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1 OIL AND ENERGY energy in angola: BEYOND PETROLEUM ENERGIA EM ANGOLA Energy in Angola PARA ALÉM DO PETRÓLEO BEYOND PETROLEUM Agostinho Pereira de Miranda - Advogado / Lawyer Miranda Correia Amendoeira & Associados Agostinho Pereira Miranda - Advogado/Lawyer A indústria petrolífera angolana é vista em todo o mundo como um caso de indesmentível sucesso. Mas se os deuses bafejaram o país com riquezas minerais que fazem a inveja de outras nações, são os homens quem traz o petróleo à superfície e o coloca nos mercados internacionais. Isso não seria possível sem a tecnologia e os recursos financeiros de empresas estrangeiras. Mas foram os angolanos quem adoptou as políticas que tornaram possível que a produção petrolífera crescesse mais de 20 vezes desde a independência. As medidas que o Governo tomou a partir de 1982 em matéria de formação da força nacional de trabalho foram porventura o factor mais importante no desenvolvimento da capacidade nacional para gerir o sector. Igualmente relevante foi a política de diversificação de parceiros internacionais, uma estratégia constante na actuação do país nem sempre bem compreendida pelos investidores estrangeiros. Por último, e numa lista não exaustiva, vem a relativa simplicidade do ordenamento jurídico do sector e a capacidade de introduzir alterações legais gradativas e sem rupturas. Foram estes factores que contribuíram para o crescimento de uma indústria que hoje equivale à receita anual de mais de 50 bilhões de dólares dos EUA, representando quase 50% do PIB e cerca de 90% das exportações nacionais. E, todavia, estimativas do Banco Mundial indicam que menos de 20% da população angolana tem acesso a energia eléctrica e que 80% dos lares angolanos recorrem à biomassa, especialmente à lenha nas áreas rurais e ao carvão vegetal nas zonas periféricas das cidades. Oil industry in Angola is an undeniable success across the world. But if the gods provided mineral wealth, which became other nation s element of envy, men brings petroleum to surface and places it in international markets. This would not be possible without foreign companies technology and financial resources. Not to forget though, that the people of Angola adopted policies that made possible oil production growth since independence. Government measures since 1982, in terms of national workforce training, were the most important element on developing the national ability to manage the oil sector. Equally important was the international partnership diversification, a standing strategy in the country s performance not always understood by foreign investors. Finally, being the list non-exhaustive, there is the sector s relatively simple legal aspect and the ability to do legal changes in a gradual and stable manner. These were the main elements contributing to an industry s growth which is equivalent to 50 billion USD annual revenue, representing nearly 50% of the Gross Domestic Product (GDP) and 90 % of national export. And, however, the World Bank estimates that less than 20% of Angola s population has access to electricity, and that 80% of Angola s homes use biomass, particularly wood in rural areas and coal in the cities outskirts. 8 9

2 Electricidade: Angola poderia construir 150 barragens hidroeléctricas! A energia hidroeléctrica representa cerca de dois terços da electricidade angolana. O outro terço corresponde à energia produzida por geradores a diesel, designadamente os que são geridos pelas autoridades provinciais e locais e os geradores particulares. Estima-se que em certas cidades, como por exemplo o Lubango, os geradores domésticos possam corresponder a mais de 50% da capacidade instalada de geração de electricidade. Nos últimos anos, organizações especializadas dos EUA, da China e até da OCDE estudaram o potencial energético angolano. Para além de identificarem condições propícias à produção de energia de fonte nuclear (Angola tem reservas significativas de urânio), os estudos apontam as reservas de gás natural como uma das fontes de energia passíveis de utilização em futuras centrais de ciclo combinado. Todavia, essa possibilidade parece menos eficiente do ponto de vista dos respectivos custos do que a utilização dos vastíssimos recursos hídricos de que o país desfruta. Angola dispõe de apenas 5 barragens hidroeléctricas de grande dimensão, para além de outras tantas de menor dimensão. Mas um estudo recente do Banco Mundial afirma que o país poderia construir 150 barragens, excluindo as mini ou micro hidroeléctricas. Electricity: Angola could build 150 hydroelectric dams! Hydropower represents about two thirds of Angola s electricity. The other third is power produced by diesel generators, namely those managed by provincial and local authorities and private generators. It is estimated that in certain cities, as Lubango, domestic generators correspond to over 50% of electricity s generation capacity. Over the past years, specialized organizations from the USA, China and even OECD have studied Angola s power potential. Apart from identifying optimal conditions for nuclear energy production (Angola has significant uranium reserves) research indicates natural gas reserves as an energy source which can be used in combined cycle plants, in the future. However, this possibility seems less efficient in what concerns cost than using the country s vast water resources. Angola has only 5 large hydropower dams, and 5 small ones, but a recent World Bank research shows that country could build 150 dams, apart from the mini and micro hydropower. 10

3 OIL AND ENERGY energy in angola: BEYOND PETROLEUM A prioridade do Governo parece porém ser a completa integração dos três sistemas (Norte, Centro e Sul) de produção e distribuição de electricidade existentes no país. O objectivo será aproveitar a sobrecarga existente no sistema Norte, encaminhando-a para sul. Um passo importante nesse sentido poderá ser dado em breve com a ultimação do acordo para a construção da linha de transmissão Inga (na República Democrática do Congo) Muanda Cabinda. A Biomassa e as suas alternativas Angola detém recursos muito apreciáveis de biomassa. Todavia, com o fim da guerra civil, tais recursos ficaram sujeitos a uma enorme pressão. Por exemplo, num raio de 200 a 300 Km à volta de Luanda verifica-se uma desflorestação extensiva, e que se vai agravando todos os anos, em virtude do abate de árvores para a produção de carvão vegetal. Por outro lado, a combustão de lenha e carvão vegetal com equipamentos ineficientes causa desperdício de recursos e agrava as condições sanitárias das populações. O método de carbonização (conversão da madeira em carvão) mais usado em Angola é o forno tradicional, construído através de um buraco feito no solo. A eficácia destes fornos é muito baixa: cerca de um terço das fornalhas utilizadas, por exemplo, no Brasil para o mesmo efeito. Estas são construídas com tijolos de fabrico local, resistentes ao sobreaquecimento e que não se desgastam quando expostos ao sol e à chuva. A generalização destes fornos mais eficientes poderia contribuir para uma apreciável descida do preço de mercado do carvão vegetal em Angola. The Government s priority seems to be integrating the three electricity production and distribution centers in the country (North, Center and South). The goal is to make the best of the North s overload by sharing it with the South. An important step towards this aim might be taken soon with the finalization of the agreement for the construction of Inga (Democratic Republic of the Congo) Muanda - Cabinda transmission line. Biomass and its alternatives Angola has important biomass resources. However, with the end of the civil war, such resources became under restraint. For example, in a 200 to 300 km range around Luanda there is a massive deforestation, larger every year, due to cutting down trees for charcoal. On the other hand, wood and charcoal combustion with inefficient equipments causes resource waste and worsens the populations health conditions. The most used carbonization method in Angola is the traditional oven, built through a hole on the soil. These ovens efficacy is very low: about a third of the furnaces used, for example, in Brazil with the same purpose, are made of bricks, produced locally, resistant to heat and weather conditions. These more efficient ovens widespread could contribute for a considerable price drop of Angola s charcoal market

4 A lenha continuará a ser por muitos anos uma fonte de energia primária de primeira grandeza, particularmente nas regiões rurais. A Agência Internacional de Energia estima que cerca de 2,5 bilhões de pessoas em todo o mundo recorrem à biomassa para aquecimento e para cozinhar. Mas em Angola boa parte da lenha é utilizada em fogões que, sendo baratos, são geralmente pouco eficientes. Como o atestam vários programas adoptados em países tão diferentes como a Índia, a China ou o Quénia, a divulgação de fogões aperfeiçoados pode reduzir significativamente o consumo de lenha. A prazo, a solução para Angola consistirá na substituição dos fogões a lenha por aparelhos de combustão de gás, ainda que estes sejam obviamente mais caros. O principal obstáculo porém é que o gás de botija (GPL) é fortemente subsidiado. De facto, o custo de uma botija de gás para o consumidor equivale a cerca de um terço do seu custo total. A diferença é suportada pelo Governo, através da Sonangol. Trata-se, frequentemente, de GPL importado. Com a entrada em funcionamento da nova refinaria do Lobito (Sonaref), prevista para 2014, este cenário vai alterar-se. É que a partir de então o consumo nacional de propano e butano poderá ser inteiramente satisfeito pela produção nacional. Wood will be, for many years to come, a very important primary energy source, mainly in rural areas. The International Energy Agency estimates that about 2.5 billion people all over the world use biomass as a heating source, and for cooking. But in Angola, most of the wood is used in inefficient ovens. Several programs in such different countries as India, China or Kenya state that improved ovens can lead to significant wood consumption reduction. Over time, Angola s solution will be the substitution of wood ovens by gas combustion devices, although these are obviously more expensive. Yet, the main hurdle is that LPG is highly supported. In fact, the consumer only pays a third of a gas cylinder s total cost. The remaining is supported by the Government, through Sonangol, often importing LPG. With the new Lobito s refinery (Sonaref), scheduled for 2014, this scenery will change. By then, the national propane and butane consumption will be entirely met by national production. 14

5 OIL AND ENERGY HEADLINE Energia solar, eólica e biocombustível A Estratégia para o Desenvolvimento do Sector da Electricidade, aprovada em 2002, não inclui um programa de electrificação rural. Contudo, ela apela à investigação do potencial das energias de fontes renováveis no tocante à sua utilização no espaço rural. Para além da energia mini e micro hídrica, é citada a energia eólica e a solar fotovoltaica. A despeito do seu custo relativamente elevado, a energia solar pode ser usada para fornecer electricidade a pequenas comunidades em zonas sem acesso à rede geral. Mas, mesmo nos centros urbanos, ela pode revelar-se muito eficiente em projectos de maior intensidade energética como escolas, sistemas de abastecimento de água, ou estações de telecomunicações. Num outro registo, merece particular atenção a fileira dos biocombustíveis, para a qual o Governo aprovou em 2009 uma Estratégia de Desenvolvimento e, já este ano, a Lei sobre os Combustíveis. Mas este é um campo de tal forma extenso que merece ser tratado em texto autónomo. É certo que não existe uma estratégia nacional para a utilização da tecnologia solar ou eólica. Ainda assim, hoje no domínio das energias renováveis, como há trinta anos no sector petrolífero, Angola pode sempre valer-se dos trunfos que utilizou com os resultados que se conhecem: ambiente jurídico favorável, formação profissional de nacionais e diversificação dos parceiros internacionais. Solar, wind and biofuel energy The Strategy for Electricity Sector Development, approved in 2001, does not include a rural electrification program. Nevertheless, it appeals to research on renewable source energies potential concerning rural areas. Apart from mini and micro hydropower, wind energy and photovoltaic solar energy are pointed out. Despite its relative high cost, solar energy can supply electricity to small communities even in areas with no access to the general network. But, even it city centers, solar energy can prove itself highly efficient in projects of higher energy demand such as schools, water supply systems, or telecommunication stations. On another level, it is relevant to mention biofuel. In 2009 the Government approved a Development Strategy for fuel and approved recently a Law on Fuels. However, this subject alone should be addressed in an article devoted to it. It is clear that there is not a national strategy for solar or wind energy. But still, Angola can currently strive in the renewable energy domain, as she did thirty years ago in the oil industry, and make use of its outcomes: a favorable legal environment, national professional training and international partnership diversification

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