Abreacombe e Frite. Irotis Poluser Sobarba. Este texto foi criado sem a intenção de fazer referência a nomes, pessoas, lugares, atos e fatos.

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2 Abreacombe e Frite Irotis Poluser Sobarba Este texto foi criado sem a intenção de fazer referência a nomes, pessoas, lugares, atos e fatos. Caso tenha ocorrido, não terá sido proposital. Ano 2014 Registro de propriedade intelectual (FBN) 614/15-1 -

3 Abreacombe? Quando me chamam pelo nome de verdade eu demoro um pouco para entender é que comigo! Culpa do chinês, que Deus o tenha. O restaurante era modesto e minha principal função era fazer de tudo. Limpeza, carregar as compras, lavar verduras, erguer panelas cheias, lavar a louça mais difícil, consertar quase tudo, desentupir a pia e os ralos... Mesmo fazendo tudo isso, o que eu mais ouvia todo dia era: abre a combe! Eu chegava para trabalhar, ficava encostado na porta de entrada ainda fechada, olhando o movimento das moscas porque naquele horário não passava nem alma pela rua nunca faltei nem me atrasei, todo dia ali esperando o chinês, que Deus o tenha!. Ele sabia falar bom dia, olá, oi, como vai, etc. Mas, já chegava agitado, procurando a chave para abrir a porta e falava: abre a combe, abre a combe! Claro que eu nem ligava para isso na época, já entendia que abre a combe significava: trazer as compras da van para a cozinha e começar a fazer alguma coisa. Não sei como, mas ele nem completava as frases quando queria que eu fizesse alguma tarefa, só apontava, resmungava e isso bastava para eu saber o que ele queria. Eu fazia de tudo para agradar e não deixar o chinês, que Deus o tenha! mais agitado ou nervoso. Também, considerando o meu trabalho anterior na fábrica do alemão, que fazia questão de falar bastante, achava que o dia tinha 30 horas, que ninguém precisava comer e ninguém podia ser feliz, então era melhor agradar por ali mesmo! Tudo para não precisar nem pensar em voltar para aquela porcaria de fábrica. Tive muita sorte e o trabalho no restaurante foi o que mudou a minha vida, de verdade, não é um clichê, mudou tudo. Tenho saudades e sei que tive muita sorte. Começaram a me chamar assim depois que minha esposa veio trabalhar lá também. Ainda não era minha esposa e do jeito que apareceu à primeira vez talvez não tivesse me interessado por ela. No começo era só o patrão e eu naquele horário, mas houve uma mudança e todos passaram a chegar ao mesmo tempo. Todos no caso eram o filho e a filha dele, minha esposa e eu. Todo dia era a mesma rotina e ninguém falava nada sobre isso. Tenho certeza que eles achavam engraçado quando ele me falava abre a combe, mas não comentavam nada. Até que sem pensar eu resolvi arremedar abre a combe, abre a combe. Por azar minha esposa escutou, riu e percebeu que eu estava fazendo graça, mas também não falou nada na hora. Logo depois ela começou a me chamar assim. O Abreacombe, preciso de mais batatinhas..., Abreacombe a pia entupiu.... Eu atendia o que estava pedindo e percebi que a chinesinha também dava mais risadas e as duas brincavam: abreacombe, abreacombe. Resultado: virei o tal Abreacombe. Não demorou muito e acabei me vingando. Mesmo antes de casar com ela, consegui que todo mundo chamasse a minha esposa por outro nome também. Qual? Aí eu prefiro que ela mesma conte! Mesmo que os mais inteligentes já tenham sacado... O que importa é que não fiquei por baixo. Nem por cima, afinal perdi meu nome de verdade! Que vantagem eu ganhei em trocar o nome dela também? Pelo que percebi, nenhuma. Gosto muito dela, meio chata de vez em quando, brava, ranzinza, mas eu gosto. Às vezes ela não concorda com alguma coisa e não tem como concordar com tudo mesmo, por isso que acho que estamos casados e felizes. Apesar de que não foi um acordo tão fácil assim. Ela ficou muito nervosa quando eu disse que queria namorar, achei que ia me bater! Por sorte me abraçou, deu um beijo muito bom e aceitou me trazer a felicidade de viver ao lado dela. Este sou eu, não tenho muito que falar, minha história é igual à de quase todo mundo e eu sou um cara feliz, sortudo

4 Frite? Não gosto desse apelido. Eu sei que é culpa minha, não devia ter tirado sarro do Abreacombe. Nem sei o porquê disso, não gosto dessas brincadeiras. Antes de casar com ele, já me chamavam assim. Começou no restaurante do chinês, que Deus o tenha!. O Abreacombe pensa que eu não sei que ele gostava de mim e por isso que me chamou desse jeito, queria minha atenção. Não dei bola para ele no restaurante no começo, mas depois não resisti, é um homem muito bom, em quase tudo. Até nem sei que graça teve essa de mudar os nomes. Acho que foi porque era divertido imitar o chinês, que Deus o tenha!. Na verdade ele não chamava a gente assim, nem de outro jeito. Nunca ouvi falar meu nome! Nem o do Abreacombe. Às vezes me chamam pelo nome certo e eu não atendo. Já falei que não gosto; só acho engraçado. Adianta contrariar? O Abreacombe só me chama assim: Frite. Eu não concordo com ele nisso. Não sei no que eu concordo, mas não concordo. Só acho engraçado e o jeito que ele fala é legal, carinhoso. Todo dia, antes de começar o trabalho, o chinês, que Deus o tenha! só falava para ele: abre a combe, abre a combe! Depois o resto do dia era de pouca conversa e muita coisa para fazer. Fui contratada como auxiliar da cozinha. Da cozinha era modo de dizer, era auxiliar da filha dele. Tinha quase certeza de que ela era um robozinho. Ou pelo menos uma máquina. Não concordo que chamem as pessoas de máquina, só que essa mulher era uma máquina. Cuidava do fogão, montava os pratos, cuidava dos temperos, lavava a louça, sei lá mais o que tanto fazia que nem dava para perceber de tão rápida que era. Eu fazia as coisas que ela mandava, foi sempre muito educada e estava sempre sorrindo. Tenho saudades, era muito bom trabalhar com ela. Acontece que um dia o Abreacombe ouviu o chinês, que Deus o tenha! falando para mim: frite, frite. Como eu tirei sarro dele pelo abre a combe, abre a combe, toda vez que eu olhava para ele já falava frite, frite. E se for falar bem a verdade, eu fritava muita coisa mesmo! Batatinha, bolinho, camarão, peixe... Mesmo que eu ajudasse nas outras coisas, toda vez que estava meio distraída ouvia frite, frite. Não concordo. Meu nome não é esse. A filha dele que me fez aceitar isso. Ela me disse uma vez: melhor frite do que asse... ou limpe... Sem perceber ela me ajudava a gostar do trabalho, só o sorriso, o jeito de trabalhar, as vezes que conversávamos da vida, as dicas de temperos, de como cozinhar direito, economizar nas coisas, tudo isso tornava muito bom ter a companhia dela. Tinha um respeito com o pai que nunca vi igual. Dá saudades também. Quando resolvi deixar o Abreacombe me namorar eu tinha receio de qualquer homem perto de mim. Achava ele meio tonto. Obedecia tudo que mandavam e ainda dava risada. Era fortão... Também carregando caixa, erguendo panela, carregando bebidas, fardos de comida, tinha mais que ficar forte mesmo. Ele acha que eu não sei, mas comia o tempo todo. Era só a chinesinha dar bobeira que ele abria as panelas e tirava um pouco para ele. Eu achava engraçado e ficava admirada com a alegria dele em trabalhar ali. Também não sei o porquê de tanta alegria, com o que ganhava lá mal pagava as contas! Gostava de ver o jeito dele imitando o chinês, que Deus o tenha!. Gostava também quando me dava presentinhos, não gosto que me agradem demais, mas vindo dele era bom. Uma vez me deu uma maçã que era do restaurante mesmo. Acho muito feio alguém dar presente que não comprou, mas ele separou uma maçã tão linda que me fez aceitar na hora. Nunca mais vi uma maçã tão bonita! Ele falou que só eu merecia uma fruta quase perfeita. Até parece né? Falei que não gostava de ganhar presentes e fiz de conta que era uma maçã normal. Estava com fome e comi ali mesmo, na frente dele. Acho que não sabe que eu fiquei boba e só não queria mesmo que ele se folgasse comigo. Era mesmo algo muito especial. Não é qualquer um que consegue ver num monte de coisas iguais uma que seja - 3 -

5 especial, por ser parecida com as outras, só que muito melhor. Enquanto ele fazia cena para me entregar eu pude perceber a diferença com as outras da caixa. Sempre traziam frutas e verduras muito boas para o restaurante, com certeza eram as melhores que eu já tinha visto na vida, mas aquela que eu ganhei era mesmo muito melhor que as outras. Também se não fosse, do jeito que ele me entregou, passaria a ser. Quando o chinês, que Deus o tenha! me viu comendo a maçã, ficou sério e logo falou: frite, frite. Quase perguntei se era para fritar a maçã, mas eu não sabia se ele entenderia a brincadeira e fiquei quietinha, fritando. Frite, frite, não sei que graça tem isso. Não concordo

6 Abreacombe e Frite? Contada pelo Abreacombe... Tenho certeza que a Frite é a melhor mulher do mundo em tudo. Até na hora que ela reclama é a melhor. A nossa história é igual de muita gente e como aconteceu é muito comum. Eu acho tem outras parecidas com a nossa, só que a maioria das pessoas não conta para ninguém. Tem gente que fala a estória de dez novelas e não é capaz de perceber que a sua história é bem mais interessante. E olha que nós ouvimos muitas conversas que sabemos que nem a metade é verdade. Quem não conhece alguma pessoa que inventa coisas que nunca aconteceram e conta como se nós acreditássemos? Às vezes fico em dúvida, presto atenção e comento com a Frite... Pronto, basta comentar alguma coisa com ela para saber se é verdade ou não. Aquela olhada de canto de olho já responde tudo, não preciso nem confirmar. O primeiro dia dela no restaurante do chinês, que Deus o tenha! ficou mais marcado para mim pela minha burrice do que pelas coisas que aconteceram. Nada de muito diferente da rotina, cheguei cedo, ouvi abre a combe, abre a combe, descarreguei tudo e se a chinesinha não me fala, nem perceberia que tinham contratado uma ajudante na cozinha. Quando eu olhei, adivinha o que ela fazia? Fritava batatinha. Ela deve ter entrado e conversado com eles enquanto eu tentava enrolar um pouco, lá fora mesmo. Acho que eles sabiam que eu dava aquela miguelada, mas nunca me falaram nada, então continuava fazendo. Numa das minhas passadas pela cozinha carregando caixas de alimentos a chinesinha falou para mim: A moça é nova aqui, começou hoje. Continua igual como a gente fazia antes, só que ela vai ajudar. Você não precisa mais fritar batatinha e lavar louça. Ajuda a gente no que for pesado, ajuda a montar o prato feito, ajuda igual o jeito que a gente trabalha todo dia. Entendeu? Acho que entendi. A chinesinha continuaria se matando de trabalhar e apenas teria alguém a mais para ajudar a fazer aquilo que ela pedisse de vez em quando. Em resumo era isso. Gostaria muito de ter conhecido essa chinesa antes. Na fábrica do alemão ela faria um estrago sem tamanho! E na escola então? Se fosse ela minha professora eu acho que teria me formado doutor! E a Frite? Bom, tenho que confessar aqui... Não chamou a atenção em nada. Por isso que me considero muito burro! Por isso que esse primeiro dia me marcou como símbolo da minha burrice. Tem que ser muito burro para não perceber que ali estava a melhor mulher em tudo que se possa avaliar. Até hoje fico pensando como seria se a minha burrice tivesse permitido que outro homem a levasse dali e da minha vida. Mas, tenho que explicar melhor. Os uniformes da chinesinha, do chinês, que Deus o tenha! e do filho dele eram exatamente do mesmo modelo. Calça de tergal azul, camiseta larga de manga longa azul e avental azul. Este era bem fácil de reconhecer, mais ou menos como um saco de batata com um furo no meio e dois na lateral. Ainda colocavam um lenço na cabeça amarrado de um jeito que só eles sabiam como fazer. A chinesinha tinha cabelos longos, então usava um monte de fivelas e uma redinha preta prendendo. Parece normal, mas como ela passava grande parte do tempo rindo, os olhos encolhiam e ficava uma cara muito engraçada. Eu gostava muito de trabalhar com ela, dava risada de tudo, até do nada. O meu uniforme era quase igual, só não usava o avental saco de batata, porque ficava sempre rasgado e sujo de puxar as caixas de verdura, bebidas, óleo, pratos, etc. Como o chinês, que Deus o tenha! era muito inteligente sugeriu que eu só usasse a camiseta, que era mais fácil de trocar e lavar... Tá, mas e a Frite? Eis o detalhe... Como que eu ia achar bonita ou gostosa uma mulher vestida com aquele uniforme? Pior ainda, de cabelo preso com redinha preta! Para complicar ainda mais ela já vinha de casa assim, já chegava ao restaurante vestida daquele jeito

7 A Frite não conversava quase nada. Parecia até que ela era a filha do chinês, que Deus o tenha!. Eu perguntava será que chove hoje? e nada. Perguntava se ela precisava de alguma coisa e só respondia o que era para eu fazer. Na verdade nunca ficava sozinho com ela na cozinha. Foi assim por quase uma semana. Aí o chinês, que Deus o tenha!, do nada chamou os quatro para conversar e falou: quero que todos entrem às cinco horas. Todos no mesmo horário. Entenderam?. Eu só balancei a cabeça confirmando, já chegava nesse horário desde sempre. Frite fez uma cara de brava, como de quem não concordava, mas soltou um sim senhor. Os outros dois responderam em chinês e até hoje não faço ideia do que falaram, só sei que no outro dia estavam lá, cinco horas da madrugada em frente ao restaurante. Isso mudou o rumo da minha vida e o destino me fez acordar da burrice e perceber a Frite. O resto não mudou nada, o chinês, que Deus o tenha! chegava agitado, falava abre a combe, abre a combe e nada de diferente. Nessa época eu morava bem perto do restaurante, era coisa de andar dez minutos e de madrugada isso é muito bom. Você consegue ouvir seus passos e às vezes até faz eco. Raramente passava um carro e não encontrava ninguém na rua. Pelo menos para mim era muito bom. A chinesinha e o filho do chinês, que Deus o tenha! chegavam todos os dias exatamente no mesmo horário, nem um minuto a mais, nem um minuto a menos. Ela faltando dez minutos para cinco horas, ele faltando cinco. A Frite que variava o horário. Aos poucos, quando ela chegava antes dos outros a gente começou a conversar mais. A primeira vez teve que ser com ela puxando a conversa. Eu estava lá do mesmo jeito, encostadão ao lado da porta e como estava chovendo se obrigou a ficar mais perto. Ela falou: Não concordo de chegar neste horário. Só quando tem muita coisa para fazer eu acho que precisa, mas é muito cedo. Apesar de que acordar cedo é bom. Sabe aquelas cenas de filme que a pessoa fala e o resto do mundo está em câmera lenta? Pois é... Ouvindo ela no silêncio da madrugada, sem o barulho das panelas da chinesinha, do exaustor e das outras tranqueiras do restaurante, aquela voz parecia de anjo. Minha mãe dizia que a gente nunca ouve a voz dos anjos porque eles falam direto na nossa mente. E a voz da Frite parecia ser uma dessas que de tão agradável vai direto para a mente da pessoa. E foi assim, sempre antes de abrir o restaurante que eu fui conhecendo alguma coisa da minha esposa. Não tenho como negar que fui me apaixonando por ela, ficava muito ansioso pela chegada e quando os chineses chegavam antes dela ficava frustrado. Ela parecia uma pedra na frente deles. Comigo estava se soltando, não que estivesse sorridente contando piada, falando besteira, nada disso. Digamos que era uma pedra menos dura, pelo menos respondia o que eu perguntava. Aquele restaurante tinha muitas coisas que aconteciam e pareciam passar despercebidas. A chegada do chinês, que Deus o tenha!, a relação de respeito extremo com os filhos e dos filhos com ele, as lágrimas sem motivo aparente, o silêncio e as palavras em chinês antes de carregar a sobra da comida, a alegria da chinesinha em se matar de trabalhar, realmente muitas coisas. Uma delas era o dia do pagamento. Metade dia quinze, metade dia trinta. Não importava qual dia da semana, o combinado estava na conta. Sim, nada de dinheiro na mão, tudo depositado no banco, nenhum centavo a mais, nenhum centavo a menos. No final daquele ano, exatamente sete dias antes do Natal, apareceu na conta um valor a mais, mesmo sem o chinês, que Deus o tenha! comentar nada, entrou uma bela gorjeta. O contador que trouxe o recibo para assinar que explicou: não me pergunte o porquê, mas ele considera isso uma forma de dar um presente de Natal. Eu nunca tive intimidade com o chinês, que Deus o tenha!. Nunca troquei palavras com ele, nunca apertei sua mão. Mas, esperei uma hora que não tivesse ninguém por perto, fui do lado dele e falei: muito obrigado, Deus abençoe o senhor e sua família. Ele baixou a cabeça, juntou as mãos como quem vai orar e percebi que correu uma lágrima... Eu não sabia o que fazer. Tive vontade de dar um abraço nele, que voltou a fazer alguma coisa qualquer e o assunto morreu ali. Também não sei o porquê, mas ele nunca ficava parado

8 Nem comentei nada com a frite e com os filhos do chinês, que Deus o tenha!. Vai que o presente era só para mim? Só que no dia seguinte o filho e a chinesinha me chamaram na cozinha, quase na hora de ir embora. Chamaram a Frite também. Ele falou com a cabeça baixa: nós não fazemos Natal nem festa de ano novo como vocês fazem. Mas, como vocês trabalham muito para ajudar nosso pai e nosso restaurante, a gente quer dar um presente também. Deram mais uma gorda gorjeta em dinheiro para nós. E, como se tivessem combinado, fizeram o mesmo gesto do chinês, que Deus o tenha!, juntando as mãos. Pela janela eu vi que o velho também juntou as mãos e baixou a cabeça. A chinesinha estava como sempre rindo, mas eu notei que os dois tinham lágrimas no rosto. E aí, o que fazer nessa hora? Eu não entendia nada, além de muito burro era bem ignorante. Não sei como e nem porque, mas baixei a cabeça e falei: muito obrigado, que Deus abençoe vocês. Ele saiu logo de perto e ela como tinha que terminar as coisas da cozinha, foi mexer em alguma coisa, como se nada tivesse acontecido. Queria muito fazer alguma coisa para agradar eles e muito mais entender porque estavam dando dinheiro para nós sem que fosse obrigação. Sempre ouvi nas conversas de rua que chinês não faz isso, que são comunistas, comem escorpiões e jogam criancinhas na rua. Olhando para a cozinha vi que a Frite deu um longo abraço na chinesinha. Só que eu não levava jeito para isso. Abraçar os chineses? Deu vontade. Mas, mesmo hoje muito arrependido, não abracei. O trabalho acabava cedo no restaurante. Duas horas da tarde já estávamos com quase tudo limpo, organizado, encaminhado para o dia seguinte. Havia uma regra de não fechar a porta antes de o último cliente se mostrar satisfeito. Mesmo que só tivesse um lá dentro e enrolando para ir embora, não mudava a regra. Neste dia que recebemos os presentes, por coincidência não tinha nenhum tonto embaçando a nossa vida na hora de fechar. Deu à hora e fizeram ritual envolta da sobra de comida. Veio o tradicional abre a combe, abre a combe e estávamos liberados. Com a grana extra, pensei em comprar alguma coisa para dar de presente a eles. Na verdade eu assumo, queria mesmo era comprar um presente para a Frite. Já estava achando que poderia ter alguma chance com aquele gelo todo. Fui para o shopping ali perto do restaurante mesmo. Rodei um tempo longo e acabei comprando uma camisa para o chinês, que Deus o tenha!, uma camiseta para cada um dos filhos. Nunca vi eles sem o uniforme do restaurante, mas imaginei que seria um presente bom. Fora isso, o que mais poderia dar? Apesar de não levar muito jeito para comprar as coisas, estava na minha cabeça o tempo todo que faltava o presente para a Frite. Flores? Não. Era capaz de ela colocar na fritadeira. Chocolates? Não. Ela parecia sempre tão azeda que nem conseguia imaginar ela comendo chocolate. Roupa? Legal, um bom presente, igual dos chineses, para não dar muita bandeira de que eu queria impressionar. Comprei uma camiseta também. Foi o máximo que minha ignorância e burrice alcançaram. A minha percepção era que eu estava melhorando muito. Antes disso tudo, quando eu trabalhava naquela bosta de fábrica do alemão que também era um bosta, tinha churrasco, bebedeira, putaria com as mulheres da fábrica, mas nunca ganhei um centavo a mais do que a lei obrigava ele pagar. Dessa vez, não teve nem sinal de festa, meu salário era menor que o da fábrica, mas sobrou dinheiro até para dar presentes. Aliás, eu não fazia ideia de como ou com o quê gastaria aquele dinheiro que veio sem aviso e sem pretensão. Pensei em visitar meus parentes, pensei em visitar aquela zona que o filho do chinês, que Deus o tenha! me levou uma vez, pensei em comprar roupas de marca, pensei em tomar tudo em cerveja, pensei em guardar na poupança, fui pensando e pensando em tanta coisa que quase não percebi uma voz atrás de mim falando: torrando o presente heim seu Abreacombe?... Quando eu virei, novamente parecia que o mundo parou e ficou só aquele cabelo mexendo lentamente contornando um rosto sorrindo e olhos piscando em câmera lenta. Era a Frite. Já disse que eu sou muito burro e este momento me fez sentir toda a burrice possível. Ela estava sem o uniforme do restaurante e com os cabelos soltos. Levei uns três ou quatro segundos para acordar do impacto que teve a presença dela a paisana. O que era aquilo heim? Que mulher linda! De tão besta que fiquei - 7 -

9 acabei perguntando: é você Frite?. Ela deu uma risadinha curta e perguntou o porquê da minha pergunta. Lógico que ela percebeu que eu fiquei bobo. Posso estar exagerando um tanto, mas quando você vê uma pessoa todos os dias vestindo um saco de batata, não têm como imaginar que ela seja assim tão diferente quando vestida com roupas normais. Eu pelo menos não tinha percepção suficiente para projetar isso numa mulher. As pessoas do meu convívio eram poucas e todas no mesmo jeitão que eu. Só o cabelo solto dela já fez com que o rosto mostrasse uma beleza que me derrubou. Até o jeito de se mexer, andar e falar parecia diferente. Por um momento pensei que as gorjetas tinham me deixado tão tonto que não estava numa cena real da minha vida. Aí ela falou: não concordo que fiquem dando dinheiro no Natal. Gostei do presente deles, não sei ainda como vou gastar, para eu que ganho tão pouco é muito dinheiro. Não esperava ganhar nada, ainda mais no Natal. Confesso que não prestei muita atenção nas palavras, mas a boca estava com batom, algo que em muito tempo trabalhando juntos nunca tinha visto nela. No trabalho a Frite parecia sempre com a mesma cara fechada e ranzinza. Do nada surge de cabelos soltos, de batom, brincos, sem o saco de batata e com ar de menos dureza... Acho que me apaixonei mesmo. O Natal daquele ano seria no Sábado. Folga extra para nós. Eu segurei os presentes até aquela sexta-feira, vinte e quatro de Dezembro. Ainda estava meio sem jeito e sem saber que hora entregar para os chineses e principalmente para a Frite. Na chegada ela viu que eu carregava sacolas, mas não perguntou nada. Aí o dia começou e descarreguei coisas diferentes. Também não perguntei nada porque meu trabalho era levar tudo até a cozinha e não ficar perguntando o que era e para o quê servia. A chinesinha estava mais sorridente e o cheirinho da comida era uma maravilha a parte. Frite estava do mesmo jeito, fazia o que mandavam e fritava as coisas. Foi passando o tempo e percebi que o movimento do dia foi pouco, percebi também que os chineses pareciam ter previsto isso. Só achei que teve panela demais no fogo e que a sobra de comida não parecia muito com sobra do dia-a-dia. Então decidi entregar os presentes que comprei para eles antes do ritual da sobra de comida. Para o chinês, que Deus o tenha! eu me aproximei e estendi o presente. Ele ficou me olhando sem entender direito e aí falei: é para o senhor. Muito obrigado pelo presente que me deu e quero desejar Feliz Natal para o senhor e sua família. Ele ainda demorou um pouco para pegar o pacote, percebi que havia novamente a lágrima nos olhos igual ao outro dia. Baixou a cabeça e falou: obrigado, muito obrigado. Você é bom homem. Obrigado. Para o filho dele foi fácil porque já era quase um amigo e eu me sentia mais a vontade. Para a chinesinha eu já sabia que ela ia sorrir então foi bem tranqüilo e acho que ela ficou mesmo agradecida porque o sorriso era diferente. E a Frite... Pois é, e a Frite. A chinesinha percebeu que eu estava nervoso e falou: A Frite não ganha nada? Ufa! Salvo pela chinesinha! Fui até ela e entreguei o pacote. Feliz Natal Frite, para você e sua família. Ela me olhou diferente também, parecia mais com o olhar daquele dia no shopping. Agradeceu e disse que abriria em casa, pois ainda estava terminando suas coisas para ir embora. Logo veio o ritual e ouvi: abre a combe, abre a combe. Carreguei toda a sobra que realmente não parecia sobra. Fiquei já do lado de fora do restaurante, onde me despedi da chinesinha que passou apressada, do filho do chinês, que Deus o tenha! que também passou apressado. Faltava ele fechar as portas e a Frite também não tinha saído ainda. Ela só falava até amanhã e ele baixava a porta sempre com pressa, embarcava no carro e sumia. Dessa vez ela veio onde eu estava e falou comigo: não gosto de ganhar presente. Só quando é assim de surpresa. Não esperava um presente teu. Muito obrigado. Tive vontade de falar um monte de coisas para ela, só que a burrice não permitiu. Então ela me perguntou onde eu passaria a noite de Natal. Onde? Depois que fiquei sozinho na cidade, sem meus pais e família, sempre passei em casa, do mesmo jeito que nos outros dias. Foi o que falei para ela. Como estava sendo um final de ano de muita coisa diferente acontecendo na minha vida, fui pego de surpresa de novo com o que ela me falou: Não concordo de trabalhar na semana de final de ano. O dinheiro extra até dá para viajar e ver minha família, mas só tem dois dias de folga, não dá tempo. Quer - 8 -

10 passar na minha casa hoje? Você sabe que também sou sozinha aqui. Faço a janta e pelo menos não ficamos sozinhos. O que acha? Se minhas pernas parassem de tremer poderia responder melhor. Na verdade era a primeira vez na vida que uma mulher me convidava para alguma coisa. Lógico que eu queria. E muito! Natal de pobre é muito diferente do que mostram em novelas, filmes e propagandas de TV. A única coisa que um pobre pode esperar de magia numa noite de Natal é ter alguma surpresa ou conquistar alguma coisa que deseja muito. A Frite tinha aquele jeitão fechado dela e pouco conversava, mas em casa, parecia outra pessoa. Fisicamente nem se fala, sem aquele uniforme era outra mulher. Posso estar enganado ou exagerando, mas imagino que foi nesta noite que ganhei um presente incrível para minha vida. Não tinha as luzes, árvore enfeitada, não tinha família reunida, nem as crianças com alegria na sala, não houve troca de presentes, nem musiquinhas com sininho, harpa e essas coisas das propagandas de shopping center. Apenas a Frite e eu, num buraco de periferia, rodeados de outros no mesmo miserê, em um apartamento de programa social, tudo isso claramente compatível com a renda e realidade dos dois. O que um cara de vida simples com seis latinhas de cerveja na mão deveria fazer ao ser recebido por uma colega de trabalho com um belo sorriso no rosto? Também não tinha a menor ideia do que fazer. Ela vestia uma roupa nova e o cheirinho de comida boa era muito mais forte que o perfume que ela usava. Mesmo com toda a simplicidade imposta pela condição de vida de quem não tem grana, o cheirinho que senti era de uma ceia como não tive nos últimos anos. Aliás, a vida toda. Ceia é modo de falar, como eu fui de ônibus tive que chegar cedo, conforme combinamos, pois durante as festas de final de ano, o transporte público seria de hora em hora... Entrei e só consegui falar uma coisa: Frite, não sou acostumado a jantar na casa dos outros e não sei o que fazer, você quer que eu carregue alguma coisa, ou de repente quer que limpe alguma panela, como faço no restaurante? Ela riu e respondeu quase do mesmo jeito de sempre: Não concordo de carregar nada nem de fazer nada. Quase, porque estava rindo e falava mais suavemente, como se estivesse muito relaxada, muito tranquila e posso até arriscar que estava um pouco feliz. Pediu para eu acompanhá-la na cozinha, não para ajudar, mas para conversar enquanto ela cuidava da comida. Nunca passou pela minha cabeça algo assim. Eu na casa da mulher que seria minha esposa, conversando e sendo recebido como se fossemos íntimos e o mais intrigante era que ela estava muito diferente, nem parecia a Frite! Falamos do restaurante e ela começou a falar da sua vida, até cortar a conversa quando seria a hora da história recente. Eu não tinha muito para falar. Minha vida era acordar cedo, trabalhar no restaurante, ler alguma coisa, ver tv, conversar no bar e dormir. Só isso. Ela sim parecia ter muita coisa que poderia contar, mesmo sendo fria e fechada. Chegou a hora de comer e confesso que já estava ficando verde de fome. O cheiro era muito bom! Não imagine nada de prato chique ou que lembre ceia de Natal. O principal era frango ou como a Frite chamava, galinha. Um cozido de mandioca, farofa com couve e salada de tomate com alface picada. Não é exagero nenhum quando falo que estava comendo um banquete de Natal! E a Frite falou o que eu mais queria ouvir: coma a vontade que eu não faço cerimônia da sobra como tem no restaurante. Comi mesmo, de suar e nem lembrar que tinha levado cerveja. Comi com tanta satisfação que posso sentir agora o gosto daquela comida. Não sabia como agradecer ou elogiar, não sabia nem o que falar ali na frente dela. Acho que percebeu que eu gostei demais e nem precisava falar muito para a Frite, afinal ela também não falava tanto assim. Não comia também, só pegou um tiquinho de nada. Quando terminei minha vontade era de ter palavras e habilidade para agradecer, elogiar, fazer algo que demonstrasse minha alegria e gratidão. Muito obrigado, que Deus te abençoe, nunca te falte nada na vida, muito obrigado de verdade. Com quem aprendeu a cozinhar assim? Foi o melhor frango assado que já comi! - 9 -

11 Neste momento eu senti vontade de chorar, porque tinha saudade da minha família. Só que ela deixou correr uma lágrima antes e disse que sentia saudades da mãe, do pai e da irmã. Ficou quieta por um tempo e me falou que tinha cozinhado como se eles viessem para jantar também. Acabou me agradecendo por ter ido lá e eu burro como sempre não sabia o que falar para ela! Então contou que a forma de fazer aquela comida era a mãe dela que tinha ensinado. Apenas pegou umas dicas com a chinesinha do restaurante que deu um gosto ainda melhor. Continuamos conversando sobre o restaurante, lavamos a louça juntos, ajudei a limpar fogão e mesa. Era muito mais tarde do que eu sempre ia dormir todos os dias e não lembrei um detalhe: naquele horário não teria mais ônibus para eu voltar para minha casa... Hora de me despedir e não estava com vontade de ir embora. Foi uma noite em que o tempo passou mais rápido para mim. Quando eu ficava no bar perto de casa, só ouvia gente contando mentira e falando o que eu não entendia direito. Ali eu conversei como se fosse outra pessoa também, com ela que estava muito diferente do dia-a-dia. Não sei como, mas na porta de saída eu agradeci mais uma vez a ela e falei Feliz Natal com a mão estendida. Ela sorriu, puxou minha mão e me abraçou falando Feliz Natal seu Abreacombe, obrigado pela companhia, você é um cara muito legal! Enquanto caminhava pelas ruas desertas, fiquei pensando o tempo todo no que aconteceu naquela noite. O que mais me lembrava era: você é um cara legal. Também ficava tentando entender como ela parecia tão comum de uniforme e tão bonita sem ele. Caminhava, caminhava e nada de chegar! Tive que xingar o governo por não ter ônibus naquele horário, já estava ficando bem cansado. Mesmo depois de andar tanto, já em casa, continuei acordado e não conseguia parar de pesar na Frite. Muitos e muitos minutos de caminhada, eu estava realmente exausto. Minha preocupação agora era achar um jeito de falar para ela que estava apaixonado. Como? Fiz milhares de cenas imaginárias, em todas só conseguia ter o restaurante como local, pois era lá que eu passava mais tempo do dia e era o único lugar que poderíamos estar juntos. Passou aquele feriado e na segunda-feira, cinco horas da madrugada estavam todos no restaurante do chinês, que Deus o tenha!. Os filhos dele chegaram pontualmente e a Frite uns minutinhos atrasada. Depois de fazer o mesmo caminho e também a pé, dava para imaginar o esforço dela todos os dias para chegar naquele horário. Quando chegou, eu estava descarregando as compras e dessa vez o carro estava pouco carregado de mercadorias, mas tinha as panelas da última sobra. Não consegui ter paciência e cabeça para dar aquela enrolada no tempo, estava muito ansioso para ver a minha paixão. Logo que entrei na cozinha ela e a chinesinha estavam se preparando para o dia e realmente a Frite ficava irreconhecível com aquele uniforme e a redinha preta no cabelo. A diferença também foi na forma de cumprimentar, desta vez com um leve sorriso. Nada mais que isso, mesmo porque a chinesinha já passava algumas tarefas para ela e já começava a pedir as coisas pesadas para mim. Não consigo descrever a minha angústia em ter um dedinho de conversa com ela. De novo a quantidade de comida preparada foi pouca, o movimento de pessoas almoçando idem e logo no início da tarde tudo pronto, abre a combe, abre a combe e todos liberados. Novamente eu no lado de fora esperando o chinês, que Deus o tenha! fechar a porta e ela sair. Por um momento tive medo que ela me ignorasse e que com aquele coração de pedra não viesse falar comigo. Não me pergunte o porquê de eu não tomar a iniciativa. Mas, por capricho do destino ela veio e estávamos praticamente sozinhos na frente do restaurante, tudo como eu fiquei imaginando desde a hora que saí do condomínio onde ela morava. Minha limitação era tão grande que eu só sabia o que fazer no caso de tudo acontecer como eu imaginei, se uma coisinha viesse diferente eu dançava. Abreacombe, não concordo com quem deixa as coisas na casa dos outros. Você deixou Cerveja na minha geladeira. Por que não tomou e por que não levou embora? E aí, o que fazer nessa hora? Como eu não tinha a menor ideia do que falar ela percebeu que abaixei minha cabeça e deu risada. Não estou brigando com você, é só brincadeira!. Melhor assim, mas na hora não tive muita reação. Conversamos mais um pouco e me ofereci para acompanhá-la e

12 assim recolheria as cervejas. Neste momento ela se fechou e voltou a ser a Frite de sempre. Disse que eu não poderia fazer isso porque ela não queria homem frequentando a casa dela. Não concordo que você vá lá buscar, sou moça direita, se você está pensando bobeira comigo é melhor parar de pensar. Com isso, meus dias de planejamento acabaram em tempo perdido. Aliás, foi um banho de água fria. Só baixei a cabeça novamente e pedi desculpas. Não entendi o que você falou, se era para buscar as cervejas ou não. O resto da semana foi de um marasmo total no restaurante. Tanto que o chinês, que Deus o tenha! decidiu que não abriria o restaurante no último dia do ano. Para mim não faria a menor diferença, não sabia o que era comemorar uma virada de ano. Até então, poucas vezes fiquei acordado durante as queimas de fogos. Pouco falei com a Frite durante a semana, ela se fechou e meus dias foram de trabalhar, trabalhar e nada mais. Achei que nunca mais teria uma chance de me sentir bem como foi naquela noite de Natal. Minhas ideias de como falar, minha vontade de passar mais tempo com ela fora do restaurante, nada disso deu certo e estávamos novamente com tudo igual aos outros dias. Envergonhado, não conseguia olhar para ela que certamente percebeu isso. Carro carregado e eu ali esperando o chinês, que Deus o tenha! fechar a porta e ela também sair. Até aí, tudo normal. Quando o chinês, que Deus o tenha! subiu no carro e sumiu, a Frite tinha acabado de sair apressada e só deu um tchau de longe mesmo. Cara fechada e com aquele uniforme horrível. Final de ano, cidade vazia, propagandas e reportagens na TV sobre a festa da virada e nada disso fazia parte da minha vida. Apesar de que nunca havia me preocupado com essas coisas antes... Aí veio o melhor da história. Ela parou a caminhada, tirou aquela redinha preta do cabelo e voltou ao meu encontro. Eu ainda estava lá encostado no mesmo lugar de sempre e não tinha movido um passo. Cheguei a pensar que ia levar mais uma bronca do tipo não concordo, mas foi muito diferente disso. Abreacombe, não sei o que falar para você. Não concordo de passar mais uma virada de ano sozinha e pelo que você me falou no Natal hoje vai ficar sozinho também. Gostei demais de conversar com você lá em casa, você é divertido, é um cara muito legal. Só que tenho medo dessas coisas de homem na minha casa. Não quero que falem mal de mim e não quero ser igual a minha prima... Queria muito visitar meu pai e minha mãe, tenho saudades da minha irmã... De novo não dá tempo né? Mesmo que eu não concorde com essas coisas, você vem na minha casa amanhã? Muito melhor do que a encomenda! Falar com a Frite fora do restaurante era uma forma simples e muito interessante de ficar a vontade com alguém que tem a mesma condição de vida que você, ou pelo menos parecida. Ela não me esnobava e ria das coisas que eu falava. Eu só queria ficar perto, olhar para ela e passar bons momentos. Óbvio que aceitei e já estava outra vez ansioso para mais uma noite inesquecível. Lá estávamos outra vez. Ela abrindo a porta parecendo outra mulher, muito diferente da Frite do restaurante e eu bobão sem saber direito o que fazer. Outra vez indescritível o cheirinho de comida boa! Trouxe uma dessas aqui é para tomar a meia-noite para dar sorte. De onde eu tirei isso não sei, mas falei. Ela convidou para entrar e estava simplesmente linda. Nada de imaginar uma mulher toda produzida, com vestido branco, cabelos feitos em salão, etc. Nada disso. Não concordo de tomar essas coisas à meia-noite. Entre. Não estava com aparência de tão feliz quanto no Natal, mas falava com calma, suave e eu já não estava aguentando mais, era quase uma angústia. Acho que era mais de fome, porque a comida parecia muito boa mesmo. E claro, muito por ficar nervoso só de pensar em falar para ela que estava apaixonado. As famílias do condomínio haviam combinado que pouco antes da virada, ficariam reunidas na pracinha em frente e a Frite achou que seria interessante se nós também ficássemos por lá. Confessei que tinha curiosidade em saber como era uma queima de fogos e ela achou engraçado. Eu

13 acompanharia em tudo, se me convidasse para qualquer coisa, sendo com ela eu iria sem reclamar de nada. Meia-noite! Pessoas agitadas e fogos... Muitos fogos! Frite estava de boca aberta. Olhava para mim e falava você viu isso Abreacombe! Seus olhos brilhavam e alguns vizinhos vieram abraçá-la dizendo Feliz Ano Novo!. Lembrei da minha mãe, que nessa hora me abraçava forte e me dava beijos no rosto. Cheguei mais perto da Frite, abri os braços e ela me abraçou. Feliz Ano Novo!. Só consegui falar isso. Ela estava com lágrimas e eu realmente não sabia o que falar. Feliz Ano Novo Abreacombe! Me olhou de um jeito que a minha burrice não permitia identificar como um sinal de que eu poderia realizar o que eu mais desejava naquele momento. Ficamos na pracinha mais alguns minutos, até que os fogos diminuíram e as pessoas começavam a se exceder na bebida. Assustada ela pediu para voltarmos para sua casa. Não entendi direito se ela estava feliz ou triste, mas estendi que eu deveria ir embora. Estava decidido a falar com ela e seria esta noite de qualquer jeito. Tomei coragem e antes de me despedir falei. Frite, foi muito bom passar aqui com você. Muito obrigado outra vez... Não sei falar direito estas coisas, mas não estou aguentando mais. Eu gosto de você. Quer namorar comigo?

14 A mesma história contada pela Frite... Depois de muitas coisas ruins que aconteceram, consegui um trabalho no restaurante do chinês, que Deus o tenha!. Não era bem o que eu queria quando saí da minha cidade e só não voltei para lá porque minha mãe me alertou que não teria outra oportunidade de estudar. Eu queria muito estudar, queria ser médica e voltar para minha cidade para trabalhar como doutora. Foi tudo diferente! Não concordo que as pessoas tenham que mudar de planos sem ter vontade. Na verdade algumas coisas mudaram muito depois do trabalho no restaurante e depois do Abreacombe. Não concordo de ficar elogiando e fazendo propaganda do marido, mas este homem vale ouro. Nos primeiros dias de trabalho ele ficava tentando conversar comigo, lembro bem que eu cortava a conversa, porque tinha medo de o chinês, que Deus o tenha! me dispensar. Não concordo de ficar de papo no trabalho, cada um deve fazer a sua parte do jeito que pediram e nunca ouvi algum patrão falando para o funcionário conversar. Dava um aperto no coração perceber que o Abreacombe estava querendo se aproximar de mim. Claro que eu não deixaria, basta ver o que passei antes disso e não dava muita folga para gente estranha. Todo dia o trabalho era muito duro, tanto a chinesinha, quanto o filho do chinês, que Deus o tenha!, tanto eu quanto o Abreacombe, tínhamos muito o quê fazer. Mesmo que quisesse não teria jeito de paquerar ele no começo. Lembro do dia que teve pouca gente no restaurante e a chinesinha estava bem tranqüila na cozinha. Ela percebeu que eu dei uma olhada mais demorada para o Abreacombe enquanto ele carregava as sobras de comida, depois do ritual deles. Fiquei meio sem jeito porque não concordo que fiquem olhando para mim e cuidando do que eu faço. Ele sempre resmungava alguma coisa e dessa vez imitou o patrão: abre a combe, abre a combe. A chinesinha já dava risada de tudo e quando ele voltou, ela provocou: abre a combe, abre a combe. Ele ficou bravo, resmungou mais alguma coisa e ficou por isso. Mas, quando eu passava por ele, falava baixinho: abreacombe. Ele dava risada, porque sabia que eu estava debochando. Não teve jeito, de tanto brincar com isso, virou o Abreacombe e nós só chamávamos ele assim. Não concordo que fiquem dando apelido para os outros e foi ele que começou a me chamar de Frite. Aposto que foi para se vingar. Claro que cedo ou tarde aconteceria. Ele vivia tentando me agradar e eu gostava muito disso. Fui enrolando e fugindo dele até onde deu. Não concordo que as pessoas se apaixonem assim do nada, mas ele é um homem muito bom para mim. As poucas vezes que conversamos no restaurante foram antes de começar a lida do dia-a-dia. Eu andava mais rápido de propósito porque sabia que ele estava lá na porta, esperando o restaurante abrir antes de todo mundo. Era uma conversa rápida que não levava a lugar nenhum. Tenho a impressão de que ele sempre foi mais tímido. Acho que comecei a gostar dele um dia que nos encontramos numa fila de loja. O chinês, que Deus o tenha! nos deu uma gorjeta bem boa de final de ano. Não tinha como não perceber o Abreacombe na loja. Todo desajeitado, parecia não saber o que estava fazendo ali. Por coincidência fui para a fila do caixa logo atrás dele. Quando cumprimentei, ficou branco, parecia ter visto um fantasma! Não lembro o que ele falou, só lembro que ficou bem nervoso, suava até. Não entendi muito bem o que senti e fiquei arrependida de não ter conversado mais com ele. Antes tivesse puxado conversa! Ele estava comprando um presente para mim que só eu sendo duas do que era serviria no meu corpo. Não concordo quando alguém erra o tamanho da gente. Custa prestar atenção? É verdade que eu fiquei encantada quando ele me deu aquela roupa. Mesmo de tamanho errado eu gostei muito. Tanto que o convidei para passar o Natal comigo. Tinha quase certeza que ele era sozinho na cidade e que não teria companhia para uma noite tão especial. Também tinha quase certeza que eu não agüentaria de saudades da minha família nessa data. Por isso convidei. No começo fiquei com medo que ele tentasse me agarrar ou coisa parecida, afinal eu morava sozinha e mesmo sabendo que os vizinhos poderiam falar mal de mim, senti que seria bom convidar o

15 Abreacombe. Fiz galinha assada e um cozido muito bom que aprendi com minha mãe e que a chinesinha me deu umas dicas para melhorar. Não concordo que mudem as receitas de família, mas no caso a chinesinha era muito conhecedora e tudo que ela fazia tinha um gostinho especial, diferente e bem gostoso. Ele chegou todo desajeitado, parecia ter viajado uma semana, e o pior, trouxe cerveja para beber. Não concordo com quem toma cerveja o tempo todo. Só quando está calor que eu gosto. Então eu percebi que aquele homem era muito abandonado na vida. Depois de fazer ele se soltar um pouco a nossa conversa foi divertida e interessante. Não conheci muitos homens antes dele, na minha cidade tive apenas um namorado desses de namorar em casa, mas parecia que tinha medo de mim! Nunca me beijou e minha mãe percebeu que não ia dar certo, aconselhou que terminasse. Foi minha sorte! O homem que eu precisava estava longe de lá e agora conversando comigo dentro da minha nova casa. Quando embalava na conversa o Abreacombe era divertido e agradável. Depois do Natal nós voltamos a trabalhar normalmente em uma semana que não tinha muito o quê fazer. O ritual lá do restaurante era o mesmo todo dia e eu ficava por última na saída porque achava que isso agradava ao chinês, que Deus o tenha!. Meu pai sempre falou que o melhor funcionário é aquele que espera o patrão até o último minuto para saber se ele precisa de alguma coisa, mesmo que ele não peça nada. E era isso mesmo, nunca me pediu, mas eu ficava ali do lado da porta e tenho certeza que ele sabia que se precisasse de alguma coisa poderia contar comigo. Aquele dia eu senti muita saudade mesmo da minha família e sabia que não teria como viajar para ficar com eles tão cedo assim. Quando saí do restaurante já sabia que o Abreacombe estaria ali na frente e senti vontade de conversar com ele. Sempre tive cuidado de não deixar que alguém tentasse se aproveitar de mim e senti que ele queria ir à minha casa com más intenções. Cortei na hora! No caminho já me arrependi, talvez ele só quisesse conversar e eu queria muito alguém para conversar. Mas, ele é homem e eu achava que era igual a todos os outros, nojentos e tarados. Por muita sorte o uniforme do restaurante era de numeração maior que a normal e assim nem ele nem os outros ficavam olhando para as partes do meu corpo. Não concordo que fiquem olhando para nós mulheres imaginando como somos sem roupa. Assim, com aquele uniforme eu tenho certeza que ninguém me olhava com maldade. Muito melhor e muito bom para mim. Lembro também como foi que começamos a namorar e como aconteceu que hoje estamos juntos há tanto tempo. Depois que eu cortei o assanhamento do Abreacombe, nós mal conversamos no restaurante. Só oi e tchau. Chegou à véspera da virada de ano e os chineses de lá estavam numa depressão tão grande que resolveram fechar um dia antes do normal. Na hora de ir embora eu saí apressada e me senti mal de ver o Abreacombe encostado na porta com cara de quem não tinha para onde ir. Voltei, conversei um pouco com ele e convidei novamente para passar na minha casa. Deixei bem claro que ele não deveria pensar em safadeza. Foi uma noite especial para mim. Tinha a lembrança viva de como era a virada de ano na casa dos meus pais, uma festa animada, bem diferente de onde estava agora. Lá, os outros moradores da fazenda se reuniam, faziam comidas deliciosas, tinha muita música, assavam carne e tudo era muito alegre. Minha mãe adorava estas festas. Desde quando eu fiquei mocinha ela tentava achar um namorado para mim ou no Natal, ou na virada de ano. Para minha irmã deu certo, mas eu queria estudar e não namorar. Coincidência ou não, foi depois de uma queima de fogos que o Abreacombe me pediu em namoro. Na hora eu pensei em brigar com ele e tocá-lo dali. Não concordo que aproveitem as festas para querer namorar as pessoas, mas não resisti. Eu já queria muito namorar ele. Era o homem da minha vida me pedindo em namoro. Agradeço muito a Deus por aquela noite. Logo desisti de brigar e dei o beijo mais gostoso da minha vida! O abraço também! Ele tem um abraço muito bom! Beijo também... Outras coisas também... Não concordo de ficar falando as intimidades. Foi isso. Começamos naquela noite e não quero me separar nunca. Enquanto ele for o Abreacombe que é eu quero ser a esposa dele. Só isso, nada mais

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17 E antes? Abreacombe... Quem era o Abreacombe antes da Frite? Bom, não era quase nada! Morava numa cidade tão pequena que só tinha duas opções na vida: trabalhar na fábrica do alemão ou mudar de cidade. As mulheres ainda poderiam escolher entre alguns trabalhos no comércio, que era pouco também e só contratavam as mais bonitas, o resto acabava na fábrica que eu trabalhava. Já vi gente ruim no mundo, alguns só parecem que são e outros, como este alemão, com certeza são muito ruins mesmo. Tinha pose de entendido nas coisas, mas não passava de um ignorante que teve alguma sorte e enganava muita gente com produtos copiados dos outros, que não eram bem o que estava escrito na embalagem e ainda tinha gente acreditava nele. Este homem de espírito ruim achava que os outros deveriam enriquecê-lo sem reclamar e ganhando uma miséria. Na verdade eu acho que ele era um baita de um corno e infeliz! Eu não gostava de trabalhar com ele, nem de imaginar que minha vida acabasse como a maioria das pessoas da cidade, que eram tão acomodadas que me dava até dó. Trabalho, boteco ou praça, fofoca e lamentação. Só isso. Mas eu queria muito mais, sempre ouvi dos que eram de outros lugares e passavam pela fábrica, que a nossa cidade era um lugarzinho esquecido por Deus! Falavam de outras cidades com empregos diferentes, escolas de tudo, universidades, diversão e modernidade. Onde eu morava tinha os muito pobres, que eram a maioria e os muito ricos, meia dúzia de donos das coisas. Estes a gente só via em dia de festa que eram homenageados, sempre daquele jeito como se estivessem com nojo, disfarçando com sorriso falso. Minha família era considerada pequena para o lugar. Pai, mãe, meu irmão e eu. Meu pai sumiu quando eu comecei a trabalhar na fábrica. Sumiu mesmo! Falaram que ele devia muito no comércio, coisa que não me parece verdade, porque nossa casa era bem modesta e não tinha nada além de comida, fogão, geladeira, sofá, TV, camas e guarda-roupas. Como poderia dever tanto a ponto de ter que se mandar assim? Meu irmão era muito esperto, parecia piazão de interior, mas só parecia. Não sei onde conseguia as coisas, falava de carros, de dinheiro, vivia com a mulherada da cidade e ainda trazia as de fora para mostrar aos outros. Um dia ele falou para minha mãe que ia se mudar para uma cidade grande e que seria igual um doutor. Aí sumiu também. Fiquei um bom tempo só com minha mãe em casa. Ela trabalhava na fábrica do alemão e parecia bem acomodada com isso. Quando percebeu que eu não estava feliz, incentivou a procurar meu irmão e que também tentasse melhorar de vida onde ele morava. Foi o que fiz e acabei onde estou hoje. Cheguei a morar com meu irmão por pouco tempo. Ele não estudava nem trabalhava, mas tinha carrão, vestia-se como um ator de cinema! Não deu tempo de perguntar como ele conseguia isso e igual ao meu pai, também sumiu! Deixou dinheiro e um bilhete: Preciso sair da cidade por um tempo, tem comida na geladeira e use este dinheiro para suas despesas. A comida durou pouco e o dinheiro era na verdade uns trocados. Já a casa, nem era dele e vieram muitas pessoas procurá-lo, inclusive a polícia! Fui expulso de lá de um jeito que nem pude pegar minhas roupas, apontavam armas, me chamavam de safado e vagabundo. Lembro que tentei falar com minha mãe para me ajudar e não consegui. Acabei procurando uma igreja que me encaminhou para um albergue e depois para uma casa chamada de irmandade. Lá fiquei sabendo que tinha um restaurante precisando de uma pessoa para ajudar e era do chinês, que Deus o tenha!. Conversei em um dia e comecei a trabalhar no outro. Quem me explicou o que faria e quanto me pagariam foi o filho dele. Moleque esperto, falava rápido, um pouco na nossa língua e um pouco em chinês, como quem explicava ao mesmo tempo para duas pessoas o que estava acontecendo. Só o fato de não precisar voltar para minha cidade e não voltar a trabalhar naquela fábrica maldita já me bastava. Não tinha a menor noção de como seriam os dias seguintes e por quanto tempo poderia ficar morando na irmandade. Foi quando a chefe do lugar me chamou para conversar e delicadamente informou que eu precisava encontrar um lugar mais adequado. Acho que eu incomodava

18 por ser muito quieto! Depois que cheguei aqui na cidade eu aprendi que pensar era muito melhor do que falar e foi assim que percebi muita coisa acontecendo na minha vida naquele momento, coisas que mostravam que eu não estava nem no céu, nem no inferno. Com o salário do restaurante eu consegui alugar um quarto nos fundos de um conjunto que tinha lojas e uma lanchonete, que algumas vezes parecia um bar, outras uma mercearia e muitas vezes era mesmo um muquifo. O quarto tinha um banheirinho com chuveiro e na verdade eu não precisava mais do que isso mesmo. Com o tempo consegui comprar uma TV e só. Tinha algumas coisas que eu gostava de fazer: trabalhar, ler e ver novela. As novelas me faziam chorar muitas vezes, principalmente de saudade da minha mãe. O trabalho no restaurante do chinês, que Deus o tenha! era pesado e cansava muito no começo. Nada comparado com a escravidão da fábrica... E olha que o alemão vivia falando mal dos chineses, a quem chamava de comunistas e ignorantes que comem cachorro e espetinho de escorpião. Ele falava que nada que era feito na china prestava, mas quase tudo que tinha para vender era feito por chineses, tudo tinha alguma coisa de lá. Então o ignorante era ele! Eu não gostava de gente que falava demais e neste caso de gente como ele que falava besteira demais. Aprendi a perceber as bobagens que as pessoas falavam na minha cidade natal, quando li alguns livros. Não tinha estudado muito, mas sabia ler e gostava disso. Na verdade meus dias eram simples e sempre a mesma coisa: madrugava para trabalhar, voltava no meio da tarde, parava um pouco na lanchonete para ouvir as pessoas conversando, comprava pão, presunto, depois ficava o resto do tempo no meu quarto e algumas vezes até voltava mais um pouco para a lanchonete. Domingo o restaurante que eu trabalhava não abria e minha opção era andar pelo centro vendo as coisas das ruas e nada mais. No dia que o chinês, que Deus o tenha! depositava dinheiro do salário no banco, separava o valor do aluguel do quarto, pagava a conta da lanchonete, a prestação das roupas e guardava o que sobrava. A cada três ou quatro meses, dependendo de quanto gastava para o básico, eu ia numa boate ver as mulheres dançando peladas. Hoje acho isso muito sem sentido, mas na época era uma forma de lembrar a minha cidade! Lá todo mundo se encontrava na zona e mentia que nunca tinha ido. Quando eu economizava mais durante um tempo, dava até para fazer as coisas com uma das mulheres que dançavam lá. Elas sabiam que eu era pobre, que só tinha o dinheiro do programa e muito de vez em quando. Acho que elas tinham pena de mim e faziam mais barato... Quando só dava para pagar a entrada e uma cerveja, era o primeiro a entrar e o último a sair. Elas tentavam conversar comigo e eu não tinha assunto, só respondia o que perguntavam. Às vezes eu percebia algumas delas almoçando no restaurante que eu trabalhava. Pareciam moças de família e até trabalhavam nas lojas que eu passava todo dia pela frente. Era o único contato possível para mim com mulheres. Fora isso minha vida não tinha novidades. Quando teve um feriado longo, destes que emendam quatro dias, o chinês, que Deus o tenha! achou melhor não abrir o restaurante e eu achei que era uma boa hora para visitar minha mãe. Há tempos não tinha notícias dela. Foi então que percebi que a esta altura da minha história eu estava realmente sozinho. Na cidade não tinha mudado muita coisa, talvez a cor das casas e nada mais. Fui até a casa onde morei e de longe percebi que estava fechada, com ar de abandonada. Minha mãe não estava lá e os vizinhos não sabiam falar para onde ela foi. Falaram que fazia muito tempo que não aparecia na fábrica e que a casa estava sempre fechada. Não deixou nenhum contato nem falou para onde iria. Um vizinho lembrou que ela falava em vender a casa antes de sumir. Ninguém sabia se ela fez isso e estavam curiosos também. Foi um longo tempo sem ouvir falar da minha mãe. Nem do meu pai, nem do meu irmão. Por um momento fiquei preocupado em onde passaria a noite, pois sabia que naquele fim de mundo não tinha uma casa como a irmandade que me acolheu e muito menos um hotel ou pousada. Mesmo que tivesse isso eu não teria dinheiro para pagar! Minha visita que seria de três dias foi reduzida e acabou em algumas poucas horas. Fui logo comprar a passagem de volta e enquanto esperava para embarcar no ônibus e voltar à minha realidade, tentei entender o quê estava

19 acontecendo, sou muito ruim nisso e confesso que até hoje ainda tenho dificuldades em achar uma explicação para as coisas da minha vida antes da Frite. Depois que tomei gosto pela leitura, fiquei com vontade de ter a vida de alguns personagens das histórias, vivendo de um jeito mais feliz, ter algumas coisas e ter histórias para contar. Não imaginava como seria depois de totalmente avulso no mundo. Voltando dessa viagem mal sucedida, passei um bom tempo só trabalhando, lendo, vendo novelas, tomando cerveja e visitando a zona... Eu queria muito estudar, foi para isso que saí do interior. Minha dificuldade foi ter parado por muito tempo e para continuar minha idade não era compatível nas escolas públicas, sem contar que trabalhava e as aulas seriam no mesmo horário do trabalho. Tinha as escolas particulares que faziam recuperação do tempo perdido nos cursos chamados de supletivos. Mas como pagar um curso com o que eu ganhava? Foi uma decepção muito grande. De onde eu vim, doutor era qualquer um que tivesse se formado em alguma faculdade ou que herdasse uma grana da parte rica da cidade. Muitas vezes chamei o alemão maldito de doutor e só fui saber que ele não era formado em nada depois de muito tempo. Lá ele era doutor por ser rico. E para ser bem sincero era esse tipo de doutorado que eu queria ter. Estudar era só uma desculpa, queria mesmo era ser tipo doutor, como os grandes da cidade. Só posso agradecer a Deus pelo presente que ganhei quando a Frite surgiu do nada para trabalhar no mesmo lugar que eu. Acho que foi um presente sim, dos mais valiosos e importantes, algo que jamais, nem nos meus sonhos, poderia imaginar que um dia pudesse acontecer. Antes dela eu era apenas um errante, um perdido no mundo entre pessoas de histórias, destinos e sorte diferentes. Quem é, e o quê pode ser um homem sozinho, sem família, sem amigos, sem dinheiro, sem estudo e sem rumo? Vou agradecer por toda vida, não tenho como imaginar algo mais feliz do que viver com a minha mulher. Vejo muito homem que ainda não encontrou alguém para juntos construírem uma história boa. A maioria pensa como se sozinho pudesse ser feliz. Até acho que pode existir alguém que consiga, eu não penso em tentar, quero fazer muito ainda ao lado da Frite. Antes dela eu nem Abreacombe era, então digo sempre que a minha mulher é a melhor em tudo, mesmo que ela não concorde

20 E a Frite antes de Abreacombe? Quem eu era antes do Abreacombe? Não concordo de falar sobre meu passado. Tenho lembranças muito boas, tive sorte e azar como todo mundo um dia tem. A vida onde eu morava antes era muito melhor do que foi aqui no começo. Não concordo que as pessoas mudem o que gostariam de fazer só por causa de uma paixão, mas foi bom ter encontrado esta coisa chamada Abreacombe e mudar todos os meus planos. Desde que nasci, morei em uma fazenda enorme. Meu pai e minha mãe trabalham nela há muito tempo. Ele constrói tudo que pedem e ajuda o administrador no que for preciso. Minha mãe cuida da sede e da casa do dono. Uma casa linda, tipo essas de filme, com piscina e tudo mais. Fui muitas vezes lá e ficava sempre olhando e sonhando em um dia ter uma casa igual. Tudo é lindo demais naquela casa e minha mãe mantém muito limpa e organizada, apesar de que o dono e sua família pouco aparecem para usar aquela maravilha. Se eu tivesse o dom de desenhar, certamente colocaria no papel cada detalhe, tenho a lembrança nítida na memória. Não concordo que as pessoas tenham coisas que não usem, parece pouco de inteligência e muito de egoísmo. Talvez os donos da fazenda sejam egoístas mesmo, tudo aquilo só deles e nem se importavam. Não posso deixar de falar da minha irmã. Nossa diferença de idade é pequena e não temos nada de igual. Ela parece muito mais com meu pai e eu com minha mãe. Nossa vida era muito divertida até crescermos. Lembro muito das nossas brincadeiras na fazenda e de quando nossa mãe nos levava para ajudar a limpar a casa dos donos. Minha irmã gostava de brincar como se fosse dona de tudo e eu sua empregada. Não concordo com brincadeiras assim, só gostava porque não tinha outra coisa para fazer. Ela ficou morando na fazenda mesmo, casou com um dos funcionários que também morava lá e acho que é feliz. Lembro também dos nossos domingos. Após o almoço, minha mãe e meu pai permitiam o único passeio possível, um encontro de amigos na praça da cidade. Era perto de casa e lá se reuniam os mais jovens, aqueles que ainda moravam nas redondezas e os que estudavam nas cidades próximas e visitavam seus pais aos domingos. Minha mãe dava muito incentivo para que nós passeássemos na praça, a esperança dela era que encontrássemos um namorado. Minha irmã aproveitava para namorar todo domingo um diferente! Eu não gostava daqueles moleques e não tenho boas lembranças das tardes que passei por lá. Queria conversar com as pessoas que estudavam fora da cidade e ficava muito decepcionada porque só falavam em maconha e festas. Aliás, os pais de todos que freqüentavam a pracinha não imaginavam que naquelas tardes muitos e muitos se drogavam e bebiam até perder a noção das coisas. Voltei para a fazenda muitas vezes sozinha, antes do anoitecer, porque minha irmã sempre queria ficar mais e voltar de carona com algum moleque. Demorei a descobrir que antes da carona, encostavam o carro num lugar qualquer e transavam. Não concordo de falar da intimidade, mas minha primeira vez foi assim, no passeio de domingo, com um rapaz que bebeu e fumou o tempo todo. Conversava sobre isso com a minha irmã, que contava suas aventuras e me deixou muito curiosa. Fiz como ela disse que fazia e nunca contei para ninguém que achei muito ruim. Demorei um bom tempo para fazer outra vez e só passeava na pracinha pela insistência da minha mãe, nunca contei para ela sobre as caronas da minha irmã. Não concordo em ficar falando sobre o que os outros fizeram, muito menos vou dar minha opinião ou achar que estão certos, errados ou qualquer coisa. Aprendi a cuidar da minha vida e nem me importar com a dos outros. Eu só queria sair da fazenda se fosse para estudar e ser médica. Isso veio na minha cabeça em um dia que fui com meu pai na sala do administrador. Era um senhor muito calmo, apesar de mandar em todos e resolver os problemas de cada um. Ele e meu pai eram grandes amigos, conversavam muito e se davam bem no trabalho. Foi numa conversa rápida sobre uma viagem que ele teria que fazer para tratar de assuntos da fazenda, que começou a minha vontade de estudar. Fiquei um bom tempo observando que tinha muitos papeis sobre a mesa e que ele usava um computador. Não sei o porquê,

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