O PAPEL DO BRASIL DIANTE DA REGULAMENTAÇÃO INTERNACIONAL DOS INVESTIMENTOS ESTRANGEIROS DIRETOS

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "O PAPEL DO BRASIL DIANTE DA REGULAMENTAÇÃO INTERNACIONAL DOS INVESTIMENTOS ESTRANGEIROS DIRETOS"

Transcrição

1 O PAPEL DO BRASIL DIANTE DA REGULAMENTAÇÃO INTERNACIONAL DOS INVESTIMENTOS ESTRANGEIROS DIRETOS Érika Capella Fernandes 1 RESUMO: O presente artigo almeja tecer considerações acerca da postura brasileira ante a regulamentação internacional dos investimentos estrangeiros diretos (IEDs), mormente no que concerne à opção política de não ratificar os tratados bilaterais de investimentos tampouco ingressar no órgão ICSID. Embora o Brasil seja o maior receptor de IEDs na América do Sul, mantém-se reticente em reconhecer instrumentos jurídicos internacionais que estabelecem direitos e obrigações relativos aos investimentos. Além de investigar os motivos desta opção política, o artigo pretende abordar a possibilidade de elaboração de um tratado bilateral de investimentos favorável aos interesses do país e que, ao mesmo tempo, seja capaz de proporcionar a devida proteção que os investidores nacionais necessitam ao investirem no exterior. PALAVRAS-CHAVE: Investimentos Estrangeiros Diretos. Tratados Bilaterais de Investimentos. ICSID. 1 INTRODUÇÃO Os investimentos estrangeiros diretos (IEDs) constituem uma realidade fortemente presente e constatável ao redor de todo o globo. A América Latina destacase como um polo de atração de investimentos, especialmente o Brasil. Desde que conduzidos corretamente, os investimentos estrangeiros diretos possuem potencial para gerar grandes benefícios para o Estado receptor do investimento. Contudo, apesar das potencialidades de se obter benefícios, eles apenas serão alcançados mediante a implementação de políticas voltadas a esse objetivo. Em outros termos, os Estados receptores de investimentos devem desenvolver ações e estratégias de modo a receber todas as potenciais vantagens resultantes da atração desta modalidade de investimentos. O Brasil, apesar de receber grande fluxo de IED, tradicionalmente não demonstra interesse em assinar ou ratificar os principais instrumentos jurídicos que regulam o tema a nível internacional. No presente artigo, pretende-se não apenas 1 Mestranda em Direito pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, UNESP, campus de Franca SP, na linha de pesquisa Direito, Mercado e Relações Internacionais. Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP. 1

2 abordar os motivos dessa postura, mas também vislumbrar algumas possibilidades de mudança no tradicional posicionamento brasileiro, sugerindo-se a construção de um modelo de tratado bilateral de investimentos mais adequado aos interesses do Estado. Inicialmente, serão delineadas as múltiplas acepções de investimento, tanto do ponto de vista econômico quanto do ponto de vista jurídico. Para tanto, importa mencionar os principais instrumentos jurídicos internacionais que regulam a matéria. Após, serão analisadas as vantagens e desvantagens em adotar uma definição ampla ou restrita do termo investimento. Em um segundo momento, o artigo se debruçará sobre os motivos que norteiam a posição brasileira, tradicionalmente reticente em aderir a instrumentos como os tratados bilaterais de investimentos, bem como a Convenção de Washington de Finalmente, comenta-se a necessidade da adoção de um modelo favorável de tratado bilateral de investimentos, capaz de promover a conciliação entre os interesses antagônicos do investidor e do Estado receptor. Justifica-se essa abordagem em razão do aumento no fluxo de investimentos que emana do Brasil para o exterior, exigindo que os investidores nacionais também sejam protegidos. Um modelo de BIT favorável ao país seria capaz de conferir maior segurança jurídica para investidores brasileiros que investem no exterior. 2 ACEPÇÃO ECONÔMICA E CONCEITUAÇÃO JURÍDICA DOS INVESTIMENTOS O termo investimento comporta múltiplas acepções. Primeiramente, do ponto de vista econômico, investimento pode ser compreendido como o sacrifício do consumo presente em prol do aumento da produção futura (DIAS, 2010, p. 24). Ou seja, o investimento é uma despesa efetuada no presente, tendo-se em vista um resultado futuro de lucro. Espera-se que o retorno proporcionado pelas receitas futuras seja maior que o custo inicialmente dispendido. Considerando-se esta acepção ampla do vocábulo, podem ser consideradas modalidades de investimento operações como a poupança, a produção e aquisição de bens de capital, o desenvolvimento de tecnologia, o aperfeiçoamento de pessoal, entre outras (COSTA, 2010, p. 30). Destarte, sempre que existe uma aplicação de capital aliada à expectativa de lucros futuros é possível falar em investimento. 2

3 A concepção jurídica do termo acarreta maiores dificuldades. Isto se deve, em grande parte, à ausência de uniformidade entre os diversos diplomas e instrumentos jurídicos que tratam do assunto. Inexiste um conceito único, do ponto de vista jurídico, do que possa ser considerado um investimento. A definição de uma operação como um investimento é estabelecida em cada instrumento legal voltado para o tema. Os principais instrumentos jurídicos que abordam os investimentos no nível internacional são os acordos de promoção e proteção recíproca de investimentos (APPRIs), subdivididos em acordos multilaterais, regionais e bilaterais. Há predominância dos últimos, também chamados de tratados bilaterais de investimentos (bilateral investment treaties ou BITs), celebrados entre dois Estados para reger suas relações em matéria de investimentos. Por sua vez, os acordos regionais destinam-se a estabelecer as relações sobre investimentos entre países de uma determinada região ou bloco, como o Mercosul ou o Nafta. Tantos os acordos bilaterais quando os acordos regionais adotam a definição de investimentos que é convencionada pelos Estados signatários. O maior empecilho para a obtenção de um conceito único de investimento é a ausência de um acordo multilateral sobre o tema. A ideia de criar um acordo multilateral de investimentos foi sustentada pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que pretendia elaborar o Acordo Multilateral sobre Investimentos (MAI). No entanto, essa tentativa restou frustrada. A primeira tentativa da organização deu-se em 1967, quando buscou criar um acordo com livre abertura a adesões, que resultou no Projeto de Convenção sobre a Proteção da Propriedade de Estrangeiros. Contudo, referido projeto não se tornou um acordo multilateral vigente, não se convertendo em uma Convenção tampouco em um APPRI modelo, embora tenha servido como referência para a elaboração de futuros APPRIs. Durante a década de 90, a OCDE realizou nova tentativa de produzir um instrumento internacional com força vinculante para a proteção e liberalização dos investimentos estrangeiros, o que culminou na elaboração do Acordo Multilateral sobre Investimentos. Todavia, as negociações novamente fracassaram e foram encerradas. Não se pode negar que existem algumas convenções multilaterais com tendências universalizantes, com o escopo de uniformizar regras relativas a investimentos, apesar de nenhuma delas alcançar a abrangência a que o MAI se propunha. Como exemplo dessas convenções, temos a Convenção de Washington de 1965, que instituiu o ICSID (Centro Internacional de Solução de Disputas sobre 3

4 Investimentos, responsável por realizar procedimentos de arbitragens de investimento), bem como a Convenção de Seul, que criou a MIGA (Agência Multilateral de Garantia dos Investimentos, que fornece garantias aos investidores dos países membros contra riscos não comerciais dos investimentos), o Acordo Constitutivo do FMI (que estabelece regras sobre o retorno dos investimentos) e também, no âmbito da OMC, o acordo TRIMS (Acordo sobre Medidas de Investimentos Relacionadas ao Comércio, que busca impedir a adoção, por parte dos Estados, de medidas de investimentos prejudiciais ao comércio de bens). Todos esses instrumentos, apesar de poderem ser classificados como acordos multilaterais, tratam de temas isolados sobre os investimentos e, portanto, não contribuem para pacificar o conceito do termo. Nesse sentido, ressalva Bárbara Dornelles (2009, p. 18, grifo nosso): Ainda no âmbito multilateral, a íntima ligação que os IDE têm com o comércio internacional deu origem à criação, no âmbito da OMC, do Acordo sobre Medidas de Investimentos relacionadas ao Comércio (TRIMS), o Acordo sobre Medidas relacionadas à Propriedade Intelectual (TRIPS), e o Acordo sobre o Comércio de Serviços (GATS), com o objetivo de regular o fluxo de investimento em relação, especificamente, ao comércio de bens, a propriedade intelectual e ao comércio de serviços. Ambos os acordos versam sobre temas específicos, não sendo capazes de fornecer um conjunto coerente e completo para a regulação dos investimentos internacionais. Algumas organizações internacionais, por outro lado, a exemplo do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) fornecem uma definição de IDE, no entanto partem de uma noção estritamente econômica. Analisando, portanto, todas estas definições, é possível concluir que todas estas regras relacionadas ao IDE (...) são incapazes de fornecer uma definição jurídica do que venha a ser este fenômeno. Dada a pluralidade de instrumentos a reger a matéria, é difícil alcançar um conceito jurídico de investimento estrangeiro direto, sendo tarefa mais fácil diferenciálo de outras espécies de investimento. Alguns autores preferem diferenciar a expressão investimento estrangeiro de investimento internacional. Segundo essa concepção, investimento estrangeiro é aquele originário de outro país, enquanto investimento internacional diz respeito à ajuda pública oferecida por um ente soberano a outro ou o investimento emanado de organizações internacionais, como o Banco Mundial. 4

5 Outra classificação possível diz respeito ao investimento estrangeiro direto e indireto. O investimento estrangeiro direto (IED) diferencia-se do investimento indireto especialmente por dois critérios: a durabilidade do investimento e a finalidade de controle. Enquanto no investimento direto há o propósito de estabelecer relação durável com a empresa e obter controle, o investimento indireto tem natureza meramente especulativa, não é durável e não almeja a obtenção de controle. Deste modo, um investidor que adquire algumas ações em uma companhia no mercado de valores mobiliários, para obter lucro com a venda desses papéis por maior preço, está realizando um investimento indireto. O investimento estrangeiro direto tem potencial para trazer maiores benefícios para o Estado receptor do investimento. Como possíveis benefícios, podemos citar a transferência de tecnologia, criação de postos de trabalho, desenvolvimento econômico para o país. Em suma, ao firmar acordos de investimentos, os Estados receptores almejam promover o desenvolvimento nacional. De fato, o IED pode funcionar como instrumento de promoção de desenvolvimento, mas só o fará se for devidamente direcionado para este fim, ou seja, a mera atração do IED não significa necessariamente promover o desenvolvimento (FONSECA, 2010, p. 31). O aumento do fluxo de investimentos estrangeiros diretos não significa uma real contribuição para o desenvolvimento do Estado receptor, principalmente em razão da dificuldade em atrair investimentos de qualidade, com potencial de aumentar o número de empregos ou a competitividade de empresas locais. Daí a necessidade no estabelecimento de regras capazes de aliar a atração do investimento à promoção do desenvolvimento (FONSECA, 2010, p. 33). Embasados no propósito de obter crescimento econômico, os Estados receptores de investimentos defendem a adoção de uma definição mais restrita de investimento, como forma de melhor atender aos seus interesses desenvolvimentistas. Contudo, contrariamente à aspiração destes Estados, a maioria dos instrumentos internacionais adota uma definição ampla do termo. A título de exemplo, temos no âmbito do Mercosul o Protocolo de Colônia para a Promoção e a Proteção Recíproca de Investimentos, acordo celebrado entre países membros do bloco para propiciar condições favoráveis aos investimentos, além de intensificar o processo de cooperação econômica e a integração do bloco. Há 5

6 também o Protocolo sobre Promoção e Proteção de Investimentos Provenientes de Estados não-partes do Mercosul, também chamado Protocolo de Buenos Aires, com o mesmo objetivo, mas destinado especificamente para relações travadas entre países membros com países não membros do bloco econômico. Contudo, em ambos esses casos, o investimento estrangeiro está definido de maneira imprecisa, abarcando tanto os investimentos estrangeiros diretos quanto os indiretos, desde bens móveis e imóveis até ações, títulos de crédito e direitos referentes à propriedade intelectual (DORNELLES, 2009, p. 14). Do mesmo modo, a definição de investimento contida nos BITs geralmente é bastante ampla e genérica. Durante a negociação da Convenção de Washington de 1965, abordou-se o tema da definição de investimento. Contudo, apesar de terem surgido várias propostas, não se obteve consenso, o que levou à opção de deixar para as partes definirem em cada caso o que entendiam por investimento. O presidente do Banco Mundial à época, Aron Broches, que teria sido o principal idealizador do ICSID, defendeu que seria melhor deixar o termo em aberto para ser definido pelas partes, e essa ideia acabou prevalecendo: Mr. Broches insisted that the precise delimitation of the Centre s jurisdiction was best left to the parties. He found support with the United Kingdom delegate who agreed that a definition would only create jurisdictional difficulties. This view was endorsed by a number of other delegates. Yet another group advocated the inclusion of a descriptive list only. Eventually, a British proposal that omitted any definition of the term investment was adopted by a large majority in the Legal Committee. Consequently, neither the Revised Draft nor the Convention itself contains a definition. (SCHREUER, 2009, p. 115). Para Rudolf Dolzer (2005, p. 266), essa estratégia não resolveu todas as questões e desencadeou a problemática acerca da interpretação do artigo 25 da Convenção de Washington: In the end, however, none of these proposals commanded a clear consensus. Under these circumstances, the Secretariat, in the person of Aron Broches, came up with the diplomatic and pragmatic solution to leave the definition up to the parties in each case, pointing out correctly that ICSID jurisdiction always required the consent of both parties. Of course, this approach did not solve all relevant questions inasmuch as Article 25 of the ICSID Convention itself explicitly used the term investment and thus required its interpretation. 6

7 A busca pela definição do conceito de investimento não esteve no centro das preocupações dos tribunais arbitrais que julgaram os primeiros litígios no âmbito do ICSID. Contudo, o enorme crescimento no número de litígios levados ao órgão na década de 90 desencadeou uma nova postura. A fim de auxiliar a tarefa dos tribunais arbitrais responsáveis por dirimir as controvérsias, Christoph Schreuer, internacionalmente reconhecido no campo da arbitragem de investimentos, ao elaborar seus comentários à Convenção de Washington, tratou de identificar um conjunto de características típicas dos investimentos. Segundo o autor, seriam estas as características de um investimento estrangeiro direto: duração razoável do investimento; regularidade de lucro; assunção de um risco; engajamento e compromisso substancial do investidor e contribuição para o desenvolvimento do Estado receptor (SCHREUER, 2009, p. 128). Ao listar tais características gerais dos investimentos, não teria sido a proposta de Schreuer estabelecer requisitos rígidos que excluiriam futuras controvérsias do âmbito do ICSID. O próprio autor tratou de afirmar esse entendimento ao dizer em sua obra que: these features should not necessarily be understood as jurisdictional requirements but merely as typical characteristics of investments under the Convention (SCHREUER, 2009, p. 128). Entretanto, a partir daquele momento, tais características passaram a ser frequentemente utilizadas pelos tribunais arbitrais do ICSID ao proferirem suas decisões. E, mais que isso, em alguns casos os tribunais adotaram uma postura demasiadamente rígida, aplicando as reflexões doutrinárias de Schreuer como uma lista de requisitos indispensáveis para a caracterização de um investimento e limitando expressamente o acesso ao ICSID toda vez que tais requisitos não estivessem presentes. A esse respeito, leciona Tiago Duarte (2012, p. 278): Depois desta posição doutrinal, de natureza essencialmente pedagógica, e onde o autor deixa claro que os tribunais não deveriam deixar de ter jurisdição sobre investimentos que, por algum motivo, não cumprissem todas as características referidas (o que, sendo atípico, poderia não ser motivo para o tribunal recusar ter jurisdição), o certo é que os tribunais começaram a analisar mais detidamente se os investimentos em causa possuíam ou não as referidas características. (...) Pode mesmo afirmar-se que se tem vindo a assistir a uma certa radicalização do discurso, que ultrapassou já, em muito, como se verá, a ideia inicial de Christoph Schreuer e dos primeiros tribunais que se pronunciaram sobre a questão. 7

8 Com o caso Salini v. Morocco, em 2001, ficou clara a expressão máxima da visão restritiva adotada pelos tribunais na interpretação do termo investimento. Desde então, a verificação das características de investimentos como verdadeiros requisitos para permitir acesso ao ICSID ficou conhecida como o teste de Salini. Alguns autores começaram a criticar a interpretação excessivamente restritiva que vem sendo atribuída pelo ICSID, retirando a jurisdição do órgão para uma série de casos importantes, que ficam sem poder recorrer ao órgão, o que comprometeria a segurança dos investidores estrangeiros. Alguns exemplos seriam os casos Joy Mining Machinery Limited v. Arab Republic of Egypt 2, Malaysian Historical Salvors v. Malaysia 3 e Mitchell v. Congo 4, que serão abordados sucintamente. No primeiro caso, a empresa Joy Mining Machinery Limited celebrou um contrato para desenhar, instalar e manter equipamentos de mineração em uma mina localizada no deserto do Egito. O processo de instalação durou cerca de quatro anos. Foi pactuado que a empresa receberia garantias financeiras do Banco de Alexandria. Contudo, o Egito deixou de cumprir com referidas garantias nos termos do contrato, o que levou a empresa a submeter uma reclamação ao ICSID. Em 2004, apesar de entender que a contribuição da empresa era substancial para o Egito e que o acordo bilateral firmado entre as partes (BIT) definia o empreendimento como sendo um investimento, o tribunal entendeu que nem a garantia do banco nem o acordo de catorze anos eram investimentos no sentido da Convenção de Washington. Com isso, o caso foi excluído da competência do ICSID. No segundo caso, Malaysian Historical Salvors v. Malaysia, foi celebrado um contrato entre uma companhia de resgate marinho do Reino Unido e o governo da Malásia, para a recuperação de antigos artefatos que teriam afundado na costa do país. Surgido o conflito entre as partes e submetida a reclamação no âmbito do ICSID, o tribunal arbitral concluiu que, apesar de toda a atividade realizada, e mesmo com os termos do acordo bilateral firmado entre as partes, a operação não seria um investimento, pois não cumpriria o critério do contributo para o desenvolvimento econômico do país. Posteriormente, esse laudo foi anulado. Por fim, o caso Mitchell v. Congo refere-se a um escritório de advocacia situado no país, chefiado por um advogado norte-americano, que foi invadido e 2 Joy Mining Machinery Limited v. Arab Republic of Egypt, ICSID Case No. 03/11. 3 Malaysian Historical Salvors v. Malaysia, ICSID Case No. ARB 05/10. 4 Mitchell v. Congo, ICSID Case No. 99/7. 8

9 encerrado de modo violento pelo governo, violando um acordo de longa duração existente entre Estados Unidos e Congo. Submetida a demanda ao ICSID, o tribunal arbitral considerou que esta seria uma situação de expropriação de investimento e que o Centro teria competência para apreciar o caso. Contudo, a sentença condenatória do Congo seria posteriormente anulada por um comitê ad hoc e as reclamações do advogado norte-americano Mitchell seriam rejeitadas, pois caso o não dizia respeito a um investimento, apesar da clara linguagem no acordo bilateral entre as partes identificar como tal (MORTENSON, 2010, p. 258). Esses casos ilustram a problemática na adoção de uma definição demasiadamente restrita do termo investimento, que pode deixar sem proteção algumas operações que têm praticamente todas as características de um investimento estrangeiro direto. Por outro lado, apesar dos problemas trazidos pela definição extremamente restrita de investimentos, que pode deixar os investidores sem proteção, também não pode ser conferida uma definição extremamente ampla de investimentos, pois isso prejudicaria os Estados receptores de investimentos. Portanto, há que se buscar um equilíbrio que atenda aos propósitos do investidor e também do Estado receptor de investimentos. Tendo em vista que um dos grandes benefícios do investimento estrangeiro direto é a contribuição para o desenvolvimento econômico do Estado receptor, essa contribuição poderia ser considerada um requisito pelos tribunais arbitrais para definir a operação como um investimento direto. Assim, o investidor não apenas irá usufruir os benefícios resultantes de sua atividade, mas também será compelido a proporcionar os benefícios que o IED tem potencial para gerar. Desta forma, deve-se buscar a construção do conceito de investimento no texto do tratado bilateral de investimentos, de modo a não configurar uma definição totalmente ampla, que possa abranger quaisquer tipos de operações, mas que também não configure uma definição totalmente restrita, deixando sem proteção os investidores. Dentro deste conceito, pode-se incluir a exigência de contribuição para o desenvolvimento econômico do Estado como requisito para a operação ser qualificada como um investimento. 3 A AMÉRICA LATINA E O BRASIL DIANTE DO REGIME INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS 9

10 Segundo informações publicadas no início de 2014 pela UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento), o fluxo de investimentos estrangeiros diretos destinados à América Latina e ao Caribe aumentou 18% ao longo do ano de 2013, o que representa o quarto ano consecutivo de crescimento desse índice, alcançando no total cerca de 294 bilhões de dólares. Por sua vez, o fluxo de investimentos estrangeiros diretos destinados especificamente ao Brasil, apesar de atingir uma ligeira diminuição de 3,9%, permanece bastante significativo, totalizando a cifra de aproximadamente 63 bilhões de dólares. Em consequência, o Brasil permanece como o maior receptor de investimentos da região, sendo responsável por 47% do total de investimentos estrangeiros diretos recebidos pela América do Sul (UNCTAD, p. 6). Simultaneamente, há que se ressaltar também o importante papel das empresas latino-americanas que investem no exterior. Apesar dos altos números que caracterizam os investimentos estrangeiros nos países latino-americanos, estes países desenvolveram uma trajetória bastante peculiar com relação à regulamentação internacional de IED, especialmente com os BITs e o ICSID. O Centro Internacional de Solução de Disputas sobre Investimentos é o principal centro a promover as chamadas arbitragens de investimento, em que uma das partes é o investidor e a outra parte é um Estado. Trata-se, pois, de uma arbitragem de natureza híbrida. O Centro foi criado com a Convenção de Washington de 1965, é ligado ao Banco Mundial e conta com a adesão de mais de 150 países membros, quase a mesma quantia de países membros da Organização Mundial do Comércio. De modo a vislumbrar a importância deste órgão, devemos primeiramente compreender os possíveis modos de solução de controvérsias relacionadas aos investimentos. Geralmente há duas possibilidades: (i) solução de controvérsias entre Estados, envolvendo de um lado o Estado receptor do investimento e, de outro lado, o Estado de origem do investidor estrangeiro; (ii) solução de controvérsias diretamente entre Estado receptor do investimento e investidor. No primeiro caso, a solução de controvérsias entre Estados em matéria de investimentos pode ocorrer mediante sistemas judiciais, sistemas arbitrais ou sistemas políticos, como é o caso da Corte Internacional de Justiça, da Corte Permanente de Arbitragem e da Organização Mundial do Comércio, respectivamente. 10

11 Nesse caso, a dificuldade na solução de controvérsias entre Estados diz respeito principalmente à necessidade do exercício da proteção diplomática do investidor por parte do seu Estado de origem. A proteção diplomática implica na assunção, por parte do Estado de origem do investidor, da disputa, como se fosse sua, passando a litigar diretamente com o Estado receptor do investimento. Contudo, é uma via aberta a poucas empresas, que sejam capazes de convencer o próprio Estado a encampar a sua disputa. Configura, portanto, uma via restrita, sujeita à conjuntura política e econômica. Através da proteção diplomática, a disputa que antes se restringe ao investidor e ao Estado receptor de investimento assume maiores proporções, passando a envolver dois Estados o Estado de origem do investidor e o Estado receptor do investimento. Esses Estados podem solucionar a disputa recorrendo a meios judiciais, arbitrais ou políticos. No primeiro caso, a solução de conflitos entre Estado de origem do investidor e o Estado receptor do investimento pode ocorrer perante a Corte Internacional de Justiça, órgão judiciário da ONU, cuja decisão vincula as partes, de modo que, se uma das partes deixar de cumpri-la, a outra parte pode recorrer ao Conselho de Segurança da ONU, a quem incumbirá fazer recomendações ou decidir as medidas a serem adotadas para executar a decisão. Outra opção disponível para o Estado de origem do investidor e o Estado receptor de investimento diz respeito à realização de arbitragem, seja ela perante um tribunal ad hoc ou institucional. Como terceira possibilidade, a solução da lide entre Estados em matéria de investimentos pode ocorrer mediante organismos de natureza política, como a Organização Mundial do Comércio. No âmbito da OMC, os investimentos estrangeiros diretos são tratados no Acordo sobre Medidas de Investimentos Relacionadas ao Comércio (TRIMS), que busca impedir a adoção, por parte dos Estados, de medidas de investimentos prejudiciais ao comércio de bens. Se uma dos países membros descumprir as disposições do acordo, o país que se sentir prejudicado poderá recorrer ao Órgão de Solução de Controvérsias da OMC. Muitos casos foram submetidos ao OSC em matéria de investimentos. Em todas as hipóteses acima elencadas, a solução de conflito dá-se entre dois Estados. Entretanto, objetivando estabelecer um mecanismo de solução de 11

12 controvérsias relativas a investimentos que estivesse fora do aparato governamental do Estado receptor de investimentos, as grandes empresas dos países desenvolvidos pressionaram seus Estados para a criação de um meio de solução de conflitos em que o investidor pudesse acionar diretamente o Estado. Em consequência, foi elaborada em 1965 a Convenção de Washington de 1965, que criou o Centro Internacional de Solução de Disputas sobre Investimentos ou ICSID. A solução de controvérsias diretamente entre um investidor estrangeiro e um Estado receptor de investimento é, sem sombra de dúvidas, preferida pelos investidores. Neste caso, a maior vantagem reside no fato de que o investidor prejudicado por alguma medida adotada pelo Estado tem legitimidade para, em nome próprio, acionar esse Estado diretamente. Basicamente, esse tipo de solução de conflitos pode ocorrer de dois modos principais: pela arbitragem ad hoc ou pela arbitragem institucionalizada. Na primeira, as partes escolhem todas as regras da arbitragem, inclusive o procedimento aplicável. Por sua vez, a arbitragem institucionalizada ocorre em organismos que já possuem uma estrutura apta para a realização de procedimentos arbitrais, como é o caso do ICSID, consagrado internacionalmente. No âmbito do ICSID, o investidor que sofre prejuízos por quaisquer medidas adotadas pelo Estado tem legitimidade para, em nome próprio, acionar esse Estado de modo direto. Permite-se o confronto horizontal entre um particular e um Estado. Dada a peculiaridade desse órgão, serão tecidas algumas breves considerações a seu respeito, a fim de melhor compreender seu funcionamento. Importa notar que o Centro não é um tribunal permanente, mas possui uma ampla estrutura voltada para o estabelecimento de procedimentos arbitrais. Possui uma natureza administrativa, ao invés de judicial. Para a controvérsia ser levada ao órgão, deve dizer respeito a um investimento (jurisdição ratione materiae). Quanto a esse aspecto, ressalte-se a problemática no que tange à definição de investimento, já citada anteriormente. Além disso, a controvérsia deve envolver um Estado em um polo e um particular no outro polo, desde que o Estado receptor do investimento e o Estado de origem do investidor tenham ratificado a Convenção de Washington (jurisdição ratione personae). 12

13 Há o chamado mecanismo complementar do ICSID, que permite o acesso de Estados não contratantes e investidores de Estados que não aderiram a Convenção, mas possui regras diferenciadas e específicas. Outro requisito para a aceitação da reclamação no Centro é o consentimento para arbitragem, pressuposto de qualquer juízo arbitral. Por fim, exige-se a exclusividade da jurisdição do ICSID, isto é, as partes não podem buscar outros meios para a solução da controvérsia, uma vez que o acesso ao órgão implica na renúncia a outros meios jurisdicionais. Uma vez registrada a reclamação, o que geralmente parte de um investidor que se sentiu prejudicado, será formado o tribunal arbitral. O tribunal pode ser formado por árbitro único ou por número ímpar de árbitros. As partes indicam o direito aplicável, que embasará a decisão do árbitro. O tribunal arbitral poderá determinar a aplicação de medidas provisionais com o escopo de preservar o direito das partes. Por fim, terá a obrigação de emitir o laudo arbitral. A arbitragem consagra o sigilo como uma de suas características, mas os laudos arbitrais podem ser publicados, conforme consentimento das partes. Hoje, grande número dos laudos encontram-se publicados e são facilmente acessíveis. Como ocorre em geral nos procedimentos arbitrais, não cabe recurso da decisão, mas há previsão de retificação do laudo (em caso de contradição ou omissão em seu texto), interpretação do laudo (quando há divergência entre as partes sobre o significado da decisão), revisão do laudo (quando é descoberto fato que alteraria o seu sentido), anulação do laudo mediante um comitê ad hoc (em casos taxativamente previstos, como corrupção de membro do tribunal, descumprimento grave de norma procedimental, falta de motivação da decisão etc.). Os laudos são vinculantes e, portanto, não estão sujeitos a revisões externas. Não podem se sujeitar à revisão e confirmação por parte do Estado. A maior parte das dificuldades do investidor diz respeito à execução de um laudo arbitral que lhe seja favorável. Por isso, uma das alternativas é a execução do laudo em um terceiro país, em que o Estado parte da controvérsia detenha ativos. Nos primeiros anos de sua criação, poucos casos eram levados à arbitragem perante o órgão. Durante a década de 1990, houve um aumento bastante notável nas demandas submetidas ao Centro. 13

14 Este aumento na quantidade de reclamações trazidas pelos investidores e condenações proferidas pelos tribunais arbitrais, que condenavam os Estados a indenizar os investidores, desencadeou a crítica e hostilidade de certos países, especialmente da América Latina, com relação ao ICSID. Essa hostilidade é facilmente constatada se considerarmos que apenas três países do mundo denunciaram a Convenção de Washington, retirando-se do sistema ICSID, e todos eles são latino-americanos. São eles: Bolívia, Equador e Venezuela. Ademais, surgiram propostas para a criação de um centro regional para solução de conflitos relativos a investimentos, nos moldes do ICSID, para regular conflitos no âmbito da União das Nações Sul Americanas (UNASUL), formada por doze nações da América Latina (Venezuela, Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Peru, Paraguai, Uruguai, Guiana e Suriname). Além da UNASUL, a proposta chegou a outras organizações, como a ALBA: The increasing importance of Latin American states before ICSID proceedings in recent years, and the unfavourable decisions obtained, probably explain the recent regional discussions as the try to find an alternative regional framework to deal with state-foreign investors disputes. These discussions not only took place in ALBA framework (Alianza Bolivariana para los pueblos de nuestra América) but also in UNASUR (Unión de Naciones Suramericanas) and the recently created (in December 2011) CELAC (Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños), an alternative to OAS (Organization of American States) has also included this issue in its discussions: the idea is to find a mechanism to resolve foreign investor-state disputes outside ICSID framework. (BOEGLIN, 2014). Com efeito, o afastamento da América Latina diante do ICSID é alvo de muitos debates acadêmicos e discussões internacionais. No caso da Bolívia, a denúncia da Convenção de Washington ocorreu após o famoso caso Aguas Del Tunari, de repercussão mundial, em que a empresa pediu o pagamento de elevada indenização contra medidas adotadas pelo Estado boliviano. Tal fato, aliado à chegada do presidente Evo Morales ao poder e suas políticas de nacionalização, conduziu à denúncia da Convenção em Por sua vez, no caso do Equador, a denúncia da Convenção de Washington ocorreu em 2009, quando o país passou a constar entre os Estados mais demandados perante o ICSID, principalmente em matérias envolvendo seus recursos naturais, como o petróleo. 14

15 Finalmente, no caso da Venezuela, a denúncia da Convenção ocorreu em 2012, após o desenvolvimento de uma política marcada por uma série de nacionalizações abrangendo vários setores da economia, o que resultou em grande número de reclamações levadas ao ICSID, em que os investidores exigiam o pagamento de vultosas indenizações. O Brasil, ao contrário destes países, apresenta um posicionamento bastante peculiar. Embora nunca tenha dirigido duras críticas ao ICSID, como seus vizinhos latino-americanos, também nunca demonstrou interesse em participar do Centro. Curiosamente, o Brasil, assim como o México, é um dos principais destinos dos investimentos dirigidos à região. De fato, os projetos de investimento destinados a indústrias de alto conteúdo tecnológico ou a atividades de pesquisa e desenvolvimento encontram-se concentrados nestes dois Estados, mas nenhum deles ratificou a Convenção de Washington até o presente momento. No mesmo sentido vê-se a postura do Brasil no que tange aos BITs. Os tratados bilaterais de investimento multiplicam-se ao redor de todo o mundo, assumindo as mais variadas formas. Aponta-se que já existem mais de acordos bilaterais em vigor ao redor do mundo. (UNCTAD, 2013, p. xix). Na década de 90, especialmente entre os anos de 1994 e 1999, marcados por uma fase política de liberalização comercial e necessidade de atração de investimentos, o Brasil chegou a firmar catorze tratados bilaterais de investimentos, com os seguintes países: Bélgica e Luxemburgo, Chile, Cuba, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Itália, Coreia do Sul, Holanda, Portugal, Suíça, Reino Unido, Venezuela (PIMENTA JR., p. 11). Contudo, nenhum deles chegou a ser ratificado. Entre as justificativas para a posição brasileira quanto aos BITs e ao ICSID, podemos citar a opinião de alguns autores no sentido de que não seria necessário conceder maiores garantias aos investidores que investem no Brasil, pois já existem muitas em nossa ordem jurídica, como a indenização garantida na Constituição Federal em caso de desapropriação. Além disso, o Brasil não possui precedentes de nacionalizações sem pagamento de indenização, que é apurada em processo judicial regular, com ampla garantia ao contraditório. O país possui a tradição de assegurar aos estrangeiros plena proteção jurídica e não discriminatória, e com isso tem conquistado o aporte regular de investimentos estrangeiros diretos, independentemente de tratados ou garantias, pois muitas delas já estão presentes na Constituição e na legislação infraconstitucional do 15

16 país. Por isso, a ratificação da Convenção de Washington seria desnecessária (MAGALHÃES, 2009, p. 59). Contudo, no atual estágio do país, essa assertiva pode não ser de todo correta. Se antes o Brasil era considerado meramente receptor de capital, hoje, inegavelmente, também se tornou um país exportador de capital. E a falta de adesão à Convenção de Washington, bem como aos tratados bilaterais de investimentos, pode ter efeitos negativos para as empresas brasileiras que investem no exterior, ou seja, o Estado brasileiro acaba por negligenciar proteção a elas. Alguns autores defendem a mudança de posição por parte do país: Quando se considera que os principais instrumentos multilaterais em matéria de arbitragem estão hoje em vigor em centenas de países e que um Estado com o peso específico do Brasil não pode manter-se alheio em relação a importantes questões discutidas no plano internacional como os Acordos Recíprocos de Investimento e agora os debates sobre Acordos Regionais de Investimento (MERCOSUL, ALCA) ou Multilaterais (no âmbito da OCDE), uma reflexão crítica sobre o tema arbitragem na sua vertente nacional e internacional poderia levar o Brasil a adotar instrumentos adequados para melhor enfrentar os desafios do comércio globalizado. (PEREIRA, 1998, p. 93). Pelos motivos expostos, sugere-se a confecção de um novo modelo de BIT apropriado para o Brasil, um modelo dotado de características próprias, de modo a aliar a liberdade de atuação do Estado receptor de investimentos com o fornecimento de maior segurança jurídica para os investidores, inclusive os brasileiros que investem no exterior. 4 APONTAMENTOS PARA A CONSTRUÇÃO DE UM MODELO DE TRATADO BILATERAL DE INVESTIMENTOS FAVORÁVEL AO BRASIL O principal motivo de descontentamento de alguns Estados com o ICSID diz respeito ao temor de ter a sua capacidade regulatória diminuída, com vistas a criar um ambiente favorável somente ao investidor. A preocupação destes países é a de serem privados de espaço para desenvolver suas políticas públicas, porque algumas dessas políticas poderiam resultar em condenação no ICSID. 16

17 Segundo alegam esses países, as decisões proferidas na realização de arbitragens de investimento perante o Centro não contemplariam o interesse público, mas tão somente o interesse do investidor. Com efeito, não se pode desconsiderar o fato de que os tribunais arbitrais são chamados a tratar de assuntos de natureza notadamente comercial. O motivo principal a inspirar a confecção dos primeiros tratados bilaterais de investimentos foi a proteção dos investidores. Contudo, em alguns momentos, os interesses do investidor e os interesses do Estado que aceitou receber o investimento se contrapõem de tal modo que a situação revela-se de difícil solução. Imaginemos o exemplo de um Estado que recebeu um investimento estrangeiro direto em seu território, fornecendo garantias para o investidor. Em um futuro momento, o Estado modifica sua legislação ambiental ou trabalhista de modo a melhor atender o interesse público. Essa mudança na legislação acarreta prejuízos financeiros para aquele investidor. Nesse caso, o investidor dá início a uma reclamação perante o ICSID. O tribunal arbitral, na análise do caso concreto, deverá condenar o Estado a indenizar o investidor? Ou será que neste caso o Estado não deve ser condenado a pagar, uma vez que tomou a medida guiado exclusivamente pelo interesse público, que tem o dever de proteger? Essa complexa questão tem sido alvo de extensos debates doutrinários e jurisprudenciais. O Estado, mediante seu poder regulamentador, pode adotar regras voltadas à proteção do interesse público, que indiretamente afetam os interesses do investidor. Em alguns casos, tais medidas podem configurar a chamada expropriação indireta. A dificuldade reside no fato de que é muito tênue o liame que separa uma medida regulatória permitida, que o Estado tem o total poder de adotar, decorrente de sua soberania, e que não resulta no pagamento de indenização, e uma medida que caracteriza expropriação indireta e que, portanto, deve resultar em compensação ao investidor. Por um lado, se o Estado sempre for condenado a indenizar, verá reduzido ou eliminado o seu espaço de manobra para o desenvolvimento de políticas públicas. Por outro lado, se o investidor sempre tiver que arcar com os prejuízos, isso equivale a anular a proteção e segurança jurídica estabelecida no tratado bilateral de investimento. 17

18 Esta é a principal crítica dos países latino-americanos dirigidas ao ICSID e que resultou na denúncia da Convenção de Washington por alguns destes países: segundo eles, o órgão atua de maneira favorável ao investidor e desfavorável ao Estado. Ainda que admitamos essa premissa como verdadeira, devemos ter em mente que, se o órgão realmente tem um viés pró-investidor, isso não se deve a uma intenção premeditada dos árbitros, mas ao texto dos tratados que eles são chamados a interpretar. Afinal, o conteúdo destes tratados abrange comumente os seguintes tópicos: a definição de investimento, as condições para o ingresso e estabelecimento do investimento no país, o tratamento a ser conferido aos investidores, regras acerca de medidas de expropriação, os padrões de indenizações devidas, regras sobre a remessa de lucros para o país do investidor e mecanismos de solução de controvérsias entre investidores estrangeiros e o Estado receptor do investimento. O tratado bilateral de investimento geralmente é redigido de modo bastante assimétrico, privilegiando tão somente interesses do investidor. Os tribunais arbitrais do ICSID, diante de controvérsias surgidas entre Estados e investidores, baseiam as suas decisões na análise desses tratados bilaterais. Daí é possível compreender o motivo pelo qual, quando o Estado desenvolve uma política pública prejudicial ao investidor estrangeiro, a tendência dos tribunais é decidir a favor do investidor, não de maneira proposital, mas em decorrência da própria forma como os acordos são redigidos. A esse respeito, José Augusto Fontoura Costa adverte: Não se pode olvidar, por fim, que os regimes dos APPRIs tendem a ser amplamente favoráveis à proteção dos investimentos (COSTA, 2010, p. 245). De fato, quando os tribunais arbitrais solucionam a controvérsia nos termos dos tratados, isso inevitavelmente conduz a uma decisão favorável ao investidor. A fim de sanar esse desequilíbrio, uma possibilidade é a inclusão de temas relativos a políticas públicas dentro dos tratados bilaterais de investimento, o que poderia ocorrer nos moldes já existentes no sistema multilateral de comércio, que prevê uma lista de exceções gerais à aplicação do acordo GATT 1994, de modo a compatibilizar as políticas ambientais e os interesses comerciais. De maneira ainda incipiente, já é possível vislumbrar a inclusão de temas de natureza não comercial nos tratados bilaterais de investimentos, como temas relativos a direitos trabalhistas e ambientais. Alguns modelos de BITs trazem um dispositivo afirmando que é inadequado incentivar a atração de investimentos através da redução 18

19 nos padrões de proteção ao meio ambiente ou de direitos trabalhistas. É o caso do modelo de BIT dos EUA de 2004, bem como o seu novo modelo de Contudo, essas mudanças ainda incipientes devem se solidificar, adquirindo força vinculante. No trecho abaixo transcrito, os autores Patrick Dumberry e Gabrielle Dumas Aubin defendem que temas relativos a direitos humanos devem ser incorporados no texto dos BITs, mas não é útil que sejam referidos meramente em seu preâmbulo. Segundo os autores, é importante que existam dispositivos no texto dos BITs de modo a exigir que os investidores adotem comportamentos condizentes com os direitos humanos. The first question is where human rights obligations on investors could be placed in BITs? Referring to corporations responsibilities in the preamble of a BIT would undoubtedly have a positive impact. The preamble is a contextually important part of a treaty and could serve to indicate and colour the treaty s object and purpose. However, a simple reference to human rights in the preamble would not create any substantive obligations for the investors. A more promising avenue is for human rights obligations to be expressly referred to in the main text of the BIT. The type of language used is another related and equally important issue. Merely encouraging investors to do something has not worked in the past and is unlikely to be an effective remedy in the future. It is therefore paramount that a treaty provision creates mandatory legal obligations that would force corporations to adopt a certain behavior. The provision must also establish a mechanism whereby non-compliance is efficiently sanctioned by an arbitral tribunal. (DUMBERRY; AUBIN, 2013, p. 9). Nesse ponto de vista, o texto do tratado bilateral de investimento deve trazer não somente os direitos dos investidores, mas também seus deveres. Uma vez descumpridos esses deveres, o investidor deve sujeitar-se a sanções, assim como o Estado sujeita-se a sanções quando descumpre seus deveres assumidos com o investidor. Entre as possíveis sanções para o investidor, é possível citar que, se não cumprir seus deveres relativos aos direitos humanos, legislação ambiental e trabalhista, o investidor não poderá efetuar reclamações perante o ICSID. Este talvez seja um dos possíveis caminhos a permitir um reajuste de equilíbrios na regulamentação dos investimentos estrangeiros. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 19

20 A assimetria presente no texto dos tratados bilaterais de investimento é comumente apontada por diversos autores. Como consequência dessa assimetria, as decisões proferidas pelos tribunais arbitrais do ICSID, por vezes, acabam sendo mais favoráveis ao investidor, em detrimento dos Estados. Sentindo que seus interesses não são contemplados nos BITs, tampouco no ICSID, alguns países da América Latina começaram a formular uma série de críticas ao órgão. Em meio a esse contexto, o Brasil optou por manter sua tradicional posição de afastamento, sem ratificar BITs, tampouco a Convenção de Washington de Contudo, o país não pode permanecer alheio ao tema, sobretudo em razão do crescimento no número de investimentos emanados do Brasil para o exterior. O país deixou de ser meramente importador de capital e tornou-se também exportador de capital. Daí a necessidade em aderir a instrumentos que garantam proteção jurídica aos investidores nacionais que investem em outros países. Para isso, sugere-se a alternativa de adoção de um BIT favorável, com base nos seguintes moldes: (i) que a contribuição para o desenvolvimento do Estado seja um dos requisitos para a operação ser classificada como investimento estrangeiro direto;(ii) que seja garantido espaço para o Estado manter sua capacidade regulatória e exercer políticas de interesse público, ainda que isso possa trazer reflexos indiretos para o investidor; (iii) que contemple em seu texto a necessidade de proteção do meio ambiente, além de direitos trabalhistas e direitos humanos, conforme já começa a constar no texto de alguns BITs; (iv) que não apenas estabeleça direitos do investidor, mas também seus deveres, os quais, uma vez descumpridos, impedem a reclamação perante o ICSID. Em suma, deve-se buscar a celebração de um BIT que contemple maior equilíbrio entre investidor e Estado receptor de investimentos. REFERÊNCIAS BOEGLIN, Nicolas. ICSID and Latinamerica: criticisms, withdrawals and regional alternatives. June Disponível em: <http://www.bilaterals.org/./?icsid-and-latinamerica-criticisms>. Acesso em COSTA, José Augusto Fontoura. Direito Internacional do Investimento Estrangeiro. Curitiba: Juruá, DIAS, Bernadete de Figueiredo. Investimentos Estrangeiros no Brasil e o Direito Internacional. Curitiba: Juruá,

Acordo de Promoção e Protecção Recíprocas de Investimentos entre a República Portuguesa e a República de Angola. Diploma Legal

Acordo de Promoção e Protecção Recíprocas de Investimentos entre a República Portuguesa e a República de Angola. Diploma Legal Acordo de Promoção e Protecção Recíprocas de Investimentos entre a República Portuguesa e a República de Angola Diploma Legal O texto que se segue é um documento não oficial, preparado pelo ICEP Portugal,

Leia mais

ACORDO ENTRE A REPÚBLICA PORTUGUESA E A REPÚBLICA DA ALBÂNIA SOBRE A PROMOÇÃO E A PROTECÇÃO RECÍPROCAS DE INVESTIMENTOS.

ACORDO ENTRE A REPÚBLICA PORTUGUESA E A REPÚBLICA DA ALBÂNIA SOBRE A PROMOÇÃO E A PROTECÇÃO RECÍPROCAS DE INVESTIMENTOS. ACORDO ENTRE A REPÚBLICA PORTUGUESA E A REPÚBLICA DA ALBÂNIA SOBRE A PROMOÇÃO E A PROTECÇÃO RECÍPROCAS DE INVESTIMENTOS. A República Portuguesa e a República da Albânia, adiante designadas como «Partes

Leia mais

Câmara de Comércio Exterior Secretaria Executiva

Câmara de Comércio Exterior Secretaria Executiva Câmara de Comércio Exterior Secretaria Executiva LAURA NOBRE VELOSO Assessora Especial Acordos de Promoção e Proteção Recíproca de Investimentos (APPIs) Manaus 30/08/2006 Conceito: São acordos que visam

Leia mais

ACORDO ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA PORTUGUESA E O GOVERNO DA ROMÉNIA SOBRE PROMOÇÃO E PROTECÇÃO RECÍPROCA DE INVESTIMENTOS

ACORDO ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA PORTUGUESA E O GOVERNO DA ROMÉNIA SOBRE PROMOÇÃO E PROTECÇÃO RECÍPROCA DE INVESTIMENTOS Decreto n.º 23/94 de 26 de Julho Aprova o Acordo entre o Governo da República Portuguesa e o Governo da Roménia sobre Promoção e Protecção Recíproca de Investimentos Nos termos da alínea c) do n.º 1 do

Leia mais

A Arbitragem na União Europeia 1

A Arbitragem na União Europeia 1 A Arbitragem na União Europeia 1 A. A Arbitragem de Investimento 1. Fui convidado para palestrar sobre uma matéria que, até há muito pouco tempo, não existia no Direito Comunitário da União Europeia. Tarefa

Leia mais

A Redução do Fluxo de Investimento Estrangeiro Direto e as Implicações para o Brasil

A Redução do Fluxo de Investimento Estrangeiro Direto e as Implicações para o Brasil A Redução do Fluxo de Investimento Estrangeiro Direto e as Implicações para o Brasil Análise Economia e Comércio Bernardo Erhardt de Andrade Guaracy 30 de outubro de 2003 A Redução do Fluxo de Investimento

Leia mais

FACULDADE DE DIREITO DE SOROCABA FADI 2014

FACULDADE DE DIREITO DE SOROCABA FADI 2014 FACULDADE DE DIREITO DE SOROCABA FADI 2014 Disciplina: Direito Internacional Departamento IV Direito do Estado Docente Responsável: Fernando Fernandes da Silva Carga Horária Anual: 100 h/a Tipo: Anual

Leia mais

Cada grupo irá explorar os blocos econômicos que serão definidos em sala de aula.

Cada grupo irá explorar os blocos econômicos que serão definidos em sala de aula. Trabalho 01 dividido em 2 partes 1ª Parte Cada grupo irá explorar os blocos econômicos que serão definidos em sala de aula. 2ª Parte Perguntas que serão expostas após a apresentação da 1ª Parte, e que

Leia mais

Decreto n.º 6/95 Acordo de Promoção e Protecção Mútua de Investimentos entre o Governo da República Portuguesa e o Governo da República da Venezuela

Decreto n.º 6/95 Acordo de Promoção e Protecção Mútua de Investimentos entre o Governo da República Portuguesa e o Governo da República da Venezuela Decreto n.º 6/95 Acordo de Promoção e Protecção Mútua de Investimentos entre o Governo da República Portuguesa e o Governo da República da Venezuela Nos termos da alínea c) do n.º 1 do artigo 200.º da

Leia mais

O recurso à Arbitragem e as suas vantagens

O recurso à Arbitragem e as suas vantagens O recurso à Arbitragem e as suas vantagens Modo de resolução jurisdicional de controvérsias em que, com base na vontade das partes, a decisão é confiada a um terceiro. Para este efeito, considera-se terceiro

Leia mais

Investimentos estrangeiros diretos na América Latina: avanços e retrocessos

Investimentos estrangeiros diretos na América Latina: avanços e retrocessos Resumo Investimentos estrangeiros diretos na América Latina: avanços e retrocessos Avance de investigación em curso Globalização, integração regional e sub-regional Jete Jane Fiorati 1 Érika Capella Fernandes

Leia mais

Escrito por Administrator Ter, 13 de Setembro de 2011 13:23 - Última atualização Ter, 13 de Setembro de 2011 16:22

Escrito por Administrator Ter, 13 de Setembro de 2011 13:23 - Última atualização Ter, 13 de Setembro de 2011 16:22 Proteção Internacional de Direitos Humanos Coordenação: Profa. Dra. Cristina Figueiredo Terezo Resumo O pioneiro projeto de extensão visa capacitar os discentes para acionar a jurisdição do Sistema Interamericano

Leia mais

OMC: estrutura institucional

OMC: estrutura institucional OMC: estrutura institucional Especial Perfil Wesley Robert Pereira 06 de outubro de 2005 OMC: estrutura institucional Especial Perfil Wesley Robert Pereira 06 de outubro de 2005 Enquanto o GATT foi apenas

Leia mais

VALOR E PARTICIPAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES, POR FATOR AGREGADO E PAÍS DE DESTINO

VALOR E PARTICIPAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES, POR FATOR AGREGADO E PAÍS DE DESTINO VALOR E PARTICIPAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES, POR FATOR AGREGADO E PAÍS DE DESTINO 1 - CHINA 2 - ESTADOS UNIDOS 2014 34.292 84,4 4.668 11,5 1.625 4,0 6.370 23,6 5.361 19,8 13.667 50,6 2013 38.973 84,7 5.458 11,9

Leia mais

Comércio (Países Centrais e Periféricos)

Comércio (Países Centrais e Periféricos) Comércio (Países Centrais e Periféricos) Considera-se a atividade comercial, uma atividade de alto grau de importância para o desenvolver de uma nação, isso se dá pela desigualdade entre o nível de desenvolvimento

Leia mais

Decreto 1/98, de 24 de Janeiro - I Série-A

Decreto 1/98, de 24 de Janeiro - I Série-A Decreto 1/98, de 24 de Janeiro - I Série-A Aprova o Acordo entre a República Portuguesa e a República da Eslovénia sobre a Promoção e a Protecção Mútua de Investimentos e respectivo Protocolo, assinados

Leia mais

CONVÊNIO DO SISTEMA DE PAGAMENTOS EM MOEDA LOCAL ENTRE A REPÚBLICA ARGENTINA E A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL

CONVÊNIO DO SISTEMA DE PAGAMENTOS EM MOEDA LOCAL ENTRE A REPÚBLICA ARGENTINA E A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL CONVÊNIO DO SISTEMA DE PAGAMENTOS EM MOEDA LOCAL ENTRE A REPÚBLICA ARGENTINA E A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL O Banco Central de la República Argentina e O Banco Central do Brasil, Tendo em vista a Decisão

Leia mais

Cadernos ASLEGIS. ISSN 1677-9010 / www.aslegis.org.br. http://bd.camara.leg.br

Cadernos ASLEGIS. ISSN 1677-9010 / www.aslegis.org.br. http://bd.camara.leg.br ASSOCIAÇÃO DOS CONSULTORES LEGISLATIVOS E DE ORÇAMENTO E FISCALIZAÇÃO FINANCEIRA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Cadernos ASLEGIS ISSN 1677-9010 / www.aslegis.org.br http://bd.camara.leg.br O capital estrangeiro

Leia mais

Guia para redação de cláusulas de resolução de disputas internacionais

Guia para redação de cláusulas de resolução de disputas internacionais Guia para redação de cláusulas de resolução de disputas internacionais Introdução O acesso mais freqüente à arbitragem, à mediação e a outras formas de solução de disputas alternativas ao contencioso judicial

Leia mais

Fundamentos de Direito Internacional. Aula Inaugural Escola Paulista de Direito - EPD. Programa de Pós-Graduação em Direito Internacional

Fundamentos de Direito Internacional. Aula Inaugural Escola Paulista de Direito - EPD. Programa de Pós-Graduação em Direito Internacional São Paulo Rio de Janeiro Brasília Curitiba Porto Alegre Recife Belo Horizonte Londres Lisboa Shanghai Miami Buenos Aires Aula Inaugural Escola Paulista de Direito - EPD Fundamentos de Direito Internacional

Leia mais

COMISSÃO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO. PROJETO DE LEI N o 1.893, DE 2007

COMISSÃO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO. PROJETO DE LEI N o 1.893, DE 2007 COMISSÃO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO PROJETO DE LEI N o 1.893, DE 2007 Dispõe sobre medidas de suspensão e diluição temporárias ou extinção de da proteção de direitos de propriedade

Leia mais

O TRATADO DE COOPERAÇÃO AMAZÔNICA

O TRATADO DE COOPERAÇÃO AMAZÔNICA O TRATADO DE COOPERAÇÃO AMAZÔNICA As Repúblicas da Bolívia, do Brasil, da Colômbia, do Equador, da Guiana, do Peru, do Suriname e da Venezuela, CONSCIENTES da importância que para cada uma das Partes têm

Leia mais

FONTES DO DIREITO DO TRABALHO

FONTES DO DIREITO DO TRABALHO FONTES DO DIREITO DO TRABALHO CONCEITO As fontes do direito do trabalho são fundamentais para o conhecimento da própria ciência, vez que nelas são descobertas as reais origens e as bases da matéria do

Leia mais

PROTOCOLO DE COOPERAÇÃO E ASSISTÊNCIA JURISDICIONAL EM MATÉRIA CIVIL, COMERCIAL, TRABALHISTA E ADMINISTRATIVA (PR. DE LAS LEÑAS)

PROTOCOLO DE COOPERAÇÃO E ASSISTÊNCIA JURISDICIONAL EM MATÉRIA CIVIL, COMERCIAL, TRABALHISTA E ADMINISTRATIVA (PR. DE LAS LEÑAS) MERCOSUL/CMC/DEC. N 05/92 PROTOCOLO DE COOPERAÇÃO E ASSISTÊNCIA JURISDICIONAL EM MATÉRIA CIVIL, COMERCIAL, TRABALHISTA E ADMINISTRATIVA (PR. DE LAS LEÑAS) TENDO EM VISTA: O Tratado de Assunção assinado

Leia mais

Nos termos da alínea c) do n.º 1 do artigo 200.º da Constituição, o Governo decreta o seguinte: Artigo 1.º

Nos termos da alínea c) do n.º 1 do artigo 200.º da Constituição, o Governo decreta o seguinte: Artigo 1.º Decreto n.º 14/96 de 28 de Maio Acordo entre a República Portuguesa e a República da Coreia sobre a Promoção e a Protecção Mútua de Investimentos, assinado em Seul, em 3 de Maio de 1995 Nos termos da alínea

Leia mais

RIO+20: AVALIAÇÃO PRELIMINAR DE RESULTADOS E PERSPECTIVAS DA CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

RIO+20: AVALIAÇÃO PRELIMINAR DE RESULTADOS E PERSPECTIVAS DA CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL RIO+20: AVALIAÇÃO PRELIMINAR DE RESULTADOS E PERSPECTIVAS DA CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Carlos Henrique R. Tomé Silva 1 Durante dez dias, entre 13 e 22 de julho de

Leia mais

Arbitragem. Respostas objetivas para soluções rápidas

Arbitragem. Respostas objetivas para soluções rápidas 2 8 8 9 9 9 10 10 10 11 11 11 12 12 12 12 13 Respostas objetivas para soluções rápidas O que é a? Como surgiu o Instituto da? A é constitucional? A sentença arbitral tem validade jurídica? Quais são as

Leia mais

TRATADO INTERAMERICANO DE ASSISTÊNCIA RECÍPROCA

TRATADO INTERAMERICANO DE ASSISTÊNCIA RECÍPROCA TRATADO INTERAMERICANO DE ASSISTÊNCIA RECÍPROCA Em nome de seus Povos, os Governos representados naconferência Interamericana para a Manutenção da Paz e da Segurança no Continente, animados pelo desejo

Leia mais

Segundo a UNCTAD, em 2014 os investimentos diretos mundiais alcançaram US$ 1,2 trilhão, devendo crescer nos próximos anos. Desse total, os fluxos

Segundo a UNCTAD, em 2014 os investimentos diretos mundiais alcançaram US$ 1,2 trilhão, devendo crescer nos próximos anos. Desse total, os fluxos Segundo a UNCTAD, em 2014 os investimentos diretos mundiais alcançaram US$ 1,2 trilhão, devendo crescer nos próximos anos. Desse total, os fluxos destinados aos países em desenvolvimento alcançaram US$

Leia mais

CISG-Brasil.net entrevista LUCA CASTELLANI, consultor jurídico do Secretariado da UNCITRAL

CISG-Brasil.net entrevista LUCA CASTELLANI, consultor jurídico do Secretariado da UNCITRAL CISG-Brasil.net entrevista LUCA CASTELLANI, consultor jurídico do Secretariado da UNCITRAL Luca G. Castellani é Consultor Jurídico do Secretariado da Comissão das Nações Unidas para o Direito Mercantil

Leia mais

INSS Diretoria de Benefícios

INSS Diretoria de Benefícios IV CONFERÊNCIA BRASILEIROS NO MUNDO INSS Diretoria de Benefícios Praia do Forte, 20 de novembro de 2013 ACORDOS INTERNACIONAIS Globalização Principais objetivos ou finalidades dos Acordos Internacionais

Leia mais

Convenção de Nova Iorque - Reconhecimento e Execução de Sentenças Arbitrais Estrangeiras

Convenção de Nova Iorque - Reconhecimento e Execução de Sentenças Arbitrais Estrangeiras CONVENÇÃO DE NOVA YORK Convenção de Nova Iorque - Reconhecimento e Execução de Sentenças Arbitrais Estrangeiras Decreto nº 4.311, de 23/07/2002 Promulga a Convenção sobre o Reconhecimento e a Execução

Leia mais

BuscaLegis.ccj.ufsc.br

BuscaLegis.ccj.ufsc.br BuscaLegis.ccj.ufsc.br Panorama da arbitragem internacional Tatiana Scholai* A Arbitragem é um método que foi adotado por diversos países, conquistando seu espaço cada dia mais e provando que ser meio

Leia mais

28. Convenção sobre os Aspectos Civis do Rapto Internacional de Crianças

28. Convenção sobre os Aspectos Civis do Rapto Internacional de Crianças 28. Convenção sobre os Aspectos Civis do Rapto Internacional de Crianças Os Estados signatários da presente Convenção, Firmemente convictos de que os interesses da criança são de primordial importância

Leia mais

Declaração de Brasília: Rumo à Cidadania Sul- Americana

Declaração de Brasília: Rumo à Cidadania Sul- Americana Declaração de Brasília: Rumo à Cidadania Sul- Americana XI Conferência Sul-Americana sobre Migrações Brasília, de 19 a 21 de outubro de 2011 Declaração de Brasília Rumo à Cidadania Sul-Americana Os representantes

Leia mais

Capitulo 5: O Comércio Internacional

Capitulo 5: O Comércio Internacional Capitulo 5: O Comércio Internacional O comércio nacional é regido por leis e diretrizes que regulamentam as negociações de bens e serviços entre duas ou mais pessoas, sejam físicas ou jurídicas. Dessa

Leia mais

PROTOCOLO DE COOPERAÇÃO E ASSISTÊNCIA JURISDICIONAL EM MATÉRIA CIVIL, COMERCIAL, TRABALHISTA E ADMINISTRATIVA - PROTOCOLO DE LAS LEÑAS -

PROTOCOLO DE COOPERAÇÃO E ASSISTÊNCIA JURISDICIONAL EM MATÉRIA CIVIL, COMERCIAL, TRABALHISTA E ADMINISTRATIVA - PROTOCOLO DE LAS LEÑAS - PROTOCOLO DE COOPERAÇÃO E ASSISTÊNCIA JURISDICIONAL EM MATÉRIA CIVIL, COMERCIAL, TRABALHISTA E ADMINISTRATIVA - PROTOCOLO DE LAS LEÑAS - Os Governos da República Argentina, da República Federativa do Brasil,

Leia mais

CASO AVENA E OUTROS NACIONAIS MEXICANOS (MEXICO v. UNITED STATES OF AMERICA) Professor Fabrício Pasquot Polido

CASO AVENA E OUTROS NACIONAIS MEXICANOS (MEXICO v. UNITED STATES OF AMERICA) Professor Fabrício Pasquot Polido CASO AVENA E OUTROS NACIONAIS MEXICANOS (MEXICO v. UNITED STATES OF AMERICA) Professor Fabrício Pasquot Polido Fatos do caso 1. Em 09 de janeiro de 2003 o Governo do México iniciou procedimento contencioso

Leia mais

AGRAVO Nº 831. JOÃO DOMINGOS KUSTER PUPPI RELATORA DESIGNADA : JUÍZA SUBST. 2º G. DENISE KRÜGER PEREIRA

AGRAVO Nº 831. JOÃO DOMINGOS KUSTER PUPPI RELATORA DESIGNADA : JUÍZA SUBST. 2º G. DENISE KRÜGER PEREIRA AGRAVO Nº 831.160-0/01, DE MEDIANEIRA - VARA CÍVEL E ANEXOS AGRAVANTE : COMPANHIA EXCELSIOR DE SEGUROS AGRAVADOS : DORIVAL ASSIS DE SOUZA E OUTROS RELATOR ORIGINÁRIO : DES. JOÃO DOMINGOS KUSTER PUPPI RELATORA

Leia mais

ACORDO ENTRE A REPÚBLICA PORTUGUESA E A REPÚBLICA DA TUNÍSIA SOBRE A PROMOÇÃO E A PROTECÇÃO RECÍPROCAS DE INVESTIMENTOS.

ACORDO ENTRE A REPÚBLICA PORTUGUESA E A REPÚBLICA DA TUNÍSIA SOBRE A PROMOÇÃO E A PROTECÇÃO RECÍPROCAS DE INVESTIMENTOS. Decreto n.º 8/2004 de 29 de Abril Acordo entre a República Portuguesa e a República da Tunísia sobre a Promoção e a Protecção Recíprocas de Investimentos, assinado em Tunis em 28 de Fevereiro de 2002 Reconhecendo

Leia mais

Acordo sobre o Aquífero Guarani

Acordo sobre o Aquífero Guarani Acordo sobre o Aquífero Guarani A República Argentina, a República Federativa do Brasil, a República do Paraguai e a República Oriental do Uruguai, Animados pelo espírito de cooperação e de integração

Leia mais

MERCOSUL. Considerações iniciais

MERCOSUL. Considerações iniciais MERCOSUL Considerações iniciais A integração dos países da América Latina segue fatores semelhantes aos países europeus, posto que a maior parte dos povos latino-americanos compartilha uma herança histórica

Leia mais

CESA Comitê de Apoio ao Comércio Exterior

CESA Comitê de Apoio ao Comércio Exterior A ALCA E OS INTERESSES BRASILEIROS Thomas Benes Felsberg Agnes Borges O Brasil no Mercado Internacional Respondemos hoje por menos de 1% do comércio mundial. Exportações brasileiras não superam a marca

Leia mais

Blocos Econômicos. MERCOSUL e ALCA. Charles Achcar Chelala

Blocos Econômicos. MERCOSUL e ALCA. Charles Achcar Chelala Blocos Econômicos MERCOSUL e ALCA Charles Achcar Chelala Blocos Econômicos Tendência recente, com origens na década de 50, com a CEE Comunidade Econômica Européia Em 2007 fez 50 anos Objetivos Fortalecer

Leia mais

18. Convenção sobre o Reconhecimento dos Divórcios e das Separações de Pessoas

18. Convenção sobre o Reconhecimento dos Divórcios e das Separações de Pessoas 18. Convenção sobre o Reconhecimento dos Divórcios e das Separações de Pessoas Os Estados signatários da presente Convenção, Desejando facilitar o reconhecimento de divórcios e separações de pessoas obtidos

Leia mais

BLOCOS ECONÔMICOS. O Comércio multilateral e os blocos regionais

BLOCOS ECONÔMICOS. O Comércio multilateral e os blocos regionais BLOCOS ECONÔMICOS O Comércio multilateral e os blocos regionais A formação de Blocos Econômicos se tornou essencial para o fortalecimento e expansão econômica no mundo globalizado. Quais os principais

Leia mais

50º CONSELHO DIRETOR 62 a SESSÃO DO COMITÊ REGIONAL

50º CONSELHO DIRETOR 62 a SESSÃO DO COMITÊ REGIONAL ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE 50º CONSELHO DIRETOR 62 a SESSÃO DO COMITÊ REGIONAL Washington, D.C., EUA, 27 de setembro a 1º de outubro de 2010 Tema 4.17 da agenda CD50/26

Leia mais

International Arbitration Case Law

International Arbitration Case Law School of International Arbitration, Queen Mary, University of London International Arbitration Case Law Diretores Acadêmicos: Ignacio Torterola Loukas Mistelis* TEINVER S.A., TRANSPORTES CERCANÍAS S.A.

Leia mais

ACORDO ENTRE A REPÚBLICA PORTUGUESA E OS ESTADOS UNIDOS MEXICANOS SOBRE A PROMOÇÃO E A PROTECÇÃO RECÍPROCAS DE INVESTIMENTOS.

ACORDO ENTRE A REPÚBLICA PORTUGUESA E OS ESTADOS UNIDOS MEXICANOS SOBRE A PROMOÇÃO E A PROTECÇÃO RECÍPROCAS DE INVESTIMENTOS. Decreto n.º 18/2000 Acordo entre a República Portuguesa e os Estados Unidos Mexicanos sobre a Promoção e Protecção Recíprocas de Investimentos, assinado na cidade do México em 11 de Novembro de 1999 Nos

Leia mais

http://revistagloborural.globo.com/noticias/politica/noticia/2014/10/brasil-nao-deveentrar-em-nova-disputa-com-eua-na-omc-diz-neri-geller.

http://revistagloborural.globo.com/noticias/politica/noticia/2014/10/brasil-nao-deveentrar-em-nova-disputa-com-eua-na-omc-diz-neri-geller. http://revistagloborural.globo.com/noticias/politica/noticia/2014/10/brasil-nao-deveentrar-em-nova-disputa-com-eua-na-omc-diz-neri-geller.html Celso Lafer, A OMC e a regulamentação do comércio internacional.

Leia mais

Organizações internacionais Regionais

Organizações internacionais Regionais Organizações internacionais Regionais Percurso 4 Geografia 9ºANO Profª Bruna Andrade e Elaine Camargo Os países fazem uniões a partir de interesses comuns. Esses interesses devem trazer benefícios aos

Leia mais

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº, DE 2013

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº, DE 2013 PROJETO DE LEI DO SENADO Nº, DE 2013 Dispõe sobre a mediação extrajudicial. O CONGRESSO NACIONAL decreta: Capítulo I Disposições Gerais Art. 1º Esta lei dispõe sobre mediação extrajudicial. Parágrafo único.

Leia mais

Acordo-Quadro de Associação entre o MERCOSUL e a República do Suriname

Acordo-Quadro de Associação entre o MERCOSUL e a República do Suriname Acordo-Quadro de Associação entre o MERCOSUL e a República do Suriname A República Argentina, a República Federativa do Brasil, a República do Paraguai, a República Oriental do Uruguai, a República Bolivariana

Leia mais

SUMÁRIO PREFÁCIO... 5 INTRODUÇÃO... 15

SUMÁRIO PREFÁCIO... 5 INTRODUÇÃO... 15 SUMÁRIO PREFÁCIO... 5 INTRODUÇÃO... 15 POLÍTICA COMERCIAL: OS ESTADOS UNIDOS E OS INTERES- SES BRASILEIROS ALUISIO DE LIMA-CAMPOS... 21 Introdução... 21 A anatomia da política comercial nos EUA... 22 1.

Leia mais

O NOVO CPC E OS PRECEDENTES EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA

O NOVO CPC E OS PRECEDENTES EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA O NOVO CPC E OS PRECEDENTES EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA Fernando Facury Scaff Professor de Direito Financeiro da USP. Doutor e Livre Docente pela mesma Universidade. Sócio de Silveira, Athias, Soriano de Melo,

Leia mais

INVESTIMENTOS ESTRANGEIROS DIRETOS NO BRASIL Um Panorama do Cenário Normativo Nacional e Internacional

INVESTIMENTOS ESTRANGEIROS DIRETOS NO BRASIL Um Panorama do Cenário Normativo Nacional e Internacional DOI: 10.7213/UNIVERSITAS.7504 Licenciado sob uma Licença Creative Commons INVESTIMENTOS ESTRANGEIROS DIRETOS NO BRASIL Um Panorama do Cenário Normativo Nacional e Internacional FOREIGN DIRECT INVESTMENT

Leia mais

IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO

IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Instituições de Direito Profª Doutora Ideli Raimundo Di Tizio p 41 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO O imposto de importação é de competência da União, é também conhecido como tarifa aduaneira. Sua função é predominantemente

Leia mais

01 JULHO 2014 LISBOA GJ AIP-CCI

01 JULHO 2014 LISBOA GJ AIP-CCI 01 JULHO 2014 LISBOA GJ AIP-CCI 1 CENTRO DE MEDIAÇÃO, CONCILIAÇÃO E ARBITRAGEM 2 PONTOS DA INTERVENÇÃO: SOBRE O CENTRO DE ARBITRAGEM PROPRIAMENTE DITO: GÉNESE LEGAL DESTE CENTRO ESTRUTURA ORGÂNICA ÂMBITO

Leia mais

Debates jurídico-trabalhistas mundiais Uma visão dos principais itens debatidos na Conferência Mundial de Advocacia em Tóquio

Debates jurídico-trabalhistas mundiais Uma visão dos principais itens debatidos na Conferência Mundial de Advocacia em Tóquio Debates jurídico-trabalhistas mundiais Uma visão dos principais itens debatidos na Conferência Mundial de Advocacia em Tóquio Dr. WOLNEI TADEU FERREIRA novembro 2014 O que é a IBA e o que ela significa

Leia mais

MEMORANDO DE ENTENDIMENTO ENTRE A AUSTRALIAN SECURITIES COMMISSION E A COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS DO BRASIL

MEMORANDO DE ENTENDIMENTO ENTRE A AUSTRALIAN SECURITIES COMMISSION E A COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS DO BRASIL MEMORANDO DE ENTENDIMENTO ENTRE A AUSTRALIAN SECURITIES COMMISSION E A COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS DO BRASIL INTRODUÇÃO 1. A Australian Securities Commission e a Comissão de Valores Mobiliários, reconhecendo

Leia mais

o Centro Internacional para a Resolução de Conflitos sobre Investimentos (CIRCI-

o Centro Internacional para a Resolução de Conflitos sobre Investimentos (CIRCI- O Centro Internacional para a Resolução de Conflitos sobre Investimentos (CIRCI - ICSID) CELSO DE TARSO PEREIRA SUMÁRIO 1. Introdução. 2. A Convenção e o Centro. a) Estrutura institucional. b) Competência

Leia mais

PROTOCOLO DE HARMONIZAÇÃO DE NORMAS EM MATERIA DE DESENHOS INDUSTRIAIS

PROTOCOLO DE HARMONIZAÇÃO DE NORMAS EM MATERIA DE DESENHOS INDUSTRIAIS MERCOSUL/CMC/DEC N 16/98 PROTOCOLO DE HARMONIZAÇÃO DE NORMAS EM MATERIA DE DESENHOS INDUSTRIAIS TENDO EM VISTA: O Tratado de Assunção e o Protocolo de Ouro Preto e a Decisão Nº 8/95 do Conselho do Mercado

Leia mais

Data: GEOGRAFIA TUTORIAL 5B. Aluno (a): Equipe de Geografia IMAGENS BASE. Fonte: IBGE, 2009.

Data: GEOGRAFIA TUTORIAL 5B. Aluno (a): Equipe de Geografia IMAGENS BASE. Fonte: IBGE, 2009. Aluno (a): Série: 3ª Turma: TUTORIAL 5B Ensino Médio Equipe de Geografia Data: GEOGRAFIA IMAGENS BASE Fonte: IBGE, 2009. Colégio A. LIESSIN Scholem Aleichem - 1 - NANDA/MAIO/2014-488 TEXTO BASE Os blocos

Leia mais

I DISCIPLINA: GLOBALIZAÇÃO E INTEGRAÇÃO REGIONAL

I DISCIPLINA: GLOBALIZAÇÃO E INTEGRAÇÃO REGIONAL GLOBALIZAÇÃO E INTEGRAÇÃO REGIONAL I DISCIPLINA: GLOBALIZAÇÃO E INTEGRAÇÃO REGIONAL II PROFESSOR (A): ELIZABETH ACCIOLY III - CARGA HORÁRIA: 30h/a IV OBJETIVOS Hoje é fundamental se entender a estratégia

Leia mais

Convenção sobre o Combate da Corrupção de Funcionários Públicos Estrangeiros em

Convenção sobre o Combate da Corrupção de Funcionários Públicos Estrangeiros em Convenção sobre o Combate da Corrupção de Funcionários Públicos Estrangeiros em Transações Comerciais Internacionais Preâmbulo As Partes, Considerando que a corrupção é um fenômeno difundido nas Transações

Leia mais

Organização Mundial do Comércio: Possibilidades e Limites

Organização Mundial do Comércio: Possibilidades e Limites Organização Mundial do Comércio: Possibilidades e Limites Análise Integração Regional / Economia e Comércio Bernardo Erhardt de Andrade Guaracy 15 de outubro de 2003 Organização Mundial do Comércio: Possibilidades

Leia mais

PROTOCOLO DE CRIAÇÃO. 10 de Maio de 2006

PROTOCOLO DE CRIAÇÃO. 10 de Maio de 2006 PROTOCOLO DE CRIAÇÃO 10 de Maio de 2006 Quem é parte no Protocolo? A criação do Centro de Informação, Mediação e Arbitragem de Dívidas Hospitalares CIMADH é iniciada através de um Protocolo promovido pelo

Leia mais

A Escalada Protecionista nos BRICS no contexto pós Crise financeira Internacional - Monitoramento de Medidas de Política Comercial

A Escalada Protecionista nos BRICS no contexto pós Crise financeira Internacional - Monitoramento de Medidas de Política Comercial BRICS Monitor A Escalada Protecionista nos BRICS no contexto pós Crise financeira Internacional - Monitoramento de Medidas de Política Comercial Outubro de 2011 Núcleo de Desenvolvimento, Comércio, Finanças

Leia mais

A efetividade das sentenças da Corte Interamericana de Direitos Humanos no Brasil

A efetividade das sentenças da Corte Interamericana de Direitos Humanos no Brasil IX Salão de Iniciação Científica PUCRS A efetividade das sentenças da Corte Interamericana de Direitos Humanos no Brasil Gabriela Bratkowski Pereira, Elias Grossmann (orientador) Faculdade de Direito,

Leia mais

Acelerar a resolução de litígios entre empresas e chamar arbitragens internacionais a Portugal são dois propósitos do novo quadro legal

Acelerar a resolução de litígios entre empresas e chamar arbitragens internacionais a Portugal são dois propósitos do novo quadro legal RESOLUÇÃO ALTERNATIVA DE LITÍGIOS Arbitragem voluntária tem nova lei a boleia da troika Acelerar a resolução de litígios entre empresas e chamar arbitragens internacionais a Portugal são dois propósitos

Leia mais

Comentários relacionados ao anteprojeto de lei brasileiro sobre manipulação de dados pessoais INTRODUÇÃO

Comentários relacionados ao anteprojeto de lei brasileiro sobre manipulação de dados pessoais INTRODUÇÃO Comentários relacionados ao anteprojeto de lei brasileiro sobre manipulação de dados pessoais INTRODUÇÃO Estamos muito próximos da próxima revolução tecnológica. O setor de TIC está se expandindo para

Leia mais

ACORDO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL ENTRE A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E OS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

ACORDO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL ENTRE A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E OS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA ACORDO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL ENTRE A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E OS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA A República Federativa do Brasil e Os Estados Unidos da América (doravantedenominados, individualmente,

Leia mais

BuscaLegis.ccj.ufsc.br

BuscaLegis.ccj.ufsc.br BuscaLegis.ccj.ufsc.br A aplicação da Convenção de Nova York na homologação de sentença arbitral estrangeira Caroline La Banca de Sá* A Convenção de Nova York de 1958 ou Convenção sobre o Reconhecimento

Leia mais

Reflexões sobre os mecanismos de solução de controvérsias nos acordos regionais e multilaterais de comércio

Reflexões sobre os mecanismos de solução de controvérsias nos acordos regionais e multilaterais de comércio Reflexões sobre os mecanismos de solução de controvérsias nos acordos regionais e multilaterais de comércio Cadernos de Félix Alfredo Larrañaga Professor da Faculdade de Ciências Econômicas, Contáveis

Leia mais

AÇÃO ORDINÁRIA (PROCEDIMENTO COMUM ORDINÁRIO) Nº 2008.70.00.007411-2/PR SENTENÇA

AÇÃO ORDINÁRIA (PROCEDIMENTO COMUM ORDINÁRIO) Nº 2008.70.00.007411-2/PR SENTENÇA AÇÃO ORDINÁRIA (PROCEDIMENTO COMUM ORDINÁRIO) Nº 2008.70.00.007411-2/PR AUTOR ADVOGADO RÉU CESAR LOURENCO SOARES NETO CESAR LOURENCO SOARES NETO UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANA SENTENÇA I - RELATÓRIO Trata-se

Leia mais

Direito Ambiental. Prof. Fabrício Ferreira Aula III

Direito Ambiental. Prof. Fabrício Ferreira Aula III Direito Ambiental Prof. Fabrício Ferreira Aula III 1 Direito Internacional NOÇÕES PRELIMINARES CONCEITO: É o conjunto de normas jurídicas que regulam as relações mútuas dos Estados e, subsidiariamente,

Leia mais

21. Convenção sobre a Administração Internacional de Heranças

21. Convenção sobre a Administração Internacional de Heranças 21. Convenção sobre a Administração Internacional de Heranças Os Estados signatários da presente Convenção, Desejando estabelecer disposições comuns a fim de facilitar a administração internacional de

Leia mais

BuscaLegis.ccj.ufsc.br

BuscaLegis.ccj.ufsc.br BuscaLegis.ccj.ufsc.br Aspectos civis do seqüestro de menores Roberta de Albuquerque Nóbrega * A Regulamentação Brasileira De acordo com a Lei de Introdução ao Código Civil (LICC), em seu artigo 7º, o

Leia mais

TRATADO ALTERNATIVO SOBRE COMÉRCIO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL [12] PREÂMBULO

TRATADO ALTERNATIVO SOBRE COMÉRCIO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL [12] PREÂMBULO TRATADO ALTERNATIVO SOBRE COMÉRCIO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL [12] PREÂMBULO 1. O comércio internacional deve ser conduzido de forma a melhorar o bem estar social, respeitando a necessidade de promover

Leia mais

ACORDOS INTERNACIONAIS

ACORDOS INTERNACIONAIS Direito Internacional Profª Mestre Ideli Raimundo Di Tizio p 53 ACORDOS INTERNACIONAIS ONU SDN (Sociedade ou Liga das Nações) Foi criada com a intenção de manter a paz. No seu período de atividade, contudo,

Leia mais

(PROCURADORA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL) Excelentíssimo Presidente do Supremo Tribunal Federal,

(PROCURADORA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL) Excelentíssimo Presidente do Supremo Tribunal Federal, A SRA. JANAÍNA BARBIER GONÇALVES (PROCURADORA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL) Excelentíssimo Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Gilmar Mendes, na pessoa de quem cumprimento as demais autoridades

Leia mais

23. Convenção sobre o Reconhecimento e Execução de Decisões relativas a Obrigações Alimentares

23. Convenção sobre o Reconhecimento e Execução de Decisões relativas a Obrigações Alimentares 23. Convenção sobre o Reconhecimento e Execução de Decisões relativas a Obrigações Alimentares Os Estados signatários da presente Convenção, Desejando estabelecer disposições comuns para regulamentar o

Leia mais

Cesar A. Guimarães Pereira Doutor e Mestre em Direito pela PUCSP Sócio de Justen, Pereira, Oliveira & Talamini

Cesar A. Guimarães Pereira Doutor e Mestre em Direito pela PUCSP Sócio de Justen, Pereira, Oliveira & Talamini A INTERAÇÃO ENTRE A CONVENÇÃO DE NOVA IORQUE (CNY) E O DIREITO INTERNO BRASILEIRO: ROTEIRO PARA A COMPREENSÃO DO TEMA NO ÂMBITO DA HOMOLOGAÇÃO DE SENTENÇAS ARBITRAIS ESTRANGEIRAS Cesar A. Guimarães Pereira

Leia mais

PROTOCOLO DE BRASÍLIA PARA A SOLUÇÃO DE CONTROVÉRSIAS

PROTOCOLO DE BRASÍLIA PARA A SOLUÇÃO DE CONTROVÉRSIAS PROTOCOLO DE BRASÍLIA PARA A SOLUÇÃO DE CONTROVÉRSIAS A República Argentina, a República Federativa do Brasil, a República do Paraguai e a República Oriental do Uruguai, doravante denominados "Estados

Leia mais

27/09/2011. Integração Econômica da América do Sul: Perspectiva Empresarial

27/09/2011. Integração Econômica da América do Sul: Perspectiva Empresarial 27/09/2011 Integração Econômica da América do Sul: Perspectiva Empresarial Estrutura da apresentação Perspectiva empresarial Doing Business 2011 Investimentos Estrangeiros e Comércio Exterior Complementaridade

Leia mais

ACORDO ENTRE A REPÚBLICA PORTUGUESA E O GOVERNO DA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA E

ACORDO ENTRE A REPÚBLICA PORTUGUESA E O GOVERNO DA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA E DECRETO N.º 14/2005 ACORDO ENTRE A REPÚBLICA PORTUGUESA E O GOVERNO DA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA E POPULAR DA ARGÉLIA SOBRE A PROMOÇÃO E PROTECÇÃO RECÍPROCAS DE INVESTIMENTOS, ASSINADO EM LISBOA EM 15 DE SETEMBRO

Leia mais

O Brasil e os acordos internacionais de comércio e investimentos

O Brasil e os acordos internacionais de comércio e investimentos O Brasil e os acordos internacionais de comércio e investimentos Seminário AMCHAM 29 de Agosto de 2013 1 1. Os acordos de comércio 2 Crise não freou celebração de acordos de comércio Soma de Acordos Preferenciais

Leia mais

Administração Pública no século XXI. Modelos de organização administrativa e vinculação ao Direito ORGANIZAÇÃO DOS TRIBUNAIS

Administração Pública no século XXI. Modelos de organização administrativa e vinculação ao Direito ORGANIZAÇÃO DOS TRIBUNAIS Administração Pública no século XXI Modelos de organização administrativa e vinculação ao Direito ORGANIZAÇÃO DOS TRIBUNAIS Síntese Comparativa Local: Universidade Católica de Angola Data: 18 de Setembro

Leia mais

COMISSÃO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO

COMISSÃO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO COMISSÃO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO PROJETO DE LEI N o 3.034,DE 2011 Dispõe sobre a assistência internacional prestada pelo Brasil sobre matéria de valoração aduaneira e dá outras

Leia mais

Geografia 03 Tabata Sato

Geografia 03 Tabata Sato Geografia 03 Tabata Sato IDH Varia de 0 a 1, quanto mais se aproxima de 1 maior o IDH de um país. Blocos Econômicos Economia Globalizada Processo de Regionalização Tendência à formação de blocos econômicos

Leia mais

ARBITRAGEM NO CAMPO IMOBILIÁRIO LOCAÇÃO DE IMÓVEIS

ARBITRAGEM NO CAMPO IMOBILIÁRIO LOCAÇÃO DE IMÓVEIS ARBITRAGEM NO CAMPO IMOBILIÁRIO LOCAÇÃO DE IMÓVEIS ADEVANIR TURA Considerando que a Arbitragem cuida de bens disponíveis, a locação de imóveis se enquadra nesta modalidade. Assim, não podemos descaracterizar,

Leia mais

REGULAMENTO DE ARBITRAGEM EXPEDITA DO CENTRO DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM DE PERNAMBUCO - CEMAPE

REGULAMENTO DE ARBITRAGEM EXPEDITA DO CENTRO DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM DE PERNAMBUCO - CEMAPE REGULAMENTO DE ARBITRAGEM EXPEDITA DO CENTRO DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM DE PERNAMBUCO - CEMAPE DEFINIÇÕES 1. CONVENÇÃO DE ARBITRAGEM refere-se tanto à cláusula compromissória quanto ao compromisso arbitral.

Leia mais

Os Embargos Arbitrais e a Revitalização da Sentença Arbitral

Os Embargos Arbitrais e a Revitalização da Sentença Arbitral Os Embargos Arbitrais e a Revitalização da Sentença Arbitral Prevê a Lei de Arbitragem (Lei n. 9.307/96) período de tempo no qual, após a sentença arbitral proferida, ainda será possível ao árbitro ou

Leia mais

7º ENCONTRO DE LOGÍSTICA E TRANSPORTE. Regulação para a Integração da Infraestrutura Sul-Americana. São Paulo, 22.5.2012

7º ENCONTRO DE LOGÍSTICA E TRANSPORTE. Regulação para a Integração da Infraestrutura Sul-Americana. São Paulo, 22.5.2012 7º ENCONTRO DE LOGÍSTICA E TRANSPORTE Regulação para a Integração da Infraestrutura Sul-Americana São Paulo, 22.5.2012 INTEGRAÇÃO REGULATÓRIA PRESSUPOSTOS DA REGULAÇÃO Transparência Participação e Controle

Leia mais

SEQÜESTRO INTERNACIONAL DE CRIANÇAS E SUA APLICAÇÃO NO BRASIL. Autoridade Central Administrativa Federal/SDH

SEQÜESTRO INTERNACIONAL DE CRIANÇAS E SUA APLICAÇÃO NO BRASIL. Autoridade Central Administrativa Federal/SDH A CONVENÇÃO SOBRE OS ASPECTOS CIVIS DO SEQÜESTRO INTERNACIONAL DE CRIANÇAS E SUA APLICAÇÃO NO BRASIL Autoridade Central Administrativa Federal/SDH Considerações Gerais A Convenção foi concluída em Haia,

Leia mais

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br BuscaLegis.ccj.ufsc.Br Factoring Antonio César Barros de Lima Histórico As operações de Factoring têm sua origem nos séculos XIV e XV, na Europa. O factor era um agente mercantil, que vendia mercadorias

Leia mais

O Direito Empresarial no Mercosul Paulo Roberto Colombo Arnoldi

O Direito Empresarial no Mercosul Paulo Roberto Colombo Arnoldi O Direito Empresarial no Mercosul Paulo Roberto Colombo Arnoldi Sumário: 1. Mercosul; 2. Personalidade Jurídica e Fontes; 3. O Tratado de Assunção; 4. Estrutura; 5. Direito Comunitário, o Direito Empresarial

Leia mais

LEI Nº 14.868, de 16 de dezembro de 2003 Dispõe sobre o Programa Estadual de Parcerias Público-Privadas.

LEI Nº 14.868, de 16 de dezembro de 2003 Dispõe sobre o Programa Estadual de Parcerias Público-Privadas. LEI Nº 14.868, de 16 de dezembro de 2003 Dispõe sobre o Programa Estadual de Parcerias Público-Privadas. O Povo de Minas Gerais, por seus representantes, decretou e eu, em seu nome, sanciono a seguinte

Leia mais

PLANO DE OUTORGA DE OPÇÃO DE COMPRA OU SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DA CAMBUCI S.A. CAPÍTULO I DOS OBJETIVOS

PLANO DE OUTORGA DE OPÇÃO DE COMPRA OU SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DA CAMBUCI S.A. CAPÍTULO I DOS OBJETIVOS PLANO DE OUTORGA DE OPÇÃO DE COMPRA OU SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DA CAMBUCI S.A. CAPÍTULO I DOS OBJETIVOS Artigo 1º. Os objetivos deste Plano de Opção de Compra ou Subscrição de Ações (o "Plano") da Cambuci

Leia mais