Inventário de Comportamentos Agressões Sexuais Juvenis

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1 UNIVERSIDADE FERNANDO PESSOA Faculdade de Ciências Humanas e Sociais Inventário de Comportamentos Agressões Sexuais Juvenis Unidade curricular: Delinquência Juvenil Docente: Prof. Dr. Sónia Caridade Aluno: Liliana Queirós Fonseca nº 26289

2 Introdução No âmbito da disciplina de Delinquência Juvenil, lecionada pela Professora Sónia Caridade, foi proposto aos alunos a elaboração de um instrumento de avaliação de prevenção ou de intervenção. Como tal, após uma extensa pesquisa bibliográfica em delinquência juvenil, considerei pertinente a realização de um instrumento de avaliação que incidisse sobre as agressões sexuais juvenis, que têm registado recentemente um grande aumento. A idade escolhida para a aplicação deste inventário foi a faixa etária entre 10 e 18 anos, por ser nesta idade que se começam a verificar este tipo de comportamentos. Uma das questões mais esclarecidas nas investigações no âmbito da delinquência juvenil diz respeito às diferenças de género no envolvimento de atos antissociais, demonstrando o sexo masculino ser mais agressivo do que o sexo feminino (Odgers et al., 2008). A delinquência está, como comenta Quinsey et al. (2004), desproporcionalmente concentrada nos jovens rapazes. Porém, os comportamentos antissociais cometidos pelas jovens do sexo feminino tendem a seguir também a curva do crime segundo a idade evidenciada nos trabalhos de Farrington (2004; Pepler, Jiang, Craig, & Connoly, 2010). E vários estudos verificaram que, embora os indicadores de prevalência de delinquência e de comportamentos antissociais sejam menores para raparigas do que para rapazes, a quantidade de atos antissociais cometidos por raparigas é significativo e os fatores de risco associados ao início das trajetórias desenvolvimentais são praticamente semelhantes para ambos (Moffit et al.,2001; Odgers et al., 2008). Neste sentido, foi realizado um inventário de comportamentos composto por duas partes. Numa primeira parte procede-se a uma análise sociodemográfica, de forma a apurar a idade do jovem, a escolaridade, o sexo e a localidade do mesmo. Por sua vez, numa segunda parte, são listados dezasseis tipos de comportamentos, desde comportamentos de menor gravidade, como soltar um piropo a comportamentos de caráter mais grave, como manter relações sexuais com outra pessoa que não o desejava/forçando-a. As possibilidades de resposta são iguais para todas as alíneas, constituídas por uma parte a) e uma parte b), a primeira avalia se o jovem já teve determinado comportamento e a segunda avalia se o jovem já foi vítima do mesmo comportamento. De salientar, que este inventário avalia também a frequência desses comportamentos, de forma a compreendermos se estamos perante jovens limitados à adolescência ou de jovens persistentes ao longo da sua vida. Por fim, este instrumento contém um documento que pretende dar a conhecer as instruções deste questionário e conta ainda com uma declaração de consentimento informado.

3 INSTRUÇÕES Esta investigação está a ser desenvolvida pela Universidade Fernando Pessoa, no âmbito da Cadeira de Delinquência Juvenil da Licenciatura de Criminologia pela aluna Liliana Fonseca, sob orientação da Professora Sónia Caridade. Através do questionário procura-se caracterizar as agressões sexuais ocorridas.. Este questionários dirigem-se a todos os jovens com idade compreendida entre os 10 e os 18 anos A participação neste estudo é voluntária. Apenas os investigadores envolvidos no projeto terão acesso aos dados e, por isso, as respostas são totalmente confidenciais e anónimas. Por favor, não escreva o seu nome ou outro elemento de identificação em nenhuma das páginas apresentadas. O preenchimento dos questionários terá a duração aproximada de 30 minutos. Caso aceite participar, deverá antes de mais prestar o seu consentimento (em baixo, onde se lê Consentimento Informado). Por favor, leia com atenção as instruções de cada questionário antes de começar o seu preenchimento certifique-se que vê esclarecidas quaisquer dúvidas que possa ter. Questões adicionais sobre o estudo deverão ser dirigidas aos autores, a partir do seguinte endereço de correio eletrónico: Desde já agradecemos a sua atenção! CONSENTIMENTO INFORMADO Declaro ter sido informado(a) e estar ciente dos propósitos e termos em que decorrerá o presente estudo (ex.: objetivos, metodologia, duração do estudo), da participação voluntária no mesmo, dos limites da confidencialidade e das demais questões, tendo-me sido prestados todos os esclarecimentos que solicitei a participar de forma voluntária. Como tal, ao colocar uma cruz no quadrado que se segue, disponho-me a participar no mesmo e a responder de forma sincera. Data: / /

4 Instruções: Vais encontrar de seguida um conjunto de questões acerca de ti, do teu relacionamento familiar e do teu relacionamento perante a sociedade. Peço-te que leias atentamente as perguntas e que respondas de acordo com a tua opinião e experiência. Este questionário é absolutamente anónimo e confidencial, por isso peço-te que sejas verdadeiro(a) nas tuas respostas. Não existem respostas certas ou erradas. Lê cada questão e coloca um (X) sobre a resposta que consideras que melhor traduz a tua opinião e experiência. Selecciona apenas uma opção por questão. Agradeço a tua colaboração! Dados pessoais Por favor responde às questões abaixo apresentadas, sem indicar o teu nome. Idade Sexo: M F Escolaridade Localidade INVENTÁRIO DE COMPORTAMENTOS (Liliana Fonseca, 2013) (Lê atentamente as diferentes questões, procurando responder às 2 alíneas, a) e b)) 1. Enganar/usar alguém para obter um favor sexual. 2. Aproveitar locais públicos (ex.: festas, discotecas) para obter aproximação física de outras pessoas tirando proveito sexual da situação.

5 3. Visualizar filmes pornográficos. 4. Obsessivos interesses sexuais/preocupação com pensamentos sexuais (ex.: masturbação frequente). 5. Experiências sexuais com algum menor de 14 anos. 6. Manter relações sexuais com outra pessoa que não o desejava/forçando-a. 7. Apalpar alguém contra a sua vontade. 8. Soltar um piropo.

6 9. Exibir os órgãos sexuais sem o consentimento da outra pessoa. 10. Exibir órgãos sexuais em público (ex.: festas, escola, discoteca, grupo de amigos). 11. Tirar/baixar as calças a alguém na escola. 12. Espreitar outras pessoas a despirem-se (ex.: balneários, casas-de-banho, etc.). 13. Obrigar alguém a consumir algum tipo de drogas (ex.: álcool ou outras) para desta forma obter proveito sexual.

7 14. Forçar violentamente alguém a manter relações sexuais. 15. Beijar forçadamente outra pessoa. 16. Usar algum tipo de manipulação e/ou coação para conseguir manter uma relação sexual com outra pessoa.

8 DECLARAÇÃO DE CONSENTIMENTO INFORMADO Designação do Estudo (em português): Inventário de Comportamentos (Agressões Sexuais Juvenis) Eu, abaixo-assinado, (nome completo do participante no estudo) , compreendi a explicação que me foi fornecida acerca da participação na investigação que se tenciona realizar ao meu educando, bem como do estudo em que ele será incluído. Foi-me dada oportunidade de fazer as perguntas que julguei necessárias, e de todas obtive resposta satisfatória. Tomei conhecimento de que a informação ou explicação que me foi prestada versou os objectivos e os métodos. Além disso, foi-me afirmado que tenho o direito de recusar a todo o tempo a minha participação no estudo, sem que isso possa ter como efeito qualquer prejuízo pessoal. Foi-me ainda assegurado que os registos em suporte papel e/ou digital (sonoro e de imagem) serão confidenciais e utilizados única e exclusivamente para o estudo em causa, sendo guardados em local seguro durante a pesquisa e destruídos após a sua conclusão. Por isso, consinto em participar no estudo em causa. Data: / / 20 Assinatura do participante no projecto: O Investigador responsável: Nome: Assinatura: Comissão de Ética da Universidade Fernando Pessoa

9 Conclusão É imperativo compreender e encarar a delinquência juvenil, ou seja, todo o tipo de infração criminal que ocorre durante a infância e a adolescência (Ferreira, P., M,. (1997), como um fenómeno, daí a necessidade de elaborar instrumentos de prevenção ou de intervenção, de forma a avaliar, intervir e minimizar as consequências resultantes destes comportamentos de risco. A violência ocorrida nas relações íntimas entre os jovens tem sido grandemente reconhecida como um problema social que alcança jovens pertencentes a diferentes níveis formativos, socioeconómicos e raciais, atingindo dimensões e efeitos alarmantes (Caridade, 2013). Neste sentido, a elaboração deste inventário de comportamentos para agressões sexuais juvenis, comportamentos dirigidos a outro indivíduo, executados com a intenção imediata de causar danos (Anderson & Huesmann, 2003, p. 298), permite enumerar as agressões cometidas, obter um maior conhecimento sobre estes comportamentos, avaliando também o tipo de comportamento que é utilizado e ajudando a captar as cifras negras. Consequentemente, vai permitir uma reflexão sobre a urgência em atuar neste contexto, de forma a prevenir futuras ocorrências de comportamentos inadequados. Este tipo de violência comporta custos elevados para a saúde e desenvolvimento dos jovens, por isso, torna-se imperativo a sua identificação precoce, bem como a adoção de estratégias de intervenção e o envolvimento de diferentes agentes de forma a intervir de forma eficaz (Caridade, 2013). Em especifico, este inventário de comportamentos incide sobre agressões sexuais juvenis, que se traduzem em violência sexual sempre que o autor impeça um individuo de ser livre na sua determinação sexual, que recorra a violência ou a ameaças envolvendo violência física, psicológica, verbal, entre outras (Maia, L., 2012), que se tornam cada vez mais frequentes entre os jovens. Assim sendo, é necessário consciencializar toda a comunidade de forma a alertar e abrir portas à uma intervenção, sendo esta, cada vez mais imprescindível.

10 Referências bibliográficas: Caridade, S. (2013). Violência nas relações íntimas juvenis (VRIJ): estratégias de identificação e intervenção. In: Sani, A., Caridade, S., (ed.) Violência, Agressão e Vitimação: Práticas para a Intervenção. Coimbra, Almedina, pp Estimate of Risk of Adolescent Sexual Offense Recidivism (The Erasor ): Version 2.0 Farrington, D. P. (2004). O estudo de desenvolvimento da delinquência de Cambridge. In A. C. Fonseca (Ed.), Comportamento Antissocial e Crime: da infância à idade adulta (pp ). Coimbra: Almedina. Ferreira, P., M,. (1997) Delinquência juvenil, família e escola. Analise social, vol. XXXII (143), 1997 (4.º-5.º), Maia, L. (2012) Violência Domestica e crimes sexuais um quia para as vítimas, familiares e amigos. Pactor- Edições de ciências sociais e política contemporânea, Lisboa Matos, M., Gonçalves, R. A., Machado, C. (2011). Manual de Psicologia Forense: Contextos Práticas e Desafios. Braga, Psiquilíbrios Moffit, T. E., Caspi, A., Rutter, M., & Silva, P. A. (2001). Sex diferences in antisocial behavior: conduct disorder, delinquency and violence in the Dunedin Longitudinal Study. Cambridge: Cambridge University Press. Odgers, C. L., Moffitt, T. E., Broadbent, J. M., Dickson, N., Hancox, R. J., Harrington, H., et al. (2008). Female and male antisocial trajectories: from chidhood origins to aduld outcomes. Development and Psychopathology, 20, Pepler, D. J., Jiang, D., Craig, W. M., & Connoly, J. (2010). Developmental trajectories of grirls and boys delinquency and associated problems. Journal of abnormal child psichology, 38, Quinsey, V. L., Skilling, T. A., Lalumiére, M. L., & Craig, W. M. (2004). Juvenile delinquency: understanding the origins of individual diferences. Washington: APA Press. Sistema de Segurança Interna (2012), Relatório Anual de Segurança Interna.

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