do problema ecológico mas uma visão local, imediata. Pensava naquilo eventualmente podia fazer ele e os seus frades. Contudo, também com isto nos ensina algo. Um slogan hoje muito em voga diz: Think globally, act locall y, pensa de modo global e age localmente. Que sentido tem, por exemplo, irar-se contra quem polui a Intervenção do presidente de «Iustitia et pax» no Rio de Janeiro Para uma cultura da paz atmosfera, os oceanos e as florestas, se não hesito lançar à margem de um rio ou do mar um saquinho de plástico que permanecerá ali por séculos, se alguém não o recuperar, se lanço em qualquer lugar, estradas ou bosques, o lixo que me incomoda ou se sujo as paredes da minha cidade? A salvaguarda da criação, como a paz, faz-se, diria o nosso Santo Padre Francisco, «artesanalmente», começando por nós mesmos. A paz começa em cada um, repete sempre nas mensagens para o dia da paz; também a salvaguarda da criação começa por nós. Foi o que um representante ortodoxo afirmou já na Assembleia ecuménica de Basileia de 1989 sobre «Justiça, paz e salvaguarda da criação»: «Sem uma mudança do coração do homem, a ecologia não tem esperança de sucesso». Concluo a minha reflexão. Poucas semanas antes da sua morte são Francisco acrescentou uma estrofe ao seu Cântico, que inicia com as palavras: «Laudato sii, mi Signore, per quelli che perdonano per lo tuo amore» (Leggenda Perugina, 84). Penso que se vivesse hoje ele teria acrescentado outra estrofe ao seu cântico: Laudato sii, meu Senhor, por quantos trabalham para proteger nossa irmã mãe Terra, cientistas, políticos, chefes de todas as religiões e homens de boa vontade. Laudato sii, meu Senhor, por aquele que, juntamente com o meu nome, assumiu também a minha mensagem e está a difundi-la hoje em todo o mundo! «Em 2015, no mundo, cerca de biliões de dólares são investidos em despesas militares. Se desta soma se conseguisse destinar apenas 10 por cento para as necessidades humanitárias, o financiamento dos objectivos de desenvolvimento sustentável poderia ser alcançado. Não faltam recursos intelectuais nem materiais», afirmou o cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, presidente do Pontifício conselho «justiça e paz», durante o congresso internacional que teve lugar a 1º de Setembro no Rio de Janeiro, onde o purpurado proferiu uma intervenção pormenorizada sobre o tema dos trabalhos «A promoção da cultura da paz num mundo em conflito» organizados pela Pontifícia universidade católica. O presidente de «Iustitia et pax» voltou a propor o magistério pontifício sobre o tema a partir de João XXIII até aos nossos dias, sobretudo através de uma profunda releitura da encíclica do Papa Francisco Laudato si. Ponderando sobre as novas formas de conflito que atingem a humanidade, o relator analisou em especial as causas, com base nas quais identificou mais uma vez o drama da pobreza, sobretudo quando ela adquire o semblante da fome e da subalimentação. E mesmo se a partir de 1990 o número de pessoas que sofrem de fome crónica diminuiu de 17 por cento com um decréscimo que indicaria uma certa eficácia nos esforços envidados contudo não se pode deixar de recordar que «ainda existem quase 850 milhões de pessoas que sofrem de fome aguda». Uma cifra por si só perturbadora; mas, admoestou, «o que deve preocupar ainda mais é que por detrás destes números há pessoas reais, com a sua dignidade e os seus direitos». De resto, observou, «não é por falta de comida que estas pessoas sofrem de fome, dado que os níveis actuais de produção alimentar são suficientes para dar de comer a todos». Depois, seguindo os passos do Papa Francisco, o purpurado recordou que outro desafio à paz é representado pela mudança climática. Diante do preocupante aquecimento da terra, que nas últimas décadas foi acompanhado pela elevação constante do nível dos mares e pelo aumento de eventos meteorológicos extremos, o cardeal Turkson convidou a adquirir consciência acerca da necessidade de mudanças de estilos de vida, de produção e de consumo. A propósito, frisou como o ano de 2015 apresenta «uma grande oportunidade para um esforço análogo. Com efeito, no final de Setembro os 193 membros das Nações Unidas adoptarão uma agenda de transformação», através dos 17 objectivos de desenvolvimento sustentável cadenciados em 169 «targets» relacionados, para substituir os objectivos do milénio (prazo que termina precisamente este ano) com um novo programa que comprometerá a comunidade internacional até «Estes objectivos explicou ligarão o crescimento da economia à inclusão social e ao respeito pelo meio ambiente». Além disso, eles reivindicam o fim da pobreza extrema em todas as suas formas, o acesso à assistência médica, à educação e à energia para todos, a redução das desigualdades de rendimento, um desenvolvimento económico inclusivo, a promoção de um emprego estável e produtivo e de um trabalho digno, consumos e produções sustentáveis e salvaguarda dos oceanos e dos ecossistemas. Em especial, «um dos objectivos pede a promoção de sociedades pacíficas e inclusivas». Portanto, concluiu, «se as nações do mundo transformarem em realidade esta retórica e fizerem um esforço sério para alcançar tais objectivos, então caminharemos verdadeiramente rumo a sociedades mais justas e portanto mais pacíficas». Durante a sua permanência no Rio de Janeiro, o purpurado dirigiu também uma conferência aos leigos, consagrados e diáconos permanentes, encontrando-se inclusive com o clero e os religiosos da arquidiocese.

6 página 6 L OSSERVATORE ROMANO quinta-feira 3 de Setembro de 2015, número 36 NICOLA GORI Francisco de Assis estava convicto de que os bens e a terra fossem uma herança comum a todos os homens. Neste sentido, não admitia o seu uso reservado só a poucos: para ele o rico e o pobre tinham a mesma dignidade como irmãos de um único Pai. Quanto há desta visão na Laudato si? Perguntámo-lo ao arcebispo José Rodríguez Carballo, ex-ministro-geral dos frades menores e desde 2013 secretário da Congregação para os institutos de vida consagrada e as sociedades de vida apostólica. Por que o Papa escolheu Francisco de Assis como inspiradotr da encíclica? Numa encíclica sobre o cuidado da casa comum, o Pontífice não poderia inspirar-se num modelo que melhor pudesse motivar-nos. Falando de ecologia, para os cristãos em geral em particular para o Papa Francisco e também para muitos que não são cristãos, o pobrezinho não é só o «santo padroeiro de todos os que estudam e trabalham no campo da ecologia» mas «o exemplo por excelência do cuidado pelo que é débil e de uma ecologia integral, vivida com alegria e autenticidade». De facto, ele viveu em todos os momentos uma relação harmoniosa com Deus, com os outros, especialmente com os mais pobres, com a natureza e consigo mesmo. Esta relação é verdadeiramente o coração da ecologia integral, objecto da Laudato si. Na atenção aos mais pobres e abandonados e à criação, para descobrir o Senhor em tudo, são Francisco é para nós como um mestre autêntico. Do que nascia a sua visão? Dado que tudo tem origem no Criador, para são Francisco tudo era «irmão» e «irmã». E visto que tudo é «sacramento» e imagem do «Senhor Altíssimo, todo-poderoso, bom», porque tudo dele «recebe significação» como afirma no Cântico das criaturas tudo era tratado por ele com sumo cuidado e reverência. E tudo estava incorporado no louvor ao Senhor. Com uma vida marcada pelo essencial, com a liberdade de quem vive sem nada possuir e com uma existência aberta à transcendência, aos outros e à criação, são Francisco adverte-nos sobre um comportamento dominado por um narcisismo estéril e patológico, que nos leva a destruir a criação e a ignorar o mandamento que o homem recebeu de cuidar dela, de a proteger, assistir e conservar. Um mandamento que exige uma atenção particular aos que têm a mesma dignidade, os mais pobres, os últimos, dos quais deveremos prestar contas ao Senhor, como Ele pediu a Caim que prestasse contas acerca do seu irmão Abel. Como recorda o Papa na encíclica e em muitos dos seus discursos, a actualidade de Caim, infelizmente, é evidente. Hoje, como outrora, comportamo-nos como aqueles que não acolhem os irmãos, promovendo Rodríguez Carballo sobre a inspiração da «Laudato si» Sem a fraternidade universal não existe ecologia a cultura do descartável. Por outro lado, a nossa relação com a terra é a de quem se sente dominador poderoso, consumidor insaciável ou explorador sem escrúpulos dos seus recursos; e a nossa relação com o meio ambiente é a de quem não tem freios nem conhece limites, sem preocupações pela casa comum e por quantos ainda virão. O «Cântico das criaturas» pode ser definido como uma espécie de cartaz do respeito pela criação? O Cântico das criat u ra s é um texto poético sublime, uma manifestação cheia de paixão, que oferece uma visão nova da criação, na qual tudo se relaciona. É um cântico à fraternidade universal, que põe o homem em relação profunda com o seu Criador, com a obra das suas mãos e com os outros. Neste sentido, mostra-nos a possibilidade de reforçar os vínculos sociais e alcançar plenamente a harmonia com o Criador e a harmonia entre nós que vivemos na casa comum, a mãe e irmã terra. Fruto de uma vida madura e reconciliada são Francisco escreveu-o no final dos seus dias ele recorda-nos o que o Papa afirma com força na encíclica: que em cada discurso sobre a ecologia «não se pode prescindir da humanidade»; que «não haverá uma nova relação com a natureza sem um ser humano novo»; que «não há ecologia sem uma antropologia adequada». Nisto consiste a ecologia integral, da qual o Cântico das criaturas pode ser considerado um cartaz ou, ainda melhor, um manual no qual inspirar-se para superar «as dialéticas falsas dos últimos séculos» e assim poder viver uma ecologia integral, na qual todos se considerem irmãos e sejam respeitados como tais, e na qual todos consigam encontrar Deus em todas as coisas, como ensinava são Boaventura e nos recorda o Pontífice. Portanto, existe um vínculo consequencial entre o carisma franciscano e a ecologia integral evocada pela encíclica? Leio a Laudato si com olhos e coração franciscanos. É uma leitura que considero apropriada dado que o próprio Papa, na minha opinião, a justifica propondo Francisco como «exemplo bom e motivador» e citando-o no início e no final da encíclica, como uma espécie de inclusão literária e argumentativa, e com um conhecimento básico dos elementos que caracterizam o carisma franciscano. Deste modo dá-se conta de que este carisma pode ajudar a elaborar e a obter uma ecologia integral, sem John August Swanson, «Francisco e o lobo» (2002, detalhe) que signifique exclusivismo algum em relação a outros carismas. Com efeito, o carisma franciscano evidencia o valor da fraternidade entre todos os seres humanos, pelos quais todos são acolhidos como dons de Deus, dons pelos quais ter cuidado com espírito fraterno e materno, e todos são considerados irmãos e irmãs, filhos do mesmo Pai. Exprime um amor preferencial pelos «leprosos» de todos os tempos, nos quais são Francisco abraça «Cristo leproso» e nos quais se toca, como diria o Papa Francisco, «a carne» do próprio Filho de Deus. O carisma franciscano requer também uma atenção particularmente cordial e fraterna à criação de Deus, porque ela «dele recebe significação». Ao mesmo tempo, como forma vivendi do Evangelho, «regra e vida» proposta por Francisco aos seus seguidores como recita a Regra bulada ele sugere um paradigma cultural que leva a servir-se da técnica como de um simples instrumento. E assim supera abusos que provocam a degradação da ecologia, como «a omnipresença do paradigma tecnocrático», e procura «compreender os elementos da natureza juntamente com os da existência humana». Com quais consequências? Com a vida em fraternidade propõe-se uma concepção do homem como pessoa em relação. E afirma-se a convicção de que a sua liberdade adoece quando se entrega só à satisfação das necessidades imediatas, à violência e a qualquer expressão de egoísmo. Com a proposta de viver sem nada possuir, livres de qualquer apego, domínio e poder, com simplicidade e essencialidade, Francisco recorda-nos que os bens têm um destino comum e que a terra é essencialmente herança comum. Portanto, enquanto denuncia um uso dos bens cujos benefícios são em vantagem só de alguns poucos, recorda-nos que o rico e o pobre têm igual dignidade, porque o Senhor criou ambos, e adverte-nos contra um possível excesso antropológico que ameaça «qualquer referência a algo comum e tentativa de reforçar os vínculos sociais». Com a sua visão «sacramental» da criação, o carisma franciscano impele a contemplar a beleza que existe no mundo e a respeitá-lo como «imagem» do Criador. Por fim, com o exemplo do diálogo com o sultão do Egipto, Melek el Kamil, no distante ano de 1219, o franciscanismo convida-nos ao diálogo com as outras religiões para progredir juntos no cuidado da natureza, na defesa dos pobres, na construção de uma rede de respeito e fraternidade. Nós, franciscanos, em tudo isto temos uma grande responsabilidade, cientes de que a nossa primeira contribuição é viver em coerência com o nosso carisma. O que podem fazer os consagrados a fim de contribuir para a salvaguarda da criação e para um mundo mais justo? Antes de tudo devemos tomar consciência de que o cuidado da casa comum é uma exigência para todos, inclusive para os consagrados. Que a poluição, as mudanças climáticas, o problema da água, a perda de biodiversidade, a deterioração da qualidade da vida humana e a degradação social, a iniquidade planetária são realidades que nos dizem respeito. Que trabalhar por uma ecologia integral não é algo que compete aos outros mas que nos diz respeito muito de perto. Como consagrados podemos contribuir para uma ecologia global, apostando num estilo alternativo de vida, caracterizado por alguns elementos: uma existência simples e essencial, além do consumismo obsessivo e como reacção ao paradigma tecno-económico; uma vida fraterna em comunidade, na qual todos se sintam à vontade na casa comum, superando a auto-referencialidade e o individualismo imperante que aumentam a avidez e a destruição recíproca, enraizando o egoísmo colectivo; uma missão fundada numa concepção da vida consagrada «em saída», para ir às periferias existenciais e do pensamento, nas quais se trabalha a fim de realizar a solidariedade que visa o bem comum acima do bem pessoal; a justiça, que parte de uma consideração dos direitos dos outros e não só dos próprios; a paz, que é reconciliação com a diversidade; uma jubilosa celebração da vida que leva ao seu respeito desde o início. Os consagrados podem oferecer uma grande contribuição para a ecologia integral, favorecendo uma educação, ad intra e ad extra, para a aliança entre a humanidade e o meio ambiente, na perspectiva de uma verdadeira cidadania ecológica. E sobretudo através da «conversão ecológica» que, como propõe são Francisco de Assis e nos recorda o Papa Francisco, contribuirá para uma sadia relação com a criação.

7 número 36, quinta-feira 3 de Setembro de 2015 L OSSERVATORE ROMANO página 7 A economia brasileira em recessão O que mais conta além do pib GIUSEPPE FIORENTINO I nterveio pessoalmente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: para não permitir uma vitória da oposição, estaria disposto a candidatar-se de novo nas próximas eleições presidenciais brasileiras, programadas para Mas hoje, o caminho rumo ao palácio do Planalto não seria fácil nem sequer para o popularíssimo Lula: com efeito, uma simulação realizada pelo instituto de sondagens Paraná Pesquisas demonstrou que o chefe da oposição, Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira, derrotaria o ex-chefe de Estado com 54,7 por cento das intenções de voto, num eventual segundo turno. Ao contrário, a actual presidente Dilma Rousseff, quanto ao consenso popular, alcançou o mínimo histórico, por volta de oito por cento. A crise dos partidos da esquerda brasileira deve muito ao escândalo da corrupção, que fez tremer nos seus fundamentos a companhia petrolífera estatal e que quase atingiu a sua presidência. Mas agora corre o risco de se agravar com a difusão dos novos dados acerca da economia. Com efeito o gigante sul-americano, que até há pouco tempo parecia destinado a tornar-se a quinta potência mundial, precipitou de novo na recessão, como demonstraram os dados oficiais do produto interno bruto (pib) que diminui de 1,9 por cento no segundo trimestre, em relação ao primeiro, quando a economia tinha diminuído de 0,7 por cento. O decréscimo é o mais grave desde Dois trimestres consecutivos de diminuição do pib levam àquela que se define recessão técnica. Contudo, talvez o dado mais alarmante seja a diminuição da riqueza nacionalcom base anual: 2,6 por cento. Entretanto a moeda brasileira, o real, está em evidente fase de depreciação em relação às outras moedas, sobretudo dólar e euro, a ponto de ter atingido este ano o não invejável recorde do pior andamento entre as principais moedas mundiais. Estes dados muito pouco confortadores devemse parcialmente ao abatimento, no mercado global, dos preços das matérias-primas e das outras commodities das quais o Brasil é grande exportador. Contudo, segundo muitos analistas, a forte diminuição da economia verde-amarela tem sido provocada inclusive pela enorme dívida pública acumulada pelo país. Mas trata-se de uma dívida, é necessário recordar, devida também à escolha dos últimos Governos de fazer face à grave crise social da Nação. Com efeito, as despesas enfrentadas pelo Estado, principalmente nos anos da presidência de Lula, foram em grande parte destinadas às camadas mais frágeis da população, que primeiro puderam contar com programas que visavam a eliminação da fome a nível nacional e, em seguida, com planos em benefício da escolarização e da aquisição de uma casa decente. Indubitavelmente, o flagelo da corrupção, tanto no Brasil como alhures, priva o país de recursos inestimáveis e tira a confiança aos cidadãos como demonstram as manifestações que se sucedem praticamente todos os dias neste período ainda antes do que os investidores estrangeiros. No entanto, ao longo destes anos milhões de pessoas foram subtraídas à miséria. E este dado vale muito mais do que uma percentagem do pib com base trimestral. Celebração da vigésima primeira edição do Grito dos excluídos no Brasil Esperança de uma mudança concreta «Que país é este que mata gente, onde a mídia mente e nos consome?»: esta interrogação urgente foi escolhida como lema da vigésima primeira edição do «Grito dos Excluídos» no Brasil. Em programa todos os anos no dia 7 de Setembro, em concomitância com a festa nacional da independência, o «Grito dos Excluídos» é uma manifestação popular que conta com o apoio dos organismos para a pastoral social, da Conferência nacional dos bispos do Brasil (Cnbb), do Conselho das Igrejas cristãs do Brasil e de movimentos e organizações comprometidos na promoção da igualdade, da justiça e da defesa da vida. «Quisemos começar pela pergunta «Que país é este?» explicou à Rádio Vaticano padre Gianfranco Graziola, vice-coordenador nacional da pastoral carcerária e a resposta chegou dia após dia das periferias onde vivem as famílias pobres, dos jovens que sofrem a exclusão de uma sociedade elitista e selectiva, das vítimas da droga, dos presos esquecidos num sistema carcerário perverso, dos operários aos quais, pouco a pouco, são subtraídos os direitos, dos idosos que pedem para poder viver com dignidade os últimos anos da sua vida». Além disso, no que se refere à questão dos mass media, padre Graziola fez votos a fim de que o «Grito dos Excluídos» possa chamar a atenção para o poder dos meios de comunicação social na manipulação da opinião pública. «Esta iniciativa acrescentou o vice-coordenador nacional da pastoral carcerária não pode calar-se, porque dá voz a quantos não querem deixar-se engolir pelo desespero, pelos ventos de morte e destruição que, inclusive através do uso deturpado dos mass media, pretendem roubar-nos a esperança». É necessário, explicou padre Graziola, «defender os direitos fundamentais», desmentir as informações manipuladas, «chamando o Estado às suas responsabilidades políticas e empreendendo o caminho rumo a um novo país, um novo Brasil». Iniciado em 1995, o «Grito dos Excluídos» luta há anos por uma maior transparência dos meios de comunicação social no Brasil, para sensibilizar a população acerca do problema da violência social, desenvolver a participação política dos trabalhadores e sustentar a ampliação dos direitos dos cidadãos, numa perspectiva de inclusão social. O Brasil tem 191 milhões de habitantes, dos quais 56 vivem abaixo do limite de pobreza. Em conformidade com as estatísticas mais recentes, cerca de um por centro dos proprietários possui quarenta por centro dos terrenos cultiváveis do país. Na Nação existe um fosso enorme entre ricos e pobres: com efeito, vinte por cento das pessoas mais ricas possuem mais de sessenta por centro de todas as riquezas do país. Dez por cento dos habitantes têm à sua disposição cinquenta e três por cento de todos os recursos. E os vinte por cento de pessoas mais pobres devem dividir entre si dois e meio por centro da riqueza nacional. Além disso, calcula-se que oito milhões de crianças vivem na rua e quase três milhões delas são obrigadas a trabalhar. Os esforços até agora envidados para reduzir o nível de pobreza e as desigualdades socioeconómicas que afligem a Nação não conseguiram mudar de maneira significativa esta dura realidade. Volta a aumentar a desflorestação na Amazônia No período que vai de Agosto de 2014 a Julho de 2015 voltou a aumentar a desarborização da floresta amazônica brasileira, como foi confirmado por fontes de organizações ambientalistas, segundo as quais o aumento foi de 63 por cento. Tendo como base os cálculos divulgados em exclusiva pelo diário «Folha de São Paulo», a área da desflorestação corresponde a km 2. Recentemente, o Governo tinha divulgado a notícia de uma redução da taxa de desflorestação, equivalente a 15 por cento, mas os dados mais actualizados sublinha o mesmo jornal só serão publicados em Novemb ro. E ao longo dos próximos trinta e cinco anos, ou seja de 2016 a 2050, no mundo inteiro será desarborizada uma área de florestas tropicais equivalente ao território da Índia. Este alarme urgente foi lançado há poucos dias pela organização norte-americana «Center for Global Development».

8 número 36, quinta-feira 3 de Setembro de 2015 L OSSERVATORE ROMANO página 8/9 ROSSELLA FABIANI Marquei encontro com Paolo Matthiae no seu estúdio romano, onde todos os espaços são ocupados por livros e objectos que narram os países do Próximo Oriente, pelos quais ele tem uma grande estima. Concede-me «no máximo quarenta e cinco minutos», porque está a acabar de redigir um ensaio sobre a O Ei vive uma profunda contradição Por um lado, destrói todas as obras que considera uma idolatria Por outro, utiliza estes bens para angariar fundos O director-geral das antiguidades de Damasco comunicou que quinze funcionários dos museus já perderam a vida por causa do próprio trabalho sacre perpetrado na Síria. Lágrimas pudicas, porque conscientes do valor muito maior da perda de vidas humanas. Mas foram necessários outros massacres, outros longos anos de guerra, até ao horror do recente assassínio de Khaled al- Asaad um estudioso que Matthiae conhecia e estimava profundamente para chamar a atenção sobre a destruição de um grande património histórico e cultural. «Khaled al-asaad foi director das escavações arqueológicas de Palmira por quarenta anos. Era o arqueólogo dessa cidade e colaborou com missões de muitos países: França, Alemanha, Suíça, Holanda, Estados Unidos da América, Polónia e também a Itália. Foi um estudioso completo, mas sobretudo uma típica pessoa nascida numa família das cidades do deserto. Estes homens, como os beduínos de outrora, distinguem-se pela sua amabilidade, cortesia e extraordinária hospitalidade, que para eles é totalmente natural. Não exagerada, mas comedida e discreta. antiguidade, que será publicado a 17 de Novembro. Mas o nosso encontro durou mais de duas horas, deveras densas! Com uma voz que se tornava cada vez mais profunda e as palavras que saíam do seu coração. Um coração apaixonado pelo trabalho de arqueólogo desempenhado por quase cinquenta anos precisamente na Síria. É a ele que se deve a descoberta de Ebla. Não posso esquecer as suas lágrimas na conclusão de uma conferência apresentada na «Accademia dei Lincei» em 2013 sobre a arte nas civilizações do antigo Oriente, durante a qual ele recordou o masmente um cidadão do mundo. Em várias ocasiões o seu nome foi proposto como director-geral das antiguidades em Damasco, mas ele preferia permanecer em Palmira, a cidade com a qual se identificava». O que queriam demonstrar com a sua execução os milicianos do Estado islâmico (Ei)? Segundo as motivações deste bárbaro assassínio execução é um termo inapropriado o idoso arqueólogo era um colaboracionista do governo de al-assad e ocupava-se daquela que os milicianos definem a era da idolatria. Além disso, os seus acusadores afirmavam que ele escondera ao Ei os lugares onde teriam sido ocultadas as peças arqueológicas mais importantes de Palmira. Mas isto significa simplesmente que Khaled era um funcionário que desempenhava o seu trabalho com sentido de dever. E estou certo disto de maneira absolutamente indiferente a qualquer questão política. Khaled era um estudioso independente que, sem dúvida, dialogava Ruínas da antiga cidade de Ebla a sudoeste de Alepo (Síria setentrional) Uma nova barbárie Entrevista a Paolo Matthiae sobre a destruição das antiguidades no Iraque e na Síria Khaled al-asaad era uma pessoa de profunda afabilidade, discrição e docilidade de espírito. Até arqueólogos que não se ocupam de antiguidades romanas visitavam com frequência Palmira, encontrando aí a total disponibilidade de Khaled. Era uma personalidade fortemente radicada na cidade, mas devido à vocação internacional do sítio arqueológico por ele gerido, era praticacomo todos os arqueólogos com as autoridades políticas, culturais, militares e civis do seu país, como é normal que um superintendente italiano conheça o comandante da polícia ou o prefeito da própria cidade. A acusação de ter ocultado os tesouros de Palmira é apenas uma confirmação do que já dissemos: Khaled al-asaad não era alguém que podia trair o seu trabalho. Então, por que motivo não deixou Palmira poucos dias antes da ocupação do Ei, levando consigo as duas ou três mil peças que poderiam ter sido protegidas pelas autoridades de Damasco? Também esta é uma confirmação de que Khaled estava tão persuadido de desempenhar apenas a sua profissão, que não julgava ter motivo algum para fugir. E daquilo que me recordo, não era uma pessoa que temia pela própria vida. Embora já estivesse reformado tinha quase 82 anos preferiu permanecer na sua cidade precisamente porque as antiguidades estavam em perigo. E provavelmente imaginava que a sua inquestionável autoridade moral pudesse proteger em maior medida aquilo que existia e ainda existe em Palmira: as ruínas de um sítio arqueológico absolutamente extraordinário para todo o Mediterrâneo e para o mundo int e i ro. Um acontecimento trágico que obriga o Ocidente a dirigir de novo o olhar para aquele país martirizado, onde o Ei não dá sinais de se deter. Como demonstra também a destruição do mosteiro católico de Santo (Mar) Elian nos arredores de Homs e do templo de Baal, em Palmira. Esta decapitação atroz, com a exposição da sua cabeça pendurada numa coluna, é uma barbaridade que remonta a tempos muito remotos. Há-de ser combatida, mas ao mesmo tempo deve recordar-nos que apesar do horror da guerra ainda existem funcionários na gestão das antiguidades, assim como noutros serviços do Estado, que procuram salvaguardar de todas as formas um património cultural que, como disse a directora-geral da Unesco, pertence à humanidade inteira. Um exemplo é representado pelo responsável do museu de Idlib pequena cidade da qual depende Ebla que é precisamente um habitante da aldeia de Ebla, e todos os dias deve percorrer quinze quilómetros para chegar ao seu lugar de trabalho. Ainda recentemente, metade do percurso estava sob o controle do Governo e metade sob o controle de alguns grupos de rebeldes. Portanto, esta pessoa arrisca a sua vida para ir trabalhar e proteger as antiguidades do museu de Idlib. E como ele, também dezenas de outras pessoas. O director-geral das antiguidades de Damasco comunicou que quinze funcionários dos museus já perderam a vida por causa do próprio trabalho. É justo que à memória de Khaled al-asaad, um herói da cultura, seja dedicada uma área arqueológica do mundo ocidental, talvez no contexto das antiguidades romanas do Oriente, como o Fórum de Trajano em Roma, que de resto é uma obra de Apolodoro de Damasco. Mas também é útil recordar o que continuam a realizar, in loco, grupos de civis em várias cidades menores que gerem museus pequenos mas Paolo Matthiae Templo de Baal (Sítio arqueológico de Palmira, Síria) com tesouros arqueológicos importantes e difíceis de transportar. Um deles está situado em Maarret en-noman, na região de Idlib, a pouca distância de Ebla, noventa quilómetros a sul de Alepo. De origem medieval, aquela pequena cidade preserva antiguidades de arquitectura islâmica e um museu, com sectores importantes sobretudo de idade romana, que se fosse saqueado, representaria uma catástrofe! Ele foi salvo porque, não obstante a cidade tenha sido conquistada e perdida várias vezes pelo exército regular e por várias formações de rebeldes, alguns grupos de cidadãos uniram-se para defender a integridade daquele museu. Outras comissões cívicas estão sediadas em Idlib e em Draa, na Síria meridional. Trata-se de uma situação dramática. O mundo inteiro continua a perder tesouros de um património que representa a memória do Próximo Oriente. freado, que é próprio dos sunitas salafitas, nunca foi aceite pela totalidade dos muçulmanos. É suficiente pensar mas miniaturas safávidas e turcas, que representam a figura humana. Durante o máximo florescimento das miniaturas islâmicas, do império mogol na Índia dos séculos XV e XVI, os grandes sultões permitiam que a figura humana fosse representada porque a consideravam uma prática para se aproximar de Deus, não para competir com Ele. Por detrás do saque dos sítios arqueológicos e dos museus que caem nas mãos do Ei há também o financiamento do terrorismo? O Ei vive uma contradição. Por um lado, destrói todas as obras que considera uma idolatria, e este é um gesto que remonta ao passado. Por outro, utiliza estes bens para angariar fundos, e isto é algo muito moderno. Ambas estas actividades revelam o seu desprezo pelo mundo ocidental, que compra as antiguidades comercializadas pelos milicianos na Turquia meridional para depois voltar a apresentá-las nos mercados de Londres, Zurique e Nova Iorque. No entanto, na minha opinião é um disparate afirmar que a venda de antiguidades é a primeira ou segunda fonte de financiamento do Ei. Basta ver nas casas de leilão mais prestigiosas quanto se paga por uma peça de arte oriental. Um pequeno cilindro ou até uma una tabuinha cuneiforme não vale como um quadro de Cézanne. O dinheiro para as armas e para os mercenários do Ei provêm de outros lugares. Contudo, todos os sítios arqueológicos sob o controle do Ei correm grande perigo. É suficiente ler esta declaração de um porta-voz dos milicianos: «Quando conquistarmos Damasco, o primeiro Na Síria existem sérios problemas ligados ao matrimónio cultural: o primeiro é a ausência de controle do território, com o consequente aumento de escavações clandestinas. O segundo é a constatação de que os lugares históricos e sítios arqueológicos podem ser ocupados por destacamentos militares e, por conseguinte, podem tornar-se alvos da parte adversa. O terceiro perigo é representado por uma forma de barbárie: a destruição intencional dos monumentos. Na realidade, trata-se de uma prática muito antiga, à qual já não estávamos habituados. Pode-se considerar, por exemplo, o que aconteceu em Nimrud ou em Hatra, no Iraque. Os novos bárbaros detestam a representação da figura humana. Este rigorismo desengesto que realizaremos será a destruição do mausoléu de Saladino (o grande emir que libertou Jerusalém dos cruzados), porque se trata de um sinal de idolatria». De resto, já foi devastada Apameia, uma das principais cidades imperiais do Oriente, juntamente com Alexandria do Egipto e Antioquia na Turquia. Danos graves foram provocados também no sítio arqueológico de Mari a grande descoberta francesa de 1933, onde se encontraram um arquivo de vinte mil textos da época de Hamurabi da Babilónia nas proximidades da fronteira sírio-turca. Ebla foi danificada tanto por escavações clandestinas como por acampamentos militares de rebeldes. Também foi devastado o sítio arqueológico de Dura Europos, uma grande cidade perto da fronteira do limes romano, no Eufrates. E foram completamente destruídos o minarete medieval da enorme mesquita de Alepo, de origem omíada e a mesquita de Khosrofia, que se encontrava diante da cidadela de Alepo, obra de Sinan, o importante arquitecto otomano do início do século XVI. Foram provocados muitos danos também ao «Krak» dos cavaleiros, a fortaleza medieval mais bonita de todo o Mediterrâneo, que re- Khaled al-assad era uma personalidade fortemente radicada em Palmira, mas devido à vocação internacional do sítio arqueológico por ele gerido, era praticamente um cidadão do mundo Foi assassinado porque procurava defender um património universal monta aos séculos XII-XIII. Ela era o baluarte dos cruzados que se aventuravam rumo ao interior. O elenco das devastações é extremamente longo. Também foi destruída a antiga porta de bronze da cidadela de Alepo. Maaloulaa foi devastada e as igrejas e mosteiros greco-católicos e greco-ortodoxos sofreram prejuízos deveras relevantes. Além disso, há escavações clandestinas em toda a parte. Hoje, Al-Assad controla a região de Damasco até Homs e em parte até Hamah, mas inclusive a área do litoral, que é terra dos Alawitas, onde está situada a cidade de Latakia (Laodiceia). Contudo, o controle é irregular e a situação é desesperadora. Sem mencionar os cristãos, que praticamente desapareceram da Síria e do Iraque: quem conseguiu, fugiu. É distante o tempo em que a política estava atenta à tutela de todas as minorias, entre as quais a cristã. Recordo-me quando falei com Hafez al-assad sobre a descoberta de Ebla. O seu intérprete era um cristão chamado Rias, assim como eram cristãos também alguns dos seus mais estreitos colaboradores. Hoje, a única perspectiva é uma conferência internacional.

9 página 10 L OSSERVATORE ROMANO quinta-feira 3 de Setembro de 2015, número 36 NICOLA GORI As comunidades cristãs estão em primeira linha no socorro e no acolhimento dos migrantes: longe dos reflectores mediáticos, todos os dias respondem com gestos concretos de solidariedade aos desafios que a chegada dos prófugos apresenta à consciência pessoal e colectiva. Por isso a voz da Igreja é «uma palavra profética» que haure a sua força do testemunho. Depois do anúncio do tema do dia mundial de 2016 «Migrantes e refugiados nos interpelam. A resposta do Evangelho da misericórdia» o cardeal Antonio Maria Vegliò recordou ao nosso jornal que sobre a questão dos imigrados «não podemos permanecer em silêncio nem indiferentes», mesmo se «não é fácil dar uma resposta satisfatória a todos». Segundo o presidente do Pontifício Conselho para a pastoral dos migrantes e itinerantes, a obra de informação e de formação da opinião pública permanece fundamental, sobretudo para favorecer uma reflexão adequada sobre a origem dos Em diálogo com o cardeal Vegliò sobre o tema do dia mundial do migrante e do refugiado Além de receios e egoísmos medos e desconfianças que se difundem entre as pessoas diante do «est r a n g e i ro». Por que foi escolhido este tema para o dia mundial do migrante e do refugiado de 2016? Por um lado, o tema do dia mundial do migrante e do refugiado insere-se naturalmente no contexto do Farmácia do Vaticano contribui para as necessidades dos imigrantes Caridade no laboratório Um frasco branco com tampa vermelha e uma etiqueta adesiva: 20 por cento de benzoato de benzilo. Para os especialistas é um dos tratamentos mais eficazes contra a sarna. Para a Farmácia do Vaticano é também um modo novo de praticar a caridade e dar continuidade ao serviço à pessoa humana, sem distinções de raça, idade e religião. Com efeito, o frasco contém uma pomada que a Farmácia prepara nos seus laboratórios para ir ao encontro das necessidades de milhares de imigrantes que chegam à Itália todos os anos. A preparação é feita a pedido da Esmolaria apostólica, que depois se encarrega de distribuir este remédio indo periodicamente aos vários centros de hospitalidade em Roma para levar a caridade do Papa aos carenciados da sua diocese. Recentemente, numa das estruturas mais lotadas da cidade, os voluntários da Esmolaria entregaram cinquenta quilos de remédios anti-sarna, juntamente com uma centena de confecções de antibióticos e anti-histamínicos, além de umas cinquenta confecções de pomadas antimicóticas. O unguento é um dos preparados galénicos que são fabricados diariamente no laboratório da Farmácia do Vaticano. Arquivados os alambiques de cobre para destilar e as pequenas balanças para pesar os princípios activos, agora dominam os novos instrumentos tecnológicos. De facto, nesses últimos tempos o laboratório renovou-se apesar de ter permanecido fiel à antiga tradição farmacológica dos «fatebenefratelli», que em 1874 deram vida à instituição no Vaticano. Além dos temíveis ácaros da sarna, a Farmácia do Vaticano está também em primeira linha na luta contra o menos prejudicial, mas nem por isso menos enfadonho, o mosquito. Com efeito, foi criada uma loção spray «duas em uma», isto é com dupla função: serve quer como repelente quer para aliviar os incómodos sucessivos à picada dos mosquitos. É composta de óleos essenciais naturais, como a erva-cidreira, gerânio, cravinhos e alfazema. No âmbito da redescoberta das potencialidades do laboratório, insere-se também uma nova série de produtos que estão expostos com as suas etiquetas coloridas, com a fotografia da basílica se São Pedro e a escrita «Farmacia vaticana». Trata-se de complexos fitoterapêuticos, creme para as mãos, loção pós-barba e creme e talco contra escaras de decúbito, só para citar alguns. São só os primeiros que o director da Farmácia, irmão Rafael Cenizo Ramírez, quis pôr à disposição do público para oferecer produtos de alta qualidade e de eficácia terapêutica comprovada. A nova linha de complexos fitoterapêuticos enriquece a série de produtos elaborados pela farmácia já existentes. Trata-se de preparações líquidas, conhecidas como «tintura», extraídas de plantas medicinais frescas, às quais a fitoterapia moderna atribui grande valor para o tratamento de várias doenças. Actualmente estão disponíveis dez tinturas, sete das quais são monoplantas (bardana, bétula, equinácea, cavalinha, própolis, gilbarbeira e dente-de-leão) e três compostas por misturas de várias tinturas (nardo, malmequer-dos-brejos e passiflora, para favorecer o repouso; centela, rusco e bétula, para combater a celulite; uva-do-monte, hawkweed e bearberry, para as infecções das vias urinárias). Tanto a qualidade das tinturas empregadas como a informação pormenorizada presente no produto foram cuidadas nos mínimos pormenores, sobretudo para tornar facilmente compreensível as indicações e a utilização, como explicaram os três farmacêuticos responsáveis pelo laboratório, Antonella Mestriner, Adelina Marrazzo e Roberto Imperatori. Portanto, o laboratório produz não só remédios galénicos sob prescrição médica, mas também preparados oficinais. E dado que também o bem-estar do corpo merece a sua parte, não falta cosmético algum: entre os mais recentes, um creme para as mãos à base de ácido hialurónico e uma loção pós-barba hidratante. (nicola gori) Ano da misericórdia, que será o ponto de referência para a Igreja nos próximos meses. Por outro, no contexto de uma situação mundial na qual a migração está a assumir grandes proporções e diante de tantas tragédias dolorosas que aconteceram não só no Mediterrâneo mas em todo o mundo, devemos reconhecer que este fenómeno, em todas as suas formas, nos interpela a dar uma resposta. Certamente, não é fácil responder de modo satisfatório a todos; além disso, não podemos permanecer em silêncio nem indiferentes diante de tal realidade. Portanto, para toda a Igreja o dia mundial torna-se uma oportunidade concreta para reflectir, rezar e agir. A celebração insere-se no Ano da misericórdia. Que reflexões sugere? A Igreja deve ser testemunha em todos os âmbitos da sua acção. Deve fazer o que pode: naturalmente, não pode fazer tudo, mas sem dúvida deve formar as consciências e impelilas a nunca permanecer tranquilas diante destes fenómenos. Neste sentido, a chamada a defender o direito de cada pessoa a viver com dignidade, ao mesmo tempo, tem a responsabilidade de garantir que a opinião pública seja informada de modo adequado sobre as causas da migração, as suas consequências e acerca dos perigos que o percurso migratório pode comportar. Por conseguinte, o dia mundial do migrante e do refugiado, celebrado no Ano da misericórdia, é uma ocasião providencial para apresentar um quadro completo da realidade migratória, em toda a sua complexidade. É também uma oportunidade para aprofundar, no contexto migratório, a relação entre justiça e misericórdia, que constituem duas dimensões de uma única realidade, em sintonia com o que o Papa sugeriu na Misericordiae vultus. A Igreja ajuda-nos também a não esquecer que Jesus está presente entre os pequeninos, os mais sofredores e vulneráveis, os que precisam dos outros. A Igreja, como discípula de Jesus, é chamada a libertar, a anunciar a libertação de quantos são prisioneiros das escravidões da sociedade mo derna. De que modo as Igrejas locais podem ser envolvidas neste evento? A celebração do Ano da misericórdia não é uma celebração realizada só em Roma. O Santo Padre, como se lê na bula de proclamação Misericordiae vultus, quer que cada Igreja particular seja «directamente envolvida na vivência deste Ano santo». A migração é um fenómeno que toca sobretudo as nossas Igrejas locais, porque estão no âmbito mais próximo dos migrantes e refugiados. Nelas encontramos essas pessoas, face a face. É a este nível que se pode realizar concretamente a integração. Por este motivo, o Pontifício Conselho para a pastoral dos migrantes e itinerantes quis oferecer algumas indicações para a celebração local. O que sugeris concretamente? Em primeiro lugar, que o dia jubilar seja celebrado a nível diocesano e nacional com a participação dos migrantes e dos refugiados, envolvendo toda a comunidade cristã. Para mostrar a unidade da Igreja, propusemos que o evento jubilar central seja precisamente no dia 17 de Janeiro de 2016, coincidindo com o dia mundial do migrante e do refugiado. CO N T I N UA NA PÁGINA 11

10 número 36, quinta-feira 3 de Setembro de 2015 L OSSERVATORE ROMANO página 11 Falta de uma linha comum perante a emergência Mas a Europa ainda não existe GIUSEPPE FIORENTINO Trinta e sete mortos: é o balanço do naufrágio ocorrido a 30 de Agosto ao largo das costas líbias. Foi só a última de uma longa série de tragédias ligadas à imigração, enquanto a Europa se esforça muito a fim de indicar uma linha comum para gerir positivamente um fenómeno epocal. Tem-se dela a imagem de um continente rico como há dias a definiu a chanceler alemã Angela Merkel que, longe de elaborar políticas de acolhimento que poderiam revelar-se de importância fundamental para responder às problemáticas económicas e sociais ligadas à diminuição da natalidade, põe-se em parte em posições de fechamento. Se a Hungria anuncia a conclusão da barreira de arame farpado ao longo dos 175 quilómetros de confim com a Sérvia, a Grã-Bretanha, através da ministra do Interior, Theresa May, apresenta um limite às chegadas dos próprios cidadãos comunitários, os quais poderiam ser expulsos do Reino Unido se não estiverem munidos de um contrato de trabalho. A entrevista concedida pela ministra ao «Sunday Times» não deixou de suscitar polémicas, às quais a titular do Home Office respondeu evidenciando que a iniciativa deve visar restabelecer «o princípio original» sancionado pela União. Polémicas inflamadas também entre a Hungria e a França, com Paris que, com uma clara referência à rede da fronteira servo-húngaro, definiu «escandalosa» a atitude de alguns países do leste. «Em vez de exprimir juízos chocantes e sem fundamento, seria necessário concentrar-se na busca de soluções comuns para a Europa», replicou o ministro dos Negócios estrangeiro húngaro, Péter Szijjártó, num comunicado no qual antecipa a convocação de um representante diplomático de Paris. Não obstante os protestos, não só franceses, a Hungria depois de ter concluído a construção do muro de arame farpado, deu início à erecção de uma segunda barreira, ainda mais sólida e com quatro metros de altura, que deseja completar até Novembro. A proposta do presidente do Conselho italiano, Matteo Renzi, parece ir além das polémicas, evidenciando a necessidade de internacionalizar a Um refugiado procura atravessar a fronteira entre a Sérvia e a Hungria (Ap) crise, adoptando uma política de imigração comum para estabelecer um direito de asilo europeu. Porque quanto se está a verificar disse Renzi numa entrevista ao «Corriere della sera», a 30 de Agosto é «uma grande crise mundial e europeia que deve ser enfrentada em Bruxelas, não em Lampedusa». É uma consciência que se amplia, como demonstram também as importantes declarações de Angela Merkel que recentemente exortou a Europa a uma solidariedade concreta para com os milhares de pessoas que chegam ao seu litoral em fuga da guerra e da fome. Ao mesmo tempo, o primeiro-ministro francês Manuel Valls, no final de uma visita a Calais, disse que toda a Europa está envolvida pelo fenómeno da imigração e se deve mobilizar. Todavia, o que ainda parece faltar é a capacidade de intervenções tempestivas. Por iniciativa da França, Grã-Bretanha e Alemanha foi convocada em Bruxelas uma reunião extraordinária dos ministros do Interior da União europeia. A finalidade do encontro será indicar medidas «imediatas» para responder à emergência. Mas a reunião urgente terá lugar só no dia 14 de Setembro. CO N T I N UA Ç Ã O DA PÁGINA 10 Aproveitando a ocasião que este Ano da misericórdia oferece, tal celebração torna-se também um encorajamento para as dioceses e as comunidades cristãs, que ainda não celebram anualmente o dia mundial, a programar algumas iniciativas. Em sintonia com as propostas feitas para o Ano jubilar, esperemos que esta celebração seja traduzida em sinais concretos de solidariedade no espírito das obras de misericórdia: gestos que tenham um valor simbólico e exprimam a proximidade e a atenção aos migrantes e refugiados. Certamente, estes sinais serão diferentes segundo as circunstâncias do lugar ou da comunidade; mas de qualquer forma não esgotam o compromisso da Igreja para e com os migrantes. Num momento em que a opinião pública parece desorientada pelo confronto polémico sobre a imigração, o que se pode fazer para sensibilizar as pessoas ao acolhimento? A complexidade do fenómeno migratório torna difícil separar os diversos aspectos, como o político ou legislativo, o da segurança ou o humanitário. Antes de tudo, não podemos reduzir este fenómeno só às estatísticas nem aos números. Estamos diante de pessoas humanas, que têm um rosto, uma história real, uma família e experiências concretas que não podem ser esquecidas. Isto é importante porque falamos de acolhimento de pessoas reais, não de ideias abstractas. No entanto, entre as pessoas difunde-se Em diálogo com o cardeal Vegliò um sentimento de medo diante do «est ra n g e i ro». Sensibilizar significa também reflectir sobre os próprios medos e sensações negativas que levam ao fechamento. Penso que na natureza humana é normal sentir medo. Mas devemos perguntar-nos: de onde nasce este medo? Devemos estar cientes da sua origem. Talvez pensemos que a chegada dos migrantes possa reduzir os nossos espaços de liberdade, ou nos deixamos impressionar pelas dificuldades que a experiência do convívio pode apresentar. Mas são motivos suficientes para nos fecharmos em nós mesmos? É uma questão sobre a qual reflectir. Há também quem demonstra indiferença quando a Igreja faz ouvir a sua voz Anneke Bollebaker, «Misericórdia» exortando à solidariedade e ao acolhimento. A Igreja deve fazer-se voz de quantos não a têm diante da comunidade internacional, denunciando a indiferença e a falta de justiça, propondo caminhos de solidariedade e facilitando o diálogo. Como já disse, a Igreja procura despertar as consciências diante desta realidade. Gostaria de acrescentar que a Igreja tem uma «palavra» profética na obra de sensibilização ao acolhimento: uma «palavra» que ressoa com força através das diversas acções e obras das quais as comunidades cristãs se ocupam de modo concreto. Há muitos exemplos pequenos e grandes de gestos de abertura. É a sensibilização que nasce do nosso compromisso e da nossa acção diária. A tal propósito, tendes notícias e dados actualizados sobre quanto fazem as várias realidades católicas, como dioceses, institutos religiosos, associações laicais e de voluntariado? Não gostaria de dar a impressão de evitar a pergunta, mas respondo que são muitas e tão diversas as obras promovidas pelas comunidades cristãs que, graças a Deus, é praticamente impossível ter uma lista actualizada e exacta. Todos os dias nascem novas iniciativas tanto de forma organizada como de maneira espontânea promovidas por comunidades ou indivíduos. Um relatório de casos concretos seria inevitavelmente redutivo. Mas quando recebo informações a propósito de numerosas realizações, muitas vezes desconhecidas para a opinião pública, não posso deixar de ver a grandeza do coração dos cristãos, que fazem isto impelidos pelo amor simples e gratuito ao Senhor presente nos irmãos. Por exemplo, vêm-me à mente sem pretender oferecer um resumo exacto as experiências de uma comunidade de religiosas que hospedou 150 pessoas requerentes de asilo, alguns médicos católicos que trabalham em embarcações de socorro aos refugiado, de uma paróquia que recebeu alguns menores desacompanhados, dos 20 voluntários que montaram uma tenda onde ajudam os migrantes a procurar trabalho, de uma família que acolheu em casa dois refugiados. Diariamente as nossas comunidades respondem de modo concreto aos casos sempre novos que se encontram a enfrentar. E fazem-no com uma extraordinária «fantasia da caridade».

11 página 12 L OSSERVATORE ROMANO quinta-feira 3 de Setembro de 2015, número 36 Marcelo Figueroa recorda os diálogos com o amigo Jorge Mario Bergoglio A trigésima terceira transmissão SI LV I N A PÉREZ «Amizade» é a palavra em suspenso entre o biblista protestante Marcelo Figueroa, o rabino Abraham Skorka e Jorge Mario Bergoglio. Amizade é o fio condutor que os une desde há muitos anos e também o tema que faltou na transmissão prevista para Março de 2013 no Canal 21, emissora da diocese de Buenos Aires. Foram regularmente transmitidas trinta e duas emissões, porque a trigésima terceira ficou na programação: «Fála-ei quando voltar para casa» disse Bergoglio antes de partir para o conclave. A ideia do programa era tratar, cada um segundo as próprias perspectivas de fé, questões que pudessem ser de interesse para todos. O ponto de partida e de contacto era a análise das Sagradas Escrituras: de facto a transmissão intitulava-se «Bíblia, diálogo actual». A condição era partilhada pelo cardeal de Buenos Aires com Skorka e Figueroa. Debateram com paixão sobre vários temas durante anos: o sentido da vida, a família, a velhice, a dignidade, os receios, a razão e a importância da fé nestes tempos. Os E UA esperam o Papa Cadeira dos imigrados De madeira simples, mas de enorme valor simbólico, será a cadeira que o Papa Francisco usará para a missa de 25 de Setembro no Madison Square Garden de Nova Iorque. Foi realizada numa garagem do condado de Westchester, no Estado da Big Apple, por Fausto Hernández, Héctor Rojas e Francisco Santamaría, três imigrados sazonais hispânicos. E assim a «silla sagrada» já obteve um editorial no New York Times precisamente porque deseja ser «um símbolo de humildade e não um trono», como afirmaram os três imigrados. Isto delineia bem conteúdos e perspectivas da preparação, nos Estados Unidos, para a chegada de Francisco. Uma forte expectativa, como confirmam também os dez mil voluntários que se puseram à disposição para garantir o acolhimento em Filadélfia, por ocasião do encontro mundial das famílias. Bergoglio no estúdio do Canal 21 durante a transmissão «Bíblia, diálogo actual» Desta experiência nasceu Bíblia, Diálogo Vigente: a fé nos tempos modernos (Jorge M. Bergoglio, Abraham Skorka, M. Figueroa, Ed. Planeta, Lisboa 2014, 294 págs.), um volume dedicado ao diálogo inter-religioso e ecuménico, que merece atenção e representa fielmente o pensamento do Papa Francisco. «Desde que Jorge Mario Bergoglio se tornou Papa, separa-nos uma grande distância geográfica mas sentimo-lo muito próximo, por isso é sempre agradável voltar a ver-se», confidenciou ao nosso jornal Figueroa, que acabou de se encontrar com o Pontífice em Santa Marta. A relação com Bergoglio instaurou-se em Buenos Aires mas prossegue no tempo. Como encontrou o Pontífice? Vi-o muito seguro e determinado no seu novo e não fácil papel. Trabalha muitíssimo e dedica todas as energias à sua missão. É um homem e um pastor que chega ao coração da Igreja, pela qual sente um grandíssimo amor, com uma grande fé no Senhor Jesus e uma particular atenção para com aquelas que podem ser definidas periferias existenciais, os pobres. Na Argentina tivemos a possibilidade de nos conhecer bem fazendo juntos coisas concretas, por exemplo o programa televisivo. Foram momentos criativos durante os quais aprendemos a conhecer-nos. Abrimos o nosso coração um ao outro e isto fortaleceu a nossa amizade. Surpreendeu-se com algum gesto particular nestes dois anos e meio de pontificado? Nenhuma surpresa. Conheço-o bem! Nas suas escolhas, Francisco demonstra toda a coragem e simplicidade que estão a caracterizar o seu pontificado. Para ele a pobreza e a humildade estão no centro do Evangelho, e digo isto num sentido teológico. Não se pode compreender o Evangelho sem a pobreza e o Papa fala aos pobres da terra, seja qual for a religião deles. O que espera dele? Penso que Francisco é um ponto de referência espiritual e moral não só para os católicos. Tem consciência real dos problemas que afligem o mundo, uma visão geopolítica clara. Bergoglio foi o primeiro que falou de uma terceira guerra mundial que se combate «por etapas» e também sobre este tema parece ter antecipado todas as elites intelectuais. As suas ideias-guia sobre a justiça social, a promoção dos jovens, o tráfico de pessoas, surpreendem hoje pessoas em todo o mundo, mas os argentinos já as ouviram há muito tempo. De facto, mediador invisível do histórico degelo entre Estados Unidos e Cuba e entre Obama e Putin durante a crise síria. A ideia de um Vaticano como centro de mediação é útil ler a este propósito a lectio magistralis proferida a 11 de Março passado pelo cardeal secretário de Estado Pietro Parolin na Pontifícia Universidade Gregoriana é deveras importante para todos porque dá esperança em que o sucesso obtido sobre Cuba possa repetir-se noutras partes. A violência por motivos religiosos ensanguenta o Médio Oriente. O que podem fazer os chefes das religiões? O fundamentalismo religioso não tem a consciência do valor da vida humana: parece que a pessoa não conta e que possa ser sacrificada a outros interesses. O fundamentalismo manipula os textos sagrados proclamando uma verdade reelaborada, reduzida. Nas três religiões monoteístas tivemos os nossos grupos fundamentalistas. Ao contrário, a paz é um conceito, não é algo sobre o que se pode legislar ou decidir por decreto. Os chefes religiosos obrigamse a ser os primeiros que procuram vias possíveis para percorrer um caminho de paz. A paz faz-se com todos muçulmanos, católicos, judeus, ortodoxos, de outras religiões de todos somos irmãos, todos acreditamos num único Deus. Para que haja paz, deve haver absolutamente justiça e respeito recíproco, o respeito pela dignidade de todos e de cada um. O diálogo entre as religiões, na Europa como em qualquer parte do mundo, é uma condição imprescindível para a paz. Neste século os chefes religiosos têm um papel central. Muitos povos no mundo estão a redefinir a própria identidade a partir de uma visão religiosa ou espiritual de viver. Neste sentido, a contribuição da religião é central. Pensa que Francisco pode deveras inaugurar uma nova relação entre as re l i g i õ e s? Partindo de uma coisa muito simples: religião significa relação. Relação do ser humano, do homem com Deus. Fazemos parte de uma única família humana. É preciso falar sem barreiras, analisar todos os temas sem limites. Desde o concílio Vaticano II a Igreja católica está a esforçarse por se aproximar da Igreja ortodoxa. Com algumas Igrejas ortodoxas há mais proximidade do que com outras. Foi esta a nossa experiência em Buenos Aires, cidade cosmopolita na qual diversas comunidades se integraram e convivem no respeito recíproco. Foi precisamente este tipo de diálogo que esteve na base do programa televisivo que fizemos com o cardeal Bergoglio. O Papa é muito sensível ao diálogo interreligioso, porque sabe bem que o outro é reflexo de Deus. É através das relações humanas que se deve criar a confiança. Começa-se estabelecendo relações com as pessoas, depois vem o resto. Preparação da visita do Pontífice a Cuba Ilha da caridade «Missionário da misericórdia» é o lema da visita que o Papa Francisco realizará a Cuba de 19 a 22 de Setembro. E precisamente neste sulco Cuba está-se a preparar para o encontro com o Pontífice. Com efeito, no domingo 30 de Agosto, em concomitância com o início da novena à Virgem da Caridade do Cobre, padroeira do país, realizou-se uma «colecta nacional da misericórdia». Como explicou o bispo Dionisio García Ibañez, presidente da Conferência episcopal cubana, a iniciativa englobou «todas as paróquias, comunidades e casas missionárias» da ilha. As doações dos fiéis transformar-se-ão em alimentos, roupa, brinquedos, dinheiro: tudo será distribuído às pessoas carenciadas. Segundo os bispos, a novena à Virgem da Caridade do Cobre «não envolve só os membros das comunidades paroquiais, mas desperta o coração crente de todo o povo» e, portanto, proporcionará a ocasião para uma preparação imediata à visita. Por conseguinte, no contexto das celebrações marianas foi inserida uma oração especial Por el Papa Francisco y su visita a Cuba: «Oh Deus, Pai bondoso e rico de misericórdia / dirigi o vosso olhar amoroso / e derramai a vossa graça sobre o vosso servo Papa Francisco / que tornastes / pastor da Igreja universal. / Permiti que a sua palavra e testemunho de amor / alcancem o coração do povo cubano / que ele vem visitar / como missionário da misericórdia. / Pedimo-lo a Vós / que viveis e reinais com Jesus Cristo, vosso Filho, / na unidade com o Espírito Santo / pelos séculos dos séculos. Amém».

12 número 36, quinta-feira 3 de Setembro de 2015 L OSSERVATORE ROMANO página 13 Carta do Papa Francisco em vista do Jubileu extraordinário Encontro com a misericórdia Será «um verdadeiro momento de encontro com a misericórdia de Deus» o jubileu extraordinário que se abrirá no próximo dia 8 de Dezembro. Escreve o Papa Francisco numa carta enviada ao arcebispo Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a promoção da nova evangelização, indicando alguns pontos-chave para viver a experiência do ano santo como ocasião para «experimentar» a ternura do Pai. Ao Venerado Irmão D. RINO FISICHELLA Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização A proximidade do Jubileu Extraordinário da Misericórdia permite-me focar alguns pontos sobre os quais considero importante intervir para consentir que a celebração do Ano Santo seja para todos os crentes um verdadeiro momento de encontro LU C E T TA SCARAFFIA Com o jubileu centrado sobre a «experiência genuína da misericórdia de Deus» o Pontífice quer sobretudo abrir a porta a quantos estão excluídos dela. Entre estes, os encancerados, que não podem vir a Roma nem às igrejas diocesanas habilitadas para o perdão: não só, «todas as vezes que passarem pela porta da própria cela, dirigindo o pensamento e a oração ao Pai», para eles será como passar pela Porta santa, escreve Francisco. E a misericórdia deste ano santo será aberta também aos fiéis que frequentam as igrejas oficiadas pela minoria lefebvriana, com o auspício de que se possa recuperar a plena comunhão com os seus sacerdotes e superiores. Mas sobretudo o Papa dirige palavras cheias de amor, e não de reprovação, às mulheres que recorreram ao aborto. Mulheres que, em grande parte, contradisseram os ensinamentos da Igreja por ter escolhido considerar o aborto um «mal gravíssimo» como o direito sobre o qual construir a sua libertação. Mas que se deram conta, na sua difícil experiência pessoal, de que o aborto não pode ser um caminho de libertação, e que é difícil, além das decisões tomadas em grande medida devido à influência com a misericórdia de Deus. Com efeito, desejo que o Jubileu seja uma experiência viva da proximidade do Pai, como se quiséssemos sentir pessoalmente a sua ternura, para que a fé de cada crente se revigore e assim o testemunho se torne cada vez mais eficaz. O meu pensamento dirige-se, em primeiro lugar, a todos os fiéis que em cada Diocese, ou como peregrinos em Roma, viverem a graça do Jubileu. Espero que a indulgência jubilar chegue a cada um como uma experiência genuína da misericórdia de Deus, a qual vai ao encontro de todos com o rosto do Pai que acolhe e perdoa, esquecendo completamente o pecado cometido. Para viver e obter a indulgência os fiéis são chamados a realizar uma breve peregrinação rumo à Porta Santa, aberta em cada Catedral ou nas igrejas estabelecidas pelo Bispo diocesano, e nas quatro Basílicas Papais em Roma, como sinal do profundo desejo de verdadeira conversão. Estabeleço igualmente que se possa obter a indulgência nos Santuários onde se abrir a Porta da Misericórdia e nas igrejas que tradicionalmente são identificadas como Jubilares. É importante que este momento esteja unido, em primeiro lugar, ao Sacramento da Reconciliação e à celebração da santa Eucaristia com uma reflexão sobre a misericórdia. Será necessário acompanhar estas celebrações com a profissão de fé e com a oração por mim e pelas intenções Um direito a ser perdoado das ideologias correntes, cancelar dentro delas o pesado sentido de culpa que sentem por ter impedido que uma criatura nascesse. A elas, que têm o coração pesado por causa desta ferida aparentemente irremediável, Francisco dirige-se, oferecendo o que só o amor de Deus pode dar: o perdão. Nas palavras do Papa há muita misericórdia. «Conheço bem garante na sua carta os condicionamentos que as levaram a tomar esta decisão. Sei que é um drama existencial e moral. Encontrei muitas mulheres que traziam no seu coração a cicatriz causada por esta escolha sofrida e dolorosa. O que aconteceu é profundamente injusto; contudo, só a sua verdadeira compreensão pode impedir que se perca a esperança». A grandeza da tradição cristã está inteiramente resumida aqui: perdoar sem por isso minimizar o alcance moral do pecado cometido, sem contudo pensar que não se tratava de um mal. Diante de um mundo que quer considerar o aborto um direito como os outros, perante os movimentos ideológicos que dele fizeram o primeiro passo para o caminho da liberdade feminina, Francisco reafirma a condenação desta injustiça precisamente no momento em que oferece o perdão. que trago no coração para o bem da Igreja e do mundo inteiro. Penso também em quantos, por diversos motivos, estiverem impossibilitados de ir até à Porta Santa, sobretudo os doentes e as pessoas idosas e sós, que muitas vezes se encontram em condições de não poder sair de casa. Para eles será de grande ajuda viver a enfermidade e o sofrimento como experiência de proximidade ao Senhor que no mistério da sua paixão, morte e ressurreição indica a via mestra para dar sentido à dor e à solidão. Viver com fé e esperança jubilosa este momento de provação, recebendo a comunhão ou participando na santa Missa e na oração comunitária, inclusive através dos vários meios de comunicação, será para eles o modo de obter a indulgência jubilar. O meu pensamento dirige-se também aos encarcerados, que experimentam a limitação da sua liberdade. O Jubileu constituiu sempre a oportunidade de uma grande amnistia, destinada a abranger muitas pessoas que, mesmo merecedoras de punição, todavia tomaram consciência da injustiça perpetrada e desejam sinceramente inserirse de novo na sociedade, oferecendo o seu contributo honesto. A todos eles chegue concretamente a misericórdia do Pai que quer estar próximo de quem mais necessita do seu perdão. Nas capelas dos cárceres poderão obter a indulgência, e todas as vezes que passarem pela porta da sua cela, dirigindo o pensamento e a oração ao Pai, que este gesto signifique para eles a passagem pela Porta Santa, porque a misericórdia de Deus, capaz de mudar os corações, consegue também transformar as grades em experiência de liberdade. Eu pedi que a Igreja redescubra neste tempo jubilar a riqueza contida nas obras de misericórdia corporais e espirituais. De facto, a experiência da misericórdia torna-se visível no testemunho de sinais concretos como o próprio Jesus nos ensinou. Todas as vezes que um fiel viver pessoalmente uma ou mais destas obras obterá sem dúvida a indulgência jubilar. Daqui o compromisso a viver de misericórdia para alcançar a graça do perdão completo e exaustivo pela força do amor do Pai que não exclui ninguém. Portanto, tratar-se-á de uma indulgência jubilar plena, fruto do próprio evento que é celebrado e vivido com fé, esperança e caridade. Enfim, a indulgência jubilar pode ser obtida também para quantos faleceram. A eles estamos unidos pelo testemunho de fé e caridade que nos deixaram. Assim como os recordamos na celebração eucarística, também podemos, no grande mistério da comunhão dos Santos, rezar por eles, para que o rosto misericordioso do Pai os liberte de qualquer resíduo de culpa e possa abraçá-los na beatitude sem fim. Um dos graves problemas do nosso tempo é certamente a alterada relação com a vida. Uma mentalidade muito difundida já fez perder a necessária sensibilidade pessoal e social pelo acolhimento de uma nova vida. O drama do aborto é vivido por alguns com uma consciência superficial, quase sem se dar conta do gravíssimo mal que um gesto semelhante comporta. Muitos outros, ao contrário, mesmo vivendo este momento como uma derrota, julgam que não têm outro caminho a percorrer. Penso, de maneira particular, em todas as mulheres que recorreram ao aborto. Conheço bem os condicionamentos que as levaram a tomar esta decisão. Sei que é um drama existencial e moral. Encontrei muitas mulheres que traziam no seu coração a cicatriz Aquele perdão que muitas mulheres não podem conceder-se a si mesmas, inclusive quando pensam com o raciocínio que não cometeram nada de mal. Porque o aborto e todas as mulheres sabem isso é uma experiência que marca de forma indelével a vida, um peso que carregarão dentro de si para sempre. Só o perdão pode libertar deste peso, não o orgulho por uma escolha que contudo é sempre vivida como inevitável, como desejaria a cultura dominante. Com poucas e paternas palavras, com a concessão a cada sacerdote de perdoar durante o jubileu este pecado que já está tão difundido a ponto de merecer uma abertura de perdão mais ampla, o Papa Francisco mostra o seu coração às mulheres do nosso tempo. Só pede que reconheçam o que o seu corpo e o seu coração já reconheceram, além da sua vontade. E em troca oferece a única solução possível, a única libertação: o perdão. Trata-se de um acto de amor corajoso pelas mulheres, de um reconhecimento da sua verdadeira natureza, além das ideologias e do politicamente correcto. Um acto que teria um eco ainda mais forte se, no seio da Igreja, às mulheres fosse reconhecido o lugar que merecem. CO N T I N UA NA PÁGINA 14

13 página 14 L OSSERVATORE ROMANO quinta-feira 3 de Setembro de 2015, número 36 Missa matutina em Santa Marta Te r ç a - f e i r a 1 de Setembro O conselho de Paulo O testemunho de Job e o afresco do Juízo Final realizado por Michelangelo na Capela Sistina são dois ícones que podem reavivar a nossa certeza do encontro pessoal com o Senhor. Recordou o Papa, dando a cada um o conselho que Paulo dirigiu aos cristãos de Tessalonica, de «se confortar reciprocamente», isto é, «falar sobre a vinda do Senhor», a única coisa que conta, sem perder tempo com conversas vazias. O Pontífice sugeriu também uma série de questões para um exame de consciência sobre o modo como estamos a viver a expectativa do Senhor. Para a sua meditação Francisco inspirou-se precisamente no trecho litúrgico da primeira carta que «o apóstolo Paulo escreve à comunidade de Tessalonica» (5, ). Talvez, observou, «esta carta tenha sido a primeira que ele escreveu» e enviou a «uma comunidade um pouco inquieta» porque estava preocupada pelo modo «como e quando» teria sido e vindo o dia da volta do Senhor. A tal ponto que já no trecho lido no dia anterior, frisou o Papa, são Paulo é obrigado a recomendar que não permanecessem «tristes como aqueles que não têm esperança». De facto, a comunidade perguntavase: «O que acontece aos mortos, para onde vão?». E ainda: «Quando voltará o Senhor?». E alguém respondia: «Não, voltará logo! E se volta logo, não trabalhemos!». Assim Paulo, homem «concreto», deve dirigir-se aos cristãos de Tessalonica com uma expressão forte: «Quem não trabalha não coma». Resumindo, afirmou o Papa, a esta «comunidade um pouco frívola o apóstolo deve ensinar o caminho da paz». E ainda o trecho da epístola do dia precedente advertia a não permanecer «tristes porque o Senhor virá e os vossos mortos estão com ele». Depois, Paulo vai mais além: «E assim estaremos para sempre com o Senhor». Esta afirmação, disse Francisco, «é uma grande consolação» e «é o que nos espera a todos». Além disso, acrescentou, «o trecho de ontem terminava com um conselho: por conseguinte, confortaivos reciprocamente com estas palavras». Mas, «também hoje disse o Papa o trecho que lemos acaba com o mesmo verbo: confortai-vos reciprocamente». Com efeito, é «precisamente o conforto que a esperança oferece: o Senhor virá, e virá quando quiser, quando vir que o tempo é propício». Ninguém pode dizer quando será: Paulo escreve até que o Senhor «virá como um ladrão, como as dores de parto a uma mulher grávida: vem!». Nesta perspectiva «o que devemos fazer?». Paulo oferece, justamente, este conselho: «Confortai-vos reciprocamente». Isto é, convida a falar sobre isto juntos. «Mas eu disse Francisco p erguntovos: nós falamos sobre o facto de que o Senhor virá, que nos encontraremos com ele?». Ou «falamos sobre muitas outras coisas, até de teologia, de realidades da Igreja, de sacerdotes, religiosas, monsenhores, sobre tudo isto?». E, acrescentou, «é esta esperança o nosso conforto?». O conselho de Paulo é de nos confortarmos reciprocamente, em comunidade. E sobre esta questão Francisco propôs um verdadeiro exame de consciência. «Nas nossas comunidades, nas nossas paróquias, fala-se sobre o facto de que estamos na expectativa do Senhor que vem, ou conversamos de outras realidades para passar o tempo e não nos entediarmos demasiadamente? Qual é o meu conforto? É esta esperança? Tenho a certeza de que o Senhor virá procurar-me e levar-me com Ele? Tenho esta certeza?». Depois o Papa repetiu as palavras do salmo responsorial (26): «Creio firmemente poder contemplar a bondade do Senhor na terra dos vivos». E então formulou uma pergunta: «Mas tu tens a certeza de que contemplas o Senhor?». A tal propósito Francisco quis fazer referência «ao final tão bonito do capítulo 19 do Livro de Job», explicando que «Job sofria muito», e no entanto «no meio do seu sofrimento, das suas chagas, das suas incompreensões, da dor de não entender por que lhe acontecia aquilo, dizia: mas tenho a certeza, sei que o meu Redentor está vivo; sei que Deus está vivo e que o verei com estes olhos». Um testemunho que interpela cada um de nós. E assim o Papa propôs mais uma reflexão directa: «Creio nisto? Ou é melhor não pensar? Pensemos noutra coisa porque esta certeza de que o Senhor virá procurar-me e levar-me consigo... E esta é a nossa paz, este é o nosso conforto, esta é a nossa esperança». «É verdade, ele virá para julgar acrescentou e quando vamos à Sistina vemos a linda cena do Juízo final: é verdade!». Mas «pensemos também que ele virá procurar-me para que eu o veja com estes olhos, o abrace e esteja sempre com ele. Esta é a esperança que o apóstolo Pedro nos pede para explicar aos outros com a nossa vida, para dar testemunho de esperança». Michelangelo Buonarroti «Juízo Final», ( ) pormenor Portanto, este é o verdadeiro conforto: «Creio firmemente esta é a certeza autêntica poder contemplar a bondade do Senhor». Por conseguinte, continuou o Papa repetindo o conselho de Paulo, «confortai-vos reciprocamente com as boas obras e ajudai-vos uns aos outros. E assim iremos em frente». De resto, precisamente «na oração no início da missa recordou pedimos ao Senhor que ele desenvolva o gérmen da bondade que semeou em nós, a semente de graça». Francisco prosseguiu a homilia pedindo «ao Senhor a graça de que a semente da esperança que lançou no nosso coração se desenvolva, cresça até ao encontro definitivo com ele» para podermos afirmar: «estou certo de que verei o Senhor»; «estou certo de que o Senhor vive»; «Estou certo de que o Senhor virá encontrar-se comigo». É este «o horizonte da nossa vida». Portanto, concluiu, «peçamos esta graça ao Senhor e confortemo-nos uns aos outros com boas obras e boas palavras, por este caminho». Em vista do jubileu extraordinário CO N T I N UA Ç Ã O DA PÁGINA 13 causada por esta escolha sofrida e dolorosa. O que aconteceu é profundamente injusto; contudo, só a sua verdadeira compreensão pode impedir que se perca a esperança. O perdão de Deus não pode ser negado a quem quer que esteja arrependido, sobretudo quando com coração sincero se aproxima do Sacramento da Confissão para obter a reconciliação com o Pai. Também por este motivo, não obstante qualquer disposição contrária, decidi conceder a todos os sacerdotes para o Ano Jubilar a faculdade de absolver do pecado de aborto quantos o cometeram e, arrependidos de coração, pedirem que lhes seja perdoado. Os sacerdotes preparem-se para esta grande tarefa sabendo conjugar palavras de acolhimento genuíno com uma reflexão que ajude a compreender o pecado cometido, e indicar um percurso de conversão autêntica para conseguir entender o verdadeiro e generoso perdão do Pai, que tudo renova com a sua presença. Uma última consideração é dirigida aos fiéis que por diversos motivos sentem o desejo de frequentar as igrejas oficiadas pelos sacerdotes da Fraternidade São Pio X. Este Ano Jubilar da Misericórdia não exclui ninguém. De diversas partes, alguns irmãos Bispos referiram-me acerca da sua boa fé e prática sacramental, porém unida à dificuldade de viver uma condição pastoralmente árdua. Confio que no futuro próximo se possam encontrar soluções para recuperar a plena comunhão com os sacerdotes e os superiores da Fraternidade. Entretanto, movido pela exigência de corresponder ao bem destes fiéis, estabeleço por minha própria vontade que quantos, durante o Ano Santo da Misericórdia, se aproximarem para celebrar o Sacramento da Reconciliação junto dos sacerdotes da Fraternidade São Pio X, recebam válida e licitamente a absolvição dos seus pecados. Confiando na intercessão da Mãe da Misericórdia, recomendo à sua protecção a preparação deste Jubileu E x t r a o rd i n á r i o. Vaticano, 1 de Setembro de 2015 Encontro anual de Bento XVI com os seus ex-alunos Deslembrança do mundo «Verdade, amor e bondade provêm de Deus, tornam o homem puro e encontram-se na palavra que liberta do esquecimento de um mundo que já não pensa em Deus». É a mensagem central da homilia de Bento XVI na missa celebrada domingo 30 de Agosto, na igreja do Campo Santo Teutónico no Vaticano, por ocasião do tradicional seminário de Verão dos seus ex-alunos, o chamado Ratzinger Schülerkreis. O encontro foi realizado nos últimos dias em Castel Gandolfo sobre o tema «Como falar hoje de D eus». Para a homilia, pronunciada em alemão, o Papa emérito inspirou-se no trecho do Evangelho de Marcos (7, ), recordando que exactamente há três anos, na mesma ocasião, o cardeal Christoph Schönborn, arcebispo de Viena, tinha colocado a pergunta: «Mas não se deve, talvez, ser purificados também a partir de fora e não só interiormente?» O mal vem só de dentro ou também de fora?». Uma questão interessante, relançou Bento XVI propondo a sua meditação. «Para uma resposta adequada observou é necessário ampliar a pergunta e ter em consideração não apenas este trecho evangélico, mas o Evangelho na sua globalidade». Não vem porventura também a nós de fora o mal que nos agride? É o sentido da interrogação feita pelo Papa emérito. Certamente, é necessário ser purificados de toda a impuridade que está fora, «poderíamos dizer afirmou ainda Bento XVI resp onder com uma higiene exterior às numerosas doenças e, por vezes, epidemias que nos ameaçam». E é bom ter este tipo de responsabilidade em relação ao exterior a fim de que a morte não prevaleça, realçou o Papa emérito. E todavia, prosseguiu, isto não é suficiente porque há também «a epidemia do coração», a interior, que «leva à corrupção e também a outras impurezas, as que conduzem o homem a pensar só em si mesmo e não no bem». Assim adquire importância decisiva, ao lado do culto, o ethos, ou seja «a higiene interior».

14 número 36, quinta-feira 3 de Setembro de 2015 L OSSERVATORE ROMANO página 15 Audiências O Papa Francisco recebeu em audiências particulares: No dia 29 de Agosto O Senhor Cardeal Marc Ouellet, Prefeito da Congregação para os Bisp os. INFORMAÇÕES No dia 31 de Agosto Os Senhores Cardeais Gualtiero Bassetti, Arcebispo de Perugia Città della Pieve (Itália); Giuseppe Betori, Arcebispo de Florença (Itália); D. Piero Pioppo, Núncio Apostólico nos Camarões e na Guiné Equatorial; D. Rino Passigato, Núncio Apostólico em Portugal; D. Ettore Balestrero, Núncio Apostólico na Colômbia; D. Giacinto Berloco, Núncio Apostólico na Bélgica e em Luxemburgo; e o Rev. do Pe. Pascal Burri, Capelão do Corpo da Guarda Suíça, em visita de despedida. Nomeações O Sumo Pontífice nomeou: A 28 de Agosto Administrador Apostólico da Arquidiocese de Papeete (Taiti, Polinésia Francesa), o Rev. do Pe. Jean-Pierre Cottanceau, S S.CC. Disposições especiais O Papa renovou: No dia 1 de Setembro A Comissão Especial para a Liturgia junto da Congregação para as Igrejas Orientais, assim composta: D. Piero Marini, Arcebispo Titular de Martirano, Presidente; Rev. do Pe. McLean Cummings, Secretário; R e v. do Pe. Tedros Abraha, O.F.M. Cap.; Rev. do Pe. Cesare Giraudo, S.I.; R e v. do Pe. Thomas D. Pott, O.S.B.; R e v. do Pe. Arquimandrita Manuel Nin, O.S.B.; Rev. do Pe. Rinaldo Iacopino, S.M.; e Rev. mo Mons. Paul Pallath. Prelados falecidos Adormeceram no Senhor: A 26 de Agosto D. Maroun Khoury Sader, Arcebispo Emérito de Tyr, Tiro, Sur dos Maronitas (Líbano). O venerando Prelado nasceu em Ain-Ebel (Líbano), no dia 25 de Dezembro de Foi ordenado Sacerdote a 11 de Maio de Recebeu a Ordenação episcopal em 18 de Julho de D. Francisco Capiral San Diego, Bispo Emérito de Pasig (Filipinas). O saudoso Prelado nasceu a 10 de Outubro de 1935, em Obando (Filipinas). Recebeu a Ordenação sacerdotal no dia 21 de Dezembro de Foi ordenado Bispo a 10 de Agosto de A 29 de Agosto D. Carlos María Ariz Bolea, Bispo Emérito de Colón-Kuna Yala (Panamá). O ilustre Prelado nasceu em Marcilla (Espanha), no dia 6 de Dezembro de Foi ordenado Sacerdote a 28 de Junho de Recebeu a Ordenação episcopal em 21 de Novembro de Artífices do diálogo de paz e justiça Mensagem do Papa aos católicos de língua hebraica O Papa Francisco reza a fim de que os fiéis católicos de língua hebraica possam ser renovados no «testemunho jubiloso do Evangelho», «não só com palavras mas sobretudo com uma vida transfigurada pela presença de Deus (cf. Evangelii gaudium, 259). É quanto se lê na mensagem, assinada pelo cardeal secretário de Estado Pietro Parolin, enviada pelo Pontífice à Obra de São Tiago por ocasião dos sessenta anos da sua fundação. O Papa exprimiu os seus «votos cordiais» pela comemoração, recordando as «numerosas graças concedidas por Deus» a esta comunidade durante os anos e exprimindo a esperança de que «a comunidade do Vicariato» se fortaleça, tornando-se «um instrumento cada vez mais eficaz de diálogo e de paz» no âmbito da sociedade e «um sinal do amor de Cristo pelos mais necessitados». O responsável pela Obra de São Tiago, padre David Neuhaus, enviou ao Papa uma cópia da carta pastoral que escreveu por ocasião da comemoração. Num contexto dilacerado por tensões e conflitos afirmou o padre Neuhaus os católicos de língua hebraica desejam ser ponte de diálogo e reconciliação entre israelitas e palestinos: «Somos chamados a ser uma Igreja unida, temos a vocação de falar forte sobre paz, justiça e reconciliação entre o mundo árabe e o mundo israelita». A 30 de Agosto D. Pierfranco Pastore, ex-secretário do Pontifício Conselho para as Comunicações sociais. O venerando Prelado nasceu no dia 21 de Abril de 1927, em Varallo Sesia (Itália). Recebeu a Ordenação sacerdotal a 25 de Junho de Foi ordenado Bispo em 6 de Janeiro de Proposta de «Iustitia et pax» Rezando pela criação Abriu-se com um vídeo de cinco minutos o esquema da hora de adoração eucarística proposto pelo Pontifício Conselho «justiça e paz», por ocasião do dia mundial de oração pelo cuidado da criação a 1 de Setembro. O dicastério inseriu na secção especial dedicada à encíclica no seu site (iustitiaetpax.va) as indicações litúrgicas disponíveis, por enquanto, só em inglês. No esquema para a hora de adoração introduzida pela colecta, segundo a tradição ortodoxa foram escolhidos alguns trechos da palavra de Deus. Em primeiro lugar o trecho do Génesis (1, 26 2, 3 e 2,15), onde se narra a criação e a vontade do Senhor de pegar no homem e de o colocar «no jardim do Éden, para que o cultive e o preserve». Depois, um texto do salmo 148, no qual se convidam todas as criaturas a louvar as maravilhas realizadas sobre a terra: «Aleluia. Louvai ao Senhor do alto dos céus, louvai-o nas alturas». Enfim, o trecho do Evangelho de Mateus (6, 25-33), no qual Jesus diz que a nossa vida vale mais do que o alimento e o corpo mais do que a roupa: «Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem em celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas?». Seguiram-se três trechos da Laudato si : no primeiro (nn. 8-9), o Papa recorda que o patriarca Bartolomeu «se referiu particularmente à necessidade de que cada um se arrependa do próprio modo de maltratar o planeta, dado que todos nós causamos pequenos danos ecológicos». No segundo (n. 236), o Pontífice sublinha que na Euca- Novo director comercial na Tipografia Vaticana Mudança na Tipografia Vaticana Editrice L Osservatore Romano: a partir de 1 de Setembro, o novo director comercial é o sacerdote salesiano Abraham Kavalakatt, que substitui o irmão de hábito Marek Ka c z m a rc z y k. Felice Casorati, «A oração» (1914) ristia «a criação encontra a sua maior elevação». No terceiro (nn ), o Papa faz referência a Maria e a José, evidenciando, em particular, como a Virgem «assim como chorou a morte de Jesus com o coração trespassado, agora tem compaixão pelo sofrimento dos pobres crucificados e pelas criaturas deste mundo, exterminadas pelo poder humano». Nas intenções de intercessão, rezou-se a fim de que os cristãos procurem em primeiro lugar o reino de Deus, cresçam no espírito, produzam frutos abundantes, trabalhem pelo bem da Igreja e nunca falte às novas gerações a partilha dos bens da criação. O esquema concluiu-se com a recitação do Pai- Nosso, a bênção e um trecho da carta enviada pelo Papa, a 6 de Agosto, aos cardeais Appiah Turkson e Koch para a proclamação do dia.

15 página 16 L OSSERVATORE ROMANO quinta-feira 3 de Setembro de 2015, número 36 Na audiência geral de quarta-feira o Santo Padre invocou um novo protagonismo social para a família O sorriso no deserto da cidade «O sorriso de uma família é capaz de contrastar esta desertificação das nossas cidades», disse Francisco na audiência geral de quarta-feira, 2 de Setembro, na praça de São Pedro. Queridos irmãos e irmãs, bom dia! Neste último trecho do nosso caminho de catequese sobre a família, abramos o olhar sobre o modo como ela vive a responsabilidade de comunicar a fé, de transmitir a fé, quer no seu seio quer fora. Num primeiro momento, pode vir-nos à mente algumas expressões evangélicas que parecem contrapor os laços da família com o seguimento de Jesus. Por exemplo, aquelas palavras fortes que todos conhecemos e ouvimos: «Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim, não é digno de mim; quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim» (Mt 10, 37-38) Naturalmente, com isso Jesus não quer cancelar o quarto mandamento, Apresentado ao Papa o projecto que é o primeiro grande mandamento para as pessoas. Os primeiros três estão em relação com Deus, este em relação com as pessoas. E nem podemos pensar que o Senhor, depois de ter realizado o seu milagre pelos esposos de Caná, depois de ter consagrado o vínculo conjugal entre o homem e a mulher, depois de ter restituído filhos e filhas à vida familiar, nos peça para ser insensíveis a estes vínculos! Esta não é a explicação. Ao contrário, quando Jesus afirma a primazia da fé em Deus, não encontra um termo de comparação mais significativo dos afectos familiares. E, aliás, estes mesmos laços familiares, dentro da experiência da fé e do amor de Deus, são transformados, são «repletos» de um sentido maior e tornam-se capazes de ir além de si mesmos, para criar uma paternidade e uma maternidade mais amplas, e para acolher como irmãos e irmãs também aqueles que estão nas margens de cada vínculo. Um dia, a quem lhe disse que fora a sua mãe e os seus irmãos andavam à sua procura, Jesus respondeu, indicando Lectio divina para a família A «melhor parte» do tempo da família é a que se dedica à oração, disse o Papa Francisco durante a sua centésima audiência geral, a 26 de Agosto. Foi esta a convicção que levou Ricardo Grzona, presidente da fundação Ramon Pané, a desenvolver um interessante programa ao serviço da evangelização da família. Mas o que é a Bíblia? Como é feita? Que diferença há entre o Antigo e o Novo testamento? São algumas das questões que interpelam muitos católicos. A lectio divina em família é um verdadeiro minicurso de exegese adequado aos tempos e à linguagem da família contemporânea. O matrimónio, o nascimento do primeiro filho, a escola, as dificuldades económicas, a perda do trabalho: a história de cada família desde sempre é ritmada por etapas cruciais e fases existenciais. «Cada vez que se passa para uma nova fase, cria-se um tempo vazio, uma sensação de dificuldade sem vias de saída. Nestes casos afirmou Grzona redescobrir a centralidade da palavra de Deus na própria vida é um percurso para a família que pode criar novos equilíbrios dentro do grupo». O programa de formação teve início no México com a campanha que envolveu quinhentas famílias durante oito semanas em exercícios de lectio divina com o Novo testamento e material traduzido, respeitando a cultura do lugar. «O resultado obtido garantiu ao nosso jornal superou amplamente as expectativas. Sou testemunha pessoal de quanto ocorreu nos lugares aos quais chegamos com o projecto. É preciso começar a conhecer um pouco mais as Sagradas Escrituras não só através de cursos e laboratórios bíblicos, mas também com tudo o que a Bíblia representa para a vida e a missão da Igreja. «Neste sentido explicou um aspecto fundamental que emergiu nos grupos de trabalho é que a palavra de Deus é a base para a oração. Insisto sobre isto: nós, católicos, sabemos rezar mas não sabemos orar ; não temos a prática da oração». O projecto foi apresentado ao Papa Francisco. Grzona comentou: «A primeira pergunta que nos fez foi: Falas o tagalog?. Respondi que não e o Pontífice disse: Nem eu, mas isto não me impediu de comunicar com sete milhões de fiéis, nas Filipinas durante a viagem». Actualmente o projecto foi desenvolvido em espanhol, inglês, português, italiano e tagalog, naturalmente. «Estamos a estudar acrescentou um projecto para a África. Devo agradecer ao presidente do Pontifício Conselho para a família, D. Vincenzo Paglia, que promove o projecto lectio divina». Quanto aos próximos eventos, Grzona garantiu a sua presença no encontro mundial das famílias nos Estados Unidos, no domingo 27 de Setembro, por ocasião da visita do Papa Francisco. «Depois no final de Setembro disse a p re s e n t a re - mos na Itália o material para estudar o papel fundamental da família na sociedade e oferecer às famílias a oportunidade de falar sobre os desafios e as bênçãos que lhes dizem respeito». (silvina pérez) os seus discípulos: «Eis aqui minha mãe e meus irmãos! Aquele que faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe» (Mc 3, 34-35) A sabedoria dos afectos que não se compram e não se vendem é o melhor talento do génio familiar. Precisamente em família aprendemos a crescer naquela atmosfera de sabedoria dos afectos. A sua «gramática» aprende-se ali, caso contrário é muito difícil aprendê-la. E é exactamente esta a linguagem através da qual Deus se faz compreender por todos. O convite a pôr os vínculos familiares no âmbito da obediência da fé e da aliança com o Senhor não os mortifica; pelo contrário, protege-os, liberta-os do egoísmo, preserva-os da degradação, põe-nos em salvo para a vida que não morre. A circulação de um estilo familiar nas relações humanas é uma bênção para os povos: traz de novo a esperança sobre a terra. Quando os afectos familiares se deixam converter ao testemunho do Evangelho, tornam-se capazes de coisas impensáveis, que fazem tocar com mão as obras de Deus, aquelas obras que Deus realiza na história, como as que Jesus realizou em prol dos homens, das mulheres, das crianças que encontrou. Um só sorriso roubado milagrosamente ao desespero de uma criança abandonada, que recomeça a viver, explica-nos o agir de Deus no mundo mais de mil tratados de teologia. Um só homem e uma só mulher, capazes de arriscar e de se sacrificar por um filho de outros, e não só pelo próprio, explicam-nos coisas do amor que muitos cientistas já não compreendem. E onde há estes afectos familiares, nascem estes gestos do coração que são mais eloquentes do que as palavras. O gesto do amor... Isto faz-nos ref l e c t i r. A família que responde à chamada de Jesus devolve a guia do mundo à aliança do homem e da mulher com Deus. Pensai no desenvolvimento deste testemunho, hoje. Imaginemos que o timão da história (da sociedade, da economia, da política) seja entregue finalmente! à aliança do homem e da mulher, para que o governe com o olhar dirigido para a geração vindoura. Os temas da terra e da casa, da economia e do trabalho, tocariam uma música muito dif e re n t e! Se voltarmos a dar protagonismo a partir da Igreja à família que Marc Chagall, «Casal na aldeia» ( ) ouve a palavra de Deus e a põe em prática, tornar-nos-emos como o vinho bom das bodas de Caná, fermentar-nos-emos como a levedura de Deus! Com efeito, a aliança da família com Deus está hoje chamada a contrastar a desertificação comunitária da cidade moderna. Mas as nossas cidades estão desertificadas por falta de amor, por falta de sorriso. Muitos divertimentos, numerosas coisas com as quais perder tempo, rir, mas falta o amor. O sorriso de uma família é capaz de vencer esta desertificação das nossas cidades. E esta é a vitória do amor da família. Nenhuma engenharia económica e política é capaz de substituir esta relação das famílias. O projecto de Babel edifica arranha-céus sem vida. O Espírito de Deus, ao contrário, faz florescer os desertos (cf. Is 32, 15). Devemos sair das torres e das câmaras blindadas das elites, para frequentar de novo as casas e os espaços abertos das multidões, abertos ao amor da família. A comunhão dos carismas os doados ao Sacramento do matrimónio e os concedidos à consagração pelo Reino de Deus está destinada a transformar a Igreja num lugar totalmente familiar para o encontro com Deus. Vamos em frente por esta estrada, não percamos a esperança. Onde há uma família com amor, aquela família é capaz de aquecer o coração de toda uma cidade com o seu testemunho de amor. Rezai por mim, rezemos uns pelos outros, para que nos tornemos capazes de reconhecer e de apoiar as visitas de Deus. O Espírito levará uma boa agitação nas família cristãs, e a cidade do homem sairá da depressão! No final da audiência o Santo Padre saudou os fiéis em várias línguas, dizendo aos de expressão portuguesa. Dirijo uma saudação cordial a todos os peregrinos de língua portuguesa, particularmente aos escuteiros e fiéis de Portugal e aos marinheiros brasileiros. Nunca esqueçais que tendes, junto com vossas famílias, um papel essencial na missão evangelizadora da Igreja: é preciso sair dos espaços de comodidade e dar ao mundo o testemunho do amor cristão que supera todas as barreiras e preconceitos. Que Deus vos abençoe.

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