IMPLANTAÇÃO DE SISTEMA DE MONITORAMENTO HÍDRICO E DE ALERTA DE SECAS NO SEMI-ÁRIDO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

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1 IMPLANTAÇÃO DE SISTEMA DE MONITORAMENTO HÍDRICO E DE ALERTA DE SECAS NO SEMI-ÁRIDO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Rua Espírito Santo, 495 Centro CEP Belo Horizonte Minas Gerais Brasil Telefone: (31)

2 Este documento apresenta o detalhamento do Projeto Implantação de Sistema de Monitoramento Hídrico e de Alerta de Secas no Semiárido do Estado de Minas Gerais, com o propósito de candidatar-se a financiamento do Fundo de Recuperação, Proteção e Desenvolvimento Sustentável das Bacias Hidrográficas do Estado de Minas Gerais FHIDRO, tendo, portanto, sido preparado em conformidade com as diretrizes previamente definidas, segundo formulários específicos. O Projeto será conduzido sob coordenação da do Instituto Mineiro de Gestão das Águas IGAM. Rua Espírito Santo, 495 Centro CEP Belo Horizonte Minas Gerais Brasil Telefone: (31)

3 ÍNDICE 01 TÍTULO INTRODUÇÃO JUSTIFICATIVA OBJETIVOS Objetivo Geral Objetivos Específicos PÚBLICO ALVO RESULTADOS ESPERADOS METODOLOGIA ÁREA DE ABRANGÊNCIA ENTIDADES ENVOLVIDAS INÍCIO E TÉRMINO DO PROJETO ORÇAMENTO DO PROJETO Detalhamento orçamentário CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO PLANO DE APLICAÇÃO CRONOGRAMA DE DESEMBOLSO...45 Rua Espírito Santo, 495 Centro CEP Belo Horizonte Minas Gerais Brasil Telefone: (31)

4 01 TÍTULO IMPLANTAÇÃO DE UM SISTEMA DE MONITORAMENTO HÍDRICO E DE ALERTA DE SECAS NO SEMI-ÁRIDO DO ESTADO DE MINAS GERAIS. 02 INTRODUÇÃO Apesar de Minas Gerais ser um Estado exportador de seis milhões e quatrocentos mil litros de água por segundo para outros Estados limítrofes, a falta de água para o desenvolvimento das atividades econômicas, e até mesmo para o abastecimento humano, ocorre sistematicamente no semi-árido mineiro, englobado pelas bacias dos rios Jequitinhonha, Pardo e parte do São Francisco. Nessa região semi-árida, freqüentemente sujeita à secas prolongadas e à escassez hídrica sistemática, a implantação de projetos agropecuários, e o aumento demográfico, principalmente na bacia do rio São Francisco, vem pressionando a demanda hídrica, recrudescendo conflitos no compartilhamento do uso da água. Embora, em termos de totais anuais, a quantidade de chuva seja razoável, nessa região, da ordem de 800 a 1100 mm, sua variabilidade é bastante alta, com coeficiente de variação da precipitação anual atingindo valores da ordem de 35% a 40 %. Essa variabilidade torna a persistência das chuvas de baixa confiabilidade, passíveis a estiagens freqüentes, não conseguindo prover sustentação econômica para a agricultura convencional. (Figuras 1 e 2). Agravando ainda mais esse cenário, o período chuvoso, centrado nos meses mais quentes, com altas taxas de evaporação, envolve, na maior parte dos casos, o tipo de chuvas convectivas, que se caracterizam pela alta intensidade e curto período de duração, ou seja, as chuvas se concentram em pacotes de curto período, escoando superficialmente em sua maior parte, desfavorecendo a recarga da umidade do solo. Esse fato ainda é agravado pela predominância do solo apresentar um escudo cristalino, que dificulta a infiltração. 1

5 Figura 1 Total de Precipitação Normal Anual (mm). O contorno preto envolve o polígono das secas no Estado de Minas Gerais. Fonte: CETEC. Figura 2 Coeficiente de Variação da Precipitação Total Anual (%). O contorno em verde envolve o polígono das secas no Estado de Minas Gerais. Fonte: CETEC. 2

6 Esse projeto refere-se à instrumentalização do (IGAM) com ferramentas modernas e ágeis de monitoramento hídrico e de aferição da severidade das secas, visando subsidiar as ações de enfrentamento de situações de secas severas e escassez hídrica, balizando a profundidade das intervenções de prevenção e mitigação dos efeitos da secas. Trata da criação de um sistema de alerta e monitoramento de secas para o norte e nordeste de Minas Gerais. Para tanto realizará as seguintes ações: - Instalação de uma rede própria do IGAM, complementar às redes de monitoramento já existentes na região; - Criação de um sistema de informações capaz de absorver os dados desta nova rede e das demais já existentes na região, além de outras fontes de dados pertinentes; - Melhoria da infraestrutura do IGAM, de modo a torná-la capaz de incorporar o sistema de informações que será criado; - Definição de uma metodologia de avaliação do grau de severidade de seca que melhor se ajuste às características do semi-árido mineiro através de discussões e análises técnicas com os especialistas em secas; - Implementação da metodologia definida. Com estas ações espera-se prever com o máximo de antecedência possível a ocorrência de um fenômeno de seca, alertando assim as autoridades das regiões que serão atingidas. Além disto, espera-se monitorar continuamente estes eventos para avaliar o grau de severidade das secas. 03 JUSTIFICATIVA O conceito de seca está intimamente relacionado ao ponto de vista do usuário. O hidrólogo a define por um conjunto de variáveis relativas à qualidade e a quantidade da água e ao manejo de bacias. O economista se atém aos seus efeitos nas atividades humanas, incluindo o suprimento de água em centros urbanos, os danos à agricultura, à piscicultura e a redução nas atividades industriais e turísticas. O agrônomo se preocupa, sobretudo com as necessidades de água para os vários cultivos e outras atividades agrícolas. Da mesma forma, o ambientalista se preocupa com os danos à vida silvestre e ao meio ambiente. 3

7 Sob qualquer uma dessas percepções, optar por dar atenção a um evento de seca somente quando sua severidade estiver consolidada, leva a adoção de medidas preventivas emergenciais paliativas e onerosas. Evidentemente, essa não é uma prática eficiente de gestão dos recursos sócio-econômicos e ambientais. O mais adequado é adotar uma prática proativa, antecipando ao inevitável, possibilitando a tomada de providências oportunas e eficientes para minimizar os impactos das secas (Lyons, 1994). Em um Estado altamente vulnerável às intempéries meteorológicas e climáticas, pressionado pela demanda e pela degradação da qualidade hídrica é imprescindível que o órgão gestor de recursos hídricos disponha de mecanismos de tomadas de decisão ágeis e eficazes baseados por informações atualizadas, acuradas e adequadas. Não sem razão que a Lei de Recursos Hídricos estabelece o sistema de informação como um dos instrumentos de gestão. Tanto sob o ponto de vista climático como econômico-social, a região do semi-árido mineiro vem sendo submetida à escassez hídrica, devido à ocorrência de secas, demandando a provisão de planos de contingência para o enfrentamento dos efeitos danosos das secas. A identificação das regiões afetadas por secas potencialmente severas representa o primeiro passo para selecionar as localidades que necessitam receber a assistência prioritária das ações preventivas e de mitigação. Assim, o objeto desse projeto é a implementação do Sistema de Monitoramento Hídrico e de Alerta de Secas (SISMHAS), apoiado em rede de observação meteorológica e hidrológica automática e telemétrica que permita identificar o surgimento de condições hídricas de escassez, na região do semi-árido mineiro, com vistas a agilizar ações de minimização dos impactos causados pela estiagem. 4

8 04 OBJETIVOS Governo do Estado de Minas Gerais 04.1 Objetivo Geral Implantar um Sistema operacional de Monitoramento Hídrico e de Alerta de Secas (SISMHAS) para monitorar a disponibilidade hídrica no norte de Minas Gerais e identificar os períodos e a severidade da seca nesta região, visando subsidiar as decisões governamentais e do setor produtivo em relação às medidas preventivas e mitigadoras dos efeitos gerados pela seca Objetivos Específicos 1. Ampliar a rede automática e telemétrica de monitoramento hidrometeorológico de forma a atender os requisitos mínimos de observação hídrica e pluviométrica, nas regiões com deficiência de amostragem espacial e temporal. Atualmente a região a que se refere o projeto conta com uma rede de estações pertencentes à Agência Nacional das águas - ANA, Companhia Energética de Minas Gerais - CEMIG, Instituto Nacional de Meteorologia - INMET e no Sistema de Meteorologia de Minas Gerais SIMGE pertencente ao IGAM, composta por estações pluviométricas e hidrológicas convencionais (medições de chuva e nível de rio são feitas por um observador) e estações meteorológicas automáticas telemétricas. Essa rede é insuficiente para suprir as necessidades de um sistema de monitoramento eficiente. A nova rede proposta, embora independente das já existentes na região e exclusiva do IGAM, irá se integrar às outras ampliando a capacidade de monitoramento na área de abrangência do projeto. A nova rede será composta por 16 estações hidrometeorológicas automáticas telemétricas. Hidrometeorológicas, pois consistem de estações com sensores capazes de medir chuva e nível de rio. Automáticas para que as medições sejam realizadas sem a necessidade de um observador. Telemétricas para que os dados sejam transmitidos via rádio, GSM ou satélite automaticamente. 5

9 Para o pleno alcance deste objetivo, torna-se necessário que as seguintes etapas sejam executadas: - Projeto desta rede, com visitas a campo e avaliação dos locais mais adequados para instalação, levando-se em conta a hidrografia da região; - Especificações dos equipamentos que serão instalados com as devidas adaptações às peculiaridades da forma de transmissão e formato dos dados; - Licitação para aquisição das Estações Hidrometeorológicas Automáticas e Telemétricas; - Aquisição e Instalação das Estações Hidrometeorológicas Automáticas e Telemétricas nos locais determinados; - Testes de campo das Estações Hidrometeorológicas Automáticas e Telemétricas. Maiores detalhes acerca desta rede estarão no tópico Metodologia. 2. Estruturar e implantar um sistema de informação operacional destinado a prover informações específicas ao sistema de monitoramento hídrico e de alerta de seca. Após a elaboração do projeto de instalação da rede do IGAM, será criado um sistema de informações operacional simultaneamente às demais metas do projeto, pois a estruturação deste sistema irá interferir na metodologia que será aplicada na previsão de secas e na infraestrutura operacional, além de sofrer interferência destes. O Sistema de Informação Operacional é composto de quatro módulos: a) Dados de Campo e Externos: São a base do sistema de informações, consistem em todos os dados obtidos pelas estações presentes nas áreas de estudo (incluindo a nova rede pertencente ao SISMHAS), dados de previsões de tempo de médio prazo (15 dias) fornecidos por instituições como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), tendências climáticas disponibilizadas por organismos internacionais como o International Research Institute for Climate and Society (IRI), o Climate Prediction Center (CPC) e European Centre for Medium-Range Weather Forecasts (ECMWF). 6

10 b) Aplicativos Computacionais e Metodologia operacional: Estes representam o cérebro do sistema, sendo compostos pelos programas já estabelecidos na comunidade, junto com as rotinas computacionais que serão criadas especificamente para este projeto. Estes programas compilarão os dados aplicando a metodologia criada para gerar os produtos finais. c) Equipamentos de informática: Representam o suporte físico do Sistema, com um conjunto de computadores que armazenarão os dados e os processarão através dos programas e aplicativos específicos, gerando os produtos do sistema de alerta e monitoramento de secas. d) Endereço da internet: As informações geradas pelo Sistema serão disponibilizadas aos usuários através de endereço específico na internet. 3. Estruturar e implementar a metodologia de avaliação do grau de severidade da seca e da disponibilidade hídrica. Esta fase ocorrerá em paralelo ao desenvolvimento do sistema e instalação de sua infraestrutura. A empresa contratada para executar o projeto será responsável por adequar as várias metodologias existentes de avaliação e previsão de secas às particularidades da região do alerta. Na seção 7.3 encontra-se um resumo das principais características das secas e os principais índices utilizados para seu monitoramento, além de técnicas de previsão que podem ser utilizadas na metodologia do sistema de alerta. Portanto, nesta fase, devem-se avaliar as metodologias existentes e adaptá-las à região do alerta, levando-se em consideração a rede de estações disponível e também a nova rede que será instalada de modo a torná-la viável à realidade orçamentária do projeto. As seguintes etapas serão realizadas pela empresa executora: - Levantamento das metodologias de monitoramento hídrico e previsão de secas existentes; - Levantamento das características da região do SISMHAS que podem influenciar na escolha da metodologia; 7

11 - Levantamento da disponibilidade dos dados existentes na área do projeto referentes à necessidade de cada método, que servirá de base para realizar o projeto da nova rede de monitoramento do IGAM. Além disto, a disponibilidade ou não dos dados contribuirá para escolha da metodologia; - Com base nas etapas anteriores a empresa deverá definir a metodologia que será aplicada ao SISMHAS. Esta metodologia será discutida em reunião técnica com especialistas de notório saber da área para realizar possíveis adaptações. - Elaborar relatório técnico, que deverá ser entregue ao IGAM para avaliação, com todas as informações acerca da escolha da metodologia, envolvendo todos os aspectos dos itens anteriores de modo a justificar a escolha desta metodologia. 4. Projetar e instalar a infra-estrutura operacional necessária para manter o sistema de monitoramento hídrico e de alerta de seca, incluído de mecanismos ágeis de divulgação de informações via Internet. Paralela à definição da metodologia e à criação do sistema de informações será definida a infraestrutura operacional do sistema de alerta que deverá ser instalada nas dependências do IGAM. Este paralelismo é necessário, pois as necessidades do sistema de informações e da metodologia definirão as especificações dos equipamentos. Esta infraestrutura inclui todos os equipamentos necessários para operação do SISMHAS, como computadores, telas de monitoramento, banco de dados, endereço de internet, roteadores, etc. Apenas as estações automáticas não estão incluídas. Portanto, as seguintes etapas deverão ser concluídas pela empresa executora: - Projeto da sala de situação, de modo a incorporar todo o sistema de informações e permitir o funcionamento adequado do SISMHAS; - Elaboração do termo de referência para a aquisição dos equipamentos necessários. 8

12 De posse dos termos de referência, o IGAM elaborará edital para aquisição dos equipamentos por meio de licitação. 5. Elaborar produtos para divulgação do SISMHAS, incluindo material para capacitação do uso das informações disponíveis. Para divulgação do SISMHAS às autoridades e população da região de abrangência do projeto, a empresa executora irá elaborar os seguintes produtos: - Folder de divulgação, para serem distribuídos em reuniões de comitês de bacias da região do SISMHAS, pelo IGAM, contendo informações sobre o funcionamento, abrangência e aplicações; - Apresentação padrão em PowerPoint, contendo todos os aspectos desenvolvidos ao longo do projeto, incluindo o funcionamento do SISMHAS, para serem utilizados por técnicos do IGAM em palestras de divulgação; - Cartilha, com linguagem simples e direta, para divulgação do SISMHAS entre a comunidade, principalmente agropecuaristas; - Manual de utilização do SISMHAS, para ser entregue em meio digital às prefeituras integrantes da área de abrangência do projeto. No final do projeto, quando todos os produtos estiverem concluídos, a empresa deverá organizar dois seminários de apresentação do SISMHAS, em cidades pólos a serem definidas por técnicos do IGAM. 05 PÚBLICO ALVO Todas as atividades humanas são diretamente ou indiretamente afetadas pela ocorrência de secas. Os benefícios obtidos pela operação do sistema de alerta e monitoramento de secas agirão sobre todos os ramos das atividades humanas e econômicas. Sendo o alcance destas informações limitado apenas pelo acesso a elas. Os dados gerados pela nova rede hidrometeorológica irão auxiliar na minimização de danos causados aos recursos materiais e humanos. Segue abaixo uma breve discussão sobre os potenciais usuários deste sistema. 9

13 1) AGRICULTURA, PECUÁRIA, PRODUÇÃO FLORESTAL, PESCA E AQÜICULTURA; INDÚSTRIAS EXTRATIVAS: Todas estas atividades econômicas são diretamente afetadas pela disponibilidade hídrica na sua região de atuação ou naquelas das quais provém os insumos para sua produção. A disponibilização dos dados de precipitação obtidos por uma rede hidrometeorológica densa aperfeiçoaria o gerenciamento dos recursos hídricos utilizados e minimizaria os danos causados pela seca. 2) INDÚSTRIAS DE TRANSFORMAÇÃO, ELETRICIDADE, CONSTRUÇÃO, COMÉRCIO, TRANSPORTE e ARMAZENAGEM: Estas atividades são vulneráveis à ocorrência de extremos de precipitação, que podem causar atrasos ou paralisações na construção civil, perdas no comércio e na armazenagem de produtos e interrupção de transporte aquaviário. A falta de água nos reservatórios hidrelétricos pode ameaçar a geração de energia, etc. 3) ATIVIDADES FINANCEIRAS, IMOBILIÁRIAS E DE SEGUROS: A quantidade e extensão de danos causados pela seca têm um efeito direto na economia de uma região e indireto a todas aquelas que dependem, de algum modo, da região afetada. A minimização dos danos traria benefícios para a economia como um todo, pois a redução das despesas com recuperação poderá ser utilizada para investimento em infra-estrutura e geração de empregos. 4) ATIVIDADES CIENTÍFICAS E TÉCNICAS: Os dados gerados pela rede hidrometeorológica a ser implementada podem estimular o desenvolvimento de projetos e estudos que visem o aumento do conhecimento a respeito não só da atmosfera, mas do impacto causado por ela nas atividades humanas e econômicas. São poucos os estudos em meteorologia voltados para Minas Gerais e os impactos das secas. Essa nova rede estimulará a pesquisa nesta área e em outras correlatas no Estado, como a hidrometeorologia e hidrologia. 5) ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, DEFESA E SEGURIDADE SOCIAL, SAÚDE HUMANA E SERVIÇOS SOCIAIS, DE ÁGUA E ESGOTO: Estas atividades deverão ser as mais beneficiadas com a operação de um sistema de alerta e monitoramento de secas, pois a perda econômica devido à ocorrência de uma seca causa intensa pressão social, principalmente nas camadas mais pobres da população, gerando desemprego, desnutrição e aumento da criminalidade. 10

14 6) ARTES, TURISMO, CULTURA, ESPORTE, RECREAÇÃO, ALOJAMENTO E ALIMENTAÇÃO: Estas áreas serão sutilmente beneficiadas pela operação de um sistema de alerta e monitoramento de secas, pois embora possuam a maior quantidade e diversificação de usuários, o acesso às informações geradas dependerá de bastante divulgação na sociedade. Pela grande parcela da sociedade que seria atendida, os ganhos provenientes da economia de recursos materiais e humanos poderão superar o de setores inteiros da economia, muito embora seja difícil de mensurar. 06 RESULTADOS ESPERADOS A implantação do Sistema proposto irá propiciar a modernização do sistema de gestão de recursos hídricos com ferramentas ágeis e eficazes, capazes de identificar os períodos e as regiões sobre a ação de estresse hídrico, desde o período inicial, propiciando que sejam acionadas, com a devida antecedência, as medidas de enfrentamento das secas severas. A conclusão de cada meta contribuirá significativamente não só para os fins a que se propõe o projeto, mas também para o desenvolvimento da região. Portanto esperam-se os seguintes resultados ao fim da execução do projeto: 1. Ampliar a rede automática e telemétrica de monitoramento hidrometeorológico de forma a atender os requisitos mínimos de observação hídrica e pluviométrica, nas regiões com deficiência de amostragem espacial e temporal. Ao fim desta etapa a região de estudo contará com uma nova rede de monitoramento hidrometeorológico automática e telemétrica, necessária para alimentar o sistema de informações. Esta nova rede também servirá para aumentar o conhecimento sobre o regime hídrico da região, com uma riqueza maior de detalhes do que a atual rede instalada é capaz de fornecer. Outro resultado esperado desta nova rede é a possibilidade de ampliar o leque de pesquisas meteorológicas para região, de modo a mensurar possíveis impactos causados por mudanças climáticas. Os gestores de recursos hídricos também serão beneficiados com o aumento de dados para concessão ou não de outorga de uso da água. 11

15 2. Estruturar e implantar um sistema de informação operacional destinado a prover informações específicas ao sistema de monitoramento hídrico e de alerta de seca. Com o sistema de informações instalado, as informações geradas pela nova rede de monitoramento, que estarão armazenadas no banco de dados, poderão ser processadas por rotinas automáticas para aplicar a metodologia do SISMHAS. Desta forma serão gerados produtos que reflitam o monitoramento hídrico da região e subsidiem o alerta de secas para os próximos meses. Quando mesclado ao sistema de informações atual do SIMGE/IGAM, este sistema também possibilitará um aumento da capacidade operacional e de desempenho das demais atividades do SIMGE/IGAM. Com isto, o monitoramento climático e a previsão de tempo para todo o Estado de Minas Gerais serão beneficiados. 3. Estruturar e implementar a metodologia de avaliação do grau de severidade da seca e da disponibilidade hídrica. A metodologia de monitoramento hídrico e de alerta de secas será instalada nos computadores sistema de informações e através de rotinas automáticas serão realizados os cálculos necessários. Esta metodologia representará a base teórica que possibilita o funcionamento do SISMHAS. 4. Projetar e instalar a infra-estrutura operacional necessária para manter o sistema de monitoramento hídrico e de alerta de seca, incluído de mecanismos ágeis de divulgação de informações via Internet. A infraestrutura operacional representa a base física do SISMHAS, sem a qual este sistema não funcionaria. Portanto, espera-se que o projeto e instalação desta infraestrutura permitam o pleno funcionamento do SISMHAS. Outra contribuição desta infraestrutura se refere à montagem de banco de dados estruturado e relacional de informações hidrológicas e meteorológicas acoplado a um sistema de informações de múltiplos usos, com capacidade de divulgar dados e informações meteorológicas, climáticas e de recursos hídricos ao público em geral, através de Internet. A mescla 12

16 dos equipamentos atuais do SIMGE/IGAM aos equipamentos que serão adquiridos ampliará a capacidade de processamento das informações meteorológicas de todo o Estado, aumentando assim a velocidade com que os produtos do IGAM vão ser gerados. 5. Elaborar produtos para divulgação do SISMHAS, incluindo material para capacitação do uso das informações disponíveis. Um dos maiores desafios do SISMHAS é disponibilizar suas informações de modo a atingir o maior número de autoridades possíveis. Pois, as principais medidas que serão tomadas para minimizar o problema das secas serão tomadas por prefeitos desta região. Portanto, além da divulgação por meio dos seminários deve-se preparar todo um portfólio de material para divulgação de tal modo que o SIMGE/IGAM estará munido de ferramentas de divulgação. 07 METODOLOGIA Para execução deste projeto, o IGAM trabalhará em conjunto com uma consultoria que deverá ser contratada para executar ações que serão descritas nas próximas seções. O IGAM acompanhará continuamente os trabalhos desta empresa e ficará com a responsabilidade de realizar licitações para aquisição dos equipamentos. A seguir serão apresentadas as 5 metas, nas quais o projeto foi dividido, com suas respectivas etapas e atividades. META 1- Ampliar a rede automática e telemétrica de monitoramento hidrometeorológico de forma a atender os requisitos mínimos de observação hídrica e pluviométrica, nas regiões com deficiência de amostragem espacial e temporal. A (GMOG) pertence à Diretoria de Monitoramento e Fiscalização Ambiental (DMFA) do (IGAM). Dentre outras atribuições, esta gerência é responsável por operar a rede de monitoramento meteorológico, hidrometeorológico e agrometeorológico do Estado, composta por estações automáticas e telemétricas, cuja distribuição encontra-se na figura 3. 13

17 Figura 3 Distribuição espacial da rede de monitoramento meteorológico, hidrometeorológico e agrometeorológico do Estado por Unidades de Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos (UPGRHs). Estas estações possuem diferenças de acordo com a finalidade a que se propõem, as hidrometeorológicas possuem sensores de chuva e de nível do rio, enquanto que as meteorológicas possuem apenas sensores de variáveis atmosféricas e as agrometeorológicas possuem também sensores de temperatura e umidade do solo. Um exemplo de estação meteorológica é apresentado na figura 4. O IGAM recebe os dados automaticamente por meio de transmissão via satélite, disponibilizada pelo INPE. Todas as estações do IGAM estão conectadas à rede do INPE, de modo a não existirem gastos com transmissão. Existem outras redes de monitoramento instaladas no Estado, cada uma com os seus respectivos fins. Outra rede pública de monitoramento meteorológico automático e 14

18 telemétrico existente em Minas Gerais é a pertencente ao INMET, cujos dados são de fácil acesso via internet. Na figura 5, encontra-se a distribuição espacial das estações do IGAM e INMET para a região do SISMHAS. Os sensores instalados nas estações do INMET são capazes de medir as seguintes variáveis: temperatura do ar, umidade relativa do ar, pressão atmosférica, direção e velocidade do vento, radiação e precipitação; não possuindo sensores de nível de rio. Figura 4 Esquema de uma estação meteorológica automática e telemétrica. A avaliação da densidade de uma determinada rede, com o intuito de determinar se ela é adequada ou não para uma determinada região deve ser atrelada ao fim a que se propõe a rede e a variável que é medida, ou seja, uma rede meteorológica pode ser densa o suficiente 15

19 para estudos de radiação atmosférica e carente com relação a estudos de regime pluviométrico. Examinando a distribuição das estações existentes na região norte do Estado, operadas pelo INMET e IGAM (Figura 5), pode-se perceber que a rede de observação meteorológica não possui a distribuição espacial adequada aos propósitos deste projeto. Devese atentar para dois pontos referentes a esta inadequação: a) Falta de sensores de nível para obterem-se informações acerca da disponibilidade hídrica; b) Algumas UPGRHs não possuem estações; Figura 5 Redes de observação pluviométricas telemétrica do INMET (18) e IGAM (03). As estrelas vermelhas representam as estações do INMET e aquelas em azul pertencem ao IGAM. 16

20 Figura 6 Rede de monitoramento fluviométrica (nível do rio) existente atualmente na região do SISMHAS. Portanto, será instalada uma nova rede de monitoramento hidrometeorológica automática e telemétrica, complementar a atual existente na área do SISMHAS. As estações possuirão sensores de precipitação e nível de rio que alimentarão o SISMHAS, fornecendo os dados necessários para seu funcionamento. seguir: Essa primeira meta do projeto será alcançada através da execução das 3 etapas a 17

21 Etapa 1.1 Projeto de Ampliação da Rede. A empresa contratada deverá elaborar projeto de ampliação da rede de monitoramento hidrometeorológico na Área de Abrangência, composto por estações hidrometeorológicas automáticas e telemétricas. Deverá ser considerado um número mínimo de 16 (dezesseis) estações com sensores de nível e chuva, prevendo-se pelo menos uma estação para cada uma UPGRH destacadas na Figura 5. Mesmo àquelas UPGRHs que já possuam um número suficiente de pontos de apoio deverão receber uma estação da nova rede, de modo a compor a rede básica do SISMHAS e garantir a operação do sistema sem depender de nenhuma entidade externa. Ao longo desta etapa, serão levantadas informações da área de operação do SISMHAS, para subsidiar a elaboração do projeto de rede em forma de relatórios técnicos. As fontes destas informações serão primordialmente entes públicos. A empresa executora deverá contatar órgãos públicos, tais como ANA, CEMIG, INMET, COPASA e prefeituras sobre possíveis pontos de monitoramento hidrometeorológicos existentes na região do SISMHAS. Além disso, existe a possibilidade de que empresas privadas que operem nesta região, possuam redes próprias passíveis de serem utilizadas no SISMHAS. Portanto, caso a empresa identifique este tipo de estação ela deve contatar o proprietário e verificar a possibilidade de utilizar esta estação. 1.1a Compilação e coleta das informações da rede de monitoramento hidrometeorológica e de qualidade de águas existente na Área de Abrangência. Desta forma, a empresa executora poderá identificar possíveis estações não cadastradas nas redes oficiais, que possam vir a integrar a rede do SISMHAS como fonte de dados adicionais, otimizando o emprego dos recursos e a instalação das novas estações. Atualmente, em Minas Gerais, a qualidade das águas do Estado é monitorada por duas instituições: O IGAM, que realiza o monitoramento de parâmetros ambientais, e a COPASA responsável por monitorar os parâmetros relativos ao abastecimento humano. A empresa executora utilizará a rede de monitoramento de qualidade destas duas instituições como sugestão de rede básica de monitoramento da qualidade da água a ser utilizada no SISMHAS. Na figura 7 encontra-se a distribuição espacial dos pontos de monitoramento de qualidade de água da rede básica do IGAM. 18

22 Figura 7 Rede básica de monitoramento de qualidade das águas do IGAM, instalada atualmente na região do SISMHAS. A rede básica de monitoramento da qualidade das águas do IGAM monitora cerca de 50 parâmetros, que incluem parâmetros sanitários e de metal pesado, além de características da água, como temperatura, ph, turbidez, etc. Detalhes acerca do monitoramento realizado pelo IGAM destes parâmetros pode ser encontrado no endereço 1.1b Compilação e coleta dos dados cadastrais das obras hidráulicas implantadas na Área de Abrangência, constituídas por barragens de regularização de vazões de estiagem, pontos de captação para abastecimento público, áreas de lazer e projetos de irrigação. A presença destas 19

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