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1 ASSEMBLEIA PARLAMENTAR PARITÁRIA ACP-UE Comissão do Desenvolvimento Económico, das Finanças e do Comércio DOCUMENTO DE TRABALHO sobre o empreendedorismo baseado nas TIC e o seu impacto no desenvolvimento dos países ACP Correlatores: Rabindre T. Parmessar (Suriname) e Younous Omarjee DT\ doc AP v01-00 Unida na diversidade

2 I. Introdução As Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) têm contribuído para o desenvolvimento económico, político, social e ambiental. Um setor das TIC em expansão, quando bem orientado e integrado, cria oportunidades para o crescimento económico e pode contribuir para a redução da pobreza. Vários países e regiões têm incentivado de forma progressiva uma melhor implantação e utilização das TIC e estão a contribuir para o desenvolvimento de uma sociedade da informação e do conhecimento. As TIC constituem uma ferramenta essencial para o crescimento económico e o progresso de muitos países. Um paradigma recente reside no facto de mais e melhor informação e comunicação aprofundar o desenvolvimento de uma sociedade com respeito a uma série de aspetos do desenvolvimento humano. A forma mais tangível e eficaz de melhorar a sociedade da informação assenta na promoção do acesso e da utilização das TIC para todos, o que requer esforços da parte dos países em desenvolvimento para participar totalmente na economia da informação. O objetivo visa alcançar um acesso mais abrangente e a preços comportáveis às aplicações e serviços TIC, bem como uma utilização generalizada das TIC. Apesar da elevada penetração e do aumento da taxa de crescimento das TIC, constatam-se diferenças consideráveis entre os países fortemente industrializados e os países em desenvolvimento; o fosso digital a nível mundial continua a ser bastante significativo e a questão sobre como melhorar o acesso e medir o impacto das TIC no desenvolvimento socioeconómico continua, em grande parte, sem resposta. Existe uma série de TIC diferentes, com impactos muito diversificados em função dos contextos e países. Muito do progresso alcançado na medição do impacto das TIC relacionase com o trabalho da Parceria de Medição das TIC para o Desenvolvimento («Partnership on Measuring ICT for Development») e das suas organizações. A parceria foi lançada em junho de 2004 no âmbito da 11.ª sessão da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD XI). O desenvolvimento das TIC deve fazer-se com base na vontade de garantir o acesso equitativo para todos às tecnologias e aplicações TIC. Encontramo-nos hoje numa época em que as mentalidades e as conquistas económicas substituíram as conquistas territoriais, sendo que as TIC se assumem como um veículo poderoso neste processo. Por conseguinte, é fundamental desenvolver e fortalecer ao mais alto nível a criatividade e as competências em matéria de TIC nos países ACP, a fim de promover a sua influência cultural e económica bem como a disseminação da informação entre as regiões do sul, e do sul para o norte, tendo como perspetiva o reequilíbrio da situação atual que assenta essencialmente numa direção norte-sul. II. O papel do setor das TIC nos países ACP A «economia do conhecimento» ajuda a abordar os problemas e desafios essenciais com mais eficiência, e faz com que as empresas sejam mais eficazmente integradas e reativas nos mercados mundiais em rápida evolução. Por exemplo, a externalização de processos empresariais («Business Process Outsourcing») - um processo que tanto assenta na AP v /5 DT\ doc

3 subcontratação de operações e responsabilidades das funções ou processos de uma atividade empresarial específica por um prestador de serviços terceiro, como na sua reorganização no seio de uma infraestrutura de serviços partilhados - pode constituir uma oportunidade para as economias em desenvolvimento. Existem igualmente importantes oportunidades de desenvolvimento se forem correspondidas as necessidades em termos de TIC da educação, da saúde e de outros setores, como o acesso dos agricultores aos dados de que precisam para reagir ao mercado ou antecipar condições atmosféricas. Sublinhe-se a consciência da importância da implantação das TIC para a promoção do desenvolvimento das pequenas e médias empresas (PME). Os instrumentos precisam de ser desenvolvidos para proporcionar um melhor acesso ao financiamento e prestar serviços de apoio. Muitas PME, inclusive nos países em desenvolvimento, têm acesso à Internet e utilizam-na para comunicar com fornecedores e clientes, para pesquisar informação relativa à sua atividade e para exporem os seus produtos. Essas atividades requerem um acesso à Internet e a produtos e serviços TIC de elevada qualidade e a preços comportáveis. A título de exemplo, a África adotou os quadros de desenvolvimento de TIC da União Africana (UA) - incluindo o Plano Africano de Ação Regional para a Economia do Conhecimento (ARAPKE) no âmbito da Cimeira Mundial sobre a Sociedade da Informação (CMSI), o Quadro de Referência para a Política de Harmonização das TIC, e a Declaração da Cimeira da UA de Adis-Abeba sobre as TIC para o desenvolvimento de África. A Parceria UE-África relativa à Sociedade da Informação integra um Fórum Empresarial UE- África dedicado, que fornece ao setor privado recomendações sobre a implementação das parcerias. O Fórum Empresarial UE-África promove a cooperação empresarial entre os dois continentes e transmite num plano político as questões dos intervenientes no mercado. O Fórum Empresarial tem um subgrupo específico relativo às TIC. Não obstante, a cooperação entre as regiões do sul em matéria de desenvolvimento das TIC deve continuar a ser um pilar da estratégia dos países ACP, com o intuito de desenvolver ligações entre as regiões do sul, já que estas se baseiam atualmente numa dinâmica de norte para sul. A África é, neste momento e a nível internacional, o mercado que cresce a maior velocidade, sendo necessárias novas tecnologias, novas abordagens à inovação e à implementação, novas perspetivas intelectuais e novos desenvolvimentos políticos. III. Possíveis medidas para apoiar o empreendedorismo das TIC Devem ser desenvolvidas abordagens inovadoras a fim de envolver melhor o setor privado e alavancar financiamentos, competências e capacidades, que podem contribuir para um crescimento económico mais sustentável e abrangente. Os bancos, os ninhos de empresas e as multinacionais no domínio das TIC podem ceder financiamento, orientação e possibilidades de formação para todo o tipo de empreendedores. As empresas arrendatárias passariam por um amplo processo de orientação e de construção de capacidades recorrendo a consultores experimentados em diversos campos, como a gestão de projetos, comercialização, desenvolvimento de planos empresariais, redação de propostas e capacidade negocial. DT\ doc 3/5 AP v01-00

4 A Europa e a África chegaram a um acordo de princípio para explorarem mecanismos de financiamento inovadores, como os «Auction Floors» e as parcerias público-privadas, a fim de incluir ativamente o setor privado enquanto parte integrante e fundamental deste plano de ação, e criar condições que permitam estimular uma participação mais eficaz do setor privado. Este deverá ser aplicado ao desenvolvimento das TIC com o objetivo de desenvolver o setor em prol das pessoas e dos países onde as TIC foram desenvolvidas e implementadas, e não em prol das empresas estrangeiras que aspiram apenas à realização de mais lucros e à abertura de novos mercados. Preparação, formação e orientação de jovens para virem a ser futuros empreendedores informáticos a nível internacional. Verifica-se a necessidade de conceber iniciativas adequadas em matéria de literacia digital e cibercompetências que apoiem o desenvolvimento, a nível local, de conteúdos e aplicações digitais de elevado impacto socioeconómico, nomeadamente nos domínios da saúde e da educação. As escolas tecnológicas são adequadas para acolher ninhos de empresas que possam promover o desenvolvimento do empreendedorismo no âmbito das TIC, através do desenvolvimento de atividades empresariais relacionadas com as TIC, de novas empresas e das amplamente necessárias competências TIC. Os referidos ninhos de empresas formam os estudantes para virem a ser empreendedores informáticos. Colaboração económica com benefícios mútuos entre as indústrias europeias e as PME dos países ACP envolvidas em atividades de TIC A Parceria UE-África engloba a promoção da cooperação na rede de investigação e ensino através da exploração da interligação entre a rede europeia GEANT e as redes regionais estabelecidas em África, e através do apoio ao desenvolvimento de uma rede integrada panafricana de investigação e ensino. Com efeito, é preciso aperfeiçoar a cooperação em matéria de investigação das TIC. Deverá procurar-se uma aliança com grandes empresas europeias no sentido de promover a inovação e o empreendedorismo das TIC a nível local. Essa aliança poderia incluir a rede de ninhos de empresas de África («Africa Incubators Network») e a rede europeia de «laboratórios vivos». Uma aliança Europa-ACP complementaria igualmente os investimentos feitos na implantação de infraestruturas de TIC. Reforçar a atual iniciativa de harmonização das políticas em matéria de TIC na África subsariana (HIPSSA) Deverá apoiar-se a execução de reformas regulamentares e políticas das TIC e a harmonização regional com vista à criação do ambiente certo para favorecer o investimento privado e o desenvolvimento do mercado, assegurando ao mesmo tempo serviços a custos comportáveis e a maior divulgação possível das TIC e dos serviços eletrónicos. Muitas vezes, os custos de ligação são extremamente elevados, especialmente em países com fracas infraestruturas de comunicação, podendo igualmente existir problemas nas ligações por cabo transfronteiras. AP v /5 DT\ doc

5 Apoiar o desenvolvimento e a adoção de modelos PPP adequados Os esforços contínuos para definir modelos de parcerias público-privadas que sejam adequados para o setor das TIC devem ser incentivados e apoiados. Esses modelos fornecem quadros transparentes, previsíveis e úteis para doadores, grandes empresas e atividades empresariais nos países ACP se estabelecerem e expandirem atividades empresariais no domínio das TIC. Não obstante, todas as parcerias público-privadas devem ser desenvolvidas em prol das pessoas e não das empresas europeias ou estrangeiras que esperam das parcerias público-privadas o desenvolvimento dos seus próprios negócios pensando apenas nos seus próprios lucros e interesses. DT\ doc 5/5 AP v01-00

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