UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES LAIS SOUZA NOVAES FABIO TSUTOMU AKABANE TRATAMENTO DA RINITE ALÉRGICA COM ACUPUNTURA

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1 6 UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES LAIS SOUZA NOVAES FABIO TSUTOMU AKABANE TRATAMENTO DA RINITE ALÉRGICA COM ACUPUNTURA Mogi das Cruzes, SP 2012 UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES LAIS SOUZA NOVAES FABIO TSUTOMU AKABANE

2 7 TRATAMENTO DA RINITE ALÉRGICA COM ACUPUNTURA Monografia apresentada ao Programa de Pós-Graduação da Universidade de Mogi das Cruzes, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Especialista em Acupuntura. Orientadores: Profº Luiz Bernardo Leonelli Profª Bernadete Nunes Stolai Mogi das Cruzes, SP 2012 UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES LAIS SOUZA NOVAES FABIO TSUTOMU AKABANE

3 8 TRATAMENTO DA RINITE ALÉRGICA COM ACUPUNTURA Monografia apresentada ao Programa de Pós-Graduação da Universidade de Mogi das Cruzes, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Especialista em Acupuntura. Aprovado em... BANCA EXAMINADORA: Profa. Bernadete Nunes Stolai UMC UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES Prof. Luiz Bernardo Leonelli UMC UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES AGRADECIMENTOS Agradecemos primeiramente a Deus por nos iluminar e com fé, conseguimos alcançar mais esta vitória.

4 9 Agradecemos aos nossos orientadores Bernadete Nunes Stolai e Luiz Bernardo Leonelli pela orientação e esclarecimentos de dúvidas surgidas no decorrer desta pesquisa, e principalmente pela paciência. Aos Professores Luiz A. Alfredo, Romana de Souza Franco, Bernadete Nunes Stolai e Luiz Bernardo Leonelli pela dedicação e carinho apostados em nós durante todo o correr do curso. E por fim, e não menos lembrados, agradecemos a todos os pacientes que de alguma forma contribuíram para que esta pesquisa fosse concretizada. RESUMO A Rinite Alérgica pode ser definida como uma reação de resposta inflamatória da mucosa que reveste o nariz toda vez que ela entra em contato com determinadas substâncias que são chamadas de alérgenos. Elas podem ser encontradas nos recintos (poeira doméstica, por exemplo), como no meio ambiente (pólen). Os principais sinais e sintomas da rinite alérgica incluem crises de espirros, coriza, coceira nasal, obstrução nasal e sintomas oculares (coceira, lacrimejamento). Geralmente tratada com terapia medicamentosa. A Acupuntura é uma alternativa

5 10 interessante ao tratamento tradicional. Destacando também a capacidade de estimluar reações fisiológicas como a ativação do sistema imunológico, além de manter o equilibrio do organismo para que o mesmo esteja em harmonia. Sendo a Acupuntura uma prática extremamente segura. Por isso este trabalho tem como objetivo verificar os efeitos do tratamento com Acupuntura na Rinite Alérgica, baseado em artigos nacionais e internacionais. Para o estudo sobre o tema foram realizadas consultas nas bases de dados eletrônicos (Bireme, Scielo, Pubmed) abrangendo o período de 1992 a Como resultado da pesquisa, os pacientes com RA tratados com Acupuntura apresentaram melhoras na obstrução nasal, espirro, coriza, prurido nasal e nas recidivas da patologia e em apenas um estudo não houve alterações dos sintomas clínicos. Conclui-se que pode-se considerar promissora a Acupuntura como método de tratamento. Palavras-chave: Rinite Alérgica, Acupuntura, Tratamento. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO METODOLOGIA MATERIAL PROCEDIMENTOS RINITE ALÉRGICA DIAGNÓSTICO TRATAMENTO... 11

6 11 4 ACUPUNTURA TEORIA YIN-YANG TEORIA DOS CINCO ELEMENTOS SUBSTÂNCIAS ZANG FU Pulmão (Fei) Baço-Pâncreas (Pi) Rins (Shen) Vesícula Biliar (Dan) CANAIS DE ENERGIA CURIOSOS FATORES DAS DOENÇAS Fatores Internos Fatores Externos Fatores Mistos RINITE ALÉRGICA NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA PADRÕES SINDRÔMICOS DA RINITE ALÉRGICA TRATAMENTOS COM MOXA E ACUPUNTURA CONCLUSÃO REFERÊNCIAS INTRODUÇÃO A literatura indica que a Rinite Alérgica (RA) apresenta um impacto importante no trabalho e em sua produtividade. Os doentes sentem-se aborrecidos pela fadiga, pelo baixo desempenho e concentração no trabalho, pela cefaléia e mal-estar. A conjuntivite piora a visão e as atividades relacionadas a ela (MEGID et al., 2006). Segundo Ibiapina et al., (2008) a RA pode ser considerada a doença de maior prevalência entre as doenças respiratórias crônicas e, apesar de não estar entre

7 12 aquelas de maior gravidade, é um problema global de saúde pública, também, porque afeta a qualidade de vida dos pacientes e dificulta o controle da asma. A prevalência tem aumentado ao longo dos anos e provavelmente é subestimada, pois muitos indivíduos não a reconhecem como uma doença e não procuram atendimento médico. Por outro lado, os profissionais de saúde freqüentemente negligenciam a rinite. Ainda assim, a rinite alérgica encontra-se entre as dez razões mais freqüentes para a procura de atendimento primário à saúde. A RA afeta a vida domiciliar de muitos pacientes. As crianças com RA podem vivenciar sensações de completo isolamento, mesmo dentro de suas casas, já que muitas vezes a presença de alérgenos impede que participem das atividades familiares, como piqueniques, brincadeiras com os animais de estimação e ida a acampamentos (LIMA e SANTOS, 2007). O efeito social da RA não se restringe apenas à família. Na escola, essas crianças podem apresentar distúrbios emocionais em decorrência do prejuízo de aprendizado que comumente acompanha a RA e/ou devido às limitações de atividades impostas pela necessidade de evitar o contato com os alérgenos. Com isso, sua habilidade de integração completa e irrestrita com seus pares fica muito prejudicada, e surgem os distúrbios emocionais (RODRIGUES, SANTIS e ARROBAS, 2009). A RA é uma condição crônica que exerce um impacto socioeconômico importante sobre os pacientes, suas famílias, os sistemas de saúde e a sociedade como um todo. Esse impacto é composto por custos diretos, gerados pelo uso do sistema de saúde, e por custos indiretos, associados à perda da produtividade econômica. Assim, pessoas com rinite e/ou asma necessitam lidar com a carga, tanto imediata como em longo prazo, determinada por essas doenças que, habitualmente, acabam por afetar suas atividades diárias. Precisam freqüentemente escolher como distribuir seus recursos financeiros - normalmente direcionados às necessidades diárias, como alimentação e vestimentas - para custear os cuidados médicos necessários à melhora de sua condição de saúde (NUNES e SOLÉ, 2010). Graus variáveis de prejuízo às atividades profissionais podem ser vivenciados por até 60% dos pacientes com RA persistente e por até 40% dos com RA intermitente. Os pacientes queixam-se de cefaléia, fadiga, baixo rendimento e baixa concentração no trabalho. Vale lembrar que a conjuntivite, comumente associada à

8 13 RA, pode prejudicar a acuidade visual e as atividades relacionadas à visão (BOUSQUET et al., 2010). Rinite Alérgica (RA) é definida como uma inflamação da mucosa nasal, induzida pela exposição a alérgenos que, após sensibilização, desencadeiam uma resposta inflamatória mediada por imunoglobulina E (IgE) que produz liberação de substâncias vasoativas de mastócitos (histamina), que pode resultar em sintomas crônicos ou recorrentes (IBIAPINA et al., 2008). O início das manifestações clinica da RA ocorre mais comumente durante a infância, embora essas possam ser iniciadas mais tardiamente em até 30% dos pacientes. Segundo a freqüência dos sintomas, a RA é classificada como intermitente ou persistente e, de acordo com a intensidade dos sintomas, em leve ou moderado a grave (NUNES e SOLÉ, 2010). Existem duas formas de RA: uma sazonal (em determinadas épocas dos anos) e uma perene (que dura o ano todo, podendo ser continua ou intermitente) (MELLO, 2008). Segundo Rodrigues et al., (2009) a RA está intimamente associada à Asma. Tanto que se estima que 70% das pessoas que têm asma também são portadoras de rinite. Isoladamente, de 10% a 20% da população têm asma e 10% a 25%, rinite. Ainda que sejam causadas por um conjunto de fatores patogênicos e ambientais, sabe-se que o tratamento da rinite favorece o controle da asma. Complementando, Megid et al., (2006) relata que a RA está sendo pouco diagnosticada porque as pessoas têm a falsa idéia de ser apenas um resfriado e não procuram assistência médica. Estudos demonstram que a exposição aos alérgenos nos primeiros anos de vida resulta em declínio da função pulmonar e aumento da hiper-responsividade brônquica e dos níveis de óxido nítrico exalado, associados a um persistente influxo de eosinófilos e linfócitos T para as pequenas vias aéreas (IBIAPINA et al., 2008). A maioria dos autores defende que a Sinusite é uma complicação da Rinite, pois a alergia leva à inflamação da mucosa nasal, com edemas e obstrução dos ostios dos seios perinasais e conseqüente compromisso da sua oxigenação e drenagem (RODRIGUES, SANTIS e ARROBAS, 2009). O uso da Acupuntura para tratamento do quadro de Rinite Alérgica pode se apresentar como mais uma opção terapêutica, em que a substituição da medicação diminui o risco de efeitos colaterais pelo uso dessas substâncias por um período

9 14 prolongado, podendo muitas vezes não ser eficaz nas crises de rinite alérgica, enquanto que a Acupuntura produz um efeito anti-nociceptivo e antiinflamatório cessando o espirro e a coriza imediatamente. Dentre outras vantagens destaca-se a capacidade de estimular reações fisiológicas como a ativação do sistema imunológico e maior irrigação sanguínea. A Acupuntura é uma prática extremamente segura, exigindo apenas uma eficiência e um bom nível técnico do terapeuta (XUE et al., 2007). O objetivo deste trabalho é realizar um levantamento de artigos internacionais e nacionais, e verificar os efeitos do tratamento com Acupuntura na Rinite Alérgica (RA). 2 METODOLOGIA 2.1 MATERIAL Como material do estudo, foram utilizados artigos científicos internacionais e nacionais de sites eletrônicos como Scielo, Bireme, e Pubmed, e como critério de inclusão o ano de publicação entre 1992 a 2011.

10 PROCEDIMENTOS Para a realização deste estudo utilizou-se as palavras-chave (Rinite Alérgica, Acupuntura e Tratamento), nos sites eletrônicos (Bireme, Scielo e Pubmed). Os artigos encontrados correspondem aos critérios de inclusão e exclusão e também aos objetivos deste estudo. 3 RINITE ALÉRGICA Os fatores etiológicos da Rinite Alérgica são os aeroalergénios (ácaros do pó, polens, pêlos de animais, fungos, etc.) os mais freqüentes. Também os fármacos, como aspirina e outros anti-inflamatórios, desencadeiam freqüentemente quadros de rinite alérgica. Apesar de menos documentado, não se pode menosprezar o papel dos poluentes (domésticos e de exterior) (RODRIGUES, SANTIS e ARROBAS, 2009).

11 16 A Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (ASBAI, 2009) afirma que na primeira exposição ao alergênico (sensibilização) este é apresentado pelas células dendríticas da mucosa nasal aos linfócitos T (Th 2) que, por sua vez, vão estimular os linfócitos B a produzir IgE. Surgindo então, os sintomas nasais, como, rinorréia aquosa, obstrução/prurido nasal, coceira, sintomas oculares, broncoespasmo e edema, alem de congestão nasal, coriza e espirros que podem ocorrer, no mínimo, de 30 a 60 minutos por dia. Tais pacientes apresentam localmente uma hiporreatividade simpática e hiperreatividade parassimpática, conseqüentemente apresentando sintomas por estímulos inesperados (mudanças de temperatura, umidade relativa do ar, etc) (MELLO, 2008). 3.1 DIAGNÓSTICO De acordo com Ibiapina et al., (2008) um adequado exame clínico identifica sem muitas dificuldades os sinais de rinite, tais como: hipertrofia e palidez dos cornetos inferiores, e secreção hialina, que estão associados a uma disfunção do epitélio, vasos, glândulas e nervos que, devido a um infiltrado de células inflamatórias, mediadores inflamatórios e citocinas, prejudicam o processo de aquecimento, umidificação e filtração do ar inspirado. Complementando, Zhang (2009) afirma que é comum ter a prega nasal transversa, palato alto e abobadado devido à respiração bucal, mal-oclusão dentária, olheira alérgica. Em outras ocasiões ocorrem disfunções tubárias, com queixas de repercussões auriculares. O diagnóstico da RA é clinico, e pode ser confirmado através de testes laboratoriais. O que define a etiologia da doença alérgica é a demonstração de sensibilização específica que pode ser obtida por testes in vivo ou in vitro. Os teste cutâneos de hipersensibilidade imediata a aeroalérgenos por meio de punctura (prick test) são os mais utilizados no diagnóstico da alergia respiratória em geral. O teste avalia, in vivo. Simultaneamente a presença de IgE específica ligada ao mastócito, a reatividade da célula exposta ao alérgeno e a resposta de órgãos-alvo locais à liberação de mediadores. O método para determinação de IgE especifica in vitro

12 17 mais utilizado é o ensaio radioimunoenzimático. Quando utilizados alérgenos padronizados revela sensibilidade e especificidade semelhantes aos testes cutâneos, mas por serem mais dispendiosos, necessitam de punção venosa (LIMA e SANTOS, 2007). Segundo Bousquet et al., (2010), estes testes são úteis principalmente para afastar aqueles casos sintomáticos de rinite por irritantes primários como fumaça de cigarro, mudanças de temperatura e não por respostas alérgicas devido à interação com anticorpos IgE e células liberadoras de histamina. O exame otorrinolaringológico é fundamental nos doentes com rinite alérgica, tanto para a avaliação de comorbilidades/complicações associadas, como para o diagnóstico diferencial (RODRIGUES, SANTIS e ARROBAS, 2009). 3.2 TRATAMENTO O tratamento dos pacientes portadores de rinite alérgica é composto por três pontos fundamentais: A- Higiene ambiental. B- Tratamento medicamentoso. C- Vacinas anti-alérgicas (NUNES e SOLÉ, 2010). De acordo com Bousquet et al., (2010), o problema é que não é fácil evitar o contato com o ácaro, a principal causa de rinite alérgica. No entanto, algumas medidas simples podem ser adotadas para diminuir a proliferação desses insetos. A casa e principalmente o quarto onde o doente dorme devem ser limpos com bastante freqüência. O ideal é que não existam carpetes, cortinas, tapetes, bichos de pelúcia, almofadas, móveis e outros e utensílios que possam acumular poeira nos ambientes em que os portadores de rinite vivem. Alguns cuidados podem ajudar a prevenir os efeitos de doenças respiratórias. Um ponto importante a considerar é a existência de boa ventilação na casa e no quarto. Em ambientes ensolarados, é mais difícil o bolor (fungo) se desenvolver. Os portadores de doenças respiratórias precisam privilegiar ambientes arejados e devem tomar sol nos horários em que os raios estejam mais fracos - antes das 10 e depois das 16h (MELLO, 2008). O objetivo do tratamento farmacológico da rinite alérgica é promover uma prevenção efetiva ou o alívio dos sintomas, tão segura e efetivamente quanto

13 18 possível. A remoção ou a prevenção do contato com alérgenos é sempre recomendada; entretanto, a terapêutica farmacológica é freqüentemente necessária. O emprego de medidas simples, como lavagem nasal com solução salina ou a adição de anti-histamínico tópico ou oral associado a uma baixa dose de corticóide intranasal, pode ajudar no controle da rinite alérgica e das rinossinusites crônicas (IBIAPINA et al., 2008). Como Lima e Santos (2007) citam, os corticóides podem ser aplicados topicamente, orais ou aplicados via parenteral. A aplicação de esteróides tópicos tem apresentado um aumento considerável. Estes resultados são atribuídos aos efeitos locais benéficos sistêmicos mínimos. Os efeitos adversos encontrados com o uso do corticóide se devem à irritação local. Pode aparecer queimação, epistaxe, ardência, secura, espirro. Normalmente, aparece sangue na secreção nasal quando usa corticóide intranasal. Quando os tratamentos feitos nestas condições (higiene ambiental e medicamentos) falham, pode-se associar o uso de vacinas anti-alérgicas. Este tratamento é longo, porém, quando feito corretamente, diminuí a sensibilidade do doente aquela substância ao qual ele era alérgico. Muitas vezes, chegamos ao ponto onde não há mais necessidade do uso de medicamentos (RODRIGUES, SANTIS e ARROBAS, 2009). 4 ACUPUNTURA A Acupuntura é o conjunto de conhecimentos teórico-empíricos da medicina chinesa tradicional que visa à terapia e à cura das doenças através da aplicação de agulhas e de moxas, além de outras técnicas (WEN, 2006 p. 09). A Acupuntura é parte integrante da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), fazendo parte das suas bases teóricas, e tem sido utilizada no tratamento e prevenção de diversas doenças há séculos. Diversas doenças otorrinolaringológicas

14 19 foram tratadas com Acupuntura, apresentando resultados satisfatórios, inclusive as doenças alérgicas nasais (MEGID et al., 2006). Segundo Mello (2008), muitos conceitos preconizados pela MTC podem, hoje, ser explicados há luz da neuroanatomia e da neurofisiologia, graças a recentes pesquisas neurofisiológicas sobre o mecanismo de ação de anestesia por Acupuntura, permitindo que a fisiologia do ser humano possa ser estudada de um modo global. Isto fez com que as milenares teorias filosóficas do yang e do yin, dos Cinco Movimentos, dos Zang-Fu e dos Jing-Luo passassem a ter fundamento científico. Segundo a teoria da Acupuntura, todas as estruturas do organismo se encontram ariginalmente em equilíbrio pela atuação das energias Yin (negativa) e Yang (positiva). Por outro lado, um desequilíbrio gerará a doença. A arte da Acupuntura visa, através de suas técnicas e procedimentos, estimular os pontos reflexos que tenha a propriedade de restabelecer o equilíbrio, alcançando-se assim, resultados terapêuticos (WEN, 2006 p.10). 4.1 TEORIA YIN-YANG Todas as coisas na natureza se desenvolvem sob influência da interação entre Yin e Yang. No ideograma chinês, Yin e Yang estão representados pelos lados ensolarado e sombrio da montanha. Em um processo dinâmico, os dois se completam. Yin não pode existir sem Yang, as duas forças se associam para construir um todo. O sistema de polaridade Yin e Yang têm uma função importante na medicina quanto à explicação do mecanismo da vida no corpo humano e suas disfunções patológicas (STUX e POMERANZ, 2004, p.79-80). O Yang representa todos os aspectos que se caracterizam por atividade, como calor, movimento, claridade, expansão, explosão, polaridade positiva, céu, também o Sol e o homem. O Yin representa o oposto, ou seja, os aspectos que caracterizam por atividade menor, como frio, repouso, escuridão, retração, implosão, polaridade negativa, terra, também a Lua e a mulher. A doença tem origem quando se instala um desequilíbrio entre o Yin e Yang (YAMAMURA, 2009, p.xliv).

15 20 No corpo humano há órgãos de constituição frágil que necessitam da proteção das costelas. São cinco órgãos: Coração, Pulmão, Rins, Baço-Pâncreas e Fígado. Eles pertencem ao Yin e seus pontos principais estão localizados na região ventral do corpo. Ao contrário, as vísceras menos protegidas e de constituição mais forte como Estômago, Intestino Delgado, Intestino Grosso, Bexiga, Vesícula Biliar e Útero, são de natureza Yang (WEN, 2006, p. 18). Segundo Maciocia (2004), existem quatro aspectos da relação Yin e Yang: Oposição de Yin e Yang: o Yin e Yang são tanto estágios opostos de um ciclo como estados de agregação. Nada no mundo natural escapa a essa oposição. Essa mesma contradição interna constitui a força motriz de toda modificação, desenvolvimento e deterioração das coisas. Interdependência de Yin e Yang: embora Yin e Yang sejam opostos, são também interdependentes: um não pode existir sem o outro. Tudo contém as forças opostas que são mutuamente exclusivas, mas, ao mesmo tempo, dependem uma da outra. Consumo mútuo de Yin e Yang: o Yin e o Yang estão num estado constante de equilíbrio dinâmico que é mantido por meio de um ajuste contínuo de seus níveis relativos. Quando tanto o Yin como o Yang estão em desequilíbrio, eles afetam-se mutuamente e modificam sua proporção, alcançando um novo equilíbrio. lntertransformação de Yin e Yang: o Yin e Yang não são estáticos, mas eles realmente se transformam um no outro. O Yin pode transformar-se em Yang e viceversa. Tal mudança não acontece a esmo, mas em determinados estágios de desenvolvimento de alguma coisa. 4.2 TEORIA DOS CINCO ELEMENTOS A Teoria dos cinco elementos permitiu a padronização da visão milenar dos filósofos naturalistas. Por meio desse sistema a medicina tradicional chinesa classificou a grande variabilidade dos processos naturais e os eventos da transformação observados na natureza. Os cinco elementos são Madeira, Fogo,

16 21 Terra, Metal e Água. Esses elementos básicos estão intimamente interligados, de modo que entre si, são estimulados, inibidos e controlados (STUX e POMERANZ, 2004 p.84). Essa teoria ocupa um lugar importante na medicina chinesa, porque todos os fenômenos dos tecidos e órgãos, da fisiologia e da patologia do corpo humano, estão classificados e são interpretados pelas inter-relações desses elementos (WEN, 2006 p. 21) Os dois princípios básicos dos cinco movimentos em condição de normalidade referem-se aos conceitos de geração e dominância. O princípio de geração estabelece que cada movimento gera o movimento seguinte, essa interrelação é conhecida como regra mãe-filho, sendo chamado de mãe o movimento que gera, e de filho o que foi gerado. O princípio de dominância estabelece que cada movimento apresenta dominância sobre o movimento que sucede, isto é, aquele que ele gerou, esse princípio é também conhecido como regra avô-neto, chama-se de avô o movimento que domina, e de neto, o que é dominado. O princípio de dominância tem finalidade de controlar o crescimento desenfreado que ocorreria se houvesse semente o princípio da geração (YAMAMURA, 2009 p.xlvii). Segundo Maciocia (2004 p.25), o ciclo de dominância excessiva ocorre quando a relação de controle entre os elementos fica desorientada e torna-se excessiva sobre os próximos elementos. Similarmente às funções fisiológicas, a relação da seqüência de dominância excessiva pode ser explicada em termos de condição patológica dos Órgãos Internos. A contra dominância é uma situação que ocorre quando um movimento se torna excessivo e volta-se contra aquele que normalmente o domina: o neto volta-se contra o avô (YAMAMURA, 2009 p.xlix). 4.3 SUBSTÂNCIAS A medicina chinesa considera a função do corpo e da mente como o resultado da interação de determinadas substâncias vitais. Essas substâncias manifestam-se em vários níveis de "substancialidade", de maneira que algumas delas são muito rarefeitas e outras totalmente imateriais. Todas elas constituem a antiga visão

17 22 chinesa do corpo-mente. O Shen (Mente) reside no Coração e é responsável por muitas atividades mentais diferentes. A Mente de um ser recém concebido origina-se das Essências pré-natais da mãe e do pai. Após o nascimento, sua Essência prénatal é armazenada no Rim e então proporciona a fundamentação biológica à Mente. A vida e a Mente de um bebê recém-nascido, porém, também depende da nutrição de sua própria Essência pós-natal. (MACIOCIA, 2004 p.36-57). A teoria tradicional chinesa não tem equivalente direto na ciência ocidental, seu conceito básico atribui ao Qi, energia vital presente em todo o corpo, equilíbrio e harmonia ou desequilíbrio e doença. Manifesta na pele, nos órgãos e permeando todo o corpo acumula-se nos órgãos e flui, principalmente, nos Canais de Energia Principais Meridianos, os quais têm funções importantes de defesa e proteção do corpo. O Qi pode se manifestar como essência (Jing) nascida com o individuo e transformada. Sendo responsável por funções de crescimento, reprodução, desenvolvimento e forças constitucionais básicas (Qi Pré-Celestial). E ao longo da vida o individuo pode ser nutrido pelos alimentos (Qi dos Alimentos) e pela respiração (Qi Torácico), que em conjunto com o Qi nascido com o ser (Qi Original) e o Qi adquirido (Qi Pós-Celestial), ao longo de sua formação, vai ser responsável pelo funcionamento, nutrição e defesas do organismo. Isto aconteceria através do sangue, fluídos corpóreos e através do próprio Qi circulante (FIGUEIREDO, 2010). O Jing é usualmente traduzido como Essência. O caractere chinês dá a idéia de alguma coisa derivadade um processo de refinamento ou destilação (uma substância muito preciosa, para ser cuidada e guardada). O termo Essência é utilizado em Medicina Tradicional Chinesa em 3 contextos diferentes: Essência Pré- Celestial - nutre o embrião e o feto durante a gravidez, sendo dependente da nutrição derivada do Rim (Shen) da mãe. É o único tipo de Essência presente no feto, uma vez que este não apresenta atividade fisiológica independente; Essência Pós-Celestial - é extraída do ar e dos alimentos e dos fluidos pelo Estômago (Wei), Baço (Pi) e Pulmão (Fei) após o nascimento; Essência do Rim - é uma interação compartilhada entre a Essência Pré-Celestial e Pós-Celestial. Esta Essência é estocada no Rim, circula por todo o organismo, particularmente nos Oito Vasos Extraordinários ou Maravilhosos. Determina o crescimento, reprodução, desenvolvimento, maturação sexual, concepção e gravidez (MACIOCIA, 2004 p.37-38).

18 23 O Sangue (Xué) é fruto da transformação da essência dos alimentos pelo Baço e o Estômago. É governado pelo Coração, armazenado pelo Fígado, controlado pelo Baço. Circula em todo o corpo; no interior, atinge todos os órgãos (Zang e Fu), no exterior, atinge a pele, a carne, os tendões e os músculos. Sua atuação é dupla, de um lado nutre e umedece os tendões orgânicos do corpo inteiro, do outro lado serve como base material à atividade mental (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992 p.41-42). Os Fluidos Corpóreos são chamados Jin Ye em chinês. Este termo é composto de dois caracteres. Jin significa úmido e Ye significa fluido. Jin indica alguma coisa líquida, enquanto que Ye quer dizer fluidos de organismos vivos (encontrados em frutas, por ex.). Assim, Jin Ye pode ser traduzido como fluidos orgânicos. Nós os chamaremos de Fluidos Corpóreos (MACIOCIA, 2004 p.53). 4.4 ZANG FU Os Zang apresentam características Yin, são mais sólidos e internos e os responsáveis pela formação, transformação, armazenamento, liberação e regulação das Substâncias puras que são o Qi, Xué, Jing, Jin Ye e Shen. Os Fu apresentam características Yang, são mais ocos e externos e são responsáveis pela recepção e armazenamento de alimentos e bebidas, pela passagem e absorção de seus produtos de transformação e pela excreção dos resíduos (ROSS, 1994 p.60-61) Pulmão (Fei) O Pulmão (P) governa o Qi e a respiração. Essa é a função mais importante do Pulmão, uma vez que é do ar que o Pulmão extrai o "Qi puro" para o organismo, o qual combina com o Qi do Alimento, que vem do Baço; a combinação do ar do Pulmão e do Qi do Alimento forma o Qi da Reunião (Zong Qi). Após sua formação, o

19 24 Pulmão dispersa o Qi por todo o organismo, a fim de nutrir todos os tecidos e promover todos os processos fisiológicos (MACIOCIA, 2004 p.106). De acordo com Auteroche e Navailh (1992 p.73), o Pulmão também controla a descida do ar inspirado até os Rins que devem recebê-los. É graças a essa função de descida ininterrupta de seu Qi, que o Pulmão concorre ao metabolismo normal da água que desce do Aquecedor Superior para o Aquecedor Inferior, seguindo a via das águas. Como Ross (1994 p ) cita, o Qi do Pulmão manifesta-se nos pêlos, que nada mais é que um dos aspectos da função do Pulmão de harmonizar o exterior que inclui a pele, os pêlos, as glândulas sudoríparas e resistência contra agressões. O Pulmão abre-se no nariz, que é a via de entrada da respiração para a garganta, conhecida como a porta do Pulmão. O Pulmão controla a pele, sendo o mais "exterior" dos órgãos e influencia o Qi Defensivo; por todas essas razões, o Pulmão é o órgão mais fácil e diretamente invadido pelos fatores patogênicos exteriores, principalmente Vento, Calor, Fogo, Frio, Umidade e Secura. O Pulmão é, algumas vezes, denominado o órgão "delicado" por causa de sua suscetibilidade ao ser invadido pelos fatores patogênicos exteriores (MACIOCIA, 2004 p.110) Baço-Pâncreas (Pi) Regula a transformação e transporte. Os alimentos e as bebidas, sob a influência do Qi do Baço-Pâncreas (BP) são digeridos e separados em frações puras e impuras. As frações impuras sólidas passam do Intestino Delgado para o Intestino Grosso onde se faz a absorção e depois as frações impuras liquidas à Bexiga para a excreção. A fração pura é enviada à custa do BP para o Pulmão, onde é transformado em Energia (Qi), Sangue (Xue) e Líquido Orgânico (Jin Ye) (ROSS, 1994 p.80). Maciocia (2004 p.120) diz, o Baço extrai do alimento o Qi do Alimento para nutrir todos os tecidos do organismo. Esse Qi refinado é transportado por todo o organismo pelo Baço. Se o Baço estiver forte, o Qi refinado é direcionado para os músculos, particularmente os referentes aos membros.

20 25 O Qi do Baço permite ao Sangue correr normalmente nos vasos e impede que se espalhe fora dos mesmos. Se o Qi do Baço estiver fraco, o Sangue transborda manifestando-se pelos vários tipos de hemorragias (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992 p.71). Segundo Ross (1994 p.81), uma função restrita ao Yang Qi do Baço é a de ajudar a sustentar e a manter os Órgãos no interior do corpo. E abre-se na boca e manisfesta-se nos lábios Rins (Shen) Os Rins (R) têm a função de armazenar a Essência pré-celestial, ou seja, a Essência herdada antes do nascimento nutre o feto e, após o nascimento, controla o crescimento, a maturação sexual, a fertilidade e o desenvolvimento. Essa Essência determina nossa base constitucional, força e vitalidade. Também é a base da vida sexual e o alicerce material para a fabricação do esperma nos homens, do óvulo e do sangue menstrual nas mulheres (MACIOCIA, 2004, p.128). De acordo com Auteroche e Navailh (1992 p.79), a regulação dos Líquidos Orgânicos é em grande parte devida à atividade do Qi dos Rins. Em seu ciclo normal a água passa pelo Estômago que a recebe, pelo Baço que a transforma, pelo Pulmão, que a distribui. Atravessa os Três Aquecedores, o que é puro vai para os órgãos, o que é impuro se transforma em suor e urinas que são expulsos do corpo. O Pulmão encaminha o Qi para os Rins que o recebe e o mantém. Abre-se nas orelhas e manifesta-se nos cabelos (ROSS, 1994 p.68) Vesícula Biliar (Dan) Como afirma Maciocia (2004 p.164), a Vesícula Biliar (VB) recebe a bile do Fígado, que a mantém pronta para excretar durante a digestão, quando for necessário. Desse ponto de vista, a função da VesículaBiliar é idêntica à da medicina ocidental.

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