FACULDADES INTEGRADAS DO BRASIL UNIBRASIL ANDREA CRISTINA EL HORR DE MORAES ELISANA FUCKNER

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1 FACULDADES INTEGRADAS DO BRASIL UNIBRASIL ANDREA CRISTINA EL HORR DE MORAES ELISANA FUCKNER POLÍCIA FEDERAL A GUARDIÃ DA FRONTEIRA: VIDEODOCUMENTÁRIO INSTITUCIONAL SOBRE A ATUAÇÃO DO ÓRGÃO CONTRA O TRÁFICO DE DROGAS NA FRONTEIRA DO PARANÁ CURITIBA 2012

2 ANDREA CRISTINA EL HORR DE MORAES ELISANA FUCKNER POLÍCIA FEDERAL A GUARDIÃ DA FRONTEIRA: VIDEODOCUMENTÁRIO INSTITUCIONAL SOBRE A ATUAÇÃO DO ÓRGÃO CONTRA O TRÁFICO DE DROGAS NA FRONTEIRA DO PARANÁ Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito para a obtenção do título de Bacharel em Comunicação Social Habilitação em Jornalismo, Escola de Comunicação Social das Faculdades Integradas do Brasil Unibrasil Orientador: Felipe Harmata Marinho CURITIBA 2012

3 Dedica-se este trabalho aos servidores da Polícia Federal que, por diversas vezes, abrem mão de sua vida pessoal para empenhar-se na segurança da sociedade.

4 Agradecimentos Obrigada à Deus. Aos meus pais, Ariosto e Fahima, que me proporcionaram a oportunidade de realizar esse sonho. Às minhas irmãs, Samia e Patricia, que sempre se disponibilizaram com seus conhecimentos para a concretização desse projeto e aos meus amigos que souberam compreender minha ausência durante o processo desse trabalho. Muito obrigada minhas amigas-irmãs, Jessika e a Bruna, que incondicionalmente estiveram presentes nos momentos em que mais precisei. E por fim, agradecer o apoio, a atenção, a amizade da minha companheira de trabalho, faculdade e TCC, Elisana, sem você seria muito mais difícil e muito menos divertido, com certeza! Obrigada!! Andréa Cristina El Horr de Moraes Obrigada à Deus, que me deu força e coragem. Aos meus pais, Maria e Osni, que acreditaram nos meus sonhos e acima de tudo sempre fizeram o possível e o impossível para que eu os realizassem. Obrigada por serem minha referência. Às minhas primas, Patricia e Priscila, pela parceria, amizade e almoços de domingo. Aos meus amigos e familiares, que souberam entender minha ausência. À minha amiga, colega de faculdade, de trabalho e de TCC, Andrea, pela amizade incrível, paciência e apoio. Obrigada pela experiência e por tornar esse ano inesquecível! Elisana Fuckner Devemos esse trabalho à dedicação do nosso orientador, Felipe Harmata Marinho, que nas horas mais difíceis tinha a palavra de apoio que nos acalmava, agradecer as suas cobranças, que apesar de desesperadoras, nos faziam progredir e ultrapassar nossos limites em prol desse projeto. Gostaríamos de um dia ser tão boas profissionais quanto ele. Além disso, agradecer ao Departamento de Polícia Federal que nos proporcionou o aprendizado e que nos mostrou a realidade da vida. Em especial aos nossos colegas de trabalho: Dr. Mesquita, Dr. Fabiano, Dr. Smith, Dr. Renato Lima, Dr. Milanezze, Koren, Davi, Ana Paula, Gildeto, Telles, Nasser e Schlickmann, além de todos os entrevistados e envolvidos do nosso documentário. Nosso muito obrigada!!! Nós

5 Falta muito para que a inocência tenha tanta proteção como o crime. François La Rochefoucauld

6 Resumo Este trabalho visa apresentar como o jornalismo pode, através de um videodocumentário institucional, mostrar o trabalho de repressão ao tráfico de drogas realizado pela Polícia Federal na fronteira do Estado do Paraná. Para entender como os servidores da Polícia Federal percebem o crime organizado e o tráfico de drogas na região e como a mídia apresenta as ações da Instituição, uma pesquisa qualitativa foi aplicada. Debate-se, na revisão teórica, as questões de controle social. E discute-se a relação de como a comunicação institucional pode emprestar elementos para um videodocumentário sobre a atuação da Polícia Federal na sociedade. Palavras - Chaves Polícia Federal, Crime Organizado, Tráfico de Drogas, Fronteira e Documentário Institucional.

7 LISTA DE SIGLAS CNFE - Comissão Nacional de Fiscalização de Entorpecentes GSI - Gabinete de Segurança Nacional IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística INCB - International Narcotics Control Board INL - Bureau of International Narcotics and Law Enforcement Affairs IPARDES - Instituto Paranaense de Desenvolvimento Ecônomico e Social IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada SENAD - Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas UNODC - United Nations Office on Drugs and Crime

8 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO HISTÓRIA DO CRIME ORGANIZADO NO MUNDO ATUAÇÕES DAS ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS NO BRASIL AS CONSEQUÊNCIAS DO TRÁFICO DE DROGAS NA SOCIEDADE ATUAÇÃO DO TRÁFICO DE DROGAS NA AMÉRICA DO SUL O uso de rotas internacionais no tráfico de drogas O BRASIL NO CENÁRIO DO TRÁFICO DE DROGAS O ENRAIZAMENTO DO TRÁFICO DE DROGAS NO PAÍS A DEFINIÇÃO CONSTITUCIONAL PARA O CRIME ORGANIZADO E TRÁFICO DE DROGAS NO BRASIL... 5 INTRODUÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DAS DROGAS ENTRADAS DA COCAÍNA E MACONHA NO CENÁRIO NACIONAL OS LIMITES FRONTEIRIÇOS INTERNACIONAIS DO ESTADO DO PARANÁ A TRÍPLICE FRONTEIRA ENTRE ARGENTINA. BRASIL E PARAGUAI... 7 O SURGIMENTO DA POLÍCIA FEDERAL NO BRASIL A ESTRUTURA DA POLÍCIA FEDERAL NO ESTADO DO PARANÁ POLÍCIA FEDERAL NO COMBATE AO TRÁFICO DE DROGAS A REPRESENTAÇÃO DA POLÍCIA FEDERAL NA MÍDIA PROBLEMA OBJETIVO GERAL OBJETIVOS ESPECÍFICOS JUSTIFICATIVA FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O CONTROLE SOCIAL DA SOCIEDADE CIVIL NAS AÇÕES DO ESTADO O ESTADO COMO CONTROLADOR SOCIAL O VIDEODOCUMENTÁRIO COMO EXPRESSÃO DA REALIDADE

9 O Videodocumentário na esfera jornalística O videodocumentário na esfera empresarial e comunicação dirigida METODOLOGIA PESQUISA BIBLIOGRÁFICA PESQUISA DE CAMPO: UMA ANÁLISE SOBRE A ATUAÇÃO DA POLÍCIA FEDERAL NA FRONTEIRA E A VISÃO INTERNA DO ÓRGÃO SOBRE A MÍDIA ANÁLISE DA PESQUISA QUALITATIVA Atuação da Polícia Federal na fronteira Atuação do crime organizado e as dificuldades de desmantelar as organizações criminosas Relação da Polícia Federal com a mídia Espaço destinado ás ações da Polícia Federal, ao crime organizado e ao tráfico de drogas na mídia Como a mídia apresenta as ações da Polícia Federal na fronteira? Conclusão da Pesquisa Qualitativa DELINEAMENTO DO PRODUTO FORMATO EQUIPAMENTOS PERSONAGENS PÚBLICO-ALVO VEICULAÇÃO PROCESSO DE GRAVAÇÃO E RESTRIÇÕES TRILHA SONORA ORÇAMENTO ROTEIRO Imagens CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS APÊNDICES ANEXOS

10 10 INTRODUÇÃO Este trabalho busca produzir um videodocumentário jornalístico apresentando as ações do Departamento de Polícia Federal no Estado do Paraná na repressão da entrada ilegal de entorpecentes maconha e cocaína pela região fronteiriça entre Brasil e Paraguai, usando as entradas pelas cidades de Foz do Iguaçu e Guaíra. O crime organizado e, consequentemente, o tráfico de drogas gera problemas incontestáveis para a sociedade brasileira. Começando pela questão da saúde dos viciados, até a quantidade de verbas públicas destinadas para combatê-las, violência urbana, desafetos familiares, entre outros. Assim, destaca-se a importância do trabalho repressivo 1 por meio do Estado, aqui representado pela Polícia Federal, para a repressão destes métodos criminosos. O presente trabalho busca mostrar de forma aprofundada estas ações, já que possui autorização do Departamento de Polícia Federal para acompanhar e registrar as ações de combate ao tráfico de drogas na fronteira. A escolha pela elaboração de um videodocumentário jornalístico se caracteriza pela intenção de apresentar imagens das ações da Polícia Federal, para que a realidade e a importância do trabalho de repressão sejam apresentadas à sociedade paranaense. A primeira parte do trabalho destina-se a delimitação do tema, conceituando o crime organizado, a partir de informações das estruturas, a ligação entre organizações criminosas internacionais com o Brasil, além das organizações criminosas nacionais que possuem atuação comprovada no estado do Paraná. Também apresenta o tráfico de drogas na América do Sul, no Brasil e por fim, na Região da Fronteira do Paraná. Mostra uma breve introdução a respeito de cocaína e maconha e, finalmente, revela a estrutura, história e atuação da Polícia Federal. Em termos teóricos, o trabalho trata do controle social relacionado diretamente a este tema. A importância social que o Estado possui de controlar o 1 Será utilizada a palavra repressão e suas variações gramaticais, por ser um termo comum no âmbito policial.

11 11 direito de liberdade individual buscando garantir os direitos coletivos da sociedade e o grande valor social que existe no fato dos cidadãos controlarem a atuação do Estado, visando que o serviço público seja satisfatório para a sociedade. Além disso, busca apresentar o conceito de Autoridade, para justificar o motivo pelo qual a Polícia Federal atua coercitivamente perante a sociedade brasileira, mostrando que para toda ação de coerção social existem os prós e contras. Este trabalho apresenta, por fim, os resultados de uma pesquisa qualitativa realizada para aprofundar os conhecimentos sobre os assuntos discutidos na delimitação do tema e mostrar como a Polícia Federal percebe a sua relação com a mídia e como a imprensa aborda a atuação de repressão a entorpecentes e a importância em se destacar os perigos causados pelo tráfico de drogas em uma sociedade. A pesquisa mostra, através do relato dos profissionais da Polícia Federal, como é feito o trabalho para o combate ao tráfico de drogas no país, apresentando as principais rotas de entrada, a origem e o destino das drogas, o papel das organizações criminosas no cenário do tráfico de drogas e o trabalho ostensivo e investigativo realizado pela Instituição na Região da Fronteira. Apesar de ser um assunto de importância social, verifica-se através destas pesquisas apresentadas que a mídia aborda de forma superficial as ações da Polícia Federal na fronteira, principalmente, por questões da importância de se noticiar rapidamente o fato à sociedade, a concorrência editorial dos veículos e pelas normas internas da Instituição, que restringe o trabalho da imprensa, para garantir a segurança dos profissionais de jornalismo e não divulgar os meios utilizados de repressão para não prejudicar futuras operações.

12 12 2. HISTÓRIA E EVOLUÇÃO DO CRIME ORGANIZADO NO MUNDO Já havia, nos tempos da Antiguidade, grupos que se uniam com propósitos políticos e econômicos. Na Idade Média, homens armados participavam de reuniões, chamadas conventicola, e tinham como objetivo atos ilícitos. Porém, as organizações com certa estrutura empresarial, estabilidade e finalidade de conquistar lucros, surgiram nos séculos XVII e XVIII (Madrid, 2004). Arbex Junior e Tognolli (1996) relatam que esses grupos, que executavam suas atividades somente no âmbito nacional, passaram, nos anos 80, a firmar ligações em várias regiões do planeta. Tornaram-se transnacionais. Foi nesse período, que as primeiras máfias 2 se formaram: as máfias italianas, americanas, africanas e russas; a Yakusa japonesa e as Tríades Chinesas. Na história das máfias italianas, Souza (2007) explica que, por existirem diversos grupos, é difícil estabelecer uma data exata para a formação dessas. As maiores organizações são: Cosa Nostra (Sicília), Camorra (Campania Nápoles), Na'dranguetha (Calábria) e a Sacra Corona Unita (Puglia). Foram fundadas para combater o abuso do poder e proteger os mais fracos. Entraram, na década de 70, no comércio de cigarros e consequentemente, no tráfico de drogas 3. Madrid (2004) complementa que, quando entrou para a comercialização de drogas, a máfia italiana começou a apresentar características do crime organizado 4. A origem da máfia italiana, conclui Oliveira (2007), possibilita entender o crime organizado, através da relação entre Estado e grupos criminosos (p. 32). A máfia não luta mais contra o Estado, pois ao realizar serviços dentro do local responsável pelo poder econômico e político, passa a cooperar com eles: facilita a entrada de imigrantes, a abertura de novas empresas e esquemas de corrupção. A máfia italiana, portanto, tem sua origem associada à ineficiência do Estado que não se fez totalmente presente com seu poder de coerção. Com o passar 2 Lupo (2002) define o termo como polissêmico, que assume vários significados. A palavra, para Maierovitch (1997), começou com as organizações criminosas da Itália e pode ter sido derivada tanto do latim quanto do dialeto francês. Máfia, para a Legislação Penal Italiana, significa uma associação criminosa, distinta das quadrilhas comuns e bandos. 3 De acordo com Vieira (et al, 2009), existem vários sinônimos para o narcotráfico, como: tráfico de drogas, tráfico de entorpecentes ou tráfico de substâncias psicotrópicas. O trabalho optou pelo uso do termo tráfico de drogas, pois é o termo de uso mais comum entre a população. 4 Este termo será abordado com mais detalhes no próximo subtópico.

13 13 do tempo, a máfia associa-se ao poder econômico e político para lhe prestar proteção. Por fim, considera-se essa a última etapa do desenvolvimento institucional da máfia, os mafiosos passam a atuar em paralelo com o poder do Estado, mas inseridos no mercado capitalista (Oliveira, 2007, p. 33). A Cosa Nostra se une com grupos semelhantes nos Estados Unidos, criando, com o mesmo formato, a Cosa Nostra americana. A máfia americana atua no tráfico de drogas, jogos ilícitos, prostituição e tráfico de armas (p. 523) e mantém acordos, além da Cosa Nostra italiana, com cartéis 5 colombianos e Organizacíja 6. Surgiu na década de 20, com a 'lei seca', que proibia o comércio legal de álcool, possibilitando assim, que organizações encontrassem lucros no contrabando de bebidas alcoólicas (FERRO, 2009 apud SAPIA, 2011). As máfias africanas apareceram na Nigéria, nos anos 80, quando o preço do petróleo caiu e a classe média da cidade de Lagos encolheu. Entre desempregados estavam estudantes, recém-formados e profissionais. Para sair da situação, entraram para o narcotráfico. No inicio, era a serviço dos cartéis colombianos, depois criaram organizações próprias (Arbex Junior e Tognolli, 1996). Já o crime organizado na Rússia, a Organizacíja, surgiu na década de 90, com o propósito de conquistar a confiança da população, atraindo, rapidamente, o comércio, serviços públicos e lazer, que o governo demorava a instalar. Abandonou este propósito para buscar dinheiro fácil, através do tráfico de drogas, contrabando de mercadorias e exploração da prostituição e dos jogos (Arbex Junior e Tognolli, 1996). A máfia japonesa, Yakuza, nasceu, segundo Madrid (2004), no século XVII, da união de dois grupos que trabalhavam como jogadores de cartas e vendedores ambulantes: Bakuto e Tekiya. A atividade inicial, para arrecadar lucros, era cuidar dos jogos de cartas. Na China, as associações criminosas, que se denominam Tríades Chinesas, caracterizaram-se, conforme Souza (2007), pelo fato de se oporem ao estabelecimento da dinastia Ch'ing, em Firmaram-se em Hong Kong e Taiwan, em Especializaram-se no comércio de heroína. 5 A palavra cartel está associada, explicam Filho e Vaz (1997), às organizações que controlam a produção, comercialização em rede (p. 89) e entrega aos consumidores, possuem estruturas para se sustentarem e comando hierárquico. São usadas apenas para definir os grupos organizados da Colômbia. 6 Nome utilizado na Rússia para definir o crime organizado.

14 14 Os cartéis colombianos surgem quando a Cosa Nostra italiana, devido à alta demanda e à baixa produção da heroína, se une, segundo Maierovitch (1997), com os grupos criminosos da Colômbia. Estes, durante os anos 70, período em que os grandes cartéis surgiram, atuavam somente no refino da cocaína, que era plantada no Peru e na Bolívia. Com o apoio da Cosa Nostra, a Colômbia passou a ser local de cultivo da droga. Endo (2006) destaca dois principais cartéis da Colômbia: Cartel de Medellín, chefiado por Pablo Escobar Gaviria, Rodríguez Gacha e Fabio Ochoa e o Cartel de Cali, com Gilberto Rodríguez Orejuela. Em contrapartida, Proença Junior (1996) cita outros dois cartéis: o Cartel de Bogotá e Cartel Norte-Atlântico, ambos com atuação restrita 7. Atos ilícitos como o tráfico de esmeraldas, contrabando de produtos estrangeiros e comércio ilegal de maconha, para Rodrigues (2004), se estabeleceram na Colômbia onde a fronteira entre a legalidade e ilegalidade é tênue (p. 183). O conhecimento adquirido com a prática destes crimes impulsionou a entrada no tráfico de cocaína. A sociedade colombiana percebeu, então, um fenômeno que havia crescido silenciosamente nas suas entranhas, e começou a se dar conta também de que o cultivo, o processamento e o tráfico de drogas já tinham criado raízes profundas na vida nacional, gerando o negócio mais lucrativo e que mais dinheiro movimentava no país. Tinha comprometido milhões de pessoas, introduzindo-se na política tradicional e nas guerrilhas, gerando grupos armados para proteger o negócio ilegal (VALENCIA, 2005, p. 130). Os líderes dos cartéis, ressalta Tinoco (2010), formaram uma teia mundial a qual unia produção e distribuição de cocaína, por meio da união com plantadores, refinadores e transportadores (p.19). No final da década de 80, os cartéis de Cali e Medellín perderam parte da sua estrutura organizacional. Um dos principais motivos foi a prisão e a morte dos líderes, fator que os impactou diretamente. Outra causa foi a política iniciada, em 1970, pelo Governo da Colômbia, denominada Guerra às Drogas (BORBA, 2011). Mesmo com a extinção dos cartéis no início dos anos 90, o legado dessas organizações mantém-se presente nos dias atuais. Além da criminalidade e corrupção oriundas do narcotráfico estarem incrustadas na sociedade 7 Este trabalho irá focar apenas no Cartel de Medellín e no Cartel de Cali, pois possuíam maior atuação no Brasil.

15 15 colombiana, muitos de seus membros continuam na ativa, seja nos grupos paramilitares de direita ou nas guerrilhas de orientação marxista [ ] (Tinoco, 2010, p. 19). A relação, do crime organizado no Brasil com os cartéis na Colômbia inicia-se em 1986, quando o Comando Vermelho 8 firma acordo, com Pablo Escobar, para importar cocaína do Cartel de Medellín. Remessas vindas do Cartel de Cali também começaram a chegar ao Brasil (Amorim, 1994). 2.1 ATUAÇÕES DAS ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS NO BRASIL A United Nations Office on Drugs and Crime (UNODC, 2011) define organizações criminosas como grupos com vínculos hierárquicos que praticam atos ilícitos e violência para obter lucros ou vantagens materiais. O crime organizado surgiu no Brasil, segundo Souza (2006), estruturado, com recrutamento, formação, legislação própria e investimentos, a partir do momento no qual o tráfico de drogas passou a mostrar que é uma das atividades mais lucrativas do mundo, e que a este era possível incorporar o não menos lucrativo mercado de armas (p.20). Possui hierarquia, responsabilidades e deveres, mesmo que ilícito, e visa à conquista do poder e do lucro (Magalhães, 2000). Oliveira (2005) considera que o crime organizado, mesmo sendo prejudicial à sociedade, deve ser visto como uma empresa, pois busca criminosos qualificados em tecnologias e os infiltram no comércio e nos órgãos públicos. Essas organizações, de acordo com Mingardi (2007), adaptaram quatro características essenciais das empresas modernas. A primeira delas expõe a necessidade de selecionar especialistas, de confiança, para que haja retorno financeiro. Em seguida, vem a rotina de prever os lucros. A divisão do trabalho, terceira característica, separa os membros do grupo de acordo com as habilidades criminosas: por exemplo, no tráfico de drogas, há responsáveis pela compra da substância entorpecente, preparo, venda e contabilidade da droga. Na última característica, planejamento empresarial, é discutido, antecipadamente, cada 8 A história e influência do Comando Vermelho serão abordadas no próximo tópico.

16 16 detalhe das ações criminosas. Além disso, há uma quinta que não está presente nas empresas lícitas, considerada pelo autor como a mais importante, a simbiose com o Estado. Os maus elementos possuem uma espécie de proteção de alguns funcionários públicos. O crime organizado não surgiu da noite para o dia. Ele tem adeptos dentro e fora da prisão. [ ] Construiu seu formato, estabeleceu seus códigos, criou uma nova linguagem, avançou sobre funcionários de presídios, sobre juízes, policiais, promotores, advogados e sobre jornalistas (Souza, 2006, p.13). Essas associações criminosas, para Kurek (2009), formam elos que atravessam as fronteiras nacionais e cooperam em diversas atividades ilícitas, como: o narcotráfico, a extorsão, corrupção, exploração da prostituição, tráfico de pessoas e de órgãos, tráficos de armas e lavagem de dinheiro (p. 44). Franco (1994, apud Jesus, 2000) complementa que elas se utilizam de atos de extrema violência; urde mil disfarces e simulações e, em resumo, é capaz de inerciar ou fragilizar os poderes do próprio Estado (p. 02) para cometer tais crimes. Decerto, o crime organizado se assemelha a um vírus. Está latente onde não é visto, possui uma grande capacidade de camuflagem, é responsável por agressões violentíssimas; contamina órgãos vitais da sociedade, através de corrupção e outros meios escusos (Oliveira, 2005, p.39). Oliveira (2007) salienta que as organizações do crime apresentam um perigo evidente para a sociedade, principalmente, porque elas não fazem distinção entre as políticas dos diferentes países e também não priorizam regiões desenvolvidas, ou não, economicamente. A origem do crime organizado, no Brasil, é bastante controversa. Segundo Campos e Santos (2007), há quem relacione o início das organizações criminosas com o cangaço e há também quem faça ligação com a proibição do jogo do bicho no país. Porém, para o autor, o crime organizado nasceu junto à Ditadura Militar, em 1969, em consequência à Lei de Segurança Nacional 9, quando pessoas presas por assaltos a banco dividiram celas com os presos políticos e estudantes universitários, detidos por lutar contra o governo repressor da época. Lima (2001) confirma que a 9 Decreto Lei nº 898, de 29 de setembro de 1969, Art. 3º. A segurança nacional compreende, essencialmente, medidas destinadas à preservação da segurança externa e interna, inclusive a prevenção e repressão da guerra psicológica adversa e da guerra revolucionária ou subversiva (FARIA, 2005).

17 17 convivência entre assaltantes e políticos foi decisiva para que a ideia de comando e organização empresarial surgisse dentro das cadeias. De acordo com Pontes (2009), esta convivência entre guerrilheiros e detentos comuns durou até a anistia ser concedida aos presos políticos, em Os conhecimentos transmitidos de um grupo ao outro foi o princípio para que a primeira organização, Falange Vermelha, assumisse, em 1979, o controle do Instituto Penal Candido Mendes, localizada na Ilha Grande, Rio de Janeiro. Nesta época, salienta Amorim (1994), a Falange Vermelha conquistou a confiança dos demais presos por lutar pelos direitos dentro do Instituto, buscando melhores condições de vida na prisão e condenando crimes entre os presidiários, conseguiram permissão para que um time de futebol fosse criado, e que jogos internos fossem realizados dentro do pátio da cadeia. Adquiriram, também, o direito de liberdade para andar pelos corredores da penitenciária, ampliando ainda mais sua popularidade. Cypriano (2001) explica que a Falange Vermelha se transforma em Comando Vermelho, logo após a morte de alguns de seus fundadores. Gerando nos líderes atuais, um novo pensamento a respeito da sua organização e maneira de atuação. A importância da Falange Vermelha para a história do crime organizado no país não seria a luta por melhores condições nas penitenciárias. Para Dowdney (2003), ela viria após a alteração de seu nome e a troca de seus líderes, quando estes percebessem que a forma de organizar seus adeptos poderia ser utilizada do lado de fora da cadeia, gerando recursos financeiros que serviriam para ajudar aqueles que ainda estão presos. A ligação, então, entre os criminosos de assaltos a bancos e o tráfico de drogas 10 seria apenas questão de tempo. O Comando Vermelho se expande, passando a exercer influência não apenas nos presídios, mas também em grande parte das favelas cariocas, ao mesmo tempo em que adota o tráfico de drogas como sua nova fonte de financiamento. Em 1986, a organização entra no comércio internacional das drogas. (Amorim, 2005, p.235) Outras organizações ganharam espaço no cenário nacional, destaca Campos e Santos (2007). Primeiro, surge o Terceiro Comando, dentro do presídio Bangu I, tornando-se adversário declarado do Comando Vermelho. Em 1994, une-se a outro 10 O trabalho irá priorizar, primeiramente, a história do crime organizado e se aprofundará na relação tráfico de drogas e as organizações criminosas mais à frente.

18 18 grupo organizado conhecido como ADA Amigo dos Amigos, conseguindo comandar de dentro da cadeia, 34 favelas do Rio de Janeiro. Também, em 1994, surge a Seita Satânica, dentro da Casa de Detenção de São Paulo. Além da CRBC Comando Revolucionário Brasileiro da Criminalidade, com origem em 1996, na cidade de Avaré, São Paulo. O Primeiro Comando da Capital, mais conhecido como PCC, merece destaque dentre essas outras organizações. Criado em 1993, na Casa de Custódia de Taubaté, segundo Larizzatti (2009), o grupo já nasceu com a agressividade em sua formação. Em seu estatuto 11, pregava-se a liberdade, lealdade, justiça, respeito e paz. Queriam, a priori, assim como o Comando Vermelho, melhores condições de vida dentro do sistema penitenciário, porém, desde o início, usavam da violência para conseguir os objetivos almejados. Jozino (2005) destaca como, em tão pouco tempo, o PCC conseguiu tornarse um grupo ilícito com tamanha força nacional. Nasceram hierarquizados e organizados. Todos aqueles que fossem batizados ao grupo deveriam comprometerse a seguir as leis do Comando. Era necessário que os membros que estivessem em liberdade contribuíssem com aqueles que estivessem encarcerados. Se alguém deixasse de ajudar seus colegas, teria a punição decretada pelos seus líderes. Evidentemente que os integrantes do grupo não tinham apenas deveres. Ao entrarem para o PCC, teriam segurança dentro dos presídios, além de advogados contratados para lhes defender e ajuda de custo para suas famílias durante o cumprimento de sua pena. O PCC, desde o princípio, demonstrava que, para alcançar os lucros desejados, não se importariam com o meio utilizado. Nas palavras de Oliveira (2005): O PCC patrocina rebeliões e resgates de presos, rouba bancos e carros de transporte de valores, pratica extorsão de familiares de detentos, extorsão mediante sequestro e tráfico de entorpecentes, possuindo conexões internacionais. Ademais, assassinam membros de facções rivais, tanto dentro como fora dos presídios (Oliveira, 2005, p. 28). Souza (2006) conclui que o PCC tornou-se uma organização tão complexa, que poderia ser comparada às grandes organizações mundiais. 11 Veja o estatuto completo no site: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u22521.shtml>.

19 19 O Crime Organizado alcançou tão grandes proporções porque ocupou perante a população mais carente um lugar que deveria, antes, ter sido ocupado pelo Estado, sendo que perante a parcela da população mais abastada surgiu como forma de aumentar ainda mais suas riquezas e seu poder. Tal é a realidade que há quem diga que o Crime Organizado é tal como um câncer no seio da sociedade, vez que corrompe todos os seus segmentos em todas as esferas de poder (Campos e Santos, 2007, p.14). A questão relacionada ao crime organizado no Brasil, explica Tenório e Lopes (1995), tornou-se o maior problema de segurança pública na atualidade. Jesus (2000) complementa que até meados dos anos 80, a polícia lidava apenas com criminosos facilmente identificados, que agiam independentemente de facções e possuíam seus próprios interesses. Atualmente, já não é este mesmo cenário, organizações criminosas usam de estratégias para atingir os objetivos finais, dificultando o trabalho da polícia nacional. 3. AS CONSEQUÊNCIAS DO TRÁFICO DE DROGAS NA SOCIEDADE O tráfico de drogas, segundo Souza (2006), é a atividade mais lucrativa do crime organizado. O relatório anual do International Narcotics Control Board (INCB), de 2012, aponta o uso de drogas ilícitas presente em todos os países, envolvendo diversos grupos de pessoas, sem restrição de idade, raça ou classe social. O consumo de substâncias ilícitas conduz a uma série de problemas sociais, incluindo a violência, crime organizado, corrupção e desemprego, além do uso de verbas públicas que poderiam ser usadas, por exemplo, na melhoria do sistema de saúde e educação (INCB, 2012). A droga converteu-se numa doença social, que exige políticas públicas nas áreas de saúde, educação, prevenção, segurança, economia, finanças, diplomacia. O estado deixa de investir no combate ao flagelo social e as empresas em iniciativas capazes de gerar rendas e empregos porque as consequências do uso descontrolado de drogas tomam as verbas necessárias (Magalhães, 2000, p. 26). Segundo Valois (2009, apud Kurek, 2009), o tráfico cresceu e se organizou para suprir o aumento de usuários de drogas no mundo. Outro fator crucial,

20 20 conforme Vieira (et al, 2009), foi que a melhoria nos sistemas de transportes, nacionais e internacionais, aproximou diversos países. O que antes era cultivado apenas para consumo local, agora tem se expandido, com facilidade, para outras partes do mundo. O tráfico de drogas pôde converter-se, então, em um dos delitos internacionais mais graves (p. 11). Com a globalização, houve a liberalização das fronteiras para o comércio, facilitando assim, a relação das organizações ilícitas entre diversos países. Portanto, a partir do momento que o comércio legal de produtos investe em novas tecnologias - como melhorias de estradas, comunicação e investimentos no transporte aéreo e marítimo - o tráfico de drogas passa a usufruí-las (Santos, 2010). O narcotráfico é um fenômeno essencialmente transnacional, sendo sua dinâmica ditada, sobretudo, pelas leis da oferta e da demanda. Como tal, associa-se e nutre-se das transformações de ordem política e econômica que, sobretudo a partir dos anos setenta, levaram à intensificação do fluxo de bens, capitais e de pessoas através das fronteiras nacionais (Filho; Vaz, 1997, p. 99). Costa (2008) explica que, em busca de dinheiro, pessoas se unem, utilizando até mesmo de violência, para garantir uma fonte financeira alta e rápida. O tráfico alicia pessoas sem fazer distinção de classe social, gênero ou idade. O relatório do UNODC (2011) 12 evidencia que o comércio de drogas ilícitas responsável por metade de todos os rendimentos do crime organizado transnacional e por um quinto de todos os lucros do crime é o setor mais rentável (p. 57). Somente a cocaína, em 2009, rendeu aos traficantes, em escala mundial, cerca de US$ 84 bilhões. Estes lucros gerados pelo crime deixam o tráfico de drogas mais forte que outras ações ilícitas, como falsificação, tráfico de seres humanos e contrabando de armas. 12 UNODC. Estimativa de fluxos financeiros ilícitos decorrentes do tráfico de drogas e outros crimes transnacionais organizados = Estimating Illicit Financial Flows Resulting From Drug Trafficking and other Transnational Organized Crimes Disponível em: <http://www.unodc.org/documents/data-and-analysis/studies/illicit_financial_flows_2011_web.pdf> Acesso em: 15 mar

21 ATUAÇÃO DO TRÁFICO DE DROGAS NA AMÉRICA DO SUL Na América do Sul, o tráfico internacional de drogas é visto como uma grande empresa comercial, pois além da organização sob forma empresarial, existem fornecedores e compradores. Para obter êxito em suas atividades, as organizações criminosas internacionais aprimoram suas ações e as executam em segredo (Vieira, et al, 2009). A experiência de muitos países tem demonstrado que entre os principais fatores que contribuem para os elevados níveis de consumo figuram a disponibilidade de drogas ilícitas e a acessibilidade a elas. As fontes e as vias de abastecimento se adaptam aos níveis de consumo e demanda (Vieira, et al, 2009, p. 51). O seminário do Gabinete de Segurança Internacional (GSI, 2004) afirma que as fronteiras de países estratégicos para o tráfico - são extensas, o que dificulta a fiscalização de pessoas, veículos, navios e aeronaves em viagens e no comércio internacional. Na América do Sul, destacam-se na venda de cocaína os países Colômbia, Bolívia e Peru. O Paraguai, em contrapartida, evidencia-se em cultivar e comercializar a maconha (Magalhães, 2000). O relatório do INCB (2012) explica que a cocaína, fabricada na Colômbia, tem como destino final países da América do Norte e Europa. No caso da Bolívia e do Peru, a droga, além de fornecer aos mercados europeus, também é enviada para a América do Sul. A Colômbia representa 43% da produção mundial da droga, o Peru 38% e a Bolívia apenas 19%. Em 2009, o cultivo de cocaína, na América do Sul, diminuiu 5% em relação a 2008, passando de para hectares (UNODC, 2011). Por outro lado, os dados apresentados pelo INCB (2012) mostram que, na Bolívia, a produção de cocaína aumentou entre os anos de 2005 a 2009, de para hectares. Em 2010, a área permaneceu estável, em 31 mil hectares. No Peru, foi registrado um aumento de , em 2005, para , em Porém, na Colômbia, houve uma diminuição expressiva de 15% na produção de cocaína, passando de 73 mil (2009) a 62 mil hectares (2010).

22 22 O Paraguai é responsável por mais da metade da produção total de maconha na América do Sul. Segundo o International Narcotics Control Strategy Report (INL, 2011), existem cerca de seis mil hectares de maconha cultivada no país. O Paraguai continua a enfrentar desafios significativos em sua luta contra a produção de narcóticos e o tráfico. Sua localização continental, pobreza, desemprego, criminalidade, corrupção e limitações governamentais e de presença de segurança em grande parte do país, impede esforços antinarcóticos, embora a demanda interna de drogas ilegais continue baixa, o Paraguai continua a produzir plantações de maconha atrás apenas do México (INL, 2011, p.442). 13 O INCB (2012) destaca que, em 2009, as apreensões de maconha na América do Sul representaram 10% das apreensões totais no mundo O USO DE ROTAS INTERNACIONAIS NO TRÁFICO DE DROGAS A rota da cocaína para a Europa, segundo o UNODC (2011), pode sair diretamente dos países de produção, como Colômbia, Peru e Bolívia. Porém, também pode seguir por caminhos alternativos, através do Caribe, África e outros países da América do Sul, como: Brasil, Equador, Venezuela e Argentina. Já para chegar aos Estados Unidos, a droga se desloca pelo México, América Central ou Caribe. A rota do tráfico tem início em três países produtores. Bolívia, Peru e Equador. Segue depois para aqueles que refinam a pasta-base, transformando-a em cocaína pura: Colômbia, Brasil, Paraguai e norte da Argentina, que enviam o produto final aos Estados Unidos e Europa, passando, quase sempre, por locais considerados pontos-chave como Bahamas, Panamá, Honduras, México e Jamaica, se destinando à Florida e Califórnia (SOMOZA, 1990, p. 31). 13 Tradução própria das autoras. Paraguay continues to face significant challenges in its fight against narcotics production and trafficking. Its continental location, poverty, unemployment, crime, corruption, and limited governmental and security presence in much of the country, all impede counternarcotics efforts although domestic demand for illegal drugs remains low, Paraguay continues to produce a marijuana crop second only to Mexico (INL, 2011, p. 442).

23 23 Em 2010, 90% da cocaína consumida nos Estados Unidos veio da Colômbia, seguida do Peru e, em quantidades limitadas, da Bolívia. Na Europa, a origem é mais distribuída, sendo 8% da Colômbia, 7% do Peru e 5% da Bolívia. O local de produção, dos 80% restante, não é identificado, pelo fato da droga passar por rotas alternativas, tais como: Argentina, Brasil, Costa Rica, Panamá, Equador e Paraguai, na América do Sul; Senegal, Mali, Guiné e Nigéria, na África; Países Baixos e Portugal, na Europa (UNODC, 2011). O INCB (2012) exemplifica que, no caso da cocaína que saiu da Bolívia, em 2009, mais de 95% ocorreram por terra, por países como a Argentina, Brasil e Chile. O INL (2011) cita também o Paraguai, pois, além de ser rota para o tráfico de cocaína, é um importante produtor de maconha. A droga, produzida no Paraguai, chega ao Brasil através de cidades fronteiriças, como Pedro Juan Caballero (MG), Salto del Guaíra (PR) e Ciudad del Este (PR). 3.2 O BRASIL NO CENÁRIO DO TRÁFICO DE DROGAS Desde que os criminosos brasileiros começaram a se unir dentro das cadeias, a busca pelo dinheiro foi elemento primordial. Primeiramente, queriam conseguir verbas apenas para pagar advogados aos membros do grupo, depois começaram a pensar em melhores condições de vida dentro dos presídios, mas a visão de que poderiam ir muito além não tardaria a chegar. O tráfico de drogas mostraria que era a melhor e mais rentável fonte de dinheiro, criminalmente falando (Lima, 1991). O autor do livro Comando Vermelho: A História Secreta do Crime Organizado conta que: Nós, ex-assaltantes de bancos que entramos no mercado do tóxico, catequizamos os favelados e mostramos a eles que o governo não está com nada e não faz nada para ver o lado deles. Então, nós damos alimentação, remédios, roupas, material escolar, uniforme para as crianças e até dinheiro. Pagamos médicos, enterros, e não deixamos os favelados saírem de lá pra nada (Amorim, 1994).

24 24 Lima (1991) conta que, a princípio, os criminosos fugitivos da Ilha Grande, se instalaram nos morros do Rio de Janeiro por uma questão de segurança. Encontravam ali apenas uma moradia livre do acesso da polícia. Porém, com o tempo, começaram a ver que o tráfico de drogas, que já existia em menor escala, poderia trazer dinheiro mais rápido que os assaltos a bancos, já que estes, não davam o lucro desejado. Partiram então para uma nova perspectiva de ganho de vida fácil. Em meados dos anos 80, explica Zaluar (2004), os novos traficantes, já organizados em grupos, passaram a buscar aliados para que seus negócios prosperassem. Primeiramente, tentaram o apoio nas associações de moradores das comunidades. Como não foram bem aceitos, utilizaram de métodos agressivos e intimidadores, para conquistar o poder das pessoas que ali viviam. Ofereceriam, em troca disso, segurança em relação àqueles que incomodavam trabalhadores e suas famílias, além de construírem praças de esportes e centros de lazer para crianças, tudo com a finalidade de ganhar o respeito de seus vizinhos de favela. Após dominarem suas comunidades, o próximo passo seria conseguir aliados mais importantes, como as máfias e cartéis dos países vizinhos, que já estavam fixados no cenário de drogas internacionais (Procópio Filho, 1999). O primeiro acerto entre traficantes brasileiros e um cartel latino-americano aconteceu em Medellín, na Colômbia. Segundo Amorim (1994), Pablo Escobar, o maior traficante da época, forneceria as drogas para o Rio de Janeiro. O Cartel de Cáli também seria um fornecedor de renome, que faria negócios com os brasileiros. Durante quase uma década, os traficantes do Brasil teriam lucro quintuplicado sobre a venda de cocaína no território nacional, pois a cada quilo da droga que entrasse no país, após o batismo 14, renderiam cinco quilos, como um passe de mágica. Somente em 1988, as primeiras denúncias começariam a chegar às autoridades brasileiras. As investigações ligariam o Brasil, a Colômbia e as máfias italianas. Nesta época, São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis, já teriam uma grande estrutura para receber cocaína. Pereira (2011) atribui ao crescimento do tráfico de drogas, a escalada da violência armada no Brasil. Ferreira (2011) mostra que, para defender os pontos de vendas e os laboratórios de refino de cocaína, traficantes passaram a usar a droga 14 Mistura da cocaína pura com bicarbonato de sódio, talco ou pó de mármore.

25 25 como objeto de troca em busca de conseguir armamento. Para gerar lucros cada vez mais altos, explica Porto (2007), sequestros, contrabando de armas e assaltos de menor escala, seriam colocados em prática por essas organizações. Diante de resultados animadores que tiveram os traficantes brasileiros, o próximo passo dado, seria a transição dos poderes para novos locais, como as fronteiras, por serem pontos estratégicos para a obtenção das drogas. Além disso, a fama de grandes organizações que tiveram início no Rio de Janeiro e São Paulo já estaria se infiltrando em diversos presídios nos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Bahia (Larizzatti, 2009). 3.3 O ENRAIZAMENTO DO TRÁFICO DE DROGAS NO PAÍS Para Procópio Filho e Vaz (1997), a localização geográfica do Brasil o transformou em um intermediário conhecido entre os principais países de produção e de consumo. Portanto, torna-se um corredor para distribuição de drogas mundial. Jesus (2000) explica que, além da extensa área de fronteira, o país conta com uma rede movimentada de transporte aéreo, e também vastas rodovias e redes fluviais que facilitam o trânsito dos entorpecentes. A extensão do território, das fronteiras e vasta costa marítima, a vizinhança com os principais centros produtores, a existência de infraestrutura de transportes e de comunicações bem desenvolvida colocam o Brasil em posição privilegiada nos negócios das drogas. Afora isso, o País conta com um sistema financeiro que cresceu sem mecanismos de controle eficazes (Procópio Filho e Vaz, 1997, p. 87). Santos (2010) complementa que a globalização também foi um fator importante para a colocação do Brasil na rota de tráfico. Pois, aumentou a interação entre traficantes de diversos países e facilitou o fluxo de informações e comunicações entre as organizações mundiais. Até os anos 70, conta Tinoco (2010), o Brasil era considerado apenas um corredor para o tráfico internacional, entretanto, as experiências obtidas na interação com os grandes produtores das drogas fizeram com que os traficantes brasileiros

26 26 começassem a pensar em formas de lucrar com este negócio ilícito. A solução veio na produção em pequena escala de cocaína, na região amazônica. Porém, os lucros obtidos ainda não eram os almejados. Parte-se então para a criação de laboratórios clandestinos de refino de cocaína, transformando a pasta-base, vinda dos países vizinhos, em cocaína pura e crack. Entrar para o ramo de refino de drogas, declara Magalhães (2000), foi fácil para os traficantes do Brasil, pois o país é o maior produtor de acetona e éter da América Latina, sendo estas, as duas principais substâncias para a transformação da droga. O desenvolvimento do tráfico de drogas tornou-se possível pelo papel que o território brasileiro pôde oferecer às máfias envolvidas com o tráfico de drogas. Fornecedor de precursores químicos para a produção de cloridrato de cocaína, país de trânsito, além do interesse de bandidos locais em fazer parte de um negócio próspero e lucrativo, em sociedade com os produtores latinoamericanos (SOUZA, 2010, apud MAMEDE, 2010, p. 02). Este desenvolvimento do tráfico dentro do Brasil causou um aumento significativo de consumidores de drogas no país. Segundo o INL (2011), o Brasil é o maior consumidor de drogas da América Latina. Existiam, em 2011, cerca de 900 mil usuários de cocaína e, em 2008, havia cerca de três milhões de usuários de maconha, número em constante crescimento no âmbito nacional. A partir disto, salientam Procópio Filho e Vaz (1997), o tráfico nacional se dividiu em dois segmentos. O primeiro busca suprir a demanda internacional das drogas, movimentando grandes quantidades de substâncias ilícitas e gerando lucros altíssimos, mas com um número reduzido de pessoas envolvidas. Destacam ainda que os responsáveis por esses comércios ilegais concentram-se principalmente em Foz do Iguaçu, Ponta Porã e Corumbá, cidades localizadas na fronteira do Brasil com Paraguai e Bolívia, além de São Paulo, centro comercial com maior importância nacional. O outro segmento dedica-se à venda de drogas no cenário nacional, principalmente nos grandes centros urbanos. Traficantes se instalam em comunidades carentes, em que o acesso policial é mais difícil e a comercialização mais fácil. Nesta parte, há indivíduos envolvidos, exercendo funções distintas no tráfico. Magalhães (2000) faz um aprofundamento a respeito do organograma do tráfico de drogas no Brasil. Ele descreve que há: o dono do movimento, que controla o tráfico; o gerente de endolação, responsável pela separação, o preparo, a

27 27 pesagem e a embalagem da droga; o gerente do preto, que chefia a venda da maconha; o gerente do branco, cuida da cocaína; os olheiros, tem a função de alertar a chegada dos policiais e de traficantes rivais; os soldados, fazem a segurança; os vapores e aviadores, são vendedores das drogas; e as mulas ou matutos, levam as drogas para o gerente de endolação. Tenório e Lopes (1995) afirmam que, apesar de ser uma atividade repulsiva, o crescimento do tráfico de drogas e de suas organizações é desmedido. Porém, Gonçalves e Guimarães (2008) ressaltam que a vida no crime torna-se convidativa quando a remuneração oferecida aos jovens for maior que o salário de um trabalho formal, ou seja, não ilícito. Esta relação que se formou entre moradores de comunidades carentes e os traficantes causam, de acordo com Ferreira (2011), um relacionamento de ajuda mútua, dividindo sentimentos de medo e de proteção. Os criminosos, nestes locais, inserem leis próprias, em que o silêncio dos moradores é recompensado com ajuda de custo, saúde e lazer. O crime organizado ocupa as lacunas de assistência social que o Estado vai deixando para trás, ao sabor da crise econômica ou da insensibilidade política. A dominação sobre as comunidades pobres passa quase que necessariamente por esse tipo de estratégia, até porque o bandido mora na favela e é mais permeável às reivindicações do morador. [...] A marginalização produz esse fenômeno social, ético e político (Amorim, 2005, p. 216). Por muitos anos, as favelas foram deixadas nas mãos de chefões do tráfico, segundo Sorj (2003). Lideranças comunitárias foram amedrontadas pelos bandidos, após tentarem diminuir o poder que eles haviam conquistado nestes ambientes. A soma dos líderes comunitários ofuscados perante os moradores e a falta de ações sociais realizadas pelo governo do país geraram uma dependência da sociedade carente com os líderes do tráfico em sua comunidade.

28 28 4. A DEFINIÇÃO CONSTITUCIONAL PARA CRIME ORGANIZADO E TRÁFICO DE DROGAS NO BRASIL A legislação Brasileira 15 para crime organizado surge em 1995, com a Lei n 9.034, que regulamentava a ação do crime organizado no Brasil. Dizia: Art. 1º - Esta Lei define e regula meios de prova e procedimentos investigatórios que versem sobre crime resultante de ações de quadrilha ou bando (BRASIL. Lei n 9.034, de 03 de maio de 1995). Porém, havia uma falha na definição quanto ao que seria o crime organizado. Para resolver a questão, em 2001, um advento da Lei n , passou a dizer que: Art. 1 Esta Lei define e regula meios de prova e procedimentos investigatórios que versem sobre ilícitos decorrentes de ações praticadas por quadrilha ou bando ou organizações ou associações criminosas de qualquer tipo (BRASIL. Lei n º , de 11 de abril de 2001). A diferença entre as duas leis é a descrição do que seria julgado como praticantes de crime organizado. Em 1976, uma lei entra em vigor no Brasil para regulamentar os crimes envolvendo substâncias ilícitas dentro do País - a lei 6.368, trazia medidas de repressão ao tráfico e ao uso de drogas (Kurek, 2009). Art. 2. Ficam proibidos em todo o território brasileiro o plantio, a cultura, a colheita e a exploração, por particulares, de todas as plantas das quais possa ser extraída substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica. (BRASIL. Lei nº 6.368, de 21 de outubro de 1976). 16 Porém, esta lei foi revogada pela Lei , em 2006, trazendo novidades importantes em relação à definição de crimes relacionados à produção e ao tráfico de drogas. 15 GOMES, Luiz Flávio. Crime Organizado: que se entende por isso?, Disponível em: <http://webserver.mp.ac.gov.br/wp-content/files/crime_organizado- _que_se_entende_por_isso_depois_da_lei_n_10_217_01_- _Disponvel_em_httpjus.uol.com.brrevistatexto2919crime-organizado-que-se-entende-por-isso-depoisda-lei-no pdf>. Acesso em: 17 mar Veja a lei completa em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6368.htm>.

29 29 Art. 2 o Ficam proibidas, em todo o território nacional, as drogas, bem como o plantio, a cultura, a colheita e a exploração de vegetais e substratos dos quais possam ser extraídas ou produzidas drogas, ressalvada a hipótese de autorização legal ou regulamentar, bem como o que estabelece a Convenção de Viena, das Nações Unidas, sobre Substâncias Psicotrópicas, de 1971, a respeito de plantas de uso estritamente ritualístico-religioso (BRASIL. Lei nº , de 23 de agosto de 2006). 17 Foi a partir desta nova Lei que usuários de drogas deixaram de receber uma pena privativa de liberdade quando apanhados com alguma substância ilícita. 5. INTRODUÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DAS DROGAS As substâncias psicoativas podem, segundo Vieira (et al, 2009), serem classificadas quanto à sua origem, podem ser naturais, semissintéticas ou sintéticas. As drogas naturais são aquelas que estão localizadas na composição química de certas plantas e outros produtos naturais, podendo ser extraídas e purificadas por meio de procedimentos químicos adequados (p. 19). Já as semissintéticas são obtidas a partir da mistura de produtos com as plantas naturais e as sintéticas são totalmente produzidas em laboratórios. 5.1 ENTRADAS DE COCAÍNA E MACONHA NO CENÁRIO NACIONAL A princípio, a cocaína possuía status de remédio estimulante e analgésico. No Brasil, o primeiro contato com a droga ocorreu em 1910, também para usos medicinais (Kurek, 2009). Neste ano, foi publicado na Gazeta Médica, de São Paulo, um artigo enfatizando os benefícios que as pastilhas de cocaína fariam à saúde. Somente em 1921, uma lei criada pelo Congresso Nacional, proibiu a venda da 17 Veja a lei completa em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato /2006/lei/l11343.htm#art75>.

30 30 substância, pois já se sabia que o uso abusivo prejudicava a saúde e causava dependência (Magalhães, 2000). A cocaína é um alcaloide 18 presente nas folhas de duas espécies, Erytroxylum coca e Erytroxylum novogranatense, do vegetal pertencente ao gênero Erytroxylum. Embora sejam conhecidas cerca de 250 espécies desse gênero, somente essas duas são importantes para uso ilícito. O alcaloide é obtido pela extração e purificação com um determinado procedimento químico (Vieira, et al, 2009). Segundo o UNODC (2011), a cocaína se diferencia de outras drogas vegetais, como o ópio e a maconha, por ser possível realizar a colheita das folhas várias vezes ao ano. Vieira (et al, 2009) complementa que o arbusto chega ao seu período adulto após 18 meses de plantação, mantendo-se produtivo de 10 a 30 anos. Existem cinco formas de apresentação da cocaína, sendo: cocaína base, cloridrato de cocaína, crack, merla e free-base, classificadas pelo seu grau de pureza. Vieira (et al, 2009) explica que essas apresentações são usadas de maneiras distintas: injetável (cloridrato de cocaína); inalada (cloridrato de cocaína e cocaína base); e fumada (pasta base, cocaína base, crack, merla e free-base). Já a maconha é uma planta nativa da Ásia, entretanto também é cultivada na África, Índia e países com o clima tropical, como: Brasil, Paraguai, México, Turquia, Irã e outros. Seu nome científico é Cannabis sativa Linneu, outorgado em 1735, por Carl Linneu (Vieira, et al, 2009). No Brasil, segundo Carlini (2005), a maconha foi introduzida em 1549, pelos escravos africanos, que a trouxeram escondido embaixo dos farrapos de pano que trajavam quando para cá vieram. A princípio, os brancos que aqui viviam não se interessaram pelos efeitos medicinais da planta. Apenas na metade do século XIX, quando Jean Jacques Moreau escreveu um ensaio exaltando os efeitos de prazeres e sensações de bem estar que a erva causava, os brasileiros passaram a dar maior atenção para a planta. Em 1905, a classe médica aceitou seus efeitos medicinais, passando a receitá-la para tratamentos de asma e catarros. 18 É uma classe de substâncias nitrogenadas, identificadas inicialmente em certas espécies vegetais que biossintetizam a partir de aminoácidos. A presença do átomo de nitrogênio lhe confere propriedades básicas.

31 31 Somente após a II Conferencia Internacional do Ópio 19, realizada em 1924, em Genebra, que o Brasil começou a pensar em formas de repressão ao uso da maconha. Nesta data, Pernambuco Filho, representante brasileiro no evento, chamou a atenção dos participantes por destacar os malefícios que a maconha causava ao ser humano, chegando a ser considerada, por ele, pior que o ópio, complementa Carlini (2005). Porém, somente em 1938, a maconha veio a ser proibida, em todas suas formas no Brasil. Quando o Decreto Lei nº 891 regulamentou as atribuições da Comissão Nacional de Fiscalização de Entorpecentes (CNFE), criada dois anos antes (OLIVEIRA, 2009). 6. OS LIMITES FRONTEIRIÇOS INTERNACIONAIS DO ESTADO DO PARANÁ O Brasil faz fronteira com dez países: Guiana Francesa, Suriname, República da Guiana, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Uruguai, Argentina e Paraguai, que corresponde, segundo o INL (2011), a km. Sendo que destes, km é fronteira com países produtores de cocaína: Bolívia, Peru e Colômbia. O Paraguai, produtor de maconha, possui km de limite com o Brasil. O Estado do Paraná 20 compartilha 208 km de fronteira com Paraguai e 246 km com a Argentina 21. Apesar de o Paraná possuir 139 cidades na Faixa de Fronteira 22, o trabalho irá focar somente em Foz do Iguaçu e Guaíra, por possuírem delegacias de Polícia Federal 23. O Paraguai possui duas principais rotas para a entrada da maconha no Paraná. A primeira, se direciona à cidade Salto Del Guaíra, onde cruza a fronteira, tanto por terra quanto pelo rio Paraná e chega à cidade brasileira Guaíra. Na outra 19 O ópio tornou-se um problema de saúde mundial, levando a Liga das Nações a realizar Conferências anuais para discutirem quais soluções poderiam ser dadas ao problema (Carlini, 2005). 20 Este trabalho somente irá focar na fronteira Paraná-Paraguai. 21 A Argentina não se destaca no cenário do tráfico internacional de drogas em relação ao Estado do Paraná. 22 A Faixa de Fronteira compreende uma faixa interna de 150 km de largura, paralela à linha divisória terrestre do território nacional (IBGE, 1999). 23 Este assunto será abordado com mais detalhes no próximo tópico.

32 32 rota alternativa, a droga sai de Ciudad del Este e entra no Brasil por Foz do Iguaçu que também é a principal rota de cocaína no Paraná (PIRES, 2011). A cidade de Guaíra localiza-se no Oeste do Estado do Paraná, às margens do Rio Paraná, fronteira com as cidades de Salto del Guairá Paraguai - e Novo Mundo Brasil. (Carlos, 2011). Em 1872, quando o Tratado de Limites, demarcou os países de Brasil e Paraguai, a cidade foi fundada como parte do território brasileiro 24. Em 2010, segundo dados do IPARDES (2010), Guaíra possuía habitantes, em uma área total de 568, 845 km². Foz do Iguaçu, por sua vez, recebeu seus primeiros habitantes em 1881, contabilizando, neste ano, 324 pessoas. O censo demográfico de 2010 aponta que há habitantes. A cidade possui uma área total de 617,71 km² e faz divisa com Itaipulândia, Santa Terezinha de Itaipu, São Miguel do Iguaçu, Puerto Iguazú (Argentina) e Ciudad del Este (Paraguai) 25. Os acessos à Foz do Iguaçu podem ser terrestres, através da Rodovia Federal BR-277 (Brasil), Ponte Internacional da Amizade (Paraguai) e Ponte Internacional Tancredo Neves (Argentina); fluvial, que se dá pelos rios Paraná e Iguaçu e pelo Lago de Itaipu e; aéreo, pelo Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu. 6.1 A TRÍPLICE FRONTEIRA ENTRE ARGENTINA, BRASIL E PARAGUAI O Brasil possui nove 26 tríplices fronteiras em seu território, porém para este trabalho somente a do Brasil, Paraguai e Argentina será considerada, já que se trata 24 Prefeitura Municipal de Guaíra. História. Disponível em: <http://www.guaira.pr.gov.br/?pg=historia01>. Acesso em: 22 de mar Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu. Dados Socioeconômicos de Foz do Iguaçu Disponível em: <http://www.fozdoiguacu.pr.gov.br/portal/visualizaobj.aspx?idobj=12569> Acesso em: 21 mar Tríplices Fronteiras do Brasil: 1. Paraguai-Argentina. 2. Uruguai-Argentina. 3. Bolívia-Paraguai. 4. Bolívia-Peru. 5. Colômbia-Peru. 6. Colômbia-Venezuela. 7. Guiana-Venezuela. 8. Guiana-Suriname. 9. Guiana Francesa Suriname (Campana, 2011, p.31).

33 33 da relação entre as cidades-gêmeas 27 de Foz do Iguaçu, Ciudad del Este e Puerto Iguazú. A importância dessas cidades, de acordo com Campana (2011) começa a surgir a partir da construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, na década de 70, gerando empregos e chamando a atenção da população para esta região. O crescimento populacional gerou criação de áreas comerciais e o interesse de imigrantes nos recursos naturais que lá existem. Porém, ocorreu o ônus do crescimento, a violência e o tráfico de drogas tornaram-se um problema para a segurança nacional. Souza (2009) aponta que, a região se transformou, aos poucos, em um espaço de pouca preocupação das autoridades, deixando que o crime organizado tomasse conta da fronteira por quase 20 anos. Somente em 1988, o Brasil estabeleceu um sistema de controle fronteiriço, designando órgãos públicos para a segurança e prevenção do tráfico de drogas. 7. O SURGIMENTO DA POLÍCIA FEDERAL NO BRASIL A Polícia Federal no Brasil tem origem no ano de 1944, durante o governo de Getúlio Vargas, enquanto o Distrito Federal ainda era localizado na cidade do Rio de Janeiro. Em 28 de março, o Decreto-Lei nº 6378 transformou a Polícia Civil em Departamento Federal de Segurança Pública (DFSP), ficando decidido, desde então, que as funções de segurança pública, segurança das fronteiras, mares e espaço aéreo, controle de estrangeiros no território nacional, combate ao comércio de entorpecentes e crimes contra a fé pública, seriam desse novo órgão (Bernardo e Viana da Silva, 2004). Na metade da década de 50, a cidade de Brasília estava em fase de construção para se tornar a nova capital do país, não tendo ainda uma administração oficial. Porém, já havia um crescimento populacional desordenado, de 27 É comum o aparecimento de núcleos urbanos simetricamente dispostos dos dois lados de um limite internacional em várias regiões do mundo. Dessa proximidade deriva intenso intercambio de pessoas, serviços, capitais e informação (House, 1980 apud NETO, 2003, p.03).

34 34 pessoas vindas de diversas partes do país para trabalhar. Entre elas surgiam os primeiros casos de assaltos aos comerciantes e operários que trabalhavam na edificação da cidade, sendo necessária a criação imediata da Guarda Civil Especial de Brasília (GEB), que fazia parte do Departamento Regional de Polícia de Brasília (DRPB), criado pelo então governador do Estado de Goiás 28. Com o término da construção de Brasília, o DFSP foi transferido para o novo Distrito Federal. Como grandes partes dos seus funcionários optaram por permanecer no Rio de Janeiro, o departamento chegou defasado à cidade, necessitando de uma reformulação. No dia 21 de abril de 1960, data de inauguração de Brasília, o DRPB foi incorporado ao DFSP (Bernardo e Viana da Silva, 2004). O Decreto-Lei n 200/67 estabeleceu que o DFSP fosse chamado de Departamento de Polícia Federal (DPF). No mesmo ano, a Constituição Federal, no artigo 8, inciso VII, atribuiu à União a competência de organizar e manter o Órgão (Goersch, 2009). Art. 1º O Departamento de Polícia Federal - DPF, órgão permanente, específico singular, organizado e mantido pela União, e estruturado em carreira, com autonomia orçamentária, administrativa e financeira, diretamente subordinado ao Ministro de Estado da Justiça, tem por finalidade exercer, em todo o território nacional, as atribuições previstas no 1 do art. 144 da Constituição Federal, no 7º do art. 27 da Lei nº , de 28 de maio de 2003 (PORTARIA N de 30 de dez. De 2011). O DPF possui 27 unidades de Superintendências Regionais, subordinadas à Direção Geral do Órgão; 97 delegacias descentralizadas, subordinadas às Superintendências de cada Estado; 15 delegacias especiais; 16 postos temporários; um posto permanente; dois centros de treinamento e 13 adidâncias 29 (PRUDENTE 2009). 28 Departamento de Polícia Federal. História. Disponível em: <www.dpf.gov.br/institucional/historia>. Acesso em: 26 mar Representação de um órgão público em outro país.

35 A ESTRUTURA DA POLÍCIA FEDERAL NO ESTADO DO PARANÁ O Paraná possui uma Superintendência Regional, situada em Curitiba, responsável por um posto no Aeroporto Internacional Afonso Pena e por oito delegacias descentralizadas 30, sendo Cascavel, Foz do Iguaçu, Guarapuava, Guaíra, Londrina, Maringá, Paranaguá e Ponta Grossa 31. Atuam no Estado cerca de 100 delegados e 380 agentes, sendo que somente na fronteira são 31 delegados e 180 agentes. Com a atribuição de zelar pela segurança das fronteiras, a Polícia Federal no Estado do Paraná conta, nesta área, com duas delegacias, Foz do Iguaçu e Guaíra, sendo estas responsáveis por diversas cidades 32, de menor tamanho, localizadas próximo a elas 33. Para auxiliar na atuação da Polícia Federal na fronteira, as delegacias contam com cerca de 30 embarcações, controladas pelo Núcleo Especial de Polícia Marítima (NEPOM), 150 viaturas ostensivas e um veículo aéreo não tripulado (VANT), em fase de testes. A Polícia Federal se faz presente nas entradas aéreas, terrestres e lacustres da fronteira através da Unidade de Cães de Serviço, do Posto de Fiscalização na Ponte Internacional da Amizade, do Posto de Fiscalização no Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, além dos trabalhos realizados nas rodoviárias e estradas federais. 30 O trabalho irá focar somente nas delegacias da fronteira, que são Foz do Iguaçu e Guaíra. 31 Departamento de Polícia Federal. Disponível em: <http://www.dpf.gov.br/institucional/pf-pelobrasil/parana>. Acesso em: 24 mar Foz do Iguaçu: Céu Azul, Entre Rios do Oeste, Foz do Iguaçu, Itaipulândia, Matelândia, Medianeira, Missal, Ramilândia, Santa Helena, Santa Terezinha de Itaipu, São Miguel do Iguaçu e Serranópolis do Iguaçu. Guaíra: Alto Piquiri, Altônia, Brasilândia do Sul, Cafezal do Sul, Cidade Gaúcha, Cruzeiro do Oeste, Douradina, Esperança Nova, Francisco Alves, Guaíra, Guaporema, Icaraíma, Iporã, Ivaté, Marechal Cândido Rondon, Maria Helena, Mariluz, Nova Olímpia, Mercedes, Pato Bragado, Perobal, Pérola, Rondon, São Jorge do Patrocínio, Tapejara, Tapira, Terra Roxa, Tuneiras do Oeste, Umuarama, Alto Paraíso e Xambrê. 33 Portaria de nº. 2099/2011-DG/DPF, de 15 de fevereiro de 2011.

36 POLÍCIA FEDERAL NO COMBATE AO TRÁFICO DE DROGAS Para Pontes (2009), a reestruturação de organizações do tráfico de drogas contribuiu para que um novo fenômeno atingisse intensamente a economia, a segurança e a política de todos os países na esfera mundial. Os governantes tiveram que aprimorar ou criar formas de repressão para tentar barrar o crescimento dessa modalidade criminosa. A Polícia Federal se muniu dos mais variados meios de locomoção para superar as formas de ocultação da entrada de drogas no país. O tráfico de drogas se especializou em disfarçar o transporte de maconha e cocaína, sendo que, a principal distinção entre elas, é a quantidade transportada em cada carregamento. Pois, segundo Kurek (2009), o carregamento de maconha é feito em maiores quantidades, por ser mais leve e mais barato. Por este motivo, normalmente, a maconha entra no país, camuflada, dentro de carros e caminhões, por exemplo, caminhões tanques são preparados com divisórias para separar a droga da carga lícita. Já a cocaína também é transportada em veículos, porém pelo seu alto valor de mercado, as organizações priorizam o carregamento em menor escala para evitar prejuízos. Além de locais preparados no veículo, já foram catalogadas diversas formas de transporte de entorpecentes ocultos em cargas e objetos, tais como, rodas, assoalhos e portas de veículos; em meio a carregamentos de grãos alimentícios; em bagagens despachadas em terminais rodoviários e aeroportos; em materiais de construção civil, como cimento e tijolos; no interior de equipamentos eletrônicos; em peças produzidas em madeira, interior de brinquedos, em peças de vestuários, em papel embebido na cocaína, no interior de latas contendo massas em geral, dentre outras formas (Castro, 2009, p. 47). A cocaína também pode ser transportada diluída em alguns líquidos, como óleo diesel, creme para cabelo, cachaça, latas de refrigerante, detergente (p.48), acondicionada ao corpo e ingerida dentro de cápsulas em gel. Mesmo que, a cocaína perca suas características físicas originais, o processo de reversão para o estado inicial da droga, permite que ela continue com efeitos alucinógenos (Kurek, 2009). Porém, Vieira (et al, 2009) afirma que, para a Polícia Federal, a apreensão das drogas e a prisão de mulas não é objetivo final, pois o foco é desmantelar a

37 37 organização criminosa como um todo. Para que isto ocorra, diversas formas de investigação são adotadas, geralmente começam através de denúncias que serão apuradas por meios de vigilâncias, consulta aos arquivos policiais e, após a prisão, interrogatório dos envolvidos. O autor conclui que o Brasil não pode fechar suas fronteiras para acabar com o tráfico de drogas, entretanto, é importante que medidas de investigação e repressão sejam usadas de maneira eficaz. De acordo com o Boletim Estatístico da Polícia Federal 34, entre janeiro e abril de 2012, foram apreendidas cerca de 24 toneladas de maconha e aproximadamente 6,4 toneladas de cocaína no Brasil. O Paraná lidera, entre todos os Estados, em quantidade de apreensão de maconha, com 6.307,44 kg. Somente Foz do Iguaçu, cidade brasileira que mais apreendeu maconha nesse período, totalizou 4.672,67 kg. Guaíra, sétima colocada no ranking, apreendeu 597,38 kg. Em relação à cocaína o Estado do Paraná é o quinto em quantidade de apreensões, com 435,71 kg. Devido à localização geográfica, Foz do Iguaçu aparece em oitavo na lista da Polícia Federal, com 222,67 kg. Guaíra, apesar de não apresentar grande quantidade de apreensões, também aparece na lista com o total de 12,18 kg. 8. A REPRESENTAÇÃO DA POLÍCIA FEDERAL NA MÍDIA A mídia propõe uma relação de cumplicidade e confiança com o público. Guareschi (2007) afirma que, por este motivo, ela alcança um poder, causando efeitos diretos na sociedade, as pessoas passam a acreditar fielmente naquilo em que recebem da imprensa. Bernardes (2010) ressalta que um dos temas abordados pela mídia é a questão de segurança pública. A violência é retratada nos meios de comunicação diariamente, desviando o foco de outros problemas sociais, como educação, moradia e saúde, existentes no país. 34 Boletim Estatístico nos anexos, p.193.

38 38 Não há que se olvidar que a mídia lucra muito com a criminalidade, haja vista a proliferação de programas de rádio e televisão de cunho policial, onde são exploradas situações delituosas de todas as formas, tendo como participantes os membros da corporação policial em todas as suas alçadas, a população em geral, e até de integrantes do Poder Judiciário, que detalham para repórteres como determinadas circunstâncias se desenvolveram (Bernardes, 2010, p. 274). Por este interesse da mídia pela divulgação da criminalidade, os órgãos policiais tiveram que se adaptar ao método de repassar informações básicas sobre as ações. No caso da Polícia Federal, explica Alves (2006), a mudança foi expressiva a partir de Antes não estabeleciam relações com a imprensa e depois passaram a promover uma superexposição institucional, apresentando para a sociedade suas operações, atraindo o interesse da mídia e da população. O perfil peculiar de grande parte dos presos e investigados nestas operações - empresários, políticos, magistrados, delegados e agentes policiais, fiscais, dentre outros - funciona como atrativo adicional para o interesse do público e da mídia. Para a opinião pública, em termos simbólicos, a prisão de ricos e poderosos, soa como um alento à sensação generalizada de impunidade e corrupção, principalmente em relação aos que detém poder políticoeconômico ou prestígio social (Alves, 2006, p. 78). Etchichury Junior (2011) observa que, a partir do momento em que as operações com prisões de pessoas do alto escalão social passaram a serem retratadas na mídia, os meios de comunicação tiveram de se adaptar, buscando profissionais capacitados no campo de segurança pública. Antropólogos e psicanalistas passaram a analisar, junto a profissionais judiciários, ações como tráfico de drogas e chacinas no âmbito jornalístico. Com essa exposição, a maior beneficiada é a sociedade, pois passa a conhecer os fatos, que antes não lhes eram relatados, possibilitando uma interpretação dos problemas enfrentados na comunidade (CRUZ, 2009).

39 39 9. PROBLEMA Como um videodocumentário institucional jornalístico pode abordar a atuação da Polícia Federal contra o tráfico de drogas na fronteira Brasil (Paraná) Paraguai (Canindeyú e Alto Paraná)? 10. OBJETIVO GERAL Levantar discussões, através de um videodocumentário institucional jornalístico, sobre a relação entre o tráfico de drogas na fronteira e o combate adotado pela Polícia Federal OBJETIVOS ESPECÍFICOS Apresentar detalhes da atuação da Polícia Federal contra o tráfico de drogas na fronteira do Paraná. Mostrar, por meio das informações internas da Instituição, a atuação da Polícia Federal, as rotas do tráfico de drogas e as consequências na sociedade. Trazer elementos da comunicação institucional para um videodocumentário jornalístico.

40 JUSTIFICATIVA O trabalho visa abordar o combate ao crime organizado, especificamente o tráfico de drogas, na fronteira Brasil (Paraná) Paraguai (Canindeyú e Alto Paraná) sob o olhar da atuação da Polícia Federal 35. Este trabalho se justifica a partir do momento em que, o crime organizado age contra a paz, a segurança e o desenvolvimento socioeconômico. Além disso, é prejudicial ao meio ambiente, aos direitos humanos, à democracia e à governança (p. 05), ou seja, pretende ressaltar o impacto causado por essas organizações (UNODC, 2009). O principal é a violência, que causa temor na população. Segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA, 2011), a percepção de ameaça 36 se destaca para o crime organizado. 54,2% dos entrevistados, no Brasil, admitem o medo das consequências, em suas vidas, das ações realizadas pelos integrantes das associações ilícitas. Além do crime organizado, o trabalho também possui uma relevância social importante, na medida em que, o Brasil possui cerca de 900 mil usuários de cocaína e três milhões de usuários de maconha, sendo que, as maiores incidências ocorrem nas regiões de fronteira (UNODC, 2009). O alto consumo leva a diversos tipos de problemas, primeiro em relação aos males causados aos usuários, como produção ou agravamento de doenças, queda no desempenho profissional, conflitos familiares e transtornos mentais, segundo por gerar acidentes de trânsito, brigas, homicídios e disputas entre organizações criminosas, aumentando, consideravelmente, os índices de violência (ACOSTA, 2011). Por sua vez, a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad, 2009) ainda salienta a questão da saúde pública, quando o Sistema Único de Saúde (SUS) transfere verbas que poderiam ser usadas em tratamentos diversos, para atender as demandas dos usuários de drogas. Somente em 2007, registraram-se 35 De acordo com a pesquisa qualitativa apresentada na p. 122, a Argentina não é considerada rota oficial para entrada de cocaína no Brasil e não se caracteriza como rota de maconha, nem de forma alternativa. 36 Representa ou pode vir a representar, para os brasileiros, algum tipo de ameaça à sua sobrevivência, bem-estar ou condição social e política, bem como à integridade do país e das instituições nacionais (IPEA, 2011, p. 04).

41 41 aproximadamente 135 mil internações relacionadas ao consumo de substâncias entorpecentes. A grande procura pelas drogas aumentou o interesse dos traficantes que buscam o lucro em suas atividades. Por consequência, a Senad (2009) mostra, através de dados da Polícia Federal, que em 2001, três mil pessoas foram indiciadas 37 por este crime, já em 2007, houve um considerável aumento nestes indiciamentos, passando para cinco mil. Optou-se por uma pesquisa qualitativa, visando que o conhecimento presencial dos agentes e delegados da Polícia Federal pode trazer informações práticas, não encontradas nas teorias. Dantas e Cavalcante (2006) afirmam que a pesquisa qualitativa possui um caráter exploratório, pois instiga os entrevistados a analisarem livremente o tema. A pesquisa é utilizada quando se procura um entendimento profundo sobre uma questão. Para mostrar, com riquezas detalhes, a relação entre crime organizado, tráfico de drogas e as ações de repressão da Polícia Federal, o trabalho usará a mídia visual, através de um videodocumentário jornalístico. Portela (2010) explica a importância da imagem para a compreensão de um determinado assunto, pois traz uma clareza perante situações e momentos diversos, já que somente as palavras deixam lacunas que dificultam o entendimento. O registro da imagem, segundo Carrière (2006), é um importante elemento da história, pois se caracteriza como objeto de investigação. Ainda acrescenta que, em alguns anos, não será possível ensinar história sem utilizar os meios midiáticos. Em toda trajetória histórica do documentário, desde o início do século passado, os assuntos abordados no cinema ou na televisão sempre envolveram a realidade de determinados fatos ou pessoas. Com isso, reforçase a teoria de que ele pode ser um importante instrumento para o conhecimento real dos acontecimentos, de maneira a compreender os mecanismos de construção daquela realidade. Nesse sentido destaca-se o papel da televisão e do jornalismo, na difusão das informações pertinentes ao desenvolvimento crítico da sociedade, com o vídeo documentário. (ZANDONADE e FAGUNDES, 2003) 37 Pessoas indiciadas passam pelo procedimento do inquérito policial, que é todo procedimento destinado a reunir os elementos necessários à apuração da prática de uma infração penal e de sua autoria. Trata-se de uma instrução provisória, preparatória, informativa, em que se colhem elementos por vezes difíceis de obter na instrução judiciária, como auto de flagrante, exames periciais etc (MIRABETE, 2006, p. 60).

42 42 Nichols (2005) ressalta que os documentários estimulam o desejo de saber mais sobre determinado assunto nas pessoas, ativa a percepção de consciência social, propõe a seu público que compartilhe seus conhecimentos com aqueles que desejam saber. O videodocumentário, que aborda apenas a visão da Polícia Federal sobre o tráfico de drogas e a atuação do Órgão contra o crime organizado, foi definido como um produto institucional, direcionado para uma comunicação dirigida. Salienta-se que este videodocumentário não pretende apresentar dados quantitativos sobre o efetivo, viaturas, entre outros. O objetivo é mostrar qual é a forma de atuação da Polícia Federal contra o tráfico de drogas. Sarti e Muller (2008) afirmam que um documentário institucional é uma maneira de prestar contas à sociedade. O vídeo pode se dirigir a um público específico, sem utilizar os meios massivos de comunicação, normalmente empregados para as campanhas publicitárias das Instituições. O videodocumentário é uma ferramenta empregada para apresentar detalhes e peculiaridades, que apenas o papel ou as palavras não conseguiriam reforçar, por isso é uma aliada das Instituições (Zanetti, 2010). O didatismo desta ferramenta de comunicação facilita a assimilação dos conteúdos que ganham força com o impacto dos recursos audiovisuais. A transmissão das informações fica mais leve, natural e até divertida. Um vídeo bem planejado e produzido encurta o tempo das apresentações, tem mais precisão, principalmente quando for necessário mostrar muitas informações de uma só vez (Zanetti, 2010, p. 08). Kunsch (2003) conclui que as Instituições precisam criar uma identificação com o público, por isso utilizam os meios orais, escritos, audiovisuais, entre outros, para criarem um sujeito institucional que se relaciona com a população. 12. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Nesta etapa do trabalho o debate gira em torno da teoria de controle social para o embasamento do tema e a teoria de videodocumentário para fundamentar a escolha do produto.

43 O CONTROLE SOCIAL DA SOCIEDADE CIVIL NAS AÇÕES DO ESTADO Há duas formas de controle social, de acordo com Oliveira Machado (2011), sendo a primeira o controle do Estado sobre a sociedade civil e a segunda, a sociedade civil sobre as ações do Estado. Bresser Pereira (1995) define sociedade civil como classes sociais e grupos que juntos formam a população. Já o Estado, é uma estrutura organizacional e política. O Estado firma com a sociedade civil um contrato social, onde a população cede parte da liberdade para, em troca, o Estado manter a ordem ou garantir os direitos de propriedade e a execução dos contratos (p. 88). Pionório (et al, 2009) também define o controle social como uma troca entre sociedade e Estado, porém classifica em instâncias formais e instâncias informais. Os agentes informais do controle social são: a família, a escola, a profissão, a opinião pública, etc. Os agentes formais são: a polícia, a justiça, a administração penitenciária, etc (p. 07). Para Pionório (et al, 2009) os agentes informais procuram acondicionar a sociedade a viver dentro dos padrões estabelecidos. Quando estes falham, entram em ação os agentes formais. Cabe também à instância informal reprimir condutas impróprias praticadas pelos agentes do Estado. Foucault (2004) afirma que o controle/poder possui uma relação descendente, ou seja, parte do Estado e, através de instrumentos, como a disciplina, se encaminha à população. Deleuze (2005) aponta que, para Foucault, o poder é um conjunto de forças, que transita pelos dominadores e apoia-se nos dominados, que lutando contra esse poder, usam os pontos afetados pelo próprio poder para se apoiarem. A "disciplina" não pode se identificar com uma instituição nem com um aparelho; ela é um tipo de poder, uma modalidade para exercê-lo, que comporta todo um conjunto de instrumentos, de técnicas, de procedimentos, de níveis de aplicação, de alvos; ela é uma "física" ou uma "anatomia" do poder, uma tecnologia (Foucault, 2004, p. 177). Porém, várias instituições, como escolas, exército e indústrias, aplicam a disciplina, ou seja, exercem um controle/poder para induzir as pessoas a

44 44 funcionarem sob a ordem e a obediência. A disciplina fixa, paralisa os movimentos, soluciona as aglomerações, domina as forças, entre outros. A força policial também possui o objetivo de reforçar e exercer a ordem disciplinar. A aplicação da disciplina não é somente institucional, mas cultural, pois as pessoas precisam estar preparadas para recebê-la (Foucault, 2004). Além da disciplina, Foucault (2004) conclui que há vigilância e punição. A vigilância é uma maneira de verificar se as pessoas estão se portando da maneira correta e a punição é um modo de corrigir as pessoas que infringiram as regras da sociedade. A vigilância e a punição também se encontram nas Instituições. O objetivo de disciplinar, vigiar e punir é criar pessoas que se comportam como sujeitos dóceis. Althusser (1970) enfatiza que o aparelho repressivo de Estado, como a polícia e os presídios, trabalham através da violência e atuam de forma segura dentro dos chamados aparelhos ideológicos: igrejas, famílias, escolas, etc. Além disso, o diferencial entre os dois modelos é que no repressivo há uso da violência, física ou não, e o ideológico atua com ideologia. Porém, conclui que não há aparelho puramente repressivo. Exemplos: o Exército e a Polícia funcionam também pela ideologia, simultaneamente para assegurar a sua própria coesão e reprodução pelos valores que projetam no exterior (p. 47), assim como também não há aparelho puramente ideológico. O aparelho repressivo de Estado atua de maneira massivamente prevalente pela repressão, já os aparelhos ideológicos de Estado operam de maneira massivamente prevalente pela ideologia. Cunha (2003) afirma que o controle da sociedade no Estado possui como pilar a fiscalização das ações públicas, mas procura também dar opções e ideias para melhorar as ações do Estado, além de promover a participação da população nas decisões públicas. O controle da Gestão Pública tem a finalidade de se firmar como um espaço de co-gestão entre Estado e sociedade (p. 02) para fornecer uma cidadania ativa e possibilitar uma maior transparência no uso dos recursos públicos e na responsabilidade dos gestores. Estamos falando de uma relação direta entre atores da sociedade civil e do Estado, que deve incluir desde a troca de informações, debate, deliberação e/ou intervenção sobre ações do Estado, gestão pública e políticas públicas em todas as suas fases desde a sua definição até a fiscalização e avaliação de sua implementação, sempre visando a partilha de poder entre Estado e

45 45 sociedade, defendendo o interesse público e respeitando a autonomia dos atores da sociedade civil (Serafim, 2008, p. 02). Para existir uma troca perfeita entre as ações do Estado e o acompanhamento do cidadão, Serafim (2008) complementa que, a sociedade deve fazer parte dos debates, das discussões e, também, defender interesses da população geral e não de grupos específicos. Noce (2008) conclui que o controle da sociedade civil no Estado pode ser definido como participação cidadã e é uma participação qualificada, pois atuam no aparelho burocrático ou em processos decisórios. Soares Ferreira (2005) interpreta o controle social como uma qualidade da sociedade civil, pois permite aos cidadãos controlar as ações do Estado para que o interesse da sociedade não seja contrariado. Por isso, há instituições e pessoas que atuam como coerção do próprio poder público. Além da sociedade civil, Soares Ferreira (2005) afirma também que, existem organizações formais, estabelecidas por lei, que atuam no controle social do Estado, como: Tribunais de Contas, as Casas Legislativas municipais e o Ministério Público. Os meios de comunicação também são uma forma de controle, pois buscam debater os problemas da sociedade. Meksenas (2005) também destaca a imprensa como controladora social. A comunicação torna públicas as ideias, valores, crenças e práticas vividas por uma coletividade. Pela comunicação, somos capazes de nos organizar em reflexão e na solução dos problemas vividos no cotidiano social (p. 11). Meksenas (2005) nomeia esta comunicação de 'social intencional e ativa', onde visam tornar público problemas vividos. O autor destaca que o Estado precisa estar munido também de práticas comunicativas, para apresentar ao público as políticas e ações. Portanto, o controle social praticado pela sociedade torna-se importante a partir do momento que a população passa a zelar pelos interesses da comunidade (Bresser Pereira, 1995).

46 O ESTADO COMO CONTROLADOR SOCIAL Já neste item, a análise acontece pelo outro lado: o controle social visto através da perspectiva do Estado, o controle formal, que é exercido por diversos órgãos públicos visando à repressão de pessoas que não respeitam as regras sociais. Pionório (et al, 2009) explica que a sociedade espera que pessoas que cometem o desvio social sejam disciplinadas a fim de manter o equilíbrio social necessário para se viver em uma comunidade. Considerando o Controle Social como aquele praticado pelo Estado sobre a sociedade civil, Coutinho (2002) afirma que o objetivo do controle é proteger e defender a sociedade dos indivíduos que exponham algum comportamento periculoso. A violência, a criminalidade e o narcotráfico, de acordo com Machado da Silva (1999), são alguns dos problemas cotidianos mais graves que atingem a sociedade, pois provocam ameaça à integridade física e à propriedade privada. Adorno (2002) complementa que o narcotráfico prejudica e amedronta todas as classes sociais. Este é um daqueles problemas que afeta toda a população, independentemente de classe, raça, credo religioso, sexo ou estado civil. São consequências que se refletem tanto no imaginário cotidiano das pessoas como nas cifras extraordinárias representadas pelos custos diretos da criminalidade violenta (BEATO FILHO, 1999, p. 01). Correia (2005) afirma que, para diminuir a ocorrência destes problemas diários, é necessário disciplinar os indivíduos envolvidos aos padrões e princípios impostos pela sociedade, utilizando um controle social. Bobbio, Matteucci e Pasquino (1988) explicam que os conjuntos de intervenções, positivas ou não, colocadas por uma comunidade para garantir que os membros se adaptem e se conformem às normas estabelecidas são entendidas como controle social. Bobbio, Matteucci e Pasquino (1988) completam que o Estado deve, como função, impor limites à liberdade de indivíduos e grupos visando à ordem pública. Para isso, é necessário que designe um órgão que fique competente dessas atribuições. E é neste sentido que a polícia age coercitivamente para com a sociedade.

47 47 A polícia, segundo Battibugli (2009), é uma das responsáveis pelo controle social em um país, em relação à questão da ordem pública. Sendo que, quando necessário, dentro das leis nacionais, utilize-se de meios coercitivos para a preservação da paz. Ela possui a função de resolver de modo rápido situações inesperadas, zelar pela moralidade, além de proteger a vida e a propriedade privada e pública. A polícia, como um todo, presta serviços à comunidade, através do controle social. A polícia como agente do Estado reflete, até certo ponto, em suas ações, as diretrizes governamentais, ainda que tenha relativa margem de autonomia para estruturar e realizar tarefas de policiamento. A polícia é, portanto, uma instituição chave para se avaliar a efetividade dos valores democráticos de um país, de seu governo e sua sociedade (Battibugli, 2009, p. 51). Paixão (1997) afirma que o Estado monopoliza o uso da força policial dentro das leis para garantir a proteção pública e estatal dos cidadãos. Portanto, torna-se permitido a aplicação coercitiva das normas, visando que o direito à propriedade e à vida dos indivíduos seja garantido. Pinório (et al, 2009) completa que a policia possui habilidades e orientação para exercer este controle social, sendo que, quando necessário, utilize de meios mais repressores e agressivos. Desta forma, Maranhão Costa (2004) analisa que a polícia exerce vários papéis no controle social, podendo assumir o papel central dentro do Estado ou apenas complementar a ação de controle social exercida pela sociedade civil. E ainda pode reconhecer e administrar a existência de conflitos sociais. Caetano (1977, apud Lazzarini, 1995) observa que não existe o conceito de polícia, se não houver a ideia de Estado, pois eles se completam. Numa sociedade policiada, como se dizia em português clássico, há de estar garantida a convivência pacífica de todos os cidadãos de tal modo que o exercício dos direitos de cada um não se transforme em abuso e não ofenda, não impeça, não perturbe o exercício dos direitos alheios (p. 73). O Estado deve conter os excessos da sociedade para garantir que haja um equilíbrio entre os direitos individuais e coletivos. Surge, então, o dever da polícia em controlar os limites de liberdade particular dos cidadãos (TACITO, 2001). Portanto, Jesus (2008) complementa que, para o Estado zelar pela paz e segurança social, necessita de uma autoridade que lhe é concedida pela própria

48 48 sociedade, que renuncia de liberdades individuais para respeitar os direitos coletivos, representados pelas leis. As leis surgem no corpo político para assegurar as liberdades públicas e a autoridade do governo, ao mesmo tempo em que protegem os membros da comunidade, restabelecendo, pelo viés do Direito, a liberdade natural dos homens. Ainda, pela lei, é assegurado ao Estado o exercício dos poderes que lhe foram conferidos respeitando a vontade geral (Jesus, 2008, p. 37). No caso da relação existente entre o Estado, aqui representado pela Polícia Federal, e a sociedade brasileira, conclui-se que a autoridade e o controle social exercidos vêm de uma lei federal, que procura manter a ordem e a segurança do país. Quaresma (1999) explica que, segundo Weber, o poder do Estado só existe se um conjunto de pessoas obedecerem às autoridades designadas por eles e que estas pessoas reconheçam a autoridade como legitima. Neste sentido, Bobbio, Matteucci e Pasquino (1988), explicam que, focalizando em autoridade como fonte de poder e analisando o âmbito social, podese dizer que quem possui autoridade tem o direito de exercer o poder sobre determinada pessoa e quem está sujeito a obedecer a essa autoridade, deve seguir suas diretrizes. Pode-se dizer que a Autoridade é a aceitação do poder como legítimo que produz a atitude mais ou menos estável no tempo para a obediência incondicional às ordens ou às diretrizes que provêm de uma determinada fonte. Naturalmente, isto se verifica dentro da esfera de atividade à qual a Autoridade está ligada ou dentro da esfera de aceitação de Autoridade. É evidente, na verdade, que uma relação de Autoridade como toda e qualquer outra relação de poder diz respeito a uma esfera que pode ser mais ou menos ampla ou mais ou menos explícita e claramente delimitada (Bobbio, Matteucci e Pasquino, 1988, p. 08). Sennett (2001) ressalta que a palavra autoridade é vista com medo. Teme-se que a autoridade passe a ter uma influência em relação à liberdade, tanto no âmbito familiar quanto no social. Porém, destaca que a autoridade é fundamental para o convívio social. Maranhão Costa (2004) explica que apesar da importância da autoridade em uma sociedade, há autoridades que praticam o abuso da violência, que podem ser interpretadas de três formas distintas. No ponto de vista jurídico, o policial usa a força sem autorização legal; na visão sociológica, utilizam da força admitida e até mesmo justificada para, por exemplo, controlar uma greve ou

49 49 manifestação; e por fim, Klockars (1996, apud Maranhão Costa, 2004) afirma que existe a percepção profissional, na qual um agente usa mais força que do um policial bem treinado acharia necessário empregar (p. 109). Araújo, Fernandes e Viana (2004) explicam que essa ambiguidade em relação à importância da autoridade deve-se a existir duas vertentes sobre o seu conceito. Eles explicam que Weber entende autoridade e poder como um recurso que um grupo possui para obrigar as pessoas a agirem de acordo com seus interesses. Já Sennett (2001), vê a autoridade e o poder como algo existente nas relações sociais, independente de recursos utilizados. Costa (2005) acrescenta que, importante ou não para a sociedade, a autoridade e o controle social existem, em todas as esferas sociológicas. É difícil imaginar a existência de uma sociedade que não adote qualquer dispositivo de segurança, visando à contenção das condutas que ameaçam a sua própria ordem (p.56). E mais, salienta que a autoridade vem de normas, o que confere para os detentores de autoridades o poder de coerção, com o objetivo único de impor disciplina. Então, para representar a atuação da Polícia Federal como um dos responsáveis pelo controle social, o trabalho optou por utilizar um vídeodocumentário O VIDEODOCUMENTÁRIO COMO EXPRESSÃO DA REALIDADE O documentário, de acordo com Machado (2006), é um produto, onde a realidade é representada, de maneira ampla, através de imagens que, transmitem uma mensagem ao telespectador. Ribeiro e Moreira (2009) acrescentam que, o documentário retrata os espaços e momentos, factuais ou miméticos, de uma determinada realidade (p. 02). Ramos (2008) complementa que, além do documentário narrar com imagens, ele também estabelece asserções sobre o mundo, na medida em que haja um espectador que receba essa narrativa como asserção sobre o mundo (p. 29).

50 50 Mesmo com denominações diferentes, Nichols (2005) observa que todo filme é um documentário (p. 26) e classifica-o em dois tipos: o primeiro, onde todo o filme serve para satisfazer os desejos que, são as ficções; e o segundo, que é o filme de representação social e procura apresentar novas visões da realidade. Mas, Penafria (2003) propõem, em vez de assumir que todo filme é um documentário, adotar a atitude documentarista, a atitude de documentar, de registrar ações ou sentimentos, quer tenham efetivamente ocorrido ou não no nosso mundo (p. 08). O documentário se utiliza de técnicas do próprio cinema como: escolhas de planos, preocupações estéticas de enquadramento, iluminação, montagem, separação das fases de pré-produção, produção, pós-produção e outros. Mas, para ter a característica de ser uma reprodução do real, o documentário precisa respeitar algumas convenções: a não direção de atores, o uso de cenários naturais, as imagens de arquivo e a câmera ao ombro (Penafria, 2001). Apresentar novos modos de ver o mundo ou de mostrar aquilo que, por qualquer dificuldade ou condicionalismos diversos, muitos não vêm ou lhes escapa, é então a principal tarefa de um documentarista. Estes muitos a que me refiro, podem ser os espectadores ou os próprios intervenientes 38 de um filme (Penafria, 2001, p. 07). Nichols (2005) conclui que os documentários são representações, visões do mundo, e não são apenas reproduções ou réplicas da realidade. Além de representar o mundo, o documentarista, segundo Penafria (2001), intervém na realidade ao exercer e mostrar seu ponto de vista. O documentarista interage com o mundo. Mas, para Spuldar (2005) o documentário não é um registro completo do que o documentarista pretende retratar. É uma visão fragmentada. A escolha das imagens, da edição, das falas transforma a realidade em fragmentos. Penafria (2003) ressalta ainda que entre a imagem retratada e o real existe a codificação da representação, que se observa na captação/criação de imagens. Não se trata então apenas de imitar o mundo, mas de criar um mundo (p. 02). As imagens, junto com a montagem, resultam na narrativa documentária. Um documentário é feito de vários documentos que são incompletos, mas que ganham sentido e interesse quando interligados uns com os outros (p. 09). 38 Segundo Penafria (2001), a partir da decisão de realizar um documentário já há uma intervenção da realidade, que são os chamados intervenientes.

51 51 Os instrumentos de gravação (câmera e gravadores) registram impressões (visões e sons) com grande fidelidade. Isso lhes dá valor documental, pelo menos no sentido de documento como algo motivado pelos eventos que registra. A ideia de documento é aparentada à ideia da imagem que serve como índice daquilo que a produziu (Nichols, 2005, p. 65). O documentário, segundo Ramos (2008), se utiliza dos personagens para ter domínio do assunto explorado. Não são atores, são pessoas que viveram ou presenciaram situações, posteriormente registradas pelo documentário, que se tornam os personagens. Ao entrevistar diversas pessoas, o documentarista pretende confirmar uma tese (caso, por exemplo, dos documentários biográficos) ou confrontar opiniões (caso dos documentários sobre conflitos urbanos, sociais, raciais, religiosos etc.). Todas as opiniões se unem para predominar o ponto de vista do autor (Melo; Gomes; Morais, 2001, p. 06). Melo (2002) afirma que o documentarista ouve diversas opiniões e realiza várias entrevistas, que nem sempre irão integrar o documentário, mas servem para a construção do texto. Para classificar os documentários, Nichols (2005) divide o gênero em seis categorias: Poético, Expositivo, Observativo, Participativo, Reflexivo e Performático. O Poético se caracteriza por ter semelhanças com o cinema de vanguarda; o Expositivo possui um comentário verbal e uma lógica argumentativa; o Observativo dá ênfase ao cotidiano representado pelo tema do cineasta, e utiliza câmera discreta; o Participativo enfatiza a interação do cineasta e tema; o Reflexivo se baseia na hipótese que rege o documentário e incentiva o espectador a elevar sua consciência com o documentário e o assunto apresentado e o Performático é subjetivo ao mostrar a interação entre cineasta, o tema e a receptividade do público. O documentário produzido por este trabalho possui características do modo observativo e reflexivo. Nichols (2005) afirma que um documentário reflexivo pode abranger tomadas observativas ou participativas e que as características dominantes de um modo estruturam o filme, mas não especificam todos os aspectos, pois há liberdade para mesclar. O gênero observativo, que surgiu em 1960, apresenta a cena ou o acontecimento no momento em que ocorre, espontaneamente e sem interferência do cineasta (Estevão e Garzon, 2011). Devido ao estilo observativo, os documentários

52 52 são estruturados sem efeitos, músicas, legendas, reconstituições históricas, entrevistas e ações repetidas. O que vemos é o que estava lá (Nichols, 2005, p. 147). Para Fontes (2010), o modo reflexivo traz fatos e problemas e possui uma relação com o espectador. Utiliza montagens técnicas, criando um roteiro para os personagens e uma narrativa. Os documentários politicamente reflexivos reconhecem a maneira como as coisas são, mas também invocam a maneira como poderiam ser. Nossa consciência mais exacerbada abre uma brecha entre conhecimento e desejo, entre o que é e o que poderia ser (Nichols, 2005, p. 169). Além de conter particularidades observativas e reflexivas, o videodocumentário deste trabalho exerce também funções institucionais 39, pois apresenta particularidades do trabalho realizado pela Polícia Federal na fronteira. Fonseca (2003, apud Kunsh, 2003) define os vídeos institucionais como um produto capaz de difundir informações diversas sobre a instituição. Penafria (2001) qualifica o documentário em duas estruturas: dramática e narrativa. A estrutura dramática é constituída por personagens, espaço da ação, tempo da ação e conflito. A estrutura narrativa implica saber contar uma história; organizar a estrutura dramática em cenas e sequências, que se sucedem de modo lógico (p. 02). A busca pela legitimação, para Coelho (2011), é o mais importante fator responsável pela firmação da narrativa. Na narrativa documentária, há três histórias que se entrelaçam: do cineasta, do filme e do público (Nichols, 2005). Penafria (2001) também classifica a narrativa. Afirma que podem existir vários pontos de vista: Na primeira pessoa, onde os acontecimentos são passados através do olhar de uma personagem; Na terceira pessoa, com a ação vista por um observador ideal (p. 02), raramente com apenas um ponto de vista; Omnisciente, com o recurso da voz em off, explicativa, indicando o que os personagens pensam; e Ambíguo, onde altera entre o ponto de vista na terceira pessoa e o ponto de vista na primeira pessoa. O nível de envolvimento entre o documentarista e o ponto de vista escolhido se obtém através de duas formas. Controle gráfico e controle narrativo. O controle gráfico se caracteriza pelos planos, enquadramentos, iluminação, entre outros. Já o 39 Este assunto será abordado com mais detalhes no tópico

53 53 controle narrativo deriva da montagem, ritmo, técnica, etc. (Katz, 1991 apud Penafria, 2001). Resende (2008) observa vários métodos de criação de um documentário. No primeiro, o documentarista realiza grandes pesquisas bibliográficas, de sons e imagens, construindo a partir do resultado encontrado uma argumentação que, será o embasamento do vídeo. O autor apresenta a observação como o segundo método, onde o documentarista acompanha os personagens, interagindo ou não com eles. Por último, o tema é abordado indiretamente, particularmente, limitando-se a um espaço ou geografia rigorosamente definidos (p. 27). Um documentário, além de se tornar um documento, também se transforma em material atemporal, ou seja, a todo momento pode ser acionado, revisitado, reconstituído e alargando uma memória coletiva mais ampla (Henn, 2009, p. 12). A escolha de um tema, para a realização do documentário, provoca uma seleção de eventos ou assuntos que serão lembrados pela população (AGUIAR, 2011). No início, o documentário teve como base os filmes de Lumiére. Obras como: Saída dos Trabalhadores das Fábricas Lumiére e A Chegada do Comboio à Estação ofereciam uma visão diferenciada do próprio mundo e registravam o cotidiano conforme ele acontecia (p. 118). Outro passo para o documentário se desenvolver foi iniciado por cineastras e fotógrafos que, adquiriram uma necessidade de observar as diversas facetas do mundo e explorar através da implementação de personagens e narrativas (Nichols, 2005). Porém, segundo Nichols (2005), foi em 1922, com a narrativa Nannok, o esquimó, de Robert Flaherty, que John Grierson conseguiu, no fim da década de 20, tornar conhecido, através de sua capacidade comercial, o cinema documentário. Até o final dos anos 50, prevalecia o uso da voz explicativa, em off. A partir de 1960, o documentário passa a ter argumentos sendo expostos em forma de diálogos (p. 23). Os entrevistados falam por si e abrangem, de forma dialógica, a compreensão dos fatos (Ramos, 2008).

54 O videodocumentário na esfera jornalística A relação do documentário com o jornalismo inicia-se com uma característica em comum: ambos procuram a factualidade, o real e tendem a mostrá-lo através de fatos e narrativas. O documentário supera o jornalismo quando problematiza os acontecimentos (RONALDO, 2009). Melo; Gomes; Morais (2001) explicam que, ainda há discussões sobre diferenciar documentário de grande reportagem de TV. Uma maneira de destacar o documentário é a profundidade do assunto tratado. Em contrapartida, há argumentos que, a reportagem também pode ter uma maior profundidade. O tempo também entra na discussão, mas, para Melo; Gomes; Morais (2001) não é possível classificar, de maneira consistente, uma matéria que dure 15 minutos como reportagem e, outra, com 15 minutos e 30 segundos, como documentário (p. 02). O documentário necessita, também, de um maior tempo para elaborar, realizar e finalizar a obra. A produção de um documentário se aproxima também do fazer investigativo. A procura pelo conhecimento e realidade é destaque dentro de uma criação audiovisual, que se desenvolve com a espécie humana (GODOY, 2001). Apesar do jornalismo e do documentário desenvolverem uma relação com o interesse social, são produções diferentes. Ribeiro e Moreira (2009) explicam que, uma diferença importante é estímulo, ou não, que ambos causam no espectador. O jornalismo diário procura acalmar, ao apenas reproduzir a notícia, e o documentário encorajar a reflexão, o pensamento. Além disso, o jornalismo diário trabalha com o instante do acontecimento, através da testemunha do repórter, já o documentário expõe a ação por personagens/espaço/tempo de um mesmo fato/objeto abordado por meio da visão e suas subjetividades o autor (p. 04). Este gênero é fortemente marcado pelo olhar do diretor sobre seu objeto. O documentarista não precisa camuflar a sua própria subjetividade ao narrar um fato. Ele pode opinar, tomar partido, se expor, deixando claro para o espectador qual o ponto de vista que defende. Esse privilégio não é concedido ao repórter sob pena de ser considerado parcial, tendencioso e, em última instância, de manipular a notícia (Melo, 2002, p. 07).

55 55 Além do olhar opinativo, Souza (2006) também aponta outra característica do documentário. O jornalismo diário tende a ficar apenas com informações que considera importante para a notícia. Quem procura obter os dados mais aprofundados é o documentarista. Seria ingênuo pensar que os documentaristas fazem os filmes para costurar as arestas deixadas pelo jornalismo, mas indiretamente, eles acabam cumprindo esse papel quando procuram transcender o campo noticioso (p. 04). O tempo de preparação e conhecimento que o documentário pede, causa um contato maior com os personagens. Já no jornalismo diário o entrevistado é apenas alguém que vai confirmar ou acrescentar uma informação básica à matéria (Souza, 2006). Já para Henn (2009), o documentário apenas adensa o jornalismo, ao dinamizar a agenda, recuperar personagens e fatos e estabelecer novos nexos perdidos (p. 10). Para Ribeiro e Moreira (2009) a facilidade de informar, o poder de convencer e a utilização de uma linguagem clara e objetiva tornam-se fundamentais para a presença do documentário nos gêneros informativos O videodocumentário na esfera empresarial e na comunicação dirigida Este trabalho possui um caráter documental, pois apresenta a atuação da Polícia Federal contra o tráfico de drogas na fronteira. Porém, optou-se buscar elementos da comunicação empresarial e da comunicação dirigida porque é privilegiado o olhar da Polícia Federal no videodocumentário. Foram usados somente entrevistados que trabalham na Polícia Federal, além de imagens de arquivo da própria Instituição. Dentro do contexto jornalístico existem vários meios de comunicação, dentre eles, a comunicação empresarial que será tratada nesse tópico.

56 56 A comunicação empresarial, que se divide em diversas formas entre elas comunicação de massa e comunicação dirigida 40, abrange diversos meios, estratégias, recursos, produtos, entre outros, com a finalidade de intensificar a imagem de uma instituição, aproximando o público interno e externo (Bahia, 1995). Este tipo de comunicação exige o conhecimento de atributos institucionais como missão e valores. Portanto, as estratégias devem ser bem planejadas para não se tornar apenas uma propaganda institucional (Kunsch, 2003). Como qualquer outra, a empresarial também necessita segmentar o público, adequando a linguagem para tornar a comunicação mais eficaz. Neste caso a comunicação dirigida apresenta-se como uma solução para as instituições (Rodrigues, 2012). Como quaisquer veículos, os de comunicação dirigida também supõem um emissor que transmite a mensagem e um receptor que responde a ela. Na comunicação dirigida, o emissor, dirigindo-se a um receptor (público) restrito e determinado, usa, além disso, um código (linguagem) adequado a ele, facilmente decifrável por ele (Kunsch, 2003, p. 187). A comunicação dirigida mostra a informação de uma maneira particular, pois ao contrário das comunicações de massa não busca atingir o grande público e sim, o público selecionado, tornando-se mais direto e econômico, já que com um planejamento bem estruturado, alcança resultados rapidamente (Santana, 2004). Costa (2009) afirma que a comunicação dirigida e de massa se diferenciam na utilização dos meios para atingir seus públicos. A comunicação de massa tem como prioridade alcançar o maior número de pessoas em menor tempo, já a comunicação dirigida elabora mensagens eficazes, com os efeitos desejados pela instituição, para se relacionar com o público alvo. Barros (et al, 2008) complementa que apesar das diferenças a comunicação dirigida é uma fragmentação da comunicação de massa, pois ambas utilizam-se de veículos tradicionais como jornais, rádios, TVs e cinema. De acordo com Andrade (2005), a comunicação dirigida se subdivide em quatro tipos: escrita (mala direta, correspondências, periódicos), oral (reuniões, congressos, entrevistas), auxiliar (gráficos, vídeos, fotografia) e aproximativa (visitas, inaugurações, concursos). Cesca (1995) classifica a comunicação dirigida auxiliar em visuais, auditivos e audiovisuais. 40 Este trabalho irá focar apenas na comunicação dirigida.

57 57 Dentro dos recursos audiovisuais, Fortes (2003, apud Westerkamp e Carissimi, 2001) aponta diferentes finalidades para os vídeos corporativos. A primeira é destinada a imprensa, com breves informações. O documentário, segunda finalidade, registra acontecimentos e situações. A terceira destaca os vídeos institucionais, criados para divulgar a marca da instituição. A integração, quarta finalidade, é destinada à divulgação dos produtos. Já o jornal, os recursos humanos e o motivacional se dedicam aos funcionários da instituição. Os vídeos são ferramentas que atingem com maior precisão seu público alvo, pois apresentam as informações de maneira mais atraente e utilizam uma linguagem acessível (Sarti, 2008). Neste sentido, Zanetti (2010) ressalta que as técnicas utilizadas na criação de um vídeo mostram detalhes de situações das quais não seriam possíveis serem relatadas oralmente ou por escrito sem perder a realidade e a emoção do momento. Na base da formação do povo brasileiro estão os indígenas e os africanos, duas culturas da tradição oral não dominavam as técnicas da escrita. Os brasileiros usam muito mais os meios de comunicação oral e visual para transmitir e receber suas mensagens. Para nosso povo assistir a um vídeo é muito mais fácil do que ler extensos relatórios (Zanetti, 2010, p. 09). Dubois (2004) afirma que o vídeo possui uma forma singular, é uma arte e tem uma linguagem específica e consistente. Além disso, possui um potencial equivalente ao cinema, à televisão e à fotografia. O vídeo reúne as imagens e através disso, pensa o que elas são, fazem ou criam (p. 116). O vídeo, na comunicação institucional, é auxiliar, complementa outros recursos comunicacionais e é um apoio para que a instituição divulgue o trabalho realizado. Já a comunicação dirigida é um direcionamento fundamental para que a instituição potencialize o custo e o tempo, e conquiste a eficiência (Barros, 2008). 13. METODOLOGIA Neste capítulo explicam-se os meios utilizados para a realização desse trabalho de pesquisa. Kaplan (1972, apud Gressler, 2004) afirma que o objetivo de

58 58 se fazer uma metodologia é descrever e analisar o trabalho realizado. Para ele, serve como uma ferramenta de entendimento do processo realizado na pesquisa. Para este trabalho foram realizadas duas pesquisas, sendo que a primeira, pesquisa bibliográfica é a parte inicial de qualquer trabalho de pesquisa, pois engloba a identificação, localização e planejamento sobre o objeto de estudo escolhido. Stumpf (2011) explica que num sentido restrito, é um conjunto de procedimentos que visa identificar informações bibliográficas, selecionar os documentos pertinentes ao tema estudado e proceder à respectiva anotação ou fichamento das referencias [ ] para que sejam posteriormente utilizadas na redação de um trabalho acadêmico (p. 51). A outra pesquisa realizada foi uma pesquisa de campo com especialistas da Polícia Federal. Nesta fase de entrevista em profundidade, Duarte (2011) afirma que a importância é obter respostas e absorver o conhecimento que a fonte tenha para lhe passar com sua experiência no assunto, acrescentando-lhe dados que permitam interpretação própria. Dentro do que se pretende mostrar neste Trabalho de Conclusão de Curso, procurou-se apresentar os métodos utilizados para a pesquisa bibliográfica e a pesquisa de campo separadamente, assim como os resultados obtidos com a pesquisa de campo PESQUISA BIBLIOGRÁFICA Nesta fase há o aprofundamento do tema do trabalho, que seria a relação do jornalismo com a atuação da Polícia Federal na repressão ao tráfico de drogas na região da fronteira. Para delimitar o tema do projeto, autores como Madrid (2004), Tinoco (2010), Magalhães (2000), Mingardi (2007) e Oliveira (2005) foram utilizados para esclarecimento dos assuntos relacionados ao crime organizado. Relatórios da INCB (2010), UNODC (2011), além de autores como Kurek (2009), Vieira (2009) e Procópio Filho (1999) explicaram os temas de tráfico de drogas mundiais e no Brasil, além de um resumo sobre maconha e cocaína. Pontes (2009), Castro (2009) e Goersch (2009) auxiliaram na questão da atuação da Polícia Federal no Brasil e no

59 59 Paraná. Em relação à mídia foram utilizados autores como Guareshi (2007), Bernardes (2010), Alves (2006) e Cruz (2009). A pesquisa bibliográfica, ou de fontes secundárias, abrange toda bibliografia já tornada pública em relação ao tema de estudo, desde publicações avulsas, boletins, jornais, revistas, livros, pesquisas, monografias, teses, material cartográfico, etc. (Marconi e Lakatos, 2002, p. 92). Stumpf (2011) acrescenta que com a pesquisa bibliográfica é possível utilizarse das descobertas que os outros fizeram, juntar ideias, concordar e levantar discussões sobre um determinado assunto, aumentando sua gama de conhecimento e tornando-se, assim, uma atividade prazerosa. Após o processo de delimitação do tema, o trabalho chegou ao referencial teórico, na qual a abordagem escolhida pelas autoras seria a teoria de controle social. Primeiramente existe o controle social da sociedade para o Estado e o controle social do Estado para a sociedade. Autores como Bobbio (1998), Bresser Pereira (1995), Pionório (2009), Soares Ferreira (2005) e Foucault (2004) foram usados como base. Ao delimitar o tema e basear o trabalho nas teorias de controle social, a pesquisa pode, enfim, chegar a um produto que transmitisse ao público de forma completa os resultados alcançados: um videodocumentário. Este foi escolhido principalmente pela importância das imagens para documentar o assunto. Ramos (2008) explica que os documentários não foram feitos para entreter as pessoas, eles são criados para apresentar uma nova visão de mundo, entretanto eles podem interagir e prender seu espectador de forma tão completa quanto qualquer outro filme. Além de Ramos, outros autores como Nicholls (2005), Soares (2009), Henn (2009) e Penafria (2005) complementam a importância desse meio de comunicação.

60 PESQUISA DE CAMPO: UMA ANÁLISE SOBRE A ATUAÇÃO DA POLÍCIA FEDERAL NA FRONTEIRA E A VISÃO INTERNA DO ÓRGÃO SOBRE A MÍDIA. Outra fase do processo deste trabalho foi a realização de uma pesquisa qualitativa, através de entrevistas com quatro especialistas da Polícia Federal, escolhidos dentre os diversos servidores do órgão no Estado do Paraná, por possuírem cargos diferentes dentro da Instituição, entretanto relacionados ao tema do trabalho. A pesquisa procura aprofundar os conhecimentos a respeito da atuação da Polícia Federal na região da fronteira, explicar a atuação de organizações criminosas nesta região e a periculosidade para a sociedade. Também pretende apresentar a visão interna da Polícia Federal em relação à mídia. Os entrevistados, além da relação de proximidade com a mídia, possuem experiência em entrevistas e coletivas de imprensa, trabalharam no mínimo dois anos na região de fronteira e possuem mais de cinco anos de carreira na Polícia Federal. Além disso, os entrevistados delegados e o comunicador social são os chefes de seus setores. A investigação qualitativa trabalha com valores, crenças, hábitos, atitudes, representações, opiniões e adequa-se a aprofundar a complexidade de fatos e processos particulares e específicos a indivíduos e grupos. A abordagem qualitativa é empregada, portanto, para a compreensão de fenômenos caracterizados por um alto grau de complexidade interna (PAULILO, 1999). Duarte (2011) complementa que a pesquisa qualitativa, chamada por ele de entrevista em profundidade, possui uma técnica dinâmica e flexível, pois se baseia em uma entrevista informal, porém com características jornalísticas, que buscam entender o que o outro tem a oferecer sobre o assunto estudado. Pesquisa de Campo é aquela utilizada com o objetivo de conseguir informações e/ou conhecimentos acerca de um problema para o qual se procura uma resposta, ou de uma hipótese que se queira comprovar, ou, ainda, descobrir novos fenômenos ou as relações entre eles (Marconi e Lakatos, 2002). Buscando entender a visão dos servidores da Polícia Federal em relação à mídia e absorver informações e conhecimentos a respeito do crime organizado e

61 61 tráfico de drogas na fronteira, foi organizada uma pesquisa qualitativa, na qual perguntas despadronizadas 41 foram aplicadas para os seguintes entrevistados: 1. Wagner Mesquita de Oliveira, 39 anos, Delegado-Chefe da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal no Estado do Paraná. Formado em Direito, possui nove anos de experiência na Polícia Federal, sendo que destes, dois anos e meio foram na região de fronteira. 2. Marco Berzoini Smith, 32 anos, Delegado-Chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal no Estado do Paraná. Formado em Direito e especialista em Criminologia e Direito Penal, atua há sete anos na Polícia Federal, possuindo quatro anos de experiência na região de fronteira. 3. Marcos Koren, 47 anos, Chefe da Comunicação Social da Polícia Federal no Estado do Paraná. Formado em Direito, trabalha há 15 anos na Polícia Federal, porém atua na área de comunicação há apenas cinco anos, sendo que destes, dois anos foram na região de fronteira e três anos em Curitiba. 4. Gildeto Stel Meira, 42 anos, Agente da Polícia Federal no Estado do Paraná. Formado em História, trabalha na Polícia Federal há 16 anos, sendo que 14 anos foram na região de fronteira. Para a realização desta pesquisa, foram utilizadas questões semiabertas 42, que, de acordo com Duarte (2011), são perguntas previamente formuladas, como um guia a ser seguido, porém com a liberdade de ampliar o leque de questionamentos de acordo com as respostas obtidas durante a entrevista. Ander- Egg (1978, apud Marconi e Lakatos, 2001) completam que há um roteiro de tópicos relativos ao problema que se vai estudar e o entrevistador tem liberdade de fazer as perguntas que quiser: sondar razões e motivos, dar esclarecimentos, não obedecendo, a rigor, a uma estrutura formal (p.197). As entrevistas foram realizadas pessoalmente, na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, na semana do dia 23 a 27 de abril de 2012, utilizando o gravador de áudio, da marca H1 - Handy Record, em formato MP3. Todos os 41 Segundo Marconi e Lakatos (1996, apud Carnevalli e Miguel, 2000) são questões formuladas abertamente e que permitem alterações durante o percurso da entrevista. 42 A base da pesquisa aplicada encontra-se em apêndices, na p. 122.

62 62 entrevistados foram previamente avisados da utilização do aparelho para a gravação. A pesquisa qualitativa aplicada aos servidores da Polícia Federal no Estado do Paraná foi separada em três etapas, com a intenção de aprofundar os diversos assuntos que poderiam ser explorados com cada entrevistado. A primeira parte possuía perguntas idênticas para todos os entrevistados, com informações básicas que serviram como uma breve apresentação de cada um, contendo nome, idade, formação acadêmica e período de experiência na Instituição e na Região de Fronteira. Na segunda etapa assuntos específicos sobre a área de atuação de cada um deles foram explorados. E por último, a pesquisa buscou analisar a visão que os servidores da Polícia Federal possuem em relação ao contato com a mídia Análise da Pesquisa Qualitativa A pesquisa qualitativa concentrou-se em cinco assuntos diferentes. Dois temas são referentes às ações da Polícia Federal contra o tráfico de drogas e o crime organizado, sendo representados pelos tópicos: Atuação da Polícia Federal na fronteira Brasil (Paraná) Paraguai (Canindeyú e Alto Paraná) e Atuação do crime organizado e as dificuldades de desmantelar as organizações criminosas. Esta pesquisa procurou se aprofundar também na relação da Polícia Federal com a mídia. Os três últimos tópicos Relação da Polícia Federal com a mídia, Espaço destinado às ações da Polícia Federal, ao crime organizado e ao tráfico de drogas na mídia e Como a mídia apresenta as ações da Polícia Federal na fronteira? abordam a ligação do tema deste trabalho com o jornalismo.

63 Atuação da Polícia Federal na fronteira A Polícia Federal atua, contra o tráfico de drogas e crime organizado, na região de fronteira, através de duas delegacias, com sede em Curitiba, que fornecem o apoio necessário para as operações e ações: a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e a Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado no Paraná (DRCOR). Ambas atuam na capital e oferecem coordenação em todo o Estado do Paraná. Segundo o delegado Marco Berzoini Smith, chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, a DRE e a DRCOR coordenam as ações, já que o combate direto, do dia-a-dia é feito pelos núcleos especializados das delegacias de Guaíra e Foz. 43 O delegado Wagner Mesquita de Oliveira, chefe da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado no Paraná, complementa que o objetivo é dar meios para que as delegacias especializadas venham a ter o máximo de eficácia nas ações e nas investigações, com um apoio material, informações de inteligência e trabalho ostensivo com recrutamentos, etc. A Polícia Federal trabalha de duas formas: trabalho ostensivo e investigativo. A forma ostensiva, característica de áreas de fronteira, é a fiscalização do fluxo de pessoas que transitam por áreas importantes e próximas à região fronteiriça. O trabalho ostensivo é o que dá presença do Estado. A pessoa entra no país e vê lá o policial vestido de preto, com a camiseta escrita Polícia Federal, abordando os veículos, verificando os documentos, revistando compartimentos desse veículo, afirma o agente de Polícia Federal, Gildeto Stel Meira. Um dos principais objetivos do trabalho ostensivo é identificar o tráfico de drogas, armas e mercadorias contrabandeadas. Para Meira, esse trabalho ajuda a atualizar os policiais das tendências dos traficantes. Por exemplo, há uma grande demanda de drogas escondidas dentro de pneus. Essa descoberta ajuda o policial a prestar mais atenção nas próximas abordagens. Já o trabalho investigativo procura entrar na veia do tráfico. É possível detalhar, identificar e destruir uma organização criminosa. O agente ainda complementa que o trabalho ostensivo é o trabalho mais presencial, com o objetivo aleatório e já o trabalho investigativo é um trabalho velado, só que com um objetivo mais específico. 43 As aspas apresentam os resultados da pesquisa qualitativa.

64 64 O trabalho investigativo, normalmente, procura atender a três situações: o pequeno tráfico - as chamadas bocas, as grandes quadrilhas nacionais e as grandes quadrilhas internacionais. Nas bocas o foco são os pequenos vendedores. Você acaba amealhando informações que vão te levar aos fornecedores, porque o pequeno traficante não vai até a fronteira, ele não vai até os países vizinhos, por portadores e exportadores de droga para comprar o entorpecente que ele vende, ele compra de alguém, afirma Smith. Já a principal preocupação da Polícia Federal é desmantelar as grandes quadrilhas nacionais que atendem o mercado interno e as internacionais que usam o país como rota de passagem. A atuação da Polícia Federal no combate ao tráfico de drogas é satisfatória. Para atender o trabalho de desmantelamento das quadrilhas internacionais, o Departamento procura manter ligações com órgãos e países vizinhos. O Brasil possui acordo com o Paraguai, Bolívia e Colômbia, além do DEA (Drug Enforcement Administration), agência de combate a entorpecente dos EUA. Possui também adidâncias policiais, criadas em 2006, com o objetivo de realizar intercâmbio de policiais, auxiliando o trabalho da Polícia Federal. Já os equipamentos utilizados, pela Polícia Federal, na região de fronteira, são carentes em alguns locais, já em outros, atendem a demanda existente. Por exemplo, alguns locais não possuem acesso à internet, por não existir telefonia na região. Isso provoca uma carência em todo o serviço prestado pelos policiais, no local. Já em outras cidades, como Foz do Iguaçu, há aparelhos de raio-x e bodyscanners nos aeroportos, scanner, Vant - que segundo Meira, a principal função é voar em locais de difícil acesso e manter uma vigilância direta. Além da tecnologia, é necessária também uma grande equipe humana nos locais, tanto para analisar e operar os equipamentos, quanto para executar as ações. Uma das maiores falhas da atuação da Polícia Federal na fronteira é a falta de efetivo policial. Para Smith, em termos de comparação, o efetivo global da Polícia Federal é um terço da Polícia Civil do Paraná. Além disso, segundo Oliveira, falta uma política de incentivo para aquele servidor que busca resultados na corporação. Apesar da falta de pessoas, Meira define que mesmo tendo poucos policias trabalhando na fronteira, a Polícia Federal é a melhor polícia do mundo. Por exemplo, no Brasil, na questão números de apreensões, a soma é inferior ao das 54 polícias estaduais existentes. Nós conseguimos muito com muito pouco, define

65 65 Meira. Porém, assume que, para atender à demanda da fronteira, a Polícia Federal precisaria dobrar o efetivo policial de Guaíra e Foz do Iguaçu. Já na atuação da Polícia Federal contra o tráfico de drogas na fronteira, as principais drogas apreendidas são a maconha, cocaína, lança-perfume, haxixe e ecstasy. As outras não são comuns, explica Smith. Meira acrescenta que a forma mais usual do tráfico de entorpecentes se dá por terra, através de algum tipo de veículo automotor - automóvel ou caminhão em compartimentos falsos como: pneus, nas estruturas metálicas dos veículos, seus chassis, para-choques, compartimentos internos, em baixo das forrações, etc.. O delegado Smith afirma também que, os traficantes não utilizam a divisa Argentina (Misiones) Brasil (Paraná) como rota de passagem da maconha. Smith explica que por não ser produtora de maconha, a rota somente aumentaria o risco para os traficantes que, precisariam passar a droga por duas fronteiras, por exemplo, do Paraguai produtor da droga - para a Argentina e da Argentina para o Brasil. O tráfico somente do Paraguai para o Brasil, com extensas áreas fronteiriças, algumas de difícil policiamento, é a opção dos traficantes. No caso da cocaína, a fronteira Argentina/Brasil é utilizada como rota para outros países, porém na Tríplice Fronteira, a única substância ilegal que adentra o país é o lança-perfume. A Argentina é utilizada para, principalmente, se comprar lança-perfume, que seria pra eles um contrabando e para nós, tráfico de drogas, concluiu Smith. Não é considerado ilegal o uso de lança-perfume na Argentina Atuação do Crime Organizado e as dificuldades de desmantelar as organizações criminosas O delegado Oliveira confirma que algumas organizações criminosas, como PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) atuam no Paraná. O PCC procura centralizar em presídios, já o CV tem como característica não se ater apenas em um Estado e procura atuar ativamente nas fronteiras. Apesar da diminuição do uso das denominações - Organização criminosa, PCC, CV - na mídia, não significa que essas associações perderam importância ou

66 66 presença. Procura-se não enaltecer o crime, lideranças ou facções. Para Oliveira, ao dar notoriedade às organizações, por exemplo, jovens e crianças podem adquirir uma falsa ideia de poder, facilitando a entrada destes no crime. Então eu acho que é válido não ter que se exaltar esse tipo de coisa mesmo e inclusive, exaltar sim, que a notoriedade é usada pelo crime organizado, conclui Oliveira. O trabalho da Polícia Federal contra o crime organizado barra na dificuldade de obter provas contra as facções criminosas. Algumas organizações já se protegem, já vem na origem protegidas, afirma Oliveira. A principal maneira de proteção é a formação em forma de células, sem contato uma com a outra. Além disso, o crime organizado atua com funcionários públicos, esconde patrimônios e para desmantelar tudo, leva certo tempo. Além disso, os chefes de associações criminosas, mesmo presos, continuarão a dar ordens. Isso ocorre devido às visitas de advogados, visita intima de parente. Então a nossa legislação isola a liberdade física dele, mas não a liberdade intelectual e não o poder de mando, ela permite que tenha esse poder de mando, isso ficou claro nas nossas operações, conclui o delegado Oliveira. Outra dificuldade para desestruturar o crime organizado é a deficiência na lei de expropriação de bens dos traficantes. Patrimônio obtido através, principalmente, do tráfico de drogas. Para o delegado Smith, fazer com que haja um risco maior de perda dos bens diminuiria a incidência dos criminosos Relação da Polícia Federal com a mídia A mídia possui um papel essencial para a divulgação das ações realizadas pela Polícia Federal no Brasil. A relação existente entre a imprensa e a Instituição, de acordo com a pesquisa realizada, é bastante satisfatória. Marcos Koren, chefe da comunicação social da Polícia Federal no Estado do Paraná, destaca que se foi construindo uma relação de sucesso entre o órgão e a mídia, houve um amadurecimento nesta relação, nós temos um excelente relacionamento, que é fruto da construção do trabalho nos últimos anos, de mútuo respeito, de grande consideração da imprensa para conosco e da nossa parte para com a imprensa.

67 67 É importante ressaltar que, mesmo sendo satisfatória, não é vista, pelos entrevistados, como completa. No entender da Polícia Federal, é necessário que se crie uma cultura dentro do jornalismo como um todo, para que especialistas no assunto, ou pelo menos entendedores, atuem no ramo policial. Pois o que se vê é que os repórteres que cobrem as ações da polícia não possuem conhecimento prévio sobre os assuntos relacionados ao crime e às atribuições da polícia, não apenas em relação à Polícia Federal, o que acaba criando notícias superficiais. Meira salienta que o problema nas matérias que saem sobre a Instituição, muitas vezes, é pela falta de experiência dos repórteres nesta área, você tem gente que em um dia trata, principalmente na imprensa escrita, do aumento do preço do arroz e no outro dia ele está tratando de questões policiais. Então a gente nota que a mídia poderia se especializar mais em uma área. Ainda em relação à importância da mídia, Meira afirma que no Brasil ainda se encontram profissionais de comunicação que queiram passar a impressão de justiceiros, que pregam a ideia de que bandido bom é bandido morto, e não é esta visão que a Polícia Federal busca apresentar à população. A principal importância de se noticiar a prisão de uma determinada pessoa ou mostrar uma grande apreensão de entorpecentes, além de prestar contas para a sociedade, é fazer com que as pessoas entendam o trabalho da polícia e para que este conhecimento chegue a elas. Para isso, então, seria imprescindível a especialização dos repórteres no assunto Espaço destinado às ações da Polícia Federal, ao crime organizado e ao tráfico de drogas na mídia A Polícia Federal aparece com frequência na mídia, as apreensões de quantidades de entorpecentes, prisões de traficantes são temas de interesse da sociedade e, consequentemente, dos grandes veículos da imprensa. Entretanto, nota-se que as informações passadas sobre as ações da polícia possuem apenas a intenção de mostrar os resultados da ação, então dados como quantos presos e a quantidade de droga apreendida tornam-se mais atrativa para a mídia que a

68 68 apresentação de como se chegou a este fim. A deflagração de uma operação é a última etapa de uma investigação, porém apenas esta fase é apresentada, com frequência, para a população. Oliveira acredita que essa preferência, de apresentar apenas a informação resumida, está vinculada diretamente ao fato de que se espera uma rapidez na informação e por a imprensa possuir um público que se interessa por assuntos diversos e precisar saciar estes tantos interesses - como esportes política e economia os veículos buscam dividir seu tempo, com informações rápidas e sem aprofundamento, entre os diferentes assuntos. Oliveira completa que seria interessante tornar-se assunto de pauta para o jornalismo a prevenção ao crime e não apenas mostrar as ações de repressão. Em relação ao espaço destinado aos assuntos sobre crime organizado e tráfico de drogas, houve uma melhora em relação à divulgação das ações da mídia. Oliveira ressalta que é visível a diferença de espaço que as ações da polícia possuem na imprensa em relação ao espaço da cultura do crime, enxergo isso como um processo de melhora. Já houve épocas ai que se ressaltava essa cultura da marginalidade, a gente via isso, principalmente nos locais mais simples. Ainda completa que assuntos envolvendo política e crimes financeiros possuem maior espaço que o crime organizado entre os meios de comunicação. Normalmente quando envolvem partidos políticos, dinheiro público, futebol, alguma coisa de comoção popular, aí o crime vinculado aquilo é tratado com mais atenção. Sobre o tráfico de drogas, Smith é enfático ao afirmar que a mídia possui influência em relação a esse tema. O problema é o seguinte: o ser humano é um ser sociável e entre aspas, é um macaquinho de imitação, ele aprende muito com o comportamento do vizinho. A mídia, como um todo não só jornalistas e repórteres é uma das grandes usuárias de drogas do Brasil. Para ele, enquanto a mídia, e isso inclui atores e cantores brasileiros, pregarem que uma determinada droga tenha de ser liberada e que o álcool não traz malefícios para a sociedade, certa quantidade de pessoas irão sim, experimentar essas substâncias, por influência. Quando vários jornalistas, vários artistas fazem pronunciamento de que a maconha é uma droga leve e deveria ser descriminalizada, quando a gente sabe que a maconha, realmente não é das drogas mais pesadas, mas é a grande porta de entrada, juntamente com o álcool, para as drogas ditas mais pesadas. [...] A mídia como um todo, não só os jornalistas, não só os atores, não só os cantores teriam que repensar essa relação que eles têm na vida das pessoas. (Marco Smith)

69 69 Meira completa que a mídia ainda peca na forma como trata o tráfico de drogas, pois utiliza, em sua visão, uma leitura sociológica ultrapassada em que o crime se justifica pela pobreza e que os traficantes são bons para as suas comunidades. O crime nunca resolveu problema social nenhum, o crime nunca tirou ninguém da miséria. O crime só aumenta a miséria e só traz mais tristeza e desgraça, finaliza Como a mídia apresenta as ações da Polícia Federal na fronteira? A pesquisa realizada sobre o trabalho de mídia na fronteira chegou a diversas conclusões sobre as dificuldades encontradas na divulgação de ações da Polícia Federal nesta área, sendo necessária explicar inicialmente o funcionamento das comunicações sociais nas cidades de Guaíra e Foz do Iguaçu. Através das respostas obtidas, foi analisado que os responsáveis não são formados em jornalismo e não possuem cursos de especialização neste ramo, o que, com certeza, prejudica na divulgação dos trabalhos realizados. Nestas cidades, servidores formados em outros cursos assumem a responsabilidade de fazer o assessoramento interno - com a comunicação entre os funcionários e o assessoramento de imprensa divulgação e acesso à imprensa para informações internas. Koren explica que há uma preocupação para que funcionários destinados a esta área estudem e se aprimorem no ramo de comunicação social para cuidar da imagem da Polícia Federal, porém ainda não é a realidade. Seria interessante que a Instituição, em algum momento, preparasse cursos de formação, de capacitação, de treinamento nessa área, para que nós tenhamos uma resposta à altura do que a Instituição merece. Em segundo plano, foi possível observar que as apreensões nestas áreas são diárias, o que torna as notícias repetitivas e de menor interesse para a mídia. Além disso, há outra questão que dificulta a ação da imprensa em relação à fronteira que são as normas internas, nas quais se exige que a segurança seja prioridade. Nós temos que pensar na responsabilidade que é do agente

70 70 público, no caso do policial, a segurança do colega jornalista que estaria acompanhando a equipe, explica Koren Conclusões da Pesquisa Qualitativa Segundo o que se pode analisar com a pesquisa, o trabalho realizado pela Polícia Federal na fronteira, de acordo com a própria polícia, é eficiente, porém possui problemas. A falta de funcionários, por exemplo, é uma questão abordada por todos os entrevistados, mas, apesar de pouco efetivo, a polícia ainda consegue desmantelar diversas quadrilhas e prender vários criminosos. A fronteira, por ser extensa, precisaria do dobro de policias para fiscalizá-la com qualidade. Já no combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado, a Polícia Federal se mune de diversas tecnologias e equipamentos para investigar com qualidade e para retirar os indivíduos, participantes das facções e ações criminosas, da sociedade. Mesmo assim, a Polícia Federal é barrada por diversos problemas como: a proteção interna das próprias organizações criminosas, a facilidade de comunicação do preso com a quadrilha, entre outros. É possível, diante das situações apresentadas, concluir que a Polícia Federal no Estado do Paraná vê a mídia como uma parceira em suas ações. Porém, por questões internas instruções normativas e os cuidados para não divulgar informações que poderiam prejudicar próximas investigações, por falta de jornalistas com especialidade em segurança pública e crime organizado e pelas concorrências editoriais existentes dentro dos meios de comunicação, a sociedade perde a oportunidade de conhecer mais profundamente a atuação da Polícia Federal no Estado. Ainda existem falhas internas na Polícia Federal em relação aos responsáveis por responder pela imagem da Instituição, o que leva a notícias repetitivas e que se torna de menor interesse para os editores dos veículos de comunicação. Também é possível perceber uma forma errônea de como a mídia aborda as questões relacionadas ao crime organizado e ao tráfico de drogas, podendo chegar à conclusão de que a imprensa possui a sua parcela de responsabilidade no assunto,

71 71 pois aborda de maneira insuficiente a questão do consumo das drogas, além de tratar de forma superficial a questão da repressão a entorpecentes. 14. DELINEAMENTO DO PRODUTO Nessa etapa do trabalho, apresentam-se as considerações a respeito das escolhas que encaminharam o projeto para a fase de conclusão do produto final, o videodocumentário Polícia Federal A Guardiã da Fronteira. Os tópicos auxiliam a compreender o caminho escolhido pelas idealizadoras deste projeto, ressaltando a decisão de mostrar como é realizado o trabalho da Polícia Federal no Estado do Paraná no combate ao tráfico de drogas na região de fronteira FORMATO O videodocumentário exibe a atuação da Polícia Federal contra o tráfico de drogas na fronteira Brasil (Paraná) Paraguai (Canindeyú e Alto Paraná). As cidades apresentadas no videodocumentário são Guaíra e Foz do Iguaçu. A escolha do produto para a concretização deste trabalho foi a primeira etapa decidida, pois a apresentação de imagens e sons que representem a atuação da Polícia Federal na fronteira, visto do ângulo da Instituição, se diferencia de outras formas da exibição deste tema 44. O videodocumentário jornalístico tem a duração de aproximadamente 30 minutos, em formato de média-metragem, no qual se caracteriza por ter a duração entre 15 e 70 minutos 45. Zanetti (2010) acrescenta que, em caso de videodocumentário institucional, deve ter entre 17 e 40 minutos para que não se 44 Argumentação no tópico da Justificativa, p Veja a Instrução Normativa no site: <http:// de-14-de-outubro-de-2008>.

72 72 confunda com um vídeo institucional, que deve possuir no máximo oito minutos de duração. O produto não usou a narrativa com voz locutor (off) para não tirar o tom realístico do vídeo. Depois de pesquisar autores como Bill Nichols, chegou-se a conclusão que este videodocumentário se enquadra na mistura de características do formato observativo e reflexivo. Foi utilizado para a apresentação dos personagens o Gerador de Caracteres (GC), contendo o nome dos personagens em alaranjado uma das cores da Polícia Federal, e o cargo dentro da Instituição. Também foram acrescentadas algumas informações durante as imagens de corte, que seguiram o padrão visual do GC. A escolha do nome foi a última decisão deste trabalho, pois por opção das autoras, primeiramente seria assistido o produto, na sua versão final, para alcançar o nome que melhor representasse os assuntos discutidos no videodocumentário EQUIPAMENTOS Para a gravação foram utilizadas duas câmeras sendo uma Panasonic HGVDC 20 MINI DV, disponibilizada pelas Faculdades Integradas do Brasil e Canon t3i, emprestada pelo Departamento de Polícia Federal durante o processo de gravação. Todas as entrevistas foram gravadas com microfone de lapela, Sony ECM 44B, também disponibilizado pelas Faculdades Integradas do Brasil. A edição foi realizada pelas próprias acadêmicas utilizando o programa Vegas Pró 11, já a finalização do videodocumentário foi realizada por um editor de vídeos profissional, utilizando o programa After Effects.

73 PERSONAGENS Os personagens escolhidos para a gravação do videodocumentário foram selecionados por apresentarem algumas características importantes, como tempo de trabalho na fronteira do Paraná e relação do trabalho desenvolvido no combate ao tráfico de drogas. Os entrevistados de Foz do Iguaçu foram selecionados por serem chefes de setores ou por serem profissionais de alto nível, ou seja, chefes substitutos. A Unidade de Cães de Serviços setor responsável por cães detectores de drogas foi representada pelo chefe do setor, Carlos Alberto Pinheiro Cruz, 44 anos, conhecido pelo seu nome de guerra, APF Cruz. Escolhido pelo cargo de chefia, trabalha há 15 anos na Polícia Federal e durante todo esse período ficou lotado na cidade de Foz do Iguaçu, participando de aproximadamente 15 operações 46 de tráfico de drogas. No Núcleo de Polícia Marítima, Nepom, dois policiais foram selecionados para participar do videodocumentário. Primeiramente, o chefe do setor, Augusto da Cruz Rodrigues, 51 anos, conhecido por APF Rodrigues, trabalha na cidade de Foz do Iguaçu, desde que entrou na Polícia Federal no ano de No período da gravação deste videodocumentário estava em missão na cidade de Guaíra, local onde foi gravada a entrevista. O segundo entrevistado do Nepom, Celso João Calori, 54 anos, chefiava o núcleo em Foz do Iguaçu, durante a ausência de Rodrigues. Calori trabalha na Polícia Federal há 24 anos e, como Rodrigues, sempre foi lotado na região de fronteira. Os dois participaram juntos, de mais de 300 operações durante esses anos de carreira. Responsável por comandar as ações no Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu e Ponte da Amizade, Laércio Aparecido Grejanin, 46 anos, atua há seis anos na Polícia Federal, com mais de 45 operações de repressão ao tráfico de drogas. Gildeto Stel Meira, 42 anos, possui a formação acadêmica em História, porém atua, como agente, na Polícia Federal há 16 anos. Sua experiência de 14 anos, na região de fronteira, o fez acumular cerca de 160 operações contra o tráfico de drogas. Apesar de trabalhar em Curitiba, estava em missão na cidade de Guaíra 46 Nesses números não foram contabilizados as apreensões de rotina da Polícia Federal.

74 74 durante as gravações do videodocumentário. Fábio Telles da Silva, 33 anos, atua em parceria com Gildeto, há seis anos, desde que entrou na Polícia Federal e mantêm a média de aproximadamente 10 operações de repressão ao tráfico de drogas na região fronteira. Apesar de também estar em Guaíra, no período das gravações, sua entrevista só foi gravada em Curitiba, por estar em diligência. Marco Berzoini Smith, conhecido por Delegado Smith, 32 anos, trabalha na Polícia Federal há seis, sendo cinco anos na região fronteiriça. Assim como Telles e Gildeto, encontrava-se na cidade de Guaíra. Smith representa um personagem importante, principalmente, por sua experiência em operações na fronteira, aproximadamente 20, que o levou a chefiar a Delegacia de Repressão a Entorpecentes, em Curitiba, desde Em Curitiba foram entrevistados os delegados Mesquita, Renato Lima e Milaneze. Wagner Mesquita de Oliveira, 39 anos, Chefe da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado no Estado do Paraná, trabalha na Polícia Federal há nove anos, sendo dois deles na região de Foz do Iguaçu. Foi responsável por comandar mais de vinte operações policiais que resultaram na prisão de traficantes de renome nacional, como Fernandinho Beira-Mar (Operação Fenix), Éder Conde (Operação Ressaca), Juca Pires (Operação Catimbó), entre outras. O Delegado Marcos Renato da Silva Lima, 35 anos, atua há nove anos no ramo policial, sendo sete em Foz do Iguaçu. Atuando no núcleo de operações da Polícia Federal, participou de mais de vinte operações da polícia. E em 2012, está lotado na cidade de Curitiba, assim como o Delegado Roberto de Mello Milanezze. Em Foz do Iguaçu, Álvaro Webber dos Santos, 53 anos, foi entrevistado por trabalhar no setor da carceragem da Polícia Federal, e apesar de estar no cargo há apenas dois anos, detêm um conhecimento aprofundado sobre as características dos presos que ficam custodiados na Polícia Federal por tráfico de drogas, pois trabalha na Instituição desde Como característica primordial, todos os entrevistados já deveriam ter no currículo policial passagem pelas cidades de Foz do Iguaçu ou Guaíra. Dos primeiros selecionados, houve uma segunda seleção para verificar suas histórias e se possuíam experiência em entrevistas, nessa fase, as acadêmicas optaram por personagens que apresentassem uma boa locução. Nenhum dos servidores da Instituição recusou-se a dar entrevista para a equipe. Todos os entrevistados assinaram a Autorização para uso de Imagem.

75 PÚBLICO-ALVO O videodocumentário tem como público alvo interessados no trabalho que a Polícia Federal realiza contra o tráfico de drogas na fronteira do Paraná. Para estabelecer um grupo, optou-se pelos estudantes universitários, que estudam em cursos relacionados com o tema, por exemplo, jornalismo, direito e serviço social. A universidade propicia um amplo debate sobre vários assuntos, entre eles a segurança pública. Por isso, apresentar o produto visual dentro das salas de aulas pode acarretar estudos sobre os modelos de segurança pública adotada pelas polícias brasileiras. Por ser um órgão público, a Polícia Federal precisa prestar contas do seu serviço para a sociedade. Apresentar este serviço aos estudantes trará discussões e análises dentro das salas de aula. A escolha dos cursos se deu em razão da proximidade que estes profissionais podem ter, durante o exercício de suas profissões, com o trabalho da Polícia Federal. Estudantes de direito podem se tornar delegados, agentes ou escrivães da Instituição. Os jornalistas, principalmente aqueles que irão para a área policial, precisam entender os mecanismos de trabalho da Polícia Federal para agregar conhecimento às reportagens. A área de serviço social é voltada para a análise dos prejuízos causados pelo tráfico de drogas nas áreas pobres, além do trabalho com os próprios envolvidos. Além dos alunos universitários, o produto também tem como público alvo os cursos preparatórios para os concursos públicos, principalmente àqueles voltados à área de segurança pública. Os estudantes que se preparam para entrar na Polícia Federal, ao assistir o videdocumentário, terão um conhecimento extra sobre o trabalho da Instituição. Trabalho a qual eles farão parte quando entrarem no Órgão. Bittner (2003) avalia o trabalho policial como um conjunto de habilidades, competência e conhecimento. Por isso, entender como funciona o tráfico de drogas na região de fronteiras é importante para o futuro policial, pois ao entrar para o curso da Academia Nacional de Polícia o aluno já terá um domínio sobre a maneira de atuação das organizações criminosas em relação ao tráfico de drogas. Este conhecimento poderá induzir o aluno a levantar discussões mais aprofundadas sobre novas formas de combate da Polícia Federal contra o tráfico de drogas na

76 76 fronteira. Já os estudantes de outras polícias, como Polícia Militar, Civil e Rodoviária Federal poderão compreender como a Polícia Federal trabalha contra o tráfico de drogas na fronteira, para desenvolver novos métodos de atuação ou capacitar policiais da Instituição escolhida. Os servidores que trabalham nos órgãos de segurança pública também são considerados público alvo. Por já trabalharem dentro da área, o interesse pelo assunto é grande VEICULAÇÃO A veiculação deste documentário, visando alcançar o público alvo definido, será nas salas de aula dos cursos universitários de direito, jornalismo e serviço social de várias faculdades do Paraná; nas salas de aula dos cursos preparatórios para concursos públicos na área de Segurança Pública, como Polícia Federal, Polícia Militar, Policia Rodoviária Federal, entre outros; em órgãos públicos ligados ao tema e em festivais universitários. Para apresentar o documentário nas salas de aula das universidades, será estabelecido um contato com a coordenação dos cursos propostos para a apresentação do trabalho. A seguir haverá um acordo sobre o modo de exibição do documentário e disponibilidade das datas e horários da universidade. Já nas aulas dos cursos preparatórios de concursos, também haverá um contato com a coordenação da empresa visando apresentar o trabalho. Será instituído um acordo sobre as datas, horários, local e modo de exibição, além da proposta de haver um contato entre as autoras do documentário e o público. O produto visual também será disponibilizado nos órgãos de segurança pública, como a própria Polícia Federal, a Polícia Militar, a Polícia Civil, a Polícia Rodoviária Federal, além do Exército Brasileiro, que também participa da segurança das fronteiras brasileiras. O videodocumentário também será inscrito nos festivais universitários brasileiros. Após a inscrição, a aprovação será estabelecida pelos organizadores.

77 PROCESSOS DE GRAVAÇÃO E RESTRIÇÕES O trabalho de gravação que resultou no videodocumentário sobre a atuação da Polícia Federal na fronteira do Brasil com o Paraguai foi realizado na região da fronteira, especificamente nas cidades de Foz do Iguaçu e Guaíra, durante a semana dos dias 22 a 29 de julho de O processo começou uma semana antes da data da viagem, pois a equipe seria acompanhada por um agente federal desde Curitiba até as cidades de Foz do Iguaçu e Guaíra, sendo necessária a prévia autorização do Superintendente da Polícia Federal no Estado do Paraná, José Alberto de Freitas Iegas. Antes da viagem, os personagens já estavam pré-selecionados, assim como o pré-roteiro com a ordem das entrevistas e perguntas para os entrevistados, porém este pré-roteiro teve algumas modificações, devido ao tempo das entrevistas, rendimento de material, cenas não programadas para filmagem, entre outros assuntos. Apesar do pré-roteiro das entrevistas, novas perguntas foram adicionados no decorrer do trabalho. A primeira cidade de gravação foi Guaíra, com duração de dois dias. Nesta cidade, no primeiro dia de gravação, agentes do Núcleo de Polícia Marítima da Polícia Federal NEPOM acompanharam a equipe de gravação para as filmagens nas embarcações da Polícia, com o intuito de apresentar os principais trajetos de traficantes de drogas da região pelo Rio Paraná. No dia seguinte, no período da manhã, a equipe viajou de carro, com um agente da Policia Federal para a divisa entre o Mato Grosso do Sul e Paraguai para mostrar a divisa terrestre entre Brasil e Paraguai. A tarde foi reservada às quatro entrevistas de Guaíra que foram gravadas na Delegacia de Guaíra e no NEPOM. Já no período da noite, policiais federais montaram uma barreira policial de rotina na entrada de Guaíra, para que a equipe pudesse filmar as suas ações por meio terrestre. Nesta fase da gravação a principal restrição ocorreu pela pouca quantidade de efetivo, cerca de 50 pessoas, trabalhando na cidade nessa semana. Na quarta-feira, no período da tarde, a equipe chegou a Foz do Iguaçu. Em razão do horário, apenas se apresentou ao Chefe da Delegacia de Foz e marcou as primeiras entrevistas para o dia seguinte. Pelo tamanho e importância dessa cidade

78 78 para o contexto do presente trabalho, os dias de gravação foram maiores que na cidade de Guaíra. No primeiro dia, a entrevista foi gravada dentro da delegacia, no setor da carceragem. Ainda pela manhã, a equipe acompanhou a equipe do NEPOM de Foz do Iguaçu até sua sede, localizada dentro das dependências da ITAIPU, sendo permitida a gravação durante todo o trajeto dentro da propriedade. Pelo mau tempo que fazia na cidade no dia da gravação não foi possível que a equipe gravasse no Lago Itaipu e no Rio Paraná, porém foram cedidas imagens feitas pela própria Policia Federal. Já no período da tarde, a equipe do canil, que estava preparada para realizar uma barreira policial na BR 277, com o intuito de vistoriar os ônibus de sacoleiros que passam pelo local, permitiu o acompanhamento dessa ação. Porém, já no local, a chuva acabou prejudicando a barreira policial e, consequentemente, a filmagem. Entretanto, para que nossa equipe pudesse presenciar a ação completa, uma nova barreira foi programada para o dia seguinte. Na sexta-feira, a equipe, pela manhã, gravou as ações da Polícia Federal, primeiramente na Ponte da Amizade e depois no Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu. À tarde, a equipe gravou com o responsável pelo canil da Polícia Federal e após a gravação, acompanhou-os até o ponto de fiscalização da Polícia Federal, na BR 277. Após três horas de gravação, um rapaz, menor de idade, foi flagrado com LSD, sendo necessário que os agentes se deslocassem à Delegacia de Polícia Civil, para que as medidas necessárias fossem tomadas. A equipe acompanhou toda essa ação, que teve o término próximo às 22h da noite. Já no sábado, a Polícia Federal realizou a apreensão de aproximadamente 150 quilos de cocaína. Agentes da Polícia Federal aguardaram a chegada de nossa equipe para começar a abrir os compartimentos do caminhão que guardavam a droga, para que a ação pudesse ser filmada. Em Guaíra, três entrevistas foram gravadas, em Foz do Iguaçu, quatro e em Curitiba mais quatro entrevistas foram feitas com delegados e agentes da Polícia Federal, que possuem experiência na região de fronteira. As principais limitações encontradas durante o processo de gravação foram as dificuldades para conversar com o lado oposto da Polícia Federal a respeito do tráfico de drogas. Foi permitido que a equipe visitasse e conhecesse a Penitenciária Federal de Catanduvas, no Estado do Paraná, porém não foi permitido que presos fossem ouvidos pela nossa equipe, já que seria necessária uma autorização prévia da Justiça.

79 TRILHA SONORA Para esse videodocumentário foram utilizadas duas trilhas sonoras. A primeira, que começa e finaliza o videodocumentário, é intitulada como O dia que não terminou 47, do cantor e compositor brasileiro Tico Santa Cruz. A música foi lançada no ano de 2004, no segundo álbum da banda, gravada pela Warner Brothers Records, na cidade do Rio de Janeiro. As autoras desse trabalho conseguiram a autorização de direitos autorais 48, através de contato telefônico com o empresário da banda. Já a segunda música utilizada foi retirada do site 'freeplaymusic.com', cujo termo de uso 49, libera a utilização livre das músicas para estudantes que utilizem seu material para apresentação que conste no currículo acadêmico. A música escolhida Gates to Adis, do compositor Dimitrius Hatzisavas, compõem a vinheta de abertura do documentário, juntamente com o áudio, cedido pelo Departamento de Polícia Federal, A goiaba escapou, gravado durante investigações da Polícia Federal na fronteira ORÇAMENTO A versão realizada para a apresentação do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) não utilizou a mão de obra de jornalistas formados, sendo gravado e editado pelas próprias acadêmicas, reduzindo estes custos. Os equipamentos utilizados para a produção deste videodocumentário jornalístico foram emprestados pelo Departamento de Polícia Federal no Estado do Paraná e pelas Faculdades Integradas do Brasil, havendo apenas o custo de dez fitas mini-dv, no valor de R$ 9,70 (valor unitário), totalizando 97 reais. Apesar de a edição ter sido realizada pelas próprias acadêmicas, foi realizado um orçamento na empresa Ludovic Produções 47 Veja em anexo a letra da música O dia que não terminou, p Autorização em apêndices, p Veja o termo de uso no site

80 80 para a cotação de preços de edição de vídeo. Foi necessário o pagamento de um editor de vídeo para realizar a finalização do videodocumentário, no valor de 200 reais. O valor dos profissionais de uma reportagem cinematográfica, de acordo com a Tabela de Salário e Free Lance do Sindicato dos Jornalistas do Paraná, gira em torno de 397,44 reais, por dia, enquanto o valor mensal de um repórter cinematográfico mensal chega a 2.323,68 reais. 50 A filmagem ocorreu nas cidades de Guaíra e Foz do Iguaçu, havendo, assim, um custo adicional com a locomoção. Orçamento Curitiba Guaíra Pedágio 55, 50 reais Gasolina ,01 reais Hotel Palmeiras (localizado em Laranjeiras do 90,00 reais quarto duplo Uma noite Sul) Hotel Sete Quedas 100 reais quarto duplo Duas noites Alimentação 20 reais por dias (3 dias) uma pessoa Locomoção dentro da cidade Sem custo Subtotal R$ 592,51 Orçamento Guaíra Foz do Iguaçu Pedágio 10,30 reais Gasolina 48,32 reais Subtotal R$ 58, 62 Orçamento Foz do Iguaçu Hotel Corados 110,00 reais quarto duplo Quatro noites Alimentação 20 reais por dias (5 dias) uma pessoa Locomoção dentro da cidade 80 reais Subtotal R$ 720,00 Orçamento Foz do Iguaçu Curitiba Pedágio 73,70 reais Gasolina 127,20 reais Subtotal R$ 200,90 Orçamento Materiais Adicionais Câmera Filmadora ,00 (segunda a quinta) 5 dias 210,00 (sexta, sáb, dom) 4 dias Fita Mini DV 9,40 reais (unidade) 10 DVD 0,98 reais (unidade) 10 Subtotal R$ 1783,80 50 Veja a tabela em anexos, p Valor aproximado, calculado pelo site <www.mapeia.com.br>, considerando o consumo do veículo 11 km/l e o valor da gasolina em R$ 2, Orçamento detalhado na p. 186.

81 81 Orçamento Profissionais Repórter Cinematográfico ,68 reais (por repórter ) - 2 pessoas Editor de Vídeo 2.300,00 reais 54 Editor para finalização 200, 00 Subtotal R$ 7.147,36 Valor Total: R$ ,19 Porém, no caso deste Trabalho de Conclusão de Curso, não houve o custo com a mão de obra de repórter cinematográfico, editor de vídeos e equipamentos de filmagem, reduzindo os custos de produção. O produto pode ser viabilizado através do apoio e patrocínio do Departamento da Polícia Federal, que inclusive auxiliou nos custos da viagem, diminuindo o valor das despesas ROTEIRO A primeira decisão para a construção do roteiro foi que seria imprescindível a viagem para a região de fronteira para a gravação com os personagens do videodocumentário e imagens de corte. A partir disso, começaram a seleção dos entrevistados e a preparação para a viagem, que teve a data escolhida de acordo com a agenda profissional das acadêmicas. Os assuntos abordados no videodocumentário foram: o funcionamento do tráfico de drogas e do crime organizado na fronteira, a rota utilizada pelos criminosos para a entrada da droga vindas do exterior para o Brasil através do Estado do Paraná, as consequências dessas ações no âmbito social, e principalmente, qual é a atuação da Polícia Federal na região de fronteira para coibir essas atividades ilegais. 53 Os valores, de acordo com a tabela de Salários e Free Lance do Sindjor-Pr para repórter cinematográfico apresentam diferenças de valores para gravações na cidade em que o repórter reside e para gravações em cidades que demandam viagem. 54 Orçamento detalhado em anexo, p. 188.

82 Imagens Em relação à identidade visual do videodocumentário, a primeira decisão foi em relação ao enquadramento padrão que seria em primeiro plano que, de acordo com Machado (1999), é a posição ocupada pelas pessoas ou objetos mais próximos à câmara, à frente dos demais elementos que compõem o quadro (p. 09). Porém, em algumas situações, outros enquadramentos como Plano Médio e Contraplongê também foram utilizados. Em determinadas cenas do videodocumentário foi necessário que, através da edição, alguns rostos de civis, fossem ocultados para não criar nenhum tipo de constrangimento. Foram utilizados cortes secos durante o decorrer do videodocumentário. Todas as imagens de corte do videodocumentário foram produzidas pelas acadêmicas, com exceção de algumas ações da Polícia Federal que foram cedidas pelo Departamento para utilização no trabalho, sendo elas: movimentação na fronteira, com pessoas carregando caixas na beira do Lago de Itaipu (tempo no videodocumentário: 00:07 à 00:18); policiais federais saindo no barco e entrando nas margens do Rio Paraná (tempo no videodocumentário: 03:54 à 03:54); movimentação de carros na Ponte da Amizade (tempo no videodocumentário: 04:00 à 04:02); imagem aérea da lancha da Polícia Federal no Lago de Itaipu (tempo no videodocumentário: 05:16 à 05:36); lancha da Polícia Federal interceptando barco ilegal no Lago de Itaipu (tempo no videodocumentário: 05:45 à 05:59); imagens da câmera térmica (tempo no videodocumentário: 06:44 à 06:58); barco da Polícia Federal em diligência pelo Lago de Itaipu (tempo no videodocumentário: 07:17 à 07:30); retirada de maconha de dentro de um veículo (tempo no videodocumentário: 09:34 à 09:47); ônibus passando na Ponte Internacional da Amizade (tempo no videodocumentário: 09:55 à 09:58); fiscalização da Polícia Federal dentro de um ônibus de viagem (tempo no videodocumentário: 14:52 à 16:19); retirada de maconha de dentro do veículo (tempo no videodocumentário: 29:20 à 29:47). Buscou-se, no decorrer do videodocumentário, apresentar imagens que representassem o trabalho da Polícia Federal, no seu dia a dia. De acordo com o Memorando nº 18/ DREX 55, o fuzil é uma das armas utilizadas pela Instituição 55 Veja o Memorando n 18/2012 DREX na p. 190.

83 83 no combate ao crime organizado, portanto foi escolhido como imagem do título. A imagem do Gerador de Caracteres (GC) utilizada no videodocumentário é a representação, em figura, de um agente de Polícia Federal uniformizado. Em determinadas cenas sentiu-se a necessidade de apresentar um lettering, mantendo a identidade do videodocumentário, para explicar ao público o que acontecia na cena no momento. Zanetti (2010) explica que o lettering são informações, através de palavras, que sobrepõem imagens para situar o telespectador. Para que não houvesse dúvidas sobre os entrevistados o videodocumentário apresentou, através do GC, nome e sobrenome de todos os entrevistados, além do cargo que ocupam dentro da Polícia Federal. Com a opção de fazer um videodocumentário institucional da Polícia Federal, na qual a principal intenção era apresentar o trabalho da Instituição sob o ponto de vista dos próprios servidores do Órgão, optou-se por não utilizar a locução em off, pois qualquer interpretação feita pelas acadêmicas poderiam influenciar na situação apresentada ao telespectador. Então, o videodocumentário apresenta-se todo através de relatos e imagens da Polícia Federal. Após a gravação, todas as entrevistas e imagens de corte foram decupadas, para que houvesse uma visão geral do material bruto, totalizando 80,46 gigabytes. Somente com esse material em mãos foi possível que o primeiro roteiro fosse desenvolvido. A partir disso, alterações foram necessárias, chegando ao roteiro final, após 10 versões editadas pelas próprias acadêmicas. Na última versão do videodocumentário, houve uma mescla de imagens e entrevistas para, primeiramente, chamar a atenção do telespectador e também para alertá-lo que após determinada imagem, o assunto mudaria. Antes de mostrar para o público o trabalho da Polícia Federal, ou seja, antes da abertura oficial do videodocumentário, foi apresentado brevemente o que é o tráfico de drogas e quais as rotas utilizadas pelos traficantes para a entrada de drogas no Brasil, através do Estado do Paraná. A vinheta de abertura oficial entra depois da apresentação dos dados, para mostrar que o videodocumentário fala da atuação da Polícia Federal na repressão da atividade criminosa. Apesar de se tratar de um videodocumentário institucional da Polícia Federal, o foco não era apresentar os números de viaturas, policiais ou outros dados, e sim apresentar o tráfico de drogas e a ação da polícia, sob uma visão interna, para o

84 84 público-alvo. Então, os entrevistados mostraram, através de suas experiências, o que vivem ou viveram na fronteira, na atividade de repressão ao tráfico de drogas. Explicou-se durante o decorrer do trabalho a diferença entre os cargos dentro do crime organizado e o tráfico de drogas, por exemplo: a diferença entre uma mula do tráfico e um traficante de ofício, ou seja, aquele que vive apenas para traficar. Outro ponto destacado no documentário foram as formas de transporte das substâncias entorpecentes, ou seja, os métodos de ocultação da droga. Também foram mostrados como é a atuação da polícia e quais os meios que ela possui para agir, por exemplo: a divisão em núcleos para que todas as formas de entradas da droga possam ser fiscalizadas ao mesmo tempo, como o Núcleo de Polícia Marítima, Aeroportos, Postos na Ponte Internacional da Amizade e Unidade de Cães de Serviço. Outro ponto discutido no trabalho foi a questão do valor do tráfico de drogas na sociedade. Os entrevistados apresentaram, através de exemplos, quanto um traficante de drogas recebe para cometer essa atividade ilícita e mais, propuseram um comparativo com outros investimentos que também são capazes de gerar lucros em nosso país. As consequências do tráfico de drogas na sociedade e histórias vivenciadas pelos servidores da Polícia Federal completaram os assuntos abordados, durante o videodocumentário. Porém, para que o trabalho não se resumisse apenas às entrevistas, optou-se por apresentar diversas imagens, com o áudio original, para que o público pudesse sentir e vivenciar, através delas, um pedaço do que é a fronteira do Paraná. Nessas imagens não houve intervenções para que o telespectador pudesse tirar suas conclusões sobre a atuação da Polícia Federal. Outro recurso visual utilizado foi a apresentação de mapas animados em 2D, para que a rota do tráfico ficasse completamente clara na visão do público. E ainda, na questão de animação, foi apresentada uma tabela, durante a exposição sobre os diferentes tipos de investimento, para que o telespectador pudesse acompanhar o pensamento e a argumentação do entrevistado. Na última parte do documentário, foram apresentados dados de número de prisões e internações médicas por tráfico de drogas em tela preta para chamar a atenção do telespectador. Ao final do videodocumentário, subiram os créditos que, segundo Machado (1999), se caracteriza por demonstrar reconhecimento e agradecimento a qualquer

85 85 tipo de contribuição feita por uma pessoa física ou jurídica que tenha contribuído para a produção e execução do produto audiovisual. Nesta fase, a imagem selecionada é a do pôr-do-sol da cidade de Guaíra, gravada durante uma diligência no Rio Paraná, para que as acadêmicas pudessem conhecer pessoalmente o foco do trabalho realizado pela equipe marítima da Polícia Federal na cidade. Para criar uma base videográfica na construção do roteiro foram assistidos, no primeiro semestre de 2012, diversos videodocumentários brasileiros. Edifício Master e Jogo de Cena, do diretor Eduardo Coutinho, produzidos nos anos de 2002 e 2007 respectivamente; Entreatos, dirigido por João Moreira Salles, em 2004; Falcão Meninos do Tráfico, de MV Bill e Celso Athayde, em 2006; Jogo de Cena, com direção de José Padilha, no ano de 2002; e Aborto dos Outros, da diretora Carla Gallo, em De cada um desses documentários, foi buscado inspiração e exemplos para auxiliar na produção do videodocumentário Polícia Federal A Guardiã da Fronteira.

86 CONSIDERAÇÕES FINAIS Com a elaboração deste trabalho, foi possível observar e analisar o trabalho realizado pela Polícia Federal, na região de fronteira, visando o combate ao tráfico de drogas. Além disso, foi discutida a relação existente entre crime organizado e o tráfico de entorpecentes, apresentando as principais consequências desses métodos ilícitos em toda a sociedade brasileira. Primeiramente buscou-se delimitar o tema para entender como drogas que não são produzidas, ou produzidas em pequena escala, em território nacional podem estar presentes em notável quantidade no Brasil. Pôde-se compreender que as drogas são produzidas em grande escala nos países andinos Bolívia, Peru e Colômbia, no caso da cocaína, e Paraguai, no caso da maconha. O Brasil se torna, portanto, um corredor de passagem dessas drogas, gerando interesse dos traficantes estrangeiros e cooptando brasileiros para este ramo ilegal. Percebe-se também que não se trata de uma prática recente, pois, apesar de não possuir uma data fixa para o início da atividade, estima-se que exista há pelo menos trinta anos no Brasil e na esfera mundial, desde a Idade Média. Como é analisado durante o trabalho, a relação existente entre o tráfico de drogas e crime organizado se dá, exclusivamente, pela capacidade que o tráfico possui para arrecadar dinheiro, financiando a prática de outros crimes. Portanto, o tráfico de drogas pode ser considerado como o financiador de outros crimes e, como moeda de troca, recebe a proteção de organizações criminosas. Então, a partir do momento em que o Brasil se torna um dos principais corredores para a passagem de drogas da América do Sul para a Europa e Estados Unidos, o Estado do Paraná destaca-se por sua localização geográfica, pois possui uma extensa área de fronteira terrestre e lacustre que facilitam a passagem das substâncias ilícitas. Para tentar coibir essas ações criminosas, surge a atribuição da Polícia Federal, que é, neste caso, zelar pelas entradas do território brasileiro. Para complementar o conteúdo bibliográfico a respeito das atuações da Polícia Federal foi aplicada a pesquisa qualitativa na qual apresentou que a Instituição atua de forma investigativa e ostensiva, ou seja, presente nas fronteiras. Portanto a forma investigativa se torna a principal arma contra as ações criminosas,

87 87 pois se utiliza mais a inteligência policial que a força física. Em relação à mídia, notase que apesar de aparecer nos diversos meios, sente-se a necessidade de notícias mais aprofundadas a respeito das ações policiais. Sendo essa barreira colocada, principalmente, pela própria Polícia Federal, que se mostra em fase de adaptação para aceitar a imprensa como parceira. Por outro lado, também se entende que essa barreira da Instituição deve-se ao pouco preparo dos profissionais da área jornalística para tratar de assuntos específicos sobre segurança pública, dificultando a comunicação entre órgão e imprensa. Essa necessidade de aproximação entre a Polícia Federal e seu público, através da mídia, é a principal resposta para o problema indicado neste trabalho. O videodocumentário institucional jornalístico pôde apresentar a atuação da Polícia Federal contra o tráfico de drogas na fronteira do Brasil/Paraguai, mostrando por meio de relatos de agentes e delegados federais, que possuem conhecimento bibliográfico e vivencial nessa área, como é a verdadeira situação da região fronteiriça. Sendo amparados através de imagens para que as histórias relatadas não se tornassem apenas objetos da imaginação do público, mas sim um conhecimento real. Para que houvesse uma base teórica, optou-se pela teoria de controle social, bastante discutida por estudiosos, pois ao mesmo tempo em que é vista como a salvação da sociedade atual para uns, ela causa repúdio para outros. Características bastantes presentes nos pensamentos Foucaultianos, que é visivelmente contra o controle exercido pelas organizações. Entretanto, mesmo contra esse fenômeno, admite que o controle social, bom ou não, se faz presente na sociedade e em diversos meios. Já vendo o controle social, pelo outro lado, autores como Bobbio, admitem que o Estado deva impor limites para a sociedade para que a ordem pública e o direito coletivo sejam preservados, pois vivemos em uma comunidade com diferentes pensamentos que podem levar ao caos social se não bem administrados. Por fim, de acordo com as considerações apresentadas durante o decorrer deste trabalho, constatou-se que a Polícia Federal atua de forma presente na região de fronteira, buscando atualizar-se e modelar-se com as modificações realizadas pelas organizações criminosas, visando que o tráfico de drogas diminua suas ações no âmbito nacional. Fica, portanto, o convite para que novas pesquisas acerca do

88 88 trabalho policial e o meio jornalístico sejam realizados, proporcionando um relacionamento mais integrado entre a Polícia e a sociedade.

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105 105 57Cinema.pdf&ei=IVvGT8PkNYm29QTQv6nSBg&usg=AFQjCNFm7kEKmkad3J7kJ wequwsze1_oha&sig2=3ps3sc6vglwdt_oaxjq-pw>. Acesso em: 18 mai RIBEIRO, Carolina Maciel; MOREIRA, Rejane Mattos. Documentário e Comunicação: Construção de Possibilidades. Trabalho apresentado no Intercom, na Divisão Temática Comunicação Audiovisual do XIV Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sudeste, Rio de Janeiro, Disponível em: <http://www.intercom.org.br/papers/regionais/sudeste2009/resumos/r pdf>. Acesso em: 16 mai RODRIGUES, Marcos Alex. O Segredo da Comunicação Dirigida, Disponível em: <http://www.executivenews.com.br/index.php/news/artigos/1520-osegredo-da-comunicacao-dirigida->. Acesso em: 17 out RODRIGUES, Thiago. Política e Drogas nas Américas. São Paulo: EDUC:FAPESP, SANTANA, Gustavo Saldanha. Do Impresso ao Ciberespaço. 112f. Projeto Experimental (Bacharel em Comunicação Social) Universidade Federal do Maranhão, São Luis, Disponível em: <http://www.rpalternativo.ufma.br/monos/gustavosantanadoimpressoaociberespaco.pdf>. Acesso em: 16 out SANTOS, Udson Augusto Lima. A Globalização do Narcotráfico: A Influência das Convenções Internacionais sobre drogas no âmbito da ONU para o combate às drogas e às políticas públicas brasileiras. 78 f. Monografia (Bacharel em Relações Internacionais) Centro Universitário de Brasília, Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais, Brasília, Disponível em: <http://repositorio.uniceub.br/bitstream/ /681/1/ pdf >. Acesso em: 11 mar SAPIA, Izabella de Carvalho. Atuação do Agente Infiltrado no Combate ao Crime Organizado. 77 f. Monografia (Bacharel em Direito) Faculdades Integradas Antônio Eufrásio de Toledo, Presidente Prudente, Disponível em:

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110 APÊNDICES 110

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122 122 PESQUISA QUALITATIVA 56 DECUPAGEM 01 Nome: Gildeto Stel Meira Função: Agente da Polícia Federal Tempo de Experiência: 16 anos Tempo de Experiência na Fronteira: 14 anos Idade: 42 anos Formação: História 1 - Qual a função de um agente da Polícia Federal na Fronteira? Cabe ao agente de Polícia Federal apoiar as autoridades policiais nas investigações de crimes afetos ao Departamento de Polícia Federal. O Departamento de Polícia Federal tem suas atribuições expressas no artigo 144, da Constituição Federal, que diz que somos Polícia Judiciária, que exercermos com exclusividade a função de Polícia Judiciária da União, além de termos como atribuições primeiras, o controle migratório, o policiamento de fronteiras, a investigação de crimes federais, proteção de autoridades federais e o combate ao narcotráfico. 2- Você acha que o efetivo é suficiente para a demanda do trabalho? Não, nós temos nos onze estados brasileiros, que fazem fronteiras exteriores, vamos chamar assim. Nós temos pouquíssimas unidades, entre postos e delegacias, nós não temos cinquenta unidades, no país todo. O Brasil tem uma área de fronteira imensa, uma área geograficamente muito diversa. Você trabalha, como 56 As respostas foram adequadas à norma culta no momento da decupagem.

123 123 já trabalhei no Rio Grande do Sul, com temperaturas abaixo de 0, a menos 2, menos 3 graus, patrulhando a fronteira, como você trabalha em temperaturas que chegam a 50º graus na região Norte do país, com umidade de 90 e tantos por centos. Então você tem uma diversidade muito grande, uma necessidade de policiamento que aumenta a cada dia, porque os problemas na fronteira brasileira estão se acumulando. Nós fazemos fronteira com vários países produtores: Paraguai, maior produtor mundial de maconha; Bolívia, o segundo maior produtor mundial de cocaína (de folha de coca); Peru, maior produtor mundial de folha de coca; Colômbia, o terceiro maior produtor mundial de folha de coca. E você tem aí áreas de mineração clandestinas, no caso das Guianas, da Guiana Francesa, da República da Guiana, Suriname. Muito problema migratório, como nós vimos a questão agora, dos estrangeiros se aglomerando junto as cidades de fronteira no Acre em Guajará Mirim no Amazonas. Então, antes nós tínhamos um problema de fronteiras, relacionados ao contrabando de mercadorias, em razão de questões tributárias e a questão do dólar; depois veio o narcotráfico e o tráfico de armas na sequência. Hoje nós temos também uma questão que vai crescer e eu acredito que é o problema de fronteira que mais vai crescer, na próxima década, que é o aumento do fluxo de imigrantes clandestinos. Resultado de uma economia brasileira, que segundo especialistas que a gente lê hoje na área econômica, dizem que a economia brasileira é a que mais vai crescer nos próximos vinte anos e nós somos cercados de países pobres, e é uma tendência que está se verificando já, de um aumento substancial na entrada, no fluxo de imigrantes legais. São pessoas que estão fugindo de seus países por questões econômicas, são refugiados econômicos, só que nós temos que procurar controlar isso, porque senão o Brasil vai virar a solução econômica dos problemas dos países da América do Sul, então tem problemas com seus pobres? Mandam seus pobres para o Brasil, nós não podemos permitir isso. 3- Quais as formas mais comuns de transporte de drogas? A forma mais comum que você tem de transporte de entorpecente é ele em algum tipo de veículo automotor, seja ele automóvel ou caminhão. Esse veículo camuflado,

124 124 em meio ao que nós chamamos de fundo falso, em compartimentos que são construídos dentro dos veículos - nos pneus, nas estruturas metálicas dos veículos, seus chassis, para-choques, compartimentos internos, em baixo das forrações para o transporte de drogas. E a principal droga transportada é a maconha. 4- Qual a diferença entre trabalho ostensivo e investigativo? Ah! A diferença, ela é muito grande né? O trabalho ostensivo é essencialmente e característicos das delegacias de fronteira, porque a presença do Estado não deve se fazer, unicamente, através daquele trabalho do dia a dia, velado, através de entrevistas que você vai formando o quebra-cabeça a fim de identificar quem está cometendo o ilícito penal, no caso aqui da entrevista, o narcotráfico e mapeando as redes com o objetivo de prender as pessoas importantes que fazem parte dessa rede, é assim que é a investigação. O trabalho ostensivo é o trabalho que dá presença do Estado. A pessoa entrar no país e ver lá o policial vestido de preto, com a camiseta escrita Polícia Federal, abordando os veículos, verificando os documentos, revistando compartimentos desse veículo. Com o intuito de identificar e localizar o tráfico de drogas, o tráfico de armas, mercadorias contrabandeadas e essa atividade ostensiva, mesmo que você não tenha um trabalho de inteligência prévia, ela se vale de informações de investigações também. Através da análise dos dados que você consegue a partir de investigações das ações, você descobre tendências. Ah! A tendência maior hoje, com o narcotráfico, é a utilização de pneus em veículos para o transporte de drogas. No trabalho ostensivo, você recebe essa informação e então, a partir dessa investigação, você está ali, ostensivamente, nas estradas, você vai, olha a tendência do momento é o que? Que eles transportem drogas nas laterais das portas. Então você vai com mais atenção naquele ali e é muito importante, é a presença do Estado. Você vai tirar de circulação muita gente. Em Foz, nós chegamos a fazer sete flagrantes em um único dia, com o trabalho ostensivo, certo? Só que a gente sabe que é casos excepcionalíssimos, de muita sorte, você vai tirar as mulas de circulação e, principalmente, tentar interromper o fluxo de entrada de drogas. Agora a investigação, você vai à veia do negócio, você trabalha para identificar, mapear e destruir as organizações, esse é o objetivo da

125 125 investigação. Então o trabalho ostensivo é o trabalho mais presencial, com o objetivo aleatório e já o trabalho investigativo é um trabalho velado só que com um objetivo mais específico. 5- Qual a importância dos equipamentos (VANT, lanchas, equipamentos de raio-x, equipamento que filme a noite com infravermelho) para o trabalho da Polícia Federal? O Brasil cresceu de costas para a fronteira, nós somos um país de origem lusitana, em um mar hispânico, essa é a realidade brasileira. Então, o Brasil nunca teve interesse em se integrar com seus vizinhos hispânicos. A exceção da Argentina que existe toda uma rivalidade, mas o brasileiro sempre teve uma afinidade maior, até uma afinidade em razão da cultura, o tango, então a Argentina sempre exerceu certo fascínio sobre o Brasil. Os demais países, por serem países muito pobres e de áreas de fronteiras e selva, o Brasil nunca demonstrou grande interesse. Só que com o passar das décadas, com o aumento populacional e, principalmente, após a criação do MERCOSUL e o crescimento da economia brasileira, o Brasil está procurando se integrar às economias dos países de origem hispânica, procurando ganhar esses mercados. Pra que eu vou exportar para o Japão, se eu tenho um mercado aqui ao lado, que é muito mais barato e meu produto chega com condições de competitividade. Então houve um crescimento muito grande. Quando eu comecei a trabalhar, aos fins de 1996, pra hoje, acho que multiplicou, em cinco ou seis, o número de pessoas na fronteira. E a partir do momento que você não tem um aumento de efetivo, você tem um aumento do fluxo de veículos, um aumento exponencial do fluxo de caminhões, por esse comercio pulsante e vivo que está na fronteira, ocorrendo e aumentando todos os dias, nós temos que nos valer cada vez mais de meios de tecnologia. Hoje nós não podemos falar de policiamento de fronteira efetivo sem tecnologia. Sejam scanners para escanear as cargas de caminhão, que estão enchendo as aduanas brasileiras ao longo da fronteira; sejam scanners para escanear os veículos que transitam pelas cidades de fronteira, nas praças de fronteiras; seja o VANT, que vai nos possibilitar colher inteligência, a principal função do VANT, o VANT não vai lá prender ninguém, o VANT é um avião

126 126 sem piloto, ele não vai descer e prender ninguém, o VANT vai poder voar em locais que hoje é de difícil acesso, nós mantemos um olho naquele local suspeito, porque o VANT tem uma capacidade de voo superior a 24 horas contínuas, você não tem aquele fator humano de ter que descer porque o piloto está cansado, não o piloto vai pra casa e o outro assume. Nós temos um olho sobre a fronteira, e grande parte da fronteira brasileira ainda é selva, o que é praticamente inacessível, então o VANT vai nos dar uma condição melhor de compreender e analisar o que está acontecendo na fronteira. Então o scanner, o VANT, os raio-x em aeroportos, os body-scanners, que estão sendo instalados nos aeroportos, Foz é um exemplo, a apreensão de droga aumentou. Então nós temos que investir maciçamente em tecnologia. Só que nós não podemos esquecer que tecnologia não investiga, não analisa informação, tecnologia não prende ninguém, o que faz isso é o ser humano, é termos um policial com um nível intelectual cada dia maior, o Departamento pensa dessa forma e procurar capacitá-lo cada vez mais, para que além dele operar toda essa parafernália tecnológica, nós temos gente com capacidade de tomada de decisão e o principal, decidir de forma correta. 5- Você sente falta de maior quantidade de equipamentos ou de mais tecnologias nas regiões de fronteira? Sim, a fronteira ela merece, o policiamento de fronteira merece um investimento maciço. O colega que está lá ponta está trabalhando na área de fronteira, ele tem que ter acesso à informação com rapidez. Nós temos unidades que não tem acesso à internet, não porque o Departamento não forneceu, é porque na região onde ele está não tem internet, não tem telefonia. Então nós temos que possibilitar comunicação via satélite, porque se eu estou lá, em São Gabriel da Cachoeira, eu abordo um colombiano suspeito, eu tenho que ter acesso à informação que vai me dizer se ele é quem ele diz que é, se eu não estou com um Pedro, mas na realidade é José, se essa pessoa não possui um mandado de prisão, até mesmo um mandado internacional, eu posso estar diante de um perigoso terrorista das FARC, então eu tenho que ter acesso à tecnologia. Hoje ela é essencialíssima para uma policia que

127 127 quer operar de forma republicana, com respeito aos direitos humanos e com eficiência, é a questão tecnológica. 6 - Você acha satisfatório o trabalho da Polícia Federal na fronteira? Essa pergunta nos permite fazer duas análises diferentes. Se você for olhar de forma quantitativa, o que quantitativamente o Departamento de Polícia Federal está conseguindo com pouco nós temos menos de mil policiais trabalhando nas fronteiras do Brasil nós somos a melhor polícia do mundo. O que a Polícia Federal apreende de drogas, os mil policiais federais que estão na fronteira, apreendem cocaína, crack e maconha, é superior a soma de todas as 54 policias estaduais que nós possuímos no Brasil, então o trabalho você não tem como discutir. Agora, se nós formos discutir o trabalho diante da demanda, nós temos muito que avançar. Só que esse avanço depende do aumento da presença efetiva da policia, das pessoas. Nós precisaríamos dobrar o efetivo policial de Foz do Iguaçu, precisaríamos dobrar o efetivo policial que temos na delegacia de Guaíra, dobrar o efetivo policial que temos na delegacia de Cascavel, abrirmos a Delegacia de Policia Federal de Francisco Beltrão, é uma necessidade que se faz hoje, para aí sim. Estou te falando isso em termos de Paraná, aí sim estaríamos prestando um serviço, atendendo toda a demanda, mas o que nós temos hoje, apesar de toda a carência, o resultado é fantástico. Nós conseguimos muito, com muito pouco. 7- O que falta na Polícia Federal hoje? Gente!

128 Qual é a relação da Polícia Federal com a mídia? Eu acredito que a Polícia Federal, quando eu entrei em 96, era horrível, nós vínhamos em um período que a Polícia Federal foi construída por uma atividade de polícia política do regime militar, então ela tinha horror à mídia. E de 88 pra cá, com a nova Constituição, ela foi se transformando e eu acredito que nós temos uma excelente relação com a mídia. A principal preocupação, não sou da área de Comunicação Social, mas o que a gente vê, como servidor e como cidadão, é que a Polícia Federal se preocupa em prestar conta daquilo que faz à população. Daí dessa prestação de contas diária que o Departamento faz, vem os índices fantásticos de popularidade do Departamento e a confiança da população com o Departamento de Polícia Federal. 9- Qual a sua percepção da imagem retratada da Polícia Federal na mídia? A mídia, ela peca, às vezes, o jornalismo peca, às vezes, por ele não buscar especialização. Então você tem gente que em um dia trata, principalmente na imprensa escrita, do aumento do preço do arroz e no outro dia ele está tratando de questões policiais. Então a gente nota que a mídia poderia se especializar mais em uma área. O jornalismo policial no Brasil ainda tem muito haver com aquele do justiceiro, que prega vamos matar bandidos e coisas assim, e isso é uma coisa que não deve existir mais. Hoje, existe uma demanda por um jornalismo policial mais técnico, que explique para a população o que a polícia está fazendo, sob um olhar técnico, já que a população, às vezes, não consegue compreender e ela quer entender. Existe esse mercado de pessoas que querem entender o que a policia está fazendo. E o Departamento de Polícia Federal é a melhor mercadoria que tem, em matéria de notícia de polícia, com certeza vende e vende muito bem.

129 Porque a Polícia Federal é menos criticada pela mídia que as Polícias Militar e Civil? Combate à corrupção interna. A população está cansada de corrupção, não só as policias, mas todos os órgãos públicos estão sujeitos a malfeitos, como diz a nossa presidente. Então há sujeitos, pessoas que cedem à tentação. Na polícia, a tentação é diária e o Departamento não coaduna, ele não tem medo de cortar a própria carne, sempre foi assim. A Polícia Federal, em alguns anos, foi o órgão que mais demitiu no serviço público da União. Então, a nossa popularidade vem da confiança e a confiança da população advém porque ela sabe que a corrupção aqui não é institucional e que é um caso isolado e que se a gente descobre, a gente vai pra cima, vamos prender e vamos expulsar esse policial, é dai que vem a confiança das pessoas na gente. 11- Qual a sua opinião sobre a mídia? Ela ajuda ou atrapalha o trabalho da Polícia Federal? Olha, eu acho que a mídia, primeiro não tem função nem tem de ajudar, nem de atrapalhar. Ela tem função de informar, essa é a principal função da mídia, é informar a população. Ela não deve se fazer, às vezes, de policia, e querer ser polícia. Que é como eu já disse na pergunta anterior, as pessoas não querem mais aquele radialista, principalmente do rádio, que vai lá xingar bandido. Aquele jornalista que vai bater boca com bandido na delegacia, não, as pessoas querem um jornalismo que a informe, e que a informe corretamente e que a faça entender. Porque a internet, que é a grande revolução do jornalismo, está sendo a grande evolução da informação como um todo, permite que você receba muita informação. Então, hoje, ninguém mais reclama da falta de informação como um dado bruto, o que as pessoas querem é a informação com qualidade, aquilo que eu informo o fato e explico para o leitor ou passo para quem tá assistindo de forma tal, que a pessoa consiga compreender. As pessoas querem compreender o que está se passando no mundo. Nós estamos em um período de grandes transformações, então o problema

130 130 das drogas, a polícia prendeu um pé de chinelo; ah ela prendeu um grandão, não é por ai, a função da mídia não é endeusar a polícia, a função da mídia não é falar mal da mídia, a função da mídia é expor para a população. Porque há alguns veículos e alguns jornalistas que são tendenciosamente contra a polícia, mesmo quando a polícia acerta, a polícia brasileira e toda a polícia brasileira é muito boa e eu vou dizer o seguinte, tem estados que pagam 450 dólares por mês para um policial e querem que este policial com 450 dólares faça com o que um policial americano faz ganhando cinco mil dólares, é uma questão de custo e do serviço que eu vou receber, eu quero pagar preços famélicos e receber um serviço que vou receber em um grande estado francês, isso não dá. O Departamento melhorou em razão de que a política de melhora salarial, que, aliás, está sendo deixada de lado e nós estamos lutando para que volte a questão da valorização humana, do ser humano, investimento maciço em tecnologia, combate diuturna corrupção, a melhor arma que o policial pode ter com ele é o respeito que advém do seu cargo, não é uma bazuca, um fuzil, um míssil, um avião não, é o que a população acha dele. 12- Você acha que o fato da Polícia Federal possuir regras, que não existem em outras instituições policiais, por exemplo, a divulgação dos dados e imagens dos presos, acaba perdendo espaço na mídia? Ela perde espaço na mídia, às vezes, por não divulgar nome de pessoas, por não divulgar rosto das pessoas. Então ainda tem uma parte da mídia que não está focando em explicar para o cidadão, ela quer mostrar e escrachar, quer mostrar a foto do cara lá e chamar de bandido e se no outro dia o cara for inocentado não é problema dessa mesma mídia, certo? Então a gente, às vezes, perde espaço em alguns veículos em razão disso.

131 Como a imprensa aborda o combate ao tráfico de drogas? O tema das drogas é um tema muito polêmico, porque no Brasil nós vivemos uma dicotomia, é o seguinte fala-se em descriminalizar a droga, mas as drogas já estão descriminalizadas, hoje se o pessoal for pego fumando uma maconha ou cheirando cocaína vai ser feito um termo circunstanciado, ele vai se apresentar ao juiz em seis meses e lá ele vai receber um puxão de orelhas. Então, não existe mais crime, na prática não existe mais crime. E a mídia, às vezes, fica vendendo uma imagem que não é verdadeira. Ah! O traficante que subiu o morro porque ele ajuda a comunidade!, eu estou há 16 anos na polícia e nunca vi traficante ajudar ninguém, ele aterroriza as pessoas, ele mata as pessoas, ele queima a casa, ele estupra mulheres, assassina filhos na frente de mães, ele ateia fogo em pessoas vivas, isso sim eu vi o tráfico fazer e vi pessoalmente, não li, não me falaram. Então a gente vê, por parte de alguns, que ficam procurando justificar o crime por conta da pobreza, ah o cara é pobre, em razão disso ele cometeu um crime. Não, ninguém comete por isso, se a pobreza fosse um motivo para cometimento de crime, nós teríamos milhões de criminosos e não temos. Aliás, quem mais quer polícia nesse país são os pobres, quem não quer polícia são os ricos que querem a Polícia Federal bem longe, porque quando nós vamos á casa deles, vamos por crimes tributários, crimes de evasão de divisas, sonegação fiscal, roubo de dinheiro público e isso não é o pobre que está fazendo, o pobre quer polícia nas ruas, porque não quer ver ninguém fumando um cigarro de maconha na frente da porta da deles, ele não quer que o filho dele sendo agredido ali na esquina por que um bando de viciados que querem tomar cinco reais para poder comprar uma pedra na boca da esquina. Então, o jornalismo, às vezes, peca porque ele generaliza alguns pontos de vista a partir de posições políticas e ideológicas que hoje estão ultrapassadas. Sociologicamente foi comprovado que são teses falsas, a questão do crime em razão da pobreza. O crime sim aterroriza e ocupa as regiões pobres abandonadas pelo serviço público. O que as populações querem é policia, o que as populações querem é serviço público de qualidade e tem alguns veículos que ainda querem fazer qualquer tipo de associação com o crime com luta social e não tem nada a ver, o crime nunca resolveu problema social nenhum, o crime nunca tirou ninguém da miséria. O crime só aumenta a miséria e só traz mais tristeza e desgraça.

132 Qual a sua opinião sobre a imprensa acompanhar o trabalho da Polícia Federal? Então, essa semana eu estava lendo a questão do jornalista francês que foi capturado pelas FARC em uma ação do exército colombiano. Essa questão do jornalismo dentro das forças policiais, dentro das forças militares foi criada pelos americanos na Guerra do Golfo, em 1991, que é o tal do jornalista agregado, tem um termo em inglês que agora me fugiu, certo? Eu não vejo mal nenhum na imprensa acompanhar, desde que seja um acompanhamento responsável, certo? A imprensa tem o papel de informar, de auxiliar na educação dessas pessoas e de explicar o que está acontecendo. A imprensa não tem que tomar posição, para criticar ou elogiar a polícia. A gente não quer que você vá ao jornal e escreva lá que a Polícia Federal é maravilhosa e nem ao contrário, a gente quer que o jornal escreva que ontem a Polícia Federal fez mais uma operação de combate ao narcotráfico internacional em Paranaguá e a investigação foi assim, assim, assim, assim. E deixe que a partir do que você está escrevendo, a população entenda o que está acontecendo, que aquilo ali é ação dentro de um quadro muito maior do mundo em que nós estamos vivendo hoje. Então uma participação responsável, de um jornalismo de qualidade e responsável, eu não vejo mal algum. 15 Você acha que a imprensa se interessa apenas pelos resultados da Polícia Federal? A mídia até pela pressão desse novo jornalismo que tá nascendo com a internet, ela acaba sendo muito superficial. O jornalismo escrito, por isso que eu não acredito no fim do jornal escrito, vai ter um espaço e tá tendo um espaço e vai ter um espaço ainda maior no futuro, com espaço de explicar. A TV vai ser mais aquela situação imediata, a imagem. Agora o jornalismo escrito vai ter sempre espaço para explicar. Então, eu acho que grande parte ainda é um jornalismo superficial, você coloca uma foto, explica ali rapidamente, até porque existe uma pressão em saber o que está acontecendo e uma demanda e demanda grande e tal por notícia, não é mais por

133 133 dia, é por minuto. Então a gente sabe que não tem tempo de se fazer uma análise, mas a análise é importante e isso quem tem condições de fazer é a imprensa de qualidade, é a imprensa responsável, é a imprensa engajada na democracia, no respeito aos direitos humanos, certo? Como uma função pública, a imprensa tem uma função pública de orientar o público, então nisso eu acho que, hoje, ela peca muito na superficialidade.

134 134 DECUPAGEM 02 Nome: Marco Berzoini Smith Função: Chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes Tempo de Experiência: 7 anos Tempo de Experiência na Fronteira: 4 anos Idade: 32 anos Formação: Curso Superior em Direito e Especialização em Criminologia e Direito Penal 1- Como funciona o trabalho da DRE? Você tem duas frentes, uma das frentes é o combate ao tráfico de entorpecentes na cidade de Curitiba e Região Metropolitana como se fosse uma delegacia da cidade de Curitiba e a outra frente é a coordenação do combate ao tráfico de drogas em todo o Estado do Paraná. Então, além de combater o tráfico aqui, nós coordenamos as delegacias do interior no combate ao tráfico de entorpecentes. 2- Qual a importância da DRE na região da fronteira? Ela é bastante atuante? Na região de fronteira você tem as delegacias descentralizadas com núcleos que combatem entorpecentes. A DRE, ela dá apoio a estas delegacias, ela coordena as ações dessas delegacias e presta o apoio. E o combate direto, do dia-dia é feito pelos núcleos especializados das delegacias de Guaíra, Foz, Ponta Porã, etc.

135 Qual o peso do tráfico de drogas em relação à sociedade? Dois grandes problemas do tráfico de drogas em relação à sociedade. Você tem por um lado a vitimização do dependente, na qual acaba se tornando uma párea, um peso pra sociedade, que precisa ser tratado e recuperado, traz um trauma social e um custo muito grande para o Estado, em termos de saúde. Um custo muito grande para o Estado, em termos de aparelho repressivo. Mas, por outro lado, o tráfico acaba gerando muito dinheiro e este dinheiro, de uma forma ou de outra, entra na economia das cidades e algumas cidades de fronteira e do interior do Brasil, infelizmente tem a sua economia fortemente influenciada pelo dinheiro do tráfico, que acaba tornando outro problema, que é a dependência econômica de algumas regiões do tráfico de drogas. 4- Existe para a Polícia Federal uma diferença entre combater o tráfico de drogas realizado por membros que alimentam as grandes organizações criminosas e o realizado por indivíduos que buscam o beneficio próprio, sem participar de uma organização? Na verdade, nós acabamos combatendo os dois. A atribuição de combate à entorpecentes, pela Constituição, é da Polícia Federal. Os estados combatem o tráfico de entorpecentes, por convênios firmados com a União. A atribuição constitucional de combate ao tráfico de drogas é da Polícia Federal. Então, nós fazemos esse combate, em duas frentes, no chamado grande tráfico e no tráfico pequeno, as chamadas 'bocas'. A 'boca' de droga, o local de comercialização de droga no varejo tem uma grande importância no seu combate para o vizinho, para a população em geral e é o que mais toca o cidadão comum. Por outro lado, quando você combate este pequeno tráfico, você acaba amealhando informações que vão te levar aos fornecedores, porque o pequeno traficante não vai até a fronteira, ele não vai até os países vizinhos, por portadores e exportadores de droga pra comprar o entorpecente que ele vende, ele compra de alguém. E ao combater essas bocas, nós acabamos conseguindo informações pra desbaratar grandes quadrilhas. Nas

136 136 grandes quadrilhas, você tem duas frentes: a quadrilha nacional e a quadrilha internacional. A quadrilha que interna o entorpecente no Brasil, para venda no mercado doméstico e a quadrilha que usa o Brasil como rota de passagem para mandar para a Europa, Estados Unidos, Oriente Médio, para o exterior em geral. Então, são duas formas de trabalho, de atuação, bastante diferentes com relação às grandes quadrilhas. 5- A Polícia Federal atua em conjunto com outros órgãos internacionais? Como é esta relação? Nós temos diversos acordos de cooperação firmados com o Paraguai, com a Bolívia e com a Colômbia. Estávamos, até aonde eu sei, assinando um contrato com o Peru. Já temos uma relação bastante antiga com o DEA, que é o Drug Enforcement Administration, que é a agencia de combate a entorpecentes dos Estados Unidos, inclusive toda a estrutura de combate a entorpecentes com inteligência brasileira é baseado no modelo americano, porque há cerca de dez a quinze anos atrás, através de convênio, os policiais foram capacitados nos Estados Unidos, então se aproveitou o modelo deles adaptado a realidade brasileira. Então nós podemos dizer que somos um filhote do estilo americano de combate ao crime. Com relação aos países sul-americanos, principalmente com os países fronteiriços, através das adidâncias policiais que foram criadas a partir de 2006, nós estreitamos as relações com as policias locais e passamos a assinar tratados de cooperação, que permite inclusive o intercambio de policiais, por exemplo: policiais paraguaios vêm para o Brasil, policiais brasileiros vão para o Paraguai, para a Bolívia, para a Colômbia e etc. E isso ajuda não só a inteligência clássica como a inteligência operacional. 6- Qual a diferença entre inteligência clássica e operacional? Inteligência clássica é um conhecimento produzido no auxílio das decisões. Então, por exemplo, um superintendente tem um setor de inteligência que analisa todas as

137 137 conjunturas da região onde ele está com conjunturas internas e externas as vulnerabilidades da polícia federal, com chamadas de contra inteligência e as potenciais ameaças e acontecimentos do lado de fora. Então, essa inteligência, chamada clássica produz conhecimentos gerais, noções específicas que auxiliam à tomada de decisão do dirigente. A inteligência operacional é voltada para o desbaratamento de uma quadrilha, então é o que vocês chamam de 'grampo'. As nossas operações são inteligências operacionais, inteligência aplicada é a inteligência com determinado fim, por exemplo, desbaratar aquela quadrilha, não para fazer o assessoramento de um dirigente superior. 7- Porque a Argentina mesmo sendo uma rota de tráfico, segundo a ONU, ela não se caracteriza como trânsito de maconha e cocaína para o Brasil? De maconha? Porque 90% da maconha consumida no Brasil são produzidas no Paraguai. O Brasil tem extensas fronteiras com o Paraguai. E algumas delas de difícil policiamento e difícil acesso, que são utilizadas para que se internalize essa maconha. Então não há necessidade de se utilizar o território argentino, até porque, com a maconha saindo do Paraguai, você precisaria passar pela fronteira da Argentina, para depois passar pela Fronteira brasileira, então você está duplicando o risco. Você está andando com droga e duplicando o risco, é mais fácil você sair do Paraguai para o Brasil do que você passar pela Argentina eventualmente. 8- Então, da Argentina, quais são os tipos de drogas traficadas? Muito lança-perfume da Argentina. Já que na Argentina não é ilegal lança-perfume, ele é considerado aromatizador de ambientes, é vendido livremente. Inclusive a nós estávamos, quando eu saí de Foz, em tratativas avançadas com a polícia nacional da Argentina, para que se restringisse a venda do aromatizador de ambiente. Eles estavam sensíveis a esse problema, porque apesar de não ser usado como droga na Argentina, o é no Brasil, e é um entorpecente, por incrível que pareça que traz

138 138 um lucro muito elevado para as quadrilhas, pois é comprado muito barato na Argentina por que é legal e vendido no Brasil até 30, 40, 50 reais um frasco de lança-perfume, então traz um lucro muito grande. A Argentina é utilizada, principalmente, para se comprar lança-perfume, que seria para eles um contrabando e para nós, tráfico de drogas. Algumas quadrilhas, notadamente no Leste Europeu, usam a Argentina como rota alternativa para internar o entorpecente, principalmente, Cocaína no Brasil e do Brasil para outras partes, Oriente Médio e Europa, principalmente. 9- Quais as principais drogas apreendidas pela Polícia Federal na Fronteira? Na fronteira, principalmente aqui do Paraná, em termos de quantidades é a maconha disparado maconha, depois nós temos cocaína nas suas diversas formas de apresentação: cloridrato de cocaína, o pó de cocaína, pasta base e o crack. Também bastante lança-perfume, haxixe que é um derivado da maconha, um óleo produzido pela planta de maconha. E agora estamos começando a apreender ecstasy. As outras drogas não são comuns. 10- Você acha que a legislação brasileira, em relação ao tráfico de drogas, é falha? O problema da legislação brasileira, não é tanto a pena aplicada, é a lei de execuções penais. A lei de execução penal é muito branda, como regra o condenado vai cumprir 1/6 em regime fechado da pena. Então se o sujeito é condenado a seis anos de cadeia, ele vai cumprir um. A lei é bastante adequada, mas a lei de execução penal é mais falha. Por outro lado, a lei brasileira deveria ser ágil não tanto no aspecto penal e sim, na expropriação de bens dos traficantes, porque o tráfico como qualquer outro crime e como a maioria das atividades humanas, visa o lucro. Se você consegue fazer com que essa atividade não gere lucro ou potencialmente, gere muito risco de perda daquele patrimônio aliado com o

139 139 tráfico, você diminui bastante a incidência do problema. E por outro lado, a legislação brasileira de entorpecentes historicamente tem duas facetas: a faceta da repressão e a faceta da prevenção. Isso inclusive na lei 11343, de entorpecentes, uma boa parte dela é dedicada à prevenção e na prevenção a gente deixa muito a desejar. Em que pese ter fontes de recursos já previstas na lei, as campanhas governamentais são muito fracas neste sentido e não existe, apesar de ultimamente o Rio de Janeiro ter sido pioneiro em internações compulsórias, a previsão de tratamento compulsório ao dependente, que na minha visão, é um sujeito que não está em plenas faculdades mentais, portanto não poderia tomar decisões sozinho. Teria que ser tratado de forma compulsória. 11- O que falta na Polícia Federal hoje? Sei que falta muita coisa, faltam recursos materiais, faltam recursos humanos, a quantidade de pessoal que temos hoje é muito pequena, é ridículo comparado a qualquer outro país, a qualquer outra força. O efetivo global da Polícia Federal é um terço da polícia civil do Paraná, por ai você já vê que é bem precário. Por outro lado, em que pese ter havido uma grande melhora na parte de recursos materiais, de carros, de armas, de munição, ainda falta bastante para a gente chegar lá e falta um pouco de algumas alterações legislativas e uma sensibilização do judiciário. O judiciário hoje é muito garantista, ele pensa demais no direito individual e não só pesa o que aquele direito individual está fazendo de mal para a coletividade, então se protege o direito de um indivíduo em detrimento dos direitos da coletividade Qual é a relação da Polícia Federal com a mídia? É excelente. O problema da relação da Polícia Federal com a mídia é mais interno, nas nossas normas de como cuidar com a imprensa e etc., do que com a mídia em si. A mídia sempre foi uma parceira, muito mais uma ajuda que um problema.

140 Você acha que pelo fato da Polícia Federal possuir regras, que não existem em outras instituições policiais, por exemplo, a divulgação dos dados e imagens dos presos, acaba perdendo espaço na mídia? Quando você faz uma norma, você pensa sempre no panorama geral, você não pensa nos panoramas particulares. O cliente o preso da polícia federal, normalmente é um preso mais qualificado, é um corrupto, é um sujeito que desvia dinheiro público, é um sujeito que comete crimes financeiros. Este tipo de gente não faz a menor diferença você mostrar o rosto dele na imprensa, você divulgar o nome não vai fazer diferença para a apuração dos fatos que estão sendo investigados. E por outro lado, vão prejudicar a pessoa se forem divulgados. Já outros crimes, como os da Operação Mercúrio, como na Operação Desarme, em que se combatem os roubos interestaduais, a divulgação de fotos e nomes das pessoas, ajuda e muito a investigação. Inclusive na Desarme, diversas pessoas que vieram prestar depoimento e reconhecer o preso, vieram por conta de reportagens da imprensa. Então, eu acho que a Polícia Federal tem que evoluir na sua política de comunicação social e vislumbrar cenários diferentes, não só aqueles que nós estamos acostumados. Existem operações em que mostrar o rosto e divulgar a pessoa é importante para a investigação e isso deveria ser levado em conta. 14- Porque a Polícia Federal é menos criticada pela mídia que as Polícias Militar e Civil? Em termos, hoje em dia a Polícia Federal é um pouco menos criticada, mas ela já foi muito criticada pela imprensa. Já foi dito que operações, que inclusive eu participei, que a Polícia Federal só fazia pirotecnia, que não condenava ninguém, que as operações não dava em nada, que era só circo armado para fazer mídia, para ajudar o governo e etc. Então, a Polícia Federal já teve sim seu quinhão de críticas. Algumas delas merecidas, outras injustas. A visão da sociedade, que eu vejo da Polícia Federal, é uma polícia de elite, isso vem muito mais do tipo de trabalho que a

141 141 gente faz e da forma como isso é divulgado. Não que as outras policias sejam piores ou melhores do que a nossa, simplesmente são diferentes e tratam de crimes mais banais, talvez por isso a diferença. 15- Após uma coletiva de imprensa ou uma entrevista, como a mídia apresenta o trabalho da Polícia Federal? É satisfatório? É completo? Fica algo a desejar? No geral é satisfatório, apesar de ser superficial, as duas coisas ao mesmo tempo. Muitas vezes o repórter não sabe o que está perguntando. Muitas vezes quando você está dando uma entrevista na deflagração de uma operação, o repórter quer saber quantos presos em flagrantes foram presos naquele dia, os flagrantes não foram dados naquele dia, naquele dia são presos os integrantes da quadrilha que não tinham sido presos em flagrante anteriormente. Então, existe uma falta de conhecimento por parte dos repórteres, que a gente percebe, bastante grande. Acho que eles teriam que dar uma pesquisada, dar uma estudadazinha. Isso acontece bastante, mas no geral, as reportagens em que pesem um pouco rasas acabam sendo favoráveis para a Polícia Federal. 16- Em sua opinião, a mídia possui algum tipo de responsabilidade no ciclo vicioso que é o tráfico de drogas? O tráfico de drogas só é uma atividade rentável, pois existem consumidores para ele, portanto a partir do momento que a mídia não apresenta a verdadeira realidade dos malefícios causados pelo consumo da droga, ela pode ser considerada como uma das responsáveis pela estabilidade do tráfico? O problema é o seguinte: o ser humano é um ser sociável e é um macaquinho de imitação, ele aprende muito com o comportamento do vizinho. A mídia, como um todo, não só jornalistas e repórteres, é um dos grandes usuários de drogas do Brasil. Eu, particularmente, já participei da prisão do Fabio Assunção, um dos grandes consumidores de droga em São Paulo, foi monitorado durante um tempo, sem saber

142 142 quem era. Então, fica um pouco complicado você dizer que a mídia deveria dar o exemplo, quando ela dá o exemplo contrário. Quando vários jornalistas, vários artistas fazem pronunciamento de que a maconha é uma droga leve e deveria ser descriminalizada, quando a gente sabe que a maconha realmente não é das drogas mais pesadas, mas é a grande porta de entrada, juntamente com o álcool, para as drogas ditas mais pesadas como: cocaína, no Brasil e heroína, nos Estados Unidos. Existe sim essa relação, existe sim a propensão do sujeito que experimenta maconha, passar para outras drogas, não por que seja a maconha, mas sim pelo espírito de transgressão e pela sensação de que fiz, não aconteceu nada, vou continuar fazendo. Então, a mídia como um todo, não só os jornalistas, não só os atores, não só os cantores teriam que repensar essa relação que eles têm.

143 143 DECUPAGEM 03 Nome: Marcos Koren Função: Chefe da Comunicação Social da Polícia Federal no Estado do Paraná Tempo de Experiência: 5 anos Tempo de Experiência na Fronteira: 2 anos Idade: 47 anos Formação: Curso Superior em Direito 1- Qual é o trabalho da Comunicação da Polícia Federal? O trabalho da Comunicação Social da Polícia Federal, basicamente, é comunicar a sociedade dos trabalhos realizados pela Polícia Federal em todo o país. Nós temos uma organização normativa, ou seja, está delineada em um ato normativo do Diretor-Geral da Polícia Federal, qual é a atribuição de cada setor e no nosso caso da Comunicação Social, nós nos dividimos em três grandes grupos de tarefa: o trabalho com a imprensa, o trabalho de relações públicas e o trabalho de cerimonial, isso em razão das cerimonias, das solenidades que a própria Polícia Federal organiza. Em relação ao tópico das relações públicas é o relacionamento institucional da nossa polícia com outros órgãos do Poder Público Federal, Municipal e Estadual e, sobretudo com outros órgãos da Segurança Pública, no âmbito federal e estadual. E com relação à imprensa, basicamente, é a comunicação das nossas operações, dos nossos resultados, para que a sociedade brasileira conheça qual é nível de excelência do trabalho realizado pela PF.

144 A comunicação social é submetida a regras impostas por superiores de Brasília? Sim, o nosso trabalho, como eu disse, é balizado por uma norma, que é uma instrução normativa do Diretor-Geral e ela é, o trabalho é fiscalizado aqui, no âmbito regional, pelo Superintendente Regional, que é nosso chefe imediato. 3- Como é a atual relação entre a mídia e a Polícia Federal? É uma relação de parceria ou de venda de matérias? Eu diria que nós temos, hoje, aqui no Paraná, um dos melhores níveis de relacionamento entre a Comunicação da PF e os jornalistas de todo o Brasil, nós temos um excelente relacionamento, que é fruto da construção do trabalho nos últimos anos, de mútuo respeito, de grande consideração da imprensa para conosco e da nossa parte para com a imprensa. Basicamente, eu diria que é o respeito pelo trabalho que o profissional de jornalismo executa e a compreensão das suas necessidades. 4- Qual a sua percepção da imagem retratada da Polícia Federal na mídia? Eu penso que nós temos uma excelente imagem, nós conseguimos traduzir com a comunicação dos nossos trabalhos uma imagem institucional bastante relevante, bastante positiva, isso se reflete nas pesquisas de opinião a Polícia Federal, hoje, ela é muito bem vista pela sociedade brasileira e ocupa um dos patamares mais altos de credibilidade que uma Instituição Pública já ocupou no Brasil. Nós só chegamos a isso por meio do trabalho correto exercido pela imprensa que divulga então, em ultima análise, os nossos trabalhos.

145 E, por exemplo, a Polícia Militar, a Polícia Civil, elas não tem uma imagem, digamos assim, tão boa na mídia, porque você acha que acontece isso? Bem, nós temos uma vantagem que é a nossa atuação uniforme em todo o Brasil, nós não temos limites territoriais para agir contra a criminalidade. De outra parte, nós temos também uma atribuição constitucional estampada no artigo 147, perdão, 144 da Constituição, que dá à Polícia Federal a atribuição de Polícia Judiciária da União, significa isso que será sempre a Polícia Federal a fazer as grandes investigações, dos grandes delitos no nosso país. Então a macro criminalidade, o crime organizado, o crime organizado em nível nacional e transnacional é de competência da Polícia Federal investigar e reprimir, então isso nos dá a condição de uma melhor projeção na mídia, claro, na medida em que nós tivermos o que mostrar os bons resultados. Então, como nós felizmente temos tido bons resultados nos últimos anos, em decorrência direta da alta qualidade do trabalho dos nossos policiais, e esse fator combinado com os demais que eu referi dão à Polícia Federal brasileira, hoje, um nível de credibilidade que as instituições dos estados, infelizmente, ainda não têm. 6- Qual a sua opinião sobre a mídia? Ela ajuda ou atrapalha o trabalho da Polícia Federal? A mídia só ajuda. A mídia só ajuda. Se nós pensarmos que para construir uma imagem que temos hoje, teríamos de contratar campanhas de publicidade a preços milionários, e se pensarmos que já temos um excelente nível de credibilidade, sem termos feito nenhuma contratação neste sentido, apenas com o resultado do nosso trabalho diário com a mídia, de respeito mútuo e parceria, nós concluímos daí, que a mídia apenas tem ajudado.

146 Após uma coletiva de imprensa ou uma entrevista, como a mídia apresenta o trabalho da Polícia Federal? É satisfatório? É completo? Fica algo a desejar? Eu acho que é muito completo, é muito completo, é essa responsabilidade nossa, raramente eu verifiquei, na minha experiência, que as divulgações, a cobertura em geral, teriam feitas de forma insatisfatória. Se nós fizermos bem o nosso trabalho, reunirmos com clareza e com objetividade as informações de que a mídia necessita para fazer o seu trabalho, o resultado será satisfatório. 8- Você acha que existe uma abordagem mais aprofundada, por exemplo, de uma operação, ou é mais básico a forma que eles apresentam? Eu penso que isso depende da operação em si, do nível de complexidade que ela tem e do nível de interesse que ela sucinta e também é certo que nós competimos com outros temas na atenção dos editores dos veículos de comunicação, seja no rádio, na internet, na televisão, no jornal de papel. Nós temos de saber que se em algum determinado momento nós apresentarmos um fato relevante, complexo, que para nós, na nossa avaliação é importante comunicar para a sociedade, nós sabemos que esse fato, essa divulgação vai competir naquele dia, eventualmente, com outro fato relevante, em outro âmbito, que não da Segurança Pública. Então, isso é do mercado, isso é do mercado e nós temos de saber conviver com isso, mas em linhas gerais, a cobertura é muito satisfatória. 9- Você acha que por a Polícia Federal possuir regras, que não existem em outras instituições policiais, por exemplo, a divulgação dos dados e imagens dos presos, acaba perdendo espaço na mídia? Não, a nossa experiência é no sentido contrário, nós não perdemos espaço de forma nenhuma. Apenas, é claro, não conseguimos, às vezes, as pessoas têm a

147 147 impressão ou a expectativa de que nós vamos mostrar os criminosos presos e nós não poderemos fazer. Mas ainda assim não temos perdido espaço por conta disso. 10- Qual a sua opinião sobre a imprensa acompanhar o trabalho da Polícia Federal? Bem, eu acho que a imprensa deve acompanhar o trabalho da Polícia Federal até para poder, a própria divulgação dos resultados da Polícia é um acompanhamento. O que nós não podemos, no nosso modelo de trabalho no Brasil, permitir, em razão da segurança dos agentes envolvidos, é a participação direta de pessoas estranhas ao serviço público, no cumprimento dos mandados de prisão e de busca e apreensão, porque estes mandados são expedidos pelo Poder Judiciário, então as franquias constitucionais da privacidade das pessoas, do recesso da sua casa por exemplo, são afastadas pelo juiz, em favor do trabalho policial e não em favor do trabalho de cobertura da imprensa, por exemplo. Então essa é uma vedação legal, para que uma equipe da imprensa acompanhe a polícia no mesmo momento que ela está entrando na casa de um criminoso ou realizando a sua prisão. Além disso, nós temos que pensar na responsabilidade que é do agente público, no caso do policial, a segurança do colega jornalista que estaria acompanhando a equipe. 11- Como é o trabalho da Assessoria de Imprensa em Foz do Iguaçu e em Guaíra? O trabalho de assessoria que nós fazemos em Foz do Iguaçu e Guaíra é bastante, é diretamente proporcional à importância que tem aqueles locais, são locais em que diariamente a Policia Federal recebe presos trazidos ou pelos próprios policiais federais ou por outras forças de segurança para lavratura de prisões em flagrante, formalização de apreensão de objetos apreendidos: mercadorias e contrabando em geral ou drogas. Então é um trabalho muito extenso, de grande volume, de grande complexidade e nesses dois locais a assessoria de comunicação da PF enfrenta

148 148 seus maiores desafios, que é diariamente comunicar a repetição desses fatos, das prisões e de apreensões, e manter ainda vivo o interesse da imprensa em relação ao trabalho da PF na fronteira. 12- O que falta melhorar na Comunicação Social da Polícia Federal para que haja uma ampla divulgação? Nós precisamos, institucionalmente falando, alcançar um nível de profissionalização em todas as nossas unidades. Nós temos excelentes profissionais trabalhando no Paraná, em outros locais do Brasil, mas na maioria dos locais ainda não há uma profissionalização desse trabalho. Então seria interessante que a Instituição, em algum momento, preparasse cursos de formação, de capacitação, de treinamento nessa área, para que nós tenhamos uma resposta a altura do que a Instituição merece. 13- Em sua opinião, o trabalho realizado nas comunicações sociais das descentralizadas deveria ser realizados por profissionais especializados na área? Sim, o trabalho é muito importante e ele merece ser feito por especialistas. Sejam jornalistas de carreira, contratados com essa finalidade, seja por policiais com essa capacitação e que tenham este talento, que tenham essa vontade de fazer um bom trabalho em prol da imagem institucional da Polícia Federal. A Polícia Federal tem 27 superintendências em todo o Brasil, uma em cada estado, e uma delegacia da Polícia Federal, que está presente em mais de cem cidades do Brasil, deveria cada uma ter um profissional dedicado exclusivamente ao cuidado da imagem da Instituição, essa não é, infelizmente, a nossa realidade ainda e por isso é que a minha opinião, neste sentido, é que a Polícia deve perseguir esse ideal para em termos finalísticos apresentar o melhor trabalho possível à sociedade.

149 Porque as Delegacias da Fronteira (Guaíra e Foz do Iguaçu) não aparecem com frequência no cenário nacional, mesmo possuindo uma importância para a sociedade? Eu penso que ocorre em razão da repetição dessas prisões e apreensões de menor complexidade. Quando são operações importantes que fogem da rotina, elas são razoavelmente divulgadas, porém o trabalho rotineiro, diário de prisões e apreensões de contrabando e mercadorias em geral e tráfico, ele não obtêm a projeção necessária para a divulgação em nível nacional. Contudo, quando na fronteira, ocorrem operações grandes, elas são razoavelmente divulgadas.

150 150 DECUPAGEM 04 Nome: Wagner Mesquita de Oliveira Função: Chefe da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado no Paraná Tempo de Experiência: 9 anos Tempo de Experiência na Fronteira: 2 anos Idade: 39 anos Formação: Curso Superior em Direito 1- Como funciona o trabalho da DRCOR? A DRCOR tem por missão dar meios para que as delegacias especializadas atuem interagir com outros órgãos, enfim estruturar a Polícia Federal dentro do Estado, de forma com que ela venha a ter o máximo de eficácia nas ações, nas investigações, gerenciar recursos humanos, recursos materiais, informações de inteligências com outras instituições, enfim interagir e dar suporte para as operações. Quando chega a fase ostensiva que tem convocação, recrutamento, viatura. Enfim, esse meio logístico todo. 2- Qual a importância da DRCOR na região de fronteira? Esta delegacia é bastante atuante nesta região? É acumulativo. Vamos dizer, eu acho que o estado que tem uma fronteira como a nossa, nós temos as atribuições normais do Estado que não tem, e mais a questão do policiamento ostensivo e tráfico redobrado de entorpecentes e contrabando, que é a nossa preocupação. Então, a gente faz o trabalho de DRCOR, que tem nos outros também - de inteligência, de investigação, de suporte à investigações, apoio nas operações ostensivas e mais a questão do trabalho ostensivo, de fronteira, o

151 151 caso do DEPONs, enfim, contrabando, tráfico. Então é plus né, é uma obrigação maior, a mais do que a gente já tem normalmente. 3- O Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho atuam nas fronteiras do Paraná? Também. Algumas organizações criminosas tem por característica centralizar, ter um foco maior dentro de unidades prisionais, como é o caso do Primeiro Comando da Capital. Outras, como o Comando Vermelho, já não tem muito esse forte, então já nos preocupa mais a questão da fronteira. Mas crime organizado, uma das características é essa interestadualidade, então nós temos que nos preocupar com isso sim. E é um elemento de cuidado nosso 4- Como é a atuação, eles perderam importância ao longo dos anos? Continuam, continuam. 5- Porque há alguns anos as ações do PCC e do CV eram enaltecidas pela mídia e hoje são abafadas? É uma tática da Polícia Federal para que as organizações percam a importância, a imprensa deixou de citá-las ou elas realmente perderam importância? Eu acho que a sociedade em si está acordando para o fato de que você enaltecer, um dos objetivos dessas facções é justamente isso, ganhar simpatia do povo e, para isso, utilizam música, existe toda uma cultura, uma contracultura da marginalidade, né? E isso tem música, vestimenta. A marginalidade, ela tem essa contracultura. A sociedade em si está acordando para o fato de você dar muita notoriedade, você tá botando foco, você tá botando foco. Então, eu concordo quando eu percebo, às

152 152 vezes, nos meios de comunicação, que se oculta algumas coisas, falar da facção, enaltecer lideranças e tem que fazer isso mesmo, tem que fazer isso mesmo. Porque, principalmente, a população mais pobre, sem o menor acesso, a cultura e educação e também o jovem, ai você vai juntar nesse cenário à droga, sedução pela arma, a sedução por aquele poder, a falta de perspectiva em cima do estudo e da educação, faz com que forme um caldeirão, que fica mais fácil pra facção criminosa atuar, e conseguir gente e trabalhar e ter ações criminosas, perigosas né? Criminosas né? Pessoas mal formadas, ter um baixo nível de escolaridade, ficam mais suscetíveis a ser cotados pelo crime organizado. Então eu acho que realmente não se deve dar muita luz a esse tipo, e a gente sabe, que principalmente, alguns lideranças de crime organizado, usam factoides para se fazer famosos, vou te dar um exemplo: Estão dentro da cadeia e passam o livro lá, a oportunidade de ir a biblioteca, pega o livro de filosofia, pega o livro de sociologia, pega o livro de discussões sociais e na verdade ele não está querendo saber o que tem dentro do livro, mas ele sabe que alguém vai perceber que ele esta lendo aquilo e vai caracterizar como um movimento social, como um cara que está estudando e não tá nada. O cara sabe disso, é malandro, é esperto, esperto. Inclusive nós vemos isso ai, até em profissionais do direito, que começam: Ah! Vamos estudar o perfil do criminoso!. Não tem que estudar o perfil do criminoso, nesse aspecto, com esse foco, porque você está dando mais luz pra ele, está dando mais foco pra ele. E ele sabe disso e usa isso. Então eu acho que é válido, não tem que se exaltar esse tipo de coisa mesmo. E inclusive, exaltar sim, que a notoriedade é usada pelo crime organizado. Vide os bailes funks do Rio de Janeiro, o funk proibido que tenha aquelas coisas toda. 6- Porque mesmo quando as organizações criminosas perdem parte de sua estrutura organizacional, elas ainda conseguem se refazer, reestruturar? Trabalho de investigação é muito difícil, formação de prova é muito difícil, a coisa é muito difusa. Algumas organizações já se protegem e já vem na origem protegidas, faz estruturas em forma de células e ai você destrói uma célula, mas uma não tem contato com a outra, então você não tem como fazer aquela investigação andar para

153 153 pegar todas as outras células. Então, isso é uma estratégia de crime organizado, essa formação em célula. A dificuldade de fazer prova, hoje em dia, é muito grande. Você não pode sustentar uma investigação por três, quatro anos. Existem discussões jurídicas sobre isso, então inviabiliza também você fazer uma investigação muito profunda. O crime organizado também esconde patrimônio, atuação de funcionários públicos, então, realmente, pra você desestruturar de vez, você teria que abraçar tudo isso. Tirar patrimônio, tirar estrutura, tirar funcionários públicos, e não é de uma hora para outra que você consegue fazer. A dificuldade é grande. Hoje em dia, um sistema carcerário que nós temos, não impede que uma pessoa dê ordens, um chefe da organização. Você vai impedir que um executor, execute a ordem. Ele vai ficar ali encarcerado, mas os chefes, os diretores vão continuar dando ordens através de visita de advogados, visita intima de parente. Então, a nossa legislação isola a liberdade física dele, mas não a liberdade intelectual e não o poder de mando, ela permite ainda que tenha esse poder de mando, isso ficou claro nas nossas operações. 7- Qual o peso do tráfico de drogas em relação ao crime organizado? Ah! Vários aspectos, né? Financeiro, tem organizações que usam o tráfico para se capitalizar para outros crimes, para roubo. Usam o tráfico para sustentar mão de obra de execução. Tráfico de drogas movimenta milhões no mundo todo, então enquanto tiver gente usando, vai ter gente lucrando e é um dinheiro que está enfronhado na nossa sociedade. Comércios que nós frequentamos, que na verdade são lavagem de drogas, e que nós não sabemos. Então, apreensões nossas, aqui no Estado do Paraná, tivemos uma apreensão de quatro toneladas de cocaína pura indo para Europa, quatro toneladas avaliadas em três milhões de euros ou dólares, não me lembro de agora, eu teria que ver. É muito dinheiro, é um PIB de um país, é muito dinheiro. Esse dinheiro aplicado, para se lavar, tem que ter fábrica, tem que ter comércio para gerar tudo isso. Então o tráfico, não é só pensar naquele tráfico formiguinha só. È uma empresa que movimenta muita coisa e que está no nosso meio, movimento comércio, grandes negócios de fachada, financia campanhas políticas. Enfim, está muito mais enfronhado e a nós não discutimos muito o uso,

154 154 fala-se muito do tráfico, mas não se discute o uso e uma coisa não tem como viver sem a outra. 8- Quais são os passos de uma operação? (denúncia ou provas, investigação, deflagração, prisão, finalização do inquérito). A informação chega para a Polícia de várias formas: às vezes de uma investigação anterior, às vezes de outra unidade, outra delegacia que está investigando um fato e aí aparece outro fato, em outro local e passa pra polícia, às vezes a própria população passa alguma coisa mais fundada que você chegar, enfim, várias formas que a informação chega para a Polícia. Se nós temos condições, se você reúne condições de começar um trabalho, vê que aquilo ali tem um fundamento e dá para chegar num ponto final, nós começamos. No caso da Polícia Federal, nós começamos a investir um pouco mais nessa informação. Fulano está demonstrando, ostentando patrimônio e tem relações com traficantes de outros estados, então provavelmente tá atuando aqui também. Aí começa o trabalho, leva o trabalho para a Justiça, a Justiça aceitando o início de um trabalho judicial, vendo que ali tem possibilidades, aí começa uma fase mais incisiva com quebra de sigilos, de várias formas, aí vão ser várias formas, varias diligencias polícias, que vão tentar identificar quem faz parte dessa organização, o que cada um faz e comprovar que eles fazem, ou seja, o cara que lava dinheiro, lava dinheiro; que o cara que compra a droga, compra a droga, que a droga existe, a apreensão da droga que ela existe, o patrimônio da droga que está em volta, quem faz o que, quem transporta e aí prender todo mundo ao final. Ao final do trabalho, que tenha durando ai alguns meses que seja, normalmente alguns meses, tendo efetuando apreensões, tendo provado que aquela equipe, aquela organização, atua naquele sentido. Se estiver suficiente, nós levamos para o juiz os mandados, e expedidos, nós cumprimos e aí é uma nova fase da investigação: é a instalação de inquérito policial, interrogatórios, análise do material apreendido, perícia, tudo isso vai ser compilado no inquérito policial que ao final, em um grande relatório vai compilar tanto a fase de investigação, quanto a fase do inquérito policial, depois da deflagração. Basicamente isso.

155 Você acha que a legislação brasileira, em relação ao tráfico de drogas, é falha? Eu acho que ela avançou no aspecto patrimonial, houve um avanço e um retrocesso na questão do uso, na medida em que tirou a pena do usuário. Não pelo fato de que tirou a pena do usuário, até porque se o cara é usuário, ele tem um problema físico, médico, só que não deixou nenhuma outra pena coercitiva e isso ficou uma lacuna grande. Então, hoje em dia, o policial não tem o que fazer. É crime, mas não existe pensa suficiente coercitiva para a situação. Então, para mim, foi o grande retrocesso, ter tirado a pena de reclusão do usuário e não ter posto nada coercitivo no lugar. Um tratamento, uma internação. Na verdade, não só isso, agora já está se insurgindo para a pena alternativa para pequenos traficantes e, eu sou totalmente contra, para mim reclusão é reclusão até o final. Pode estar sendo condescendente de um lado, devido a uma falta de estrutura carcerária, estamos sendo condescendentes, mas a consequência disso vai ser mais necessidade de encarceramento, não menos, não menos. 10- O que falta na Polícia Federal hoje? Recursos humanos, concurso, gente para trabalhar, gente para trabalhar e uma política de estímulo àqueles que buscam um resultado na Polícia. Na polícia, como em qualquer órgão público, você tem algumas garantias que é o caso da estabilidade, que é uma garantia justa a instabilidade no emprego, no entanto, facilita que alguns colegas não tenham obrigação de produzir nada, façam o mínimo, fiquem no seu horário e não produza. Somada a isso, a falta realmente de efetivo, gente aposentando, então, você tem aí falta de recursos humanos, sejam eles qualificados e motivados e até geral, números mesmo.

156 Acho que isso principalmente na fronteira né? Também. Naquele tipo de trabalho, mas aqui o trabalho é diferente Qual é a relação da Polícia Federal com a mídia? Eu acho que a mídia tem um papel importante, tanto preventivo, educativo, na questão de conscientização da população. Eu acredito que é um fator muito explicativo da importância do trabalho nosso. Eu acho que a Polícia Federal já passou da fase de autoafirmação, não precisa mais se autoafirmar, não precisa mais dizer que ela faz um trabalho. Na medida em que a gente mostra as operações como foram feitas, eu acho que é um cunho educativo para quem está vendo que você está sujeito sim, a ser responsabilizado criminalmente. E até hoje, dentro da minha experiência, como delegado, nunca tive uma experiência negativa de tratamento da mídia, entre polícia e mídia, realmente não tive. 13- Qual a sua percepção da imagem retratada da Polícia Federal na mídia? Boa. Eu acho que é importante, motiva, faz com que as pessoas procurem a polícia com uma boa visão. 14- Após uma coletiva de imprensa ou uma entrevista, como a mídia apresenta o trabalho da Polícia Federal? É satisfatório? É completo? Fica algo a desejar? È é na velocidade da mídia né? Cada vez mais rápida. A gente entende, lógico, o interesse da mídia é informar a população em geral que não quer só saber do trabalho de polícia, ela quer saber do esporte, quer saber da política, quer saber de

157 157 outras coisas também, então é rápido. Difícil você ter um espaço mais completo dentro da mídia para contar a história toda da operação, de como começou e aquela coisa toda e a polícia também não pode divulgar todas suas técnicas, então a gente entende. Tem momentos, que tem que somente informar o resultado; o que aconteceu; quantos foram presos. Eu acho que é uma relação suficiente. Gostaria de ter mais espaço para mostrar atitudes preventivas da polícia e não só repressivas, mas eu sei que é difícil dentro da velocidade que o mundo vive no mundo de hoje. 15- Você acha que por a Polícia Federal possuir regras, que não existem em outras instituições policiais, por exemplo, a divulgação dos dados e imagens dos presos, acaba perdendo espaço na mídia? Acredito que não. E acredito também que as regras não são fixas. Por exemplo, no caso da nossa ultima operação (DESARME) em que os presos praticaram vários crimes de roubo à população, então existe necessidade nesse caso sim de expor, vocês que trabalham aqui, são testemunhas da quantidade de gente que veio aqui reconhecer os presos. Então, nessa situação especifica, eu acho que o foco principal da Polícia Federal é não expor o preso ao ridículo, não expor o preso ao constrangimento, não agredir o preso, mas expor a sua figura, para que eventualmente, a sociedade reconheça e venha ali praticar o ato de polícia de reconhecimento, eu acho que tem que ser válido. 16- E, por exemplo, a Polícia Militar, a Polícia Civil, elas não tem uma imagem, digamos assim, tão boa na mídia, porque você acha que acontece isso? Eu acho que no caso da Polícia Civil, é a falta de estrutura, aí o motivo dessa falta de estrutura, a gente vai entrar em conjecturas políticas e falta de orçamentos, enfim, outras questões. No caso da Polícia Civil, que estaria, poderia fazer grande parte do trabalho que nós fazemos é falta de estruturas, falta de investimentos em

158 158 recursos humanos qualificados e falta de equipamentos. No caso da Polícia Militar, que eu acho que, no Estado do Paraná justamente, ela tem equipamentos suficientes. Quanto mais serviço uma pessoa tem, maior a probabilidade de erro. A Polícia Federal tem um tipo de trabalho, que a gente investiga meses, quando decide, quando acha por bem encerrar, nós temos um grande conhecimento do que está fazendo, porque conhecemos todo o modus operantis da quadrilha, o teatro de operações, nós sabemos tudo. No caso da Polícia Militar, eles são acionados para encarar situações que não sabem o que vão acontecer, então acerta e erra. E esses erros, no caso os erros da polícia, chamam muito atenção. Então, acontecem muitos erros da Polícia Militar que acabam tirando um pouco do brilho nas coisas boas que eles fazem. Então quanto mais for a gol, mais vão cometer faltas, no caso deles né? Na Civil eles teriam toda a possibilidade de ter tanto reconhecimento público quanto nós, mas não tem equipamentos suficientes e gente qualificada para isso, mas ai os motivos disso são vários né? 17- Como a mídia aborda o combate ao crime organizado? Eu acho que quando se entra no aspecto político, como o do Monte Carlo que está sendo anunciado agora, ai a mídia, porque ela está contextualizando uma operação policial com política, com disputa partidária, com orçamento, enfim, dai se torna um caldeirão mais interessante para a imprensa. No caso das organizações que não tem muito esse viés, eu percebo, dai pode ser uma percepção errada minha, mas eu percebo que não tem o mesmo interesse. Normalmente, quando envolvem partidos políticos, dinheiro público, futebol, alguma coisa de comoção popular, aí o crime vinculado àquilo é tratado com mais atenção.

159 Há um equilíbrio na abordagem da mídia em relação ao trabalho de combate aos crimes organizados e a visão dos criminosos? Ah não! Eu acho que mais no combate, felizmente, mais no combate. Não vejo muito, eu acho que isso teve bastante melhora inclusive. Enxergo isso como um processo de melhora. Já houve épocas ai que se ressaltava essa cultura da marginalidade, a gente vê isso ai, principalmente nos locais mais simples, que as crianças têm poucas perspectivas, não tem educação dos pais suficientes, não tem perspectivas de estudo, enfim, de trabalho, de futuro, então acaba sendo abraçada por essa contracultura.

160 160 PERGUNTAS GERAIS ENTREVISTAS DOCUMENTÁRIO 1) Nome, Idade, tempo de trabalho total na Polícia Federal e na fronteira e quantas operações contra o tráfico de drogas já participou. 2) O que é tráfico de drogas? 3) Como funciona/acontece o tráfico de drogas? 4) Qual é a importância da fronteira para o tráfico de drogas? 5) Quais são as consequências do tráfico de drogas? O que ele causa para a sociedade? 6) No Paraná quais as cidades que são mais utilizadas pelos traficantes? 7) Por que a fronteira é o inicio do tráfico de drogas? Por que ele não acaba na fronteira? 8) Como é a atuação da Polícia Federal no tráfico de drogas na fronteira? Qual é sua importância? 9) Por que a Polícia Federal atua em diversos meios? (Nepom, Aeroporto, Canil)? 10) Qual foi a maior apreensão de drogas que você participou na fronteira? 11) Faça um balanço do que é o trabalho da Polícia Federal na fronteira. 12) Explique porque o tráfico de drogas tem características de uma empresa. 13) Qual a importância da localização geográfica do Brasil para o tráfico de drogas? E o mercado interno? 14) Por que a Argentina não representa relevância nas apreensões de maconha e cocaína na fronteira do Paraná? 15) Quais são os diferentes cargos que existem dentro do tráfico? Quais as diferenças entre eles? 16) Qual é o perfil do traficante? E da mula? 17) O que o tráfico de drogas representa dentro das organizações criminosas? 18) Qual é a atuação das organizações criminosas no Paraná? 19) Qual é a importância da Polícia Federal para diminuir a atuação do PCC e do CV na fronteira do Paraná? 20) Quais as dificuldades de um policial na fronteira? 21) As apreensões de drogas aqui na fronteira são frequentes? Por quê?

161 161 22) Quais são as principais maneiras de ocultação da droga? 23) Como é a reação do traficante (mula) antes e depois da prisão? 24) Há muitos traficantes (mulas) menores de idade? 25) Como é o seu dia a dia? Fale da rotina do seu trabalho. 26) Já passou por alguma prisão ou apreensão difícil/complicada? Como foi? 27) Há muitas fugas? Por quê? 28) Como são as perseguições? 29) Qual foi a prisão/apreensão mais marcante? Por quê? 30) Já participou de uma operação contra o tráfico de drogas? Cite a maior e conte como foi a deflagração. 31) Já sofreu ameaça de morte? 32) O que é o nepom? 33) Quais são os perigos para o policial que fiscaliza com embarcações? 34) Qual é o procedimento ao avistar uma embarcação suspeita? 35) A quantidade de embarcações que a PF possui é suficiente para fiscalizar toda a fronteira? Por quê? 36) Após verificar que a mercadoria é droga, quais são os procedimentos a seguir? 37) De que maneira a droga entra pelo aeroporto? (Malas, coladas no corpo, estomago). Detalhar. Qual a mais frequente? 38) A fiscalização é feita na maioria dos veículos? 39) Como é realizada a busca nos veículos? Em quais locais as drogas são normalmente ocultas? 40) Como é a reação dos passageiros? Colaboram com a fiscalização? 41) A fiscalização é feita por causa de alguma denúncia? 42) O que ocorre quando é encontrada a droga na mala? Quais são os procedimentos? 43) Normalmente as drogas localizadas nas fiscalizações de ônibus não são de grande quantidade. Já houve alguma apreensão que surpreendeu você? 44) Em quais situações eles são usados? Explique. 45) Como é o treinamento/dia a dia de um cão farejador?

162 162 ROTEIRO ROTEIRO VIDEODOCUMENTÁRIO PF TÉCNICA/TEXTO/TEMA Tela preta Introdução 01: O Dia que não Terminou IMAGEM - Pôr do sol - Carros na PIA - Movimentação do tráfico na PIA - Imagem noturna - Placa Foz - Placa Itaipu - Barragem Itaipu - Placa Guaíra - Lancha no Rio Paraná Fade Out GC: Renato Lima Delegado (O Tráfico de drogas é a comercialização, na verdade, temos vários verbos no artº 33 da lei de drogas, a compra, a venda, o plantio, todo esse cenário de drogas, entorpecentes que são aquelas substâncias previstas na portaria em lei enfim, nas nossas normas. E o tráfico internacional é quando essa movimentação da droga, o transporte dela, vem do exterior, tanto que aí a pena é acentuada, é um pouco mais grave, nesse caso.) Entrevista Renato Lima GC: Roberto Milanezze Delegado (Mas Foz do Iguaçu e Guaíra ocupam uma situação bem estratégica porque nessas duas cidades tem uma situação de comércio muito grande de mercadorias, entre aspas, lícitas né? Eletrônicos e outras mercadorias típicas de compra de free shop Entrevista Milanezze

163 163 que acabam gerando uma movimentação na cidade e fazendo com que o tráfico aproveite dessa movimentação para se ocultar no meio dessa multidão de pessoas que está sempre passando por ali, por aquela região de fronteira). GC: Wagner Mesquita Delegado (Foz do Iguaçu é uma grande porta de entrada devido ao tamanho do Paraguai, do tamanho de negócios ali na fronteira com o Paraguai. Guaíra também, Guaíra e aquela região toda sempre tem, é naturalmente envolvida, tem a facilidade de ter pequenos portos, então o material ser internado através do rio, o que é difícil fazer uma fiscalização eficaz. A nossa divisa com o Estado do Mato Grosso também é uma divisa complicada delicada, nós temos cidades do lado paraguaio que tem fronteira com o Mato Grosso, que tradicionalmente são rota de entrada de maconha no país e armas. Então o Paraná está servido dessas principais vertentes de entrada de drogas, armas, material ilícito em geral) Entrevista Mesquita (A fronteira é o começo do trafico, porque como eu tava dizendo, o Paraguai ele é um país produtor de maconha, é um país que tem sua renda, do povo do interior, do povo da lavoura é muito focada na produção de maconha né? Ou a pessoa é um grande produtor de soja ou um grande produtor de gado ou ele não vai conseguir sobreviver daquelas culturas de subsistência, como por exemplo a mandioca, não tem uma lucratividade muito grande. Então para o pequeno produtor, aquele lavrador mesmo que vive da enxada produzir a maconha é muito mais lucrativo pra ele, mesmo ele sabendo os riscos que ele corre né? Então esse problema social que existe no Paraguai, de uma pobreza, gera essa grande produção de maconha. É uma produção muito grande mesmo, então essa mercadoria tem que escoar para algum lugar e o Brasil é o país mais fácil para escoar, o Paraguai não tem ligação com o mar e o Brasil tá aqui com um mercado Entrevista Milanezze Mapa Rota Maconha

164 164 consumidor enorme, uma população muito grande para consumir essa maconha, por outro lado, a cocaína que é produzida nos países andinos né, o Paraguai não produz cocaína, a cocaína é produzida em países como Bolívia, Peru, Colômbia, então essa facilidade que o Paraguai proporciona de ser uma passagem para essas drogas baseadas nas folhas de cocaína devido a movimentação da tríplice fronteira, a tríplice fronteira é muito dinâmica, como isso gera uma movimentação muito grande de veículos e pessoas então facilita essa ocultação de pessoas, elas se misturam na multidão que está ali fazendo comprar legalmente e acabam tendo uma facilidade maior de entrar no Brasil, o Brasil se torna muitas vezes o país de passagem, o Brasil não é apenas consumidor de cocaína, toda a cocaína que entra no Brasil pelo Paraguai, não é só consumida aqui, mas também parte para países da Europa e dos Estados Unidos, então por isso que o Brasil combate, da melhor maneira que ele pode, para que também favoreça os outros países). Mapa Rota - Cocaína Fade Out Introdução 02: Gats To Adis - Lancha e Policial - Policiais Nepom - Policial e cachorro - Fiscalização Aeroporto - Carros PIA Flash Tela Preta Entra Áudio - traficante Animação Polícia Federal Animação Arma Animação Polícia Federal Animação Arma Título do documentário Fade Out

165 165 GC: Fabio Telles Agente (O trafico de drogas é um crime extremamente prejudicial à sociedade, e por atribuição constitucional a repressão dele é cargo da Polícia Federal, não apenas o trafico internacional mas todo o trafico em si) (as varias formas que o trafico usa pra ele poder escoar a droga, então por exemplo, em foz do iguaçu e Guaíra existem o núcleo de policia marítima que fazem o patrulhamento do lago de Itaipu e do rio Paraná que faz a fronteira com o Paraguai, já no aeroporto, muita, principalmente cocaína, ela sai do Brasil pra ir pra outros países, como Europa, estados unidos, através do aeroporto, e existe também policiamento na rodovia, quando a droga já esta no Brasil, ela sai de carro, sai de ônibus, então o combate tem que ser feito tanto terrestre como na área de fronteira, na área fluvial ali, marítima, e também já quando esta dentro do país aqui.) Entrevista Telles - Imagem aérea Lancha Nepom GC: Celso Calori Agente (O NEPOM faz um trabalho ostensivo da Polícia Federal com embarcações, nós realizamos operações no Lago de Itaipu e também nos rios Paraná e Iguaçu. Nosso trabalho é específico, é especializado com embarcações, porém também fazemos trabalho, fazemos patrulhamento com viaturas né, tantos nas margens do Rio Paraná e Rio Iguaçu e no Lago de Itaipu.) Entrevista Calori - Abordagem Lancha GC: Augusto Rodrigues Agente (Nós verificamos ali os locais onde que existe mais

166 166 incidência de passagem e nesses locais é feito um trabalho de acompanhamento, de levantamento, de investigação, de inteligência e a partir disso nós partimos para as ações policiais que visam justamente fazer a apreensão. Então já ocorreram apreensões em embarcações. As embarcações passando do lado paraguaio pro lado brasileiro, elas são abordadas, são fiscalizadas e, vamos dizer assim, essa droga geralmente ela não vem escondida. Ela já vem dentro da própria embarcação porque são grandes quantidades.) Entrevista Augusto (O que as pessoas utilizam são horários que eles têm certeza que não tem uma fiscalização, pode ser usando a cobertura da noite que dificulta a visualização e em pontos essa travessia, essa travessia é feita em pontos é em que o sistema de vigilância deles consegue detectar a presença policial numa distância maior, então quando você chega, até você chegar a margem já deu tempo suficiente para eles até retornarem com essa droga para o lado paraguaio ou ter escondido dentro de uma residência numa favela, numa dessas favelas que tem aí com mais de duzentas residências, então é muito difícil você localizar essa droga depois.) Sobe Lettering Fiscalização de Rotina Lago do Itaipu Entrevista Calori - Barcos Noite - Fiscalização Lago Itaipu Fade Out (Tudo o que movimenta pessoas e material é uma oportunidade pro tráfico atuar, seja em estradas, fiscalizações em estradas, aeroportos, portos, então nós temos um vasto histórico no Paraná de apreensões em várias modalidades, seja em portos, aeroportos, na estrada, no rio, em fiscalização de passageiros, em veículos, enfim, toda a oportunidade que o tráfico vê de internar material, a gente tem que na sequência se mobilizar e tentar fazer aquilo ficar menos fácil né?) Entrevista Mesquita - Carros PIA

167 167 Fade Out GC: Laércio Grejanin Agente (A fiscalização aqui na Ponta da Amizade tanto na saída do Brasil, quanto na entrada ela é feita aleatoriamente, é como a quantidade, o fluxo de veículos é muito grande tanto saindo quanto entrando no Brasil, não há possibilidade com as pessoas, com a quantidade de efetivo de fiscalizar todos os veículos e pessoas que saem e entram no Brasil. Hoje é feito por amostragem, por amostragem e pela experiência do policial hoje na fronteira, ele já escolhe as pessoas e veículos para fiscalizar, é uma forma de resumir a fiscalização, ele aborda a pessoa e o veículo que realmente vale a pena fiscalizar. ) Entrevista Laércio Sobe Lettering Fiscalização de Rotina Ponte Internacional da Amizade - Fiscalização de um carro PIA Fade out GC: Gildeto Meira Agente (Devido o Paraguai ser o segundo maior produtor de maconha do mundo, após o Marrocos, aqui na fronteira do Paraná, as apreensões de drogas, principalmente maconha, são diárias.) Entrevista Gildeto (São várias as formas de entrada da droga pela Ponte da Amizade, as formas de ocultação são muito variadas, as vezes é caminhão, é no corpo da pessoa, mala, fundo falso de veículos, é muito variado, não tem um padrão de ocultação.) Entrevista Laércio - Tirando droga do carro (Creio que dos flagrantes que eu tive o privilégio de estar lavrando de maconha foi de um ônibus que foi Entrevista Renato Lima

168 168 apreendido em cima da Ponte Internacional da Amizade... e na ocasião não teve digamos assim, nenhuma informação, nada de inteligência, simplesmente o ônibus estava cheio de maconha e passando vazio e aí o policial que resolveu fazer a fiscalização estranhou aquela situação, entrou sentiu o odor característico de maconha, a pessoa que estava ali dirigindo se demonstrou bastante nervosa, então começaram a fazer uma vistoria mais, um pente fino maior no veículo, no ônibus e acabaram encontrando, calculo eu que foi mais de uma tonelada. - Ônibus na PIA Nessa apreensão do ônibus é interessante notar que eles tinham modificado completamente o ônibus e tava escondido no assoalho e no fundo falso que tinha na traseira do ônibus, ou seja, numa fiscalização rápida talvez não fosse identificada a maconha.) (Na verdade a Polícia tem que atuar em vários meios porque os traficantes usam vários meios, então a polícia tem que estar sempre acompanhando as várias metodologias utilizadas né e eles, os traficantes, vão variando sua metodologia e a polícia tem que estar sempre detectando essas mudanças, então, por exemplo, tem que fiscalizar através de cães, até mesmo a correspondência enviada pelo correio né, que também é um meio de envio de drogas, o método usado para ocultar, as vezes é em pneus, as vezes é na carroceria, as vezes sei la dentro do painel, então eles vão modificando conforme eles vão criando a criatividade deles permite.) Entrevista Milanezze - Apreensão de cocaína e crack Sobe Lettering Apreensão Foz do Iguaçu 69 kg de cocaína e 87 kg de crack (Geralmente essas cargas grandes vão para Rio de Janeiro ou São Paulo né, o motorista sabia o que tava fazendo de errado, geralmente eles não confessam né, pelo menos não em sede policial, as vezes até em juízo eles podem confessar para Entrevista Milanezze

169 169 conseguir alguma redução de pena, alguma delação premiada, mas vide regras não confessam e eles tentam numa ingenuidade querer justificar sua conduta dizendo que achavam que era contrabando né, eles tentam justificar dizendo que achavam que estavam cometendo um crime menor, que eles entregam o caminhão com uma carga lícita, ficam sem ver o caminhão por algum tempo e de repente o caminhão volta já preparado com a carga ilícita, que eles alegam, geralmente, achar que era contrabando que eram mercadorias que não droga né e isso não exime eles porque também é crime o contrabando e as demais circunstâncias acabam evidenciando que eles sabem que é droga né.) - Apreensão de cocaína e crack (A atuação da Polícia Federal é bem diversificada e eu diria que cada vez mais estaríamos investindo em trabalhar com inteligência para que não seja preso apenas aquele que está transportando, que invariavelmente é a chamada mula, que seria uma pessoa que foi cooptada pelo tráfico, simplesmente como um transportador, mas na verdade nem é aquele que acaba se beneficiando dos lucros e dos grandes rendimentos que a droga causa, então por isso a inteligência serve para irmos mais a fundo e tá trabalhando com os principais, entre aspas, com os cabeças, com os mentores, com os lideres que praticam o crime organizado, então trabalhamos com inteligência. E também trabalhamos de forma ostensiva até para estar coibindo, porque nem todo o tráfico de drogas é feito assim de forma assim tão organizada assim, tem gente que simplesmente vai até a região de fronteira, atravessa o país, compra a droga, entra no ônibus e vai embora, então também é importante estar tendo fiscalização em ônibus, nas estradas, muitas vezes utilizando cães farejadores como temos feito, então a gente tem que trabalhar com esses diversos aspectos até mesmo para quem está de fora observando fala opa, a policia se faz presente, ou seja, também forma ostensiva.) Entrevista Renato Lima - Ricky no ônibus Fade in

170 170 GC: Carlos Cruz Agente (você imagina um ônibus com quarenta passageiros, se você pedir para que todos os passageiros desçam do veículo com suas bagagens, tirar a bagagem da parte inferior do veículo, do bagageiro, separar. Você passar o cão nas pessoas, ou melhor, o policial, revistar pessoa por pessoa, bagagem por bagagem, isso aí vai demandar no mínimo duas horas num único ônibus né. Com o cão não, com o cão você consegue fazer com as pessoas dentro do ônibus, com a bagagem no seu local acondicionado entendeu e o cão se alguém tiver portando substância entorpecente ou até mesmo ter sido usado um cigarro de maconha que deixou impregnado na roupa, o cão tem condições de identificar e a gente consegue otimizar o tempo que seria em torno de duas horas, a gente faz em torno de quinze minutos.) Entrevista Cruz - Fiscalização no ônibus Sobe Lettering Fiscalização em Ônibus Foz do Iguaçu GC: Marco Smith Agente (Na fronteira você vai encontrar todo tipo de ocultação de droga. Desde a droga engolida por pessoas, pelas mulas que levam a droga no seu corpo, até fundo falso em veículos, em embarcações, em aeronaves, passando por fundo falso em caixa de mercadoria, em ocultação no meio de cargas. Você vai encontrar praticamente todas as formas de ocultação de drogas aqui na região de fronteira.) Entrevista Smith - Aeroporto (No Aeroporto de Foz do Iguaçu a principal droga apreendida é a cocaína, a cocaína é a campeã aqui das apreensões, depois vem a maconha e o haxixe.) Entrevista Laércio

171 171 (Normalmente a fiscalização ela é feita antecipadamente, antes do check-in, então a pessoa que já está com alguma coisa oculta, seja dentro do organismo ou em fundo falso, ela passa pela fiscalização ali pela área da Receita Federal, onde atuam os policiais federais, naquele momento já é perceptível que a pessoa está um pouco nervosa, um pouco ansiosa e ali é o indicio que a pessoa pode estar com algum, com alguma irregularidade. A pessoa normalmente é parada, o policial aborda a pessoa e verifica o itinerário de viagem da pessoa, esse itinerário já é um grande indício de que também a pessoa pode estar levando alguma coisa errada, seja mercadorias que não são declaradas né, oriundas do Paraguai, ou até mesmo entorpecente.) - Bagagem no aparelho raio-x - Fiscalização de bagagens (E tem a forma engolida que é que muito praticada aqui em Foz do Iguaçu, por que aqui é um corredor né de saída de drogas pra Europa e muitas mulas de nacionalidade paraguaia engolem as drogas e passam pelo aeroporto.) (Tem uma história que não tem um final feliz. Foi quando uma engolidora trouxe cocaína dentro do seu ventre e quando ela estava, foi identificado que ela estava com cocaína no aeroporto e aí foi levado para o hospital e depois de um tempo teve uma explosão e aquilo acabou rompendo e ela veio a óbito, então essa é uma das formas mais cruéis assim de se estar levando a droga) Entrevista Renato Lima (É o risco é muito grande, a qualquer momento pode se romper uma cápsula de cocaína no organismo da pessoa e a pessoa vai a óbito em poucos segundos, é praticamente impossível salvar uma pessoa no aeroporto se ela tiver, se romper uma cápsula de cocaína, é praticamente impossível salvar ela, normalmente ela vai a óbito mesmo.) Entrevista Laércio (Uma vez uma mãe estava levando dentro de uma criança morta cocaína, ela tava com aquele bebe no colo mas, na verdade, ele tinha morrido e estava Entrevista Renato Lima

172 172 recheado de drogas dentro. Cruel.) GC: Álvaro Webber Agente (O perfil dos presos que tem aqui na delegacia, hoje são essencialmente homens, não existem mais mulheres custodiadas na delegacia, nós temos aqui basicamente brasileiros e paraguaios, essencialmente presos por tráfico de drogas, podese dizer que 90% do número de presos aqui são por tráfico de drogas.) (O perfil do preso aqui, é, normalmente, aquele preso que é chamado de 'mula', é aquele que é cooptado pelo crime, pra execução específica do transporte da droga. O perfil desse criminoso, na realidade, é uma vítima da sociedade, é uma pessoa de baixo nível cultural, é uma pessoa de baixo nível financeiro, que não tem posses pra poder resolver a sua vida, ele é cooptado por cinquenta, cem reais, duzentos reais, pra poder fazer esse crime.) (A mula em si, pouquíssimas mulas retornam a cometer crimes, pouquíssimas mulas, é muito raro uma mula voltar a ser presa.) Entrevista Webber - Delegacia de Foz - Carceragem Entrevista Webber - Carceragem 01 - Carceragem 02 (O traficante já de ofício, esse já tem uma contumácia na ação e é uma das, das, outras características que ele não sabe fazer outra coisa, a não ser traficar.) (mas normalmente o patrão ele já conhece tanto o sistema carcerário, já passou pelo banco dos réus, já uma ou duas vezes, tem contatos na fronteira, vários, eventualmente até já morou na fronteira, já tem familiares na região de fronteiras) Entrevista Mesquita - Fechando porta da carceragem (As pessoas que trabalham no tráfico geralmente

173 173 são muito bem remuneradas né? um caminhoneiro vou te dar um exemplo, ele levar uma carga, um frete normal, que demoraria uma semana pra ele ir com o caminhão e voltar, talvez ele ganharia nessa uma semana de trabalho, dirigindo todos os dias durante muito tempo, as vezes até com o próprio caminhão dele, ele ganharia.. sobraria pra ele entre 1000 e 1500 reais livre, se ele leva uma carga de droga, muitas vezes a gente já viu ele ganhar 10,000 mil, mil reais. O problema da droga é que ela custa X no Paraguai ou na Bolívia, na hora que você conseguir entregar ela em São Paulo, ela vai custar 20X, é uma margem de lucro astronômica, vai custar 20 vezes mais, se você conseguir entregar ela fora do Brasil, nos estados unidos talvez ela custe 50 ou 100X, dependendo da situação, então agrega muito valor o fato de você conseguir fazer com ela chegue ao local da encomenda, então é uma sedução muito grande porque os valores envolvidos são muito grandes, mesmo pras pessoas que estão trabalhando no escalão menor, na base) Entrevista Telles (Certamente ele é um crime, é um ato, digamos assim antijurídico, mas mais do que isso a gente pode estar encarando ele por uma perspectiva econômica. O que nós queremos dizer com isso? Encarando com as visões da economia, como se fosse um negócio, um empreendimento, todo o empreendimento, todo negócio, (ele para e pensa na palavra certa e continua a frase), como se fosse um investimento. Os investimentos ele basicamente tem três aspectos que devem ser observados antes de ser feito que é o grau de risco, a liquides e, finalmente, o rendimento. Vou dar o exemplo a poupança, a poupança é um investimento que tem um baixo grau de risco, ou seja, é garantido pelo Governo, quem investiu nele, difícil, não vai sair perdendo, ela tem uma grande liquides, ou seja, quando você precisar do dinheiro, você o terá na mão, basta sacar no banco e por causa disso, pra compensar, ela vai ter um baixo rendimento, tanto que é de 1/2% ao mês, 6/5% +- ao ano. Vamos estar encarando outro investimento, por exemplo a bolsa de valores, ela tem um rendimento maior, pode subir, pode descer e aí a gente já entra no Entrevista Renato Lima - Tabela

174 174 risco, em compensação ela tem um risco maior e ela tem uma boa liquides. Agora vamos pensar em um que tem uma baixa liquides, imóveis, por exemplo, os imóveis você investiu dinheiro nele, dificilmente você vai estar conseguindo estar retirando esse dinheiro de volta com tanta facilidade, em compensação tem um bom rendimento e uma certa segurança. A droga a gente pode estar encarando dessa forma, como ela tem, digamos assim, um alto risco, já que a pessoa pode colocar o dinheiro e perder tudo por uma apreensão da polícia e ela tem uma difícil mobilidade, já que o dinheiro que você investe não vai ter um tempo de retorno tão rápido, ela tem o terceiro aspecto que é a alta rentabilidade, ou seja, o preço da maconha no Paraguai, é diferente do preço que ela vai ter, por exemplo, em São Paulo, ou até mesmo na Europa, cada vez que você vai pulando essas etapas de risco e de transporte, vai tendo um valor mais alto. E o papel da Polícia Federal nessa cadeia, mais do que estar impedindo aquela ação naquele momento, certo é esse a função primária, é também estar fazendo com que os riscos de tornem tão altos que acabe desestimulando a prática do crime.) (O Brasil busca parceria com o Paraguai pra que se façam operações dentro do país produtor, antes do limite da fronteira, e essas sim são operações que você tem um resultado eficaz, você tem um resultado realmente majorado, então o Brasil cede aeronaves, a Polícia Federal vai lá com suas aeronaves, seu efetivo, entra em território paraguaio, lógico que sob cooperação internacional, faz o cultivo daquela maconha e queima toda aquela maconha, então você foi na fonte e tirou ali no momento da produção. Então isso é muito mais eficaz do que pegar a conta gotas depois da fronteira pra cá. Então esse seria o objetivo maior, esse teria o maior ideal, estamos buscando fazer hoje em dia com a Bolívia, com o Peru, mas é difícil instrumentalizar esse tipo de operação. Mas aí sim seria, além da fronteira seria o ideal pra fazer o combate. Da fronteira pra dentro aí já é um problema de atuação direta da polícia, mas enfim, aí o mal já está mais ou menos feito né? podemos considerar que o mal já está feito e muito mais difícil Entrevista Mesquita

175 175 de tratar, você vai prender eventualmente uma mula, você vai prender o motorista, pra você prender realmente o dono da droga, o intermediador você vai ter que fazer um trabalho muito mais demorado, com muito mais qualidade técnica, enfim, juntar muito mais provas né?) (A partir do momento que você esta combatendo o trafico de drogas, você também esta combatendo a atividade das facções criminosas ne? Basicamente a atividade.. a facção criminosa é o meio e o trafico de drogas seria o fim, então não adianta você combater só o traficante, o trafico de drogas em si, se você não fizer um trabalho que visa você atingir as facções criminosas ne?) Entrevista Telles (E o Paraná por ser uma importante rota de acesso aos grandes, aos grandes centros consumidores é o Estado que mais se apreende maconha no país. A Polícia Federal no Paraná é a policia que mais apreende maconha no país e não somente ela, como a Polícia Militar, a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Civil. E grande número de pessoas do Estado de São Paulo são presas e ficam encarceradas geralmente em delegacias do Estado do Paraná. Pessoas com ligações ao PCC. Daí o alastramento da presença do PCC, principalmente nas delegacias do Estado do Paraná.) Entrevista Gildeto (Em relação com comando vermelho eu tive a oportunidade de fazer, de conduzir um trabalho chamado operação fênix. Essa operação durou dois anos, 2007 à 2009, nós realizamos a apreensão de 4 toneladas de drogas durante dois anos, foram doze flagrantes, 22 pessoas presas, apreendemos aviões, fuzis, metralhadoras, armas longas, maconha, cocaína, e o principal articulador era o Luiz Fernando da Costa, conhecido como Fernandinho beira Mar, nessa operação a gente conseguiu prender, responsabilizar criminalmente e prender a esposa dele, filho, advogado, enfim, varias pessoas envolvidas com a facção do comando vermelho. Empresas, nós propiciamos que Entrevista Mesquita

176 176 a Justiça bloqueasse e cessasse a atividade da lavagem também, além da droga, todos eles receberam altas penas.) (durante as investigações ficou provado a ligação entre as duas facções, lideres dessas facções se conheceram no presídio de Catanduvas, e ai fizeram consorcio de drogas em são paulo, nós fizemos apreensões em são paulo também, voltadas ao PCC, entao já tivemos resultados práticos aqui no paraná, de atuação em cima das facções criminosas.) (O trafico de droga hoje dentro do crime organizado, em termos até mundiais, é muito forte porque, houve um estudo feito pela ONU, que revelou que se fosse tirado do sistema bancário mundial todo dinheiro que é utilizado pro trafico de drogas, pelos traficantes, da atividade ilícita do trafico de drogas, o sistema bancário ele entra em colapso, de tanto dinheiro que ele tem inserido ne dentro do mercado mundial ne? E dentro do Brasil basicamente, o crime organizado, as facções criminosas, e o crime organizado de uma forma geral ele usa o trafico de drogas pra se capitalizar, porque é um atividade muito muito rentável.) Entrevista Telles - Fiscalização em Guaíra Entra música O dia que não Terminou em fade in e vai a BG - Tirando drogas no carro 01 - Tirando drogas no carro 02 (As consequências do tráfico de drogas são devastadoras, você consegue ver famílias destruídas, forças policiais e até mesmo estatais sendo, muitas vezes, corrompidas por causa dele, por sorte e também pelo muito trabalho da Polícia Federal e das outras instituições isso é certamente uma exceção, mas na sociedade em geral a gente vê isso daí a droga tem esse poder, tanto que é um crime contra a saúde, de estar debilitando a pessoa, Entrevista Renato Lima

177 177 fisicamente e também a relação com os familiares, são famílias destruídas, são pessoas que roubam coisas dentro de casa, que ficam alienadas e muitas vezes transtornadas em busca da droga.) (é uma questão de segurança pública porque muitos homicídios estão ligados a questão do trafico de drogas. Em Foz do Iguaçu posso te dar um exemplo de que acredito que 70 a 89% dos homicídios estão ligados ao trafico de drogas, disputas entre as quadrilhas, os usuários que são mortos por assumires dividas com os traficantes e não conseguirem saldar isso depois, e é um problema também de que acaba no sistema penitenciário, porque hoje no Paraná, acredito que metade do sistema penitenciário paranaense esta composto por pessoas condenadas ou presas provisoriamente por questão do trafico de drogas.) Entrevista Telles Música vai a fade in Tela preta: No Paraná, apenas em abril/2012, dos custodiados no Sistema Penitenciário, 6009 são acusados do crime de Tráfico de Drogas. *Dados do Depen (Essa visão do consumo de droga poética, hippie, isso aí não existe. Isso é uma parcela mínima dentro do universo do tráfico.) Entrevista Mesquita Música vai a fade in Tela preta: Mais de 100 mil pessoas são internadas, por ano, no Brasil, por consumo de substâncias entorpecentes. *Dados da Senad (Por isso também a gente entende que não é só um caso de, entre aspas, de polícia, mas também é um desafio para toda a população, para todo o governo, Entrevista Renato Lima

178 178 para todos nós.) - Pôr do sol - Guaíra Fade in Música vai a fade in Créditos: Polícia Federal A Guardiã da Fronteira Andrea Moraes e Elisana Fuckner Trabalho de Conclusão de Curso Jornalismo Unibrasil Direção, Produção e Roteiro Andrea Moraes Elisana Fuckner Edição Andrea Moraes Elisana Fuckner Finalização Guto Pimentel Professor Orientador Felipe Harmata Marinho Trilha Sonora

179 179 O Dia que não Terminou Cedida por: Tico Santa Cruz Interpretação: Detonautas Roque Clube Áudio: Goiaba escapou Cedido por: Departamento de Polícia Federal Gates to Adis Retirado de: freeplaymusic.com Composição: Dimitrius Hatzisavas Entrevistados Álvaro Webber dos Santos Agente Augusto da Cruz Rodrigues Agente Carlos Alberto Pinheiro Cruz Agente Celso João Calori Agente Fabio Telles da Silva Agente Gildeto Stel Meira Agente Laércio Aparecido Grejanin Agente Marco Berzoini Smith Delegado Marcos Renato da Silva Lima Delegado Roberto Mello Milanezze Delegado Wagner Mesquita de Oliveira Delegado Todas as imagens foram produzidas pelas acadêmicas, com exceção de algumas cedidas pelo Departamento de Polícia Federal. Imagens Cedidas - Movimentação na fronteira, com pessoas

180 180 carregando caixas na beira do Lago de Itaipu (tempo no videodocumentário: 00:07 à 00:18); - Policiais federais saindo no barco e entrando nas margens do Rio Paraná (tempo no videodocumentário: 03:54 à 03:54); - Movimentação de carros na Ponte da Amizade (tempo no videodocumentário: 04:00 à 04:02); - Imagem aérea da lancha da Polícia Federal no Lago de Itaipu (tempo no videodocumentário: 05:16 à 05:36); - Lancha da Polícia Federal interceptando barco ilegal no Lago de Itaipu (tempo no videodocumentário: 05:45 à 05:59); - Imagens da câmera térmica (tempo no videodocumentário: 06:44 à 06:58); - Barco da Polícia Federal em diligência pelo Lago de Itaipu (tempo no videodocumentário: 07:17 à 07:30); - Retirada de maconha de dentro de um veículo (tempo no videodocumentário: 09:34 à 09:47); - Ônibus passando na Ponte Internacional da Amizade (tempo no videodocumentário: 09:55 à 09:58); - Fiscalização da Polícia Federal dentro de um ônibus de viagem (tempo no videodocumentário: 14:52 à 16:19); - Retirada de maconha de dentro do veículo (tempo no videodocumentário: 29:20 à 29:47) Agradecimentos Ao Departamento de Polícia Federal Aos entrevistados da Polícia Federal Ao Superintendente da PF no Estado do Paraná José Alberto de Freitas Iegas Ao Agente Marcos Koren Ao orientador Felipe Harmata Marinho

181 181 Ao Perito Silvino Schlickmann Junior Ao Delegado Fabiano Bordignon Ao Comunicador Márcio Alves Ao Técnico de Informática Davi Silveira Aos colegas Lúcio Woytovicz Júnior Ramon Voltolini E a todos nossos amigos que nos acompanharam e ajudaram na concretização deste trabalho Curitiba 2012 Contato:

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192 192 O Dia que não terminou Tico Santa Cruz Detonautas Me sinto tão estranho aqui Que mal posso me mexer, irmão No meio dessa confusão Não consigo encontrar ninguém Onde foi que você se meteu, então? Tô tentando te encontrar Tô tentando me entender As coisas são assim Me sinto tão estranho aqui Que mal posso me mexer, irmão No meio dessa confusão Não consigo encontrar ninguém Me sinto tão estranho aqui Que mal posso me mexer, irmão No meio dessa confusão Não consigo encontrar ninguém Onde foi que você se meteu, então? Tô tentando te encontrar Tô tentando me entender As coisas são assim Meus olhos grandes de medo Revelam a solução, a solução Meu coração tem segredos Que movem a solidão, a solidão Me sinto tão estranho aqui Diferente de você, irmão A sua forma e distorção Não pareço com ninguém, sei lá Pois eu sei que nós temos o mesmo destino então Tô tentando me encontrar Tô tentando me entender Por que tá tudo assim? Quem de nós vai insistir e não Se entregar sem resistir então Já não há mais pra onde ir Se entregar à solidão e não

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