4. Conversando um pouco mais sobre o conselho escolar

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1 4. Conversando um pouco mais sobre o conselho escolar João Ferreira de Oliveira UFG Karine Nunes de Moraes UFG Luiz Fernandes Dourado UFG É fundamental que o conselho escolar, no processo de sua construção e constituição, passe por momentos de vivências coletivas nas quais não somente se discuta o significado de um órgão colegiado para a organização político-pedagógica da escola, mas também se defina o tipo de homem, de educação e de sociedade que se deseja construir. Logo, é necessário pensar em meios e estratégias que garantam estudos e debates, seminários, encontros, assembléias com os diversos segmentos componentes da comunidade escolar, para que o processo de construção do conselho seja antecipado de condições possibilitadoras da compreensão teórico-prática e política que explicitem a sua necessidade (PEREIRA FILHO, 1996). A gestão e a participação nos conselhos escolares A LDB estabeleceu nas instituições públicas de educação básica os conselhos escolares, com representação da comunidade. Essa forma de participação reforça os interesses coletivos da ação pública e constitui mecanismo político de superação da centralidade do poder instituído nas escolas. A implementação dos conselhos escolares permite que diferentes setores da sociedade possam contribuir e participar da gestão da escola de forma democrática e institucionalizada. Com base nessa concepção organizativa, a escola pode concretamente adotar um novo conteúdo e uma nova prática de gestão que fundamentalmente priorize a dimensão participativa. Alguns exemplos de concepções que priorizam a participação são a co-gestão, a administração colegiada, a democracia participante e a autogestão. A co-gestão está ligada ao princípio de co-decisão. Uma decisão só pode ser tomada por concordância das partes. A co-gestão busca o equilíbrio de poder e de participação dos vários segmentos no interior da instituição-escola ou da empresa. A administração colegiada pressupõe a participação da comunidade nas decisões do processo educativo. Representa uma instância coletiva de tomada de decisão e de análise dos problemas da escola. A administração colegiada busca uma nova prática de exercício do poder. A democracia participante baseia-se no princípio de que seus membros elegem delegados para representar seus interesses. Seu objetivo é que os problemas das bases sejam considerados nas políticas do Governo e do Estado. Nesse tipo de organização, só os delegados legitimamente escolhidos têm autoridade para votar sobre os assuntos a serem decididos. 1

2 A autogestão pressupõe que todos os cidadãos se tornem administradores diretos de suas organizações, empresas ou instituições. Seus membros formam um grupo que se autogoverna. Numa organização de autogestão, a coletividade exerce os poderes do governo por meio da ação direta. O processo de gestão da escola deve estar fundamentado no seu Projeto Político-Pedagógico. O processo democrático vive da ação coletiva e, como tal, implica participação da comunidade escolar no processo de discussão e definição de suas políticas e projetos educacionais. A construção de uma cultura democrática só é possível a partir de práticas democráticas. Os princípios e regras que norteiam essa prática, embora ligados à natureza universal dos valores democráticos, têm uma especificidade intrínseca à natureza e ao projeto social de cada escola ou sistema escolar. A escola não é democrática só por sua prática administrativa. Torna-se democrática por suas ações pedagógicas e essencialmente educativas (FONSECA, 1997, p. 49). (BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares. NAVARRO, I. P. Conselhos escolares: democratização da escola e construção da cidadania. Brasília: UnB/ CEAD, 2004, p.22). Portanto, para que a participação seja uma realidade, são necessários meios, ações e condições favoráveis, ou seja, é preciso repensar a cultura escolar e local, os processos, normalmente autoritários, de distribuição do poder no seu interior. Enfim, a participação é um processo permanente, a ser construído coletiva e diariamente. Em alguns casos, é necessário reaprender o processo de participação, reinventá-lo! Nessa direção, é fundamental ressaltar que a participação não se decreta, não se impõe e, portanto, não pode ser entendida apenas como mecanismo formal, ritual e legal. Assim, a participação é compreendida como a organização e gestão cujo objetivo é criar as condições e os mecanismos para que os diferentes sujeitos sociais possam atuar e interferir nos diferentes espaços de decisão e responsabilização das unidades escolares. Significa reconhecer que na escola todos têm contribuições e saberes para compartir e que todos os processos realizados nos espaços da escola são vivências formativas e cidadãs. Qual a função do conselho escolar? O conselho escolar deve ser o espaço onde se discutem as questões educativas e seus desdobramentos na prática político-pedagógica da escola. Nesse sentido, os conselhos escolares têm as seguintes funções: deliberativa, consultiva, fiscal e mobilizadora. Deliberativas: quando decidem sobre o Projeto Político-Pedagógico e outros assuntos da escola, aprovam encaminhamentos de problemas, garantem a elaboração de normas internas e o cumprimento das normas dos sistemas de ensino e decidem sobre a organização e o funcionamento geral das escolas, propondo à direção as ações a serem desenvolvidas. Elaboram normas internas da escola sobre questões referentes ao seu funcionamento nos aspectos pedagógico, administrativo ou financeiro. Consultivas: quando têm um caráter de assessoramento, analisando as questões encaminhadas pelos diversos segmentos da escola e apresentando sugestões ou soluções, que poderão ou não ser acatadas pelas direções das unidades escolares. 2

3 Fiscais (acompanhamento e avaliação): quando acompanham a execução das ações pedagógicas, administrativas e financeiras, avaliando e garantindo o cumprimento das normas das escolas e a qualidade social do cotidiano escolar. Mobilizadoras: quando promovem a participação, de forma integrada, dos segmentos representativos da escola e da comunidade local em diversas atividades, contribuindo, assim, para a efetivação da democracia participativa e para a melhoria da qualidade social da educação. (BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares. NAVARRO, I. P. Conselhos escolares: democratização da escola e construção da cidadania p. 38-9). Funções do conselho escolar Quais são as principais atribuições do conselho escolar? As atribuições do conselho escolar dependem, como já falamos anteriormente, do regimento comum da rede de ensino e/ou unidade escolar. Porém, no processo de luta pela democratização da gestão, preconiza-se que a escola tenha autonomia para elaborar seu próprio regimento, observando as determinações de ordem mais geral do regimento da rede. De modo amplo, as suas atribuições são, entre outras: 3

4 Primeiramente, a elaboração do regimento interno do conselho escolar, que define ações importantes, como calendário de reuniões, substituição de conselheiros, condições de participação do suplente, processos de tomada de decisões, indicação das funções do conselho etc. Num segundo momento, deve-se partir para a elaboração, discussão e aprovação do Projeto Político-Pedagógico da escola. No caso de escolas em que existe o Projeto Político-Pedagógico, cabe ao conselho escolar avaliá-lo, propor alterações, se for o caso, e implementá-lo. Em ambos os casos, o conselho escolar tem um importante papel no debate sobre os principais problemas da escola e suas possíveis soluções. De modo geral, podem ser identificadas algumas atribuições dos conselhos escolares: elaborar o regimento interno do conselho escolar coordenar o processo de discussão, elaboração ou alteração do regimento escolar convocar assembléias-gerais da comunidade escolar ou de seus segmentos garantir a participação das comunidades escolar e local na definição do Projeto Político-Pedagógico da unidade escolar promover relações pedagógicas que favoreçam o respeito ao saber do estudante e valorizem a cultura da comunidade local propor e coordenar alterações curriculares na unidade escolar, respeitada a legislação vigente, a partir da análise, dentre outros aspectos, do aproveitamento significativo do tempo e dos espaços pedagógicos na escola propor e coordenar discussões junto aos segmentos e votar as alterações metodológicas, didáticas e administrativas na escola, respeitada a legislação vigente participar da elaboração do calendário escolar, no que competir à unidade escolar, observada a legislação vigente acompanhar a evolução dos indicadores educacionais (abandono escolar, aprovação, aprendizagem, entre outros), propondo, quando se fizerem necessárias, intervenções pedagógicas e/ou medidas socioeducativas, visando à melhoria da qualidade social da educação escolar elaborar o plano de formação continuada dos conselheiros escolares, visando a ampliar a qualificação de sua atuação aprovar o plano administrativo anual, elaborado pela direção da escola, sobre a programação e a aplicação de recursos financeiros, promovendo alterações, se for o caso fiscalizar a gestão administrativa, pedagógica e financeira da unidade escolar promover relações de cooperação e intercâmbio com outros conselhos escolares O exercício dessas atribuições é, em si mesmo, um aprendizado que faz parte do processo democrático de divisão de direitos e responsabilidades no processo de gestão escolar. Cada conselho escolar deve chamar a si a discussão de suas atribuições prioritárias, em conformidade com as normas do seu sistema de ensino e da legislação em vigor. Mas, acima de tudo, deve ser considerada a autonomia da escola (prevista na LDB) e o seu empenho no processo de construção de um Projeto Político- Pedagógico coerente com seus objetivos e prioridades, definidos em função das reais demandas das comunidades escolar e local, sem esquecer o horizonte emancipador das atividades desenvolvidas nas escolas públicas. 4

5 Para o exercício dessas e de outras atribuições que forem definidas segundo a autonomia da escola, é indispensável considerar que a qualidade que se pretende atingir é a qualidade social, ou seja, a realização de um trabalho escolar que represente, no cotidiano vivido, crescimento intelectual, afetivo, político e social dos envolvidos tendo como horizonte a transformação da realidade brasileira, o que não pode ser avaliado/medido apenas por meio de estatísticas e índices oficiais. (NAVARRO, I. P. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares. Conselhos Escolares: democratização da escola e construção da cidadania p. 45-8). Quem compõe o conselho escolar? A composição do conselho escolar é variada, dependendo do regimento de cada rede de ensino e/ou unidade escolar. No entanto, a maioria dos conselhos tem como representantes os seguintes segmentos da unidade escolar: pais, alunos, professores, direção e demais funcionários. Quem elege o conselho escolar? Numa escola que vivencia a prática da gestão democrática, os componentes do conselho escolar devem ser eleitos pelos membros do segmento que representam, ou seja, professores, estudantes, funcionários, pais. Podem participar do conselho, com direito a voz e voto, todos os que fazem parte da comunidade escolar e foram eleitos representantes pelos seus pares. Porém, todos os que trabalham, estudam, têm filhos na escola ou são integrantes de movimentos sociais organizados na área em que a escola está inserida podem participar das reuniões do conselho, com direito a voz. Referências A referência bibliográfica do texto encontra-se disponível no link Referências do menu lateral da Sala Ambiente. 5

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