USABILIDADE, DESIGN UNIVERSAL E ACESSIBILIDADE PARA PORTAIS WEB

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1 USABILIDADE, DESIGN UNIVERSAL E ACESSIBILIDADE PARA PORTAIS WEB Adans Schopp dos Santos 1 Daniele Pinto Andres 2 RESUMO Este artigo procura abordar as principais características relacionadas a Portais Web, Usabilidade, Design Universal e Acessibilidade. Sendo que o principal objetivo deste estudo é fornecer um embasamento teórico de diversas recomendações e princípios do design universal, os quais são quesitos importantes a serem pensados em um projeto de Portal Web, servindo como fonte de pesquisa para os desenvolvedores de sites Web. Palavras-chave: Usabilidade, Design Universal, Acessibilidade, Portais Web. INTRODUÇÃO Neste artigo procura-se discutir um dos maiores desafios encontrados pela Web desde a sua criação, que são os diferentes níveis de conhecimento e experiências dos usuários. Talvez porque a World Wide Web tenha surgido com o objetivo de facilitar a troca de informações entre pesquisadores, e rapidamente sem uma migração mais adequada, esta tenha despertado o interesse de empresas e veículos de comunicação com um número crescente de páginas publicadas para todos os tipos de usuários no mundo inteiro. Porém, esquecendo as desigualdades existentes entre estes usuários e tornando o acesso às informações para apenas um determinado grupo destes. 1 Acadêmico do Curso de Sistemas de Informação da ULBRA Guaíba, 2 Professora do Curso de Sistemas de Informação da ULBRA Guaíba, >

2 2 No Brasil, o acesso à informação é um direito constitucional: é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional (Brasil, 1998). Mesmo assim, o crescente e rápido desenvolvimento não respeitou algo que os designers e webdesigners deveriam enxergar que agora se torna cada vez mais real, existem diferenças entre as pessoas, sendo que a Web deveria se adequar de algo como um Design Padrão para que estas diferenças fossem diminuídas. Dessa forma, em outubro de 1997, o World Wide Consortium (W3C), organismo responsável por recomendações para a rede mundial lançou o Web Acessibility Initiative (WAI), com o objetivo de promover a acessibilidade, contribuindo para o Design Universal ou Design para todos e seus sete princípios, que vem com o propósito de simplificar e facilitar a vida das pessoas de todas as idades e habilidades, projetando ambientes usáveis por muitas pessoas, com pouco ou nenhum custo, através de seus princípios e através de recomendações de acessibilidade. Considerando então, a rapidez no avanço de novas tecnologias e a abrangência de assuntos disponíveis, tornou-se imprescindível analisar os portais e os acessos devido as formas inadequadas de apresentação do conteúdo, bem como se torna uma forma de conscientização para os webdesigners. Sendo assim, percebe-se a importância de estudos aprofundados do Design Universal e sua aplicabilidade em portais, visto que estes são geradores de conhecimento e consequentemente abrangem uma grande parte da população. PORTAL WEB O portal normalmente é o ponto de entrada ou o primeiro site a ser carregado quando inicializa-se o navegador web. O portal propõe-se a oferecer uma mistura de conteúdo e serviços, tais como correio eletrônico, mecanismos de busca, listas de discussão, por meio de uma interface compatível com seu público-alvo, passível de ser personalizada pelo próprio usuário. O primeiro site a ser chamado de portal foi o América Online (AOL), que oferecia, à época, apenas acesso à Internet e uma rede restrita de conteúdo. Posteriormente, os tradicionais sites de busca, como Yahoo e Excite, deixaram de ser denominados simplesmente mecanismos de busca e se transformaram em Portais Web, já que passaram a oferecer não só

3 3 busca de informações na web, mas também outros serviços, atraindo assim, um público maior. Esses grandes Portais Web ainda são os sites mais visitados em toda a Internet (DIAS, 2003). Quanto ao contexto de utilização do Portal Web, podem-se identificar dois tipos de portais: portal público e portal corporativo. Apesar das semelhanças tecnológicas, os portais públicos e os portais corporativos atendem a grupos de usuários diversos e têm propósitos completamente diferentes. A principal função do portal público é atrair a população em geral que navega na Internet. Enquanto os portais corporativos, por sua vez, são sites web internos a uma rede corporativa que oferecem conteúdo e serviços aos funcionários de tal empresa ou instituição. Tanto o projeto de um portal público como o de um portal corporativo devem ater-se as questões de design universal. USABILIDADE Usabilidade é a capacidade de um produto ser usado por usuários específicos para atingir objetivos específicos com eficácia, eficiência e satisfação em um contexto específico de uso ISO (ABNT, 2007). Apesar, de em sua essência ter raízes na Ciência Cognitiva, o termo usabilidade começou a ser usado no inicio da década de 80, principalmente nas áreas de Psicologia e Ergonomia, como um substituto da expressão user-friendly (traduzido para o português como amigável ), a qual era considerada vaga e excessivamente subjetiva. Na verdade, os usuários não precisam que as máquinas sejam amigáveis. Basta que elas não interfiram nas tarefas que os usuários querem realizar. Além disso, usuários diferentes têm necessidades diferentes, de maneira que um sistema pode ser amigável para uma pessoa e não tão amigável para outra (DIAS, 2003). A usabilidade pode ser considerada uma qualidade de uso, isto é, qualidade de interação entre usuário e sistema, que depende das características tanto do sistema quanto do usuário. Em outras palavras, o mesmo sistema pode ser excelente para algumas pessoas e inadequado ou inaceitável para outras. Além disso, a usabilidade também depende das tarefas específicas que os usuários realizam com o sistema, assim como do ambiente físico (incidência de luz, barulho, interrupções da tarefa, disposição do equipamento). Portanto, a usabilidade é uma qualidade

4 4 de uso de um sistema, diretamente associada ao seu contexto operacional e aos diferentes tipos de usuários, tarefas, ambientes físicos e organizacionais. Pode-se dizer, então, que qualquer alteração em um aspecto relevante do contexto de uso é capaz de alterar a usabilidade de um sistema. Alguns autores reúnem os aspectos eficácia e eficiência da norma ISO ABNT (2007) em outra medida de usabilidade: o desempenho do usuário, descrito como a habilidade do usuário final em realizar tarefas para as quais o sistema foi desenvolvido, no contexto em que o sistema será usado. Para esses autores, a medida de satisfação do usuário é tão importante quanto seu desempenho, ou seja, um sistema, mesmo sendo eficiente e capaz de gerar resultados eficazes, não pode ser considerado aceitável se a reação do usuário ao sistema for negligente. Usabilidade também pode ser definida como uma medida da qualidade da experiência do usuário ao interagir com alguma coisa seja um site na Internet, um aplicativo de software ou outro dispositivo que o usuário possa operar de alguma forma (DIAS, 2003). O estudo da usabilidade é uma questão importante do design universal, pois auxilia com os métodos de mensuração da facilidade de uso e ao estudo dos princípios por trás da eficiência percebida de um objeto. DESIGN UNIVERSAL E ACESSIBILIDADE O propósito do Design Universal é simplificar a vida das pessoas de todas as idades e habilidades, projetando produtos, meios de comunicação e ambientes usáveis por muitas pessoas, com pouco ou nenhum custo (SERPRO, 2007). A seguir encontram-se os princípios que suportam o design universal: Uso eqüitativo, o produto do design deve ser útil e pode ser adquirido por pessoas com habilidades diversas; Flexibilidade no uso, o resultado do design deve acomodar uma grande variedade de preferências e habilidades individuais. Simples e intuitivo, o uso do design deve ser fácil de entender, independentemente da experiência, do conhecimento anterior, das habilidades lingüísticas ou do nível de concentração corrente.

5 5 Informação perceptível, o produto do design deve apresentar a informação necessária ao usuário efetivamente, independentemente das condições do ambiente ou de suas habilidades sensoriais. Tolerância ao erro, o produto do design deve minimizar o risco e conseqüências adversas de ações acidentais ou não intencionais. Baixo esforço físico, o produto do design deve ser usado efetivamente, confortavelmente e com um mínimo de fadiga. Tamanho e espaço para aproximação e uso, tamanho e espaço apropriados devem ser oferecidos para aproximação, alcance, manipulação e uso independentemente do tamanho do corpo, postura ou mobilidade do usuário. O Design Universal é a preocupação no design para todos de tal forma que sejam utilizáveis pelo mais vasto público possível, operando nas mais variadas situações e sendo ainda comercialmente viáveis (VANDERHEIDEN, 2000). Por essa definição, pode-se deduzir que, na verdade, não existem produtos universalmente usáveis, já que a variedade de situações, limitações e habilidades experimentadas por todas as pessoas é enorme, porém é possível atingir um número maior de pessoas com a adoção de alguns cuidados que geralmente não são abordados em um projeto comum. Já, a acessibilidade é a capacidade de um produto ser flexível o suficiente para atender às necessidades e preferências do maior número possível de pessoas, além de ser compatível com tecnologias assistivas usadas por pessoas com necessidades especiais (DIAS, 2003). É impossível desenvolver um produto inteiramente acessível. Pode-se torná-lo mais acessível, no entanto sempre haverá alguém que não conseguirá utilizá-lo. Também é um equívoco pensar, que a criação de páginas web com um design universal atenda apenas aos deficientes físicos e mentais. Essas pessoas são um grande grupo que pode ser beneficiado por produtos mais flexíveis, porém não são as únicas. Mas, também pessoas sem deficiência, em situações e características diversas, como por exemplo: As pessoas cujos olhos estão ocupados em outra atividade (dirigindo um carro, por exemplo) ou em ambientes escuros; As pessoas que estejam trabalhando em ambientes esfumaçados ou com monitores de vídeo de baixa resolução; As pessoas que estejam em ambientes extremamente barulhentos, em silêncio forçados (em uma biblioteca, por exemplo) ou com os ouvidos atentos a outra atividade;

6 6 As pessoas que estejam em ambientes ruidosos; As pessoas que estejam usando roupas especiais que restrinjam os movimentos das mãos ou em ambientes turbulentos que dificultem a precisão manual; As pessoas em pânico, sob ação de medicamentos ou drogas, distraídas, que não consigam ler ou entender o idioma em que o conteúdo é apresentado. Tendo em vista os problemas levantados anteriormente com relação ao uso dos conceitos de Design Universal e Acessibilidade, a questão mais importante para os projetos de Portais Web é a inclusão e extensão do uso destes por todas as parcelas presentes em uma determinada população, e não apenas a participação das pessoas nas atividades que incluem o uso de informações, visto que atualmente isto não é uma prática atual. CONSIDERAÇÕES FINAIS O Design Universal é uma área que envolve diferentes questões como: usabilidade, acessibilidade, ergonomia, economia, política, bem como o desenvolvimento de tecnologias assistivas. Além disso, o crescimento da Web e do acesso a mesma pela população em geral aumenta o interesse pelo estudo do Design Universal e a sua importância tem sido reconhecida pelos governos, empresários e indústrias. Os conceitos abordados anteriormente possuem o intuito de sensibilizar projetistas de sites web quanto à importância de projetar interfaces web, identificando, o mais cedo possível, problemas que poderiam retardar, dificultar ou ainda inviabilizar a interação dos diferentes tipos de usuários. Sendo assim, pode-se concluir que a Usabilidade, o Design Universal e a Acessibilidade não vêm como uma solução mágica possibilitando a todos os tipos de usuários sem qualquer restrição a utilizar os Portais Web, mas abre muitas possibilidades e benefícios para um grupo maior de usuários através da melhoria de suas interfaces. BIBLIOGRAFIA

7 7 ABNT. ABNT/CB-40 Acessibilidade. Disponível por: Acessado em 14/03/2007. ABNT. Requisitos Ergonômicos para Trabalhos de Escritórios com Computadores Parte 11 Orientações sobre Usabilidade. Disponível por: Acessado em 13/04/2007. BRASIL, Constituição: República Federativa do Brasil, DIAS. Cláudia. Usabilidade na Web: Criando portais acessíveis. Rio de Janeiro: Editora Alta Books, FUTUREKIDS. Portais Educacionais. Disponível por: Acessado em 15/ PROFISSAOMESTRE. Saber Virtual. Disponível por: Acessado em 15/05/2007. SERPRO. Acessibilidade e Universal Design. Disponível por: Acessado em 15/ SERPRO. O que é Acessibilidade na Web. Disponível por: Acessado em 15/03/2007. VANDERHEIDEN, G. C. Fundamental Princípios and Priority Setting for Universal Usability W3C. Diretrizes de Acessibilidade ao Conteúdo da Web (WCAG) Uma Visão Geral. Disponível por: Acessado em 16/03/2007. W3C. Recomendações para a acessibilidade do conteúdo da Web 1.0. Disponível por: Acessado em 19/03/2007.

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