JAILTON DANTAS CABRAL

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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE UFRN PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GESTÃO PÚBLICA MESTRADO PROFISSSONAL EM GESTÃO PUBLICA JAILTON DANTAS CABRAL SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO PÚBLICA: Proposta de Implantação de um sistema integrado de Gestão, autuação e distribuição de Termos Circunstanciados e Inquéritos Policiais entre os Juizados Especiais Criminais e Delegacias de Natal. NATAL 2014

2 JAILTON DANTAS CABRAL SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO PÚBLICA: Proposta de Implantação de um sistema integrado de Gestão, autuação e distribuição de Termos Circunstanciados e Inquéritos Policiais entre os Juizados Especiais Criminais e Delegacias de Natal. Projeto de Intervenção apresentado ao Departamento de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como parte das exigências do Programa de Pós Graduação em Gestão Pública, para a obtenção do título de Mestre em Gestão Pública. ORIENTADOR: Antônio Sérgio Araújo Fernandes, Dr. NATAL 2014

3 Catalogação da Publicação na Fonte. UFRN / Biblioteca Setorial do CCSA Cabral, Jailton Dantas. Sistema integrado de gestão pública: proposta de implantação de um sistema integrado de gestão, autuação e distribuição de termos circunstanciados e inquéritos policiais entre os juizados especiais criminais e delegacias de Natal / Jailton Dantas Cabral. - Natal, RN, f. : il. Orientador: Prof. Dr. Antônio Sérgio Araújo Fernandes. Dissertação (Mestrado Profissional em Gestão Pública) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Centro de Ciências Sociais Aplicadas. Departamento de Ciências Administrativas. Programa de Pós-graduação em Gestão Pública. 1. Gestão pública - Sistema integrado - Dissertação. 2. Juizados especiais criminais - Dissertação. 3. Inquéritos policiais - Dissertação. 4. Sistema de informação - Dissertação. I. Fernandes, Antônio Sérgio Araújo. II. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. IV. Título. RN/BS/CCSA CDU 351:004

4 JAILTON DANTAS CABRAL SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO PÚBLICA: Proposta de Implantação de um sistema integrado de Gestão, autuação e distribuição de Termos Circunstanciados e Inquéritos Policiais entre os Juizados Especiais Criminais e Delegacias de Natal. Projeto de Intervenção apresentado ao Departamento de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito obrigatório, em cumprimento às exigências do Programa de Pós Graduação em Gestão Pública, para a obtenção do título de Mestre em Gestão Pública. Aprovado em: / / BANCA EXAMINADORA Prof. Dr. Antônio Sérgio Araújo Fernandes Universidade Federal da Bahia - UFB Orientador e membro externo Prof. Dra. Anatália Saraiva Martins Ramos. Universidade Federal do Rio Grande do Norte UFRN Membro examinador Interno Prof. Dra. Marli de Fátima Ferraz da Silva Tacconi. Instituto Federal de Tecnologia do Rio Grande do Norte IFRN Membro examinador Externo

5 DEDICO este trabalho a minha mãe, Albertina Maria da Luz, quem sempre me incentivou, a mentora, protetora e incentivadora da minha vida... DEDICO a Deus pelas maravilhas que me concedeu, pela oportunidade de estar nesse mundo maravilhoso e poder realizar hoje mais um sonho que muitos desejariam alcançar. Dedico a minha esposa por ter me suportado por todos esses 22 anos de convívio. Dedico em especial a meus filhos Arthur Márcio Vieira Cabral e Pedro Álex Vieira Cabral. Às minhas filhas Débora Beatriz Rocha Cabral e Bruna Irineu Cabral, as desculpas por não estar presente nos seus dia-a-dia.

6 AGRADECIMENTOS AGRADEÇO a DEUS pela ajuda nas horas mais difíceis de minha vida, a Quem eu devo tudo. A todos os meus Colegas de curso, em especial a: Francisco Reginário, Rodrigo Xavier, Fábio Alves, Francenildo Dantas, Alberes de Andrada, Hideljunes Macedo e Fernando Virgílio, que compartilharam tanta alegria e emoção, passadas juntas nessa maravilhosa instituição. AGRADEÇO, também, ao amigo Lenilson Cândido de Oliveira, pelo apoio, confiança e credibilidade, pois amigos são poucos e os poucos temos que valorizar. AGRADEÇO a todos os meus professores e Doutores que permitiram minha qualificação numa somatória de conhecimentos adquiridos ao longo desse Mestrado. AGRADEÇO ao meu orientador, Antônio Sérgio Araújo Fernandes, pela sua, paciência, espírito de colaboração e orientação durante a elaboração deste trabalho. Sou muito grato com tudo que a vida me proporcionou até hoje, principalmente nas horas mais alegres e, também nos momentos difíceis, pois sei que, nesses momentos, ela é a melhor Universidade e com ela nós caminhamos em um aprendizado constante. Agradeço a Vida porque viver é contribuir, é ajudar ao próximo, é ser solidário, é sorrir, é chorar, é cair e levantar, é ser persistente, é sempre amanhecer com muitos objetivos e cheio de vontade, é ter FÉ, é ter saúde, é sempre viver o hoje e construir o amanhã, é estudar e estar atualizado, é amar e ser amado, é respeitar o próximo, é ter humildade e ser simples, é ser honesto e ter dignidade, é ter caráter... Sendo assim, sou feliz. Estou satisfeito comigo e tenho orgulho de quem sou, Agradeço a DEUS todos os dias pela vida que me deu, pela mãe que tenho, pelos meus irmãos, pelos meus filhos e esposa, pelos amigos, por ser quem sou e por hoje estar aqui podendo realizar mais um sonho.

7 O presente é o real, o atual que se esvai e sobre ele, como sobre o passado, não temos qualquer força. O futuro é que constitui o domínio da vontade e é sobre ele que devemos centrar nosso esforço, de modo a tornar possível e eficaz a nossa ação. (SANTOS, 1997, p. 85)

8 RESUMO A crescente procura dos serviços públicos pelos cidadãos tem forçado o Estado a investir recursos na melhoria e ampliação dos métodos de prestação de serviços a esses usuários numa tentativa de buscar a eficiência e eficácia através do uso da tecnologia da informação (TI) visando a excelência no gerenciamento governamental. O uso da TI surge co m a necessidade de implementação de Sistemas que integrem as diversas áreas públicas com intuito de aumentar a qualidade dos serviços prestados pelo Estado e reduzir o tempo de prestação desses serviços, através da simplificação de atividades e racionalização de gastos, bem como, d imin u iç ã o do impacto das atividades de manufatura realizadas habitualmente nos órgãos públicos. O uso da Tecnologia da Informação, através de sistemas integrados experimentaram uma relevante expansão e diversificação nas últimas duas décadas o que contribuiu para a obtenção de vantagens e melhorias na eficácia e eficiência das atividades de quem as utilizaram. Estas melhorias se dão por meio de aprimoramentos tecnológicos nas áreas de hardware e software, o que exige, muitas vezes, grandes investimentos de recursos nas áreas de tecnologia de informação com a implantação de sistemas integrados de gestão, conhecidos no mercado empresarial como ERP (Enterprise Resources Planning). Nesse sentido este trabalho tem como objetivo principal propor a implantação de um Sistema Integrado de Gestão, Autuação e Distribuição entre as Delegacias de Polícia e Juizados Criminais da Cidade de Natal/RN, analisando a viabilidade da implantação, quais benefícios e dificuldades, buscando contribuir para o delineamento de um modelo teórico que relacione esses aspectos às características dos sistemas integrados (ERP) dentro do contexto onde esse sistema estará inserido. Esse trabalho foi baseado em experiência do autor através da utilização de Sistemas existentes no Poder Judiciário sendo conduzido a partir de pesquisa empírica e levantamento bibliográfico, com a finalidade de observar o fenômeno de maneira abrangente, fazendo comparações com sistemas utilizados pelo Poder Judiciário do RN e outros órgãos públicos para analisar a viabilidade de implantação de um Sistema Integrado entre as Delegacias de Polícias e Juizados Especiais Criminais da Cidade de Natal. Na avaliação dos resultados é demonstrada a importância, necessidade e viabilidade da implantação de um Sistema que interligue as instituições envolvidas, as quais trabalham em conjunto para o cumprimento do ordenamento jurídico penal. Palavras-Chave: Delegacias. Juizado Criminal. Sistemas Integrados de Gestão. Convênio. Termo Circunstanciado. Inquérito Policial.

9 ABSTRACTIC The increased demand for public services by citizens has forced the state to invest resources in improving and expanding methods of providing services to these users in an attempt to maximize efficiency and effectiveness through the use of information technology (IT) aiming for excellence in government management. The use of IT comes with the need to implement systems that integrate the various public areas in order to increase the quality of services provided by the state and reduce the time to provide such services, by streamlining activities and rationalization of expenses and, reducing the impact of manufacturing activities usually held in public bodies. The use of information technology through integrated systems experienced a significant expansion and diversification over the past two decades which contributed to obtaining advantages and improvements in the effectiveness and efficiency of the activities of those who used them. These improvements occur through technological enhancements in the areas of hardware and software, which often requires large investments of resources in the areas of information technology with implementation of integrated management systems, known in the market as ERP (Enterprise Resources Planning). This paper aims to propose the deployment and use of an Integrated Management System, Assessment and Distribution between the Police Station and Criminal Courts of the City of Natal / RN, pointing how can this deployment, what benefits and difficulties, seeking help to outline a theoretical model that relates these benefits and difficulties of the characteristics of integrated systems (ERP) within the context in which these systems will be inserted. This work was based on the author's experience through the use of existing systems in the judiciary being driven from empirical research and literature review in order to observe the phenomenon comprehensively, making comparisons with systems used by the judiciary and the RN other public bodies to demonstrate the possibility and feasibility of implementing an Integrated between Police Stations and Police Special Criminal Courts of the City of Christmas. In assessing the results proved the importance, necessity and feasibility of establishing a system that links the institutions involved, which work together to comply with the criminal law. Keywords: Police Stations. Criminal court. Integrated Management Systems. Agreement. Robust term. Police Inquiry.

10 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ART BO CF CIOSP CNJ CAC CPD CEGE DP DEA DEAM DEGEPOL DOU ECT ERP FCS GTTI IDES IML INFOSEG IP JECrim LDO LOA PC PJE RN SAJ SESED Artigo Boletim de Ocorrência Constituição Federal Centro Integrado de Operações em Segurança Pública Conselho Nacional de Justiça Centro de Atendimento ao Consumidor Centro de Processamento de Dados Comitê Executivo de Governo Eletrônico Delegacia de Polícia Delegacia Especializada no Atendimento a Criança Delegacia Especializada no Atendimento a Mulher Delegacia Geral de Polícia Diário Oficial da União Empresa de Correios e Telégrafos Enterprise Resource Planing Fatores Críticos de Sucesso Grupo de Trabalho em Tecnologia da Informação Integrated Development Environment Instituto Médico Legal Integração Nacional de Informações de Segurança Pública Inquérito Policial Juizado Especial Criminal Lei de Diretrizes Orçamentárias Lei Orçamentária Anual Polícia Civil Processo Judicial Eletrônico Rio Grande do Norte Sistema de Automação Judicial Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social

11 SIAF Sistema Integrado de Administração Financeira SIEF Sistema Integrado de Informações Econômicas e Fiscais da Receita Federal SIG Sistema Integrado de Gestão SIGAA Sistema Integrado de Atividades Acadêmicas SIGAJUD Sistema Integrado de Gestão Autuação e Distribuição entre os Juizados Criminais e Delegacias STN Secretaria do Tesouro Nacional TI Tecnologia da Informação TIC Tecnologia da Informação e Comunicação TJRN Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte TPS Transaction Processing Systems TRE Tribunal Regional Eleitoral UFRN Universidade Federal do Rio Grande do Norte WWW World Wide Web

12 SUMÁRIO INTRODUÇÃO FORMULAÇÃO DO PROBLEMA OBJETIVO DA TRABALHO JUSTIFICATIVAS METODOLGIA CONTEXTO E REALIDADE INVESTIGADA INSTITUIÇÕES ENVOLVIDAS NO PROJETO DE INTERVENÇÃO Estrutura organizacional, missão e objetivos da Policia Civil Orçamento da Segurança pública do RN nos últimos 3 anos Efetivo e cobertura territorial da Policia Civil JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS DE NATAL Estrutura organizacional, missão e objetivos do JECrim Orçamento do Poder Judiciário do RN nos últimos 3 anos Efetivo e cobertura territorial do Poder Judiciário Potiguar DIAGNÓSTICO DA SITUAÇÃO - PROBLEMA E/OU OPORTUNIDADE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO TIPOLOGIA DE SISTEMADE INFORMAÇÃO GOVERNO ELETRÔNICO Transferência e difusão do governo eletrônico Enraizamento social da difusão do governo eletrônico Implementação de governo eletrônico Governo eletrônico no Brasil O governo eletrônicono setor público brasileiro SISTEMA ERP Características dos sistemas ERP Porque Utilizar um Sistema integrado baseado na tecnologia ERP? O CLÍCO DE VIDA DE SISTEMAS ERP Decisão Seleção Implementação Fase I - Planejamento Fase II - Desenho ou definição da solução...58

13 Fase III Desenvolvimento Fase IV Planejamento e preparação do arranque Utilização FATORES CRÍTICOS DE SUCESSO DA ETAPA DE DECISÃO E SELEÇÃO INTEROPERABILIDADE DOS SISTEMAS INTEGRADOS SISTEMAS INTEGRADOS COMO ESPINHA DORSAL PARA O SERVIÇO PÚBLICO SISTEMAS INTEGRADOS NO SETOR PÚBLICO SISTEMAS INTEGRADOS NO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RN Distribuição mais justa e transparente na Justiça Uso de assinatura digital com Certificado Replicação automática de informações de gestão Integração com terceiros PANORAMA DAS DELEGACIAS E JUIZADOS Uso de tecnologia da informação pela polícia civil Estruturas físicas das delegacias Arquivo de dados na Polícia Civil Modelo de autuação e distribuição nas delegacias Uso de tecnologia da informação pelo judiciário potiguar Sistema de Automação Judicial - SAJ Sistema Processual Judicial Digital - PROJUDI Processo Judicial Eletrônico - PJE Sistema de Postagem via - SPE Competencia geográfica dos juizados Distribuição e estruturas físicas dos juizados em Natal/RN Ativo de informática do TJRN Resultados obtidos com o uso dos ativos de Informática do TJRN ANÁLISE DA SITUAÇÃO- PROPOSTAS DE INOVAÇÃO/INTERVENÇÃO PREPARAÇÃO DO ÓRGÃO Escolha da estratégia de implantação Preparação dos recursos humanos Preparação do ambiente de tecnologia da informação Ambiente dos equipamentos servidores Custos e problemas de adequações Rotinas e procedimentos entre as Delegacia e Juizados Criminais Como é possível integrar os procedimentos entre os dois órgãos O que muda com a virtualização das Delegacias Demanda dos Juizados Criminais

14 5 AVALIAÇÃO - CONTRIBUIÇÃO TECNOLÓGICA/SOCIAL REFERÊNCIAS

15 14 1 INTRODUÇAO Nos últimos anos os órgãos públicos passaram a adotar sistemas integrados de gestão (SIG), conhecidos no mundo acadêmico e empresarial como ERP (enterprise resource planing), que significa planejamento de recursos empresariais, como soluções de sistemas informatizados. Uma das explicações para esse fenômeno está no aumento na demanda dos serviços prestados pelos órgãos públicos, fazendo com que o Estado reveja seus processos e maneiras de trabalhar visando cumprir com suas obrigações para com os cidadãos e, ao mesmo tempo, buscar soluções para a redução dos custos, agilidade, eficiência e diferenciação nos serviços voltados à população. Desta forma, o Estado passou a reconhecer a necessidade de coordenar melhor as atividades para eliminar desperdícios de recursos, reduzir custos e melhorar o tempo de resposta das suas atividades aos cidadãos. Daí a importância da tecnologia da informação (TI) como uma ferramenta poderosa para essa transformação, o que segundo Porter e Millar, apud Souza (2000) 1 : A TI é uma ferramenta poderosa para essa transformação, principalmente porque a TI está aumentando muito a habilidade das empresas para explorar as interligações entre as suas atividades, tanto interna quanto externamente à empresa. Percebe-se com essa definição que um dos principais atributos dos sistemas interligados de Gestão é justamente fornecer informações integradas, que permitam interligar e coordenar as atividades internas de empresas e/ou órgãos públicos. A TI, utilizada para automatizar atividades dentro de departamentos, surgiu na década de 1990, porém não havia uma integração entre os processos, conforme afirmam Davenport e Short, apud Souza (2000) 2. Tentava-se alcançar a eficiência apenas em âmbito local, sem se preocupar com o desempenho do processo o qual a atividade estava associada. Desde essa década, é de se notar que os Entes Estaduais empreenderam esforços para aprimorar as suas performances, porém o processo como um todo ainda é lento e ineficiente em alguns órgãos públicos enquanto em outros já existe um considerável avanço do ponto de vista tecnológico. Partindo desse pressuposto a integração nos órgãos públicos ou entre os órgãos públicos passa a ser uma necessidade que têm que ser suprida no intuito de se promover ino- 1 Souza, Cesar Alexandre de. Sistemas integrados de gestão empresarial: Estudos de caso de Implementação de Sistemas ERP. São Paulo, FEA/USP Ibidem, 2000

16 15 vações administrativas, objetivando melhoria de desempenho e que reflita diretamente em um aumento de eficiência, redução de custos, mudança social ou accountability, entre outras possibilidades. Entende-se por accountability como a responsabilidade do governante de prestar contas de suas ações, apresentando o que faz, como faz e por que faz. Outros autores como Diamond e Morlino, 2005; Hagopian, 2005, Mainwaring, 2003 e O Donnel, 2003, apud Cubas 2009, afirmam que uma boa democracia é aquela que possui eficientes mecanismos de prestação de contas. Um dos órgãos públicos precursores na criação de um Sistema Integrado de Gestão Pública foi a Secretaria do Tesouro Nacional (STN), criada em 1986, através do Decreto /86, ligada ao Ministério da Fazenda, com a finalidade de dar suporte à reformulação das finanças públicas, buscando transparência e controle dos gastos públicos e equilíbrio sustentado. Foi então que, em busca desse objetivo, para atender a demanda por controle sobre os gastos no Governo Federal, criou-se o Sistema Integrado de Administração Financeira SIAFI, visto que, os gestores não tinham conhecimento dos gastos da Administração Pública, e se administrava com base na posição do caixa do Governo Federal, controlado em contas bancárias no Banco do Brasil (Castro 2004). A partir desse pioneirismo da STN, alguns outros Sistemas foram sendo desenvolvidos por órgãos públicos, em uma tentativa de aperfeiçoar, dar mais eficiência e integrar as suas atividades tanto na esfera Administrativa Federal, Estadual como na Municipal. Os exemplos mais comuns de implantação desses Sistemas, que envolvem os usuários dos serviços públicos, são os da Secretaria da Receita Federal do Brasil, do Poder Judiciário, dos Cartórios judiciais da Cidade de Natal os quais estão interligados com a Secretaria de Tributação do próprio município - portal Directa, da Segurança Pública através do Centro Integrado de Operações Policiais - Ciosp. Esses órgãos dispõem, ainda, da rede INFOSEG que integra informações dos órgãos de Segurança Pública, Justiça e de Fiscalização em todo o País. No ambiente acadêmico a integração também está presente com a integração de atividades acadêmicas como exemplo do SIGAA Sistema Integrado de Atividades Acadêmicas, utilizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN. Diante dessas considerações analisando a Distribuição de Termos Circunstanciados de Ocorrências (TCO) e Inquéritos Policiais (IP) das Delegacias para os Juizados Criminais da cidade de Natal, RN, ficou constatado que esses procedimentos não são distribuídos, na maioria dos casos, corretamente o que se leva a crer que seja em virtude, principalmente, da falta de uma tecnologia da informação para dar suporte às atividades

17 16 policiais, consequência da falta de investimentos em TI, da diminuição orçamentária a qual vem sofrendo o órgão, como também da falta de contratação de policiais com funções específicas em TI. Esses são alguns dos gargalos que dificultam ou impedem, na atualidade, o intercâmbio eficaz dos procedimentos oriundos das Delegacias para os Juizados Criminais. Nesse contexto, diante do modelo de gestão existente, deficitário em termos de resposta aos anseios da sociedade e feedback com o Poder Judiciário, onde a falta de estrutura físicas, materiais e pessoal colocam as atividades meio e fins em situação de ineficiência, este trabalho propões uma intervenção através de um projeto de implantação de um SIG entre os dois órgãos onde se pretende analisar a viabilidade da implantação de um Sistema integrado de Gestão, Autuação e Distribuição entre as Delegacias e Juizados Especiais Criminais de Natal levando-se em consideração as ferramentas de TI já existentes no Poder Judiciário, investimentos próprios, mecanismos de convênios ou de acordos de cooperação técnica entre os Poderes Executivo e Judiciário, para que o modelo de gestão, autuação e distribuição atual nas Delegacias seja informatizado ou virtualizado. Todavia, embora esses dois órgãos desenvolvam atividades afins, foi verificado, na prática, que na realidade das Delegacias pouco se fez (ou se faz), para criação de modelos de processos interfuncionais ou redesenho dos existentes o que se deduz que elas poderão ter problemas substanciais para, por iniciativa própria, desenvolverem um sistema integrado. Beal (2012) informa que essa ausência nos enfoques de processos, compartilhados, com as pressões para a solução de problemas institucionais, relativos principalmente a inexistência de um departamento de TI, tendem a levar os órgãos ao desenvolvimento de sistemas isolados. Isso resulta em uma dependência de sistemas e métodos diferentes, cujos procedimentos dependem de trabalho manual sujeito a erros, tornando-se incapazes de fornecer serviços e informações de qualidade relativas aos procedimentos inerentes às suas atividades. Para sanar esses problemas o Judiciário Potiguar, em todos as Varas e, principalmente nos Juizados, passou a adotar a tecnologia da informação, com utilização de sistemas semelhantes aos ERP (enterprise resource planing), para explorar a necessidade de desenvolvimento de sistemas integrados, ao passo que as delegacias permaneceram inertes, seja pela falta de iniciativa ou pela falta de recursos o que não aconteceu com o Judiciário, por ser um Poder independente. Um dos fatores que contribuiu para a expansão de um Sistema Integrado de Gestão (SIG), baseado na tecnologia ERP, no Judiciário, além da independência financeira, foi o

18 17 amadurecimento das opções disponíveis no mercado, a evolução das tecnologias utilizadas por esses pacotes de TI bancos de dados, processamento jurisdicionados/servidor além de alguns exemplos de práticas de sucesso adotadas para a solução da falta de um SIG, como a utilização de planilhas e banco de dados existentes ou idealizados por servidores com conhecimentos técnicos em hardware e software. Os sistemas Integrados, em se tratando de TI propriamente dita, representam uma mudança nos parâmetros de desenvolvimento de sistemas, seja através da terceirização ou através de equipes de analistas de sistemas e programadores da instituição que fazem o trabalho junto aos usuários e o desenvolvimento dos sistemas. No primeiro caso o sistema, já em desenvolvimento é comprado já pronto, o que contribui com a economia do tempo despendido na elaboração de um sistema que se adeque as necessidades do órgão e, possivelmente a redução dos custos de informática (ativos de informática, mão-de-obra, etc.). No Judiciário existe exemplo da utilização dos dois métodos de TI que contribuíram para a redução dos custos de informática resultados da troca de plataformas de hardware mais caras por plataformas mais modernas e mais econômicas financeiramente, utilizando-se dos mecanismos de convênios entre outros órgãos do próprio Poder Judiciário Nacional. O Sistema de Automação Judicial para a Justiça Estadual - SAJ JE, era um exemplo de Sistema encomendado a empresa terceirizada a qual administrava e gerenciava em sua totalidade os ativos de informática, o que gerava um custo muito elevado para o TJRN (Manual do SAJ - TJRN 2005). Com a formação de Centro de Tecnologia da Informação, depois da criação de uma Secretaria de informática, estudos foram elaborados para aperfeiçoar as ferramentas de TI já existentes, criando-se, desta forma, o Sistema Hermes, desenvolvido no TJRN e distribuído para todos os tribunais do País através do Acordo de Cooperação Técnica nº 004/2008 (DOU, seção 3, página 135, de 1º de agosto de 2008: ACORDO N.º 004/2008). O Sistema Hermes é um conjunto de módulos de sistemas computacionais com finalidade de organização, autenticação e armazenamento de comunicações recíprocas, oficiais ou não, entre as Unidades Organizacionais do Judiciário Estadual. Tais procedimentos são realizados através de um módulo denominado malote digital. Essa concepção partiu da disponibilidade de conhecimentos acumulados a respeito das diferentes maneiras de se realizar os processos, fator fundamental para a implantação de um Sistema Integrado, uma vez que decorre do fato de uma empresa ou órgãos utilizar modelos de processos obtidos através de estudos e comparação entre outras empresas ou órgãos o que é chamado de melhores práticas. As melhores práticas, no Judiciário Potiguar, es-

19 18 tão associadas a medidas, implantadas nos departamentos, que visem a diminuição dos custos inerentes as atividades meio e fim. Com o advento das novas inovações tecnológicas no início da primeira década dos anos 2000 as tecnologias utilizando sistemas ERP já estavam consolidadas como soluções para a construção de infraestruturas tecnológicas nas empresas privadas, enquanto que no setor público essa façanha começou a acontecer em meados dessa mesma década. Um estudo apresentado na Revista Byte Brasil, realizado pelo instituto DRC, em outubro de 1998, em um universo de 150 empresas, mostrava que o mercado global dos sistemas ERP já era utilizado por cerca de 38,8% das empresas entrevistadas. Já Meirelles (1997), pesquisando sobre empresas que utilizavam a TI no Brasil chegou à conclusão de que 31% das empresas pesquisadas utilizavam, já naquela época, um pacote de TI integrado. Esse estudo foi realizado entre os anos de 1996 e 1997 com um universo de 1200 empresas pesquisadas. Com o passar dos anos, com ganhos importantes para os mais diversos departamentos e processos organizacionais, de acordo com Lemos et al. (2006), o uso de Sistemas Integrados de Gestão pelas organizações tem se tornado cada vez mais freqüente. Em todo o mundo, as empresas produtoras desta tecnologia aplicada a sistemas de informação estão crescendo, tendo o ERP estabelecido uma nova fase tecnológica, integrando todos os seus processos. Segundo HALL, 2002, Estes sistemas tem a capacidade de automatizar a comunicação e integração das informações para um grande número de funções de negócios, através da entrada e recuperação de dados de uma forma altamente padronizada. Percebe-se então, que os Sistemas Integrados são uma poderosa solução para a construção da arquitetura de TI das empresas/órgãos públicos e podem trazer inúmeros benefícios para uma organização, desde que implementados mediante processos de decisão. Importante frisar que uma questão que se deve levar em consideração é quanto aos cuidados relacionados aos benefícios e vantagens advindos dos sistemas ERP, diferenciando o que se pode e o que não se pode ser feito, quais problemas e obstáculos quando da sua utilização. É de se notar, também, que, atualmente, o nível gerencial dos órgãos públicos depende das informações que são utilizadas em seus principais fluxos de gerenciamento para dar suporte as necessidades de informação para os serviços prestados aos cidadãos. A partir da globalização, a transformação da economia industrial em economia da informação e a conseqüente transformação das organizações, principalmente no que diz respeito a sua estruturação, divisão do trabalho e formas de coordenação, decorreu o

20 19 crescimento da importância da informação como um recurso estratégico na organização e isto pode ser explicado, principalmente pela mudança no ambiente contemporâneo (REZENDE, 2000). Os sistemas integrados de gestão trazem benefícios para os órgãos públicos na medida em que otimizam o processo de gestão, reduzem os custos das operações, permitem melhorias no acesso de informações, rapidez na tomada de decisões, segurança nos controles, aumento da produtividade e eficiência das gestões, e melhoria dos serviços prestados. Para Resende (2000), os sistemas ERP são ferramentas que podem interferir profundamente nas organizações com reflexos amplos que precisam ser previstos, controlados e, principalmente, conduzidos. Já para Viterbo Júnior (1988, p.15) uma ferramenta que pode ser útil para o direcionamento e solução de diversos tipos de problemas é a implementação dos denominados sistemas de gestão: Os objetivos básicos do sistema de gestão são o de aumentar constantemente o valor percebido pelo cliente nos produtos ou serviços oferecidos, o sucesso no segmento de mercado ocupado (através da melhoria contínua dos resultados operacionais), a satisfação dos funcionários com a organização e da própria sociedade com a contribuição social da empresa e o respeito ao meio ambiente. Neste sentido é preciso que se perceba a necessidade do SIG como um processo de tomada de decisão no sentido de escolher ou definir o pacote correto, implementação de acordo com as necessidades do órgão, levando em consideração que sua utilização poderá favorecer nas mudanças organizacionais, no tocante a forma de execução utilizando tecnologia de informação. É de fundamental importância o conhecimento desses elementos pelo órgão que o utilizará, para que se obtenham os benefícios que esses sistemas possam oferecer e minimizar suas dificuldades de implantação. Neste sentido Laudon e Laudon (1996) afirmam: O impacto dos sistemas de informação depende em parte das decisões tomadas pelos dirigentes a seu respeito, pois, afinal de contas, são os dirigentes que decidem que sistemas serão desenvolvidos, o que eles o farão, como serão implementados e assim por diante. De certa maneira, são os dirigentes que escolhem os impactos que querem (ou, pelo menos, recebem os impactos que merecem). Vale salientar que ao adotar um Sistema Integrado baseado na tecnologia ERP, o objetivo básico de um órgão privado ou público não é colocar o software em produção, mas melhorar os processos de controles gerenciais e serviços prestados usando tecnologias de informação.

21 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA Como se vê a adoção de Sistemas Integrados em gestão (SIG), baseados na tecnologia ERP, é de fundamental importância para as empresas e órgãos públicos como um todo, seja através da terceirização do desenvolvimento de TI, reduzindo custos de informática, seja implantando modelos pré-existentes de empresas ou órgãos já integrados e centralizados mudando a visão departamental para a visão de processos. Os SIG trazem embutidos em si a reengenharia de processos, a mudança da visão departamental para a visão sistêmica de processos, permitindo, por essas ferramentas, a mudança de toda a cadeia de valor de uma organização, seja ela pública ou privada, com inovação tecnológica, redução do tempo de espera de aplicações de TI e, principalmente, redução de custos (fator importante para o serviço público), no tocante a mão-de-obra e material de expediente, tais como papeis, tintas para impressora, canetas, grampos, clips, etc. Quanto a implementação desses sistemas é sabido que causa mudanças maciças e devem ser cuidadosamente gerenciadas para que os benefícios possam ser obtidos. Bingi, Sharma e Godla (1999), relatam alguns casos de implementação de SIG mal sucedidos no setor privado, onde projetos implementados foram interrompidos, causando grandes prejuízos ás empresas. No Setor público, até o momento, não há literatura sobre casos em que sistemas integrados foram mal sucedidos. Em sendo assim, pode-se perguntar se a implantação e utilização de um Sistema Integrado de Gestão, Autuação e Distribuição entre os Juizados Criminais e Delegacias de Polícias, baseados na tecnologia ERP, poderá agilizar a distribuição dos TCO e IP trazendo benefícios em termos de celeridade processual? A utilização desse sistema irá beneficiar todas as Delegacias e Juizados? É possível dimensionar a contribuição desse Sistema para a sociedade? Quais serão os custos e problemas de adequação desse Sistema? Quais níveis de problemas poderão ser encontrados para operacionalizar? Com a implantação desse Sistema os Problemas das Delegacias serão resolvidos? Essas são perguntas importantes, relativas a implantação de Sistemas Integrados no setor público, que devem ser respondidas, vez que, por tratar-se de órgão público, as peculiaridades existentes em cada um devem ser consideradas.

22 OBJETIVO DO TRABALHO Este trabalho tem como objetivo principal propor a implantação de um Sistema Integrado de Autuação e Distribuição entre as Delegacias de Polícia e Juizados Criminais da Cidade de Natal/RN, analisando a sua viabilidade, quais benefícios e dificuldades poderão surgir, buscando contribuir para o delineamento de um modelo teórico que relacione estes benefícios e dificuldades às características dos sistemas integrados (ERP) dentro do contexto onde esses sistemas estarão inseridos. A análise da implantação desse sistema integrado entre as Delegacias e Juizados Criminais tem como pressupostos de viabilidade a utilização de Sistemas existentes no Poder Judiciário baseados em análise empírica da situação atual bem como de levantamento bibliográfico, com a finalidade de observar o fenômeno de maneira abrangente, fazendo comparações com sistemas utilizados pelo Poder Judiciário do RN e outros órgãos públicos com o objetivo de analisar a viabilidade da implantação de um Sistema Integrado de Gestão, Autuação e Distribuição entre as Delegacias e Juizados Criminais. Desta forma, espera-se o surgimento de novas hipóteses e contribuição para o desenvolvimento de um corpo de conhecimentos mais completo concernente a implantação de sistemas integrados em órgãos públicos, a partir da experiência de implantação desse Projeto de Intervenção. O levantamento bibliográfico deste trabalho apresenta conceitos relacionados aos Sistemas ERP, bem como a Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) implantadas nos setores privados e Administração pública, com a finalidade de mostrar a viabilidade, relevância, oportunidade bem como a sua exequibilidade, a partir da análise dos diferentes procedimentos existentes entre as Delegacias e Juizados, além de definir quais os aspectos mais importantes relacionados ao sucesso do projeto. Por fim será sugerido um nome ou sigla para representar o Sistema proposto. Com o intuito de delimitar o escopo do presente projeto, a pesquisa de campo se restringiu as Delegacias de Polícias e Juizados Criminais da Cidade de Natal - RN. 1.3 JUSTIFICATIVAS Essa proposta de intervenção pretende contribuir para a implantação de um sistema integrado de autuação e distribuição entre as Delegacias e Juizados Especiais Criminais, otimizando os fluxos de processos existentes entre ambos. Os questionamentos

23 22 levantados poderão contribuir para facilitar a tomada de decisão, melhorar o desenvolvimento de estratégias de implantação, além de contribuir como referencial teórico e para um Serviço Público mais eficiente, eficaz e efetivo junto aos cidadãos, usuários dos serviços das Delegacias e Juizados. Este trabalho será útil no tocante à bibliografia de sistemas integrados entre órgãos públicos, pois é bem significante a existência de literatura sobre processos de implementação de diversos sistemas ERP específicos, os quais se restringem a características técnicas, além de muitas informações na imprensa especializada a respeito dos sistemas integrados disponíveis no mercado empresarial, abrangendo, também, seus problemas relativos a implementação. Todavia existem poucas análises mais profundas embasadas teoricamente sobre características essenciais dos sistemas ERP e de seus potenciais benefícios e problemas junto aos órgãos públicos. Foram encontrados livros didáticos a respeito do assunto TI com bastante facilidade e quantidade, porém até o presente momento foram poucos os trabalhos específicos que dizem respeito a implementação de sistemas integrados de gestão no setor público. Ademais, essa técnica de utilização de SIG, disponibilizando as informações para todos os setores interligados ao sistema no momento em que são inseridos os dados, é um fenômeno ainda recente, não só no setor empresarial, mas, principalmente, no setor público, e seus desdobramentos ainda estão ocorrendo, seja em relação a organização ou no que se refere à própria tecnologia empregada. 1.4 METODOLOGIA Este trabalho utilizou a metodologia da pesquisa-ação que segundo Elliot (1994) se aplica a projetos em que se buscam efetuar transformações em suas próprias práticas. Esse tipo de pesquisa é uma forma de investigação-ação que utiliza técnicas de pesquisa consagradas para informar a ação que se decide tomar para melhorar uma prática já existente. A pesquisa foi desenvolvida nas Delegacias de Polícia e Juizados Especiais Criminais da Cidade de Natal, RN. Nessa pesquisa será detalhado os meios para a consecução dos objetivos específicos propostos no projeto de intervenção. Trata-se do estudo dos sujeitos, dos instrumentos e dos procedimentos que deverão ser utilizados para a superação do problema apontado. Através desse tipo de pesquisa analisar-se-á, também, a metodologia empregada para verificar se o projeto tem ou não viabilidade.

24 23 Por esse tipo de metodologia procura-se introduzir, nos órgãos envolvidos, uma prática nova para a mudança de uma situação, ou seja, por esse tipo de pesquisa o pesquisador propõe implementar, adaptar ou adotar uma idéia ou prática extraída de algum outro lugar ou utiliza o projeto para desenvolver idéias ou práticas próprias inteiramente novas e originais.

25 24 2 CONTEXTO E A REALIDADE INVESTIGADA 2.1 INSTITUIÇÕES ENVOLVIDAS NO PROJETO DE INTERVENÇÃO As instituições envolvidas neste projeto de Intervenção são as Delegacias de Polícia e os Juizados especiais Criminais da Cidade de Natal/RN. A Polícia Civil foi criada pela Lei nº de 20 de outubro de 1981 com a denominação originária de Grupo de Segurança Pública. Inserido no quadro geral de pessoal do Estado, este Grupo, que deu forma a Polícia Civil do Rio Grande do Norte, constituiu-se das categorias funcionais de Delegado de Polícia, Escrevente de Polícia, Investigador de Polícia, Agente de Polícia e Motorista Policial. Entre as atribuições se destacava a de apurar as infrações penais e sua autoria, instaurando e presidindo inquéritos policiais e processos penais que se iniciassem na polícia. Nessa década, o Brasil atravessava uma efervescência com o processo de redemocratização - transição dos governos militares para o governo decorrente de voto popular - que avançou na formulação e promulgação da nova Carta Constituinte, em 1988 (HERMES JUNIOR, 2013). Com efeito, na sua organização, no RN, foi determinante a exemplaridade das instituições mais antigas; a Polícia Militar do Rio Grande do Norte, que surgiu no ano de 1836, e o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio Grande do Norte, criado na segunda década do século XX (Lei nº 424, de 29 de novembro de 1919), que integram, como a Policial Civil, o Sistema de Segurança Pública do Estado (SILVA, 2008). Em 13 de fevereiro de 2004, a Lei Complementar 270 dispôs sobre a Lei Orgânica estabelecendo o Estatuto da Polícia Civil do Estado do Rio Grande do Norte, que representou uma grande conquista para a instituição, contudo, lamentavelmente, requereu a implantação, em larga medida, após cinco anos de aprovação pelo Governo do Estado. Em especial, a autonomia administrativa para a gestão orçamentária e financeira dos recursos alocados em seu orçamento, sofreram restrições devido ao preceituado no art. 2º, parágrafo único, inciso I, da citada Lei, quando vinculou a uma proposição ao Secretário de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social, seu planejamento e a sua programação de investimentos (DEGEPOL: DELEGACIA, 2009). Um levantamento do quantitativo de delegacias existentes na Capital do RN, constatou-se que atualmente a Polícia Civil do Rio Grande do norte passa por grande crise (DEGEPOL, 2009). As estruturas físicas das Unidades Policiais estão gravemente

26 25 comprometidas diante da falta de investimentos em segurança pública que atinge todo o quantitativo de delegacias de polícias presentes na capital do RN, o qual gira em torno de 15 Delegacias de Polícia não especializadas, duas Delegacias de Plantão, sendo uma na Zona Sul e outra na Zona Norte e 17 DP s especializadas, além de 9 Delegacias consideradas como integrantes da denominada Grande Natal as quais estão localizadas nos Distritos de Ceará Mirim, São Gonçalo do Amarante, Macaíba, São José de Mipibu, Extremoz, Pirangi do Norte e 3 no Distrito de Parnamirim (conforme tabela 1), o que nos faz inferir que os custos com manutenção, os quais são projetados e sucessivamente frustrados, não atendem as necessidades que deveriam atender, conforme é citado em documento oficial divulgado pela Delegacia Geral de Polícia Civil (DEGEPOL, 2009):...A Polícia Civil do Estado do Rio Grande do Norte vem sofrendo uma descontinuidade desde que se revestiu do título de Unidade Gestora, reflexo de uma flagrante estagnação decorrente da evidente desarmonia entre o que planeja e o que efetivamente executa Estrutura organizacional, missão e objetivos da Policia Civil Como preceitua o 4º do Art. 144 da CF a Polícia Civil (PC) está incumbida das funções de polícia judiciária e apuração de infrações penais (ressalvada a competência da União e as infrações militares) distribuídas da seguinte forma: Atender requisições judiciais e do Ministério Público; Cumprir ordens de busca, prisão e apreensão; Lavratura de flagrantes e termos circunstanciados; Apurar infrações penais; Realizar atividades de investigação e inteligência; Realizar operações policiais de prevenção e combate à criminalidade; Desenvolver as atividades Administrativas, referentes a recursos humanos e materiais; Realizar atividades de Polícia Interestadual; e participar de operações integradas com outras Polícias. Como se percebe, as funções da Polícia Civil estão intimamente ligadas ao Judiciário, porém, analisando o histórico da Polícia Civil, desde a criação dessa instituição, percebe-

27 26 se que não houve preocupação sobre o desempenho do ciclo completo de atividade policial. Destarte, as polícias civis foram sendo criadas e se desenvolvendo ao longo dos governos sem o devido planejamento. Desta forma o que se tem hoje é um modelo de policiamento ultrapassado. Conforme levantamento do Sindicato dos Policiais Civis/RN SINPOL, o Estado do Rio Grande possui um total de 167 municípios, sendo que a presença da polícia judiciária, a PC, está representada em apenas 44 municípios, e destes, 6 na Grande Natal. O resto do estado, em seus mais distantes rincões, está desguarnecido. Neles, essa ausência é suprida pela Polícia Militar, em um caso escancarado de desvio de função (IVENIO HERMES, 2013). A realidade da Polícia Civil do RN hoje é caótica: Delegacias que fecham durante a noite e fins de semana; Efetivo pífio em relação à criminalidade que cresce em níveis absurdos; Policiais militares exercendo função de delegado e de polícia judiciária; Falta de aparelhamento: viatura, armamento, recursos investigativos, coletes balísticos, instalações inadequadas; Falta de polícia científica para o andamento adequado de investigações forenses, Enfim, apenas alguns dentre tantos problemas. Algumas tentavas de mudança do atual quadro situacional da Polícia Civil estão sendo providenciadas, por exemplo, através de dois Projetos de Decreto e Projeto de Lei que dispõe respectivamente, sobre a criação das Regiões Integradas de Segurança pública (RISP), das Áreas Integradas de Segurança Pública (AISP) e das Circunscrições Integradas de Segurança Pública (CISP), e alteração da lei Complementar 270 de 13 de fevereiro de 2004, e alteração da lei Complementar 417 de 31 de março de Estão, ainda em análise a possibilidade de implantação, aplicação e eficácia dessas Regiões, Áreas e Circunscrições Integradas entre as Polícias Civil e Militar. Esse projeto de Decreto em estudo sugere a criação de 6 (seis) regiões Integradas de Segurança Pública RISP, visando a integração territorial e tática entre a Polícia Civil e Polícia Militar do Rio Grande do Norte, determinando a adequação geográfica entre as circunscrições territoriais e definindo os Comandos da Polícia Militar e as Diretorias da Polícia Civil e especificando as suas respectivas funções. 3 Altera a Lei Complementar 270, de 13 de fevereiro de 2004, que dispõe sobre a Lei Orgânica e o Estatuto da Polícia Civil do Rio Grande do Norte, dispõe sobre o enquadramento dos servidores ocupantes dos cargos de Agentes e Escrivães de Polícia, e dá outras providências.

28 27 contido na figura 1. A estrutura organizacional da Polícia Civil é composta conforme o organograma Figura 1: Organograma da Polícia Civil (Fonte: A Missão da Polícia Civil, também denominada de Polícia Judiciária ou polícia investigativa, é atuar na defesa da sociedade e na preservação da ordem pública, promovendo e participando de medidas de proteção à sociedade e ao indivíduo, exercendo com excelência suas atribuições, ou seja, a apuração das infrações penais e a identificação de sua autoria. Os seus objetivos são: Garantir a segurança dos cidadãos;

29 28 Investigar e descobrir a autoria dos crimes, colhendo e transmitindo às autoridades competentes os indícios e provas, indagando seus autores e cúmplices, concorrendo eficazmente para que sejam levados aos tribunais Orçamento da Segurança pública do RN nos últimos 3 anos A Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social SESED - tem seu orçamento garantido pela Lei Orçamentária Anual (LOA) e suas ações são definidas na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que tem a finalidade de orientar a elaboração dos orçamentos fiscais e da seguridade social e de investimento do Poder Público, incluindo os poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e as empresas públicas e autarquias. A LDO busca sintonizar a Lei Orçamentária Anual com as diretrizes, objetivos e metas da administração pública, estabelecidas no Plano Plurianual. De acordo com o parágrafo 2º do art. 165 da Constituição Federal é função da LDO: Compreender as metas e prioridades da administração pública, incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subseqüente; Orientar a elaboração da LOA; Dispor sobre as alterações na legislação tributária; e Estabelecer a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento. Embora as metas tenham que ser traçadas pelo ordenamento jurídico, nos últimos anos foi detectado uma queda nos investimentos em segurança pública no RN. Só em 2013 a rubrica no âmbito da Polícia Civil perdeu R$ 1 milhão para outras finalidades. Um total de três Decretos que tratam de abertura de crédito suplementar na instância do Orçamento Geral de 2013 do Governo do Estado do RN, foram publicados no Diário Oficial do Estado do dia 31 de agosto de Os três totalizam a importância de R$ 1,240 (um milhão, duzentos e quarenta mil). O de maior volume financeiro R$ 1 milhão reduz a dotação orçamentária da rubrica Construção, reforma e ampliação de estruturas físicas das unidades operacionais da Polícia Civil. Esse aporte foi deslocado para atender as rubricas Adequação e modernização de unidades produtivas e o programa Mão Amiga. Essa não é uma prática recente, pois nos últimos três anos percebe-se que os cortes no orçamento da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social vem sendo

30 29 constantes, como explanado em reportagem realizada em um jornal de grande circulação do Rio Grande do Norte: O Rio Grande do Norte foi o segundo Estado do país que mais cortou gastos com segurança pública no ano passado(2010). Se compararmos os valores gastos em 2010 com 2009, houve uma variação negativa de 7,98% nos investimentos da pasta. Os dados fazem parte da quinta edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública apresentada ontem em Brasília. Em 2009, o RN gastou R$ ,61 para manter a estrutura de policiamento. Em 2010, o custo foi de R$ ,56 segundo menor valor do Nordeste, perdendo apenas para o Piauí que gastou R$ ,20. E a tendência é de queda para o próximo ano. Já foi anunciado pelo Governo do Estado um corte de 22,4% no orçamento de O estudo apresentado pela organização não governamental Fórum Brasileiro de Segurança Pública, durante a 2ª Conferência do Desenvolvimento (Code) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), aponta que São Paulo foi o Estado que mais cortou verbas de segurança (- 27,62%). A posição do Rio Grande do Norte é ainda mais preocupante quando comparamos com os outros estados nordestinos. Na região, o RN é apontado como o único Estado que não elevou as despesas com segurança pública no período. O Anuário é a principal fonte de informação sobre a segurança pública no Brasil e foi criado após parceria do Fórum Brasileira de Segurança Pública com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). O levantamento cruza dados da Secretaria do Tesouro Nacional, Ministério da Fazenda, Sistema Único de Saúde (SUS) e de secretarias estaduais de Segurança Pública. Orçamento 2012: Um estudo do Orçamento Geral do Estado (OGE) para o exercício 2012, apresentado em outubro de 2011pelo mandato do deputado estadual Fernando Mineiro (PT), aponta cortes drásticos em diversas pastas. Uma delas, é a Segurança Pública. Para o próximo ano, a secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesed) terá um corte de 22,4%, com redução de R$ 67,6 milhões em comparação com o orçamento de Para a Polícia Militar, o orçamento encurtou em 11,9%, o que representa R$ 47,2 milhões a menos. Outra instituição da área da Segurança que perde recursos é o Corpo de Bombeiros. Pela proposta de orçamento para 2012, o órgão perde mais de R$ 30,4 milhões, numa redução de 9%. O OGE ainda não foi aprovado pelos deputados na Assembleia Legislativa. No momento, o documento tramita na Comissão de Fiscalização e Finanças (CFF). (Publicação: 24 de Novembro de 2011 às 00:00). Fonte: Tribuna do Norte. Como se vê os cortes orçamentários na Sesed vem ocorrendo de forma crescente desde Em 2011 a Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social teve seu orçamento estabelecido na ordem de R$ (duzentos e oitenta e três milhões quinhentos e setenta e cinco mil reais) onde R$ representavam recurso do próprio tesouro enquanto que R$ de outras fontes (Lei nº 9.449, de 24 de janeiro de 2011). Para 2012 esta Secretaria teve o orçamento diminuído para R$ (duzentos e trinta e quatro milhões, novecentos e quarenta e quatro mil), dos quais R$ oriundos dos recursos do tesouro Estadual enquanto que os R$ de outras fontes de recursos. No ano de 2013 o orçamento da Secretaria Sesed, como dito anteriormente, teve um corte da ordem de R$ ,00. Isso representa em termos percentuais um decréscimo de aproximadamente 9,8 % de cortes em seu orçamento.

31 30 Além desses cortes do governo do RN, mostrando sua inércia em relação à Segurança Pública, investimentos destinados ao Segurança Pública do Estado, cedidos pelo Ministério da Justiça no montante de R$ 2 milhões, foram devolvidos em 2013 porque tiveram o prazo de execução expirado. Nessa situação, se enquadram cinco convênios relacionados a projetos de polícia de bairro, reaparelhamento das Polícias Militar e Civil e ainda modernização dos processos de investigação. Tais convênios foram firmados entre os anos de 2008 e 2010 e tinham como prazo de conclusão das atividades o ano de No total, R$ ,89, são referentes a parcerias firmadas pelas gestões de Wilma de Faria e Iberê Ferreira com a Secretaria Nacional de Justiça, devolvidos ao Governo Federal. Dinheiro que, originalmente, seria destinado à construção de duas delegacias modelo e reforma e ampliação de outras 24 delegacias, conforme entrevista ao Jornal Tribuna do Norte concedida pelo Secretário de Segurança Pública do RN, Aldair Rocha em 22 de julho de Entre os convênios também estavam recursos destinados ao reaparelhamento de todos os órgãos da Secretaria de Segurança. Tudo proveniente de metas não cumpridas, embora os programas tenham sido iniciados Efetivo e cobertura territorial da Policia Civil O Rio Grande do Norte é composto por 167 (cento e sessenta e sete) municípios e possui uma população de mais de habitantes (IBGE- 2007) que demanda ações de segurança pública, de natureza preventiva, e de combate à criminalidade, em decorrência dos novos tempos ocasionados pela ampliação da globalização onde cada espaço recebe e gera ocorrências e influências que se difundem em tempo real e na mesma rapidez requer ação e respostas resolutivas. Após três décadas de existência da Polícia Civil, o Estado pouco fez para aumentar o seu efetivo. Hoje são 160 Delegados de Polícia Civil; 136 Escrivães de Polícia Civil e 1154 Agentes de Polícia Civil, num total de policiais apenas (gráfico 1). Por outro lado, pouco se investiu para assegurar a permanência de muitos policiais concursados, que sem incentivo ou perspectiva de melhoria de trabalho, terminaram por migrar para outras áreas do serviço público que ofereciam maiores oportunidades de crescimento profissional. A deficiência de profissionais no quadro da Polícia Judiciária tem como consequência a precária proteção da população do RN (SIMPOL-RN, acesso em 20/08/2013).

32 31 Gráfico 1: Distribuição do efetivo da PCRN. Fonte: Simpol-RN. Artigo de Ivênio Hermes (Acesso em 20/08/2013) Segundo Hivenio Hemes (2013) o efetivo ideal para a Sesed seria de (três mil e setecentos) Policias Civis incluindo delegados, agentes e escrivães, como se depreende do gráfico abaixo: Gráfico 2: Efetivo atual e ideal da PC. Fonte: Simpol-RN (Artigo de Ivênio Hermes, Acesso em 20/08/2013) Levando em consideração a missão institucional, orçamento e efetivo de policiais surge o seguinte questionamento: com esses constantes cortes no orçamento, deficiência de pessoal, além da falta de investimentos em TI, existe a possibilidade da implantação do Sistema Integrado ora proposto? Embora a Polícia Civil faça parte do Sistema CIOSP, sistema de integração que trata das ocorrências de competência dos referidos órgãos, nas Delegacias de Polícia Civil a

33 32 TI empregada é usualmente utilizada com a finalidade simplesmente de acelerar ou automatizar componentes isolados de um processo, ou seja, não engloba o processo em sua totalidade. O Boletim de Ocorrência Eletrônico é um exemplo do uso isolado de informações. Esse tipo de serviço nada mais é que uma forma isolada de TI. Isso é decorrência dos sistemas de informação utilizados pelas Delegacias terem sido desenvolvidos para atender áreas funcionais específicas, ou parte de funções, não havendo pacotes de TI para dar suporte aos processos completos, abrangendo suas atividades como um todo. Desta forma, pela natureza de suas atividades e como sendo a Polícia Civil do RN uma instituição permanente, integrada ao Sistema Estadual de Segurança Pública, essencial à Justiça Criminal, à preservação da ordem pública e a incolumidade das pessoas e do patrimônio (CF 1988), há uma necessidade de uma integração da sua atividade fim, que é a investigação e apuração de infrações penais (exceto as militares), indicando sua respectiva autoria, com os Juizados Especiais Criminais e Varas Criminais, pois suas conclusões em forma de termos circunstanciados e inquérito policiais são enviados à Justiça para que possam processar e levar a julgamento o possível autor do delito. As funções da Polícia Civil estão dispostas no 4 do art. 144 da Constituição Federal (CF) de 1988 e são as seguintes: Atender requisições judiciais e do Ministério Público; Cumprir ordens de busca, prisão e apreensão; Lavratura de flagrantes e termos circunstanciados; Apurar infrações penais; Realizar atividades de investigação e inteligência; Realizar operações policiais de prevenção e combate à criminalidade; Desenvolver as atividades Administrativas, referentes a recursos humanos e materiais; Realizar atividades de Polícia Interestadual e; Participar de operações integradas com outras Polícias. Analisando as suas funções, nota-se que a Polícia Civil está intimamente ligada ao Poder Judiciário o que se conclui que o produto de suas atividades sempre desagua no Judiciário, conforme a lei nº 9099/95, artigo 69 a qual preceitua que a autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado e o encaminhará imediatamente ao Juizado, com o autor do fato e a vítima, providenciando-se as requisições dos exames periciais necessários. Assim, a polícia Civil é o órgão encarregado de enviar as peças dos Termos Circunstanciados de Ocorrências (TCO) e Inquéritos Policiais (IP) ao Judiciário para que os possíveis crimes cometidos tenham seus possíveis causadores

34 33 punidos, através dos institutos legais, pelo Judiciário. Partindo dessa premissa as dificuldades e problemas relacionados com a transmissão das peças processuais começam a surgir na interligação entre os dois órgãos Delegacias e Juizados Criminais - por fatores diversos de comunicação e informação. Essa dificuldade é fruto da dura realidade presenciada nas Delegacias do município de Natal onde são detectados problemas que vão desde a infra-estrutura à falta de um Sistema Tecnológico que dê suporte para que a integração pretendida neste Projeto de Intervenção seja alcançada. Essa Realidade foi percebida em visitas às Delegacias da Capital, principalmente, as da Zona Norte, onde foi constatado in loco o precário modelo atual de gestão utilizado nesses Departamentos o que se faz necessário, para o bom entendimento dessa situação uma explanação dos seguintes aspectos considerados como imprescindíveis para, quando amenizados ou extintos, se atingir o modelo de integração ora proposto. Vejamos os aspectos considerados: Qual o modelo de autuação e distribuição que é utilizado atualmente nas Delegacias? Qual é a realidade das Delegacias hoje? Quais os tipos de processos interagem com os Juizados e Varas Criminais? Há falta de eficiência no modelo atual? Quais são os Gargalos que acontecem nos processos? Porque os processos não são distribuídos corretamente? Dessa forma, faz-se necessário especificar melhor cada um desses aspectos antes de sugerir o modelo de integração que será oportunamente proposto. O modelo de autuação e distribuição que é utilizado nas Delegacias de Polícia (DP) de Natal ainda é rudimentar. As Delegacias não dispõem de núcleos de informática. Os equipamentos são antigos. Os processos são feitos de forma manual. Em algumas DP não existe sequer internet. Ainda existem Delegacias utilizando impressora matricial, o que contribui para o aumento nos gastos com papel uma vez que essas impressoras utilizam duas vias de folhas contínuas. Aliada a falta de infraestrutura e equipamentos, as delegacias de polícia do RN trabalham com baixo número de policiais civis o que dificulta a formação de uma equipe voltada exclusivamente ao atendimento e manutenção de um Sistema de Informação, sendo, portanto, também insuficiente para dar suporte ao, mesmo que reduzido, número de Delegacias existentes em Natal, a qual é composta por quinze Delegacias de Polícia não especializadas, duas Delegacias de Plantão, sendo uma na Zona Sul e outra na

35 34 Zona Norte e 17 DP s especializadas. Esse reduzido efetivo é, também, responsável por mais nove Delegacias consideradas como integrantes da denominada Grande Natal as quais estão localizadas nos Distritos de Ceará Mirim, São Gonçalo do Amarante, Macaíba, São José de Mipibu, Extremoz, Pirangi do Norte e três no Distrito de Parnamirim (tabela 1). DELEGACIA ENDEREÇO TELEFONE 1ª Delegacia de Polícia Pç. João Tibúrcio, 16 - Centro - CEP: ª Delegacia de Polícia Rua Miramar,s/n - Brasília Teimosa - CEP: ª Delegacia de Polícia Av. Cel. Estevam, Alecrim - CEP: ª Delegacia de Polícia Rua João XXIII, s/n - Mãe Luiza - CEP: ª Delegacia de Polícia Av. Capitão Mor Goveia, Cidade da Esperança - CEP: ª Delegacia de Polícia Rua Juliano Moreira, s/n - Pajuçara - CEP: ª Delegacia de Polícia Rua Dr. Mário Negócio, Quintas - CEP: ª Delegacia de Polícia Av. Paraíba, s/n - Cidade da Esperança - CEP: / / / / / / /6281 9ª Delegacia de Polícia Rua Ilhéus, s/n - Panatis - CEP: / ª Delegacia de Polícia Av. Ayrton Senna, s/n - Conj. Pirangi - CEP: ª Delegacia de Polícia Rua da Azinheira, s/n - Cidade Satélite - CEP: ª Delegacia de Polícia Av. Itapetinga, s/n - Santarém - CEP: ª Delegacia de Polícia Av. Dr.João Medeiros Filho, s/n - Redinha - CEP: ª Delegacia de Polícia Rua Tamarineira, s/n - Felipe Camarão. CEP: ª Delegacia de Polícia R.Manoel C. de Lemos, s/n - Ponta Negra - CEP: / / / / / /7403 Plantão - Z. Sul Av. Ayrton Senna, s/n - Conjunto Pirangi /6306 Plantão - Z. Norte Rua Ilhéus,s/n - Conjunto Panatis /6291 GRANDE NATAL DM S. J. Mipibú Rua Mazoniel de Carvalho, S/N - Centro - CEP DM Ceará - Mirim Rua 9 de Julho, s/n - Centro. CEP: DM Extremoz Rua Comandante Didiê Viana, s/n - Conjunto Estrela do Mar. CEP: / /4854 DM Macaíba Rua São João, S/N - Centro - CEP

36 /6836 1ª DP - Parnamirim Rua Felisbela Wanderlei, 30 - Rosa dos Ventos /6408 2ª DP - Parnamirim Rua Projetada, s/n - Nova Parnamirim DEAM Parnamirim Rua Sargento Norberto Marques, 90 - Centro. CEP: Posto Policial de Pirangi do Norte Av. Deputado Márcio Marinho, s/n - Pirangi do Norte. CEP: DM S. Gonçalo Av. Ten. Manoel Texeira Cavalcante, Centro. CEP: / /4990 DELEGACIAS ESPECIALIZADAS DAME - Delegacia Especializada de Armas, Munições e Explosivos. DEA - Delegacia Especializada de Atendimento ao Adolescente Infrator. DEATUR / DEPREMA - Delegacia Especializada em Assistência ao Turista e Meio Ambiente. DEAV - Delegacia Especializada em Acidentes de Veículos. DEC - Delegacia Especializada de Costumes. DECAP - Delegacia Especializada de Capituras. DECON - Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor. DEAM ZS - Delegacia Especializada em Defesa da Mulher. DEAM ZN- Delegacia Especializada em Defesa da Mulher. DEDEPP - Delegacia Especializada em Defesa do Patrimônio Público. DEFD - Delegacia Especializada em Falsificações e Defraudações. DEFUR - Delegacia Especializada em Furtos e Roubos. DEHOM - Delegacia Especializada de Homicídios. DEPROV - Delegacia Especializada de Defesa da Propriedade de Veículos e Cargas. DENARC - Delegacia de Narcóticos Rua Henrique Castriciano, Ribeira. CEP Av. Captão Mor Gouveia. s/n - Cidade da Esperança. CEP Praia Shopping - Av. Eng. Roberto Freire, P.Negra Rua Projetada, s/n - Nova Parnamirim. CEP Av. Captão Mor Gouveia, Cidade da Esperança. CEP: Rua Tamarieneira, s/n - Felipe Camarão. CEP: Rua do Saneamento, 28 - Ribeira- CEP Av. Dr. João M. Filho, s/n - Potengi. CEP: Centro Administrativo (prédio da Sec. de Tributação) Rua Cel. Estevam 1413, Alecrim - CEP: Av. Paraíba, Cidade da Esperança. CEP: Rua Ataulfo Alves, Candelária - CEP: Travessa Macaé, s/n - Potengi - CEP: Rua Miramar, s/n - Brasília Teimosa. CEP: / / / / / / / / / / / / / /1552 DECIDA - Delegacia do Cidadão Shopping Via Direta /2304 DCA - Delegacia Especializada da Criança e do Adolescente. Rua Ângelo Varela, Tirol - CEP /6184 Tabela 1: Delegacias de Natal e Grande Natal. Fonte: em 15/01/2014.

37 36 Em todas as Delegacias de Polícia os procedimentos relativos aos processos são idênticos, respeitadas suas especialidades, e a rotina de trabalho é semelhante, pois ambas elaboram Boletins de Ocorrências (BO), Termos Circunstanciados de Ocorrências (TCO) e Inquéritos Policiais (IP) os quais se transformarão em ações penais quando enviadas ao Poder Judiciário. Esses processos são estabelecidos pelo ordenamento jurídico brasileiro, mais especificamente pelo Código de Processo Penal, Decreto Lei nº de 3 de outubro de É o que se depreende do Art. 4º desse dispositivo: Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua autoria. (Redação dada pela Lei nº 9.043, de ). Parágrafo único. A competência definida neste artigo não excluirá a de autoridades administrativas, a quem por lei seja cometida a mesma função. Embora nosso ordenamento jurídico especifique que as autoridades policiais têm a finalidade de apuração das infrações penais e de sua autoria, devido as dificuldades em que se encontra a Polícia Civil, o funcionamento dos procedimentos em todas as DP se dão de forma ineficiente, seja pela falta, por exemplo, de uma Polícia técnica equipada; de investimentos em informática; da falta de software e Hardware para dar suporte a agilidade na consecução das peças dos BO, TCO e inquéritos ou, como dito antes, pela falta de contingente pessoal. Além disso, a falta de investimentos em Segurança Pública e o notório crescimento dos índices de violência do Estado, divulgados rotineiramente na mídia local e nacional, são outros fatores críticos elencados como os mais difíceis e que contribuem substancialmente para o agravamento e, consequentemente, atuação policial menos eficiente e efetiva. A título de exemplo, dados estatísticos confirmam um montante de mais de 1000 (mil) homicídios no Estado do Rio Grande do Norte, apenas no ano de 2013 (Recomendação Conjunta nº 001/2013 PGJ/NUCAP). Essa falta de investimentos na Segurança Pública fere a própria Constituição, pois, como nela mencionado, as Delegacias são parte integrante do Poder Executivo e foram instituídas pelo seu artigo 144, Capítulo III: Capítulo III - Da Segurança Pública - Art A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: I - polícia federal; II - polícia rodoviária federal; III - polícia ferroviária federal; IV - polícias civis; V - polícias militares e corpos de bombeiros militares.

38 37 A constituição da República atribuindo dever ao Estado de instituir os órgãos de segurança pública define também o papel da Polícia Civil em seu parágrafo quarto: 4º - Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares. Também, nesse mesmo diploma legal, é estabelecido em seu inciso IV, do art. 21, que compete à União organizar e manter a polícia civil, a polícia militar e o corpo de bombeiros militar do Distrito Federal, bem como prestar assistência financeira ao Distrito Federal para a execução de serviços públicos, por meio de fundo próprio. Neste sentido, para tentar amenizar problemas dessa natureza, como aumento da criminalidade e reduzidos investimentos na área de Segurança Pública, foi instituído os Juizados Especiais criminais através da Lei nº 9.099/95 a qual preconiza em seu artigo 1º que: Os Juizados Especiais Cíveis e Criminais, órgãos da Justiça Ordinária, serão criados pela União, no Distrito Federal e nos Territórios, e pelos Estados, para conciliação, processo, julgamento e execução, nas causas de sua competência. Sendo sua competência definidas em seu artigo 60: O Juizado Especial Criminal, provido por juízes togados ou togados e leigos, tem competência para a conciliação, o julgamento e a execução das infrações penais de menor potencial ofensivo, respeitadas as regras de conexão e continência. Dessa forma, levando em consideração que a segurança pública é um direito de todos e, por isso, patente a necessidade de se assegurar o acesso de todos os cidadãos aos serviços da polícia civil, que deve ser devidamente estruturada territorialmente em todo o Estado, assegurando-se o efetivo combate à criminalidade, inclusive a organizações criminosas e variados casos de subnotificações de notícias de infrações penais, em afronta a preceitos constitucionais como o da dignidade da pessoa humana, é de extrema importância que os gargalos existentes, que fazem com que os procedimentos transcorram de forma ineficiente nas Delegacias de Polícia Civil, sejam combatidos para que haja uma maior efetividade entre as atividade das Delegacias junto ao Judiciário. 2.2 JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS DE NATAL Os Juizados Especiais Criminais foram estabelecidos pelo, inciso I, do Art. 98 da Constituição Federal de 1988 que preceitua que na União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os Estados criarão:

39 38 I - juizados especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos, competentes para a conciliação, o julgamento e a execução de causas cíveis de menor complexidade e infrações penais de menor potencial ofensivo, mediante os procedimentos oral e sumariíssimo, permitidos, nas hipóteses previstas em lei, a transação e o julgamento de recursos por turmas de juízes de primeiro grau. Desta forma os Juizados Especiais Criminais (JECrim) foram instituídos pela Lei 9099/95 que em seu Art. 60 determina que eles serão providos por juízes togados ou togados e leigos, tendo competência para a conciliação, o julgamento e a execução das infrações penais de menor potencial ofensivo, respeitadas as regras de conexão e continência. Os JECrim são órgãos do Poder Judiciário que julgam todas as contravenções penais e crimes de menor potencial ofensivo, ou seja, de baixa gravidade, segundo o entendimento dos legisladores. Hoje, são considerados crimes de menor potencial ofensivo, todos aqueles que têm pena máxima de até 2 anos, conforme legislação específica: Lesão corporal simples; omissão de socorro; ameaça; violação de domicílio, violação, sonegação ou destruição de correspondência; ato obsceno; charlatanismo; desobediência; constrangimentos, delitos de trânsito, salvo o homicídio culposo e participação em pega, uso de entorpecentes, crimes contra a honra, entre outros Estrutura organizacional, missão e objetivos do JECrim De acordo com o artigo 2 da Lei 9099/95, os processos nos Juizados Especiais devem ser orientados pelos critérios da oralidade, da simplicidade, da economia processual e da celeridade, buscando sempre promover a conciliação ou a transação penal. Esses são uns dos objetivos dos Juizados Criminais sendo a sua missão a construção de uma sociedade justa e solidária, o que quer dizer, em outras palavras, aplicação da lei com justiça e com solidariedade entre agente ativo e passivo, visando sempre a possibilidade de acordo e de composição. Os Juizados têm suas atividades controladas pela Coordenadoria Estadual dos Juizados que tem a competência de planejar, executar, controlar e avaliar os trabalhos administrativos referentes às unidades Judiciárias integrantes do sistema. Essa coordenação é composta de acordo com o organograma estabelecido pelo Poder Judiciário assim definido: Assessoria Administrativa Diretor Geral

40 39 Assessoria de Planejamento Estratégico Assessoria de Expediente e Comunicação Social Assessoria de Recursos Humanos Assessoria de Tecnologia da Informação e Comunicação Assessoria de Administração Predial e Logística Núcleo de Segurança Central de Mandados Orçamento do Poder Judiciário do RN nos últimos 3 anos Antes de apresentar o orçamento dos últimos três anos do Poder Judiciário Potiguar é relevante destacar o que preceitua o artigo 99 da CF. Lá a Carta Magna estabelece a autonomia financeira do Poder Judiciário: Art. 99. Ao Poder Judiciário é assegurada autonomia administrativa e financeira. 1º - Os tribunais elaborarão suas propostas orçamentárias dentro dos limites estipulados conjuntamente com os demais Poderes na lei de diretrizes orçamentárias. 2º - O encaminhamento da proposta, ouvidos os outros tribunais interessados, compete: I - no âmbito da União, aos Presidentes do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores, com a aprovação dos respectivos tribunais; II - no âmbito dos Estados e no do Distrito Federal e Territórios, aos Presidentes dos Tribunais de Justiça, com a aprovação dos respectivos tribunais. Esclarecimentos à parte, o orçamento do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte de janeiro até setembro de 2013 totalizou a quantia de R$ ,26. No ano de 2012 o orçamento do Poder Judiciário local atingiu a quantia de R$ de onde R$ foram oriundos de recursos do próprio tesouro Estadual enquanto que foram recebidos de outras fontes, conforme demonstra a Lei nº de 02 de Fevereiro de No ano anterior, de acordo com a Lei nº 9.449, de 24 de Janeiro de 2011, LOA, os valores dos repasses do Estado ao Judiciário Potiguar foram no montante de R$ , sendo que R$ foram de recursos oriundos do próprio tesouro enquanto que R$ foram de outras fontes. Anteriormente, no ano de 2010, o volume de recursos recebidos foi de R$ ,73. É de se notar que, nesses três anos analisados, não houve diminuição no orçamento do Poder Judiciário do RN nos últimos três anos, embora no ano de 2013 os valores recebidos pelo órgão não tenham superado os dos anos de 2011 e 2012, restando ainda

41 40 4 meses para o encerramento do exercício de 2013 o que nos faz crer que esses valores foram superados Efetivo e cobertura territorial do Poder Judiciário Potiguar Conforme preceitua o Art. 2º da Constituição Federal de 1988, são Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Ainda em seu Art. 92 é estabelecida quais são os órgãos do Poder Judiciário: Art. 92. São órgãos do Poder Judiciário: I - o Supremo Tribunal Federal; I-A o Conselho Nacional de Justiça; II - o Superior Tribunal de Justiça; III - os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais; IV - os Tribunais e Juízes do Trabalho; V - os Tribunais e Juízes Eleitorais; VI - os Tribunais e Juízes Militares; VII - os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios. Já a Lei Complementar nº 165 de 28 de abril de 1999 (Lei de Organização Judiciária do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte), estabelece que são órgãos do Poder Judiciário: Art. 10. São órgãos do Poder Judiciário I - o Tribunal de Justiça; II - o Tribunal do Júri; III - os Juízes de Direito; IV - a Justiça Militar; V - os Juizados Especiais; VI - a Justiça de Paz. Essa mesma lei especifica a quantidade de juízes que compõem os Juizados Especiais na Comarca de Natal, em seu artigo 31: Art. 31. As Comarcas adiante relacionadas têm a seguinte composição: I Natal com cento e dez Juízes de Direito, inclusive nos Distritos Judiciários, sendo: 94 (noventa e quatro) Juízes de Direito, inclusive nos Distritos Judiciários, sendo: e) doze Juízes de Direito de Varas Criminais; (...) h) vinte Juízes de Direito dos Juizados Especiais; (...) l) quatro Juízes de Direito de Varas Criminais do Distrito Judiciário da Zona Norte; (...) o) três Juízes de Direito de Varas Criminais do Distrito Judiciário da Zona Sul; Atualmente há na Comarca de Natal um Juizado Especial Criminal Central, um Juizado Especial Criminal no Distrito Judiciário da Zona Norte e um Juizado Especial

42 41 Criminal no Distrito Judiciário da Zona Sul. Desta forma, sendo os Juizados Especiais parte do Poder Judiciário, foi determinado pelo artigo 14 do Regimento Interno dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais e das Turmas Recursas que os Juizados Especiais terão competência territorial nos limites da Comarca na qual será instalado (Lei nº 6.845/95 - RN), além de ser permitida a criação de unidades dos Juizados para atendimento das causas previstas na Lei nº 9.099/95, sem prejuízo da competência estabelecida racioni loci ( 1º), o que significa que a competência territorial é fixada levando em consideração o local onde foi praticada ou consumada a infração ou, então, em determinados casos, no local de residência do acusado. Segundo o Art. 52 da Lei 165/99 (Lei de Organização Judiciária) os Juizados são integrados da seguinte forma: Art. 52. Integram o Sistema dos Juizados Especiais: (Redação dada pela Lei Complementar nº 294, de 5 de maio de 2005) I - Conselho de Supervisão; II - Turmas Recursais; IV - Juizado Especial Criminal; V - Juizado Especial Cível e Criminal; Sendo que pelo Art. 183, as Secretarias dos Juízos são constituídas: I - nas Varas da Comarca de Natal, por 05 (cinco) Técnicos Judiciários e 06 (seis) Auxiliares Técnicos; (Redação dada pela Lei Complementar nº 344, de 30 de maio de 2007) II - nas demais Comarcas de Terceira Entrância, por 04 (quatro) Técnicos Judiciários e 06 (seis) Auxiliares Técnicos; III - nas Varas das Comarcas de Segunda Entrância, por 04 (quatro) Técnicos Judiciários e 03 (três) Auxiliares Técnicos; (Redação dada pela Lei Complementar nº 344, de 30 de maio de 2007) IV - na Primeira Entrância, por 01 (um) Técnico Judiciário e 02 (dois) Auxiliares Técnicos; 1º Cada secretaria tem um Diretor indicado pelo Juiz de Direito entre os Técnicos Judiciários lotadas na respectiva secretaria e nomeado pelo Presidente do Tribunal de Justiça. (Redações dada pela Lei Complementar nº 344, de 30 de maio de 2007)

43 42 3 DIAGNÓSTICO DA SITUAÇÃO - PROBLEMA E/OU OPORTUNIDADE 3.1 SISTEMAS DE INFORMAÇÃO Vários autores abordam os Sistemas de Informação (SI) destacando diferentes aspectos. Para Laudon e Laudon (2006): Um conjunto de componentes inter-relacionados que coleta (ou recupera), processa, armazena e distribui informações destinadas a apoiar a tomada de decisões, a coordenação e o controle de uma organização. [...] Esses sistemas também auxiliam os gerentes e trabalhadores a analisar problemas, visualizar assuntos complexos e criar novos produtos. (LAUDON e LAUDON, 2006, p. 7) Um Sistema de Informação pode ser especificado para diversos fins, entre eles o alcance a locais distantes na era da globalização, o oferecimento de produtos e serviços, a reorganização de fluxos de tarefas e trabalho, a orientação de como a empresa deve caminhar sobre os padrões pré-estabelecidos a fim de atingir metas e objetivos delineados pela estratégia organizacional, proporcionar uma maior interação entre a organização e seus ambientes interno e externo. Enfim o SI pode revolucionar a maneira de como conduzir uma organização. Um SI guarda, portanto, uma variedade de informações importantes para a organização e para os seus interessados, os usuários externos. Assim, o produto do SI é a informação qualificada, diferenciada de um dado corriqueiro. Peter Drucker in Davenport e Prusak (1998, pg. 4) diz que informações são dados dotados de relevância ou propósito. Ou seja, a informação nada mais é do que dados processados de forma que causem entendimento e fonte de conhecimento para seus utilizadores. A informação tem por finalidade mudar o modo como o destinatário vê algo, exercer algum impacto sobre o seu julgamento e comportamento. A Figura 1 mostra como um SI e as suas atividades de entrada, processamento e saída, e o feedback interagem com a organização e com fatores ambientais como clientes, fornecedores, concorrentes, acionistas e agências regulamentadoras.

44 43 Figura 2 Atividades de um SI e suas interações. Fonte: Adaptada de LAUDON e LAUDON (2004). O objetivo dos dados e das conseqüentes informações para uma organização é o conhecimento que pode ser propiciado por essas informações e a forma como esse conhecimento poderá ser utilizado dentro da estratégia organizacional, o que muitas vezes não acontece dentro das organizações, conforme consideram Davenport et al (2004): Dados raramente são transformados em informações e conhecimento. Dificilmente os sistemas empresariais são utilizados para se administrar a empresa diferentemente. [...] A transformação de dados em algo mais útil exige um nível considerável de atenção e de inteligência, mas é encarada pela maioria das organizações como um problema apenas tecnológico. (Davenport et al, 2004, p. 16) Por isso é preciso ter em mente que apenas a simples presença e utilização de um SI na rotina da empresa não garante uma fonte de conhecimentos para a obtenção dos resultados previstos pela estratégia. Os gestores e toda a organização devem ser treinados, estarem preparados para a utilização das informações, gerar conhecimento e, por fim, compartilhar dos objetivos da organização. Quando alguém sabe qual é o melhor caminho e o percorre, tudo fica mais fácil e evita-se a perda de tempo, um fator decisivo para as empresas e órgãos públicos os quais dispõem de muitos usuários sedentos por melhores serviços e mais qualidade nos bens e serviços prestados.

45 TIPOLOGIA DE SITEMAS DE INFORMAÇÃO Segundo Davenport et al (2004), os sistemas que atendem às necessidades operacionais são chamados de processamento transacional (TPS transaction processing systems). Esses sistemas estão ligados às transações e operações do dia-a-dia que dão suporte às atividades da empresa/organização tais como entrada de pedidos de vendas, emissão de notas fiscais, liberação de crédito, requisições de materiais e lançamentos de produtos. Tanto os dados de entrada no sistema como as maneiras pelas quais serão processados, nestes sistemas estruturados, serão previamente conhecidos. Desta forma, o objetivo dos TPS é o de registrar estas transações e disponibilizar as informações para os empregados e gestores diretamente envolvidos. Ainda segundo os autores, os sistemas TPS ampliam as fronteiras da organização, aumentando os contatos com os clientes, e outros usuários externos e são a base de fornecimento de informação para os demais sistemas. Essas são duas características que se destacam nesses sistemas. Vale salientar que uma simples interrupção em seu funcionamento pode prejudicar toda a operação da organização. Para Santos e Ramos (2006) a informação que estas tecnologias colocam ao dispor das organizações irá tornar-se um componente essencial do entendimento que os agentes organizacionais partilham sobre o negócio e a possibilidade que têm de agir para criar condições internas e externas favoráveis ao sucesso da organização. Dentro do contexto da utilização de Sistemas integrados utilizados na estratégia organizacional, Cavalcante e Belmiro (2007) definem esse sistema como um conceito updated, portanto, totalmente atualizado, que vai além da gestão empresarial. Envolve a utilização de produtos e soluções com tecnologias analíticas de ponta que permitem transformar dados em informações que auxiliam os diversos níveis de uma empresa na tomada de decisões, além de outras contribuições, quase todas na análise de estratégias. A eficiência organizacional é o que se espera quando a informação inteligente é o produto que se tem após o processamento dos dados brutos em informações aplicadas em um determinado ambiente, através da correta utilização dessas informações nos processos decisórios gerando vantagem para a organização. aumentar: Conforme Santos e Ramos (2006) os sistemas integrados contribuem para A inteligência coletiva da organização na medida em que facilitam a construção do

46 45 conhecimento necessário para planejar e implementar soluções para problemas e desafios percebidos como podendo ameaçar a sobrevivência e bem-estar da organização; A capacidade de aprendizagem da organização na medida em que contribuem para alterar e sofisticar a forma como coletivamente os agentes organizacionais captam, entendem e se comportam com o intuito de se acomodarem a uma experiência de trabalho em contínua remodelação, e A criatividade organizacional ao apoiar a produção de novas ideias e produtos ou serviços que permitam à organização adaptar-se de forma dinâmica aos desafios e oportunidades internos e externos. 3.3 GOVERNO ELETRÔNICO O ambiente ideal para as transações de governo, em seu formato eletrônico, configura-se para seus usuários como um único ponto de acesso às informações e serviços. Para que isso ocorra, torna-se incontestável a importância da adoção de padrões, tendo em vista a necessidade de integração dos sistemas e do compartilhamento das informações entre os vários órgãos e/ou instâncias de governo. De acordo com Avgerou et al. (2005), o desenvolvimento de sistemas para suporte aos serviços de governo requer a transformação de sistemas legados implantados nas administrações públicas burocráticas em sistemas de informações modernos, o que se constitui numa tarefa bastante difícil, tanto no aspecto tecnológico quanto organizacional. Tecnologicamente, o desafio imposto pela implementação de governo eletrônico contempla a modernização e a integração de sistemas fragmentados para formar uma infraestrutura tecnológica capaz de suportar melhorias na prestação de serviços que sejam notadas pelos cidadãos, tais como a redução ou eliminação da necessidade de acessar múltiplos órgãos do governo, a fim de obter um serviço (CIBORRA; NAVARRA, 2003). Mas para Avgerou et al. (2005), não existe um método instantâneo ou confiável para conseguir as mudanças organizacionais necessárias para criar a capacidade da administração melhorar a disponibilização de serviços públicos a longo prazo. Segundo Oliveira (2003), no último estágio de implantação do governo eletrônico, as aplicações tornam-se mais avançadas e o portal deixa de ser apenas um simples índice de páginas do governo na internet, passando a ser um ponto de convergência de todos os serviços digitais prestados por esse governo. Os serviços são disponibilizados por funções ou temas, a despeito da divisão real do governo em seus diversos

47 46 órgãos e níveis. Ao efetuar uma transação com o governo, o usuário não precisa saber quais são os órgãos ou departamentos, de quais níveis de governo e em que sequência são mobilizados, para obtenção de determinado serviço ou informação. As aplicações e o ambiente disponibilizados são responsáveis pelo processamento total da transação, provendo ao usuário a informação ou serviço solicitados através de um único ponto de acesso Transferência e difusão do governo eletrônico. Esta perspectiva considera a inovação das TIC nos países em desenvolvimento como um processo de difusão do conhecimento, que é transferido de economias avançadas e adaptadas às condições de um país em desenvolvimento. Autores muitas vezes moldam suas pesquisas em termos conceituais das teorias de difusão de tecnologia e aceitação da tecnologia da incorporada (Davis, 1989; Rogers, 1995). Similares esforços de adaptação do método abordaram a implementação de tecnologias de ERP para enriquecer o conhecimento de implementação e prática profissionais no trabalho das modificações para acomodar várias circunstâncias locais. Eles evitam uma contextual universalista "melhor prática", ou seja, adotar uma solução tecnológica com a noção de "apropriado" ao contexto específico da prática (Avgerou & Land, 1992; Bada, 2002). No entanto, eles mantêm os pressupostos gerais sobre a validade do propósito da tentativa de inovação, por exemplo, para melhorar a eficiência ou competitividade, bem como sobre a validade da racionalidade subjacente dos métodos transferidos em seu novo contexto da prática Enraizamento social da difusão do governo eletrônico. A perspectiva de inserção social considera que o desenvolvimento e a utilização de artefatos de TIC nos países em desenvolvimento dizem respeito à construção de novos arranjos tecno-organizacionais no contexto local. Através desta abordagem, o discurso de inovação socialmente incorporado lança luz sobre o que é localmente significativo, desejável, ou controverso, e, portanto, sobre como a tecnologia de inovação e mudança organizacionais surgem entre as dinâmicas sociais locais.

48 Implementação de governo eletrônico. Para Medeiros (2004), o conceito de governo eletrônico encontra-se na intersecção de três áreas do conhecimento: políticas públicas, gestão e comportamento organizacional, e tecnologia da informação. Ele ainda observa que, ao longo da história, desenvolvimentos nas tecnologias têm surgido muito mais rapidamente do que a evolução em formas organizacionais e da gestão das políticas públicas. Ainda segundo ao autor, independente dessas diferenças nas suas evoluções, esses três domínios interagem constantemente entre si, gerando muitas questões e conflitos sobre o que é tecnicamente possível, organizacionalmente adequado e socialmente desejável. Segundo ele, outro ponto a ser considerado é que, na implementação de projetos de governo eletrônico, que são intensivos no uso de TICs, podem existir algumas barreiras ao seu desenvolvimento, impostas pelas culturas e valores existentes nas unidades governamentais, pois novas tecnologias desafiam a maneira usual como os processos internos e externos dessas organizações vinham sendo usualmente conduzidos. Segundo Avgerou et al (2005), a implementação de governo eletrônico normalmente têm sido associada à geração de benefícios em vários aspectos, dentre eles: Na condução da administração pública, proporcionando maior eficiência e melhor prestação de contas; Nos serviços que os governos disponibilizam aos cidadãos, tais como mais informação sobre serviços, e maior efetividade nas implementações das políticas fiscais e sociais; Na capacidade do Estado para promover o desenvolvimento, na consolidação da sua defesa, fortalecimento da democracia, na criação de programas para diminuição da pobreza, e distribuição de renda. No entanto, para Ciborra e Navarra (2003, citados por Avgerou e outros, 2005), boa parte da literatura sobre governo eletrônico é especulativa, fazendo predições de benefícios em longo prazo baseadas na capacidade física das tecnologias, sem levar em consideração os esforços necessários e obstáculos para sua implementação. Ainda segundo esses autores, há uma tendência em extrapolar efeitos de larga escala, como aumento da cidadania e diminuição da pobreza, a partir de evidências de, muitas vezes, esporádicos projetos pilotos.

49 Governo eletrônico no Brasil No Brasil o Governo Eletrônico surgiu no ano 2000, quando foi criado um Grupo de Trabalho Interministerial com a finalidade de examinar e propor políticas, diretrizes e normas relacionadas às novas formas eletrônicas de interação, através do Decreto Presidencial de 3 de abril de 2000 (Revista de Administração Pública, 2009). As ações deste Grupo de Trabalho em Tecnologia da Informação (GTTI) foram formalizadas pela Portaria da Casa Civil nº 23 de 12 de maio de 2000, e incorporadas às metas do programa Sociedade da Informação, coordenado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. O trabalho do GTTI concentrou esforços em três linhas do programa: Universalização de serviços; Governo ao alcance de todos; Infra-estrutura avançada. Esse grupo propôs uma nova política de interação eletrônica do Governo com a sociedade e apresentou um relatório de diagnóstico da situação da infra-estrutura e serviços do Governo Federal, as aplicações existentes e desejadas e a situação da legislação sobre o assunto. Em 2003, o Decreto de 29 de Outubro, instituiu os Comitês Técnicos do Comitê Executivo de Governo Eletrônico (CEGE) no qual delegava as atribuições de Secretaria Executiva ao Ministério do Planejamento, por intermédio da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação, a qual passou a ter as atribuições relacionadas aos comitês técnicos de: Implementação do Software Livre; Inclusão Digital; Integração de Sistemas; Sistemas Legados e Licenças de Software; Gestão de Sítios e Serviços On-line; Infra-Estrutura de Rede; Governo para Governo - G2G; Gestão de Conhecimentos e Informação Estratégica.

50 49 Logo mais em 2004, foi criado o Departamento de Governo Eletrônico, pelo Decreto nº 5.134, de 07 de julho (Planalto.Gov), o qual tinha a incumbência de coordenar e articular a implantação de ações unificadas e integradas de governo eletrônico, as atividades relacionadas à prestação de serviços públicos por meios eletrônicos, além de normatizar e disseminar o desenvolvimento de ações e informações de governo eletrônico na administração federal. Em 2005, foi a vez do lançamento do Modelo de Acessibilidade de Governo Eletrônico (e-mag), que recomenda a acessibilidade nos portais e sítios eletrônicos da administração pública para o uso das pessoas com necessidades especiais, garantindo-lhes o pleno acesso aos conteúdos disponíveis. Em 2006 foi criado o Portal de Inclusão Digital, com ações voltadas para as comunidades mais carentes e que reúne informações sobre diferentes iniciativas governamentais nessa área. Ainda em 2006, é realizada a primeira pesquisa de avaliação dos serviços de e- Gov considerando os parâmetros da Metodologia de Indicadores e Métricas de Serviços de Governo Eletrônico. Essa metodologia busca avaliar a qualidade dos serviços eletrônicos prestados pelos governos de todas as esferas: federal, estadual e municipal - de acordo com a conveniência para o cidadão, sendo a primeira iniciativa com esse foco já desenvolvida no país. Os resultados foram publicados no ano seguinte, em Como se vê a ideia de Governo Eletrônico surgiu quando o papel do Estado, na indução do processo de desenvolvimento econômico e social, foi objeto de profunda revisão, em diversos países, no final da década de oitenta e início dos anos noventa. Na busca de alternativas à crise financeira e gerencial do Estado foram adotadas políticas de privatização, de reestruturação organizacional e de redução de despesas do setor estatal. Com a mudança no perfil de intervenção estatal coloca-se a necessidade de alterar a forma organizacional e o perfil dos recursos humanos do Estado. Ainda na década de noventa, o Brasil, como diversos outros países latino americanos, avançou na formulação e implementação da reforma administrativa, buscando alcançar patamares superiores de transparê ncia, eficiência, eficácia e efetividade na aplicação dos recursos públicos. Nas suas origens, a reforma administrativa no Brasil conviveu com um estágio pouco evoluído da tecnologia da informação e comunicação (Secretaria Executiva, Brasília 2002). Em especial, desconhecia -se o potencial de realização de transações de toda ordem, em escala global e a custos reduzidos, representado pelo advento da Internet. Dois fatores

51 50 lançaram luz sobre a importância destas novas tecnologias: primeiro, a transferência da gestão do processamento de informações, dos especialistas dos Centros de Processamento de Dados CPD, para os usuários, com o advento da microinformática. A partir de então, ganharam ampla disseminação o processamento distribuído e o ambiente para conectividade, por meio da criação de redes locais e posteriormente, de redes conectando estas redes locais. Isso possibilitou a popularização do ambiente virtual da Internet, que até então se restringia ao meio acadêmico. Em segundo lugar, foram desenvolvidos modelos de negócios para a Internet, que abordavam as relações entre empresas e destas com seus consumidores e até mesmo entre eles, denominadas respectivamente, transações B2B, C2C, B2C e B2G. Essas são relações ocorridas entres os mais diferentes públicos ao mesmo tempo, ou seja, transações entre empresas, entre consumidores finais e entre empresas e consumidores finais: B2B (Business to Business) - São as transações de comércio entre empresas. Uma empresa vendendo para outra empresa é B2B. B2C (Business to Consumer) - É o comércio entre a empresa e o consumidor. Este é o mais comum. Em uma concessionária, por exemplo, é o que mais se pratica. C2C (Consumer to Consumer) - Este é o comércio entre consumidores. Ele é intermediado normalmente por uma empresa (o dono do site). O exemplo são os sites de leilão como o Ebay ou Classificados On-line. B2G (Business to Governement) - São as transações entre empresa e governo. Os exemplos comuns de B2G são licitações e compras de fornecedores, numa concessionária geralmente é feito através do departamento de Vendas Diretas. Todo esse movimento evidenciava a manifestação de novos parâmetros e mecanismos de impulsão da atividade econômica, a partir da exploração do conhecimento e da informação como relevantes e inovadores fatores produtivos. O espaço virtual e sua dinâmica ensejam o crescimento da chamada nova economia, acompanhado de simultâneas e igualmente expressivas transformações na cultura e nos padrões de sociabilidade. Neste contexto o desenvolvimento do governo eletrônico visa promover a universalização do acesso do cidadão aos serviços prestados pelo Governo, a integração entre os sistemas, redes e bancos de dados da administração pública e a abertura de informações à sociedade, por meio da Internet, pois essa tecnologia não surge somente como uma nova tecnologia da informação, mas também como uma forma inovadora de organização da economia e da sociedade como um todo, con-

52 51 formando nova arquitetura tecnológica, econômica, política, organizacional e de gestão coletiva. Portanto, combinação do uso de TI avançadas, especialmente a internet, no suporte de novas formas de trabalho na administração pública, junto com a disponibilização mais abrangente de informações e serviços interativos acessíveis através de diferentes canais, é a base do governo eletrônico O governo eletrônico no setor público brasileiro O movimento conhecido por reforma da gestão pública (Bresser-Pereira, 2002) teve como cerne a busca da excelência e a orientação dos serviços ao cidadão. Esse movimento baseou-se em princípios gerenciais voltados a resultados, eficiência, governança e orientação da gestão pública para práticas de mercado. As iniciativas dessa reforma e modernização do setor público e do Estado se intensificaram não apenas como consequência da crise fiscal dos anos 1980, mas também como resultado do esgotamento do modelo de gestão burocrática e do modo de intervenção estatal. Para Behn (1998) a nova gestão pública é concebida como um conjunto de conceitos novos, aplicados à administração pública, consistindo em vários componentes interrelacionados, e o uso da tecnologia como um dos fatores necessários para alcançar resultados de alto desempenho. Com isso, um dos focos de ação dos governos contemporâneos tem sido a elaboração de políticas públicas eficazes que supram as necessidades individuais, institucionais e regionais da sociedade, promovendo o desenvolvimento social e econômico (Barbosa Filho, 2000). Concomitantemente, os governos enfrentam também o desafio de dar suporte ao desenvolvimento de políticas públicas voltadas a tecnologias que promovam um salto qualitativo, exigido na prestação dos serviços públicos que atendam as demandas da sociedade contemporânea (Barbosa et al., 2005). Esse desafio é fruto da diferença entre os níveis de adoção de tecnologia encontrados no setor privado e no setor público, já que os elevados índices de adoção de tecnologia e de automação de processos operacionais, produtivos e administrativos no setor privado criaram um novo paradigma de eficiência que o setor público precisa alcançar. O e.gov não se limita à simples automação dos processos e disponibilização de serviços públicos por meio de serviços online na internet, ele modifica, também a maneira como o governo, pelo uso da TIC, atinge os seus objetivos para a consecução do papel do Estado. Isso inclui a melhoria dos processos da administração pública, aumento da eficiência,

53 52 melhor governança, elaboração e monitoramento das políticas públicas, integração entre governos, e democracia eletrônica, representada pelo aumento da transparência, da participação democrática e accountability dos governos (Prado,2004). 3.4 SISTEMAS ERP Os Sistemas ERP- Enterprise Resource Planning são uma arquitetura de software que facilita o fluxo de informação entre todas as funções dentro de uma companhia, tais como logística, finanças e recursos humanos (HICKS, 1997). O ERP automatiza os processos de uma empresa, com a meta de integrar as informações através da organização, eliminando interfaces complexas e caras entre sistemas não projetados para conversarem. Desta forma, todos os processos de uma organização são colocados dentro de um mesmo sistema e num mesmo ambiente. Com o ERP, a redundância de informações é eliminada, pois ele faz com que todos os usuários olhem para uma única fonte de dados, independentemente das tarefas que realizam. Este banco de dados é único e, contém e integra todos os dados que a empresa ou órgão manipula e mantém, interagindo com todas as aplicações no sistema. Desta forma não há redundâncias, inconsistências, repetições de tarefas como a entrada de dados em duas ou mais aplicações, assegurando- se a integridade das informações. Devido também a este banco de dados comum, decisões podem ser tomadas olhando-se através dos processos organizacionais. Antes era preciso olhar para unidades operacionais separadas e então coordenar as informações manualmente ou reconciliar dados através de inúmeras interfaces entre pacotes diversos. O sistema de gestão integrada, conhecido como ERP Enterprise Resource Planning surgiu na década de 90, quando a palavra chave passou a ser integração. Os sistemas ERP, voltados para o terceiro setor, são comercial e didaticamente divididos em módulos. Módulos financeiros, de controladoria, de materiais, de vendas, de produção, qualidade, de recursos humanos, e assim por diante.

54 Características dos sistemas ERP De acordo com o site da empresa Souza e Saccol, 2013, os Sistemas ERP possuem algumas características indispensáveis, tais como: Flexibilidade: um Sistema ERP é flexível de forma a responder às constantes transformações das organizações, operando sobre diferentes bases de dados, pois as informações podem mudar de áreas durante os processos; Modularidade: é um tipo de arquitetura aberta, isto é, pode ser utilizado um módulo livremente, sem que este afete os restantes, suportam múltiplas plataformas de software e hardware, pois muitas empresas possuem sistemas heterogêneos, além de ter facilidade de expansão e/ou adaptabilidade de mais módulos posteriormente; Compreensivo: é um característica apta a suportar diferentes estruturas organizacionais das empresas, bem como a uma vasta área de negócios; Conectividade: devido a não ser confinado ao espaço físico da empresa, permiti a ligação com outras entidades pertencentes ao mesmo grupo empresarial (multi-empresas); Melhores Práticas: característica de possuir a seleção das melhores práticas de negócio do mercado; Simulação da Realidade: permitir a simulação da realidade da empresa com prospecções para os diversos módulos existentes, gerando sólidos relatórios e gráficos para auxiliar na tomada de decisões. De acordo com Souza, 2000, além das características apresentadas, outros conceitos importantes, relativos aos sistemas ERP são: funcionalidade, módulos, parametrização, configuração, customização, localização e atualização. Funcionalidade: é o conjunto total de funções embutidas em Sistema ERP, suas características e suas diferentes possibilidades de uso; Módulos: são os menores conjuntos de funções que podem ser adquiridos e implementados, separadamente em um Sistema ERP. Normalmente, tais conjuntos de funções correspondem a divisões departamentais de empresas; Parametrização: é o processo de adequação da funcionalidade de um sistema ERP a uma determinada empresa através da definição dos valores de parâmetros já disponibilizados no próprio sistema (Martins e McClure, 1983); Configuração: é o nome dado ao conjunto total de parâmetros após sua definição, representando o conjunto das opções de funcionamento das diversas funções de um Sistema ERP;

55 54 Customização: é a modificação de um sistema ERP para que este possa se adequar a uma determinada situação empresarial impossível de ser reproduzida através dos parâmetros já existentes (Laudon e Laudon, 1996); Atualização: são as novas versões disponibilizadas pelo fornecedor a fim de aumentar a funcionalidade e corrigir erros/problemas existentes. Ainda segundo Souza, os Sistemas ERP são divididos em módulos para possibilitar que uma empresa implemente apenas aquelas partes do sistema que sejam de seu interesse, e, mesmo que a empresa deseje implementar todo o sistema, possa fazê-lo em etapas, para significar um processo. Além disso, a divisão conceitual de um Sistema ERP em módulos facilita a compreensão de seu funcionamento e a divisão de responsabilidades entre os usuários (quem faz o quê) Porque Utilizar um Sistema integrado baseado na tecnologia ERP? Estes sistemas são necessários em todos os níveis de uma organização, e embora a natureza exata do sistema empregado seja diferente em cada caso, existem certas similaridades em todas as situações e é importante que sejam destacadas algumas das importantes potencialidades de um Sistema ERP, segundo Souza 2000: Existência de um sistema de informação integrado com todas as áreas funcionais da empresa; Executa tarefas críticas da empresa, aumentando a qualidade dos serviços aos clientes, melhorando a imagem da empresa; Possibilidade de troca de informações em ambientes distribuídos; Integração das informações dos diversos departamentos, escritórios e fábricas da empresa, bem como das várias empresas pertencentes ao mesmo grupo financeiro; É a melhor solução para uma eficiente gestão de projetos; Fácil ajuste as inovações tecnológicas; Resolve muitos dos problemas comuns nas empresas: serviços, produtividade e controle de qualidade; Não destina-se apenas as necessidades atuais da empresa, pois fornece oportunidades de melhoramento contínuo com valiosas informações disponibilizadas para a tomada de decisões; Fornece informações inteligentes: suporte a decisão com risco calculado, informação executiva, prevenção de erros, etc;

56 55 Finaliza Souza e Saccol, 2013, informando que os Sistemas ERP são, assim, um conjunto integrado de todos os processos que uma empresa/organização qualquer realiza, permitindo às empresas alcançarem índices de performance invejável, à medida que linearizam e otimizam todos os seus recursos. Com a alta exigência do setor público em relação à agilidade e presteza na prestação dos serviços ao cidadão e a contínua expansão tecnológica, a implantação dos Sistemas integrados em gestão pública, baseados na tecnologia ERP, as quais estão sendo amplamente utilizadas em empresas independentemente da sua estrutura orgânica, tamanho, distribuição física, ramo de negócios ou dimensão, estão revolucionando o setor público tornando-o mais eficiente e eficaz em suas atividades. Portanto os órgãos públicos que buscam a excelência, não podem deixar esta solução tecnológica de lado. 3.5 O CICLO DE VIDA DE SISTEMAS ERP De acordo com o CADERNO DE PESQUISAS EM ADMINISTRAÇÃO, São Paulo, V 1, nº 11, 1º trim/2000, os sistemas integrados de gestão (ERP) têm um ciclo de vida composto essencialmente por quatro fases: decisão, seleção, implementação e utilização Decisão Esta fase é caracterizada pela decisão de manter a informação atual, com o custo que ela representa, por contrapartida a melhorar a qualidade da informação e a investir o valor necessário na obtenção de um sistema de informação abrangente e que permita ajudar a aumentar o controle e a atingir um aumento de rentabilidade através do acesso rápido à informação integrada de diferentes processos, de forma precisa e indispensável para uma boa gestão. É nesta etapa que se toma consciência da necessidade fundamental de mudar para resolver necessidades e problemas a que o atual sistema de informação não está preparado para dar resposta, sendo deficiente nas necessidades de informação atuais e futuras do serviço ou negócio. A tomada desta decisão fundamenta-se em dois fatores: 1. Estratégicos. Por exemplo, garantir a diferenciação da concorrência, procurando maiores níveis de competitividade e de preparação para o desenvolvimento e crescimento

57 56 da empresa, ou da sua flexibilidade. Em se tratando do serviço público essa estratégia está ligada a simplificação das tarefas diárias, agilizando os procedimentos de forma completa, abrangente e totalmente segura. 2. Operacionais. Por exemplo, a falta de integração entre os sistemas existentes e o elevado número de fornecedores de sistemas. Normalmente, os motivos operacionais estão diretamente relacionados com a melhoria dos processos que exercem impacto sobre a rentabilidade, ou seja, com a redução de custos e o aumento de eficiência no seio das organizações Seleção Nesta fase faz-se a escolha de qual sistema melhor se adequa as realidades da organização. As organizações, públicas ou privadas, procuram informações sobre os sistemas por meio de outras empresas ou órgãos que já os estejam a utilizar, bem como através do recurso a publicações, artigos e materiais divulgados por fornecedores, com o objetivo de conhecer o mercado dos SIG e um conjunto de possíveis candidatos a fornecedores. A partir desta primeira seleção de fontes de aquisição de ERP, desenvolvem-se os critérios de avaliação das soluções propriamente ditas. Estes critérios deverão estar relacionados com pesos de forma a obter as melhores alternativas. Os critérios normalmente utilizados são os seguintes: Âmbito funcional do ERP; Grau de cobertura do ERP; Capacidade de crescimento da tecnologia para suportar novas funcionalidades e processos inerentes ao ramo de atividade da empresa; Facilidade de integração de processos de atividades; Maturidade da tecnologia e do ERP; Facilidade de implementação e manutenção; Referências do ERP; Estabilidade econômico-financeira do fornecedor em caso de aquisição; Capacidade técnica do fornecedor; Metodologia de implementação do fornecedor; Metodologia de controlo da implementação;

58 57 Capacidade de suporte local do fornecedor; Certificação do fornecedor e dos seus consultores; Custo dos serviços de implementação e de manutenção; Custo da tecnologia e da manutenção. No entanto, o critério que deve merecer maior atenção é a funcionalidade, uma vez que os sistemas ERP são destacados por abrangerem a maior parte das funcionalidades e requisitos de uma organização Implementação A fase de implementação é definida como o processo pelo qual os módulos do sistema são colocados em funcionamento na organização. Esta fase é considerada como uma das mais críticas, pois envolve as mudanças organizacionais que poderão implicar alterações nas tarefas e responsabilidades de indivíduos e departamentos, bem como transformações nas relações entre os departamentos. Esta fase pode subdividir-se em quatro outras subfases que possuem objetivos diferentes: Fase I - Planejamento. Na subfase de planejamento, procede-se à constituição de um comité executivo, responsável por aprovar o Plano Geral de Implementação, pela definição da equipa do projeto, e pelo acompanhamento dos resultados do projeto como um todo, tomando decisões que possam exigir a afetação de recursos adicionais ou alterações no plano. É no Plano Geral de Implementação que se definem os módulos que serão implementados e em que ordem, de acordo com a proposta apresentada pelo fornecedor ou equipe de TI. Existem fundamentalmente três abordagens: Big-bang, na qual todos os módulos são implementados ao mesmo tempo; Implementação modular, na qual os módulos são implementados sucessivamente com diferentes datas de início de operação; Small-bang, quando a empresa possui mais de uma unidade de negócio/serviço e quer implementar um projeto piloto, iniciando por uma das unidades apenas. A definição da estratégia de implementação depende de fatores como os objetivos do projeto, a dimensão e, consequentemente, o risco do projeto, a adaptação à mudança, o

59 58 investimento que se deseja fazer, os riscos que se pretendem correr, etc. É nesta fase que se faz o entendimento do negócio da organização de uma forma macro e de como o pacote de software adquirido se irá ajustar e solucionar os problemas e necessidades de informação da organização Fase II - Desenho ou definição da solução. Nesta subfase são analisados os processos organizacionais, com o objetivo de identificar as diferenças entre a forma atual de trabalho, as novas formas de trabalho pretendidas e a adaptação dos processos ao software, ou vice-versa. Estas adaptações servirão de requisitos para a fase de implementação do pacote de software. Partindo do princípio de que um sistema ERP é construído com práticas genéricas, nenhuma empresa adere completamente aos processos disponibilizados no pacote de software, sendo por isso necessário proceder a adaptações. A falta de aderência, ou disparidades, é conhecida como "gap". O gap é o desvio existente entre os requisitos do negócio/atividade e a oferta tecnológica do ERP, que pode ter origem em diferentes fatores: Legais. Quando há uma exigência legal do país ou tipo de empresa em que a organização atua e o sistema não atende esses requisitos legais - este tipo de "gap", em geral, acontece pelo fato do sistema não estar completamente legalizado. Práticas locais. Refere-se a uma prática da região ou país. Funcional. Quando o pacote de software não satisfaz uma funcionalidade ou processo específico da organização. A resolução destes "gaps" entre o sistema e os processos de negócio da organização pode acontecer da seguinte forma: 1) Adaptação do processo organizacional ao pacote de software, ou seja, modificar o processo da organização para se adequar à melhor prática do sistema. Neste caso, apresenta um modelo de redesenho de processos baseado nos sistemas ERP. A alteração dos processos deve sempre ser incentivada numa implantação de sistemas ERP, pois facilita o sucesso do projeto com o cumprimento dos prazos estabelecidos, bem como o cumprimento do orçamento. 2) Adaptação do pacote de software ao processo organizacional, através da parametrização ou customização de acordo com as necessidades da organização. Isto é, implica desenvolvimento. Esta abordagem permite a adequação do sistema integrado de

60 59 gestão à organização, o que normalmente se traduz por um aumento do tempo da implementação e, consequentemente, do orçamento/custos do projeto e de futuras manutenções. No entanto, em processos estratégicos, esta via de adaptação poderá garantir a sustentabilidade de vantagens pela via da diferenciação dos processos organizacionais em relação aos serviços oferecidos. 3) Adaptação do ERP e do processo organizacional, ou seja, encontrar um ponto de equilíbrio entre a adaptação do ERP e a adequação dos processos/atividades da organização. Por exemplo, adoptando soluções manuais e mantendo o processo standart do ERP. 4) Eliminação do requisito de negócio. Surge como alternativa de solução de um gap. Esta possibilidade poderá ser sempre utilizada em processos não estratégicos e não críticos, em que os requisitos de negócio são irrelevantes para a cadeia de valor da organização/empresa. Perante as diferentes alternativas de resolução de gaps, deve-se avaliar cada situação e cada caso. Há, no entanto, um aspecto importante a ser avaliado e a ser tido em conta na resolução de gaps, que é a integração de informação de processos de negócio. Num processo que atravessa mais de um módulo deve ser encontrada congruência na solução, caso contrário, corremos um risco de aparecer gap no processo Fase III Desenvolvimento Esta subfase é conhecida como construção e é responsável pela parametrização do sistema, desenvolvimento das customizações, desenvolvimento de eventuais interfaces com sistemas terceiros da empresa (sistema legado) ou software específico, carregamento de dados no sistema legado, configuração do hardware e software de suporte, definição do acesso dos utilizadores ao sistema e realização dos testes unitários. A execução de algumas destas tarefas depende da metodologia de implementação do fornecedor, pelo que podem variar de pacote para pacote de software Fase IV - Planejamento e preparação do arranque. Esta é a última subfase do projeto de implementação, na qual se dá formação aos utilizadores finais e o sistema entra em produção, após uma série de testes integrados, inclusive testes de aceitação. O planejamento adequado permite que se prevejam os prováveis

61 60 cenários ao longo das etapas. É preciso separar as informações completas e destacá-las como indicadores confiáveis, a partir dos quais se pautará pela segurança e viabilidade do projeto Utilização O início desta fase finaliza a implementação propriamente dita e dá-se o arranque do sistema em exploração. No entanto, o projeto não termina enquanto o ERP estiver em exploração, isto é, as organizações pretendem retirar proveito do investimento realizado no ERP, pelo que devem garantir do fornecedor ou equipe de TI (garantia essa que deverá estar concretizada no Plano Geral de Implementação) o suporte do sistema e dos utilizadores durante os primeiros tempos de exploração do sistema ERP. O sistema, apesar de começar a ser utilizado na empresa, deverá acompanhar o crescimento da mesma e os novos requisitos que venham a surgir, pois haverá sempre alguma coisa a ser alterada ou melhorada. Os fornecedores ou idealizadores de um sistema ERP lançam regularmente novas versões, com o objetivo de incorporar novas necessidades dos clientes/organizações, corrigir problemas e apresentar novas e melhores maneiras de executar os processos, bem como novos produtos e soluções. Esta atualização pode ser considerada uma nova implementação, dependendo sempre da complexidade das alterações. Portanto, os benefícios dos sistemas ERP só podem ser obtidos na etapa de utilização se após a implementação a empresa mantiver o foco e esforços na obtenção dos resultados, pois, uma vez implantados os ERP s mantêm-se em evolução contínua e este processo não é simples, pois cada atualização pode ter complexidade que varia desde a simples mudança de uma tela até mudanças drásticas na filosofia do pacote. Há situações onde esta evolução pode conduzir a situações que caracterizam novas implementações. Portanto, a necessidade de atualização constante e gerenciamento das versões de sistemas ERP é uma das principais dificuldades da etapa de utilização destes sistemas. De forma resumida o quadro abaixo detalha esse ciclo de vida de um sistema de informação:

62 61 Inícios Pesquisa Estudo de viabilidade Análise dos processos existentes Análise das alternativas Estimativas de Custo Análise do Sistema Detalhamento dos processos existentes Análise de Requisitos Levantamento das necessidades dos usuários Definição do escopo Desenho Desenho do sistema ideal Revisões para tornar o desenho ideal viável Especificações Processos lógicos Desenhos de tabelas Requisitos de programação Definição de procedimentos manuais Programação Testes Treinamento Conversão e Instalação Operação Manutenção Melhorias Quadro 1 Ciclo de Vida de Sistemas Linear, adaptado de Lucas (1985), Apud Souza(2000) 3.6 FATORES CRÍTICOS DE SUCESSO DA ETAPA DE DECISÃO E SELEÇÃO (FCS) Qualquer organização do setor público pode estudar quanto à implantação de seu sistema integrado (ERP) os FCS ligados aos aspectos técnicos e não técnicos, e analisar como esses fatores podem interferir nos processos de gerenciamento de implantação de um ERP no serviço público, garantindo, assim, o sucesso do projeto. Para Somens e Nelson (2001, apud Dolci e Maçada, 2010) os fatores críticos que podem ser considerados quando da implantação de um sistema integrado são os seguintes: a) Função adequada do gerente do projeto: é de alta relevância em todas as fases de implantação. b) Administração da resistência à mudança: Baseado em outros estudos de caso, na prática, a resistência à mudança compromete o projeto de sistema de ERP na implantação. c) Tratamento sistêmico de gerência de projetos: importância de ser tratada de forma sistêmica no projeto de implantação de sistemas integrados. d) Gerenciamento de mudanças organizacionais efetivas: deve ser levado em consideração o escopo dos processos a ser incrementado nessa fase, visando ao desenvolvimento do novo sistema. e) Adequada estrutura organizacional: este fator tem seu ponto de alta relevância na fase de realização do projeto, é o momento em que ocorre a essência da implantação

63 62 do novo sistema, sendo notado que é de vital importância a estrutura organizacional estar adequada à nova sistemática. Para as demais fases, os graus de relevância vão decrescendo de forma homogênea. f) Participação e envolvimento dos usuários: este fator tem uma grande variação de uma fase para outra nos graus de relevância. g) Formalização do plano e cronograma do projeto: exercem grande importância nas fases iniciais, pois é o momento em que o planejamento e os cronogramas devem estar perfeitos. h) Suporte gerencial contínuo: é evidente que este fator tem alta relevância nas primeiras e últimas fases do projeto de implantação. i) Evitar a customização: é um fator de muita relevância, pr incipalmente na fase de ajustes finais, sobretudo por ser nesta fase que os usuários interferem mais junto ao setor de desenvolvimento do software para terem o sistema moldado a seus gostos. j) Competente comunicação interna e externa: maior relevância nas fases de ajustes finais e acompanhamento. k) Diagnóstico preventivo de problemas: este fator mostra-se importante nas fases finais da implantação, sobretudo na fase de ajustes finais. l) Configuração do programa adequado: este fator é muito importante nas fases finais da realização do projeto em diante. m) Atendimento à legislação pertinente: este fator é muito importante na fase de desenho do negócio/atividade e na realização do projeto. n) Bom gerenciamento do escopo do projeto: é mais relevante da fase de realização do projeto em diante. 3.7 INTEROPERABILIDADE DOS SISTEMAS INTEGRADOS Entendida como habilidade de dois ou mais sistemas de se interagir e de intercambiar dados de acordo com um método definido, de forma a obter os resultados esperados, a interoperabilidade é um ponto que está se tornando crítico nas questões de governo eletrônico. De acordo com o livro Panorama da Interoperabilidade no Brasil (2010), a interoperabilidade pode trazer diversos benefícios para as organizações governamentais, em especi-

64 63 al para o ambiente de e-governance, como por exemplo maior efetividade (interconexão em vez de soluções organizacionais isoladas), eficiência (redução dos custos de transação e aumento da participação dos agentes envolvidos), e responsividade (melhor acesso a mais informações, possibilitando a resolução mais rápida dos problemas). Mas, por outro lado, no contexto governamental, existem barreiras significativas para se alcançar a interoperabilidade de forma efetiva e ampla. Essas barreiras podem ser classificadas como políticas, organizacionais, econômicas e técnicas (ANDERSEEN; DAWES, 1991, apud XXXI encontro da AN- PAD 2007). As barreiras Políticas envolvem a definição das diretrizes das políticas adotadas; conflitos nas definições dos níveis de privacidade nos acessos às informações; cultura organizacional predominante; ambigüidade da autoridade na coleta e uso das informações; descontinuidade administrativa. Já as barreiras organizacionais se relacionam a falta de experiência e ausência da predisposição de compartilhar a informação; nível de qualificação do pessoal envolvido nos processos; e cultura organizacional. Quanto as econômicas, esta diz respeito a falta de recursos para disponibilização das informações para outros órgãos; forma de aquisição dos recursos (normalmente adquiridos pelo menor preço e não pelo melhor valor). Por fim, as barreiras técnicas são as mais perigosas na qual pode haver incompatibilidade de hardware e software usados ou adotados; direitos de propriedade; desconhecimento dos dados gerados e armazenados pelos sistemas; múltiplas definições de dados. Como se percebe, embora o compartilhamento de informações dentro dos órgãos governamentais seja um objetivo comum para o governo eletrônico, a amplitude desse compartilhamento ainda é limitada (DAWES; BLONIARZ, 2001). Mesmo sendo reconhecida sua importância e os benefícios significativos que esse compartilhamento de informações traz para o e-governance, mais especificamente para os definidores das políticas públicas, órgãos públicos, e para o público em geral, os órgãos tendem a enfrentarem várias barreiras tecnológicas, organizacionais, políticas e econômicas. 3.8 SISTEMAS INTEGRADOS COMO ESPINHA DORSAL PARA O SERVIÇO PÚBLICO Essa ideia parte do pressuposto que, assim como a espinha dorsal do corpo humano, os sistemas integrados designam o esquema de ligações centrais de um sistema mais amplo, tipicamente de elevado desempenho.

65 64 Os sistemas integrados, dependendo de suas características implementadas, são, basicamente, uma poderosa estrutura que interliga sistemas de informações gerenciais. Daí porque considerar que os sistemas integrados podem ser entendidos como a espinha dorsal do serviço público sobre a qual novas funcionalidades podem ser obtidas através da integração de softwares ou outras plataformas de TI. Baseado nessa premissa Taurion (1998) afirma que: Os ERP devem ser vistos realisticamente como core applications [aplicações centrais] e praticamente todas as organizações terão suas aplicações básicas baseadas neles. Podemos até imaginar que ter um sistema ERP será algo tão comum como a posse de Windows. A princípio a ideia de implantação de um sistema integrado no serviço público era concebida apenas para suprir a base dos sistemas de informação, mas, forçado pela necessidade do aumento da demanda dos serviços voltados ao cidadão, à medida que os seus direitos vão sendo procurados, os órgãos públicos caminham para uma integração de suas atividades em todos os níveis de informação. Em outras palavras os Sistemas integrados têm funcionalidades importantíssimas, assim como as funcionalidades da espinha dorsal no corpo humano, de modo que cria a possibilidade de: Realizar uma variedade de tarefas; Servir de base sustentável para organização; Gera mobilidade organização; Interagir com os usuários de forma complexa; Acompanhar as necessidades que mudam com o tempo. 3.9 SISTEMAS INTEGRADOS NO SETOR PÚBLICO A necessidade da criação de sistemas interligados remonta de algumas décadas. No entanto, o avanço tecnológico, a mudança de mentalidade do país em sua plenitude, o fenômeno da Globalização a partir dos anos 80, foram conjunção de fatores para que se desse início à montagem destes sistemas e a estruturação dos órgãos para mantê-lo em funcionamento e atualizado. Nessa época os órgãos públicos tinham a necessidade de livrar-se de um período de burocratização e de centralização administrativa que tinha reflexos diretos na economia, na

66 65 gerência de recursos públicos e na pobreza de controle para acompanhamento de programas como, por exemplo, de execução do orçamento do setor público. O marco legal de implantação definitiva de um sistema integrado, em um órgão público no Brasil, pode ter sido delimitado pela Instrução Normativa, Nº 22 de 22/12/86, da Secretaria do Tesouro Nacional, na qual foram estabelecidos procedimentos uniformes de execução orçamentária e financeira, bem como determinação de implantação do funcionamento, por meio eletrônico de dados, do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal - SIAFI, para atender a toda à Administração Federal, no que se refere à execução orçamentária, financeira e patrimonial. A partir dessa iniciativa, diante da necessidade de uniformização de procedimentos, alguns outros órgãos públicos empreenderam esforços para a criação e utilização de Sistemas Integrados dos quais, além do pioneirismo da STN, podem ser destacados alguns exemplos a nível Federal, Estadual e Municipal, sendo os mais comuns: SIEF - Sistema Integrado de Informações Econômicas e Fiscais da Receita Federal; TRE Urnas eletrônicas; Projeto Interlegis, do Senado Federal; PJe Processo Judicial Eletrônico do Poder Judiciário; Directa - Cartórios judiciais interligados com a Secretaria de Tributação de Natal/RN; CIOSP - Centro Integrado de Operações Policiais; INFOSEG Sistema que integra informações dos órgãos de Segurança Pública, Justiça e de Fiscalização em todo o País; SIGAA - Sistema Integrado de Atividades Acadêmicas, utilizado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A Receita Federal utiliza a integração com os contribuintes através do SIEF - Sistema Integrado de Informações Econômico Fiscais. O SIEF consiste na reinformatização global da Receita Federal do Brasil, e busca unificar e integrar todos os demais sistemas corporativos do órgão. Esse modelo de organização implica sistemas informatizados integrados, com uma confederação de bases de dados, todas migradas para um servidor único. É a utilização da mais moderna tecnologia e mecanismos de segurança adequados à salvaguarda da integridade, consistência e privacidade dos dados do contribuinte brasileiro (Receita Federal ). Funciona de forma descentralizada, sendo acessado pelas Delegacias e Unidades Administrativas da receita via Rede Local. Esse sistema permite a integração dos contribuintes do Impos-

67 66 to de Renda os quais ainda dispõe do Portal e-cac (Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte) que é um portal eletrônico onde diversos serviços protegidos por sigilo fiscal podem ser realizados via internet pelo próprio contribuinte, tais como: verificar eventuais pendências na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, obter cópia de declarações, retificar pagamentos, parcelar débitos, pesquisar a situação fiscal e imprimir o comprovante de inscrição no CPF. Sua utilização requer Código de Acesso ou Certificado Digital, porém, alguns serviços são disponíveis apenas para usuários que estiverem fazendo uso de Certificado Digital. Por meio do Portal e-cac, o contribuinte também tem acesso a sua caixa postal eletrônica, onde pode acessar avisos enviados pela Receita Federal, ou mesmo receber intimações de forma eletrônica, desde que, nesse caso, faça a opção pelo domicílio tributário eletrônico. A informatização no TRE teve início em 1986, durante a presidência do Ministro Néri da Silveira, com o recadastramento eletrônico de aproximadamente 70 milhões de eleitores. Em 1994, fez-se, na gestão do Ministro Sepúlveda Pertence, pela primeira vez, a totalização das eleições gerais pelo computador central, no Tribunal Superior Eleitoral. Em 1995 iniciaram-se os trabalhos de informatização do voto. Uma comissão de juristas e técnicos de informática, apresentou um protótipo da urna eletrônica. Para a elaboração do projeto técnico da urna eletrônica, incluindo o equipamento e os programas, foi constituído um grupo de trabalho que contou com a colaboração de especialistas em informática, eletrônica e comunicações da Justiça Eleitoral, das Forças Armadas, Ministério da Ciência e Tecnologia e Ministério das Comunicações. Paralelamente aos estudos dos requisitos e premissas para a construção da urna eletrônica, o Tribunal Superior Eleitoral procurou sensibilizar não só o corpo funcional da Justiça Eleitoral para o grandioso empreendimento como também os demais poderes, o Legislativo, de quem dependia a adequação da lei para possibilitar a implantação do voto eletrônico, e o Executivo, que deveria fornecer os recursos financeiros necessários. Em 1996, durante as eleições municipais, o projeto foi concluído. A urna eletrônica, criada pelo TSE, foi então licitada para fabricação. O objetivo era adquirir urnas capazes de registrar o voto de um terço do eleitorado, há época próximo a 100 milhões de eleitores. As urnas adquiridas foram utilizadas em todo o estado do Rio de Janeiro, nas demais capitais dos estados e nos municípios com mais de 200 mil eleitores, totalizando 57 cidades no país. Em 1996 foi iniciada a primeira votação eletrônica do Brasil. Nas eleições de 1996, um terço do eleitorado votou nas urnas eletrônicas. Nas eleições de 1998, votaram, eletronicamente, dois terços dos eleitores. Finalmente, no ano 2000, o projeto foi implementado em sua totalidade,

68 67 ocasião em que todo eleitorado votou por meio eletrônico. Seguiram-se as eleições de 2002, 2004 e Em 2006, votaram, eletronicamente, cerca de 125 milhões de brasileiros (TSE 2013). Dentre as principais premissas estabelecidas com o uso das urnas eletrônicas, foram buscados: Solução universal - registro do voto pelo número do candidato ou partido; Aderência à legislação vigente, com possibilidade de evolução para garantir que mudanças na legislação eleitoral não obrigasse a alterações nas urnas eletrônicas; Processo amigável, de fácil utilização pelo eleitor, com a visualização na tela dos dados do candidato antes da confirmação do voto; Custo reduzido o projeto deveria ser economicamente viável, em função do elevado número de seções eleitorais; Perenidade possibilidade de uso em várias eleições, diminuindo o custo do voto; Segurança - eliminação da possibilidade de fraude no registro do voto e apuração do resultado; Facilidade na logística - pequena, rústica, peso reduzido, de fácil armazenamento e transporte; Autonomia - uso de bateria nos locais onde não há energia elétrica. No Congresso Nacional o sistema de integração entre as casas legislativas é denominado de sistema INTERLEGIS. Nesse sistema é desenvolvido o Projeto Interlegis através do qual pretende-se montar uma rede de comunicação e participação legislativa no País, interligando casas legislativas dos três níveis de governo Nacional. Seus objetivos expressos são: A melhoria da comunicação e do fluxo de informações entre as casas legislativas; A promoção da participação do cidadão nos processos legislativos. Iniciado em 1997, o projeto visa a implantar uma rede dedicada interligando as 27 Assembleias Legislativas Estaduais, compondo assim a chamada Rede Interlegis. No poder Judiciário a integração está sendo sedimentada através do Processo Judicial eletrônico (PJe) regulamentado pela Lei /2006 e desenvolvido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com o objetivo de padronizar e unificar todas as informações e atos processuais, nas esferas das justiças federal, estadual, militar e do trabalho, em âmbito Nacio-

69 68 nal, tornando a consulta processual mais fácil e ágil e, embora seja apenas um meio, o processo eletrônico traz algumas mudanças significativas na gestão dos tribunais. Há uma verdadeira revolução na forma de trabalhar o processo judicial que corresponde a uma revisão das rotinas e práticas tradicionais, porquanto o que havia antes está sendo adaptado à nova realidade. Na prefeitura Municipal de Natal existe a interligação entre a Secretaria de Tributação e os Cartórios de Registro de Imóveis da Capital através de um Sistema denominado DIRECTA o qual permite que o processo do Imposto sobre a Transmissão Inter Vivos de Bens Imóveis (ITIV), IPTU, entre outros sejam realizados de forma online em um sistema desenvolvido por técnicos da Secretaria Municipal de Tributação (SEMUT). Essa ferramenta de Integração proporciona mais agilidade e conforto ao contribuinte que não precisa mais se dirigir à SEMUT para dar entrada ao processo e acompanhar o seu andamento. Com o DI- RECTA o contribuinte dá entrada ao processo diretamente no cartório. Os tabeliães, escrivães, demais serventuários de ofício e seus prepostos são os responsáveis pela abertura do processo de transmissão de imóvel que será efetuado por meio eletrônico. No cartório, o contribuinte do imposto terá acesso ao recibo de acompanhamento do processo, onde constará identificação individual que será utilizada para acompanhamento do processo através da internet. Na Universidade Federal do Rio Grande do Norte UFRN - o sistema de integração, denominado de SIGAA é utilizado para agilizar e flexibilizar as rotinas acadêmicas gerando um ganho significativo de tempo e custo para a Universidade. É através desse sistema informatizado que o aluno da UFRN tem acesso a todos os recursos e todas as informações relacionadas a sua vida acadêmica na UFRN. Por meio do SIGAA o aluno acompanha suas notas e frequências nos componentes matriculados, interage com os professores e outros alunos da sua turma, imprime todas as declarações de vínculo relacionados ao seu curso, recebe comunicados da Coordenação do curso, etc. Na Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Norte a integração é realizada através do CIOSP-RN o qual concatena as operações das Policiais Militar, Corpo de Bombeiros Militar, Polícia Civil e Instituto Técnico e Científico de Polícia ITEP, além da Guarda Municipal de Natal, por meio de um central de rádio onde todas as ocorrências são recebidas por esta central e transmitidas ao órgão competente quando acionado pelo usuário. Além do CIOSP os órgãos de segurança pública dispõem da rede INFOSEG a qual integra informações da Segurança Pública, Justiça e de Fiscalização em todo o País, provendo dados de pessoas com inquéritos, processos, mandados de prisão, além de dados de

70 69 veículos, condutores e armas. A Rede INFOSEG, ainda, disponibiliza informações dos seguintes órgãos: Polícias Civis; Polícias Militares; Departamento Nacional de Trânsito; Exército Brasileiro; Superior Tribunal de Justiça e Justiça Federal. Departamento de Polícia Rodoviária Federal; Departamento de Polícia Federal; Secretaria da Receita Federal; SENASP (Projeto Fronteiras); Tribunais de Justiça Estaduais; De acordo com a Secretária Nacional de Segurança Pública - SENASP, essa Rede contribui não só para fornecer consultas aos órgãos, como também para a produção e disseminação de conhecimento em tecnologias de Internet nas instituições governamentais, e passou a representar um modelo de emprego dos padrões de interoperabilidade preconizado no modelo de governo eletrônico, o qual representa um padrão que possibilita a comunicação entre diferentes sistemas, independentemente do tipo de tecnologia utilizada SISTEMAS INTEGRADOS NO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RIO GRANDE DO NORTE No Poder Judiciário nacional o marco legal da sedimentação dos procedimentos de uniformização se deu através da Lei /2006 que dispõe sobre a informatização do processo judicial e, em seu art. 8 o, estabeleceu que os órgãos do Poder Judiciário poderiam desenvolver sistemas eletrônicos de processamento de ações judiciais por meio de autos total ou parcialmente digitais, utilizando, preferencialmente, a rede mundial de computadores e acesso por meio de redes internas e externas. Além de estabelecer o processamento de ações judiciais através do meio eletrônico a padronização dos procedimentos, também foi

71 70 determinada nesse mesmo dispositivo legal em seu art. 14: Art. 14. Os sistemas a serem desenvolvidos pelos órgãos do Poder Judiciário deverão usar, preferencialmente, programas com código aberto, acessíveis ininterruptamente por meio da rede mundial de computadores, priorizando-se a sua padronização. A partir de então, os tribunais do país passaram a instituir os seus sistemas processuais de forma eletrônica uma vez que o mesmo seria disponibilizado pelo Conselho Nacional de Justiça CNJ, órgão fiscalizador das ações do Judiciário, por meio de convênios e acordos de cooperação técnica. Desta forma, em maio de 2013 o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, publicou a PORTARIA N.º 871/2013-TJ, na qual determinava a tramitação no sistema de peticionamento e acompanhamento processual do Poder Judiciário do Rio Grande do Norte, denominado de Processo Judicial Eletrônico (PJe), de todos os processos ajuizados nos 1º e 2º Juizados Especiais Cíveis da Zona Sul da Comarca de Natal a partir de 17 de junho de 2013, a título de projeto piloto. Essa atitude tinha como finalidade atingir a melhoria da eficiência nos serviços judiciários, provocada pela tramitação eletrônica dos processos, tanto pelas facilidades de consulta e movimentação dos autos por parte dos jurisdicionados, como pela prática de atos pelos serventuários e magistrados. A busca desse objetivo se deu em consideração a necessidade de uniformizar, a título de teste, os procedimentos dos 1º e 2º Juizados Especiais Cíveis da Zona Sul da Comarca de Natal, bem como de dar ampla publicidade às alterações na forma de trabalho nos processos em tramitação nessas Secretarias. Como se percebe ao determinar que os procedimentos dos tribunais fossem realizados uniformemente, o CNJ tinha como objetivo fazer convergir os esforços dos tribunais brasileiros para a adoção de uma solução única, gratuita para os próprios tribunais e atenta para requisitos importantes de segurança e de interoperabilidade, racionalizando gastos com elaboração e aquisição de softwares e permitindo o emprego desses valores financeiros e de pessoal em atividades mais dirigidas à finalidade do Judiciário: resolver os conflitos. Essa preocupação com a Segurança da informação está presente no 1º do Art. 12 da citada Lei /2006: Os autos dos processos eletrônicos deverão ser protegidos por meio de sistemas de segurança de acesso e armazenados em meio que garanta a preservação e integridade dos dados, sendo dispensada a formação de autos suplementares.

72 Distribuição mais justa e transparente na Justiça Segundo Cartilha do Processo Judicial Eletrônico (CNJ, 2010), a distribuição dos processos judiciais é até hoje um grande problema dos tribunais brasileiros. Há uma sensação de falta de transparência que, infelizmente, colabora para formar uma imagem negativa do Poder Judiciário. Do lado interno, muitos magistrados têm a sensação de injustiça na distribuição do trabalho. No PJe, a distribuição recebeu uma especial atenção. Embora seja possível manter o modelo atual mais comum, fundado na igualdade de processos entre classes processuais, a distribuição será regida por um conjunto de fatores que levarão a medir o verdadeiro trabalho decorrente do processo. Esses fatores podem ser trabalhados pelas corregedorias e presidências de modo a deixar claros os critérios adotados, e justa a distribuição da carga de trabalho, sem que isso afete o princípio do Juiz Natural e a obrigação legal de sorteio dos processos entre os igualmente competentes. O trabalho de criação do PJe foi realizado com a participação de representantes especialistas na área de distribuição de diversos tribunais brasileiros e contempla praticamente todas as hipóteses possíveis, tornando objetiva a distribuição. Finalmente, a sistemática é cercada de cuidados que permitem demonstrar para os jurisdicionados a retidão na distribuição dos processos Uso de assinatura digital com Certificado O PJe trabalhará desde o início com o uso de assinaturas digitais com base em certificados da estrutura do ICP-Brasil. Trata-se de medida também prevista no modelo de requisitos de sistemas judiciários que assegurará características importantes para a segurança do processo judicial eletrônico. Mais adiante, esse recurso permitirá que o advogado, entregando documentos eletrônicos assinados, possa repassar a tarefa de protocolo para seus auxiliares, reduzindo, assim, a necessidade de interação direta com o sistema Replicação automática de informações de gestão Periodicamente são solicitadas informações aos tribunais pelo Conselho Nacional de Justiça e os demais conselhos de Justiça. Essas informações são utilizadas para a tomada de decisões estratégicas de gestão e de política legislativa no Poder Judiciário. Embora extremamente importantes, a produção das informações consome muitos recursos dos tribunais, que alocam servidores e outros recursos para essas atividades. Essa, inclusive, é uma das mais

73 72 recorrentes reclamações dos magistrados. No PJe, a maior parte das informações serão replicadas automaticamente, sem necessidade de alocação de recursos dos tribunais, o que liberará os recursos e pessoal para outras atividades mais vinculadas ao fim do Poder Judiciário. Além disso, essa replicação automatizada permitirá a concretização de serviços essenciais para PJe, tais como a emissão de certidões negativas e a verificação de prevenção nacional (figura 3). Figura 3. Fonte: Cartilha do Processo Judicial Eletrônico Integração com terceiros Segundo a Cartilha do Processo Judicial Eletrônico, elaborada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ 2010), o PJe também permitirá a integração dos tribunais com sistemas de terceiros colaboradores do Judiciário e, mais adiante, com sistemas de escritórios de advocacia. As procuradorias e escritórios de advocacia poderão, em razão disso, trabalhar em seus próprios sistemas. A comunicação entre esses sistemas e o dos tribunais será feita exclusivamente pelos computadores. Isso tem por efeito direto uma melhor aceitação do sistema pelos atores externos, com a redução do impacto sobre suas atividades, além do efeito indireto de reduzir as demandas de infraestrutura para tratamento das solicitações nos sítios de internet dos tribunais. O sistema já está integrado com a Secretaria da Receita Federal do Brasil o que facilita o cadastramento das partes e evita a multiplicação de homônimos e com o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil que valida o cadastro de advogados no sistema. Ainda em fase de estudo, o CNJ pretende, nas versões futuras, concluir a integração com as procuradorias, com o Ministério Público e com os Correios, além de outros órgãos que têm intensa ligação com o Judiciário (figura 4).

74 73 Figura 4. Fonte: Cartilha do Processo Judicial Eletrônico 2010 Como se percebe os gestores do Poder Judiciário, conscientes de que a justiça deve ser capaz de produzir resultados efetivos na vida das pessoas e, para isso, os processos devem ter trâmite célere, a tecnologia tem sido aliada indispensável e não se têm medido esforços em investimento nessa área e na busca de parcerias, a exemplo do apoio que os Tribunais vêm recebendo do Conselho Nacional de Justiça CNJ Todavia as alterações que a legislação processual civil, desde 1994, tem sofrido, a garantia do coletivo em detrimento do individual, a reforma do Poder Judiciário tratada pela Emenda Constitucional nº 45, que tem como finalidade precípua combater a morosidade na entrega da prestação jurisdicional, "a celeridade e eficácia na tramitação do processo, a necessidade de prestação de um bom serviço jurisdicional, passaram a ser exigências da modernidade o que vem sendo atendido pela virtualização do judiciário PANORAMA DAS DELEGACIAS E JUIZADOS Inicialmente, se faz necessário expor uma panorâmica sobre o quadro de competências relativas aos dois órgãos envolvidos na intervenção, para em seguida se fazer as análises do modelo atual existente em cada um no sentido de explicar o que deve ser mudado, quais os avanços esperados, além de apontamento das limitações da aplicação do modelo que será proposto. As infrações abrangidas na definição de crime de menor potencial ofensivo, como já foi dito, de competência do Juizados e apurados pela Polícia Civil, fez surgir um novo rito pré-processual que dispensou a instauração do antigo inquérito policial em face do Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), elaborado pela autoridade policial. Esse TCO, principalmente criado para dar condições de uma Justiça mais célere e eficiente, pelo menos no que

75 74 tange ao tratamento dispensado às infrações penais de menor potencial ofensivo, é um dos procedimentos elaborados pelas Delegacias e enviados para os Juizados, conforme previsto no artigo 61 da Lei nº 9.009/95. Logo o Termo Circunstanciado é uma espécie de boletim de ocorrência policial mais detalhado, porém sem as formalidades exigidas no inquérito policial, contendo a notícia de uma infração penal de menor potencial ofensivo. Ou seja, trata-se da narração sucinta do fato delituoso, com local e hora verificados, acrescida de breves relatos de autor, vítima e testemunhas, bem como, citando-se objetos apreendidos, relacionados à infração, se houver. Este "boletim de ocorrência", lavrado pela autoridade policial, despido de inúmeras formalidades que o Inquérito Policial exige, é encaminhado ao Juizado Especial Criminal competente. Nas palavras de GONÇALVES (1998), a finalidade do termo circunstanciado é a mesma do inquérito policial, mas aquele é realizado de maneira menos formal e sem a necessidade de colheita minuciosa de provas. Aliado a isso, conforme MORAES, SMANIO e VAGIONE (1997): será possível que todos os órgãos encarregados constitucionalmente da segurança pública (art. 144 da CF), tomando conhecimento da ocorrência, lavrem o termo circunstanciado e remetam os envolvidos à Secretaria do Juizado Especial, no exercício do ATO DE PO- LÍCIA. O Termo Circunstanciado é, pois, não só um expediente que substitui o arcaico inquérito policial, mas também um mecanismo pré-processual que visa atender todos os princípios norteadores da Lei nº 9.099/95, expressos no seu art. 2º (princípios da oralidade, da simplicidade, da informalidade, da economia processual e da celeridade). Dentre os delitos que são apurados através do TCO, podem se destacar: Agredir ou provocar ferimentos leves em alguém; Maus tratos; Crimes de trânsito (previstos no novo Código de Trânsito, conforme estabelecido no art. 291, à exceção do homicídio culposo); Fugir de local de acidente sem prestar socorro à vítima; Fazer ameaças com a intenção de amedrontar a pessoa; Praticar atos obscenos; Perturbar a tranqüilidade de alguém; Praticar charlatanismo, anunciando curas ou resultados impossíveis; Violar ou destruir correspondência alheia, etc.

76 Uso de tecnologia da informação pela polícia civil Segundo dados da Pesquisa Perfil das Instituições de Segurança Pública, elaborada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, publicada em 2013 os sistemas de gestão da informação existentes das Polícias Civis do país contam, em sua maioria, com sistemas de registro informatizado das ocorrências em banco de dados. Em cerca de 60% dos estados, o sistema de registro de ocorrências está implantado em todas as unidades policiais e abrange todo o estado. Porém, cerca de 14% das delegacias do país não possuem acesso à Internet, com destaque para os estados de Alagoas, Amazonas, Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte, onde essa proporção é igual ou superior a 50%. Nessa mesma pesquisa menos da metade das unidades da federação informou haver integração entre os sistemas de registros policiais das Polícias Civil e Militar e, na sua grande maioria, os estados possuem registro informatizado de ocorrências feitos em banco de dados sem a integração entre as unidades de polícia, e pouquíssimos abrangem todo o território. De todos os 27 entes da Federação 15 estados possuem registro informatizado de ocorrências das Polícias Militares os quais são feitos em banco de dados, sendo que, em 9 deles, o sistema abrange todo o território. Em parte dos estados, Polícia Militar e Polícia Civil possuem sistemas integrados de registro de ocorrências. O acesso à internet é bastante limitado em alguns estados, tais como Acre, onde 47% das unidades não possuem acesso à internet, Mato Grosso e Piauí, onde essa proporção é superior a 56%, e finalmente Roraima, cujas unidades operacionais não possuem acesso a essa tecnologia. O Estado do Rio grande do norte entra no rol desses Estados carentes de integração. Na tabela 11 dessa pesquisa ele aparece como não possuidor de Sistema Integrado entre os órgãos de segurança pública. Divergências, inclusive sobre quais Estados possuem sistemas de registro de ocorrência, são apontadas quando as Polícias Militares informam haver sistemas integrados em 12 unidades da federação enquanto que as Polícias Civis indicam apenas 8 unidades da federação. Ainda nesse estudo a quantidade total de boletins de ocorrência registrados, inquéritos policiais instaurados e concluídos nas unidades da Polícia Civil do RN foram de , e 4148 respectivamente. 15 Estados listados na pesquisa registram esses boletins utilizando-se de sistema informatizados em banco de dados enquanto que o restante utiliza o registro informatizado e manual.

77 76 Baseado nesses dados é fácil perceber que a existência de integração entre policias civil e militar com outros órgãos não existe. O que existe é apenas a integração entre os sistemas de registros policiais das Polícias Civil e Militar, nos estados do AC, AM, CE, MG, MS, MT, PR E SP. No Rio grande do Norte das 232 unidades de Polícias civil, menos da metade, 115, possuem acesso a internet (49,6 %), conforme pesquisa analisada Estruturas físicas das delegacias O reflexo flagrante da carência de investimento na área de tecnologia da informação também é notado em relação as precárias condições das instalações, descuidadas e degradadas, da Polícia Civil o que demonstram medo e desconfiança em relação a população. A partir das fachadas das Delegacias de polícia, é possível concluir que há falta de investimento, gerando uma imagem de quase abandono da Segurança Pública. Tal evidência, por certo, instaura indisposição e insegurança, para quem necessita recorrer ao serviço, ou conviver nestes ambientes. Delegacias de Natal, sucateadas pela falta de investimentos, alguns exemplos: 7ª DP Bairro das Quintas; Figura 5: 7ªDP. Fonte: SIMPOL/RN.

78 77 Delegacia de atendimento ao turista Praia Shopping, Ponta Negra; Figura 6: DEATUR. Fonte: SIMPOL/RN. 13ª Delegacia de Polícia Redinha Figura 7: 13ª DP. Fonte: SIMPOL/RN. A 13ª Delegacia de Polícia de Natal, na Redinha, foi interditada pela Defesa Civil no dia 24 de fevereiro de 2014 devido a risco de desabamento. O prédio dessa DP, há meses, vinha oferecendo risco aos policiais civis lotados na unidade e a população, sem que qualquer providência fosse tomada pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed) e Delegacia Geral de Polícia (Degepol) Arquivo de dados na Polícia Civil A falta de Computadores em muitas delegacias e, consequentemente, de um sistema informatizado, aliado as precárias estruturas físicas, permite expor que os arquivo da

79 78 Polícia Civil estão em constante e elevado risco de destruição. É preciso que os documentos sejam armazenados de forma segura em condições favoráveis a sua preservação e integridade já que não existe um bando de ados ou sistema integrado que armazene as informações de forma eletrônica. No Rio Grande do Norte, segundo a pesquisa perfil 2013, a forma de registro dos atendimentos (ocorrências) da Polícia Civil ocorre de forma manual e informatizada, porém sem a existência de um banco de dados. Para o Sindicato dos Policiais Civis e Servidores da Segurança Pública do Rio Grande do Norte (SIMPOL), em um documento elaborado em 2009 que reúne informações em narrativa, números e imagens, revelando a situação caótica da vida institucional da Polícia Civil, demonstra que a cidade de Natal possui um total de 151 computadores para dar suporte a todas as Delegacias, ou em torno de 3 computadores para cada unidade policial, mas apenas 86 estavam em pleno funcionamento (Relatório SIM- POL 2009) Modelo de autuação e distribuição nas delegacias As conclusões que se pode tirar das visitas às Delegacias e através da Pesquisa Perfil das Instituições de Segurança Pública é que a Polícia Civil do RN e, consequentemente, as Delegacias não possuem uma infraestrutura básica que dê suporte a uma tecnologia da informação, com vistas a dar mais eficiência e efetividade no intercambio dos Termos Circunstanciados de Ocorrências, Boletins de Ocorrências e demais procedimentos com os Juizados Especiais Criminais. Os sistemas de autuação, distribuição e registros, relacionados as atividades policiais, são de extrema fragilidade e precariedade. Ainda são feitos de forma manual, e em alguns casos com o uso de banco de dados ultrapassados, como planilhas eletrônicas. Esses problemas são fruto da falta de investimentos na área de segurança e de uma gestão comprometida com a Segurança Pública. A existência de um sistema integrado entre as Delegacias e Juizados Criminais permitiria que deficiências como essas diminuíssem ou deixassem de existir ocasionando, consequentemente, uma maior segurança, transparência e confiabilidade, quanto aos critérios de autuação, distribuição e alimentação das bases desses dados por parte dos operadores da segurança pública, além da preservação dos dados de forma efetiva. São aspectos como esses, de extrema relevância, que os Sistemas de Informação e Comunicação permitem sejam compartilhados entre os órgãos atuantes da Segurança Pública e Poder Judiciário.

80 79 Um outro problema detectado nas Delegacias está relacionado a prescrição de procedimentos. Como a situação é caótica, em média, 15% dos procedimentos apurados na DEA (Delegacia Especializada em atendimento ao Adolescente), por exemplo, chegam com prazos prescritos, superior a três ou quatro anos. Quando isso acontece obrigatoriamente os processos são arquivados porque ele já chegou com a perda do objeto pela prescrição. Embora toda essa problemática das Delegacias, foram destacadas algumas ações isoladas para melhorar o desempenho das instituições de Segurança Pública. Nesse sentido o Ministério da Justiça MJ - demonstrou esforço para constituir uma base de dados que possa permitir a análise da dinâmica do crime no território brasileiro tendo como fonte de informação os registros policiais. Com isso o MJ deseja que um novo sistema permita uma melhor qualificação sobre distintos delitos. Esse empreendimento vem sendo realizado desde o ano de 2003 pelo Sistema Nacional de Estatísticas de Segurança Pública e Justiça Criminal do Ministério da Justiça (SINESPJC/MJ), o qual deverá ser alimentado pelas Polícias Militares e Civis dos estados e, em algumas circunstâncias, pelas Secretarias de Segurança Pública, que organizariam as informações policiais antes de inseri-las no sistema (figura 4). Os dados compilados pelo SINESPJC poderiam, portanto, ser utilizados para a montagem de um cenário geral do que acontece no Brasil no que diz respeito às distintas modalidades criminais. No entanto, para que as Delegacias atinjam um estágio dessa magnitude é necessário que os parâmetros em termos de unidades de análise, informações a serem coletadas e, mesmo, rotinas de alimentação condicionem o trabalho dos setores de informação das organizações policiais e a própria ação policial. Essa foi a conclusão da primeira parte do projeto Gestão e Disseminação de Dados na Política Nacional de Segurança Pública, decorrente do Termo de Parceria nº /2010, celebrado entre a Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) do Ministério da Justiça (MJ) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

81 80 Tabela 2: SINESPJC/MJ. Fonte: acesso em 15/01/2014 definidos: De acordo com a SENASP, O SINESPJC é composto por 06 Módulos, assim Módulo de Registro de ocorrência Este módulo reúne as informações dos registros de ocorrência produzidos e coletados das Polícias Civis e Militares do Brasil. Para tanto, foi produzido um sistema classificatório e um índice remissivo cujo objetivo é padronizar as linguagens adotadas nos registros de ocorrências destas instituições. As informações solicitadas às Polícias Civis dos estados brasileiros dividem-se em cinco grupos (ocorrências registradas, vítimas, autores/infratores, ocorrências segundo instrumento ou meio utilizado e a atividades de polícia e outras informações). Já as informações das Polícias Militares reúnem, basicamente, os dados de suas ocorrências. Atualmente este módulo permite a produção de dados nacionais sobre as principais ocorrências criminais registradas pelas polícias civis e militares, sistematizadas em grandes grupos de ocorrência: I. Crimes Letais Intencionais Homicídio Doloso; Latrocínio; Lesão Corporal seguida de Morte.

82 81 II. Crimes Não Letais Intencionais contra a pessoa Lesão corporal dolosa; Tentativa de Homicídio; Estupro; Tentativa de Estupro; Atentado violento ao pudor; Tentativa de atentado violento ao pudor. III. Crimes violentos não letais contra o patrimônio Roubo de Veículo; Roubo de Carga; Roubo a veículo de transporte de valores. Módulo Perfil das Instituições de Segurança Pública Este módulo, também chamado de Pesquisa Perfil das Instituições de Segurança Pública, representa uma grande pesquisa sistemática e anual cujo objetivo é coletar os dados organizacionais das instituições, como estrutura, condições de funcionamento, quantidade de recursos humanos e materiais, ações desenvolvidas, orçamento e gastos. Atualmente a pesquisa é realizada junto a 12 instituições: Polícia Civil, Polícia Militar, Corpos de Bombeiros Militares, Academia de Polícia Civil, Academia de Polícia Militar e Corpos de Bombeiros, Centros de Formação e Aperfeiçoamento de Praças, Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente, Delegacias de atendimento a Mulher (DEAM), Guardas Municipais, Instituto Médico Legal (IML), Corregedorias e Secretarias de Segurança Pública Questionários Diagnóstico das Unidades Especializadas na Investigação de Homicídios Tratou-se de uma pesquisa que pretende captar a situação da investigação dos crimes contra a vida nas Unidades da Federação, levantando informações sobre sua política institucional e condições de gestão, estrutura, organização, recursos, atividades e modos de funcionamento. De acordo com a SENASP, para a realização desse trabalho foram elaborados dois questionários que se complementaram: um destinado aos Dirigentes da Polícia Civil e outro destinado às Unidades Especializadas na Investigação de Homicídios. Os questionários foram destinados ao Dirigente da Polícia Civil e ao responsável pelas Unidade Especializada na Investigação de Homicídios. Pesquisa Nacional de Vitimização As Pesquisas de Vitimização referem-se a estudos destinados a captar as ocorrências de eventos criminais junto à população com o fim de comparar os dados oficiais registrados pelas polícias com a ocorrência efetiva dos crimes, classificando-os por localidade, estrato social, cor da pele, idade, sexo, renda e outros critérios sociológicos de mensuração. Respeitam as mesmas etapas de todas as demais pesquisas: coleta, tratamento,

83 82 análise e divulgação dos dados. Ainda segundo a SENASP, até o ano de 2010, as pesquisas de vitimização ocorridas no Brasil eram de âmbito municipal ou estadual. No ano de 2010 foi realizada a primeira Pesquisa Nacional de Vitimização, sob a coordenação da SENASP e a importante colaboração de um Conselho Gestor, que reuniu especialistas no tema para auxiliar na elaboração dos instrumentos da Pesquisa Fluxo do Sistema de Justiça Criminal A Pesquisa Nacional do Fluxo do Sistema de Justiça Criminal é um projeto que, em parceria com o Conselho Nacional do Judiciário e o Conselho Nacional do Ministério Público, visa gerar subsídios para a concretização dos seguintes objetivos: a. Promover diagnóstico sobre recursos materiais e técnicos dos órgãos pertencentes aos sistemas estaduais de Justiça para processamento de informações criminais, ressaltando as condições disponíveis para integração dos dados com os órgãos vinculados; b. Realizar levantamento qualitativo, junto a representantes dos referidos órgãos, visando mapear procedimentos, dificuldades e entraves no que tange à sistematização e compartilhamento das informações criminais; c. Catalogar pesquisas produzidas nacional e internacionalmente sobre a temática do fluxo de justiça criminal, visando à apreensão de metodologias e procedimentos de coleta, análise e integração eficaz de informações criminais; d. Reunir e sistematizar conhecimento sobre experiências exitosas de compartilhamento e integração de informações criminais produzidas pelos órgãos investigados ou projetadas por profissionais e especialistas da área; e. Criar índice remissivo para categorização dos dados criminais registrados nos sistemas de informações dos órgãos componentes dos sistemas estaduais de Justiça, visando a uma padronização nacional; f. Desenvolver, para implantação em âmbito nacional, metodologia de coleta, análise e integração de dados criminais agregados; g. Consolidar e implantar nacionalmente sistema integrado de coleta, acompanhamento e análise das informações do fluxo do sistema de justiça criminal. Como atividades já realizadas, foram distribuídos pelo Ministério da Justiça os questionários para levantamento dos sistemas de informação criminal disponíveis nas Polícias Civis e Militares em todo o Território Nacional (http://portal.mj.gov.br).

84 Uso de tecnologia da informação pelo judiciário potiguar As ações da área tecnológica no âmbito da Justiça Estadual vêm crescendo de forma muito significativa, desde a criação do CNJ pela Constituição de Antes desse período, as utilizações de Tecnologia da Informação mostravam-se descentralizadas e comandadas separadamente pelos Tribunais e pelas Corregedorias de Justiça. Tal fato resultava na debilitação das áreas de tecnologia, que se limitavam aos procedimentos internos e à rotina dos órgãos. A função dos órgãos de coordenação central, consistindo em deter informações privilegiadas, atualizadas e precisas acerca da realidade tecnológica dos órgãos setoriais e seccionais do Poder Judiciário, no sentido de possibilitar a identificação das deficiências existentes no que tange ao planejamento e execução das ações e aos critérios para alocação de recursos, sem o uso da TI, não conseguiam muito êxito, apesar dos esforços serem efetivos. Antes da implantação do CNJ, o planejamento era adotado, mas as ações de investimento e aquisições eram tomadas de forma isolada, sem a unificação das informações tecnológicas existentes nos diversos Estados da Federação, e não permitiam a concentração de recursos e esforços necessários à destinação do orçamento para o atendimento das prioridades comuns de interesse do Judiciário (CNJ, 2012). O Poder Judiciário do RN passou por mudanças de implementação de sistemas de informação em todos os níveis e instâncias. As tarefas de autuação, registro e cumprimento de expedientes que antes eram feitas através de bancos de dados, como access, planilhas eletrônicas, ou até mesmo malas diretas, passaram a ser realizadas através de sistemas informatizados Sistema de Automação Judicial - SAJ Um dos primeiros SI adotados pelo TJRN foi chamado de SAJ Sistema de Automação do Judiciário. O Sistema de Automação do Judiciário era um software que tinha como finalidade a gestão de processos judiciais dentro de fóruns, tribunais, juizados especiais e demais órgãos auxiliares da Justiça (Manual de procedimentos SAJ ). O SAJ está na vanguarda quando o assunto é informatização e gestão de informações para a Justiça. Com 17 anos de desenvolvimento e constante evolução, passando

85 84 por cinco ciclos de tecnologia, o sistema incorporou facilidades para a automatização das rotinas jurisdicionais e administrativas que asseguram excepcionais ganhos de produtividade e otimização dos recursos de Tribunais de Justiça, Ministério Público e Procuradorias. Desenvolvido em parceria com sete tribunais de justiça estaduais, os quais representam, em conjunto, mais de 60% dos processos que tramitam na justiça estadual brasileira, o SAJ contribui para a formação de novos paradigmas, buscando uma prestação jurisdicional ágil e acessível, que aproximam o cidadão e o judiciário. Utilizado pelo Tribunal de Justiça do Estado do RN desde a mais de uma década, os módulos do SAJ informatizavam primeiro e segundo graus de jurisdição, interligando quase todas as comarcas. O SAJ é uma solução especialmente desenvolvida para a Internet, que facilita a troca de informações e agiliza o trâmite processual por meio de diversos serviços WEB 4, voltados para os advogados, cidadãos e serventuários da justiça. O diferencial dos serviços oferecidos pelo SAJ é a facilidade com que estes podem ser solicitados e recebidos, com economia de tempo, esforço ou custo para obtenção e uso da informação As rotinas de automação proporcionadas pelo sistema SAJ iniciavam no cadastro e distribuição do processo, terminando no seu arquivamento definitivo, ou seja, todo o trâmite processual existente na esfera da Justiça Estadual era controlado pelo sistema. Por abranger várias etapas de trabalho, o SAJ era composto de vários módulos dependendo da sua finalidade. Os dois principais módulos do sistema eram o SAJ/PG (Primeiro Grau) e SAJ/SG (Segundo Grau). Cada um desses módulos era dividido em aplicativos menores que possuem funções específicas dependendo do local onde eram utilizados. Existiam, também, os módulos de administração dos sistemas que permitem a criação de perfis de usuários, para que apenas as funções de cada competência fossem habilitadas. Dentro de um mesmo aplicativo, pessoas com funções distintas acessavam menus diferentes, restringindo a manipulação dos dados processuais. Assim, era possível gerenciar as autorizações e restrições de acesso dos usuários, bem como as configurações de uso dos demais módulos e sistemas da solução. Nos módulos de administração também eram controlados os cadastros de tabelas básicas, a geração de relatórios diversos e as 4 A web significa um sistema de informações ligadas através de hipermídia (hiperligações em forma de texto, vídeo, som e outras animações digitais) que permitem ao usuário acessar uma infinidade de conteúdos através da internet.

86 85 configurações e consultas de auditoria das operações realizadas pelos usuários nos sistemas. Dessa forma, as funcionalidades proporcionadas pela utilização do SAJ abrangiam as atividades desenvolvidas nos cartórios judiciais, gabinetes de magistrados e outros setores de fóruns e tribunais responsáveis pela gestão dos processos judiciais. Esses outros setores podem ser, por exemplo, centrais de mandados, setores de expedição de certidões e correspondências, contadorias, entre outros. As principais funções desse módulo eram: o cadastro, distribuição, andamento processual, agendamento e controle de audiências, emissão e controle de expedientes e mandados, carga eletrônica de processos, controle de avisos de recebimentos pelos correios (ARs), pendências e prazos, publicações e cadastro de objetos. Para facilitar a migração para versões mais recentes ou avançadas e operacionalizar a gestão de processos judiciais em ambiente virtual foram mantidas as funcionalidades principais do sistema e integrados novos módulos e tecnologias, sendo que algumas mudanças de comportamento em funções já existentes foram necessárias, tendo em vista a integração com as novas tecnologias utilizadas para os novos projetos: Projudi e o PJe. O SAJ ainda dispõe de um portal denominado de portal e-saj o qual é uma solução desenvolvida para a internet, que visa facilitar a troca de informações e agilizar o trâmite processual por meio de diversos serviços web voltados para os advogados, cidadãos e serventuários da justiça. Concebidos para facilitar o trabalho de advogados e demais interessados, bem como desafogar as secretarias judiciais, reduzindo o tempo de atendimento ao público, os serviços on-line oferecem funcionalidades para aqueles que desejam obter informações sobre processos em tempo real sem precisar se deslocar até as dependências do tribunal de Justiça. Os serviços oferecidos pelo portal e-saj são: Peticionamento eletrônico Carta precatória eletrônica Carta precatória eletrônica via integração com outros sistemas Consulta de processos Serviços PUSH Conferência de documentos digitais Consulta de pauta de audiências Consulta de pauta de julgamentos

87 86 Consulta de jurisprudências Consulta ao Diário de Justiça Eletrônico Certidões on-line Intimações on-line Custas processuais Sistema Processual Judicial Digital - PROJUDI A LEI /06 que dispõe sobre o Processo Judicial Eletrônico, inaugurou um novo paradigma nas Ciências Jurídicas em um milênio forjado por inovações tecnológicas. Surge num contexto desditoso, em que a morosidade na prestação da tutela jurisdicional é causa de insatisfação daqueles que dela dependem e dos que a administram. O Sistema PROJUDI, desenvolvido pelo CNJ realiza a tramitação de processos online em software livre distribuído gratuitamente aos tribunais. Entre as funcionalidades destacam-se: Distribuição eletrônica; Controle dos prazos; Disponível em qualquer hora e lugar; A grande inovação do Sistema CNJ, está em sua simplicidade e mobilidade, quanto ao uso da internet para a prestação jurisdicional. Com essas e outras inovações, espera-se uma efetiva redução do tempo de tramitação processual. O Projudi é utilizado apenas pelos juizados Especiais Cíveis. Nesse projeto engloba tecnologia de implementação com uso das IDEs (Integrated Development Environment), em outras palavras, um ambiente integrado para desenvolvimento de software, software livre, banco de dados MySQL 5, JAVA, ou Oracle - sendo exclusivamente eletrônico. O JAVA é uma linguagem de programação e uma plataforma de computação lançada pela primeira vez pela Sun Microsystems em É a tecnologia que capacita muitos programas da mais alta qualidade, como utilitários, jogos e aplicativos corporativos, entre muitos outros, por exemplo. O Java é executado em mais de 850 milhões de computadores pessoais e em bilhões de dispositivos em todo o mundo, inclusive telefones celulares e dispositivos de televisão (Wikipédia 2013). 5 Sistema de gerenciamento de banco de dados, que utiliza a linguagem SQL (Linguagem de Consulta Estruturada, do inglês Structured Query Language) como interface.

88 87 Figura 8: Cadeia de atuação do Projudi. Fonte: Manual de Sistema CNJ - Tribunal de Justiça de Alagoas Processo Judicial Eletrônico - PJE Dentro deste contexto de atualização e aperfeiçoamento das ferramentas existentes no Poder Judiciário, o CNJ dá início, em setembro de 2009, ao PJE Processo Judicial Eletrônico. Na verdade, foi uma retomada dos trabalhos realizados pelo CNJ junto a outros tribunais regionais federais e com o Conselho da Justiça Federal (CJF), onde foram reunidas as experiências dos tribunais espalhados pelo país. Antes desse período o processo de forma eletrônica já havia sido estabelecido pela Lei nº , de 19 de Dezembro de 2006 a qual dispunha sobre a informatização dos processos. O PJe deve substituir, gradativamente, os sistemas SAJ PG 5 e Projudi, atualmente em funcionamento. Ele já está sendo utilizado em mais de 590 varas em todo o País (TJRN NOTÍCIAS. 2013). O PJE surgiu com a visão de agilizar a gestão documental e a recuperação de informações processuais constantes em autos judiciais, e uma das características mais marcantes do projeto é a abolição dos autos em papel. Essa mudança toca um dos pontos de maior tradicionalismo no meio jurídico, configurando-se em uma verdadeira quebra de paradigma o uso

89 88 de autos judiciais apenas em meio digital (Figura 6). Para cumprir as exigências formais de composição dos processos, foram criados mecanismos que garantem que os processos digitais possuam todos os requisitos dos autos em papel, assim como numeração de páginas, por exemplo. A utilização dos autos de forma eletrônica elimina um problema que atinge qualquer organização, que é o acúmulo de papel. Sem a utilização desse tipo de gerenciamento eletrônico o armazenamento e a localização de dados impressos é cada vez mais dificultado pela quantidade de material produzido. Mesmo considerando as mais avançadas técnicas de catalogação, muitas vezes a velocidade na recuperação de um determinado arquivo não corresponde aos anseios e necessidades do mundo moderno. Por outro lado, não é objetivo do PJE eliminar totalmente a manipulação de papéis, mas propor modos alternativos para a utilização de informações documentárias, permitindo, dentre outras coisas, evitar a duplicação abusiva de documentos; classificar documentos segundo critérios diversos e autorizar o acesso a informação e conhecimentos pertinentes aos interessados, além de melhorar a segurança e a perenidade dos arquivos (ANGELONI, 2002, p. 197). Além da economia de material de expedientes, como papel, com o PJe, o prazo de julgamento dos processos poderá ter uma redução de, aproximadamente, 70%, possibilitando agilidade na prestação jurisdicional, a simplificação de rotinas, a melhoria na acessibilidade, a transparência, a otimização de recursos e a redução de custos operacionais (TJRN.JUS.BR/NOTÍCIAS- 2012). Como exemplo de economia de papel com o uso de tecnologia da informação pelo Judiciário Potiguar, apenas utilizando um sistema de malote digital - Sistema Hermes - desenvolvido pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (portaria nº 498/2007 -TJRN) que assemelha-se a um corporativo, em três anos de uso o TJRN conseguiu poupar cerca de R$ 7 milhões com a dispensa de papel para a troca de mensagens e com a redução considerável de postagem de documentos. Além de econômico e ágil, o Hermes permite, por exemplo, o envio seguro de cartas precatórias. Por meio desse sistema, também é possível compartilhar conhecimentos, informações, bases de dados e soluções de tecnologia, além de promover o intercâmbio de mão de obra especializada e desenvolver programas de treinamento.

90 89 Figura 9: Sistema PJe. Fonte: Poral TJRN Sistema de Postagem via - SPE Para dar agilidade a demanda das intimações através de cartas e diminuir a sobre carga dos Oficiais de Justiça, o Poder Judiciário Estadual juntamente com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) firmou um acordo de cooperação técnica para utilizar o Sistema Telegrama Via Internet, denominado de Sistema de Postagem via - SPE, pelo qual, através da integração entre os dois órgãos, e através de uma coorporativo, são enviadas, para os correios, as comunicação de atos processuais direcionadas às partes de cada processo, como cartas de intimação para atender despachos, comparecer a audiências etc, facilitando o andamento dos feitos. Esse sistema, operado pelo TJRN, já está disponível para instalação em todas as comarcas do Rio Grande do Norte. Nos Juizados Especiais, por exemplo, esta iniciativa está sendo utilizada e já contribui com a rapidez no cumprimento de intimações e notificações de uma forma simples e direta. A ideia desse sistema é dar uma celeridade ainda maior aos processos, uma vez que as intimações e notificações serão feitas pelos próprios servidores do Judiciário via internet, encaminhando-as para os correios via o SPE, onde serão recebidas pelos funcionários dos Correios que, ao identificar a solicitação, imprime e faz a entrega via telegrama. A promessa desse novo sistema é que uma vez recebido pelos correios, se cadastrado no sistema até às 13h, a parte intimada/notificada poderá receber o documento judicial até às 17h do mesmo dia. Essa ferramenta evita a necessidade de um oficial de Justiça se deslocar até a residência da parte para que a intimação seja cumprida, gerando benefícios como agilidade e redução de custos com postagens.

91 Competência geográfica dos juizados A competência para o Ajuizamento da Ação nos Juizados é determinado pelo Art. 4º da Lei 9.099/95: Art. 4º... É competente, para as causas previstas nesta Lei, o Juizado do foro: I- do domicílio do réu ou, a critério do autor, do local onde aquele exerça atividades profissionais ou econômicas ou mantenha estabelecimento, filial, agência, sucursal ou escritório; II- do lugar onde a obrigação deva ser satisfeita; III - do domicílio do autor ou do local do ato ou fato, nas ações para reparação de dano de qualquer natureza. Parágrafo único. Em qualquer hipótese, poderá a ação ser proposta no foro previsto no inciso I deste artigo. A Comarca de Natal, segundo dados do manual expresso dos juizados especiais cíveis e criminais (TJRN, 2010) é dividida em 4 regiões Administrativas e compostas pelos seguintes bairros: Zona Norte Distrito Judiciário da Zona Norte: Igapó; Lagoa Azul; Nossa Senhora da Apresentação; Pajuçara; Potengi; Redinha; Salinas; Demais bairros a oeste do Rio Potengi. Zona Sul Distrito Judiciário da Zona Sul: Cidade Verde; Capim Macio; Neópolis; Potilândia; Ponta Negra; Demais bairros dentro dos seguintes limites: Parnamirim, ao sul; BR-101, a oeste; Av. Norton Chaves, ao norte; Oceano Atlântico, a leste (Res. 22/2008-TJ). Zona Leste e Oeste Região Central: Alecrim; Areia Preta; Barro Vermelho;

92 91 Cidade Alta; Lagoa Seca; Mãe Luiza; Petrópolis; Praia do Meio; Ribeira; Rocas; Santos Reis; Tirol; Bom Pastor; Cidade Nova; Cidade da Esperança; Dix-Sept Rosado; Felipe Camarão; Guarapes; Nordeste; Nossa Senhora de Nazaré; Planalto; Quintas; Candelária; Lagoa Nova; Nova Descoberta; Morro Branco; Pitimbu/Cidade Satélite; Demais bairros não abrangidos pelos Distritos Norte e Sul Distribuição e estruturas físicas dos juizados em Natal/RN Os Juizados Especiais Criminais de Natal são dotados de estruturas físicas muito boas, estando distribuídos pelas 4 zonas da capital da seguinte forma: Juizado Especial Criminal da Zona Norte, Rua Nª. Sra. de Guadalupe Conj. Santa Catarina, Fórum Des. Varella Barca; 1º Juizado Especial Criminal Central, Av.: Duque de Caxias, 151, Ribeira; 2º Juizado Especial Criminal Central, Av.: Duque de Caxias, 151, Ribeira; Juizado Especial Criminal da Zona Sul, Avenida Airton Sena, Fórum Zona Sul.

93 92 Figura 10: Fórum Distrital Varella Barca. Fonte: TJRN Figura 11: Fórum Des. Miguel Seabra Fagundes. Fonte: TJRN Ativos de informática do TJRN O Número de computadores por usuário no TJRN é de 0.85 computadores por usuários, segundo dados contido no relatório Justiça em número, organizados pelo CNJ Aparentemente insignificante, as estratégias de melhoria da eficiência operacional dos Juizados Especiais Criminais do Estado foram priorizadas pela plenária de Juízes Estaduais presente no I Encontro dos Juizados Especiais em 2005 onde foram estabelecidos metas para o alcance da eficiência operacional adotando a Informatização, virtualização e automatização do método de trabalho, com ênfase na redução do uso de papel, desde o atendimento inicial até a baixa do processo, além de aplicação de recurso orçamentário proporcional ao volume de demanda do juizado

94 93 Neste sentido, também ficou estabelecido que toda unidade dos juizados especiais deverá ter estrutura física, tecnológica e de pessoal, adequada para processar os feitos da sua competência, utilizando métodos padronizados de trabalho para processamento de feitos e por fim adotar os indicadores (dados estatísticos) do CNJ como padrão para todos os tribunais. Segundo o relatório Justiça em números organizado pelo CNJ em 2013 houve uma redução da ordem de 34,9% nos gastos com informática e de 25,8% nas despesas com bens e serviços. Ainda segundo esse relatório as despesas com tecnologia da informação, no ano de 2013, foram da ordem de R$ , o que deixa o TJRN na posição de nº 17 em relação aos outros Tribunais de Justiça do pais em termos de investimentos em informática (figura 5). Figura 12: Ativos em informática. Fonte CNJ Resultados obtidos com o uso dos ativos de Informática do TJRN Com o intuito de dar maior abrangência e efetividade dos Sistemas de Automação da Justiça Potiguar, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte ampliou os links entre as diversas comarcas e o Tribunal e entre o Tribunal e a Internet. A medida possibilitou mais fluidez no acesso aos serviços disponibilizados pelo TJRN. O Poder Judiciário Estadual possui 65 comarcas, todas interligadas à rede corporativa através de 94 links de comunicação de dados. Além de possuir 100% de suas unidades informatizadas, o TJRN está superando a configuração recomendada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para implantação do processo Judicial Eletrônico (PJe), ampliando a velocidade dos links de 2Mbps para 3Mpbs em 83 links de comunicação.

95 94 O investimento representa melhoria na experiência de uso dos serviços, especialmente os sistemas específicos da atividade fim e a internet, segundo informação colhidas pelo Departamento de Infraestrutura e Suporte do TJRN. Com essa ação houve um aumento da velocidade do acesso à Internet em 60% para a instituição em todo o Estado, segundo informações do Diretor do Departamento de Infraestrutura e Suporte, informando que o link de acesso à Internet passou de 30 Mbps para 50 Mbps. Também estão cobertos pelo sistema de transmissão de dados o atendimento aos eventos da justiça Estadual como os programas Justiça na Praça, Justiça Escola e Novos Rumos. Dessa forma conforme melhorias e avanços nos sistemas de informática do órgão a Secretaria de TI, através de informações disponíveis no site da SOFTPLAN, empresa prestadora de serviços para os TJ s, houve os seguintes avanços: 5 ciclos de evolução tecnológica; Mais de 2 milhões de horas de pesquisa e desenvolvimento; 17 anos de desenvolvimento cooperado com as empresas parceiras (clientes); Implantação em oito estados do país, os quais representam mais de 60% dos processos que tramitam na justiça comum; Mais de 500 comarcas informatizadas nos estados onde o SAJ opera; Gerenciamento de mais de 60% dos processos da justiça comum do país; 70% mais agilidade na tramitação de processos digitais em relação aos tradicionais; 90% de redução no tempo de atendimento a advogados e partes; 98% de redução no tempo de ajuizamento de processos de execução fiscal; Incremento de mais de 250% no número de julgados com a implantação do SAJ no TJSC; Mais de R$ 5 milhões anuais de economia com a implantação do Diário da Justiça Eletrônico no TJ/SP e 17 toneladas de papel poupadas por dia; 1 árvore poupada a cada 172 processos digitais; 70% de economia em recursos com o processo digital; 70% a menos de espaço físico necessário para instalação de novas unidades judiciárias; Celeridade e qualidade na prestação jurisdicional, beneficiando diretamente a população; Democratização, permitindo mais acesso das pessoas à Justiça. Transparência, por meio do portal de serviços voltado para advogados e partes; Modernização do ambiente de trabalho, valorizando os serventuários e operadores do direito.

96 95 4 ANÁLISE DA SITUAÇÃO - PROPOSTAS DE INOVAÇÃO/INTERVENÇÃO O objetivo do modelo proposto no presente trabalho é expor, de forma clara e abrangente, como é possível haver essa integração entre as Delegacias de Polícia e os Juizados Especiais Criminais da cidade de Natal. Não se trata de apresentar um Sistema pronto e acabado especificando as questões técnicas relativas ao software, designer gráficos, plataformas da web utilizadas, etc, questões essas que só especialistas na área de TI teriam competência de desenvolver, apresentando, por tanto, um produto final a ser posto em prática. Baseado nessa premissa a finalidade desse projeto de intervenção é demonstrar a sua viabilidade apresentando os requisitos mínimos e meios de se conseguir uma integração entre os dois órgãos estudados. Com isso o estudo da situação desejada tem como pressupostos a mudança da realidade atual das Delegacias a partir da quantificação e qualificação das suas atividades atuais, como, por exemplo, quantos procedimentos são atendidos por dia, mês ou ano; quantos TCO s e IP são distribuídos para os Juizados oriundos das delegacias; quantos ativos de informática devem ser utilizados; quais Sistemas podem ser aproveitados, que tenham compatibilidade com as atividades dos dois órgãos estudados, para a criação do Sistema Integrado de Autuação e Distribuição entre as Delegacias e Juizados (SIGAJUD). Com o levantamento desses dados, deve-se considerar, também, os objetivos de crescimento da demanda e consequentemente do número de autuações, sempre visando à situação futura desejada. Tal situação espera-se conseguir a médio e longo prazo (dois a cinco anos), considerando inclusive a introdução de novas linhas de Sistemas, a abertura de novas Delegacias e Juizados etc. Por isso não é de bom senso dimensionar o sistema pensando somente nas suas necessidades atuais. É preciso ter em mente um horizonte de tempo para que ele se mantenha funcionando e seja útil como ferramenta para a tomada de decisões. Além disso deve-se levar em consideração os riscos em todo o ciclo de vida do Projeto de automação das Delegacias. Como explicado antes, no início, esses riscos são sempre mais elevados, sendo minimizados ao longo do projeto e bastante reduzidos ao final da implementação. Dessa forma, alguns fatores de risco devem ser analisados tais como: Custo x Benefício da automação que devem ser compatíveis com os benefícios esperados num período de tempo mínimo para que ocorra o retorno do investimento em caso de aquisição ou compra;

97 96 Adesão da equipe, pois o risco de resistência dos funcionários é bastante alto, e deve ser contornado com envolvimento e treinamento contínuo destes; Acompanhamento do fornecedor do Sistema, devendo haver visitas aos órgão cedente e reuniões periódicas para informação dos passos a serem seguidos e o andamento das atividades no dia-a-dia. A escolha dos equipamentos e softwares que deverão ser feitas com base nos requisitos mínimos que o sistema necessita para o seu bom desempenho. 4.1 PREPARAÇÃO DO ÓRGÃO A instalação de um Sistema de Gestão, Autuação e Distribuição entre os Juizados Criminais e Delegacias (SIGAJUD), não é algo simples. Como se percebe nas explanações sobres as Delegacias e os Juizados no transcorrer do trabalho, há muitas mudanças a serem realizadas pela SESED para que o cenário ideal seja atingido. Para tanto, é imprescindível a preparação da infraestrutura do órgão para receber o sistema a fim de evitar surpresas no futuro. Além do mais levando-se em consideração que o ser humano naturalmente é avesso a mudanças, mesmo àquelas que vêm para o bom andamento organizacional Em razão disso, será apresentado a seguir um roteiro, não exaustivo, dos Sistemas que poderão ser compatíveis para a integração pretendida, explicitando suas funcionalidades, mudanças e benefícios advindos com sua utilização pelas Delegacias, devendo ser complementado considerando-se as e condições mínimas de instalação e características próprias de cada órgão envolvido Escolha da estratégia de implantação O primeiro passo para a instalação do sistema é escolher uma estratégia de implantação. A instalação em múltiplas Delegacias, de início, tem a desvantagem de potencializar o efeito de problemas simples, já que estes se reproduzirão em vários pontos ao mesmo tempo. Por outro lado, instalar em apenas um órgão ou setor pode ocultar a emergência de desafios que seriam localizados em outras unidades vinculadas. O ideal é partir para a implantação em sistema tipo piloto, após homologação e treinamento dos usuários das unidades escolhidas para a base de testes. A unidade piloto deverá ser escolhida entre as que têm maior tendência de colaborar com a implantação. Essa boa

98 97 vontade é imprescindível para que a comunicação entre os órgãos interligados seja estabelecida e as soluções para os inevitáveis problemas sejam alcançadas. Do ponto de vista da competência legal, a utilização em piloto reclama delimitação clara, para evitar confusões com os atores externos. Além disso, é fundamental ter planos de contingência para os casos em que seja impossível o tratamento dos casos via sistema Preparação dos recursos humanos Para a instalação de um novo sistema, o segundo passo é preparar os recursos humanos. São os servidores da Delegacias que darão vida ao sistema e, na falta deles e da sua boa vontade, qualquer iniciativa fracassará. De acordo com a cartilha do PJe (2010), é necessário, portanto, que sejam abertas duas frentes para essa preparação: treinamento do pessoal da área de tecnologia da informação e treinamento de servidores da área fim quanto à configuração e uso do sistema. Assim sendo, o pessoal da área de TI da SESED deve estar preparado para instalar e manter o sistema, assim como encontrar, reparar e reportar erros. Nesse ponto, a comunicação entre os órgãos é o grande fator determinante. No caso dos sistemas do Juizados Criminais e demais órgãos do Poder Judiciário, o CNJ oferta cursos para que o pessoal de TI se prepare para o uso dos seus sistemas virtuais. Ainda segundo a Cartilha PJE, além dessa capacitação, é importante que ao menos dois servidores de TI acompanhem a configuração do sistema para tirarem dúvidas dos servidores da área Policial e judiciária (escrivães, agentes ou delegados, além de técnicos judiciários) e busquem neles o esclarecimento daquelas relativas ao que se quer na configuração. No tocante as Delegacias, devem ser preparados servidores para as áreas de administração do sistema, administração de órgão instaurador dos inquéritos policiais (IP) e termos circunstanciados de ocorrência (TCO s) e uso em geral (Boletins de ocorrências, Queixas etc). A configuração da administração do sistema, por ocasião da instalação do Sistema de Gestão, Autuação e Distribuição entre os Juizados Criminais e Delegacias (SIGAJUD), será acompanhada pelos servidores de TI dos dois órgãos, o que dará uma substancial base de conhecimento técnico especializado frente as necessidades ocasionadas pela integração. Por fim a administração do órgão instaurador dos IP e TCO s (Delegacias), deverá ser preparada para multiplicadores, preferencialmente a começar pelas unidades que funcionarem como piloto. Igual estratégia deve ser adotada quanto aos usuários.

99 Preparação do ambiente de tecnologia da informação De acordo com o CNJ, um ambiente de tecnologia da informação adequadamente preparado tem significativo impacto sobre as impressões a respeito do sistema. Falhas, quedas e indisponibilidades podem dar a impressão de que um sistema é instável ou imprestável. A equipe de tecnologia da informação do órgão deve, portanto, preparar o ambiente de execução, tanto do ponto de vista de quem provê o sistema quanto de quem o utiliza. Em razão disso para que o projeto seja implantado da forma mais econômica possível, através da criação de um novo modelo ou implementando um já existente, deve-se aproveitar as plataformas dos sistemas já existentes no TJRN par a idealização do SIGAJUD. Essa possibilidade pode ser concretizada través de um acordo de cooperação técnica ou convênio entre a SESED e TJRN, por meio da Diretoria de Tecnologia de Informação do Poder Judiciário e do Conselho Nacional de Justiça. Portanto para a concretização dessa Integração, é necessário que os gestores, servidores, líderes e técnicos que iram projetar o novo Sistema adequem as funcionalidades do SAP-PG 5, PROJUDI ou PJE, às necessidades e carências das Delegacias frente aos Juizados Criminais, levando em consideração características mínimas exigidas, para uma instalação ótima do sistema, sem embargo de ele poder funcionar em contextos mais modestos. Segundo a Cartilha do PJE, elaborada pelo CNJ em 2010, os requisitos mínimos para preparação do ambiente, em termos de equipamentos tais como hardware, scaner, impressoras, leitores de cartão, na fase da implantação de um Sistema Integrado são: I - Microcomputadores Processador de 2 núcleos com 2.0 GHz/núcleo; 2GB de memória RAM; 2 adaptadores de vídeo (para utilização de dois monitores) 2 monitores de vídeo com resolução mínima de 1024x768; Leitora de cartão inteligente (smartcard) ou entrada USB para token criptográfico, conforme o hardware de certificados dos magistrados, servidores e auxiliares; Navegadores: Mozilla Firefox 3.5 ou superior; Microsoft Internet Explorer 8.0 ou superior; quanto aos demais navegadores, o CNJ recomenda que seja testada a versão mais recente. II - Scanners A quantidade de scanners e sua configuração devem ser estudadas de acordo com a demanda prevista de documentos a serem digitalizados nos ambientes informatizados.

100 99 III - Sala de atendimento Instalação de sala para atuação dos servidores que praticarão atos diretamente nas dependências do órgão, inclusive com equipamentos para digitalização. Este equipamento deverá ter tanto a leitura de cartão inteligente quanto a entrada USB para token criptográfico. IV - Links de comunicação Recomenda-se a adoção, por ambiente, de link de 2Mbps, conforme a Resolução 90 do CNJ. Certificados A3 ICP-Br que, de acordo com a Cartilha PJe, os usuários do sistema obrigatoriamente deverão utilizar certificados ICP-Brasil A3 para assinaturas de documentos no sistema. Esses tipos de certificados têm validade de 3 anos Ambiente dos equipamentos servidores Baseado nos requisitos mínimos impostos pelo CNJ, o sistema de integração entre as Delegacias e Juizados deve possuir dois servidores de aplicação, ou seja, computador que controlará o acesso da rede à Internet, responsáveis por todos os pacotes destinados à Internet ou recebidos pela internet, onde são verificados e enviados ao destinatário correto dentro da rede. De acordo com esse Conselho, esse servidor deve conter a seguinte configuração mínimas; 2 processadores quad-core com 2.0GHz/núcleo; 32 GB de memória RAM; 75 GB de espaço em disco, preferencialmente em RAID 1 ou 5; 2 interfaces SAN HBA de 8Gbps; 2 interfaces de rede de 1Gbps; Sistema operacional Linux ou unix-like; Java Runtime Environment versão 1.6; JBoss Application Server versão GA e Certificado A1 ICP-Brasil

101 100 Figura 13: Exemplo de servidor. Fonte: acesso em 15/01/2014 Além do servidor de aplicação, a Cartilha do PJe recomenda que o sistema pretendido dever possuir dois servidores de banco de dados, configurados como master e slave. O Servidor que usa a configuração Master geralmente tem melhor desempenho pois é com essa configuração que se usa o Sistema Operacional (geralmente 99%), já o servidor SLAVE tem a função só de obedecer aos comandos do Master, por isso não se usa sistema operacional nele. Cada um desses servidores devem ter as seguintes configurações mínimas: 2 processadores quad-core com 2.0GHz/núcleo; 32 GB de memória RAM; 75 GB de espaço em disco do sistema operacional, preferencialmente em RAID 1 ou 5; 2 x 2 TB de espaço em disco para os arquivos do sistema gerenciador de banco de dados, um para cada banco de dados do PJe, preferencialmente em RAID 5; 2 interfaces SAN HBA de 8Gbps; 2 interfaces de rede de 1Gbps; Sistema operacional linux ou unix-like; Java Runtime Environment versão 1.0; PostgreSQL ou, na versão de março, Oracle 11g Ainda de acordo as exigências mínimas elencadas, os Links entre os equipamentos servidores devem estar, de forma ideal, interligados em rede de altíssima velocidade, se possível por meio de barramento de fibra ótica.

102 Custos e problemas de adequações Os custos de implantação do Sistema Integrado entre as Delegacias e Juizados, relacionados a programa em si, serão os mínimos possíveis, uma vez que será concebido a partir da cessão do código fonte de um dos sistemas já existentes no JTRN. Como explicado antes, isso será possível após a liberação desse código fonte através de um acordo de cooperação técnica realizado entre a SESED e o TJRN ou CNJ. Tanto poderá ser utilizado o PG 5 quanto o Processo Judicial Eletrônico PJE. Em especial este último uma vez que será esse sistema utilizado em definitivo por todos os tribunais de Justiça do Poder Judiciário brasileiro, consequentemente sendo extintos os demais. O termo ou acordo de cooperação técnica é um instrumento de descentralização de crédito entre órgãos e entidades da administração pública, direta e indireta, para executar programa de governo, envolvendo projeto, atividade, aquisição de bens ou evento, mediante portaria e sem a necessidade de exigência de contrapartida. Esses tipos de acordo vêm sendo utilizados entre as instâncias do próprio Judiciário, como se vê através do Diário Oficial da União DOU, publicado em 1/08/2008, seção 3, página 131: Acordo de Cooperação Técnica nº 004/ CNJ - CSJT - TST - TJRN (Publicado no DOU, seção 3, página 135, de 1º de agosto de 2008) ACORDO N.º 004/2008 (...)Este Acordo tem por objeto a cessão do Sistema Hermes pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte, sem Ônus, para os partícipes e demais órgãos do Poder Judiciário, bem como a cooperação técnica para implantação desse sistema. O Sistema Hermes permite o envio de correspondências por meio de malote eletrônico, visando a celeridade na comunicação de atos processuais e administrativos e a eliminação do trânsito de papéis. (Grifo do autor) Demonstração da viabilidade desse tipo de acordo entre a SESED e TJRN, também é visto através da portaria nº 161/2010 GS/SESED, de 09 de dezembro de 2010 pela qual foi adotada e regulamentada a comunicação oficial e de mero expediente, por meio eletrônico, no âmbito dos órgãos integrantes do Sistema de Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Norte SISP/RN: PORTARIA Nº 161 / 2010 GS / SESED, de 09 de dezembro de 2010 Adota e regulamenta a comunicação oficial e de mero expediente, por meio eletrônico, no âmbito dos órgãos integrantes do Sistema de Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Norte e dá outras providências. O SECRETÁRIO DE ESTADO DA SEGURANÇA PÚBLICA E DA DEFESA SOCIAL, no uso de suas atribuições que lhe confere o art. 54, da Lei Complementar nº 163, de 05 de fevereiro de 1999, CONSIDERANDO a cessão pela Presidência do Tribunal de

103 102 Justiça do Estado do Rio Grande do Norte do Sistema de malote eletrônico HERMES para a Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social SESED; CONSIDERANDO à necessidade de adotar medidas que contribuam para a redução de custos com telefonia e com impressão, envelopagem, selagem e postagem de expedientes internos entre setores dos órgãos integrantes do Sistema Integrado de Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Norte (SISP/RN) Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social, Polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros Militar e Instituto Técnico e Científico de Polícia ITEP e entre eles per si; CONSIDERANDO, finalmente, os Princípios Constitucionais da Eficiência e da Razoável Duração dos Processos, e a necessidade de modernizar a administração dos órgãos integrantes do SISP/RN com a utilização dos recursos disponíveis da tecnologia da informação (...). (Grifo do autor) Todavia, no tocante a aquisição dos ativos de informática tais como servidores, computadores, impressoras, scanners, certificados e acesso à internet, bem como a infraestrutura das Delegacias, ficará sob responsabilidade da Sesed o que, se considerando como um grande entrave na concretização do Sistema integrado entre as Delegacias e Juizados Criminais, em virtude da deficiência em ativos de informática, da falta de uma equipe de TI, e da falta de investimentos em infraestrutura nessa Secretaria, poderá ter o apoio da Secretaria Nacional de Segurança Pública SENASP, órgão do Ministério da Justiça, que se institucionalizou como agente central promotor da reforma das polícias no Brasil, fundamentando-se nos princípios da gestão federalista, respeitando as diferenças existentes e promovendo a integração entre as Unidades da Federação. A SENASP é um órgão da administração direta do poder executivo em âmbito nacional, criada em 1998, e tem por finalidade assessorar o Ministro de Estado na definição e implementação da política nacional de segurança pública e, em todo o território nacional, acompanhar as atividades dos órgãos responsáveis pela segurança pública, por meio das seguintes ações: Concessão de Bolsa-Formação a Policiais Militares e Civis, Agentes Penitenciários e Carcerários, Guardas-Municipais, Bombeiros e Peritos Criminais, de baixa renda, pertencentes aos Estados-Membros Implantação de Postos de Polícia Comunitária Fortalecimento das Instituições de Segurança Pública Valorização de Profissionais e Operadores de Segurança Pública Além dessas ações a SENASP é responsável pelo patrocínio de grandes eventos como: Implementação de Solução Integrada dos Sistemas de Inteligência, de Gestão da Informação e de Telecomunicações para Grandes Eventos

104 103 Fortalecimento das Instituições de Segurança Pública para Grandes Eventos Ações Preventivas Associadas à Segurança Pública para Grandes Eventos Fortalecimento das Instituições de Defesa Civil e de Corpos de Bombeiros para Grandes Eventos. As ações e patrocínios realizados pela SENASP são garantidos por conta do Fundo Nacional de Segurança pública no qual estão previstos: Estratégia Nacional de Segurança Pública nas Fronteiras ENAFRON Apoio à Estruturação, Reaparelhamento, Modernização Organizacional e Tecnológica das Instituições de Segurança Pública. Sistema Integrado de Educação e Valorização Profissional Força Nacional de Segurança Pública Sistema Integrado de Prevenção da Violência e Criminalidade Como se vê a SENASP reconhece, como princípio da Segurança Pública, que o investimento consistente e capaz de mudar sua situação tem de envolver, necessariamente, as instituições de segurança pública da União, dos Estados e dos municípios, além de organizações de diferentes áreas que ultrapassam a segurança pública. Com base nesses esclarecimentos, no intuito de dimensionar valores que atendam aos requisitos mínimos exigidos pelo Sistema, em termos de hardware, foi realizada uma pesquisa de preços pela internet e Lojas de informática, para se ter uma ideia de valores a serem empregado nos equipamentos elencados pela Cartilha do PJe a serem adquiridos pelas Delegacias. Nessa pesquisa não foram levados em consideração marca ou fabricante, apenas observou-se as especificações técnicas que supram as necessidades mínimas exigidas. Pela pesquisa de preço ficou constado que há uma grande variação entre os produtos, todavia foram catalogados os equipamentos de menor e maior valores. Para o servidor, de aplicação e de banco de dados, só foram encontrados equipamentos com configurações maiores que as elencadas pelo CNJ, ou seja especificações técnicas superiores a de 2 processadores quad-core com 2.0GHz/núcleo; 32 GB de memória RAM; 75 GB de espaço em disco, preferencialmente em RAID 1 ou 5; 2 interfaces SAN HBA de 8Gbps; 2 interfaces de rede de 1Gbps. O menor valor encontrado foi de R$ 3.299,00 correspondente ao SERVIDOR HP PROLIANT ML310E G8 C/ WINDOWS 2012 SERVER - QUAD-CORE XEON E3-1220/4. Já o de maior valor foi de R$ ,94 relativo ao 2x Servidor Intel Xeon E GHz,

105 104 96GB DDR3 ECC, SSD 480GB, HD 8TB, nvidia Quadro GB, 2x NVidia Tesla C2075 6GB. Na pesquisa do item computador com as configurações mínimas ou superiores elencadas pelo CNJ, foram encontrados produtos que variavam de preço em torno de R$ 1.145,90 (Computador PC Positivo Intel Celeron 847, Unique K2441, 4GB, HD 500GB, DVD-RW Linux) a R$ ,00 (Computador Dell, Workstation Precision T 7610). Quanto aos leitores e Gravadores de Cartão de Certificado Digital seus preços variaram entre R$ 56,00 (Gem PC TR USB) à R$ 75,00 (Smart Card GEMALTO Gem PC USB-TR), ambos compatíveis com as autoridades certificadoras AC OAB e ICP-Brasil AC CERTISIGN, exigidas. Figura 14: Leitor de Certificado Digital. Smart card. Fonte: em 18/01/2014 Em relação aos navegadores, especificados pelo CNJ, Mozilla Firefox 3.5 e Microsoft Internet Explorer 8.0, ou versões superiores estes já vêm instalados nos computadores ou podem ser baixados gratuitamente pela internet. Os valores dos scanner, comparados aos preços dos computadores e Smart Card são bem elevados, porém sua funcionalidade é essencial para a digitalização dos documentos uma vez que são compactos e de alta velocidade. Esses Scanners são desenvolvidos para digitalizar desde cartões plásticos de identificação até documentos de tamanho ofício. Ele serve para capturar todas as informações contidas em documentos de maneira rápida e com um desempenho confiável, pois eles oferecem alta velocidade de digitalização de até 30 páginas por minuto e 60 imagens por minuto (frente e verso). Esse é um item essencial para a era digital dos tribunais e delegacias porque contribuem com a produtividade e qualidade com a digitalização de documentos de forma eficaz

106 105 e eficiente. A maioria das Secretarias do TJRN, utilizam o Scanner AV186+ que também é um scanner duplex compacto, de alta velocidade que custa em média R$ 2.631,20 (figura 10). Os Valores encontrados no mercado giraram em torno de R$ 1.873,80 (AV176U) e R$ 3.456,90 (SmartOffice PS456U). Figura 15: Scanner AV186+. Foto: em 18/01/2014 Esses valores pesquisados são apenas para efeitos didáticos de referência, pois, como se sabe, no setor público qualquer bem ou produto tem que ser adquirido através das regras da Lei 8.666/93, Lei das Licitações e Contratos, e o quantitativo necessário para suprir as necessidades das Delegacias irá depender de uma análise quantitativa em cada unidade policial da cidade de natal, o que não é objeto desse trabalho. As informações colhidas nas Delegacias que foram visitadas são de que, no mínimo, seriam necessários três computadores, três Scanner e uma impressora em rede, para atender as necessidades de registros de boletins de ocorrências na recepção, para a sala de lavratura de TCO e IP, onde são colhidos os depoimentos e demais provas, além de um para o Gabinete do Delegado de Polícia. Acredita-se que poderia ser acrescentado mais um de cada item desses para o setor de investigação que ficaria à disposição dos agentes de investigação. Como se vê os gastos na criação de um sistema como esse envolve grandes valores. No Estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, para a criação, até abril de 2014, de um Sistema Integrado de Segurança Pública (Sisp). O investimento, segundo dados do governo do estado do RS, seria da ordem de R$ 9,1 milhões. Todavia, esse Sisp tem como finalidade integrar, tão somente, fluxo de dados entre a Brigada Militar, Polícia Civil, Instituto-Geral de Perícias (IGP) e a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), daquele Estado, com objetivo de melhorar e agilizar o atendimento às ocorrências, sem no entanto pensar em uma alternativa de aproveitar os investimentos e fazer, também, a integração com o Poder Judiciário Local. Além de agilizar e melhorar o atendimento à população, o Sisp daquele Estado almeja gerar uma grande econo-

107 106 mia em combustível, entre outros recursos (http://www.rs.gov.br. Acesso em 15/01/2014). Como se percebe, os investimentos na área de segurança pública são muito elevados. Todavia, por meio de acordo de cooperação técnica, custos como esse do Estado do RS poderiam ser compensados ou minimizados Rotinas e procedimentos entre as Delegacia e Juizados Criminais 6 a) Lavratura de ocorrências: A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado da ocorrência (TCO) e o encaminhará ao juizado, com o autor do fato e a vítima para que seja realizada a audiência preliminar. b) Audiência preliminar com agendamento pela delegacia: Quando não for possível o encaminhamento imediato das partes envolvidas à delegacia para a lavratura do termo circunstanciado de ocorrência (TCO) e realização da audiência preliminar, a autoridade policial as encaminha ao juizado, com a audiência preliminar já marcada e com o compromisso do autor do fato, vítima e testemunhas de comparecerem à audiência no dia e hora agendados pela delegacia. c) Desistência formulada pela vítima na delegacia: Em se tratando de crimes de ação penal pública condicionada à representação, a vítima será informada no momento da lavratura do termo circunstanciado de que dispõe do prazo de 6 (seis) meses, para representar contra o autor da infração perante a própria autoridade policial ou perante o Juizado Especial Criminal. Caso não seja feita a representação no prazo estipulado, o procedimento será remetido ao Ministério Público e depois ao juiz, com o posterior arquivamento (extinção da punibilidade decadência do direito de representação ou queixa). d) Representação formulada pela vítima na delegacia: Perante a autoridade policial, a vítima poderá assinar a representação para a instauração da ação penal, com audiência agendada pela delegacia. O TCO é remetido, pela delegacia, ao Juizado Especial Criminal ou à distribuição, onde houver mais de uma vara de Juizado. e) Autuação do processo na secretaria: Após o cadastramento, o processo é remetido à secretaria sorteada, onde é realizada a autuação do processo, com numeração de suas folhas e juntada das certidões de antecedentes criminais fornecidas pelo sistema. 6 Manual do Conciliador Juizados Especiais Federais Criminais TRF da 1ª Região

108 107 f) Audiência. Quando a audiência é marcada, estando as partes devidamente compromissadas, o processo é remetido, juntamente com as certidões de antecedentes criminais do autor do fato, aos conciliadores. Se qualquer dos envolvidos não comparecer à audiência, o conciliador certifica a ausência e o processo retorna à secretaria para atendimento das determinações do juiz. As partes serão intimadas novamente a comparecerem em dia e hora designados para a audiência preliminar. A secretaria providenciará as intimações na forma dos arts. 67 e 68 da Lei 9.099/95. g) Depoimento de testemunhas: as testemunhas serão ouvidas na Delegacia e seus depoimentos serão enviados juntamente com as peças do TCO ou IP. Após essas diligências a audiência preliminar, previamente agendada pela Delegacia, é realizada na presença do autor do fato e do ofendido, acompanhado de seus advogados ou defensores públicos e do Ministério Público. Na própria audiência, a pedido da Defensoria Pública ou Ministério Público, poderá constar na ata a devolução dos autos à Delegacia de origem caso necessite-se de mais diligências a apurar Como é possível integrar os procedimentos entre os dois órgãos Com a definição das rotinas e procedimentos entre a Delegacia e Secretaria do Juizado Criminal fica fácil de identificar quais procedimentos e atividades devem ser integradas para dar maior agilidade aos atos praticados entre os órgãos. O primeira passa pela autuação das partes onde se registra a qualificação completa dos envolvidos, inclusive testemunhas, no momento da lavratura do termo circunstanciado ou inquérito. Após qualificação completa das partes, frustrada a tentava de pôr fim ao litígio, durante a lavratura do TCO ou IP, o termo é encaminhado aos Juizados já com audiência preliminar agendada, o que requer uma prévia ciência das datas e horários através de agenda preparada para cada Delegacia de acordo com as demandas dos Juizados e suas respectivas competências territoriais. Isso requer um bom controle para evitar choque de horários, esquecimento de datas, extravios de documentos etc. Desse ponto em diante a integração começa a ser necessidade entre os Juizados e Delegacias uma vez que para sair desta para aquele as peças processuais devem estar completas, ou seja com qualificação das partes, certidões de antecedentes criminais, ofícios às defensorias, agendamento de audiência, termos de ciência e de compromisso das partes, laudos, provas testemunhas e documentais, numeração dos autos

109 108 etc. Essa etapa de procedimento é chamada de distribuição dos autos, momento onde começa a integração entre os dois órgãos. Essa integração entre as Delegacias de Polícias de Natal e os Juizados Especiais Criminais - JECrim, poderá ser concretizada com a implantação de um sistema que contenha as mesmas funcionalidades do SAJ PG5 ou PJe. Em especial o PJe, já que este Sistema será o padrão de toda a Justiça brasileira. De acordo com a sua nomenclatura poderá ser chamado de SIGAJUD Sistema Integrado de Gestão, Autuação e Distribuição entre Juizados e Delegacias. Esse Sistema deverá ser idealizado através do mecanismo de acordo de cooperação técnica para a liberação do código fonte pelo TJRN ou CNJ permitindo a sua adaptação à realidade das Delegacias, dando, desta forma, maior celeridade na distribuição e transmissão dos Inquéritos e Termos Circunstanciados, entre as Delegacias de polícias e Juizados Criminais, além de integrar todas as unidades policiais entre si e com os Juizados e demais órgãos da Justiça. A criação desse SIGAJUD, através de um acordo de cooperação técnica entre o Executivo e Judiciário, facilitará, também, a elaboração de relatórios e análises dos fluxos de trabalhos e ajustamentos dos procedimentos das Delegacias que são enviados aos Juizados. No TJRN, o sistema de Processo Judicial eletrônico Pje vem sendo utilizado a pouco menos de um ano, tendo sido, no início da implantação, instalado em bases de testes, momento no qual ocorreu o envolvimento de usuários na homologação do sistema, os quais contribuíram para adequar as funcionalidades do PJe as realidades das Secretarias e trâmites processuais. Baseado nessa premissa a criação do SIGAJUD não deve ser um projeto específico da TI da SESED nem tão pouco só do Tribunal, mas de ambos os órgãos como um todo e com apoio do CNJ, que foi quem desenvolveu o sistema de software em âmbito Nacional. A implantação desse projeto de Gestão Integrada envolvendo as Unidades dos Juizados e Delegacias requer um conhecimento profundo do contexto institucional, das condições e variáveis existentes nos dois órgãos que possam favorecer e ou dificultar o desenvolvimento de um novo modelo de gestão compartilhada. Será preciso avaliar, concretamente como as pessoas reagirão perante o novo conceito e prática de gestão compartilhada o que exige outras formas gerenciais diferentes das tradicionalmente adotadas. Com isso deve-se obter os subsídios necessários a avaliação das condições de implantação e à elaboração de estratégias de ação para o desenvolvimento do Projeto de Gestão Integrada entres as Delegacias e Juizados.

110 109 Através de um conjunto de informações, que permita abrir o diálogo entre Sesed e TJRN, deve-se demonstrar os benefícios ou impactos desse Projeto para a solução dos problemas e necessidades de gerenciamento administrativo e organizacional das Delegacias, em face do intercâmbio de informações e processos com os Juizados Criminais. Deve-se demonstrar como essa mudança institucional é necessária para que o modelo de gestão possa ser implantado em nível local, municipal e estadual. Um Projeto dessa dimensão, para o qual deve-se obter, antecipadamente, uma grande quantidade de informações sobre as diferentes realidades pertencentes a cada órgão envolvido, necessita de uma fase experimental para se obter todas as respostas sobre a sua implantação definitiva, fazendo-se as generalizações necessárias para disseminá-lo numa realidade mais ampla, que envolva todo o universo das Delegacias e Juizados. Dessa forma a proposição de um Projeto Piloto, em caráter experimental, tem essa finalidade de se tomar os cuidados necessários para que o modelo de gestão compartilhada seja uma iniciativa válida e seja uma ferramenta alternativa para a gestão de informação com base nas ações de cada ente participante. Para fins de projeto piloto, neste trabalho é proposto que seja realizado no Distrito Judiciário da Zona Norte, uma vez que lá só existe um Juizado Especial Criminal em detrimento das outras zonas da capital, onde há o Juizado Central, composto pelos 1º e 2º JECrim, e JECrim Zona Sul, tendo portanto, em números absolutos, uma demanda maior de processos relativos ao da Zona Norte de Natal. A implantação desse projeto piloto deverá contar com o apoio de grupos de gestores responsáveis pela elaboração de relatórios avaliativos que serão entregues aos Secretários dos órgãos envolvidos que decidirão sobre a viabilidade desse sistema para a SESED e TJRN. A previsão de tempo para uma análise de viabilidade de um projeto desse tipo, de acordo com relatórios internos do TJRN, com base na experiência do PJe, é, em média, de quatro meses, tempo estimado para avaliação da viabilidade de implantação definitiva do novo sistema. Experiências anteriores, como SAJ e PROJUDI, tiveram mesma previsão (TJRN. Notícias. Junho de 2013). A concretização desse projeto contribuirá, consequentemente, para uma maior celeridade dos trâmites processuais entre Delegacias e os Juizados. Atividades manuais antes existentes passarão a ser desnecessárias em um cenário de processo eletrônico, tais como, deslocamento de agentes de polícia para entrega de TCO s e IP, juntadas de petições e demais atos, baixa de TCO s e IP, juntadas de depoimentos de partes e testemunhas, laudos técnicos e

111 110 perícias, além da própria distribuição e remessa dos autos aos Juizados. A utilização de um sistema integrando as Delegacias e Juizados, também, eliminará a necessidade de contagens e prestação de informações gerenciais para órgãos de controle, tais como as corregedorias e os conselhos de polícia e de Justiça, os quais inevitavelmente deverão estar interligados, tendo acesso as informações necessárias diretamente no sistema. Com o SIGAJUD fica a cargo do sistema atribuições de tarefas repetitivas antes executadas por pessoas e, portanto, propensas a erros, tais como a contagem de prazos processuais e prescrições de procedimentos. Como a implantação desse sistema o processo nas Delegacias será completamente eletrônico, o advogado das partes, as partes ou os próprios servidores, por exemplo, poderão em qualquer lugar fora das Delegacias e Juizados, desde que tenham acesso a internet, acompanhar informações dos TCO s e IP, além das Ações Penais. Assim como o SAJ e PJe, o Sistema Integrado de Gestão e Autuação e Distribuição entre os Juizados e Delegacias será um software elaborado em cooperação pelos dois órgãos envolvidos no projeto de intervenção a partir das atividades necessárias que os unem. O objetivo principal dessa cooperação é idealizar um sistema de autuação e distribuição de processos de forma eletrônico capaz de permitir a prática de procedimentos policiais e atos processuais pelos dois órgãos e demais envolvidos diretamente no sistema. Essa é uma proposta que visa convergir os esforços da SESED e do Tribunal de Justiça para a adoção de uma solução única, gratuita sem esquecer os importantes requisitos de segurança, racionalização de gastos com elaboração e aquisição de softwares, permitindo o emprego desses valores financeiros e de pessoal em atividades mais dirigidas à finalidade da Segurança Pública e do Judiciário que é solucionar os crimes e resolver os conflitos respectivamente O que muda com a virtualização das Delegacias Assim como ocorreu nos Juizados e demais órgãos da Justiça Comum, haverá uma otimização na organização interna das Delegacias. Prateleiras, onde são guardados os procedimentos, deixaram de existir. Eliminar-se-á, também, escaninhos ou armários. Haverá mais economia de material de expediente, como papel, caneta, tinta para impressora etc. Com a virtualização dos procedimentos, os processos serão gerados e localizados com mais facilidade, além de distribuídos com mais rapidez, pois estarão registrados no sis-

112 111 tema de autuação e distribuição os quais serão enviados aos Juizados de forma eletrônica, uma vez estando todas Delegacias informatizadas. Nas Delegacias deixará de existir, por exemplo, pilhas de caixas para indicar em qual movimentação os procedimentos estão aguardando diligências, tais como: Aguarda resposta de ofício; Aguarda devolução de diligência; Aguarda expedição de mandado; Aguarda devolução de mandado; Aguarda cumprimento de multa; Réu em cumprimento de pena; Aguardando Laudos; Intimações; Ofícios; Despacho etc. A virtualização elimina também o gasto com livros de registros de cartas, ofícios, editais, sentenças, termos de audiências, depoimentos, boletins de ocorrências, rol dos culpados, mandados judiciais, de certidões, além de toda e qualquer entrada e saída de procedimento/processo na Delegacia. A retirada de documentos ou processos das Delegacias, necessitando da assinatura de quem retirou e de quem recebeu de volta tais documentos, com o Sistema virtual, deixará de existir, pois todos os documentos serão acessados em qualquer lugar através de assinatura eletrônica, por meio de Certificado Digital e Senha. As audiências serão agendadas previamente pelo sistema onde cada unidade policial terá sua própria pauta, evitando, desta forma, atraso nas marcações, marcações duplicadas ou em horário fora da pauta fornecida pelos Juizados. Com essa funcionalidade evita-se também o atraso nas entregas dos procedimentos uma vez que os mesmos serão distribuídos automaticamente, através do SIGAJUD, para o Juizado competente segundo sua territorialidade. O agendamento automático de serviços voltados para o cidadão, através de um Sistema Integrado, já vem sendo utilizado por alguns órgãos públicos. Na Receita Federal o agendamento de atendimento fiscal é feito através do Centro Virtual de Atendimento, o Ecac. Lá o usuário pode escolher a data e o horário de atendimento através desse Sistema que permite, salvar e imprimir o comprovante (figura 9 e 10):

113 112 Figura 16: Agendamento eletrônico. ttps://cav.receita.fazenda.gov.br/ecac/aplicacao/, acesso em 23/03/2014 Figura 17: Senha de agendamento eletrônico. ttps://cav.receita.fazenda.gov.br/ecac/aplicacao/, acesso em 23/03/2014 Nos Juizados Especiais Cíveis do Poder Judiciário o agendamento eletrônico de audiências é realizado, pelos sistemas Projudi e PJe, nos Juizados Criminais e Justiça comum, pelo SAG PG 5, os quais ainda não dispões do PJe. Uma vez designada a audiência, as partes do processo, que possuem , e seus Advogados, receberão eletronicamente as intimações contendo as informações de datas, hora e local de realização (figura 11).

114 113 Figura 18: Sistema Projudi. https://projudi.tjrn.jus.br/projudi/servidor/centroservidor/, acesso em 23/03/2014 Através desses programas as audiências de conciliação agendadas são localizadas e dispostas da seguinte forma: Visualizadas para o dia; Pendentes; Movimentadas no dia; Buscadas pela pauta; Buscadas pela movimentação; Remarcadas automaticamente; Remarcadas de forma manual (criação de horários); Por designação de período. Essas configurações facilitariam as rotinas de lavratura de termos circunstanciados e inquéritos pelas Delegacias com agendamento automático das audiências uma vez que os Juizados Criminais não precisariam estar enviando mensalmente pautas para cada uma das unidades policiais cobertas por sua Jurisdição. Outro ponto importante da virtualização das Delegacias diz respeito a cobrança de multas tais como fianças para os crimes que permitem tais benefícios uma vez o seu pagamento será realizado por meio de depósito judicial. Esse pagamento seria realizado através de conta judicial com boleto emitido pelo próprio sistema, evitando, desta forma, alguma possibilidade de desvio de verbas dentro das unidades policiais. Nos Juizados, assim como na Justiça

115 114 comum, esse mecanismo vem sendo utilizado desde a virtualização dos procedimentos cartorários. Um fator de fundamental importância, em virtude da implantação do SIGAJUD, é a formação de um eficiente banco de dados interligado entre os dois órgãos que facilitará as emissões de certidões de antecedentes criminais, item obrigatório nos Termos Circunstanciados e Inquéritos. A Justiça brasileira já possui um acordo de troca de dados com a Receita Federal, através do CPF, evitando, desta forma, duplicação de informações. As certidões de antecedentes criminais são essenciais e, desta forma, serão juntadas diretamente nos autos informatizados. O Judiciário Potiguar já emite essas certidões diretamente no site do próprio Tribunal de Justiça, através do Esaj que é um portal de serviços onde são emitidas as certidões que dizem respeito aos seguintes assuntos: Ações e execuções cíveis e criminais; Antecedentes criminais (para instruir processo); Certidão de interdição, tutela e curatela; Certidão de falências e/ou recuperação judicial. Os termos processuais, ou melhor, os atos pelos quais o escrivão registra uma transação, descreve um fato, registra uma declaração de vontade que deve produzir efeito jurídico, serão, também, realizados com segurança, através de certificação digital, economizando, papel, tinta de impressora, caneta etc. As delegacias não precisarão disponibilizar um agente de polícia para, simplesmente entregarem TCO s e IP nas unidades dos Juizados, poupando tempo, mão-de-obra, gasolina e custos de manutenção de viaturas, além de contribuir para que a polícia exerça seu verdadeiro papel que é investigar. Tudo isso são reduções de custos que terão sua contrapartida pela compensação dos benefícios que o SIGAJUD trará para as Delegacias Demanda dos Juizados Criminais Sendo sugestão desse trabalho que o projeto piloto para implantação do SIGAJUD seja na Zona Norte de Natal, serão analisados, por esse motivo, apenas a demanda processual

116 115 dessa localidade que servirá de comparativo para trabalhos futuros entre este e os outros Juizados mencionados anteriormente. Conforme Relatório Gerencial do SAJ PG 5 nos anos de 2013, 2012 e 2011 foram distribuídos das Delegacias para os Juizados Especiais Criminais da Zona Norte os processos conforme tabelas a seguir: Processos Entrados 160 Por distribuição 109 Por redistribuição 19 Por Evolução para Ação Penal 32 Em fase de cumprimento de sentença 0 Incidente processual 0 Ação incidental 0 Recurso 0 Procedimentos Entrados 557 Por distribuição 505 Inquéritos policiais e flagrante 12 Termos circunstanciados 488 Cartas Precatórias e de Ordem 5 Por redistribuição 52 Inquéritos policiais e flagrante 49 Termos circunstanciados 3 Cartas Precatórias e de Ordem 0 Processos saídos por redistribuição 86 Sentenças proferidas 868 Decisões interlocutórias 389 Despachos proferidos 803 Sentenças proferidas em relação aos processos entrados 742 Média de processos movimentados no período 277 Tabela 3: Adaptada do Relatório Gerencial da Vara. SAJ PG 5, período de Jan/2013 a Mar/2014 Processos Entrados 76 Por distribuição 49 Por redistribuição 18 Por Evolução para Ação Penal 9 Em fase de cumprimento de sentença 0 Incidente processual 0 Ação incidental 0 Recurso 0 Procedimentos Entrados 567 Por distribuição 539 Inquéritos policiais e flagrante 11

117 116 Termos circunstanciados 524 Cartas Precatórias e de Ordem 4 Por redistribuição 28 Inquéritos policiais e flagrante 26 Termos circunstanciados 2 Cartas Precatórias e de Ordem 0 Processos saídos por redistribuição 56 Sentenças proferidas 827 Decisões interlocutórias 289 Despachos proferidos 471 Sentenças proferidas em relação aos processos entrados 762 Média de processos movimentados no período 295 Tabela 4: Adaptada do Relatório Gerencial da Vara. SAJ PG 5, período de Jan/2012 a Dez/2012 Processos Entrados 40 Por distribuição 38 Por redistribuição 2 Por Evolução para Ação Penal 0 Em fase de cumprimento de sentença 0 Incidente processual 0 Ação incidental 0 Recurso 0 Procedimentos Entrados 666 Por distribuição 648 Inquéritos policiais e flagrante 34 Termos circunstanciados 611 Cartas Precatórias e de Ordem 3 Por redistribuição 18 Inquéritos policiais e flagrante 15 Termos circunstanciados 3 Cartas Precatórias e de Ordem 0 Processos saídos por redistribuição 21 Sentenças proferidas 519 Decisões interlocutórias 77 Despachos proferidos 313 Sentenças proferidas em relação aos processos entrados 479 Média de processos movimentados no período 196 Tabela 5: Adaptada do Relatório Gerencial da Vara. SAJ PG 5, período de Jan/2011 a Dez/2011 Como se percebe, procedimentos registrados e oriundos das Delegacias da Zona Norte e encaminhados para o JECrim, foram nos anos de 2013/214, 2012 e 2011, respectivamente:

118 117 a) De janeiro de 2013 a março de 2014, 557 procedimentos entrados, sendo que destes, 488 pertencem a Termos Circunstanciados e 12 a Inquéritos Policiais. b) Em 2012, 567 procedimentos entrados, sendo que destes, 524 pertencem a Termos Circunstanciados e 11 a Inquéritos Policiais. c) Em 2011, 666 procedimentos entrados, sendo que destes, 611 pertencem a Termos Circunstanciados e 34 a Inquéritos Policiais. Em termos numéricos pode-se dizer que é uma demanda considerada pequena se comparada aos feitos dos Juizados Especiais Cíveis que, por exemplo, só no 2º Juizado Especial Cível da Zona Norte, hoje tramita mais de 3500 processos (Relatório CNJ 2013). Mas não se deve enganar pelos números, pois os procedimentos dos Juizados Criminais envolvem questões mais complexas tais como a integridade física e moral, dano material, crimes contra o meio ambiente a fauna e a flora que requerem uma resposta rápida dos órgão envolvidos na solução do problema, daí a necessidade de existir um Sistema que facilite, agilize e interaja com os dois órgãos para que essa solução satisfaça à sociedade, tornando o Estado mais eficiente, eficaz e efetivo nas suas atividades.

119 118 5 AVALIAÇÃO - CONTRIBUIÇÃO TECNOLÓGICA/SOCIAL Baseado na a análise comparativa dos modelos tecnológicos existentes entre os órgãos envolvidos e o modelo ora proposto, explicado e fundamentado com demonstração das vantagens do sistema a ser implantado sobre o modelo atualmente existente nas Delegacias será destacado de forma analítica e qualitativa as diferenças entre um e outro para comprovar a superioridade do modelo de Gestão, autuação e distribuição entre as Delegacias e Juizados Criminais SIGAJUD, em face do precário e obsoleto modelo de gestão de autuação utilizado nas unidades de polícia civil. Com isso esse projeto de intervenção tem como proposta alterar a forma de relacionamento entre as Delegacias e Juizados Criminais para que haja uma mudança na realidade relacionada aos procedimentos e processos que se originam nas Delegacias e se destinam aos Juizados Criminais do município de Natal. Essa alteração, futuramente, não se limita apenas ao município de Natal, mas também para todo o Rio Grande do Norte. Desta forma, de acordo com a situação institucional observada conclui-se que sua quase totalidade carece de estrutura apropriada para a aplicação e o uso de uma Tecnologia da Informação, seja pela inadequação das instalações físicas, pelas deficiências materiais ou pela insuficiência de ativos de informática dentre outros fatores como redução orçamentária. A relevância e necessidade da implantação de um Sistema Integrado entre esses dois órgãos, tema amplamente utilizado nos Tribunais de todo pais, em especial pelo TJRN, cujo caráter inovador já foi evidenciado pelo CNJ, com premiação por iniciativas inovadoras, através do uso de TI, é condizente com as necessidades gerenciais e estruturais existente nas Delegacias de Polícias as quais clamam pela adoção de medidas que garantam a efetividade de suas ações em todos os sentidos. Na seara em questão, a fim de se estabelecer as condições para o sucesso da implantação e, consequentemente, funcionamento de um Sistema Integrado de Gestão e Autuação entre os Juizados Criminais e Delegacias, é necessária a atuação em conjunto da Secretaria SESED, do TJRN além do Conselho Nacional de Justiça, cuja função, entre outras, é promover a eficiência dos serviços judiciais por meio de ações de planejamento e proposições de políticas judiciárias que garantam o acesso à Justiça. Essas políticas permitem também parcerias sem, no entanto, interferir na esfera autônoma de cada órgão envolvido.

120 119 Não obstante a autonomia e independência de cada organização estudada, por pertencerem a poderes distintos, não se afigura razoável a permanência do quadro que ora se constata, com tamanha diversidade funcional e estrutural entre esses órgãos que atuam em conjunto na resolução dos conflitos humanos, relacionados à área criminal. Hoje, devido a grande demanda, principalmente relativa ao número de procedimentos encaminhados aos Juizados pelas Delegacias, a qualidade e à eficiência da prestação jurisdicional aos cidadãos, carece de padrões mínimos de uniformidade e condições estruturais entre as Unidades Policiais. Por isso, para a concretização desse projeto de intervenção deve-se objetivar, neste aspecto, definição de parâmetros razoáveis de recursos humanos, físicos e materiais, tendo em vista os critérios de demanda e carga de trabalho, sem se descuidar do devido acompanhamento informatizado e da análise anual de dados a fim de se verificar a eficiência de cada unidade integrada. Portanto, é necessário que haja o cálculo da estrutura mínima a ser empregada na Integração pretendida. Desta forma, deve-se levar em consideração, como ponto de partida, o critério objetivo da demanda e o número de ações distribuídas entre as Delegacias e Juizados, considerando, também, outras variáveis a serem analisadas tais como desmembramento ou a criação de novos Juizados e Delegacias. Mostra-se relevante, por conseguinte, considerar, como critério para definição da estrutura mínima, o número de Delegacias e Juizados a serem abrangidos pelo novo Sistema bem como o número de procedimentos/processos em tramitação em cada uma, a fim de que se possa definir o local onde o projeto piloto irá acontecer. Dessa forma, para fins de melhor gestão, na etapa inicial, o correto é que o projeto piloto aconteça de forma individualizada entre uma ou duas Unidade Policiais e um Juizado Criminal, de modo que haja o controle de cada autuação e registro de cada feito. Em sendo assim, a implantação e utilização do Sistema Integrado de Autuação e Distribuição entre as Delegacias de Polícia e Juizados Criminais poderá melhorar e agilizar a autuação e distribuição dos TCO s e IP trazendo benefícios em termos de economia e celeridade processual, pois os sistemas informatizados evitam desperdícios de material de expediente tais como papel, canetas, tintas de impressoras etc, facilitando as tarefas manuais, diminuindo os erros e proporcionando acesso à Justiça. A implantação de um Sistema Integrado com os Juizados nas Delegacias contribuirá, também, para a condução de pesquisas, estudos, relatórios, em diversas áreas da Segurança Pública e Poder Judiciário.

121 120 Valendo -se, pois, de aparatos tecnológicos, ampliação da estrutura judiciária e o fortalecimento da força normativa dos direitos fundamentais, como a Lei 9099/95(Lei dos Juizados) torna-se evidente que a concepção de acesso à Justiça vai além do direito de ação. Dessa forma, a integração através desse Sistema proposto é necessária para que a demanda ingressada nas Delegacias seja direcionada de forma adequada, eficaz e tempestiva. Segundo Watanabe, 1988, p. 128, A problemática do acesso à Justiça não pode ser estudada nos acanhados limites do acesso aos órgãos judiciais já existentes. Não se trata apenas de possibilitar o acesso à Justiça como instituição estatal, e, sim, de viabilizar o acesso à ordem jurídica justa. Foi justamente, nessa direção, que a Emenda Constitucional nº 45/2004 promoveu significativas alterações institucionais. Entre suas principais inovações, destacou-se: a) o direito à razoável duração do processo; b) a proporcionalidade entre o número de juízes na unidade jurisdicional e a efetiva demanda judicial e a respectiva população; c) o funcionamento ininterrupto da atividade jurisdicional; d) a distribuição imediata dos processos em todos os graus de jurisdição; e e) a instituição do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O sistema proposto abrangerá e trará benefícios para todas as Delegacias e Juizados, uma vez que, tratando-se de Tecnologia da Informação o horizonte de abrangência é infinito. Os sistemas Criados pelos Tribunais e CNJ têm uma ampla abrangência territorial, principalmente o Sistema de Processo Judicial Eletrônico PJE, de uso nacional, inclusive enviando dados e relatórios diretamente para os conselhos fiscalizadores como, ouvidoria, corregedoria e CNJ, sem necessidade de uso de papel. As melhorias, com o uso de Sistemas Integrados, alcançadas pelo Judiciário tiveram início entre os anos de 2003 e 2004, época em que se consolida o uso da TI pelos tribunais, com redução de 5% da taxa de congestionamento dos Juizados Especiais Estaduais. Em 2003 a média de processos parados era de 49%, diminuindo 44% em 2004 (tabela 4). Com o uso do novo Sistema utilizado pelos tribunais de Justiça de todo o país há uma expectativa de que haja uma redução em até 70% no prazo de julgamentos dos processos da Justiça Estadual de primeiro e segundo graus, segundo relatório de utilização do PJe (CNJ 2014). Esse é um dos principais benefícios possibilitados pelo uso da Tecnologia da Informação nos tribunais. Capitalizar as vantagens do sistema virtual não é tarefa difícil. Um processo nos Juizados Especiais não virtualizados que levam, em média, 180 dias na tramitação, após a virtualização esse tempo diminui para 45 dias, entre o ajuizamento e a sentença, caso não haja nenhum recurso. Se for contabilizada a redução com gastos financeiros, a média é de 80%

122 121 entre o sistema atual e os anteriores, sem considerar ainda a facilidade de trabalho dos servidores, espaços físicos reduzidos e o ganho ambiental com economia de energia e a eliminação do papel, entre outros (TJRN. Notícias, 6/06/2008). Tabela 6: Taxa de congestionamento. Relatório Estatístico do CNJ Além dos fatores econômicos o uso dos sistemas informatizados afeta, principalmente, os fatores sociais, como bem mostra um estudo estatístico apresentado no I Encontro Nacional dos Juizados Especiais Estaduais e Federais, realizado no ano de 2005 em Brasília, intitulado trabalho Estatísticas da Justiça Federal e prognósticos de seguros, através de uma pesquisa de satisfação entre os usuários dos Sistemas nos Estados brasileiros, pela qual verificou-se que 83,3% das pessoas entrevistadas concordavam, já aquela época, que a virtualização propiciava maior celeridade na solução das causas dos Juizados o que evidencia o quão é importante a dimensão da contribuição dos Sistemas Informatizados para sociedade. Conforme se percebe os custos e problemas de adequação do Sistema a ser implantado nas Delegacias serão compensados pelos benefícios produzidos, além do mais, levando em consideração a aquisição através de convênio, para a liberação do uso do SAJ ou PJe, pelo TJRN ou CNJ, com adequação das funcionalidades desses Sistemas às necessidades das Delegacias. Essa é uma solução em si bastante simples, pois significa que as Delegacias, através da SESED, terão acesso ao código fonte do programa a custo zero. Dessa forma poder-se-á examinar, adequar ou modificar o SAJ ou PEJ, para aplicação de interesse das instituições relacionadas na integração. Essa é uma opção bastante viável, primeiro, porque programas para computadores permitem a liberdade de avaliação e compartilhamento do conhe-

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