Desenvolvimento de um Painel Central de Mostradores para Automóvel

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1 Desenvolvimento de um Painel Central de Mostradores para Automóvel Car Dashboard Development Barbosa, Samuel Borges; Mestrando; Universidade Federal de Santa Catarina Silva, Tiago Barros Pontes e; Mestre; Universidade de Brasília Gomes Ferreira, Marcelo Gitirana; Doutor; Universidade Federal de Santa Catarina Resumo O presente trabalho apresenta o desenvolvimento de um Painel Central de Mostradores para um automóvel. Foi realizado um levantamento histórico dos Painéis Centrais de Mostradores, visando gerar as principais características técnicas e simbólicas para a concepção do produto. O processo consistiu nas seguintes etapas: análise documental, com a definição dos principais conceitos relacionados; revisões de normas; priorização de requisitos; geração e seleção de alternativas; desenvolvimento da alternativa selecionada; e detalhamento técnico da solução final. Palavras Chave: Desenho Industrial; Design Automotivo; Painel Central de Mostradores. Abstract This paper shows the development of a car dashboard. A survey about the history of the product was made with the aim of finding main symbolic and technical characteristics to design the final product. The development process consisted of document analysis steps, with the definition of key concepts, reviews of standards, prioritization of requirements, generation and selection of alternatives, development of the selected alternative and technical detailing of the final solution. Keywords: Industrial Design; Automotive Design; Car Dashboard. IMPORTANTE: na parte inferior desta primeira página deve ser deixado um espaço de pelo menos 7,0 cm de altura, medido da borda inferior, no qual serão acrescentadas, pelos editores, informações para referência bibliográfica

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3 Introdução O surgimento do automóvel no final do século XIX gerou a demanda de concepção de produtos complementares ao uso do próprio veículo. O Painel Central de Mostradores é um exemplo claro de sistema utilizados em automóveis modernos. Sua função é transmitir as informações do veículo para o usuário, servindo como uma interface visual para o motorista. Atualmente, ela é fundamental para o uso do automóvel, responsável pela transmissão de informações essenciais, como velocidade do veículo, rotações do motor, medida de combustível entre outras. Assim, o aperfeiçoamento do desenvolvimento de Painéis Centrais de Mostradores vem se aprimorando com o passar dos anos, sendo que nos primeiros automóveis este sistema se apresentava similar aos mostradores usados em máquinas industriais. Porém, hoje os Painéis Centrais de Mostradores atingem altos níveis funcionais e estéticos, sendo que o estudo deste produto, sua história, uso, conceitos e as tecnologias disponíveis são importantes para o seu processo de aperfeiçoamento. Nesse contexto, é possível caracterizar dois objetivos principais deste trabalho: realizar um levantamento histórico da evolução do produto, com o intuito de construir uma visão ampla sobre o desenvolvimento dos Painéis Centrais de Mostradores no século XX; e desenvolver um produto conceitual, baseado nas tendências de design e tecnologia atuais, para um automóvel específico. Dessa forma, para contemplar este último objetivo, foi realizada a seleção de um Painel Central de Mostradores utilizado em um automóvel comercializado no Brasil. Outro ponto importante a ser destacado é o caráter interdisciplinar do projeto, que envolve tanto áreas relacionadas ao design de produto, como à programação visual. A pesquisa desenvolvida engloba tendências de design automotivo, abordando questões como novas tecnologias, transformações dos gostos dos consumidores, relações e diferenças de tendências de design mundiais e regionais. Também foram considerados aspectos estéticos e funcionais de programação visual, como iconografia e visualização. Neste trabalho busca-se uma nova proposta para o produto, visando aumentar a satisfação do consumidor, assim como uma possibilidade para experimentar tendências e uso de novas tecnologias, fatores considerados relevantes na indústria automotiva. Metodologia O percurso metodológico do trabalho segue a metodologia de desenvolvimento de produtos proposta por Baxter (1995). Esta envolve o levantamento do estado da arte do produto por meio de uma pesquisa bibliográfica, tendo realizada uma pesquisa histórica do produto, com o intuito de analisar sua origem e seu desenvolvimento. Foram levantados também dados sobre o estado de arte do produto e suas tendências de design futuras. Em seguida foi realizada uma análise sobre normas e práticas recomendadas acerca do produto. Foram consultadas normas internacionais que regulamentam o produto, indispensável para o seu desenvolvimento. Outra etapa importante foi a definição do modelo de painel central de mostradores que seria trabalhado neste projeto, o qual pertence a um automóvel comercializado no Brasil. Esta seleção foi feita de acordo com o histórico do veículo, que deve ter representatividade dentro do mercado automotivo brasileiro. Seguindo a metodologia de desenvolvimento de produtos, foram geradas alternativas em dois momentos distintos: o primeiro se refere a uma geração de alternativas modular, na

4 qual foram geradas alternativas individuais de mostradores; e o segundo referente à seleção do mostrador e a integração das principais soluções. Na última etapa de desenvolvimento foi elaborado o detalhamento da alternativa selecionada, finalizando assim o produto. O Surgimento dos Painéis Centrais de Mostradores A história dos Painéis Centrais de Mostradores utilizados em carros (car clusters) está diretamente ligada à história do automóvel. É necessário lembrar, quando nos referimos a este componente, que o automóvel é uma máquina e quando este surgiu, no final do século XIX, essa relação automóvel/máquina era mais próxima, pois os carros da época ainda não possuíam características simbólicas como as apresentadas hoje por este produto. É difícil encontrar um consenso de qual foi o primeiro automóvel, mas é vastamente compreendido no meio automotivo que os primeiros automóveis com motor de combustão interna foram feitos na Alemanha por Karl Benz e Gottlieb Daimler em 1886 (LARICA, 2003). Figura 1: Réplica do Benz Patent Motorwagen Primeiro automóvel a gasolina. Criado e patenteado por Karl Benz na Alemanha em Observando o modelo da figura 1 é possível perceber que não há um painel de instrumentos, pois logo nos primeiros modelos de automóveis não havia a necessidade deste sistema. Apesar de os modelos desenvolvidos por Karl Benz e Gottlieb Daimler na Alemanha já possuírem a forma de um automóvel moderno, foi nos Estados Unidos que a indústria automotiva começou a fabricar automóveis em grande escala. Larica (2003) descreve o desenvolvimento da indústria americana no início do século XX: Os americanos eram os mais ambiciosos e práticos. Em 1901, a Oldsmobile começou a fazer uma série de modelos simples, o Curved Dash (CDO). Foram vendidas unidades, de 1901 a 1905 [...]. A grande mudança veio com Henry Ford, que desde 1896 vinha fazendo carros e criando fama. Em 1908 ele criou o Ford T, um modelo barato e resistente, próprio para as ruas e estradas ainda não pavimentadas na época. Em 1909, já usava toda a capacidade de produção da fábrica, carros por ano. (LARICA, 2003) Porém, algumas décadas depois, foi Henry Ford que revolucionou a maneira de produção de automóveis em larga escala, introduzindo a linha de montagem. Nesse sistema o chassi se movimentava pela fábrica e cada operário montava um só tipo de peça ou conjunto, aumentando extraordinariamente a produção.

5 Figura 2: Ford Modelo T, produzido por Henry Ford entre 1908 e No Modelo T (figura 2), automóvel produzido na linha de montagem de Henry Ford, já havia a utilização de mostradores de nível de gasolina e velocímetro. Como foi discutido anteriormente, os mostradores utilizados nesse modelo de automóvel, assim como nos primeiros modelos produzidos em escala industrial, havia uma grande similaridade com os instrumentos usados em máquinas industriais. Isso ocorre devido ao tipo de referência funcional do produto e a tecnologia que os fabricantes possuíam na época. Os mostradores de combustível do Ford Modelo T estão ilustrados nas figuras 3 e 4. Figura 3: Mostrador de Combustível do Ford Modelo T. Figura 4: Painel do Ford Modelo T. O desenvolvimento técnico e o aperfeiçoamento estético dos Painéis Centrais de Mostradores ocorreram durante o século XX, quando os usuários e fabricantes começaram a perceber a necessidade de melhorar o uso destes dispositivos.

6 O Painel Central de Mostradores na Segunda Metade do Século XX Durante a segunda metade do século XX a indústria automotiva se desenvolveu de maneira rápida. O surgimento de novos materiais e novos processos de fabricação, a preocupação com o aspecto estético e simbólico dos automóveis e seus componentes, assim como o aumento do número de consumidores, foram apenas alguns dos fatores que alavancaram este desenvolvimento. Seguindo a evolução dos automóveis na segunda metade do século XX, será apresentada neste trabalho uma análise cronológica dos modelos de Painéis Centrais de Mostradores. Esta análise se baseia em imagens de modelos de painéis de várias décadas. Por meio dessas imagens foram analisados os aspectos funcionais, formais e simbólicos de cada produto, levando em consideração também o seu contexto histórico. Após a Segunda Guerra Mundial a economia dos Estados Unidos sofreu um grande aquecimento, devido ao grande comércio de produtos e serviços com a Europa, que se reconstruía após o conflito. Os produtos industriais daquele país refletiam o momento econômico enfrentado, e possuíam características estéticas exageradas e extravagantes. Tanto os carros da época como os seus Painéis Centrais de Mostradores, como podem observar na figura 5, apresentam características estéticas que chamam atenção pelo exagero das formas. Figura 5: Painel Central de Mostradores do Buick Super Sedan O modelo ilustrado na figura 5, pertencente ao Buick Super Sedan de 1948, é caracterizado pela forma arredondada dos mostradores, a textura cromada dos materiais usados e as letras e números pintados em dourado. O uso de forma circular nos mostradores com um ponteiro central que marca as seções divididas radialmente é uma característica tecnológica da época. Na figura 6 é possível observar outro painel central de mostradores que apresenta as mesmas características relacionadas ao estilo da época, como o aspecto cromado e a forma em V, pertence à um modelo de caminhão da marca Chevrolet, produzido nos Estados Unidos em 1959.

7 Figura 6: Painel Central de Mostradores de Caminhão da Marca Chevrolet de No entanto, pode ser observada uma grande mudança estética nos modelos das décadas de 50 e 60. A figura 7 ilustra o painel do Ford Falcon 1965, no qual pode ser visto um conjunto de mostradores independentes em forma de círculo, separados por função. Figura 7: Painel Central de Mostradores do Ford Falcon Neste modelo pode ser observado o agrupamento dos mostradores. Outra característica importante é a forma do velocímetro, que assim como a forma total do painel, passa a ter característica horizontal, sendo os números dispostos um ao lado do outro, formando uma linha reta. Outros dois mostradores laterais ainda continuam com a forma circular anterior. No painel central de mostradores do Golf GTI de 1984 (figura 8) há uso de novos recursos tecnológicos surgidos na década de 1980, como os indicadores luminosos. Esse novo recurso revolucionou a estética dos painéis, dando uma complexidade maior a sua forma. Figura 8: Painel Central de Mostradores do Golf GTI 1984.

8 Os mostradores principais desse modelo continuam utilizando círculos com ponteiros para indicar as informações ao usuário. Essa forma de interface é funcional, e talvez por isso, tenha sido o modelo mais freqüente nos veículos do século XX. Nesse modelo também podemos notar que o painel central de mostradores assume uma forma agrupada, na qual todos os mostradores se unem para assumirem uma única forma, característica que se estabelece até os dias atuais. Também é uma característica marcante desta época o início do uso da seta indicativa, sendo um elemento essencial no automóvel e diretamente ligado ao painel. No entanto, somente no painel do BMW E36 M6 de 1994 (figura 9) seu formato ficou semelhante ao dos dias atuais. Este modelo possui um melhor emprego dos indicadores luminosos das setas indicativas. A disposição de um indicador luminoso em cada lado do painel mostra o grande aperfeiçoamento desse elemento. Figura 9: Painel Central de Mostradores do BMW E36 M Outro componente importante para a análise desse painel é o hodômetro digital, que começou a ser utilizado no início da década de O uso da cor vermelha nos ponteiros, no marcador de combustível, no marcador de temperatura da água do radiador e no conta-giros do motor (indicando quando a rotação do motor ultrapassa rpm) são recursos bem utilizados nesse modelo, facilitando a observação e assimilação da informação pelo usuário. Por meio da análise dos painéis apresentados anteriormente é possível ver a evolução funcional e estética dos Painéis Centrais de Mostradores de automóveis da segunda metade do século XX. Tomando essa análise como partida, é apresentado a seguir um estudo dos painéis mais recentes, desenvolvidos com as últimas tecnologias disponíveis no mercado. Tendências e Características dos Painéis Atuais O painel ilustrado na figura 10 pertence ao modelo de automóvel Civic, da montadora Honda, lançado no ano de Figura 10: Painel Central de Mostradores do Honda Civic 2006.

9 Este automóvel possuiu uma boa aceitação do mercado, sendo o seu design um dos fatores que mais chamaram a atenção dos consumidores. O design de seu painel, assim como o do carro em geral, apresenta características revolucionárias. Podemos observar no painel central de mostradores o uso de velocímetro digital, substituindo após vários anos de uso, o velocímetro convencional circular. O único mostrador que ainda utiliza este tipo de sistema neste automóvel é o conta-giros do motor. O grande número de indicadores luminosos usados nesse modelo de painel representa as tendências atuais. Outra característica marcante deste modelo é o uso de luz azul na parte central do conta-giros do motor. Esse recurso dá ao usuário uma sensação de modernidade e alto nível tecnológico, além de deixar o painel com uma aparência estética diferenciada dos outros automóveis. Os mostradores de nível de combustível, câmbio e hodômetro são também todos digitais. A figura 11 ilustra o painel central de mostradores do automóvel Maybach Apesar de ser um modelo lançado há sete anos, o seu painel de instrumentos apresenta características bem atuais. Figura 11: Painel Central de Mostradores do Maybach A variedade do uso de indicadores luminosos e mostradores digitais são grandes neste modelo. Outra característica deste painel, que contrasta com o modelo anterior (figura 10), é a simplicidade das formas e das cores. Enquanto no painel do Honda Civic 2006 há o uso de cores fortes como o azul, apenas com função estética, no painel do Maybach 2003 pode-se observar a simplicidade de cores e formas discretas. A variação dos painéis em termos de forma, mesmo em épocas tão próximas, pode ocorrer devido à vários fatores, como o nicho de mercado e valor do produto, além de outras características, como tecnologia aplicada e conceito transmitido pela marca. Essas características, quando empregadas de maneira planejada, podem criar vínculos simbólicos entre o layout do painel e a marca do veículo, reforçando sua identidade. Como exemplo, pode-se observar o painel do Porsche Cayman S 2006 (figura 12). O uso de contagiros do motor na posição central do painel de instrumentos é uma característica marcante dos automóveis Porsche.

10 Figura 12: Painel Central de Mostradores do Porsche Cayman S Esse tipo de planejamento também deve ser levado em consideração durante o desenvolvimento do produto, pois os consumidores realizam associações das formas dos veículos com sua marca, e às vezes, como no caso da marca Porsche, à forma de componentes do automóvel, como seu painel central de mostradores. Além das características abordadas anteriormente, é possível observar a esportividade transmitida pelo painel central de mostradores do Porsche Cayman. Esta característica se deve pela simetria e pelo uso de formas circulares com ponteiros como principal componente de transmissão de informação ao usuário. O painel central de mostradores ilustrado na figura 13 pertence ao BMW Série 3 Cupê. Neste modelo há uma grande simplicidade de formas, apresentando apenas dois círculos principais. O uso de mostradores digitais é restrito. Essa simplicidade e diminuição dos instrumentos usados no painel ocorrem devido ao surgimento da tela de cristal líquido, que se localiza na parte frontal central do interior do veículo (posicionada ao lado direito do volante). Esse novo componente, inicialmente usado nos automóveis mais modernos, assume uma série de funções antes pertencentes ao painel central de mostradores. Figura 13: Painel Central de Mostradores do BMW Série 3 Cupê As características estéticas e funcionais utilizadas nos painéis analisados anteriormente foram levadas em consideração no desenvolvimento do painel central de mostradores desenvolvido neste projeto. As tendências de design, assim como as inovações tecnológicas dos painéis de automóveis presentes hoje no mercado também fazem parte do conjunto de fatores que guia a concepção do produto desenvolvido aqui.

11 Normas e Legislações As Normas e Legislação que pautam a fabricação de automóveis são definidas internacionalmente pela SAE (Society of Automotive Engineering) (SAE HANDBOOK, 1999). Por meio de uma busca realizada nesta publicação, que possui três volumes, foram encontradas duas normas que são importantes para a construção de um painel central de mostradores. A primeira é caracterizada como um SAE Standard (SAE J2402, 1999). Já a segunda norma é apresentada como uma SAE Recommended Practice (SAE J1050, 1999). A Norma SAE J2402 regulamenta os símbolos para controles e indicadores usados no automóvel. Esses símbolos e indicadores são usados em várias partes do automóvel, como nos botões de vidro elétrico das portas, botões do painel e indicadores dos Painéis Centrais de Mostradores. Como exemplo, podemos citar alguns desses símbolos que são usados no painel central de mostradores de um automóvel: farol baixo, farol alto, setas de mudança de direção, indicador de nível de combustível, indicador de nível de óleo, entre vários outros. No início da Norma SAE J2402, os símbolos e indicadores são divididos em duas categorias e descritos, como mostrado abaixo: Símbolo (Symbol) Figura visual usada para transmitir informação independente de linguagem verbal, produzido por desenho, pintura ou outros meios. Indicador Luminoso (Tell-Tale) Mostrador que indica, através de um meio luminoso, a atuação de um componente, um correto ou defeituoso funcionamento ou condição, ou uma falha de função. Essa norma permite pequenas modificações de forma e uso dos símbolos, contanto que seus elementos gráficos básicos permaneçam os mesmos. Essas mudanças são indicadas pela própria norma. Outras referências também são descritas, como: Contraste entre o símbolo e seu plano de fundo; Espessura da linha do desenho do símbolo; Uso de números, que deve ser aplicado como um símbolo, seguindo os mesmos padrões desta norma; A cor dos símbolos e indicadores luminosos também é regulada por essa norma: Vermelha deve ser usada para símbolos que significam situações de perigo imediatas ou iminentes para os passageiros ou para o equipamento. Amarelo ou Âmbar deve ser usada em situações de cuidado, onde há limites de operação fora do normal, mau funcionamento de algum sistema do veículo ou outras situações que podem causar um maior dano ao longo do tempo. Verde Segurança, condições normais de operação. Outros padrões de cores são definidos para indicadores luminosos específicos, como: Azul Farol alto Verde Setas de mudança de direção Amarelo Falha no sistema do freio ABS Vermelho Perigo de dano

12 Outra indicação sobre cores se refere à associação de símbolos e indicadores luminosos que estão relacionados com componentes de aquecimento e resfriamento. Os símbolos e indicadores luminosos usados para representar aquecimento devem ser de cor vermelha, já os que indicam resfriamento devem ser de cor azul. A cor branca deve ser usada quando o símbolo ou indicador luminoso não apresenta nenhuma das condições vistas anteriormente. Todos os padrões e recomendações feitos na Norma SAE J2402 se fazem presentes no do painel central de mostradores desenvolvido aqui. A Norma SAE J1050 possui a função de Prática de Recomendação quanto à construção de elementos do automóvel onde está em jogo a visão do motorista. Essa norma descreve e mede o Campo de Visão do Motorista, tanto com relação aos elementos externos como os internos, sendo esse último o que nos interessa nesse trabalho. Os principais objetivos da Norma SAE J1050 são apresentados da seguinte maneira: Definir a geometria da superfície de exibição útil como um plano ou uma série de planos; Definir os limites visuais superiores e inferiores da metade superior do arco do volante de direção e do limite superior do centro e dos raios do volante; Definindo as áreas obstruídas pelo volante de direção; Definir as áreas binoculares obstruídas; Localizar os pontos oculares; Definir as áreas monoculares obstruídas; O painel central de mostradores desenvolvido nesse trabalho está de acordo com as práticas de recomendação da Norma SAE J1050. Análise do Painel Central de Mostradores do Modelo de Automóvel Escolhido Para o desenvolvimento do produto proposto neste trabalho foi escolhido um modelo de automóvel específico, de maneira que o painel desenvolvido seja uma proposta de evolução para o painel atual utilizado em um veículo. As justificativas para a escolha do painel de um automóvel específico é o fato de este estar associado a uma marca, além do fato de já possuir um histórico e evolução, fatores essenciais para a criação de um componente como o painel central de mostradores. O automóvel escolhido possui um histórico representativo de comercialização no Brasil (SAMAHÁ, 2006). Este automóvel pertence à categoria dos sedãs médios, possuindo quatro gerações produzidas e comercializadas no Brasil. A primeira geração foi produzida de 1993 até A segunda geração foi produzida de 1996 até 2005, sendo um dos carros da categoria mais vendidos no Brasil durante este período (BEST CAR WEB SITE, 2002). A terceira geração foi lançada em 2005, sendo produzida até A quarta e atual geração, produzida à partir de 2009, participa de uma importante parcela de vendas no mercado nacional, sendo classificado em trigésimo quinto lugar na relação de automóveis mais vendidos em 2009, feita pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automores) (QUATRO RODAS, 2010). A figura 14 ilustra os painéis das quatro gerações do veículo. Na primeira geração (figura 14-A) as funções presentes no painel são conta-giros do motor, localizado na parte esquerda do painel, velocímetro e hodômetro, localizados na parte central do painel, marcador

13 de temperatura da água do radiador e do combustível localizados à direita e os indicadores luminosos localizados todos abaixo do painel central de mostradores. Figura 14: Painéis Centrais de Mostradores das Quatro Gerações do Automóvel. O painel da primeira geração apresenta características basicamente planas com um pequeno relevo entre os mostradores e o plano de fundo. A tipografia usada é simples e funciona bem para a visualização, sendo todas legíveis. Os indicadores luminosos, localizados na parte inferior do painel são muitos e se apresenta de maneira apertada, como se faltasse mais espaço para o seu posicionamento. Isso causa certa poluição visual, podendo gerar uma má interpretação dos símbolos pelo usuário. O contraste do painel é bom, sendo o fundo preto e as letras e símbolos brancos. O painel é bem simétrico, havendo uma intensa associação visual entre o bloco do conta-giros (esquerda) e o bloco dos mostradores de temperatura do radiador e de combustível (direita). O painel central de mostradores da segunda geração, ilustrado na figura 14-B, apresenta várias características da geração anterior. A disposição dos elementos permanece basicamente a mesma, apenas mudando a posição dos marcadores de óleo e combustível, dentro da mesma área usada anteriormente, e do hodômetro, que passa a ser digital e se

14 localizar na área inferior central do painel. Pelo fato de o velocímetro possuir mais marcadores de velocidade houve uma grande diminuição do tamanho dos números dos mostradores, o que prejudica a visualização do usuário. A parte inferior do painel, que antes se apresentava poluída visualmente, neste novo modelo se torna mais sintética e mais funcional. O painel da terceira geração do veículo (figura 14-C), lançado em 2005, se apresenta completamente modificado em relação às versões anteriores. As funções presentes nesse painel são: mostrador de temperatura da água do radiador, localizado na parte esquerda do painel; mostrador de combustível, localizado na parte direita; conta-giros do motor, localizado na parte central esquerda; velocímetro, posicionado na área central direita; hodômetro digital, localizado junto ao velocímetro; e indicadores luminosos, posicionados junto ao conta-giros. A tipografia usada nos mostradores do painel da terceira geração possui corpo pequeno e, devido ao espaço presente no painel, deveria se apresentar com formato maior, facilitando a visualização do usuário. O contraste usado nesse painel é o mesmo usado nos modelos anteriores, com os símbolos e letras brancas e o fundo preto. A composição do painel apresenta uma grande simetria dos elementos visuais e é bastante sintética, dando uma sensação de arejamento visual, não encontrado nos painéis dos modelos anteriores. A quarta e mais recente geração (figura 14-D) possui um painel bem similar ao da terceira geração, apresentando apenas algumas características estéticas complementares. É possível observar a preocupação com os indicadores luminosos do painel, que possuem destaque. Elementos visuais novos e modernos dão ao painel uma sensação futurista, seguindo algumas das tendências de design atuais. Dessa forma, por meio das análises feitas anteriormente, foram obtidas informações de tendências de design dos mostradores e de características do atual painel que devem sofrer modificações e melhorias. Geração de Alternativas A geração de alternativas adotada neste projeto foi dividida em duas partes principais: a primeira é a uma geração modular, na qual são geradas alternativas de mostradores que buscam satisfazer grupos específicos de necessidades do projeto; já a segunda parte da geração é feita a integração das soluções, na qual as soluções criadas na primeira etapa são integradas com o intuito de satisfazer a melhoria do produto em seu todo, proporcionando a concepção de um painel integrado. Na primeira etapa da geração de alternativas houve a busca pela solução da forma dos mostradores individuais. Devido à grande quantidade de soluções utilizadas nos outros painéis analisados é necessário gerar e analisar as alternativas, para que estas satisfaçam as necessidades estéticas e funcionais do produto. Devido ao fato de esta geração inicial ter produzido um grande número de formas diferentes de mostradores, estes estão apresentados na tabela 1, assim como as características estéticas e funcionais de cada alternativa.

15 Tabela 1: Geração Modular de Alternativas para Mostradores ILUSTRAÇÃO DA ALTERNATIVA CARACTERÍSTICAS ESTÉTICAS E FUNCIONAIS A alternativa ao lado apresenta uma integração de quatro mostradores, sendo que estes possuem uma hierarquia definida pelo seu posicionamento e dimensionamento. Esta opção facilita a integração dos mostradores, mas pode gerar prejuízos quanto a sua identificação pelo usuário. Esta alternativa possui uma solução de preenchimento de área, mostrando diferenças de níveis de informação. A diferença entre a área preenchida (em vermelho) e a área vazia (em branco) transmite ao usuário um valor. Também há presença do número, que pode auxiliar na transmissão de informação. O uso de cores diferentes, como o verde, azul e vermelho, pode auxiliar o usuário na percepção da informação transmitida pelo mostrador. No caso ao lado é utilizada esta solução. A graduação de cores pode também representar níveis de risco para o usuário. O mostrador apresentado ao lado mostra uma forma espiralada, a qual, por meio do seu preenchimento, transmite a informação ao condutor. O preenchimento de área da espiral é auxiliado pelos numerais do centro. Estre mostrador pode ser utilizado para velocidade. A alternativa ao lado apresenta um princípio diferente das mostradas anteriormente: ela funciona como um leque que se abre, preenchendo o volume do círculo. Nesta alternativa também pode ser usado gradação tonal, como apresentado na alternativa da esquerda, onde o tom de azul varia do claro para o escuro. Esta alternativa enfatiza o preenchimento de área, pois quanto maior a velocidade o os giros do motor maior será a área preenchida pelo mostrador. O uso de uma forma oval em vez de circular é representada ao lado. Pode ser observada a diferença de gradação do centro para a borda da forma. Esta alternativa também pode combinar gradação de cor com preenchimento de área para transmissão de informações.

16 O mostrador ao lado possui forma oval e utiliza a combinação de dois sistemas para transmissão de informação. O primeiro se refere à solução similar aos mostradores analógicos atuais, utilizando a mudança de posição do elemento luminoso para indicar a informação. O segundo sistema é o uso de um mostrador digital de números. A alternativa ao lado é semelhante à apresentada anteriormente, porém a forma oval é substituída por uma forma trapezoidal, que é cortada ao meio. Esse mostrador utiliza um espaço mais horizontal, o que diminui o espaço total usado pelo mostrador. Dessa maneira o mostrador poderá ser maior e mais fácil de visualizar pelo usuário. Esta alternativa é complementada com o uso de numerais que auxiliam na marcação feita pelo componente luminoso. O mostrador ilustrado ao lado representa outra solução proposta. Ela apresenta uma inovação por meio da fusão de dois mostradores apresentados anteriormente. A inovação consiste no uso de uma gradiente tonal que, por meio da variação de posição, transmite a mudança de valor para o usuário. Como podemos observar no desenho, o tom mais forte do gradiente é o marcador exato do valor, sendo que o tom mais claro transmite o valor zero. Assim o tamanho do gradiente varia de acordo com a marcação. Se a marcação é grande, a gradiente é grande, se a marcação é pequena, a gradiente também é pequena. Após realizar a primeira parte da geração de alternativas foi feita a integração de soluções. Nessa etapa as soluções finais de mostradores, apresentadas anteriormente, foram integradas de maneira a formar um painel central de mostradores integrado. O principal foco desta etapa foi a integração dos elementos do painel por meio das suas formas e da disposição dos seus elementos. Além disso, foram analisadas as características formais dos Painéis Centrais de Mostradores de outros veículos comercializados pela marca do automóvel selecionado no presente estudo, apresentadas na figura 15.

17 Figura 15: Painel Central de Mostradores de automóveis da marca estudada. A figura 15 apresenta oito Painéis Centrais de Mostradores. Estes pertencem a automóveis comercializados no Brasil, pertencentes à mesma marca do painel desenvolvido neste trabalho. De acordo com uma análise dos painéis foi possível concluir que os modelos possuem algumas características em comum, importantes para a caracterização da marca. Estas características estão citadas a seguir: Conta-giros do motor localizado na parte central esquerda do painel. Velocímetro localizado na parte central direita do painel. Termômetro do radiador localizado na parte lateral esquerda. Marcador de combustível localizado na parte lateral direita do painel. Simetria formal e dimensional entre o velocímetro e o conta-giros. Simetria formal e dimensional entre o termômetro do radiador e o marcador de combustível. Estas características foram consideradas como guias para o desenvolvimento desta etapa de integração de soluções. A seguir estão apresentadas duas propostas de integração para o painel. As duas utilizam um dos mostradores gerados na primeira etapa, que foi a última solução criada (ver tabela 1), porém com uma modificação: a forma do mostrador é cordada ao meio, sendo apresentada apenas a parte superior, dando ao mostrador uma forma mais horizontal. A escolha desta solução se justificou principalmente pela inovação de forma, com o uso de um arco de 180 graus em vez de um círculo inteiro. Ela também foi escolhida por manter o sistema visual similar ao utilizado pelos mostradores atuais, que é feito pela variação de posição e pelo uso de graduação de cor para transmitir ao usuário mudança de valor, seja de velocidade, rotação do motor ou outro mostrador específico.

18 Na figura 16 é apresentada uma solução para o painel central de mostradores. Esta alternativa apresenta a disposição utilizada atualmente pelo modelo atual de painel do automóvel (ver figura 14-D). O conta-giros do motor se localiza a esquerda e o velocímetro à direita, sendo que os mostradores de temperatura do radiador e tanque de combustível se são dispostos nas extremidades laterais. Um diferencial presente nesta solução é a integração entre o conta-giros do motor e o velocímetro, característica presente em outros Painéis Centrais de Mostradores de outros veículos da marca (ver figura 15). Figura 16: Primeira Alternativa de Integração para o Painel Central de Mostradores. Outra solução desenvolvida, ilustrada na figura 17, apresenta um mostrador digital de velocidade localizado na parte superior do painel. Este mostrador serviria de forma auxiliar para mostrador de velocidade tradicional, facilitando a leitura da velocidade pelo usuário. Figura 17: Segunda Alternativa de Integração para o Painel Central de Mostradores. Por meio da junção das duas alternativas apresentadas anteriormente foi gerada uma terceira configuração (figura 18). Figura 18: Terceira Alternativa de Integração para o Painel Central de Mostradores.

19 Com o refinamento das alternativas ilustradas nas figuras 16, 17 e 18 será gerada e detalhada uma quarta configuração, apresentada na próxima etapa do trabalho. As alternativas desenvolvidas anteriormente não sofreram detalhamento forma, sendo utilizados meios de ilustração manuais, de forma a dar mais liberdade e maior rapidez na geração de idéias e soluções. Na próxima etapa do trabalho será apresentado o desenvolvimento da alternativa selecionada, onde foram utilizados meios de representação digitais, os quais são necessários para a finalização do trabalho. Desenvolvimento da Alternativa Selecionada Inicialmente, foi realizado um aprimoramento da alternativa de mostradores, utilizando-se de ferramentas digitais, sendo possível apresentação mais detalhada da forma. Como ilustrado na figura 19, foram criadas algumas variações de formas do mostrador. Como definido anteriormente, o uso de um arco de 180 graus para transmissão dos valores do mostrador foi a solução definida, porém há possibilidades de variação das dimensões horizontais do mostrador (ver figura 19). A variação de cores também é um ponto importante, pois esta deve possuir boa visualização pelo usuário, transmitindo de forma precisa o valor marcado pelo mostrador. Figura 19: Desenvolvimento dos Mostradores. Se adentrando mais especificamente às cores utilizadas nos mostradores, é necessário esclarecer que de acordo com as normas do SAE a cor amarela e vermelha devem ser utilizadas apenas em situações em que o veículo está em risco. Já o uso de cores frias (azul, verde e cinza) não apresenta nenhuma restrição (SAE HANDBOOK, 1999). Outro detalhamento específico do painel se refere à integração entre o velocímetro e conta-giros do motor, que está apresentada na figura 20.

20 Figura 20: Desenvolvimento dos Mostradores. Esta integração foi proposta de maneira harmônica, sendo que os dois elementos (mostradores) devem se integrar apresentando uma hierarquia, de modo que o velocímetro possua destaque com relação ao conta-giros do motor. Outro aspecto definido nesta etapa do projeto foram os símbolos utilizados no painel. Para isso foram analisados os símbolos utilizados atualmente no painel central de mostradores do modelo de automóvel estudado. Além deste levantamento foi feito um estudo específico da norma SAE J2402 sobre os símbolos obrigatórios que devem ser utilizados em painéis centrais de mostradores (SAE J2402, 1999). Por meio destes dois estudos foram definidos dezoito símbolos para serem utilizados no painel. Estes estão ilustrados na figura 21. Figura 21: Símbolos utilizados no painel. Em seguida, ilustrado na figura 22, está apresentada a solução final do painel central de mostradores. Alguns detalhes finais, como os mostradores de temperatura do radiador e o marcador de combustível, foram adaptados da forma de mostrador definida anteriormente (ver figura 19), tendo seu formato final disposto de maneira vertical, facilitando sua integração com a forma final de todo o painel.

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