A REFORMA DO ESTADO E A POLÍTICA DE SAÚDE: REPENSANDO O ESTADO RESUMO

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "A REFORMA DO ESTADO E A POLÍTICA DE SAÚDE: REPENSANDO O ESTADO RESUMO"

Transcrição

1 1 A REFORMA DO ESTADO E A POLÍTICA DE SAÚDE: REPENSANDO O ESTADO Emerson Gonçalves 1 RESUMO As transformações ocorridas na saúde e que culminaram com o Sistema Único de Saúde (SUS) podem se caracterizadas como uma Reforma do próprio Estado. Portanto, a proposta aqui é analisar o Sistema de Saúde brasileiro e o seu processo de descentralização. Dentro deste contexto, os municípios se apresentam como base de sustentação do sistema, demonstrando que a descentralização pode ter um potencial significativo nas políticas de saúde. O objetivo aqui é contribuir para o debate acerca da descentralização e de alguma forma estimular a discussão com relação a saúde enquanto política de Estado. Palavras-chave: Reforma do Estado - Sistema Único de Saúde Descentralização. 1. Reforma do Estado: Em Busca de Uma Cidadania O debate com relação ao Estado e as políticas públicas remete à questão da limitação fiscal diante de inúmeras obrigações assumidas a partir da Segunda Guerra Mundial ( ). Nos países centrais (ricos/desenvolvidos), a discussão gira em torno da globalização e a crise do Estado do Bem-estar Social, estabelecendo como contrapartida discussões em torno das questões distributivas e sociais dentro de um atento olhar neoliberal. Nos países periféricos (como o Brasil), a discussão vem marcada pela crise fiscal do Estado e pelo fenômeno da globalização 2 que impulsiona 1 Cientista Político pela Universidade do Vale do Itajaí UNIVALI. Este trabalho foi produzido a partir da minha Monografia apresentada ao Curso de Ciência Política da UNIVALI. 2 Um processo de diminuição dos limites entre o nacional e o global e o surgimento de corporações transnacionais. A distância entre os países torna-se mais próxima, sendo assim, uma nova natureza nas relações internacionais (VIOLA, 1997, p. 65).

2 2 para a necessidade de ajustes a fim de se adequar à nova ordem capitalista, e também pelas profundas desigualdades no campo social (COHN, 1997, p. 101). Nas décadas de 1950 e 1960 surgiu a teoria do Estado Desenvolvimentista, na qual transferia ao Estado a competência para provocar mudanças estruturais em suas sociedades, sua responsabilidade foi dirigida para a promoção da industrialização, no desenvolvimento urbano e nos setores básicos da economia para acelerar o desenvolvimento econômico-social. Durante a década de 1970, começa-se a questionar o Estado Desenvolvimentista, colocando-o como um problema devido ao fracasso em algumas áreas definidas como prioritárias. Por isso prevalece na década de 1980 a teoria do Estado Mínimo, o mercado assim, assumindo o papel regulador. Com relação ao Brasil, o país tem uma longa tradição autoritária na política, o predomínio de um modelo oligárquico, burocrático, fez com que o Estado fosse marcado pela marginalização política e social, pelas privatizações e um período marcado pelo pensamento neoliberal. A sociedade e a política brasileira são marcadas pela predominância do Estado sobre a sociedade e por colocar obstáculos na construção de uma cidadania e uma participação efetiva. O Brasil também enfrenta uma enorme desigualdade social que aumenta devido a uma economia de altos e baixos e um desmonte do Estado (SANTOS, 2002, p. 458). No decorrer do século XX, as classes dominantes do país tinham como projeto político principal a modernização/industrialização do Brasil. Esse projeto transformou o país (de predomínio rural na época) na décima economia do mundo. Só que este processo teve conseqüências, a vulnerabilidade social ao longo do século XX fez com que o Brasil se tornasse um dos países com maior taxa de desigualdade no mundo. O processo de modernização criou desigualdades regionais e locais, o aumento da população na área urbana não foi acompanhado pelo setor público, na maior parte das cidades brasileiras as deficiências em termos de infra-estrutura eram enormes, como por exemplo, o pouco acesso a rede de abastecimento público de água, etc. (AVRITZER, 2002, p. 570).

3 3 Dois pontos importantes influenciaram na pouca estrutura dos serviços públicos desta época: a falta de organização da população para reinvidicar direitos e as práticas clientelistas que assim ditavam a distribuição de bens públicos. Com relação à saúde, a mobilização político-social das décadas de 1960 e 1970 criou questionamentos em relação ao sistema de saúde existente. Devido à crise fiscal do Estado, em meados da década de 1970, esses questionamentos se alimentaram configurando uma agenda após o período do Estado do Bem-estar Social e que serviu de orientação para as reformas que viriam a seguir. Na década de 1980, a crise da saúde reduziu-se a uma crise nos serviços de assistência, paralelo a esta crise, já se identificava uma preocupação com as despesas no sistema e tentativas para a redução de gastos relacionados à área (ALMEIDA, C. 1997, p. 178). Para os países periféricos a inserção do tema (déficit público/gasto sanitário) abre espaço na agenda política devido aos grandes índices de pobreza e agravamento das condições influenciadas por uma crise econômica e diminuição de investimentos públicos nesta área. A fundamentação das justificativas do movimento de reforma dos sistemas de saúde, que se tornou evidente na década de 1980, apoiou-se em vários argumentos, principalmente naquele que decretava o fim do Estado do Bem-estar Social. Como ressalta Célia Almeida (idem, p. 181, grifo do autor): O Estado do Bem-estar Social havia se sobrecarregado e as democracias ocidentais haviam se tornado ingovernáveis [...] desfazendo-se de algumas funções, o Estado poderia aliviar-se de certas demandas e dos conflitos gerados por elas; além disso, diziam os neoconservadores, o governo era intrinsecamente incompetente para algumas tarefas, [...]. Em nosso país, a governabilidade é sinônimo de dificuldade devido à fragilidade do próprio Estado diante de interesses de classes, ocasionado em parte pela falta de tradição democrática, e também pela existência de uma grande parcela da população beirando à pobreza, situações estas, que exigem do Estado respostas rápidas e eficientes na área social através de políticas sociais. Esta questão/problema insere no debate sobre a governabilidade o confronto do Estado na administração da coisa pública diante do capital privado (GERSCHMAN, 1997, p. 56).

4 4 Com a crise profunda do Estado do Bem-estar Social, surgem as questões neoliberais como uma forma de saída para a paralisia econômica. Desta forma, isso trouxe ao cenário político europeu (iniciando na Inglaterra) os governos conservadores, que tinham como objetivo desmontar as concepções do Estado do Bem-estar Social, ao mesmo tempo em que o domínio do capital foi tomando força e corpo e se estendeu para além das fronteiras européias (idem, p. 59). A Carta Política de 1988 buscou na Seguridade Social um padrão de proteção que se queria, ou seja, abrangente e bem distribuído. Durante o primeiro governo após a ditadura, as políticas sociais transformaram-se, surgiu um conceito de Seguridade Social, a universalidade de cobertura e atendimento, a irredutibilidade de valores pagos, o envolvimento da comunidade nas decisões e o caráter descentralizado na gestão, etc. Estes foram alguns princípios inseridos no texto Constitucional e que corresponderam aos anseios de vários segmentos da sociedade (VIANNA, 1997, p. 170). Todavia, o sistema de proteção social no Brasil está além das necessidades sociais, mesmo tendo como princípio a universalidade como promoção da cidadania. Os benefícios públicos na prática se resumem a míseros benefícios às classes mais baixas, enquanto que ao mercado fica a tarefa de cobrir aqueles cuja situação econômico-social permite adquirir planos e seguros privados de saúde (um sistema tipo americanizado). A modernização econômica defendida pelo governo militar desde 1964, alavancou o capitalismo, e trouxe para este universo setores como a assistência médica. Com a criação de novos atores, novos interesses surgiram, a ditadura mudou a relação entre Estado/Sociedade, e assim, a facilidade da penetração da onda privatista aumentou dentro do poder estatal. No Brasil a necessidade de criação de um eficiente sistema estatal de Seguridade Social é indiscutível, mas também construir um novo Estado do Bem-estar Social diante do efeito da globalização não é nada fácil, se constituindo assim num projeto muito complexo (idem, p.172). A discussão entre os keynesianos 3 e os neoliberais não era um confronto técnico inerente à economia e nem uma busca de 3 Nas palavras de Pereira, P. (2002, p. 32) a doutrina keynesiana (do economista John Maynard Keynes) forneceu bases para a implantação de uma forma de regulação da atividade econômica contrária da teoria econômica clássica, defensora da auto-regulação do mercado. Para Keynes o governo deveria promover as obras públicas e conseqüentemente isso levaria a geração de empregos devido, de modo geral, ao aquecimento da procura dos produtos postos à venda. Desta forma esse pensamento deu margem a uma plena intervenção estatal tanto na economia como na área social. Essa doutrina estimulou a adoção de medidas que incluíam a regulação do mercado, o controle dos preços, a distribuição de renda, o investimento público, etc.

5 5 soluções para os problemas econômicos, era sim, uma guerra de ideologias, com argumentação de ambos os lados. Os keynesianos afirmavam que os altos salários, o Estado do Bem-estar Social, etc., haviam criado uma demanda de consumo que alimentava e protegia a economia, por outro lado, os neoliberais afirmavam que o contexto político-econômico da era de Ouro 4 (pós ), criavam obstáculos para o controle da inflação e o controle de gastos tanto no setor público como privado (HOBSBAWM, 1995, p. 399). Diante de várias incertezas quanto ao desenvolvimento, o papel do Estado é fundamental na busca pela necessidade de mudanças. Nesse contexto, é essencial por parte do Estado buscar uma redefinição/reforma, a fim de adquirir um importante papel de agente fomentador. A nova sociedade (pertencente à terceira revolução industrial) busca impor desafios ao Estado. Dentro de uma perspectiva política, o Estado é confrontado por vários interesses de grupos ligados ou não à política. Portanto, quando se discute a Reforma do Estado, o que se coloca é a definição de um novo modelo que supere os vários tipos de Estado que não conseguem ser ágeis e dar respostas à sociedade (BODSTEIN, 2000, p ). O Estado brasileiro passou por várias reformas desde o período do Estado Novo (o segundo Governo Vargas) ao Governo Fernando Henrique Cardoso. Podemos destacar quatro fases destas reformas segundo Magalhães (2004, p. 47): A primeira fase: foi a Reforma Administrativa do Governo Getúlio Vargas durante o Estado Novo, onde foi adotada a centralização administrativa por parte do Estado, neste período foi criado o Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP); A segunda fase: foi uma modernização administrativa implantada pelo Governo de Juscelino Kubitschek, onde procurou direcionar o aparelho do Estado para os projetos de desenvolvimento através da industrialização e a construção da capital do país, Brasília, também investiu na descentralização e na diminuição da burocracia; A terceira fase: foi marcada pelos Governos Militares iniciado em 1964, com a proposta de desenvolvimento econômico. No Governo do presidente Médici foram criados os Planos Nacionais de Desenvolvimento (PNDs), planos estes que 4 A uma Era de catástrofes de 1914 até depois da Segunda Guerra Mundial, segue-se cerca de 25 ou 30 anos de extraordinário crescimento econômico e transformação social, pode-se ver este período como uma espécie de Era do Ouro, tendo seu término no início da década de 70 (HOBSBAWM, 1995, p. 15).

6 6 determinavam as prioridades do país no âmbito sócio-econômico, desta forma, neste período ocorreu um inchaço no setor público; A quarta fase de Reforma do Estado: já no então Governo de Fernando Henrique Cardoso, se dedicou à uma Reforma Administrativa, sendo direcionada através do Plano Diretor de Reforma do Estado, neste período adotou-se uma terceirização de serviços, um enxugamento do setor público e conseqüentemente uma redução do Estado através das privatizações. O Estado deve ser entendido como uma instituição complexa, necessária para o bom andamento da democracia e da sociedade. Portanto, a confirmação dos direitos sociais diz respeito a uma democratização das sociedades que origina um Estado voltado para o interesse social, se opondo ao Estado Mínimo e ao conceito liberal, precisando criar um novo tipo de intervenção estatal, mais efetiva e eficiente (BODSTEIN, 2000, p. 86). Com a propagação da minimização da intervenção estatal na economia através de privatizações e outras medidas, conseqüentemente a redução das atividades do Estado do Bem-estar Social torna concreta a privatização das políticas sociais, sendo assim uma nova forma é proposta de organização da sociedade. Vale lembrar que segundo o receituário neoliberal, no âmbito estritamente econômico, o padrão de intervenção do Estado do Bem-estar Social deve ser esquecido, retirando assim o Estado da economia através de uma grande onda de privatizações do setor estatal. Portanto, no plano social, a igualdade e solidariedade cedem lugar à diferenciação e ao individualismo influenciado pelo capital (UGÁ, 1997, p. 85). 2. O Sistema de Saúde Brasileiro e os seus Desafios: Crise Ou Transição? O Brasil ao longo das décadas multiplicou sua produção tanto agrícola como industrial, houve um crescimento elevado da população, se espalhando pelo território brasileiro. Mas com todas essas transformações econômico-sociais, o país ainda passou por turbulências. Na história econômica brasileira após a crise de 1929 (quebra da Bolsa de Nova York), registrou-se que o país apresentou uma taxa de crescimento muito elevada, chegando próxima aos 6% ao ano, isso fez com que o Brasil se colocasse entre as dez maiores economias do mundo (MUNHOZ, 2002, p. 267).

7 7 Dentro de uma visão histórica da economia brasileira, o que se revela é que muitos problemas e dificuldades o país enfrentou nas décadas posteriores à Todavia, apesar de uma crise econômica e altos índices de inflação até meados de 1994, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro apresentou crescimento nos anos posteriores, mas esse crescimento foi acompanhado pela crise no setor da saúde devido aos baixos investimentos (COHN, 1997, p. 227). Com relação à assistência médico-hospitalar, a crise no setor é notícia freqüente, hospitais públicos com superlotação, faltam leitos, faltam equipamentos, medicamentos, funcionários e os hospitais privados selecionando pacientes através da fila dupla. No Brasil a assistência à saúde desde suas origens esteve vinculada à Previdência Social, esta assistência social teve seu financiamento relacionado com a contribuição do empregado e do empregador. Com a implantação deste seguro social na década de 1920, é que se define o direito à assistência médica, mas limitado devido à disponibilidade de recursos, os gastos com a saúde foram definidos num limite que não ultrapassasse 12% da receita da Previdência Social. Na década de 1930 os gastos com a assistência médica se concentram na compra de serviços privados para garantir assim um maior acesso aos serviços de saúde. Nesse período inicia-se também o processo de industrialização do país e de 1945 a 1960, esta industrialização assume um papel que passou a ser denominado de substituição de importações, tendo como lógica a necessidade de articulação das políticas sociais e a necessidade de investimentos do Estado em setores básicos da economia (idem, p ). Já no período de 1964 a 1975 tem como marca o desenvolvimento sem democracia, em se tratando de políticas sociais, esta assume um caráter centralizador por parte do Estado brasileiro, é nesse período que ocorre e se consolida no país a privatização da assistência médica. Durante a década de 1980, o país passou por oito planos de estabilização econômica, no entanto, isso não resultou num ajuste estrutural da economia e nem na estabilização (idem, p. 236). Como conseqüência, o Brasil entra na década de 1990 convivendo com altos índices de inflação e com iniciativas de privatização para enfrentar o fantasma do déficit público. No Brasil, a saúde precisa ser pensada também no que diz respeito ao seu

8 8 financiamento, para assim avançar na conquista da universalidade e equidade dos serviços. Reverter este processo significa reformular a questão do financiamento dentro do sistema de Seguridade Social, já que esses recursos em grande parte continuam vindo da contribuição de empregados e empregadores (idem, p. 240). É necessário também formular a questão do financiamento aos serviços privados de saúde que prestam serviços à população, haja visto que o setor não estatal de saúde no país, historicamente, é financiado com recursos da Seguridade Social. Esse financiamento é realizado mediante a contratação de serviços por parte do Estado ao setor privado e por meio de subsídios, através de incentivos fiscais. Entretanto, é necessário principalmente analisar a questão do financiamento do setor público com o próprio setor público, ou seja, diz respeito às condições de repasse de recursos nas três esferas de governo, embora o nível municipal seja o responsável pela saúde de sua população (descentralização). O que se caracterizou na relação entre os três níveis de governo foi o pagamento pelos serviços prestados, como conseqüência, apesar da democratização do setor através da descentralização, o que se tem visto é uma desconcentração. Conforme Junqueira (1997, p. 186): Desconcentração implica transferência de algum poder por delegação. [...] o órgão que transfere competências não perde seu poder de decisão [...]. Portanto, neste modelo existe a transferência de encargos, mas sem autonomia para a gestão em matéria de financiamento (recebe-se recursos se forem prestados os serviços determinados pela esfera federal), com isso o município não tem autonomia em determinados casos. Com relação aos gastos públicos, dois fatos agravam a situação, como ressalta Cohn (idem, p. 242): [...] o primeiro à distribuição dos gastos públicos entre as instituições públicas e privadas, e o segundo à distribuição desses gastos por complexidade de atos médicos diante do perfil de morbi-mortalidade da população. Mesmo com a ampliação do acesso, as políticas públicas não conseguiram transformar isso em fator de inclusão. A qualidade de vida é um fator importante para a boa saúde, a desigualdade expressa os dados citados anteriormente, não tem como

9 9 exigir de um sistema de saúde a superação dos problemas sanitários sem que se definam ações sobre a desigualdade social, que acaba também produzindo a doença. Segundo o Censo de 2000 existe mais de domicílios com abastecimento de água canalizada em pelo menos um cômodo, a Região Sudeste possui o maior percentual, são mais de No que diz respeito aos domicílios com instalações sanitárias a Região Nordeste é a que possui o maior número de domicílios sem instalação sanitária, são mais de , no Brasil este número passa dos (DATASUS, 2004). Este quadro joga para o Estado um importante papel na resolução das questões sociais, coisa que o mercado não será capaz de resolver, políticas públicas bem definidas e comprometidas com a busca pela qualidade de vida da população são pontos fundamentais para superar o quadro social perverso em que vive nossa população (BARROS, 1997, p. 118). Todavia, a crise no sistema de saúde foi diminuída devido à inserção dos municípios na responsabilidade dos serviços e através do direcionamento e aumento dos seus recursos no setor. Se na questão de recursos houve algumas melhorias, não se pode dizer o mesmo com relação ao gasto federal, já que grande parte dos recursos vão para pagamentos de pessoal e amortização de dívidas, entre outras despesas. Com essas despesas, é importante que se expresse o debate sobre a necessidade de (re) organização do modelo de atenção à saúde, para implantar realmente o que foi previsto com a instituição do Sistema Único de Saúde. Essa (re) organização da atenção à saúde transforma-se num ponto fundamental para a verdadeira implantação do SUS, e o caminho para se alcançar esse objetivo é o aprofundamento na descentralização, na gestão, no controle e na oferta de serviços que garantem a atenção e promoção da saúde (idem, p ). Para a garantia de recursos à Seguridade Social, o governo arrecada impostos e contribuições pagas pela população, esses impostos podem ser aplicados em várias despesas do governo, inclusive como complemento ao financiamento da Seguridade Social, todavia, recursos da Seguridade Social não podem pagar outras despesas que não sejam inerentes a área (SANTA CATARINA, SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE, 2001, p. 10).

10 10 Com isso, a União tem a obrigação de repassar recursos para os Estados e principalmente para os municípios (a maioria dos serviços é de responsabilidade dos municípios) com o objetivo de custear os serviços públicos de saúde, essas transferências de recursos entre os três níveis de governo se dá através dos Fundos de Saúde 5, ou seja, os recursos arrecadados pelo governo federal são enviados ao Fundo Nacional de Saúde e depois transferidos aos Fundos Estaduais e Municipais de Saúde. Em se tratando de contribuição, a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) criada em 1996 com a finalidade de financiar a saúde, seria uma fonte adicional de recursos, ela é descontada em todas as movimentações financeiras, e fundamentalmente seria destinada inteiramente à saúde, mas através de Emendas Constitucionais houve uma divisão desses recursos entre o Ministério da Saúde e da Previdência Social (BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2002, p. 80). Para atender às necessidades do setor a questão dos recursos financeiros é essencial, desde o ano de 2000, o financiamento do Sistema Único de Saúde tem como ponto legal e fundamental a Emenda Constitucional Nº 29, na qual estabelece que os três níveis de governo (federal, estadual e municipal) aumentem seus investimentos no setor, garantindo assim recursos mínimos para as ações e serviços de saúde. Conforme apresenta Machado (2003, p. 14): A Emenda alterou os artigos 34, 35, 156, 160, 167 e 198 da Constituição Federal e acrescentou o artigo 77 ao Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, para assegurar os recursos para o financiamento das ações e serviços públicos de saúde. O artigo 34 inclui a Saúde para a ampliação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais e ampliou o poder de intervenção da União nos Estados, caso não cumpram com a obrigação de vincular a percentagem estabelecida de sua receita. Vale lembrar que esta Emenda Constitucional proíbe a inclusão de pagamentos dos inativos com recursos exclusivos da saúde, sendo assim, estas despesas estão vinculadas ao setor previdenciário. Segundo Machado (idem, p. 14): 5 Fundos de Saúde: é uma conta especial criada por lei, na qual são depositados os recursos destinados a área de saúde (BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2002, p. 127).

11 11 De acordo com levantamento realizado pelo Ministério da Saúde (MS), 59% dos municípios brasileiros cumpriram, no ano passado, o que determina a EC-29. Isso significa que os municípios aplicaram R$ 10,7 bilhões no setor no ano passado e que os poucos municípios que descumpriram a Emenda devem R$ 219,6 milhões. [...] os municípios terão de aplicar 15% das receitas próprias em saúde. Ou seja, aqueles que, em 2000 aplicavam até 7% das receitas próprias, deveriam aplicar 8,6% em 2001, 10,2% em 2002 e 11,8% em [...] Enquanto a maioria dos municípios está seguindo a EC-29, grande parte dos estados descumprem o que a Constituição determina. Ao todo, segundo o MS, 17 estados não gastaram o que deveriam em ações e serviços públicos de saúde em [...] Entre os estados que deixaram de cumprir com o que determina a Emenda, o MS aponta o Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro com os piores índices. ANO PERCENTUAL A SER APLICADO % ,6 % ,2% ,8% % Figura 1: Percentual das receitas próprias que cada Município deverá aplicar na saúde conforme apresenta a Emenda Constitucional Nº 29. Sendo assim, ficam definidos os recursos de Estados e Municípios e a partir daí, elaborar os respectivos orçamentos para a saúde. Segundo dados oficiais, no ano de 2002, o Ministério da Saúde investiu aproximadamente 24,7 bilhões de Reais no âmbito de atuação do Ministério. Neste mesmo período as Secretarias de Estado da Saúde e do Distrito Federal aplicaram 10,3 bilhões, enquanto que as Secretarias Municipais contribuíram com 11,6 bilhões, sendo assim, o SUS totalizou um investimento de 46,6 bilhões de Reais. Neste mesmo ano os gastos privados com saúde chegaram a aproximadamente 57 bilhões de Reais (gastos com consultas, internações, exames de laboratório, planos de saúde, etc.), mostrando a tímida contribuição do Estado às demandas de saúde da população. Outra justificativa a respeito do pouco investimento em saúde é lembrar quanto o Brasil gasta ao ano por habitante, 200 dólares, valor este inferior ao gasto dos países desenvolvidos por habitante/ano, um montante que varia de dólares a dólares (CORDOVIL, 2003, p. 13). O orçamento do SUS conta com menos de 20 Reais mensais por pessoa, dez vezes menos do que é destinado pelos

12 12 sistemas de saúde dos países desenvolvidos (IDEC, 2003, p. 7). Em 2004, o orçamento autorizado para a saúde foi de 29 bilhões de Reais. ANO PERCENTUAL A SER APLICADO % % % % ,% Fonte: Conselho Nacional de Saúde (CNS), 2000 apud BRASIL, Ministério da Saúde. Guia do Conselheiro: Brasília DF: Ministério da Saúde, Figura 2: Percentual das receitas próprias que cada Estado e o Distrito Federal deverá aplicar na saúde conforme apresenta a Emenda Constitucional Nº 29. Dentro das mudanças no Estado Brasileiro, a busca de novas formas de organização dentro dos setores públicos, não apenas na área hospitalar, mas em outras áreas que vão de encontro às necessidades sociais (BARBOSA, 1997, p. 143). Apesar de avanços no campo do planejamento e da gestão em saúde, ainda há necessidade de inovações no setor, para que tais práticas de organização se transformem em melhores indicadores sanitários e de satisfação de funcionários e usuários. Mesmo existindo uma necessidade de mudanças na assistência e na gestão, há poucas propostas que possam ser instituídas no setor de maneira abrangente, em particular, ao sistema hospitalar público no país, que em muitos casos não tem clareza sobre o que mudar e como mudar. A mudança do modelo assistencial do SUS e o pagamento dos serviços prestados na proposta de Arouca (2002, p. 20): [...] seria substituído por um contrato global com metas de desempenho, qualidade e prioridades definidas pela população. Podemos contratar o setor privado onde não existe o setor público, mas definindo prioridades e metas. O repasse de recursos para a execução dessas ações é realizado através de transferências mensais Fundo a Fundo, mas algumas ações e serviços são ainda remunerados diretamente pelo Governo Federal, ainda que Estados e Municípios venham aplicando recursos próprios no setor (BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2002, p. 12).

13 13 A saúde não é apenas atendimento médico-ambulatorial, disponibilidade de recursos humanos, para se chegar a serviços e atendimentos de boa qualidade é preciso ter áreas físicas e equipamentos de boa qualidade para o atendimento à população. Apesar de haver projetos com a finalidade de investir no setor, ainda continuamos com sérios problemas nos hospitais brasileiros (falta de leitos, equipamentos, novas tecnologias na área hospitalar, etc.) para um atendimento de maior cobertura e eficiência para o usuário do sistema público de saúde em nosso país. Temos como um dos maiores desafios para a saúde no Brasil, a busca de uma vida mais saudável incorporada no dia a dia de todos, portanto, promover a saúde é melhorar as condições de vida de nossa população (BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2002, p. 19). Portanto, não podemos dizer que a universalidade foi conquistada só porque o usuário deixou de apresentar a carteirinha do INAMPS para ter acesso ao atendimento, a integralidade é um dos princípios do SUS, extinguiu-se o INAMPS, mas os problemas continuam, como estamos demonstrando. Os desafios são muitos para se alcançar as condições necessárias para a recuperação, promoção e proteção da saúde, ao mesmo tempo em que estamos em uma crise, estamos em uma transição. Crise no sentido que a oferta não absorve a demanda da população e suas principais necessidades, como por exemplo, exames ou cirurgias de alto custo/complexidade para os usuários do SUS, transição no sentido que as mudanças dentro do SUS precisam ocorrer e serem discutidas, a fim de criar mecanismos eficientes que poderão ser alcançados a médio e longo prazo, já que o SUS está em vigor desde a Constituição da República de 1988 e regulamentado a partir de Depois de vinte e cinco anos da Declaração de Alma-Ata, o objetivo principal não foi alcançado, assinado em 1978 por 137 países e 67 organismos internacionais, o documento final da Conferência sobre Atenção Básica à Saúde 6, na cidade de Alma-Ata, no Cazaquistão, estabeleceu o compromisso de saúde para todos no ano Vejamos os pontos principais da Declaração de Alma-Ata (REVISTA RADIS, 2004, p. 15): 6 Segundo a Declaração de Alma-Ata, representa o primeiro nível de contato dos indivíduos, da família e da comunidade com o sistema nacional de saúde, sendo assim os cuidados relacionados com a saúde são levados o mais próximo possível dos lugares onde as pessoas vivem e trabalham, constituindo o primeiro passo para a assistência à saúde. No Brasil, a expressão Atenção Primária à Saúde é substituída por Atenção Básica à Saúde, dentro do SUS é entendida também como o primeiro nível de atenção à saúde (MACHADO, 2004, p. 18).

14 14 A saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e é um direito humano fundamental. [...] A desigualdade na saúde é inaceitável. O desenvolvimento econômico e social é essencial para alcançar-se a saúde para todos, [...]. As pessoas têm o direito e o dever de participar no planejamento e na implementação de sua atenção sanitária. Um objetivo principal de todos os governos e da comunidade internacional deve ser a promoção, para todos os habitantes do mundo, no ano 2000, de um nível de saúde que lhes permita levar uma vida produtiva social e economicamente. [...] A APS baseia-se na prática, em provas científicas e na metodologia e tecnologia socialmente aceitáveis, acessíveis universalmente com a participação social, [...]. É o foco principal do sistema sanitário e seu primeiro nível de contato, aproximando ao máximo a atenção sanitária do lugar onde as pessoas vivem e trabalham. A APS reflete as condições do país e de suas comunidades, e dirige-se aos principais problemas sanitários da comunidade [...]. Os governos devem formular políticas e planos de ação para estabelecer a APS como parte de um sistema nacional de saúde integrado e em coordenação com outros setores. [...] O êxito da saúde, para a população de um país, afeta e beneficia diretamente qualquer outro país. [...] Pode-se conseguir um nível aceitável de saúde para o mundo em 2000, mediante uso melhor dos recursos mundiais, grande parte dos quais se gastam hoje em conflitos militares. Depois de mais de uma década de existência, ainda se encontram presentes no SUS características do modelo antigo (INAMPS), entre elas o predomínio da remuneração por serviços prestados, conforme a tabela do SUS, o baixo nível de financiamento das ações de saúde, a baixa resolutividade da atenção básica, projetos e programas federais que não respeitam as particularidades regionais, migração da classe média para planos privados (que estão longe de resolver os problemas de saúde de seus usuários) de saúde, entre outras características (SANTOS, N. apud NORONHA, 2003, p. 8). A efetiva implantação dos princípios que direcionam o SUS (universalidade, equidade, integralidade e descentralização) dando assim importância à municipalização, regionalização e participação popular através do exercício do controle social, vem sendo tema de muitos debates e consiste num dos grandes desafios para os gestores públicos e profissionais do setor, portanto ficam as perguntas, afinal: o que de fato foi implantado quais os resultados/conquistas da descentralização e qual é o SUS que temos hoje?

15 15 3. A Descentralização do Sistema de Saúde e o Papel dos Municípios como Base do SUS Quando se discutem questões que envolvem a Reforma do Estado, não podemos deixar certamente de falar da descentralização. Correntes de direita e esquerda deram a esse tipo de reforma um lugar de destaque nos processos de implementação de Reforma do Estado (ARRETCHE, 1997, p. 127). Com isso, produziu-se um grande consenso em relação à descentralização, se passou a imaginar que formas descentralizadas de prestação de serviços públicos seriam assim, mais democráticas e eficientes. Ao contrário da centralização, que se coloca como um sistema concentrador de recursos, competências e poder decisório nas mãos de um governo central e/ou órgão central. Desta forma a descentralização e a centralização são dois extremos, mas ligados através de uma relação dialética (JUNQUEIRA, 1997, p. 183). A centralização ocorrida no Estado desenvolvimentista se tornou uma acumulação de funções sem nenhuma delegação para as esferas subnacionais. Já a desconcentração se constitui numa transferência de poder parcial, ou seja, há apenas um deslocamento das decisões, uma transferência de competências por delegação, portanto, se transfere competências, mas não o poder, enquanto que na descentralização o poder decisório, político-administrativo é transferido às esferas locais de poder (idem, p. 186). Desta forma, a descentralização do poder decisório e administrativo é considerada entre os atores aqui citados como um fator de democratização. Desde o período colonial, o Brasil foi marcado por uma administração centralizada, durante grande parte da história política brasileira a criação e/ou administração de recursos esteve nas mãos do poder central, como vimos anteriormente. No transcorrer do Regime Militar, a concentração e/ou administração de recursos fiscais, assim como a criação de órgãos responsáveis pela formulação das políticas nacionais alcançou níveis sem precedentes. Todavia a política adotada de expansão do Estado durante o regime resultaria na criação de fontes institucionais nos estados e municípios, iniciando assim a explicação em parte sobre a questão acerca do processo de descentralização em curso hoje no Brasil.

16 16 Portanto, essa forma de expansão centralizada adotada pelo Estado gerou como resultado o fortalecimento das instituições em nível estadual e municipal, devido à crise e incapacidade estatal da União e também do fortalecimento político das elites regionais que redundaria nas práticas clientelistas (ARRETCHE, 1997, p. 140). Há ainda, uma outra polêmica no debate sobre a centralização e descentralização que remete às possíveis relações desta última com o clientelismo, pode-se dizer que nem a centralização explica as práticas clientelistas, assim como as formas descentralizadas de prestação de serviços por parte do Poder Público implicam em evitar este problema. A proximidade do poder local não é uma condição suficiente para evitar que certas necessidades da população sejam atendidas de forma clientelista. Para evitar esses abusos de poder essa prática clientelista - é necessário ao cidadão controlar e fiscalizar as ações do governo (busca da participação/cidadania ativa). Diante da possibilidade de que a descentralização seja uma forma de controle sobre os governos, dada a proximidade do cidadão com o Poder Público local, implicando assim na redução de recursos públicos para práticas clientelistas é um tanto vago. Sendo assim, não há uma relação concreta entre a descentralização e a redução das práticas clientelistas, esta pode ocorrer em governos centralizados e também descentralizados. Na verdade, há consenso entre os autores de que a redução dessas práticas será garantida mediante a capacidade do cidadão em controlar as ações governamentais (ARRETCHE, 1997, p. 149) No Brasil, onde os interesses privados prevalecem sobre os coletivos, a participação não se concretiza necessariamente em governos descentralizados, próximos à população, mas mesmo assim, a descentralização parece constituir um importante meio de participação mediante a abertura de canais entre a sociedade e as instituições, permitindo pelo menos que as reivindicações cheguem até o Poder Público, a quem cabe decidir as políticas públicas a serem empregadas (JUNQUEIRA, 1997, p. 181). Deste modo Junqueira (idem, p. 182) mostra que a descentralização apresenta dois momentos distintos: um que visa garantir a igualdade social e outro que visa o desenvolvimento. Portanto, a descentralização veio como um novo modelo de organização e gestão da coisa pública, constituindo um meio de democratização,

17 17 possibilitando a criação de mecanismos de controle contribuindo assim para a mudança da forma de administração estatal. O Brasil não conseguiu através da Constituição da República de 1988 alterar o pacto federativo em relação à área fiscal, o grande número de municípios existentes fez com que se travasse no Congresso Nacional uma disputa entre os que desejavam a descentralização com a intenção de tributar e os que desejavam a descentralização dos gastos (idem, p. 192). Mesmo a Constituição ter municipalizado alguns serviços, como saúde e educação, a falta no país de um projeto social aliado à crise financeira de estados e municípios fez com que o processo de descentralização tenha se tornado uma interrogação diante das demandas sociais existentes (OLIVEIRA & BIASOTO JR., 1999, p. 20). A federação brasileira apresenta um alto grau de descentralização, tanto na repartição de receitas quanto na realização de gastos. A descentralização aplicada no Brasil indica fragilidades devido à falta de um acordo de gestão entre as três esferas de governo, e se mostra mais frágil ainda quando o assunto é recursos de ordem financeira, já que as transferências de recursos garantidas constitucionalmente não foram e não são suficientes para garantir o cumprimento das obrigações de estados e municípios dentro do processo de descentralização (idem, p. 23). Portanto, na descentralização hoje existente apresentam-se graus diferenciados de dependência ao governo federal, esta variação ocorre de estados para estados, municípios para municípios em relação aos recursos federais transferidos para estes. Exceto nos períodos do Estado Novo (1937 a 1945) e Regime Militar (1964 a 1985) a legislação federal privilegiou os municípios, mesmo sendo sob sua tutela. (FERREIRA FILHO apud CAMARGO, 2003, p. 140). Mas a grande mudança veio com a Constituição da República em 1988 que concedeu aos municípios a condição de ente federativo conforme o artigo 18. Sendo assim, está previsto aos municípios sua autonomia, capacidade de organização e independência administrativa. Mas com esta conquista veio também a dificuldade devido às diferenças regionais. São mais de cinco mil municípios pequenos e pobres, que não dispõem de boas receitas e administrações eficientes, diante deste problema o que se propõe é que

18 18 existam fortes mecanismos de cooperação e assistência para a redução dessas diferenças, como por exemplo, transferências de recursos de regiões mais ricas para regiões mais pobres (RAMOS apud CAMARGO, 2003, p. 141). O artigo 30 7 da Constituição da República garantiu várias competências aos municípios, mas ao assumir novas competências os governos municipais se mostraram incapazes para atender as demandas das políticas sociais, fato este agravado com a crise fiscal e a diminuição dos orçamentos federais (CAMARGO, 2003, p. 143). No que diz respeito à saúde, a descentralização assim como a universalização do acesso foram as bandeiras do Movimento Sanitário consagrados na Constituição da República. Com isso o processo de municipalização passou para os municípios um poder decisório sobre a política de saúde local, mas vale lembrar que nem tudo foi descentralizado, ainda permanecem no âmbito federal através do Ministério da Saúde as ações de controle de doenças específicas, assim como certos programas nacionais, como por exemplo, o Programa Saúde da Família (PSF) 8 e o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), criado pelo Ministério da Saúde para compor as equipes de Saúde da Família junto com médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e outros profissionais. Parte do seu financiamento vem do Ministério da Saúde, a contratação fica a cargo dos municípios para montarem as equipes. Apesar de haver um consenso com referência à descentralização dos serviços, muitas críticas têm surgido, como por exemplo, no que diz respeito ao sistema de pagamentos por produção inserido/aplicado no SUS. Essa forma vigente no modelo INAMPS funcionava da seguinte forma: os serviços privados conveniados eram pagos de acordo com os serviços prestados. Já em 1991 a NOB (Norma Operacional Básica) nº 01/91 definiu que todos os serviços prestados, tanto públicos como privados conveniados e contratados seriam tratados como vendedores de serviços e pagos de acordo com a apresentação das faturas detalhando os serviços executados. Portanto, o pagamento por produção estimula o gasto público e compromete a eficiência. Se considerarmos que o repasse de recursos está concentrado no governo federal pode-se dizer que existe uma descentralização tutelada na qual se apresenta um 7 Entre várias competências municipais previstas na Constituição da República podemos citar o inciso VIII do artigo 30: prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, serviços de atendimento à saúde da população (BRASIL, CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE 1988). 8 O Programa Saúde da Família foi criado em 1993, e em 1998 já estava implantado em mais de municípios (NORONHA, 2003, p. 8).

19 19 rígido controle de repasse de recursos de responsabilidade da União e em contrapartida uma falta de instrumentos de avaliação dos serviços prestados (ARRETCHE & RODRIGUES, 1999, p ). Como salienta Arretche (1997, 145): Este quadro tem implicado que o processo de descentralização das políticas sociais seja caracterizado por desigualdades de toda ordem: no ritmo de formulação e decisão entre as distintas políticas setoriais; no interior de uma dada política, desigualdades entre o ritmo e os resultados da implementação e, sobretudo, na qualidade dos serviços prestados. A superação destas dificuldades não pode ocorrer apenas por iniciativa dos governos locais, dada exatamente sua heterogeneidade na capacidade de mobilizar recursos próprios e dada a escala local de sua atuação. Apenas o governo central pode desempenhar esta tarefa, sob pena que se aprofundem as desigualdades regionais. [...] parece-me que as tendências de Reforma do Estado brasileiro apontam para um novo papel a ser desempenhado pelo governo federal: de forte regulação das políticas nacionais, de correção das desigualdades regionais e de compensação das insuficiências locais. Conforme ressalta Couttolenc & Zucchi (1998, p ) a descentralização por si só não resolve os problemas, ela cria possibilidades, cabendo assim aos três níveis de governo uma reestruturação e um redirecionamento de suas ações, para que não venha a fazer da Reforma Sanitária Brasileira apenas um mecanismo que mudou a estrutura burocrática, já que ela vai além disso. Sendo assim, a oferta de serviços de saúde dos municípios depende da capacidade destes em instalar e gerenciar com eficiência os recursos técnicos e financeiros disponíveis. Este gerenciamento acaba se tornando problemático devido à maior parte dos municípios brasileiros serem dotados de pouca capacidade técnica (profissionais da saúde qualificados, equipamentos, etc.), e também por serem dependentes das transferências fiscais do governo federal (SOUZA, MONNERAT & SENNA, 2002, p ). Os anos de 1990 são marcados por um acentuado processo de municipalização da saúde, quase que a totalidade dos municípios brasileiros se encontram enquadrados em algum tipo de gestão, são elas, a Gestão Plena de Atenção Básica e a Gestão Plena do Sistema Municipal, em síntese quer dizer que na primeira gestão, o município tem responsabilidade apenas sobre a rede de atenção básica,

20 20 enquanto que na segunda, o município gerencia todo o atendimento de saúde no âmbito do seu território (idem, p. 73). A autonomia dos municípios no setor traz grandes desafios aos gestores públicos locais, exigindo assim uma eficiência administrativa na questão de pessoal e recursos financeiros e também na oferta de serviços de alto custo, garantindo assim, o acesso aos serviços de saúde de maior complexidade (idem, p. 83). O SUS é um sistema formado por várias instituições públicas nos três níveis de governo (União, Estados e Municípios) e instituições privadas através de convênios e contratos, o setor privado tem que atender o usuário do SUS como se fosse um órgão público, ou seja, usar as mesmas normas do setor público. Conforme definido em sua criação, tem como características atender a todos, de acordo com as suas necessidades, independente se a pessoa contribua ou não para a Previdência Social. De acordo com a Lei deve atuar de forma integral, as ações de saúde devem estar direcionadas para o indivíduo e a comunidade, para a prevenção e para o tratamento. Suas ações têm que ser descentralizadas, o poder de decisão tem que ser daqueles que são responsáveis pela execução das ações, ou seja, as ações e serviços que atendem a população de um município devem ser municipais, e se alcançam vários municípios devem ser estaduais, e aquelas dirigidas em todo o país, federais. O SUS é regionalizado e hierarquizado, ou seja, os serviços de saúde devem apresentar de maneira regionalizada para atender a demanda de outros municípios, tendo um município pólo como referência. Dentro desta regionalização os serviços de saúde precisam obedecer a uma hierarquia, ou melhor, as questões mais simples devem ser atendidas através de unidades básicas de saúde, passando pelos centros especializados, pelo hospital até chegar ao hospital especializado no problema (IDEC, 2003, p. 14). A Lei Orgânica da Saúde (LOS) é o conjunto de duas leis, Lei 8080/90 e 8142/90, editadas para dar cumprimento a Constituição e disciplinar os assuntos no âmbito da saúde. Essas leis possuem diretrizes que devem ser seguidas nos três níveis de governo e destinam-se a esclarecer o papel das esferas de governo (União, Estados e Municípios) na proteção, promoção e defesa da saúde. No inciso III do artigo 5º da Lei 8080, de 19 de dezembro de 1990 diz que são objetivos do Sistema Único de Saúde:

Atribuições federativas nos sistemas públicos de garantia de direitos

Atribuições federativas nos sistemas públicos de garantia de direitos Atribuições federativas nos sistemas públicos de garantia de direitos Atribuições federativas nos sistemas públicos de garantia de direitos Características da Federação Brasileira Federação Desigual Federação

Leia mais

O SUS COMO UM NOVO PACTO SOCIAL

O SUS COMO UM NOVO PACTO SOCIAL O SUS COMO UM NOVO PACTO SOCIAL Profª Carla Pintas O novo pacto social envolve o duplo sentido de que a saúde passa a ser definida como um direito de todos, integrante da condição de cidadania social,

Leia mais

Uma Nova Agenda para a Reforma do

Uma Nova Agenda para a Reforma do Uma Nova Agenda para a Reforma do Setor Saúde: Fortalecimento das Funções Essenciais da Saúde Pública e dos Sistemas de Saúde FORO REGIONAL ANTIGUA/GUATEMALA 19-22 DE JULHO DE 2004 PERSPECTIVAS NACIONAIS

Leia mais

ERRATA. Na página 11, continuação do Quadro Esquemático das Normas Operacionais do Sus

ERRATA. Na página 11, continuação do Quadro Esquemático das Normas Operacionais do Sus ERRATA Secretaria de Saúde do DF AUXILIAR EM saúde - Patologia Clínica Sistema Único de Sáude - SUS Autora: Dayse Amarílio D. Diniz Na página 11, continuação do Quadro Esquemático das Normas Operacionais

Leia mais

EL SUS ANTE LA DUALIDAD DEL SISTEMA DE SALUD EN UN CONTEXTO FEDERATIVO: TENSIONES PARA LA CONSTRUCCIÓN DE LA UNIVERSALIDAD EN BRASIL

EL SUS ANTE LA DUALIDAD DEL SISTEMA DE SALUD EN UN CONTEXTO FEDERATIVO: TENSIONES PARA LA CONSTRUCCIÓN DE LA UNIVERSALIDAD EN BRASIL Seminario internacional El establecimiento y la renovación de pactos sociales para una protección social más inclusiva: experiencias, retos y horizontes en América Latina, desde una perspectiva internacional

Leia mais

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2008/prt1559_01_08_2008.html

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2008/prt1559_01_08_2008.html Página 1 de 5 ADVERTÊNCIA Este texto não substitui o publicado no Diário Oficial da União Ministério da Saúde Gabinete do Ministro PORTARIA Nº 1.559, DE 1º DE AGOSTO DE 2008 Institui a Política Nacional

Leia mais

PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR Nº

PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR Nº PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR Nº Altera dispositivos da Lei Complementar nº 141, de 13 de janeiro de 2012 que Regulamenta o 3 o do art. 198 da Constituição Federal para dispor sobre os valores mínimos a

Leia mais

FONSEAS I Encontro Nacional da Gestão Estadual do SUAS

FONSEAS I Encontro Nacional da Gestão Estadual do SUAS FONSEAS I Encontro Nacional da Gestão Estadual do SUAS BRASIL 8,5 milhões de Km²; 192 milhões de habitantes; 26 Estados e 01 Distrito Federal; 5.564 municípios (70,3 % com menos de 20.000 habitantes);

Leia mais

UNIDADE DE APRENDIZAGEM II: GESTÃO E FINANCIAMENTO DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) Autor: Prof. Dr. José Mendes Ribeiro (DCS/ENSP/FIOCRUZ)

UNIDADE DE APRENDIZAGEM II: GESTÃO E FINANCIAMENTO DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) Autor: Prof. Dr. José Mendes Ribeiro (DCS/ENSP/FIOCRUZ) UNIDADE DE APRENDIZAGEM II: GESTÃO E FINANCIAMENTO DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) Autor: Prof. Dr. José Mendes Ribeiro (DCS/ENSP/FIOCRUZ) Gestão do SUS: aspectos atuais A reforma sanitária brasileira,

Leia mais

regionalização e contratos organizativos de ação pública.

regionalização e contratos organizativos de ação pública. A Regulamentação da Lei 8.080/90: A Regulamentação da Lei 8.080/90: regionalização e contratos organizativos de ação pública. Seminário Nacional PRÓ Saúde e PET Saúde Brasília, 19 de outubro de 2011.,

Leia mais

Conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte. Minas Gerais / Brasil

Conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte. Minas Gerais / Brasil Conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte Minas Gerais / Brasil Belo Horizonte População: 2.375.329 (est. 2005) Prefeito: Fernando Damata Pimentel Saúde 140 Centros de Saúde 7 Unidades de Pronto Atendimento

Leia mais

Super Dicas de SUS. Prof. Marcondes Mendes. SUS em exercícios comentados Prof Marcondes Mendes

Super Dicas de SUS. Prof. Marcondes Mendes. SUS em exercícios comentados Prof Marcondes Mendes Super Dicas de SUS Prof. Marcondes Mendes SUS em exercícios comentados Prof Marcondes Mendes 1. Evolução histórica da organização do sistema de saúde no Brasil Prevenção Modelo de Saúde Sanitarista Campanhismo

Leia mais

2. Histórico do sistema de saúde, proteção social e direito à saúde

2. Histórico do sistema de saúde, proteção social e direito à saúde 2. Histórico do sistema de saúde, proteção social e direito à saúde Marly Marques da Cruz O Capítulo 2 da Parte I compreende os fundamentos teóricos e conceituais e os marcos legais de proteção social

Leia mais

O papel dos conselhos na afirmação do Pacto pela Saúde

O papel dos conselhos na afirmação do Pacto pela Saúde Informativo interativo eletrônico do CNS aos conselhos de Saúde Brasília, junho de 2006 Editorial O papel dos conselhos na afirmação do Pacto pela Saúde A aprovação unânime do Pacto pela Saúde na reunião

Leia mais

VII - A GESTÃO DA POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL NO SUAS NA VISÃO DA UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS

VII - A GESTÃO DA POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL NO SUAS NA VISÃO DA UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS VII - A GESTÃO DA POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL NO SUAS NA VISÃO DA UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS Secretaria Nacional de Assistência Social 1 2 3 Quando a Comissão Organizadora da VI Conferência Nacional

Leia mais

Sistema Único de Saúde (SUS)

Sistema Único de Saúde (SUS) LEIS ORGÂNICAS DA SAÚDE Lei nº 8.080 de 19 de setembro de 1990 Lei nº 8.142 de 28 de dezembro de 1990 Criadas para dar cumprimento ao mandamento constitucional Sistema Único de Saúde (SUS) 1 Lei n o 8.080

Leia mais

PORTARIA Nº 1.097 DE 22 DE MAIO DE 2006.

PORTARIA Nº 1.097 DE 22 DE MAIO DE 2006. PORTARIA Nº 1.097 DE 22 DE MAIO DE 2006. Define o processo da Programação Pactuada e Integrada da Assistência em Saúde seja um processo instituído no âmbito do Sistema Único de Saúde. O MINISTRO DE ESTADO

Leia mais

Grupo de Trabalho da PPI. Política Estadual para Contratualização de Hospitais de Pequeno Porte HPP

Grupo de Trabalho da PPI. Política Estadual para Contratualização de Hospitais de Pequeno Porte HPP Grupo de Trabalho da PPI Política Estadual para Contratualização de Hospitais de Pequeno Porte HPP 29 de março de 2011 Considerando: O processo de regionalização dos Municípios, que objetiva a organização

Leia mais

POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL PARA A PESSOA IDOSA

POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL PARA A PESSOA IDOSA POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL PARA A PESSOA IDOSA Potyara A. P. Pereira 1 Introdução Do conjunto de leis, direitos e políticas que, a partir da Constituição Federal de 1988, compõem a nova institucionalidade

Leia mais

PREFEITURA DE PORTO ALEGRE SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE

PREFEITURA DE PORTO ALEGRE SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE REGIONALIZAÇÃO NAS DIFERENTES REDES DE ATENÇÃO: COAP E REGIONALIZAÇÃO FERNANDO RITTER SECRETÁRIO MUNICIPAL DE SAÚDE PREFEITURA DE PORTO ALEGRE SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE CONTRATO ORGANIZATIVO DA AÇÃO

Leia mais

Organização do Sistema Único de Saúde Organization of the Health System in Brazil

Organização do Sistema Único de Saúde Organization of the Health System in Brazil Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa inistério da Saúde Organização do Sistema Único de Saúde Organization of the Health System in Brazil Brasília, março de 2014 Saúde Direito de todos e dever

Leia mais

DOCUMENTO FINAL 7ª CONFERÊNCIA DE SAÚDE DE SANTA CATARINA

DOCUMENTO FINAL 7ª CONFERÊNCIA DE SAÚDE DE SANTA CATARINA DOCUMENTO FINAL 7ª CONFERÊNCIA DE SAÚDE DE SANTA CATARINA EIXO 1 DIREITO À SAÚDE, GARANTIA DE ACESSO E ATENÇÃO DE QUALIDADE DIRETRIZ: Fortalecer o Direito à Saúde, a Garantia de Acesso e a Atenção de Qualidade

Leia mais

Carta de Joinville 1) Sobre o Financiamento

Carta de Joinville 1) Sobre o Financiamento Carta de Joinville Os Secretários e Secretárias Municipais de Saúde, reunidos no XXIII Congresso Nacional das Secretarias Municipais de Saúde e IV Congresso Brasileiro de Saúde, Cultura de Paz e Não-Violência,

Leia mais

O DEVER DO ESTADO BRASILEIRO PARA A EFETIVAÇÃO DO DIREITO À SAÚDE E AO SANEAMENTO BÁSICO FERNANDO AITH

O DEVER DO ESTADO BRASILEIRO PARA A EFETIVAÇÃO DO DIREITO À SAÚDE E AO SANEAMENTO BÁSICO FERNANDO AITH O DEVER DO ESTADO BRASILEIRO PARA A EFETIVAÇÃO DO DIREITO À SAÚDE E AO SANEAMENTO BÁSICO FERNANDO AITH Departamento de Medicina Preventiva Faculdade de Medicina da USP - FMUSP Núcleo de Pesquisa em Direito

Leia mais

DECRETO 7.508 E O PLANEJAMENTO REGIONAL INTEGRADO DANTE GARCIA 2015

DECRETO 7.508 E O PLANEJAMENTO REGIONAL INTEGRADO DANTE GARCIA 2015 DECRETO 7.508 E O PLANEJAMENTO REGIONAL INTEGRADO DANTE GARCIA 2015 Região de Saúde [...] espaço geográfico contínuo constituído por agrupamentos de Municípios limítrofes, delimitado a partir de identidades

Leia mais

CURSO: BACHARELADO EM SERVIÇO SOCIAL

CURSO: BACHARELADO EM SERVIÇO SOCIAL CURSO: BACHARELADO EM SERVIÇO SOCIAL ALINE OLIVEIRA DA CRUZ 440398 DAIANE MENEZES DA SILVA 412736 ESTER GONÇALVES DA SILVA 431653 FABIANA ESPÍNDOLA RODRIGUES 429013 TÁSSIA CRUZ DO NASCIMENTO 420298 Gestão

Leia mais

Realização: CEREMAPS, EESP e Fundação CEFETBAHIA 1

Realização: CEREMAPS, EESP e Fundação CEFETBAHIA 1 CONHECIMENTOS GERAIS SOBRE SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (QUESTÕES 01 a 30) Questão 01 (Peso 1) A saúde, através do Sistema Único de Saúde, é desenvolvida através de uma política social e econômica que visa,

Leia mais

O ENEM de 2014 teve 15 mil candidatos idosos inscritos, o que mostra a vontade dessa população em investir em formação superior.

O ENEM de 2014 teve 15 mil candidatos idosos inscritos, o que mostra a vontade dessa população em investir em formação superior. IDOSOS O Solidariedade, ciente da importância e do aumento população idosa no País, defende o reforço das políticas que priorizam este segmento social. Neste sentido, destaca-se a luta pela consolidação

Leia mais

Construção das Políticas Públicas processos, atores e papéis

Construção das Políticas Públicas processos, atores e papéis Construção das Políticas Públicas processos, atores e papéis Agnaldo dos Santos Pesquisador do Observatório dos Direitos do Cidadão/Equipe de Participação Cidadã Apresentação O Observatório dos Direitos

Leia mais

Políticas públicas e a assistência a saúde

Políticas públicas e a assistência a saúde Universidade de Cuiabá UNIC Núcleo de Disciplinas Integradas Disciplina: Formação Integral em Saúde História da Saúde no Brasil: Políticas públicas e a assistência a saúde Profª Ma. Kaline A. S. Fávero,

Leia mais

Programa Saúde da Família - PSF

Programa Saúde da Família - PSF COORDENAÇÃO-GERAL DE NORMAS DE CONTABILIDADE APLICADAS À FEDERAÇÃO - CCONF GERÊNCIA DE NORMAS E PROCEDIMENTOS DE GESTÃO FISCAL - GENOP Programa Saúde da Família - PSF REUNIÃO DO GRUPOS TÉCNICOS DE PADRONIZAÇÃO

Leia mais

Por que defender o Sistema Único de Saúde?

Por que defender o Sistema Único de Saúde? Por que defender o Sistema Único de Saúde? Diferenças entre Direito Universal e Cobertura Universal de Saúde Cebes 1 Direito universal à saúde diz respeito à possibilidade de todos os brasileiros homens

Leia mais

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cit/2012/res0004_19_07_2012.html

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cit/2012/res0004_19_07_2012.html http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cit/2012/res0004_19_07_2012.html Página 1 de 17 ADVERTÊNCIA Este texto não substitui o publicado no Diário Oficial da União Gabinete do Ministro Comissão Intergestores

Leia mais

Desafios para gestão municipal do SUS

Desafios para gestão municipal do SUS XXVII Congresso de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo Desafios para gestão municipal do SUS Arthur Chioro Secretário de Saúde de São Bernardo do Campo Presidente do Cosems-SP Política

Leia mais

DOCUMENTO FINAL 8ª CONFERÊNCIA DE SAÚDE DE TOCANTINS

DOCUMENTO FINAL 8ª CONFERÊNCIA DE SAÚDE DE TOCANTINS DOCUMENTO FINAL 8ª CONFERÊNCIA DE SAÚDE DE TOCANTINS EIXO 1 DIREITO À SAÚDE, GARANTIA DE ACESSO E ATENÇÃO DE QUALIDADE DIRETRIZ: Ampliação da cobertura e qualidade dos serviços de saúde, com o aprimoramento

Leia mais

Alocação de Recursos e Regionalização no SUS

Alocação de Recursos e Regionalização no SUS Alocação de Recursos e Regionalização no SUS Áquilas Mendes Professor Doutor Livre-Docente de Economia da Saúde da FSP-USP e do Departamento de Economia da PUC-SP ABRES Encontro Alocação de Recursos e

Leia mais

O Pacto de Gestão do SUS e os Municípios

O Pacto de Gestão do SUS e os Municípios Colegiado de Secretários Municipais de Saúde do Estado de PE COSEMS-PE O Pacto de Gestão do SUS e os Municípios 2º Congresso Pernambucano de Municípios - AMUPE Gessyanne Vale Paulino Saúde Direito de todos

Leia mais

Constituição da República Federativa do Brasil de 1988

Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 Porto Alegre/RS, agosto de 2011 Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem

Leia mais

Crise dos Municípios

Crise dos Municípios Crise dos Municípios Crise Desde a promulgação da Constituição Federal em 1988, quando os Municípios foram elevados a condição de entes federados autônomos ocorre uma constante descentralização da execução

Leia mais

LEVANTAMENTO DOS MARCOS LÓGICOS E LEGAIS DA REDE BÁSICA DE SAÚDE

LEVANTAMENTO DOS MARCOS LÓGICOS E LEGAIS DA REDE BÁSICA DE SAÚDE LEVANTAMENTO DOS MARCOS LÓGICOS E LEGAIS DA REDE BÁSICA DE SAÚDE 1. Marcos Lógicos Publicação/Origem NORMATIVAS INTERNACIONAIS DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS Declaração Americana dos Direitos

Leia mais

DIRETRIZES A SEREM DEBATIDAS NAS CONFERÊNCIAS NO ANO DE 2015 E 2016

DIRETRIZES A SEREM DEBATIDAS NAS CONFERÊNCIAS NO ANO DE 2015 E 2016 DIRETRIZES A SEREM DEBATIDAS NAS CONFERÊNCIAS NO ANO DE 2015 E 2016 A Constituição de 1988 criou a possibilidade de que os cidadãos possam intervir na gestão pública. Pela via do controle social, influenciam

Leia mais

DOCUMENTO FINAL 9ª CONFERÊNCIA DE SAÚDE DO MARANHÃO

DOCUMENTO FINAL 9ª CONFERÊNCIA DE SAÚDE DO MARANHÃO DOCUMENTO FINAL 9ª CONFERÊNCIA DE SAÚDE DO MARANHÃO EIXO 1 DIREITO À SAÚDE, GARANTIA DE ACESSO E ATENÇÃO DE QUALIDADE DIRETRIZ: Ampliar e qualificar acesso aos serviços de qualidade, em tempo adequado,

Leia mais

Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI)

Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) Presidência da República Controladoria-Geral da União Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) PROGRAMA DE ERRADICAÇÃO DO TRABALHO INFANTIL (PETI) O PETI é um programa do Governo Federal que

Leia mais

Modelos de Gestão no setor público e intervenção política

Modelos de Gestão no setor público e intervenção política Modelos de Gestão no setor público e intervenção política Agnaldo dos Santos Observatório dos Direitos do Cidadão Participação Cidadã (Instituto Pólis) Apresentação O Observatório dos Direitos do Cidadão,

Leia mais

Sistema Único de Saúde. 15 anos de implantação: Desafios e propostas para sua consolidação.

Sistema Único de Saúde. 15 anos de implantação: Desafios e propostas para sua consolidação. Sistema Único de Saúde 15 anos de implantação: Desafios e propostas para sua consolidação. 2003 Sistema Único de Saúde! Saúde como direito de cidadania e dever do Estado, resultante de políticas públicas

Leia mais

Crise dos Municípios

Crise dos Municípios Crise dos Municípios Crise Desde a promulgação da Constituição Federal em 1988, quando os Municípios foram elevados a condição de entes federados autônomos ocorre uma constante descentralização da execução

Leia mais

Planejamento intersetorial e Gestão Participativa. Recife, 04/09/2013

Planejamento intersetorial e Gestão Participativa. Recife, 04/09/2013 Planejamento intersetorial e Gestão Participativa Recife, 04/09/2013 Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social,

Leia mais

13º - AUDHOSP AUDITORIA NO SUS VANDERLEI SOARES MOYA 2014

13º - AUDHOSP AUDITORIA NO SUS VANDERLEI SOARES MOYA 2014 13º - AUDHOSP AUDITORIA NO SUS VANDERLEI SOARES MOYA 2014 AUDITORIA NA SAÚDE Na saúde, historicamente, as práticas, as estruturas e os instrumentos de controle, avaliação e auditoria das ações estiveram,

Leia mais

Ministério da Saúde Gabinete do Ministro PORTARIA INTERMINISTERIAL Nº 1.413, DE 10 DE JULHO DE 2013

Ministério da Saúde Gabinete do Ministro PORTARIA INTERMINISTERIAL Nº 1.413, DE 10 DE JULHO DE 2013 ADVERTÊNCIA Este texto não substitui o publicado no Diário Oficial da União Ministério da Saúde Gabinete do Ministro PORTARIA INTERMINISTERIAL Nº 1.413, DE 10 DE JULHO DE 2013 Redefine as regras e critérios

Leia mais

PREVIDÊNCIA SOCIAL INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL

PREVIDÊNCIA SOCIAL INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL As conquistas mais definitivas da Previdência Social, como um sistema do trabalhador para o trabalhador, estão ligadas às lições aprendidas com os próprios segurados, no tempo e no espaço Extraído do Livro

Leia mais

DECRETO Nº 7.508, DE 28 DE JUNHO DE 2011

DECRETO Nº 7.508, DE 28 DE JUNHO DE 2011 DECRETO Nº 7.508, DE 28 DE JUNHO DE 2011 Regulamenta a Lei n o 8.080, de 19 de setembro de 1990, para dispor sobre a organização do Sistema Único de Saúde - SUS, o planejamento da saúde, a assistência

Leia mais

SUS: princípios doutrinários e Lei Orgânica da Saúde

SUS: princípios doutrinários e Lei Orgânica da Saúde Universidade de Cuiabá - UNIC Núcleo de Disciplinas Integradas Disciplina: Formação Integral em Saúde SUS: princípios doutrinários e Lei Orgânica da Saúde Profª Andressa Menegaz SUS - Conceito Ações e

Leia mais

DOCUMENTO FINAL 11ª CONFERÊNCIA DE SAÚDE DO PARANÁ

DOCUMENTO FINAL 11ª CONFERÊNCIA DE SAÚDE DO PARANÁ DOCUMENTO FINAL 11ª CONFERÊNCIA DE SAÚDE DO PARANÁ EIXO 1 DIREITO À SAÚDE, GARANTIA DE ACESSO E ATENÇÃO DE QUALIDADE Prioritária 1: Manter o incentivo aos Programas do Núcleo Apoio da Saúde da Família

Leia mais

DECRETO Nº 7.508, DE 28 DE JUNHO DE 2011.

DECRETO Nº 7.508, DE 28 DE JUNHO DE 2011. DECRETO Nº 7.508, DE 28 DE JUNHO DE 2011. Regulamenta a Lei n o 8.080, de 19 de setembro de 1990, para dispor sobre a organização do Sistema Único de Saúde - SUS, o planejamento da saúde, a assistência

Leia mais

Gestão Ambiental Compartilhada

Gestão Ambiental Compartilhada Ministério do Meio Ambiente Secretaria Executiva Departamento de Articulação Institucional Gestão Ambiental Compartilhada Discussão: Licenciamento Ambiental de empreendimentos e atividades com características

Leia mais

F n i a n n a c n i c a i m a en e t n o Foco: Objetivo:

F n i a n n a c n i c a i m a en e t n o Foco: Objetivo: FINANCIAMENTO DO SUAS: GESTÃO MUNICIPAL E AS DESIGUALDADES REGIONAIS Financiamento Foco: competências da gestão municipal, especialmente no enfrentamento das desigualdades regionais exige o debate sobre

Leia mais

ANEXO ÚNICO POLÍTICA ESTADUAL DE SAÚDE DO TRABALHADOR NO ESTADO DE GOIÁS

ANEXO ÚNICO POLÍTICA ESTADUAL DE SAÚDE DO TRABALHADOR NO ESTADO DE GOIÁS 1 ANEXO ÚNICO POLÍTICA ESTADUAL DE SAÚDE DO TRABALHADOR NO ESTADO DE GOIÁS I. PROPÓSITOS A Política Estadual em Saúde do Trabalhador tem por propósito definir princípios, diretrizes e estratégias para

Leia mais

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA AGENDA ESTRATÉGICA PARA A SAÚDE NO BRASIL

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA AGENDA ESTRATÉGICA PARA A SAÚDE NO BRASIL ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA AGENDA ESTRATÉGICA PARA A SAÚDE NO BRASIL A Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco), desde meados de 2010, vem liderando

Leia mais

F. Tratamento fora do domicílio

F. Tratamento fora do domicílio F. Tratamento fora do domicílio artigos 197 e 198 da Constituição Federal de 1988; Lei Orgânica da Saúde nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, disciplinada pela Portaria Federal nº 055, de 24 de fevereiro

Leia mais

GUIA DE ARGUMENTOS DE VENDAS

GUIA DE ARGUMENTOS DE VENDAS GUIA DE ARGUMENTOS DE VENDAS O Plano Diretor é uma lei municipal que estabelece diretrizes para a ocupação da cidade. Ele deve identificar e analisar as características físicas, as atividades predominantes

Leia mais

ESTUDO TÉCNICO N.º 30/2013

ESTUDO TÉCNICO N.º 30/2013 ESTUDO TÉCNICO N.º 30/2013 Evolução das transferências constitucionais e do Programa Bolsa Família entre os anos 2005 e 2012: uma análise comparativa MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMBATE À FOME

Leia mais

REFORMA OU DESMONTE? Análise crítica acerca do Plano Diretor da Reforma do Estado

REFORMA OU DESMONTE? Análise crítica acerca do Plano Diretor da Reforma do Estado REFORMA OU DESMONTE? Análise crítica acerca do Plano Diretor da Reforma do Estado Ana Carolyna Muniz Estrela 1 Andreza de Souza Véras 2 Flávia Lustosa Nogueira 3 Jainara Castro da Silva 4 Talita Cabral

Leia mais

VI - reconhecer as especificidades, iniquidades e desigualdades regionais e municipais no planejamento e execução das ações;

VI - reconhecer as especificidades, iniquidades e desigualdades regionais e municipais no planejamento e execução das ações; O Sistema Único de Assistência Social A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade destinada a assegurar os direitos relativos à saúde,

Leia mais

GRATUITO CURSO COMPLETO DO SUS 17 AULAS 500 QUESTÕES COMENTADAS. Professor Rômulo Passos Aula 08

GRATUITO CURSO COMPLETO DO SUS 17 AULAS 500 QUESTÕES COMENTADAS. Professor Rômulo Passos Aula 08 1 www.romulopassos.com.br / www.questoesnasaude.com.br GRATUITO CURSO COMPLETO DO SUS 17 AULAS 500 QUESTÕES COMENTADAS Professor Rômulo Passos Aula 08 Legislação do SUS Completo e Gratuito Página 1 2 www.romulopassos.com.br

Leia mais

PORTARIA 1.600, DE 7 DE JULHO DE

PORTARIA 1.600, DE 7 DE JULHO DE PORTARIA No- 1.600, DE 7 DE JULHO DE 2011 Reformula a Política Nacional de Atenção às Urgências e institui a Rede de Atenção às Urgências no Sistema Único de Saúde (SUS). O MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE,

Leia mais

ORIENTAÇÕES PARA ELABORAÇÃO DE PLANOS MUNICIPAIS DE SAÚDE BUCAL

ORIENTAÇÕES PARA ELABORAÇÃO DE PLANOS MUNICIPAIS DE SAÚDE BUCAL Atualizado por Danusa em Nov/2007 ORIENTAÇÕES PARA ELABORAÇÃO DE PLANOS MUNICIPAIS DE SAÚDE BUCAL Para organizar um serviço local de atenção à saúde é necessário que o administrador, coordenador, gerente

Leia mais

Curso de Especialização em Saúde da Pessoa Idosa

Curso de Especialização em Saúde da Pessoa Idosa Curso de Especialização em Saúde da Pessoa Idosa Módulo Unidade 01 Tópico 01 Políticas na Atenção do Idoso Introdução as Políticas Públicas Políticas Públicas Ao longo do tempo o papel do Estado frente

Leia mais

Ministério da Saúde NORMA OPERACIONAL DE SAÚDE DO TRABALHADOR NO SUS NOST-SUS

Ministério da Saúde NORMA OPERACIONAL DE SAÚDE DO TRABALHADOR NO SUS NOST-SUS Ministério da Saúde NORMA OPERACIONAL DE SAÚDE DO TRABALHADOR NO SUS NOST-SUS APRESENTAÇÃO O presente documento é resultado de um processo de discussão e negociação que teve a participação de técnicos

Leia mais

UMA RESPOSTA ESTRATÉGICA AOS

UMA RESPOSTA ESTRATÉGICA AOS UMA RESPOSTA ESTRATÉGICA AOS DESAFIOS DO CAPITALISMO GLOBAL E DA DEMOCRACIA Luiz Carlos Bresser-Pereira A Reforma Gerencial ou Reforma à Gestão Pública de 95 atingiu basicamente os objetivos a que se propunha

Leia mais

,QLTXLGDGHVHP6D~GHQR%UDVLO QRVVDPDLVJUDYHGRHQoD

,QLTXLGDGHVHP6D~GHQR%UDVLO QRVVDPDLVJUDYHGRHQoD ,QLTXLGDGHVHP6D~GHQR%UDVLO QRVVDPDLVJUDYHGRHQoD 'RFXPHQWRDSUHVHQWDGRSRURFDVLmRGRODQoDPHQWRGD &RPLVVmR1DFLRQDOVREUH'HWHUPLQDQWHV6RFLDLVHP6D~GHGR %UDVLO&1'66 0DUoR ,QLTXLGDGHVHPVD~GHQR%UDVLO QRVVDPDLVJUDYHGRHQoD

Leia mais

LEI MUNICIPAL Nº. 3.257/2011 DE 22 DE AGOSTO DE 2011.

LEI MUNICIPAL Nº. 3.257/2011 DE 22 DE AGOSTO DE 2011. LEI MUNICIPAL Nº. 3.257/2011 DE 22 DE AGOSTO DE 2011. DISPÕE SOBRE AS DIRETRIZES PARA A ELABORAÇÃO DA LEI ORÇAMENTÁRIA PARA O EXERCÍCIO FINANCEIRO DE 2.012 E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS A Câmara Municipal de

Leia mais

Índice. Desenvolvimento econômico, 1 Direitos legais, 3

Índice. Desenvolvimento econômico, 1 Direitos legais, 3 Índice A Academic drift, 255 Accountability, 222, 278 Agenda social, 2 Aplicativo para a Melhoria de Qualidade (AMQ), 84 Aposentadoria benefícios previdenciários e assistenciais e seu impacto sobre a pobreza,

Leia mais

POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL BRASILEIRA. Sistema Único. de Assistência Social- SUAS

POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL BRASILEIRA. Sistema Único. de Assistência Social- SUAS POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL BRASILEIRA Sistema Único de Assistência Social- SUAS Política de Assistência Social Caracterização: - Definida constitucionalmente (CF/1988): - política pública: direito

Leia mais

A SAÚDE NO GOVERNO LULA PROGRAMA DE GOVERNO

A SAÚDE NO GOVERNO LULA PROGRAMA DE GOVERNO A SAÚDE NO GOVERNO LULA PROGRAMA DE GOVERNO ÍNDICE Diagnóstico Princípios Básicos: 1- Redefinição da atuação pública na saúde 2-Saúde como direito de todos 3-Estabilidade e continuidade das políticas de

Leia mais

ESTADO DO PARANÁ EDIFÍCIO ODOVAL DOS SANTOS - CNPJ. 76.290.691/0001-77 www.santaceciliadopavao.pr.gov.br LEI Nº. 720/2013

ESTADO DO PARANÁ EDIFÍCIO ODOVAL DOS SANTOS - CNPJ. 76.290.691/0001-77 www.santaceciliadopavao.pr.gov.br LEI Nº. 720/2013 LEI Nº. 720/2013 SÚMULA: ALTERA A LEI Nº. 593/2010 QUE INSTITUIU O FUNDO MUNICIPAL DE SAÚDE (FMS) E INCLUI O CAPÍTULO IX COM OS ARTIGOS 12º E 13º E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS. Faço saber que a Câmara Municipal

Leia mais

Princípios Gerais. Política Nacional de Saúde Integral da População Negra 15/10/2012

Princípios Gerais. Política Nacional de Saúde Integral da População Negra 15/10/2012 Princípios Gerais Política Nacional de Saúde Integral da População Negra PORTARIA Nº 992, DE 13 DE MAIO DE 2009 Profª Carla Pintas A Constituição de 1988 assumiu o caráter de Constituição Cidadã, em virtude

Leia mais

PROVA DE CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Cód. 40

PROVA DE CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Cód. 40 8 PROVA DE CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Cód. 40 QUESTÃO 17 São competências do Sistema Único de Saúde: I- Colaborar na proteção do meio ambiente, incluindo o ambiente do trabalho. II- Participar do controle

Leia mais

PLANO DIRETOR DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA Brasil: Ministério da Saúde/ANVISA

PLANO DIRETOR DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA Brasil: Ministério da Saúde/ANVISA http:///br/resenhas.asp?ed=8&cod_artigo=136 Copyright, 2006. Todos os direitos são reservados.será permitida a reprodução integral ou parcial dos artigos, ocasião em que deverá ser observada a obrigatoriedade

Leia mais

NOTA TÉCNICA 31 2013 REPASSES FINANCEIROS DE INVESTIMENTO PARA FOMENTO E APRIMORAMENTO DAS CONDIÇÕES DE FUNCIONAMENTO DA REDE DE FRIO

NOTA TÉCNICA 31 2013 REPASSES FINANCEIROS DE INVESTIMENTO PARA FOMENTO E APRIMORAMENTO DAS CONDIÇÕES DE FUNCIONAMENTO DA REDE DE FRIO NOTA TÉCNICA 31 2013 REPASSES FINANCEIROS DE INVESTIMENTO PARA FOMENTO E APRIMORAMENTO DAS CONDIÇÕES DE FUNCIONAMENTO DA REDE DE FRIO Brasília, 16 de agosto de 2013 REPASSES FINANCEIROS DE INVESTIMENTO

Leia mais

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos DECRETO Nº 7.272, DE 25 DE AGOSTO DE 2010. Regulamenta a Lei n o 11.346, de 15 de setembro de 2006, que cria o Sistema Nacional de

Leia mais

CENTRO DE APOIO OPERACIONAL DAS PROMOTORIAS DE JUSTIÇA DE DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS

CENTRO DE APOIO OPERACIONAL DAS PROMOTORIAS DE JUSTIÇA DE DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS CENTRO DE APOIO OPERACIONAL DAS PROMOTORIAS DE JUSTIÇA DE DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS Rua Dias Adorno, 367, 6 andar, Bairro Santo Agostinho, CAPITAL CEP: 30 190 100 Telefax: 31 3330 8394 e-mail: caodh@mp.mg.gov.br

Leia mais

Em defesa da Saúde pública para todos

Em defesa da Saúde pública para todos Boletim Econômico Edição nº 57 março de 2015 Organização: Maurício José Nunes Oliveira Assessor econômico Em defesa da Saúde pública para todos 1 A saúde pública faz parte do sistema de Seguridade Social

Leia mais

O COAP na perspectiva da gestão da Vigilância em Saúde. Sonia Brito Secretaria de Vigilância em Saúde

O COAP na perspectiva da gestão da Vigilância em Saúde. Sonia Brito Secretaria de Vigilância em Saúde O COAP na perspectiva da gestão da Vigilância em Saúde Sonia Brito Secretaria de Vigilância em Saúde Decreto 7.508/11 Regulamenta a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, para dispor sobre a organização

Leia mais

Curso de Atualização sobre Intervenção Breve e Aconselhamento Motivacional em Crack e outras Drogas

Curso de Atualização sobre Intervenção Breve e Aconselhamento Motivacional em Crack e outras Drogas Curso de Atualização sobre Intervenção Breve e Aconselhamento Motivacional em Crack e outras Drogas Cidadania plena ideal das sociedades ocidentais = liberdade, participação e igualdade Cidadania dentro

Leia mais

As perspectivas do mercado para os hospitais

As perspectivas do mercado para os hospitais As perspectivas do mercado para os hospitais Yussif Ali Mere Jr Presidente da Federação e do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (FEHOESP e SINDHOSP) 1. CONTEXTO 2.

Leia mais

GUIA DE ORIENTAÇÕES PARA A VIGILÂNCIA SANITÁRIA ELABORAÇÃO DO PLANO DE AÇÃO EM. Versão 1.2

GUIA DE ORIENTAÇÕES PARA A VIGILÂNCIA SANITÁRIA ELABORAÇÃO DO PLANO DE AÇÃO EM. Versão 1.2 GUIA DE ORIENTAÇÕES PARA A ELABORAÇÃO DO PLANO DE AÇÃO EM VIGILÂNCIA SANITÁRIA Planejamento, Programação, Pactuação e Monitoramento das ações de Visa Versão 1.2 ASSESSORIA DE PLANEJAMENTO (APLAN/ANVISA)

Leia mais

É permitida a reprodução total ou parcial desta obra, desde que citada a fonte.

É permitida a reprodução total ou parcial desta obra, desde que citada a fonte. 2003. Ministério da Saúde. É permitida a reprodução total ou parcial desta obra, desde que citada a fonte. Série B. Textos Básicos de Saúde MS Série Políticas de Saúde Tiragem: 10.000 exemplares Elaboração,

Leia mais

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 297, DE 2006

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 297, DE 2006 PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 297, DE 2006 Inclui as doações aos Fundos controlados pelos Conselhos de Assistência Social na permissão para dedução do imposto de renda devido pelas pessoas físicas e jurídicas.

Leia mais

18/05/2015 PACTO PELA SAÚDE

18/05/2015 PACTO PELA SAÚDE PACTO PELA SAÚDE O Pacto firmado entre os três gestores do SUS a partir de uma unidade de princípios: respeita as diferenças regionais, agrega os pactos anteriormente existentes, reforça a organização

Leia mais

MEDICAMENTOS DE ALTO CUSTO: QUEM PAGA A CONTA?

MEDICAMENTOS DE ALTO CUSTO: QUEM PAGA A CONTA? MEDICAMENTOS DE ALTO CUSTO: QUEM PAGA A CONTA? De acordo com a Constituição Federal do Brasil, no capítulo dos direitos sociais, todo cidadão tem o direito à saúde, educação, trabalho, moradia, lazer,

Leia mais

INSTITUTO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA MÉDICA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL

INSTITUTO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA MÉDICA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL INSTITUTO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA MÉDICA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL RESOLUÇÃO Nº 258, DE 07 DE JANEIRO DE 1991 O PRESIDENTE DO INSTITUTO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA MÉDICA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, no uso das atribuições

Leia mais

ORIENTAÇÕES E ESCLARECIMENTOS

ORIENTAÇÕES E ESCLARECIMENTOS COAP 06/13 ORIENTAÇÕES E ESCLARECIMENTOS 1.0 O que é o Contrato Organizativo da Ação Pública - COAP? O COAP é um acordo de colaboração firmado entre os três entes federativos, no âmbito de uma Região de

Leia mais

Educação Fiscal e Financiamento. 10º Encontro Estadual da UNCME/ES 14 de maio de 2015

Educação Fiscal e Financiamento. 10º Encontro Estadual da UNCME/ES 14 de maio de 2015 Educação Fiscal e Financiamento 10º Encontro Estadual da UNCME/ES 14 de maio de 2015 Vinculação Constitucional de Recursos CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 212. A União aplicará,

Leia mais

CARTA DE BRASÍLIA. Com base nas apresentações e debates, os representantes das instituições e organizações presentes no encontro constatam que:

CARTA DE BRASÍLIA. Com base nas apresentações e debates, os representantes das instituições e organizações presentes no encontro constatam que: CARTA DE BRASÍLIA Contribuições do I Seminário Internacional sobre Políticas de Cuidados de Longa Duração para Pessoas Idosas para subsidiar a construção de uma Política Nacional de Cuidados de Longa Duração

Leia mais

VERTICALIZAÇÃO OU UNIÃO ESTRATÉGICA

VERTICALIZAÇÃO OU UNIÃO ESTRATÉGICA VERTICALIZAÇÃO OU UNIÃO ESTRATÉGICA ABRAMGE-RS Dr. Francisco Santa Helena Presidente da ABRAMGE-RS Sistema ABRAMGE 3.36 milhões de internações; 281.1 milhões de exames e procedimentos ambulatoriais; 16.8

Leia mais

ENGENHARIA E ARQUITETURA PÚBLICA UMA VISÃO SISTÊMICA DA POLÍTICA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA A HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL.

ENGENHARIA E ARQUITETURA PÚBLICA UMA VISÃO SISTÊMICA DA POLÍTICA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA A HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL. ENGENHARIA E ARQUITETURA PÚBLICA UMA VISÃO SISTÊMICA DA POLÍTICA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA A HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL. 1- Apresentação A Constituição de 1988, denominada pelo saudoso Deputado

Leia mais

Saúde Coletiva: ciência e politica

Saúde Coletiva: ciência e politica Saúde Coletiva: ciência e politica Unicamp Março 2015 Ana Maria Costa: docente ESCS/DF, Presidentes do Cebes. Coordenadora Geral Alames Policia medica Higienismo Saude publica Medicina preventiva Medicina

Leia mais

GASTOS PÚBLICOS NOS CENTROS ESPECIALIZADOS EM ODONTOLOGIA SITUADOS EM FORTALEZA-CEARÁ Cleonice Moreira Cordeiro 1

GASTOS PÚBLICOS NOS CENTROS ESPECIALIZADOS EM ODONTOLOGIA SITUADOS EM FORTALEZA-CEARÁ Cleonice Moreira Cordeiro 1 GASTOS PÚBLICOS NOS CENTROS ESPECIALIZADOS EM ODONTOLOGIA SITUADOS EM FORTALEZACEARÁ Cleonice Moreira Cordeiro 1 Introdução Vera Maria Câmara Coelho 2 O estudo analisou os gastos nos Centros Especializados

Leia mais

Arquivos públicos municipais. Mais transparência pública, mais informação, mais memória e mais cidadania

Arquivos públicos municipais. Mais transparência pública, mais informação, mais memória e mais cidadania Arquivos públicos municipais Mais transparência pública, mais informação, mais memória e mais cidadania APRESENTAÇÃO Este documento tem como objetivo principal informar e sensibilizar as autoridades públicas

Leia mais