A VOZ EM MUSICOTERAPIA - A EDUCAÇÃO VOCAL NA TERCEIRA IDADE E O PROCESSO ENSINO (TERAPIA) APRENDIZAGEM POR: DEILA MARIA FERREIRA SCHARRA

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1 CONSERVATÓRIO BRASILEIRO DE MÚSICA CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MUSICOTERAPIA A VOZ EM MUSICOTERAPIA - A EDUCAÇÃO VOCAL NA TERCEIRA IDADE E O PROCESSO ENSINO (TERAPIA) APRENDIZAGEM POR: DEILA MARIA FERREIRA SCHARRA Monografia apresentada ao Curso de Especialização em Musicoterapia RIO DE JANEIRO, MAIO DE 2002

2 2 RESUMO Este trabalho pretende estudar as relações entre a aprendizagem de canto na terceira idade e o processo musicoterápico que pode envolver tal aprendizagem. Focalizam-se aspectos anatômicos e funcionais do aparelho fonador, qualidades da voz, distúrbios que aparecem com freqüência nessa faixa etária, o uso do microfone modificando o comportamento do aluno, e aspectos emocionais e problemas psíquicos que podem afetar a voz, bem como a importância de eles serem trabalhados em Musicoterapia. Comparam-se técnicas vocais aplicadas ao ensino de canto com técnicas musicoterápicas que utilizam a voz durante o tratamento, e estabelecem-se diferenças e semelhanças entre a educação vocal e a terapia quanto à utilização da voz. A experiência realizada com um aluno/paciente ilustra a inter-relação ensino/terapia, em que a aprendizagem de canto surge como elemento auxiliar na reabilitação do idoso. Acreditamos pois que através da educação vocal na terceira idade integrada à Musicoterapia poderemos encontrar uma possível abordagem musicoterápica que abra novos caminhos para maior eficácia do procedimento terapêutico.

3 3 1. INTRODUÇÃO O homem utiliza a voz como forma de expressar seus pensamentos, e desde o nascimento quando o bebê chora, a voz vem associada à emoção. Os estados da alma são revelados pela voz antes mesmo que a palavra o faça. A voz ocupa portanto lugar de importância desde a vida intra uterina, quando para o feto a voz materna representa proteção contra o mundo externo. Esta importância cresce à proporção que o homem evolui e a palavra se associa à voz que fala, expressando os primeiros desencontros entre o conteúdo e o discurso, criando enigmas, gerando conflitos que podem vir a exigir a ajuda do terapeuta. É quando o tom da voz nem sempre corresponde à palavra que é falada. A voz é portanto a primeira forma de comunicação do ser humano com o mundo e se manifesta através do choro e do grito. À medida que o indivíduo vai se desenvolvendo, a sua função vocal também sofre modificações que estão intimamente ligadas ao seu desenvolvimento físico e à sua emotividade. As entonações vocais são reveladoras de estados da alma e do corpo, e quando este corpo envelhece ocorrem alterações no processo vocal, caracterizando o envelhecimento da voz. Atualmente alguns idosos buscam a sua reabilitação através das aulas de canto, com o objetivo de manter o uso adequado da voz falada e cantada. Suas argumentações para explicar tal procura são extremamente variadas, e vão desde a realização de um desejo de infância até o preenchimento do vazio de suas vidas, processo este de ocorrência comum nesta faixa etária. Assim sendo, a terceira idade constitui hoje um novo desafio para o educador pois a sua proposta é a de recuperar o tempo perdido, e concomitantemente tornar prazerosa uma nova atividade em suas vidas. Quando o idoso traz consigo o desejo de aprender canto, ele está também trazendo suas frustrações, seus conflitos, suas esperanças, e é nesse momento que o educador percebe que a relação professor-aluno pode ir além de um processo de aprendizagem cujo objetivo é adquirir conhecimentos. E quando o professor é também um terapeuta, ele passa a encarar um novo objetivo nessa relação que é a manutenção da saúde física e mental do seu aluno. E se ele é também um musicoterapeuta, certamente estará apto a promover melhor qualidade de vida para o seu aluno através de técnicas musicoterápicas que utilizam a voz. Inicia-se então uma nova etapa de trabalho em que o processo ensino (terapia) aprendizagem surge como um elemento terapêutico que busca a saúde do paciente e sua manutenção. Se atentarmos para a atuação do musicoterapeuta e a resposta do paciente, nos depararemos com um típico processo de aprendizagem em que os comportamentos são adquiridos ou modificados e novas habilidades passam a fazer parte da vida deste paciente.

4 4 No presente trabalho procuramos observar as alterações da voz que acompanham os diferentes comportamentos humanos, as influências do meio na recuperação dos pacientes e a influência da educação vocal (aprendizagem de canto), como elemento reforçador na modificação do comportamento destes pacientes. A importância da voz como um dos elementos mais representativos da emoção no ser humano, nos conduziu à pesquisa de procedimentos musicoterápicos para seus distúrbios. A terapia preventiva a ser adotada através da educação vocal é uma prática que merece atenção especial uma vez que na pedagogia da voz utilizar-se-ão métodos preconizados pelas práticas musicoterápicas. Há atualmente uma tendência para compreender as relações homem/meio e o processo saúde/doença, substituindo-se o eixo distúrbio/tratamento para o de saúde/prevenção. Acreditamos que o musicoterapeuta e o educador vocal devem compartilhar uma proposta de saúde vocal aberta, com a interseção entre as áreas da educação e da saúde, que enfatizam a promoção da saúde e a proteção específica da voz através de ações de caráter preventivo/educativo. 2. DESENVOLVIMENTO 2.1. DA FUNÇÃO VOCAL A função vocal, segundo DINVILLE (1993), é uma atividade muscular constituída pela interação entre os órgãos vocais e respiratórios. A fonação ou ato de fonar é a produção da voz,ou seja, a produção de som através do aparelho fonador. VALLE (1996), nos fala que o som vocal é composto de ondas sonoras constituídas de partículas do ar em movimento. Este ar que é responsável pela produção da voz sai dos pulmões, passa pela traquéia e ao chegar à laringe transforma-se em voz ao sofrer a ação mecânica das pregas vocais. MELLO (l995), nos diz que as cordas vocais vibram provocando compressões e expansões das moléculas de ar na expiração, formando ondas sonoras. Os sons vocais nascem na glote através de um som fundamental, rico em harmônicos. BEHLAU e PONTES (1999), destacam a formação de um som básico na laringe chamado buzz laríngeo que dará origem à voz a ser produzida pelo trato vocal. A produção da voz exige a passagem do ar pelas pregas vocais. Esta fonação ao nível da laringe é de baixa intensidade e ao

5 5 passar pelo trato vocal, modifica-se através de um processo chamado de ressonância, e chega ao meio ambiente amplificado. Para FERREIRA (2000), a voz é o som produzido pelo homem que o identifica quanto a sua idade, sexo, tipo físico, raça, procedência, nível sócio-cultural, características de personalidade e estado emocional. BEUTTENMÜLLER e LAPORT (1992), consideram a voz como um conjunto de sons produzidos pelo funcionamento do aparelho de fonação. A linguagem do corpo e da voz seria resultante de funções motoras e sensitivas comandadas pelo cérebro ASPECTOS ANATÔMICOS DO APARELHO FONADOR O aparelho fonador compõe-se de: aparelho respiratório (pulmões, caixa torácica com seus músculos e diafragma); órgão vocal vibrante (laringe, glote, cordas vocais e ventrículos); sistema de ressonância (cavidades supraglóticas e subglóticas); articuladores (lábios, língua, dentes, palato duro e palato mole); e sistema nervoso central, (BEUTTENMÜLLER e LAPORT, 1992). Segundo VALLE (1996), elementos dos sistemas digestivo, respiratório e nervoso participam da fonação. Do sistema digestivo temos os órgãos fonoarticulatórios (OFA), que participam também da ressonância vocal. São eles: lábios, arcadas dentárias, bochechas, palato, língua e faringe. Como componentes do sistema respiratório, sistema este imprescindível na produção do som temos : cavidades nasais, seios paranasais, faringe, laringe e pulmões. De grande importância na respiração temos os músculos responsáveis pela inspiração e expiração, e também o diafragma que é considerado o principal músculo da respiração. Finalmente cita o sistema nervoso que é o grande responsável pelo controle de todas as funções orgânicas. Ao estudar o músculo diafragma, SOUCHARD (1989), afirma que este músculo tem funcionamento essencial à vida, com função inspiratória cujo comando é automático e voluntário. É automático e inconsciente no ato respiratório e é voluntário na fonação. É o único músculo verdadeiramente respiratório. É um músculo ímpar e assimétrico que separa o tórax do abdome. De grande importância no ato da fonação citamos a laringe. Este órgão segundo GARDNER et al.(1975), liga a parte inferior da faringe à traquéia e tem as seguintes funções: proteger as passagens aéreas durante a deglutição, manter a permeabilidade das vias aéreas e permitir a vocalização. É constituída de várias cartilagens articuladas entre si através de ligamentos, membranas e músculos. Estes últimos atuam como elevadores ou abaixadores da laringe, na função de constrição e na adução e abdução das pregas vocais, daí seu papel predominante na

6 6 produção da voz. É muito vascularizada e sua inervação é rica e de grande relevância na função vocal. O papel da laringe no canto e na palavra falada é enfatizado por DINVILLE (1993), que a classifica como um órgão móvel que executa movimentos de elevação ou abaixamento de acordo com as flutuações da linha melódica. Estes movimentos são realizados através da movimentação da língua, da mandíbula, da pressão expiratória e das modificações no volume das cavidades de ressonância. As cavidades de ressonância estão situadas anteriormente à coluna cervical. São compostas pelo baixo ou oro-faringe, limitadas inferiormente pelas pregas vocais, anteriormente pela epiglote e a base da língua e posteriormente pela parede anterior da coluna vertebral. Lateralmente situam-se os pilares que se prolongam superiormente pelo véu palatino. A rinofaringe ou cavum situa-se acima e atrás das fossas nasais. Ao mencionar a mobilidade da laringe, este autor explica que tal mobilidade garante o mecanismo normal das pregas vocais. No caso de posições laríngeas anti-fisiológicas há alteração na vibração de tais pregas dificultando a emissão vocal havendo a modificação no timbre da voz. As pregas vocais, em número de duas, são pregas musculares localizadas horizontalmente e estão inseridas nas cartilagens da laringe. Suas dimensões variam com o sexo, a idade e permitem identificar a categoria da voz, ou seja, se é uma voz masculina ou feminina. Executam movimentos de aproximação (adução) ou afastamento (abdução) que correspondem à altura tonal (sons graves ou agudos). Entram em vibração comandados pelo cérebro e são controladas pelo centro da audição. BEHLAU et al. (2001)¹, descrevem a estrutura anatômica das pregas vocais como duas dobras de músculo e mucosa que se estendem horizontalmente na laringe. Para a função fonatória, a estrutura multilaminada de tais pregas, constituída por camadas com diferentes propriedades mecânicas é extremamente importante. De um modo geral pode-se dizer que a prega vocal é formada por mucosa e músculo ASPECTOS FISIOLÓGICOS DO APARELHO FONADOR Ao falar sobre a produção do som ou fonação, VALLE (1996), cita a ação de elementos do sistema respiratório, do sistema digestivo e do sistema nervoso. No sistema digestivo assinala os órgãos fono-articulatórios (OFA) que participam da ressonância vocal. Estes órgãos desenvolvem funções comuns: mastigação, sucção, deglutição, e articulação dos sons falados. Tais funções têm a participação da mandíbula (do grego gnatos ), daí a denominação de sistema estomatognático.

7 7 Para a função de ressonância da voz, o palato e a faringe ganham destaque como ressonadores de grande importância, acrescidos dos outros ressonadores: cavidade nasal e seios paranasais. A ressonância vocal permite que a voz se projete no ambiente. No tocante à função respiratória, este mesmo autor considera a respiração que ocorre por via nasal como a mais adequada para o fornecimento do ar necessário à realização do som laríngeo e sua ressonância. Cita como elementos envolvidos na fonação: a cavidade nasal, os seios paranasais, a faringe, a laringe e os pulmões. Assinala também a importância dos músculos envolvidos na respiração (diafragma, músculos inspiratórios acessórios e músculos expiratórios acessórios). O controle voluntário do diafragma pode ser desenvolvido e aprimorado pelos cantores pois é a forma de controlar o fluxo aéreo que chega à região glótica para produzir o som vocal. Por outro lado, a utilização dos músculos inspiratórios acessórios na ausência de grandes atividades físicas é conhecida como respiração superior ou clavicular; e a utilização da musculatura expiratória acessória auxilia no fluxo de ar expirado (sopro) que produz a voz. Ainda influenciando a qualidade da voz encontramos também a musculatura do palato mole, língua e músculos extrínsecos da laringe. BEHLAU e PONTES (1999), nos explicam o papel das pregas vocais durante o processo da respiração. Eles nos dizem que para permitir a entrada e saída livres do ar, as pregas vocais ficam afastadas entre si. Desse modo há a entrada de oxigênio e a saída de gás carbônico de nossos pulmões. Na produção da voz, contudo, as pregas vocais devem se aproximar e vibrar. Quanto mais agudo for o som, mais rápida será a vibração. Durante a fala a respiração será buconasal, isto é, o ar penetra pela boca na fala encadeada e nas pausas usamos a via nasal; na respiração silenciosa o ar entra pelo nariz, sofrendo um processo de filtração, aquecimento e umidificação antes de atingir os pulmões. Quanto à atuação da laringe na produção vocal ou seja, na função fonatória, consultamos BEHLAU et al. (2001)¹, que nos afirmam que a fonação é uma função neurofisiológica inata, porém a voz vai se formando ao longo da vida segundo as características anatomo-funcionais do indivíduo e os aspectos emocionais de sua história pessoal. A laringe produz a fonação e o trato vocal produz a voz. A voz é o som proveniente das pregas vocais, modificado pelas cavidades de ressonância. Para a sua produção atuam diversos órgãos do corpo humano, constituindo assim o aparelho fonador. Tal aparelho não existe como unidade anatômica, porém deve se comportar como unidade funcional. Estes autores nos falam das várias teorias para explicar a produção da voz, porém a mais aceita mundialmente é a teoria mioelástica-aerodinâmica que combina a elasticidade dos músculos da laringe e as forças físicas aerodinâmicas da respiração na produção do som.

8 8 Finalmente lembramos que todos os processos que se manifestam para produzir a voz, são comandados pelo sistema nervoso, dependendo totalmente do mesmo. VALLE (1996), nos fala que a fonação sofre influência direta do sistema nervoso autônomo, principalmente por meio das modificações respiratórias; e indiretamente através das relações do mesmo com o sistema somático. As fibras do sistema nervoso autônomo simpático e parasimpático constituem os plexos viscerais entre os quais estão os troncos vagais. A laringe, por exemplo, é inervada por ramos do nervo vago (X par craniano), respectivamente o nervo laríngeo superior ( nervo misto) e o nervo laríngeo recorrente (nervo motor). O nervo trigêmeo (V par craniano), é importante para o timbre da voz; o nervo facial (VII par craniano) atua sobremaneira na articulação dos sons falados; o glossofaríngeo (IX par craniano) atua na qualidade do som da voz (altura e ressonância); e o nervo hipoglosso (XII par craniano), interfere também na voz por sua relação com a laringe. Podemos pois concluir quão complexos são os aspectos neurológicos da produção vocal que englobam a conexão da musculatura laríngea com áreas cerebrais tais como o córtex cerebral que é responsável pela fonação DA VOZ PROPRIAMENTE DITA DA VOZ COMO SISTEMA DE COMUNICAÇÃO HUMANA A voz faz parte do sistema de comunicação humana desde o nascimento, quando o bebê anuncia a sua chegada e estabelece então o primeiro contato com seus semelhantes. Segundo MELLO (1995), os sons vocais desde sempre serviram para manifestar os estados psíquicos e o pensamento, por mais primitivo e nebuloso que fosse. A primeira manifestação vocal é o choro que está ligado ao fenômeno respiratório. A fase do choro é a chamada fase de emissão pura sendo seguida pela fase de expressão ou manifestação de conhecimentos emotivos, quando o bebê apresenta um comportamento reacional a diversos estímulos. Inicialmente, ao chorar, a criança se assusta com a própria voz. Depois passa a brincar com os ruídos que sua língua e seus lábios produzem (fase de balbucio), passando então à fase imitativa, e é assim que ela aprende o sentido da dor e da alegria. É quando a voz toma tonalidades e coloridos conforme o estímulo ao qual reage.

9 9 BEHLAU e PONTES (1999), nos dizem que a voz faz parte de toda a nossa existência, desde o nascimento representada pelo choro, e até à morte quando damos último suspiro. Durante a nossa vida a voz está presente em todos os momentos mais decisivos, e vai se modificando de acordo com a idade, a saúde, a história pessoal de vida, as condições ambientais, situação e contexto de comunicação. ABERASTURY e TOLEDO (1955), falam que a imitação dos sons nos bebês conduz à linguagem. A produção de um som vem associada a um desejo e a palavra surge com a função de expressar esse desejo. Ela começa por sons separados e a música começa pela repetição dos sons; ambos seguem juntos constituindo o canto e a linguagem. A palavra tem dupla finalidade: significado e som. Pode ocorrer a valorização da palavra como som, em detrimento do seu significado, surgindo a voz como objeto. VALLE (1996), afirma que a qualidade vocal e as entonações da voz, revelam estados da alma e do corpo. A voz coexiste com a linguagem, a fala e o pensamento, tornando possível a transmissão da palavra falada. O controle da voz depende direta ou indiretamente da percepção e atenção dadas às sensações corporais, da audição e do universo psíquico de cada indivíduo. O acesso ao psiquismo, por meio da linguagem, pode resultar em mudanças nas atitudes do indivíduo que são orientadas pela mudança em seu discurso interior. A fonação é importante na vida social do homem, quando através da voz da fala, ele ocupa seu lugar no mundo humano ( social ). A voz e o viver interdependem-se A ORIGEM DA VOZ Ao falar sobre a origem da voz, PELLIZZARI (1993), nos diz que o espelhismo produz uma fascinação, produto da ressonância imaginária. Cita o que ANZIEU (1989) chamou de banho de sons, estímulos sonoros que o bebê recebe nos primeiros meses e que o preparam à posterior etapa do espelho sonoro. Forma-se uma envoltura sonora na experiência do banho de sons concomitantemente à lactância. A voz da mãe, é o primeiro espelho sonoro para o bebê que se exprime por meio de gritos que conduzirão à posterior articulação de fonemas. O espaço sonoro é o primeiro espaço psíquico, e a voz é considerada como sucessora do leite materno, atuando como elo de relação e comunicação. Além da voz materna, vozes de outras pessoas introduzem o bebê em novas relações.

10 DA VOZ MATERNA E A SUA IMPORTÂNCIA PARA O BEBÊ PELLIZZARI (1994) nos diz que a voz materna dá ao bebê o sentido de todas as suas percepções, dependendo dela o prazer ou o desprazer. A voz é a via inaugural da palavra, é a fundação estrutural do tempo como ritmo. Do mesmo modo que o campo biológico dá sustentação à palavra, o corpo se sustenta nela, e a diferença entre ambos é dada pela voz. A voz desaparece para que surja a palavra, e sem voz não há palavra. Por isso, na clínica musicoterapêutica, sobretudo nas neuroses, a voz é um conceito quase misterioso, confundindo-se com a palavra. ABERASTURY e TOLEDO(1955) observam que com o nascimento inicia-se uma relação que se baseia em um tipo de percepção em que há conexão do bebê com a mãe através da voz. Os lactentes reconhecem a voz materna, e esta experiência é total, única e precoce. As canções cantadas pela mãe são de grande influência nos primeiros meses de vida do bebê. Os autores comparam a voz materna ao leite que traz efeito físico agradável. CHAGAS (1990) compara o som da voz da mãe com o leite que preenche, alimenta e aconchega. A cantiga de ninar cantada pela mãe, por sua vez, proporciona o aconchego necessário para a entrega ao mundo dos sonhos e ao contato íntimo com os conteúdos inconscientes DA VOZ E A EVOLUÇÃO MUSICAL NOS VÁRIOS ESTÁGIOS DA VIDA DO SER HUMANO As últimas investigações sobre a vida intra-uterina revelam que desde o 5º mês de gestação, o feto é sensível ao estímulo sonoro musical e que desde então seria capaz de emitir sons ( ABERASTURY e TOLEDO,1955). BARCELLOS (1977), compara a evolução musical de cada homem ( ontogênese ) à evolução musical do homem através dos tempos ( filogênese ). Assim, na fase intra-uterina teríamos a percepção de sons e ritmos rudimentares; no choro, ao nascer surgiria a organização de sons guturais; um intervalo de terça menor surgiria no balbucio e depois a formação da melodia simples, cantada. A música atua no homem provocando efeitos fisiológicos e psicológicos. Segundo BRUSCIA (1991), na fase fetal os sons são percebidos como vibrações, e a mais forte delas é a cardíaca (de seu próprio coração), aliada ao batimento cardíaco da mãe; a segunda vibração viria através do cordão umbilical; os sons externos ao feto viriam através do líquido amniótico, originário do corpo da mãe (voz e órgãos internos), de seus próprios movimentos e os de seu ambiente. Os sons agudos e graves são distinguidos pelo feto como vibrações lentas ou

11 11 rápidas. Elementos musicais já se observam nesta etapa da vida do ser vivo: pulso (ritmo) e altura. O fraseado pode ser comparado à duração das contrações, respiração e gritos e a voz do feto, por sua vez, soará no ato do nascimento e será a sua primeira expressão musical. Este autor descreve as várias etapas pelas quais passa a evolução musical do ser humano. São elas: durante os primeiros 6 meses de vida, os sons vocais do bebê são constituídos de gritos, arrulhos e sons orais, visando expressar as suas necessidades básicas, sentir prazer, evitar a dor e ter a companhia de outras pessoas; de 6 a 24 meses de idade, o bebê utiliza os reflexos vocais para que soem como jogo vocal. O balbucio aparece na fala e na música e a expressão vocal é curta e repetitiva. A criança escuta a própria voz e se sente fascinada; de 2 a 7 anos de idade, a criança utiliza a palavra para expressar seus sentimentos, e já começa a utilizar a fala cantada. Ao cantar canções já existentes, ela associa um meio de prazer e uma forma de expressão. As habilidades tonais vão se desenvolvendo; de 7 a 12 anos de idade, a criança está pronta para estudar música, e a voz será usada na participação de programas escolares em corais; de 12 a 18 anos, o adolescente deseja se ver livre de regras e princípios pré-estabelecidos, utilizando a música como ponto de partida; acima dos 18 anos ocorre a definição do papel da música na vida do indivíduo. Assim, manifestam-se as principais necessidades musicais ( apreciação estética, recreação, prazer e suporte psicológico ). Em relação à voz, recomendam-se lições de canto que tenham na música a sua própria finalidade; a meia-idade é a época da crise existencial,em que as atividades musicais são algo para fazer tendo a função de entretenimento ou hobby ; Lembramos que vem aumentando ultimamente a procura de aulas de canto por pessoas acima dos 60 anos de idade, bem como sua participação em grupos vocais e corais. A atividade musical, exercida através da voz é fonte de prazer para estas pessoas que desse modo vencem a solidão, o isolamento, encontrando novo significado para as suas vidas DA VOZ ( MELODIA ) E DO MOVIMENTO ( RITMO ) FRANCO (1992) assinala que ao nascer, o feto vive pela primeira vez a individuação que representa um trauma, pois faltará a proteção do útero materno. Ao usar a voz para expressar ao

12 12 mundo os seus sentimentos, o bebê se movimentará. É quando poderemos associar a voz à melodia e o movimento ao ritmo. A musicoterapia vai se utilizar desse primeiro momento de vida expressiva, portanto de comunicação, intervindo sobre a vocalidade. ABERASTURY e TOLEDO (1955), associam a análise da voz e do corpo, pois ambos são a mesma coisa, isto é, a forma rítmica que contem o mais essencial do indivíduo. Para CHAGAS (1990), o ritmo é a manifestação básica da vida, e no homem, desde a vida fetal o ritmo está presente nos batimentos cardíacos, nos sons viscerais da mãe e no pulsar da placenta. Após o nascimento outras atividades vão também exigir o ritmo, sendo este o primeiro elemento musical com o qual entramos em contato. Ao lado do ritmo está o som vocal que surge no bebê com o grito, choro, balbucio e abre novo campo de expressão, ou seja, a emissão vocal DAS QUALIDADES DA VOZ CANTADA BEHLAU et al.(2001)², definem a qualidade da voz como o conjunto de características que identificam uma voz. A qualidade vocal refere-se à impressão total criada por uma voz e pode variar com a fala, as condições físicas e psicológicas do indivíduo. As principais dimensões a serem avaliadas na voz são: a biológica, a psicológica e a socio-educacional. Na dimensão biológica, observamos as características anatômicas e fisiológicas do indivíduo tais como sexo, idade, estado de saúde geral e estrutura dos órgãos componentes do aparelho fonador. As características da personalidade e o estado emocional no momento da emissão são analisados na dimensão psicológica. Finalmente os valores culturais e sua incorporação aos membros de uma comunidade são avaliados na dimensão socio-educacional. São os sotaques, regionalismos, modelos vocais profissionais etc. que identificam os grupos de indivíduos. DINVILLE (1993), nos fala que a voz cantada é capaz de suscitar um conjunto de sensações e emoções para os ouvintes. Ela é possuidora de qualidades que podem influenciar os estados de ânimo coletivo graças à interpretação do cantor e à expressão e à emoção que ele transmite através da voz. A voz e a personalidade são inseparáveis,do mesmo modo que o corpo e a voz guardam íntima relação entre si, traduzindo o ser humano na sua totalidade. Entre as qualidades da voz temos: altura, intensidade, timbre, homogeneidade, afinação, vibrato e alcance da voz. É através do controle auditivo que o cantor pode modificar a qualidade da sua voz, associada à técnica vocal adequada. Assim temos que:

13 13 a altura pode ser mudada de acordo com a tonicidade da musculatura abdominal e a mudança no volume das cavidades supra-laríngeas, de tal modo que o fechamento da glote e a vibração das pregas vocais também sofrerão alterações que afetarão a altura da voz; a intensidade está diretamente ligada à pressão sub-glótica e à sustentação abdominal, havendo aumento da intensidade de acordo com a altura; o timbre depende dos fenômenos acústicos ligados às modificações que ocorrem no volume e tonicidade das cavidades supra-laríngeas, lábios e bochechas. Quanto melhor é o uso dos ressonadores, melhor será seu colorido, amplitude brilho e espessura, que estão em correlação com a tonicidade das pregas vocais; a homogeneidade depende da harmonização dos órgãos indispensáveis à fonação, estando diretamente ligada à distribuição das zonas de ressonância e da fusão das diferentes sonoridades vocais; a afinação depende da coaptação adequada das pregas vocais, da acomodação das cavidades de ressonância e da pressão e tonicidade uniformes e bem distribuídas. Está diretamente ligada ao controle auditivo. O excesso de pressão de ar expirado ou mesmo a não sustentação do sopro pela hipotonia muscular pode levar à desafinação; o vibrato confere à voz riqueza, leveza e emoção, caracterizando-se pelas modulações de freqüência que ocorrem acompanhadas de variações na intensidade e altura que influenciarão o timbre. Para a realização do vibrato o cantor deve dominar a técnica vocal, fazendo a junção faringo-laríngea e controlando o mecanismo de contração dos músculos respiratórios e laríngeos; o alcance vocal refere-se à tonicidade generalizada de todo o corpo e está ligado à energia gasta na emissão vocal. Depende da técnica apurada e do domínio da voz, que permitirão o controle das sensações musculares, ou seja, das sensações internas. Muitos cantores confundem-se pensando que o alcance será tanto maior, quanto maior for a intensidade da voz. Assim contraem a laringe, as pregas vocais e as cavidades de ressonância passando a exercer um esforço exagerado, prejudicando a boa emissão da voz. A busca de uma equilibrada distribuição do trabalho muscular levará à homogeneidade da voz e à beleza acústica da mesma. BEUTTENMÜLLER e LAPORT (1992), citam como qualidades da voz a intensidade, a força, a potência e a resistência. A respiração correta é indicada para a realização dos movimentos corporais e da sonoridade vocal adequados às circunstâncias. Ao falar sobre a emissão da voz, dão especial atenção à sua amplificação e ressonância. Esta última confere o timbre à voz, sendo este

14 14 considerado como a qualidade mais importante pois distingue as vozes belas das desagradáveis, as vozes calmas das nervosas e é revelador do caráter do indivíduo. Quanto à amplificação, estes autores estabelecem uma analogia entre as dimensões do corpo humano, em seu volume e altura, com as dimensões sonoras. O corpo inteiro deve ser utilizado no processo de emissão sonora, e com a boa técnica, a voz projeta-se como alto-falante natural sobre o ambiente. Por tal motivo, torna-se necessário exercitar a emissão dos sons por meio da percepção em várias partes do corpo DA EDUCAÇÃO VOCAL: TÉCNICAS VOCAIS PARA O ENSINO DE CANTO Na opinião de ESCUDERO (1982), a educação vocal é indicada para pessoas que desejam corrigir, manter, cuidar, desenvolver, ampliar e impostar a voz. Assim, recomenda exercícios de respiração, relaxamento muscular, vocalização, entonação, ritmo e entoação de canções simples que podem levar à realização de um trabalho de impostação da voz. BEZZI (1983), afirma que a técnica vocal aprimorada é necessária para o bom cantor, não só para a proteção e conservação do órgão vocal como também para dar ao aluno através de exercícios adequados a resistência necessária e a possibilidade de cantar sem esforço, além de permitir um maior aproveitamento das aptidões naturais de cada um. Considera a respiração, a emissão e a articulação como elementos que atuam de modo coordenado e interligados para conduzir aos resultados almejados. De acordo com suas pesquisas, conclui que o canto é a primeira forma de expressão do homem e que teria dado origem à música e à linguagem. A primeira forma de controle da respiração no homem primitivo teria sido ao soprar um chifre de animal ou uma flauta de bambu para obter sons e ao mesmo tempo colocar a voz e usar conscientemente o fôlego. Nos fala na Roma antiga da existência de professores que se dedicavam ao preparo da voz quanto ao volume, extensão, maleabilidade e execução de ornamentos. O estudo da técnica vocal ganha maior atenção no século IV com as escolas de canto litúrgico que preparavam cantores-coristas para as cerimônias religiosas. Devemos observar que ao longo do tempo entre os objetivos da educação vocal destacam-se o domínio da voz e seu embelezamento, fatos estes que podem ser constatados pela grande procura de alunos de diversas faixas etárias pelas aulas de canto. A oferta de cursos livres ligados ao treinamento da voz e fala confirmam a tendência atual dos cuidados com a voz profissional, destinados a atores, locutores, pastores, padres, operadores de telemarketing, professores e outros.

15 EXERCÍCIOS RESPIRATÓRIOS O controle da respiração implica na inspiração do ar em quantidade suficiente para a emissão vocal. Deve ser consciente e é indispensável para o cantor ter domínio sobre a sua respiração, daí recorrermos aos exercícios que são feitos mediante o treinamento independente do canto. DINVILLE (1993), recomenda diferentes ritmos inspiratórios e expiratórios visando o desenvolvimento da musculatura costo-abdominal e o controle da pressão do ar no trato respiratório. ESCUDERO (1982), recomenda a observação da posição do corpo, da forma de respirar, da duração de cada exercício, e do número de repetições de cada exercício respiratório. Sugere também o uso de instrumentos para o treinamento da respiração, tais como a flauta, apitos, gaita e também a imitação de sons como o da sirene, e ainda o exercício que imita o ato de cheirar uma flor, etc. BEUTTENMÜLLER e LAPORT (1992), chamam a atenção para a íntima ligação entre a postura correta e a respiração, pois a estabilidade e a posição da coluna vertebral são afetadas pela respiração. Isso ocorre pois a maioria dos músculos do sistema respiratório está ligada às vértebras cervicais e lombares. A qualidade da respiração bem como a sua velocidade serão determinados pela postura da coluna vertebral. BEUTTENMÜLLER (1995), sugere exercícios da mecânica respiratória. Recomenda a respiração costal-diafragmática e aconselha cuidados para evitar os erros de postura. Enumera exercícios com respiração nasal, buco-nasal e a associação da respiração com os sentidos (olfato, audição, tato e visão), com a emoção (o aluno deve buscar as regiões emocionais que se espalham pelo corpo), com as vogais (expiração com sons vocálicos, cuidando para obedecer a forma de cada uma delas) EXERCÍCIOS DE RELAXAMENTO MELLO (1995), afirma que não há boa educação respiratória sem que haja concomitantemente a relaxação. Sabemos,contudo, que ocorre tensão durante o ato de falar, portanto este autor recomenda a conscientização para que possa ocorrer o relaxamento (relaxação ligada ) durante a dinâmica vocal. Estabelece vários exercícios de relaxação ( tal como evitar preocupações), relaxação ligada, contração-relaxação (perceber os feixes de músculos tensos na contração e obter alívio para a tensão na relaxação), relaxação da mandíbula, percepção de peso (sentir o peso do corpo), relaxação em posição sentada, relaxação específica ( feita com

16 16 movimento dos ombros e cabeça, ou seja, cabeça-pêndulo e cabeça-rotação ), relaxação interior ( bocejar para eliminar tensões ). BEUTTENMÜLLER e LAPORT (1992), nos falam sobre a ausência de tensões e relaxamento mental. Esclarecem que o relaxamento é um estado dinâmico do qual participam o corpo e a mente com a manutenção da consciência sobre si mesmo, sentindo todas as partes do corpo. Indicam os exercícios de relaxamento para: alcançar o relaxamento físico e mental, conservar a consciência de si mesmo e do meio ambiente, manter a postura corporal correta, avaliar as sensações corporais e mentais, conservar-se tranqüilo e disciplinar o corpo para obedecer o cérebro EXERCÍCIOS DE RESSONÂNCIA Segundo FERREIRA (2000), ressonância é o fenômeno de propagação, de amplificação do som que passa através de um canal de transmissão, que funciona como tubo acústico. São dois os canais transmissores: o faringo-oral e o nasal. Os exercícios práticos deverão ser precedidos da realização de exercícios respiratórios, da coordenação fono-respiratória, da postura adequada, do relaxamento e de exercícios oro-faciais. Exemplos: zumbidos, colocar o som na máscara, técnica mastigatória, técnica do bocejo, sopro direcionado para o palato duro, palavras com sons nasais e orais etc. DINVILLE(1993), atribui à mandíbula atuação na mobilidade da articulação e no volume das cavidades supra-laríngeas em sinergia com os movimentos da língua. Os lábios atuam como ressonadores bucais anteriores. A cavidade faríngea é o local onde o som emitido pela laringe vai desenvolver o timbre pessoal do cantor. Aí são realizados movimentos de articulação dos quais a voz é o suporte e é graças à atividade muscular permanente da mandíbula acompanhada da mobilidade dos órgãos localizados nas cavidades supra-laríngeas que o cantor cria suas zonas de ressonância. Ele dá direção ao sopro para o lugar de ressonância, ou seja, o local onde o tremor vibratório é sentido. É por um automatismo acústico-fonatório controlado pelo ouvido, que o cantor obtém grande variedade de sonoridades. E para alcançá-las ele adapta a postura das cavidades de ressonância, o afastamento dos pilares correlacionados à elevação do véu palatino, e o trabalho da parede faríngea. BEZZI (1983) declara que para haver boa ressonância o som fundamental produzido pela laringe deve ser suficientemente complexo para que os harmônicos reforçados pelas cavidades supra-glóticas possam dar beleza e sonoridade à voz. A faringe, nasofaringe e fossas nasais devem estar abertas e relaxadas, para que as vibrações se propaguem sem obstáculos e os ressonadores

17 17 possam achar sua própria sonoridade. Assim sendo, exercícios de relaxamento do pescoço, abertura da garganta, abertura das asas do nariz, preparam o alargamento da faringe para que haja o reforço dos primeiros harmônicos e se obtenha um som mais cheio e aveludado. A faringe e a boca são os maiores ressonadores, sendo também controladas e adaptadas com ajuste voluntários da sua forma e tamanho IMPOSTAÇÃO DA VOZ A impostação da voz é a maneira correta de emiti-la. Para melhorar a voz é indispensável a prática de exercícios de relaxamento, respiração e ressonância, dentro de uma coordenação fonorespiratória-ressonadora. A emissão correta é feita sem qualquer esforço, estando os órgãos vocais descontraídos, a língua bem posicionada, o véu do palato elevado e a mandíbula e os músculos do pescoço descontraídos. Não devem haver obstáculos às condições fonatórias normais (BEUTTENMÜLLER e LAPORT, 1992). MELLO (1995), chama de empostação a ação de adotar uma postura de emissão adequada, realizando as coordenações necessárias e dando uma direção subjetiva ao sopro sonorizado, em busca de melhor ressonância. ESCUDERO (1982), afirma que para a impostação da voz é imprescindível um relaxamento total da musculatura laríngea e posteriormente do corpo, com exercícios de respiração profunda costo-abdominal, com a língua aplanada tocando com sua ponta os dentes inferiores, os lábios em forma ovóide e a boca bem posicionada de modo que se tenha a abertura adequada à cada vogal O som deverá ser fluido, amplo e sonoro, controlando-se o total relaxamento da zona laríngea e projetando-se o ar para os dentes superiores, de forma que a garganta fique livre. A voz impostada é o resultado da utilização parcial ou total da caixa de ressonância, sem forçar a garganta e com respiração e pressão do ar adequadas. O êxito da boa colocação da voz está na homogeneidade da mesma em toda a sua extensão. A colocação da voz segundo BEZZI (1983), se dá quando o som uma vez produzido e apoiado na coluna de ar, gera a onda sonora que se propaga por si mesma, desde que não hajam obstáculos à sua saída. A garganta não deve interferir na direção da voz: seu papel na fonação é passivo e deve permanecer aberta e elástica, para que o som possa vibrar livremente. A boca deve estar aberta internamente, isto é, com as arcadas dentárias afastadas e a língua relaxada. A nasofaringe deve estar aberta durante a fonação, assim como também o nariz. O som deve ser dirigido para o alvéolo dos incisivos centrais superiores, onde está situado o ponto de MAURAN, local

18 18 de concentração das vibrações que vêm da laringe, propagando-se com o ar expirado. A partir deste ponto, também chamado de nó de ressonância, as vibrações se propagam pelas cartilagens e ossos do rosto e do crânio, e pela coluna vertebral até chegar à caixa toráxica. 2.5 DOS DISTÚRBIOS DA VOZ Considerando a importância da voz na vida do homem desde a fase intra-uterina até quando passa a fazer uso da palavra para revelar os seus pensamentos, podemos encontrar condições patológicas que acompanham os distúrbios da voz e da linguagem. Os distúrbios ligados aos problemas orgânicos são estudados pela medicina e pela reabilitação foniátrica; aqueles que abrangem a esfera psíquica requerem uma atenção especial da musicoterapia DAS ALTERAÇÕES DA VOZ NAS EMOÇÕES BEHLAU e PONTES (1995), observam que os distúrbios neuro-vegetativos podem indicar labilidade emocional do paciente e interferência excessiva das emoções na voz. Tal influência é extremamente complexa, e a maneira como um indivíduo usa sua voz reflete a sua psico-dinâmica. Fatores hereditários, constitucionais, de saúde geral, de natureza psicológica aqueles dependentes do ambiente e nível sócio-econômico-cultural interferem no tipo de voz. Há uma enorme variedade de tipos de voz, tais como: voz rouca soprosa, áspera, fluida sussurrada, gutural, bitonal, estrangulada e outras, que são relacionadas às condições orgânicas. De qualquer modo, o terapeuta deve estar atento ao fato de que o tipo de voz utilizado seja adequado ao conteúdo emocional do discurso. Segundo BOONE e McFARLAND (1994), emotividade e função vocal estão intimamente ligadas. Já aos 3 meses de idade, o bebê parece utilizar-se de sons laríngeos para expressar suas emoções. As mudanças no som das vocalizações são indicativas das mudanças emocionais, e se repetirão durante a vida do homem refletindo o seu estado emocional interno. Não só a voz pode alterar-se como também podem ser observadas mudanças nos padrões rítmicos prosódicos da vocalização. Nosso estado emocional parece influenciar a posição da laringe, o relaxamento das pregas vocais, a posição e relaxamento dos músculos da faringe e da língua. A emotividade da pessoa pode ser ouvida na voz DOS DISTÚRBIOS DA VOZ NOS PROBLEMAS PSÍQUICOS Ao investigar as características vocais comuns a pacientes psicóticos, LABIGALINI (2000) conclui que a personalidade esquizofrênica pode ser detectada e diferenciada das demais com base

19 19 nas configurações de sua voz, uma vez que as qualidades vocais do indivíduo têm o poder de suscitar impressões acerca de suas atitudes, emoções e personalidade. Assim, a análise acústica e perceptiva da qualidade vocal auxilia o diagnóstico, ajuda a definir prognósticos e avalia a eficiência de vários tratamentos. Ao estudar os distúrbios da linguagem que ocorrem concomitantemente aos problemas psíquicos, SANT ANNA (1993) fala das alterações da voz que descrevemos a seguir: na esquizofrenia há dissociação do conteúdo da palavra e o tom da voz que as pronuncia. A voz nos esquizofrênicos tanto pode ser rouca e sem timbre, como pode apresentar-se anormalmente aguda parecendo voz de falsete nos momentos de excitação; na oligofrenia ocorre imaturidade da fala e da linguagem. Até os 2 ou 3 anos de idade nota-se a ausência de linguagem e a criança emite sons que podem ser interpretados como significantes. Suas emissões são ecolálicas e a voz do oligofrênico pode ser estridente ou baixa, monótona e sem ritmo; nas neuroses, podem ocorrer alterações da voz acompanhando os distúrbios da linguagem. Na afonia histérica ou afonia psíquica, a voz torna-se apagada e seu início é repentino. Este tipo de patologia pode ter como causa: o medo de falar ou cantar, trauma psíquico por persistência de alteração vocal, choque afetivo e desejo inconsciente de chamar atenção. Na disfonia obsessiva observa-se a fonastenia cuja característica marcante é a angústia e a atenção que o paciente dedica à sua voz. O sintoma mais marcante é o cansaço crônico e a limitação da extensão vocal principalmente nos agudos e depois de um esforço vocal. O paciente fala em tom muito agudo e ao excitar-se perde o controle da voz. O trac vocal é o desequilíbrio nervoso provocado psiquicamente pelo medo de cantar ou falar em público. É a expressão de uma neurose de angústia. Quando se apresenta de forma positiva, a emotividade atua como estimulante para a adaptação rápida a uma situação emocional. Quando se apresenta de forma negativa, surge bruscamente, a boca resseca, a voz sai sem volume e a língua se move com dificuldade. A disfonia psicogênica representa a ansiedade ou depressão através da voz. Assim a voz terá tom grave, debilidade e monotonia na depressão; rupturas, chiadeira e falta de modulação, na excitação; e debilidade na ansiedade. Ocorrem perdas momentâneas e repetidas da voz. Hipertonia e hipotonia são quadros que podem ocorrer na disfonia psicogênica.

20 20 O autor refere-se ainda ao abuso vocal e à tensão emocional como fatores que podem levar ao aparecimento de nódulos ou pólipos na corda vocal, ocorrendo em pacientes nos quais o uso da voz é a expressão de sua excessiva hostilidade e tendências agressivas. Destaca as alterações da voz nos diversos estados emocionais e relata que pacientes disfônicos foram diagnosticados com problemas matrimoniais ou domésticos, conflitos de trabalho, menopausa, dependência materna, tendências agressivas, insatisfação, fracasso, inferioridade, hostilidade, ansiedade, necessidade de carinho, egocentrismo, masoquismo,etc. MYSAK (1979), ao estudar os problemas de formulação e produção da fala, refere-se aos estados depressivos e relata as seguintes alterações: na depressão lentificada clássica a voz é pesada, inerte, de altura pouco variável, monótona e hesitante; na depressão agitada a voz é áspera, de timbre baixo, mas a articulação é ativa, rápida e tensa PRESBIFONIA CARVALHO (2001), informa que o Brasil figura entre os dez países com maior população idosa, e que o envelhecimento é uma consequência incontestável da vida humana. Alerta para o papel desempenhado pelos profissionais da saúde na prevenção de doenças ligadas ao sistema estomatognático quando ocorre o decréscimo ou perda de suas funções, causando prejuízos entre os quais se encontram perturbações nas funções fono-articulatórias. Envelhecer faz parte da vida do homem e de todos os seres vivos. O envelhecimento é um processo degenerativo e segundo RIBEIRO (1999), os mecanismos que o causam são múltiplos, englobando causas endógenas e exógenas. Entre as causas endógenas cita as que interferem nas funções celulares ligadas ao nível genético, produzindo seus efeitos sobre as células perenes ou sobre aquelas capazes de proliferar sempre. Este autor nos fala que a célula precisa de boas condições para manter suas funções vitais, tais como, ambiente protegido e nutrientes de qualidade (ar e alimento). A diminuição da eficiência funcional leva à perda gradativa dos mecanismos de defesa frente às variações ambientais. O envelhecimento embora considerado intrínseco, isto é, apesar de não ser determinado por fatores ambientais, pode ser influenciado por eles. Os estudos sobre o processo de envelhecimento vêm se intensificando nas últimas décadas, e a medicina já se refere modernamente à geriatria experimental (que estuda os efeitos do envelhecimento nas células e órgãos); à gerontologia social (que estuda os processos psicossociais); e à gerontologia médica ou geriatria (que trata das doenças do envelhecimento). A

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