O ABRIR DAS ASAS DA BORBOLETA ATRAVÉS DA ARTE

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1 FACULDADE NORTE CAPIXABA DE SÃO MATEUS CURSO DE PEDAGOGIA LUISA PETRY FLORES O ABRIR DAS ASAS DA BORBOLETA ATRAVÉS DA ARTE SÃO MATEUS - ES 2012

2 LUISA PETRY FLORES O ABRIR DAS ASAS DA BORBOLETA ATRAVÉS DA ARTE Projeto de Pesquisa apresentado a Faculdade Capixaba de São Mateus UNISAM, no curso de Pedagogia, como requisito parcial para aprovação na disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso II, sob orientação da Prof Msc Carolina F.Dadalto. SÃO MATEUS-ES 2012

3 FICHA CATALOGRÁFICA

4 LUISA PETRY FLORES O ABRIR DAS ASAS DA BORBOLETA ATRAVÉS DA ARTE Projeto de Graduação apresentado ao Programa de Graduação em Pedagogia da Faculdade Norte Capixaba de São Mateus, como requisito parcial para obtenção do Grau de Licenciatura em Pedagogia. São Mateus, de novembro de Banca Examinadora Prof. Msc Carolina F.Dadalto. Orientadora UNISAM Prof.(a) Laudinéia Azerêdo dos Santos Gomes. UNISAM Avaliador Prof.(a) Tereza Barbosa Rocha. UNISAM Avaliador

5 Dedico este trabalho a minha família que sempre me deu forças para seguir com os sonhos, mesmo aqueles dito impossíveis. Dedico também aos meus amigos que são a fonte da minha alegria e motivação, e me suportaram nos momentos difíceis e fazem parte da minha história de vida. A minha professora orientadora Carolina Dadalto pela paciência e contribuições que levaram ao sucesso deste trabalho.

6 "[...] a arte é um meio concreto para se desenvolver a sensibilidade, a ética, a concentração, a criatividade e a espiritualidade, contribuindo para uma sociedade melhor [...]. (COLAGRANDE, 2010, p.27).

7 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO JUSTIFICATIVA DELIMITAÇÃO DO TEMA FORMULAÇÃO DO PROBLEMA OBJETIVOS Objetivo Geral Objetivos Específicos HIPÓTESE METODOLOGIA Classificação da Pesquisa Técnica de Pesquisa para Coleta de Dados Fonte para Coleta de Dados Caracterização das Amostras Instrumento para coleta de dados Tratamento e Análise dos Dados APRESENTAÇÃO DOS CONTEÚDOS DAS PARTES REFERENCIAL TEÓRICO A ARTE E SUAS CONTRIBUIÇÕES A ARTE NA EDUCAÇÃO: UM BREVE HISTÓRICO A ARTE NA EDUCAÇÃO INFANTIL: UMA RECENTE VONTADE DE TRANSFORMAR A CRIANÇA E O ENSINO APRENDIZAGEM ANÁLISE DOS DADOS METODOLOGIA: PROJETO A MENINA DAS BORBOLETAS O PROJETO NA PRÁTICA RELATOS DA VIVÊNCIA CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÃO REFERÊNCIAS APÊNDICES...45

8 RESUMO A criança na educação infantil está em seu momento de formação individual, aberta a descobertas e experiências que façam sentido em suas vidas. Neste ponto de vista, a arte faz parte de seu caminho criativo e condutor de seu desenvolvimento cognitivo. Através da imaginação, a fantasia, a narrativa, a modelagem e o teatro formam um conjunto de ferramentas que conduzem ao autoconhecimento dos alunos, a concentração e sua expressão e comunicação com o mundo. Esta pesquisa tem o objetivo de contribuir para o reconhecimento da disciplina de artes como ferramenta didática para o aprimoramento das habilidades cognitivas dos alunos do Pré Nível II do CEIM Ovelhinha, com atividades que utilizem a narrativa, a modelagem e o teatro. Oportunizando a estas crianças, vivenciar atividades artísticas que estão inseridas neste contexto da arte como contribuinte no desenvolvimento cognitivo dos alunos. Percebe-se que existe uma necessidade de um reconhecimento do papel positivo da arte em transformar e modelar sentimentos, emoções, pensamentos e atitudes no individuo em formação. Consideramos que a educação quando realizada de forma íntegra percorre pelo caminho afetivo e criativo, tendo a necessidade de ter a arte como fio condutor da formação de indivíduos autênticos e transformadores das situações expostas em seu cotidiano. Neste projeto realizado com as crianças foi possível perceber o quanto as crianças participantes estão abertas à vivenciar a arte, demonstrando atitudes irreverentes e distintas ao seu comportamento comum. Podemos assim contemplar a arte como um caminho tão importante quanto todo conteúdo curricular de nossas escolas. Palavras- chaves: Arte, Educação Infantil, Teatro, Narrativa, Argila, Desenvolvimento Infantil.

9 1 INTRODUÇÃO Considerando as possibilidades que a arte oferece no desenvolvimento cognitivo das crianças, teremos como foco de pesquisa a arte como instrumento didático que pode contribuir para o desenvolvimento intelectual do indivíduo. Na medida em que o ensino da arte favorece a aquisição de habilidades tanto intelectuais quanto motoras e emocionais. A arte possui ferramentas diversas, com metodologias que abrangem um universo de possibilidades de desenvolvimento humano e que desvenda a capacidade de expressão do indivíduo, podendo assim ter um trabalho direcionado e aplicado diante as necessidades do aluno. Esta função diversificada e transformadora que as atividades artísticas apresentam é expressa neste trabalho. Foram utilizadas técnicas da narrativa, da modelagem e do teatro, como metodologias que podem contribuir para a formação de indivíduos conscientes e responsáveis que tenham esperança, força de vontade e criatividade para transformar o velho no novo. Podendo assim, desenvolver habilidades que buscam o equilíbrio interno do aluno oportunizando um melhor desenvolvimento cognitivo e percepção de vida. Segundo Colagrande (2010, p.23.) a arte está para criança como uma forma livre de experimentar a si mesma, a sua expressão, comunicação e descoberta de suas possibilidades de criação. Através desta reflexão fortalecemos o reconhecimento

10 das contribuições da arte no desenvolvimento cognitivo das crianças que neste caso são alunos de 6 anos do Pré Nível II do CEIM Ovelhinha. Neste trabalho foi desenvolvida a análise bibliográfica como fundamentação para um estudo de campo onde foram apresentadas atividades propostas para o público alvo escolhido, que são crianças de 6 anos do CEIM Ovelhinha, localizado no bairro Guriri na cidade de São Mateus ES. Esta pesquisa realizou-se no segundo semestre do ano de 2012 e teve um olhar reflexivo sobre as contribuições das atividades artísticas como ferramenta potencializadora para o desenvolvimento cognitivo das crianças. Podendo conquistar um reconhecimento e aprimoramento profissional dos professores de artes e uma qualidade no ensino de nossas crianças valorizando seu potencial criativo. 1.1 JUSTIFICATIVA Percebe-se que no cotidiano escolar muitos alunos apresentam comportamentos imaturos, refletindo em dificuldades de aprendizagem relacionadas à falta de motivação e concentração diante as possibilidades que possuem em suas atividades propostas por seus professores que exercem um trabalho prático e mecânico em suas aulas, perdendo a essência de educar e transformar. Ou seja, o potencial desses alunos poderia ser melhor explorado caso o ensino ocorresse de forma contextualizada e que houvesse nele um intuito educativo tendo como metodologia didática uma ação pedagógica que contribuísse na vida das crianças de modo mais amplo. Neste caso, a disciplina de arte tem uma gama de contribuições tanto no sentido de coordenação motora, quanto do intelecto do aluno e também o emocional. Podendo assim através de atividades artísticas ocorrer o favorecimento da expressão da

11 linguagem da criança tendo a arte como ferramenta para a internalização das informações oriundas do cotidiano. Segundo Bock (2008, p.128): Vigotsky deu ênfase ao processo de internalização como mecanismo que intervém no desenvolvimento das funções psicológicas complexas. Essa é a reconstrução interna de uma operação externa e tem como base a linguagem. O plano interno, para ele, não preexiste, mas é constituído pelo processo de internalização, fundado nas ações, nas interações sociais e na linguagem. A comunicação da criança com o mundo é refletida em sua essência como ela vê e sente o mundo, conduzindo sua expressão com pureza e espontaneidade. De fato ter possibilidades de potencializar sua forma de sentir e registrar para si as informações externas poderá desenvolver características positivas em sua relação social e interativa ao longo da vida. Tanto Vigotsky quanto Piaget em seus estudos defendem a importância das relações sociais para um desenvolvimento intelectual e equilibrado na vida do indivíduo. O autor Wadsworth (2010, p.12) relata que: Para Vigostsky, os fatores sociais desempenham um papel fundamental no desenvolvimento intelectual, Quando o conhecimento existente na cultura é internalizado (ou construído) pelas crianças, as funções e as habilidades intelectuais são provocadas a se desenvolver. Dessa forma, a aprendizagem conduz ao desenvolvimento. Piaget, por sua vez, reconheceu plenamente o papel dos fatores sociais no desenvolvimento intelectual. As interações sociais foram consideradas como uma fonte de conflito cognitivo, portanto, de desequilibração e, consequentemente, de desenvolvimento. Considerando os estudos de Vigotsky e Piaget, os mesmos expressam a necessidade do vínculo social positivo que exerça seu papel de potencializar a aprendizagem do aluno, podendo conduzir num trabalho motivador e transformador na educação. Percebemos que nos dias atuais esta desmotivação e esta desvalorização do uso da arte como contribuinte de um desenvolvimento intelectual do aluno faz do ensino um caminho árduo com dificuldades de aprendizagens que poderiam ser dissolvidas através de uma metodologia mais fluida e prazerosa para a criança.

12 Portanto, este trabalho justifica-se pela necessidade de apontar as contribuições que o ensino da arte pode oferecer no desenvolvimento cognitivo dos alunos do Pré Nível II do CEIM Ovelhinha. 1.2 DELIMITAÇÃO DO TEMA As contribuições do ensino da arte como metodologia para o desenvolvimento cognitivo das crianças de seis anos do CEIM Ovelhinha foi o tema escolhido para ser trabalhado neste projeto de pesquisa. Nesta pesquisa foram proporcionadas atividades artísticas para os alunos da faixa etária escolhida do CEIM Ovelhinha. Este estudo de campo foi posto em prática no mês de setembro deste ano, com o embasamento teórico já sendo desenvolvido no primeiro semestre de FORMULAÇÃO DO PROBLEMA O universo da criança que está na educação infantil é repleto de fantasia, movimento, cantigas de roda, brincadeiras, cores, música e imaginação. Percebe-se a necessidade de um ensino de arte na educação infantil que motive as crianças a explorar seus potenciais e desvendar habilidades cognitivas que farão sentido em suas vidas. A ausência deste trabalho com arte torna perceptível alguns comportamentos infantis os quais refletem na dificuldade da criança em ter autonomia de suas ações; de ter a capacidade de conhecer a si mesmo; saber resolver problemas; criar novas alternativas perante as situações cotidianas da vida; expressar suas emoções e; desenvolver habilidades psicomotoras e intelectuais.

13 O ensino da arte na educação infantil pode oportunizar melhor rendimento e motivação durante todo o processo escolar. A arte como metodologia de ensino influencia não somente no desenvolvimento escolar dos alunos, mas principalmente em sua formação enquanto indivíduo; na sua vida cotidiana e; até mesmo na sua profissão podendo ter força de vontade e mais facilidade de resolver desafios da vida adulta. Desta forma, esta pesquisa se propõe a responder a seguinte questão: Quais as contribuições que o ensino da arte pode proporcionar aos alunos do Pré Nível II do CEIM Ovelhinha? 1.4 OBJETIVOS Objetivo geral Contribuir para o reconhecimento da disciplina de artes como ferramenta didática para o aprimoramento das habilidades cognitivas dos alunos do Pré Nível II do CEIM Ovelhinha com atividades que utilizem a narrativa, a modelagem e o teatro Objetivos Específicos - Realizar uma pesquisa bibliográfica acerca do tema em questão; - Refletir e analisar historicamente o papel da arte na educação através de bibliografias;

14 - Analisar a importância da arte no ambiente escolar atual, considerando a literatura que trata da temática; - Contribuir para o fortalecimento da idéia de que a arte pode funcionar como ferramenta contribuinte na formação consciente e criativa da personalidade dos indivíduos; - Elaborar uma proposta metodológica que envolva atividades artísticas que propiciam o aprimoramento do desenvolvimento cognitivo; - Aplicar as atividades propostas; - Analisar o envolvimento dos alunos nas atividades propostas; - Observar os avanços no desenvolvimento dos alunos após a execução do projeto; - Contribuir para o desenvolvimento de habilidades cognitivas através da narrativa, da modelagem e do teatro. 1.5 HIPÓTESE Acredita-se que através desta pesquisa será possível reconhecer o papel positivo da arte voltada para educação no desenvolvimento cognitivo dos alunos do Pré Nível II do CEIM Ovelhinha. 1.6 METODOLOGIA Classificação da Pesquisa

15 Essa pesquisa tem a característica exploratória e descritiva. Nela será desenvolvido um trabalho que reconheça o valor da função da arte como didática de aprimoramento do desenvolvimento cognitivo de crianças do Pré Nível II do CEIM Ovelhinha. No que se refere ao caráter exploratório, Gil (2007, p. 41) afirma que: Estas pesquisas têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou constituir hipótese. Pode se dizer que esta pesquisa tem como objetivo principal o aprimoramento de idéias ou a descoberta de intuições. Este trabalho também terá característica descritiva, tendo em vista que se trata de um trabalho de pesquisa em pratica no qual foram proporcionadas atividades artísticas para que através de observações indique - se um melhor desenvolvimento sobre o tema proposto. A pesquisa descritiva possibilita que o pesquisador complemente sua pesquisa com materiais registrados, observados, analisados de forma que complemente sua teoria estudada dando corpo ao seu trabalho. Segundo Andrade (2001, p.124) Neste tipo de pesquisa descritiva, os fatos são observados, registrados, analisados, classificados e interpretados, sem que o pesquisador interfira neles. A junção das pesquisas exploratórias e descritivas proporciona um maior embasamento no trabalho científico Técnica de Pesquisa Para Coleta de Dados A pesquisa bibliográfica servirá como base teórica fundamentada em pesquisadores e estudiosos sobre o tema em questão. Segundo Andrade (2006, p.126)... todo trabalho científico pressupõe uma pesquisa bibliográfica preliminar. Também será utilizada para coleta de dados a técnica de estudo de campo. Para Gil (2007, p. 53):

16 Basicamente, a pesquisa é desenvolvida por meio da observação direta das atividades do grupo estudado e de entrevistas com informantes para captar suas captações e interpretações do que ocorre no grupo. Esses procedimentos são geralmente conjugados com muitos outros, tais como a análise de documentos, filmagem e fotografias. Considerando a pesquisa bibliográfica como fundamentação teórica para a complementação deste trabalho o estudo de campo será uma etapa onde apresentará na prática questões do cotidiano dos alunos em sala, podendo assim registrar e analisar posteriormente o trabalho de forma mais concreta. As atividades propostas para este estudo de campo serão estabelecidas da seguinte forma: 1 Etapa: Narrativa da História: A Menina das Borboletas de Roberto Caldas; na horta da escola; 2 Etapa: Atividade com modelagem, utilizando argila para criação dos elementos da história; 3 Etapa: Roda de conversa e reflexões sobre a vivência e seleção de personagens entre os alunos dando início a dramatização da história; 4 Etapa: Ensaio do teatro e confecção de figurinos; 5 Etapa: Culminância do Projeto Arte com a Menina das Borboletas, com exposição das obras rústicas de argila confeccionadas pelos alunos e apresentação do teatro A Menina das Borboletas. Desta forma, equilibrando a fundamentação bibliográfica, através de pesquisas sobre o tema, com a prática, este projeto de artes se atreve a propor diferentes percepções, análises e críticas que possibilitem novas alternativas de trabalho com a arte junto às crianças na educação infantil Fontes Para Coletas de Dados

17 As fontes para coleta de dados desta pesquisa serão primárias visto que haverá coleta de dados conforme o desenvolvimento das atividades que serão registrados imagens fotográficas; vídeos, e relatos de alguns alunos envolvidos no projeto. E também serão fontes secundárias: livros, artigos fundamentados sobre o tema proposto, que segundo Andrade (2006, p.43) as fontes secundárias referem-se a determinadas fontes primárias, isto é, são constituídas pela literatura originada de determinadas fontes primárias e constituem-se em fontes das pesquisas bibliográficas Caracterização da Amostra O público alvo desta pesquisa foram 12 crianças de 6 anos da turma do Pré Nível II alunos do CEIM Ovelhinha. Este Centro Educacional Municipal Ovelhinha fica localizado no bairro Guriri, na cidade de São Mateus, ES. Estes alunos já demonstram algumas habilidades com artes, expressam suas vontades, e atualmente estão em seu processo de alfabetização preparando se para o Ensino Fundamental I para o próximo ano. Segundo Andrade (2006, p.144), os sujeitos de uma pesquisa, ou seja, os elementos que serão investigados compõem uma amostra da população ou do universo. Em geral estas crianças têm um nível social com baixa renda familiar e uma série de situações como dificuldades de relacionamentos familiares e afetivos Instrumento Para Coletas de Dados

18 Este trabalho utilizou como instrumentos metodológicos a roda de conversa 1, a narrativa, a modelagem e o teatro. A utilização desses instrumentos proporcionou um enriquecimento da pesquisa no sentido prático e qualitativo do estudo de campo. Considerando as atividades artísticas com modelagem e teatro, esta pesquisa teve como instrumentos para coleta de dados grupos de discussão, registros fotográficos e observações a partir das atividades registradas no estudo Tratamento e Análise dos Dados Nesta pesquisa foi trabalhada a análise dos dados com intuito de buscar resultados qualitativos sobre as contribuições das atividades artísticas na turma do Pré Nível II do CEIM Ovelhinha. Sendo assim, Gil (2007, p. 133) diz: A análise qualitativa depende de muitos fatores, tais como a natureza dos dados coletados, a extensão da amostra, os instrumentos de pesquisa e os pressupostos teóricos que nortearam a investigação. Pode se, no entanto, definir esse processo como uma sequência de atividades, que envolve a redução dos dados, a categorização desses dados, sua interpretação e a redação do relatório. Nesse contexto a análise dos dados foi realizada a partir de uma leitura crítica da bibliografia consultada, observação e execução de atividades pedagógicas com o intuito de organizar os dados para compor o corpo textual deste trabalho. 1.7 APRESENTAÇÃO DOS CONTEÚDOS DAS PARTES 1 A roda de conversa, dispõe da interação do professor com os alunos, todos sentados em forma de circulo, para se ter um momento de dialogo e reflexões acerca de determinado assunto.

19 Capítulo 1 O capítulo aborda a introdução do trabalho, delineando sobre os questionamento, objetivos e hipóteses que deram início a este estudo que culminou no desenvolvimento e conclusão desta pesquisa. Traz detalhes da metodologia utilizada e outros pontos relevantes sobre o processo de construção do trabalho. Capítulo 2 O presente capítulo aborda o conteúdo teórico que abrange as contribuições da arte, o histórico do ensino da arte, o histórico do ensino da arte e o ensino-aprendizagem. Capítulo 3 O capítulo três traz a análise dos dados descrevendo o processo de construção do projeto de artes desenvolvido na escola, e aborda, também, relatos das vivências. Capítulo 4 Traz as considerações finais deste estudo.

20 24 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 A ARTE E SUAS CONTRIBUIÇÕES Tendo em vista que no processo de ensino aprendizagem a arte ocupa um espaço que amplia os conhecimentos adquiridos pelos educandos, esta pesquisa foi desenvolvida com crianças de seis anos do CEIM Ovelhinha, foi levado em consideração que as crianças dessa faixa etária possuem um melhor desempenho nas habilidades que foram necessárias para cumprir os objetivos deste estudo. Essa pesquisa objetivou possibilitar a esses alunos a oportunidade de vivenciar atividades artísticas que possam gerar um melhor rendimento escolar; que desenvolvam a capacidade de potencializar seus dons artísticos; desenvolver sua coordenação motora e; expressar seus sentimentos sabendo lidar com as diferenças melhorando assim sua socialização ao meio social em que vivem. A criança está aberta a aprender e praticar aquilo que a inspira, que alimenta sua imaginação, quanto a isso Fusari (2009, p.85), explica que: Compreender o processo de aquisição do conhecimento da arte pela criança significa mergulhar em seu mundo expressivo, por isso, é preciso procurar saber por que e como ela o faz. Valorizar o ensino da arte e suas contribuições é um caminho humano onde possibilita o desenvolvimento cognitivo, o autoconhecimento, a sua história podendo ser tecida e modelada de forma consciente e transformadora, cooperando com as relações sociais, relações escolares e afetivas do aluno. É necessário que haja uma mudança de paradigmas sobre a função da arte na formação do indivíduo. A criança sente e expressa o que vive, a arte é mediadora destes sentimentos. Fusari (2010, p.85), ressalta que a criança exprime se naturalmente, e se comunica tanto do ponto de vista verbal, como plástico, musical ou corporal, e sempre motivada pelo desejo da descoberta e por suas fantasias. É necessário que

21 25 se dê oportunidade ao aluno de vivenciar a arte para que ele possa expressar - se a partir dela. Segundo Colagrande (2010, p.43): A criança de três a seis anos começa a olhar o mundo, percebe-se um ser diferenciado nele e pode manifestar suas sensações por meio de pinturas, colagens ou rabiscos para começar lentamente a elaborar seu campo gráfico de acordo com suas percepções. O papel do educador nessa fase é tornar possível essa manifestação, oferecendo materiais, fazendo ao lado do aluno seu próprio trabalho para que ele observe e crie o seu próprio, sabendo como utilizar os materiais. A arte é uma ferramenta que auxilia no desenvolvimento da criança, vindo de uma criação interna, de consciência e percepção sensorial sobre o mundo. A atividade artística utilizada didaticamente 2 pode auxiliar no processo cognitivo da criança. E sendo utilizada de forma correta e aprofundada coopera equilibrando os meios de aprendizagem intelectuais e racionais com os emocionais e psicológicos que fazem parte do indivíduo. A criança precisa ser entendida e ter este auxílio amoroso em seu espaço educativo, Porcher apud. Forquin (1982, p.47) afirma que: Dentro de cada criança, como dentro de cada antiga criança, existem imensas virtualidades sensoriais, aptidões emotivas, possibilidades de felicidades sensíveis. O educador que não faz tudo o que pode, agora, no plano da educação escolar- que é o plano mais geral e decisivo- para exaltar e realizar essas virtualidades, que deixa passar o momento oportuno, quer por indiferença, por cansaço ou por negligência, contribui para manter a banalidade do mundo a mediocridade do homem, a insignificância da vida (...). Sabemos que na maioria das escolas brasileiras, a questão emocional e psicológica só recebe a devida atenção quando algum problema de comportamento de algum aluno é apresentado já em seu estado crítico, pode-se apontar essa situação como um dos maiores desafios das escolas atualmente. Através da arte é possível auxiliar na elaboração e modelagem de pensamentos, ter liberdade de expressar diretamente nossos sentimentos e registrar através da 2 A didática se caracteriza como mediação entre as bases teórico-científicas da educação escolar e a prática docente (LIBÂNEO, 1994, p. 28).

22 26 criação artística aquilo que é estimulado intelectualmente, através do raciocínio, das metodologias que aprendemos desde pequenos na escola, prevenindo assim um jovem desequilibrado emocionalmente e com dificuldades de aprendizagem. Atualmente a criança está perdendo seu tempo de brincar, criar e sonhar no jardim de infância, assim enrijecendo seus pensamentos desde pequena, pois já tem o dever de aprender a escrever, a calcular e logo estará preenchendo provas e recebendo notas para sua avaliação na educação infantil. Segundo Colagrande (2010, p.24): (...) Formamos indivíduos mais inseguros, que imitam os padrões estabelecidos por outros e, muitas vezes, padrões esses que não funcionam, e que vemos são pessoas cada vez mais insatisfeitas, infelizes e estressadas. Estou ousando dizer aqui que a arte contribui sim para uma formação de melhor qualidade e maiores possibilidades. Isso não significa que todos deveriam ser artistas, mas sim todos deveriam ter oportunidade de experimentar a arte como uma maneira de expressão pessoal, autoconhecimento e sensibilização com o meio ambiente. Com essa mudança nas relações infantis percebemos desenvolvimentos mais intensificados nas áreas de raciocínio e gramática e um déficit no desenvolvimento das áreas cognitivas, emocionais e criativas. 2.2 A ARTE NA EDUCAÇÃO: UM BREVE HISTÓRICO A arte na educação caminha junto ao que a sociedade está refletindo como as questões culturais, socioeconômicas, relações familiares e escolares. Neste conjunto de fatores existe a necessidade de fazer arte e o reconhecimento desta na vida das crianças na escola, já que a escola reflete as necessidades sociais.

23 27 Percebe-se a necessidade da importância de obtermos um conhecimento histórico da trajetória da arte e seu espaço nas escolas. Nos Parâmetros Curriculares já está registrado a arte junto à história da humanidade como práticas formadoras culturais. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais: Arte, volume 6 (2000, p.21): Desde o início da história da humanidade a arte sempre esteve presente em praticamente todas as formações culturais. O homem que desenhou um bisão numa caverna pré-histórica teve que aprender de algum modo, seu ofício. E, da mesma maneira, ensinou para alguém o que aprendeu. Assim, o ensino e a aprendizagem da arte fazem parte, de acordo com normas e valores estabelecidos em cada ambiente cultural, do conhecimento que envolve a produção artística em todos os tempos. O ensino da arte contribui para o desenvolvimento criador da criança, por isso é relevante compreendermos que na metodologia tradicional das escolas oportunizar o desenvolvimento da criatividade da criança não era o seu foco e sim trazer informações prontas e padronizadas conforme a sociedade visava construir na formação dos cidadãos há décadas atrás. Nos Parâmetros Curriculares Nacionais: Arte, Volume. 6 (2000, p.22) consta que: É importante salientar que tais orientações trouxeram uma contribuição inegável no sentido da valorização da produção criadora da criança, o que não ocorria na escola tradicional. Mas o princípio revolucionário que advogava a todos, independentemente de talentos especiais, a necessidade e a capacidade da expressão artística foi aos poucos sendo enquadrado em palavras de ordem, como por exemplo, o que importa é o processo criador da criança e não o produto que realiza e aprender a fazer, fazendo ; estes e muitos lemas foram aplicados mecanicamente nas escolas, gerando deformações e simplificações na idéia original, o que redundou na banalização do deixa fazer ou seja deixar a criança fazer arte, sem nenhum tipo de intervenção. A Tendência da Pedagogia Tradicional, atualmente é refletida em nossas escolas, famílias e comunidades, no momento em que essas organizações optam por posturas mecânicas, rígidas e inflexíveis no processo de ensino aprendizagem. No que se refere a Pedagogia Tradicional, Fusari (2010,p.25) afirma que: Na pedagogia tradicional o processo de aquisição dos conhecimentos é proposto através de elaborações intelectuais e com base nos modelos de pensamento desenvolvidos pelos adultos, tais como análise lógica, abstrata. Na prática, a aplicação de tais idéias reduz-se a um ensino mecanizado, desvinculado dos aspectos do cotidiano, e com ênfase exclusivamente no

24 28 professor, que passa para os alunos informações consideradas verdades absolutas. Como forma de contestação a esta tendência pedagógica, uma nova geração de pensadores que objetivavam propor novas formas de ensino iniciaram o movimento denominado Escola Nova. Esse movimento causou polêmica e trouxe novas possibilidades nas áreas das linguagens artísticas, teatrais, e educacionais. Alguns acontecimentos sociais e culturais fortaleceram o movimento da Escola Nova. Dentre eles pode se apontar a Semana da Arte Moderna que trouxe um novo olhar sobre a produção artística de modo que deixou de focar a arte como um só gênero de criação, rompendo com uma postura mecanizada e inflexível de produção artística, tirando o foco na produção artística européia e valorizando os artistas brasileiros. Tendo em vista que a Escola Nova propunha uma educação contextualizada com a valorização da diversidade cultural e artística, a Semana de Arte Moderna veio ao encontro desta proposta fortalecendo o movimento. Segundo o autor Fusari (2010, p.33): No campo artístico observam-se ecos da Semana da Arte Moderna de 1922, expandindo-se o movimento modernista para várias regiões do país e organizando salões de arte com características inovadoras e mais nacionalistas. O resgate cultural e reconhecimento de suas riquezas naturais e artísticas em nosso país é o que teve em discussão nestes movimentos sociais representando a arte e valorizando-a caracterizando nosso país como um campo de artistas privilegiados e mantenedores de nossa cultura diversificada. Com isto podemos interligar o papel sócio-cultural do ensino da arte na educação infantil como ferramenta formadora e potencializadora de nossas raízes culturais, tanto no folclore quanto o que a própria diversidade compõe com suas misturas sociais. Outra área que podemos ressaltar na sua função da construção do pensamento evolutivo da arte na educação durante a Escola Nova é a psicologia. A psicologia tinha seu papel fundamental nesta época onde as aulas de artes eram diferenciadas buscando o estímulo para o aluno em sua criação, tendo como objetivo desenvolver

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