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1 Universidade Estadual de Santa Cruz UESC Programa Regional de Pós-graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente Mestrado em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente ALIMENTOS ORGÂNICOS: ESTUDO DE FATORES QUE INTERFEREM NA DECISÃO DE COMPRA DO CONSUMIDOR ILHÉUS, BAHIA 2007

2 2 AROLDO DIAS CASEMIRO ALIMENTOS ORGÂNICOS: ESTUDO DE FATORES QUE INTERFEREM NA DECISÃO DE COMPRA DO CONSUMIDOR Dissertação apresentada ao Programa Regional de Pós-graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente, Sub-programa Universidade Estadual de Santa Cruz, Como parte dos requisitos para a obtenção do título de Mestre em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente, Sub-área de concentração: Comunidades Sustentáveis Orientador: Prof. Dr. Salvador Dal Pozzo Trevizan

3 3 AROLDO DIAS CASEMIRO ALIMENTOS ORGÂNICOS: ESTUDO DE FATORES QUE INTERFEREM NA DECISÃO DE COMPRA DO CONSUMIDOR Aprovada em de de 2007 Comissão Examinadora Prof. Dr. Salvador Dal Pozzo Trevizan (Orientador) UESC Universidade Estadual de Santa Cruz

4 4 DEDICATÓRIA Aos meus pais, minha esposa e filhos, que com muita compreensão e apoio me ajudaram e incentivaram para que eu chegasse a essa etapa de minha vida acadêmica.

5 5 AGRADECIMENTO A Deus, pelo dom da vida. Ao meu orientador Prof. Salvador Dal Pozzo Trevizan, pela sua paciência e dedicação na orientação e que se tornou um grande amigo Ao Prof. Neylor Calasans, coordenador do mestrado pela intervenção nos momentos necessários Ao Prof. Guilhardes pela iniciativa Ao Prof. Humberto Filho pelo apoio incondicional Aos professores do mestrado pelos conteúdos ministrados Aos colegas do mestrado pelo companheirismo, pelos momentos difíceis compartilhados e pelas viagens animadas a FTC por ter viabilizados nossos horários tão fundamental para a nossa a continuidade.

6 6 ALIMENTOS ORGÂNICOS: ESTUDO DE FATORES QUE INTERFEREM NA DECISÃO DE COMPRA DO CONSUMIDOR RESUMO A preocupação com os impactos causados ao meio ambiente pelos modelos de produção vigentes tem sido a pauta de discussões em todo planeta. Neste contexto o modelo de produção agrícola moderno que utiliza alto grau de mecanização e insumos químicos tem sido questionado e dentro das alternativas sugeridas está o modelo de produção orgânica, que valoriza as práticas de manejo e utiliza ações biológicas do solo. A agricultura orgânica também contribui para segurança alimentar na medida em que passa a disponibilizar alimentos mais saudáveis a população. O consumo de produtos orgânicos tem crescido em todo mundo e o Brasil tem sido destacado como um dos grandes produtores em área plantada. No processo produtivo dos alimentos orgânicos, que vai da produção a comercialização, um dos pontos cruciais é como se posicionar junto aos consumidores. Nesta pesquisa se buscou analisar o comportamento de consumidores de alimentos orgânicos na cidade de Vitoria da Conquista Bahia, através das entrevistas feitas com amostra de 207 potenciais consumidores. Os resultados mostram que a maioria dos consumidores sabe o que é alimento orgânico, que são pretendidos pela maioria dos consumidores como substitutos aos alimentos convencionais, consideram a certificação como fundamental, tem nível de escolaridade superior, renda acima da média e que são preocupados com a qualidade de vida, os locais de compra preferidos são feiras e supermercados. Os resultados mostram ainda que os fatores que impedem o aumento do consumo destes produtos estão relacionados a pouca oferta de alimentos orgânicos e a inexistência de uma comunicação eficaz que enfatize os benefícios dos alimentos orgânicos, a exposição adequada de produtos nos pontos-de-venda, a utilização de táticas de propaganda e promoção de vendas. Os resultados do trabalho permitem concluir que a agricultura orgânica pode representar uma forte alternativa de emprego e renda para os produtores da região desde que se preocupem em implantar estratégias mercadológicas no processo de comercialização para que possam se posicionar no mercado de forma profissional. Palavras-chave: Alimentos orgânicos, comportamento do consumidor, marketing, Vitória da Conquista

7 7 ORGANIC FOOD: FACTORS STUDY THAT INTERFERE IN TE CONSUMER BUYING DECISION ABSTRACT The concern with the impacts caused in the natural environment by the current production models has been the discussions agenda all over the planet. In this context, the modern agricultural production model, which utilizes a high degree of mechanization and chemical fertilizers, has been questioned and within the suggested alternatives is the organic production model that values the manipulating practices and uses soil biological actions. The organic agriculture also contributes for the food security once it passes through providing healthier food to the population. The organic products consume has increased all over the world and Brazil has been stood out as one of the largest producers in the planted area. In the organic food productive process that goes from the production to commercialization, one of the crucial points has been how to position along with the consumers. This research paper searched for analyzing the organic food consumers behavior in Vitoria da Conquista city Bahia state, through the interviews realized with a sample of 207 potential consumers. The results show that the majority of the consumers know that the food is organic, that are intended by most of them as conventional food substitutes, they consider the certification as fundamental, have a high degree schooling level, above average income and are concerned about their life quality, and their favorite shopping places are trade fairs and supermarkets. The results also show that the factors which prevent these products consume increasing are related to little organic food offering and the inexistence of an effective communication that emphasizes the organic food benefits, the adequate products exhibition in the sale places, the advertisement tactics utilization and the sale promotions. This research results allow concluding that the organic agriculture may represent a strong alternative of employment and income for the region producers since they worry about implementing the market strategies in the commercialization process so that they may position in the market in a professional manner. Key words: Organic food, consumer behavior, marketing, Vitoria da Conquista

8 8 LISTA DE FIGURAS, GRÁFICOS E QUADROS. Figura 1: Principais correntes de pensamento ligadas ao movimento Orgânico e seus precursores Figura 2: Cadeia de produção de produtos orgânicos Figura 3: Área plantada de alimentos orgânicos no mundo Figura 4: O mix de marketing 4ps Figura 5: Modelo dos 5 estágios de compra Figura 6: Fatores que influenciam o comportamento do consumidor Figura 7: Localização do município de Vitória da Conquista Figura 8: Entrevistados por Gênero Figura 9: Faixa etária Dos entrevistados Figura 10: Escolaridade dos entrevistados Figura 11: Estado civil dos entrevistados Figura 12: Distribuição dos entrevistados por Renda mensal Figura 13: Grau de participação dos entrevistados em causa ambiental Figura 14: Conhecimento dos entrevistados sobre alimento orgânico Figura 15: Pessoas que já consumiram alimentos orgânicos Figura 16: Preferência de consumo entre orgânicos e não orgânicos Figura 17: Produtos orgânicos que podem ser encontrados nos pontos-devenda na visão dos entrevistados Figura 18: Distribuição dos entrevistados que lêem o rotulo Figura 19: Atributo considerado essencial nos alimentos orgânicos Figura 20: O grau de importância do selo de certificação Figura 21: Local preferido para compra de alimentos Figura 22: Seção exclusiva de orgânicos nos pontos-de-venda Figura 23: Seção exclusiva de orgânicos no ponto-de-venda e a possibilidade de compra Figura 24: Grau de interesse em freqüentar uma feira de alimentos orgânicos Figura 25: Comparação de preços entre alimentos orgânicos e não orgânicos... 76

9 9 Figura 26: Quantos os entrevistados estão dispostos a pagar a mais por alimentos orgânicos Figura 27: O fator que dificulta o consumo de alimentos orgânicos Figura 28: Meios de comunicação que os consumidores tomaram conhecimento sobre alimentos orgânicos Figura 29: Meio de informação preferido pelos entrevistados Figura 30: Influenciadores na decisão de compra de alimentos no lar Figura 31: O profissional que mais influencia os entrevistados a consumirem alimentos orgânicos Figura 32: Pessoas que fazem dieta na residência dos entrevistados Quadro 1: Princípios básicos e particularidades dos principais movimentos que originaram os métodos orgânicos de produção Quadro 2: Produtores orgânicos na Bahia Quadro 3: Formas de segmentação de mercado... 37

10 10 LISTA DE TABELAS Tabela 01: Relação entre renda e conhecimento sobre alimento orgânico Tabela 02: Relação entre a escolaridade e o conhecimento sobre alimento orgânico Tabela 03: Relação entre a escolaridade e a preferência de consumo Tabela 04: Relação entre a renda e local de compra de alimentos Tabela 05: Associação feita por consumidores com relação aos alimentos orgânicos Tabela 06: Relação entre percepção do preço de orgânicos e renda mensal 77 Tabela 07: Pessoas que estão dispostas a pagar a mais por alimentos orgânicos distribuídas por faixa de renda Tabela 08: Relação entre o fator que dificulta o consumo pela renda Mensal... 80

11 11 SUMÁRIO Pg. Resumo... vi Abstract... vii 1. INTRODUÇÃO Definição do problema da pesquisa Justificativa OBJETIVOS Objetivo Geral Objetivos específicos Organização e estrutura da dissertação REFERENCIAL TEÓRICO Sistema Orgânico de Produção Comercialização O mercado dos orgânicos A produção Orgânica no Brasil A Produção orgânica na Bahia Certificação Formas de Certificação Estratégias de Marketing Segmentação de Mercado Nicho de Mercado Merchandising Marketing Verde Comportamento do Consumidor Fatores que influenciam o comportamento do consumidor Consumismo e Consumerismo O perfil do consumidor de alimentos orgânicos... 47

12 12 4. METODOLOGIA Delimitação da Pesquisa Caracterizarão da Área de Estudo Tipo de Pesquisa População e Amostra Amostra Instrumento de Coleta de Dados Tratamento dos Dados RESULTADOS E DISCUSSÃO Perfil dos consumidores Percepção dos consumidores sobre alimentos orgânicos CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES REFERÊNCIAS APÊNDICES... 94

13 13 1. INTRODUÇÃO 1.1 Definição do problema da pesquisa A produção de alimentos que causam esgotamento dos recursos naturais no modelo agrícola vigente tem sido pauta dos diversos debates. A busca de um modelo de desenvolvimento sustentável, com uma forma equilibrada de produção que atenda os diversos interesses, tem levado à discussão toda comunidade internacional através de governos, ecólogos, ONG, cientistas e outros. Dentro do conjunto de sugestões propostas o modelo de produção orgânica tem sido difundido como uma alternativa capaz de contribuir para a redução do impacto ambiental em substituição ao modelo tradicional. A Organização das Nações Unidas para a agricultura e alimentação (FAO), divulgou documento sugerindo que a agricultura orgânica pode ser o caminho para alcançar a segurança alimentar. O relatório descreve que a agricultura orgânica não é mais um fenômeno apenas de países desenvolvidos, pois já é praticado comercialmente em 120 países (FAO, 2007). A agricultura orgânica surgiu nos anos 70 como uma alternativa ao padrão produtivo vigente na época. O impulso maior foi dado com o surgimento da International Federation on Organic Agriculture (IFOAM 1 ) que reuniu as entidades agroambientalistas em todo mundo e que passou a unificar e trocar informações sobre as experiências espalhadas pelo mundo estabelecendo normas técnicas e a certificação de produtos (EHIERS, 2000). Ao longo dos anos, vem surgindo vários modelos, sempre defendidos como o mais alternativo, mas, segundo Zamberlan (2001), na chamada agricultura alternativa constam outras correntes ou denominações como: agricultura natural, agricultura biológica, agricultura ecológica, agricultura biodinâmica e a permacultura. No Brasil, a agricultura orgânica começa a se estabelecer a partir do ano de 1976 com manifestos de pesquisadores e que ganhou força durante a década de 80 com o surgimento das ONG e da difusão dos impactos ambientais disseminados por ambientalistas e pesquisadores. 1 IFOAM- Federação Internacional de Movimentos de Agricultura Orgânica, representa o movimento mundial de agricultura ecológica e é uma plataforma de intercâmbio e cooperação internacional.

14 14 Do ponto de vista da atividade econômica, os alimentos orgânicos ainda têm sido caracterizados como um nicho de mercado. Com a crescente oferta de novos produtos, tem havido um aumento no consumo, impulsionado principalmente pela mudança de estilo de vida de um grupo de pessoas que têm a preocupação de buscar bem estar e melhoria de qualidade de vida. Outros fatores que têm contribuído para esse crescimento são os meios de comunicação e o aumento de produtos orgânicos processados nas gôndolas dos supermercados. O mercado de alimentos orgânicos é um mercado em expansão em todos os elos de sua cadeia de valor, representada pelo: Processamento, armazenamento, distribuição e comercialização (BRASIL, 2003). O relatório elaborado por Ormond et. al. (2002) apresenta uma cadeia produtiva, formada por produção de insumos, produção agropecuária, processamento primário, processamento secundário, distribuição, consumo, exportação e a certificação. Desde os produtores até os revendedores nota-se um crescimento em todos os elos da cadeia, tem havido um aumento de produtores, empresas industriais que passam a processar e criar produtos similares aos tradicionais, utilizando matéria prima orgânica, que representa a agregação de valor. Atualmente os alimentos orgânicos têm preços mais elevados do que os não orgânicos, com percentuais em algumas categorias que chega a mais de 200%. A tendência é que haja uma diminuição destas margens, pois com a maior oferta, naturalmente estas margens diminuirão e estes produtos deverão ter preços próximos dos produtos não orgânicos. Um dos aspectos mais importantes no composto do produto orgânico é a certificação. Um produto para ser considerado de fato orgânico é necessário que haja uma certificação de um orgão credenciado conceder o selo, esta certificação atesta a origem e qualidade do produto, do processo de produção além de demonstrar um respeito ao consumidor e obter dele a credibilidade para o consumo. Existem certificadores no Brasil que são credenciados por órgãos internacionais como o International Federation of Organic Agriculture Movements (IFOAM) criado em 1972 e que congrega as associações nacionais de agricultura orgânica. Atualmente no Brasil os produtos são certificados por certificadoras privadas, segundo a Agencia Brasileira de Promoção as Exportações - APEX (2006) existem entre 25 e 30 certificadores que atuam monitoradas por entidades internacionais. Os

15 15 mais requisitados são: o Instituto Biodinâmico (IBD), a Associação de Agricultura Orgânica (AAO), Associação de Agricultores Biológicos (ABIO) e Ecocert Brasil. Para que os produtos orgânicos possam se posicionar no mercado e serem adquiridos pelos consumidores, é necessária a utilização de práticas mercadológicas. São técnicas de exposição dos produtos nos pontos de vendas, embalagem, rotulagem, material de comunicação, um conjunto de ações que são desenvolvidas a partir de uma estratégia formulada com base em informações dos ambientes internos e externos e do comportamento dos consumidores. Embora exista uma batalha de produtos liderada pelas grandes indústrias, sobretudo as chamadas marcas líderes com suas estratégias de marketing agressivas, existe também para os alimentos orgânicos a oportunidade de se praticar um marketing diferenciado com a utilização de novas filosofias mercadológicas. Kotler (2003) cita o marketing societal, como uma tendência irreversível de se fazer marketing, respeitando todos os agentes envolvidos tanto de micro como do macro ambiente. Neste trabalho procurou-se identificar e caracterizar a percepção dos atuais e potenciais consumidores de produtos orgânicos, que atributos dos produtos são considerados importantes para a decisão de compra. Neste cenário estão presentes: consumidores mais conscientes, em busca de alimentos que tragam qualidade de vida e bem estar físico e empresas produtoras que buscam atingir este novo público. Neste momento, essas organizações necessitam conhecer o comportamento de compra dos consumidores para estabelecer as estratégias e táticas para comunicar e atrair clientes; saber quais os fatores que interferem na decisão do consumidor em preferir os alimentos orgânicos. Para o embasamento teórico da pesquisa, foram trabalhados os conceitos referentes ao sistema orgânico de produção, enfocando a cultura orgânica no mundo e no Brasil, a comercialização, o mercado interno e externo de orgânicos, a legislação e a certificação de produtos. O estudo de fatores que afetam o consumidor foi relacionado aos fundamentos do marketing moderno, a segmentação de mercado, o marketing verde, o comportamento do consumidor, o processo de decisão de compra e o perfil dos consumidores de orgânicos. A fim de cumprir os objetivos traçados, esta dissertação foi estruturada em seis seçoes.

16 16 Além da introdução, no item três aborda conceitos sobre o sistema orgânico de produção, as principais correntes da agricultura alternativa, o panorama do mercados internacional, no Brasil e na Bahia, a certificação dos alimentos orgânicos, as estratégias de marketing com foco no mercado orgânico, o segmento de mercado, o comportamento do consumidor e o marketing verde. No item quatro está descrito os procedimentos metodológicos, como população pesquisada, amostra, instrumento de pesquisa e analise. No capitulo cinco se apresenta os resultados da pesquisa com a analise e discussão dos dados, através de gráficos, tabelas e cruzamento de variáveis. No item seis são feitas a conclusão com as considerações finais e recomendações. 1.2 JUSTIFICATIVA O consumidor, a cada dia dispõe de mais opções de alimentos, com uma oferta avassaladora promovida pela indústria alimentícia. São fórmulas de novos produtos, extensões de linha e de marcas de alimentos, uma infinidade que são lançados a todo o momento. Com relação à linha dos chamados alimentos alternativos, quanto aos orgânicos, verifica-se que já começam a estar presentes em alguns pontos de venda como os supermercados, feiras e lojas de produtos naturais. Nas feiras existem ainda os alimentos sem certificação, que são expostos e vendidos como orgânicos. Num cenário de mercado tão competitivo como o alimentício, espera-se que os produtos orgânicos possam concorrer diretamente com outros produtos de linhas diferentes como ligth, diet, naturais e principalmente os tradicionais, que conta com toda uma estrutura de comercialização consolidada através das grandes indústrias do consumo. O esperado é que os orgânicos tenham um grau de qualidade na comercialização e posicionamento no mercado próximo ao dos seus concorrentes, sobretudo nas informações das embalagens e demais estratégias de comunicação. Uma busca na literatura nota-se que ainda existe pouca informação sobre como se comporta o consumidor de alimentos orgânicos, quais são as suas preferências, qual o processo de decisão de compra, que atributos são mais

17 17 valorizados. A literatura sobre comportamento do consumidor destaca os fatores que influenciam os consumidores para a compra, como aspectos culturais, sociais, pessoais e psicológicos, a reação dos consumidores após a compra. Estudos realizados no Brasil e no exterior, mostram que consumidores procuram por alimentos orgânicos para obter mais bem estar através da segurança que tais alimentos possibilitam. A relevância da presente pesquisa é subsidiar políticas públicas orientadas para conservação do meio ambiente, numa perspectiva de desenvolvimento sustentável. Ao mesmo tempo, a pesquisa pode oferecer subsídios à iniciativa privada interessada em atuar o mercado de alimentos orgânicos, além do aprofundamento dos estudos acadêmicos por outros pesquisadores que queiram continuar a investigação.

18 18 2. OBJETIVOS 2.1 Objetivo Geral: Analisar fatores que atuam na decisão do consumidor de alimentos orgânicos. 2.2 Objetivos Específicos: I. Caracterizar o perfil sócio-econômico do consumidor e de potenciais consumidores de alimentos orgânicos (nível de escolaridade, nível de renda familiar, idade, atividade que desenvolve experiência/vivência com pessoas/instituições relacionadas com temas ambientais, obesidade e outros). II. Verificar o conhecimento que os consumidores têm sobre alimentos orgânicos e a disposição para o consumo. III. Identificar os critérios que norteiam a decisão de compra utilizada pelo consumidor. IV. Caracterizar a presença do marketing de alimentos orgânicos (mídias de TV, rádio, jornal, outdoor; disposição dos produtos no ponto de venda).

19 19 3. REFERENCIAL TEÓRICO Nesta sessão são apresentadas as bases teóricas utilizadas na pesquisa. Os referenciais teóricos contribuem para relacionar aos dados investigados e coletados com vistas a atender os objetivos propostos para a pesquisa. O primeiro fundamento é sobre o sistema orgânico de produção, que trata das correntes da chamada agricultura alternativa. Esse conteúdo permite o entendimento sistêmico do modelo de produção. São tratados os princípios e particularidades de cada movimento, apresenta a cadeia produtiva dos orgânicos, o mercado dos alimentos orgânicos no mundo, no Brasil e na Bahia, a comercialização e o processo de certificação. A temática de marketing visa dar embasamento conceitual sobre as ações do mercado de produtos orgânicos e ao perfil do consumidor. São abordados os temas: estratégias de marketing, segmentação de mercado, merchandising, marketing verde e o comportamento do consumidor. O marketing moderno se aproxima cada vez mais das outras áreas do conhecimento, como a sociologia, a psicologia, a antropologia e com bastante ênfase nos últimos anos para os aspectos ambientais. 3.1 SISTEMA ORGÂNICO DE PRODUÇÃO O termo agricultura alternativa é utilizado pelo público em geral para identificar os diversos sistemas de produção que são diferentes do sistema tradicional. Nas linhas de escolas da chamada agricultura alternativa, temos a Agricultura Orgânica, a Biodinâmica, a Natural a Permacultura, entre outras (ZAMBERLAN, 2001). A agroecologia é descrito por Altieri (1989) como o mais correto para englobar todos esses sistemas, ele afirma que a agroecologia é uma ciência que apresenta uma série de princípios e metodologias, para ele a agroecologia possui uma série de princípios científicos e não é uma prática ou um sistema de produção. Ehlers (2000) usa o termo grande guarda-chuva que é o conceito de agricultura alternativa, insere-se aí a vertente da agricultura orgânica.

20 20 Debaixo do mesmo guarda-chuva estão a chamada agricultura natural, biodinâmica e biológica. A descrição das principais correntes do pensamento ligadas ao movimento orgânico através do trabalho do pesquisador Darolt (2000), mostra a trajetória histórica deste movimento ao longo do tempo e seus precursores, (figura 1). O pesquisador conclui sua pesquisa afirmando que. [...] as várias correntes citadas (biodinâmica, biológica, natural, permacultura, ecológica, agroecológica, regenerativa e em alguns casos, a agricultura sustentável) são consideradas como uma forma de agricultura orgânica, desde que estejam de acordo com as normas técnicas para produção e comercialização, apesar das pequenas particularidades existentes. Em síntese, podemos destacar que o ponto comum entre as diferentes correntes que formam a base da agricultura orgânica é a busca de um sistema de produção sustentável no tempo e no espaço, mediante o manejo e a proteção dos recursos naturais, sem a utilização de produtos químicos agressivos à saúde humana e ao meio ambiente, mantendo o incremento da fertilidade e a vida dos solos, a diversidade biológica e respeitando a integridade cultural dos agricultores. (DAROLT, 2000, p.2) Esta afirmação do professor Darolt (2000) coloca em segundo plano a discussão dos modelos de produção e suas peculiaridades, abrindo espaço para a discussão sobre o potencial que esses modelos apresentam na geração de alimentos confiáveis. Na pesquisa Darolt (2000) debruça ainda sobre as principais correntes, a biodinâmica, a biológica, a natural e a orgânica e apresenta a definição e os princípios básicos com suas particularidades (quadro 1). Este quadro mostra o caráter prático e a relação com o princípio teórico.

21 21 FIGURA 1 Principais correntes de pensamento ligadas ao movimento orgânico e seus precursores Fonte: DAROLT, (2000). Conforme relata Carmo (2004), a agroecologia originou-se como a disciplina que procurava as bases cientificas para a agricultura alternativa e firmou-se nos

22 22 anos 1980 com a preocupação de integrar as técnicas com o homem, procurando estabelecer estreita ligação social para a produção agropecuária. O conceito de agroecologia e agricultura sustentável lançadas em 1972 na Conferência de Estocolmo na Suécia, consolidou-se na conferencia da Eco 92 realizada no Rio de Janeiro, quando foram reafirmadas as bases para um desenvolvimento sustentável no planeta. Nos dias de hoje, o termo é entendido como um conjunto de princípios e técnicas que visam reduzir a dependência de energia externa e o impacto ambiental da atividade agrícola e industrial, produzindo alimentos mais saudáveis e valorizando o homem do campo, sua família, seu trabalho e sua cultura. Segundo Canuto (2004), a noção de agricultura sustentável busca abarcar todos os sistemas nos quais haja uma clara inversão no sentido ecológico da agricultura convencional, com construção de sistemas de mínima entropia. Embora existam os diversos caminhos e vertentes de uma produção limpa, em direção a uma agricultura sustentável, segundo Carmo (2004), o importante é manter os princípios básicos que norteiam uma produção ecologicamente equilibrada, entre eles a abolição de insumos químicos solúveis e a presença da biodiversidade dos agroecossistemas. Conforme relatório Brasil MMA (2000), a idéia de uma agricultura sustentável revela, antes de tudo, a crescente insatisfação com o status quo da agricultura moderna. Indica o desejo social de sistemas produtivos que, simultaneamente, conservem os recursos naturais e forneçam produtos mais saudáveis, sem comprometer os níveis tecnológicos já alcançados de segurança alimentar.

23 23 QUADRO 1 - PRINCÍPIOS BÁSICOS E PARTICULARIDADES DOS PRINCIPAIS MOVIMENTOS QUE ORIGINARAM OS MÉTODOS ORGÂNICOS DE PRODUÇÃO MOVIMENTO OU CORRENTE PRINCÍPIOS BÁSICOS PARTICULARIDADES Agricultura Biodinâmica É definida como uma "ciência espiritual", ligado à antroposofia, em que a propriedade deve ser entendida como um organismo. Preconizam-se práticas que permitam a interação entre animais e vegetais; respeito ao calendário astrológico biodinâmico; utilização de preparados biodinâmicos, que visam reativar as forças vitais da natureza; além de outras medidas de proteção e conservação do meio ambiente. Na prática, o que mais diferencia a ABD das outras correntes orgânicas é a utilização de alguns preparados biodinâmicos (compostos líquidos de alta diluição, elaborados a partir de substâncias minerais, vegetais e animais) aplicados no solo, planta e composto, baseados numa perspectiva energética e em conformidade com a disposição dos astros. Agricultura Biológica Agricultura Natural Agricultura Orgânica Não apresenta vinculação religiosa. No início o modelo era baseado em aspectos socioeconômicos e políticos: autonomia do produtor e comercialização direta. A preocupação era a proteção ambiental, qualidade biológica do alimento e desenvolvimento de fontes renováveis de energia. Os princípios da AB são baseados na saúde da planta, que está ligada à saúde dos solos. Ou seja, uma planta bem nutrida, além de ficar mais resistente a doenças e pragas, fornece ao homem um alimento de maior valor biológico. O modelo apresenta uma vinculação religiosa (Igreja Messiânica). O princípio fundamental é o de que as atividades agrícolas devem respeitar as leis da natureza, reduzindo ao mínimo possível a interferência sobre o ecossistema. Por isso, na prática não é recomendado o revolvimento do solo, nem a utilização de composto orgânico com dejetos de animais. Aliás, o uso de esterco animal é rejeitado radicalmente. Não tem ligação a nenhum movimento religioso. Baseado na melhoria da fertilidade do solo por um processo biológico natural, pelo uso da matéria orgânica, o que é essencial à saúde das plantas. Como as outras correntes essa proposta é totalmente contrária à utilização de adubos químicos solúveis. Os princípios são, basicamente, os mesmos da agricultura biológica. Não considerava essencial a associação da agricultura com a pecuária. Recomendam o uso de matéria orgânica, porém essa pode vir de outras fontes externas à propriedade, diferentemente do que preconizam os biodinâmicos. Segundo seus precursores, o mais importante era a integração entre as propriedades e com o conjunto das atividades socioeconômicas regionais. Este termo é mais utilizado em países europeus de origem latina (França, Itália, Portugal e Espanha). Segundo as normas uma propriedade "biodinâmica" ou "orgânica", é também considerada como "biológica". Na prática se utilizam produtos especiais para preparação de compostos orgânicos, chamados de microrganismos eficientes (EM). Esses produtos são comercializados e possuem fórmula e patente detidas pelo fabricante. Esse modelo está dentro das normas da agricultura orgânica. Apresenta um conjunto de normas bem definidas para produção e comercialização da produção determinadas e aceitas internacionalmente e nacionalmente. Atualmente, o nome "agricultura orgânica" é utilizado em países de origem anglo-saxã, germânica e latina. Pode ser considerado como sinônimo de agricultura biológica e engloba as práticas agrícolas da agricultura biodinâmica e natural. Fonte: DAROLT, 2000.

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