Universidade Federal do Ceará - UFC Faculdade de Medicina Programa de Ensino Tutorial - PET. Condutas Infecções de Vias Aéreas Superioes

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1 Universidade Federal do Ceará - UFC Faculdade de Medicina Programa de Ensino Tutorial - PET Condutas Infecções de Vias Aéreas Superioes Fernando Klein Outubro/2010

2 Caso 1 Fridundino Eulâmpio, 6 anos. Há 5 dias relata que ficou com a garganta arranhando e que isso durou 3 dias. Há 4 dias está com espirros, obstrução nasal e coriza. O decúbito piora a obstrução nasal e algumas vezes, durante à noite, há tosse seca. Hoje a mãe do paciente notou que a secreção, que era clara, se tornou purulenta. Episódios de febre no segundo e terceiro dia, com temperatura máxima mensurada em 38,9 C.

3 E aí? Nasofaringite viral ou resfriado simples

4 Diagnóstico Hemograma, VHS, cultura e isolamento de vírus de secreções de orofaringe ou nasais

5 Diagnóstico Hemograma, VHS, cultura e isolamento de vírus de secreções de orofaringe ou nasais DESNECESSÁRIOS O diagnóstico é clínico Diagnósticos diferenciais: 1) Predominam sintomas de espirros e prurido nasal recorrentes e deflagrados por alérgenos ambientais RINITE ALÉRGICA

6 Diagnóstico Hemograma, VHS, cultura e isolamento de vírus de secreções de orofaringe ou nasais DESNECESSÁRIOS O diagnóstico é clínico Diagnósticos diferenciais: 2) Secreção nasal unilateral e fétida, às vezes sanguinolenta CORPO ESTRANHO NO NARIZ

7 Diagnóstico Hemograma, VHS, cultura e isolamento de vírus de secreções de orofaringe ou nasais DESNECESSÁRIOS O diagnóstico é clínico Diagnósticos diferenciais: 3) Febre, cefaléia, edema periorbitário, rinorréia persistente ou tosse > 14 dias SINUSITE

8 Diagnóstico Hemograma, VHS, cultura e isolamento de vírus de secreções de orofaringe ou nasais DESNECESSÁRIOS O diagnóstico é clínico Diagnósticos diferenciais: 4) Tosse proeminente e persistente COQUELUCHE

9 Diagnóstico Hemograma, VHS, cultura e isolamento de vírus de secreções de orofaringe ou nasais DESNECESSÁRIOS O diagnóstico é clínico Diagnósticos diferenciais: 5) Rinorréia serossanguinolenta persistente com início entre 1 e 3 meses de vida SÍFILIS CONGÊNITA

10 Condutas Antitérmico quando temperatura axilar > 38 C Tratamento agressivo da febre em infecções por rinovírus e VSR pode aumentar o tempo de excreção viral AAS não é recomendado (Sd. de Reye) Paracetamol 1 gota/kg/dose 6/6h Dipirona 1 gota/2kg/dose 6/6h Instilações de solução salina isotônica nas narinas, uso de vaporizadores e boa hidratação úteis para fluidificar as secreções Evitar exposição à fumaça do cigarro Orientação dos pais quanto aos sinais de gravidade e reavaliação em 48h.

11 Condutas Anti-histamínicos, ácido ascórbico, descongestionantes, mucolíticos e expectorantes não influenciam a evolução de um episódio de de nasofaringite viral. Ribavirina (antiviral) é aprovada para o tto do vírus sincicial respiratório, porém seu uso no resfriado comum não tem eficácia. Inibidores da neuraminidase (Osetalvir e Zanamivir) têm uma modesta redução da duração dos sintomas e na evolução para otite média nos casos provocados pelo vírus influenza. Medida preventiva mais eficaz contra o resfriado é a lavagem frequente das mãos.

12 Imunização Antiinfluenza MS recomenda para crianças maiores que 6 meses que apresentem risco aumentado de evoluir com quadros graves ou complicações decorrentes de infecção com o vírus influenza. (HIV/aids, transplantados/doadores, imunodeficientes/deprimidos, doentes crônicos, DM, fibrose cística, trissomias, asma..) SBP recomenda a vacina para toda criança acima de 6 meses. 6 meses 3 anos: 0,25 ml 1 a 2 doses com intervalo de 4 a 6 semanas 3 8 anos: 0,5 ml 1 a 2 doses com intervalo de 4 a 6 semanas > 9 anos: 0,5 ml 1 dose apenas

13 Caso 1 Continuação Fridundino Eulâmpio retornou 2 dias depois ao consultório com queixa de dor no ouvido direito, associada à astenia, febre baixa e hipoacusia flutuante. Otite Média Aguda

14 Otite Média Aguda Agentes etiológicos principais: S. pneumoniae (30-50%), H. influenza não tipável (25-30%) e M. catarrahlis (10-15%). Diagnóstico: histórica clínica + otoscopia (MT hiperemiada, convexa, abaulada e com perda da motilidade).

15 Otite Média Aguda - Condutas Analgesia: paracetamol, dipirona ou ibuprofeno. Antibioticoterapia: Amoxicilina (40-50 mg/kg/dia) dias Dose dobrada (90 mg/kg/dia) em crianças de creche, OMA de repetição, alguma doença imunossupressora, ou que tenham feito uso de antibioticoterapia nos últimos 3 meses.

16 Otite Média Aguda - Condutas Alergia à penicilina: Macrolídeos de nova geração (Azitromicina ou Claritromicina) Avaliação em 48-72h. Se houver resposta inadequada, há duas possibilidades: 1) Microorganismo produtor de beta-lactamase (ex: hemófilos ou morraxela). Amoxicilina-clavulanato em dose dobrada ( mg/kg/dia) ou cefuroxima. 2) Pneumococo resistente Amoxicilina em dose dobrada.

17 Otite Média Aguda - Condutas Orientação sobre tabagismo passivo, creche, aleitamento materno e uso de chupeta. Imunização: Vacinas Antiinfluenza (> 6 m) e Antipneumococo (> 2 a). Antibioticoprofilaxia com amoxicilina (meia dose) durante os meses frios. (Risco de cepas bacterianas resistentes). Cirurgia: Inserção de um tubo de timpanostomia, que mantém o ouvido médio ventilando, reduzindo a perda auditiva e os surtos de OMA. Após alguns meses, há tendência de eliminação espontânea.

18 Caso 2 Finólila Piaubilina, 4 anos. Relata que há 13 dias apresenta tosse que ocorre mais durante o dia e piora quando está em posição supina e secreção nasal às vezes clara e às vezes purulenta. Relata, também, ter rinite alérgica e desvio de septo. Nega febre, diminuição do olfato, respiração com odor desagradável e sensação de pressão em região frontal.

19 E aí? Rinossinusite

20 Rinossinusite Condutas Estudo Radiológico não indicado em crianças menores que 5 anos (pouca sensibilidade e especificidade). Em crianças maiores de 6 anos há controvérsia. Em adolescentes e adultos, exame radiológico é rotineiramente necessário. Alterações Radiológicas compatíveis com a sinusite: - Espessamento mucoso (>4mm) - Opacificação (velamento) do seio (comparar com o seio contralateral) - Nível hidroaéreo

21 Rinossinusite Condutas A presença de um achado radiológico de sinusite define apenas um processo inflamatório do seio, mas não auxilia na diferenciação etiológica do processo. Antibioticoterapia empírica - Amoxicilina 50mg/kg/dia (90mg/kg/dia para crianças < 2 anos em creche ou uso prévio de antibiótico nos últimos 3 meses) 14 a 21 dias. - No caso de sinusite subaguda ou crônica: amoxicilinaclavulanato por pelo menos 4 semanas. Instilação nasal regular com soro para manter mucosa hidratada e remover muco em excesso

22 Rinossinusite Condutas Anti-histamínicos promovem um espessamento da secreção (efeito anticolinérgico) e só devem ser usados para rinite alérgica associada. Diferenciar rinite alérgica de infecção dos seios paranasais: Triagem de IgE in vitro ou análise citológica da secreção nasal. Em crianças imunossuprimidas, na presença de complicações e na infecção não responsiva à antibioticoterapia: Aspiração dos seios paranasais para identificação microbiológica. Crianças com rinossinusites de repetição: Teste do suor (fibrose cística) é recomendado.

23 Obrigado!

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