Juventude unida na primeira Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/aids

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1 Ano 3 - Número Distribuição gratuita Interligados Juventude unida na primeira Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/aids Fique por dentro A história da RNAJVHA e de pessoas que integram o movimento Presença internacional Encontro com representantes da América Latina e Caribe discute políticas de prevenção

2 iniciar Presença Internacional 06 No Peru, encontro de adolescentes e jovens define prioridades para as políticas públicas de saúde Bandeira em punho 07 Não importa em qual região do Brasil, sempre tem um jovem querendo discutir e cobrar seus direitos Raio-X 10 Entenda como surgiu e quem são os participantes da RNAJVHA Homenagem justa 15 O ativista Thompson Toledo partiu em 2009, mas deixou um exemplo de luta que pode ser seguido por muitos Direitos iguais 17 Mulheres se encontram no Rio de Janeiro para discutir HIV e equidade de gênero Não deixe de ler SOLTA O VERBO...04 NA RODA...08 HISTÓRIA DE VIDA...16 EU APRENDI...18 Toda galera Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/aids (RNAJVHA) Representante Nacional: Micaela Carolina Cyrino Conselho Editorial RNAJVHA: Otávio Machado Montanher e Kleber Fábio Mendes Jovens repórteres Ademir Franco Junior, Ana Maria Pereira, Andréia Fernandes, Aryane Gabriella, Camila Pinho, Cleverson Fleming, David Oliveira Ferreira, Edson da Silva Santos, Edvan Mendes, José Rayan de Oliveira, Natasha Ferreira, Oséias Cerqueira, Rafael Biazão, Raphaela Machado, Rosana Garcia e Willian da Cruz Amancio Rafael Stemberg Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) Representante do Unicef no Brasil: Marrie-Pierre Poirier Coordenador do Programa de Cidadania dos Adolescentes: Mário Volpi Coordenadora do Programa de Sobrevivência e Desenvolvimento Infantil e HIV/aids: Cristina Albuquerque Equipe de HIV/aids: Carla Perdiz e Ludmila Viegas; Daniela Ligiéro (coordenadora até janeiro de 2010) Revista Viração Coordenação geral: Paulo Pereira Lima e Lilian Romão Redação: Rafael Stemberg e Vivian Ragazzi Colaboração: Anni Hirami, Igor Francisco e Rones Maciel Ponto G Para garantir a igualdade entre os gêneros na linguagem da Escuta Soh!, onde se lê o jovem ou os jovens, leia-se também a jovem ou as jovens, assim como outros substantivos com variação de masculino e feminino. Projeto Gráfico Ana Paula Marques - Revista Viração Colaboradores Almir da Silva Pinheiro (Mirs), Lentini e Grupo de Mulheres da ONG Pela Vidda Rio Jornalista responsável Paulo Pereira Lima MTB Projeto do site Escuta Soh! Link e Cérebro Contato Viração: Rua Augusta, conj. 11 Consolação São Paulo - SP Tel./Fax: (11) / HORÁRIO DE ATENDIMENTO De segunda a sexta, das 9h às 18h Realização: Parceiro estratégico:

3 MENU entrar sair Conteúdo Copie sem moderação! Você pode: l copiar e distribuir l criar obras derivadas Basta dar os créditos para a Escuta Soh! Conectados em rede Pois é leitores, mais um ano se passou desde a última edição e, de lá para cá, muita coisa aconteceu. E a mais importante delas foi o surgimento da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/aids (RNAJVHA), formada única e exclusivamente por adolescentes e jovens de todo o Brasil, cada um com sua identidade, com sua regionalização, todos conectados em rede. A RNAJVA é um sonho idealizado por adolescentes e jovens há algum tempo e que vinha sendo construído nos encontros nacionais que aconteciam anualmente. O último, em Curitiba, foi em julho de Entendemos a Rede como um espaço de afirmação, estamos aqui uns pelos outros. Queremos conseguir uma mudança maior, a favor da autonomia dos adolescentes e jovens e das conquistas dos nossos direitos. Somos adolescentes, jovens, sonhadores, revolucionários, bocas de nossas próprias palavras, e estamos aqui para mostrar o que pensamos e o que fazemos pra mudar o mundo. Mudança essa que parte de dentro pra fora, de nós para vocês... Por isso, mais uma vez, sentimos a necessidade de expressar nossas ideias, apresentar nossas propostas e, claro, mostrar que sim, é possível ter uma vida perfeitamente comum mesmo vivendo com o HIV. No entanto, a luta contra o preconceito ainda é algo que parece estar longe de terminar e convidamos você a nos ajudar a desconstruir pensamentos incorretos em torno da aids, sempre alertando para o sexo seguro (deem uma olhada atrás da revista: preparamos um pequeno manual sobre as formas de prevenção). E é nesta terceira edição da Escuta Soh!, com o apoio da ONG Viração Educomunicação e a parceria estratégica do UNICEF, que mostramos um pouco do que foi feito nesses dois primeiros anos de atuação, além das histórias dos participantes. E ela está reformulada, como já perceberam. Pensamos em um design gráfico que acompanha a tecnologia e as tendências das redes virtuais de relacionamento, junto a reportagens produzidas pela galera da Rede, em uma metodologia educomunicativa. Esperamos que gostem. Outra novidade é o site da Rede, agora muito mais interativo e multimídia, também com conteúdo feito por nós. Conecte-se, boa leitura e até a próxima! Micaela Cyrino - RNAJVHA O termo educomunicação ainda é pouco conhecido no Brasil. Ele refere-se a diferenciadas práticas educativas que utilizam a produção de comunicação como processo formativo de adolescentes e jovens. O site da Escuta Soh! está de cara e endereço novos e agora traz todas as atividades em que a galera da RNAJVHA participa. Nele, você confere informações, fotos e histórias de uma juventude cheia de experiências para compartilhar. Então não perca tempo, corra pra internet e acesse: * As opiniões expressas nos artigos desta revista são de responsabilidades de seus autores Revista escuta soh! Ano 3 Edição 03 03

4 solta o verbo Os dados mais recentes do Ministério da Saúde apontam que no Brasil o número de adolescentes e jovens vivendo com HIV/aids está entre 9 e 15 mil. Em uma rápida busca no Google, encontramos mais de 25 milhões de notícias relacionadas ao vírus, mas as campanhas sobre prevenção e tratamento são mais constantes em época de Carnaval ou próximas ao 1ªde dezembro, Dia Mundial de Luta contra Aids. Por isso, a Escuta Soh! perguntou a jovens de várias partes do País se as informações que chegam a eles, sobre doenças sexualmente transmissíveis (DST ), são o bastante para deixálos antenados sobre o assunto. Confira a opinião da galera. Da Agência Escuta Soh! Informações sim, mas o acesso a elas já é outra história. Penso que existem poucas fontes seguras para buscar essas notícias e nem sempre sabemos em qual confiar. Por isso acho que informação sobre dst/aids tem em muitos lugares, agora, quais são confiáveis... Frederico Moreira, 25 anos, Presidente Prudente (SP) Informação eu sei que encontra. Mas, se é a necessária ou ao menos suficiente, pelo que acompanho, não chega nem perto. Está longe de serem repassadas informações satisfatórias, que consigam suprir várias deficiências crônicas que muitos jovens possuem ao se deparar com determinados tipos de informações. Thiago Victor, 23 anos, Belo Horizonte (MG) Eu não acho que existam informações o suficiente para os jovens, nem no Brasil nem em lugar nenhum, pois se houvesse essa informação, não teríamos tantos casos de pessoas soropositivas. Paula Catuaba, 21 anos, Feira de Santana (BA) 04 Revista escuta soh! Ano 3 Edição 03

5 Creio que informação tem sim e que ela é levada às pessoas, mas daí se essa pessoa vai usá-la de maneira correta vai de cada um. Otávio Machado, 18 anos Cascavel (PR) Não, porque existe um certo preconceito com esse tipo de assunto. Bom, pelo menos aqui no Espírito Santo é assim. Ainda tem a questão religiosa em que você precisa se privar de muita informação, como as que tratam sobre dst. Caroliny Breciani Simmer, 18 anos, Vila Velha (ES) Depende para qual tipo de pessoa. Para os jovens não há informações, pois as notícias sobre o assunto não são apresentadas na temática que nos interessa, como em peças teatrais, na música. Isso sim chamaria a atenção e acho muito necessário. Rosana Garcia Cassanti, 23 anos, São Paulo (SP) Não e sim, pois muitas vezes o jovem não sabe selecionar, em meio a tanta informação, o que é necessário. Alguns jovens do movimento que conheço ainda têm dúvidas mesmo com muito acesso às notícias. O que dirá um jovem que não tem conhecimento nenhum? Acho que precisamos trabalhar mais a mente de nossos jovens em vez de só jogar informações. Por isso, acho que informação temos sim... Pra todos? Não, ainda não. Wallace Alcântara de Oliveira, 19 anos Rio de Janeiro (RJ) Revista escuta soh! Ano 3 Edição 03 05

6 Pela mesma causa, sem fronteiras No Peru, ativistas do movimento HIV/aids articulam rede latino-americana para cobrar o fortalecimento e a prioridade de políticas públicas na América do Sul e Caribe Aryane Gabriella (Fortaleza-CE), do Peru para a Escuta Soh! A capital peruana, Lima, recebeu no último mês de novembro representantes de várias regiões latino-americanas no 1º Encontro da América Latina e Caribe de Adolescentes Vivendo com HIV (LAC, na sigla em espanhol), realizado pela Mesa de Niñez Adolescencia y VIH/sida, Unicef e Rede sida Peru. E claro que a RNAJVHA não poderia deixar de participar desse momento para compartilhar projetos e ações com os países vizinhos do Brasil. Afinal, por mais que o idioma seja outro, o combate ao preconceito às pessoas vivendo com HIV/aids é o mesmo. A realização das oficinas com espaço bastante construtivo ampliou muito os conhecimentos dos participantes, principalmente porque foram trabalhados temas relacionados às políticas públicas de saúde para crianças e adolescentes, a capacitação de profissionais para aconselhamento na sorologia de cada pessoa, com o intuito de melhorarem a auto-estima. Uma das atividades foi a utilização de filmes que ajudaram a estimular a comunicação dos adolescentes e jovens, uma importante ferramenta de aproximação e abordagem de novos integrantes em movimentos e casas de apoio que compartilham da causa, de forma a ajudá-los nos primeiros momentos de descoberta da doença. A troca de experiências permitiu perceber que não apenas no Brasil, reconhecido mundialmente pelo trabalho que desenvolve na prevenção e tratamento da aids, as dificuldades de combate ao vírus são imensas e que ainda encontramos dificuldades nos municípios pobres. Cada participante teve a oportunidade de mostrar a realidade da região em que mora. No Peru, por exemplo, existe a cultura de entregar antirretroviral sem o sigilo devido e o registro de casos de crianças com o vírus no interior do país que são expostas a humilhações em suas escolas e que não há entrega de camisinhas aos adolescentes que buscam proteção nos postos de saúde. Nos trabalhos de avaliação do encontro, houve a divisão dos participantes em duas turmas, uma com adolescentes de 12 a 14 anos e a outra de 15 a 18 anos. Ao final do evento, uma carta de princípios foi produzida, lida e aprovada, tudo de maneira coletiva, e que será entregue aos governantes de cada país representado, além da articulação para continuidade desse encontro por meio da criação da Rede Latino-Americana de Jovens. Mas enquanto isso, leia algumas das propostas que saíram do encontro: l Melhorar o acesso livre e gratuito ao medicamento antirretroviral. l Que não faltem preservativos e métodos contraceptivos a todos os adolescentes e jovens. l Que não faltem insumos nos hospitais. l Garantir o direito à confidencialidade das pessoas que vivem com HIV/aids. l Capacitar professores da rede de ensino a tratar a temática HIV/aids com maior propriedade e garantir a entrada dos adolescentes e jovens vivendo numa instituição de ensino. 06 Revista escuta soh! Ano 2 Edição 03

7 Escuta Soh! ouviu adolescentes e jovens que apostam tudo no ativismo social e fazem sua parte na construção de um mundo ideal As dificuldades de ser ouvido por adultos ou simplesmente o fato de ter de aceitar decisões tomadas por eles fez com que Andréia Fernandes, há seis anos, resolvesse atuar como ativista social, na luta em causas ligadas ao tratamento e a prevenção de HIV/aids. A jovem, de 27 anos, que mora na região Sul e está na RNAJVHA, diz que o trabalho de militância ajudou a superar a depressão que a atingiu quando descobriu ser soropositiva. Tinha sonhos e me deparei com uma dura realidade, o que no início me chocou muito. Entrei em depressão e isso me fez refletir sobre tudo o que estava acontecendo até me dar conta do mundo que estava passando lá fora. Andréia conta que conseguiu superar a depressão quando procurou informações sobre o vírus e que, se tivesse vontade, poderia continuar fazendo planos e lutar por eles. Percebi que não era uma inválida e devia ajudar outras pessoas na mesma situação de desânimo. Já José Rayan, de 17 anos, fala que resolveu seguir os mesmos passos de um amigo. Fui um pouquinho curioso. Lembro que meu amigo Edvan sempre participava de seminários e encontros, e comecei a ter vontade de fazer a mesma coisa, até que apareceu o convite na instituição onde trabalho. Morador de Manaus, Rayan atua na mobilização da rede na região Norte e também na Casa Vhida (Associação de apoio à Criança com HIV), que atende crianças soropositivas no Amazonas. Ele conta que a maior dificuldade na hora de reunir os jovens é conseguir se comunicar com eles, pois muitos não têm acesso a e telefone, por exemplo. A nossa geografia é muito complicada, existem localidades onde não conseguimos manter contato com adolescentes com muita frequência. Mas tenho muita fé que iremos vencer isso, ressalta. No entanto, apesar dessa dificuldade de comunicação, Andréia prefere destacar a importância de ter uma organização formada exclusivamente por não adultos (Leia reportagem na pag 10). No Brasil é difícil o jovem ser ouvido e ter credibilidade, somos excluídos dos assuntos dos 'adultos', e eles nos impõem as decisões que tomam. Temos que conquistar espaços, mas é difícil e isso nos desmotiva, mas somos fortes e vamos vencer. A Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/aids conta com representantes em todas as regiões do Brasil: Oséias dos Santos, 22 anos, no Nordeste, Elton Padilha, 26 anos, no Centro Oeste, Otávio Machado, 18 anos, no Sul e Micaela Cyrino, 22 anos, que está no Sudeste e na representação nacional. Com todas as fichas Da Agência Escuta Soh! Encontros regionais e Futuro nacionais ajudam a fortalecer a luta do movimento Quando o assunto é prioridade de ação, José Rayan fala em paciência e união de todo os integrantes do movimento. As mudanças sempre acontecem num processo lento, mas espero um fortalecimento da Rede em suas localidades, pois temos jovens que são bem reconhecidos nacionalmente e em suas bases não conseguem serem vistos. A Rede deve contribuir com a qualidade de vida dos jovens vivendo. Conquistamos espaços únicos e não podemos deixá-los passar, como a confiança dos adolescentes e jovens que acreditam no nosso trabalho, pois somos o presente desta nação. Estamos aqui hoje vivendo com aids e enfrentando problemas de gente grande. Somos pequenos ainda, mas temos garra para vencer, finaliza Andréia. Revista escuta soh! Ano 3 Edição 03 07

8 na roda Com o dever de cuidar Formada em Ciência Política, foi trabalhando com adolescentes e jovens que Carla Perdiz, do UNICEF, resolveu dar sua contribuição à mudança social Fundada para ser a agência da ONU que tem como missão assegurar que cada criança e cada adolescente tenha seus direitos cumpridos, respeitados e protegidos, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF, na sigla em inglês) tem sido o maior parceiro da RNAJVHA, apoiando inclusive a sua formação. Entre os mandatos atuais do UNICEF (ações que devem ser prioritárias durante um determinado período) está o combate ao HIV/aids. E a brasiliense Carla Perdiz é uma das profissionais que atua nessa área do UNICEF desde Presente nos principais momentos da Rede, como encontros, fóruns e viagens, Carla participou da entrevista feita pelos jovens da RNAJVHA durante uma capacitação de líderes, promovido pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. Na conversa, ela fala sobre como começou a trabalhar na área social e quais suas perspectivas sobre a Rede. Texto e fotos: Ana Maria Pereira, Cleverson Fleming, José Rayan de Oliveira e Micaela Cyrino, em Brasília (DF) para a Escuta Soh! Qual a importância de existir uma rede formada por adolescentes e jovens atuantes na causa HIV/aids? A Rede é muito importante porque ela reúne os jovens com objetivos comuns, para definirem prioridades e acho que unidos eles têm mais força. Então a Rede dá essa possibilidade de os adolescentes e jovens se fortalecerem, de terem reconhecimento e mais visibilidade para que possam ser ouvidos, muito melhor do que cada um falar isoladamente. A união da Rede propicia fortalecimento e ajuda a alcançar os objetivos mais rapidamente. Mas uma rede tem limitações também, é muito importante ter isso entre vocês, o porquê de ela existir e para que ela serve. Isso contribuirá para que vocês possam seguir um caminho e que haja um entendimento comum entre todos. Por que você quis atuar na área social? Sou formada em Ciência Política, mas gosto de trabalhar na área social. Meu primeiro estágio foi no Unicef, onde trabalhei por durante um ano e meio e, 08 Revista escuta soh! Ano 3 Edição 03

9 Carla está presente nos principais momentos da Rede, como no Encontro Nacional da RNAJVHA desde então, estava decidida a atuar com política social. Como começou a trabalhar com a temática de HIV/aids? Em 2006 abriu uma vaga no UNICEF para atuar na área de HIV/aids, fiquei sabendo dessa vaga por intermédio de uma amiga, e resolvi me candidatar. Nunca havia trabalhado com HIV ou com saúde. Mas atendi aos critérios e passei na seleção. O tema de HIV me encantou e me conquistou, especialmente a questão dos jovens vivendo. Meu interesse foi tanto que comecei a fazer uma pósgraduação especializada em saúde pública para conhecer mais esse universo e entender melhor as demandas que os jovens precisam. Claro que tem outros temas que influenciam a saúde pública, que é a participação e a mobilização social, em que já tenho experiência. Conte como foi começar a trabalhar com esse público, que vive com o HIV? Você tinha algum preconceito? Já havia trabalhado com outras áreas relacionadas ao racismo e questões de gênero, então, de alguma maneira, já tinha uma abertura para lidar com o preconceito. Sempre me preocupei muito com minha postura, sobre como lidar com as pessoas, de como que eu as vejo e de ter a cabeça mais aberta para aceitar as diferenças e a diversidade do mundo. E você, já passou ou presenciou por alguma situação de preconceito? Sim. Acredito que todo mundo já passou por algum tipo de preconceito. Mas é preciso aprender a lidar com ele e se fortalecer com isso. O UNICEF apoia desde o primeiro momento o movimento de adolescentes e jovens na luta contra o HIV/aids. Por que viram essa necessidade? O UNICEF tem uma trajetória de trabalhar especialmente com crianças e adolescentes, que é o nosso mandato, e nisso atua no estímulo da participação dos adolescentes, para que eles sejam ouvidos. Quando o tema de HIV se tornou uma das prioridades do nosso trabalho, identificamos que era necessário fazer um esforço para fortalecer a organização dos adolescentes nessa área. Sabemos que o Brasil realiza um bom trabalho nessa questão, porque existe uma sociedade civil muito bem organizada. Desde o início, as pessoas com HIV/aids sempre cobraram do governo ações políticas e a disponibilização de medicamentos, mas vimos que não havia essa organização forte na faixa etária dos adolescentes, e com isso eles acabavam fazendo parte do grupo dos adultos e algumas questões especificas nem sempre eram atendidas. Então pensamos que essas questões específicas não seriam atendidas se não fossem reivindicadas por vocês mesmos. Quando o tema de HIV se tornou uma das prioridades do nosso trabalho (UNICEF), identificamos que era necess ário fazer um esforço para fortalecer a organização dos adolescentes nessa área Como você acha que podemos garantir a sustentabilidade da Rede? A Rede surgiu de um movimento nacional, mas o importante é que ela se fortaleça regionalmente, com núcleos em cada Estado, pois eles que vão garantir a sustentabilidade e o fortalecimento da base da Rede. Pois se localmente ela não consegue atuar, haverá problemas nacionalmente. E quais estratégias podemos ter? As estratégias são vocês que deverão definir. Mas tem de ficar claro que o movimento de ONGs também é um mercado, um espaço muito competitivo. São poucos os recursos, são muitas as demandas. É preciso saber elaborar um projeto, fazer negociação, ir atrás de recursos, de parcerias. O terceiro setor se profissionalizou bastante. Acho que adquir esses conhecimentos, e saber organizálos, é importante para entender que apoio precisam, quais resultados serão alcançados, tanto na ações nacionais quanto regionais. Quais caminhos você acha que a Rede deve seguir? Nós acreditamos muito na Rede, mas principalmente em vocês, então vamos continuar com esse investimento. O que estiver dentro das nossas possibilidades, iremos apoiar, mas queremos fazer isso junto. Dificuldades todo mundo tem, o importante é saber aprender com elas e superá-las, um esforço individual mesmo. Há coisas que podem mudar, é muito importante ter parcerias para isso. O interessante desse grupo (a RNAJVHA) é que há muitas diferenças, diversidades e muito diálogo. Revista escuta soh! Ano 3 Edição 03 09

10 capa Eles fazem acontecer Adolescentes e jovens vivendo com HIV se articulam pelo Brasil para garantir direitos e acompanhar os trabalhos da iniciativa pública no enfrentamento à aids Rafael Stemberg Encontro em Curitiba (2009) serviu para definir ações da RNAJVHA pelo Brasil 10 Revista escuta soh! Ano 3 Edição 03 Dados mais recentes do Ministério da Saúde, divulgados em 2008, apontam que o Brasil tem entre 9 e 15 mil adolescentes e jovens vivendo com HIV/aids. Nesse grupo, as formas de infecção pelo vírus vão desde a relação sexual sem o uso de preservativo a casos de transmissão da mãe para o bebê, quando não são tomadas as medidas necessárias durante a gravidez, parto e pós-parto. Esses adolescentes e jovens encontram desafios que não estão apenas ligados às demandas de políticas públicas de saúde, mas que também envolvem o preconceito às pessoas que vivem com o vírus. Criada em abril de 2008, a Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/aids (RNAJVHA) surge como o primeiro movimento brasileiro voltado ao enfrentamento da epidemia liderado apenas por adolescentes e jovens que vivem com HIV. A Rede surgiu durante um curso nacional de ativismo juvenil e direitos humanos, realizado pelo GIV (Grupo de Incentivo à Vida), com apoio da ONG ANIMA, e parceria do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e do então Programa Nacional de DST e Aids (hoje Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais) do Ministério da Saúde (MS). Hoje, já com dois anos de existência, a RNAJVHA tem membros em todos os estados do País, e já conquistou espaços de militância e participação dentro do movimento HIV/aids brasileiro e também nas esferas governamentais. Mas apesar de recente, esse movimento já mostrava seus primeiros passos em Existe um histórico de encontros de jovens no Brasil. Em 2001, fizemos um primeiro encontro estadual de crianças, jovens e familiares que vivem com HIV, em São Paulo. Neste momento a questão dos jovens começava a se fortalecer, porque antes tínhamos uma discussão muito centrada em crianças, instituições e famílias, conta Bete Franco, psicóloga e integrante do Grupo de Incentivo à Vida (GIV), ONG que auxilia pessoas com sorologia positiva na garantia de seus direitos.

11 A diversidade de adolescentes e jovens é valorizada entre os participantes que formam a Rede A construção de uma rede infantojuvenil ganhava força nos anos seguintes em palestras, seminários e cursos realizados por ONGs do movimento HIV/aids. Em 2003, o UNICEF foi convidado pelo governo para participar de uma discussão sobre a construção de políticas públicas de saúde e sobre como mobilizar adolescentes para o trabalho de prevenção ao vírus, conta Mário Volpi, que coordena no UNICEF o Programa de Cidadania dos Adolescentes. Para isso, foi realizado, juntamente com a então Coordenação Nacional de DST e Aids do MS, um fórum para discutir ideias e propostas de combate à aids. Com a ajuda de casas de apoio, o UNICEF convidou 21 adolescentes de diferentes regiões do País para participarem dessa etapa inicial. Mário conta que o Fórum foi de consulta, uma oportunidade para construir junto com os participantes uma agenda comum de prioridades. Sabíamos que não existia uma 'receita mágica' de soluções, por isso foi preciso construir conjuntamente entre os participantes. Entre os adolescentes e jovens, o momento foi de apresentar questões que os incomodavam no cotidiano. Discutimos o despreparo dos professores ao lidar com o tema e a importância de o aluno continuar na escola (após o diagnóstico de HIV), de poder levar a vida como antes. Dois anos depois, o evento ganhou uma proporção maior, pois era necessário ampliar o debate e convidar mais grupos e organizações para participar dessa discussão. No ano de 2005, já com um grupo maior, a parceria foi feita com o então Programa Nacional de DST e Aids (do MS) e ONGs do movimento de luta contra a aids. Foi um encontro com a presença de 40 adolescentes aproximadamente, fala Mário. Ao lado do Unaids, o UNICEF já realizava um trabalho de pesquisa e prioridades estratégicas de combate e tratamento à aids. Nesse ano, a ideia de promover a formação dos jovens para uma maior participação política surgiu entre as conversas dos participantes. Veio de Bete Franco a ideia da realização dessa formação e gostamos desde o início. O passo seguinte foi oferecer uma capacitação a adolescentes e jovens de várias regiões para que depois pudessem levar os conhecimentos adquiridos a outros jovens em seus Estados, diz Daniela Ligiéro, ex-coordenadora da equipe de trabalho de HIV/aids do UNICEF e que esteve presente no processo de construção do movimento. Trajetória A capacitação aconteceu em abril de 2006, em São Paulo e teve a participação de 34 jovens entre 15 e 24 anos, de diferentes Estados. Bete, do GIV, lembra que o curso abordou assuntos como políticas públicas (SUS, políticas de prevenção, assistência, políticas voltadas para juventude etc), ativismo e direitos humanos, medicamentos e patentes, direitos sexuais e reprodutivos, além de oficinas sobre como elaborar projetos e a construção de agenda coletiva. O curso foi extremamente fértil, não somente pelas informações e reflexões, mas também porque observamos uma profunda vontade de vida, de ativismo, grande envolvimento com o pensar alternativas, propostas para os desafios de suas vidas. (Os participantes) debateram assuntos importantes como educação, preconceito, casas de apoio, sexualidade e sua própria organização, lembra Bete, que também é co-autora do livro Crianças, adolescentes e aids - Abra este diálogo (Editora Fórum das ONGs Aids), lançado em Ainda em 2006, no mês de junho, o Rio de Janeiro foi escolhido para sediar o 2º Encontro Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/aids, facilitado pela ONG Pela Vidda Rio, e que proporcionou o primeiro momento de pertencimento e fortalecimento dos jovens nos espaços políticos de luta contra o vírus. Para a escolha dos participantes, tanto para o curso quanto para o encontro, foi aberto um período de inscrição e processo seletivo, priorizando jovens com interesse no ativismo político. Sabíamos que nem todos estavam totalmente dentro do perfil, do momento de vida para se envolverem com ativismo. Deste modo avaliamos que, para alguns, o encontro serviu para um momento de formação, síntese e impulso, e para outros configurou-se como um momento de maior sensibilização para o ativismo, conta Bete. Linha do Tempo Apesar de a RNAJVHA estar em seu segundo ano de atuação, a participação de adolescentes e jovens na luta e elaboração de políticas públicas de saúde já acontece desde 2001, a partir de encontros organizados com parcerias entre organizações da sociedade civil, governo e o UNICEF. Acompanhe um pouco dessa história. Nesse período, houve seminários, fóruns e palestras pelo Brasil, além do 1º Encontro de Crianças e Adolescentes e Familiares que Vivem e Convivem com HIV/aids, nos quais a participação de adolescentes e jovens foi constante. O UNICEF, juntamente com o Governo Federal, convidam 21 adolescentes para participar do 1º Fórum Nacional de Adolescentes Vivendo com HIV/aids. Revista escuta soh! Ano 3 Edição 03 11

12 capa Já em 2007, o 2º Encontro Nacional aconteceu em Salvador e teve a facilitação do Grupo de Apoio à Prevenção à Aids da Bahia (Gapa/BA). Para esse encontro, trouxemos questões relacionadas à saúde e ao tratamento, que eram dúvidas levantadas pelos pais, como as formas de revelar o diagnóstico ao filho, o uso correto da medicação, as terapias e a sexualidade, fala Gladys Almeida, coordenadora do Gapa/BA. Para ajudar a estruturar o encontro, o Gapa se baseou nas experiências de Salvador, quando seminários locais eram realizados e algumas questões eram levantadas em grupos. Já acompanhávamos há alguns anos a transição das crianças para a adolescência e percebemos que muitos pais não tinham habilidades de comunicar a condição da sorologia aos filhos e como lidar com o assunto. Entendemos isso como dúvida coletiva e levamos ao encontro, continua Gladys. A coordenadora destaca que naquele momento o trabalho não era direcionado apenas a quem vive com o vírus, mas também com quem convive. A história não é alheia. Se separarmos quem vive de quem não vive com HIV, perderemos a oportunidade de agregar na luta. A aids é responsabilidade de todos nós. Nesse segundo encontro, três jovens foram convidados a participar da agenda de forma ativa. Gladys lembra que eles organizaram a pauta, a dinâmica e a metodologia dos momentos de discussões do evento. Já se mostravam preparados para o próximo encontro nacional. Foi durante o 2º Encontro Nacional em Salvador que houve a divulgação do curso de ativismo e direitos humanos que seria realizado em São Paulo em maio do ano seguinte, ocasião em que a Rede Nacional foi criada por iniciativa dos adolescentes e jovens participantes. Samir Amim, de 25 anos, é educador social e coordenador do grupo de jovens da ONG Vhiver, em Belo Horizonte (MG). Em 2008, ao lado de outros jovens, esteve na organização do 3º Encontro Nacional. Samir conta que este foi o primeiro organizado pelos adolescentes e jovens, mas com a participação secundária dos adultos. A oportunidade de pensar e estruturar o evento fez com que todos os jovens envolvidos se engajassem. Queríamos fazer algo diferenciado e responder às expectativas criadas nos encontros anteriores. Mesmo porque nesse encontro havia a missão de se criar lideranças, de renovar o cenário existente e termos participação nas decisões direcionadas à juventude, afirma. O evento de 2008, que aconteceu a 30 quilômetros de Belo Horizonte, foi dividido em três momentos: político, vivência e confraternização. A gente sentou para fazer o cronograma do evento e era preciso criar algo atraente, de forma emocional, mas também com demandas políticas para fortalecer a Rede que já existia naquele momento. O educador social lembra que foi o momento de escolher as representações da Rede nacional, regionais e estaduais. A escolha desses representantes aconteceu de forma consensual, com a participação de todos. Aquele encontro criou uma identidade familiar, que não existia até então, recorda Samir. Por conta do tamanho do Brasil, e como uma maneira de garantir a participação de novas pessoas e com isso a sustentabilidade da visão política do movimento, era preciso manter a rotatividade do encontro nacional entre as diferentes regiões. De Minas Gerais, os integrantes da Rede já saíram com a ideia de realizar o próximo evento em terras paranaenses. E assim aconteceu quando Curitiba (PR) recebeu no ano seguinte cerca de 80 participantes. O 4º Encontro foi organizado exclusivamente pelos membros da RNAJVHA. O estudante Kleber Fábio, de 26 anos, que representou nacionalmente a Rede no primeiro ano e esteve na organização do encontro de 2009, conta que houve a formação de uma comissão executiva tendo, pelo menos, um representante de cada região. Era necessário dar continuidade ao que já acontecia todos os anos, mas agora com os jovens organizando. O objetivo, então, não era apenas construir políticas públicas para a prevenção e o tratamento da aids, mas de celebrar a vida, reencontrar amigos, conhecer-se, estimular o protagonismo e a participação social, diz Kleber. O passo a passo da organização foi feito por meio de reuniões via internet, telefonemas e de acordo com consultas já produzidas pelos Governo, UNICEF e organizações do movimento aids, da sociedade civil, reúnem-se em Brasília para o 2º Fórum, com a participação de cerca de 40 adolescentes para a construção de uma agenda comum de ações voltadas ao público infanto-juvenil. Acontece no Rio de Janeiro o 1º Encontro Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV, pela primeira vez organizado por entidades da sociedade civil - o GIV (Grupo de Incentivo à Vida) de São Paulo e o Grupo Pela Vidda do Rio de Janeiro. 2º Encontro Nacional, organizado pelo Gapa Bahia. Trouxe questões relacionadas ao tratamento e a vivência das pessoas com HIV/aids. Discussão surgiu após constatação de dúvidas apontadas por familiares dos adolescentes soropositivos. 12 Revista escuta soh! Ano 3 Edição 03

13 adolescentes e jovens vivendo com HIV/aids produzidas em encontros passados. Sobre a importância de existir um movimento como a RNAJVHA, Kleber compartilha de um pensamento igual a todos que falaram à reportagem. Uma rede de adolescentes e jovens vivendo com HIV/aids se torna necessária para que nossos representantes (de governo) se lembrem da existência desse grupo de pessoas com diferentes características e que não são as mesmas dos adultos. Nos encontros nacionais também estiveram presentes jovens representantes de outros países e Franco Arena Reyes foi um desses participantes. Hoje com 24 anos, o boliviano conta que a oportunidade de participar do encontro permitiu um fortalecimento no trabalho que ele desenvolve em conjunto com a Red Boliviana de Personas que Viven VIH (Redbol). Este ano sou responsável nacional pelo grupo de jovens com HIV/aids, mas só aceitei esse desafio por conta do intercâmbio que fiz no Brasil, diz. Conquistas Nesses primeiros anos de existência da Rede, a principal conquista do movimento é o reconhecimento de atuação juvenil em espaços políticos que os integrantes conquistaram. E essa afirmação parte da atual representante nacional da RNAJVHA, Micaela Cyrino, de 22 anos. Referências de participação são encontradas em espaços como o Programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE), do governo federal, e a Comissão Nacional de Articulação com Movimentos Sociais (Cams), que visa contribuir e articular a participação na construção das políticas públicas no campo da saúde junto à Comissão Nacional de Aids (CNAIDS), do Ministério da Saúde. Além disso, os integrantes da Rede são convidados a participar de fóruns, seminários e palestras para os mais diferenciados públicos, com a temática HIV/aids. Essas participações também possibilitaram crescimento pessoal aos jovens, como ressalta Ana Paula Silveira, do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, e que acompanha o movimento desde o início. Hoje, eles estão presentes nos espaços de decisão. Somo à isso o real entendimento de ser cidadão e o direito a ter reconhecida e valorizada a voz dos jovens em nosso País, diz. Para este ano, segundo Micaela, a RNAJVHA tem como principal objetivo o fortalecimento regional por meio de encontros estaduais que servirão para criar ações práticas de alerta sobre a prevenção e o tratamento do vírus, além de estratégias para que os integrantes da Rede sejam ainda mais reconhecidos politicamente nos espaços de discussão ou definição de programas relacionados à aids, como já vem acontecendo desde o surgimento do movimento. Mário Volpi acredita que a principal bandeira da Rede para os próximos anos seja a de um movimento de cidadania, não só para reunir questões relativas ao HIV. Mas o momento agora é de consolidar a apropriação dos adolescentes, de levar um movimento que ainda é complexo, e de fortalecer ações de desenvolvimento pelo direito à saúde e à integridade, conclui. Bete Franco lista questões importantes para a Rede debater, como o conceito de jovem que sustenta a RNAJVHA e para quais jovens esse movimento existe. Não sabemos para onde esse processo de organização vai caminhar, mas testemunhamos um grupo de jovens buscando espaço para dizer, fazer, existir. Ficamos também emocionados com a profundidade com que os jovens percebem, sentem e transmitem suas vivências e o enfrentamento das vulnerabilidades e violação de direitos ligados à experiência de ser jovem e ter HIV, finaliza a psicóloga. Jovem Ainda Desde 2007, o Brasil utiliza o padrão internacional na conceituação de juventude. Considera-se jovem a faixa etária entre 15 e 29 anos de idade, sendo dividido em três grupos: jovens-adolescentes (15 a 17 anos), jovens-jovens (18 a 24 anos) e jovens-adultos (25 a 29 anos). A RNAJVHA utiliza esse padrão internacional O encontro nacional desse ano, feito pelo Grupo Vhiver em Belo Horizonte (MG), trabalhou a aproximação dos adolescentes e jovens do Brasil, dando início a um movimento juvenil único de HIV/aids. Apesar da participação de adultos, estrutura do encontro foi pensada principalmente pelos jovens. É realizado o 4º Encontro Nacional da RNAJVHA, o primeiro organizado exclusivamente pelos integrantes da Rede. O evento, com quase 80 participantes e que aconteceu em Curitiba (PR), teve como missão fortalecer as discussões políticas entre os participantes e estimular o protagonismo e a participação social. A prioridade é a realização de encontros regionais para fortalecer a Rede localmente e atrair novos integrantes, de forma a colaborar na luta contra a aids. Revista escuta soh! Ano 3 Edição 03 13

14 capa Confira a opinião de adolescentes e jovens que integram a Rnajvha Tive contato com a Rede em 2009 e foi um espaço de acolhimento, com pessoas que me deram muito apoio. Encontrei uma outra família, pois anteriormente não tinha nenhuma informação sobre como lidar com o HIV e a RNAJVHA me deu essa oportunidade. Hugo Xavier Soares, 23 anos, estudante (Pará) Arquivo pessoal Ela é importante por conta da união de adolescentes e jovens vivendo com HIV/aids, o amor e o compartilhamento de experiências. Por estarmos unidos, conseguimos conquistar os direitos e lutar por muitos outros. E tudo só acontece porque estamos juntos e isso nos possibilita ter voz ativa. Rafael Stemberg Cheguei na Rede com 15 anos e isso mudou minha vida. A troca de experiências com pessoas de outros locais me ajudou muito, inclusive como suporte psicológico. Espero que a RNAJVHA possa chegar a todos os jovens, dos mais longínquos municípios e ser o mais acessível possível. Pact Brasil Rosana Garcia Cassanti, 22 anos, agente de prevenção (São Paulo) A Rede é importante porque possibilitou que a voz dos adolescentes e jovens com HIV/aids seja ouvida. Ganhamos suporte e apoio para juntos irmos atrás de nossos direitos, para nos incluir social e politicamente. José Rayan, 17 anos (Amazonas) Cleverson Fleming, 21 anos, estudante (Rio de Janeiro) Formação educomunicativa Durante o encontro de Salvador, em 2007, os adolescentes e jovens deram início a mais uma atividade. Uma parceria formada pelo UNICEF e a ONG Viração possibilitou que os participantes fizessem a cobertura de todo o evento, originando reportagens, fotos e arquivos multimídia para o site da Agência Jovem de Notícias e a revista Escuta Soh!. Para a produção dessas notícias, os jovens participam de todo o processo jornalístico, como a escolha das pautas e o projeto gráfico, dando a eles a oportunidade de relatarem, a partir de seus próprios pontos de vista, a opinião sobre os assuntos, trabalho que recebe o nome de educomunicação. Hoje a revista Escuta Soh! está na terceira edição. Em 2009, o projeto foi um dos três vencedores do Prêmio Huellas, que reconhece iniciativas regionais de comunicação voltadas às crianças, adolescentes e jovens da América Latina e Caribe. Achamos importante dar visibilidade ao tema e fortalecer a comunicação dos adolescentes e jovens, promovendo um espaço para que expressem o que têm a dizer, por issoo apoio à Escuta Soh!, diz Daniela Ligiéro, que coordenou a equipe de HIV/aids do UNICEF até janeiro 2010 Quando descobri o diagnóstico (soropositivo) tive poucas orientações e, para mim, a Rede me proporcionou uma nova forma de vivência, que me deixou fortalecido para enfrentar o HIV. Oséias Cerqueira, 23 anos (Bahia) A variedade de informação que adquirimos e a quantidade de histórias de vidas que sempre nos faz crescer é o que faz a Rede ser necessária. Além de facilitar que adolescentes e jovens do Brasil se reúnam em encontros presenciais e online para discutir políticas e trocar experiências. Muriele Silva Sampaio, 18 anos, estudante (Rio de Janeiro) Rafael Stemberg 14 Revista escuta soh! Ano 3 Edição 03

15 Homenagem No segundo semestre de 2009, a Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/aids (RNAJVHA) perdeu um grande amigo por conta da aids. Aos 22 anos, Thompson Toledo deixou também sua contribuição na luta contra o preconceito às pessoas vivendo, além de trazer sempre alegria e emoção a quem o conhecia. Com certeza, Tom deixará saudades... O Tom dá o tom Sempre crítico, Thompson não tinha inimizades e fazia de tudo para tornar qualquer momento alegre. José Rayan de Oliveira, da Escuta Soh! de Manaus (AM) Ele foi um jovem ativista. Guerreiro, acreditava na vida e em um mundo melhor, sem preconceito e discriminação. Uma pessoa admirável, pois seu sorriso encantava a todos. Quem o conheceu se lembra dele rindo, falando sobre suas experiências de vida, seu carinho com as pessoas, suas bagunças nos quartos de hotéis Brasil afora... Um menino que não criava inimizades, mas que era muito crítico. Que lutava, sempre com força e garra. Um exemplo puro de jovem ativista. Seus problemas eram muitos, e também complicados, porém o interessante é que sempre existia argumento de motivação e de sucesso. Acreditava em um futuro brilhante. Muitos jovens o tinham como o melhor amigo, quando não como um irmão, pois com ele aprenderam a dividir momentos importantes, decisivos e de escolhas. O jovem Thompson Toledo acreditava em qualidade de vida, apesar de conviver com a aids, como muitos de nós acreditamos. Com isso, percebemos o quanto ainda temos de lutar, pois ainda perdemos pessoas queridas por motivos bem simples: às vezes por falta de apoio, de ajuda emocional ou simplesmente de palavras amigas. E qual o nosso papel diante disso? O lado difícil da vida não está apenas nos problemas e, sim, nas vezes em que vemos o erro acontecer e cruzamos os braços sem nada fazer para mudar tal realidade. Em momento de reflexão, imaginemos o Thompsom sorrindo e dizendo o que gostava de repetir inúmeras vezes: o Tom dá o tom. Lembremos de momentos juntos, como grandes amigos, ou como ele mesmo dizia, como a família que ele não teve. Tom deixará saudades e um espaço enorme nos corações de quem conviveu de perto com essa figura alegre. O jovem esteve presente no último encontro, em Curitiba, e dizia que acreditava na rede (RNAJVHA) e nos jovens que participam dela. Mas acima de tudo, ele acreditava na vida. Por isso não podemos deixar que a morte dele seja em vão, pois perdemos um grande ativista e amigo que parte deixando saudades e belos momentos de alegria. Revista escuta soh! Ano 3 Edição 03 15

16 História de vida Força Espiritual Paulistana, da RNAJVHA, Rosana conta como encontrou na fé a superação de conviver com o HIV Rosana Garcia, da Escuta Soh! de São Paulo (SP) Meu nome é Rosana, tenho 23 anos e vim contar minha história de vida. Minha mãe tem seis filhos, três legítimos e três adotados. Sou uma das adotivas. Quando criança, tive vários problemas de saúde, mas ninguém conseguia descobrir o que era. Na época, um de meus irmãos estava preso no Carandiru e, não sei como, tinha contato com o presidente Fernando Henrique Cardoso ( ) e escreveu uma carta contando a ele sobre mim. O presidente respondeu com o endereço de um dos poucos postos especializados em HIV na época. Foi então que, com 7 anos, descobri que tinha o vírus e que já estava muito avançado. Existem dois exames que são feitos para controlar o tratamento: o CD4, que mede a imunidade, e a carga viral, que mede o número de vírus no sangue. Nessa época, meu CD4 era zero e a quantidade de vírus em meu corpo era de 1 milhão. Eu estava com problemas de pele, tuberculose, meu cabelo caiu. Os médicos me desenganaram e as pessoas que acreditaram em mim foram minha mãe, a doutora Elza, minha pediatra, e principalmente Deus. Aos 11 anos descobri o mundo. Primeiro as casas noturnas de São Caetano, depois as de São Paulo. Comecei a usar drogas e beber. Logo fui contratada para ser promoter e podia ter tudo de graça. Bebidas e drogas de todos os tipos. Gostava de ir para raves, virar dias e noites assim. Nessa caminhada, tive quatro comas alcoólicos e duas overdoses. Nesses 4 anos parei meu tratamento de HIV, peguei meningite e neurotuberculose. Os médicos disseram que eu teria sequelas, que ficaria cega ou surda. Mas, mesmo ali, a mão de Deus estava cuidando de mim. Não tive nenhuma sequela. Mas assim que saí do hospital voltei para minha antiga vida. Cheguei ao fundo do poço. Com 16 anos, estudava à noite e conheci um menino que vendia bala de coco. Eu estava quase sempre sozinha, as pessoas tinham medo da minha aparência. Eu usava um moicano no cabelo, vários piercings e tatuagens. Esse menino começou a falar de Deus para mim e de uma igreja chamada Bola de Neve. Ele não congregava lá, mas me falava da igreja sempre. Então eu resolvi ir para a igreja, pois dizia: Não tenho mais nada a perder. Se ganhar alguma coisa vai ser lucro. Acabei indo com a irmã desse garoto para a igreja. Naquele dia aceitei Jesus. E, logo quando voltei a trabalhar, no dia seguinte, não bebi e nem usei drogas. 16 Revista escuta soh Ano 3 Edição 03 As pessoas estranharam aquilo. Com uma semana de convertida, o pastor começou a profetizar e dizer que havia uma moça naquele culto que era nova na fé e tinha HIV, mas Deus estava derramando sobre ela a unção de cura. Comecei a chorar imediatamente. Esta foi a primeira das muitas vezes que Deus disse que ia me curar. Tive meu tempo de tratamento contra as drogas dentro da igreja. Voltei a tomar minha medicação e assim fui indo aos cultos, fazendo o tratamento, alimentando-me espiritualmente e crescendo em Deus. Com 8 meses de cristã, comecei a trabalhar nos ministérios. Tive que visitar o hospital mais algumas vezes, mas em todas elas Deus fez algo especial. Hoje, minha carga viral é zero e meu CD4 é de aproximadamente 600, igual a de uma pessoa que não vive com o vírus. A medicina não me declara curada porque acredita que os vírus estão escondidos nos meus órgãos, mas confio na palavra do meu Deus, creio que estou curada. Muitas outras coisas aconteceram, mas em todas elas Jesus me ajudou. Apesar das tentações, continuo firme e creio que todas as promessas do Senhor vão se cumprir. Aquele que tem uma promessa de Deus não morre, sou prova viva disso. Tantas coisas poderiam ter tirado minha vida, mas até hoje estou aqui, para a Glória de Deus. Quero deixar Isaías 43:18-19: Não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas. Eis que faço uma coisa nova, agora sairá à luz; porventura não a percebeis? Eis que porei um caminho no deserto, e rios no ermo. Foi isso o que Deus fez por mim.

17 Mulheres e HIV: um encontro pela vida Camila Pinho, de Belo Horizonte (MG), e Micaela Cyrino, de São Paulo (SP) Colaborou o Grupo de Mulheres da ONG Pela Vidda Rio Evento no Rio de Janeiro reúne mulheres para discutir equidade Em outubro de 2009, a ONG Pela Vidda Rio realizou encontro com uma turma interessada em compartilhar vivências. Eram jovens e adultos, cada um com uma experiência diferente. Entre as mulheres, ocorreu uma discussão em torno da equidade - quando são assegurados os direitos, de forma justa, às condições individuais das pessoas. Mesmo com a conquista de espaços e cargos de trabalho em que mulheres jamais seriam imaginadas, ainda é difícil discutir alguns temas do universo feminino quando os homens estão por perto. E, infelizmente, essa resistência pode ser responsável pelo aumento de casos de pessoas com HIV/aids, quando, por exemplo, a mulher toma a iniciativa de sugerir o uso da camisinha numa relação sexual. Em círculo, a discussão começou com uma dinâmica na qual cada participante se apresentou. Após as apresentações, a conversa foi iniciada, abordando temas sobre ser mulher, mulher com HIV e sexualidade. Havia participantes de idades variadas, dos 20 aos 60 anos. Várias histórias, várias vivências e situações complexas, buscando soluções. E por isso o debate aconteceu a partir de vários pontos de vista. No início, colocações um tanto machistas: os homens se diziam os donos da decisão sobre o uso ou não da camisinha em uma relação sexual. As mulheres com mais idade, mães, expressavam pontos de vista ainda enraizados em moralidades antigas e que não levavam em conta os direitos da mulher: minha filha não pode sair, nem namorar, pois ela é muito nova, meu filho leva a namorada para dormir em casa, se eu falar o que gosto de fazer, ele vai achar que eu sou uma safada, se eu quiser usar camisinha, ele vai achar que estou traindo a relação. Enquanto as garotas mais novas rebatiam: claro que temos que mostrar onde temos prazer, assim construímos uma relação a dois. Ou com quantos quisermos. A diferença de idade foi muito boa para transformar os pensamentos. A presença de dois homens também foi bastante significativa. A conversa foi tomando um rumo diferente e foram então pensadas em conjunto propostas para mudar a ideia do que é o universo feminino. Após o levantamento de propostas foi também acordado que nos próximos bate-papos sobre a mulher, serão convidados homens para participar e, assim, enriquecer o debate. J J J J J Nossos ideais Contar com a participação de outras pessoas, de outras lutas; Que devemos conhecer nosso corpo e onde temos prazer; Que mulheres jovens e adultas precisam conversar mais; Que juntas conseguiremos mais mudanças e Que somos mulheres independentes. Não tem mais desculpa Foi-se o tempo em que o uso da camisinha na relação sexual estava condicionado à atitude do parceiro, pois já circula no Brasil o preservativo feminino. Feita de poliuretano, é um método contraceptivo que pode ser introduzido dentro da vagina antes da relação sexual. Ele possui duas extremidades com anel, e o da extremidade maior é aberta. Na hora do uso, basta a mulher encontrar uma posição confortável, apertar o anel menor, de maneira a formar um oito, e inseri-lo na vagina até alcançar o nível do osso do púbis. Nas embalagens do produto há ilustrações sobre o modo de uso e você também pode procurar um ginecologista para mais informações. Como a camisinha comum, o preservativo feminino protege contra aids, dst (doenças sexuais transmissíveis) e hepatites, além de uma gravidez não planejada. Ainda é difícil encontrá-la em farmácias e postos de saúde, mas aos poucos a nova alternativa não poderá faltar nas bolsas das mulheres. Revista escuta soh! Ano 3 Edição 03 17

18 eu aprendi Eu sou eu? Edson quer fazer suas próprias escolhas Edson da Silva Santos, da Escuta Soh! de Belo Horizonte (MG) Frequentemente, escuto alguém me dizer o que é certo e errado, o que é bom e mau, o que devo ser ou fazer de minha vida. Essas definições me foram passadas desde que eu era apenas um bebezinho e até hoje não param de me moldar. Ninguém nunca me perguntou o que eu realmente acho delas, embora muitas vezes eu pense de forma completamente diferente. Aprendi que na maioria das vezes é melhor ficar calado e guardar o que eu penso só para mim. E mais do que isso: é melhor que eu aja, e finja pensar como a maioria das pessoas agem e pensam - ou também fingem que pensam. Que o homem branco é melhor que o negro, eu já aprendi. Que as mulheres devem cuidar da casa e das crianças, enquanto os homens trabalham, também já sei. Até as pessoas por quem eu devo me apaixonar já me ensinaram: eu não posso gostar nem desejar alguém do mesmo sexo que o meu, o resto tá tranquilo. Os meninos podem transar antes do casamento, na verdade eles devem transar antes do casamento. As meninas até podem, mas só se quiserem levar uma má fama. Mas aí fico pensando como a sociedade é contraditória e até mesmo hipócrita: os meninos devem transar quase que por obrigação, mas as meninas não podem até que se casem. Então com quem é que eles vão transar? Com outros meninos? Mas isso não é errado? Sabe de uma coisa? Às vezes acho a sociedade muito confusa. E tem uma pergunta me incomodando mais ainda: quem inventou todas essas regras? Quem decidiu o que é certo ou o que é errado? E quem é capaz de dizer ou decidir o que é melhor ou não para mim? Eu devo ser capaz de escolher o meu trabalho, o meu filme preferido, meu namorado ou namorada, minha religião, caso eu queira ter uma. Eu devo me tornar responsável por mim mesmo e por minhas ações. Só assim serei livre e viverei com autonomia. Tô cansado de gente se metendo na minha vida e resolvendo tudo por mim. Eles não me deixam crescer. Querem que eu me torne um adulto responsável, mas se esquecem do que sou atualmente: jovem. Será que pensam que ser jovem é o mesmo que nada ser? Pois saibam que não. Eu não aguento mais que vivam a minha vida, que façam as minhas escolhas e planejem o meu futuro. As pessoas não estão acostumadas com opiniões diferentes, ainda mais com as de um jovem. Vivem me dizendo que essa minha mania de questionar as coisas não passa de uma fase, ou então que é coisa de adolescente, mas que logo logo vai passar. Para mim é como se dissessem: Você não tem a menor importância para o mundo. Enquanto não se tornar um adulto, de nada valerá a sua opinião. Mas é aí que eu questiono mais. Dá mais vontade de mostrar o quanto eu, junto com outros jovens, sou capaz de contribuir para a melhoria de nossa sociedade. Se os adultos já se acostumaram com o absurdo, eu, pelo contrário, estou apenas começando. *Edson da Silva Santos, da RNAJVHA, é professor de filosofia e sociologia. 18 Revista escuta soh Ano 3 Edição 03

19 ilustra Arte Urbana Quem caminha pelas ruas de Campinas, no interior de São Paulo, já deve ter percebido algumas intervenções urbanas realizadas pelo artista Almir da Silva Pinheiro, ou Mirs el Monstro, como é conhecido. Mas o que torna o trabalho de Mirs inconfundível é a mensagem de prevenção às dst/aids que grafita nos muros. Ele faz isso como forma de conscientizar adolescentes, jovens e adultos para o sexo seguro. A pedido da Escuta Soh!, o artista urbano produziu graffitis em espaços abandonados da cidade. Nesta página você confere como ficou a encomenda! Revista escuta soh! Ano 3 Edição 03 19

20 É sempre bom lembrar! A aids é uma doença que aparece algum tempo depois que a pessoa é infectada pelo vírus HIV. Uma pessoa fica doente de aids porque o vírus HIV destrói as defesas que o corpo possui contra as doenças e pode demorar mais de dez anos para aparecer. Só tem um jeito da gente saber se tem ou não o HIV: é fazendo o teste. Por isso, procure o posto de saúde mais próximo e informe-se sobre como realizar o exame. É direito seu que isso seja mantido em sigilo. A aids ainda não tem cura, mas já existem diversos remédios que mantêm a doença sob controle, os chamados coquetéis. O HIV PODE ENTRAR NO CORPO... Pela agulha ou seringa Já utilizada ou sem esterilização na hora de aplicar droga, fazer tatuagem e colocar piercing. ATENÇÃO: Usar sempre materiais descartáveis. Pelo sexo sem o uso de camisinha Por meio das práticas de sexo oral, vaginal e anal sem camisinha. ATENÇÃO: Não abra a embalagem de preservativo com os dentes ou materiais cortantes. Use as mãos para abrir. Na transa sem proteção Mulher com homem Mulher com mulher Homem com homem Da mãe para o bebê Durante a gravidez, na hora do parto ou pelo leite materno na amamentação. ATENÇÃO: É preciso fazer o teste no início da gravidez e, em caso de HIV positivo, existe tratamento que evita o contágio da mãe para o bebê. NÃO SE PEGA E NÃO SE PASSA HIV O VÍRUS HIV ESTÁ... Na piscina Pela toalha ou sabonete Pelo suor Pelo abraço e aperto de mãos No sangue No corrimento e secreções da vagina Pela picada de mosquito No assento do banheiro Em talheres, copos, pratos e xícaras No leite da mãe No esperma e secreções do pênis Ilustrações: Luiz Perez Lentini, colaborador

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