O PAPEL DAS AUTORIDADES CENTRAIS E A SECRETARIA DE COOPERAÇÃO JURÍDICA INTERNACIONAL DO MPF

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1 O PAPEL DAS AUTORIDADES CENTRAIS E A SECRETARIA DE COOPERAÇÃO JURÍDICA INTERNACIONAL DO MPF Curso de Cooperação Jurídica Internacional para membros e servidores da Procuradoria da República no Paraná 31 de Julho e 1º de Agosto de 2014

2 INTRODUÇÃO - Globalização - Cooperação Internacional Intercâmbio internacional de documentos para garantir o cumprimento extraterritorial de medidas judiciais, processuais ou investigativas de outro Estado. - Cooperação Direta (Informal): Realizada entre as Polícias (INTERPOL), Ministérios Públicos, Magistrados, Unidades de Inteligência Financeira; - Cooperação Juridica (Formal): Realizada entre as Autoridades Centrais e órgãos diplomáticos, com base em Tratados e Convenções de Auxílio Jurídico Mútuo e legislação local dos países. A cooperação jurídica pode se basear em tratado ou em promessa de reciprocidade. - Surgimento de Tratados Multilaterais e Bilaterais

3 AUTORIDADE CENTRAL A) Conceito e Origem: Órgão de auxílio à Cooperação Internacional Conhece a legislação e os procedimentos Órgão técnico e especializado Integra a estrutura do Ministério Público ou do Poder Executivo Constituição decorrente de tratado Definição e substituição pelo Estado Modelo inaugurado com a Convenção de Haia de comunicação de atos processuais de 1965 Ideia de concentração

4 B) Atividades: Recebimento e transmissão de pedidos de cooperação Análise e adequação das solicitações Orientação da parte solicitante Coordenação e acompanhamento da execução Propor e fomentar melhorias no sistema de cooperação Articula, integra e propõe ações de governo Atuação em conjunto com outros meios de auxílio: Diplomacia Redes judiciárias Oficiais de Ligação

5 Cabe também à Autoridade Central: Evitar falhas na comunicação internacional Evitar o seguimento de pedidos inadequados Evitar a adoção de mecanismos de cooperação inadequados Prévio juízo de admissibilidade administrativo Encaminhamento à autoridade competente Em regra: não tem função de execução direta (se não for MP) Apoio da Polícia (Canal Interpol) Cumprimento pela via administrativa

6 Se não preenchidos os requisitos necessários DEVOLUÇÃO a) Má qualidade da tradução; b) Dados equivocados; Principais motivos de recusa: c) Deficiência na narrativa / insuficiência de dados / homônimos; d) Ausência de quesitos para o interrogatório ou inquirição; e) Designação de data de audiência sem atenção ao prazo. Antes da devolução, no entanto, caberá à Autoridade Central solicitar a remessa de documentação complementar, a retificação dos dados ou designação de nova data para audiência.

7 C) Importância: Papel fundamental para a cooperação jurídica internacional Como ponto de contato, facilita e acelera a tramitação dos pedidos Elimina a intermediação dos MRE pela comunicação direta Tramitação de documentos sem a necessidade de legalização consular ou tradução juramentada O trâmite via AC assegura autenticidade e legalidade aos documentos Conhece as particularidades das contrapartes Centralização = Celeridade e Eficácia Avanço em relação à cooperação apenas pela via diplomática

8 D) Identificação e Instrumentos Legais: No Brasil, atualmente o papel da Autoridade Central para CJI cabe, majoritariamente, ao Ministério da Justiça: DRCI DEEST Secretaria Nacional de Justiça Ao DEEST compete analisar e tramitar os pedidos de extradição e de transferência de pessoas condenadas Ao DRCI compete analisar e tramitar os demais pedidos de Cooperação Jurídica Internacional

9 Competências normatizadas em diversos instrumentos legais: a) Decreto nº 6.061/2007; b) Resolução STJ nº 9 (art. 7º, Parágrafo Único): As cartas rogatórias podem ter por objeto atos decisórios ou não decisórios. Parágrafo Único. Os pedidos de cooperação jurídica internacional que tiveram por objeto atos que não ensejem juízo de delibação pelo Superior Tribunal de Justiça, ainda que denominados como carta rogatória, serão encaminhados ou devolvidos ao Ministério da Justiça para as providências necessárias ao cumprimento por auxílio direto. c) Portaria Conjunta MJ/PGR/AGU nº 1/2005; d) Portaria Interministerial MJ/MRE nº 501/2012; e) Tratados e acordos de que o Brasil é parte.

10 A atuação como Autoridade Central, no entanto, está dividida entre outros órgãos, conforme disciplinam os seguintes 6 Tratados: 1. Convenção sobre Prestação de Alimentos no Estrangeiro (Convenção de Nova York CNY); 2. Tratado de Auxílio Mútuo em Matéria Penal entre o Governo da República Portuguesa e o Governo da República Federativa do Brasil; 3. Tratado de Auxílio Mútuo em Matéria Penal entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo do Canadá; 4. Convenção sobre os aspectos civis do sequestro internacional de crianças; 5. Convenção relativa à proteção das crianças e à cooperação em matéria de adoção internacional; 6. Convenção Interamericana sobre restituição internacional de menores.

11 MJ AUTORIDADES CENTRAIS SEDH PGR

12 1. Ministério da Justiça 1.1. Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional DRCI Articulação de políticas públicas; coordenação da atuação do Estado no que concerne à recuperação de ativos ilícitos, à CJI, e à prevenção e combate à lavagem de dinheiro e ao crime transnacional; Negociação de acordos; Articulação e colaboração com o Poder Judiciário, Ministério Público, Polícias e demais órgãos relacionados à cooperação. Recebimento, análise, encaminhamento e devolução dos pedidos.

13 1. Ministério da Justiça 1.2. Departamento de Estrangeiros DEEST Analisar e tramitar os pedidos de extradição e de transferência de pessoas condenadas Atua no sentido de agilizar o trâmite dos pedidos, em parceria com o MRE, o Departamento de Polícia Federal, a INTERPOL e os Juízes das Varas de Execuções Penais.

14 2. Secretaria Especial de Direitos Humanos Convenção sobre aspectos civis do sequestro internacional de crianças (Haia, 1980); Convenção relativa à proteção das crianças e à cooperação em matéria de adoção internacional (Haia, 1993); Convenção Interamericana sobre restituição internacional de menores. Promoção e proteção dos direitos e do interesse superior de crianças e adolescentes preservação da dignidade que a condição humana lhes garante.

15 3. Procuradoria-Geral da República Secretaria de Cooperação Jurídica Internacional Convenção sobre prestação de alimentos no estrangeiro CNY (Dec. Nº /65) Tratado de Auxílio Mútuo em Matéria Penal entre Brasil e Portugal (Dec. Nº 1.320/94) Tratado de Auxílio Mútuo em Matéria Penal entre Brasil e Canadá (Dec. Nº 6.747/09) Portarias PGR nº 23/2005; 627/2010 e 650/2013

16 SECRETARIA DE COOPERAÇÃO JURÍDICA INTERNACIONAL SCI A) Origem, Estrutura e Funções: Criada em 2005 Integra o Gabinete do PGR Existência de um grupo de apoio que auxilia o Secretário Função de facilitar o acesso de autoridades estrangeiras e organismos internacionais a informações, e buscar soluções para diversas questões jurídicas Planejamento, execução e coordenação da CJI

17 Acompanhar, apoiar e coordenar a atuação dos membros do MPF na execução dos pedidos Estabelecer, manter e desenvolver as relações do MPF com outras instituições, nacionais ou estrangeiras, em questão de cooperação internacional Organizar e dar cumprimento à documentação emanada de autoridades estrangeiras e organismos internacionais Atuar em colaboração com as Câmaras de Coordenação e Revisão, PFDC, MJ e MRE; Promover a realização de estudos, pesquisas e eventos relacionados às suas atividades

18 B) Atuação: I) Pedidos Passivos de Cooperação em Matéria Penal: - Recebimento do pedido - Cadastro, análise, pesquisa e autuação - Sistema Único - PCI - SPEA/PGR - Encaminhamento para execução (delegação do PGR) - Informações e restituição para encaminhamento à autoridade rogante - Possibilidade de execução direta - Atuação como Autoridade Central (Portugal e Canadá)

19 Autoridade requerente estrangeira ou MRE via diplomática DRCI Autoridade Central de Portugal ou Canadá SCI Requisitos preenchidos E x e c u ç ã o Auxílio Direto STJ Autoridade competente para cumprimento Delegação do PGR Justiça Federal

20 II) Pedidos Ativos de Cooperação em Matéria Penal: Autoridade requerente brasileira Autoridade Central de Portugal ou Canadá SCI DRCI Requisitos preenchidos Há tratado em vigor Não há tratado em vigor Autoridade Central estrangeira MRE via diplomática

21 CONSIDERAÇÕES FINAIS Importância da Autoridade Central e Adequação do Modelo Atual: Benefícios da atuação de maneira concentrada Inviabilidade da pluralidade de vias Diálogo contínuo e atuação coordenada Interlocução entre AC e órgãos oficiantes na execução - Intermédio da SCI Ideia de uma Nova Autoridade Central Brasileira para CJI Órgão colegiado com representação de várias esferas do Governo

22 Lidiane Miris S. Veloso Aguiar (61) Obrigada!

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