Master Plan Santa Catarina Desenvolvimento com Base em Inovação. Dezembro 2005

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1 Master Plan Santa Catarina Desenvolvimento com Base em Inovação Dezembro 2005

2 O Master Plan parte da premissa de que o fator de produção mais relevante da economia moderna é o conhecimento. Daí decorre que o caminho para o desenvolvimento passa por educação, cultura, e investimentos em pesquisa, desenvolvimento tecnológico, e inovação. Uma segunda constatação é a de que o Brasil apresenta razoável produção científica, mas o sistema de inovação brasileiro - e o catarinense em particular -, apresentam baixas performances tanto quantitativa quanto qualitativa. Baixos investimentos, pouca integração entre empresa e universidade, e ausência de políticas públicas consensuais e de longo prazo, são as principais mazelas do desenvolvimento tecnológico brasileiro. Um terceiro ponto fundamental é a tese de que política tecnológica pode e deve ser gerenciada a nível estadual, o que contradiz o pensamento dominante até recentemente entre boa parte dos administradores estaduais dentre os quais, diga-se, não se inclui o Estado de Santa Catarina -, de que o assunto deva ser, pragmaticamente, por sua própria natureza, e por estar além das possibilidades de limitados orçamentos, subordinado a uma política nacional, e entregue ao Governo da União.

3 Partindo-se desses três pontos fundamentais, formulou-se a proposta de incrementar o sistema de inovação catarinense através de ações que fujam ao paradigma tradicional, e que, por representarem um marco diferencial, serão capazes de colocar Santa Catarina que já dispõe de instituições que se colocam entre as mais atuantes na área tecnológica -, no centro do sistema de inovação brasileiro, e de alavancar decisivamente, o desenvolvimento estadual. Dentre as medidas propostas, estão: (a) uma ampliação substancial dos recursos destinados à área tecnológica; (b) uma mudança na forma de operar o sistema de inovação catarinense, que deixaria de atuar de forma passiva, financiando preferencialmente iniciativas de pesquisas individuais ou de universidades, e passaria a direcionar e apoiar diretamente um pacote de iniciativas de pesquisa selecionadas por sua relevância para o desenvolvimento catarinense; (c) o investimento na criação de um ambiente capaz de efetivamente atrair a empresa privada para o investimento em P&D; (d) o uso efetivo do poder de compra do Estado como forma de apoiar iniciativas no campo de P&D, e, em particular, de TIC; e (e) a estruturação de um sistema de financiamento para apoio a empresas emergentes de base tecnológica.

4 A mudança, em relação aos paradigmas brasileiros, na forma de operar o sistema de inovação catarinense, visa dotar o sistema de dinamismo semelhante aos encontrados nos países líderes na produção tecnológica, inclusive os soit disant de orientação neoliberal e não intervencionistas, e se basearia na participação do governo nos custos e riscos do processo de inovação, seja pelo subsídio direto (bancar parte dos custos, a fundo perdido, e pesquisa cooperativa), ou na instituição de um programa de encomendas tecnológicas em áreas de interesse da economia e da sociedade catarinenses. A realização de investimentos para a criação de um ambiente favorável ao investimento da empresa catarinense em desenvolvimento tecnológico visa diminuir o custo da atividade pela oferta de infraestrutura eficiente de C,T&I, e pela criação de um locus de convergência entre os criadores de ciência básica, os pesquisadores de universidades, e os centros de pesquisa das empresas. A idéia é acelerar a implantação do Sapiens Park, e dota-lo de infra-estrutura de laboratórios e centros de pesquisa, em determinados campos, e subsidiar essas atividades participando diretamente dos custos a fundo perdido, de forma a criar os efeitos sinérgicos necessários para atrair a empresa privada para a chamada pesquisa cooperativa.

5 Por outro lado, e também quebrando os paradigmas brasileiros e emulando países líderes em tecnologia, é fundamental o uso do poder de compra do Estado no apoio à atividade de inovação. Tal iniciativa tem duas vertentes. A primeira, com formalidade jurídica, consistiria em criar um arcabouço legal assemelhado aos Buy American e Small Business Act, do governo americano, ou às iniciativa americanas locais (governo da Califórnia, por exemplo), destinada a criar uma margem de preferência em termos de preços para produtos produzidos localmente. A segunda, de cunho informal, consistiria em adotar, na administração estadual (inclusive empresas sob controle do Estado), essa postura, de dar preferência, sempre que viável, à produção local. Finalmente, propõe-se a criação de Fundos para ordenar a atuação da FAPESC (definir prioridades pela alocação de parcelas do orçamento anual) no apoio à formação de recursos humanos e à atividade inovadora, e, particularmente, à capitalização de empresas emergentes de base tecnológica. O sistema seria constituído por um conjunto de fundos com finalidades específicas, sendo que um deles, o destinado à capitalização de empresas emergentes, não atuaria diretamente, mas através de operadores privados a serem atraídos para o Estado, que se comprometeriam a complementar os recursos alocados pelo Governo. Os Fundos seriam geridos pela FAPESC, em complementação e ampliando seu orçamento e linha de atuação atuais.

6 Para a área específica de tecnologias da informação, propõe-se um programa radical de informatização das atividades do governo, e um programa de informatização da sociedade catarinense, capaz de gerar, pelo direcionamento de encomendas a empresas locais pré-existentes, ou a serem atraídas para o Estado, o desenvolvimento do cluster de TIC existente na região no entorno de Florianópolis, Joinville e Blumenau. As pré-condições identificadas para a implementação, com sucesso, dos programas propostos na área de TIC, são a complementação do Anel de Fibra Ótica do Estado (conclusão urgente da infra-estrutura do chamado projeto RTIC), que, além de aumentar a eficiência operacional da máquina pública, possibilitaria a universalização do acesso à internet da sociedade catarinense, em banda larga, a custo razoável, e a complementação do Datacenter do Estado, no CIASC, condição essencial ao projeto de governança eletrônica.

7 É importante salientar que todas essas propostas são absolutamente consentâneas com as diretrizes do Plano de Governo, que são descentralização, municipalização, prioridade social e modernização tecnológica, e poucas delas são originais, no sentido de que já foram pensadas, em diversas ocasiões, por diversas instâncias do Governo e/ou da sociedade catarinense. O que o estudo propõe de diferenciado é um conjunto de prioridades, e a ordenação de iniciativas em um programa coerente e focado em resultados, das diversas iniciativas ou propostas pré-existentes, apenas com algumas modificações importantes na forma de operação. Evidentemente, o esforço orçamentário adicional a ser realizado pelo Estado, no reforço às verbas destinadas a C,T&I, principalmente através do Programa de Encomendas Tecnológicas, da instituição dos Fundos, e do término acelerado da construção do RTIC, e na implantação do Sapiens Park, é substancial, e esbarra nas limitações do Orçamento Estadual.

8 Por isso, uma das propostas mais importantes é a do desenvolvimento de softwares capazes de aumentar a eficiência da arrecadação do ICMS. A informatização total da arrecadação de impostos, com as declarações prestadas via web, e o cruzamento e auditoria da totalidade das declarações prestadas feitos em tempo real, seria possível aumentar substancialmente a eficiência da arrecadação, e destinar esse aumento a dois objetivos importantes de política pública. O primeiro seria um programa de redução seletiva de alíquotas de ICMS, não só para permitir a adaptação de alguns setores à nova realidade tributária, mas sobretudo para aumentar a competitividade da economia catarinense, e atrair investimentos para o Estado. O segundo seria o objetivo de recuperar a capacidade de investimento do Estado, abrindo espaço no Orçamento Estadual para viabilizar os investimentos necessários (ou perda de receita pelos incentivos fiscais concedidos).

9 Índice Introdução Inovação e Crescimento Econômico Tecnologia da Informação e Comunicações Sistemas de Inovação Sistema de Inovação Brasileiro Lições de Experiências Internacionais Ingredientes de uma Política Tecnológica Sistema de Inovação: Federal ou Estadual? Políticas de Apoio à Inovação Tipologia das Ações de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico Incentivos Fiscais Políticas Públicas Não Fiscais Sistema de Inovação Catarinense Diagnóstico Bases para o Desenvolvimento Políticas Públicas Ambiente Institucional Formação de Recursos Humanos Forma de Atuação do Sistema de Inovação Catarinense

10 SC como cluster de TIC Arranjos produtivos Arranjos produtivos de base tecnológica SC como cluster de TIC Bases para o Desenvolvimento do Cluster de TIC de SC Programas Geradores de e sua Utilização Formação de Recursos Humanos Condições Viabilizadoras Projetos Propostos Os Projetos Propostos Projeto 1: Aumento das Verbas destinadas a CT&I Projeto 2: Mudanças na Forma de Operar do Sistema Catarinense de Inovação Projeto 3: Implantação do Sapiens Park Projeto 4: Ampliação da Rede de Incubadoras Projeto 5: Incubação de Empresas de Pesquisa por Contrato Projeto 6: Projetos Geradores de Demanda Local Projeto 7: Implantação do Buy Santa Catarina Projeto 8: Implementação de Política Industrial

11 1. Introdução Inovação e Crescimento Econômico Tecnologia da Informação e Comunicações Sistemas de Inovação Sistema de Inovação Brasileiro Lições de Experiências Internacionais Ingredientes de uma Política Tecnológica Sistema de Inovação: Federal ou Estadual?

12 Inovação e crescimento econômico Importância do conhecimento como insumo gerador de riqueza. Conhecimento só pode ser gerado e apropriado por uma sociedade quando constituída por indivíduos educados. Logo, educação e desenvolvimento cultural são fundamentais para o crescimento econômico. Países emergentes que investiram mais fortemente na incorporação do conhecimento e da inovação, nos últimos 15 a 20 anos (Coréia do Sul, Irlanda, China e Índia), vêm sendo os mais bem sucedidos em suas trajetórias de desenvolvimento econômico.

13 1. Introdução Inovação e Crescimento Econômico Tecnologia da Informação e Comunicações Sistemas de Inovação Sistema de Inovação Brasileiro Lições de Experiências Internacionais Ingredientes de uma Política Tecnológica Sistema de Inovação: Federal ou Estadual?

14 Quinta Onda: Tecnologia da Informação e Comunicações Joseph Schumpeter introduziu visão do desenvolvimento através de ondas tecnológicas. A apropriação pela sociedade de cada uma dessas ondas abriu possibilidades de aumento da capacidade de criação de riqueza, e cada uma delas apresentou ritmo crescente de disseminação na sociedade e na economia. A mais recente é a que se convenciona chamar de TIC (tecnologia da informação e comunicações). O ritmo de introdução e incorporação pela sociedade das diversas tecnologias que compõem a onda da TIC é crescente e jamais vista nas ondas anteriores, e seu efeito sobre o aumento da produtividade do trabalho e sobre a taxa de crescimento da economia, igualmente significativo.

15 A globalização financeira e a difusão do novo paradigma tecnológico baseado nas TICs levou a uma significativa transformação na economia mundial, que se tornou mais integrada. A revolução tecnológica espalhou-se rápida e desigualmente entre diferentes países e regiões. Uma conseqüência destas mudanças é que a competitividade tornou-se crescentemente relacionada com a inovação, com a capacidade de aprendizado e com o conhecimento.

16 1. Introdução Inovação e Crescimento Econômico Tecnologia da Informação e Comunicações Sistemas de Inovação Sistema de Inovação Brasileiro Lições de Experiências Internacionais Ingredientes de uma Política Tecnológica Sistema de Inovação: Federal ou Estadual?

17 Sistemas de Inovação Estudos sobre inovação e desenvolvimento mostram que algumas sociedades aprenderam a incentivar e desenvolver o processo de inventar. Um termo novo foi introduzido no jargão dos formuladores de políticas públicas para o desenvolvimento, para caracterizar um conceito já existente desde Friedrich List: sistema de inovação. O termo procura abranger as instituições políticas, econômicas e financeiras, culturais, sociais e institucionais, que levam uma sociedade a criar e incorporar conhecimento e inovação. O processo de inovação pode ser visto como um intrincado jogo de influências recíprocas entre os fenômenos que ocorrem nas empresas, instituições de pesquisa e organizações sociais, e as estruturas macroeconômicas em que se inserem.

18 Em um contexto dinâmico isso significa que os sistemas micro das empresas, instituições e organizações de pesquisa coevoluem com as estruturas, instituições e políticas que os moldam, em um processo de mútuas influências e evolução. As especificidades de cada um desses sistemas de inovação fazem com que algumas sociedades se mostrem mais aptas do que outras para gerar e incorporar conhecimento, inovação e tecnologia. Países diferentes encontraram diferentes formas de adaptação aos novos paradigmas trazidos pela globalização. O registro histórico dos países menos desenvolvidos mostra que as barreiras para o acesso ao conhecimento tecnológico útil para suas necessidades econômicas e sociais tem se tornado cada vez mais difícil de vencer.

19 Os sistemas de inovação estão constituídos ou possuem as seguintes características: as empresas são o centro do sistema, e os demais atores envolvidos atuam no sentido de garantir sua crescente competitividade; as empresas inovam em processo de interação com outras empresas, com a infra-estrutura geradora de conhecimento básico (universidades e instituições de pesquisa), e com o acervo de conhecimentos acumulados; as atividades de inovação das empresas são desenvolvidas por equipes que interagem em seu interior, e com as equipes das universidades e instituições de pesquisa. A intensidade e profundidade dessa interação dependem de aspectos sócioeconômicos e culturais (sistemas de educação, comportamento do mercado de trabalho).

20 O processo de inovação, é, portanto, um processo sinérgico e cumulativo, em que uma idéia nova se baseia sempre em idéias anteriores, e em idéias de outros atores; A contribuição das diferentes empresas para o processo de inovação como um todo, depende de diversos fatores, dentre os quais o setor em que está inserida (seguindo a intensidade tecnológica desses setores), de seu porte (e, consequentemente, da capacidade financeira para adquirir densidade tecnológica), de sua localização, e do sistema econômico em que está inserida, e da localização de seu centro de decisão (propriedade do capital de controle).

21 1. Introdução Inovação e Crescimento Econômico Tecnologia da Informação e Comunicações Sistemas de Inovação Sistema de Inovação Brasileiro Lições de Experiências Internacionais Ingredientes de uma Política Tecnológica Sistema de Inovação: Federal ou Estadual?

22 Características Negativas do Sistema de Inovação Brasileiro A empresa é o motor da inovação, e é a partir dela que se pode estruturar o sistema de inovação regional ou local. O brasileiro é um povo empreendedor e criativo, e isso pode ser demonstrado pelo fato de que, sempre que uma ação continuada e apoiada pelo governo no sentido de desenvolvimento ou apropriação de tecnologias foi mantido ao longo do tempo suficiente, o sucesso foi absoluto. Exemplos disso são as tecnologias de exploração e produção de petróleo e gás em águas profundas da Petrobrás, o sucesso do CTA e da Embraer na indústria aeronáutica, as tecnologias de agricultura tropical da Embrapa, e, o desenvolvimento de sistemas informáticos na área de tributação e eleitorais. A principal característica nociva do sistema de inovação brasileiro é o divórcio entre o produtor de ciência básica e aplicada, e o utilizador da mesma, as empresas. A atividade de P&D, no Brasil, é, basicamente, realizada na universidade, que concentra a maior parte dos cientistas e engenheiros ativos em P&D, ao contrário do padrão dos países desenvolvidos.

23 Os profissionais ativos em P&D representam 0,11% da força de trabalho no Brasil, contra 0,8% nos EUA e Japão, e 0,4% na Coréia. Figura 1 - Percentagem da FT ativa em P&D para países selecionados Brasil Espanha Itália Coréia do Sul Alemanha França Média Japão EUA

24 Apesar das elevadas verbas governamentais para P&D, nos EUA, as mesmas representam apenas 26% do total, enquanto os investimentos privados representam 68%. Os números brasileiros, além de extremamente baixos como percentual do PIB, são aproximadamente o inverso dos números americanos: 60% são recursos governamentais, e 38% de empresas. Se se considerar que boa parte dos investimentos em P&D das empresas são feitos por empresas estatais, fica evidente a baixíssima prioridade atribuída ao fator inovação pela empresa privada brasileira. Da mesma forma, a atividade de P&D é desenvolvida, nos EUA, em sua maior parte (cerca de 76%), por centros de pesquisa de empresas, 14% por universidades, e 7% por instituições governamentais. No Brasil, 44% da atividade de P&D é desenvolvida por universidades, 37% por empresas, e 18% por instituições governamentais. É notória a insuficiência de investimentos públicos para o desenvolvimento das atividades de P&D no Brasil.

25 Nos EUA, do valor total dos dispêndios em P&D financiado pelo governo, 32% se destinam à execução por Centros de P&D de empresas, e 33% em universidades. O valor destinado a empresas refere-se à compra de desenvolvimento tecnológico pelo governo, o que se constitui em importante subsídio ao desenvolvimento tecnológico. Evidentemente, a baixa presença da empresa nas atividades de P&D acarretam um sério problema de competitividade para o País, reduzindo a capacidade de transformar ciência em riqueza, e de agregar valor à produção nacional. Além disso, a indústria de venture capital, financiadora do empreendedorismo ligado à inovação, é irrelevante, no Brasil. Nos EUA, Israel, UK, e alguns outros países, a indústria de venture capital representa 0,6 a 1,2% do PIB. No Brasil, segundo estimativas, não chega a 0,1%.

26 Um dos aspectos mais preocupantes do sistema de C,T&I brasileiro, que, em grande parte se baseia na universidade, tem pequena preocupação com a proteção da produção intelectual. É que o sistema universitário atribui grande peso à publicação de papers e informes científicos em revistas técnicas nacionais e internacionais, para efeito de avaliação da performance de professores e pesquisadores. Dessa forma, a academia, quase sempre, opta pela divulgação imediata, detalhada, e, freqüentemente prematura, de seus achados científicos, antes de seu patenteamento, sempre que isso se justifica. Por esse motivo, é comum verificar-se que produtos de pesquisa realizados no Brasil são patenteados e transformados em produto no exterior. Daí dizer-se que o Brasil, que dispõe, hoje, de uma produção científica razoável - mais do que proporcional à sua participação no PIB ou no comércio exterior mundiais -, produz ciência para terceiros.

27 1. Introdução Inovação e Crescimento Econômico Tecnologia da Informação e Comunicações Sistemas de Inovação Sistema de Inovação Brasileiro Lições de Experiências Internacionais Ingredientes de uma Política Tecnológica Sistema de Inovação: Federal ou Estadual?

28 Lições de Experiências Internacionais A experiência de países que tiveram no passado (Japão, Israel), e vêm tendo em tempos recentes (Coréia, Taiwan, Índia e China), grande sucesso em termos de catching up tecnológico, apontam para uma série de ingredientes comuns em suas políticas educacionais e tecnológicas: investimentos massificados em educação, em todos os níveis, mas, particularmente, em educação superior de qualidade; participação ativa do governo na política tecnológica, direcionando verbas para áreas de pesquisa consideradas prioritárias, e comprando tecnologias, ou subsidiando custos de pesquisas; presença de grandes empresas, com porte suficiente para sustentar investimentos em P&D, arriscados e de retorno incerto; veto à venda de controle de grandes empresas estratégicas (setores tecnologicamente importantes); proteção e apoio à tecnologia nacional, e, particularmente, proteção à propriedade intelectual; ampla atividade de incubação e apoio a empresas emergentes de base tecnológica; uso intensivo do poder de compra do Estado como alavancador da inovação.

29 A experiência de alguns países, em especial daqueles em estágio de desenvolvimento semelhante ao brasileiro, é particularmente interessante, e fornece dados para a definição de uma política tecnológica. São os casos, por exemplo, de Índia e Coréia. Nos dois casos, todos os ingredientes anteriores estão presentes. Ambos investiram intensivamente em educação, particularmente na formação de uma elite de cientistas e engenheiros altamente qualificados. Ambos protegem suas empresas estratégicas, investem na incubação de empresas emergentes de base tecnológica, e usam intensivamente o poder de compra do Estado como alavanca do desenvolvimento tecnológico. Em ambos os casos, o governo direciona e concentra os investimentos em educação superior e tecnologia para setores considerados prioritários. É o caso, na Índia, das indústrias de software e de fármacos, e, na Coréia, atualmente, de eletrônica e telecomunicações e de biotecnologia.

30 O caso da Coréia é particularmente interessante, podendo ser considerado exemplar em termos de uma condução de sucesso de política tecnológica pelo governo. O governo coreano tem histórico de sucesso na condução, participação em custos e riscos, e concentração do esforço inovativo do país em indústrias estratégicas, chamadas indústrias e tecnologias portadoras de futuro, e mesmo em tecnologias específicas, nas quais se avaliava que o país poderia se tornar um dos líderes mundiais. Em todos os campos selecionados, o país se colocou, em alguns anos, entre os líderes mundiais, como, recentemente, em informática e telecomunicações. Na década de 60, a indústria coreana era primitiva, dedicada a produzir produtos de consumo com base em licenças internacionais. Os primeiros pacotes legislativos coreanos referentes a incentivos tecnológicos datam de meados dessa década, quando foi criado o KIST (Korean Institute for Science and Technology). Incentivos foram dados, também, no início da década de 70, às atividades de engenharia de projeto.

31 O KIST foi o marco mais importante na trajetória vitoriosa da Coréia nas décadas que se seguiram, até sua posição de liderança atual. Foi o grande formador inicial de mão de obra de P&D, e ensinou as empresas coreanas a metodologia da pesquisa tecnológica, e, inicialmente subsidiou, e até hoje partilha custos e riscos da atividade com as empresas, hoje, com menor participação percentual. É nítido, na Coréia, que a participação direta e indireta do governo nos custos e riscos da atividade de P&D, acabaram por levar as empresas coreanas a investirem crescentemente em P&D. As verbas governo cresceram continuamente em termos absolutos, mas foram reduzidos percentualmente, cedendo espaço ao espetacular crescimento dos dispêndios dos grupos coreanos. O sucesso dessa trajetória didática pode ser visto pela participação privada crescente nos dispêndios com P&D do país: de 13% dos US$ 105 milhões que o país gastou em 1970 (0,4% do PIB), para mais de 75% dos US$ 16 bilhões (2,6% do PIB) gastos em 2003 com P&D.

32 No início da década de 80, os gastos das empresas já representavam 45% dos gastos totais. As pesquisas eram feitas ainda majoritariamente nos institutos (50%), mas as empresas já realizavam em centros próprios cerca de 41% dos investimentos em P&D. As universidades representavam apenas 9% das pesquisas. O KIST desdobrou-se em vários institutos setoriais, e as empresas começaram uma explosiva trajetória de abertura de centros próprios de P&D. Os números de 2003 indicam que o investimento em P&D das empresas coreanas representa 74% do total. Apesar da indústria coreana disputar a liderança mundial em diversos setores, o partilhamento de custos e riscos com o governo ainda é considerado essencial, e o governo participa com 26% dos recursos totais, principalmente em novas tecnologias.

33 A política de seleção de tecnologias, com investimentos maciços e concentrados subseqüentes, têm sempre um objetivo comercial pré-determinado, e uma associação com empresas interessadas em comercializar os desenvolvimentos obtidos. É o caso atual das tecnologias de acesso sem fio à internet, baseadas no sistema WiMax, da Intel. Essa tecnologia específica foi selecionada há alguns anos atrás pelo governo, em comum acordo com os chaebols da área, particularmente a Samsung, por se tratar de tecnologia pioneira, em que o país poderia tomar a liderança mundial. Volume maciço de recursos foi disponibilizado - inicialmente pelo governo - para o deslanche das pesquisas. A Samsung está lançando o sistema WiBro, antecipando-se a qualquer outro concorrente mundial, tornando-se líder e pioneira na exploração comercial da tecnologia.

34 A política tecnológica coreana, na prática, se baseia em alguns princípios norteadores básicos: grande preocupação com aplicações práticas e comerciais das pesquisas, e rigorosa proteção da propriedade intelectual; associação entre governo, universidades, centros de pesquisa e, obrigatoriamente, pelo menos um grupo empresarial; participação ativa do governo na rígida seleção de oportunidades tecnológicas, focando sempre setores intensivos em tecnologia; e concentração de esforços nos alvos selecionados.

35 1. Introdução Inovação e Crescimento Econômico Tecnologia da Informação e Comunicações Sistemas de Inovação Sistema de Inovação Brasileiro Lições de Experiências Internacionais Ingredientes de uma Política Tecnológica Sistema de Inovação: Federal ou Estadual?

36 Ingredientes de uma Política Tecnológica Do exposto, pode-se extrair alguns princípios importantes para a formulação de uma política tecnológica focada em resultados: necessidade de participação ativa do Governo, através do fornecimento de recursos, incentivos de ordem fiscal, participação direta nos custos (subsídio, disponibilização de infra-estrutura, e pesquisa cooperativa), apoio através de uso do poder de compra, direcionamento de pesquisas através de alocação de verbas e de encomendas tecnológicas; continuidade do volume de recursos alocados a C,T&I; orientação e foco de pesquisas e verbas em alguns setores de maior impacto e perspectivas de crescimento; extrema atenção à proteção da propriedade intelectual; existência de um sistema de financiamento e apoio a empresas emergentes de base tecnológica.

37 1. Introdução Inovação e Crescimento Econômico Tecnologia da Informação e Comunicações Sistemas de Inovação Sistema de Inovação Brasileiro Lições de Experiências Internacionais Ingredientes de uma Política Tecnológica Sistema de Inovação: Federal ou Estadual?

38 Sistema de Inovação: Federal ou Estadual? Dúvida comum é a de se a atividade de desenvolvimento tecnológico e inovação é um problema que deve estar afeto ao Governo Federal, ou se há espaço para a atuação dos Estados. A maioria dos Estados tem, em sua Constituição, algum tipo de obrigatoriedade de aplicação mínima em C,T&I, mas, na prática, trata a questão da Inovação como sendo assunto do Governo Federal, restringindo-se a atuar na carona, repassando verbas e inserindo suas iniciativas no âmbito dos programas federais. É possível, sim, implementar um sistema estadual ou regional de inovação, sem deixar de aproveitar as facilidades criadas pelo Governo Federal (ver, por exemplo, a forma de atuação do Estado de São Paulo, e mesmo do governo catarinense). É fundamental que Santa Catarina redesenhe seu sistema estadual de inovação, com instituições operando com paradigmas e iniciativas e prioridades próprios e definidos localmente.

39 2. Políticas de Apoio à Inovação Tipologia das Ações de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico Incentivos Fiscais Políticas Públicas Não Fiscais

40 Tipologia das Ações de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico Todos os países, inclusive, e sobretudo, os de orientação macroeconômica neoliberal, intervêm fortemente através de políticas públicas, no setor tecnológico. Tais políticas visam estimular a sociedade como um todo, mas particularmente os principais atores envolvidos, as empresas, a buscarem eficiência pela incorporação de tecnologias inovadoras. Uma taxonomia das políticas aplicadas começaria separando os incentivos dados pelo governo em fiscais e não fiscais.

41 Os incentivos fiscais são o instrumento mais simples, imediatos e comuns, aplicados como estimuladores das atividades de P&D. A principal crítica que se faz a esse tipo de incentivo é que atinge somente as empresas grandes e maduras, as únicas investidoras em P&D que costumam apresentar lucros com regularidade e em volume capazes de permitir a apropriação de incentivos de ordem fiscal. Ocorre que boa parte das atividades de P&D é exercida em cooperação entre instituições sem fins lucrativos, como centros de pesquisa do Governo, e por pequenas empresas, sobretudo as em estágio inicial de implementação. Tais atores não dispõem de faturamento ou resultados passíveis de serem sensibilizados pelos incentivos fiscais tradicionais.

42 Daí a necessidade de aplicação de uma série de incentivos e formas de apoio à atividade de pesquisa, de origens diversas. Dentre as políticas públicas não fiscais, pode-se citar: disponibilização de infra-estrutura pública de C&T;. aporte financeiro às empresas para inovação: empréstimos; participação acionária direta do governo; capital de risco. participação direta do governo nos custos: encomendas tecnológicas do governo (total); participação direta (parcial); pesquisa cooperativa. uso do poder de compra do Estado (incluindo empresas estatais); e proteção de mercado (barreiras à importação).

43 2. Políticas de Apoio à Inovação Tipologia das Ações de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico Incentivos Fiscais Políticas Públicas Não Fiscais

44 Incentivos Fiscais Incentivos fiscais a investimentos em P&D se constituem na política pública mais utilizada para o desenvolvimento de atividades de inovação, em praticamente todo o mundo. Deixa, no entanto, de abranger um ator importantíssimo no processo de inovação, que é a pequena empresa inovadora. Não há, entretanto, como deixar de utilizar um sistema de incentivos fiscais a investimentos em P&D, já que a grande empresa é o ator mais importante em alguns setores de tecnologia, e, além disso, costuma exercer um efeito multiplicador importante como comprador de pesquisas e desenvolvimentos tecnológicos das pequenas empresas altamente especializadas. Assim, a nível estadual, um conjunto de políticas voltadas para o incentivo à inovação, deve contemplar algum tipo de incentivo fiscal na área do ICMS.

45 2. Políticas de Apoio à Inovação Tipologia das Ações de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico Incentivos Fiscais Políticas Públicas Não Fiscais

46 Políticas Públicas Não Fiscais Um conjunto de políticas públicas voltado para a inovação deve começar, necessariamente pela criação ou desenvolvimento de ampla infra-estrutura pública em C&T, que consistiria de centros de formação de recursos humanos, e montagem de laboratórios e centros de pesquisa de utilização geral pelas empresas, através de uso direto, encomenda de serviços, ou pesquisa cooperativa. Da mesma forma, um sistema de financiamento às atividades tecnológicas deve ser criado pelo setor público, envolvendo todas as providências para suportar as atividades de pesquisa, focando, sobretudo, a pequena empresa de base tecnológica. Um sistema desse tipo deve englobar o repasse de verbas federais por agentes locais, financiamentos e avais, e, sobretudo, participação direta do governo no capital das empresas, e apoio ao desenvolvimento de um sistema em parceria com a iniciativa privada, de capital de risco.

47 Além disso, todos os países importantes na área tecnológica costumam manter uma política industrial voltada para o desenvolvimento e proteção da tecnologia local, que consiste de uma série de providências envolvendo, dentre outras, a proteção aduaneira à importação de bens e serviços com conteúdo tecnológico, e um sistema de subsídios à atividade inovadora, seja total, através de encomendas tecnológicas voltadas para áreas da fronteira tecnológica, energia, saúde e defesa, e para o atendimento das demandas tecnológicas mais importantes da sociedade, seja parcial, através do aporte, a fundo perdido de parte dos custos das pesquisas, ou de participação nos custos em pesquisa cooperativa. Finalmente, os países mais bem sucedidos na área tecnológica costumam usar intensivamente o poder de compra do estado, direcionando-o a empresas locais.

48 3. Sistema de Inovação Catarinense Diagnóstico Bases para o Desenvolvimento Políticas Públicas Ambiente Institucional Formação de Recursos Humanos Forma de Atuação do Sistema de Inovação Catarinense

49 Diagnóstico Estrutura Performance Forma de Atuação

50 Diagnóstico Estrutura O sistema catarinense de ensino superior é composto por cerca de 120 instituições de ensino, com quase 180 mil alunos inscritos em cursos de graduação e pós-graduação, e cerca de 3 mil professores com nível de mestrado e doutorado. As universidades mais importantes são as duas universidades públicas, a UFSC, federal, e a UDESC, estadual. Há, ainda, dez universidades organizadas na forma de Fundações, e diversos centros universitários e estabelecimentos isolados. O sistema de pós-graduação stricto senso conta com 25 cursos de Doutorado e 72 cursos de mestrado, com mais de 6 mil alunos matriculados. Computados os cursos de especialização, o número total de cursos de pós-graduação sobe para 398, com mais de 16 mil alunos matriculados.

51 O sistema catarinense de inovação abrange, ainda: a FAPESC, financiadora pública de atividades de C,T&I; o EPAGRI Empresa de Tecnologia Agropecuária e de Extensão Rural de Santa Catarina S.A., voltada para pesquisa na área agrícola e extensão rural; um centro de pesquisa da Embrapa, o Centro Nacional de Pesquisa em Suínos e Aves, localizado em Concórdia; seis centros tecnológicos do SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, junto aos principais APLs catarinenses (Automação e Informática, em Florianópolis, Eletrometalmecânica, em Joinville, Vestuário, em Blumenau, Cerâmica e Materiais, em Criciúma, Mobiliário, em São Bento do Sul, e Alimentos, em Chapecó); 17 incubadoras, dentre as quais se destacam o CELTA Centro Empresarial para Laboração de Tecnologias Avançadas, da Fundação CERTI; um parque tecnológico em funcionamento, o PAKTEC ALFA, e um em projeto, o Sapiens Park.

52 O sistema catarinense de inovação tem um arranjo institucional bem definido, compreendendo os seguintes órgãos e respectivas atribuições: Conselho Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação CONCITI encarregado de formular a política estadual de C,T&I diretamente subordinado e presidido pelo Governador do Estado; com representantes de todos os órgãos diretamente envolvidos com inovação, particularmente o Secretário de Educação, C&T, que é seu primeiro Vice-Presidente, o Secretário de Agricultura, seu segundo VP, e os Secretários de Saúde, Planejamento e Desenvolvimento Sustentável. Secretaria de Educação, C&T dentre outras atribuições na área educacional, encarregada de implementar a política de C,T&I formulada pelo CONCITI.

53 Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de SC FAPESC diretamente subordinada à Secretaria de Educação, C&T; encarregada, dentre outras coisas, de: aplicar os recursos destinados à pesquisa científica e tecnológica; planejar, elaborar e executar os planos e programas de fomento a C,T&I, considerando as orientações de política emanadas do CONCITI; fomentar o desenvolvimento tecnológico da empresa catarinense, em parceria com as universidades do Estado; incentivar a criação de APLs e de incubadoras de base tecnológica; fomentar e manter soluções de TIC como infra-estrutura para a administração pública e as atividades de C,T&I; e, particularmente, gerenciar a rede de governo.

54 Particularmente, no caso de TIC, o Governo de Santa Catarina está estruturado da seguinte forma: Conselho Estadual de Tecnologia da Informação CTIC encarregado de definir políticas, normas e padrões de TIC; diretamente subordinado e presidido pelo Vice-Governador do Estado; com representantes de todos os órgãos diretamente envolvidos com inovação, particularmente o Secretário da Fazenda, que é seu Vice- Presidente, o Diretor de TI e Governança Eletrônica da Secretaria de Fazenda, que é seu Secretário Executivo, os Secretários de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável, Educação e C&T, Administração, e Comunicação, e os Presidentes da FAPESC e do CIASC. Secretaria de Estado da Fazenda que, dentre outras atribuições, deve gerir,definindo as normas e padrões, os assuntos de TIC, observadas as decisões de política do CTIC, e coordenar as ações de implementação do Serviço de Atendimento ao Cidadão.

55 O DTEC Diretoria de Tecnologia da Informação e Governança Eletrônica, da SEF, incumbida da execução da atribuição de gestão dos assuntos de TIC. O Diretor de TI e GE secretaria a CTIC. No âmbito de cada Secretaria de Estado, foi criada a figura do Gerente de TI, encarregado de fazer a interlocução e implementar as decisões do CTIC, SEF, e DTEC, em suas áreas de atuação. CIASC Centro de Informática e Automação do Estado SC empresa pública diretamente subordinada à SEF; encarregada, dentre outras coisas, de: integrar os sistemas informatizados do Governo em uma rede; especificar padrões de TIC para os órgãos do Governo; gerenciar os processos informatizados no âmbito do Governo; prestar consultoria e desenvolver aplicativos; e, particularmente, desenvolver tratamento de imagens e websites do Governo.

56 Até o advento das normas legais que reestruturaram a administração estadual, na atual gestão, particularmente a Lei Complementar 284, de fevereiro de 2005, havia falta de clareza em relação a uma política para a área de TIC e a Governança Eletrônica, tendo os diversos órgãos absoluta liberdade para a escolha de plataformas e soluções de TIC, freqüentemente incompatíveis, acarretando desperdícios e falta de sinergia nos esforços realizados. A nova lei definiu com clareza a estrutura hierárquica de gestão, passando a haver a possibilidade de efetiva coordenação das atividades ligadas à TIC no Governo. A atividade foi posta sob comando definido (Vice-Governador), e foi criado o CTIC, com a missão de definir uma política e Planos Diretores de TIC, definir a estrutura de gestão das redes governamentais de comunicação de voz, dados e imagem, aprovar as normas para aquisição de soluções em TIC, e aprovar procedimentos de certificação digital.

57 A execução dessas políticas e planos foi delegada à SEF, através de sua DTEC. Por outro lado, à SEF se vincula o CIASC, empresa pública encarregada de executar serviços na área de TIC para o Governo. E, para aperfeiçoar a coordenação das atividades no âmbito do Governo, cada Secretaria de Estado passou a contar, em sua estrutura, de uma Gerência de TIC, encarregada do relacionamento com o DTEC, e de zelar pelo cumprimento, em sua área, das normas e orientações emanadas do CTIC e da SEF. Pode-se discutir e, eventualmente criticar, a adequação dessa atribuição à SEF, mas não a clareza com que foi definida a estrutura e a definição de atribuições. Persistem ainda, no entanto, algumas questões não claramente definidas, ou superposições, que deveria ser corrigidas no curto prazo, a fim de evitar que a elaboração e a execução de políticas e planos sejam prejudicadas.

58 Trata-se de definir, ou melhor, de esclarecer, no âmbito do Governo, a quem incumbe a execução dos planos de implementação do Governo Eletrônico, e a implementação e gestão da rede de fibra ótica do Governo. No que diz respeito à rede de fibra ótica, a atribuição legal é da FAPESC, mas há diversos órgãos envolvidos, como a própria FAPESC, o CIASC, a CELESC, e SC Parcerias. Já no tocante às iniciativas de Governo Eletrônico, há o CIASC, a SC Parcerias, e ainda, a Fundação CERTI. O assunto deve ser debatido no âmbito do CTIC visando o encaminhamento de uma solução clara e definitiva para as indefinições que ainda persistem. Dentro da estrutura do Estado, o CIASC - que tem recursos humanos e tecnológicos, e grande conhecimento das necessidades do Governo em termos TIC, e experiência em implantar e manter projetos de porte tem o perfil mais adequado para assumir a execução tanto da implementação da rede de fibra ótica quanto da gestão do projeto de e-gov.

59 Os pontos fracos do CIASC seriam a falta de recursos (*), algum corporativismo de seu quadro funcional, e a resistência de alguns órgãos usuários, devido à imagem negativa até certo ponto injusta - que tem. De fato, a empresa goza de boa reputação na comunidade de TIC, a nível nacional, mas é vista em alguns setores do Governo como uma organização atrasada, utilizando tecnologias ultrapassadas baseadas em mainframe, percepção esta que não corresponde à realidade. Primeiro, porque o mainframe não pode ser considerado um mal em si, sendo absolutamente essencial em casos em que se tem que lidar com grande volume de dados, e em segundo, porque a empresa vem fazendo grande esforço para migrar parcialmente para plataformas baixas e tecnologias da Internet. A questão do corporativismo do corpo funcional não é irrelevante, e pode influenciar negativamente a tomada de decisões, com a opção pelo desenvolvimento de soluções in house. A atual administração vem combatendo essa tendência. (*) o que, de resto, ocorre com todos os órgãos dependentes do Orçamento Estadual.

60 Diagnóstico Estrutura Performance Forma de Atuação

61 Diagnóstico Performance O sistema de inovação de SC se caracteriza por: baixa taxa de inovação medida pelo percentual de firmas que lançam novos ou melhores produtos e/ou processos no mercado (Pintec, 2005, IBGE); o investimento em inovação se concentra na aquisição de bens de capital, antes que na atividade de P&D propriamente dita (*) ; os gastos de P&D das firmas, além de baixos, estão em queda (talvez como resultado do ambiente econômico - alta taxa de juros, volatilidade cambial, restrição ao gasto público, deterioração da infra-estrutura -, que não favorece o investimento produtivo); Santa Catarina tem boa infra-estrutura científica, e um sistema de pós-graduação de boa qualidade (universidades públicas e instituições de pesquisa), resultado de mais de trinta anos de investimento público na área; o investimento governamental em C,T&I é baixo e apresenta grande volatilidade, devido às restrições de ordem orçamentária. (*) mais de 50% dos gastos das firmas com inovação estão voltados para aquisição de bens tangíveis; tal percentual, nos países da OCDE, é de, em média, 20%.

62 O artigo n o 193 da Constituição do Estado destina um valor mínimo equivalente a 2% da receita líquida do Estado (descontados os repasses a Municípios) às atividades de C,T&I. Em função das limitações orçamentárias (decorrentes, sobretudo, do ônus imposto pela Lei 9.496, de 1997, que consolidou e refinanciou as dívidas estaduais, com limite em 13% de 1/12 avos do valor da receita líquida apurada mensalmente), o Estado tem sido obrigado a operar um Orçamento meramente autorizativo, sendo a maior parte das verbas contingenciadas na execução do orçamento, como se pode ver na Tabela a seguir. O atual Governo ampliou substancialmente o percentual de verbas efetivamente liberadas como percentual do Orçamento destinado a C,T&I pela Constituição Estadual, o qual encontra-se ainda, no entanto, em torno de 40% do previsto no Orçamento. Além desse orçamento básico, que, se efetivamente disponível, já seria, em si, relevante -, as instituições estaduais operam no repasse de verbas Federais, como os Fundos do MCT e do MEC, e verbas específicas do Ministério das Comunicações.

63 FAPESC - Orçamento e Repasses Orçamentários Efetivos Exercício Orçamento Repassado % ,6 1,2 7, ,6 2,6 11, ,9 2,8 12, ,6 1,0 3, ,5 2,6 10, ,7 4,9 13, ,0 11,5 30, ,9 16,0 39, ,5 18,3 37, ,0 17,7 43,1 Fonte: FAPESC

64 Diagnóstico Estrutura Performance Forma de Atuação

65 Diagnóstico Forma de Atuação A FAPESC tem sua atuação condicionada por uma série de fatores, dentre os quais o mais importante é o histórico contingenciamento das verbas destinadas a C,T&I, como decorrência das dificuldades orçamentárias do Governo. Ainda assim, a instituição vem conseguindo manter uma atuação equilibrada. O orçamento de 2003, primeiro ano da gestão atual, dá uma idéia da distribuição dos recursos orçamentários da FAPESC, quando a perspectiva era de um orçamento pleno. O orçamento não foi executado devido ao contingenciamento, resultando em carry-over de compromissos referentes aos editais emitidos naquele ano, o que passou a condicionar os orçamentos dos anos seguintes. Por esse motivo, o orçamento de 2003 pode ser considerado como a peça que representa a orientação e as intenções da direção da FAPESC no que diz respeito à distribuição das verbas que estariam disponíveis caso não houvesse ocorrido o contingenciamento. (*) cerca de 34%, a nível de destinações orçamentárias, mas não de aplicações efetivas.

66 Nesse nível de intenções, a FAPESC pretendia comprometer 22,9% dos recursos a dois projetos que deveriam ter tratamento orçamentário à parte, o Sapiens Park e a RTIC, 22,5% aos editais universais de pesquisa, 33,6% à pesquisa aplicada e apoio às APLs, e apenas 5,4% a incubadoras e 0,7% à implantação de laboratórios. Destinações Orçamentárias FAPESC TOTAL RTIC - Rede G overno Sapiens Park Editais Universais Arranjos Produtivos Pesquisa Aplicada Incubadoras Laboratórios Eventos Outros Custeio Administrativo R$ m ilhões % total 42,3 100,0% 9,6 23,9% 0,5 9,5 22,5% 1,4 33,6% 12,8 2,3 5,4% 0,3 0,7% 1,1 2,6% 3,7 8,7% 1,1 2,6% Fonte: Distribuição de Recursos do Orçamento de 2003, do FUNCITEC (atual FAPESC), Relatório do FUNCITEC, 2003

67 A julgar por esse programa de investimentos, as seguintes características da forma de atuar da FAPESC podem ser deduzidas: pequeno percentual do orçamento destinado a custeio; parcela adequada do orçamento destinado a pesquisas em cooperação com empresas ou arranjos produtivos locais, em geral, como contrapartida estadual de programas federais (PAPPE-Finep e PRONEX-CNPq); pequeno percentual de verbas destinado ao financiamento de implantação de infra-estrutura de pesquisa (laboratórios); grande esforço administrativo despendido na gestão de programas que fogem à finalidade específica de pesquisa (rede de governo), ou que deveriam ter tratamento ä parte (Sapiens Park); ausência no apoio à formação básica de recursos humanos (cursos e bolsas na área tecnológica), tarefa deixada a cargo de outras fontes de recursos da SECT; pouco esforço financeiro para implantação de incubadoras; e atuação passiva na orientação das áreas de pesquisa (atuação exclusiva através de editais universais, de iniciativa de instituições de ensino, pesquisadores individuais, e/ou empresas).

68 3. Sistema de Inovação Catarinense Diagnóstico Bases para o Desenvolvimento Políticas Públicas Ambiente Institucional Formação de Recursos Humanos Forma de Atuação do Sistema de Inovação Catarinense

69 Bases para o Desenvolvimento do Sistema de Inovação Catarinense aumento das verbas destinadas a C,T&I, e repasse efetivo (cumprimento do orçamento) das mesmas; direcionamento de políticas públicas para a geração de demanda governamental (inclusive de empresas estatais) para empresas inovadoras; particularmente, criar um programa de encomendas, por parte do Governo Estadual, de desenvolvimento tecnológico adequado às prioridades locais; subsídio explícito à pesquisa, através de pesquisa cooperativa ou de participação direta nos custos; criação de ambiente institucional favorável à integração entre pesquisa tecnológica e setor produtivo, particularmente a indústria, considerada a base de qualquer sistema de inovação com conseqüências práticas;

70 investimento na ampliação da infra-estrutura de pesquisa; investimento no aprimoramento dos cursos de formação e criação de centros de excelência voltados para a formação profissional nas especialidades ligadas às atividades tecnológicas; implantação de sistema de financiamento e apoio ao empresas emergentes de base tecnológica; e reforço substancial à ênfase dada à proteção da propriedade intelectual gerada pela política de inovação do Estado.

71 3. Sistema de Inovação Catarinense Diagnóstico Bases para o Desenvolvimento Políticas Públicas Ambiente Institucional Formação de Recursos Humanos Forma de Atuação do Sistema de Inovação Catarinense

72 Políticas Públicas Lei Estadual de Inovação Programa de Compras Tecnológicas Compras Governamentais Política Industrial

73 Políticas Públicas Lei Estadual de Inovação A partir da entrada em vigor da Lei , de dezembro de 2004, regulamentada pelo recente Decreto 5.563, de 11 de outubro de 2005, alguns Estados têm apresentado projetos de leis locais com o objetivo de regular o funcionamento dos respectivos sistemas estaduais de inovação. Importantes dispositivos da Lei Federal da Inovação são os voltados para o estímulo à pesquisa cooperativa entre empresas e instituições estatais de pesquisa, particularmente os relativos à regulação do uso da infra-estrutura pública de CT&I por empresas privadas, à propriedade intelectual conjunta da inovação, à possibilidade de participação da União, Estados e Municípios, direta ou indiretamente no capital de empresas inovadoras, e à participação do pesquisador de entidades estatais nos resultados das pesquisas.

74 A Lei federal estabelece os princípios gerais da política de CT&I, mas deixa vagos uma série de aspectos importantes para a organização de cada sistema de inovação estadual. Por esse motivo, e para dar maior segurança aos executores das políticas estaduais, é recomendável que o Estado institua uma lei de inovação estadual que regulamente claramente pontos fundamentais da política tecnológica estadual.

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