Adoção de uma Nova Tecnologia para Desenvolvimento de Sistemas de Gestão Empresarial

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1 Adoção de uma Nova Tecnologia para Desenvolvimento de Sistemas de Gestão Empresarial Autoria: Anderson Alves, Maria Alexandra Viegas Cortez da Cunha, Vinicio Alexandre Silveira Resumo Este é um estudo em uma grande empresa de base tecnológica, que passa por uma fase importante em sua estratégia de sustentabilidade tecnológica, a migração para uma nova linguagem de programação. O sucesso de tal fase da organização pode ser decisivo para a continuidade dos negócios da empresa. O estudo é feito sob o enfoque da avaliação de aspectos críticos da utilização e convívio com uma nova tecnologia no desenvolvimento de software de gestão empresarial. Utilizou-se como referencial teórico o Technology Acceptance Model (TAM) ou modelo para aceitação da tecnologia e o Technology Readiness Index - TRI ou prontidão para o uso da tecnologia. Com estes modelos, buscou-se estudar o processo de adoção da tecnologia Flex para o desenvolvimento de sistemas de gestão empresarial. Foi realizada uma pesquisa com desenvolvedores de software, sendo que parte deles desenvolve nesta nova tecnologia. Conclui-se que pela percepção dos desenvolvedores a tecnologia Flex é fácil de usar e com alta utilidade, portanto influenciando a intenção de uso dos desenvolvedores em continuar desenvolvendo na nova tecnologia. Há otimismo dos desenvolvedores em relação aos benefícios aos usuários dos sistemas em Flex, inclusive melhorando as vendas da empresa. Também há pouca eficiência no desenvolvimento na nova tecnologia, mas mesmo assim constatou-se segurança em assumir prazos. 1. Introdução Este artigo busca estudar a aceitação da tecnologia para produtos ou serviços inovadores. O caso é a adoção de uma nova tecnologia de programação de sistemas por desenvolvedores de uma grande empresa de base tecnológica no cenário nacional. Utilizou-se como referencial teórico o Technology Acceptance Model (TAM) ou modelo para aceitação da tecnologia, proposto por Davis (1986) e o Technology Readiness Index - TRI ou prontidão para o uso da tecnologia proposto por Parasuraman e Colby (2001). O modelo TAM destaca-se por apresentar dois constructos importantes para a aceitação da tecnologia: a utilidade percebida (perceived utility) e a facilidade de uso percebida (perceived ease-of-use). O modelo TRI se baseia na propensão dos indivíduos em adotarem novas tecnologias a partir de suas crenças e sentimentos representados em quatro dimensões: otimismo, inovatividade, desconforto e insegurança. Este estudo tem relevância teórica e prática. No campo teórico, como são aplicadas duas escalas (TAM e TRI) para avaliação de utilização da tecnologia, a proposta do estudo também é analisar as diversas facetas dos dois modelos, já que os construtos e os itens decorrentes são muitas vezes parecidos ou com a mesma aplicação. No campo da prática, grandes fusões das empresas de base tecnológica vêm ocorrendo no Brasil e no mundo. Em paralelo, as mudanças tecnológicas são freqüentes, e há desafios trazidos aos gestores e profissionais de TI para assimilarem estas mudanças e seguirem em frente com suas estratégias de desenvolvimento de novos sistemas, por vezes em ambientes de fusões empresariais. Novas tecnologias podem ser importantes aliados e o estudo do processo de novas tecnologias ganha relevância nos processos de mudanças. 1

2 2. Adoção de tecnologia Nas últimas décadas, percebe-se uma evolução constante e rápida da tecnologia. As pessoas estão sujeitas a um convívio obrigatório com esta evolução, que em determinada situações não traz beneficio para o seu usuário, ainda que traga para o negócio. Portanto, pesquisar sobre o processo de adoção de novas tecnologias é fundamental para compreender os fatores que influenciam o comportamento dos usuários. O processo de adoção de tecnologia é um assunto de sumo interesse da academia na área de Sistemas de Informação e Tecnologia da Informação. Diversos são os modelos ou teorias que vêm sendo aplicados a estudos com este escopo. Saccol (2005) elenca algumas das possibilidades de abordagem teórica, bem como alguns artigos seminais: a Teoria da Difusão da Inovação (ROGERS, 1962,1995); os modelos de Aceitação da Tecnologia da Informação (VENKATESH et al, 2003); a visão da Teoria Institucionalista sobre a adoção de tecnologia (SCOTT, 2001); o modelo Estruturacional de tecnologia, com trabalhos que relacionam a teoria da Estruturação com a área de TI nas empresas e especialmente aplicada ao processo de adoção de TI (ORLIKOWSKI; ROBEY, 1991); e a Teoria da Domesticação (SILVERSTONE; HADDON, 1996). Estes são modelos ou teorias bem referenciados e com reconhecida validade teórico-prática. A mesma autora faz uma descrição das contribuições de cada teoria e uma interessante análise crítica da sua aplicação, que aqui não foi reproduzida. Mas acredita-se que a descrição das contribuições de cada teoria pode levar pesquisadores a considerarem alternativas de frameworks teóricos a utilizar. Os trabalhos ancorados na Teoria da Difusão vêm sendo escritos há pelo menos quatro décadas. O trabalho de Rogers (1962, 1995) é importante, pois estabelece conceitos relativos à difusão de inovação, tais como o que é inovação, a adoção de inovação, inovatividade, entre outros, indicando os passos genéricos no processo de decisão pela inovação, tanto individual como na organização. Entre os modelos de aceitação de Tecnologia da Informação, o mais famoso é o modelo TAM (Technology Acceptance Model). Podem ainda ser elencados o TAM 2 (o modelo TAM expandido), o UTAUT (Unified Theory of Acceptance and Use of Technology), e nestes modelos inclui-se também o TRI (Technology Readiness Index). Saccol (2005), apesar de preferir outras aboradgens teóricas a estes modelos de aceitação de tecnologia, reconhece neles a oferta de importantes insights sobre elementos a considerar no processo de aceitação de tecnologia. A aplicação do modelo TAM e seus derivados serve como ferramenta de avaliação no desenvolvimento e implementação de sistemas de informação O modelo TAM tem sido aplicado há pelo menos duas décadas. No site da Association for Information Systems (http://www.aisnet.org ), o TAM e seus derivados são apontados como uma das cinco teorias mais utilizadas na área de Sistemas de informação (ver A contribuição da Teoria Institucional para o entendimento de uma nova tecnologia da informação é que são abordadas considerações individuais, mas também os elementos ambientais as pressões externas, de natureza técnica, econômica, social e cultural que têm que ser considerados, indo além da fronteira da organização. A Teoria Institucional indica que as decisões e ações na adoção da tecnologia podem ter por base critérios que são psicológicos e sociais, fornecendo aos pesquisadores uma visão ampliada do processo. A Teoria da Estruturação (vinda de Giddens) aplicada à área de Sistemas de Informação indica que o desenvolvimento e aplicação de TI nas organizações é um fenômeno social, e as conseqüências do uso da tecnologia nas organizações são produto tanto de dimensões sociais quanto materiais. Estudos no Brasil vêm propondo esta teoria em sistemas 2

3 de informação (Rodrigues, 2008) e, não sendo uma abordagem nova, representa interessantes desafios à forma de pensar a área, tal como a Teoria da Domesticação. A Teoria da Domesticação defende que as tecnologias são produtos sociais, com propriedades simbólicas, estéticas, materiais e funcionais. Ela não faz separação entre a etapa de desenho e de uso de uma nova tecnologia, ressalta os aspectos políticos de todo o processo (do desenho à aceitação) e se foca nos usuários como participantes ativos. Por isso, o nome de domesticação um processo transformativo em dois sentidos, tanto os usuários são afetados, como a tecnologia é domesticada aos padrões já conhecidos por esses usuários. Curiosamente, poucos são os trabalhos empíricos em Administração que tratam do estudo de aceitação de tecnologia em ambientes de desenvolvimento de sistemas. Acredita-se que esta também é uma contribuição interessante do presente texto. Ortodoxamente, escolheuse aqui estudar o fenômeno de adoção de tecnologia a partir do modelo TAM e TRI. Sabe-se que o posicionamento teórico de outras teorias, em trabalhos futuros, pode oferecer contribuições complementares às observações sobre o fenômeno aqui estudado. O modelo de aceitação da tecnologia (TAM) e o modelo de índice de prontidão a tecnologias (TRIM) são robustos e muito utilizados para compreender o processo de adoção de uma nova tecnologia. Na literatura, há inúmeros exemplos de utilização destes modelos, tal como a pesquisa realizada por Costa e Pires (2005) para avaliar a predisposição, uso e aceitação dos serviços de Internet e Internet Banking Modelo de Aceitação da Tecnologia (TAM Technology Acceptance Model) O modelo de Aceitação da Tecnologia (TAM) foi desenvolvido por Davis (1986) e pode ser considerada uma adaptação do modelo da teoria da ação racionalizada (TRA Theory of Reasoned Action) proposta na área de Psicologia Social (Fishbein e Ajzen, 1975; Ajzen e Fishbein, 1980), que indica que as percepções de uma pessoa formam suas atitudes sobre um determinado objeto e estas atitudes definem as intenções, modificando o comportamento do usuário. O modelo TAM, segundo Davis (1986), objetiva também explicar o comportamento dos usuários ao se depararem com as diversas tecnologias ligadas à informática, não somente prevendo, mas também explicando porque um sistema em particular pode ser aceito ou rejeitado, bem como fornecendo orientações para o seu aperfeiçoamento. O objetivo essencial do modelo é explicar o uso da tecnologia da informação pelos usuários, adotando uma relação causal baseada em: crenças e percepções, atitudes, intenções e comportamento de uso. Ele foi desenvolvido com o objetivo de mensurar os impactos por meio da avaliação de algumas variáveis essenciais. Conforme Davis (1989), o modelo TAM fundamenta-se em dois construtos principais ligados à crença, utilidade percebida e facilidade de uso percebida, conforme apresentado na figura 1. Os dois construtos são definidos da seguinte maneira: utilidade percebida: grau em que uma pessoa acredita que o uso de uma tecnologia particular pode melhorar o seu desempenho no trabalho. Esse fator é o resultado do agrupamento de itens como aumento de produtividade, capacidade de facilitar o trabalho, melhoria da qualidade do trabalho e utilidade geral; facilidade de uso percebida: grau em que uma pessoa acredita que o uso de uma tecnologia da informação será livre ou irá minimizar o esforço. Esse fator é o 3

4 resultado de agrupamento de itens como facilidade de aprendizagem e facilidade de uso. Utilidade Percebida Intenção de Uso Facilidade de uso Figura 1: Modelo TAM Fonte: Davis at al, 1998 O modelo TAM tem sido considerado um dos mais influentes para descrever a aceitação individual de sistemas de informação, tendo como resultado seu uso freqüente (LEE et al, 2003). No Brasil, este modelo também tem sido aplicado na análise de diferentes tecnologias (COSTA; PIRES, 2005) Índice de Prontidão para Tecnologia (TRI - Technology Readiness Index) O índice de prontidão para tecnologia (TRI), diz respeito à propensão dos indivíduos para adotar novas tecnologias. Portanto, é o estado resultante de condutores e inibidores mentais que, em conjunto, determinam a predisposição do indivíduo para interagir com produtos e serviços baseados em tecnologia (PARASURAMAN, 2000). Tais condutores e inibidores da adoção de tecnologia são refletidos, segundo Parasuraman e Colby (2001), por 4 diferentes dimensões que compõem o constructo em estudo, quais sejam: 1) Otimismo. É a dimensão que representa as visões positivas em relação à tecnologia e às crenças de que esta propicia aos indivíduos maior controle, flexibilidade e eficiência nas suas vidas. 2) Inovatividade. Representa uma tendência do indivíduo a ser pioneiro na adoção de tecnologia ou líder de opinião. 3) Desconforto. Denota a percepção de falta de controle sobre a tecnologia e o sentimento de ser oprimido por ela. 4) Insegurança. Denota desconfiança da tecnologia e ceticismo com relação às próprias habilidades em utilizá-la de forma apropriada. Na visão de Parasuraman e Colby (2001), otimismo e inovatividade constituiriam os condutores da prontidão para tecnologia, ou seja, indicariam fatores que motivam os indivíduos à adoção de novas tecnologias. As dimensões desconforto e insegurança constituiriam inibidores, isto é, representariam fatores que retardam ou impedem a adoção. As dimensões condutoras e inibidoras da prontidão para tecnologia atuam independentemente, de forma que uma pessoa pode apresentar qualquer combinação de motivações ou inibições. A prontidão geral para a tecnologia do consumidor é dada, portanto, pela combinação das quatro dimensões, e não apenas pela capacidade técnica do indivíduo ou rapidez com que adota uma nova tecnologia. Isto significa dizer que não se baseia somente na dimensão inovatividade, mas em elementos relacionados ao otimismo, desconforto, insegurança e 4

5 também inovatividade. De acordo com Parasuraman e Colby (2001), o TRI é formado por 4 fatores com 36 indicadores da prontidão para tecnologia. A partir do entendimento das dimensões constituintes da prontidão para tecnologia, um aspecto que deve ser considerado é a tipologia resultante do TRI. Tomando-se o modelo de 4 fatores proposto por Parasuraman e Colby (2001), é possível classificar os indivíduos em 5 tipos, assim denominados: exploradores, pioneiros, céticos, paranóicos e retardatários. O segmento dos exploradores, por exemplo, apresenta altos índices de prontidão para tecnologia, com altos escores nas dimensões condutoras da adoção, otimismo e inovatividade; e baixos escores nas dimensões inibidoras, desconforto e insegurança. O segmento dos pioneiros divide com os exploradores altos níveis de otimismo e inovatividade, mas, ao mesmo tempo, apresenta níveis também altos de desconforto e insegurança. O grupo dos céticos revela escores baixos em todas as dimensões. O grupo dos paranóicos apresenta altos níveis de otimismo, mas revela níveis igualmente altos nas dimensões inibidoras da adoção. Este grupo apresenta, ainda, baixo grau de inovatividade. Os retardatários representam o oposto dos exploradores, pois exibem baixos escores nas dimensões condutoras da adoção e altos escores nas dimensões inibidoras. Cada segmento, determinado por um padrão de crenças e sentimentos a respeito da tecnologia, também pode apresentar diferenças demográficas e psicográficas, mas é suficientemente distinto para auxiliar as empresas na busca do melhor gerenciamento da relação cliente-tecnologia e conseqüente customização das estratégias de tecnologia. Desta forma, indivíduos considerados paranóicos necessitam de garantias técnicas de funcionamento e segurança, enquanto o grupo dos céticos precisa ser convencido dos aspectos positivos do uso de tecnologia. A utilização da prontidão para tecnologia constitui uma medida das atitudes e crenças dos indivíduos em relação à tecnologia extremamente útil na predição de comportamentos de adoção, na identificação de tipos distintos de indivíduos, e na previsão mais acurada de comportamentos futuros de clientes e produtos. 3. Metodologia A pesquisa é do tipo descritiva e tem abordagem quantitativa. Quanto aos procedimentos, trata-se de pesquisa do tipo levantamento de dados por meio de questionário. Adotou-se, neste trabalho, uma abordagem investigativa acerca dos fatores influenciadores no processo de adoção de uma nova tecnologia. Os dados para a pesquisa foram coletados através de um questionário estruturado. O questionário foi construído a partir de Costa e Pires (2005), com adaptações. Ele foi formulado de maneira que cada variável independente constituísse um constructo dos modelos TAM e TRI, ao qual o respondente indicaria seu nível de concordância ou discordância em um dos cinco pontos da escala Likert. O questionário foi pré-testado em pequena escala junto a uma amostra de 4 desenvolvedores, sendo dois que utilizam a tecnologia Flex e dois desenvolvedores que não utilizam. O tempo médio de resposta foi de 20 minutos. Realizado o pré-teste, iniciou-se a coleta dos dados por meio da aplicação do questionário, no mês de agosto de Foram definidos como amostra 28 desenvolvedores, sendo que 13 utilizam a nova tecnologia. Os dados coletados serviram de base para a elaboração de um banco de dados no software SPSS (Statistical Package for the Social Science). Para a análise dos dados foram utilizadas as seguintes ferramentas estatísticas: análise fatorial e análise de confiabilidade. A análise descritiva do banco de dados foi feita inicialmente utilizando-se médias e distribuição de freqüência das variáveis. Para Malhotra 5

6 (2001), a utilização dessa técnica deve ser preliminar na pesquisa, por descrever a análise básica dos dados, e permitir uma investigação preliminar do comportamento dos dados, e sua adequação à aplicação de técnicas estatísticas mais avançadas Modelo de Mensuração O primeiro grupo de hipóteses a ser testado é em relação ao próprio modelo de aceitação de tecnologia aplicado para os desenvolvedores na tecnologia Flex. Conforme figura 2: H1: A facilidade de uso percebida pelos desenvolvedores de sistema na tecnologia Flex influencia a utilidade percebida pelos mesmos. H2: A utilidade percebida influencia a intenção dos desenvolvedores de sistema na tecnologia Flex em continuar usando-a. H3: A facilidade de uso percebida influencia a intenção dos desenvolvedores de sistema na tecnologia Flex em continuar usando-a. Tendo em vista uma primeira avaliação do índice de prontidão à tecnologia em relação ao serviço de conteúdo tecnológico que serviu de base a esta pesquisa, propõe-se um grupo de testes cujo objetivo é verificar se há diferenciação, considerando os fatores TRI, entre desenvolvedores em geral e os desenvolvedores Flex. Esta avaliação se justifica levando-se em conta o perfil diferenciado dos desenvolvedores que confiam na tecnologia Flex para desenvolvimento de sistemas. Abordando este questionamento sobre os fatores TRI como elementos diferenciadores de desenvolvedores e não desenvolvedores na tecnologia, conforme a figura 2 propõe-se as seguintes hipóteses: H4: O fator otimismo é definido como uma visão positiva da tecnologia e uma crença de que ela oferece um maior controle, flexibilidade e eficiência na vida dos desenvolvedores, é um elemento diferenciador entre desenvolvedores Flex e progress. H5: O fator inovatividade é definido como uma tendência de ser um pioneiro no uso de tecnologia, um líder, ou formador de opinião, é um elemento diferenciador entre desenvolvedores Flex e Progress. H6: O fator desconforto é definido como uma percepção de falta de controle sobre a tecnologia e um sentimento de estar sendo pressionado ou oprimido por ela, é um elemento diferenciador entre desenvolvedores Flex e Progress. H7: O fator insegurança é definido como uma desconfiança da tecnologia e ceticismo com as próprias habilidades para utilizá-la adequadamente, é um elemento diferenciador entre desenvolvedores Flex e Progress. 4. O caso em estudo a Datasul e a tecnologia Flex 4.1. A Datasul e o contexto de negócios A Datasul incorporada recentemente pela empresa TOTVS, é uma multinacional de capital brasileiro, sediada em Joinville, no estado de Santa Catarina. Foi pioneira no desenvolvimento e comercialização de soluções integradas de softwares de gestão empresarial, tem 30 anos de presença no mercado e uma carteira de mais de seis mil clientes. Os softwares desenvolvidos pela Datasul destinam-se a automatizar e gerenciar processos empresariais, tais como finanças, recursos humanos, logística e manufatura. 6

7 O relato a seguir foca-se em alguns marcos históricos da vida da empresa. Pretende-se mostrar que, ao longo do tempo, as alterações tecnológicas no desenvolvimento dos produtos foram relacionadas a desafios de negócio. Fundada em 1978 por Miguel Abuhab, para assessorar empresas do setor industrial na implantação de centros de processamentos de dados, a companhia se estabeleceu como uma das primeiras no fornecimento de softwares de automatização de sistemas empresariais no país. Em 1986, a Datasul apostou na consolidação dos PCs como ferramenta de gestão empresarial e desenvolveu o primeiro software integrado de gestão administrativa e de controle de produção para microcomputadores em linguagem de terceira geração COBOL. A Datasul adotou uma linguagem de quarta-geração em 1988, que trouxe mais produtividade no desenvolvimento de sistemas. No ano seguinte lança o Magnus, um sistema aplicativo integrado para gestão empresarial escrito em linguagem de quarta geração e com gerenciador de banco de dados relacional. Com a abertura do mercado de informática nos anos noventa, chegam ao país os gigantes SAP e ORACLE trazendo novidades na interface do usuário GUI Graphic User Interface. Em 1998, num cenário de aumento de competição, para colocar em prática os seus planos de expansão e de desenvolvimento de novos softwares e atualização tecnológica, a empresa obteve o aporte de recursos de fundos de investimento estadunidenses, que permaneceram no negócio até meados de Neste ano, a empresa lança o Datasul EMS, continuando com a mesma linguagem de programação de quarta-geração, mas aplicando recursos gráficos (GUI), saindo da arquitetura procedural para a interface orientada a eventos. Como parte de suas estratégias para manter o crescimento, em 1999 implantou um modelo de franquias para o desenvolvimento e a venda de seus softwares e transformou centenas de colaboradores da companhia em novos empreendedores. Com o desenvolvimento de módulos não mais centralizado, surge a necessidade de prover ciclo de vidas distintos para as áreas de negócios, e começou-se a separação da camada de negócio da interface e a componentização dos módulos. Dois anos mais tarde, iniciam-se esforços para escolha de uma nova plataforma de desenvolvimento e a plataforma.net é considerada como a mais adequada para o desenvolvimento de novos produtos. É desenvolvido uma solução de Business Intelligence em.net. Contudo, a Microsoft entra no mercado de ERP, e a escolha da plataforma.net poderia vir a se tornar uma ameaça pelo poder de barganha da Microsoft. Com a visão que poderia ficar refém do concorrente, a Datasul optou por iniciar esforços na linguagem JAVA visando o desenvolvimento da nova versão do seu ERP. Em 2005, a Datasul concluiu a primeira versão de um novo framework para desenvolvimento de seus sistemas, o Datasul Framework. A partir desse framework, utiliza Adobe Flex para camada de interface RIA (Rich Internet Applications), JavaEE (Enterprise Edition) para a camada de negócios, OERA (OpenEdge Reference Architecture) para integração com o ERP em Progress. OERA é uma arquitetura de programação para separação da interface de usuário, lógica de negócio e acesso aos dados em camadas, facilitando a integração com outros sistemas, além de tornar a aplicação mais flexível e com maior escalabilidade. Em a empresa decidiu abrir o capital e negociar suas ações no Novo Mercado da Bovespa, como forma de capitalizar a empresa para pôr em ação seu plano de crescimento por aquisições. Em maio de 2008, anuncia o lançamento do Datasul By You, alguns módulos do ERP desenvolvido com o Datasul Framework, integrados ao legado, um investimento aproximado 7

8 de 4 milhões de reais. Dois meses depois, é anunciada a incorporação da empresa pela TOTVS, numa operação com valor aproximado de 700 milhões de reais, formando a maior empresa de softwares de gestão empresarial do Brasil, e uma das maiores do mundo. Apesar de já ter lançado produto comercial nesta plataforma, o Datasul framework ainda não está disseminado em toda a organização. Nesse framework, como já descrito, são componentes o Adobe Flex e Adobe Flex Builder para construção de aplicações RIA O Contexto tecnológico Adobe Flex, Adobe Flex Builder e aplicações RIA O Adobe Flex é um framework multi-plataforma para desenvolvimento de aplicações RIA - Rich Internet Application, ou seja, sites mais interativos e visualmente sofisticados. O Flex foi lançado pela Macromedia em Depois da empresa ter sido adquirida pela Adobe em 2005, o produto foi rebatizado como Adobe Flex. Ele permite que as empresas criem aplicativos multimídia personalizados, mudando a forma como as pessoas interagem com a Web. O framework usa uma linguagem de marcação (MXML) que é baseada no XML para definir a interface da aplicação. Portanto, o Flex utiliza um modelo de programação padrão muito semelhante ao XML, conhecido por profissionais desenvolvedores. RIA (Rich Internet Application) é uma aplicação Web que contém características e funcionalidades de uma aplicação desktop tradicional. Tipicamente, uma aplicação RIA transfere a necessidade de processamento do cliente (numa arquitetura cliente-servidor) para o navegador, mas mantém o processamento mais pesado no servidor de aplicação. O Adobe Flex Builder é uma IDE - Integrated Development Environment, um ambiente integrado para desenvolvimento de software usado para o desenvolvimento de RIAs. Utilizando o Flex Builder, os desenvolvedores podem criar rapidamente uma lógica avançada no lado do cliente para promover a integração com XML, serviços da Web ou Flex Data Services. Com ferramentas sofisticadas de design e layout, os projetistas de interface de usuário também podem criar interfaces de aplicativos mais elaboradas e fáceis de usar, com layout e funcionalidade personalizados. 4.3 Análises dos dados Considerando que o questionário foi aplicado com uma escala já testada, aplicaram-se diretamente as análises fatoriais confirmatórias utilizando os constructos originais. A confiabilidade de coerência interna dos constructos mostra-se boa, segundo Hair (2007), uma vez que os coeficientes alfa de Cronbach dos fatores estão todos acima de 0,7, ou seja, todos os fatores mostraram validade convergente aceitável, conforme apresentado na tabela 1. Tabela 1 Alfa de Cronbach TAM TRI Constructo Alfa Constructo Alfa Utilidade Percebida 0,784 Otimismo 0,765 Facilidade de Uso 0,708 Inovatividade 0,716 Intenção de Uso 0,744 Desconforto 0,712 Insegurança 0,792 Fonte: pesquisa dos autores Para avaliar a diferença entre os desenvolvedores que utilizam e não utilizam Flex foi realizada a análise de variância (ANOVA) conforme apresentado na tabela 2. Observou-se que não existe uma diferença significativa de percepção dos constructos do TRI entre os desenvolvedores que utilizam e os que não utilizam a tecnologia Flex. 8

9 Tabela 2 Anova dos Fatores TRI - Médias TRI-Otimisto TRI-Inovatividade Usa Flex Sim Não Usa Flex Sim Não Média Média F Sig. Média Média F Sig. TRIOTI30 3,2308 3,4667 1,6680 0,2079 TRIINO39 3,6154 3,0000 4,0154 0,0556 TRIOTI31 3,5385 3,6000 0,0462 0,8314 TRIINO40 3,0000 2,9333 0,0901 0,7665 TRIOTI32 3,2308 3,1333 0,1712 0,6824 TRIINO41 3,0769 3,0000 0,1548 0,6972 TRIOTI33 3,3077 3,4667 0,3155 0,5791 TRIINO42 3,4615 3,3333 0,3475 0,5606 TRIOTI34 3,6923 4,0000 0,8254 0,3720 TRIINO43 4,1538 3,4667 5,5430 0,0264 TRIOTI35 3,6154 3,7333 0,1573 0,6949 TRIINO44 4,1538 3,8000 0,9410 0,3410 TRIOTI36 4,6154 4,3333 1,1607 0,2912 TRIINO45 3,4615 3,2667 0,8422 0,3672 TRIOTI37 4,2308 4,0667 0,2828 0,5994 TRIINO46 3,4615 3,2667 0,3410 0,5643 TRIOTI38 4,1538 4,1333 0,0044 0,9478 TRIINO47 3,9231 3,3333 4,4174 0,0454 TRI-Insegurança TRI-Desconforto Usa Flex Sim Não Usa Flex Sim Não Média Média F Sig. Média Média F Sig. TRIINS57 3,4615 3,4667 0,0000 0,9870 TRIDES48 2,6923 2,8667 0,2685 0,6087 TRIINS58 3,3077 3,2000 0,1880 0,6680 TRIDES49 2,8462 2,6667 0,3882 0,5387 TRIINS59 3,6154 3,6667 0,0290 0,8660 TRIDES50 3,0769 3,0667 0,0008 0,9777 TRIINS60 3,9231 3,6000 0,9210 0,3460 TRIDES51 2,5385 2,7333 0,3786 0,5437 TRIINS61 2,6923 2,6667 0,0060 0,9390 TRIDES52 2,1538 2,4000 0,5687 0,4576 TRIINS62 4,2308 4,0667 0,1930 0,6640 TRIDES53 3,0769 3,1333 0,0188 0,8920 TRIINS63 3,7692 3,5333 0,5030 0,4850 TRIDES54 2,5385 2,3333 0,3705 0,5480 TRIINS64 4,3077 4,2667 0,0170 0,8970 TRIDES55 3,0769 2,7333 0,9780 0,3318 TRIINS65 3,8462 3,1333 6,8530 0,0150 TRIDES56 3,0769 3,1333 0,0346 0,8539 Fonte: pesquisa dos autores Segundo Hair (2007) a analise fatorial tem como objetivo analisar a inter-relação entre as variáveis (perguntas) e o constructo, definindo um conjunto de dimensões latentes comuns, chamadas de fatores. Sendo assim, buscando identificar os fatores que explicam os constructos do TAM e TRI, aplicou-se a análise da estatística descritiva e a análise fatorial sobre os termos do questionário respondido pelos desenvolvedores TAM - Facilidade de Uso Neste estudo foi possível constatar que as respostas as questões 17, 20 e 24 ligadas ao constructo FACILIDADE DE USO tiveram maior significância. Utilizou-se da estatística descritiva nas respostas destas questões para concluir que 61,5% dos desenvolvedores mostraram-se totalmente indiferentes sobre a afirmação que a tecnologia Flex é fácil de usar, 38,5% indicaram concordar totalmente sobre a facilidade de uso. Em relação à afirmativa Usar tecnologia Flex é minha forma preferida de desenvolver, 38,4% mostraram-se indiferentes, 38,5% concordam totalmente e 23,08% discordam. Na afirmativa a tecnologia Flex permite que desenvolva com maior facilidade, 23,1 % afirmaram concordar totalmente e 61,5 são indiferentes. Portanto pode-se concluir que na percepção dos desenvolvedores a tecnologia Flex é Fácil de usar. Foram realizadas análises fatoriais sobre as respostas de questionário utilizado para medir o constructo FACILIDADE DE USO. Observou-se que o KMO ficou abaixo de 0,5. Em seguida verificou-se na matriz de correlação anti-image que a resposta à questão 19 era a 9

10 de menor significância. Portanto repetiu-se análise fatorial retirando a questão 19, foi constatado uma melhora no KMO apresentando 0,529. Contudo ao analisar a correlação antiimage observou-se que a resposta da questão 18 também apresentou baixa significância. Após retirar a resposta da questão 18, observou-se que o KMO aumentou para 0,67 e a correlação anti-image apresentou boa significância para as respostas das questões 17, 20 e 24. A questão 19 refere-se à necessidade de suporte para o uso da tecnologia FLEX, e a questão 18 refere-se à facilidade de aprendizado da nova tecnologia. Diante da análise fatorial, pode-se concluir que pela percepção dos desenvolvedores da empresa analisada, a facilidade de aprendizado e a necessidade de suporte não explicam o constructo FACILIDADE DE USO, portanto a facilidade de aprendizado da nova tecnologia ou a necessidade de suporte não significam que o desenvolvedor aumentará a percepção de FACILIDADE DE USO da tecnologia TAM - Utilidade Percebida Ao efetuar a análise descritiva nas respostas às questões ligadas ao constructo UTILIDADE PERCEBIDA, foi possível observar que 61,53% concordam totalmente com a afirmativa Para mim os benefícios de usar a tecnologia são fáceis de perceber. 46,2% concordam totalmente sobre a afirmativa que De uma forma geral a tecnologia Flex é muito útil para o trabalho. Sobre a afirmativa As vantagens da tecnologia Flex são maiores que as desvantagens em usá-la, 30,8% dos desenvolvedores concordam totalmente. 69,2% dos respondentes se mostraram indiferentes. Sobre a afirmativa que A tecnologia Flex oferece mais recursos para o desenvolvimento dos meus programas 69,2 concordam totalmente. Portanto conclui-se que pela percepção dos desenvolvedores há benefícios e utilidade na tecnologia FLEX. A análise fatorial sobre o constructo UTILIDADE PERCEBIDA apresentou um KMO de 0,512, contudo ao se verificar a correlação anti-image, observou-se que as respostas da questão 16 apresentaram baixa significância. Ao retirá-la foi possível verificar aumento do KMO para 0,565 e boa significância para as respostas das questões 15,22,23,25. Portanto, sobre a percepção dos desenvolvedores a busca de outra tecnologia ao deparar-se com uma dificuldade na nova tecnologia, conforme descrito na questão 16, não explica a UTILIDADE PERCEBIDA da tecnologia FLEX TAM - Intenção de Uso Aplicando-se a estatística descritiva sobre às respostas ligadas ao constructo INTENÇÃO DE USO, pode-se observar que 38,5 % dos respondentes discordaram totalmente da afirmativa que Usar tecnologia Flex me deixa com mais tempo livre para realizar outras atividades, 53,9% concordam totalmente sobre a afirmativa Estou sempre disposto a utilizar a tecnologia Flex para novos desenvolvimentos 30,8% se mostraram indiferentes, 53,8% discordam totalmente da afirmativa Estou sempre disposto a dar informações e sugestões para o aperfeiçoamento do framework Flex para melhorar o desenvolvimento dos meus programas, 46,15% se mostraram indiferentes. 92,4% concordaram totalmente sobre a afirmativa Eu pretendo utilizar a tecnologia Flex nos próximos projetos. Conclui-se, através destes fatores, que a intenção de uso pelos desenvolvedores da tecnologia Flex é alta. Realizou-se a análise fatorial das respostas das questões ligadas a INTENÇÃO DE USO e constatou-se um KMO de 0,710, contudo as respostas da questão 29 apresentaram 10

11 baixa significância. Ao retirá-las da análise, constou-se um KMO de 0,736 e uma boa significância para as demais respostas. Portanto, na percepção dos desenvolvedores as respostas da questão 29 que constava que todos os novos projetos de desenvolvimento poderiam utilizar a tecnologia Flex, não explicam a INTENÇÃO DE USO TRI - Otimismo A estatística descritiva aplicada às respostas as questões ligadas ao constructo OTIMISMO que apresentaram significância mostrou que 71,4% dos respondentes são indiferentes para a afirmativa A tecnologia Flex faz com que você fique mais eficiente nas suas atividades profissionais, 21,5% discordaram totalmente e 7,1% concordaram totalmente, 64,3% dos respondentes mostraram-se indiferentes pela afirmativa Você acha que as novas tecnologias difíceis e por isso são estimulantes, 32,1% discordaram totalmente e 3,6% concordaram totalmente. 46,4% discordam totalmente que As novas tecnologias lhe oferecem uma maior flexibilidade no desenvolvimento, 32,1% concordam totalmente e 21,4% mostraram-se indiferentes. 50% dos respondentes mostraram-se indiferentes na afirmativa que Aprender sobre a tecnologia Flex pode ser tão recompensador quanto à própria tecnologia e os outros 50% concordam totalmente, sobre a afirmativa Você acredita que a tecnologia Flex vai trazer novos benefícios para o usuário final 89,2% concordaram totalmente. 75% dos respondentes concordam totalmente com a afirmativa Você acredita que a tecnologia Flex torna o sistema mais aceito pelo mercado. Conclui-se que os respondentes estão otimistas em relação aos benefícios aos usuários e ao aumento das vendas das soluções desenvolvidas na nova tecnologia, mas menos otimistas em relação à eficiência no desenvolvimento. Ao aplicar a análise fatorial sobre as respostas das questões ligadas ao constructo OTIMISMO, observou-se um KMO de 0,436, sendo que as respostas que apresentaram baixas significância foram as questões 30 e 31. Sendo assim, retiraram-se estas questões e foi possível observar um aumento do KMO para 0,640, constatou-se que as questões restantes apresentaram boa significância. Portanto, segundo a percepção dos desenvolvedores, conforme descrito na questão 30, desenvolver sistemas em uma nova tecnologia é mais conveniente, e você prefere utilizar a mais avançada tecnologia disponível descrito na questão 31, não apresentam correlação com o constructo OTIMISMO TRI - Inovatividade Foram efetuadas análises estatísticas descritivas sobre as respostas as questões ligadas a INOVATIVIDADE. Em geral, foi possível observar que os respondentes mostraram-se indiferentes em relação às afirmativas ligadas ao constructo. A análise fatorial sobre o constructo inovatividade, apresentou um KMO de 0,545, observou-se que as questões 46, 42, 40, 41 apresentaram baixa significância. Ao retirá-las uma a uma das análises fatoriais, constatou-se que as questões restantes apresentaram boa significância. Portanto, segundo a percepção dos respondentes, as questões a seguir não explicam o constructo INOVATIVIDADE: (46) seus amigos estão aprendendo mais sobre novas tecnologias do que você, (42) em geral você está entre os primeiros do seu grupo de amigos a adquirir uma nova tecnologia, (40) normalmente você consegue assimilar produtos e serviços de novas tecnologias sem a ajuda de outras pessoas e (41) você prefere utilizar novos recursos tecnológicos no desenvolvimento de sistemas do que os templates padrões. 11

12 TRI - Desconforto As análises estatísticas descritivas sobre as questões ligadas a DESCONFORTO em geral mostraram que os respondentes são indiferentes às afirmativas ligadas ao desconforto. Nas análises fatoriais, foi possível observar um KMO de 0,496 no construto DESCONFORTO. Observou-se um que as respostas das questões 55, 48, 50 apresentaram baixa significância. Ao retirá-las, observou-se que as demais questões apresentaram boa significância. Portanto, segundo a percepção dos respondentes, as respostas as questões: (55) os manuais de produtos e serviços de alta tecnologia não são escritos em linguagem comum, (48) Novas tecnologias tornam muito fácil para o governo e as empresas espionarem as pessoas (50) Os serviços de ajuda ao usuário (por telefone ou na internet) não são úteis porque não conseguem explicar as coisas em termos compreensíveis, não explicam o constructo DESCONFORTO TRI - Insegurança A estatística descritiva aplicada sobre ao constructo INSEGURANÇA em geral mostraram que os respondentes são indiferentes às afirmativas. Contudo, vale remarcar que 82,14% são totalmente contrários ou indiferentes a afirmativa de Você não se sente seguro em assumir prazo em projetos que utilizam novas tecnologias. Pode-se concluir que os respondentes sentem-se seguros em assumir prazos mesmo utilizando a nova tecnologia. Ao aplicar a análise fatorial sobre as repostas das questões ligadas ao constructo INSEGURANÇA, constatou-se um KMO de 0,630. No entanto, as repostas das questões 62 e 64 apresentaram baixas significância. Sendo assim, retiraram-se estas questões e foi possível constatar um novo KMO de 0,780 e observou-se que as questões restantes apresentaram boa significância. Portanto, conforme a percepção dos desenvolvedores, a questão que indica se todos os desenvolvimentos nas novas tecnologias devem ou não ser auditado por especialistas e a questão que indica se para a utilização de novas tecnologias é necessário um tempo maior ou não para o aprendizado, não representam o constructo INSEGURANÇA. 5. Considerações Finais Este estudo buscou avaliar o processo de adoção da tecnologia Flex para o desenvolvimento de sistemas de gestão empresarial, por meio dos modelos TAM e TRI. Analisando-se as respostas as questões que explicam as diversas facetas do modelo TAM, pode-se extrair a percepção dos desenvolvedores respondentes que a tecnologia é fácil de usar, observou-se que houve influencia ao constructo utilidade percebida, pois foi possível observar um alto índice de aceitação deste constructo. Constatou-se que a utilidade percebida e a facilidade de uso influenciam a intenção dos desenvolvedores de sistema na tecnologia Flex em continuar usando-a. Verificou-se que os desenvolvedores vêem utilidade e têm alto índice de intenção de uso da tecnologia Flex. Pode-se concluir pelo modelo TRI, que o fator otimismo foi externado pelos desenvolvedores como uma visão positiva da tecnologia e seus benefícios para os clientes e para o aumento de vendas, contudo com baixa eficiência no processo de desenvolvimento. O fator inovatividade é definido como uma tendência de ser um pioneiro no uso de tecnologia, um líder, ou formador de opinião. É um elemento diferenciador entre desenvolvedores Flex e Progress. Pode-se concluir que este fator não se destacou perante os respondentes, que se mostraram indiferentes perante a inovatividade. 12

13 Constatou-se uma indiferença pelos respondentes sobre o fator desconforto. Eles não se sentem com falta ou com controle sobre a tecnologia e nem possuem um sentimento de estar ou não sendo pressionados ou oprimidos pela tecnologia. Os respondentes foram indiferentes sobre o fator insegurança, contudo mostraram-se seguros em assumir prazos em projetos que utilizam uma nova tecnologia mostrando confiança da tecnologia e baixo ceticismo com as próprias habilidades para utilizá-la. Pela percepção dos desenvolvedores pode-se concluir que a tecnologia Flex é fácil de usar e com alta utilidade, portanto influenciando a intenção de uso dos desenvolvedores em continuar desenvolvendo na nova tecnologia. Há otimismo dos desenvolvedores em relação aos benefícios aos usuários dos sistemas em Flex, inclusive melhorando as vendas da empresa. Ainda pela percepção dos desenvolvedores, há pouca eficiência no desenvolvimento na nova tecnologia, mas mesmo assim constatou-se segurança em assumir prazos. Referências AJZEN, I., FISHBEIN, M., Understanding Attitudes and Predicting Social Behavior, Englewood Cliffs, NJ, Prentice-Hall, COSTA F., B. A.; PIRES, P. J. Avaliação dos fatores relacionados na formação do índice de prontidão à tecnologia, como antecedentes do modelo TAM (Technology Acceptance Model). XXIX ENANPAD.Anpad: Bahia, DAVIS, F. D., Perceived Usefulness, Perceived Ease of Use, and User Acceptance of Information Technology, MIS Quarterly, 13, p , DAVIS, F. D., Bagozzi, R. P., Warshaw P. R., User Acceptance of Computer Technology: A Comparison of two Theoretical Models. Management Science, 35(8), p , FISHBEIN, M.AJZEN, I., Attitude, Intention and Behavior: An Introduction to Theory and Research, Reading, Addison-Wesley, MA, HAIR, Joseph et al., Análise Multivariada de Dados. 5. ed. trad. Porto Alegre: Bookman, LEE, Y. et al. The technology Acceptance Model: Past, Present, and Future. Communications of the Association of Information System, Volume 12, Article 50, December MALHOTRA, N.K., Pesquisa de marketing: uma orientação aplicada. Porto Alegre: Bookman, ORLIKOWSKI, Wanda; BAROUDI, J. Studying Information Technology in Organizations: research approaches and assumptions. Information Systems Research, vol. 2, no. 01, March PARASURAMAN, A. Technology readiness index (TRI): a multiple-item scale to mesure readiness to embrace new technologies. Journal of service research: may, Vol. 2 p

14 RODRIGUES, E. M. T., Construção Social de Sistemas de Informação no Setor Bancário: fatores influentes e tipos de uso emergentes. In Anais do XXXII ENANPAD. Rio de Janeiro: ANAPD, ROGERS, E. M., Diffusion of Innovations. 4a.ed. New York: Free Press, 1995, 518 p. SACCOL, A. Z., A Teoria da Hospitalidade e o Processo de Adoção de Tecnologias da informação Móveis e Sem Fio, Tese (Doutorado em Administração), Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Universidade de São Paulo. SCOTT, W. R., Institutions and organizations. 2a. ed. Thousand Oaks: Sage, 2001, 253 p. SILVERSTONE, R, HADDON, L., Design and the domestication of Information and Communications Technologies: technical change and everyday life. In: SILVERSTONE, Roger; MANSELL, Robin (editores). Communications by design: the politics of Information and Communications Technologies. Oxford: Oxford University Press, VENKATESH, V.; MORRIS, M. DAVIS, Gordon B.; DAVIS, F., User acceptance of information technology: toward a unified view. MIS Quartely, vol. 27, no. 3, p , September

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