MBA EM GESTÃO FINANCEIRA E CONTÁBIL

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1 MBA EM GESTÃO FINANCEIRA E CONTÁBIL Disciplina: Teoria Contábil do Lucro Prof. Paulo Arnaldo OLAK 1 Quantia que pode ser consumida sem prejudicar o capital, tanto o capital fixo quanto o circulante... (Adam Smith, 1937) Quantia que uma pessoa pode consumir durante um determinado período de tempo e estar tão bem no final do período como estava no início. (Hicks, 1946) Quantia máxima que a firma pode distribuir como dividendos e ainda esperar estar tão bem no final o período como ela estava no começo. (Chang, 1962) 2 Lucro é o que se pode distribuir durante um período, mantendo a potencialidade do patrimônio líquido inicial intacta. (Iudícibus, 1979) Resultado (econômico) é aquele que expressa a variação do patrimônio da empresa entre dois momentos do tempo. (Catelli, 1990). Em termos contábeis,... resíduo derivado do confronto entre a receita realizada e o custo consumido. (Guerreiro, 1991). 3

2 O MAIOR PROBLEMA QUE ENVOLVE O CONCEITO DE LUCRO DIZ RESPEITO, PORTANTO, AOS CRITÉRIOS DE MENSURAÇÃO (AVALIAÇÃO) DOS ELEMENTOS PATRIMONIAIS (ESPECILMENTE ATIVOS). 4 AMBIENTE/MERCADO Valores de Entrada Valores de Saída Segmentos do mercado onde a empresa capta recursos EMPRESA (agregando valor aos recursos) Segmentos do mercado onde a empresa fornece recursos Fonte: FIPECAFI, 2001, p AVALIAÇÃO DE ATIVOS A VALORES DE ENTRADA (sacrifícios para adquirir um dado recurso) CUSTO HISTÓRICO (ORIGINAL): este método não considera os feitos da variação de preços da economia. CUSTO HISTÓRICO CORRIGIDO: considera a variação geral de preços da economia referente determinado período de tempo. CUSTO CORRENTE: considera a variação específica do valor de mercado do ativo. CUSTO CORRENTE CORRIGIDO: considera a variação específica do valor de mercado do ativo, conjugado com a variação de geral preços da economia, ou seja, contabilmente ocorre a correção do valor de mercado até a data que a empresa desejar apresentar o ativo corrigido. 6

3 AVALIAÇÃO DE ATIVOS A VALORES DE SAÍDA (benefícios com a realização de seus recursos) VALOR REALIZÁVEL LÍQUIDO: valor corrente de venda menos deduzido dos gastos necessários para a realização (venda normal, ordenada). VALOR DE LIQUIDAÇÃO: venda forçada dos ativos (situação não recorrente). EQUIVALENTE DE CAIXA CORRENTE (VALOR DE REALIZAÇÃO FUTURO): indica a capacidade de compra do mercado. Trata-se de um processo ordenado de liquidação (expectativa de alterações relevantes até o momento da efetiva realização) VALOR PRESENTE DO FLUXO DE BENEFÍCIOS FUTUROS: a melhor forma de avaliação de ativos, pois, traduz o valor presente do fluxo de benefícios que um ativo poderia gerar para a empresa, descontado por uma determinada taxa de oportunidade, por um período futuro estimado. 7 LUCRO CONTÁBIL Maior Objetividade Os ativos são avaliados na base de custos originais. O patrimônio Líquido aumenta pelo lucro. Apurado pelo confronto entre receitas realizadas, pelas vendas e custos consumidos (ativos expirados). Ênfase em Custos. Não reconhece ganhos não realizados. Fonte: Guerreiro, 1991 LUCRO ECONÔMICO Maior subjetividade Apuradopeloincrementono valor presente do patrimônio líquido. Os ativos são avaliados pelo valor presente do fluxo de benefícios futuros. O lucro deriva do aumento do patrimônio líquido da entidade. Ênfase em valores (mercado) Reconhecimento de ganhos realizados e não realizados. 8 LUCRO CONTÁBIL Não se efetuam ajustes em função de mudanças nos níveis de preços dos bens na economia. Amarração do lucro à condição de distribuição de dividendos. Não reconhecimento do Goodwill. Utilização de regras e de critérios dogmáticos. LUCRO ECONÔMICO São efetuados ajustes devidos a mudanças nos níveis de preços dos bens na economia. Amarração do lucro à condição de aumento da riqueza, independentemente da condição de distribuição de dividendos. Reconhecimento do Goodwill. Utilização de regras e critérios econômicos. Fonte: Guerreiro,

4 Lucro Contábil e as Variações de Preços Introdução No Brasil, atualmente, o reconhecimento da perda do poder aquisitivo da moeda (inflação) nas demonstrações contábeis (DC) é opcional. A Lei nº 9249, de 26/12/95 (art. 4º) revogou a correção monetária das DC e vedou a utilização de qualquer sistema de correção monetária das DC, inclusive para fins societários. A CVM tornou facultativa a elaboração e divulgação das DC em moeda de poder aquisitivo constante (IN Nº 248/96). Optando pela sua elaboração, a empresa deve observar a IN CVM Nº 191/92 e o PO CVM Nº 29/96). O CFC tornou compulsória a aplicação do Princípio Contábil da Atualização Monetária (Res. CFC Nº 750/93) das DC quando a inflação acumulada no triênio (IGPM-FGV) for de 100% ou mais (Res. CFC Nº 900/01) 10 Lucro Contábil e as Variações de Preços Importância Produzir demonstrações contábeis que reflitam, mais adequadamente, a real situação econômica, financeira e patrimonial da empresa. Minimizar a defasagem nos valores dos ativos não monetários como estoques e imobilizações. Mensurar os ganhos ou perdas nos elementos patrimoniais monetários (perdas no caixa, receita/despesa financeira comercial real, etc). Reconhecer na DRE os impactos causados pela inflação (lucro bruto, operacional e líquido), produzindo indicadores mais confiáveis. Possibilitar a comparabilidade entre demonstrações contábeis de diferentes períodos (moeda constante). 11 Lucro Contábil e as Variações de Preços Modelos Contábeis I - VARIAÇÕES GERAIS DE PREÇO: Correção Monetária do Balanço (Lei 6.404/76). Price Level Accounting (IAS Nr.. 29). Moeda de Poder Aquisitivo Constante ou Correção Monetária Integral (IN CVM Nº 191/92). II - VARIAÇÕES ESPECÍFICAS DE PREÇO: Custo Corrente. Custo Corrente Corrigido. 12

5 Correção Monetária do Balanço BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO C.HIST. CMB VAR. CIRCULANTE PERMANENTE TOTAL PASSIVO + PL CIRCULANTE CAPITAL LUCRO TOTAL INLAÇÃO DE 10% NO PERÍODO (Índice 1,1) 13 Correção Monetária do Balanço 14 Correção Monetária do Balanço BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO C.HIST. CMB VAR. CIRCULANTE PERMANENTE TOTAL PASSIVO + PL CIRCULANTE CAPITAL LUCRO - (100) (100) TOTAL INLAÇÃO DE 10% NO PERÍODO (Índice 1,1) 15

6 Correção Monetária do Balanço 16 Correção Monetária do Balanço BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO C.HIST. CMB VAR. CIRCULANTE (MONETÁRIO) CIRCULANTE (NÃO MONET) PERMANENTE TOTAL PASSIVO + PL CIRCULANTE (MONETÁRIO) CIRCULANTE (NÃO MONET) CAPITAL LUCRO TOTAL Correção Monetária do Balanço 18

7 Correção Monetária do Balanço BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO C.HIST. CMB VAR. CIRCULANTE (MONETÁRIO) CIRCULANTE (NÃO MONET) PERMANENTE TOTAL PASSIVO + PL CIRCULANTE (MONETÁRIO) CIRCULANTE (NÃO MONET) CAPITAL LUCRO TOTAL Correção Monetária do Balanço 20 Price Level Accounting O modelo utiliza índices gerais de preços da economia; Todas as contas das demonstrações contábeis são convertidas para moeda de uma mesma data (pode-se utilizar uma data-base de início, de meio ou de fim da série temporal); Restaura os valores originais (históricos), evidenciando uma das desvantagens do modelo; Outra limitação do modelo é o fato de não ajustar os valores futuros a valor presente (equivalente de capital) para a conversão em moeda de mesma data; Mensura os ganhos ou perdas nos elementos monetários patrimoniais. 21

8 Moeda de Poder Aquisitivo Constante (Correção Monetária Integral) O modelo utiliza índices gerais de preços da economia; Todas as contas das demonstrações contábeis são convertidas para moeda de uma mesma data (pode-se utilizar uma data-base de início, de meio ou de fim da série temporal); Restaura os valores originais (históricos), evidenciando uma das desvantagens do modelo; Procede o ajuste a valor presente (equivalente de capital) das contas com vencimento no futuro, utilizando taxas da ANBID (taxas médias de juros do mercado); Mensura os ganhos ou perdas nos elementos monetários patrimoniais. 22 Custo Corrente Corrigido Custo Corrente (CC): custo de repor a mesma capacidade de serviço do ativo que está sendo avaliado (normalmente estoques e ativos fixos). Custo Corrente Corrigido (CCC): adota os princípios do CC, mas reconhece os efeitos de índices gerais de preços nos elementos patrimoniais. Contas Monetárias: adotam-se os mesmos critérios utilizados no modelo de moeda de poder aquisitivo constante (CMI). Contas Não Monetárias: utiliza-se o preço de reposição para avaliar esses elementos patrimoniais. 23 CCC - Estoques 24

9 CCC - Estoques ECONOMIAS (DESECONOMIAS) NÃO REALIZADAS NOS ESTOQUES: expectativas de ganhos (ou perdas) nos estoques (não vendidos) em função da diferença entre o valor desses estoques avaliados pelo método da CMI e o preço de mercado na condição a vista (CC), na data da avaliação. Essas expectativas de economias e deseconomias são evidenciadas na DRE (incorporadas no PL). EXEMPLO CCC: MERCADORIA: A EVENTO: Variação Preço DATA DE REFERÊNCIA: 15/06/X0 CMI CC Variação QTDE CUSTO UNIT CUSTO TOTAL ECON. (DESECON.) NÃO REALIZADA: CCC - Estoques 26 CCC - Estoques CUSTO DE REPOSIÇÃO DAS MERCADORIAS VENDIDAS: é determinado pela multiplicação das unidades vendidas pela custo de reposição dessas unidades, na data da venda, atualizado pela variação geral de preços. ECONOMIAS (DESECONOMIAS) REALIZADAS NOS ESTOQUES: representa os ganhos (ou perdas) efetivos nos estoques (vendidos) em determinado período, em função da diferença entre o valor desses estoques avaliados pelo método da CMI e o preço de mercado na condição a vista (CC). REVERSÃO DAS ECONOMIAS (DESECONOMIAS) NÃO REALIZADAS NOS ESTOQUES DE PERÍODOS ANTERIORES: as economias ou deseconomias são efetivamente realizadas quando os estoques são vendidos. Assim, as expectativas anteriormente registradas no PL devem ser revertidas quando os estoques forem vendidos. 27

10 CCC - Estoques 28 CCC - Estoques 29 CCC - Estoques 30

11 CCC - Estoques DATA MOVIMENTO Capital Econ(Des.) Não Realiz. Lucro Total 01/06/X0 Saldos Iniciais /06/X0 Economia Não Realizada /06/X0 Reversão Econ.Realizada - (250) - (250) 30/06/X0 Lucro do Período /06/X0 Saldos Finais

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