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1 Hospitalidade: uma característica para se pensar a pesquisa da imagem do Hotel Escola da Universidade do Oeste Paulista Astrogilda Rosa Beneli 1 Aline Franco Cano 2 RESUMO Este artigo trata de um cenário que faz pensar o estudo da imagem sob três vertentes: a imagem física, a imagem criada pela hospitalidade e a imagem resultante das duas primeiras, referentes ao Hotel Escola Santa Ana da Universidade do Oeste Paulista que serve como meio de aprendizagem aos alunos da FATUR ABSTRACT Hospitality: a characteristic to think the image research of the Hotel School of the University of the West of São Paulo This article deals with a scene that makes to think the image study under three sources: the physical image, the image created by the hospitality and the image resultant of those two first referring to the Santa Ana School Hotel of the University of the West of São Paulo that serves as a way of learning to the FATUR students. PALAVRAS-CHAVE: Hotel-escola, hospitalidade, imagem, pesquisa, semiótica KEY WORDS: school hotel, hospitality, image, research, semiotic É de domínio do senso comum a expressão uma imagem vale mais do que mil palavras. Este enunciado trata da imagem visual. Este tipo de imagem, embora interessante e necessário a esta pesquisa, não é suficiente para o estudo que se pretende fazer sobre o Hotel Escola Santa Ana da Universidade do Oeste Paulista, localizada na cidade de Presidente Prudente a uma distância de 576 quilômetros da capital paulista. Por isso não é apenas este tipo de imagem que será estudado neste artigo. De acordo com as teorias de Peirce e Greimas, como este estudo parte do campo da comunicação, a imagem formada, é fruto de estudos brotados da perspectiva semiótica que se efetiva hegemonicamente na análise da imagem do hotel em suas três dimensões. A imagem visual que é muito importante na cultura ocidental, neste trabalho, corresponde ao nível discursivo, ou primeiro e fornece elementos para análise iconográfica. Estas fazem pensar sobre um estudo crítico da imagem global, vista em três níveis diferentes. Como os conhecimentos sobre a relação dos chamados receptores com o hotel são precárias em relação à profusão de imagens sugeridas, este artigo mostra que a produção da imagem final é efetuada sob a imposição de condições mínimas 1 Doutora em Letras. Lingüista, filóloga e semioticista. Vice presidente do COMTUR de Presidente Prudente. 2 Jornalista. Aluna do 4º termo do Curso Superior de Tecnologia em Gestão Hoteleira da UNOESTE 1

2 para a sua produção. Se a interpretação depende daquilo que está sendo construído ou solidificado, a teoria semiótica francesa auxilia na busca do percurso gerativo do sentido da imagem do hotel escola, que não pode ser definida, partindo apenas do nível discursivo, do eixo da manifestação ou das aparências. Para que se possa ter uma opinião formada a respeito da imagem do hotel escola há necessidade de que o analista penetre na sintaxe e na semântica de sua estrutura semio-narrativa que abriga o nível profundo e o narrativo deste objeto semiótico. Partindo da análise do nível discursivo, ou melhor das aparências, o enquadramento, a perspectiva, o foco, as cores, a forma, o formato, a mobília, a decoração, o paisagismo, a recepção, a sala de café da manhã, os dois auditórios, a cozinha e as suítes nada representam numa leitura primária. Num segundo momento, relacionando tudo isto a um hotel escola é possível perceber que há uma perfeita harmonia e que esta permite a interpretação da imagem visual condicionada também pelo suporte e pela linguagem que o nível narrativo constrói. Desta forma este estudo fornece um panorama da recepção da imagem deste hotel, destacando não só a sua imagem visual, mas também buscando outros elementos que remetem ao estudo de sua imagem como um dos componentes da percepção dos receptores em sua relação com ele. Desta forma esta pesquisa está tratando da relação dos professores com este espaço, no qual a presença da imagem visual aparece como fator preponderante. Esta não podendo ser negligenciada como elemento constitutivo de sua imagem, cuja estrutura profunda está fundamentada no par de oposição semântica lucratividade versus hospitalidade de onde se retira o sentido da existência do hotel escola, corpus de análise deste artigo. Inicialmente, afirma-se a lucratividade. Há ausência de profissionais qualificados para aproveitamento de funcionários antigos, emprego vitalício, ausência de alunos estagiários, resistência a qualquer tipo de mudança ou padronização dos serviços para se evitar gastos. Depois nega-se a lucratividade: a placa, o local de construção, (Câmpus II da UNOESTE, onde funciona também o Curso de Turismo), os funcionários, o café da manhã, a manutenção das estruturas físicas e dos serviços geram gastos para a instituição. Não há como manter o hotel em perfeito funcionamento sem que haja verba destinada a ele. Finalmente, negada a lucratividade, afirma-se a hospitalidade. O objetivo primeiro da mantenedora é proporcionar um bom acolhimento aos professores e demais profissionais que prestam serviços na área da educação. Para tanto há necessidade de se fazer um planejamento para se aproveitar melhor este espaço. Talvez por questões metodológicas não há como encontrar estratégias, ferramentas e procedimentos concebidos conceitualmente ou desenvolvidos empiricamente para definir a imagem do hotel de maneira consistente e conseqüente. Portanto, para delinear os seus traços, aplica-se a teoria semiótica, através da qual se analisa a performance, ou seja a produção de uma imagem que se vai tecendo, graças à sua recepção. Assim, esta pesquisa é uma tentativa de compreender a leitura dos professores que se hospedam no hotel escola e são clientes fixos. Esta permite analisar a relação particular que eles têm com as duas imagens do hotel; aquela com fortes apelos visuais e aquela que se forma a partir de relações inter-pessoais para se concluir qual é o sentido deste hotel. 2

3 Aplicando a noção proposta por Roland Barthes a respeito de punctum pode-se definir a imagem do hotel escola como um objeto ainda parcial, não acabado, um lugar pungente, carregado de sentido, que oferece indícios para a fixação de sua imagem segundo um referencial. Esta imagem é constituída historicamente na proporção da passagem da lucratividade para a hospitalidade. Tal mudança é observada pelos professores que resgatam aquilo que na sua imagem visual é puro signo e passam isto para o olhar do pesquisador que estabelece relações e faz interpretações de acordo com o legado peirceano e a teoria proposta por Greimas. Por tratar-se de um conjunto de investigações que revelam uma aproximação ao embrião do que se poderá chamar de pesquisa sobre recepção de uma imagem que parte de duas vertentes para se chegar a uma terceira, é possível dizer que se partir de estudos culturais, a imagem deste hotel jamais será tecida com apenas mil palavras. Portanto, acredita-se que outras pesquisas com enfoques diferentes poderão também ser realizadas. De modo bastante lento, a imagem do hotel escola será solidificada até à incorporação de um referencial, cujo foco seja o espaço cultural do receptor, fazendo mediações na configuração da relação entre sujeito receptor primeiro; sujeito receptor segundo, e sujeito receptor terceiro. Aqui é importante dizer que sujeito não deve ser confundido com pessoa, uma vez que a mesma pessoa pode ocupar as três posições de sujeito, dependendo de seu envolvimento com o objeto semiótico em análise. Assim, tem-se: sujeito receptor primeiro que apenas vê, contempla o visual: um prédio verde; sujeito receptor segundo que estabelece relações entre o que vê com o que aquilo lhe representa: um hotel, localizado no Câmpus II da UNOESTE, e sujeito receptor terceiro que interpreta usando os conhecimentos obtidos do primeiro, do segundo e acrescentando os seus concretiza a imagem definitivamente como se fosse uma lei: um hotel escola que acolhe professores. É necessário tratar a imagem do hotel com estudos que englobam a questão da hospitalidade, que até o momento da presente pesquisa não foi tematizada ou problematizada. A vertente hospitalidade será tomada como elemento importante na constituição da imagem que se tece através de pontos de vista diferentes, envolvendo três tipos de mediações que estabelecem a relação dos hóspedes com o hotel: a) a cotidianidade familiar: Os professores são hóspedes cotidianos e fixos do hotel. Isto é muito positivo para esta pesquisa uma vez que uma imagem não pode ser formada tão rapidamente através de passagens não durativas. b) A competência cultural: É através desta que se pode abordar a apropriação e a interpretação das imagens construídas pelos professores, uma vez que esta categoria é uma espécie de matriz interpretativa configurada pela memória cultural, pela educação e pelo imaginário destes hóspedes. c) A temporalidade social: Esta permite a formação de imagens de acordo com a faixa etária dos ocupantes. Estes são jovens e adultos, portanto há uma divergência de opiniões, uma vez que a maneira de ver é diferente em cada idade. Para cada uma delas há temas que atendem às inclinações 3

4 do momento. O que é interessante aos adultos pode não interessar aos jovens, por exemplo o silêncio. A pesquisa foi aplicada aos professores, já que o tempo de permanência no hotel faz deles hóspedes familiares, com competência cultural capaz de dar sentido à impressão que absorvem do hotel, pois ao ser ativada por eles deflagram um processo de interpretação e apropriação que, corresponde às lógicas do uso do hotel, enquanto beneficiários da instituição onde trabalham e das práticas ali desenvolvidas. Tudo isso somado é que vai constituir a imagem que esta pesquisa pretende definir. Segundo Orozco 3 é possível tematizar a relação com a imagem através da categoria mediação individual. Esta também pode ser explorada em consonância com a da competência cultural. Conjugada com as mediações situacional e institucional, a mediação individual trata da subjetividade na recepção da imagem do hotel analisado. Nela estão sendo consideradas as configurações de classe social, geração, etnia e espiritualidade que dão forma e sentido às práticas e interpretações deflagradas na relação professores x hotel. Obviamente foi necessário explorar também a mediação institucional, uma vez que esta faz parte da construção imagética e imaginária, além de proporcionar a experiência e a formação dos receptores diante de um sensorium especial. Trata-se de uma Universidade que constrói e decora um hotel escola para proporcionar conforto aos professores que procedem de outras localidades. Percebe-se que este trabalho é uma tentativa de explicitar a imagem do hotel que nasce da relação dos receptores com ela. Discute o problema de forma a mostrar sua importância devido ao entrelaçamento, cada vez mais denso, dos modos de simbolização e ritualização do laço social criado entre UNOESTE x professores com o modo de operar do fluxo imagético. Considerando a formação desta imagem única e diferenciada em Presidente Prudente, mas que se insere no mundo de imagens criadas neste lugar estratégico, pode-se dizer que esta representa-se como uma fonte de batalha pela cultura, permitindo afirmar que o hotel escola coloca o Oeste Paulista, ou mais precisamente a cidade de Presidente Prudente e nela a UNOESTE como modelo para o funcionamento de Cursos de Turismo e Hotelaria no interior do Estado de São Paulo. Imagem e hospitalidade. Entre os anos de 2004 e 2005 foi realizada uma pesquisa no Hotel Escola Santa Ana para análise de sua imagem, partindo da estrutura física e da hospitalidade. Mas antes de se 3 Orozco, Guilhermo (coord). La comunicación desde las practicas sociales. Cuadernos de comunicacíon y práticas sociales 1. PROUCOM. México 4

5 falar detalhadamente nos resultados da pesquisa, é necessário ter alguns conceitos que são fundamentais para a compreensão da mesma. Primeiramente, parte-se do conceito de imagem. Todos os povos possuem acesso à imagem, que é de uma leitura dinâmica e imediata. Sendo simbólica é melhor entendida que a palavra. Esta tem um vocabulário extenso. Explica Menezes que a imagem atinge de forma mais direta os sentidos humanos. Compreendem-se as imagens mais rapidamente que os conceitos. (MENEZES) 4 Assim, uma palavra pode ter vários significados. Estes estão no dicionário, já uma imagem é enigmática, cada pessoa vê de sua maneira. Um texto não reflete tudo que uma pessoa imagina, através de uma imagem isto talvez seja possível. Menezes ainda diz que uma imagem é econômica porque encurta as demonstrações e abrevia as explicações, na maioria das vezes um bom esboço é preferível a um longo discurso. A imagem mobiliza com facilidade e é ao mesmo tempo, um perigo a um instrumento de expansão.(menezes) 5 Uma imagem é de fácil compreensão pelo homem por ser mais memorizável do que palavras, não possui a barreira das línguas, independente de sua nacionalidade, um quadro, foto, ou uma imagem é entendida por todos. A imagem possui um grande poder, ela produz efeitos diferentes em cada pessoa, pode até modificar condutas. Assim como as palavras podem ferir, machucar, aliviar e trazer entusiasmo, as imagens podem também fazer estremecer, salivar, causar náuseas; há imagens que excitam, que levam as pessoas a tomarem certas atitudes, comprar determinados produtos. Para que a imagem do hotel seja entendida é necessário usar os olhos da mente como se fossem tocar gradativamente a imagem até sua totalidade, como se estivessem dessa forma tocando sua tridimensionalidade, ou seja: os três níveis que correspondem à leitura de suas estruturas profundas, narrativas e discursivas. Para que isto aconteça há uma necessidade emergente de se desconstruir hábitos para se construir imagens. Perceber e interpretar uma imagem causa confusão; reconhecer uma imagem não significa que esteja compreendendo a sua mensagem. Pois uma imagem pode ter uma significação particular, vinculado ao íntimo de cada pessoa, as expectativas e conhecimentos do receptor. Desta maneira, interpretar e reconhecer as imagens são processos mentais complementares, mesmo que se pense que são simultâneos, e assim deve-se ter cuidado para não ocorrer a confusão daquilo que se percebe com o que deve ser percebido. A leitura de uma imagem, sobretudo desta imagem que é tratada por este texto, também pode ser científica, desde que seja feita a partir de teorias. Assim esta imagem após a sua construção mental, poderá ser transformada numa imagem visual que represente o seu sentido. Este pode estar no logo, no uniforme dos funcionários, na placa de identificação, na recepção, em cada suíte, em outdoors, enfim em muitos outros lugares para que ela fique inculcada como imagem símbolo da hospitalidade. Então, o que se nota é que cada pessoa percebe e interpreta a imagem de acordo com sua vivência ou cultura. Neste sentido, a pesquisa mostra que cada cliente faz uma imagem diferenciada do hotel de acordo com as experiências que teve na vida. 4 MENEZES, Aline de. O Poder da Imagem: um olhar sobre a percepção e produção imagística humana e suas possibilidades comunicacionais. 5 Idem 1 5

6 Devido a estes fatos, pode-se afirmar que é a partir da reunião das imagens individuais captadas, que brota o sentido do hotel escola da UNOESTE. Os clientes entrevistados delineiam uma imagem simbólica e outra funcional do hotel escola. A imagem funcional é delineada, tendo como ponto de partida, os serviços específicos do mesmo, que possibilitam uma atmosfera de relaxamento e descanso, boas acomodações, com serviço de copa e cozinha, de governança e de recepção. Já a imagem simbólica surge ligada à personalidade do hotel, a imagem que ele passa aos clientes, incluindo a questão da hospitalidade. A pesquisa realizada analisa estes dois aspectos; a imagem funcional através do questionamento sobre os serviços de recepção, café-da-manhã, acomodação e limpeza. E a imagem simbólica através da avaliação sobre o atendimento e a estrutura física do hotel. A imagem do hotel está associada também à hospitalidade que é percebida pelo cliente. É através da hospitalidade que o cliente constrói a imagem do hotel. Então, é bom definir o que é hospitalidade. Conforme menciona Kye-Sung a hospitalidade é uma indústria que engloba negócios dedicados à prestação de serviços a hóspedes que estão longe de suas casas. Segundo ele, a hospitalidade pode ser definida por sua abrangência, missão e fornecedores. Se, hospitalidade é o ato de acolher e prestar serviços a alguém que esteja fora de seu domicílio, o hotel escola cumpre o seu papel. Se hospitalidade é uma relação entre dois protagonistas, aquele que recebe e aquele que é recebido, ela é uma marca deste hotel. Se ela implica a relação entre um ou mais hóspedes e uma organização, colocando a questão de recepção nesta organização, inserindo-a no modo de funcionamento existente, o hotel escola como qualquer outro também está inserido nesta mesma indústria. Mas, ampliando a noção de hospitalidade ao englobar a relação que se estabelece entre o espaço físico do hotel e seus clientes, percebe-se que a hospitalidade abrange não somente a acomodação, mas também a alimentação, o conforto e o acolhimento, proporcionando aos professores a sensação de bem-estar. Neste aspecto é que os dados da pesquisa foram interessantes. Se a hospitalidade é um serviço intangível que não se pode tocar e nem ver, mas sentir, então, o respeito pelos hóspedes, o ato de pôr a mesa por aqueles funcionários tão simples, o sorriso, a amabilidade são sinais de hospitalidade detectados pelos clientes do hotel. A hospitalidade, referindo-se ao acolhimento dado, faz com que os professores sintam-se em casa em um local que lhes é estrangeiro, levando-os a se sentirem seguros, tendo conforto e bem-estar simultaneamente. Além de tudo isso, os professores recebem algo que não foi pago com o seu dinheiro. É a cortesia da UNOESTE para os professores que vêm de fora. A tradição de quem recebe, a boa vontade, o desapego para tratar bem são motivações para que os professores se mantenham na Instituição. A noção de hospitalidade pode ser traduzida como o ato de acolher e hospedar. É ainda a qualidade do hospitaleiro, a boa acolhida, a recepção. Também pode-se referir ao tratamento afável, cortês, à amabilidade à gentileza. Já a palavra hóspede pode ser aplicada tanto ao forasteiro, estrangeiro, como àquele que recebe ou ao que é acolhido com hospitalidade. O indivíduo que se acomoda ou se acolhe provisoriamente em casa alheia, hotel ou outro meio de hospedagem, o estranho também é um hóspede. Mediante os resultados da pesquisa, pode-se dizer que a UNOESTE tem profissionais da hospitalidade que procuram atender todas as expectativas de seus 6

7 professores e isto significa atender completamente suas necessidades e anseios. O trabalho desses profissionais se realiza de forma hospitaleira porque observou-se que a maioria dos clientes estão satisfeitos. A palavra hóspede inclui a noção de hospitalidade tanto para quem recebe como para quem é recebido. Portanto, há necessidade de transformar os clientes do hotel em clientes hospitaleiros. De acordo com a pesquisa, a hospitalidade é uma experiência sentida pelos professores, essa experiência provém de fatores sociais, do contato deles com outras pessoas. Os fatores estéticos e funcionais também são notáveis neste hotel: os ruídos das camareiras, o cheiro bom do café da manhã, a limpeza, a intra-estrutura. Ao entrar em contato com os clientes verificou-se a verdade. Nem tudo é perfeito. Problemas foram detectados, tais como: número precário de funcionários e de estagiários. Estes ocasionam muitos outros, tais como a falta de serviços noturnos na área de alimentos e bebidas. A Pesquisa Através de duas pesquisas realizadas no Hotel Escola Santa Ana da UNOESTE, analisou-se a percepção que os clientes possuem em relação à hospitalidade que é ponto muito importante na formação da imagem do hotel. As pesquisas mostraram os seguintes resultados: - no período de 08 a 20 de março de 2004 a pesquisa avaliou os serviços de recepção, café-da-manhã, acomodação e limpeza dos apartamentos. Os critérios usados variavam entre ótimo, bom e regular, 43 pessoas responderam a pesquisa que forneceu os seguintes dados: Atendimento da recepção: Ótimo: 24 pessoas 55,9% Bom: 18 pessoas 41,8% 30 Regular: 01 pessoa 2,3% Café-da-manhã: Ótimo: 21 pessoas 48,8% Bom: 17 pessoas 39,6% Regular: 05 pessoas 11,6% Acomodaçoes: Ótimo: 26 pessoas 60,4% Bom: 17 pessoas 39,6% Regular: Limpeza: Ótimo: 21 pessoas 48,8% 0 Bom: 16 pessoas 37,2% Regular: 06 pessoas 13,9% Recepção Café Acom. Limpeza Ótimo Bom Regular Ao analisar as perguntas fechadas, nota-se que o hotel está atendendo as expectativas dos clientes, deixando uma pequena clientela insatisfeita com a limpeza e café-da-manhã. A pesquisa ainda deixou um espaço para que os clientes deixassem críticas, sugestões e observações. 7

8 Os problemas levantados pelos hóspedes (limpeza, camareiras, rouparia, recepção e copa) permitiram percepções de valor porque mostraram que os serviços não podem ser medidos na graduação contínua de bom para ruim. A existência de tal escala é impossível, porque as variáveis envolvidas na determinação dos serviços prestados e classificados como bom ou ruim as expectativas dos hóspedes e a imagem da empresa não foram fixas, uma vez que variaram de cliente para cliente. Até mesmo o conceito de valor ou de quanto vale a pena os serviços prestados aos professores pela empresa, baseou-se na percepção dos clientes. Esta percepção, conforme mostra a pesquisa, é adversa. Porém é importante ressaltar que apesar de os hóspedes serem professores da instituição, todos querem serviços de qualidade e que eles percebem um serviço de qualidade conforme suas próprias expectativas com relação aos profissionais que lá atuam. Este ano (2005), alguns clientes do hotel escola responderam a outro questionário com perguntas abertas que pretendiam avaliar a sua percepção sobre a imagem física do hotel e o atendimento. No que diz respeito à imagem física, os entrevistados responderam que é aconchegante, simples mas funcional, proporciona um agradável repouso, uma decoração esmerada e o verde-água da pintura se destaca na paisagem. Mas possui alguns problemas. Citaram como exemplo a manutenção e a falta de elevador. Já na questão do atendimento, os hóspedes mostram-se mais satisfeitos quando os alunos do Curso de Turismo e Gestão Hoteleira, estão presentes, embora teçam também elogios ao atendimento realizado pelos funcionários. Os entrevistados dizem que estes são atenciosos e tratam os clientes com educação e respeito. A imagem do hotel escola numa visão semiótica As estruturas profundas deste objeto semiótico (hotel escola) conforme já foi visto anteriormente está fundamentado no par de oposição semântica hospitalidade x lucratividade. Analisando a modalização do seu ser, tem-se dois ângulos a serem examinados: a) da modalização veridictória que determina a relação do sujeito (professores) com o objeto (hotel escola), b) da modalização pelo querer, dever, poder e saber, que define os valores investidos no objeto. As modalidades veridictórias articulam-se como categoria modal em ser x parecer. Quando no eixo da imanência e da manifestação se trabalha com o positivo ser e parecer, tem-se a verdade revelada a respeito do hotel. Ele é um ambiente onde reina a hospitalidade e parece hospitaleiro porque segundo a teoria explicada por Chon (2003:11), nele se encontram os cinco elementos principais que compõem a escala pela qual os serviços são julgados: 1) tangibilidade, 2) credibilidade, 3) responsabilidade, 4) garantia e 5) empatia que contribuem muito para a percepção da qualidade dos serviços prestados. A estrutura aconchegante e a belíssima entrada, o tratamento cordial na recepção parecem com hospitalidade já na primeira impressão. Quando no eixo da imanência e da manifestação se trabalha com juízos negativos não ser x não parecer tem- se a falsidade. Se não é hospitaleiro e não parece ter como finalidade o lucro, levando em consideração o par de oposição que fundamenta sua estrutura profunda, este julgamento é falso. 8

9 Uma mentira revelada sobre este hotel estaria alicerçada no seguinte juízo de valor: um pensamento positivo sobre a sua aparência e um negativo sobre sua imanência. Assim: o hotel parece hospitaleiro mas não é. Então, um enunciado deste tipo, segundo a teoria semiótica greimasiana é uma mentira que se tece sobre a imagem do hotel. Partindo da observação de certos clientes é possível analisar o hotel da seguinte forma: há aqueles que emitem juízos negativos quanto à aparência e positivos quanto à imanência, dizendo que o hotel não parece hospitaleiro, mas é. Foi construído para que os alunos possam ser treinados nele para atenderem aos professores, portanto em perfeito funcionamento ou não, ele não deixa de ser um hotel escola e que a característica essencial da hotelaria, ou seja a da hospitalidade é confirmada. Eis aí o segredo que a pesquisa revela, em consonância com as descobertas de Algirdas Julien Greimas, semioticista francês. A determinação pelas modalidades do dever e poder da relação do hotel com os valores implícitos também se referem `a modalização do mesmo. Este tipo de modalização transforma a existência modal do hotel que passa de um estado inicial de conjunção da lucratividade para disjunção desta. Assim é possível afirmar que o hotel está em conjunção da hospitalidade, objeto valor almejado, porque ele deve e pode fazer isto, por meio dos objetos modais recursos humanos e infra-estrutura. Desta forma, a hospitalidade é uma conseqüência do bom acolhimento, objeto de valor procurado. Após a aplicação da teoria greimasiana no estudo do hotel escola, fica claro que sua imagem está delineada e que o hotel pode ser enquadrado entre as empresas do ramo com o diferencial da hospitalidade, devido aos serviços prestados aos professores que trabalham na UNOESTE. Conclusão Percebe-se que os resultados da pesquisa, apesar de muito positivos, apontam também um ponto que merece ser destacado. Um número maior de estagiários dos Cursos de Turismo e Gestão Hoteleira trabalhando no hotel, muito contribuirão para melhorar cada vez mais a sua imagem. Para tanto é necessário a inclusão de funcionários com formação acadêmica da área de Hotelaria, qualificados e aptos para assumirem cargos de chefia, impondo um padrão rígido de serviço e cumprindo normas de qualidade técnica para não comprometer a aprendizagem dos alunos. Além disso é bom que estes mesmos estagiários tenham outras oportunidades de estágio em outros locais, abrindo para eles novas perspectivas. A pesquisa permitiu concluir que a ausência de mão de obra qualificada afeta diretamente a hospitalidade. Após a realização desta pesquisa, os alunos do Curso Superior de Tecnologia em Gestão Hoteleira da UNOESTE fizeram um projeto orientado pelo professor Francisco Barbosa do Nascimento Filho que apresenta um esquema de funcionamento ideal para o hotel. Estes mesmos alunos encerraram o semestre letivo com a realização de um evento denominado Hotel Cultural, organizado pela professora Milene Cristina Toreli. A proposta é que o projeto dos alunos seja implantado a partir de 2006 e que o próximo artigo possa falar sobre as mudanças pretendidas. Espera-se que este hotel, inaugurado há pouco tempo (agosto de 2003) continue melhorando a sua imagem de hotel escola a cada dia e que a hospitalidade seja verdadeiramente o seu diferencial. 9

10 É possível afirmar que muita coisa está sendo feita, mas é necessário pensar outras, sobretudo na possibilidade de melhorar cada vez mais a sua imagem através de recursos humanos competentes para que ele se constitua verdadeiramente um hotel escola. O envolvimento da direção, coordenação e professores é de fundamental importância. Com isto os alunos serão beneficiados e terão o perfil de egresso desejado, expresso no projeto pedagógico do curso. Bibliografia BARROS, Diana Luz Pessoa de. Teoria Semiótica do Texto. 3ª ed. São Paulo: Àtica, CHON, Kye-Sung K. e SPARROWE, Raymond T. Hospitalidade: conceitos e aplicações. Tradução Ana Beatriz de Miranda e Silva Ferreira; revisão técnica Gleice Regina Guerra. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, MENEZES, Aline de. O Poder da Imagem: um olhar sobre a percepção e produção imagística humana e suas possibilidades comunicacionais. (17/07/2005) VVAA. Hospitalidade: Reflexões e Perspectivas. 1ª ed. São Paulo: Manole, COOPER, Chris & SHEPHERD, Rebecca et WESTLAKE, John. Educando os Educadores em Turismo: manual de educação em turismo e hospitalidade. São Paulo: Roca,

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