VOZ DAS PESCADORAS ARTESANAIS DO LITORAL DE PERNAMBUCO - BRASIL.

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1 VOZ DAS PESCADORAS ARTESANAIS DO LITORAL DE PERNAMBUCO - BRASIL. "Denunciei a fome como flagelo fabricado pelos homens, contra outros homens". Josué de Castro (1980) Resumo O artigo foi elaborado a partir de resultados da pesquisa Relações de Gênero e Políticas de Desenvolvimento Social e Combate à Fome: Diagnóstico e avaliação na pesca artesanal do litoral de Pernambuco. O texto aborda o discurso das pescadoras sobre os efeitos do Programa Bolsa Família (PBF) em seu cotidiano. Os dados sobre gênero, pesca e o Programa de transferência de renda foram coletados a partir de entrevistas com roteiro estruturado, realizadas em 11 comunidades de pescadoras artesanais situadas no litoral de Pernambuco, durante o ano de Os resultados nos permitem sistematizar informações relacionadas a gênero, trabalho e reprodução social no que se refere à acessibilidade ao recurso financeiro e a segurança do recebimento mensal de um benefício econômico. Palavras chave: Gênero, Bolsa Família, Pescadoras Artesanais, Pernambuco. Introdução O artigo aborda o discurso das pescadoras sobre os impactos do Programa Bolsa Família na vida destas trabalhadoras da pesca artesanal no litoral de Pernambuco, um tema pouco pesquisado. O texto busca visibilizar o discurso por elas construído sobre a transferência de renda (PBF) a partir de suas narrativas. Ao mesmo tempo esta pesquisa dá continuidade a outras experiências de trabalhos acadêmicos resultante de vários projetos de pesquisa e extensão universitária, desenvolvidos no Grupo de Pesquisa Desenvolvimento e Sociedade CNPq/UFRPE 1 atuante desde A pesquisa ancorada na perspectiva dos Direitos Humanos cuja declaração advêm de 1948, consiste num instrumento que reconhece o direito de liberdade e igualdade entre homens e mulheres e, em outros documentos que foram criados neste processo de construção de equidade de gênero. O tema gênero e pesca aqui considerado na perspectiva de transversalidade de raça e classe social está relacionado ao conceito de patriarcado 2, que nos dá subsídios que possibilitam compreendê-lo a partir das desigualdades entre feminino e masculino. Desigualdades que são historicamente construídas e legitimadas pela sociedade. Em todo o processo de pesquisa, o recorte de gênero 3 esteve presente, considerando que as mulheres são priorizadas no Programa Bolsa Família como sendo a responsável legal e preferencial para o recebimento dos benefícios. Além disso, as mulheres pescadoras vivenciaram durante várias décadas, a precarização do trabalho e a exclusão de direitos sociais. Até o ano de 1979, as Colônias de Pescadores eram controladas pela Marinha de Guerra, e como esta instituição não aceitava mulheres em seu quadro de trabalhadores, as pescadoras não podiam ser atores sociais na instituição que representavam os trabalhadores da cadeia produtiva da pesca. A partir de 1979, as pescadoras solteiras 4 puderam obter seu reconhecimento profissional, mas dependem até hoje, assim como os homens, que o/a presidente de colônia e mais duas testemunhas atestem que são profissionais da pesca. Apesar de seus papéis ativos na atividade da pesca, as mulheres são, muitas vezes, consideradas ajudantes ou companheiras de pescadores, o que revela as dificuldades de 1 Os projetos envolvem organizações não governamentais e órgãos públicos, como Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Secretaria de Políticas para as Mulheres (SEPM) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). 2 Para aprofundar o tema ver (SAFFIOTI, 2004). 3 Para aprofundar o conhecimento sobre estudos de gênero (HEILBORND e SORJ:1999) 4 Na Constituição 1988 as pescadoras tiveram acesso ao Registro Geral da Pesca e consequentemente aos direitos sociais.

2 reconhecimento de sua profissionalização na colônia de pescadores e nas instituições 5 que validam sua posição de trabalhadora socialmente reconhecida na cadeia produtiva da pesca. O aporte teórico sobre gênero está fundamentado entre outros/as autores/as em (LEITÃO, 2010), (MANESCHY et al, 1995), (SORJ, 2010); representações sociais (MOSCOVICI, 2009), análise de discurso (FOUCAULT, 1987) e sobre o Programa Bolsa Família algumas leituras que subsidiaram os debates se concentraram nas seguintes obras: (SUÁREZ e LIBARDONI, 2007); (CUNHA, 2009); (VIEIRA, 2009); (PAES-SOUSA, 2009); (MAGALHÃES, 2009); (MENEZES, 2010); (ANNAND, 2010); (SAMPAIO, 2010); (ANANIAS, 2010); (ABRAMO, 2010); (SILVA, BRANDÃO e DALT, 2009); (MELO e DUARTE, 2010); (GALVÃO, 2008); (CALDEIRA, 2008); (LUCAS e HOFF, 2008); (KLEIN, 2007) e (CRUZ, 2010). Ao iniciarmos a pesquisa Relações de Gênero e Políticas de Desenvolvimento Social e Combate à Fome: Diagnóstico e avaliação na pesca artesanal do litoral de Pernambuco, não imaginávamos que registraríamos as seguintes afirmações, sobre os impactos do Programa Bolsa Família, na vida das pescadoras artesanais do litoral de Pernambuco: Antes nem pegava em dinheiro... 6 Melhorou muita coisa... 7 Agora tenho um dinheiro certo todo mês 8 Agora a gente tem o que comer... 9 Antes era na maré, só comia ostra e sururu, agora posso comer carne e galinha 10 No inverno ajuda muito, depois disso (do benefício) eu não me preocupo, tenho o alimento da minha família 11 Os homens não sabem das necessidades da mulher 12 Porque a mulher sabe administrar melhor que o homem 13 O homem gasta com cachaça 14 Agora nas festas pode comprar roupa e levar presente 15 Estes relatos impactantes são ainda muito mais contundentes do que a informação que nos influenciou a trabalhar nesta temática e nos candidatarmos ao edital. A sensibilização para ouvir as pescadoras sobre a política de transferência de renda aconteceu a partir de conversa informal na 5 No diagnóstico elaborado no projeto "Ações para Consolidar a Transversalidade de Gênero nas Políticas Públicas para a Pesca e Aquicultura do MPA", verificou-se nas entrevistas realizadas com pescadoras de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Pará a existência de queixas em relação ao Instituto Nacional de Segurança Social, Ministério do Trabalho e, algumas vezes, ao Ministério de Pesca e Aquicultura. Convênio MPA/078/ Para efeito de notação e arquivamento, as entrevistas obedecem a seguinte formação/chamada: QUEST (Prefixo) + NÚMERO GERAL + ABREVIATURA DE LOCALIDADE. QUEST88SJ 7 QUEST25ITA 8 QUEST87SJ; QUEST85SJ 9 QUEST95SER; 10 QUEST36TEJU 11 QUEST75IGA 12 QUEST67CARNE 13 QUEST60CARNE 14 QUEST72CARNE; QUEST61CARNE 15 QUEST41TEJU

3 sede da Colônia Z-10 com uma pescadora de Itapissuma que nos confidenciou que utilizaria os recursos do Programa Bolsa Família para pagar as mensalidades do curso de flauta para a filha que havia sido aprovada no Conservatório Pernambucano de Música. Esta primeira narrativa nos motivou a conhecer este Programa de transferência de renda a partir da narrativa das pescadoras. A partir desta introdução, informamos que neste texto sobre o Programa Bolsa Família, resultado da pesquisa, Relações de Gênero e Políticas de Desenvolvimento Social e Combate à Fome: Diagnóstico e avaliação na pesca artesanal do litoral de Pernambuco, nossa atenção estará focada em alguns subtemas que se destacam no discurso das pescadoras, anteriormente citado. Em síntese, nos 10 enunciados acima mencionados são relevantes as questões que envolvem: 1) acessibilidade ao recurso financeiro e a segurança do recebimento mensal de um benefício econômico; 2) a presença e evidência do fomento à segurança alimentar destas famílias; 3) as questões que identificam as representações sociais sobre as relações de gênero, a partir da entrega do beneficio diretamente as mulheres. 1- Metodologia As atividades foram iniciadas com o debate sobre a elaboração do instrumento de pesquisa coletivamente construído e a coleta no Banco de Teses da Capes, sobre teses e dissertações relacionadas ao Programa Bolsa Família. Na coleta de dados no Banco de Teses/Dissertações da CAPES, foram encontradas 09 teses e 99 dissertações. Foram encontrados os dados quantitativos nas seguintes áreas: 14 trabalhos nas Ciências Sociais; 27 no Serviço Social; 45 nas Ciências Sociais Aplicadas; 11 na Saúde; 2 em Demografia e 9 em outras áreas. As dissertações e teses foram elaboradas em Instituições de Ensino Superior, contando 79 nas Públicas e 29 nas privadas. No que se refere à produção bibliográfica na Pós-Graduação por Região tem-se: 3 na Região Norte; 28 na Região Nordeste; 47 na Região Nordeste; 21 na Região Sul e 9 na Região Centro-Oeste. Quanto a abrangência territorial das pesquisas 43 abordam o Programa numa dimensão nacional, os outros estudos 65 realizam estudos de casos, deste segundo grupo 04 sobre Pernambuco e metade, 02, sobre Recife. (LEITÃO e GOMES, 2011). As etapas seguintes, abaixo citadas, foram consideradas imprescindíveis no processo de execução do projeto, entre elas: nivelamento do conhecimento sobre o Programa Bolsa Família, que foi priorizado para que toda a equipe 16 se apropriasse da temática necessária à realização de todas as fases do projeto de pesquisa que envolveu a elaboração/aplicação do instrumento de pesquisa e sistematização dos dados. As reuniões aconteceram de forma periódica, cuja produção resultou na formação de um Caderno de Discussões onde os textos trabalhados no grupo de estudo envolveram as seguintes temáticas: transferência de renda, condicionalidades, combate a pobreza, desigualdade, inclusão social, cidadania, educação, trabalho Infantil, políticas de desenvolvimento social, educação, trabalho infantil, gênero e empoderamento. As reuniões periódicas do grupo de estudo, possibilitou nos debruçarmos sobre publicações que esclarecessem objetivos, condicionalidades, modos de execução do Programa Bolsa Família e também a posição crítica dos/as autores/as, reflexões sobre a efetividade do programa de transferência de renda e os impactos no cotidiano das beneficiárias. A pesquisa é fundamentalmente qualitativa, por objetivarmos conhecer o discurso das pescadoras sobre o Programa Bolsa Família, em suas especificidades e particularidades. O roteiro estruturado das entrevistas foi elaborado a partir de uma chuva de ideias com a participação de todos/as que fazem parte do Grupo de Pesquisa Desenvolvimento e Sociedade CNPq/UFRPE. Foram sistematizadas 88 entrevistas respondidas por pescadoras que recebem benefícios do Programa Bolsa Família. Entrevistas realizadas em 11 localidades de 10 municípios do litoral de Pernambuco. As comunidades são: 1) Brasília Teimosa, 2) Olinda, 3) Pau Amarelo,4) Carne de Vaca, 5) 16 Participaram do Debate: Maria do Rosário de Fátima Andrade Leitão,Anderson Oliveira de Lima, Claudia Maria de Lima, Clodoaldo de Souza Cavalcante Neto, Dimas Brasileiro Veras, Fernando Antônio Barros Duarte Barros Jr, Francisco Assis de Andrade Costa, Juliana Gomes de Moraes, Pedro Henrique Dias Inácio, Pedro Langsch, Phelippo de Oliveira Cordeiro Vanderlei, Iêda Litwak, Ivan Pereira Leitão, Maria Solange da Silva, Júlia Xavier Souto.

4 Tejucupapo, 6) Itamaracá, 7) Igaraçu, 8) São José da Coroa Grande, 9) Serrambi, 10) Jaboatão dos Guararapes, 11) Abreu e Lima. O conjunto das respostas nos possibilitará escrever diversos artigos sobre os temas abordados nas entrevistas realizadas com pescadoras residentes no litoral pernambucano, considerando que são 32 questões sobre: 1) utilização dos recursos do Programa Bolsa Família, 2) possibilidade de mudança na dinâmica familiar com o advento desta transferência de renda diretamente para as mulheres, 3) as condições de moradia, 4) acesso à saúde e educação, 5) alimentação e 6) pesca artesanal. Importante ressaltar que estas questões buscaram incluir as diretrizes dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM). Também denominados 8 Jeitos de Mudar o Mundo", o documento consiste num conjunto de metas pactuadas pelos governos dos 191 países-membros da ONU, compromisso estabelecido durante a Cúpula do Milênio, em setembro de 2000 na cidade de Nova York, com o propósito de contribuir na construção de um mundo mais justo, solidário e sustentável. Os objetivos priorizam os problemas considerados cruciais nas áreas de saúde, renda, educação e sustentabilidade, que devem ser debelados pelas nações até Resumidamente os 8 objetivos incluem as seguintes metas: 1. Reduzir pela metade o número de pessoas que vivem na miséria e passam fome. 2. Garantir a educação básica de qualidade para todos. 3. Fomentar a igualdade entre os sexos e mais autonomia para as mulheres. Dois terços dos analfabetos são mulheres. 4. Reduzir a mortalidade infantil. 5. Melhorar a saúde materna. 6. Combater epidemias e doenças. 7. Garantir a sustentabilidade ambiental. 8. Estabelecer parcerias mundiais para o desenvolvimento. Consideramos necessário abordar nas entrevistas os seis primeiros Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, com perguntas sobre as temáticas: renda, educação saúde, empoderamento, alimentação, lazer e trabalho. Esta inserção temática foi feita por considerarmos que estão inclusos na proposta de atuação do Programa Bolsa Família a transferência de renda com condicionalidades na área de educação e saúde, que garante a titularidade do recebimento do beneficio prioritariamente às mulheres e envolve obrigatoriedade de frequência escolar; do acompanhamento médico no crescimento e desenvolvimento das crianças menores de 07 anos, acompanhamento no pré-natal, da saúde do bebê, da saúde das mulheres com idade entre 16 e 44 anos e de vacinação materna e infantil. A realização das entrevistas nas 11 comunidades acima citadas foi efetuada pela equipe de colaboradores/as que atuam no Grupo de Pesquisa Desenvolvimento e Sociedade CNPq/UFRPE. A equipe é composta principalmente por mestres, mestrandos/as e graduandos/as, nestas visitas as Colônias de Pescadores/as contou com a participação de líderes do movimento social Articulação de Mulheres Pescadoras de Pernambuco 17, elas indicaram e contribuíram no agendamento com as comunidades a serem visitadas. Considerou-se necessária esta mediação para que a relação entre os diferentes atores sociais envolvidos, pesquisadores e pesquisadas, apresentasse um clima de confiança que possibilitasse respostas significativas a algumas questões tão pessoais. 17 A equipe do grupo de Pesquisa Desenvolvimento e Sociedade CNPq/UFRPE desenvolve com a Articulação de Mulheres Pescadoras de Pernambuco o projeto Gênero, Raça e Pesca: Produção e Articulação das Pescadoras de Pernambuco/MDA/FADURPE/UFRPE. Dito projeto realizou 21 Oficinas Itinerantes para as mulheres nas Colônias de Pescadores do estado e uma I Feira de Economia Solidária da Pesca Artesanal em Pernambuco. As pescadoras da Articulação que nos acompanharam na coleta de dados são: Cicera Estevão Batista (COLÔNIA Z-07 em Rio Formoso), Enilde Lima Oliveira (COLÔNIA Z- 09 em São José da Coroa Grande), Josefa Ferreira da Silva (AMUPESPA no Cabo de Santo Agostinho),Lindomar Rodrigues de Barros (COLÔNIA Z- 09 em São José da Coroa Grande), Maria Aparecida Santana (COLÔNIA Z- 25 em Jaboatão dos Guararapes), Maria das Neves dos Santos (COLÔNIA Z- 18 em Lagoa do Carro), Joana Mousinho (COLÔNIA Z- 10 em Itapissuma), Natércia Mignac da Silva (COLÔNIA Z-1 em Brasília Teimosa), Vera Lúcia Maria da Conceição (COLÔNIA Z 14 em Goiana).

5 Para isso, faz-se importante ressaltar qual o conceito de mediação/moderação estabelecido nesta prática: Moderação compreende a condução de processo de discussão cujo objetivo é promover a participação ativa de todos os integrantes do grupo na construção final do produto. Através de uma discussão objetiva e equilibrada (regulada e dentro de limites justos ) procura-se criar um ambiente de confiança facilitando a comunicação entre os integrantes do grupo, orientando suas reflexões em direção aos objetivos deste para que se chegue aos resultados esperados. É importante que fomente a criatividade colaboração para um resultado de efeito expressivo. (COLETTE, 2010, p.14). Importante comentar que na primeira comunidade visitada, Jaboatão dos Guararapes, os dados foram coletados utilizando o instrumento metodológico, grupo focal, mas foram realizadas entrevistas individuais nas outras 10 comunidades. A decisão por esta mudança na aplicação do instrumental metodológico se deve ao fato de que pesquisar sobre o Programa Bolsa Família inicialmente gerava, entre as beneficiadas, certa apreensão sobre as possíveis consequências das respostas 18, assim alguns entraves à comunicação poderiam gerar lacunas ou distorções na coleta de dados. Consideramos que o período de seis meses para a coleta de dados da pesquisa, não nos proporcionaria a certeza de que este diálogo mediado, entre diferentes atores sociais, poderia abrir espaço para troca de saberes, a partir de instrumentos da metodologia participativa, com a qual estamos acostumadas a trabalhar. Isso nos levou a um impasse, diminuir o número de comunidades, ou entrevistar de forma individualizada. Decidimos pela segunda opção, considerando que teríamos uma amostra mais consistente ouvindo relatos de pescadoras de diferentes localidades, distribuídas na Região Metropolitana do Município de Recife, no litoral norte e sul do Estado. Neste contexto, as entrevistas possibilitaram levantar dados entre outros aspectos sobre: 1) histórico e usos: coletamos dados sobre a temporalidade de recebimento do benefício, gasto/uso do benefício e percepções sobre as mudanças de vida depois do recebimento do benefício; 2) mulher e convivência: averiguamos a titularidade e responsabilidade do gasto do benefício, a relação de empoderamento das mulheres no uso dos recursos da transferência de renda, a relação de convivência em casa com filhos e ou parentes a partir do recebimento e gestão do PBF; 3) saúde: conhecemos o acesso às diferentes instituições de saúde, clínicas, ambulância, realização de exames pré-natal, vacinação, recebimento de visitas de agentes de saúde e agenciamento de serviços nas instituições de saúde, serviços odontológicos, realização de atividades físicas e lazer; 4) alimentação: descobrimos a importância do Programa Bolsa Família na segurança alimentar; 5) educação: identificamos a percepção das mulheres sobre aprendizado e interesse das crianças na escola e a contribuição do benefício na melhoria da educação; 6) Políticas Públicas: coletamos dados relacionados ao acompanhamento e disponibilidade das prefeituras sobre políticas de prevenção ao trabalho infantil, acesso das entrevistadas a outros programas sociais e sobre suspensão ou cancelamento do benefício; 7) Políticas de Pesca: conhecemos as demandas das mulheres sobre políticas públicas para a pesca, a existência ou não de políticas locais de incentivo as atividades da pesca, além de comentários gerais sobre o Programa Bolsa Família. 2. A voz das pescadoras sobre o Programa Bolsa Família "Mais grave ainda que a fome aguda e total, devido às suas repercussões sociais e econômicas, 18 As inseguranças das pescadoras em falar publicamente sobre o benefício possivelmente se deve ao pouco conhecimento que tem sobre os mecanismos de funcionamento do PBF. Sobre a forma como elas se apropriam do Programa (SUÁREZ e LIBARDONI, 2007, p. 139) comentam que: a apropriação do Programa pelas beneficiárias se restringe ao recebimento de um dinheiro fixo, que possibilita o melhor cumprimento de sua responsabilidade de cuidar das crianças. Receber o benefício significa, para elas, cuidar melhor das crianças e, frequentemente, cuidar de mais crianças e, portanto, fortalecer seu papel central de maternagem e de coesão do grupo doméstico de que são responsáveis.

6 2.1. Renda e Cidadania é o fenômeno da fome crônica ou parcial, que corrói silenciosamente inúmeras populações do mundo. Josué de Castro (1980) Figura 1. Fotojornalista Juliana Leitão. Itapissuma/PE As afirmações agora tenho um dinheiro certo todo mês ; antes nem pegava em dinheiro..., melhorou muita coisa..., são algumas das respostas à pergunta sobre qual a principal diferença encontrada na vida da pescadora antes e depois de receber o beneficio do Programa Bolsa Família?. Sobre o Programa Bolsa Família (CUNHA, 2009, p. 324) chama a atenção para o debate internacional relacionado à redução da miséria e da fome, discussão que identifica como parâmetros fundamentais no processo de erradicação da pobreza e da redução da desigualdade as políticas sociais de transferência de renda. (PAES-SOUSA, 2009, p.389) atribui ao Programa Bolsa Família a importância semelhante a outras três políticas sociais, implantadas na segunda metade do século XX: a extensão do direito previdenciário aos trabalhadores rurais não-contribuintes, nos anos 60; a implantação do Sistema Único de Saúde, a partir de 1988; e a ampliação da cobertura do ensino básico, nos anos 90. Magalhães destaca a necessidade de planejamento de ações de proteção social; da inserção das famílias em diversos serviços; do estabelecimento do perfil e grau de vulnerabilidade social das famílias; do subsídio a análise de casos complexos, como os de alta vulnerabilidade. (MAGALHÃES, 2009, p.418) Nas entrevistas respondidas pelas pescadoras artesanais de Pernambuco, se evidencia a carência econômica e a condição de vulnerabilidade social em que vivem, tendo em vista os padrões de rentabilidade do trabalho da pesca artesanal, onde, segundo seus relatos, atingem uma média de R$ 150,00 19 por mês, com rendas obtidas da venda dos produtos na maré. Neste contexto, a presença do benefício advindo do Programa Bolsa Família na composição do orçamento familiar, com acréscimos de recursos econômicos da transferência de renda variável entre R$ 32,00 e R$ 198,00 20, consiste numa importante fonte de ingresso econômico para a manutenção da família. É importante destacar que existe mercado para os mariscos e crustáceos durante todo o ano nos bares, restaurantes e supermercados em todo litoral pernambucano, mas a venda não é realizada diretamente pelas pescadoras 21, o que dificulta a geração de renda suficiente para o sustento de uma 19 Importante considerar que muitas vendem a atravessadores ou trocam por outros produtos necessários ao beneficiamento, por exemplo, sal e carvão. Também é importante mencionar que o produto mesmo produto (siri, caranguejo, aratu) obtêm preços mais competitivos no litoral sul, considerando que no litoral Norte e Região Metropolitana do Município de Recife seus preços são achatados pela presença de maior poluição ambiental. 20 Valores referentes ao ano de Para ter uma ideia concreta da defasagem entre preços de mercado e os por elas praticados, em situação de distanciamento entre a pescadora e o consumidor final, vamos relatar uma situação

7 família, com a coleta, beneficiamento e comercialização destes produtos da pesca artesanal. No verão, a presença de turistas nas praias permite um aumento dos ganhos na venda direta ao consumidor, no inverno o produto diminui por causa das chuvas 22 e as pescadoras estão mais dependentes da figura do atravessador. As narrativas das pescadoras são repletas de informações sobre as mudanças antes e depois do recebimento do benefício, sempre relacionado à obtenção de uma renda fixa e segura. Segundo elas antes de receberem os recursos do Programa Bolsa Família, qualquer fenômeno que limitasse os turistas e consequentemente o consumo dos pescados, impactava diretamente na manutenção familiar e na geração de renda das pescadoras artesanais. Tomando por base estes relatos, consideramos que um dos maiores problemas citados pelas pescadoras, e requisitado como ação para a implementação de políticas públicas para as mulheres trabalhadoras da cadeia produtiva da pesca, situa-se a manutenção dos estoques pesqueiros e a possibilidade de garantia de renda num fluxo mais constante, sem tanta variação sazonal, o que depende da conservação ambiental, da reprodução das espécies e de um comercio justo Segurança Alimentar A fome se revelou espontaneamente aos meus olhos nos mangues do Capibaribe, nos bairros miseráveis do Recife - Afogados, Pina, Santo Amaro, Ilha do Leite. Esta foi a minha Sorbonne. Josué de Castro (2007) Figura 2 e 3. Fotojornalista Juliana Leitão I Feira de Economia Solidária da Pesca Artesanal As respostas das mulheres a primeira pergunta da entrevista encontravam-se, sobretudo, relacionadas às novas possibilidades de poder aquisitivo oferecido pelo Programa Bolsa Família. As questões possibilitavam as seguintes alternativas: a) compra de alimentos; b) compra de vestuário; c) vivida pela equipe de trabalho em abril de 2009, quando na primeira visita a comunidade de Brasília Teimosa para iniciar um projeto da SPM/BR, as pescadoras ofereceram 6 quilos de siri beneficiado, por um total de R$18,00 dezoito reais, vale ressaltar que o preço de um quilo nos supermercados era de aproximadamente R$15,00. Outra situação vivenciada em Fortaleza na praia do Mucuripe, um pescador estava com um peixe fresco grande e queria vender por R$ 60,00 sessenta reais, os feirantes só queriam pagar R$ 43,00 quarenta e três reais, no restaurante em frente a feira do peixe nós havíamos consumido naquela semana uma peixada com apenas uma posta de peixe por este valor. Vale ressaltar que o produto perecível os/as tornam muito mais vulneráveis a estes atravessadores. 22 Afastam-se turistas e veranistas e a situação se agrava no período entre de abril e agosto, quando as precipitações pluviométricas contribuem na baixa salinidade das zonas estuarinas, em muitas áreas é praticamente impossível extrair qualquer tipo de molusco durante estes meses, mesmo para a subsistência.

8 compra eletrodomésticos; d) investimento em algum curso profissionalizante; e) pagar contas (água, luz aluguel); Outros/gastos? Quais? Os relatos das pescadoras, majoritariamente estão relacionados à segurança alimentar, elas expressam os seguintes enunciados: Agora a gente tem o que comer... ; Antes era na maré, só comia ostra e sururu, agora posso comer carne e galinha ; no inverno ajuda muito, depois disso (do benefício) eu não me preocupo, tenho o alimento da minha família, também são respostas a indagação sobre qual a principal diferença encontrada na vida da pescadora antes e depois de receber o beneficio do Programa Bolsa Família. As narrativas por elas relatadas indicam problemas, considerados por elas como relevantes, consiste no caráter incerto e inseguro dos rendimentos no trabalho na pesca, por isso os impactos do Programa Bolsa Família são tão visibilizados no discurso das trabalhadoras da cadeia produtiva da pesca no litoral pernambucano. Apesar do Programa de Aquisição de Alimentos, o PAA, ter propiciado o fortalecimento da agricultura familiar e contribuído na segurança alimentar de milhares de agricultores no país, direcionando os produtos comprados pelo governo federal para as creches e escolas municipais e estaduais, além de hospitais e demais instituições públicas que oferecem alimentos aos usuários, sendo considerado um dos mais exitosos programas de consolidação do desenvolvimento social brasileiro, importante ressaltar que os produtos da pesca são parcialmente excluídos deste Programa. Entre as comunidades estudadas, o município de Jaboatão dos Guararapes atualmente adquire alimentos produzidos pelos pescadores, sobretudo, peixes de água salgada. No entanto, a incorporação de moluscos - mariscos, ostras, camarões e demais frutos do mar, que podem ser coletados e beneficiados pelas mulheres pescadoras, ainda não são suficientemente aceitos na dieta como alimentação cotidiana, principalmente em escolas e hospitais. Outro entrave ao ingresso das pescadoras no Programa de Aquisição de Alimentos, o PAA, consiste na forma em que elas geralmente realizam o beneficiamento do pescado, a maioria não tem acesso a áreas impermeabilizadas por azulejos, balcão e cubas de inox, não atendendo as condições de manuseio estabelecidas pela vigilância sanitária. Esta situação gera as indagações: como resolver este impasse entre condições das pescadoras e as exigências sanitárias da segurança alimentar? Quais serão os encaminhamentos para solucionar estas questões estruturais? José Graziano Silva relaciona a solução para a fome à gestão participativa e equilíbrio ambiental, portanto, há importância em definir a questão social como elemento estruturador do governo. O autor também destaca que se faz necessária a multiplicação de mecanismos de compras e vendas diretas para reduzir custos e que é necessário se debruçar sobre os pressupostos relacionados ao de desenvolvimento local. (SILVA, 2004, p ). Neste contexto, as pescadoras de Pernambuco desempenham suas atividades a partir de economia familiar, geralmente praticando o extrativismo sem nenhum planejamento econômico e ambiental, numa sociedade regida pelo mercado e pela competitividade. Será que neste contexto, a cooperação, o comércio justo, a Economia Solidária, são algumas alternativas viáveis a estas trabalhadoras? Ou seja, priorizar a cooperação, a gestão coletiva em detrimento da competição, do individualismo e da precarização das condições de trabalho destas pescadoras geralmente marginalizadas de outros possibilidades de emprego e renda, além da manutenção da cultura gerada na pesca artesanal. A Economia Solidária, segundo OLIVEIRA e VERARDO, se apresenta como: [...] perspectiva de desenvolvimento econômico e social baseado em novos valores culturais e em novas práticas de trabalho e de relação social. O desenvolvimento não se restringe ao crescimento econômico e deve abranger as relações entre as pessoas, a organização do trabalho, resgatar a dimensão humana na produção, na comercialização e no consumo. Deve rever as transformações sofridas no mundo do trabalho recuperando a relação entre trabalho e tempo livre e a questão socioambiental. Estamos falando de desenvolvimento que envolve o social, o cultural, o político e o afetivo a partir do local, do espaço territorial e também no sentido mais

9 geral, estamos falando de desenvolvimento sustentável (OLIVEIRA e VERARDO, 2007, p. 08). Estas questões acima suscitadas, embora não possa ser aprofundada neste artigo, o será em outras publicações. Tema relacionado à cooperação, ao comércio justo e a Economia Solidária que podem ser resumidas na letra da música PRESERVANDO A VIDA 23, cujas compositoras são as pescadoras Maria das Neves, Glorinha, Ana Lúcia e Carminha: Os rios com água Eu preciso Seu doutor Não privatize Não mate os peixes Não sobrevivo Sou pescador É preciso apelar para a consciência Muitas coisas tão fazendo para existência E permanência de peixes, rios e lagos Parte do mar já foi privatizado Lutamos contra. É violência, está errado. Lutamos contra o desenvolvimento insustentável Que mata os peixes e privatiza os nossos lagos. E o velho Chico está sendo violado. Nós não queremos Más ele está sendo rasgado O que queremos é nosso rio preservado Viva a vida e o meio ambiente! A finalização deste projeto apoiado pelo MDS/CNPq, previa um evento com as pescadoras, assim elaboramos juntamente com 26 pescadoras envolvidas na pesquisa, a I Feira de Economia Solidária da Pesca Artesanal em Pernambuco. Evento realizado entre dias 25 e 26 de novembro de 2011 no local conhecido como Pátio do Carmo no bairro de Santo Antônio, de Recife-PE. As pescadoras classificaram a participação na feira como boa e ótima. Nas suas narrativas o evento trouxe conhecimento e experiências para novos trabalhos e novos projetos, em alguns casos, retorno financeiro significativo, o que fica evidente na fala de Natércia Mignac - Ótima! Por que trocamos conhecimentos, lidamos direto com o consumidor, provamos e conhecemos os produtos das companheiras Relações de gênero 23 Oficina realizada no projeto Gênero, Raça e Pesca: Produção e Articulação das Pescadoras de Pernambuco/ MDA/FADURPE/UFRPE. Letra e música elaborada na oficina sobre meio ambiente na Colônia de Pescadores Z 13, Jatobá, em 27de janeiro 2011.

10 Figura 4.FotojornalistaJuliana Leitão. Itapissuma/PE No que se refere às relações de gênero, foram realizadas duas perguntas, uma sobre o recebimento do benefício proveniente do Programa Bolsa Família ser pago diretamente as mulheres e, a segunda questionava se o benefício entregue as mulheres provocou alguma mudança de convivência familiar, algum conflito e, se havia ocorrido mudanças nas relações familiares com o acesso a esta transferência de renda. Apesar de serem praticamente unânimes em responder que não existem conflitos relacionados à titularidade do benefício, algumas respostas são bem expressivas sobre as vantagens que elas enumeram ao serem sujeitos neste processo, entre as respostas se destacam: os homens não sabem das necessidades da mulher ; porque a mulher sabe administrar melhor que o homem ; o homem gasta com cachaça ; agora nas festas pode comprar roupa e levar presente. Na cadeia produtiva da pesca é notória a situação precária de legitimação das mulheres como profissionais da pesca artesanal, isto se evidencia nos espaços de poder e participação política. Por exemplo: nas 11 Colônias de Pescadores pesquisadas no litoral de Pernambuco, apenas uma Colônias é presidida por mulheres. Vale ressaltar que no total de 31 Colônias de Pescadores em Pernambuco, apenas cinco 24 são presididas por mulheres, e se trata de avanços recentes porque quatro delas foram eleitas no século XXI. No que se refere à participação das mulheres nos movimentos sociais da pesca artesanal, (MANESCHY, ALENCAR e NASCIMENTO, 1995, p. 82) afirma que rever, questionar e criticar o padrão de relações de gênero e o papel secundário das atribuições femininas é, portanto, tocar em visões de mundo e em atitudes muito arraigadas. As autoras questionam a invisibilidade da pescadora na cadeia produtiva da pesca, considerando que elas geralmente aprenderam a arte de pescar com suas mães e, geralmente são elas quem transmite o conhecimento e a familiaridade com a atividade pesqueira as novas gerações, na medida em que necessitam levá-los muitas vezes as suas atividades laborais, na ausência de creches nestas comunidades. (MANESCHY, 1995, p. 86). A fragilidade social das mulheres profissionais desta cadeia produtiva tem influenciado nas decisões das pescadoras em se organizarem em movimentos sociais de resistência. O que representa uma mudança de paradigma em relação à imagem criada historicamente das pescadoras, que geralmente é compartilhada inclusive por elas mesmas, como ajudantes ou dependentes, atribuindo-lhes menor valor. Elas atuam em regime de economia familiar, realizando, na maioria das vezes, as atividades de tecer redes, beneficiar o pescado, catar mariscos, coletar e cultivar algas, pescar nos mangues e algumas vezes comercializar o produto nas praias. Pese a esta intensa participação laboral, este trabalho muitas vezes é caracterizado na condição de ajuda. Isto porque o conceito de gênero socialmente construído naturaliza a maternidade e o cuidado nas atividades de reprodução social, como ações inerentes as mulheres 25. Sobre o tema SORJ (2010:57), 24 Itapissuma, Ponta de Pedras, Atapuz, São José da Coroa Grande e Tamandaré. 25 Numa reunião em Itapissuma em 11 de março de 2009, foi solicitado a um grupo de aproximadamente 100 mulheres, que elas se apresentassem, elas se identificaram com o nome, o

11 afirma que as desigualdades e diferenças de gênero repousam sobre uma norma social que associa o feminino à domesticidade e que se expressa na divisão sexual do trabalho, atribuindo prioritariamente às mulheres a responsabilidade com os cuidados da família. Para a autora, cuidado é: (...) um termo usado para referir-se a um conjunto de atividades diversificadas envolvidas no cuidado dos outros e pode assumir a forma de trabalho não pago, dedicado aos membros da família, ou de trabalho pago feito para outros. Concretamente essas atividades incluem cuidar das crianças, idosos, doentes, deficientes, bem como realizar tarefas domésticas como limpar, arrumar, lavar, passar, cozinhar etc. (SORJ, 2010, p.58) Relacionado à sobrecarga nas mulheres de atribuições que envolvem as atividades de reprodução social, SUÁREZ e LIBARDONI, na pesquisa sobre O Impacto do Programa Bolsa Família: Mudanças e Continuidades na Condição Social das Mulheres, explicam que: O cumprimento das condicionalidades envolve principalmente as mulheres que recebem o benefício, em virtude da figura do marido ou companheiro estar ausente em muitos deles. Além disso, a presença do cônjuge, na maioria dos grupos domésticos, não influi muito quanto ao cumprimento das condicionalidades porque a postura da mãe pesa mais do que a do pai na tomada de decisões referentes à educação, saúde e tudo que tenha a ver com os filhos. Sozinhas ou acompanhadas, a feminilidade das mulheres entrevistadas se firma na maternagem, entendida como o desempenho do papel de cuidar de crianças, seja na qualidade de mãe, seja na de mãe substituta. (SUÁREZ e LIBARDONI, 2007, p.124 ). Neste contexto a teoria das representações sociais, nos instrumentaliza a compreender o lugar que é atribuído às mulheres na pesca artesanal. Moscovici afirma que todas as pessoas enxergam o que as convenções, a cultura, a memória social e histórica permitem ver, e que não estaremos nunca livres de todos os preconceitos. (MOSCOVICI, 2009, p.40) Pensar, refletir, debater sobre o lugar das mulheres como sujeitos sociais na pesca artesanal brasileira, nos conduz a reflexões teóricas que dialoga com a imagem socialmente construída e a possibilidade de discurso legitimado numa sociedade que cristaliza as desigualdades sociais. Moscovici afirma que: De modo geral, minhas observações provam que dar nome a uma pessoa ou coisa é precipitá-la (como uma solução química é precipitada) e que as características daí resultantes são tríplices: a) uma vez nomeada, a pessoa ou coisa pode ser descrita e adquire certas características, tendências etc.; b) a pessoa, ou coisa, torna-se distinta de outras pessoas ou objetos, através dessas características e tendências; c) a pessoa ou coisa torna-se o objeto de uma convenção entre os que adotam e partilham a mesma convenção (MOSCOVICI, 2009, p.67). Sobre o discurso e legitimidade, FOUCAULT destaca que: En toda sociedad la producción del discurso está a la vez controlada, seleccionada y redistribuida por cierto número de procedimientos, que tienen por función conjurar los poderes y peligros, dominar el acontecimiento aleatorio y esquivar su pesada y temible materialidad (1987:11). No diálogo com os autores acima citados, resgatamos a letra da música 26, que se constitui em palavra de ordem no cotidiano de luta do movimento social Articulação das Pescadoras de endereço de onde residiam e a quantidade de filhos e netos. Uma mulher se identificou com nome e endereço e complementou afirmando nunca haver tipo filhos. Não foi sugerido este tipo de informação na apresentação. 26 A letra da música cantada pelas pescadoras nos momentos de exaltação da luta das mulheres pelos direitos sociais inicia a partir de analogia a composição de: Benito Di PaulaMulher Brasileira. Agora chegou a vez, vou cantar Mulher brasileira em primeiro lugar

12 Pernambuco e que atribui à mulher um espaço de poder, geralmente invisibilizado nas relações de gênero e trabalho na pesca artesanal de Pernambuco: Agora chegou a vez de mostrar mulher pescadora também chega lá. Norte ao Sul do nosso país, estamos aqui, só porque Deus quis. Mulher pescadora tem valor, e os nossos direitos não é um favor. Para mudar a sociedade, do jeito que a gente quer Participando sem medo de ser mulher. Sem a mulher a pesca sai pela metade. Participando sem medo de ser mulher Buscamos junto direito de igualdade. Participando sem medo de ser mulher Pra preservar meio ambiente, do jeito que a gente quer. Participando sem medo de ser mulher Pra fazer a pesca boa, do jeito que a gente quer. Participando sem medo de ser mulher. Nesta música, cuja letra está adaptada, é relevante a concepção de que a pescadora conseguirá se projetar na sociedade, que elas têm valor e que a conquista dos direitos não é uma dádiva. O texto relaciona a mudança de acessibilidade das mulheres aos direitos sociais ao exercício da cidadania, à participação e à construção da igualdade de gênero. 3 - Considerações finais Apesar de algumas dificuldades em se trabalhar com entrevistas elaboradas a partir de perguntas abertas, a pesquisa possibilitou conhecer vários aspectos da vida das pescadoras do litoral pernambucano e os impactos que a transferência de renda do Programa Bolsa Família apresenta em suas vidas. Nas suas narrativas ficou evidenciada a condição de exclusão social deste grupo social, habitantes, muitas vezes, em localidades sem infraestrutura, com dificuldades na rentabilidade do trabalho da pesca. No entanto, ao ouvir as pescadoras sobre o recebimento do benefício, com condicionalidades, são evidenciados alguns traços de como o impacto do recebimento do benefício é marcante e importante para as comunidades e famílias das pescadoras beneficiárias, principalmente na alimentação, na vida escolar das crianças e na saúde de gestantes e recém-nascidos. As pescadoras insistiram que existe uma demanda por creches, o que é evidenciado na presença das crianças muitas vezes com as mães nas atividades laborais, nos turnos em que não estão na escola. Também foi sinalizado pelas pescadoras que não existe onde deixá-las com segurança e ainda foi apontada que muitas contam com o beneficio para pagar reforço escolar. No que se refere ao conjunto dos dados, percebemos que apesar das três diferentes sub-regiões do litoral ter características bem específicas, ou seja, maior incidência de atividade turística no sul, maior possibilidades de comercialização do pescado na região metropolitana e maior caráter de subsistência no norte, as famílias pescadoras apresentam problemas, demandas e um perfil bem semelhante quanto ao recebimento e usos do benefício, cujo valor médio de recebimento está situado ao redor de R$ 90,00 (noventa reais). De modo geral o benefício garante às famílias maior rendimento do que teriam numa intensificação, com as atuais condições, da extração e comercialização dos produtos da pesca, principalmente durante o inverno. Agora chegou a vez, vou cantar Mulher brasileira em primeiro lugar Norte a sul do meu Brasil Caminha sambando quem não viu Mulher de verdade, sim, senhor Mulher brasileira é feita de amor

13 No que se refere à alimentação um dos pontos mais importantes da pesquisa, foi evidenciado que a maioria das entrevistadas relatou sobre mudanças positivas na dieta alimentar, ao informar sobre as possibilidades de consumir maior variedade e quantidade de alimentos e a inclusão de outras formas de proteínas, além de vegetais, frutas e alguns alimentos industrializados. Quanto a rotina alimentar, as entrevistadas responderam que preparam as refeições frequentemente em casa e que a merenda escolar geralmente não substitui uma alimentação principal. No entanto, em algumas famílias a merenda possui um destaque diferente, muitas vezes substituindo o desjejum, almoço ou jantar. Assim destacamos o papel preponderante do benefício na compra de alimentos. No conjunto de ações relacionadas ao uso do recurso financeiro, havia também citações dispersas relacionadas a outros gastos, essencialmente, com transporte e deslocamento, tanto dos filhos, quanto das próprias pescadoras mesmo para ir receber o benefício no centro da cidade, além de material escolar, remédios, óculos. No caso do deslocamento percebemos o quanto o isolamento de algumas comunidades dificulta o acesso das famílias a melhores condições de aquisição de alimentos e gasto do benefício 27. Do mesmo modo, ter acesso a hospitais e realizar exames, representa custos de deslocamentos a ser realizado pelas famílias. Quanto à habitação, na sistematização dos dados do perfil das beneficiárias, a grande maioria das entrevistadas não paga aluguel, embora as condições de muitas moradias sejam bastante precárias e não tenham o acesso à água tratada e ao saneamento. No que diz respeito à família e ao lugar da mulher neste deslocamento de titularidade, elas afirmam, majoritariamente, que são as responsáveis pelo gasto do benefício e, que não se apresentaram conflitos em casa devido ao recebimento do mesmo. Também aplaudem a centralidade do pagamento nas mulheres, fundamentalmente pelo compromisso das mulheres com as necessidades domésticas e foram recorrentes as afirmações de que os homens gastam com bebidas. Sobre as relações familiares, 44 entrevistadas relataram que até houve melhoras gerais nos relacionamentos. Esta respostas são ratificadas no texto publicado por SUÁREZ e LIBARDONI ao afirmar que: Não é tão claro que em toda parte o Programa tenha favorecido a capacidade das mulheres de tomar decisões e de negociar seu status na estrutura hierarquizada por gênero do âmbito doméstico. A dificuldade radica em que, diferente do prestígio outorgado à maternagem, não existe na cultura portada por essas famílias a ideia de que mulheres devem ter liberdade de tomar decisões e, ainda menos, de alterar as posições na hierarquia de gênero. (SUÁREZ e LIBARDONI, 2007, p. 146). O que nos conduz a reflexões sobre as relações de gênero e opiniões sobre o Programa Bolsa Família, são muitas e controversas, no que diz respeito ao lugar da mulher a partir do deslocamento da sua situação de coadjuvante para a posição de titular do beneficio. Esta mudança vem a empoderar ou cristalizar ainda mais os papeis femininos que a resumem ao espaço socialmente construído e naturalizado de cuidadora da família? Sobre o tema, é relevante o posicionamento de SUÁREZ e LIBARDONI ao indicar que: Há fortes indícios de que o benefício vem gerando inquietudes e novas percepções sobre si mesmas nas mulheres, e, teoricamente, também nos homens, já que a mudança de um ator social necessariamente tem repercussões nos outros. Essa mudança na subjetividade individual, em si mesma, é já um grande ganho. (SUÁREZ e LIBARDONI, 2007, p. 147). Finalizamos com a síntese dos principais problemas apontados pelas entrevistadas em relação à questão do trabalho na pesca: 1 Baixa produtividade/remuneração do trabalho; 2 Dificuldades de 27 Por exemplo, na localidade Carne de Vaca ir e voltar para o centro de Goiana custa R$ 8,00 (oito reais), ou cerca de 10% do valor médio de recebimento do benefício.

14 manutenção das atividades da pesca durante todo o ano; 3 Precarização do trabalho e necessidades de outros trabalhos complementares ao da pesca; 4 demanda de formação profissional e aprendizagem; 6 Parcerias entre instituições públicas nas diferentes instancias Federal, Estadual, Municipal, na busca de soluções à problemática por elas apresentada. De modo geral, vale ressaltar que as entrevistadas referiram-se aos custos com os filhos como principais responsáveis pelo gasto do benefício. Referências ABRAMO, Laís. Reflexões sobre o lugar do Estado e das Políticas sociais para o desenvolvimento. In Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Sociais para o desenvolvimento: superar a pobreza e promover a inclusão. Brasília, DF: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; UNESCO, 2010, p ANANIAS, Patrus. Sobre o dever de mudar a realidade: o papel do Estado na promoção de políticas sociais em um modelo de desenvolvimento integral. In Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Políticas sociais para o desenvolvimento: superar a pobreza e promover a inclusão. Brasília, DF: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; UNESCO, 2010, p ANNAND, Harjit Singh. Capital Social como uma alavanca para acelerar o crescimento econômico durante o colapso econômico. In Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Políticas sociais para o desenvolvimento: superar a pobreza e promover a inclusão. Brasília, DF: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; UNESCO, 2010, p CALDEIRA, Bárbara Maria Santos. A Dimensão do Enfoque de Gênero no Programa Bolsa Família: ranços e avanços na promoção do empoderamento das mulheres nos municípios baianos. In: BRASIL, Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. Programa Mulher e Ciência. 3ª Edição3 Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero, Brasília DF, 2008, p CASTRO, Josué. Geografia da fome (o dilema brasileiro: pão ou aço). 10a Ed. Rio de Janeiro: Antares Achiamé, Homens e Caranguejos. 3ª Edição, Reio de Janeiro, Civilização Brasileira, CRUZ, Luciana Ramirez da. Considerações acerca do programa bolsa família: um olhar sobre as mulheres. Seminário Fazendo Gênero 9: Diásporas, Diversidades, Deslocamentos, Disponível em: df. Acesso em: 08/06/2011. CUNHA, Rosani. Transferência de renda com condicionalidade: a experiência do Bolsa Família. In Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Concepção e gestão da proteção social não contributiva no Brasil. Brasília: MDS; UNESCO, 2009, p FOUCAULT, Michel. El orden del discurso. 3ª Edição. Barcelona: Tusquets, GALVÃO, Roberto Carlos Simões. Bolsa Família, Educação e Cidadania. Revista Eletrônica de Educação. Ano II, No. 03, ago./dez Disponível em: Acesso em: 08/06/2011. HEILBORND, Maria Luiza e SORJ, Bila. Estudos de G~enero no Brasil. In O que ler nas Ciências Sociais ( ) Sergio Miceli (org.). 2ª ed. São Paulo: Editora Sumaré: ANPOCS; Brasília, DF: CAPES, KLEIN, Carin. Mulher e família no Programa Bolsa-Escola: maternidades veiculadas e instituídas pelos anúncios televisivos. Cad. Pagu, Campinas, n. 29, dez Disponível em Acesso em 08/06/ LEITAO, Mª do Rosário de Fátima Andrade, LEITÃO, Ivan Pereira e GOMES, Cícera Mª dos Santos. Produção Do Conhecimento e Transferência de Renda: Um Levantamento Bibliográfico da Produção Acadêmica Sobre O Programa Bolsa Família. Recife, EDUFRPE, LUCAS, Luciane and HOFF, Tânia. Formas sutis de dominação hierarquizada: corpo e feminização da pobreza. Ex aequo. [online]. 2008, no.17 [cited 08 June 2011], p Disponível em begin_of_the_skype_highlighting end_of_the_skype_highlighting &lng=en&nrm=iso. Acesso em 15/06/2011. MAGALHÃES, Edgar Pontes de. Combatendo a Pobreza e enfrentando as vulnerabilidades: desafios para a articulação entre o Programa Bolsa Família e a Proteção Social Básica. In Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Concepçãoe gestão da proteção social não contributivano Brasil. Brasília: MDS; UNESCO, 2009, p

15 MANESCHY, Maria Cristina; ALENCAR, Edna e NASCIMENTO, Ivete Herculano. Pescadoras em busca de cidadania. In A MULHER EXISTE? Uma contribuição ao estudo da mulher e gênero na Amazônia/ organizado por Maria Luzia Miranda Álvares, Maria ÂngelaD Incao. Belém, GEPEM, 1995, p MANESCK, M.C.; MIRANDA ÁLVARES, M. L. Mulheres na pesca: trabalho e lutas por reconhecimento em diferentes contextos. Disponível em: Acesso em: 27/04/ MOSCOVICI, S. Representações sociais: investigações em psicologia social. Petrópolis, RJ: Vozes, MELO, Raul da Mota Silveira; DUARTE, Gisléia Benin. Impacto do Programa Bolsa Família sobre a frequência escolar: o caso da agricultura familiar no Nordeste do Brasil.Rev. Econ. Sociol. Rural, Brasília, v. 48, n. 3, Sept Disponível em: em 08/06/ MENEZES, Francisco. Pobreza e Desigualdade: Avanços e Desafios. In Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Políticas sociais para o desenvolvimento: superar a pobreza e promover a inclusão. Brasília, DF: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; UNESCO, 2010, p OLIVEIRA, B. A; VERARDO, L. Economia Solidária e desenvolvimento. In: FBES (org). Rumo à IV Plenária Nacional de Economia Solidária: Caderno de aprofundamento aos debates, Disponível em Acesso em 09/12/2011. PAES-SOUSA, Rômulo. Desafios das Políticas e programas de desenvolvimento social. In Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Concepção e gestão da proteção social não contributiva no Brasil. Brasília: MDS; UNESCO, 2009, p SAFFIOTI, Heleieth I. B. Gênero, patriarcado, violência. 1ºed. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, SAMPAIO, Arlete. As políticas de desenvolvimento social no Brasil. In Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Políticas sociais para o desenvolvimento: superar a pobreza e promover a inclusão. Brasília, DF: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; UNESCO, 2010, p SILVA, Anderson Paulino da, BRANDÃO, André e DALT, Salete. Educação e Pobreza: O impacto das condicionalidades do PBF. Rio de Janeiro, v. 4, n. 8. agosto/dezembro 2009, p Disponível em Acesso em 08/06/2011. SILVA, José Graziano da.segurança Alimentar: uma construção comunitária. In Fome zero- textos fundamentais/ Frei Beto (org). Rio de Janeiro: Garamond, 2004, p SORJ, Bila. Os cuidados coma família e as desigualdades de gênero e de classe. In Divisão sexual do trabalho, Estado e Crise do Capitalismo. Albertina Costa; Maria Betânia ávila; Vera Soares e Verônica Ferreira (Organizadoras) Recife: SOS CORPO Instituto Feminista para Democracia, 2010, p Suárez, M.; Libardoni, M. O Impacto do Programa Bolsa Família: Mudanças e Continuidades na Condição Social das Mulheres. In VAITSMAN, Jeni (Org.); PAES-SOUSA, Rômulo (Org.). Avaliação de políticas e programas do MDS: resultados: bolsa família e assistência social. Brasília, DF: MDS; SAGI, v p. pp VIEIRA, Ana. Sistemas de informação e de gestão do Programa Bolsa Família e do Cadastro Único de Programas Sociais do Governo Federal. In Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Concepção e gestão da proteção social não contributiva no Brasil. Brasília: MDS; UNESCO, 2009, p

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