V - ESTADO. O ASPECTO HISTÓRICO É aquele que vê o Estado como um fato social em constante evolução.

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1 V - ESTADO 1 ORIGEM E FORMAÇÃO DO ESTADO Origem da Palavra: A denominação de Estado tem sua origem do latim status = estar firme, significando situação permanente de convivência e ligada à sociedade política. Aparece pela primeira vez em o príncipe, escrito por Nicolau Maquiavel em Eis o texto do capítulo: De quantas espécies são os principados. E quantas são as maneiras em que se adquirem. Todos os Estados, os domínios que existiram e existem sobre os homens, foram e são Repúblicas ou Principados. Os principados, ou são hereditários e seu senhor é príncipe pelo sangue de longa data, ou são novos. São os novos inteiramente novos, tal Milão com Francesco Sforza, ou tais membros juntados a um Estado que recebe por herança um príncipe, tal o reino de Nápoles ao Rei da Espanha. Tais domínios assim recebidos são, seja habituada a sujeição a um príncipe, seja livre, e são adquiridos com tropas alheias ou próprias, pela sorte ou pelo valor. A partir daí, então a palavra Estado passou a ser usada pelos italianos sempre ligados ao nome de uma cidade independente, como por exemplo, Stato de Firenze. Os franceses, ingleses e alemães adotaram a expressão no decorrer dos séculos XVI e XVII e, até o século XVIII, os espanhóis aplicavam a denominação Estado também para grandes propriedades rurais de domínio particular, cujos proprietários tinham poder jurisdicional. De qualquer forma, é certo que o nome Estado, indicando uma sociedade política, só aparece no século XVI, e este é um dos argumentos para alguns autores que não admitem a existência do Estado antes do século XVI. Várias são as teorias, na origem do Estado, que investigaram as causas de seu surgimento, todavia, três são os aspectos que devem ser considerados: O aspecto sociológico; o aspecto histórico; e o aspecto doutrinário. O ASPECTO SOCIOLÓGICO É aquele que diz respeito à verificação dos elementos formadores (constitutivos ou essenciais) das primeiras sociedades políticas buscadas pelo ser humano. O ASPECTO HISTÓRICO É aquele que vê o Estado como um fato social em constante evolução. Por fim, quanto ao ASPECTO DOUTRINÁRIO É aquele que o analisa do ponto de vista filosófico (ou seja, filosofia pura).

2 2 CONCEITO DE ESTADO (ESPLICADO) = acompanhe a leiura no texto negritado. Estado é a sociedade necessária em que se observa o exercício de um governo (terceiro elemento delegação de soberania nacional). É uma delegação de soberania nacional. É o conjunto das funções necessárias à manutenção da ordem jurídica e da administração pública. Segundo Esmein é a própria soberania posta em ação. Para a escola alemã, é um atributo indispensável da personalidade abstrata do Estado. Finalmente, Léon Duguit ensina que a palavra governo tem dois sentidos: coletivo e singular. O primeiro (coletivo) como conjunto de órgãos que presidem a vida política do Estado. O segundo (singular) como poder executivo dotado de soberania a exercer seu poder sobre uma população (sem essa substância humana não há que se cogitar da formação ou existência do Estado). Representa, na sociedade política, o elemento humano, comum a todas as sociedades (massa humana). O conceito de população não se confunde com o conceito de povo. População tem conotação quantitativa, explicitando a multidão de indivíduos que compõe o Estado. Povo é o conjunto de indivíduos qualificados pelo vínculo da nacionalidade. A importante distinção está nos direitos políticos, cujo exercício se restringe tão somente aos nacionais, num determinado território (base física onde ocorre à validade da sua ordem jurídica). É uma parte determinada do globo terrestre (chamada também de base física) na qual um Estado exerce a sua soberania. É patrimônio sagrado e inalienável do povo (assim ensina o professor Pedro Calmon). É o espaço certo e delimitado onde se exerce o poder de governo sobre os indivíduos. Daí se concluir que o conceito possui conteúdo de natureza política não se reduzindo ao significado geográfico. Afirma, o professor Queiroz Lima, que: Território, tanto quanto população e governo são indispensáveis à configuração do Estado moderno. Compreende o território: a superfície terrestre; o supra solo; o subsolo; e o mar territorial, onde cria, executa e aplica seu ordenamento jurídico, visando o bem comum (observação: o conceito no texto negritado é do professor Pedro Salvetti Netto in Curso de Teoria do Estado); Ou é um agrupamento humano estabelecido em determinado território e submetido a um poder soberano que lhe dá unidade orgânica (conceito do mestre Clóvis Bevilácqua); Ou a pessoa jurídica soberana, constituída de um povo organizado sobre um território sob comando de um poder supremo, para fins de defesa, ordem, bem estar, e progresso social (conceito de Alessandro Groppali). Finalmente, é a nação politicamente organizada (o mais corrente Professor Pedro Calmon). Merece aqui e agora, os ensinamentos do festejado professor Hely Lopes Meirelles (in Direito Administrativo Brasileiro) O conceito de Estado varia segundo o ângulo em que é considerado. Do ponto de

3 vista sociológico, é corporação dotada de um poder de mando originário (Georg Jellinek); sob o aspecto político é comunidade de homens, fixada sobre um território, com potestade superior de ação de mando e coerção (Carré de Malberg); sob o prisma constitucional é pessoa jurídica territorial soberana (Biscaretti di Ruffia); na conceituação do nosso Código Civil, é pessoa jurídica de direito público interno. Como ente personalizado, o Estado tanto pode atuar no campo do direito público como no de direito privado mantendo sempre sua única personalidade de direito público, pois a teoria da dupla personalidade do Estado se acha definitivamente superada. Esse é o Estado de Direito, ou seja, o Estado juridicamente organizado e obediente às suas próprias leis. 3 ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO ESTADO São três os elementos constitutivos também chamados de formadores ou essenciais do Estado: população, território e governo. Vejamos cada um deles: POPULAÇÃO (sem essa substância humana não há que cogitar da formação ou existência do Estado) = Representa, na sociedade política, o elemento humano, comum a todas as sociedades (massa humana). O conceito de população não se confunde com o conceito de povo. POPULAÇÃO Tem conotação quantitativa, explicitando a multidão de indivíduos que compõe o Estado. POVO É o conjunto de indivíduos qualificados pelo vínculo da nacionalidade. A importante distinção está nos direitos políticos, cujo exercício se restringe tão somente aos nacionais. TERRITÓRIO (base física onde ocorre à validade da sua ordem jurídica) = É uma parte determinada do globo terrestre (base física) na qual um Estado exerce a sua soberania. É patrimônio sagrado e inalienável do povo (Pedro Calmon). É o espaço certo e delimitado onde se exerce o poder de governo sobre os indivíduos. Daí se concluir que o conceito possui conteúdo de natureza política não se reduzindo ao significado geográfico. Afirma o professor Queiroz Lima: Território, tanto quanto população e governo são indispensáveis à configuração do Estado moderno. Compreende o território: a superfície terrestre; o supra-solo; o subsolo e o mar territorial. GOVERNO: (mais um elemento delegação de soberania nacional) = É uma delegação de soberania nacional. É o conjunto das funções necessárias à manutenção da ordem jurídica e da administração pública. Segundo Esmein: é a própria soberania posta em ação. Para a escola alemã: é um atributo indispensável da personalidade abstrata do Estado. Finalmente, Léon Duguit

4 ensina: que a palavra Governo tem dois sentidos: coletivo e singular. O primeiro (coletivo) como conjunto de órgãos que presidem a vida política do Estado. O segundo (singular) como poder executivo. 4 FORMAS DE ESTADO O Estado perfeito e o Estado imperfeito; vejamos: ESTADO PERFEITO: É aquele que reúne os três elementos constitutivos: população; território; e governo, cada um na sua (perfeita) integridade. O elemento governo entende-se como poder soberano irrestrito. É característica do Estado perfeito, sobretudo, a plena personalidade jurídica de direito público internacional. Podem ser: SIMPLES = É aquele que corresponde a um grupo populacional homogêneo, com seu território tradicional e seu poder público constituído por uma única expressão que é o governo nacional; e COMPOSTO = A união de dois ou mais Estados, apresentando duas esferas distintas de poder governamental, e obedecendo a um regime jurídico especial, variável em cada caso, sempre com a predominância do governo da União como sujeito de direito público internacional. É uma pluralidade de Estados, perante o direito público interno, mas no exterior se projeta como uma unidade. ESTADO IMPERFEITO: É aquele que embora possuindo os três elementos constitutivos (população, território e governo), sofre restrições em qualquer deles. Essa restrição se verifica, com maior freqüência, sobre o elemento governo. O Estado imperfeito pode ter administração própria de autoorganização, mas não é Estado na exata acepção do termo enquanto estiver sujeito à influência tutelar de uma potência estrangeira. Não sendo soberano, não é pessoa jurídica de direito público internacional, logo, não é Estado perfeito. 5 TIPOS CARACTERÍSTICOS DE ESTADO COMPOSTO Quatro os tipos que caracterizam o Estado composto,

5 vejamos: 1º Tipo e característica = UNIÃO PESSOAL É uma forma própria da Monarquia, que ocorre quando dois ou mais Estados são submetidos ao governo de um só Monarca. Resulta esse fato, em regra geral, do direito de sucessão hereditária, pois um mesmo príncipe, descendente de duas ou mais dinastias, poderá herdar duas ou mais Coroas. Entretanto, pode resultar de eleição ou de acordo internacional. 2º Tipo e característica = UNIÃO REAL Consiste na união íntima e definitiva de dois ou mais Estados, conservando cada um a sua autonomia administrativa, a sua existência própria, mas formando uma só pessoa jurídica de direito público Internacional (forma tipicamente Monárquica). 3º Tipo e característica = UNIÃO INCORPORADA É a união de dois ou mais Estados distintos para a formação de uma nova unidade. Neste caso, os Estados se extinguem. São completamente absorvidos pela nova entidade resultante da incorporação. 4º Tipo e característica = CONFEDERAÇÃO É a reunião permanente e contratual de Estados independentes que se ligam para fins de defesa externa e paz interna. 6 NASCIMENTO DO ESTADO Três são os modos para nascer um Estado. Pode ser: pelo modo originário; pelo modo secundário; e pelo modo derivado. 1º Modo = ORIGINÁRIO Quando um agrupamento humano (mais ou menos homogêneo), estabelecendo-se em um certo território, organiza o seu governo e passa a funcionar nas condições universais da ordem política e jurídica. No dizer do professor Celso Seixas Ribeiro Bastos (in Curso de Teoria do Estado e Ciência Política) o modo originário = É aquele em que o Estado nasce do próprio meio onde se estabelece a sociedade, diretamente do povo, sem qualquer influência de fatores externos. 2º Modo = SECUNDÁRIO Quando uma nova unidade política pode nascer da união ou da divisão de Estados (confederação = União permanente entre Estados independentes e soberanos com vistas à realização de empreendimentos de interesse comum, quais sejam, a defesa exterior e a manutenção da paz interna;

6 FEDERAÇÃO = União nacional mais restrita e indissolúvel, em outras palavras, os Estados passam a constituir uma única pessoa jurídica de direito público internacional, ou seja, um só Estado soberano; UNIÃO PESSOAL = Ocorre quando dois ou mais Estados são governados por um único monarca. Essa união decorre, na maioria das vezes, em razão do princípio de sucessão hereditária dos reis ou de princípios convencionais, por meio de acordo internacional, de um determinado monarca; ou UNIÃO REAL = União de dois países formando um só Estado para efeitos externos, embora internamente ambos conservem autonomia). Também no dizer do professor Celso Seixas Ribeiro Bastos (obra acima citada) o modo SECUNDÁRIO = É aquele em que o Estado nasce da união ou da divisão de Estados. Ele nasce da união de Estados no caso da confederação, da federação, da união real e da união pessoal; e da divisão de Estados quando esta for nacional ou sucessória. 3º Modo = DERIVADO quando o Estado surge em conseqüência de movimentos exteriores (colonização ato de governo concessão dos direitos de soberania). Ainda nos ensinamentos do professor Celso Seixas Ribeiro Bastos (obra acima citada) o modo derivado é aquele que decorre de movimentos exteriores, quais sejam, colonização, concessão de direitos de soberania e ação de um governo estrangeiro. A colonização é uma forma utilizada para povoar e proteger as terras descobertas de possíveis invasores. Há dois tipos de colonização: (I) A de povoamento, que tem por objetivo povoar as terras, e (II) a de exploração, que tem como intuito extrair as riquezas das colônias. 7 EXTINÇÃO DOS ESTADOS No que se refere à extinção dos Estados, duas são as causas que podem levar o Estado à sua extinção: Causa geral ou Causa específica. Vejamos a cada uma delas:

7 1ª Causa = GERAL Ocorre o desaparecimento do Estado como unidade de direito público, sempre que, por qualquer motivo, faltar um dos seus elementos constitutivos ou essenciais ou formadores, ou seja: população, território e governo. Faltando um deles (não importa qual) não existe mais o Estado. 2ª Causa = ESPECÍFICA Quando ocorrer por conquista, emigração, expulsão ou por renúncia. Vejamos cada causa: (a) CONQUISTA: Quando desorganizado, enfraquecido, sem amparo de um órgão internacional de justiça e segurança, é invadido por forças estrangeiras. Como exemplo, os mestres indicam a Idade Antiga (período em que era comuns a ocupação do território e a conquista da população por um outro Estado); (b) EMIGRAÇÃO: Quando sob a pressão de qualquer acontecimento imprevisto (que pode ser: o clima, a falta de alimentos, etc) toda a população nacional abandona o país; (c) EXPULSÃO: Quando forças conquistadoras, ocupando plenamente o território do Estado invadido, obriga a população vencida (geralmente os primitivos) a se deslocar para outra região; (d) RENÚNCIA: Desaparecimento espontâneo que ocorre (renúncia aos direitos de soberania) quando uma sociedade vem a renunciar aos seus direitos de autodeterminação em favor de uma outra sociedade (devemos entender como um outro Estado), quando esta (sociedade ou Estado) for mais forte.

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